CRITICAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PORQUÊ? ISSO É BOM?
30/04/2025
CRITICAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PORQUÊ? ISSO É BOM?
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Pix: bruno@reikdal.net
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Espero desejo que sim, do fundo do meu coração. Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo e muito bem-vinde ao nosso canalzinho. Meu nome é Bruno Requidal, sou doutor em economia política mundial, mestre em filosofia, graduado em filosofia, formado em teologia, pai educador popular, profissional da educação, companheiro de uma mulher maravilhosa, além de editor da revista Zelota e produtor de conteúdo aqui nas horas vagas. E hoje nós vamos trazer aqui uma crítica à teologia da libertação e alguns desdobramentos dessa crítica. algumas reflexões que eu considero bastante importantes para o nosso tempo, para o nosso dia, o momento que nós estamos vivendo hoje. Mas antes de contar para vocês qual é a crítica, qual é esse conteúdo propriamente, eu gostaria de convidar vocês a curtir esse vídeo, comentar para já espalhar a palavra por aí, dar uma olhadinha na descrição do vídeo, porque lá tem a chave do Pix vai que tá sobrando uma merreca por aí, você pode ajudar o meu trabalho. Além disso, considere ser membro, membra, membre, membresia aqui do nosso canal, porque nós temos conteúdos exclusivos para você semanalmente, além dos cursos que eu tenho ofertado e disponibilizado para quem é membro, membro, a membre, membresia aqui do nosso canalzinho, que grupo pequeno, mas fiel e resistente. Inclusive, aproveitando por casualidade o tema desse papo aqui, o próximo curso que vai sair o de teologia da libertação. Então, fica a dica aí. Eu já disponibilizei para quem é membro, membro, a membro, um curso que eu dei em 2022 sobre teologia da libertação, mas agora vai ter o 2.0, o 2025, com uma outra abordagem que eu acho que vai ficar bem mais bacana. Então fica o convite aí para você poder se inscrever no canal, para você poder ser membro, membro membro, membreia do canal, curtir esse vídeo, comentar para já espalhar a palavra por aí. Já falei isso umas sete vezes, umas 300 vezes, mas é porque vocês não têm feito isso. Feio, muito feio. Mas bora para o que interessa, que gostaria de chamar atenção para vocês. Eu sou uma pessoa que sou filho da teologia da libertação. Me considero alguém que participa e tem tentado contribuir para os debates, promoção, enriquecimento, desenvolvimento e continuidade desta tradição libertadora da América Latina. Então eu tento me posicionar aí alguém que está trabalhando com teólogos, teólogas da libertação, que quer ser alguém que siga esse legado, né? Não tô inventando roda nem coisa nenhuma do tipo. Quero dar continuidade para essa tradição, para esse movimento. Inclusive, no último vídeo que a gente falou sobre teologia da libertação, né, eu coloquei aqui o que foi a teologia da libertação. E aí foi engraçado porque alguém colocou no no nos comentários uma pergunta muito pertinente, que é o que foi? Significa que ela não é mais? Ou seja, o debate que eu tenho tido há um tempo com o nosso camarada André Castro, excelentíssimo André Castro, que recentemente publicou um livro A luta que é nos deuses. Eu que eu recomendo que você leia além do outro livro dele que também é muito bom que é a Teologia Protestante da Libertação, que é muito bom, muito bom, muito bom também. Então, dois livros aí de um cara que tá tem produzido bastante conteúdo, um jovem gênio da realidade brasileira, daqueles raros que a gente encontra por aí. E ele e a gente tem um debate, né, que eu digo que a teologia da libertação não morreu, ele diz que a teologia da libertação já morreu e aí a gente fala que morreu, mas passa bem. Então, a gente tá nesse momento aí de tentar entender o que tá acontecendo e eu sou da linha do que não e a gente tá construindo. A teologia da libertação acabou de nascer historicamente. Ela nos anos 60, final dos anos 60, ela surge efetivamente com como nome, como reflexão no começo dos anos 70 e aí cria uma tradição que nós estamos vivenciando seus desdobramentos hoje. Então assim, nem começou a crescer a criança ainda. Tem tempo e a gente vai vivenciar muita coisa, muita água ainda vai rolar. Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem. Isso é para outro momento. Que eu gostaria de dizer que tinha esse essa TAM que eu fiz, né? E eu coloquei do que foi a teologia da libertação. A pessoa perguntou e ela então não é, né? Dei meus pontos aí. Contudo, porém, entretanto, qual o problema? Eu ia colocar o que é a teologia da libertação, mas e a proporcionalidade da frase dentro do layout que eu uso ali no na tamb ia ficar esquisita para mim, porque eu gosto de tentar deixar o mais igualzinho a frase de cima e a frase de baixo. E aí eu falei: "O que é ia ficar muito curto e o té da libertação ia ficar". Aí eu falei, vou colocar o que foi, porque eu aumento a frase e deixo mais parecido do tamanho que tá embaixo. Então foi uma escolha nem um pouco conceitual, categórica ou reflexiva. Foi meramente estética e nem ficou tão bom assim. Então bom, são problemas da vida. Só do jeito a gente falou nesse último vídeo, não é o que foi a teologia da libertação, mas eu acho que é o que é, né, e o que ela tem sido. E o mais é grande pergunta e a que mais importa é o que faremos dela, o que seremos enquanto teólogos e teólogas teólogos da libertação, né? Que que faremos de nós mesmos? Essa é sempre a grande questão e a questão que nos empurra para que nós não sejamos reféns do passado, né? que nós saibamos respeitar a tradição, que nós saibamos quem nos trouxe, como nos trouxe até aqui, mas o que nós estamos decidindo hoje é para que haja condições de produção e reprodução da vida para o futuro, para próximas gerações. Portanto, a pergunta é sempre: que faremos de nós mesmos hoje? Dito isso, dentro da tradição da teologia da libertação, da qual então eu tô tentando indicar aqui que eu faço parte, tem algo que aconteceu que foi muito importante, é muito importante, ensina muito, que é uma reflexão utilizando da tradição semita bíblica, em que se separa o que é o papel do profeta do que é o papel do sacerdote ou mesmo do rei. Então, seriam esses três âmbitos, né? E o profeta, ele é meio outsider do negócio. Ele é o cara marginalizado, ele é o cara de fora, o cara que não faz parte da estrutura de execução do poder. Ele não é a liderança, ele não é o cara que tá ali, não é a mina que tá ali executando o poder. Profeta é a personagem à parte, é uma personagem que não que que aparece para contestar a ordem, que aparece para contestar as estruturas vigentes e existentes. E é curioso, por exemplo, que a gente tem um videozinho aqui no canal com Milton Schantz, professorzaço que eu tive, maravilhoso, carahante, e que ele fala sobre esse papel do profeta, do profetismo, de como ele tem um um volume de conteúdo muito grande nos próprios textos bíblicos, tanto no primeiro testamento quanto no segundo. Mas o Chuantes trabalhava muito o primeiro testamento e ele mostra, cara, os profetas é o grande volume, né? O que você tem de mais denso ali são discursos proféticos, que são desses caras que estão de fora, são dessas pessoas para além que não executam poder, que estão nas estruturas externas e que criticam a ordem, que criticam a estrutura aposta, que no geral fazem o papel, como a teologia da libertação destaca, de denúncia do mal e anúncio do bem, de denúncia da desgraça e anúncio da esperança, de denúncia da opressão e anúncio da libertação. Então, são pessoas que estão fora dessa estrutura e que a criticam, né, que criticam quem tá executando o poder. Esse é o papel do profeta, do profetismo. Se a gente fosse pensar no em termos sociológicos, por exemplo, no pensamento verberiano, eh, quando vai se falar sobre o poder carismático, né, uma dominação legítima carismática, um dos papéis ali desse do carisma é o profeta. Por quê? porque ele angaria massas, ele é alguém que não está executando o poder necessariamente, mas pelo carisma, por sua habilidade ali instantânea e imediata de relações e de afinidades e de postura que ele tem com as pessoas e que a galera se aglutina em torno dele, ele angaria poder, ele tem poder suficiente para colocar em questão uma ordem e para que pessoas se submetam ou estejam sob essa relação de dominação legítima. dominação não é um termo e pejorativo aqui nesse nessa análise sociológica, né? Não é uma questão de domínio no sentido negativo, senão no domínio como um conceito, uma categoria, um modo de interpretar um tipo de relação específica na qual uma liderança existe, executa poder e liderados aceitam e dão legitimidade para essa liderança. Então é disso que se fala, meio que pactuado, vamos dizer assim. Eh, e aí tem esse papel do carisma, do profeta, desse sujeito externo que simboliza muito alguém que não tem uma estrutura, que não tem uma burocracia, que não tem uma tradição em torno, que não tem nenhum valor nesse sentido, mas que consegue mobilizar a galera ou tá junto com a galera ou liderar um grupo exatamente por outro tipo de experiência que contesta a ordem vigente, né? Porque eu posso ter um carisma eh, uma dominação carismática que de alguma maneira não executa poder, mas se alinha ao poder existente, né? Então, alguém quer uma liderança fora, mas que reforça estruturas existentes. E eu posso ter uma pessoa que é uma liderança carismática, que contesta estrutura, que é uma liderança que angaria poder, que tem essa parada toda fora e que entra para romper como irrupção de uma ordem existente. Tem muitas coisas que a gente poderia discutir aí e que entram no jogo da das análises das relações. Mas o que importa que no pensamento da teologia da libertação tinha muito claro esses dois papéis do profeta e do sacerdote. ou do profeta e do rei, né? a execução do poder religioso, a execução do poder político. E esse camarada, essa pessoa, esse humano que está fora da ordem, que denuncia o mal existente, anuncia o bem, denuncia o problema que vai rolar, porque os caras estão fazendo cagada e anuncia que, ó, esse caminho aqui é melhor. Esse profeta, ele não tá então dentro da estrutura propriamente dito. E e esse ideal, né, do profeta como alguém que é tá meio outsider, pode até funcionar como conselheiro de algum momento, mas não é alguém que tá ali executando o poder propriamente dito. ele participe permeia a o conteúdo da teologia da libertação, exatamente porque o povo, as lideranças populares, as lideranças políticas dos anos 50, 60, 70 são pessoas que estão sendo perseguidas pelo poder vigente, pelas estruturas de execução de poder existente, pelas estruturas de dominação ou de opressão existentes e que lideram outros grupos contra essas estruturas. portanto, e que desempenham essa função análoga, metaforicamente falando do profeta, né? Eu consigo estabelecer essa essa analogia, o profeta e a pessoa que tá ali anunciando, criticando, discursando pelas massas, com as massas contra uma ordem vigente, né? Denunciando mal e anunciando bem, denunciando os problemas do mundo, denunciando algo que gostaria de fazer, outro mundo possível, por exemplo, como se foi acostumado a falar ali nos anos 80 e 90. Então isso é muito importante da gente pensar, que o papel do profeta se encaixava com papel desses que iam contra ordem e tá tudo certo até o momento. Qual o problema? Problema é que se a gente olhar quem são as pessoas que se tornam proeminentes da teologia da libertação, que são as pessoas que encabeçam a teologia da libertação, que são as grandes lideranças como representantes desse movimento teórico? São pessoas que, ao mesmo tempo, em sua maioria, ocupavam cargos eclesiásticos ou cargos de poder dentro da instituição com a com a contra a qual e com a qual estão também estavam denunciando, também estavam contra, né? estavam enfrentando, mas ocupavam esse cargo. Tinham uma voz profética, desempenhavam um papel de denúncia e de anúncio, desempenhavam essa função do profeta propriamente dito, mas muitas vezes ocupavam um cargo, um cargo eclesiástico, um cargo posto. É claro que dentro do âmbito católico, especialmente quando um padre, quando um frei, quando a galera que tá ali em algum cargo de execução, de poder de representação dessa instituição, entra contra ela, vai ter repressão, vai ter pressão e essa pessoa, ainda que ocupe o cargo eclesiástico, está desempenhando o papel profético, tá tranquilo? Mas ele tem esse papel profético exatamente porque tá conectado com a mobilização popular que tá fora das estruturas de poder, tanto política quanto religiosa. E essa galera dessas movimentos populares, os movimentos de mobilização de massa que dão legitimidade também para essa voz profética. É, é uma articulação em que da voz é profeta porque tá conectado com essa galera que essa galera sim concentra esse poder profético, as lideranças populares, a mobilização que tá ali, as lideranças eclesiásticas assumem essa voz profética, tomam o papel profético de denúncia do mal, denúncia de estruturas, denúncia da opressão, anúncio do bem, anúncio de libertação e tudo mais. E são perseguidos pela estrutura vigente, pelo poder existentes. Muitos deles perseguidos política e religiosamente. Muitos perdem a vida. no processo, inclusive, e tá tudo bem, tá faz parte do processo aí de desempenhar um papel profético sendo um eclesiástico, sendo alguém que tá dentro da estrutura sacerdotal. E há então conflitos e contradições. Não estou aqui criticando estas pessoas, senão o que vem depois. E aí vem o meu ponto. Aí vem o ponto da crítica. Ao focar no papel do profeta e o papel fundamental da denúncia das estruturas e do poder existente, não se percebeu o papel importante e necessário de quem executa poder, seja o rei, seja o sacerdote. a glorificação do papel profético, que é fundamental, e aqui eu vou no final inclusive fazer uma defesa de óbvio que a gente tem que fazer isso. Acaba por deixar escapar que a realização do próprio movimento da teologia da libertação dependeu de estruturas de execução de poder, de pessoas que também estavam em cargo de sacerdócio e que para a realização de projetos que são fruto do movimento popular. E aí pensa em todo quanto é movimento social que conseguiu ganhos para reais para a população a partir dos anos 90 e 2000. Precisou também de lideranças que fizessem execução de poder no ponto na estrutura estatal e na estrutura eclesiástica. O papel do sacerdote e do rei não é necessariamente mau ou ruim. O papel político e o papel religioso estrutural não é necessariamente mau. Ele pode ser. E quando ele se converte em algo mal, corrupto, tem que ser criticado. E aí surge o papel do profeta. O profeta que critique e denuncie essa ordem, mas não para findar e negar a ordem, senão para reestruturá-la em uma nova ordem. Exigir que haja mudança, arrependimento, mas que não se destrua qualquer possibilidade de execução de poder. Isso é algo que passou muito forte, não intencionalmente, não planejadamente, e que chega no momento em que hoje, a partir dos anos 2000, 2000 e tanto e que a gente vai vivendo, a partir dos anos 90, na verdade, lideranças religiosas não percebem o papel que desempenham. E qual a importância do seu papel? Os padres e as lideranças religiosas, sacerdotais, eclesiásticas, que assumiam a função profética e de voz profética, faziam pelo povo, com o povo, para o povo. E aí o papel era de costa larga contra as estruturas institucionais que vinham para cima. Só que a legitimidade que esse pessoal tinha vinha da mobilização popular, que também pressionava esses padres e essas lideranças a tomarem suas posições. Eu gosto de chamar atenção disso porque não é porque o cara era um iluminado, a mina era uma iluminada, que eram pessoas santas de bom, pode até ser, tá? Eu não tô negando isso, mas é que de um ponto de vista de análise, eu não posso considerar as boas intenções do coração das pessoas envolvidas. Eu tenho que considerar as estruturas, as relações sociais, como elas estão se dando e quais são os fenômenos que deflagram as condições de possibilidade para que alguém tenha um bom coração, execute uma boa função. Então, vamos dizer assim, e essas condições é porque tinha pressão popular, o o os caras do movimento estudantil, o cara do movimento sem terra, o cara do movimento camponês, o cara do movimento operário e ela lá na porta do padre, ô irmão, você tá com a gente ou você tá contra nós? E o cara tinha que tomar uma posição. O rico ricaço, a elite, tanto da igreja quanto da sociedade civil, ia lá e também batia na porta do padre. E o senhor tá com a gente ou está contando nós? E o cara tinha que tomar uma decisão. E nessas nessas pressões, nessas tensões, iam tomando decisões, iam fazendo suas apostas, suas suas suas realizações históricas, como nós podemos hoje desfrutar delas enquanto tal ou enquanto tais. se se tornaram profetas, se tornaram voz profética, mas dentro da estrutura católica, especialmente desempenhando esse papel de costa larga, de segurar a instituição e de fazer o enfrentamento dentro do âmbito institucional. Hoje, muitas vezes, por causa dessa pensão existente no passado, não se percebe qual é a condição histórica na qual nós estamos e pelo que devemos ou precisamos ou precisaríamos lutar e como organizar as coisas. Nega-se essa estrutura institucional e se declara a voz profética, sem observar onde ela apareceria, como ela deveria aparecer ou de como estão organizadas as estruturas de poder existentes. No ambiente evangélico, por exemplo, quem bebeu da teologia da libertação ou bebe da teologia da libertação e aprendeu essa relação do profeta e do rei, do profeta e do sacerdote, da crítica profética, sendo pastor, sendo pastora, sendo liderança, não percebe qual o papel que deveria desempenhar enquanto sacerdote, enquanto liderança. e apresenta-se exclusivamente enquanto profeta, enquanto voz profética, que denuncia, que anuncia pi, pó pó. Qual o problema? O problema é que tá enfrentando qual ordem sacerdotal? dentro de igrejas mais burocratizadas, com denominações mais bem estruturadas, por exemplo, faz até sentido, algum sentido, um sacerdote que enfrenta essa estrutura enquanto sacerdote com voz profética, denunciando sua corrupção. E aí é perseguido por essa instituição. Boa parte das lideranças das igrejas evangélicas que são mais à esquerda progressistas e que bebem ou tem contato com a teologia da libertação, são de igrejas relativamente independentes e de denominações que estão cada vez mais independentes. Então, a voz profética é contra qual estrutura? E a execução e função de poder sacerdotal de criar uma instituição e uma comunidade saudável. E quem é o profeta ou a profetiza que vai enfrentar essa estrutura dessas igrejas independentes, relativamente progressistas ou que bebem da teologia da libertação e que querem se apresentar como proféticas? Vocês conseguem perceber qual é essa dinâmica que eu tô querendo demonstrar? Há uma divisão de organização da mobilização popular que ela é necessária. A gente tem que ter o profeta, a pessoa que vem de fora de que critica a corrupção de uma instituição vigente. A gente tem que ter alguém que tá na execução do poder, que transforme ou revolucione essas instituições, mas desempenhe o papel de execução de poder. que a gente entenda quais são as dinâmicas e os momentos e as posições que nós ocupamos e devamos ocupar para que a gente possa realizar um projeto mais coordenado. Os embates muitas vezes que nós temos hoje de discussões teológicas e de gargantada dos progressistas contra conservadores e não sei o que lá, não considera as relações de poder existentes, seja dentro de suas comunidades, seja no tipo de ambiente que tá envolvido. Então não consegue perceber inclusive de onde vem a profecia, quem é o profeta ou a profetiza que se levanta de fora das estruturas ou instituições de execução de poder e como elas estão organizadas hoje. Cara, isso é muito importante da gente refletir. o Henrique Dusel, um filósofo que me influencia muito, muito, muito, muito, muito, e a gente poôde trocar ideia junto. Já, já tivemos debates, eu e ele, e uma das aquelas coisas que eu pude viver, que não entra no currículo, mas que me marca muito e que me emociona de lembrar, da gente poder conversar, da gente poder debater, da gente ter certos certos certos eh enfrentamentos amistosos e construções também de conteúdo. Aprendi muito com Dúciel e ele dizia que o meu trabalho era bom e o meu trabalho em torno do da produção dele, né, pô, isso me emociona para caramba. Aquele orgulho que você carrega no coraçãozinho. Eh, quem inclusive quem é membro aqui do canal viu um videozinho já aqui que a gente falou a respeito do do Dúciel. O Dúciel, ele trabalhou muito a crítica da da da profecia contra a estrutura. Inclusive nesse livrinho aqui, ó, Antologia Antiidolatria, que você pode adquirir adquirir no site da revista Zelota e que lá você vai pr vai encontrar lá editora Pageu, que é editora que a gente organizou de maneira militante, completamente aleatória, maluca, de amigos que não batem bem na cabeça, que não tem dinheiro e que, portanto, fazem maluquícies por livre de espontânea vontade para tentar mobilizar e contribuir com conteúdos bacanas. Nesse nessa coletânia aqui, antologia anti-idolatria, a gente retoma alguns dos autores desse pensamento crítico latino-americano e que trabalha a questão da profecia e tudo mais. E o Dúel tem um textinho que a gente traduziu inédito dele que se chama eh o ateísmo dos profetas de Israel e de Marx, que exatamente ele usa essa estrutura. Então ele trabalhou por muito tempo essa questão da posição da profecia. Aliás, eu recomendo muito que vocês deem uma olhadinha aqui, tá? Nesse livro aqui tem um texto do Lovi, que é a idolatria do mercado e a crítica do fetismo capitalista de Marx a teologia da libertação, que faz um panorama da teologia da libertação. E essa crítica à idolatria do mercado também conecta com a questão dos dos profetas e tal. Mas esse texto do Lovi é bem bem bacana, inclusive. Eh, e aí eu recomendo muito esse exemplo. Tem um texto do Hugo Asma maravilhoso e o último do Franzin Kelamert. É brilhante, difícil de ler, mas brilhante. Para mim é um texto que abriu os meus olhos de maneira incrível. Mas beleza, nesse livrinho aqui, que é um exemplo desse desse desse uso que o Dúcio fazia dos profetas, ele conecta essa crítica e trabalha ela arduamente. Contudo, porém, entretanto, todavia, a partir dos anos 90, Dúciel para sabiamente de reforçar o papel do profetismo exclusivamente e começa a pensar os critérios para a construção de uma política libertadora e que precisará, portanto, de uma boa instituição. E ele pensa muito da questão do Estado, da construção política de uma comunidade nova que se organiza de maneira a produzir e promover o as condições necessárias para a realização histórica real de melhoras e de transformação para as condições da vida das pessoas, da comunidade viva. E aí ele começa a destacar não o papel só do profeta, ele começa daí sabiamente a falar: "Gente, não adianta só ficar na denúncia e na crítica aí sem anunciar o no e anúncio de um novo, mas um novo que não tem condições de ser realizado. A gente tem que pôr a mão na massa e construir as condições necessárias, as estruturas necessárias, as mediações necessárias para a execução do poder, para que os projetos sejam factíveis, viáveis e possíveis. E aí, meu amigo, é a gente discutir uma política libertadora que não tem medo de assumir papéis e de distribuir papéis em seu movimento de maneira cada vez mais consciente de quem executa poder, de quem critica a execução do poder, de como se constrói legitimidade, de como a gente trabalha o papel do rei e do sacerdote de maneira positiva e não só a observação negativa. Exatamente. Porque outro mundo só será possível. E do meu ponto de vista hoje, a gente tem que falar de um mundo necessário. Só é viável, só é possível, só dá pra gente fazer se e somente ser nós passarmos a planejar e viabilizar condições para que esse mundo seja possível. Não pode ser só anúncio, não pode ser só denúncia, tem que ser construção, construção de instituições, construção efetiva do papel desse rei, desse sacerdote, dessa sacerdotisa, desta rainha, dessa pessoa que estará ocupando poder político e poder eh religioso para viabilizar condições para que a comunidade exerça sua vida, respire, sonhe, tenha futuro, viva um reino outro que não este. existente. E aí eu vou fazer uma outra recomendação. Ei, cadê essa desgraça? Ué, sumiu. Esse aqui, ó, é o livrinho do meu mestrado, tá? Eu vou deixar o PDF para você baixar gratuitamente pelo site da editora FI aqui na descrição do vídeo. Você pode baixar gratuitamente, tá? Se você quiser a versão física e quiser comprar, eu não ganho nada com isso, obviamente. Mas a editora FI, sim, editora FI faz um trabalho excelente, divulgação científica. Então eu sempre recomendo que editoras independentes que ainda trabalham com a divulgação científica disponibilizando o conteúdo dos livros para pô é um projeto maravilhoso e a gente tem que fazer isso. Esse aqui, ó, do é o meu trabalho de mestrado, fetização do poder como fundamento da corrupção, que eu trabalho exatamente o desdobramento desse pensamento, dessa reflexão do Dussel no âmbito da política em que a gente critica as estruturas eh propriamente ditas de execução do poder que se fetixizam, que se corrompem, mas ao mesmo tempo ao mesmo tempo com quais são os critérios de como realizar uma instituição que seja positiva. Ou seja, que apesar de necessariamente a gente sempre tem instrumentos, as instituições de execução de poder político que a gente cria, que se corrompem, que entram em limites, que passam a produzir efeitos negativos, que a gente perde o controle, que faz muito mal pra comunidade, dá para construir algo distinto. E esse algo distinto é um poder que é legitimado à medida que a instituição realizada não se realiza por si mesma, mas volta para a comunidade. Ou seja, é um instrumento para a comunidade. Por isso que o rei na tradição semita, analogamente, é um bom rei quando ele atende o povo. O sacerdote é um bom sacerdote quando ele tá conectado com o povo, quando ele faz o serviço dele. Na tradição ali do do Segundo Testamento, do Novo Testamento, né, Jesus fala: "Aquele que quiser ser primeiro seja o último, o que quiser ser Senhor seja servo." para criar um critério e tendo um critério de sabedoria que aquele que senta na cadeirinha de execução de poder tem que entender que ele tem que servir. Ele não tá ali para executar o poder porque ele é o o tal. Não, ele está desempenhando um serviço, um serviço à comunidade. A comunidade é soberana e a comunidade tem que ter conhecimento de que ela é soberana, ela legitima o poder. Então, a gente tem que fazer esse duplo jogo. O profeta é alguém do povo que denuncia o poder existente para que esse poder volte para o povo. O povo tem que ter consciência de que o poder tem que estar a serviço dele, que ele pode, portanto, se levantar e transformar esse poder. E quem está na execução de poder, que tem o privilégio de ocupar esse cargo, tem que ter consciência de que ele faz o seu trabalho para atender a comunidade, para atender a comunidade de vida. Então ele tem que assumir o papel. Sacerdote é sacerdote, rei é rei, estado, tad. Quem tá executando poder, executa seu poder. E aquele que está de fora, que vem da comunidade, que denuncia, denuncia enquanto profeta, tem que ser recebido por esse rei como a voz daqueles que estão percebendo que há problemas no caminho da construção dessa instituição, no caminho da construção de execução de poder para outro mundo necessário, outro mundo possível que a gente sabe se ele é bom, se ele é ruim. à medida que ele atende a comunidade viva e de vida que cria essas instituições e dá legitimidade para elas. Então é o tipo de reflexão muito massa, muito massa. Eu gosto muito desse tipo de papo, desse tipo de conversa e eu espero que vocês tenham curtido também, tá bom? A gente vai seguir aqui trocando ideias e claro, como sempre lembrando de trazer a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu,