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A fé vem pelo ouvir

Sermão: O Getsêmani dos nossos dias

Sermão: O Getsêmani dos nossos dias

Sermão: O Getsêmani dos nossos dias

Sermão especial de Páscoa, feito pelo pastor Ronan Lima na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

[Música]
Eterno nosso pai e nosso
rei, nosso criador, nosso
redentor. Louvado seja o teu nome,
Senhor, por Jesus Cristo, nosso
Salvador. Obrigado porque o Senhor
estende a tua graça e o teu amor a todos
nós e a cada um de
nós. E agora, nesse momento, te pedimos
mais uma vez a presença do teu Santo
Espírito, tocando o nosso coração e a
nossa mente para que possamos ouvir a
tua palavra.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Amém. Bom dia para vocês ou boa tarde,
boa noite, não sei que horas você que tá
em casa vai assistir, mas para vocês que
estão aqui no teatro, bom dia
ainda. Hoje em um sermão especial, fora
da nossa série sobre graça, com um
convidado especial também, tem alegria
de apresentar para vocês, o pastor Ronan
Lima. O pastor Ronan Lima é carioca, um
bom carioca. infelizmente vascaíno, mas
é uma excelente pessoa. Pastor Ronan
Lima é formado em eh comunicação, em
teologia. Ele tem um mestrado em
teologia pela Pontícifer, a Universidade
Católica, PUC do Rio de Janeiro e virou
livro, eh, o surgimento das
afropastorais, o estudo sobre as
teologias negras e algumas implicações
no Brasil.
O mestrado dele virou livro. Ele é meu
amigo pessoal. A gente desenvolveu uma
boa amizade na época da pandemia. Depois
foi um amigo muito presente nos momentos
difíceis também. É um
pastorzão. Ele atua fortemente no
movimento negro evangélico em MNE e
também é um dos da galera de comunicação
da editora Recriar, tá? Então hoje a
mensagem especial com vocês, pastor
Ronan Lima. Bom dia.
Tudo bem com vocês?
Ah, pessoal de meioia já falou tudo bem,
mas sim, 11 horas ainda é mais difícil,
né, gente?
Mas é muito bom estar aqui com vocês,
poder conhecer mais pessoas desse reino
de Deus que a gente faz parte junto e
compartilhar daquilo que o Senhor fala
diretamente ao nosso
coração. Nós estamos vivenciando um
tempo que é o período da
Páscoa. Algumas pessoas, algumas
tradições religiosas guardam a quaresma
e durante esse tempo fazem leituras
específicas, relembrando esses momentos
que culminam na ressurreição de Cristo.
Outras pessoas não fazem, mas o ponto é,
vivemos essas memórias e nessas
expectativas do maravilhoso dia da
ressurreição. Dentro disso, eu
quero ler com
vocês os versículos que estão lá em
Mateus, capítulo 26. Você pode abrir a
na sua Bíblia, eu vou ler na minha
versão, né, na na minha versão, como se
eu tivesse traduzido a Bíblia. Ainda
não, mas Mateus capítulo 26 a partir do
versículo
36, a gente vai ler junto uma das
passagens mais angustiantes da
Bíblia. Diz assim: "Então Jesus foi com
os seus discípulos para um lugar chamado
Getsemane e lhes disse: "Sentem-se aqui
enquanto vou ali orar".
Levando consigo Pedro e os dois filhos
de Zebedeu, começou a ficar triste e
angustiado. Então lhes disse: "A minha
alma está profundamente triste, em uma
tristeza mortal.
Fiquem aqui, vigiem comigo. Indo um
pouco mais adiante, prostrou-se com o
rosto em terra e orou: "Meu pai, se for
possível, afasta de mim este cálice.
Contudo, não seja como eu quero, mas
como tu queres." Depois voltou aos seus
discípulos e os encontrou
dormindo. "Vocês não puderam vigiar
comigo nem por uma hora?", perguntou a
Pedro. Vigiem e orem para que não caiam
em tentação. O espírito está pronto, mas
a carne é fraca. Ele se retirou pela
segunda vez e
orou: "Meu pai, se não for possível,
afasta de mim esse
cálice. Se não for possível afastar de
mim esse cálice sem que eu beba, faça-se
a tua vontade." Quando voltou, de novo,
os encontrou dormindo, porque os olhos
deles estavam pesados.
Então, deixou-os novamente e orou pela
terceira vez, dizendo as mesmas
palavras. Depois voltou aos discípulos e
lhes disse: "Vocês ainda dormem e
descansam? Chegou a hora. O filho do
homem será entregue nas mãos de
pecadores. Levantem-se e vamos. Aí vem o
meu
traidor. Não foi uma
mensagem de novidade para
eles. Os discípulos já sabiam a altura
do
campeonato que
Jesus sofreria, morreria e
viveria situações muito
difíceis, mas eles não conseguiam
acreditar
ainda. Quando a gente
vai pro Evangelho de João, por exemplo,
entre os capítulos 13 e 17, Jesus começa
uma narrativa
de explicar diretamente para eles o que
de fato significava eles ser o Messias,
mas eles não conseguem
compreender. Há muita
dificuldade. E no meio
disso, entre essa tentativa de uma
pedagogia e nesse próprio capítulo 26,
ele fala mais uma vez inclusive da
traição, do episódio da traição que
aconteceria, da
negação de Pedro que também
aconteceria. Ele se vê imprensado pelo
tempo. Chegou a
hora. E ali ele escolhe ir para um
lugar.
Ele precisa voltar para casa. Que casa é
essa? O
secreto. Ele precisa se
encontrar com o seu pai para poder
colocar para fora alguns sentimentos que
ele estava
tendo. A
partir dessa nova fase da sua vida. Ele
precisava conversar com seu pai. Tem é
estranho pra gente ver que uma figura
masculina precisava colocar para fora os
seus
sentimentos. Não é muito comum na nossa
sociedade nós homens colocarmos os
nossos sentimentos para o nosso próprio
pai. Mas ali Jesus nos deixa já um
exemplo. Ele
escolhe fazer isso num
ambiente, o Jetseman.
Quando a gente vai pro
aramaico,
gatemanin, nós
entendemos que esse
lugar é um lugar, é um lagar de
azeite, um lugar que tem um
recipiente para que os melhores frutos
das oliveiras daquele jardim pudessem
ser amassados.
e se
transformar num óleo
purificado, num
azeite, a ser
consumido pelos países do Mediterrâneo.
Jesus vive o momento mais angustiante da
sua vida, já que foi
registrado num espaço isolado, onde a
gente não consegue afirmar que era um
espaço público ou ele tinha acesso
porque
conhecia a o dono daquela terra, mas a
gente consegue afirmar que ele convidou
alguns dos seus para estar com ele e
vigiarem, orarem em
oração, fazendo meio que uma guarda para
ele conversar. com seu próprio
pai. O lugar é
esse. E o
pai como se
apresenta?
Silêncio. O pai
ouve. O pai acolhe aquela
dor. O pai deixa o filho desaguar na sua
própria angústia.
O pai consegue compreender que ele
precisa botar para
fora todos os seus medos enquanto um
Jesus homem.
Porque nós entendemos que Jesus ele é a
encarnação do
divino, mas também sabemos que ele foi
um ser humano que viveu aqui na terra,
um ser humano de carne, que viveria na
sua própria carne as piores dores que um
ser humano poderia
sentir, a pior sentença que o império
romano poderia aplicar numa pessoa
condenada. A sua carne
foi plenamente dilacerada.
A sua carne foi
moída antes mesmo dele ser
crucificado. Porque o que dilacerava sua
carne naquele momento era sua própria
angústia, o seu sofrimento
mental, o seu desajuste emocional.
Estamos falando de
alguém que se
encarna para viver em sua carne aquilo
que
vivemos. Quando eu olho para essa
história, eu começo a me
conectar com a realidade e com a vida de
Jesus.
E
aqui, tal como
Cristo, assumo que vivo
ansiedades e sofrimentos, que vivemos
ansiedades e
sofrimentos e preconceitos e
autarquias que nos colocam em situação
de desajustes emocionais, sociais e
espirituais.
São corpos que morrem.
E aqui eu não estou falando da taxa de
letalidade, de mortalidade que nós
vivenciamos e que nós vivemos e somos
noticiados pelos nossos celulares, pela
televisão. Eu estou
falando de corpos mortos hoje.
Aqui existem pessoas que estão com seus
corpos mortos aqui mesmo. Pessoas que
estão nos assistindo em casa e que estão
inteiramente mortas por dentro.
Talvez na pressa de você chegar aqui
nesse espaço, não perder um minuto do da
celebração, você possa ter passado por
corpos que estão mortos e você não
viu. Possa ter passado direto pelo
porteiro da sua do seu
condomínio, possa ter ido comprar alguma
coisinha ali para comer antes de vir pro
culto. E talvez não olhou pros olhos
daquela atendente
que deixou sua família, seus quatro
filhos como uma mãe
solteira e só queria estar em casa para
cuidar deles enquanto você sai a passeio
com a sua
família para celebrar o Deus que você
ama e depois comer alguma coisa
legal. Corpos mortos pela nossa própria
negligência.
São esses corpos que se conectam
diretamente com a realidade angustiante
do Jetsêmone que Jesus
viveu. Talvez você se conecte com essa
realidade. Talvez você tenha saído de
casa
pensando em dores que você não suporta
mais.
Ao entrar no elevador, ao entrar num
transporte público, com medo de ser
assediada, de ser assaltada, de ser
abusada, o receio que você está sentindo
de segunda-feira receber uma notícia de
que você não passou naquele processo,
porque o seu currículo não é suficiente,
mas na verdade você não tem o
gênero, você não tem a estampa, você Não
tem o cabelo, você não tem a biologia
que eles
querem. Pessoas que vivem com um alvo
bem aqui na
testa, prontos para serem
abatidos, tal como um animal na selva.
Porque nós vivemos numa selva.
Selva de pedra já foi uma
novela, é uma
realidade. E as pedras não são os
prédios. As pedras, por vezes, somos
nós. Mas quando nós começamos a olhar a
realidade da fé que nós temos, nós
percebemos que esses
corpos que
morrem precisam ser afetados por aquilo
que cremos.
Quantos corpos morrem diariamente para
você
viver? Quantos corpos vivem
diariamente para você
viver? De que maneira você se
relaciona com essa
realidade? De uma maneira distante, quem
são os corpos que vivem na nossa
sociedade?
Enquanto nós acreditamos numa realidade
a partir da vida de Cristo e a partir da
vinda de Cristo, nós entendemos que os
corpos que
vivem depois da dor vivem para a glória
de Deus.
Nós
percebemos nessa passagem que
Jesus ora três
vezes. São três momentos de oração com o
Pai.
Pai, afasta de mim esse
cálice de vinho tinto de
sangue. Mas é nesse
momento, nessas orações, que ele
entende que o Pai está o
acolhendo. E ao longo das orações, ele
entende que o
melhor é ele beber esse
cálice. E no beber desse cálice, ele nos
dá a possibilidade de nos tornarmos
corpos que vivem.
E é a partir do beber desse cálice, é a
partir da passagem pela
crucificação que nós entendemos que é
possível a
ressurreição. O
teólogo alemão
Butan, ele entende que Jesus só se torna
o Messias quando ele ressuscita, porque
naquele momento era muito comum ver
pequenos milagres, pequenos encantos.
E quem gosta da série de Chosen vê que
eles externam
isso. Ele só começa a ser perseguido na
série dentro daquela narrativa quando
Lázaro é ressuscitado, porque a
ressurreição é algo sobrenatural.
Voltando ao
texto e a conexão da palavra que
acontece, os cumprimentos de profecias
que acontecem a partir da vida de
Jesus, o corpo que vive
milagrosamente anuncia uma esperança que
nos alcança todos os
dias, anuncia uma novidade de
vida que se resume
no
respirar novo em cada vida que o
encontra.
Então, como disse, são três momentos de
oração que se conectam com
três episódios de
tentação no
deserto, que se
conectam com a negação de Pedro, que
acontece três vezes e três vezes depois
ele ressuscita.
A nossa vida, ela é recheada de
episódios
conectados e nós escolhemos se eles
serão para a glória de Deus ou
não. Eu posso estar aqui
dcerado, eu posso estar aqui plenamente
destruído, mas eu tenho poder de
escolher se eu vou seguir em frente e se
eu vou enfrentar tudo aquilo que está me
destruindo ou
não. O Senhor me deu a vida e eu assumir
enquanto essa pessoa que sou, enquanto
eu eu assumir isso publicamente, eu
escolher
confrontar uma
selva que quer que eu
morra. Homens como
eu tem uma expectativa de vida muito
melhor, muito
menor do que outros homens que são
diferentes de mim.
Pessoas que
se encontram com a realidade vinda
diretamente da mensagem de Jesus, elas
têm um respirar, mas elas também têm um
impulsionar. Porque o que eu vivo não
pode ser somente individual, precisa ser
coletivo. Jesus não morre somente por
mim. Jesus, ele morre por nós. Nós
conjugamos a comunidade, nós conjugamos
a
coletividade. E é interessante a gente
perceber que dois capítulos depois, em
Mateus
28, não são os homens dorminhocos que
vacilaram e não
oraram, que traz, que levam a mensagem
de ressurreição para o mundo. são as
mulheres, corpos mortos desde aquela
época. São elas as responsáveis por
mudar a
realidade do mundo, porque elas são as
mensageiras dessa mensagem. Na
redundância dessa frase, afirmamos que o
Senhor, através de Jesus mostra pra
gente que todo aquele que nele
crê pode ter vida em
abundância, independente da morte que
vive, independente de ser empurrado para
a morte.
Então, por mais que haja movimentos,
transgressões que nos desmobilizem, o
Senhor nos
impulsiona. E o Senhor nos impulsiona e
ele nos coloca pra frente de tal maneira
que não tem como eu viver diferente, a
não ser
esperançar, a não ser viver plenamente
essa esperança que irradia no meu
coração e sai da minha boca, mas também
se materializa em ações, em políticas
públicas, em novidades de vida,
em novas
casas, em novos espaços.
em
abraços, em comida na
mesa, em olho no
olho, em ouvido
aberto, em choro de
alegria. Não tem como nós vivermos
diferentes quando nós acreditamos
plenamente na mensagem de Jesus.
Os corpos que vivem são responsáveis
pela mudança da
sociedade. Como está o seu corpo hoje?
Vivendo ou
morrendo? Como você lida com a
realidade que Jesus nos
apresenta de maneira
plenamente engajada ou distante,
somente na plateia assistindo com
pipoca.
É necessário, mais do que
necessário, que a gente
viva os
encontros com o Pai, constantes
encontros com o
Pai. Ele acolhe a nossa dor, ele acolhe
a nossa existência, mas ele também nos
impulsiona a
viver os pequenos sacrifícios que vamos
viver na vida.
Porque por mais que a gente
tenta, por mais que a
gente se coloque à disposição de
desistir, ele
vai persistir, ele vai continuar
insistindo na nossa vida.
Por mais que eu
tente dizer: "Acabou, não aguento mais.
O Senhor vai lá e não, eu te ressuscito
para minha
glória e eu consigo comemorar essa
Páscoa. E eu consigo comemorar essa
ressurreição. E nós só conseguimos
porque um dia ele
ressuscitou. Porque um dia ele
ressuscitou em mim. E eu acolhi essa
palavra e a minha vida foi transformada.
É necessário que a gente viva plenamente
toda essa
realidade e que a gente não desista de
comunicar essa
realidade,
independente do que é
falado nos nossos
corredores evangelicais.
Nós temos uma
missão. Nós vivemos num grande
condomínio chamado reino de Deus.
E nesse condomínio não tem
porteiro. Nesse
condomínio, todo mundo tem acesso à água
limpa. Todo mundo pode
comer o que tiver nesse
[Música]
banquete. Todo mundo tem uma casa
segura.
Ninguém
vive à margem da sociedade com medo de
que sua casa seja destruída, com medo de
ser assaltado ou de levar um tiro bem
nesse
alvo. Todo mundo tem garantia de um
bem-estar.
E se ainda falta gente nesse
condomínio, nós estamos com as portas
fechadas
erradamente. Fi, eu ainda tô aqui
olhando demais para minha realidade,
celebrando tudo aquilo que eu vivo em
Jesus e como é legal, mas eu não tô
olhando para trás.
Ainda estamos
pecando. Porque aquele que sabe, pode e
deve fazer o bem e não faz, está
pecando. Não é
sobre trazer assistência, é sobre
viver. Eu falo todos os dias, eu não
quero sobreviver mais. Eu quero viver.
Eu nasci para viver. Eu fui criado para
viver e para viver para a glória de
Deus.
E é por isso que hoje, amanhã e todos os
dias eu celebrarei a ressurreição de
Jesus, porque é por ele e para
ele que eu vivo. É por causa dele que eu
tenho vida. É por causa dele que eu
sorrio. É por causa dele que eu tenho
família. É por causa dele que eu tenho
livramentos todos os dias.
E é por causa dele que nós estamos
aqui. E é por causa dele que nós nos
conectamos com essa realidade tão
dilacerante. É por causa dele que nós
produzimos um óleo precioso. Se você
ainda está
produzindo um óleo
podre, como
uma azeitona
azeda, ore a Deus.
peça para que ele te
transforme na melhor
azeitona para que os seus sofrimentos
deem as melhores gotas de
azeite para
performar,
perfumar, para
temperar a nossa
sociedade. Vamos orar.
Jesus, eu te agradeço porque tu vives.
Vives em mim, vive em
nós. E eu te agradeço porque o teu
sacrifício não foi em vão. É
porque houve toda aquela trajetória de
dor. É por conta disso que nós estamos
aqui e nós
celebramos porque Jesus vive.
vive em mim, vive em nós e viverá para
sempre
eternamente. Queremos ser mensageiros
dessa palavra. Queremos
afirmar todos os dias através daquilo
que falamos e daquilo que somos e
fazemos, que tu
és a esperança para as
nações. Seja com a gente, nos
capacite, nos impulsione, nos mobilize
em nome de Jesus.
Amém.

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