Sermão: O Getsêmani dos nossos dias
24/04/2025
Sermão: O Getsêmani dos nossos dias
Sermão especial de Páscoa, feito pelo pastor Ronan Lima na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
[Música] Eterno nosso pai e nosso rei, nosso criador, nosso redentor. Louvado seja o teu nome, Senhor, por Jesus Cristo, nosso Salvador. Obrigado porque o Senhor estende a tua graça e o teu amor a todos nós e a cada um de nós. E agora, nesse momento, te pedimos mais uma vez a presença do teu Santo Espírito, tocando o nosso coração e a nossa mente para que possamos ouvir a tua palavra. Em nome de Jesus Cristo. Amém. Amém. Bom dia para vocês ou boa tarde, boa noite, não sei que horas você que tá em casa vai assistir, mas para vocês que estão aqui no teatro, bom dia ainda. Hoje em um sermão especial, fora da nossa série sobre graça, com um convidado especial também, tem alegria de apresentar para vocês, o pastor Ronan Lima. O pastor Ronan Lima é carioca, um bom carioca. infelizmente vascaíno, mas é uma excelente pessoa. Pastor Ronan Lima é formado em eh comunicação, em teologia. Ele tem um mestrado em teologia pela Pontícifer, a Universidade Católica, PUC do Rio de Janeiro e virou livro, eh, o surgimento das afropastorais, o estudo sobre as teologias negras e algumas implicações no Brasil. O mestrado dele virou livro. Ele é meu amigo pessoal. A gente desenvolveu uma boa amizade na época da pandemia. Depois foi um amigo muito presente nos momentos difíceis também. É um pastorzão. Ele atua fortemente no movimento negro evangélico em MNE e também é um dos da galera de comunicação da editora Recriar, tá? Então hoje a mensagem especial com vocês, pastor Ronan Lima. Bom dia. Tudo bem com vocês? Ah, pessoal de meioia já falou tudo bem, mas sim, 11 horas ainda é mais difícil, né, gente? Mas é muito bom estar aqui com vocês, poder conhecer mais pessoas desse reino de Deus que a gente faz parte junto e compartilhar daquilo que o Senhor fala diretamente ao nosso coração. Nós estamos vivenciando um tempo que é o período da Páscoa. Algumas pessoas, algumas tradições religiosas guardam a quaresma e durante esse tempo fazem leituras específicas, relembrando esses momentos que culminam na ressurreição de Cristo. Outras pessoas não fazem, mas o ponto é, vivemos essas memórias e nessas expectativas do maravilhoso dia da ressurreição. Dentro disso, eu quero ler com vocês os versículos que estão lá em Mateus, capítulo 26. Você pode abrir a na sua Bíblia, eu vou ler na minha versão, né, na na minha versão, como se eu tivesse traduzido a Bíblia. Ainda não, mas Mateus capítulo 26 a partir do versículo 36, a gente vai ler junto uma das passagens mais angustiantes da Bíblia. Diz assim: "Então Jesus foi com os seus discípulos para um lugar chamado Getsemane e lhes disse: "Sentem-se aqui enquanto vou ali orar". Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a ficar triste e angustiado. Então lhes disse: "A minha alma está profundamente triste, em uma tristeza mortal. Fiquem aqui, vigiem comigo. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu pai, se for possível, afasta de mim este cálice. Contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres." Depois voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. "Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?", perguntou a Pedro. Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. Ele se retirou pela segunda vez e orou: "Meu pai, se não for possível, afasta de mim esse cálice. Se não for possível afastar de mim esse cálice sem que eu beba, faça-se a tua vontade." Quando voltou, de novo, os encontrou dormindo, porque os olhos deles estavam pesados. Então, deixou-os novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Depois voltou aos discípulos e lhes disse: "Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora. O filho do homem será entregue nas mãos de pecadores. Levantem-se e vamos. Aí vem o meu traidor. Não foi uma mensagem de novidade para eles. Os discípulos já sabiam a altura do campeonato que Jesus sofreria, morreria e viveria situações muito difíceis, mas eles não conseguiam acreditar ainda. Quando a gente vai pro Evangelho de João, por exemplo, entre os capítulos 13 e 17, Jesus começa uma narrativa de explicar diretamente para eles o que de fato significava eles ser o Messias, mas eles não conseguem compreender. Há muita dificuldade. E no meio disso, entre essa tentativa de uma pedagogia e nesse próprio capítulo 26, ele fala mais uma vez inclusive da traição, do episódio da traição que aconteceria, da negação de Pedro que também aconteceria. Ele se vê imprensado pelo tempo. Chegou a hora. E ali ele escolhe ir para um lugar. Ele precisa voltar para casa. Que casa é essa? O secreto. Ele precisa se encontrar com o seu pai para poder colocar para fora alguns sentimentos que ele estava tendo. A partir dessa nova fase da sua vida. Ele precisava conversar com seu pai. Tem é estranho pra gente ver que uma figura masculina precisava colocar para fora os seus sentimentos. Não é muito comum na nossa sociedade nós homens colocarmos os nossos sentimentos para o nosso próprio pai. Mas ali Jesus nos deixa já um exemplo. Ele escolhe fazer isso num ambiente, o Jetseman. Quando a gente vai pro aramaico, gatemanin, nós entendemos que esse lugar é um lugar, é um lagar de azeite, um lugar que tem um recipiente para que os melhores frutos das oliveiras daquele jardim pudessem ser amassados. e se transformar num óleo purificado, num azeite, a ser consumido pelos países do Mediterrâneo. Jesus vive o momento mais angustiante da sua vida, já que foi registrado num espaço isolado, onde a gente não consegue afirmar que era um espaço público ou ele tinha acesso porque conhecia a o dono daquela terra, mas a gente consegue afirmar que ele convidou alguns dos seus para estar com ele e vigiarem, orarem em oração, fazendo meio que uma guarda para ele conversar. com seu próprio pai. O lugar é esse. E o pai como se apresenta? Silêncio. O pai ouve. O pai acolhe aquela dor. O pai deixa o filho desaguar na sua própria angústia. O pai consegue compreender que ele precisa botar para fora todos os seus medos enquanto um Jesus homem. Porque nós entendemos que Jesus ele é a encarnação do divino, mas também sabemos que ele foi um ser humano que viveu aqui na terra, um ser humano de carne, que viveria na sua própria carne as piores dores que um ser humano poderia sentir, a pior sentença que o império romano poderia aplicar numa pessoa condenada. A sua carne foi plenamente dilacerada. A sua carne foi moída antes mesmo dele ser crucificado. Porque o que dilacerava sua carne naquele momento era sua própria angústia, o seu sofrimento mental, o seu desajuste emocional. Estamos falando de alguém que se encarna para viver em sua carne aquilo que vivemos. Quando eu olho para essa história, eu começo a me conectar com a realidade e com a vida de Jesus. E aqui, tal como Cristo, assumo que vivo ansiedades e sofrimentos, que vivemos ansiedades e sofrimentos e preconceitos e autarquias que nos colocam em situação de desajustes emocionais, sociais e espirituais. São corpos que morrem. E aqui eu não estou falando da taxa de letalidade, de mortalidade que nós vivenciamos e que nós vivemos e somos noticiados pelos nossos celulares, pela televisão. Eu estou falando de corpos mortos hoje. Aqui existem pessoas que estão com seus corpos mortos aqui mesmo. Pessoas que estão nos assistindo em casa e que estão inteiramente mortas por dentro. Talvez na pressa de você chegar aqui nesse espaço, não perder um minuto do da celebração, você possa ter passado por corpos que estão mortos e você não viu. Possa ter passado direto pelo porteiro da sua do seu condomínio, possa ter ido comprar alguma coisinha ali para comer antes de vir pro culto. E talvez não olhou pros olhos daquela atendente que deixou sua família, seus quatro filhos como uma mãe solteira e só queria estar em casa para cuidar deles enquanto você sai a passeio com a sua família para celebrar o Deus que você ama e depois comer alguma coisa legal. Corpos mortos pela nossa própria negligência. São esses corpos que se conectam diretamente com a realidade angustiante do Jetsêmone que Jesus viveu. Talvez você se conecte com essa realidade. Talvez você tenha saído de casa pensando em dores que você não suporta mais. Ao entrar no elevador, ao entrar num transporte público, com medo de ser assediada, de ser assaltada, de ser abusada, o receio que você está sentindo de segunda-feira receber uma notícia de que você não passou naquele processo, porque o seu currículo não é suficiente, mas na verdade você não tem o gênero, você não tem a estampa, você Não tem o cabelo, você não tem a biologia que eles querem. Pessoas que vivem com um alvo bem aqui na testa, prontos para serem abatidos, tal como um animal na selva. Porque nós vivemos numa selva. Selva de pedra já foi uma novela, é uma realidade. E as pedras não são os prédios. As pedras, por vezes, somos nós. Mas quando nós começamos a olhar a realidade da fé que nós temos, nós percebemos que esses corpos que morrem precisam ser afetados por aquilo que cremos. Quantos corpos morrem diariamente para você viver? Quantos corpos vivem diariamente para você viver? De que maneira você se relaciona com essa realidade? De uma maneira distante, quem são os corpos que vivem na nossa sociedade? Enquanto nós acreditamos numa realidade a partir da vida de Cristo e a partir da vinda de Cristo, nós entendemos que os corpos que vivem depois da dor vivem para a glória de Deus. Nós percebemos nessa passagem que Jesus ora três vezes. São três momentos de oração com o Pai. Pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue. Mas é nesse momento, nessas orações, que ele entende que o Pai está o acolhendo. E ao longo das orações, ele entende que o melhor é ele beber esse cálice. E no beber desse cálice, ele nos dá a possibilidade de nos tornarmos corpos que vivem. E é a partir do beber desse cálice, é a partir da passagem pela crucificação que nós entendemos que é possível a ressurreição. O teólogo alemão Butan, ele entende que Jesus só se torna o Messias quando ele ressuscita, porque naquele momento era muito comum ver pequenos milagres, pequenos encantos. E quem gosta da série de Chosen vê que eles externam isso. Ele só começa a ser perseguido na série dentro daquela narrativa quando Lázaro é ressuscitado, porque a ressurreição é algo sobrenatural. Voltando ao texto e a conexão da palavra que acontece, os cumprimentos de profecias que acontecem a partir da vida de Jesus, o corpo que vive milagrosamente anuncia uma esperança que nos alcança todos os dias, anuncia uma novidade de vida que se resume no respirar novo em cada vida que o encontra. Então, como disse, são três momentos de oração que se conectam com três episódios de tentação no deserto, que se conectam com a negação de Pedro, que acontece três vezes e três vezes depois ele ressuscita. A nossa vida, ela é recheada de episódios conectados e nós escolhemos se eles serão para a glória de Deus ou não. Eu posso estar aqui dcerado, eu posso estar aqui plenamente destruído, mas eu tenho poder de escolher se eu vou seguir em frente e se eu vou enfrentar tudo aquilo que está me destruindo ou não. O Senhor me deu a vida e eu assumir enquanto essa pessoa que sou, enquanto eu eu assumir isso publicamente, eu escolher confrontar uma selva que quer que eu morra. Homens como eu tem uma expectativa de vida muito melhor, muito menor do que outros homens que são diferentes de mim. Pessoas que se encontram com a realidade vinda diretamente da mensagem de Jesus, elas têm um respirar, mas elas também têm um impulsionar. Porque o que eu vivo não pode ser somente individual, precisa ser coletivo. Jesus não morre somente por mim. Jesus, ele morre por nós. Nós conjugamos a comunidade, nós conjugamos a coletividade. E é interessante a gente perceber que dois capítulos depois, em Mateus 28, não são os homens dorminhocos que vacilaram e não oraram, que traz, que levam a mensagem de ressurreição para o mundo. são as mulheres, corpos mortos desde aquela época. São elas as responsáveis por mudar a realidade do mundo, porque elas são as mensageiras dessa mensagem. Na redundância dessa frase, afirmamos que o Senhor, através de Jesus mostra pra gente que todo aquele que nele crê pode ter vida em abundância, independente da morte que vive, independente de ser empurrado para a morte. Então, por mais que haja movimentos, transgressões que nos desmobilizem, o Senhor nos impulsiona. E o Senhor nos impulsiona e ele nos coloca pra frente de tal maneira que não tem como eu viver diferente, a não ser esperançar, a não ser viver plenamente essa esperança que irradia no meu coração e sai da minha boca, mas também se materializa em ações, em políticas públicas, em novidades de vida, em novas casas, em novos espaços. em abraços, em comida na mesa, em olho no olho, em ouvido aberto, em choro de alegria. Não tem como nós vivermos diferentes quando nós acreditamos plenamente na mensagem de Jesus. Os corpos que vivem são responsáveis pela mudança da sociedade. Como está o seu corpo hoje? Vivendo ou morrendo? Como você lida com a realidade que Jesus nos apresenta de maneira plenamente engajada ou distante, somente na plateia assistindo com pipoca. É necessário, mais do que necessário, que a gente viva os encontros com o Pai, constantes encontros com o Pai. Ele acolhe a nossa dor, ele acolhe a nossa existência, mas ele também nos impulsiona a viver os pequenos sacrifícios que vamos viver na vida. Porque por mais que a gente tenta, por mais que a gente se coloque à disposição de desistir, ele vai persistir, ele vai continuar insistindo na nossa vida. Por mais que eu tente dizer: "Acabou, não aguento mais. O Senhor vai lá e não, eu te ressuscito para minha glória e eu consigo comemorar essa Páscoa. E eu consigo comemorar essa ressurreição. E nós só conseguimos porque um dia ele ressuscitou. Porque um dia ele ressuscitou em mim. E eu acolhi essa palavra e a minha vida foi transformada. É necessário que a gente viva plenamente toda essa realidade e que a gente não desista de comunicar essa realidade, independente do que é falado nos nossos corredores evangelicais. Nós temos uma missão. Nós vivemos num grande condomínio chamado reino de Deus. E nesse condomínio não tem porteiro. Nesse condomínio, todo mundo tem acesso à água limpa. Todo mundo pode comer o que tiver nesse [Música] banquete. Todo mundo tem uma casa segura. Ninguém vive à margem da sociedade com medo de que sua casa seja destruída, com medo de ser assaltado ou de levar um tiro bem nesse alvo. Todo mundo tem garantia de um bem-estar. E se ainda falta gente nesse condomínio, nós estamos com as portas fechadas erradamente. Fi, eu ainda tô aqui olhando demais para minha realidade, celebrando tudo aquilo que eu vivo em Jesus e como é legal, mas eu não tô olhando para trás. Ainda estamos pecando. Porque aquele que sabe, pode e deve fazer o bem e não faz, está pecando. Não é sobre trazer assistência, é sobre viver. Eu falo todos os dias, eu não quero sobreviver mais. Eu quero viver. Eu nasci para viver. Eu fui criado para viver e para viver para a glória de Deus. E é por isso que hoje, amanhã e todos os dias eu celebrarei a ressurreição de Jesus, porque é por ele e para ele que eu vivo. É por causa dele que eu tenho vida. É por causa dele que eu sorrio. É por causa dele que eu tenho família. É por causa dele que eu tenho livramentos todos os dias. E é por causa dele que nós estamos aqui. E é por causa dele que nós nos conectamos com essa realidade tão dilacerante. É por causa dele que nós produzimos um óleo precioso. Se você ainda está produzindo um óleo podre, como uma azeitona azeda, ore a Deus. peça para que ele te transforme na melhor azeitona para que os seus sofrimentos deem as melhores gotas de azeite para performar, perfumar, para temperar a nossa sociedade. Vamos orar. Jesus, eu te agradeço porque tu vives. Vives em mim, vive em nós. E eu te agradeço porque o teu sacrifício não foi em vão. É porque houve toda aquela trajetória de dor. É por conta disso que nós estamos aqui e nós celebramos porque Jesus vive. vive em mim, vive em nós e viverá para sempre eternamente. Queremos ser mensageiros dessa palavra. Queremos afirmar todos os dias através daquilo que falamos e daquilo que somos e fazemos, que tu és a esperança para as nações. Seja com a gente, nos capacite, nos impulsione, nos mobilize em nome de Jesus. Amém.