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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PARA ENTENDER O QUE FOI ESSE MOVIMENTO

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PARA ENTENDER O QUE FOI ESSE MOVIMENTO

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: PARA ENTENDER O QUE FOI ESSE MOVIMENTO

Nesse vídeo, discutimos conteúdos fundamentais para analisarmos criticamente o que foi a teologia da libertação.
Pix: bruno@reikdal.net

Debate na Tapera Taperá: https://www.youtube.com/live/ZAupPzWkExM?si=NARTmwQMZWCse3S-

Legendas automáticas:

Fala minha gente, tudo bem? Espero,
desejo que sim do fundo do meu coração.
Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo,
muito bem-vindo ao nosso canalzinho. Meu
nome é Bruno Requidal, sou doutor em
economia política mundial, mestre em
filosofia, graduado em filosofia,
formada em teologia, educador popular,
profissional da educação, além de
militante, editor da revista Zelota, pai
e companheiro de uma mulher maravilhosa,
evangélico de tradição pentecostal e cá
estamos produzindo conteúdos na
internet. No vídeo de hoje, nós temos
como tema teologia da libertação e me
parece um momento bastante propício para
que discorramos a respeito de tal objeto
por três fatores particularmente
bastante interessantes. O primeiro deles
é que recentemente eu e André Canaciro,
editor fundador da revista Zelota,
também conhecido como Jesus Nipônico do
Capão, participamos recentemente aí de
um debate na livraria Tapera Taperá a
respeito da teologia da libertação em
que podudemos trabalhar aí uma
introdução e apontamentos gerais de
maneira bastante provocativa e crítica a
respeito desse movimento e que também
tem certos desdobramentos para o nosso
tempo de hoje, que nos ajuda a perceber
certos fenômenos recentes da realidade
social brasileira. ler, então, nesse
computo geral aí, se você gosta desse
tipo de tema, eu vou deixar o link para
você assistir esse vídeo na íntegra aqui
na descrição do vídeo, né? E aí você
pode também se inscrever ali no canal da
Tapera Taperá, a livraria muito
conhecida por Reunir a Esquerda Santa
Cecília de São Paulo e que é muito,
muito, muito longe da nossa casa. Então
faça valer a pena a nossa jornada e
assista lá o conteúdo, se inscreve
também lá no canal da Tapera Taperá e
que você vai encontrar outros vídeos,
né, que eles estão discutindo bastante
esse tema sobre a religião recentemente
e eu acho que pode contribuir. E eu
destaco em especial o lançamento do
livro A luta que há nos deuses de André
Castro, outro camarada nosso que tem
trabalhado aí bastante também e
exaustivamente a relação entre política,
religião e ideologia no Brasil e na
América Latina. Eu acho que vocês vão
curtir bastante o trampo do André. Então
fica a dica aí, segue lá o pessoal do
Taper Taperá, assiste o nosso papo,
assiste o papo lá com o André e os
outros mais que lhe interessarem. Esse é
o primeiro fator. O segundo fator é que
no nosso canalzinho estamos preparando
um conteúdo exclusivo para membresia,
que é um curso sobre teologia da
libertação, que pode ser muito
interessante para você. Você gosta desse
tipo de conteúdo, chega junto com a
gente, vira membro, membra membre,
membresia aqui do nosso canalzinho que é
pequeno, mas fiel e resistente e a gente
pode aí compartilhar contigo. Firmeza.
Eh, já tem vários cursos que estão
disponíveis ali nesta pequena plataforma
da comunidade do YouTube e que você pode
acabar já usufruindo e desfrutando e
aproveitando do nosso conteúdo. Além
disso, além disso, como terceiro fator
importante pra gente poder falar sobre a
teologia da libertação, é que estamos aí
num passo e no processo de luto pela
passagem realizada aí pelo Papa
Francisco.
E querendo ou não, foi um cara muito
marcante e transformador dentro da
estrutura do Vaticano em tempos recentes
e alinhado a um movimento mais
progressista, esquerda e mais liberal
dentro da Igreja Católica e que tem
também diálogos importantes e
fundamentais com a própria tradição da
teologia da libertação, ainda que
tenhamos questões aí a serem discutidas
sobre a própria biografia, né, do
Bergolho e como que ele lidou com esses
movimentos a seu período na Argentina.
São contradições importantes e
fundamentais para a história e pro nosso
aprendizado e também pra gente ter aí
lições do de que fazer daqui adiante, de
como compreender a realidade social e
histórica na qual nós estamos imersos.
Então, acho que esses três fatores são
fatores interessantes pra gente começar
a colocar um pouquinho de luz no tema da
teologia da libertação. Dito isso, gole
de café.
Na minha tese de doutorado, eu pude
trabalhar o tema das origens da teologia
da libertação. Isso porque eu discuti um
processo de secularização para o âmbito
econômico e seus desdobramentos no
pensamento, na filosofia da economia, em
próprias propostas para análise da
economia política global e tudo mais que
surgem da teologia da libertação, que
têm suas raízes em movimentos conectados
à teologia da libertação. Há um processo
de secularização em diferentes campos
que vai pra filosofia, vai pra
psicologia, vai pra sociologia, vai pra
pedagogia e também para economia. E aí
eu queria entender esse fio e esta linha
dentro da história do pensamento
econômico aqui na América Latina que
acompanha esse surgimento da teologia da
libertação, sua contato com a teoria da
dependência e o processo de
secularização que desdobrem discussões a
respeito de economia que não estão mais
dentro do guarda-chuva propriamente dito
da teologia da libertação, senão já de
um pensamento secularizado, ainda que
tenha suas raízes dentro dessa teologia.
Aí você fala: "Pô, Bruno, mas nada a ver
isso aí, né? Que escolha esquisita de
objeto, meus lindos, minhas lindas,
minha gente querida. Vocês acham que
Adam Smith, com um bom, um bom puritano
de tradição protestante, trouxe suas
raízes e discussões para o âmbito da
economia política? De
onde há um processo de secularização
desses conteúdos que são teológicos,
mágicos, muitas vezes religiosos e tudo
mais, para a questão de outros âmbitos
da prática da realidade humana. E isso
aconteceu e acontece são as teorias de
secularização, por exemplo, que o Weber
trata. Só que o fato de você ter um
processo de secularização não supera
suas raízes religiosas ou as estruturas
religiosas iniciais que dão condições
para que você tenha esse passo. E mais
ainda, ela pode manter e esconder e
mesmo
reproduzir ideologicamente, né,
conteúdos que reforçam, que justificam,
que legitimam uma determinada
interpretação oposição diante da
realidade. E isso é muito importante da
gente saber. Então, se isso acontece,
por exemplo, dentro da própria economia
política burguesa, como nós podemos
compreender dentro do pensamento de
libertação os frutos de um processo de
secularização de um de uma tradição que
não vem dessa da burguesia, protestante,
sei lá o que lá, senão de um movimento
católico, progressista, de luta popular
e conectado com as mobilizações
revolucion revolucionárias do continente
latino-americano. Então, é um objeto
relativamente distinto, interessante e
que eu gostei muito de
trabalhar. Então, talvez, talvez, e só
talvez eu tenha aí alguma propriedade
minimamente científica para discutir a
respeito da surgimento da teologia da
libertação e seus desdobramentos. E eu
vou querer discutir isso no curso, né,
que eu vou propor, mas claro, eu não vou
fazer um conteúdo só para divulgar o
curso e divulgar essas coisas. Apesar de
eu deveria começar a fazer isso, né?
fazer clickbaits para você começar aí a
transferir renda ou
rendimentos seus para o
meu. Mas o que importa é que
ah não tanto agora apresentar uma
trajetória da teologia da libertação,
toda a história, todo esse processo de
movimento, principais expoentes, né?
Quais são suas causas, as suas raízes,
vou comentar um pouco sobre isso, mas
antes de enfrentar qualquer objeto, nós
precisamos entender mais ou menos quais
são as posições que nós podemos tomar
diante desse objeto e qual a metodologia
que a gente vai utilizar para trabalhar
com ele. E isso é muito importante. Por
quê? Porque para obeno, ele nunca é
observado à secas, né? Você nunca
observa um fenômeno da realidade social
como se ele tivesse purinho e você uma
tábula rasa. Abraço, John Lock, babaca.
E essas coisas se encontram e aí pronto,
você tem uma descrição perfeita desta
realidade e tal. A análise, a
interpretação da realidade, ela sempre é
mediada, né? Ela é mediada por n
fatores. Uma discussão muito complexa,
interessante de se fazer, mas ela não
cai a secas.
Então a gente tem que burilar um
pouquinho, trabalhar com mais cuidado
esse tipo de tema e esse tipo de posição
para observação da realidade, tentando
buscar um trato científico sobre o
objeto. E o trato científico não é esse
a secas. O trato científico é você ter
claro qual o seu método, qual a sua
posição, se essa metodologia ela é
reaplicável e se uma pessoa ao reaplicar
ela vai encontrar os mesmos resultados
ou ele vai encontrar outros resultados e
vai poder fazer o caminho inverso,
desmontando aí os seus próprios
equívocos no processo, porque significa
que utilizando esse método, os
resultados foram distintos, o método tá
com problema ou a pessoa que utilizou o
método não soube utilizar de maneira
adequada. Então a gente tem que aí fazer
algumas discussões a respeito disso e
isso é importante. Por quê? Porque a
teologia da libertação, ela corre muitos
riscos de ser apresentada de maneira
ufanista,
apologética, eh militante propriamente
dito, né? Eu como um militante que sim
me alinho à teologia da libertação e
tento dar minha contribuição para essa
tradição, apesar de que eu e André
Castro, o camarada que eu comentei
recente, que lançou o livro A luta que é
nos deuses, lá no vídeo da tapera,
tapera, que tem
lá o lançamento do livro, tava com Paulo
Arantes lá. Vocês gostam de gente aí com
referência para poder assistir as outras
pessoas que tm menos referência, da
gente que tem menos tempo de vida.
Então, tava lá Paulo Arantes e André
Castro. Eu aposto no André Castro, mas
tudo bem. E aí, eh, eu e André temos um
debate, por exemplo, se a teologia da
libertação ela segue viva ou se ela já
moliou, né? Morreu, mas passa bem.
Então, a gente tem esse debate
importante entre nós. Essas discussões a
gente desenvolveu em artigos na revista
Zelota, vocês podem acompanhar, eu acho
que é legal. E ela dá uma animada, né?
Incentiva a gente, dá uma provocada. E
eu vou, se eu lembrar, eu coloco os
artigos aqui na descrição e vocês podem
acompanhar o nosso movimento de
discussão que não tá finalizado e a
gente ainda vai seguir esse papo e ele é
muito importante porque essa compreensão
sobre os limites, os avanços, as
potencialidades e as terríveis eh os
efeitos negativos e terríveis do próprio
movimento, né, todo movimento esses
efeitos negativos da teologia da
libertação, podem ajudar a gente hoje a
pensar e atuar e agir na nossa realidade
de uma maneira distinta. Então esse
debate ele ele é muito válido, muito
importante. Eu vou tentar lembrar de
colocar na na descrição aqui. E você
pode acompanhar, inclusive e provocar e
fazer sua crítica, fazer seu
apontamento, tomar sua posição, né? A
gente tem que ter mais esse esse
ambiente de debate, né? E incentivar,
ensuflar mais esse espaço que seja de
uma conversa. Debate não é luta. Debate
não é não é aposta de quem que surra
quem. E o debate é uma construção de
conteúdo crítico em que a gente tenta
buscar elementos comuns, não para est de
acordo, mas para avançar o pensamento,
avançar nas nossas ferramentas de trato,
manipulação, manejo, cuidado com a
realidade social, de prática com a
realidade social. Então, o objetivo é
esse, a gente ter tá mais municiado para
poder atuar, para poder agir de maneira
cada vez mais consciente, tal. Não é
simplesmente quem tá certo, quem tá
errado, aquele é o grande vitorioso, o
outro é o perdedor. Isso não faz sentido
nenhum. E a gente na verdade quer seguir
aquele versículo, né, que como ferro
afia ferro, irmão fio irmão, alguma
coisa assim. Os legendários gostam muito
desse tipo de provérbio, né? Ferro que
fia, ferro, irmão que fia, irmão, todos
saem afiados. Dito isso, a gente tem que
observar a realidade social com algum
instrumento, não ca secas. Então, qual
que é a nossa posição para entender a
teologia da libertação? Acho que esse é
o primeiro passo pra gente não ser o
fanista, pra gente não ser apologeta,
pra gente também não ser só o crítico,
crítico, crítico, critica, crítica,
criticante da crítica criticada, né, que
aí entra num looping infinito e uma
regressão infinita, incapaz de tocar a
realidade, porque vai ficar nas
elocubrações até sabe Deus quando. E pra
isso, né, para acessar a teologia da
libertação, eu queria, antes de fazer um
pequeno panorama e algumas alguns
apontamentos, indicar um autor chamado
Talik e Malik Tahar Shaur, o nome é
complicado, se eu lembrar eu coloco na
descrição do vídeo, que ele fala, né,
ele é um um um cara que que discute e
analisa a teologia da libertação
bastante distante, né? Eu acho que ele é
libanês, francês, né, franco-libanês,
algo assim. e ele analisa a teologia da
libertação como um objeto interessante.
Então ele tem uma posição muito muito
bacana para ver coisas que talvez quem
tá envolvido no movimento não perceba. E
ele fala: "Ó, tem três maneiras das
pessoas observarem ou tratarem o tema da
teologia da libertação, né? Para
entender a teologia da libertação, tem
três coisas que elas fazem. A primeira é
a abordagem militante, né? você como um
militante que chega lá e assume as
categorias da teologia da libertação e a
apresenta e a interpreta já dentro de
suas doutrinas, dogmas de fé e sua
posição enquanto militante que acredita
naquilo ali. E muitas vezes, ao se
discutir sobre a teologia da libertação,
convidam-se os representantes para se
apresentar e eles apresentam esse objeto
já desse ponto de vista que tá certo,
faz parte, tem mobilização, tem
propaganda, tem manter viva a chama do
do povo e da imagem do imaginário
popular e da tal. E isso é fundamental
de um ponto de vista muito político, né?
Mas não necessariamente de um ponto de
vista de análise, não necessariamente de
um ponto de vista interpretativo. E aí
quando a gente chama esse pessoal, os
grandes caciques, né, o pessoal grande
poderoso aí, os grandes chefes
referências, os grandes representantes
da velha guarda da teologia da
libertação, no geral eles assumem essa
posição de militância, né, e apresentam
então a TDL, a teologia da libertação
como militantes que tão
doutrinariamente, dogmaticamente, no
sentido positivo dos dois termos,
apresentam a teologia da libertação. Mas
de um ponto de vista científico e de
análise social, isso é uma posição que
corre riscos de você daí não ver a
teologia da libertação, senão ver o
mito, a narrativa, a
história positiva, ufanista e
apologética dessa mobilização, né? E aí
isso tem seus efeitos positivos e
negativos. Então, coisas pra gente
considerar. Segundo tipo de abordagem é
de um cientista social que assume as
categorias da teologia da libertação
para interpretar a teologia da
libertação. Para mim, quando o Shak fala
sobre isso, eu vejo o Michel Lovi, por
exemplo, ele assume muito da teologia da
libertação para falar sobre ela. Então,
ele tenta utilizar certas categorias que
nascem dessa militância para
interpretá-la. E aí ele tem certo
cuidado de fazer uma abordagem mais
secularizada, sem reproduzir
necessariamente os dogmas ou as
doutrinas. Mas ao assumir a estrutura de
pensamento de autorreflexão da teologia
da libertação sobre si mesma, ele acaba
trazendo para sua análise conteúdos de
componentes muito ideológicos que fazem,
por exemplo, com que o Lovik, o trabalho
é brilhante, eu sempre recomendo,
inclusive ele tá aqui, deixa eu ver
aqui,
ó. Recomendo muito, gente, leiam o que é
cristianismo de libertação, religião e
política na América Latina do Michel
Lovi. É muito bom esse texto. Ele é
muito legal, ele dá uma abordagem
incrível. Ele dá, pô, e o que ele faz
aqui é muito massa, muito, muito, muito
massa. Contudo, porém, entretanto, ele
acaba assumindo essa posição que o Xur
fala de ter trazer categorias da
teologia da libertação para o seu
próprio pensamento e acaba criando algo
que é uma crítica que um cara chamado
Roland Bower, que eu gosto muito, faz ao
Lovi, que é imaginar que esse
mobilização popular, à esquerda
conectada com a religião é algo
excepcional da América Latina e não é.
é algo excepcional na história e não é,
mas o excepcionalismo salta aos olhos do
Lovi porque ele vê um objeto
interessante e ele assume as categorias
da própria TDL para poder trabalhar a
TDL. Então, nesse passo ele acaba aí
caindo na armadilha e apesar do livro
ser brilhante, da da contribuição do
Lovi para a análise do fenômeno
religioso ser sensacional, das grandes
referências que nós temos, essa crítica
do Roland Bower, outra referência
brilhante, sensacional, é muito válida,
né? E aí o o Bower, inclusive, em um eh
ele comenta num dos volumes de uma
coleção que ele tem chamado On Marks and
Angel Theology, acho que foi publicado
pela Routlet, ele comenta do Lovi, né?
Fala: "Ó, o Lovi tem esse
excepcionalismo e tal, não sei o que lá"
e acaba não observando movimentos
históricos em outros territórios e em
tempos passados que se conectam com esse
tipo de mobilização popular. A grande
lância é que na América Latina isso se
conecta com lutas revolucionárias já
modernas e pós marxismo estabelecido,
né, de pós existência e constituição de
uma União Soviética forte e
pós-revolução cubana que se alinha ao a
União Soviética e aí se alinha um
movimento comunista que também traz
esses elementos, portanto, para eh como
recursos e instrumentos na mão da luta
popular.
É um cenário novo, mas a mobilização
popular revolucionária não. E aí, cara,
na minha tese eu pude fazer várias
pesquisas. Isso acabou não entrando
propriamente no texto na versão final.
Ficou um capítulo que eu depois eu
tirei, felizmente, mas infelizmente pro
outro lado porque de um
trabalho, mas felizmente porque acabou
acabarei escapando muito sobre da do
objeto, mas já separei para fazer um
livro em breve, se eu tiver recursos
para tal. E a minha meta, né, já falando
para vocês aqui, minha meta é sempre
publicar um livro e ele esteja
disponibilizado em PDF gratuitamente
para as pessoas, né? Porque eu não quero
fazer dinheiro com livro e nem acho que
dinheiro de livro faça dinheiro
propriamente dito. Então não, é só para
distribuir conhecimento. Se der certo,
publico em PDF e se der certo, versão
física e PDF, a gente faz as duas
coisas. Mas para isso eu preciso de
dinheiro e tá difícil a vida do
dinheiro. Se você tem um uma vontade de
mandar um Pix aí, eu não garanto que vai
pro livro, porque eu tô precisando pagar
o leite da criança primeiro, mas a chave
do Pix tá na descrição do vídeo aí fica
a dica.
Mas de todo jeito,
eh, nesse capítulo eu discutia sobre o
marxismo e religião e também como
movimentos populares de outras tradições
religiosas
se interessaram pela luta revolucionária
e pelo marxismo. E aí o o tem vários
exemplos sobre isso. Um autor, inclusive
que é o próprio Roland Bower, tem o Red
Theology, que é um livro teologia
vermelha, que se eu lembrar eu coloco na
descrição, senão vocês puxam minha
orelha. Eu tô falando que eu vou colocar
muita coisa na descrição, vou esquecer
absolutamente todas, perdão. Mas o o
Roland Bower, ele tem eh esse livro que
é brilhante e que ele trata sobre a
conexão entre as lutas populares e
mobilizações que se tornam
revolucionárias com a tradição marxista,
com a tradição eh do comunismo moderno
propriamente dito. É muito legal, né?
Então,
antecedentes, movimentos que se deram em
diferentes territórios, especialmente em
Ásia e na Europa. Então, é muito massa
da gente ver, cara. E aí abre abre um
mundo para você tirar o peso do
excepcionalismo, que é exatamente desse
segundo grupo, que é a galera que é de
cientista social, mas que assume as
categorias da teologia da libertação
para analisar ela e acaba caindo nesse
encantamento, né, nesse fetiche com a
própria teologia da libertação. E aí eu
tô usando o termo fetiche agora aqui
agora de maneira muito abrangente, não
de maneira específica, marxista e menos
ainda e de de maneira necessariamente
pejorativa, né? Senão, cara, criou um
negócio aí que ficou mágico, né? ficou
muito especial e é realmente é um
movimento especial e é e para mim o
grande característica especial é que se
torna um movimento de massas, né? E que
participa de mobilização de
massas, mas também não é excepcional,
né? Então a gente tem que ver
daí, comparar, conectar, ver coisas com
outros mobilizações e ver se realmente é
a teologia da libertação enquanto corpo
teórico ou outras coisas que são o
fundamental para a luta popular
conectada com a questão da da religião.
Então, primeira coisa, né, como eu
comentei, é o a galera que é militante e
que apresenta teologia da libertação,
segundo o pessoal que é cientista
social, mas acaba assumindo as
categorias e os conceitos da teologia da
libertação para trabalhar sobre ela
mesma. E aí encorre nesses problemas que
nós estamos comentando. E o terceiro
passo que o o Xaú comenta é o esforço de
distanciamento, que é aí o cientista
social que realmente quer se distanciar
e tenta criar categorias e um tipo de
pensamento particular para interpretar a
teologia da libertação. O Xaú se coloca
mais nessa linha, mas ele tem uma um
tipo de abordagem que eu acho bastante
complexa e interessante, eh, e que
contribui muito para entender a teologia
da libertação, que dá um passinho até
mais além, né? Porque a preocupação dele
não é entender o corpo teórico da
teologia da libertação, as raízes desse
pensamento e tal. Ele vai analisar
estrutural e institucionalmente como a
teologia da libertação se organizou para
ele poder fazer daí os filtros de quem
tava adiante no produção teórica e suas
conexões com bases. E isso é muito legal
de ver, porque aí ele consegue fazer uma
análise muito crítica do ponto de vista
de execução do poder, de quem tá em
posição dominante dentro das
instituições. E isso quebra um pouco de
de alguns elementos da mística em torno
da teologia da libertação e explica
alguns efeitos posteriores, que é com o
arrefecimento da luta popular, como
determinados grupos que compõem, entre
aspas, uma elite intelectual dentro da
teologia da libertação estão
distanciados da base, né? Mas não é um
efeito propriamente planejado e nem
porque o pessoal é irresponsável. Eu
tenho uma série de coisas que tão que
tão aí pra gente analisar e e fazer
uma observação crítica do processo da
realidade social. Só que e e esse
instrumento que o X utiliza, né, é muito
interessante porque ele vê as redes
institucionais da teologia da
libertação, né, de capacidade de
executar a produção teórica e de
mobilização, como que elas estão
estruturadas, quais são seus limites,
seus alcances e tudo mais. E isso é
muito legal. Isso me ensinou muito ler
esse cara, né, o Malicta
Rachaur. Eh, beleza? Então, esses seriam
os três grandes pontos de partida ou
três tipos de abordagem a partir dos
quais nós poderíamos acessar a teologia
da libertação. Um ponto de vista
militante, e aí talvez alguém que esteja
assistindo o vídeo já se identifique, um
ponto de vista de cientista social, mas
que assume os elementos da teologia da
libertação, que é possível fazê-lo, tá?
Então eu muitas vezes faço e aí, mas aí
quando eu faço eu indico, porque é
importante a gente ser honesto
intelectualmente. E a terceira coisa é
que a gente pode ou deve fazer um
esforço de distanciamento para analisar
o movimento, para entender sua dinâmica
estrutural e seus efeitos intencionais e
não intencionais, aqueles que ele sofre,
aqueles que realiza. E cara, eu acho
isso muito muito legal, porque se a
gente entende esses passos, esses três,
esses níveis distintos e sabe
manejá-los, a gente entende também a
função de cada um e que pretendemos
fazer com o que conhecemos ou como
concebemos a teologia da libertação. Uma
coisa é pegar, por exemplo, o
testemunho, né, de alguém que tá
envolvido com a teologia da libertação
desde muito tempo, o pessoal da velha
guarda, por
exemplo, e eles trazem pra gente o que
eles vivenciaram, como foi, tal, não sei
o que lá. Esse é um
elemento. Outra coisa é eu fazer uma
observação disso e trazer quais são os
as potencialidades e as fraquezas desse
movimento institucionalmente como ele se
organizou, não como o pessoal que estava
vivenciando experimentou, mas como
dentro da dinâmica de organização e
reprodução social, como esse movimento
poôde subsistir, como ele executou o
poder, como ele se organizou, ainda que
não de maneira planejada naquele
momento. isso, como nós podemos planejar
o próximo passo e como podemos planejar
o futuro. Isso para mim é o presente que
a gente tem que ter hoje, porque mudou a
realidade, mudaram os agentes sociais,
mudou a estrutura e o comportamento
dessa da sociedade brasileira e
latino-americana, mudou o tipo de
conjuntura global na qual criou
condições e propiciou possibilidades
para o surgimento da teologia da
libertação. Então, analisar isso pra
gente saber o que faremos é fundamental.
Então, para mim hoje o a observação
científica e mais histórica,
historiográfica, cuidadosa, da análise
das estruturas de poder da teologia da
libertação, de como ela se executava,
como ela não se planejou ou se planejou
de maneira limitada naquele momento e o
que isso causou pra gente melhorar e
conseguir planejar o futuro, para mim
isso é a coisa mais importante da gente
ter hoje, né? racionalizar esse
processo. Ele é um processo que ele
surge de maneira relativamente
espontânea, sem grande planejamento. Ele
é é limitado nos seus enfrentamentos
históricos, combatido duramente em
várias instâncias e aí hoje sofre os
efeitos desse processo que é muito
recente, gente, não tem 100 anos, tá
ligado? Não deu 100 anos ainda, não é? É
uma é um recém-nascido histórico. O
bichinho tá respirando agora. E a gente
então não pode, já dado que a história
acabou de começar, acabou de acontecer,
já se desesperar e também nem ficar
ufanista ou saudosista, que faremos de
nós mesmos, como vamos racionalizar essa
história e planejar o futuro? Eu acho
que esse é o passo que nós temos e
deveríamos estar hoje, né? Então essa
esse é o meu ponto. E aí, só pra gente
ter um um breve breve ponto de partida
aqui para finalizar esse vídeo e pra
gente poder daí seguir com novas
provocações. Eh, a teologia da
libertação, ela é feito, por exemplo, de
processos de modernização conservadora
da Igreja Católica que não viram os
efeitos negativos de sua própria
modernização, por exemplo, né? E isso é
muito interessante. No final do século
XIX, por exemplo, a Igreja Católica
começa uma série de reformas
institucionais para se adequar a esse
mundo capitalista industrial que tinha
se
estabelecido. na Europa, no centro do
mercado mundial, né? Durante os séculos
XVI e X estabelece esse novo modo de
produção que é capitalista industrial e
que altera radical e revolucionariamente
a sociedade como ela é estruturada, a
sociedade propriamente feudal que deu
condições paraa própria existência da
Igreja Católica e do
Vaticano. E aí esta essas estruturas
novas dessa sociedade exigem reformas,
exigem que se mude. E a igreja muda, faz
uma reforma universitária, acadêmica,
que inclui as ciências modernas e
sociais modernas. Ah, ciências modernas,
incluindo as ciências sociais, né?
Ciências sociais modernas, ciências
biológicas, ciências químicas, ciências
físicas, tal. Essas ciências são
incluídas nessa reforma. Os novos
padres, os novos agentes pastorais são
formados dentro desse novo âmbito
intelectual, desse novo
mundo. E a igreja busca uma nova posição
dentro dessa sociedade. Porque se antes
era o estado do Vaticano se relacionando
com outros estados monárquicos, se antes
é um um estado do Vaticano que coloca
sua igreja como legitimadora do poder do
rei, do poder de não sei quem, com o
processo de
secularização, de reformas de monarquias
ou quedas de monarquias, de estruturação
de um estado moderno relativamente laico
ou estruturalmente laico, a igreja não
tem mais esse poder como ela tinha.
Então, nas reformas surgem, por exemplo,
novas funções sociais para a igreja. O
Herum Novarum, né, nova doutrina social
da igreja, por exemplo, ela é uma
modernização extremamente conservadora
em que vai tentar colocar pra igreja
funções de trabalho da assistência
social, de cuidado social, da caridade,
agora não como caridade do voluntarios
só, mas a igreja institucionalmente se
coloca nessa posição. Porque qual foi a
estratégia? Dada que a industrialização
nos centros
produzem massas de empobrecidos e de
pessoas lascadas no primeiro momento,
mais com a promessa de que vai ter
inclusão, de que o pessoal vai ganhar
mais, de que vai ter estado de bem
estágio social, sei lá o que lá. Isso
vai surgir depois, né? O estado de bem
estágio social depois. Mas com a
promessa de que o desenvolvimento vai
chegar para todo mundo, a igreja percebe
que nessa marginalização as pessoas não
têm mais casa, não tem mais comida, não
tá difícil trabalho, tá difícil escola,
tá difícil tudo. Ela se oferta então
como igreja dos pobres, como aquela
igreja que vai cuidando dessa desses
marginalizados pela industrialização,
enquanto ela não atingiu aí suas
benesses prometidas para todo mundo. E
aí vão surgir as santas casas, vão
surgir aí as as universidades católicas
e escolas católicas e colégios católicos
que vão tentando incluir o pessoal e vai
trocando os reformatórios lá, orfanato,
essa parada toda. Vai criando os espaços
em que essa igreja vai se tornando uma
igreja que cria instituições para
atendimento das pessoas próprias.
modernização teórica acadêmica de
formação, modernização no papel e na na
posição que essa igreja toma dentro da
sociedade moderna capitalista industrial
e combatendo o comunismo. Que diga-se de
passagem, no meio desse salada toda, tá
luta contra esses caras que criticam a
religião e a estrutura institucional do
estado religioso, da própria função da
religião, do papel ideológico que é
desempenhado na manutenção da ordem.
Há então uma proposta de doutrina social
extremamente anticomunista, inclusive
porque essa luta por direitos
trabalhistas e por essa parada toda vai
fazer o quê? Vai fazer com que a nossa
função aí seja
desnecessária. Se os caras começar a
melhorar as coisas, como é que a gente
vai ficar ofertando aí os os serviços
alternativos? Não, né? Tão tirando o
nosso poderzinho, o único que a gente
teria. Então essa reforma, ela é uma
reforma modernizante, conservadora e
anticomunista.
E aí a doutrina, a nova doutrina social,
por exemplo, vai abrir espaço para ação
católica, vai abrir espaço paraa
mobilização de juventude, pra juventude
católica, pros operários católicos, pros
padres operários na Europa e na América
Latina. E é o pessoal que, pô,
estudando-se em social moderna, tendo
que cumprir o papel social da igreja,
começa a analisar a realidade e perceber
que o problema não é só uma coisinha de
ajuste, de reforma. Começa a perceber
que tem que ter mobilização popular. Não
necessariamente a pessoa vai se tornar
um comunista, um marxista, talvez um
anarquista, mas ela vai necessariamente
cada vez mais, né? Esses esses padres
vão se engajando em lutas que t a ver
com setores populares específicos e isso
vai fazendo com que se surja um
movimento mais militante dentro da
Igreja Católica e que se conecta com os
trabalhadores e com as trabalhadoras.
Mas lembrando, são reformas pensadas
para o centro do mercado mundial, para a
Europa. Mas os
padres e os missionários são preparados
para essa nova igreja para se antecipar
e chegar na América
Latina, em outros lugares do mundo, mas
em especial América Latina, onde tinha a
maior rede da Igreja Católica e seu
maior poder propriamente dito, potencial
pelo da cera da população, população
inteira católica, o continente mais
católico que tem. Até pouco tempo, o
Brasil era o país mais católico do
mundo. Não sei se ainda é, sei lá como é
que era, mas o lance é vamos mandar esse
pessoal para lá. E esses missionários
vêm para cá, mas vem para cá para atuar
na defesa do processo de modernização e
de capitalismo industrial que está
rolando no centro, cuidando dos pobres e
remediando os efeitos negativos desse
processo. Nesse movimento, o que
acontece é que quando eles chegam na
América Latina não tem esse processo em
curso. A modernização não tá
rolando. E quando ela começa a rolar ali
em meados dos anos 40, 50 e aí 60, onde
vai atingir o limite dos projetos de
desenvolvimento desenvolvimentismo
latino-americano, a industrialização
deflagrada, ela não traz o progresso que
se prometia propriamente dito, senão que
torna ainda mais
abismal a eh pobreza já
existente, a miséria vigente, piora as
relações de desigualdade, piora as
questões de trabalho, piora um monte de
coisa. E o pessoal fala: "Eita, mano!"
Especialmente porque a população, em sua
maioria tava na terra, tava tava no
campo, né? População camponesa ligada à
Terra. E aí aumentam os latifúndios, as
lutas pela Terra, a industrialização
limitada de substituição de importações
que tá sendo instalada nos países
periféricos no projeto de
desenvolvimentismo não absorve as
pessoas que estão vindo do campo e as
que estão no campo tem que produzir para
atender essas indústrias que estão
completamente desconectadas de sua vida.
Então a série de crises de fome, de
bagaceira que vai acontecer é incrível.
Quem vai se dar bem que são grupos de
setores específicos de classe média e de
algumas pessoas que são trabalhadores e
trabalhadoras operários que entram
também em situações completamente
complicadas e nem um pouco fáceis, mas
que tem que lutar pelo direito
trabalhista, pelo pão mínimo, por coisas
mínimas e básicas e se engajam também na
luta
popular. E a Igreja Católica tem uma
grande rede. E esses padres estão em
crise porque os processos de
modernização para o qual eles foram
feitos foram pro centro do mercado
mundial. E na periferia os processos são
diferentes, são distintos, são mais
conflitivos e são mais contraditórios. E
a indústria do centro começa a exigir da
periferia que a sua economia seja
voltada para atender as necessidades do
centro do mercado mundial. E lá começa a
ter estado de bem-estar social
pós-guerra, começa a ter melhoria de
condição de vida, maior direito
trabalhista, tá, não sei o que lá. Só
que a conta tá sendo paga pela super
exploração das periferias. E nesse
processo de centroperiferia e tudo mais,
os padres ali, a galera que tá
vivenciando isso, vai sofrendo pressão
popular. As pessoas estão se mobilizando
para sobrevivência, para encontrar algum
caminho e bate na porta lá do
padre. O senhor tá com a gente aqui na
paróquia ou o senhor tá com o dono da
terra lá, com latifundiário. O senhor tá
com com aqueles capitão do mato lá? O
senhor tá com aqueles caras que estão
matando a gente? O senhor tá com? O
senhor tá com quem? O cara lá na
universidade, mesma coisa. O estudante
batia ela na porta. E aí, queridão, você
tá com a gente, com os estudantes aqui
que estão querendo reforma ou você tá
defesa do do pessoal que administra a
universidade? Os operários,
trabalhadores, a mesma coisa. vai lá na
E aí os padres têm que tomar posição e
nessa tomada de posição para cumprir a
sua missão em crise e contradição, eles
acabam muitas vezes, muitas vezes, não
sempre, mas muitas vezes tomando as
posições junto às lutas populares. E
nisso vai surgir então uma mobilização
que conecta a religião e política e a
luta popular. Mas a luta popular que
anima essa religiosidade, não o
contrário, diga-se de passagem, é a
organização dos trabalhadores que vai se
conectando e vai confluindo nesse
processo. E aí os padres acabam tomando
uma posição de costa larga para proteger
os fiéis e para dar legitimidade para
sua luta. Então, dentro da estrutura da
burocracia do Vaticano, eles fazem a
costa larga de segurar lá a a máquina de
de defender ordem vigente e tentam criar
espaços, eh, mecanismos, métodos,
trabalhos populares para que essas
pessoas tenham autonomia e consigam
seguir aí sua luta e seu trabalho eh na
mobilização social, né? E isso só vai
complicando a situação porque depois vem
ditadura, Guerra Fria intensifica. Esses
caras tão tão tomando decisões
cotidianas do dia a dia ali da paróquia,
da vivência com a comunidade. Só que
isso tá tendo conexões muito mais
amplas. E nesses processos, no limite,
vira um grande movimento popular que é
de esquerda e que será combatido pelo
imperialismo. Tipo, é uma coisa maluca,
mas essas coisas vão se conectando
dentro desta conjuntura. E nesse
processo, anos 50, anos 60, tem o
desenvolvimento de uma reflexão sobre
isso que tá sendo vivenciado nas bases,
na luta popular, na organização dos
trabalhadores. E aí esses padres, esses
teólogos, essa galera vai refletindo
sobre o que tá acontecendo. E dentro
desse espírito de guerra fria, de luta
contra a ditadura, de conservadores e e
liberais, de comunistas e reacionados
fascistas e e tudo isso ao mesmo esse
caldeirão está aí. Tem revolução cubana
no final dos anos 50, início dos anos
60, que anima todo mundo, que fala: "Meu
amigo, é agora, é agora, é agora". E
nesse processo os caras vão começar a
refletir sobre o que tá acontecendo. E
essa reflexão ela precisava interpretar
por que a melhora no centro piora a vida
do pessoal aqui. E aí a gente tá nessa
crise de missão e o que explica para
eles é depois da produção da CEPAL, né,
Comissão Econômica para América Latina,
que especialmente R Prebish falando
sobre centro periferia, explicando como
funciona, funciona essa dinâmica, mas
também o o o furtado, essa galera toda.
Com a teoria da dependência que explica
essa
dinâmica, municiando além do mais a
crítica do ponto de vista popular, meu
amigo, aí a chave vira. Aí o pessoal
sacou, falou: "Era isso?
A teoria da dependência, ela dá como
chave de interpretação da realidade
social para esses teólogos formados do e
efeito do processo de modernização
católico do por que a nossa missão tá em
crise. Tem o centro, tem a periferia,
tem o desenvolvimento dos centros, a
piora de vida na periferia. E se a gente
quiser atuar de maneira adequada na
manutenção do desenvolvimento social e
como Igreja dos Pobres da América
Latina, que que a gente tem que fazer?
Ah, a gente tem que ter um projeto de
desenvolvimento que seja em prol desse
povo. E aí vem suas conexões muitas
vezes com movimentos e processos
socialistas revolucionários, propondo
uma um desenvolvimento
alternativo. Cara, isso é muito legal de
ver, isso é muito legal de observar, mas
é efeito. A primeira é mobilização
popular e aí tem essa interpretação. E
aí, gente, dali pra frente, né, que eu
eu tô construindo a história até a gente
chegou agora no final dos anos 60,
começo dos anos 70. E aí tem coisas
específicas, né, com a grande
concentração de intelectuais no Chile no
final dos anos 60, início dos anos 70
por fatores internos e externos. Um
monte de gente que acabou parando lá e
que teve contato com esses debates,
porque onde surge a teologia da
libertação, surge também a teoria da
dependência. E muitos dos intelectuais
estão conectados nos dois
movimentos de maneiras muito
particulares e distintas. E a gente pode
analisar isso, a gente pode ver como
isso funcionou. E é muito legal de
perceber a interconexão, as correlações,
os debates que ocorreram, tal. Mas isso
vai ficar para uma conversa mais
aprofundada no curso que eu tô bolando
aí e que eu vou soltar em breve para a
nossa comunidade. Soltei aí mais uma
propagandinha, mais um bait. Não esquece
de curtir esse vídeo, comentar para já
espalhada a palavra por aí, dá uma
olhadinha na descrição do vídeo, porque
lá tem a chave do Pix, vai que tá
sobrando uma merreca por aí, além de
alguma das muitas referências que eu dei
aqui. Se eu esqueci de alguma, você pede
para eu colocar que eu tento lembrar de
colocar depois mente, beleza? Tô
atrasado pro trabalho, então deixa eu
correr para lá. Seguimos por aqui
trazendo a boa nova todo dia útil até a
vitória final. Valeu, minha gente.
Valeu,

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