Isaías e a Reforma Agrária e Urbana
26/05/2025
Isaías e a Reforma Agrária e Urbana
Neste vídeo, exploramos a mensagem poderosa de Isaías 5.8-10 e sua relevância para a reforma agrária no Brasil. A passagem bíblica nos alerta sobre a injustiça da concentração de terras e propriedades, instigando uma reflexão crítica sobre o direito à moradia e a função social da propriedade. Discutimos como o latifúndio e a monocultura impactam a vida rural, a produção de alimentos e a pobreza. A Bíblia clama por limites à posse e pela prioridade do direito à moradia. Junte-se a nós neste chamado à ação, defendendo uma sociedade mais justa e solidária. 💬✨
Fonte: Missão na Íntegra
Legendas automáticas:
Isaías 5 e a 8 a 10. Ai de vocês que compram todas as casas e se apoam das terras, expulsando os antigos moradores, fixando placas de não entre, tomando conta do país e deixando a população sem abrigo e sem terra. Ouvi por acaso o Senhor dos Exércitos de Anjos dizer: "Esses casarões vão ficar vazios. Essas propriedades imensas ficarão desertas. Uma vinha de 10 alqueires produzirá apenas uma jarra de vinho, um barril de semente produzirá 10 kg de trigo. Na estrada da transformação do Brasil, uma medida se impõe, a reforma agrária. O país tem sofrido de aguda injustiça fundiária desde o seu nascedouro. As chamadas capitanias hereditárias, onde portugueses recebiam incomensuráveis gllebas de terra no país, foram as medidas escolhidas pela coroa portuguesa para incentivar a invasão e colonização do país. Desde então, a nação brasileira sofre a desdita de ver grande parte de seu ativo fundiário na mão de poucos proprietários. Isso sem contar que muitos destes proprietários galgaram essa posição por meios violentos e ilegais. Nada é tão confuso e tão eivado de corrupção no país quanto a questão da posse da Terra. Uma das questões que subjazem nesse desafio nacional é o princípio de que no Brasil, se alguém tiver poder aquisitivo, pode ter o quanto de terra e casa quiser. Como se pode perceber, o princípio que norteia o texto bíblico é contrário a esse paradigma. Isto é, o texto impõe limites. Ninguém pode ter tudo o que quer só porque pode. O princípio das escrituras impõe limites ao poder aquisitivo. E esse é o primeiro padrão que precisa ser atacado no país. É preciso impor um limite a posse tanto ao número de propriedades quanto ao tamanho das mesmas. Segundo as escrituras, ninguém pode concentrar propriedades a ponto de ameaçar a moradia ou direito à terra, que todos os seres humanos devem usufruir. Isto é justamente o que acontece no Brasil. O direito à moradia é negado por causa do jeito como a propriedade privada é permitida. um jeito totalmente eh injusto. Concentrando-nos na questão agrária, nos damos conta de que o país sofre ainda a agravante de que o latifúndio pratica a monocultura, movido pelo que o mercado internacional melhor pague, que é o princípio do chamado agronegócio. Esse princípio compromete a agricultura de subsistência, responsável pela produção de alimentos e é responsável pelo êxodo rural e pelo aprofundamento da pobreza e pela opção pelos transgênicos e pelo excesso de agrotóxicos e ainda atenta contra a economia popular e contra a soberania nacional. O agronegócio vende os grãos e depois nós os readquirimos, beneficiados pelos nossos antigos clientes, agora credores. E tem a questão dos transgênicos, porque acabamos por pagar royalto, éramos soberanos, as sementes, por exemplo. Há ainda que se considerar que os transgênicos transformam seres humanos em cobaias e submetem o meio ambiente a impacto não prognosticável. O que é preciso fazer no campo é também preciso fazer na cidade. O povo de Israel recebeu ordens de renovar a sociedade a cada 50 anos. era a lei do jubileu. As terras, a cada 50 anos, tinham de ser devolvidas para os antigos beneficiados, isto é, para os respectivos moradores das tribos possuidoras destas. Quando Deus distribuiu entre as tribos de Israel as terras das nações que ele havia julgado por terem chegado ao limite da iniquidade tolerada na história, estas terras não seriam eh propriedades das tribos, mas usufruto incomodato. As terras não podiam ser vendidas, apenas as colheitas, num total de 49 colheitas no final das quais as terras teriam de ser devolvidas. Os que entregaram as terras para pagamento de dívidas, poderiam ofertar o seu trabalho por metade do salário para pagamento dessas dívidas, caso a entrega das colheitas não fosse suficiente. Escravização em Israel era esse empregar-se por metade do salário para pagamento da dívida contraída, cujo pagamento não fora saldado com a venda do direito a 49 colheitas. Esse tipo de relacionamento empregatício tinha um prazo de 7 anos após o que o trabalhador tinha de ser liberado e suas dívidas perdoadas. A acumulação de terras era proibida em Israel. O profeta Isaías estendeu esse princípio também para a realidade urbana. No texto, Deus passa a utilizar na cidade a mesma lógica aplicada para a realidade rural. O profeta Isaías acrescenta que Deus irá julgar os acumuladores de casas, fazendo com que suas mansões fiquem desertas, assim como julgaria os acumuladores de terra com improdutividade. No Brasil, a realidade da possibilidade de acumulação desmedida no mundo rural transferiu-se paraa realidade urbana. Na cidade, uma pessoa pode, em tese, ser dona de todas as moradias, transformando todos os possíveis moradores da cidade em seus inquilinos ou os condenando a viver em situação de rua. Em princípio, a Bíblia não é simpática à ideia de posse e, sem dúvida, é totalmente contrária a acumulação e a concentração, de modo a que alguém possa ser a única moradora do lugar, ou seja, a única proprietária. Em outras palavras, a Bíblia limita a posse de propriedades porque questiona a lógica da propriedade privada. Logo, esse pretenso direito não pode ser usufruído às custas do direito à moradia, a que todos os seres humanos fazem justo. Portanto, eh, na Escritura Sagrada, direito à moradia é superior ao direito à propriedade. O objetivo de Deus é que todos tenham moradia. Na fala de Jesus Cristo, isso está contemplado no seu comentário sobre a nudez em Mateus 25:36, quando Jesus disse: "Estava nu e me vestistes, ou seja, não me deixastes exposto à minha fragilidade. E o que cobre o ser humano de fato na vida, em sociedade é o uso fruto do direito à moradia. Assim, uma sociedade cristã dá prioridade à função social da propriedade urbana, porque dá prioridade à moradia. No mundo rural, a Bíblia dá prioridade à produção de alimentos, porque dá prioridade à segurança alimentar, que só é possível em pequenas propriedades, até porque a Bíblia não apoia o latifúndio, como disse o profeta. Nós, cristãs e cristãos do Brasil temos de tomar posição ao lado das reformas agrária e urbana.