Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Isaías e a Reforma Agrária e Urbana

Isaías e a Reforma Agrária e Urbana

Isaías e a Reforma Agrária e Urbana

Neste vídeo, exploramos a mensagem poderosa de Isaías 5.8-10 e sua relevância para a reforma agrária no Brasil. A passagem bíblica nos alerta sobre a injustiça da concentração de terras e propriedades, instigando uma reflexão crítica sobre o direito à moradia e a função social da propriedade. Discutimos como o latifúndio e a monocultura impactam a vida rural, a produção de alimentos e a pobreza. A Bíblia clama por limites à posse e pela prioridade do direito à moradia. Junte-se a nós neste chamado à ação, defendendo uma sociedade mais justa e solidária. 💬✨

Legendas automáticas:

Isaías 5 e a 8 a 10. Ai de vocês que
compram todas as casas e se apoam das
terras, expulsando os antigos moradores,
fixando placas de não entre, tomando
conta do país e deixando a população sem
abrigo e sem terra. Ouvi por acaso o
Senhor dos Exércitos de Anjos
dizer: "Esses casarões vão ficar vazios.
Essas propriedades imensas ficarão
desertas. Uma vinha de 10 alqueires
produzirá apenas uma jarra de vinho, um
barril de semente produzirá 10 kg de
trigo. Na estrada da transformação do
Brasil, uma medida se impõe, a reforma
agrária. O país tem sofrido de aguda
injustiça fundiária desde o seu
nascedouro. As chamadas capitanias
hereditárias, onde portugueses recebiam
incomensuráveis gllebas de terra no
país, foram as medidas escolhidas pela
coroa portuguesa para incentivar a
invasão e colonização do
país. Desde então, a nação brasileira
sofre a desdita de ver grande parte de
seu ativo fundiário na mão de poucos
proprietários. Isso sem contar que
muitos destes proprietários galgaram
essa posição por meios violentos e
ilegais. Nada é tão confuso e tão eivado
de corrupção no país quanto a questão da
posse da Terra.
Uma das questões que subjazem nesse
desafio nacional é o princípio de que no
Brasil, se alguém tiver poder
aquisitivo, pode ter o quanto de terra e
casa quiser. Como se pode perceber, o
princípio que norteia o texto bíblico é
contrário a esse paradigma. Isto é, o
texto impõe
limites. Ninguém pode ter tudo o que
quer só porque pode. O princípio das
escrituras impõe limites ao poder
aquisitivo. E esse é o primeiro padrão
que precisa ser atacado no país. É
preciso impor um limite a posse tanto ao
número de propriedades quanto ao tamanho
das mesmas.
Segundo as escrituras, ninguém pode
concentrar propriedades a ponto de
ameaçar a moradia ou direito à terra,
que todos os seres humanos devem
usufruir. Isto é justamente o que
acontece no Brasil. O direito à moradia
é negado por causa do jeito como a
propriedade privada é permitida.
um jeito totalmente eh
injusto. Concentrando-nos na questão
agrária, nos damos conta de que o país
sofre ainda a agravante de que o
latifúndio pratica a monocultura, movido
pelo que o mercado internacional melhor
pague, que é o princípio do chamado
agronegócio. Esse princípio compromete a
agricultura de subsistência, responsável
pela produção de alimentos e é
responsável pelo êxodo rural e pelo
aprofundamento da pobreza e pela opção
pelos transgênicos e pelo excesso de
agrotóxicos e ainda atenta contra a
economia popular e contra a soberania
nacional. O agronegócio vende os grãos e
depois nós os readquirimos, beneficiados
pelos nossos antigos clientes, agora
credores. E tem a questão dos
transgênicos, porque acabamos por pagar
royalto, éramos soberanos, as sementes,
por exemplo. Há ainda que se considerar
que os transgênicos transformam seres
humanos em cobaias e submetem o meio
ambiente a impacto não
prognosticável. O que é preciso fazer no
campo é também preciso fazer na cidade.
O povo de Israel recebeu ordens de
renovar a sociedade a cada 50 anos. era
a lei do jubileu. As terras, a cada 50
anos, tinham de ser devolvidas para os
antigos beneficiados, isto é, para os
respectivos moradores das tribos
possuidoras destas. Quando Deus
distribuiu entre as tribos de Israel as
terras das nações que ele havia julgado
por terem chegado ao limite da
iniquidade tolerada na história, estas
terras não seriam eh
propriedades das tribos, mas usufruto
incomodato. As terras não podiam ser
vendidas, apenas as colheitas, num total
de 49 colheitas no final das quais as
terras teriam de ser devolvidas. Os que
entregaram as terras para pagamento de
dívidas, poderiam ofertar o seu trabalho
por metade do salário para pagamento
dessas dívidas, caso a entrega das
colheitas não fosse
suficiente. Escravização em Israel era
esse empregar-se por metade do salário
para pagamento da dívida contraída, cujo
pagamento não fora saldado com a venda
do direito a 49 colheitas. Esse tipo de
relacionamento empregatício tinha um
prazo de 7 anos após o que o trabalhador
tinha de ser liberado e suas dívidas
perdoadas. A acumulação de terras era
proibida em Israel. O profeta Isaías
estendeu esse princípio também para a
realidade urbana. No texto, Deus passa a
utilizar na cidade a mesma lógica
aplicada para a realidade rural. O
profeta Isaías acrescenta que Deus irá
julgar os acumuladores de casas, fazendo
com que suas mansões fiquem desertas,
assim como julgaria os acumuladores de
terra com
improdutividade. No Brasil, a realidade
da possibilidade de acumulação desmedida
no mundo rural transferiu-se paraa
realidade urbana. Na
cidade, uma pessoa pode, em tese, ser
dona de todas as moradias, transformando
todos os possíveis moradores da cidade
em seus inquilinos ou os condenando a
viver em situação de rua.
Em princípio, a Bíblia não é simpática à
ideia de posse e, sem dúvida, é
totalmente contrária a acumulação e a
concentração, de modo a que alguém possa
ser a única moradora do lugar, ou seja,
a única proprietária. Em outras
palavras, a Bíblia limita a posse de
propriedades porque questiona a lógica
da propriedade privada. Logo, esse
pretenso direito não pode ser usufruído
às custas do direito à moradia, a que
todos os seres humanos fazem
justo. Portanto, eh, na Escritura
Sagrada, direito à moradia é superior ao
direito à propriedade. O objetivo de
Deus é que todos tenham moradia. Na fala
de Jesus Cristo, isso está contemplado
no seu comentário sobre a nudez em
Mateus
25:36, quando Jesus disse: "Estava nu e
me vestistes, ou seja, não me deixastes
exposto à minha fragilidade. E o que
cobre o ser humano de fato na vida, em
sociedade é o uso fruto do direito à
moradia.
Assim, uma sociedade cristã dá
prioridade à função social da
propriedade urbana, porque dá prioridade
à
moradia. No mundo rural, a Bíblia dá
prioridade à produção de alimentos,
porque dá prioridade à segurança
alimentar, que só é possível em pequenas
propriedades, até porque a Bíblia não
apoia o latifúndio, como disse o
profeta.
Nós, cristãs e cristãos do Brasil temos
de tomar posição ao lado das reformas
agrária e urbana.

Tags: