O Triunfo da Graça – Filipe Fontes
21/05/2025
O Triunfo da Graça – Filipe Fontes
O reencontro de Jacó e Esaú fala sobre transformação, graça e o poder da reconciliação, baseada em Gênesis 33. Nesta pregação do Pr. Filipe Fontes aprendemos que antes de nos reconciliarmos com outros, precisamos nos encontrar com Deus. A mensagem nos convida a refletir sobre o relacionamento entre Jacó e Esaú, destacando como Deus muda corações e restaura vidas. Acompanhe este estudo bíblico profundo e veja como a graça de Deus atua em meio aos conflitos humanos.
INFORMAÇÕES:
Pastor: Filipe Fontes
Passagem: Gênesis 33
Série: O Triunfo da Graça na História de Isaque e Jacó
Pregação número: 9 de 11
#ipsantoamaro #presbiteriana #reconciliaçãojacóesaú #gênesis33 #liçõesdeperdão #liçõesdabíblia #jacóeesaúsereconciliam
CAPÍTULOS:
00:00 – Abertura
00:38 – Leitura da Bíblia
04:25 – Oração
05:36 – A história de Jacó e Esaú
10:46 – Transformação de Jacó
20:40 – Encontro de Jacó com Esaú
27:27 – Mudança de Jacó e Esaú
32:48 – Deus é imutável
44:41 – Deus da reconciliação
48:50 – Deus que nos guia
49:18 – Reconciliação
50:18 – Justiça e Graça
51:30 – Conclusão
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
É com esta alegria no coração, alegria da certeza da salvação que nós vamos meditar na palavra do Senhor nesta manhã. Vamos abri-la em Gênesis 33. Gênesis capítulo 30. E este será então o texto de base da nossa mensagem neste domingo, agora no culto pela manhã. Gênesis 33. Farei a leitura da palavra do Senhor. Peço que você receba com fé esta que é a palavra do nosso Deus. Ela diz assim: "Quando Jacó ergueu os olhos, viu que Esaú se aproximava e com ele 400 homens. Então repartiu os filhos entre Lia, Raquel e as duas servas. Pôs as servas e seus filhos à frente, Lia e seus filhos atrás deles, e Raquel e José por último. E ele mesmo, adiantando-se, prostrou-se em terra sete vezes até aproximar-se de seu irmão. Então, Esaú correu ao encontro dele e o abraçou, pôs os braços em volta do pescoço dele e o beijou. E choraram. Daí, levantando os olhos, Esaú viu as mulheres e os meninos e disse: "Quem são estes que estão com você?" Jacó respondeu: "Os filhos com que Deus agraciou este teu servo." Então, se aproximaram as servas, elas e os filhos. e se prostraram. Chegaram também Lia e seus filhos e se prostraram. E por último chegaram José e Raquel e se prostraram. Esaú perguntou: "Qual é o seu propósito com todos esses grupos que encontrei?" Jacó respondeu: "É para obter favor na presença de meu Senhor." Então Esaú disse: "Eu tenho muitos bens, meu irmão. Guarde o que você tem." Mas Jacó insistiu: "Não recuse. Se alcancei favor na sua presença, peço que aceite o meu presente, porque ver o seu rosto é como contemplar o semblante de Deus e você me acolheu tão bem". Portanto, aceite o meu presente que eu lhe trouxe, porque Deus tem sido generoso para comigo e tenho fartura e insistiu com ele até que o aceitou. Então Esaú disse: "Vamos partir e seguir viagem. Eu irei à sua frente". Porém Jacó lhe disse: "Meu Senhor, sabe que esses meninos são fracos e tenho comigo ovelhas e vacas de leite? Se forçados a caminhar de mais um só dia, morrerão todos os rebanhos. Passe meu Senhor adiante de seu servo. Eu seguirei aos poucos no passo do gado que me vai à frente e no passo dos meninos até chegar a meu Senhor em Seir. Esaú respondeu: "Então, permita que eu deixe com você alguns dessa gente que está comigo?" Jacó respondeu: "Para quê? Basta que eu alcance favor aos olhos de meu Senhor. Assim, naquele dia, Esaú voltou para Seir pelo caminho por onde tinha vindo. E Jacó foi para Sucote e edificou para si uma casa e fez cabana para o o seu gado. E por isso o lugar se chamou Sucote. Voltando de Padarã, Jacó chegou são e salvo à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, e armou a sua tenda junto à cidade. parte do campo onde tinha armado a sua tenda. Ele a comprou dos filhos de Amor, pai de Siquém, por 100 peças de dinheiro, e levantou ali um altar e lhe deu o nome de Deus, o Deus de Israel. Vamos orar mais uma vez. Senhor, acabamos de ler a tua bendita palavra. palavra que é tua, palavra que é poder teu, palavra que tem a capacidade de arrebatar o nosso coração e transformar a nossa vida. E o que nós queremos que aconteça nessa manhã é isso. Todos nós precisamos de alguma maneira ser transformados. Todos nós precisamos ter o nosso coração redirecionado pela palavra do Senhor. E a oração do teu povo nesta manhã é esta, que tu faças mais uma vez aquilo que tu tens feito conosco dominicalmente neste lugar. fala conosco e reorienta o nosso coração, especialmente daqueles que estão andando longe de ti, fugindo da tua presença. Que todos encontremos segurança, descanso, estímulo para buscar o Senhor neste dia. É a oração que nós te fazemos em nome de Jesus, o nosso bendito redentor. Amém. Irmãos, histórias são diferentes, mas ao mesmo tempo são todas iguais. Depois do era uma vez, sempre vem uma tensão, uma princesa enfeitiçada, um sapato perdido, um reino ameaçado por um dragão. E depois das idas e vindas, essa tensão é resolvida nessa história. O beijo desfaz o feitiço, o sapato é encontrado, o dragão é destruído por um herói. Não é diferente na história de Jacó. No começo, ele é afastado do cumprimento da promessa ao deixar a terra prometida sozinho e sem descendência por causa de um conflito com o seu irmão. Mas no final tudo se resolve, como nós veremos na passagem de hoje em Gênesis capítulo 33. Na semana passada, nós vimos que, embora Jacó tivesse um problema para resolver com Esaú, esse não era o seu principal problema. O maior problema de Jacó era ele mesmo e, em última instância o seu relacionamento com Deus. E embora eu ainda esteja na contextualização, deixe dizer a vocês que não é diferente conosco. Frequentemente nós imaginamos que o nosso problema é o nosso trabalho, que o nosso problema é o nosso casamento, que o nosso problema é a nossa igreja, enquanto muitas das dificuldades que experimentamos nesses ambientes, se não todas, ah, estão, na verdade, relacionadas à maneira como nós temos vivido. e sobretudo à maneira como nós temos nos relacionado com Deus. O nosso maior problema somos nós mesmos. A nossa relação com o Senhor é o que está na base de todas as dificuldades que experimentamos ao longo da nossa vida. E é por isso que antes de encontrar-se com Esaú, Jacó precisava encontrar-se com Deus. Ele estava distante do Senhor e precisava se encontrar com ele. E nós vimos como esse encontro acontece quando Jacó estava sozinho depois de passar pelo val de Jaboque. E como esse encontro o deixa manco por um lado, mas transformado por outro. Depois desse encontro com Deus, Jacó já não andava mais direito. O anjo do Senhor o havia deixado com uma deformação que ele carregaria pelo resto da sua vida como uma lembrança da sua altivez de espírito, como uma lembrança daquilo que foi necessário para que ele se humilhasse diante do Senhor. Mas ele já não se chamava mais Jacó. Agora ele se chamava Israel. Ele recebeu um novo nome, uma nova identidade, um novo caminho. Ele agora é o homem que lutou com Deus e prevaleceu. Esse é o significado do nome Israel, o homem que lutou com Deus. Bem, depois de encontrar-se com Deus, ele estava agora pronto para encontrar-se com Esau. Ouça isso. Primeiro você precisa encontrar-se com Deus para depois encontrar-se com o seu marido, com a sua esposa, com o seu filho, com o seu colega de trabalho, com o seu irmão da igreja. Primeiro você precisa se encontrar com Deus, porque é a maneira como nós nos relacionamos com Deus, que determina a maneira como nós nos relacionamos com as pessoas. E o modo como a passagem começa sugere que esse encontro não demoraria a acontecer. Na verdade, o autor bíblico usa uma expressão muito interessante no começo desse relato que cola os dois encontros. O texto diz que depois de sair do encontro com Deus, Jacó ergue os olhos. É como se ele tivesse acabado de acontecer. E então Jacó levanta a sua cabeça e quem é que ele vem vindo em sua direção? Esaú acompanhado dos 400 homens que vinham com ele naquela ocasião. Hoje nós vamos olhar para esse encontro e vamos aprender algumas coisas que Deus nos ensina através desta passagem. A primeira coisa que eu quero que você perceba é que o Jacó que se encontra com Esaú não é o mesmo diantes do encontro com Deus. Essa passagem mostra isso de maneira muito clara, que o Jacó que se encontra com Esaú não é o mesmo diantes do encontro com Deus. Nós vemos isso primeiramente no lugar que Jacó ocupa nesse encontro. Ah, o texto diz que quando Jacó percebeu que Esaú vinha em sua direção com 400 homens, ele fez algo que de algum modo ecoa o costume pecaminoso da sua família. Lembra que a família de Jacó é marcada por preferências. Existem preferências nesta família desde o nascimento dele. Isaque prefere Esaú, Rebeca prefere Jacó ao invés de Esaú. E Isaque ah, ou Jacó faz isso nesta ocasião. E isso revela que ele não tinha se tornado um homem perfeito do dia paraa noite. Presta atenção nisso. Ninguém se torna perfeito do dia paraa noite, mesmo depois do nosso encontro com Deus. É preciso uma vida de santificação para que nós aprendamos determinadas coisas da nossa relação com o Senhor. É assim conosco? Foi assim com Jacó. Quando ele enxerga Esaú, ele divide os seus filhos entre as mães e organiza a exposição delas ao risco em ordem de preferência. Ele coloca as servas na frente, porque se alguém tiver que morrer primeiro, morrem as servas e os filhos delas. Lia, que é a mulher com quem ele se casou, mas não queria ter se casado, vem em segundo lugar. é a segunda tropa a morrer caso Esaú venha para destruí-lo. No finalzinho de tudo, ele coloca a sua esposa preferida e o seu filhinho preferido, o tal José, o único mencionado nominalmente nesta passagem, já como um preparo daquilo que haverá de vir. Depois é a história de José que será contada pelo livro de Gênesis. Portanto, isso mostra que Jacó não é ainda um homem perfeito, mas ele faz algo que ele jamais teria feito antes. Se fosse o Jacó de antes, onde é que ele teria ficado nessa organização toda? Atrás de Raquel e José, protegendo a si mesmo, sobretudo de qualquer coisa. Mas não é isso que ele faz. Ele se coloca nesta passagem à frente de todo mundo, assumindo a postura e o lugar de maior risco, como alguém que declara: "Fui eu que causei toda essa situação. Sou eu que preciso resolver toda essa situação." Ah, esse é o primeiro indicativo, irmãos, de que Jacó não era mais o mesmo. Ele estava verdadeiramente arrependido. Qual é o indicativo, pastor? Ele não foge das consequências do seu pecado. Ele não quer dar um jeitinho para resolver as consequências do seu pecado. Ele sabe que não é possível experimentar o perdão sem passar pela reconciliação. E você sabe como é que nós temos a tendência de querer essas coisas? A gente às vezes cria um problema de relacionamento e aí a gente pede perdão a Deus e acha que tá tudo resolvido. A gente não volta para resolver o problema de relacionamento que nós criamos. Eh, não é o que Jacó faz aqui. Jacó sabe que vai doer. Ele sabe que precisa se humilhar. Ele sabe que precisará renunciar. Mas ele está lá na linha de frente, preparado para encarar o irmão a quem ele ofendeu. Nós também vemos que Jacó não é mais o mesmo na postura que ele assume quando ele se encontra com Esaú. O texto diz no versículo 3 que ele mesmo, adiantando-se prostrou-se em terra sete vezes até se aproximar de seu irmão. Irmãos, esse ato prostrar-se sete vezes era uma prática comum de saudação oficial dos servos para com os seus senhores. Jacó, portanto, quando encontra-se com Esaú, ele saúda a Esaú como um servo costumava saudar ao seu senhor em cerimônias oficiais. Ele assume uma postura típica de humilhação, característica daquele que sabe que pecou. E a sua postura, ela vem acompanhada de uma linguagem que reforça essa condição. Veja, o narrador chama Esaú de irmão de Jacó. Esaú chama Jacó de irmão dele. Mas Jacó não trata Esaú desta maneira. Jacó chama Esaú de meu Senhor. E a expressão que ele usa para se referir a si em relação a ele é seu servo. E esse é o segundo indicativo de que ele está verdadeiramente arrependido. Ele sabe que Esaú era o irmão mais velho. Ele sabe que Esaú tinha direitos sobre ele na casa de seu pai. E ele agora está de alguma maneira reconhecendo isso quando ele se humilha diante de Isaú e diz: "Você é o meu Senhor, eu sou o seu servo." Mas há uma terceira coisa que aponta para a mudança de Jacó. Há um terceiro indicativo aqui. Nós vemos que Jacó não é mais o mesmo em sua disposição de restituir a Esaú a bênção que ele tinha roubado. Vejam, irmãos, esse ato de prostrar-se sete vezes não é apenas um ato de humilhação. Ele também é um ato de restituição. Lembre-se que parte da bênção que Isaque deu a Jacó, mas que ele deveria ter dado culturalmente a Esaú, é que povos sirvam você e nações o reverenciem. Preste atenção, que você seja senhor de seus irmãos e os filhos de sua mãe se curvem diante de você. Isso era parte da bênção, ter os irmãos curvado em torno de em torno dele. Foi por isso que Jacó batalhou para adquirir com as suas mãos o direito de ter Esaú curvado aos seus pés. Mas olha o que ele faz agora. Ele está ao curvar-se diante de Esaú, não apenas expressando o seu estado de espírito, mas devolvendo a ele aquilo que ele lhe tinha roubado. Ah, essa também é a maneira como Jacó interpreta o lugar dos presentes que ele enviou a Esaú. E e é por isso que quando Esaú não aceita esses presentes, o que que Jacó faz? Ele insiste até que Esaú aceite. Irmãos, você quer uma evidência maior de que esse não é mais o Jacó de antes? O Jacó de antes, se Esaú tivesse dito, eu não preciso desses presentes, pode ficar para você. Ele teria dito imediatamente: "Obrigado, muito bom. Que ótimo que eu posso ficar com tudo aquilo que eu adquiri. Mas ele insiste até que Esaú receba. Por quê? Simples. Porque ele entende que está fazendo aquilo que um arrependido deve fazer. Ele está se humilhando e ele está restituindo a honra que ele havia roubado de seu irmão. Então, a primeira coisa que a passagem nos mostra é que o Jacó que se encontra com Esaú não é mais o mesmo Jacó diantes de se encontrar com Deus. Esse é o tipo de coisa que um verdadeiro encontro com Deus faz conosco. Transforma o nosso caráter substancialmente. Não nos torna perfeitos de imediato, mas transforma substancialmente nas nossas motivações mais profundas a nossa existência. A segunda coisa que esta passagem mostra, irmãos, é que o Esaú se encontra com Jacó também não é mais o mesmo de antes, embora ainda seja o o Esaú que se encontra com Jacó não é o mesmo de antes, embora ainda seja, irmãos, sem dúvidas, há algo surpreendente em Esaú nessa passagem. Ah, quando nós lemos que Esaú está vindo em direção a Jacó, acompanhado por 400 homens, o que que nós imaginamos? Nós imaginamos que ele está vindo para a guerra, ele está vindo com um exército. Afinal, a imagem que nós temos de Esaú do início do relato é a do Shurek, lembram? Ele é um homem rude. Ele é um homem ah que pensa, ele é um homem selvagem, ele é um homem do campo. Ele é um homem que vive em função dos seus apetites. E a última lembrança que nós temos de Esaú no relato é a dele ressentido, jurando o seu irmão de morte depois da morte do seu pai. Portanto, é natural que nós esperemos que Esaú venha ter com Jacó para destruí-lo. Mas não é isso que acontece. O texto diz que ao ver Jacó se ao ver Jacó se aproximando, versículo 4, Esaú correu ao encontro dele e o abraçou, pôs os braços em volta do pescoço dele e o beijou. E ambos choraram. Olha o que o autor do texto diz. Enquanto Jacó manca, Esaú corre. Jacó vem mancando, mas Esaú vai correndo. E corre para quê? corre para fazer as mesmas coisas que o pai do filho pródigo fez quando o avistou vindo ainda ao longe. uma sequência de ações que indicam afeto, que indicam saudade, mas que indicam principalmente a boa disposição para o perdão e para a reconciliação. Ah, isso mostra, irmãos, que Esaú não é mais o mesmo. Algo nele mudou. Os 400 homens que ele trazia consigo não era um exército para a batalha, era os convidados para uma festa. O seu coração estava completamente desarmado. A sua raiva tinha dado lugar a emoção. A sua quebra o o seu ato quebra as expectativas, inclusive as do próprio Jacó, que estava se preparando para o pior, para encontrar-se com o irmão irado. Saul, portanto, mudou, mas isso não significa que, como Jacó, ele tenha sido substancialmente transformado. Ele diminuiu, mas não morreu. Ele amadureceu, mas não nasceu de novo. Ele não recebeu um outro nome. Ele continua se chamando Esaú. E isso mostra para nós que é possível ter significativas mudanças de caráter, mas ainda assim não conhecer verdadeiramente o Deus de Israel. Nós podemos ter melhoras na maneira como nós nos comportamos ao longo da vida, sem nunca termos de fato um encontro verdadeiro e real com Jesus Cristo. Eh, e o texto deixa claro que Esaú é o mesmo de duas maneiras. Primeiro, pelo contraste entre as palavras de Esaú e as palavras de Jacó com respeito à sua própria condição. Jacó fala duas vezes a respeito de como ele estava. Ele fala no versículo 5, quando Esaú pergunta: "Quem são esses?" E aí ele fala dos seus filhos e ele fala no versículo 11, quando ele descreve os seus bens. E o que eu quero que você perceba é que em ambas as ocasiões ele atribui a sua condição ao favor de Deus. Ele diz: "Deus foi gracioso para comigo e me deu filhos. Deus foi gracioso para comigo e me deu bens". Esaú fala uma vez apenas sobre a sua condição no versículo 9. depois de Jacó explicar porque o havia enviado os presentes. E a princípio ela parece uma fala generosa. Parece que Esaú está dizendo: "Olha, eu não preciso desses presentes. Pode ficar com esses presentes para você." Mas eu quero que você perceba que ela carrega um tom de autossuficiência. Esaú diz: "Eu não preciso de nada. Não é porque Deus é meu tudo, não é porque Deus me supre, é porque eu já tenho tudo. Eu me enriqueci. Então, embora Esaú tenha se emocionado, tenha acolhido o seu irmão, o seu modo de pensar e de viver continua o mesmo. Ele continua vivendo de maneira autocentrada. Talvez ele estivesse recebendo Jacó, abraçando Jacó, não exatamente porque ele sabia que isso era o correto a fazer diante de Deus, mas porque ele entendeu que pragmaticamente ele colheria boas consequências de perdoar alguém. Ele tá fazendo o que é certo, mas ele não está fazendo o que é certo pelos motivos corretos, como fazem aqueles que foram transformados pelo Senhor. Mas o texto também deixa claro que Esaú é o mesmo na separação intencional que Jacó deseja dele. Vocês perceberam isso? O texto diz que pós reconciliação, Esaú propõe a Jacó que eles fossem juntos na mesma direção. É o que diz o versículo 12. Vamos, eu vou à sua frente e você vai atrás de mim. E Jacó dá uma desculpa esfarrapada e manda Esaú ir na frente esperá-lo em Seir. Ele diz: "Olha, eu tenho aí uns gados. Eles anda meio devagar, as vacas de leite. Os meus meninos são tudo pastor de ovelha. Eles não são homens do campo como você, sabe? Você é o cara que anda rápido. Essa turma tá com você é uma turma de guerreiro. Então vamos fazer o seguinte, Esaú. Vai na frente e eu vou atrás de você. Aí Esaú diz: "OK, Jacó, ótimo. Então deixa pelo menos eu deixar uns soldadinhos aí com você, um desses que estavam vindo comigo para que eles acompanhem você." E aí Jacó olha para ele no verso 15 e diz: "Para quê? Para que isso? Não precisa disso. Fique tranquilo, Esaú. Basta que eu alcance favor aos olhos do meu Senhor. O texto registra isso como registrando alguém que tá doido para se livrar do outro. E ele se reconciliou. Que ótimo que isso aconteceu. Mas Jacó não segue Esaú. O relato mostra o fazendo de tudo para viver em lugares diferentes. E o curioso é que, ao contrário de Jacó, que insiste que Esaú recebesse os presentes, Esaú não insiste que Jacó vá com ele. Quando Jacó dá as duas desculpas, Esaú diz: "OK, o que que o texto quer mostrar com isso, irmãos?" O que o texto quer mostrar é que, embora o reencontro entre Esaú e Jacó tenha sido real e a tensão entre eles tenha sido resolvida, tenha sido desfeita, os caminhos de ambos permanecem caminhos distintos. E tem algo curioso, literário na passagem. O texto diz que Esaú volta pelo mesmo caminho no qual ele veio. E e isso essa é a maneira como o autor está querendo dizer para nós. Esaú não mudou significativamente. Ele amadureceu, ele cresceu, mas ele não se converteu. Jacó não. Jacó tá trilhando outros caminhos, caminhos novos, caminhos diferentes daqueles caminhos que ele trilhara outrora. E curiosamente aqui Esaú sairá da história. Nós não o veremos mais nos caminhos da promessa. O seu nome vai aparecer no capítulo 36, que descreve a sua genealogia, mas nós vamos encontrá-lo no Novo Testamento, onde ele será descrito, por exemplo, em Hebreus, no capítulo 12, versículos 16 e 17. como alguém profano que trocou a sua primogenitura por um prato de comida e que mais tarde, ao desejar a bênção, foi rejeitado pelo Senhor. Ah, Jacó não é mais o mesmo depois do encontro com Deus. Esaú não é mais o mesmo, embora ainda seja. A mudança de Esaú não foi fruto de arrependimento genuíno. E o que eu quero que você entenda é que ele é o retrato de tantas pessoas, outras ou às vezes nós que mudam de atitude, mas não mudam o coração. Mudam de atitude, mas não mudam de coração. bondosamente, mas fazem isso não porque amam ao Senhor, porque se renderam ao Senhor. Pessoas que são tocadas pela providência de Deus, fazem parte da história que Deus está construindo como Esaú, mas nunca foram transformadas por ele. Vamos explicar que isso tem acontecido? Que Esaú continue sendo o mesmo de antes, mas tenha mudado tanto para com Jacó a ponto de recebê-lo e se reconciliar com ele. E aqui está a terceira coisa que esta passagem nos ensina. Se ela nos ensina que Jacó não é mais o mesmo, que Esaú já não é mais o mesmo, embora seja, esta passagem nos ensina que o Deus que escolheu Jacó é sempre o mesmo. Ele não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. E aquilo que ele prometeu, ele haverá de cumprir. mesmo usando como instrumento da sua providência pessoas que não renderam o seu coração a ele. De imediato, os personagens principais desta passagem parecem ser dois, certo? Jacó e Esaú. Deus aparece nessa passagem de passagem mencionado por Jacó em algumas ocasiões, mas ele não parece ser um dos seus personagens principais. Apenas parece. Olhe de novo paraa expressão com a qual o texto começa. Quando Jacó ergueu os olhos. No início da mensagem de hoje, irmãos, eu disse que o escritor bíblico usa essa expressão para colar o evento do capítulo 32 com o evento do capítulo 33. Mas existe uma outra razão mais teológica pela qual ele usa essa expressão. Ergueu os olhos e viu. Essa, irmãos, é uma expressão que indica surpresa, que indica expectativa, que o autor do Gênesis usa várias vezes para ressaltar a providência de Deus. É como se Deus tivesse conduzindo a história, guiando a história de tal modo que os personagens estivessem meio dormindo e aí eles levantassem os olhos e eles se deparassem imediatamente com o governo e o controle de Deus. Deixa eu mostrar isso para vocês em outros textos. Gênesis 24 versículo 63 e 64. Isaque está esperando a sua esposa. O servo de Abraão saiu para buscar uma. E olha como é que o autor do Gênesis escreve isso. Ao cair da tarde, Isaque saiu para meditar no campo. Erguendo os olhos viu e eis que vinham camelos. Essa é a maneira do autor de Gênesis diz assim: "Parece que tá acontecendo alguma coisa por acaso, mas é Deus que tá guiando a história." Aí o texto continua também Rebeca levantou os olhos e vendo Isaque, desceu do camelo. Parece que é só mais um homem, mas Deus é quem tá conduzindo a história. Capítulo 31, versículo 10. Aqui fica ainda mais claro isso, porque lembra do texto, é, é a briga de de Jacó com Labão, a história das ovelhas malhadas, salpicadas, o sonho que Jacó teve. E olha como ele descreve isso. Chegado o tempo em que os animais acasalavam, olha só, levantei os olhos e vi em sonhos. Ora, tá óbvio que o autor não tá dizendo que isso é literal. Porque Jacó tava dormindo, ele tava sonhando. Então, como é que ele levantou os olhos e viu? Isso não é uma expressão simplesmente narrativa, isso é uma expressão teológica. O que que o narrador tá querendo dizer? que Deus estava em sua providência, revelando a Jacó o que estava acontecendo. Quando o autor começa esse texto, Gênesis 33, dizendo: "Jacó ergueu os olhos e vi". O que ele está dizendo para nós é que o encontro de Jacó com Esaú não foi um encontro qualquer, foi um encontro que Deus estava construindo. Deus tinha ido à frente de Jacó preparar o encontro com Esaú. E isso explica porque Jacó foi recebido por Esaú daquele modo impressionante. Por que que Esaú mudou, embora não tenha mudado de coração? Não, Jacó não foi tratado daquele jeito porque Esaú acordou de bom humor, porque ele teve sorte naquele dia. Ele foi recebido daquele jeito porque Deus em sua providência estava atendendo a oração que ele havia feito lá em Gênesis lá, lá no capítulo 31. Qual era a oração? livra-me das mãos de meu irmão. Vejam, antes mesmo de Jacó se encontrar com ele, Deus e com Esaú e fazer essa oração, Deus já estava trabalhando para respondê-la. Como promovendo no coração de Esaú pela graça comum, aquela graça que refreia o mal e promove o bem, mesmo em corações que não amam a Deus. Transformações no comportamento de Esaú que o fizeram receber o seu irmão Jacó. E preste atenção em uma coisa linda. Jacó percebe isso. E é por isso que quando ele insiste para que Esaú aceite os presentes que ele oferece, ele diz algo, irmãos, profundamente revelador. Ele diz o seguinte: "Se alcancei favor na sua presença, peço que aceite o meu presente. Por quê?" Olha a razão. Porque ver o seu rosto é como contemplar o semblante de Deus e você me acolheu também. Olha aqui a afirmação. No capítulo anterior, Jacó tinha visto a face de Deus em Peniel e tinha sobrevivido em Boramanco. Agora ele vê o rosto do irmão que tinha ofendido e ele é acolhido. Ele sobrevive de novo. Em ambas as cenas. O que Jacó encontra é graça. Ele é o ofensor, mas ele encontra graça. Ele encontra perdão. Ele encontra favorcido. E ele conecta uma cena à outra. Ele sabe que se não fosse o Senhor, Esaú não o teria recebido daquela maneira. O favor de Esaú era, em última instância o reflexo da providência imutável de Deus. Era Deus cumprindo os seus planos. E vejam como é que o texto termina. O texto diz que depois que os irmãos se separam, Esaú vai para Seir. Versículo 16. pelo mesmo caminho onde pelo qual ele tinha vindo, tinha mudado, mas nem tanto. E Jacó, versículo 17, foi para sucote, refúgio. E atenção, essas palavras, irmãos, elas são muito importantes. Edificou para si uma casa e fez cabanas para o seu gado. Por que que elas são importantes? Porque a tensão da história de Jacó é que ele sai da terra prometida sem filhos. E isso anuncia que a promessa pode não acontecer. Como é que o capítulo 33 termina? Com Jacó construindo uma casa na terra prometida. Ah, o filho que tinha saído de casa, fugido por causa do seu pecado, solteiro, sem descendência, com uma mão na frente e outra atrás, colocando em cheque o cumprimento da promessa, está agora de novo estabelecido de volta na terra da promessa, com um novo caráter, reconciliado com o seu irmão, farto de bens e de filhos. pronto para entregar para um deles, José, o lugar de protagonista humano. Nessa continuidade da história da redenção, Deus cumpriu a promessa de Gênesis 28. Quando Jacó estava saindo para os seus anos de deserto, Deus disse: "Eu estou com você". Eu o guardarei por onde quer que você for. Eu farei com que você volte a esta terra, porque eu não o abandonarei até que eu cumpra aquilo que eu prometi. Porque os homens mudam, mas Deus é imutável. E pela graça de Deus, o mutável Jacó pode até começar a cumprir as suas promessas, porque ele tinha prometido, lembra? Se o Senhor cumprir as suas promessas, eu tiver roupa para comer ou roupa para comer não dá, roupa para vestir e comida para comer, o Senhor será o meu Deus. Como é que termina o texto? Jacó levanta um altar. E agora não é mais um altar para o Deus de Isaque, o seu pai. Não é mais um altar para o Deus de Abraão, o seu avô. Agora é um altar que se chama Deus. O Deus de Israel. Agora é Deus. O meu Deus. O meu Deus. Não é um Deus que eu conheço de longe. Agora é um Deus que eu conheço de perto. Irmãos, Deus é o grande personagem desse relato. Tudo o que acontece aqui, transformação, livramento, sobrevivência, restauração, é obra da mão poderosa de Deus. E essa é a boa notícia para nós. Sabem por quê? Porque nós também tínhamos um reencontro marcado, não com um irmão ofendido, mas com um Deus ofendido. E como Jacó, nós tínhamos todos os motivos para morrer de medo deste encontro. Mas quando ele aconteceu, nós não fomos recebidos de mãos em punho. Nós fomos recebidos de braços abertos. No lugar de vingança, nós recebemos um beijo carinhoso, porque Jesus foi à nossa frente, como Jacó foi à frente da família dele e se curvou diante de Esaú, seu inimigo, como seu servo. Jesus se curvou até a morte. Ele é o servo sofredor assumindo o nosso lugar e se tornou o altar onde nós podemos nos encontrar com Deus em paz. Irmãos, todos nós hoje podemos ver a face de Deus e sobreviver. Por que que você acha que você entrou nesse culto e permanece vivo até agora? Por que que você acha que você entrou na presença de Deus hoje de manhã e você ainda não foi fulminado pela presença santa dele? É porque você acha que você foi bonzinho durante a semana? É porque você acha que você tem se esforçado ao máximo para fazer o que é certo do que vale o esforço de um pecador imperfeito ou um esforço imperfeito diante de um Deus que é santo, perfeito e justo? Nada. Sabe por que eu e você ainda estamos vivos agora na presença de Deus neste lugar? Porque Jesus foi à nossa frente e agora nós somos recebidos em por Deus em Jesus Cristo. Deus se revelou na face de Jesus. Ele disse a um dos discípulos que perguntou: "Mostra-nos o Pai". Ele disse: "Felipe, quem vê a mim vê o Pai. E ele nos reconciliou com ele por meio da cruz." Para você que tá fugindo de Deus, o convite de hoje é: toma o caminho de volta, volta para casa. Não interessa qual seja o motivo da sua fuga. Vergonha, medo, cansaço. O que a história de Jacó ensina para você é que Deus não desiste dos seus filhos. Não continue fugindo. Volte para casa. Talvez você este seja dizendo assim: "Pastor, eu quero voltar para casa, mas eu não consigo. Eu tenho dificuldade porque eu tenho medo da reconciliação. Eu feri muita gente no meu processo de saída, de fuga, e agora eu tenho medo de ser rejeitado, de ser humilhado, de ser maltratado. Se eu voltar para me reconciliar, talvez você esteja se protegendo da dor da reconciliação. Se esse é o seu caso, a palavra de Deus para você hoje é Deus vai à sua frente. Reconciliar-se não é confiar no outro. Reconciliar-se é confiar em Deus. É confiar em Deus. Ele é quem prepara corações. Ele é quem muda disposições. Se ele está chamando você para reconciliação com alguém nesta manhã, ouça a voz de Deus. Pastor, o senhor me garante? Garante que eu vou ser bem recebido? Não, eu não posso garantir isso. Não posso garantir isso, pastor. O senhor garante que tudo vai terminar nessa relação de modo confortávelíssimo? Não, eu não posso garantir você isso. Posso dizer que Deus tem poder para fazer se ele quiser tratar você desse jeito, mas ele pode querer tratar você de outro jeito. Mas uma coisa eu garanto para você, você vai se livrar do peso de estar com o Senhor e continuar fazendo algo que ele algo que ele não se agrada, porque isso pesa viver na comunhão com o Senhor, mas com os relacionamentos rompidos com os seus irmãos, é peso. E se você for se reconciliar, isso eu te garanto, você vai se livrar do peso de estar com o Senhor sem fazer a sua vontade. Talvez você diga assim: "Pastor, eu tô mais do lado de Esaú do que Jacó nessa aí. Na verdade, eu não sou quem feriu os outros. Eu sou ferido. As pessoas me feriram, me traíram, me deixaram de lado. Eu sei, o seu coração clama por justiça, certo? esmague o outro, mas o evangelho te chama a graça. E se você está do lado de Esaú nessa história, mas não é Esaú, é Jacó, então você foi perdoado de uma falta mais grave do que aquela que foi cometida contra você. Perdoar nunca é fácil, mas é possível. E mais do que isso, é necessário. Você não conseguirá fazer isso com as suas forças, mas a graça que te alcançou é suficiente. Portanto, se você foi ferido e for procurado por alguém, perdoe, por mais difícil que isso seja. E por fim, irmãos, para todos nós, o convite da mensagem de hoje é: confie na providência do Senhor. O Deus que escolheu Jacó é o Deus que nos escolheu em Jesus. E atenção, guarde isso no seu coração. Ele não muda. E essa é a nossa segurança ontem, hoje e eternamente. Irmãos, nós vivemos em um mundo instável. As pessoas mudam, as promessas falham, os sentimentos oscilam. Às vezes nós somos como Jacó, outras vezes nós somos como Esaú. Mas Deus não muda. E ele continua chamando pecadores, quebrando o seu orgulho, sustentando-os em suas fraquezas e conduzindo-os à glória. Nós temos muitas evidências disso, muitas, mas as maiores delas são a cruz e o túmulo vazio. Ali está a prova. definitiva de que Deus é fiel à suas promessas. Portanto, se você tá perdendo o ânimo de viver, o desencorajamento, se você tá perdendo o sorriso nos lábios quanto à vida nesse mundo, por causa da instabilidade dela, traga a cruz e o túmulo vazio à sua mente diariamente. E talvez o sorriso volte aos seus lábios e a esperança volte ao seu coração. Vamos orar e vamos agradecer porque Deus não muda. Senhor, muito obrigado por esta passagem. Quão bela é a tua palavra e quão quão insondáveis são os caminhos do Senhor. Quando nós lemos textos assim, tão ricos, tão belos, tão misteriosos, nossa pequenez vem à tona de maneira muito clara. E a grandeza do Senhor também fica patente diante dos nossos olhos. Deus, como como tu és grande, como o teu amor é inexplicável e como nós temos vivido muitas vezes fazendo pouco caso do tamanho do teu amor por nós. Deus tem misericórdia do teu povo. Cuida de nós. Se há, se há reconciliação que precisa acontecer no nosso meio, Deus, que hoje seja dia disso, de nos reconciliarmos uns com os outros, de nos reconciliarmos com o Senhor e de encontrarmos de novo a alegria e a esperança da salvação. Dá-nos, ó Deus, a graça de vermos aplicada em nosso coração a mensagem que acabamos de ouvir. É a oração que te fazemos em nome de Jesus. Aquele que foi sempre irá à nossa frente. É no nome dele que oramos hoje sempre. Amém.