Sermão: Juntos, apesar das diferenças
22/05/2025
Sermão: Juntos, apesar das diferenças
Décimo sexto sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
[Música] Eterno nosso pai, nosso rei, muito obrigado pela tua bondade, pela tua misericórdia, pela tua graça que nos perseguem todos os dias da nossa vida. Que essa bondade, essa misericórdia, essa graça nos alcancem hoje, agora e que mais uma vez, ao estudarmos a tua palavra, teu espírito possa trabalhar a nossa mente, o nosso coração, para que esse amor, essa bondade, essa graça continue nos transformando até que Cristo volte. Amém. Senhor, te pedimos isso em nome dele, Jesus Cristo. Amém, Senhor. Amém. Bom dia para você que tá aqui presencialmente, né? Para você que tá em casa ou no trabalho, não sei. Boa tarde, boa noite, boa madrugada. É um prazer saber que você nos acompanha e é um prazer receber vocês aqui. Eh, eu tenho um detalhezinho importante para falar que a gente tem um tempo muito reduzido aqui, a gente faz tudo bem conciso, né? Então, uma coisa que eu gosto muito de fazer, a gente acaba não conseguindo, que é fazer a um relatório financeiro, mas eu quero dizer para vocês que vocês podem entrar no nosso site, lá tem uma aba doações e nessas doações tem uma outra aba, sei lá como é que chama, chamado transparência. Você pode entrar lá e lá tem o relatório financeiro. Trimestralmente a gente posta esse relatório financeiro e tá lá postado todo o relatório de 2024. Então, se você quiser saber quanto entrou, quanto saiu, para quem foi, para quem não foi, só entrar lá. O primeiro trimestre desse ano já tá fechado também, janeiro, fevereiro e março. Então é só entrar lá e conferir, tá bom? Bom, a gente tá na série Graça. A gente tá terminando a série Graça hoje e semana que vem a gente fecha e a gente tem trabalhado alguns temas importantes. Já passamos por todo o Antigo Testamento, pelo Novo. Obviamente que é um assunto que a gente podia falar o ano todo, mas a gente fez essa série a mais longa de todos os tempos para trabalhar esse assunto tão importante e deixar algumas coisas mais claras, né? como diz um amigo, um ditado popular aí, clareza é gentileza, né? Então, a gente tá deixando bem claro o que a gente pensa sobre a graça de Deus. Bom, ah, a gente tem construído esse esse essa maneira como a igreja primitiva, a gente tem estudado essa construção como igreja primitiva cristã, ela foi se organizando em torno de uma crença comum, uma crença em Jesus Cristo como salvador, como libertador. E essas pessoas que primeiro foram chegando, acreditando em Jesus como Messias, todas judias, todas de tradição judaica, elas foram aceitando Jesus e a igreja foi crescendo e tudo era bonito. E aí de repente começaram a entrar os gentios e a gente viu que essas conversões, essas primeiras conversões dos gentios, abalaram o processo da construção da igreja primitiva, porque era muita gente diferente. E a gente tem trabalhado exatamente como depois da conversão de Cornélio e que já foi um evento, Pedro teve que receber uma visão para entender que ele tinha que aceitar aquilo que ele achava que era impuro. E todo esse processo a gente tem estudado nas últimas semanas. E é importante a gente entender algumas coisas nessa construção inicial. A grande esmagadora maioria da tensão existente era justamente por causa desse encontro de pluralidades dentro de um de um mesmo lugar, de um mesmo espaço, dentro de um corpo comunitário, né? né? E a gente, e além desse ser um elemento de tensão, ele era também um elemento de crescimento que fez com que a igreja cristã crescesse exponencialmente. Só que esse elemento de diferenciação que aparece no Novo Testamento de uma maneira meio e eh dicotômica, muito rígida, tipo, ah, judeus e genti, né, como se fossem dois blocos monolíticos, eles são uma espécie de reducionismo das tensões, todas, reducionismo de todas as complexidades daquilo que tá acontecendo. E é importante a gente destrinchar algumas coisinhas para vocês entenderem a a a profundidade dessas tensões. Então, quando a gente fala, por exemplo, dos judeus, a gente tá falando de uma gama eh tremenda de diferenças internas, né? Então, se você lembra, você vai olhar o texto bíblico, você tem os fariseus, você tem os saduceus, você tem os zelotas, você tem, digamos, os publicanos, você tem os enênios, eh, você tem um grupo que é distinto. Você tem os judeus helenizados, aqueles sofreram influência da cultura grega, judeus da diáspora espalhados por uma série de outros países. Então, inclusive os estudiosos, quando eles falam desse dessa época, eles não chamam de judaísmo, eles chamam de judaísmos, né? Era um conjunto de judeus com pensamentos completamente diferentes e que brigavam entre si antes de haver cristianismo. Então, vocês lembram, a gente já falou disso aqui, por exemplo, os elotas odiavam os publicanos e queriam matar os publicanos, né? se organizavam para fazer eh incursões meio assassinas contra os os publicanos. Os fariseus e os saduceus discutiam o tempo todo. Os enênios achavam todo mundo errado, se isolaram nas cavernas e tal, né, em em cidades essênas longe do dos grandes centros. Então, a gente tá falando de um caldeirão, de um ensopado gigante, de um judaísmo plural, diverso, de pessoas que, apesar de terem a mesma etnia, apesar de terem a mesma religião, que tinha uma configuração muito distinta, muito complexa. para você ter uma ideia, talvez uma comparação, não é ideal, mas vai ajudar você a entender, talvez quando você olha, por exemplo, pro pro protestantismo de hoje, né, e você vê uma série de de diferenças. Você tem luteranos, metodistas, batistas, presbiterianos e tal, você tem uma série de de religiões distintas dentro do protestantismo. São visões protestantes dentro dessa gama. E obviamente quando você tá falando do judaísmo, é mais ou menos como se fosse isso na época do Novo Testamento. São gamas completamente distintas de percepção, de interpretação e etc. Então a gente tá falando de judaísmos, OK? Mas além disso, tem os gentios que trazem ingredientes de etnias diferentes, de raças diferentes, de adorações, de processos de adoração, de ritos de adoração diferentes, de influências filosóficas diferentes. Então você tem um caldeirão gigantesco de pluralidade. E agora tá todo mundo junto. E agora que tá todo mundo junto, tem uma crença em comum que une todo esse essa galera, que é a crença em Jesus Cristo como Senhor e como libertador. Mas o pessoal que tava dentro primeiro, vamos dizer assim, né? Os que os que chegaram primeiro são esses que tinham o Antigo Testamento, que tinham a Bíblia hebraica, que tinham as profecias que de uma certa forma aguardavam esse Messias que esse Messias queria vir. E eles olham para quem tá chegando e falam assim: "Immão, essa galera que tá chegando agora não vai sentar na janela, não vai dar tchauzinho, não vai ser assim. Eles têm que aceitar isso, eles têm que fazer aquilo, eles têm que fazer aquele outro, eles têm que obedecer isso, eles têm que obedecer aquilo e tal, tal". E a gente viu semana passada que o processo foi tão foi tão traumático que a a a igreja, vamos dizer, primitiva, teve que se organizar, se reunir e teve que tomar um voto e escrever uma carta para esses gentios espalhados eh por algumas cidades que haviam aceitado Jesus Cristo e que estavam agora adorando Jesus Cristo. E nessa carta a gente viu semana passada, mas eu quero relembrar com vocês, acontece o seguinte, diz assim o texto, capítulo 15 do livro de Atos, também aparece depois no capítulo 21, a carta que eles enviam diz o seguinte: "Os irmãos apóstolos e presbíteros, os irmãos apóstolos e presbíteros aos cristãos gentios que estão na Antioquia, na Síria e na Silícia, saudações. Soubemos que alguns saíram do nosso meio sem nossa autorização e os perturbaram transformando a mente de vocês com o que disseram, transtornando a mente de vocês com o que disseram. Assim concordamos todos em escolher alguns homens e enviá-los a vocês. Ele vai falar de Paulo e Barnabé que estão pregando o evangelho. Ele vai mandar Judas e Silas e tal. Pareceu bem. verso 28. Ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nada além das seguintes exigências necessárias que se abstenham de comida sacrificada aos ídolos, do sangue dessa carne, de animais estrangulados e da imoralidade sexual. Vocês farão bem em evitar essas coisas. Então, nesse nesse processo de de juntar todo mundo numa mesma crença, numa mesma igreja, numa mesma comunidade, o conselho decide que essa galera que tá vindo, esses gentios que estão vindo, eles não podem ser perturbados e terem a sua mente transtornada por obrigações que eles têm que fazer, por coisas que eles têm que guardar, por coisas que eles têm que obedecer. Mas o conselho decide que quatro coisas são importantes: não comer comida sacrificada aos ídolos, não comer carne com sangue, não comer carne de animais estrangulados e se abster de moralidade sexual. E aqui é importante a gente enfrar que esses gentios que estão vindo, eles não vão ser obrigados a nada mais além disso. Ou seja, o que vai unir todo mundo é a crença em Jesus Cristo. Os judeus continuam guardando o que eles guardavam, os rituais, as festas, sábado, tudo. E os gentios que estão vindo creem em Jesus, mas vão se abster de quatro coisas. quatro nãos, né? Quatro nãos. Comidas sacrificadas a ídolos, carne com sangue, animais estrangulados e imoralidade sexual. Então, já começa que aqui você nessa discussão toda da igreja primitiva, há a conclusão de que não se deve jogar um peso desnecessário sobre aqueles que estão chegando, que esse peso vai ser carregado por quem já tinha esse peso, que agora é aliviado em Cristo, etc e tal. E é assim que vai funcionar. Só que essas quatro coisas elas aparecem eh no Antigo Testamento em uma sessão específica juntas, tá? Que é a sessão de Levítico, capítulo 17, 18, 19 e 20. Nesses capítulos, a ideia de de comida sacrificada a ídolos, de carne com sangue, de carne de animais estrangulados, aparece como uma proibição de que eles não devem consumir no capítulo 17, depois pinceladas aqui e a colar no capítulo 19. E também aparece a questão da imoralidade sexual no capítulo 18, no capítulo 20. Inclusive a palavra que tá em Atos 15 para imoralidade sexual, porneia, é a mesma palavra que vai ser usada na Septoaginta, a tradução do Antigo Testamento pro grego lá em Levítico, capítulo 18 e capítulo 20. Então são essas coisas. Agora, essa sessão de Levítico, capítulo 17, 18 e 20, principalmente, ela tá dentro de uma sessão maior. Esses capítulos, eles estão dentro de uma sessão maior, que é a sessão que vai do capítulo 17 até o capítulo 26. Essa sessão passou a ser chamada de código de santidade a partir do século XIX com o teólogo alemão. Tem alguns problemas nessa nomenclatura, mas enfim, se convencionou chamar assim essa sessão. É uma sessão que é chamada assim pela repetição de uma ideia, que é a ideia que Deus fala o tempo todo: "Sede santos, porque eu sou o Senhor vosso Deus e eu sou santo." Então, como eu sou santo, vocês vão ser santos. E aí esses capítulos vão se desenrolar com a repetição dessa dessa ideia que é uma ideia interessante, porque Levítico trata de sacrifício, trata do templo, do ritual dos do dos sacerdotes, etc e tal. Mas aqui no capítulo nos capítulos 17 até o capítulo 26, ele ele traz essa ideia de que há uma coletividade que que precisa se santificar de uma coletividade que precisa viver certas coisas. E essa ideia de coletividade sendo santa carrega o princípio, um princípio que é comum na Bíblia desde Gênesis 1 e Gênesis 2, que é o princípio da imitação de Deus. Então lá em Gênesis 1, Deus é rei e ele confere aos seres humanos a possibilidade de reinarem sobre a terra. No capítulo dois, Deus planta o jardim e tal. E aí diz para pro homem cuidar do jardim. Deus é o ajudador de Israel. Deus fala pra mulher ser ajudadora do homem e tal. Então tem todo esse processo de que o que eu faço vocês vão fazer também. Então vocês vão me imitar. O que eu faço vocês vão ter a condição de fazer também, obviamente na dimensão humana. E aqui esse princípio é repetido. Vocês vão ser santos porque eu sou santo. E a ideia aqui dessa santidade nesses capítulos, ela tá relacionada a uma série de coisas. E quando você vai passando, né, se você tiver sua Bíblia, abre lá em Levítico 17, você vai vendo que tem uma série de coisas. capítulo 17 vai falar dessas comidas sacrificadas a ídolos, comidas com sangue, animais estrangulados. Você não pode eh matar o animal de qualquer jeito, você não pode eh sacrificar o animal de qualquer jeito, tem que ter um ritual, é um processo, não pode fazer nem você, nem um estrangeiro que tá com você e tal. uma série de coisas aqui. E essa série de coisas tem muito a ver com a ideia de que vocês não vão fazer igual os egípcios de onde vocês saíram e nem vão fazer igual os cananitas para onde vocês vão. Vocês vão ser diferentes. Vocês não vão seguir as práticas deles. E aqui fala de sangue, de sangue nas roupas, etc. Tudo isso no capítulo 17. E tem todo um processo aqui de de digamos assim de ritual, de pureza, de impureza, de adoração, de adoração. O capítulo 18 vai falar das questões sexuais. O capítulo 19 vai falar de uma série de leis, uma gama enorme de leis, algumas recapitulando o decálogo, os 10 mandamentos. Vai trazer algumas algumas ideias interessantes, como por exemplo, o amor ao próximo, que vai ser destrinchada. Então você vai amar o próximo porque você foi escravo no Egito e tal. Pá, esse próximo é todo e qualquer pessoa, como a gente já estudou aqui em Levítico 19. O capítulo 20 ele é meio que uma repetição no capítulo 18. Só que no capítulo 18 as questões das imoralidades sexuais elas são tratadas de uma maneira meio apodídica, de uma maneira meio assim, não vai fazer isso, não vai fazer aquilo, não vai fazer aquele outro, não vai fazer isso, não vai fazer aquilo. No capítulo 20 é tratado de uma maneira mais causuística. Então, se você fizer assim, assim, assado, então a punição vai ser essa e essa e essa. Mas se você fizer de outro jeito, então a punição vai ser aquela, aquela, aquela, OK? No capítulo 21, ele vai trazer uma série de regulamentações paraos sacerdotes. Inclusive, a primeira delas tem a ver com a questão dos mortos. Então, um sacerdote não pode encostar em nada morto, em ninguém morto, a não ser que seja da sua família, seu pai, sua mãe ou sua irmã, que ainda é solteira. Então, sacerdote não pode encostar em morto. Eh, vai ter uma série de regulamentações sobre as ofertas, sobre o que o sacerdote pode ou não pode, eh, consagração, blá blá blá. Tudo isso tem no capítulo 22 também, eh, sobre os preceitos, sacerdotes. E no capítulo 22 fala de sacrifícios que não que não são aceitáveis. Vai repetir algumas coisas de adoração, de sacrifício no templo, tal, tal. Capítulo 23 vai falar das festas, dos sábados, né, do sábado eh semanal, dos sábados mensais e vai falar também dos sábados anuais, vai falar de todas as festas, tá? Capítulo 24, ele vai falar de alguns móveis do templo, de algumas coisas, eh, de como vai ser os pães e como é que vai cuidar dos pães, como é que vai fazer com o candelabro, não sei o que lá, tal, tal. No capítulo 25, ele vai falar da terra. a gente já trabalhou o capítulo 25 aqui algumas vezes, o ano sabático, ano do jubileu. Como é que vai ser isso? Libertação. Pá, pá. Vocês vão cuidar da terra? Sim, porque a terra é minha. Pá. E o capítulo 26, que a gente já trabalhou aqui também diversas vezes, que é o capítulo que fala das bênçãos e maldições, né? E termina com a ideia da misericórdia. Tudo isso é o chamado código de santidade, ou seja, é uma gama de coisas. E se você fosse espremer esse suco, né? Se você fosse espremer esses esse texto todo 17 ao 26, a ideia é essa ideia de de obediência, de adoração, de reconhecer Deus como Deus e de adorar a Deus e tal e de não ser como os outros povos. Como os outros povos fazem, você não vai fazer. Então, tirando o capítulo 26, que é esse das bênçãos e maldições, todos os outros estão relacionados a essa ideia de de adoração. Vocês não vão ser iguais aos egípcios e aos cananitas. vocês vão ser diferentes, o comportamento de vocês vai ser diferente, ok? Então vocês não vão fazer assim, vocês não vão fazer assado. E aqui a gente precisa falar um pouquinho desse de Levítico 18, de Levítico 20, porque existe um contexto maior que a gente acabou de ver, que é esse contexto da idolatria e da adoração igual aos outros povos. Então vocês não vão ser iguais aos outros povos. Vocês não vão adorar os deuses igual a mim. vocês não adoraram a mim como esses outros povos adoram os deuses. Vocês vão ser diferentes. Contexto maior é esse contexto de idolatria, de adoração. Mas no capítulo 18, no capítulo 20, existe um contexto menor além desse contexto maior. E qual é o contexto menor? São capítulos escritos primariamente para homens, mas não quaisquer homens. São os homens que são os líderes da família e do clã. Para esses homens são colocadas uma série de restrições sexuais. Esses homens não podem se deitar com qualquer quaisquer pessoas. Por quê? numa sociedade em que o líder da família e o líder do clã podia ter quantas esposas ele quisesse. Inclusive a poligamia não aparece aqui, não é condenada. Num contexto em que esse líder da família e líder do clã podia ter quantas esposas ele quisesse, o texto vai restringir quantas pessoas ele pode dormir com, usando a maior parte das vezes um eufemismo. Não pode descobrir a nudez de fulana. Você não pode descobrir a nudez da sua nora, da sua filha, da sua sobrinha, da sua neta. Não pode. Então é uma restrição direcionada aos homens que são os líderes da família e do clã. Eles vão ter esposas. Esse é um problema desconfortável que a gente não gosta de lidar, né? Eles vão ter as esposas, eles vão ter a poligamia, mas eles não podem ter certo tipo de relações sexuais, como os outros povos podiam. Relatos cananitas falam sobre isso. Os egípcios não tanto, mas império greco-romano tranquilo. Tão entendendo? Beleza? No capítulo 18 e no capítulo 20, uma frase se repete, várias, né, se repetem, porque é a mesma, basicamente é o mesmo texto escrito de maneiras diferentes, mas é aquela famosa frase que a gente gosta de usar para condenar a homossexualidade. E a frase é: "Não se deitará com outro homem como se fosse uma mulher". E aqui a gente precisa entender o contexto maior e o contexto menor também. Primeiro e o mais óbvio e até idiota de tudo é que o texto é dirigido a homens, líderes da família do clã. Portanto, homem se deitar com homem é condenado, mas mulher se deitar com mulher não é condenado. Então aqui homossexualidade condenado, lesbianismo não tá liberado. Tô sendo irônico, tá? que eu quero mostrar que usar esse texto para falar sobre isso não faz sentido. Outro ponto importantíssimo aqui, a questão é, e pelo fraseado que o que Moisés usa ali, que o narrador usa aqui, o fraseado é da ideia de um homem hétero se deitar com outro homem, fazendo desse homem mulher. Ou seja, a ideia é que ele não tá falando de orientação sexual, ele tá falando de um homem hétero que se deita para ter para, né, ter uma relação sexual com outro homem. E principalmente aqui é o detalhe, em relações de poder, é a relação dele com a família, com o clã. Então, a restrição é: você não pode se deitar com qualquer mulher. Essa é a primeira. Segunda, você não pode se deitar com qualquer homem. Você não pode se deitar com os homens que estão dentro da sua família, nem com seu sobrinho, com seu tio, com seu avô, com seu neto. Você não pode, porque são relações de poder. Então, o texto ele claramente tem um contexto e esse contexto em nenhum momento é uma condenação de uma orientação sexual. Mas num contexto maior é a condenação de um processo de adoração idólatra que podia envolver sexo, sexualidade e um contexto menor de uma relação sexual que envolvia poder, portanto abuso. Ficou claro? Maravilha. Se você discorda, guarda para você, depois a gente conversa. E esse é um spoiler de um curso que em breve nós vamos lançar sobre os textos que são usados erroneamente para falar sobre homossexualidade. esses quatro elementos que a igreja primitiva decide que os novos conversos vão seguir, eles têm esse contexto, esse arcaboço maior de uma adoração aos outros deuses, de um contexto de adoração, como a gente chama, pagã. Então vocês não vão fazer como os cananitas e egípcios Levítico. Vocês não vão fazer como os gregos e romanos. Livro de Atos. Esse, esses quatro elementos, eles visavam criar essa diferenciação para que tantos israelitas não fossem iguais aos aos cananitas e egípcios e nem os cristãos fossem iguais aos greco-romanos. Pegaram. Interessante. Só que aí tem as cartas paulinas, né? E aí o negócio desanda de novo. Como desanda? Galera tá tretando, galera tá brigando. Maior parte, dizeria, a esmagadora parte das cartas paulinas é para resolver problema de briga nas igrejas. Briga entre quem? Entre os grupos que a gente chama judeus e gentius. Estão brigando por uma série de motivos. E aí na carta onde isso fica talvez mais claro, mais explícito e na carta que é maior que a carta de Romanos, isso vai se destrinchando de uma maneira curiosa. Paulo começa falando dos gentios, depois ele fala dos judeus e quando ele fala dos gentios, no início da carta, ele detona os gentios. Depois ele vai falar dos judeus, eles detonam judeus. E aí ele vai dizer assim: "Tá todo mundo errado porque Deus colocou todo mundo em pecado para usar de misericórdia e graça com todo mundo." Então, o que deve juntar vocês, o que deve, vocês têm que entender é que Deus ama todo mundo. Deus ama vocês, genti do jeito que vocês são. Deus ama vocês, judeus, do jeito que vocês são. Vocês gentil são parte do corpo de Cristo. Vocês judeus não foram rejeitados. Tá tudo bem. A gente é um corpo só. Romanos 1 a 11. E aí depois Romanos 12 13 vai falar um pouquinho sobre como é que vai ser, como é que deveria ser esse crente, essa igreja, essa comunidade de fé, renovação da mente e e tal e e não ter problema com as com as autoridades e tal e tal. E no capítulo 14, 15, ele retoma uma ideia que a gente já falou nessa série, mas ele retoma essa tensão que aparece antes. Mas ao invés agora dele chamar de judeus e gentios, agora ele chama de fortes e fracos. Então, ao invés de usar judeus e gentios no capítulo 14, 15, ele usa fortes e fracos. Porque agora a questão não étnica, a questão não é religiosa, a questão é teológica. E aí vem o BO que explode a nossa mente. Qual é o BO? Tava tendo problema com quê? Adivinha? Comida. E qual era o problema? Tinha uma galera que falava assim: "A gente só pode comer vegetais". Por que que só pode comer vegetais? Porque as carnes que tem no mercado todas foram oferecidas aos ídolos. Então, para evitar qualquer carne que possa ter sido oferecidos aos a gente vai comer só vegetal. E tinha galera que falava assim: "Nada a ver, nada a ver. Tô nem aí pro negócio de carne, de carne oferecida pro Ider. Eu vou comprar e vou comer minha carninha de boa, mano. Tá tranquila." E eles começaram a brigar, bicho. E brigar feio. E aí Paulo inclui além da comida, ele inclui putz. Sábado. Ele chama sábados. E é sábados porque em Levítico 23, o que que eles estão falando lá? Sábados. Levítico 23 é o sábado semanal, sábado mensal e o sábado anual. É o sábado da semana hoje, sétimo dia, é o sábado da lua nova. É o sábado das festas, Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos, Espiação, etc. Sábado ele fala assim: "Tem gente que faz diferença entre dia e dia, tem gente que não faz. Tem gente que guarda os sábados e tem gente que não guarda. E aí vem o problema. Porque Paulo chama a galera que quer comer legumes e que guarda os sábados de fracos. E ele chama a galera que come a carne, que foi sacrificada aos ídolos e que não faz diferença entre dia e dia de fortes. Abe e Paulo fala que ele é um dos fortes, porque quando ele fala dos fortes, ele se inclui e basicamente ele tá dizendo assim: "Os fracos, e é uma crítica pesada que Paulo tá fazendo e obviamente porque ele se colocou entre os fortes, a crítica aos fortes é mais amena". Ele olha pros fos fal assim: "Vocês são, é como se ele tivesse dizendo, vocês são legalistas". E aqui ele vai usar duas palavras importantes. Ele vai falar de julgamento e ele vai falar de desprezo. Assim, vocês legalistas, vocês querem botar barreira para todo mundo. Vocês querem botar imposição para todo mundo. Vocês querem que as pessoas ajam como vocês agem. Vocês colocam limites pra graça de Deus. Não, a graça de Deus ela tua, mas a tua só até aqui. Se você fizer isso, já era. Comeu carne sacrificada aos ídolos, não tem graça mais para você. tá em pecado, tá fora, expulsa do corpo de Cristo. O legalista basicamente é aquele que coloca limite paraa graça, porque ele diz assim: "A graça vai até aqui. Se você não fizer isso, a graça não te alcança." E Paulo tá dizendo: "Vocês estão errados." Mas vocês não estão errados só por isso. Vocês estão errados também porque vocês julgam as pessoas. Porque vocês ao fazerem isso estão julgando as pessoas. Vocês estão condenando as pessoas. Então vocês estão dizendo assim: "Para essa pessoa a graça acabou, ela está condenada". E aí ele fala pros fracos, pros fortes, sabe qual o problema de vocês fortes? É que vocês olham pros fracos e vocês olham com desprezo. F: "Ih, esse pessoal é muito doido, mano. Esse pessoal legalista é chato, pô". Coitados, deixa eles lá. E além disso, vocês ficam provocando os caras. Vocês vão comer com eles, vocês fazem questão de pegar a picã e cortar assim. E aí, né? aquela hemoglobina, né, tal, que parece sangue. Aí você faz, deixa aquela carne, aí você olha pro cara, corta, quer um pouquinho? Aí você provoca o cara. Tá entendendo o processo? Vocês desprezam os fracos. Vocês tratam eles como idiotas, como crianças, como gente maluca. E aqui tem um detalhe que é importante, porque Paulo constrói isso. E na nossa cabeça, que é uma cabeça maluca também, a gente começa a falar assim: "Não, eu sou forte, fulano é fraco." É ou não é? Na hora vocês já pensaram num cara assim: "Ah, fulano é legalista, é verdade. É, vou mandar esse sermão para ele depois e tal". Na hora você sempre é o forte. É, Paulo é o forte da parada também, né? Ele tá na mesma na mesma armadilha que a gente cai. E Paulo caiu também. Ele é um forte. Mas a parada é que Paulo não tá preocupado em quem é forte e quem é fraco. No final das contas, ele tá dizendo assim: "Você que é forte, não julgue quem é fraco. E você que é fraco, não julgue quem é forte." E aí vem a parada para explodir a nossa mente no final. Abre lá em Romanos, capítulo 14 e vamos ler a partir do verso 13. Depois de falar da discussão toda, tal, ele diz assim, ó. Portanto, Romanos 14:13, portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Para de julgar. Para de julgar. Para de provocar, de desprezar e para de julgar. Como alguém que está no Senhor Jesus Cristo tem a plena convicção de que nenhum alimento é por si impuro, a não ser para quem assim o considere. Para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão para quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no espírito. Aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por que que explode a mente? Qual o problema disso daqui que Paulo tá falando? O reino de Deus é maior que comida e bebida. Qual é o bo dessa frase de Paulo? A igreja não votou. O que que a igreja votou? Não pode comer carne sacrificada aos ídolos. Não pode comer carne com sangue. Não pode comer carne de animais estrangulados. Não pode praticar imoralidade sexual. A igreja votou essas quatro paradas. E o que que o Paulo falou? Nada a ver. Vou falar uma parada para vocês. O reino de Deus é maior do que comida e bebida. Lembra de Levítico 26? bênçãos e maldições. Se obedecer em bênção, se desobedecer em maldição, mas se vocês se arrependerem, restauração. Aí depois de tudo, ele ele diz assim: "Mas ainda que vocês não se arrependam, eu por amor vou restaurar vocês." Então aqui vocês vão fazer parte do corpo de Cristo. Façam isso. Ainda que vocês não fizerem, Paulo tá dizendo, ainda que vocês não considerem essas coisas todas de comida e bebida, o reino de Deus é maior do que isso mesmo. É isso. E Paulo tá dizendo, não importa a sua interpretação da Bíblia, meu amigo. Não importa o que você pensa sobre a Bíblia, sobre Levítico, sobre não sei o que lá. Não importa se você conhece o texto ou não. Se você está em Cristo, você é nova criatura e você vai viver unido, sem julgar e sem desprezar. Se você acha que é errado, não faz e não julga o irmão que faz. Se você não acha que é errado, não despreze quem acha que é. Viva por amor, viva com amor. E aí em Romanos 15, ele diz assim na sequência dessa mesma discussão. O Deus que concede perseverança e ânimo deles um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem a Deus, o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. Espírito de unidade. E como é que a gente consegue essa unidade? Cristo fez esse sermão poderosíssimo e tá lá relatado em João capítulo 17 na oração que Jesus faz, oração sacerdotal. E lá em João, Jesus diz assim: "Minha oração não é somente por esses, mas por todos aqueles que vierem a crer em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um com o Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. Eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade para o mundo que saiba que tu me enviaste e os amaste igualmente como me amou. Como é que a gente consegue ser um? É amando. É aceitando essa graça e amando uns aos outros sem julgamento e sem desprezo. E por que que essa mensagem da igreja de Romanos é tão importante? Porque a igreja de Roma, de Roma, essa igreja que era um caldeirão, que era um sopado gigante com tudo da geladeira dentro, essa igreja é a comunidade. Essa igreja é o cristianismo, um bando de gente diferente, cada um com a sua interpretação. E o que que falta nesse ensopado? um ingrediente principal que é o amor, porque a gente continua se julgando, a gente continua se ferindo, a gente continua se perseguindo, a gente continua se condenando uns aos outros, porque o que nos falta é amor. Não adianta nada a gente construir mais uma comunidade cristã. Não adianta nada a gente repetir os mesmos problemas que perseguem o cristianismo desde o seu início, que é criar divisão, quer criar limitação paraa graça, quer viver em briga sobre interpretações bíblicas. Eterno nosso pai e nosso rei. Senhor, são textos muito difíceis porque eles mexem com o que a gente pensa sobre ti, com o que a gente pensa sobre a lei, com o que a gente pensa sobre a graça. Mas, Senhor, são textos ao mesmo tempo que nos dão esperança, esperança de que é possível viver numa comunidade que se une, não porque concorda em tudo, não porque crê da mesma forma em tudo, mas porque recebe o amor que emana de Jesus Cristo e é transformada, é transformada por esse amor. Senhor, que a gente possa nessa, nesse processo de construção do que somos, do que seremos, que a gente possa sempre lembrar que o amor é o ingrediente principal. Te pedimos isso em nome de Cristo. Amém.