Sermão: Quando a religião diz não, mas o Espírito diz sim
08/05/2025
Sermão: Quando a religião diz não, mas o Espírito diz sim
Décimo quartosermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Eterno nosso pai, nosso rei. Muito, muito, muito obrigado, senhor porque, como diz o texto, a tua bondade nos persegue. Que ela continue nos perseguindo e nos alcançando e que essa bondade continue transformando a nossa vida até que Cristo volte essa terra. Por favor, mais uma vez abre o nosso coração para que a tua palavra encontre morada. É o que nós te pedimos em nome de Cristo. Amém, Senhor. Amém. Bom dia, tudo bem? Prazer receber vocês aqui no Teatro Allum Shopping Patópolis e também um prazer receber você aí em algum lugar que você esteja assistindo a gente. Obrigado por escolherem passar esse tempo de qualidade, né? a gente acredita aqui com a gente. Eh, a gente tá na série Graça, caminhando pro final dela e a gente vai trabalhar agora alguns textos que são essenciais paraa formação da do que a gente chama de igreja cristã. E esses textos são duros, mas eles vão eh eh colocar o tom daquilo que vai ser eh que vão ser as discussões do Novo Testamento. E por isso é importante a gente trabalhar esses textos de uma maneira mais profunda. A gente viu nas últimas semanas, principalmente esse esse arcaboço de Atos capítulo 8 e e 9. A gente percebeu essa dinâmica do que tá acontecendo da morte de Estevão na sequência. Ah, como Felipe é esse primeiro, né, a gente chama de talvez de diácono, ele é esse primeiro daqueles que foram eleitos pelos apóstolos, os sete que foram eleitos pelos apóstolos a pregar para além de muros eh étnicos e religiosos. Ele prega pros samaritanos, depois ele encontra com com Eunuco, Etiope. E aí diz o texto ali no final de Atos 8, que Felipe é levado para pregar na região de Cesareia. E a gente também viu a dinâmica da conversão de Saulo eh para Paulo de como ele era um perseguidor zeloso das coisas de Deus. E ele persegue justamente por entender que essa essa abertura da pregação do evangelho, da pregação dessa mensagem eh na época bem judaica ainda, essa mensagem desse Messias para além dos dos muros étnicos e religiosos, atrapalhava o judaísmo, etc. E como ele se transforma então nesse grande pregador depois pros gentios, inclusive. E aqui Atos capítulo 10 é provavelmente um dos textos mais importantes, Atos 10 e 11, pra gente entender a dinâmica eh da igreja cristã no seu no seu período formativo. Ah, então se você tem sua Bíblia, abra sua Bíblia aí, seu aplicativo, o texto, como você preferir. Ou só escute também, né? Atos capítulo 10. Ah, o texto diz: "Havia em Cesareia, a partir do verso um, um homem chamado Cornélio, centurião do regimento conhecido como italiano. Ele e toda sua família eram religiosos e tementes a Deus, dava muitas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus." Então aqui ele vai estabelecer o contexto, né? o contexto geográfico, contexto histórico. E aqui é importante a gente entender alguns detalhes sobre essa apresentação inicial desse indivíduo, desse personagem. Primeiro vamos começar com a região, né, Cesareia, Cesareia Marítima aqui, aonde Felipe tava pregando, aonde Felipe já estava atuando. E aqui esse indivíduo morava ali, uma cidade muito importante, a cidade onde normalmente vivia o prefeito e o procurador romano, uma cidade que ficava entre Jerusalém e a Antioquia. Então era uma cidade estratégica, uma cidade importante. E aí, nessa cidade morava o indivíduo chamado Cornélio, ou, né, Cornélius. né, no latim aí. E Cornélius é um nome importante de um clã, é um nome que se tornou um nome emblemático por causa da história desse nome. E a gente tem um indivíduo muito importante com esse nome na história romana, que eu anotei aqui para me escrecer, que é o Lúcios Cornélios Sula, né? O Lúcius Cornélius Sula foi um dos primeiros ditadores romanos que pegou o poder todo para ele, né? Subverteu ali a a o processo, né? republicano e tal. E aí se tornou um ditador, mas ele era um cara controverso porque ao mesmo tempo que ele era um grande ditador, ele imaginava que ele também era um indivíduo bom. E ele libertou cerca de 1000 escravos, segundo a história, né? Libertou ali cerca de 1000 escravos. E esses escravos, em sinal de gratidão a essa libertação, eles adotaram o nome Cornélios, né? Então eles também eram conhecidos como Cornélios. E um outro indivíduo importante nesse clã era o públio Cornélius Sula, que era cunhado de Pompeu, o grande Pompeu, e aparece também como um político eh meio controverso ali, com algumas aspirações, algumas questões ali, mas que também era conhecido por libertar escravos. Então essa esse clã Cornélius acabou se tornando um clã grande e relevante, porque além de ter a parte, vamos dizer assim, aristocrata do clã Cornélios, né? Eh, também tinha os ex-escravos que adotaram esse nome como um sinal de gratidão por terem sido libertos. Esse Cornélio aqui, por desfrutar de uma posição que era uma posição militar, mas também era uma posição de prestígio muito provavelmente administrativo, tem uma série de discussões sobre isso. Eh, esse Cornélios provavelmente fazia parte dessa dessa categoria aristocrata do clã eh Cornélios, né? E não é apresentado o restante do nome, simplesmente que era Cornélios. E além de ser Cornélios, ele era um centurião. Centurião, como vocês sabem, o nome já diz e tal, tal, tal. Era aquele que cuidava da de 100 soldados e tal. E tem toda uma discussão em torno de se esses 100 soldados, essa função de cuidar desses 100 soldados era só uma função militar, se também não era uma função que acumulava cargos administrativos ou funções administrativas, melhor dizendo. Então, esse cara era um cara importante, esse cara era um cara que tinha uma posição, esse era um cara que tinha um certo prestígio, não só pela posição dele, mas pela história da família. E ele morava ali em Cesaré, que também era uma cidade importante, relevante, mas o texto diz que ele era eh obviamente se ele era centurião, se ele era dessa família, ele era romano. Portanto, se ele era romano, ele era pagão ou gentil, ou seja, não adorava o Deus de Israel, bá bá, não guardava os mandamentos e assim por diante. Só que o texto diz que ele era temente a Deus, que ele orava e que ele dava esmolas, né? E aqui essa expressão temente a Deus é uma expressão importante, porque ela é usada dentro da do momento histórico ali judaico, é usado para descrever aquelas pessoas que não guardavam a Torá, ou seja, que não guardavam a lei, que não tinham obrigação de guardar a lei, OK? Então, não guardavam os 10 mandamentos, não guardavam os rituais de pureza, impureza, não guardavam nada disso daí, mas que eram simpatizantes. Então, eram pessoas que de vez em quando, sei lá, apareciam na sinagoga, no lugar que eles podiam ficar e tal, dentro da sinagoga, eh, que que eh eram amigos dos judeus de uma certa maneira e tal, que tinha um relacionamento mais amistoso, tá? Mas eles com certeza, os tementes a Deus não eram convertidos, ou seja, não tinham passado pelo pelo processo de conversão ao judaísmo e, portanto, não eram circuncidados, tá? Continuavam gentios, tá? Então, esse é o indivíduo que tá sendo apresentado aqui no início de Atos 10. E aí o texto bíblico diz, verso 3, certo dia, por volta de 3 horas da tarde, ele teve uma visão. Ele viu claramente um anjo de Deus que se aproximava dele e dizia: "Cornélio". Atemorizado, Cornélio olhou para ele e perguntou: "O que é, Senhor?" E o anjo respondeu: "Suas orações esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus. Agora mande alguns homens à Jope para trazerem um certo Simão, também conhecido como Pedro, que está hospedado na casa de Simão, o curtidor de de couro que fica perto do mar. Então, o Cornélio tem uma visão. Nessa visão, o anjo de Deus aparece e fala assim: "Cornélio, agora você vai sair e vai encontrar com o Simão. Pedro manda o alguém trazer Pedro para cá." Termina ali a visão. Cornélio manda eh os servos, dois servos trazerem Pedro. Tá? Aqui é interessante porque esse indivíduo que é gentil, que é pagão, portanto tá circunscrito fora do que seria chamado de povo de Deus, ele tem uma visão. E é interessante notar isso porque a primeira visão que aparece na Bíblia de alguém que tendo uma visão na Bíblia é um indivíduo que também é gentil, que também é pagão, que é o rei Abimeleque, que aparece lá em Gênesis capítulo 20. Em Gênesis capítulo 20, vocês lembram mais ou menos da história? Eu imagino, Sara tava grávida, tinha 90 anos, mas era tão bonita que um rei Abimelecona por ela. E como Abraão mentiu dizendo que ela era irmã dele, esse rei decide casar com ela. Antes de casar, Deus aparece para ele e diz: "Por favor, não case com essa mulher. Ela é esposa de Abraão e ela está esperando o filho da promessa." E aí então Abimelec negocia ali com Deus, fala: "Não, não vou casar, mas ele mentiu para mim e tal. Pá, Deus fala: "Não, fica tranquilo que Abraão vai orar por você e você vai ser perdoado." Mas é Abimelec que tem o primeiro sonho, a primeira visão na Bíblia. E uma pessoa ser gentílica, pagã tem o primeiro sonho da Bíblia. E quando você lembra, por exemplo, de Daniel, o livro de Daniel, talvez o livro mais emblemático de sonhos e visões, a primeira pessoa que tem um sonho e visão no livro de Daniel é Nabuco Donozor, que é também um rei pagão, um rei gentil. E na verdade o primeiro sonho de Daniel é para interpretar o sonho de Nabuco Donozor. Então é interessante como funciona essa ideia da revelação de Deus. Quando você vai ver a narrativa, na verdade é curioso até. Não estou falando dos profetas, estou falando das narrativas. Quando você vai vendendo nas narrativas, é recorrente a ideia de que Deus usa sonhos e visões para se revelar pros gentios, pros pagãos, ou seja, para aqueles que estão fora do que a gente chama de povo de Deus. Então isso é um detalhe curioso pra gente pensar. Bom, Cornélio tem esse sonho, ele obedece, ele envia os mensageiros paraa casa de Pedro. Depois de Cornélio ter o sonho, Pedro também vai ter um sonho. A gente encontra isso lá no capítulo 10, a partir do verso 9, que diz que no dia seguinte, eh, por volta do meio-dia, enquanto eles vigiavam e se aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço para orar. E diz o texto bíblico que ele tava com fome. Então Pedro sobre no terraço para orar com fome. Não sei se vocês já passaram por isso. É um fator interessante. Quando você ora com sono ou com fome, coisas interessantes acontecem no processo de oração, né? As coisas ficam um pouco confusas, né? Os a oração ganha uns caminhos assim meio estranhos, né? Então você tá ali orando num num spa para perder peso e aí você tá orando com fome porque você comeu alface o dia inteiro, tomou suco verde, sei lá, aqueles sucos estranhos, tem verdura e fruta no suco. Eu acho nem absurdo isso daí, mas aí você tá ali, né? Ai, Senhor, obrigado pelo dia e sua barriga tá meio estranha porque você tá comendo os negócios nunca comeu na vida e tal. Mas aí no meio da oração você começa a pensar em picanha, você começa a pensar em costela e tal e as coisas ficam meio confusas. Aqui Pedro tá orando com fome na hora do almoço. E aí ele orando com fome na hora do almoço veio uma visão e uma visão estranha porque é uma visão de animais e mundos impuros descendo no lençol e uma voz dizendo mata e come se sou eu falei assim: "Pô, eu tô alucinando já porque, enfim, tô com fome orando, as coisas se misturaram". Mas Pedro entende que aquilo é uma visão dada por Deus. E aí vem o lençol com animais imundos, impuros. E como é que a gente sabe que são animais impuros e imundos? Pedro, um judeu, uma pessoa que entendia a Torá, que lia a Torá, que conhecia o Antigo Testamento, ele sabe que Levítico 11 fala sobre animais que se podem comer e animais que não se podem comer. E esses animais que não se podem comer são chamados de impuros, são chamados de imundos. Não se pode comer essa categoria de animais. E esse lençol desce e a voz diz: "Pedro, mata e come". faz todo sentido. Ele tá com fome, mata e come. E o que Pedro responde? Não, eu não posso. Eu sou guardador da lei e a lei me proíbe de comer esse tipo de de alimento. Isso acontece essa vez, acontece a segunda vez e acontece a terceira vez. São três vezes que Pedro tem a mesma visão com a voz dizendo a mesma coisa e nas três vezes ele diz: "Não posso comer porque são animais impuros, imundos. Eu, como um bom judeu, como guardador da lei, não posso comer esses animais. E aí do nada, aquela voz que dizia para ele matar e comer aqueles animais, diz: "O quê? Vai chegar uma galera na tua casa, acompanha eles, porque eu tenho um negócio para te mostrar". E aí chega o pessoal de Cornélio, fala que Pedro, né, que eles tiveram uma visão, que Cornélio teve uma visão, que Corné mandou eles lá, tal, para levar e Pedro vai com eles. Então, tem todo um processo interessante nessa visão que Pedro tem depois da visão que Cornélio teve. E a visão de Pedro parece uma visão desconexa. A visão de Cornélio é simples, é uma ordem. A visão de Pedro é um bando de animais impuros, imundos, que ele tem que matar e comer. Ele não pode porque é contra a lei. E depois a voz dizendo vai vir uma galera. Segue eles aí que eu tenho um negócio para te mostrar. E Pedro vai. Pedro segue esse pessoal. E Atos 10 diz que quando ele chega para encontrar com esse pessoal, Cornélio sai para recebê-lo. Cornélio sai para recebê-lo na porta para ele não entrar. E ele se ajoelha. E Pedro diz: "Não, cara, levanta, que isso? Eu sou homem igual você". Etc e tal. E aí Pedro entra e começa a conversar. E olha o que Pedro diz. Capítulo 10 de Atos, verso 27 e 28 e 29. Conversando com ele, Pedro encontrou ali reunidas muitas pessoas. Ele disse: "Vocês sabem muito bem que é contra a nossa lei um judeu associar-se a um gentil ou mesmo visitá-lo. Mas Deus me mostrou que eu não deveria chamar impuro ou imundo a homem nenhum. Por isso, quando fui procurado, vim sem qualquer objeção. Posso perguntar, por vocês mandaram me buscar?" Pedro entra na casa de Cornélio com aquelas muitas pessoas reunidas e ele de cara ele entende o que aconteceu. Ele entende a visão dele. Eu quero pontuar que isso daqui foi antes de qualquer coisa acontecer. Ele entra na casa de Cornélio e ele diz: "Vocês sabem que eu não deveria estar aqui. Vocês sabem que como homem judeu eu não posso nem visitar vocês, ainda mais estar junto aqui dentro da casa com vocês. Eu não posso. Mas Deus me ensinou. O que que Deus me ensinou? que eu não posso fazer distinção entre homens, que eu não posso considerar homem algum impuro ou imundo. E aqui é uma categoria importante, porque essa ideia legal, ela é jurídica dentro da Bíblia, impuro e imundo, é associada a animais, animais impuros e animais imundos. E aí quando você vai ver a descrição dos animais, vários não fazem sentido nenhum, embora a gente tente criar sentido, né? Não, os porquinhos são sujos, eles vivem na lama, é por isso que não pode comer. Não, tal peixe a gente não pode comer porque guarda mais mercúrio, né? Vocês sabem disso, né? Espero que sim. que os peixes com escama não armazenam tanto mercúrio quanto os peixes sem escama. E aí tem toda uma uma explicação científica para essas paradas. Mas lá no texto de Levítico 11 não tem explicação científica nenhuma. Tem dizendo assim: "Ess animais podem comer e esses animais não podem comer. E esses que vocês não podem comer são chamados de imundos impuros. e não tem explicação, tá dizendo que não pode. E quando você vai entender a lista de Levítico 11, você percebe que essa lista de alimentos, de animais que você pode ou não comer tem a ver com o santuário. Os animais que são oferecidos como sacrifícios no altar do santuário podem ser comidos nas suas casas. E os animais que não são oferecidos em sacrifício não podem ser comidos nas casas. Porque o que Levítico 11 tá fazendo é uma relação entre o altar de sacrifício e a mesa do povo de Israel. Então esse processo de alimentação de Levítico 11 tem a ver com o processo de ritual do santuário. É uma correlação. Tem a ver com imundeza, com impureza, ritual em relação ao santuário. Essa categoria de mundo impuro, ela aparece em vários momentos do Pentateuco, principalmente Levítico, Números, Deuteronômio. E a ideia maiormente está relacionada ao serviço do santuário. Envolve uma série de circunstâncias. Por exemplo, uma mulher que dá luz a uma criança, ela fica impura durante x tempo, se for bebê menino, e x tempo, se for bebê feminino, fica impura. E ela tem que se purificar. Se tem fluxo sanguíneo, fica impuro. Se o homem tem ejaculação noturna, etc. tal também fica impuro. E geralmente as impurezas e as imundícias têm a ver com fluídos do corpo humano, que são normais. E não tem uma explicação científica. Ah, o cara teve polução noturna porque sonhou um sonho erótico, então ele está em pecado. Bom, isso daí tem literatura abundante dizendo que não é sempre assim que funciona. É um mecanismo natural do corpo. Mas aí o cara fica impuro pro serviço do santuário. E por que fica impuro pro serviço do santuário? O que que era o santuário? O santuário era o lugar da habitação de Deus. Lembra? Deus falou assim: "Vocês vão me fazer o santuário para que eu possa habitar no meio de vocês". E o que que acontecia no santuário? Qual era o principal serviço do santuário? O santuário servia para quê? Para lidar com o problema do pecado. O serviço do santuário primordialmente tinha a ver com perdão de pecados e expiação de pecados. Perdão durante um ano todo e um dia para expiação dos pecados. Então, no santuário, o perdão de pecados era resolvido. O pecado era resolvido. Era o lugar da habitação de Deus e onde Deus lidava com o pecado. Tão entendendo? Tão acompanhando? E a gente sabe pelo livro de Hebreus que a partir de Cristo não há mais necessidade de sacerdotes. Porque o que que os sacerdotes faziam? Eles oficiavam o ritual do santuário primariamente. E o ritual do santuário lidava com o problema do pecado. Então, se o sacerdote lida com o problema do pecado, perdão, expiação, a partir de Cristo, não há mais necessidade de sacerdote trabalhando no santuário. Se o santuário lida com o problema do pecado, a partir de Cristo não há mais necessidade de um ambiente chamado santuário para se resolver o pecado. Porque Cristo resolve o pecado com a sua morte e ressurreição. Ele vence o pecado. E aí a gente entende que João quando vê a cidade santa, ele tem um uma atenção ali, porque ele diz que viu, né, o o a noiva, a Jerusalém, a nova Jerusalém descendo. Ela é o santuário de Deus com os homens, mas ele diz que não vê nela santuário. E por que que ele não vê na cidade de santo santuário? Porque diz que tá o trono do cordeiro. Porque Cristo encapsula, Cristo resume, Cristo acomoda, Cristo ele, ele ele é a realidade toda do santuário e nele tudo do santuário se cumpre plena e perfeitamente. Então, a gente entende que esse lugar do santuário, ele é um lugar específico que tem a ver com coisas específicas. Agora é uma questão interessante porque a gente transfere automaticamente a ideia de santuário. Isso é um parênteses, tá? Dentro do sermão. A gente transfere a realidade do santuário diretamente pra igreja, como se a igreja fosse o santuário e como se o pastor fosse o sacerdote. Só que biblicamente isso é uma incorreção. É óbvio que os sacerdotes tinha outras funções. Por exemplo, o livro de Deuteronômio fala que os sacerdotes deveriam ensinar ao povo sobre as coisas de Deus. A gente sabe também por causa das cidades e refúgios que o sacerdote ele também tinha uma função legal jurídica, que ele determinava, por exemplo, que aquelas pessoas que fugiam por algum crime que cometeram por uma cidade de refúgio, quando alguém fosse falar daquele crime na cidade de refúgio, o sacerdote definir se o indivíduo deveria permanecer na cidade de refúgio salvo das acusações ou se ele deveria ser entregue para alguém para ser julgado pelos crimes que cometeu. Então ele tinha outras funções, mas maiormente a função dele era ligar, lidar com pecado. Então o pastor não lida com pecado. Depois de Cristo, ninguém lida com pecado, é só Cristo. Ele é o único mediador entre Deus e os homens. E a santuário, o o templo não existe mais. Por quê? Porque tudo se cumprir em Cristo. Então, a igreja não é santuário, o pastor não é sacerdote. E toda e qualquer ideia que linque essas duas coisas é equivocada porque elas não têm uma ligação direta. Até porque no santuário não tinha culto, não tinha sermão, não tinha galera cantando. Tudo isso que acontecia, sermão, galera cantando, acontecia fora do santuário. Dentro do santuário era sacrifício de animais. Tão entendendo? Isso é extremamente importante. Agora, percebam o que a galera da época de Jesus, a galera da época de do Novo Testamento, de Pedro aqui, o que que eles fazem? Eles transferem uma categoria que tem a ver com o ritual do santuário maiormente, que é impuro, imundo, etc., para definir um grupo de pessoas. Esses animais que eram impuros, que eram imundos, eles não eram impuros e imundos pela natureza deles. Eles eram puros e imundos pela relação deles com o ritual do santuário. Tá entendendo? Deus não criou uma coisa que fosse pura e que fosse impura e imunda para existir por aí. Aí eu vou ver o porquinho, dar um bico no porquinho. Ah, impuro mundo. Pô, o que que o porquinho fez? Ah, ele chafurda na lama e tal. Ah, tem a cic circose, não sei o que lá, vai dar o bico no porquinho. Mas aqui na época de Jesus e na época da igreja primitiva de Pedro, eles pegaram uma definição que tem a ver com circunstância da vida, que tem a ver com fluídos, que tem a ver com com o corpo das pessoas que adoravam a Deus e transferiram isso para categorizar, rotular todo um grupo de pessoas. é gentil, ou seja, não é judeu, automaticamente é o quê? Imundo, impuro, pelo que a pessoa é, não é pelo que ela faz, não é pelo que ela disse, não é por nada. Ela simplesmente é imunda, impura. Por quê? Porque ela não é igual a mim. Ela não adora a Deus da mesma maneira. Ela não pensa igual a mim, ela tem uma outra vida, um outro estilo de vida, é de outra etnia, de outra raça. Então, automaticamente, ela é imunda, impura. Então eles transferiram uma categoria maiormente ritual e jogaram sobre pessoas. Vocês estão percebendo? E não pelo que elas fizeram tal, mas pelo que elas são. E basicamente ao fazerem isso, o que que elas fazem? Elas eliminam essas pessoas da comunidade de fé, obviamente, dos rituais do santuário, obviamente também, porque elas não podiam, eram impuras, imundas. Então, portanto, para esse grupo de pessoas que é imundo impura, qual era a chance deles reverterem esse status? Vocês já pensaram nisso? Que que Pedro diz? Eu não posso visitar um gentil porque ele é imundo, ele é impuro. Eu não posso entrar na casa desse porque era imundo impura. Como é que ele vai reverter esse status de imundo impuro? Não reverte. Acabou. Eu construí um muro que afasta completamente aquele grupo de pessoas pelo que elas são. Ele era temente a Deus, Cornélio. Ele orava, ele dava esmolas, ele era piedoso. Que que importa? Nada. No final das contas, que que ele era? Imundo, impuro. Eu não posso entrar na casa dele, não posso nem visitá-lo. Vocês estão percebendo? E Pedro, antes que qualquer coisa aconteça, antes que qualquer coisa aconteça, antes de qualquer estudo bíblico, antes de qualquer explicação doutrinária, profética, Pedro diz: "Eu tive uma visão e eu entendo o que tá acontecendo aqui. Deus me ensinou que eu não posso considerar ninguém impuro, imundo. Ninguém eu posso considerar impuro imundo. Não tinha nada a ver com sobre comida o negócio. Tinha a ver sobre essa rotulação que se faz de um grupo de pessoas pelo que elas são. E aí eles continuam conversando. Cornélio vai contar o que aconteceu, vai contar da visão que ele teve. E aí Pedro começa a pregar. E aí Pedro começa a pregar dizendo, verso 34, ele repete o que ele tinha dito e continua: "Agora percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com parcialidade. Deus não faz acepção de pessoas". Agora eu entendo. Pedro diz: "Agora eu entendo." Deus não faz distinção de pessoas. Deus não trata as pessoas com parcialidade. Deus não usa esses rótulos que nós usamos. Agora eu entendo. Mas todas as nações aceita todo aquele que teme e faz o que é justo. Vocês conhecem a mensagem enviada por Deus ao povo de Israel que fala das boas novas de paz por meio de Jesus Cristo. Ele começa a falar de Jesus que é Senhor sobre todos. Sabe o que aconteceu em toda a Judeia? Começando na Galileia depois do batismo que João pregou? Aconteceu em toda a Judeia. Começando na Galileia, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com Espírito Santo e poder, e como ele andou por toda parte fazendo bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele. Nós somos testemunhas de tudo que ele fez na terra, dos judeus em Jerusalém, onde o mataram, suspendendo no madeiro. Deus, porém, ressuscitou no terceiro dia e fez que ele fosse vivo. Não por todo o povo, fez que ele fosse visto, desculpa, não por todo o povo, mas por testemunhas que designara de antemão. Porque nós, por nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou dos mortos, ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que foi ele que Deus constituiu juiz de vivos e mortos. Todos os profetas dão testemunho dele, de todo que nele crê recebe perdão dos pecados mediante o seu nome. Pedro faz um sermãozão e o centro do sermão de Pedro é Jesus Cristo. Pedro não fala de criação. Pedro não fala de Abraão, Isaque e Jacó. Pedro não fala do Monte Sinai. Pedro não fala do êxodo. Pedro não fala da conquista da terra. Pedro fala de Jesus Cristo, não tem doutrina aqui, é só Jesus Cristo que ele morreu e ressuscitou. E um detalhe além disso, importante, pequeno, mas importante, ele diz que Deus constituiu a Jesus Cristo como juiz de vivos e mortos. Deus constituiu a Jesus Cristo como juiz de vivos e mortos. E tudo o que está escrito, e ele fala, todos os profetas falavam de Jesus. E é isso. Esse é o sermão de Pedro. Poderoso. Deus não é parcial. Deus não faz acepção de pessoas e constitui a Jesus Cristo como um juiz de vivos e mortos. E o que que acontece depois desse sermão poderoso de Pedro? verso 44. Enquanto Pedro ainda estava falando essas palavras, ou seja, no meio do sermão de Pedro, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a mensagem, os judeus convertidos que estavam com Pedro, judeus que tinham acompanhado Pedro, ficaram admirados que o dom do espírito fosse derramado também aos gentios, pois os ouviram falando em línguas e exaltando a Deus. Então, enquanto Pedro pegava, o espírito desceu. Não desceu sobre Pedro, não desceu sobre os judeus que estavam com Pedro, desceu sobre os gentios, sobre os pagãos, sobre os romanos, sobre os que não guardavam a lei. E os judeus que estavam com Pedro convertidos a Jesus Cristo, eles aceitavam Jesus como Senhor e Salvador, eles olham para aquilo que tá acontecendo. O que que eles dizem? Nossa, isso é o mesmo tá acontecendo com eles. Aquilo que aconteceu com os apóstolos lá em Atos 2. É a mesma coisa. Um milagre. E aqui Deus rompe todas as barreiras mais uma vez. Barreiras que a religião da época tinha imposta. Barreiras que os homens ao interpretarem a Bíblia tinham colocado. Muros que as pessoas tinham construído para afastar as outras. E aí Deus vai lá e rompe com tudo em nome de Jesus Cristo. E aí a parte mais poderosa, talvez esse relato. Pedro dizendo, verso 47, pode alguém negar a água impedindo que estes sejam batizados? Eles receberam espírito como nós. Então ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Depois pediram a Pedro que ficasse com eles alguns dias. Pode alguém impedir que eles sejam batizados? Pode alguém impedir? Não, não pode. Então batiza todo mundo. Mas cadê o estudo bíblico? Cadê as doutrinas? Cadê as crenças fundamentais? Os dogmas? Não tem. Eles creram em Jesus Cristo. Estão falando em línguas espíritus. Isso é o suficiente. Batiza. Agora tem um detalhe que eu acho muito interessante que é uma palavrinha colou. que quer dizer impedir ou bloquear. E ela aparece pela primeira vez aqui nessa nessa narrativa lá em Atos 8, quando o Eu nuco, depois de conversar com Felipe, ele diz assim: "Há alguma coisa que me impeça de ser batizado, que me bloqueie de ser batizado?" E Felipe diz: "Não, não tem nada". E batiza o Ionuco. Lembra? Aparece aqui em Atos 10 com Pedro dizendo, "Tem alguma coisa que impeça eles de serem batizados?" E aparece depois em Atos 11, quando Pedro vai se explicar diante do da igreja, da liderança da igreja, Pedro usa de novo essa palavra, diz assim: "Olha, eu vi o que aconteceu, eu vi o espírito descendo e eu pensei, não tem nada que que me impeça ou que impeça essas pessoas de serem batizadas, porque deu bo." E a gente vai ver isso semana que vem. É óbvio que deu bo. Batizou um monte de gentil na casa de um centurião romano, pagão, e disseram: "Pô, é óbvio que deu bo. Quebrou todo e qualquer paradigma que eles tinham". E aí Pedro vai ser chamado para se explicar. Aí eu vou dar um spoiler, né? Pedro tem que se explicar e depois Pedro vai fazer isso com Paulo, vai chamar Paulo para se explicar também, o que é interessantíssimo. Às vezes a gente sofre, a gente reproduz o que a gente sofre fazendo os outros sofrerem. É impressionante. Fecha o parênteses do spoiler. Mas veja o que acontece. A a chave aqui é essa palavrinha colu. Há alguma coisa que bloqueie, que impeça eles de serem batizados? O que acontece é que a gente cria categorias, a gente cria rótulos, a gente cria barreiras, muros. constrói esses muros afastando as pessoas de Deus, impedindo que essas pessoas façam parte de uma comunidade de fé, impedindo que essas pessoas sejam batizadas porque não cumpriram aquilo que a gente acha que elas têm que cumprir para serem batizadas. A gente afasta pessoas e o texto bíblico diz o contrário, diz assim: "Mas há alguma coisa que impeça essas pessoas? A gente impede, a gente a gente impede. As comunidades de fé impedem as pessoas de ter livre acesso à comunidade de fé, ao congraçamento dos santos, à vida comunitária, ao batismo, a Santa Ceia, etc, etc, etc. É interessante que a gente fica pensando, e eu acho isso legal pra gente concluir, fica pensando como é que a gente vai converter, esse é um negócio bem cristão, né? Como é que nós vamos converter os hindus, os budistas? E a gente fica elaborando milhares de estratégias para levar o evangelho pro oriente. E a gente tem um monte de muros construídos para impedir as pessoas aqui em São Paulo, nas cidades do interior de São Paulo. A gente tem um monte de muros impedindo as pessoas de virem. Sabe o que é mais interessante? que o que tá acontecendo aqui em Atos é que não é que as pessoas estão indo, elas estão indo, mas as pessoas estão vindo. E é Deus que tá trazendo através do espírito. Tem as barreiras, destruindo as barreiras que a comunidade de fé criou. Um exemplo polêmico. Mulheres não podem ser pastoras. Maiormente no cristianismo, mulheres não podem ser pastoras. Podem ser profetizas, podem ser apóstolas, podem ser bispas. Tô exagerando, mas não podem ser pastoras. Aí você tá na faculdade de teologia dando aula. Eu fiquei 9 anos dando aula de na faculdade de teologia. E aí chegam mulheres para fazer o curso de teologia. Eu, os professores, os alunos, todo mundo fica assim: "Que que vocês estão fazendo aqui? Vocês são malucas? A mulher louca é normal, né? Vocês sabem. Tô ironizando, tá, gente? É a acusação que mais gosta. Gostamos de fazer as mulheres, né? Vocês são loucas? Vocês sabem que vocês não podem ser pastoras. Que que vocês estão fazendo aqui? Vão embora. Era isso que acontecia. Mas as mulheres pararam de vir, não? Todo ano tinha duas, três corajosas que aguentavam toda essa pressão, esse preconceito e se formava. E a pastora Kelan é uma delas, resistindo à exclusão, resistindo aos rótulos. Por quê? Porque o espírito sopra onde ele quer. E hoje a gente cria esses rótulos. Ah, ele é gay, não pode ser batizado. Ah, ele é preto, não pode ter função de liderança. Porque pretos dão medo que eles são muito fortes, muito grandes, são violentos. Ah, ela é lésbica, ela não pode participar da ceia. A gente cria muros e barreiras impedindo as pessoas de fazerem parte da comunidade de fé, de se batizarem. É tatuado, é gente que usa joias, é casamento X Y Z, é LGBT, é isso, é é passado, é futuro, porque tem futuro também, não. Ele pode fazer isso. Vocês vocês entendem que a gente tá indo contra o evangelho? E aqui eu acho que talvez o o que fica pra gente, quem somos nós para erguer barreiras? Quem somos nós para impedir o acesso de qualquer pessoa à graça de Deus? Quem somos nós? Ninguém. E no sermão de Pedro, ele diz: "Deus constituiu Jesus Cristo como o único juiz de vivos e mortos." Então, meu irmão, se despreocupe. Não cabe a você julgar quem pode e quem não pode. Não cabe a você julgar quem tem acesso a Deus e quem não tem. Não cabe a você erguer muros para afastar as pessoas da comunidade de fé. Não cabe a você determinar quem pode ou não ser batizado. Em uma comunidade cristã de fato e de verdade, Deus, como diz o texto, não é parcial. Deus aceita a todos. Todos têm acesso a ele, porque essa é a graça de Deus e não a nossa. Eterno nosso pai e nosso rei. Senhor, ajude-nos a vencer essa preocupação terrível de sermos porteiros do céu, porteiros do teu reino. nos ajude, Senhor, a andarmos despreocupados com a vida das outras pessoas e acreditarmos de verdade, de fato, que Jesus Cristo é um único juiz e que ele julga justamente porque ele é gracioso e amoroso. Senhor, nos ajude a pararmos de bloquear, de impedir que pessoas se aproximem de ti. Nos ajude, Senhor, a termos o coração no verdadeiro evangelho. O evangelho que não é parcial, ou seja, que não faz acepção de pessoas, que não faz distinção de pessoas, mas que antes abraça todos, porque não temos o direito de rotular ninguém como impuros ou imundos, mas temos sim a obrigação de a todos recebermos com graça e amor, porque foi assim que fomos recebidos. Oramos isso no nome de Jesus Cristo. Amém.