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Sermão: Quando o zelo cega

Sermão: Quando o zelo cega

Sermão: Quando o zelo cega

Décimo terceiro sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

[Música]
nosso pai, eterno nosso
rei, que essa linda
oração que a gente acabou de
cantar, que ela seja
real, que ela seja verdadeira na nossa
vida. É o que nós te imploramos em nome
de Cristo Jesus. Amém, Senhor.
Amém.
Olá, seja
bem-vindo ao Teatro All no Shopping
Patópolis. É um prazer receber vocês
aqui e é um prazer receber você também,
onde quer que você esteja. É muito
interessante quando a gente constrói
essa essa comunidade plural e diversa,
né? E aí a gente recebe vocês aqui.
Muitas vezes vocês que estão aqui
presentes são também aqueles que algumas
vezes estão do outro lado, né,
assistindo nessa comunidade virtual que
a gente tem espalhada pelo Brasil e por
alguns lugares do mundo. E é sempre
muito gostoso a gente
encontrar vocês, abraçar vocês. a gente
troca mensagens ali no Instagram, no
WhatsApp e tal, bate um papo e aí vê a
carinha, vê a pessoa aqui presente,
vindo de tantos lugares. É muito legal,
é muito
reconfortante. E é bom, né? A gente tá
unido, sabendo que a gente não tá
sozinho, espalhado por aí. A gente tá na
série Graça e aí a gente tá caminhando
pro final dessa série, os últimos cinco
episódios. No último episódio a gente
falou sobre Atos capítulo 8, a gente
mencionou a história de Felipe. Felipe
era um dos sete que foram eleitos pelos
pelos discípulos para atender as pessoas
menos favorecidas, as pessoas ah eh em
situação de vulnerabilidade ali que os
discípulos não os apóstolos e os
discípulos não conseguiam atender. Então
eles eles eram sete pessoas e uma dessas
pessoas era Felipe. E a gente viu que
Felipe é o primeiro que sai para além
daqueles muros, eh, da tradição
étnicreligiosa, racial que eles tinham.
Felipe vai para além. Felipe prega pros
samaritanos, que eram aqueles povos
mistos, uma religião meio sincrética com
judaísmo e com outras coisas. E a gente
também tem Felipe se encontrando com
eunuco, Etípe. Então Felipe, ele começa
a romper essas barreiras de pregar para
além de um povo, de uma tradição
religiosa. E é interessante a gente
perceber algumas
sutilezas em como o narrador vai
construindo algumas histórias e a gente
entender que existe uma mensagem nesse
processo também. E uma das das coisas
importantes dessa narrativa de Felipe em
Atos 8 é uma espécie de moldura que a
gente encontra que tá ali em Atos 7 e
depois em Atos 9. E aí a gente entende
melhor o impacto daquilo que tá
acontecendo em Atos 8 e entende também o
que vai acontecer no restante do livro
de Atos. E ali em Atos 7 a gente tem um
outro personagem também, um dos sete que
foram eleitos para pelos apóstolos barra
discípulos para cuidarem das viúvas, das
pessoas menos favorecidas, etc e tal,
que é Estevão. Estevão e Felipe faziam
parte desse grupo. O Estevon, ele tem um
uma performance, vamos dizer assim,
emblemática, impactante em Atos 7,
porque ele faz um sermão público muito
forte.
Ele prega de uma maneira poderosa. O
texto diz que ele cheio do espírito
começou a pregar. E o sermão dele é tão
forte, é tão impactante, ele cita tantas
coisas do Antigo Testamento, ele
constrói uma ideia muito eh eh muito
sólida, mas ao mesmo tempo tremendamente
rompedora daquilo que a tradição
religiosa judaica pensava na época, que
a reação é extremamente
violenta. Então, no final desse sermão
de Estevão, as pessoas ficam
enlouquecidas e resolvem matar Estevão
por um
sermão, por uma
pregação. E o texto diz assim em Atos,
no capítulo
7, a partir do verso 57.
Mas eles taparam os ouvidos ao sermão de
Estevo e, dando fortes gritos,
lançaram-se todos juntos contra Estevão.
Então, a multidão foi atrás de
Estevão. Arrastaram-no para fora da
cidade e começaram a
apedrejá-lo. As testemunhas deixaram
seus mantos aos pés de um jovem chamado
Saulo.
Enquanto apedrejavam Estevão, Estevão
orava: "Senhor Jesus, recebe meu
espírito". Ele caiu de joelhos e bradou:
"Senhor, não os considere culpados deste
pecado". E tendo dito isto,
adormeceu. Capítulo 8, verso 1, diz: "E
Saulo estava ali consentindo na morte de
Estevão". E aí então começa o capítulo
8ito, a história de Felipe pregando pros
samaritanos.
É um texto forte. Depois você lê toda a
pregação de Estevão que acontece, é um
texto muito
forte. E é interessante que esse
interessante e triste que essa esse
baita sermão de Estevão foi recebido com
violência por aqueles que
ouviam. Estevão foi morto pelo sermão
que ele pregou.
E aqui tem uma
beleza
triste, uma
beleza pesada, vamos dizer assim.
Porque durante o ministério de Cristo,
em uma dos momentos em que Cristo foi
perguntado o que que as pessoas
precisavam fazer para segui-lo, Jesus
disse que cada um tome a sua cruz e me
siga. E a morte de Estevão é talvez um
lembrete
trágico do que significa seguir a Cristo
de verdade, do que significa tomar a
cruz de Cristo de
verdade. E a oração de Estevão se parece
muito com a oração de Cristo na cruz do
Calvário. Ele pede perdão por aqueles
que o estão
matando. E dentre esses que ativamente
tomaram papel de apedrejar Estevão, de
pegar em pedras e realmente arremessar
contra
Estevão, entre esses que
ativamente assassinaram Estevão, tinha
alguém que estava ali de uma maneira,
entre aspas,
passiva, alguém que estava ali de alguma
maneira só
assistindo. Saulo não pegou na pedra.
Saulo não arremessou uma pedra contra
Estevão. Saulo não matou Estevão
diretamente, mas o texto diz que ele
segurou a
capa daqueles que violentamente agiam.
E diz o texto no final, no início do
capítulo 8, verso 1, no final da
história, de que Saulo consentia com
aquilo que estava
acontecendo. Então Saulo passivamente,
indiretamente participa, mas ele não é
aquele que executa a
sentença. Ele tá
ali, não participa, mas
participa. Faz parte, mas não faz parte.
Ele assiste tudo em silêncio, um
silêncio
consentido, concordando com aquilo que
estava
acontecendo. Nós temos então as duas
histórias de Felipe que a gente
mencionou no último sermão da série, há
15 dias atrás, antes da
Páscoa. Felipe prega pros samaritanos,
Felipe prega pro eucetup. Há uma série
de conversões entre esses essas pessoas
para além das tradições religiosas, para
além da etnia da raça. Há essa essa esse
início de movimento que vai rompendo as
barreiras dos muros que a tradição
religiosa judaica tinha criado naquele
momento. E aí a gente chega depois desse
momento de rompimento no capítulo 9.
E o capítulo 9 começa dizendo
assim: "Enquanto isso, verso 1, Saulo
ainda respirava ameaças de morte contra
os discípulos do Senhor. Dirigindo-se ao
sumo sacerdote, pediu-lhe cartas para a
sinagoga de Damasco, de maneira que caso
encontrasse ali homens ou mulheres que
pertencessem ao caminho, pudesse
levá-los presos para Jerusalém.
Então, aquele indivíduo que antes das
histórias de Felipe assistia à
violência, consentindo com a violência,
agora se tornou ele mesmo um indivíduo
que praticava violência.
Então, aquela atitude indireta e passiva
agora se tornou uma atitude direta e
ativa. Eu não vou só assistir agora eu
também vou perseguir, mas eu não vou
perseguir apenas em meu nome, eu vou
perseguir de maneira legal, de maneira
burocraticamente consentida com o poder
estabelecido. Então, eu não vou
simplesmente sair apedrejando como
fizeram com Estevão, não. Eu vou
apedrejar agora com o aval da liderança
religiosa do meu
povo. Então ele vai até o sumo
sacerdote, ele pede um documento, um
documento que autorizava ele a ser
violento em nome da
religião. De indireto e passivo. Agora
Saulo se torna um indivíduo violento
diretamente e ativamente em nome da
religião e vai perseguir aqueles que
eram do caminho. Porque Jesus Cristo era
o caminho, a verdade. Ele é o caminho, a
verdade e a vida. E aqueles que o
seguiam eram chamados naquele momento
como aqueles do caminho. Era uma seita
dentro da tradição judaica, só que era
uma seita que começava a incomodar,
porque ela crescia. Ela crescia para
além dos muros.
da tradição
religiosa. Ela rompia com paradigmas da
tradição
religiosa. E ora como é que Paulo mesmo
descreve esse movimento
dele. Em alguns momentos ele descreve, a
gente vai ver apenas dois. Primeiro tá
lá em Gálatas, capítulo
1, do verso 11 em diante. Diz assim:
"Irmãos, quero que saibam que o
evangelho por mim anunciado não é de
origem humana. Não recebi de pessoa
alguma, mas ele me foi ensinado. Ao
contrário eu recebi de Jesus Cristo por
Ele não me foi ensinado, ao contrário
recebi Jesus Cristo por revelação. Verso
13. Vocês ouviram qual era o meu
procedimento no judaísmo? Como perseguia
com violência a igreja de Deus,
procurando
destruí-la. No judaísmo, eu superava a
maioria dos judeus da minha idade, era
extremamente zeloso das tradições dos
meus antepassados.
E ele fala mais ou menos a mesma coisa
lá em Filipenses, no capítulo
3. Ele vai falar: "Cuidado com aqueles
que praticam mal, não sei o que lá, tal,
tal, tal, cuidado com aqueles que fazem
isso, que fazem aquilo, etc." Lá no
verso 5, ele diz: "Eu sou
circuncidado. Fui circuncidado no oitavo
dia da minha vida. Pertenço ao povo de
Israel, sou da tribo de Benjamim. Sou um
verdadeiro hebreu. Sou judeu de verdade.
Quanto à lei, eu sou fariseu, cumpridor
da lei. Quanto ao zelo, perseguidor da
igreja, contra a justiça que há na lei,
irrepreensível. Então Paulo ele diz:
"Sabe quem eu
era? Eu era um cara irrepreensível,
segundo a
lei. Eu era certinho. As pessoas olhavam
para mim e falavam assim: "Esse cara é
fera, esse cara é top".
Esse cara é o
modelo irrepreensível diante da lei. E
aí ele tem uma expressão que ele usa nos
dois textos. Ele usa em outros textos
também. Ele diz: "Eu era
zeloso". Em Gálatas ele zeloso da
tradição dos meus
antepassados. Em Filipenses ele diz:
"Zeloso a ponto de perseguir a igreja".
zeloso, preserva as
tradições. Fariseu preserva a
lei. Sou preocupado com essas coisas e
ai daqueles que não cumpriam, porque eu
sou zeloso, eu persigo. Perseguia
aqueles que não
cumpriam a lei e os
mandamentos. Perseguia aqueles que não
seguiam as tradições religiosas.
Então, no momento em
que a igreja cristã, o cristianismo, no
momento em que aqueles que seguiam o
caminho começa a romper
barreiras, levando o evangelho de um
Messias judeu para além do
judaísmo, aquele zeloso das
tradições. Não, isso daqui tá errado. E
agora de um observador passivo, de
alguém que agia indiretamente, agora ele
passa a ser alguém
ativo, alguém que diretamente perseguia,
porque agora virou um
absurdo. Como assim? Já era um absurdo
eles pregarem aqui dentro, agora estão
pregando para
fora? Que absurdo é isso que tá
acontecendo? E
eles passam a
perseguir. Saulo passa a perseguir
direta e
ativamente. Perseguir, prender,
matar. Em nome da
religião, em nome de
Deus. É interessante porque isso não é
novidade na Bíblia. A gente já falou
isso daqui várias vezes. Na verdade, a
primeira história da Bíblia após o
pecado em Gênesis capítulo 4, exatamente
nessa mesma
moldura. É Caim e Abel, dois irmãos que
vão brigar por
quê? Que vão brigar por causa de
Deus. Porque Caim olha que a oferta de
Abel é aceita por Deus e Caim não aceita
que a oferta de Abel seja aceita e a
dele
não. E ele decidiu matar o irmão dele
por causa disso. Como assim? O seu
relacionamento com Deus é diferente do
meu relacionamento com Deus. Não pode. E
ele mata o
irmão. Um assassinato
religioso. E parece que isso de alguma
maneira legitima que as coisas continuem
sendo
assim. Em nome da religião e das
tradições, parece que a gente recebe de
alguma maneira um aval, um documento que
legitima a nossa violência.
Não, eu não sou violento, não. Eu
não, mas em nome da religião, eu não vou
permitir que isso
aconteça. Eu não vou permitir que esses
hereges atuem dessa maneira, que eles
maculem o nome da minha igreja, que eles
maculem o nome da minha
religião. E alguns anos atrás, vou
mencionar uma história, vou citar o
nome, mas isso foi amplamente noticiado,
vocês vão
lembrar uma pastora de uma certa maneira
conhecida, chamada Odia Barros. Eu não
tenho um contato, a vi uma vez depois
disso, mas naquele momento não tinha
nenhum contato com ela
pessoal. Não sei se vocês lembram, mas
ela celebrou um casamento
homossexual de duas mulheres. Vocês
lembram disso?
E vocês lembram o que aconteceu
imediatamente depois disso que a notícia
foi
dada? Ela recebeu ameaça de morte, mas
não foi só
ela, foi ela, a família dela, filha,
esposo, todo mundo recebeu as ameaça de
morte. Lembram
disso? Ela teve que ir na polícia pedir
proteção, etc e tal.
E era interessante que você via que as
pessoas que ameaçaram a de morte, quem
eram as pessoas que ameaçaram a de
morte?
Cristãs, pessoas
cristãs. Tem um absurdo que você tá
fazendo. Vou te
matar. Por quê? Porque você não pode
fazer isso em nome de Deus. Quem é você
para fazer esse tipo de coisa? Você está
quebrando as tradições, você está
quebrando a doutrina bíblica do
casamento, etc, etc e tal. Então, em
nome disso, a gente vai te
matar. E é interessante, né? Porque
parece que
tem essa violência legitimada, porque
para proteger o nome de Deus e as coisas
de Deus e as tradições religiosas, a
gente pode sair
matando. A inquisição foi
isso. Vamos converter infiéis. E se eles
não quiserem ser convertidos, vamos
matá-los, né? Só tem dois caminhos, ou
Cristo ou a morte. Interessante,
né? É bem
interessante. A gente parece que virou o
evangelho do
avesso, que Cristo fala assim: "Se você
quer me seguir, morra". Aí a gente fala
assim: "Se você não seguir a Cristo,
você morre". A gente inverteu as coisas,
ficou meio diferente. Eu já falei isso
aqui que eu acho muito curioso quando
assim, não, eu sou cristão, mas não sou
otário. Tem esse negócio assim, né? E aí
você posta qualquer coisa levemente
polêmica, qualquer coisa que levemente
você questione alguma coisa. E as
reações mais violentas que você vai
receber se for uma postagem religiosa
são as reações de pessoas que no perfil
delas tá escrito
cristão. Amo a
Cristo aí tá lá o perfil, a pessoa
dizendo que vai te matar, dizendo que
vai perseguir sua família e tal, mas ela
é cristã.
Eu lembro até hoje essa história muito
boa. A Vanessa vai lembrar, tinha
começado meu ministério como pastor e aí
por causa de um certificado de batismo,
um cara me ligou dizendo que ia me
matar. O cara se batizou e a primeira
coisa que ele fez depois do batismo foi
me ligar dizendo que ia me matar. Eu
falei: "Cara, que interessante esse
batismo, né? Realmente é um novo
caminho,
né? Ao invés de em nome de Cristo a
gente morrer, em nome de Cristo a gente
mata. É um negócio
impressionante. É o
zelo. O zelo pelas tradições. As coisas
não podem mudar. As coisas não podem ser
diferentes. Temos que manter a tradição
religiosa, defender o nome de
Deus. E é interessante porque Paulo,
quando ele fala que ele era zeloso,
talvez a ideia de zelo dele tivesse uma
âncora bíblica, tivesse uma base bíblica
muito forte.
Porque tem uma história de zelo que é
muito interessante na Bíblia e que eu já
preguei aqui que causou um escândalo
para muita gente. O pessoal falando:
"Não é possível que essa história dele
na Bíblia está que é a história de
Fineias em Números capítulo
5." E alguns falam: "Pastor, você
pregou, meu filho ouviu, não sei agora
tinha que explicar um monte de coisa,
então não vou explicar tudo de novo."
Mas enfim, a história é de que houve um
momento ali de idolatria do povo e o
pessoal tava fazendo umas coisas lá em
frente ao santuário e Fineias ficou
revoltado e foi lá e matou as duas
pessoas que estavam fazendo as coisas
ali na frente do
santuário. E aí o texto bíblico diz, né,
que Deus cessou a praga que ele tinha
mandado, porque o pessoal tava ali eh
fazendo coisas que não devia.
E aí o texto diz que Deus falou assim:
"Fineias foi eh zeloso pelas minhas
coisas". Mas literalmente em hebraico é
em hebraico é cano etcotique, quer
dizer, ele se apaixonou pela minha
paixão, ele se avermelhou com a minha
vermelhidão. E aí Deus faz uma aliança
eterna com Finés, uma aliança de paz, o
que é irônico, porque Inés acabou, Finés
acabou de matar e agora Deus faz uma
aliança de paz com Finés. Tem uma ironia
aqui. Mas aí talvez Paulo olhando essa
história falou assim: "Cara, Saulo, né,
olhando essa história, fal assim: "Eu
também quero ser zeloso como
Fineias. Eu quero que Deus olhe para mim
e fala assim: "Esse cara é apaixonado
pelas minhas coisas. Esse cara de
verdade me ama, porque olha o que ele tá
fazendo. Ele tá matando a galera em meu
nome que nem
Fineias". Então, talvez essa fosse a
ideia de
zelo que Saulo tinha.
E aí diz o
texto em Atos capítulo
9, o texto diz assim, continuando,
né, verso 3 do capítulo 9, em sua viagem
de Atos, em sua viagem, quando se
aproximava de Damasco, de repente
brilhou em seu redor uma luz vinda do
céu. Saulo caiu por terra e ouviu uma
voz que ele dizia: Saulo, Saulo, por que
você me persegue? Saulo perguntou: "Quem
és tu, Senhor?" Ele respondeu: "Eu sou
Jesus a quem você
persegue. Eu sou Jesus a quem você
percebe
persegue." Então Paulo olhava, Saulo
olhava Fineias e dizia assim: "Pô, eu
quero ser zeloso como Fineéias." E ele
foi e saiu para matar a
galera. Mas ao invés de receber o aval
de Deus, ele
recebe uma luz que lança ele por terra.
Literalmente o texto diz que ele é
lançado por terra.
E a voz diz:
"Quem você, Saulo? Saulo, por que você
me persegue? Que que você acha que você
tá
fazendo?" Sa diz: "Quem é você?" Não, eu
sou Jesus. A quem você persegue? E aqui
eu acho muito bonito isso, porque isso é
uma ideia bíblica que tá do início ao
fim. A gente
esquece, a gente esquece. A gente
esquece dos ensinos de Cristo. A gente
esquece. Jesus fala: "Eu sou Jesus, a
quem você persegue?" E quem que Saulo
tava
perseguindo? As
pessoas. Jesus diz: "Eu sou Jesus a quem
você persegue". A gente esquece que
existe essa relação direta entre Deus,
entre Cristo e a gente, entre criador e
criatura. E o tempo todo no Antigo, no
Novo Testamento, o que que Deus tá
dizendo? Quando você faz isso para as
pessoas, quando você faz isso pro órfão,
pra viúva, quando você adultera, quando
você faz a rouba, quando você mente,
quando você isso, aquilo, você tá
fazendo contra mim. Você fez contra as
pessoas, mas é contra mim. E no Novo
Testamento com Jesus, ele vai dizer a
mesma coisa. Quando vocês fizerem a
essas pessoas, vocês estão fazendo a mim
também.
Você entende
isso? O que você faz pros outros, em
última instância, você tá fazendo para
quem? Para Deus.
Quando você mente, quando você é
violento, você tá não tá fazendo só
contra as pessoas, você tá fazendo
contra Deus. A gente precisa lembrar
disso o tempo
[Música]
todo. Esse é o primeiro detalhe.
Mas o segundo detalhe é que a gente
percebe que tem zelo aqui e o zelo é
tratado de uma maneira diferente.
Fineias é o cara que sai e que mata e
que Deus fala: "Ah, que legal, parabéns,
você foi zeloso das minhas coisas". E
agora Paulo que sai para matar zeloso
também Deus derruba ele no chão, lança
ele por terra e diz:
"Não,
não." E é difícil muitas vezes a gente
ler e entender a Bíblia porque tem uma
história, pô, isso é bom. E tem uma
história, pô, isso é ruim, né? É bom
sair ser zeloso e defender o nome de
Deus e tal. Fineias. Aí tem Paulo, ah,
eu vou ser zeloso igual Finés, vou sair,
vou matar, não sei
não. E como é que a gente pode
entender? Já estamos explicando nessa
série o tempo todo. Há um
filtro, há uma lente que a gente precisa
entender para que a gente precisa usar
para entender as histórias bíblicas. E
essa lente é
Cristo. Em Cristo, o zelo que leva
violência não é bom e nunca vai ser
bom. Porque Cristo é aquele que sofre a
violência. E os seguidores de Cristo são
aqueles que sofrem a violência, nunca
aqueles que
praticam, nunca aqueles que praticam.
E Saulo é derrubado do do cavalo, né?
Que isso virou uma tradição, isso não é
bíblico. Foi derrubado, lançado ao
chão e agora ele se torna Paulo. E quem
vai ser Paulo? Olha o que o texto diz.
Atos capítulo
9, Deus manda um profeta da cidade,
Ananias, e conversar com Paulo, que era
Saulo,
Paulo. E aí Deus diz para esse profeta
que vai conversar com com Saulo, Paulo
diz assim: "Mas o Senhor disse a
Ananias: "Vá, este homem é meu
instrumento escolhido para levar o meu
nome perante os gentios e seus reis e
perante o povo de Israel. Mostrarei a
ele o quanto deve sofrer pelo meu nome.
O quanto ele deve sofrer em meu
nome. Saulo, o cara que primeiro é
violento indiretamente, passivamente,
depois se torna violento diretamente e
ativamente. Saulo, o cara que é zeloso
da tradição, a ponto de matar as
pessoas, de perseguir as
pessoas, é lançado por terra, corrigido
por
Cristo. E agora ele tem um novo
caminho. E o novo caminho dele é ser
pregador pros
gentios. Aquilo que Felipe começou a
fazer em Atos capítulo 8.
E o texto termina com uma nota muito
interessante que diz assim: "Eu vou
mostrar a ele o quanto ele vai
sofrer." O cara que causava
sofrimento, agora vai ser aquele que vai
sofrer. O cara que era perseguido ou
perseguidor, agora vai ser
perseguido. E é interessante porque ele
perseguia as pessoas em nome de uma
tradição religiosa. E adivinha o que vai
acontecer com ele? Ele vai ser
perseguido em nome de uma tradição
religiosa. Ele perseguia em nome da
tradição judaico-farisa da época, que
não aceitava Jesus como
Messias. E depois ele vai ser perseguido
pela própria igreja
cristã. Por quê? Porque aquele grande
zeloso das tradições agora é um tremendo
inovador que tá quebrando todas as
tradições cristã, porque nem tinha
tradição, tava começando o
cristianismo. Mas ele vai romper tantas
barreiras, tantos paradigmas, que a
própria igreja cristã que era rompedora,
vai falar assim: "Esse cara tá
exagerando, esse cara tá fazendo, esse
cara tá tá quebrando todos os limites."
Que é interessante, não tem
jeito para você chegar onde você chegou.
Você talvez não perceba, mas para você
chegar onde você chegou, você teve que
quebrar vários
limites internos, individuais e muitas
vezes coletivos
também. Mas parece que chega um momento
que a gente coloca limite pra gente e
pros outros também. E a gente esquece o
que fez a gente chegar até
aqui. A igreja cristã tá quebrando uma
série de
paradigmas, rompendo com uma série de
tradições, mas em determinado momento
eles falam assim: "Não, agora tá demais,
agora vamos segurar um pouco. Segura um
pouco a onda aí. Vamos Paulo pá, para
aí, mano. Já tá demais, cara. E ele vai
ser perseguido. O que perseguia agora é
perseguido. E o que
matava vai ser
morto. Vocês percebem a
diferença daqueles que seguem a Cristo
de
verdade? Você percebem a
diferença? Sofrem em nome do
evangelho. Não são os que causam
sofrimento. São aqueles que sofrem.
Essa moldura no meio com a história de
Felipe e esse início da história de
Saulo mostra uma uma transformação
incrível.
E existe um zelo que permanece, mas não
é o zelo pela
tradição, não é o zelo pelas doutrinas,
pelos
dogmas, mas é o zelo pelo
amor. Porque Paulo vai se transformar
num apóstolo para os gentios. E o texto
já anuncia isso. E ele vai quebrar todos
os paradigmas que a própria igreja
cristã que quebrava os paradigmas tinha
estabelecido. A ponto de no livro de
Romanos, capítulo 14 e 15, quando ele
fala dos fortes e fracos na
fé, é um negócio bizarro, depois vocês
leiam. Fala assim assim: "Ah, tem gente
que come carne, mas tem gente que diz
que não pode comer carne porque as
carnes foram sacrificadas aos ídolos".
Os que comem carne, que não ligam se a
carne foi sacrificada aos ídolos ou não,
esses são os fortes. Os que dizem que
não pode comer carne porque tá quebrando
a lei, esses são os
fracos. Vou resumir para vocês. Eu vou
só jogar essa ideia. Depois a gente vai
discorrer essa ideia, mas só para dar
um uma criar um
desconforto. Os fracos nessa
argumentação de Paulo no capítulo 14 e
15, sabe quem são? São os que são
restritos em relação à
lei. São os que são zelosos da lei.
Esses são os
fracos. E sabe quem são os fortes?
são os que enxergam a lei para
além de
tradições. E aí Paulo, no final das
contas, ele chama todo
mundo. Ele diz: "Olha, vocês que estão
enxergando para além, vocês que são os
fortes, eles se colocam nesse grupo que
é bem
interessante. Vocês que enxergam que a
lei não é o fim, que existe a graça, que
existe o
amor, vão devagar."
E vocês que acham que a lei resume tudo
e que vocês estão ali restritos e
exclusivos e tal, vocês precisam me
abrir a mente de
vocês. Mas o pedido dele pra igreja de
Roma naquele momento foi: "Por
favor, parem de
brigar, parem de julgar uns aos
outros e se acolham em amor. que haja
unidade de amor entre
vocês. Romanos capítulo 15 diz
assim: "O Deus que concede perseverança,
verso 5, e ânimo deles um espírito de
unidade segundo Cristo Jesus, para que
com um só coração e uma só voz vocês
glorifiquem a Deus, ao Pai do nosso
Senhor Jesus Cristo. Portanto,
aceitem-se, verso 7, uns aos outros, da
mesma forma que Cristo aceitou vocês e
glorifiquem a Deus.
nosso pai e nosso
rei. Senhor, individualmente, muitas
vezes a gente se comporta como zelosos
da
lei, como aqueles apegados a tradições,
a dogmas, a
doutrinas, como aqueles que muitas vezes
são extremamente restritivos e
exclusivos, como aqueles que constróem
muros e colocam limites nas coisas.
Mas, Senhor, há
necessidade de sermos lançados ao
chão para podermos entender que o teu
evangelho é o rompimento de barreiras,
de limites, de restrições, de
exclusivismos.
É um evangelho
radicalmente inclusivo e
acolhedor. Nos ajude, Senhor, a
abandonarmos a a violência em nome da
religião. Nos ajude, Senhor, a
abandonarmos a religião
violenta. nos ajude, Senhor, a
acolhermos em
amor uma religião que sofre, uma
espiritualidade que
sofre, porque o destino, Senhor,
daqueles que te servem, daqueles que te
seguem, é sofrer por amor e não causar
sofrimento em nome do
amor. Nós nos colocamos em tuas mãos, em
nome de Cristo. Amém.

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