STORYTELLING NO SERMÃO? – PEDRO DULCI
19/05/2025
STORYTELLING NO SERMÃO? – PEDRO DULCI
Jesus contava histórias muito bem elaboradas, que instruíam profundamente sua audiência. Como pregadores podem aprender com isso sem cair no exagero de ‘tentar imitar Jesus’? O pastor Pedro Dulci fala sobre a importância de o pregador conhecer bem tanto a sua igreja quanto a Bíblia.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
[Música] Agora, antes de eu caminhar aqui mais pro final, eu tenho uma pergunta relacionada a o quanto nós podemos imitar Jesus. Sabe por quê? Porque às vezes as pessoas querem eh fazer absolutamente tudo que Jesus fazia exatamente igual, né? E aí eu digo: "Tá bom, então vai caminhar sobre as águas, depois você fala comigo". Mas a Jesus contava histórias, certo? Ele contava histórias que falavam ah, faziam conexões com a Escritura, com o Antigo Testamento e tudo mais, mas ele contava histórias. Isso significa, Pedro, que então agora eu tenho que subir no púlpito da minha igreja e ao invés de ler Gênesis, ao invés de ler a o Antigo Testamento ou o Novo Testamento, eu tenho que pensar numa historinha legal que vá resumir ideias dali e pregar isso. Eu tenho que talvez usar a inteligência artificial para dizer: "Cria uma história juntando a história de Gênesis e de Êxodo." E é isso que significa imitar Jesus e seu ensino? Não, né? Não, isso é um, isso inclusive é uma tentação muito grande, né? Fica parecendo, principalmente entre os jovens pregadores, assim, se ele não fizer uma introdução com uma contextualização do último filme, da última notícia, ele não começou bem o sermão dele. Ele não pode, ele não pode começar sem isso. Eu acho que não é, não é sobre isso. Um dos últimos capítulos, que é um capítulo curto, mas eh o título é justamente Mais do que um contador de histórias, a genialidade de Jesus não diz respeito só. E aí, aí sim a gente tem que fazer essa essa esse disclaimer que é não é não diz respeito só a retórica dele, a como ele era intencional, como ele usava bem as palavras. O Senhor Jesus é mais do que um contador de histórias. Ele é mais do que só um gênio, só um grande pensador. E ele falava daquilo que ele era o clímax e o cumprimento. Então quando ele faz essas conexões de Antigo e Novo Testamento e ele se coloca diante dali das pessoas, elas estão diante do Redentor. Eu me lembro de uma outra passagem também em Lucas que é a gente carinhosamente chama de caminho de Emaús, porque começa a narrativa dizendo que estavam dois discípulos indo rumo a Emaú e o Senhor Jesus apareceu. começa a conversar com eles, ele fala e aí diz o texto que ele começando dos profetas, dos escritos, vai mostrando como que tudo dava testemunho dele. Tem uma dimensão que a gente não consegue imitar a Cristo porque não é sobre nós, não é sobre a nossa história, sobre a nossa rete. Você não é o centro do evangelho, Pedro? É, você não é isso aí é isso é loucura, isso é absurdo, mas infelizmente muito comum hoje em dia. Fica é soua muito absurdo, mas é muito comum hoje em dia. E a fronteira está justamente aí de nós sermos chamados a essa a beleza dessa dimensão do ensino, mas a sombra de Cristo, destacando ele como que tudo fala sobre ele, da genialidade dele, da suficiência e eficácia da obra dele. E inclusive isso não tem que nos desanimar, isso tem que inclusive nos descansar, que não vai depender, em última instância dos meus melhores argumentos. das minhas melhores construções, porque a gente às vezes falha mesmo, a gente não tem esse brilhantismo todo não. E se quiser usar uma ferramenta eh de inteligência artificial, ela não vai conseguir ser eficaz como é a palavra de Deus, operando no poder do Espírito Santo do coração das pessoas. Isso tem que nos descansar. Aí a genialidade de Jesus assume um outro patamar, uma genialidade divina, uma genialidade humana. Não é uma sabedoria humana, carnal, animal, como Thiago vai dizer, é uma sabedoria divina. E essa é a fronteira. E é e é isso que essa fronteira criacional é que nos nos afasta de Cristo, mas também que nos permite descansar em Cristo, a genialidade dele, porque ele é mais que um contador de histórias. Aquele esse é o cumprimento da vida dele. Tudo aquilo que Deus falou no Antigo Testamento encontra cumprimento em Cristo Jesus. Eh, a vida dele é muito importante, não é a nossa. A a nossa só tem importância quando tá escondida dentro da dele. Excelente. Amém. Amém. E e isso realmente é algo que, como você falou, tem acontecido mais nos dias de hoje com tanta teologia coaching, teologia da prosperidade e autoajuda e afirmações sobre o nosso valor em nós mesmos e não o nosso valor como derivado do pertencimento gracioso que nós temos nele, né, a ele. É, mas isso aqui nos lembra justamente histórias t seu valor e histórias inclusive podem conectar com uma parte importante que Deus nos deu como parte nos que são as nossas emoções. Mas não é o mais importante fazer uma história que emocione se para chegar a isso nós estamos deixando a palavra de lado, como se disséssemos, ela já não é tão suficiente para emocionar ou para a converter as emoções, que é muitas vezes o que as pessoas estão preocupadas do que as histórias que eu crio, né? Agora, em contrapartida, a gente também não tá dizendo, né, Pedro, que não há valor numa história, né? Então assim, você como um pregador, um reverendo, como eu tô brincando aqui, né? Mas um pregador, um pastor, eh alguém que ensina outros pastores, inclusive, como você poderia dar aqui um conselho para quem está nos ouvindo e quer também imitar essa prática de Jesus de contar bem histórias, mas ainda assim entendendo que não é 100% igual a Jesus? a lembrar que o que é mais importante do que uma história que a gente cria e conta, falar da palavra que foi criada e contada pelo próprio Deus, né? Então, como a gente consegue equilibrar essas duas coisas? Que conselho você daria nesse sentido? Olha, eu daria dois conselhos. Um depende do outro. Se eles forem eh dados sozinhos, pode ter um problema. Um conselho é o Senhor Jesus era muito atento ao dia a dia das pessoas. Então, um pregador, um professor, os ministros da palavra, pessoas que aconselham, eles têm que eles têm que conhecer seus ouvintes, assim, saber o que ouvem, o que comem, onde vivem, a a o tipo de linguagem que fala, o Shefer falava sobre isso, né? A gente não tem que aprender só o idioma, mas as formas de pensamento das pessoas. Então, é importante andar nas ruas e estar atento ao que tá acontecendo. É a primeira parte do conselho. Agora, a segunda parte é fazer como o Senhor Jesus fazia. de dar um um privilégio paraas imagens e metáforas canônicas. E o que que isso significa? Eu vou juntar as duas coisas agora. A tentação de alguém tá andando nas ruas, vendo o que que todo mundo tá fazendo. É assim, hum, eu vi que a pessoa ah sofreu um acidente no trânsito porque tava desatento, mexendo no celular. Olha aí. Aí ele pega essa imagem e transforma numa aplicação pra pessoa. Tome cuidado com a sua desatenção, porque você pode acabar no destino final. Pensei nisso aqui agora, por isso ficou mal feito. Mas é só no sentido de tom cuidado com as metáforas que você usa. Por quê? Porque algumas não são canônicas, elas não têm a chancela da escritura. Deus se revelou numa série de metáforas e imagens que devem conduzir as nossas ilustrações. Deus falou sobre paternidade, maternidade, natureza, edificações, construções. Então, conhecendo bem as imagens da Escritura e estando atento ao dia a dia das pessoas, a gente tem muita condição de conectar e de trazer ilustração, jogar luz na palavra de Deus pros nossos ouvintes. Aí sim, a gente sempre fala isso em sermão, né? Você você sabe, você é pastor também, você estudou quando tem ser, você tem que tem lá a explicação do texto, a aplicação do texto, mas tem a ilustração também. Às vezes a ilustração não ilustra, ela não joga luz, ela ela obscurece a coisa, ela ela torna mais confusa, mas ela rouba a atenção inclusive, né, da história mesmo. Exato. Às vezes a pessoa mata o sermão dela na ilustração. A o a um outro conselho que eu sempre dou, se você tem uma ilustração ruim ou mediana, não, não faça. É melhor não ter uma ilustração assim do que ilustrar dessa maneira. Agora, como que a gente não tem ilustrações melhores? Fique atento ao que as pessoas estão falando, ouvindo, vivendo e conecte com as imagens que tem chancela canônica que Deus usou para se revelar, porque a tem autoridade. Deus se apresentou assim. Deus não falou da trindade igual um ovo que tem casca, que tem clara, que tem gema. Isso é coisa nossa que a gente inventa. Não tem autoridade canônica, mas Deus me revelou com o pai. Não é assim, a gente fica ensinando isso pros meninos, pras crianças, mas eh tem que tomar cuidado porque isso é um tipo de empobrecimento. E a gente tem que confiar que a palavra de Deus é poderosa nas metáforas que ela usou para alcançar o coração das pessoas. Porque a gente pensa assim: "Ah, será que as crianças vão entender isso?" Vão. Deus Deus tem compromisso com a palavra dele. Deus não tem compromisso com as nossas metáforas, mas Deus tem compromisso com as palavras dele. A gente tem que confiar no Senhor. [Música]