Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

STORYTELLING NO SERMÃO? – PEDRO DULCI

STORYTELLING NO SERMÃO? – PEDRO DULCI

STORYTELLING NO SERMÃO? – PEDRO DULCI

Jesus contava histórias muito bem elaboradas, que instruíam profundamente sua audiência. Como pregadores podem aprender com isso sem cair no exagero de ‘tentar imitar Jesus’? O pastor Pedro Dulci fala sobre a importância de o pregador conhecer bem tanto a sua igreja quanto a Bíblia.

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Legendas automáticas:

[Música]
Agora, antes de eu caminhar aqui mais
pro final, eu tenho uma pergunta
relacionada a o quanto nós podemos
imitar Jesus. Sabe por quê? Porque às
vezes as pessoas querem eh fazer
absolutamente tudo que Jesus fazia
exatamente igual, né? E aí eu digo: "Tá
bom, então vai caminhar sobre as águas,
depois você fala comigo".
Mas a Jesus contava histórias, certo?
Ele contava histórias que falavam ah,
faziam conexões com a Escritura, com o
Antigo Testamento e tudo mais, mas ele
contava histórias. Isso significa,
Pedro, que então agora eu tenho que
subir no púlpito da minha igreja e ao
invés de ler Gênesis, ao invés de ler a
o Antigo Testamento ou o Novo
Testamento, eu tenho que pensar numa
historinha legal que vá resumir ideias
dali e pregar isso. Eu tenho que talvez
usar a inteligência artificial para
dizer: "Cria uma história juntando a
história de Gênesis e de Êxodo." E é
isso que significa imitar Jesus e seu
ensino? Não, né? Não, isso é um, isso
inclusive é uma tentação muito grande,
né? Fica parecendo, principalmente entre
os jovens pregadores, assim, se ele não
fizer uma introdução com uma
contextualização do último filme, da
última notícia, ele não começou bem o
sermão dele. Ele não pode, ele não pode
começar sem isso. Eu acho que não é, não
é sobre isso. Um dos últimos capítulos,
que é um capítulo curto, mas eh o título
é justamente Mais do que um contador de
histórias, a genialidade de Jesus não
diz respeito só. E aí, aí sim a gente
tem que fazer essa essa esse disclaimer
que é não é não diz respeito só a
retórica dele, a como ele era
intencional, como ele usava bem as
palavras. O Senhor Jesus é mais do que
um contador de histórias. Ele é mais do
que só um gênio, só um grande pensador.
E ele falava daquilo que ele era o
clímax e o cumprimento. Então quando ele
faz essas conexões de Antigo e Novo
Testamento e ele se coloca diante dali
das pessoas, elas estão diante do
Redentor. Eu me lembro de uma outra
passagem também em Lucas que é a gente
carinhosamente chama de caminho de
Emaús, porque começa a narrativa dizendo
que estavam dois discípulos indo rumo a
Emaú e o Senhor Jesus apareceu. começa a
conversar com eles, ele fala e aí diz o
texto que ele começando dos profetas,
dos escritos, vai mostrando como que
tudo dava testemunho dele. Tem uma
dimensão que a gente não consegue imitar
a Cristo porque não é sobre nós, não é
sobre a nossa história, sobre a nossa
rete. Você não é o centro do evangelho,
Pedro? É, você não é isso aí é isso é
loucura, isso é absurdo, mas
infelizmente muito comum hoje em dia.
Fica é soua muito absurdo, mas é muito
comum hoje em dia. E a fronteira está
justamente aí de nós sermos chamados a
essa a beleza dessa dimensão do ensino,
mas a sombra de
Cristo, destacando ele como que tudo
fala sobre ele, da genialidade dele, da
suficiência e eficácia da obra dele. E
inclusive isso não tem que nos
desanimar, isso tem que inclusive nos
descansar, que não vai depender, em
última instância dos meus melhores
argumentos. das minhas melhores
construções, porque a gente às vezes
falha mesmo, a gente não tem esse
brilhantismo todo não. E se quiser usar
uma ferramenta eh de inteligência
artificial, ela não vai conseguir ser
eficaz como é a palavra de Deus,
operando no poder do Espírito Santo do
coração das pessoas. Isso tem que nos
descansar. Aí a genialidade de Jesus
assume um outro patamar, uma genialidade
divina, uma genialidade humana. Não é
uma sabedoria humana, carnal, animal,
como Thiago vai dizer, é uma sabedoria
divina.
E essa é a fronteira. E é e é isso que
essa fronteira criacional é que nos nos
afasta de Cristo, mas também que nos
permite descansar em Cristo, a
genialidade dele, porque ele é mais que
um contador de histórias. Aquele esse é
o cumprimento da vida dele. Tudo aquilo
que Deus falou no Antigo Testamento
encontra cumprimento em Cristo Jesus.
Eh, a vida dele é muito importante, não
é a nossa. A a nossa só tem importância
quando tá escondida dentro da dele.
Excelente. Amém. Amém. E e isso
realmente é algo que, como você falou,
tem acontecido mais nos dias de hoje com
tanta teologia coaching, teologia da
prosperidade e autoajuda e afirmações
sobre o nosso valor em nós mesmos e não
o nosso valor como derivado do
pertencimento gracioso que nós temos
nele, né, a ele. É, mas isso aqui nos
lembra justamente histórias t seu valor
e histórias inclusive podem conectar com
uma parte importante que Deus nos deu
como parte nos que são as nossas
emoções. Mas não é o mais importante
fazer uma história que emocione se para
chegar a isso nós estamos deixando a
palavra de lado, como se disséssemos,
ela já não é tão suficiente para
emocionar ou para a converter as
emoções, que é muitas vezes o que as
pessoas estão preocupadas do que as
histórias que eu crio, né? Agora, em
contrapartida, a gente também não tá
dizendo, né, Pedro, que não há valor
numa história, né? Então assim, você
como um pregador, um reverendo, como eu
tô brincando aqui, né? Mas um pregador,
um pastor, eh alguém que ensina outros
pastores, inclusive, como você poderia
dar aqui um conselho para quem está nos
ouvindo e quer também imitar essa
prática de Jesus de contar bem
histórias, mas ainda assim entendendo
que não é 100% igual a Jesus? a lembrar
que o que é mais importante do que uma
história que a gente cria e conta, falar
da palavra que foi criada e contada pelo
próprio Deus, né? Então, como a gente
consegue equilibrar essas duas coisas?
Que conselho você daria nesse sentido?
Olha, eu daria dois conselhos. Um
depende do outro. Se eles forem eh dados
sozinhos, pode ter um problema. Um
conselho é o Senhor Jesus era muito
atento ao dia a dia das pessoas. Então,
um pregador, um professor, os ministros
da palavra, pessoas que aconselham, eles
têm que eles têm que conhecer seus
ouvintes, assim, saber o que ouvem, o
que comem, onde vivem, a a o tipo de
linguagem que fala, o Shefer falava
sobre isso, né? A gente não tem que
aprender só o idioma, mas as formas de
pensamento das pessoas. Então, é
importante andar nas ruas e estar atento
ao que tá acontecendo. É a primeira
parte do conselho. Agora, a segunda
parte é fazer como o Senhor Jesus fazia.
de dar um
um privilégio paraas imagens e metáforas
canônicas. E o que que isso significa?
Eu vou juntar as duas coisas agora. A
tentação de alguém tá andando nas ruas,
vendo o que que todo mundo tá fazendo. É
assim, hum, eu vi que a pessoa ah sofreu
um acidente no trânsito porque tava
desatento, mexendo no celular. Olha aí.
Aí ele pega essa imagem e transforma
numa aplicação pra pessoa. Tome cuidado
com a sua desatenção, porque você pode
acabar no destino final. Pensei nisso
aqui agora, por isso ficou mal feito.
Mas é só no sentido de tom cuidado com
as metáforas que você usa. Por quê?
Porque algumas não são canônicas, elas
não têm a chancela da escritura. Deus se
revelou numa série de metáforas e
imagens que devem conduzir as nossas
ilustrações. Deus falou sobre
paternidade, maternidade, natureza,
edificações, construções. Então,
conhecendo bem as imagens da Escritura e
estando atento ao dia a dia das pessoas,
a gente tem muita condição de conectar e
de trazer ilustração, jogar luz na
palavra de Deus pros nossos ouvintes. Aí
sim, a gente sempre fala isso em sermão,
né? Você você sabe, você é pastor
também, você estudou quando tem ser,
você tem que tem lá a explicação do
texto, a aplicação do texto, mas tem a
ilustração também. Às vezes a ilustração
não ilustra, ela não joga luz, ela ela
obscurece a coisa, ela ela torna mais
confusa, mas ela rouba a atenção
inclusive, né, da história mesmo. Exato.
Às vezes a pessoa mata o sermão dela na
ilustração. A o a um outro conselho que
eu sempre dou, se você tem uma
ilustração ruim ou mediana, não, não
faça. É melhor não ter uma ilustração
assim do que ilustrar dessa maneira.
Agora, como que a gente não tem
ilustrações melhores?
Fique atento ao que as pessoas estão
falando, ouvindo, vivendo e conecte com
as imagens que tem chancela canônica que
Deus usou para se revelar, porque a tem
autoridade. Deus se apresentou assim.
Deus não falou da trindade igual um ovo
que tem casca, que tem clara, que tem
gema. Isso é coisa nossa que a gente
inventa. Não tem autoridade canônica,
mas Deus me revelou com o pai.
Não é assim, a gente fica ensinando isso
pros meninos, pras crianças, mas eh tem
que tomar cuidado porque isso é um tipo
de empobrecimento. E a gente tem que
confiar que a palavra de Deus é poderosa
nas metáforas que ela usou para alcançar
o coração das pessoas. Porque a gente
pensa assim: "Ah, será que as crianças
vão entender isso?" Vão. Deus Deus tem
compromisso com a palavra dele. Deus não
tem compromisso com as nossas metáforas,
mas Deus tem compromisso com as palavras
dele. A gente tem que confiar no Senhor.
[Música]

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