Um modelo do reino
09/05/2025
A partir da fala de Jesus surge uma nova perspectiva de teologia pública.
Reino; Jesus; teologia pública
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Fonte: Missão na Íntegra
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Lucas 22:24 a 30 diz: "Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser maior, mas Jesus lhes disse: "Os reis dos povos dominam sobre eles e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como menor, e aquele que dirige seja como que serve. Pois qual é o maior? Quem está à mesa ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Pois no meio de vós eu sou com quem serve. Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. Assim como meu Pai me confiou no reino, eu voulo confio, para que comais e bebais a minha mesa no meu reino, e vos assentareis em tronos para julgar as 12 tribos de Israel. Jesus fala nesse texto sobre os reis dos povos, algo histórico, geograficamente definível e politicamente compreensível. A primeira coisa a se notar aqui é a crítica que Jesus faz sobre o modo como os homens se relacionam com poder. Ele diz que tanto a forma de exercer a autoridade como a de reconhecê-la estão erradas. As pessoas não apenas se submetem aos que lhe detém poder, como acreditam dever-lhes gratidão, reconhecendo-os como benfeitores. A ironia que é clara para a maioria de nós, não só teólogos, clicos e filósofos, como também sociólogos, antropólogos, cientistas, políticos e historiadores, a noção de que o povo se opõe a qualquer forma de opressão e tirania e que deseja, acima de tudo, a liberdade e o exercício da democracia é aqui destruída por Jesus. É preciso, porém, esclarecer melhor as palavras de Jesus. Sua crítica visa mostrar que os homens perderam os referenciais do que é autoridade e o que significa estar sob a sua lógica. Dos tempos de Jesus até os nossos dias, isso não mudou. A maior parte do mundo hoje está sobo de déspotas e ditadores. Basta olharmos para as nações de modo geral para termos uma ideia do tamanho do mundo não democrático. Há pouquíssimas nações realmente democráticas. Jesus foi preciso em seu diagnóstico ao tratar da questão da autoridade. Pensar no reino de Deus e na missão do cristão deve ter como pano de fundo esse diagnóstico. O reino de Deus se opõe a tudo que está aí. Jesus é pedagógico. É como se ele dissesse: "Olha, vocês querem saber quem é o maior? Vocês estão pensando com categorias erradas. No mundo, os reis dominam, os povos são mantidos sob pesado julgo por ditadores fascínas, autocratas, que são aclamados como benfeitores. Vós não sois assim, ensina Jesus. O reino de Deus deve ser visto a partir dessa perspectiva. Não é apenas um novo governo, mas uma nova humanidade, um novo modo de ver a autoridade e nossa relação com ela. Vós não sois assim, adverte Jesus. Não somos como os tiranos e ditadores que usam seu poder para oprimir. Em nossas instituições políticas, mesmo em países ocidentais, os líderes têm sido divinizados, colocam-se além do bem e do mal, tornam-se surdos as críticas e refratários a qualquer vento de mudança. São em si mesmos de raciocínio obtuso e vontade impotente. O poder corrompe, ensinava o sábio. As palavras de Jesus ecoam as mesmas verdades. No meio evangélico também é comum a edificação de líderes, pastores de quem ninguém se aproxima, porque estão envoltos em uma aula de superioridade, de intocabilidade, homens que se colocam para além da frivolidade da vida humana. São tratados como deuses e nós sorrimos para eles como que a lhes reiterar nossa admiração cega e nossa submissão incondicionada. Jesus segue na contramão dessa tendência, mas vós não sois assim, nos diz ele. Disso emerge uma das dimensões constitutivas da missão da redenção, a redefinição dos relacionamentos humanos. Muda-se a forma como se exerce a autoridade, bem como o modo de se submeter a ela. Não devemos imaginar, contudo, que uma mudança dessa magnitude possa se dar de modo imediato. Ela virá como resultado de um longo processo educativo, porque os homens não se livram facilmente de uma prática tão arraigada. Tokville ensinava que os vícios do sistema são mais fortes que as virtudes do indivíduo. Livrar-se dos vícios do sistema leva tempo. Jesus então invete a lógica tradicional do mundo da política. Ele diz: "O maior entre vós seja como menor. Aquele que dirige seja como quem serve. O verdadeiro poder está em servir, não em ser servido. Que consequências seguiriam a isso? Em primeiro lugar, uma nova mentalidade. Os políticos deixariam de se ver como uma elite que se beneficia dos vícios do sistema. Em segundo lugar, as práticas clientelistas e fisiológicas passariam a ser condenadas, dando lugar à ética e ao compromisso com o bem público. Em terceiro lugar, a política passaria a ser vista como vocação, não como carreira, como um serviço, não como um fim em si mesmo. Em quarto lugar, a humanização do poder e dos homens que o exercem. aconteceria a errupção na política dos valores do reino de Deus teria como consequência a instauração de uma nova forma de governar, de uma nova maneira de dispensar o Estado e a sua função. O ser humano público seria o guardião das leis e o defensor da ética na vida política. Obviamente que estamos falando de uma sociedade dela, mas isso não deve nos fazer esquecer que o reino dos céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura em três medidas de farinha até que ele se espalhe por toda a massa. Mateus 13:33. Com a chegada do reino, seja chega também um novo modo de se fazer política. Os que detém o poder servirão aos que não os que não o têm. O povo não será escravo de désputas e ditadores, mas usufruirá de sua liberdade constitutiva. Por ser livre, será também responsável por sua história. Acima de tudo, com a chegada do reino, chega também a exigência de denunciar as estruturas da morte, os estados despóticos, a corrupção dos costumes políticos, a ignorância do povo. A missão redentora é pensada a partir do novo horizonte traçado pelo reino de Deus. Seu ponto de vista, os valores do reino. Sua agenda, as promessas do reino. Seu desafio, a educação dos homens. sua recompensa.