Um Novo Encontro, um Novo Nome – Filipe Fontes
21/05/2025
Um Novo Encontro, um Novo Nome – Filipe Fontes
Descubra como Deus transforma vidas por meio da Sua graça poderosa! Nesta mensagem inspiradora, baseada em Gênesis 32, o Pr. Filipe Fontes explora a jornada de Jacó, desde seus desafios e pecados passados até o seu encontro transformador com Deus no vale do Jaboque. Com humildade, fé e entrega, Jacó é quebrantado e recebe um novo nome – Israel – marcando o início de uma nova identidade e propósito em sua vida.
INFORMAÇÕES:
Pastor: Filipe Fontes
Passagem: Gênesis 32
Série: O Triunfo da Graça na História de Isaque e Jacó
Pregação número: 8 de 11
#ipsantoamaro #presbiteriana #doutrinadasalvação #sãdoutrina #escolabíblicadominical #pregação #jesus
CAPÍTULOS:
00:00 – Abertura
00:28 – Leitura
06:45 – Oração
08:25 – A graça sempre vence – Parte 2
14:55 – Tema 3
21:44 – Tema 4
25:30 – Tema 5
26:55 – O Vale do Jaboque
30:57 – Jacó busca a bênção
37:18 – Jacó prevalece diante de Deus
41:26 – Jacó e Esaú
43:18 – O sol nasce para Jacó
45:37 – A porta do reino dos céus
47:57 – Conhecendo o Vale de Jaboque
53:14 – Oração
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Sobre a música de abertura
Música: Louvai a Deus, soberano Senhor (Hinário Novo Cântico nº16). Título original em português: Louvor a Deus
Compositor: Stralsund Gesangbuch (1665), Joachim Neander (1680)
Ficha Técnica
Arranjos e produção musical: Samuel Cintra Santos
Gravação, mixagem e masterização: SCS Produções
Produção: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro
ISRC: BR-075-22-00001
Legendas automáticas:
Uma das manifestações da bondade do Senhor para conosco é a sua revelação, a sua palavra que nos guia, nos conduz, nos orienta ao longo da nossa vida como povo de Deus neste mundo. Por isso, eu os convido a abrir a palavra do Senhor no livro do Gênesis, capítulo 32. Gênesis 32. Farei a leitura de todo o texto, todo este capítulo, para quem leu 78 versículos na semana passada, 31 é pouco, né? Gênesis 32. farei a leitura e peço que os irmãos acompanhem silenciosamente, recebam com fé a palavra do nosso Senhor, que diz assim: "Também Jacó seguiu o seu caminho e os anjos de Deus foram encontrar-se com ele. Quando Jacó os viu, disse: "Este é o acampamento de Deus". e deu à aquele lugar o nome de Manaim. Então Jacó enviou mensageiros adiante de si, a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom, e lhes deu esta ordem: "Assim vocês falarão a meu Senhor Esaú: "O seu servo Jacó manda dizer isto: Como estrangeiro, morei com Labão, em cuja companhia fiquei até agora. Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas. Envio este comunicado a meu Senhor para encontrar favor na sua presença. Os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: "Fomos até o seu irmão Esaú. também ele está vindo para se encontrar com o Senhor e 400 homens estão com ele. Então, Jacó teve medo e ficou angustiado. Dividiu em dois grupos o povo que estava com ele e também os rebanhos, os bois e os camelos. Pois pensou: "Se Esaú vier e atacar um grupo, o outro grupo escapará". E Jacó orou: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: "Volte para a sua terra e para a sua parentela, e eu farei bem a você. Sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tenho usado para com o teu servo. Pois com apenas o meu cajado atravessei esse Jordão. Já agora sou dois grupos. Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque temo que ele venha e ataque a mim e às mães com os filhos. Pois tu disseste: "Certamente serei bondoso com você e lhe darei uma descendência como areia do mar, que de tão numerosa não se pode contar". Depois de passar ali aquela noite, Jacó se deparou do que tinha consigo, um presente ou separou do que tinha consigo um presente para o seu irmão Esaú. 200 cabras e 20 bodes, 200 ovelhas e 20 carneiros, 30 camelas, 30 camelas de leite com suas crias, 40 vacas e 10 touros, 20 jumentas e 10 jumentinhos. Entregou-os aos seus servos, cada rebanho a parte. E então disse aos servos: "Vão à minha frente e deixem espaço entre rebanho e rebanho." Ordenou ao primeiro servo, dizendo: "Quando Esaú, meu irmão, se encontrar com você e perguntar: "De quem você é? Para onde você vai? De quem são esses animais que você vem trazendo?" Responda: "São do seu servo Jacó. É um presente que ele está enviando ao meu Senhor Esaú. E eis que ele mesmo vem vindo atrás de nós. Jacó ordenou também ao segundo, ao terceiro e a todos os que vinham conduzindo os rebanhos. É assim que vocês devem falar com Esaú quando se encontrarem com ele. Também dirão: "Eis que o seu servo Jacó vem vindo atrás de nós". Porque Jacó pensava: "Sim, eu o aplacarei com o presente que me antecede. Depois eu o verei pessoalmente e talvez ele me dê boa acolhida." Assim mandou os presentes à sua frente. Ele, porém, ficou aquela noite no acampamento. Naquela mesma noite, Jacó se levantou, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus 11 filhos, e transpôs o val do Jaboque. Reuniu todos e fez com que passassem o ribeiro. Também fez passar tudo o que lhe pertencia. Jacó ficou sozinho e um homem lutava com ele até o romper do dia. Vendo este que não podia com Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de modo que a junta da coxa de Jacó se deslocou na luta com o homem. Então o homem disse: "Deixe-me ir, pois já rompeu o dia". Jacó respondeu: "Não o deixarei ir se você não me abençoar". Então o homem perguntou: "Como você se chama?" Ele respondeu: Jacó. Então disse: "Seu nome não será mais Jacó, e sim Israel, pois você lutou com Deus e com os homens. e prevaleceu. Jacó disse: "Por favor, diga-me como você se chama." Ele respondeu: "Por que você pergunta pelo meu nome?" E o abençoou ali. Jacó deu aquele lugar o nome de Peniel, pois disse: "Vi Deus face a face, e a minha vida foi salva". Nasceu-lhe o sol quando ele atravessava Peniel e mancava por causa da coxa. Por isso, os filhos de Israel não comem até hoje o nervo do quadril na articulação da coxa, porque o homem tocou a articulação da coxa de Jacó no nervo do quadro. Vamos orar, irmãos, e clamar ao Senhor pela bênção da iluminação. Senhor, nós acabamos de ler a tua palavra, palavra que é instrução do Senhor ao teu povo. Palavra que é bela, palavra que é poder do Senhor. E nós queremos, ó Deus, não apenas contemplar a beleza do texto escrito há tanto tempo atrás, mas nós queremos contemplar a beleza do Senhor, queremos contemplar a beleza do teu filho nesta manhã. Por isso, nós te pedimos, ó Deus, tem misericórdia de nós. Toma-nos em tuas mãos o servo que fala e os servos que ouvem, para que todos nós sejamos impactados pelo poder da tua palavra e sejamos sobretudo transformados pelo poder dela nesta manhã. Cuida de nós, Senhor, daquela maneira paternal e cuidadosa, como o Senhor tem feito ao longo de tanto tempo. É a nossa oração em nome de Jesus. Amém. Irmãos, esse é o nosso oitavo sermão na nossa série sobre a vida de Jacó. A série que nós intitulamos A graça sempre vence. No domingo passado, na nossa última mensagem, nós vimos que, depois de 20 anos conflituosos com Labão, Jacó começa a sua jornada de volta para casa. Ele saiu de casa um derrotado, mas ele está retornando para casa um vitorioso. Não exatamente porque Labão tenha facilitado a sua vida, nós vimos isso na semana passada, nem porque ele Jacó fosse sábio perspicais, mas porque a graça do Senhor esteve sobre ele, porque ele era um escolhido do Senhor. As promessas do Senhor estavam sobre Jacó. Ao final de Gênesis 31, o capítulo que nós estudamos na última semana, Jacó está livre para voltar. Mas preste atenção no que eu vou dizer agora. Estar livre é diferente de estar pronto. Antes de colocá-lo na terra prometida de volta, Deus precisa terminar aquilo que ele começou a fazer no coração de Jacó ao longo de todo o seu tempo de trevas. E é o que nós vemos acontecer neste capítulo, no qual finalmente Jacó é vencido pela graça de Deus. O texto começa com o novo encontro de Jacó com os anjos do Senhor. Ele não diz exatamente o que aconteceu por ocasião deste encontro, mas isto não é necessário, porque essa não é a primeira vez que anjos aparecem a Jacó. Eles apareceram para ele em Gênesis 28, quando ele estava saindo da terra prometida em direção a Padã Arã. E naquela ocasião, a aparição dos anjos foi um sinal de que Deus estaria com ele durante os seus dias de escuridão. A situação agora é bem semelhante. Ele está voltando de Padarã para a terra prometida. Ele acabou de cruzar a fronteira para a terra onde o Senhor havia o destinado. E então ele tem um novo encontro com os anjos do Senhor. Por analogia, nós podemos concluir que é como se Deus estivesse dizendo a ele: "Jacó, como eu fui com você na ida? Eu serei com você na volta. Assim como eu cuidei de você para que você fosse alcançado por minha graça ao longo do seu tempo de escuridão, eu cuidarei de você ao longo do seu retorno para a luz. Lembre-se de um detalhe. Durante o tempo em Padã Arã, Jacó enfrentara um problema com um homem, o seu sogro Labão, e tinha prevalecido contra ele por causa da graça de Deus. Agora, voltando para casa, Jacó tinha problemas com um outro homem para resolver. o seu irmão Esaú. Afinal de contas, pecados do passado não podem ser ignorados como se eles nunca tivessem acontecido. Muitas vezes isso é o que nós queremos fazer. Nós pecamos em nosso passado, nós rompemos relacionamentos em nosso passado, nós estragamos coisas no passado e então nós nos reconciliamos com Deus e imaginamos que não há nada a fazer em relação à circunstância que nós estragamos, em relação aos relacionamentos que nós quebramos. Nós imaginamos que isso passa uma borracha sobretudo e nós não temos que fazer absolutamente nada. Isto não é assim. Os pecados do passado, embora sejam perdoados por Deus para efeito de condenação, eles não têm mais nenhuma conta. Mas para efeito de reconstrução da nossa vida neste mundo, nós não podemos seguir em frente sem que eles sejam tratados. Jacó está sendo transformado, mas parte da sua transformação significa encontrar-se com Esaú. E o encontro com os anjos era a fonte de encorajamento que Jacó precisava para se deparar com o seu novo problema. Como consequência desse encontro com os anjos, Jacó deveria ter pensado mais ou menos o seguinte: "Posso ir em paz? Não preciso usar artifícios duvidosos como eu usei até aqui, porque eu tenho evidências suficientes de que eu posso confiar no poder invisível de Deus". E talvez tenha sido o que ele pensou de imediato. E é por isso que o texto do encontro com os anjos se move para o plano de Jacó de encontrar-se com Esaú. Jacó parece estar no caminho do arrependimento e a disposição que ele tem para encontrar-se com o seu irmão já é uma evidência disso. Uma outra evidência são as palavras que Jacó profere através dos seus servos a no encontro com Esaú. O texto diz no versículo 3 que ele envia alguns mensageiros a Esaú com a seguinte ordem, versículos 4 e5. Assim vocês falarão, preste atenção essa expressão, ao meu Senhor Esaú, o seu servo Jacó manda dizer isso. Como estrangeiro, morei com Labão, em cuja companhia fiquei até agora. Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas. Envio este comunicado a meu Senhor para encontrar favor na sua presença. Irmãos, o que acontece aqui é algo impensável. Jacó chama Esaú de seu Senhor e se denomina seu servo. De maneira voluntária, Jacó retorna à aquela posição de subordinado da qual ele tinha feito tudo para sair anteriormente. E perceba, ele parece renunciar à sua parte na herança. Essa informação que ele dá Esaú a respeito das riquezas que ele tinha adquirido, tenho bois, tenho ovelhas, tenho servos e servas, tem sido interpretada dessa maneira, como se ele tivesse dizendo: "Eaú, eu não preciso dos recursos que foram deixados pelo nosso pai. Eles são seus, porque Deus me abençoou de outra maneira. Tudo o que Jacó desejava de imediato parecia ser restaurar o relacionamento quebrado com o seu irmão. No entanto, sempre há um, no entanto, seus mensageiros voltam com uma notícia meio ameaçadora. O versículo 6 diz que eles retornam a Jacó e dizem: "Fomos até o seu irmão Esaú também ele está vindo para se encontrar com o Senhor. Até aqui tá lindo, né? Parece que a gente vai encontrar duas pessoas no meio do caminho que vão se abraçar e vão se reconciliar." E eles colocam um adendo e 400 homens estão com ele. Ah, eu não sei como é que você lê isso, mas não parece o anúncio de uma recepção calorosa. Não parece o anúncio de um irmão disposto a perdoar e a esquecer. Pelo contrário, parece um guerreiro conduzindo um exército para acabar com o seu inimigo. E eu quero que você se coloque no lugar de Jacó nesse momento e imagine os pensamentos que poderiam ter passado na mente dele nesta ocasião. Por que isso está acontecendo comigo? Pela primeira vez em toda a minha vida. Eu estou tentando fazer tudo certo e parece que está dando tudo errado. Era melhor ter deixado isso para lá ao invés de tentar resolver o meu problema com o meu irmão. Você já deve ter tido essa experiência e sabe o quão doloroso é ter as suas intenções mal compreendidas. Mas, irmãos, é nesses momentos que nós descobrimos se nós estamos de fato bem intencionados, se nós estamos fazendo a coisa certa porque nós amamos a Deus e desejamos agradá-lo. ou se nós estamos fazendo a coisa certa por razões egoístas, tais como aliviar a nossa consciência ou tornar a nossa vida mais tranquila. Quando a nossa principal motivação é agradar a Deus, então nós perseveramos em fazer a coisa certa, mesmo quando fazer a coisa certa nos traz mais problemas. Mesmo quando fazer a coisa certa nos traz ainda mais perseguição. Quando nós estamos movidos por motivos egoístas e a perseguição nos vem por estarmos fazendo coisas certas, então nós abrimos mão daquilo que estamos fazendo para não sofrer perseguição. E de certa forma o que Jacó faz é perseverar. A continuidade do texto mostra que Jacó não desiste de voltar. Jacó permanece disposto a se reconciliar com o seu irmão. Gente, ele parece estar tão inclinado a isso que ele faz algo que o texto não o tinha mostrado fazer em toda a sua história. O que é que Jacó faz? Jacó ora. E não é uma oração qualquer, é a maior oração registrada no Pentateuco, no qual ele ou na qual ele reconhece a sua indignidade, ele apela às promessas do Senhor e ele clama por livramento do seu irmão, expressando não apenas uma preocupação consigo, mas expressando uma preocupação com os outros. Nem parece o Jacó que nós conhecemos. Alguma coisa parece estar acontecendo com esse homem, mas ele ainda não está completamente transformado. Porque em sua oração, Deus ainda é referido como o Deus do seu pai. Ele ainda é referido como o Deus do seu avô. Ele não é referido como o seu Deus. É, é por isso que ao mesmo tempo em que nós vemos Jacó perseverando, nós vemos Jacó temendo e se angustiando. Isso é o que diz o versículo 7. E diante do seu temor e da sua angústia, o velho homem de Jacó vem à tona mais uma vez. Primeiro para tentar encontrar um meio de evitar o desastre. Lembra? Ele é Jacó. Ele é bom nesse negócio de transformar desastres em lucro. Então, inicialmente ele traça um plano engenhoso, que é dividir as pessoas e animais em dois bandos, para que se Esaú viesse a um bando e o ferisse, o outro escapasse. Parece uma ação prudente inicialmente, mas lembra, é a ação que está tomando alguém que duas vezes foi encontrado por anjos do Senhor para dizer a ele: "Fique tranquilo e vá, eu estou com você". Além disso, o que Jacó não percebe é que fazendo isso, ele estava minando qualquer possibilidade de defesa. Ele estava dividindo o seu grupo para que ele fosse encontrado mais fragilizado pelo seu inimigo. E depois o velho homem de Jacó vem à à tona para tentar por si só aplacar a ira de seu irmão e garantir reconciliação com ele. Afinal de contas, ele é rico. Talvez algumas das suas riquezas fossem suficientes para garantir o perdão de Esaú. Eh, é por isso que ele separa alguns poucos animais. Você somou 550 e envia a Esaú através dos seus servos com uma recomendação curiosa, a de que eles não fossem entregues de uma vez. Ah, pense aí, se você fosse Jacó, pensando nessa estratégia, que que você acha que seria melhor? Você acha que seria dar um bac gigantesco com um presente que é dado a reis, tipo 550 de uma vez? Ah, Jacó pensa diferente, lembra? Ele é manipulador. Então ele quer mexer com as emoções de Esaú numa espécie de jogo psicológico. Então ele manda um pouquinho de cada vez, um pouquinho de cada vez, um pouquinho de cada vez, para que aos poucos a ira de seu irmão fosse sendo aplacada. O que eu quero que você perceba é que existe uma ambiguidade na maneira como Jacó reage aqui. Ele ora como alguém que confia, mas ele age como alguém que descrê. Jacó é a essa altura do campeonato um homem que está vivendo entre a fé e o controle. Um homem que está vivendo entre a dependência de Deus e o cálculo meticuloso. Um homem que está vivendo entre a entrega ao Senhor e a manipulação das circunstâncias, mas ele é um escolhido do Senhor. E por isso, no meio e até através dessa ambiguidade, a providência se encarregará de o encaminhar ao lugar da transformação. Nós lemos nos versículos 22 e 23 que naquela mesma noite Jacó se levantou, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus 11 filhos, e transpôs o val do Jaboque. Reuniu todos e fez com que passassem o ribeiro. E também fez passar tudo o que lhe pertencia. Veja a ambiguidade aí novamente. A segunda cena da passagem termina no versículo 21, dizendo que depois de enviar os presentes a Esaú, Jacó permaneceu no acampamento. Lembra? era noite. A nossa impressão como leitores do relato é a de que ele vai repousar, é a de que ele vai dormir. Mas a terceira cena do relato começa com ele na mesma noite, tomando a sua família e atravessando o val do jaboque. Pastor, o que que é val? Val é o trecho raso de um rio que pode ser atravessado a pé. E o nome deste rio muito revelador. Jaboque significa esvaziamento. Jacó está atravessando o rio do esvaziamento. Então, no versículo 24, nós lemos algo importantíssimo. O texto começa dizendo: "Jacó ficou sozinho." Existem muitas coisas que nós podemos fazer acompanhados. Existem muitas coisas que nós podemos fazer comunitariamente. Há muitas coisas que outras pessoas podem fazer por você. Mas existe algo nesta vida, uma pergunta nesta vida que cada um de nós precisará responder sozinho. Veja a condição de Jacó aqui. Ele tem tudo, mas ao mesmo tempo não tem nada. Ele está separado das suas mulheres. Ele está separado dos seus filhos, ele está separado dos seus servos. Ele está separado dos seus bens. E é nessa condição, sozinho, sem nada, que ele é subitamente atacado na escuridão da noite, pelo que o texto designa como um homem. O texto não diz que homem era esse? Se você tá lendo o texto, quem você imagina que é? Talvez Esaú pegou Jacó de surpresa. Talvez um malfeitor, um bandido, se aproveitando da sua condição solitária naquela ocasião. O texto não diz que homem é esse, mas diz que a luta de Jacó com ele durou a noite inteira. E essa é uma ênfase na perseverança, na teimosia de Jacó. Jacó é um homem perseverante. Até que pela manhã este homem, depois de lutar a noite inteira com Jacó, tocou a sua coxa. Presta atenção no texto. Tocou a sua coxa. E o texto diz que o quadril de Jacó se deslocou e ele se tornou um homem incapaz. Aqui nós temos o primeiro indicativo de que esse homem não era um homem qualquer. O deslocamento do quadril com um único toque, o texto não fala de uma pancada, o texto fala de um toque. Aponta para um poder, para uma força sobrenatural. E então o texto diz que depois de deixar Jacó inválido, este homem ameaça ir embora. Ele diz: "Já amanheceu, é hora de ir". E aí nós chegamos à imagem central do texto que nós lemos. Você está lendo um relato, uma narrativa. Qual é a imagem central dele? Jacó incapaz, vencido, derrotado, mas lutando com o que resta das suas forças para impedir aquele homem de ir embora e dizendo: "Eu não te deixarei ir se você não me abençoar". E aqui nós temos o segundo indicativo de que não era um homem qualquer. Jacó entendeu que o homem com quem ele estava lutando poderia ser a fonte da sua bênção, aquela que havia sido prometida por Deus. E se você está acompanhando essa série e se lembra da primeira mensagem que eu preguei oito mensagens atrás? É querer muito, né? Talvez você esteja se perguntando, pastor, o que mudou afinal? Esse homem que quer ser abençoado não é Jacó desde o começo? Inclusive, o senhor não disse na sua primeira mensagem que é isso que diferencia os dois filhos imperfeitos de Isaque e de Rebeca. é que um faz pouco caso da bênção enquanto o outro deseja ser abençoado. Sim, é verdade. Mas existe algo completamente diferente aqui. É que o Jacó de antes não quer receber a bênção, ele quer conquistar a bênção. Ele quer fazer algo por si mesmo que possa atrair o favor de Deus. O Jacó de agora, depois de tocado na sua coxa e agora inválido, ele sabe que não pode fazer isso. Ele sabe que todos os seus recursos são insuficientes e que ele depende de que a bênção lhe seja dada como uma dádiva do Senhor. E qual é a nossa expectativa nesse momento do relato? Ora, é que o homem abençoe imediatamente a Jacó, mas não é isso que acontece. Pelo menos não imediatamente. O texto diz que o homem se dirige a Jacó e lhe faz uma pergunta: "Qual é o seu nome?" Parece uma pergunta despropositada a essa altura do campeonato, não é verdade? Mas veja a beleza do relato bíblico. Qual foi a última vez que alguém perguntou neste relato todo o nome de Jacó? Foi em Gênesis 27. A pergunta foi feita por seu pai Isaque e a resposta que Jacó deu foi: "Sou Esaú, teu filho". Quando repete a pergunta, esse homem misterioso do relato leva Jacó de volta à aquele ponto chave da sua história, que dera origem aos 20 anos de trevas que ele estava terminando de experimentar e abre as portas para que ele confesse com os lábios aquilo que podia ser visto nesta segunda luta. que Jacó estava travando com ele. Sim, eu me refiro à segunda, porque embora nós costumemos enxergar apenas uma luta, existem duas lutas aqui. Existe a luta de Jacó contra o homem, que é uma luta física, acontece durante a noite e termina com o golpe na coxa. Ali acabou. Jacó estava derrotado. Esta é a primeira luta. É a luta de Jacó contra o homem. Mas existe a segunda luta. É a luta de Jacó com o homem, que é uma luta espiritual que acontece ao amanhecer e que termina com a mudança do seu nome. E ele responde: Jacó é a confissão de pecados mais curta da Bíblia. Jacó, quando declarou o seu nome, o que Jacó estava dizendo é: "Sou um trapaceiro, sou um enganador. Tenho vivido tentando enganar a mim mesmo, os outros e a Deus durante toda a minha vida." E a minha vida tem sido um fracasso até aqui. Todas essas coisas estão embutidas nesta declaração simples. Jacó. A sensação que nós temos, irmãos, quando nós lemos essa declaração é a de que a vida de Jacó está terminando, está acabando. E e ela não é uma sensação equivocada. De fato, Jacó está morrendo e uma nova pessoa está vindo à existência. Vejam, se Jacó lutando derrotado, é a imagem central desta passagem, a declaração central dessa passagem acontece agora no versículo 28, quando este homem então olha para ele depois da sua confissão de pecados e diz: "Seu nome não será mais Jacó, e sim Israel, pois você lutou com Deus e com os homens e prevaleceu. Aqui está a revelação de quem é o homem. O homem é Deus, porque apenas ele pode mudar o nome, a identidade das pessoas. Além do que a razão para a mudança do nome dada por ele é: você lutou com Deus e com os homens e prevaleceu. Ah, veja, eu sei que isso causa confusão para nós. É fácil compreender a ideia de que Jacó prevaleceu diante dos homens. Como é que isso aconteceu? A gente já leu muito da história dele até aqui. Isso aconteceu ao longo da sua história. Ora em virtude da astúcia dele na luta dele contra Esaú. Ora em virtude da graça de Deus. Apesar da tolice dele na sua luta contra Labão. Ele prevaleceu sobre os homens. Mas e diante de Deus? Não parece que Jacó tenha prevalecido nessa batalha. Afinal de contas, ele sai inválido. Mas lembre-se, são duas batalhas, não uma. E a segunda é mais importante do que a primeira. Quando este homem diz, "Você lutou com Deus e prevaleceu", ele não tá querendo dizer: "Você ganhou de Deus na mão". Não, não é isso que ele tá querendo dizer. O que ele tá dizendo é: "Você chegou no lugar onde Deus queria, completamente esvaziado, e estendeu as suas mãos vazias para receber a bênção que é dada pelo Senhor por graça e por misericórdia." Foi nesta segunda batalha que Jacó prevaleceu, não por força, não por inteligência, mas por humilhação. Irmãos, esta é a imagem do vencedor cristão. É a imagem de um homem humilhado. A graça que o fez prevalecer na batalha contra Labão o fez prevalecer na batalha com Deus. E então, para ter a certeza de que ele lutou com Deus, Jacó pede ao homem que lhe dissesse o seu nome. Diz o seu nome para mim. Ele então se recusa e ao invés de responder Jacó, diz o texto que ele o abençoa. Veja que interessante. Jacó correu atrás o tempo inteiro da bênção. Ele nunca a recebeu. Porque quando ele recebeu, ele já não era mais Jacó. Quando ele a recebeu, ele havia sido transformado na sua identidade pelo encontro com Deus. É o novo Jacó e não o velho Jacó recebe a bênção que foi prometida. E para conservar a memória desse acontecimento, versículo 30, ele nomeia aquele lugar Peniel, que significa face de Deus, porque ele diz: "Vi a Deus face a face e a minha vida foi salva". Veja, quando Jacó diz que viu a Deus face a face, ele não está dizendo que viu a fisionomia de Deus. Até porque ele lutou com o homem majoritariamente durante a noite. O que ele está dizendo é: "Tive um encontro pessoal com Deus e veja o efeito. A minha vida foi salva". Irmãos, quando Jacó viu que Esaú estava a caminho com 400 homens, ele ficou aterrorizado e ele rogou a Deus dizendo: "Livra-me das mãos de meu irmão Esaú". Preste atenção. No versículo 30, ele usa o mesmo verbo, a mesma palavra, quando diz: "Minha vida foi salva". ou minha vida foi livrada. Que que vai acontecer no capítulo 33, hein? Dá uma olhada na sua Bíblia aí. Que que vai acontecer no capítulo 33? Jacó vai se encontrar com Esaú, mas tem um encontro que precisa acontecer antes de que ele encontre o seu irmão com quem ele tem um problema. É o encontro com Jesus. Primeiro, Jacó encontra o Senhor e isso o traz libertação. Ele ele tem um encontro face a face com Deus. Agora ele está pronto para encontrar face a face o seu irmão. Porque é assim, os nossos relacionamentos horizontais, eles são determinados pelo nosso relacionamento vertical. A maneira como nos relacionamos com os outros é determinada pela maneira como nós nos relacionamos. com Deus. E o texto termina com duas informações. A primeira, versículo 31, é que o sol que havia se posto para Jacó em Gênesis 28, finalmente nasceu para ele em Peniel. Mas atenção, ele agora mancava de uma perna. Jacó está começando um novo dia. Ele agora tem um novo nome, mas ele agora também carrega uma deformidade. O nome lembrará Jacó para sempre do seu novo destino. A deformidade lembrará para sempre Jacó do seu passado, de que ele precisou ser derrubado da sua altivez de espírito, do seu orgulho, da sua autossuficiência para ser aquilo que Deus desejava que ele fosse. A segunda é que muitos anos depois, um costume ainda era praticado entre os israelitas, descendentes de Jacó. Quando eles comiam um animal, eles não comiam o nervo quadril, na articulação da coxa. Aí você disse: "Por que isso, pastor?" Era uma lembrança de que assim como foi necessário o autossuficiente Jacó ser humilhado e transformado em Israel para entrar na terra prometida, o povo de Israel não entraria na terra prometida por seus próprios esforços. Eles precisariam ser quebrados. Eles precisariam ser humilhados até aprender a depender de Deus e receber a terra como uma dádiva. Irmãos, o que é que nós aprendemos com essa história? Caminhando para o encerramento da nossa mensagem nesta manhã, eu gostaria de dizer a você que essa história nos traz duas notícias. uma boa e uma ruim. A ruim é que ninguém pode entrar no reino de Deus do jeito que está. Alguém disse que a porta do reino dos céus é baixinha. Ninguém entra nela de pé, de peito estufado e com a cabeça erguida. Todos os que entram na porta ou que passam pela porta do reino dos no reino dos céus entram prostrados, entram quebrados, entram humilhados. Essa é a notícia ruim, porque eu sei, nossa tendência, minha e sua, é a tendência altivez. Quando não se manifesta de maneira clara e absurda, se manifesta no nosso coração, na singeleza da nossa interioridade. Essa é a notícia ruim da passagem desta manhã. Você não vai entrar no reino dos céus do jeito que você está e quer entrar. A boa é que Deus mesmo se encarrega de quebrar cada um daqueles que ele escolheu. E se você for um deles, um escolhido, deixa eu dizer uma coisa a você, ele vai levar você ao lugar da transformação. Você terá que cruzar o rio do esvaziamento. um lugar onde você estará sozinho, se sentindo derrotado, mas onde você receberá um novo nome e começará a andar como alguém transformado. E o que eu quero convidar você a fazer nessa manhã, depois de ouvir esta mensagem, é refletir com muita sinceridade sobre a sua condição. E eu não quero que você responda a pergunta: "Eu sou membro de igreja, a minha família tá na igreja há 50 anos. Eu não é essa pergunta que eu quero que você responda. Eu trabalho no ministério X, eu ministério, eu trabalho no ministério Y. Eu já fiz o curso de teologia X. Eu já fiz o curso Y. Essa não é a pergunta. A pergunta mais importante da sua vida é: Você conhece este lugar? Você conhece o val da transformação? Você viu o Senhor face a face? Talvez a sua resposta seja: "Não, pastor, eu nunca estive nesse lugar. Se esse for o seu caso, a recomendação desta passagem bíblica para você nesta manhã é: não tranquilize o seu coração antes de Deus te levar para lá. Peça ao Senhor hoje, Senhor, vem ao meu encontro e revela-te a mim de maneira transformadora, como tu te revelaste ao teu servo Jacó no passado. Talvez você diga: "Pastor, minha resposta é: não sei como é que eu vou saber se isso já aconteceu comigo?" Eu já passei por muitos momentos de dificuldade, mas eu não sei se isso já aconteceu comigo. O texto dá uma pista. Dá uma pista. Como você lida com os seus pecados, especialmente com aqueles em que você feriu outras pessoas? você os minimiza, você foge da reconciliação, você simplesmente ignora a necessidade de reparar o dano, seja esse dano material ou espiritual. Quando alguém que feriu você ou alguém a quem você feriu se aproxima de você, você o recebe de armas em punho ou de braços abertos. Esse é um bom critério para discernir se você já passou pelo lugar da transformação. É um bom critério. Pessoas que já passaram pelo vale, pelo vale de Jaboque, ah, não aguentam viver facilmente com relacionamentos quebrados e rompidos. Eles não recebem os que vêm para se reconciliar com ele armados. Eles abrem os braços para fazer com os outros aquilo que Deus fez com eles quando eles se aproximaram do Senhor. Talvez você não diga não. Talvez você não diga não sei. Talvez você esteja neste lugar hoje. Talvez seja o seu dia. Talvez tudo venha dando errado para você há dias, há meses ou há anos. Se você pudesse conversar comigo agora, talvez você dizia: "Pastor, eu tô tentando fazer tudo certo, mas tá dando tudo errado". Talvez você se sinta encurralado, lutando com Deus por causa das suas circunstâncias, perguntando hoje para ele, por que comigo? Por que agora? Por que desse jeito? Se este for o seu caso, a mensagem dessa passagem para você é: siga lutando com ele. Siga lutando com ele, porque enquanto você estiver lutando com Deus, há esperança. Mais cedo ou mais tarde, ele vai tocar você e te vencer. Talvez você saia mancando. Isso acontece. Talvez você saia mancando, mas vai receber um novo nome e passará a andar como alguém transformado pela graça de Deus. Por fim, talvez você conheça bem esse lugar. Talvez você diga: "Pastor, eu me lembro como se fosse ontem, o dia em que eu atravessei o vale do esvaziamento. que talvez você carregue no corpo, na alma ou nos relacionamentos marcas desse encontro com Deus. Não é pecado orar para que Deus te livre dessas feridas. Faça isso. Ore ao Senhor e peça para que ele te livre das feridas que existiram no passado. Mas enquanto elas estiverem aí, enquanto Deus disser, você precisa conviver com elas, lembre-se, elas são mensageiras da graça de Deus. Elas estão aí para lembrar você da sua altivez, para lembrar você do seu orgulho, para lembrar você da sua tendência à autossuficiência. E são elas que Deus usa para te manter na posição de quem vive no reino de Deus, como de joelhos, quebrantado aos pés daquele que não apenas foi ferido por Deus, foi moído por causa das nossas iniquidades. ficou três dias afastado, mas ressuscitou para nos dar uma nova identidade, um novo nome e voltará para nos livrar de toda deformidade que experimentamos neste mundo. Sejam elas as causadas pela queda em pecado. Sejam elas aos as causadas pelo nosso encontro duro com Deus no val do esvaziamento. Vamos orar. Deus, obrigado porque tu fazes novas todas as coisas. Nem sempre a nossa conversão acontece com o sussurro suave e leve da voz da tua graça. O resultado é sempre suave e leve, mesmo que tenhamos que carregar as marcas desse encontro, mas muitas vezes ele é esse encontro que nos mói, que nos fere. E, ó Deus, se é assim que tu queres nos aproximar de ti, se é assim, dá-nos resiliência ao teu modo de agir e ensina-nos, ó Deus, a olhar para aquilo que tu estás fazendo na nossa vida como a atuação da tua graça, nos mantendo humildes ao teu lado, dentro do teu reino. Pai, se existe alguém aqui nessa manhã que ainda não se encontrou com Jesus Cristo desse jeito, que hoje se seja dia de encontro, que haja salvação nesse lugar e quanto aqueles que já foram alcançados por tua graça, ensina-nos, ensina-nos a viver como tu queres, rejeitando o nosso pecado, reconciliando-nos com os nossos irmãos, de braços abertos para vivermos como Um povo que foi transformado por tua graça e misericórdia. Louvado seja o teu nome. Por esta manhã é a nossa oração em nome de Jesus. Amém.