AME AQUELES QUE TE ENLOUQUECEM – HÉLDER CARDIN | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA
09/06/2025
AME AQUELES QUE TE ENLOUQUECEM – HÉLDER CARDIN | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA
Está no ar mais um Podcast Edições Vida Nova! Neste episódio, conversamos com Hélder Cardin sobre o livro "Ame aqueles que te enlouquecem", do autor Jamie Dunlop, e tratamos das seguintes questões:
– Na igreja, como é possível amar aqueles aos quais não gostamos?
– Como o amor e sacrifício de Jesus pode ser exemplo para nós de amor ao próximo?
– Como promover a unidade na igreja?
– Como o perdão se manifesta nesses contextos difíceis?
Essas e muitas outras questões são respondidas nesse podcast!
Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/ame-aqueles-que-te-enlouquecem
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
[Música] E aí, eu sou o Saor Lucena, apresentador do podcast da editora Vida Nova e seja bem-vindo a mais um episódio do nosso podcast. Aqui a gente procura conversar com autores, pastores e teólogos em geral sobre os livros lançados pela editora Vida Nova e as questões importantes que eles abordam. E no vídeo de hoje, no podcast de hoje, nós vamos conversar aqui sobre o livro Ame aqueles que em te enlouquecem. Oito verdades para promover a unidade na sua igreja do Jamie Dunlop. Se você quer entender como amar aquele irmãozinho difícil da sua igreja, aquela irmãzinha complicada, se você quer entender por que Deus colocou pessoas difíceis na nossa igreja, como é que nós podemos realmente a amá-las, ter termos amizades com essas pessoas, perdoarmos essas pessoas quando elas nos ofenderem. Se você quer entender mais a respeito dessas questões e de muitas outras sobre esse assunto, então adquira o livro, Ame aqueles que te enlouquecem e também ouça agora a nossa conversa sobre esse assunto tão importante para a igreja, para a glória de Deus. Quem vai conversar com a gente é o Élder Cardim, que já esteve aqui com a gente em outras oportunidades e agora volta para nos ajudar nesse assunto também. Élder, seja muito bem-vindo ao podcast da Vida Nova. É uma alegria ter você aqui com a gente novamente, meu irmão. Saur, privilégio meu, alegria desenvolver um pouquinho mais desse livro que a gente vai conversar aí ao longo desse bate-papo. Maravilha, eu sei que você já esteve aqui com a gente em outros episódios do podcast, sempre bom conversar com você, mas muitas pessoas podem estar chegando agora pela primeira vez. Então, eu queria te pedir que você se apresentasse um pouquinho pro pessoal, falasse um pouco do seu ministério, onde você tem servido. Conta aí pra gente como é que você tem servido ao Senhor aqui. Joia, eh, atualmente eu sou pastor na Primeira Igreja Batista em Araras há 4 anos. Eh, sou também chanceler das escolas teológicas da Palavra da Vida no Brasil. Temos três escolas: Sudeste, Nordeste e Norte. E também atualmente eu exerço a presidência da Coalizão pelo Evangelho Brasil. 25 anos de ministério pastoral, 24 anos de educação teológica. Então, e o privilégio de poder contribuir com edições Vida Nova, outras editoras também t sido uma alegria para mim. Muito bom, meu irmão. Que Deus continue te abençoando e usando aí em todas essas áreas. Sei que deve ser bem corrido aí bastante coisa, mas que o senhor continue te conduzindo. E falando em apresentações, eu acho que uma boa apresentação pra gente fazer também é a respeito do autor, né, do Jam Dun Lope. Inclusive você falou que o conhece, né? Eh, fala pra gente um pouco a respeito dele, quem é o Jamie e por que ele é alguém capacitado para escrever esse livro que nós temos em mãos. Joia. Eh, na verdade, meu conhecimento pessoal dele vem, inclusive de um tempo que eu passei lá na Capital Hill, lá nos Estados Unidos, né? Fiz um programa de de 14 dias ali de imersão no contexto da igreja, onde eu tive que naquela ocasião ler o livro dele, o Comunidade Cativ e depois esse, né? aqueles que te enlouquecem, fruto muito do ministério dele de pastoreio ali da igreja da Capol Rio como um um pastor adjunto ali junto ao Mark dever, né? Eh, uma das atuações do Dunlop, naquela ocasião a gente teve contato com isso, foi sobre toda o projeto educacional da igreja, bem como a administração que ele faz da igreja. É até interessante esse lado dele. Ele é um dos responsáveis por toda a parte administrativa financeira da igreja, né, como supervisor. Eh, até esse livro, Comunidade Cativante, muito legal de como a igreja ela reflete a glória de Deus, que é um dos pressupostos dele nesse livro. Então, é um homem muito apaixonado por pessoas, muito apaixonado pela igreja e, principalmente, Saor, pela unidade orgânica da comunidade, né? deu até eh uma ou duas palestras pra gente, né, naquele grupo que nós estávamos ali eh na igreja eh sobre essa convivência, essa comunhão, essa relação interpessoal de gente diferente numa mesma comunidade. Um cara muito legal, viu? Foi muito bom tempo ali com ele e com outros pastores da Keper Rio. Muito bom, meu irmão. Então, eh, foi aí no weekend, é assim que chama esse encontro? Foi isso aí que você passou ou foi no caso? Eh, éramos um grupo de brasileiros e nós tínhamos tipo um weekender grandão, estendido, né? O weekender era só um final de semana. Nós tivemos 10, 12 dias de tempo ali, né? Eh, foi um tempo mais estendido que o Ministério Nove Marcas proporcionou para um grupo de brasileiros. Se eu não me engano foi 2017 que eu estive lá 8 anos atrás. Muito legal. E olha só, né, rapaz? 2017 já tá 8 anos para trás, né? Que coisa o tempo tá passando muito rápido. Mas vamos então falar aqui desse livro, esse livrinho curtinho, mas com coisas muito valiosas, lições valiosas pra gente. Inclusive o livro diz aqui, né, que vai trazer oito verdades para promover a unidade. Até a vida nova fez o trabalho aqui de sublinhar a palavra unidade, que você também destacou em sua frase, para falar da unidade na sua igreja. E é interessante que é um livro para falar sobre pessoas difíceis que quer buscar a unidade, né? E você vem aí, derá muitos anos já pastoreando. Eu tô aqui no começo do meu ministério pastoral, também já tenho lidado tanto com pessoas um pouco mais fáceis, outras um pouco mais difíceis, mas a gente realmente precisa saber lidar com todas elas para buscar a unidade da igreja, né? Então, ah, o aqui no livro o Dun López vai abordar a diversas perguntas para falar sobre como a gente lida com isso. E uma das perguntas que ele busca responder é por Deus colocou pessoas difíceis em minha igreja, né? E eu acho que essa é uma pergunta que muitas vezes os pastores realmente se fazem, né? Ah, ou seja, tá ali em meio ao pastoreio, Senhor, a gente pede, Senhor, pro Senhor mandar alguém ali para capacitado, mas às vezes vem um irmãozinho que é difícil, a gente tem que lidar também. Então, por que, Hélder, por que Deus colocou pessoas difíceis na nossa igreja? Joia, ô, ô, Saor, eu, deixa eu confessar algumas coisas aqui, né? Enquanto eu lia eh o livro, especialmente esse capítulo, eh eu fiquei pensando, quem de nós não é difícil em alguma área, em alguma coisa que nós nos agarramos tanto como convicção, como jeitão, como mania? E todos nós carregamos manias e jeitão, né? Isso é natural. Eh, o problema é quando esse jeitão, essas manias, essas convicções extremamente fortes tornam-se muito mais importantes do que a unidade da igreja, né? E como você falou, né? E é muito bem grifado, é até legal aqui, né? O termo unidade, né? Circulado assim meio como se a gente rabiscasse alguma coisa de muita ênfase num livro, né? Eu fico pensando, cara, quem de nós não é difícil em alguma área, difícil em algum trato, algum jeitão ou mania que nós carregamos? Mas uma coisa muito legal que o o Dom ele trabalha nesse capítulo, né, porque Deus coloca pessoas difíceis na nossa igreja, é que ele diz que essa diversidade de pessoas numa mesma comunidade tem por propósito demonstrar a glória de Deus que é a única capaz de promover unidade. Ou seja, quando uma igreja é unida, apesar da diversidade dos seus membros, a glória de Deus é manifesta. E essa diversidade ela reflete, manifesta, engrandece a beleza do evangelho, né? Tem até uma uma citação do do Dun Lop na página 48. Ele diz assim: "Um grupo diversificado, unido por Jesus exibe mais intensamente sua glória do que um grupo homogêneo." Por que, Saur? Porque só a graça de Deus é capaz de unir gente tão diferente, tão complexa, eventualmente até antagônica nas suas preferências num corpo só chamado igreja, né? Então, Deus coloca ou permite pessoas difíceis e o tema e o livro até é engraçado, né? Ele é chamativo. Eh, ame aqueles que te enlouquecem. E eu fiquei pensando, Senhor, será que eu já enlouqueci alguém, né, minha adolescência, minha juventude, meus primeiros anos de seminarista lá em 1996, meu pastor, a paciência que ele teve comigo? Será que eu não testei a paciência dele quando eu estava aprendendo algumas coisas? E aí eu vejo, né, e como o o Dun Lop trabalha, né, o evangelho ele manifesta a glória de Deus em meio à diversidade, né? Muito bom, rapaz. Esse negócio de enlouquecer pessoas, até eu lembro que quando eu falei pra minha esposa do título desse livro, a primeira vez, ela perguntou: "É sobre o quê? É sobre criação de filhos?" É porque essa é uma coisa que assim, né, se a gente já enlouqueceu, olha, nos primeiros anos de vida, em algum momento, provavelmente, depois também tem os momentos, né, também poderia ser um livro sobre casamento facilmente com esse título aqui. Onde existe gente diferente, há naturalmente uma complexidade indigesta, tá? A complexidade ela não é ruim, mas ela é potencialmente indigesta. Cara, a gente não gosta de lidar com gente tão diferente, tão distinta, com convicções tão diferentes das nossas, né? Até numa outra página, na 172, o Dun Lope diz o seguinte: "A beleza da igreja está em sua composição imperfeita sendo transformada." E aqui há um pano de fundo, o o Sauror, que vale a pena mencionar, que é quando Dun Lope escreveu esse livro. Ele escreveu exatamente durante o COVID. onde lá pelos anos 2020, início de 21, aquele movimento Black Lives Matter surge trazendo muita tensão racial, cultural, até mesmo dentro de ambientes teológicos e eclesiásticos. E muita gente, Estados Unidos, aa e até muito legal porque às vezes o livro parece que é um testemunho do Dunlop como ele e a igreja lidaram com polarizações tão intensas dentro da Ciral Rio. Imagina se tá em Washington DC, que é a capital do país, tá? Onde boa parte das manifestações políticas se davam justamente ali e muitas das pessoas da igreja estavam nessas manifestações favoráveis e contrárias. né? E aí chega o Dun Lope e diz: "A beleza da igreja está em sua composição imperfeita sendo transformada?" Cara, é isso aí, né? Pessoas imperfeitas compõem um corpo naturalmente e humanamente imperfeito, mas sendo transformada pelo evangelho para que alcance a sua unidade gloriosa em Cristo Jesus, né? Isso é bonito demais, cara. Amém. Amém. É aquela demais, é aquela frase, né, que às vezes a gente fala, né, alguém chega pra gente: "Ah, eu não quero ir pra igreja porque lá tem muito hipócrita". E aí a gente fala, né? Mas meu irmão, tem espaço para mais um, né? Tem espaço para para mais um e perfeito. Tem mais um ali que também enlouquece, que pode ser você, né? E eu acho que esse destaque que você faz logo de início é muito bom pra gente chamar a autorreflexão, porque alguém pode ler esse título e começar simplesmente a pensar, né, nos irmãozinhos lá que são mais difíceis. Ô, cada isso a gente pode tem uns, cada um de nós tem uma listinha. Ex. Exatamente. Exatamente. Alguns inclusive com o nome circulado em vermelho desse jeito assim. Mas o a verdade é que nós também somos difíceis, como você destacou, e isso precisa ser chamado atenção logo de início, até para que a gente olhe com graça para buscar a unidade com esses irmãos. São divergentes, né, diferentes, porque muitas vezes a a dificuldade está em nós até, né, em nós mesmos e como nós lidamos com isso. Então, acho que isso é muito importante para o início aqui da nossa conversa. Agora, dando continuidade a isso, né, ele vai falar como, né, como nós podemos amar uma pessoa assim, porque uma coisa é tentar entender o por Deus fez isso, né, colocou pessoas difíceis, mas a outra é, tá, agora que eu entendi, como eu consigo fazer isso? Como é que é possível amar uma pessoa difícil assim? Ô Saur, é, eu acho que a a o resuminho desse capítulo, né, o capítulo dois, no qual o Dom Lope lida isso, expressa muito bem uma tendência natural que nós temos. Tentamos amar pessoas por nós mesmos e para nós mesmos. Tanto é que todos nós pensamos em quais são atitudes pessoais que eu posso ter para demonstrar amor por alguém. E e o ponto de partida do Dun Lop não é esse. Não é o que eu posso fazer para amar pessoas difíceis ou como diz o título, né? Pessoas que me enlouquecem, me tiram do sério, confrontam minhas ideias ou agem de forma diferente. A base do nosso amor por essas pessoas está no que Deus fez por nós em Cristo, que o Dun Lop chama dessa misericórdia de Deus. Quando ele fala que o amor nasce da misericórdia de Deus, é um amor impossível e improvável horizontalmente que só é possível por causa da verticalidade dessa misericórdia de Deus em Cristo Jesus. Na página 54, ele tem uma citação muito legal, né? Uma frase: "O amor impossível flui da misericórdia impossível ou improvável, né? Deus ama pecadores quando esses ainda eram pecadores, os redime em Cristo. E agora esses pecadores devem amar seus irmãos em Cristo, que já são redimidos, porém não glorificados. A gente não pode esquecer isso, né? Já fomos redimidos, porém não glorificados. Ou seja, o nosso ponto de partida é a misericórdia de Deus, a mesma que Deus exerceu para conosco em Jesus. Isso me lembra muito de Primeira João 4, né? Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Ou seja, sermos amados por Deus é a base do podermos amar outras pessoas. Não é porque a gente se gosta, não é porque a gente simplesmente pensa as mesmas coisas ou gosta das mesmas coisas, mas porque fomos alvos de um mesmo amor. E isso aí que você fala me chama atenção também para a o que João também vai falar sobre não é possível a gente amar a Deus a quem não vemos se nós não amamos ao próximo ali, aos nossos irmãos ali, a quem nós vemos, né? E eu acho que isso é uma mensagem importante de chamar a reflexão, como você fez, de o amor do Senhor, ele deve nos fazer amar o próximo. E essa primeira autorreflexão do início da nossa conversa, ela é importante porque se você esquece que você foi alvo de misericórdia, você tende a ter mais dificuldade em oferecer misericórdia a outros. Ah, uma frase, Élder, que me marcou, eu não lembro quem foi que me chamou atenção para isso, mas desde então eu sempre uso com a igreja. Eh, sobre como hoje em dia, numa época de tanto movimento desigrejado, onde as pessoas não querem ir para igrejas porque vão encontrar outras pessoas difíceis como elas, a gente vê gente dizendo: "Ah, eu amo Jesus". E eu lembro que alguém me chamou atenção para dizer: "Você não pode amar Jesus se você não ama aqueles pelos quais ele morreu." Perfeito. Se você diz que ama Jesus, mas não ama aqueles que ele amou ao ponto de entregar a própria vida por eles, esse seu amor está incompleto. E isso me chama muito atenção, porque eu tenho filhos pequenos, eu tenho minha esposa e se alguém dissesse que me amava, mas visse minha esposa, meus filhos passando dificuldade e não ajudasse essas pessoas, mas dissessem que se importava comigo, para mim essa pessoa estaria sendo hipócrita, né? Então eu acho que isso deve chamar a nossa atenção do amar a Deus, amar ao próximo. Sim. E até interessante ou dois pontos aqui que eu queria interagir contigo. Eh, o primeiro é que esse é o exato capítulo seguinte, né? Eh, quando ele fala, e se eu não quiser amar essas pessoas, o Dunop, ele vai dizer e a desunião da igre da da na igreja mente a respeito de Jesus. Ou seja, a desunião é uma contradição do evangelho. Por quê? Porque o evangelho é a manifestação do amor de Deus por pecadores, os quais não foram redimidos porque eram bondosos, capazes de retornar algo positivo para Deus ou completamente favoráveis ao Senhor. Não. Deus fez por nós aquilo que nenhum de nós faria por si mesmo ou pelos outros. E agora eu sou desafiado a agir para com os outros dos do mesmo jeito que Deus agiu para comigo. E o segundo ponto que eu queria interagir com a tua a tua fala é é Tito capítulo 2, quando Paulo diz que Jesus a si mesmo se deu a fim de remir-nos de toda impureza e purificar para si mesmo um povo, tá? Um povo zeloso na prática das boas obras, um povo exclusivamente seu, mas zeloso na prática das boas obras. Já percebeu, Sor, que ao longo de toda a Bíblia, embora Deus tenha chamado um indivíduo, Abraão, ele decidiu fazer deste Abraão um povo. Deus sempre trabalhou comunitariamente, coletivamente, corporativamente. Os indivíduos a quem ele chama e capacita ou representavam ou fariam parte de um povo. Então, igual você falou, não pode dizer que ama Jesus se não ama o corpo de Jesus, a família de Deus, né? Ou como Paulo diz, nós que somos cordeiros com Cristos, seus coirmãos, né? Concordo contigo. E você acha, Éer, que essa dificuldade de entender como é possível amar pessoas difíceis também tem a ver com a nossa própria falha na sociedade atual de entender o que é amor, porque a gente vive numa sociedade onde amar simplesmente é a expressão de sentimentalismo, né, de arrepios e coisas do tipo. Mas o que é amor paraa escritura, Élder? E e que tipo de amor é esse que nós somos chamados a oferecer aqui? Joia. Saindo um pouquinho do livro do Dun Lop, eh, o Zigbund Bman, aquele sociólogo polonês já falecido, ele escreveu aquele livro Amor líquido, em que ele fala muito sobre a volubilidade, volatilidade dos dos do relacionamentos entre pessoas, sobretudo em relação ao amor, né? Eh, o o BMA vai dizer que temos amor muito mais por interesses do que por alianças. Ele não usa o conceito de aliança, mas trazendo pro contexto bíblico, né? Amamos muito mais porque temos afinidades do que porque temos um compromisso entre nós. Amamos muito mais porque curtimos as mesmas coisas do que porque fomos feitos pertencentes a uma mesma comunidade. E aí eu digo o seguinte, a mesma facilidade, e veja como as redes sociais contribuem para isso. A mesma facilidade com que por um clique eu me torno seguidor de alguém, não é mais nem amigo, né? é seguidor. Saímos dos amigos de Workut, de comunidade, Facebook para simples seguidores, tá? As redes sociais. Com o mesmo clique que eu me torno seguidor, pelo mesmo clique eu deixo de seguir. Por quê? Porque eu não gostei disso, não gostei do que postou, não gostei do posicionamento, do time de futebol, do posicionamento político e por aí vai. Então, eu acho que não é apenas o conceito de amor que está deturpado, mas eu diria que o conceito de pertencimento e comunidade estão deturpados. Por isso que amamos pessoas que, dois pontos, pensam iguais a mim, eh desejam as mesmas coisas que eu, tem as mesmas afinidades. E a lista, Saur, é infindável, tá bom? Cada um vai incluir tópicos. Nós não amamos pessoas porque nos pertencemos mutuamente e fomos participantes ou somos participantes de uma mesma comunidade ou povo, mas porque temos interesses em comum. É aquela coisa, né? A gente não ama o outro, na verdade a gente ama aquilo de nós mesmos que nós vemos no outro, né? Perfeito, perfeito. E veja, por exemplo, as nossas tensões políticas no ano de 2016 em diante no Brasil, onde muitos relacionamentos dentro de igreja, igrejas e famílias cristãs foram desfeitos, que por causa de uma eventual divergência política, de uma eventual divergência até teológica, relacionamentos foram se foram desfeitos. É verdade, Saor. Existem posicionamentos em várias áreas que são tão conflitantes, tão diametralmente opostos, que não dá para você ter convivência com pessoas. Mas não me parece que a base da comunhão cristã seja a preferência política, tá? Não, não pode. Não foi um político ou uma ideologia que morreram para nos redimirem e nos tornarem povo de Deus. Foi Jesus. Então, a base do nosso amor é Jesus, é a misericórdia de Deus, como eu falei, eh, mencionando o o Dunlock. Então eu acho que não é só o entendimento de amor que está equivocado, mas o entendimento de mútuo pertencimento ou de membros uns dos outros, uns dos outros, que até o Dunop vai falar num dos seus capítulos sobre essa inter e mútua relação entre os crentes de uma mesma comunidade e o significado de comunidade. Comunidade não é simplesmente um grupo ao qual com o qual você participa de determinados eventos, mas é antes de tudo uma comunidade com a qual você se identifica, pertence, com a qual você cresce, a qual você serve e é servido, porque ela, aquela é uma expressão microcósmica do grande corpo de Cristo, de crentes por de todos os tempos, desde Gênesis até o Apocalipse, né? Então, um mau entendimento de amor, um mau entendimento de comunidade e membresia ou pertencimento, é que leva essa bagunça que a gente tem muitas vezes dentro da igreja. Ah, o fulano de tal disse uma coisa que eu não gostei, vou e saio da igreja. Ah, o fulano, o pass, a cultura do cancelamento dentro da igreja também, né? Cancela as amizades por qualquer coisa. É, e até o que o Ban Balman fala, né? São relacionamentos descartáveis. Parece que a gente não entendeu a perenidade desses relacionamentos. E eu digo o seguinte, Saor, cara, pessoal, é melhor você aprender a amar logo o seu irmãozinho, porque você vai passar eternidade com ele, tá? Então, Deus tá te dando um teste drive aqui para você desfrutar na plenitude lá, né? Mas aí tem uns que dizem o seguinte: "Não, tomara que minha casa no céu seja muito longe da do outro, né?" Tá, então assim, somos pecadores, pecadores sempre tem os argumentos, né? Tem, tem outro turma miserável, né? Mas assim, eh, eu, eu diria para você que nós não temos a opção de não amá-las em Jesus, ou seja, eh, o, a base ou propósito do amor é a nossa nova identidade em Cristo e a nova comunidade a qual pertencemos. Eu diria também saor que eventualmente aquilo que Paulo fala em Romanos 12 vai ser muito real em vários desses relacionamentos no que depender de nós manteremos a paz. E essa paz muitas vezes significará que nós não vamos ter o convívio mais íntimo, mais estreito, de cumplicidade com que normal que normalmente temos com algumas poucas pessoas, tá? O problema é eu não estar aberto à interação, a esse serviço mútuo, aquelas várias mutualidades do Novo Testamento. Aí eu diria: "Isso é pecado, tá bom? Agora, isso não quer dizer que nós vamos ser aqueles amigos mais chegados que irmãos de Provérbios, mas nós vamos viver harmonicamente como corpo de Cristo, cooperando pela unidade da igreja, abrindo mão muitas vezes das nossas diferenças e por aí vai. Eu me lembro aqui de Paulo em Primeira Coríntios, né? Ninguém busca o seu próprio interesse sim o do outro. Eh, eu acho que que isso tem a ver com tudo que a gente tá falando, né? É uma questão de a gente, talvez, como você falou, a gente não precisa ser amiguinho íntimo de todo mundo, mas a gente vê algum irmão ali eh que poderia ser servido por nós e a gente deixar de servir, deixar ele ali numa necessidade sem servir, é é uma má compreensão do que significa o amor das escrituras, né? Um texto saor que eu que eu gosto muito e já o preguei várias vezes em vários contextos, desde igreja como um todo até casamento, juventude, por aí vai. O de Filipenses 2, quando Paulo diz: "Completai a minha alegria de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento." Interessante essa expressão, né? tenhais o mesmo amor. E não é o meu amor ou o teu amor, é o amor de Jesus como base. Ou seja, eu não amo a pessoa porque eu gosto dela, mas porque conjuntamente fomos amados por Deus em Cristo Jesus. Eventualmente nos desentenderemos. É o amor de Jesus que leva ao perdão. Então eu amo até o Dun Lop diz isso, né? Eh, amar é muito mais do que gostar, é valorizar a unidade por amor a Cristo. Ou seja, eu amo tanto Jesus e o povo de Jesus que eu quero fazer de tudo para que esse corpo seja e esteja unido em Jesus, mesmo que nós tenhamos as nossas diferenças. Amém. Amém. É entender onde é que tá o centro aí da motivação de tudo isso e da capacitação também, né? Agora, Élder, diante do que você falou, por exemplo, olha, a gente não precisa ser amiguinho, a gente não precisa est tão perto. Com certeza tem algumas pessoas que podem ouvir isso e dizer: "Será que não seria melhor, a igreja não seria melhor sem essas pessoas?" Que é justamente uma das perguntas que o o Dom Lop vai fazer aqui, né? No capítulo 4, ele traz a dúvida: "Não estaríamos melhor sem elas?" E aí estaríamos, É, não? Então, aí é um ponto interessante, né? Deixa eu voltar minha primeiríssima fala. E se eu um desses camaradas difíceis? Sabe, a gente nunca pensa nesses termos, né, Saor? A gente pensa que nós somos sempre os os direitinhos, os corretinhos, que pensam organizadamente, que não tem nenhuma mania, nenhum jeitão que às vezes produz descontentamento na vida das pessoas. a gente acha que a gente nunca fala algo que fere pessoas ou trata eh com algum descaso, alguma situação, não com o devido valor. A gente acha que nunca seria nunca é essa pessoa. Então, por isso nós sempre olhamos coisa, para o outro, como a igreja seria melhor sem o outro, né? Exato. A gente sempre se vê como a vítima e os outros como culpados, né? Nós sempre somos os mocinhos versus os, se eu não me engano, embora não concorde com a filosofia dele, mas a ideia interessante, acho que foi o Joan Paul Sart, né, que disse que o inferno são os outros, né? É, é isso daí. Parece que o outro é pior. É, acho que foi o o Jean Paul Sart mesmo. Mas assim, o Dunlop, ele tem uma ideia muito legal, eh, é quando ele desenvolve o conceito de igreja como família. A igreja é uma família, não uma instituição. E eu gosto de ilustrar da seguinte forma. Eh, eu tenho meu time de futebol, tá? Eh, tem a Tor, se você falar seu time de futebol aqui, já vai criar um bocado de problema, né? Já, já, já vai, porque já começõ não vou falar que eu sou palmeirense, tá? Eu eu vou me guardar aqui, mas vamos lá. Os os nossos times de futebol, ô Saur, eles têm torcida, né? E o indivíduo só tá naquela torcida por causa do time. Ou seja, ele não aceita ninguém que torça para outro time e que não seja concordante com ele naquele momento. Nós temos associação de bairro que tá interessada com a segurança da da das ruas, a limpeza das ruas, a escola do bairro, né? Queremos no orçamento participativo trazer verba para ter uma uma UPA, né, uma unidade de pronto atendimento. Tudo bem, isso é associação de bairro. Aí a gente tem eh a reunião do condomínio. Todo mundo quer o interesse do condomínio, né? O o bem-estar, a limpeza, pode ou não pode cachorro, todas aquelas brigas, né? Por quê? Porque a gente tem um interesse em comum. Ora, mas isso não é igreja. Isso não é igreja. A igreja não é uma reunião de de pessoas com interesses em comum. Ela é uma família, ela não é uma instituição eh eh de uma empresa, de um de um de um de um condomínio ou de um time de futebol. Ela é uma família. E na família tem gente diferente, tá? Tem o pai, tem a mãe, tem mulher, tem filho, tem idoso, tem criança nova, tem gente eventualmente com dificuldades ou necessidades especiais. Tem gente com habilidades distintas. Isso é família. A família é um é uma microcélula ou um microorganismo dos mais diversos que existe. Por que que a igreja deveria existir apenas com um tipo de perfil de pessoas? Um tipo de gente? Isso não me parece igreja, isso parece associação de bairro, torcida de futebol ou reunião da empresa, mas não é igreja. Lembra de Paulo em Gálatas capítulo 3, quando ele fala que em Cristo homem, temos homem, temos mulher, temos judeu, temos gentil, temos servos, temos senhores, ou seja, uma diversidade impressionante. Então, o ser família espiritual, diferente de uma empresa ou de uma instituição humana, já me diz que não tem como você não ter pessoas diferentes e eventualmente difíceis, contrárias às nossas preferências, às nossas vontades, né? Até num página 86, o Dun Lop, ele desenvolve a seguinte ideia, né? Quando nós tentamos eliminar essas pessoas difíceis, é como se estivéssemos tentando reduzir a glória da graça de Deus, que pode unir os diferentes por causa de um propósito comum. E aí eu me lembro, Senhor, de Efésios 3, quando Paulo fala para que pela igreja a multiforme sabedoria de Deus seja manifesta. E o que que ele quer dizer com isso? capítulo 2, verso 11, quando ele fala que aqueles que estavam distantes, gentios, foram aproximados dos que estavam próximos, os judeus. Por quê? Porque Deus pôs abaixo um muro de separação da inimizade que fazia separação entre judeus e gentius. Então, se existe uma instituição que é capaz de reunir pessoas difíceis, complexas, eventualmente contraditórias, é a igreja. Tirá-las da igreja, mandá-las embora pelo simples fato de serem diferentes, elimina ou mancha essa multiforme graça de Deus, essa sabedoria de Deus que junta diferentes. Até quando eu prego sobre isso na igreja, Saor, eu digo o seguinte: "E frequente, viu? Não o mesmo texto, mas a mesma ideia que eu falo, gente, olhe, por exemplo, para essa celebração. Temos aqui pessoas diferentes, faixas etárias, contexto socioeconômico, culturais, que torcem para times de futebol diferente, que trabalham em empresas que competem pelo mesmo mercado e tem a outra empresa como rival. Agora tudo isso daí ficou lá fora, porque o que justifica, o que legitima essa nossa comunhão é o sermos povo de Deus salvos em Cristo Jesus. Eu não posso jogar fora essas pessoas. Eu não posso eliminá-las. Por quê? Porque é justamente na unidade em meio à diversidade que fica expressa a multiforme graça e sabedoria de Deus, né? Eliminar essas pessoas me faz ressaltar minha conveniência, mas não minha santidade. Aprender a lidar com elas me desafia a santidade em Jesus. É o que o Dun Lope vai lhe dar também nesse capítulo, página 86, 87. Rapaz, essa frase é bonita, viu? Dava para ficar aí no, dava para fazer uma frasezinha no Instagram com ela. Eh, agora, depois disso tudo, Welder, o Don Lopes vai chegar no capítulo 5 e ele vai tentar responder a pergunta: "Como posso ser amigo daquelas pessoas?" E a falando de amizade, né? Parece que a gente tá ah, trazendo aqui o contrário do que a gente estava abordando antes. Não precisar ser tão próximo. Que tipo de amizade é essa? O que é que ele responde aqui? na verdade sobre como é que eu posso ser amigo daquelas pessoas. Um grande termo que o o Dunlop ele usa nesse capítulo, né, como posso ser amigo de pessoas difíceis, é o termo esperança. Eh, agora a esperança, ô, ô Saor, não no sentido de positivismo irrefletido, não, no fim das contas a gente vai se amar, vai dar tudo certo, né? A gente vai se gostar e vai se interagir. Não, não, não é esperança nesse sentido, tá? A esperança de que a obra de Cristo é que nos torna pacientes no processo de aceitação e dura e e trato com a pessoa. É a esperança que nos genuína que nos move a progredir no amor do próximo, tá? Ou seja, é a certeza de que Deus é capaz de me fazer ser amigo, conviver com essas pessoas, tá? E eu lembro de algumas circunstâncias ao longo da minha história, o Saur, que eu já tive que lidar com pessoas difíceis na igreja. Eu, Éer, sou normalmente muito da paz, tá, né? Tô até aqui o o simbolozinho, né? Você tem você tem, cara, você tem jeito aí? Não, eu sou, cara, eu não sou dos mais, né, como a gente usaria treta de internet. Não, isso não é, cara. Eu eu eu falo muito pros meus filhos, inclusive o seguinte, Saur, muito mesmo. Eu tenho dois filhos, né, já jovens, 22, 20 anos de idade. Eh, eu falo: "Meninos, sejam pessoas agradáveis, sejam pessoas caridosas, sejam pessoas respeitosas, sejam pessoas que não ficam só falando de si mesmas, né, que querem monopolizar ou dominar um uma conversa ou atrair todos os olhares para vocês. Sejam pessoas que pessoas gostam de estar com vocês. Então, eu creio muito nisso. Eu quero ser a pessoa mais agradável. Agora, agradável não no sentido de agradar pessoas, porque o é um cara de muitas convicções e eu sou muito firmes nelas. Então, ser agradável não é ser conivente, não é querer agradar pessoas, não. É naquilo que depender de você, seja uma pessoa legal, que é gostoso estar com, tem sempre algo a contribuir, é interessado e amoroso pelas pessoas. Tá? Então o Éder é assim, bem bem bem paz e amor mesmo, tá? Bem de boa. Mas o Éder também é difícil em algumas coisas, viu Saor? quando mexe mexe em convicções bíblico teológicas, quando mexe naquilo que eu entendo ser a perspectiva bíblica para a igreja, cara, não tá em negociação não. E é natural que pessoas de opinião sejam muitas vezes eh mal entendidas, até mesmo que não queiram, sejam eventualmente perseguidas, tá? Ou rejeitadas ou até difamadas. Eu lembro que teve gente, inclusive, Saer, que foi me procurar uma vez na minha sala, não foram eh uma vez, especificamente nesses termos. Queria vir te pedir perdão porque eu te boicoto de bastidor, eu te difamo de bastidor, mas eu queria te pedir perdão. Eu falei aquilo que eu tinha para falar paraa pessoa, perdoei a pessoa e cada um seguiu a sua vida, né? A gente não trabalha mais juntos, mas eu tive que perdoar, tá bom? Por mais que a difamação dela, por mais que os boicotes delas de bastidor tenham me ocasionado muita coisa ruim, mas eu não posso reter o perdão. Num dos capítulos e e a gente vai chegar lá, o Dun Lop lida muito com o conceito de perdão, né? Mas assim, sim, sim. Eu quero eu quero chegar nesse capítulo aí, nesse tema aí depois. Eu quero chegar nesse tema aí depois. Uma coisa que eu queria ver com você, desculpa aí te cortar, uma coisa que eu queria ver com você é só frisar essa questão que você falou sobre convicção e sobre ser alguém agradável, né? A gente vive numa sociedade que acha que para você ser alguém agradável, você tem que ser tolerante com a o erro. E a firmeza é vista, na verdade como algo rude, né? Quem é firme é rude. Uhum. Uhum. E como é que você lida então com isso de ser firme e ao mesmo tempo a conciliar essa esse seu objetivo de ser alguém de acordo com a vontade do Senhor? Agradável? Muito bom. Ô, ô, Saor, inclusive eu passei por uma situação muito triste no meu ministério que implicou até a saída de uma das igrejas que eu pastoreei quando eu fui literalmente boicotado de bastidor, tá? Aquele negócio bem de trama, de bastidor e tudo mais. Eu lembro que eu conversei com um pastor que foi meu professor, depois se tornou até um mentor para mim, alguém que eu respeito muito, que eu tenho modelo eh de vida, de família, um cara muito legal. Eu lembro que eu pedi para conversar, ele foi até em casa, conversou comigo, com a minha esposa, de como lidar com essa situação pela qual nós passamos, né? E ele disse o seguinte, Élder, eh, quando nós aprendemos a lidar com pessoas como nossas irmãs em Cristo, em que as nossas opiniões diferentes não são impeditivas de nossa amizade em Jesus, numa reunião da liderança, você discorda, você põe as suas opiniões e eventualmente como pastor até impõe algumas delas, mas você sai dali ali come uma pizza junto com o pessoal. Por quê? Porque o vínculo do relacionamento ou da amizade existente existente entre as pessoas é muito maior do que a nossa diferença de opiniões. Isso me levou o Saor e eu sempre quis isso e Deus me deu a graça e bondade de em dois dos dois dos três contextos que eu pastoreei desenvolver isso, amigos no ministério. Tem até muitas palestras minhas em canais de YouTube sobre a importância de amigos no ministério. Eu creio muito nisso, Sa. Porque quando nós desenvolvemos amizades no ministério, as nossas opiniões diferentes, elas não são questões pessoais contra os outros, mas a gente tá lidando no âmbito de opiniões. Eu sei que nós brasileiros não sabemos lidar com isso, tá? A opinião de alguém é o alguém. Então, rejeitar uma opinião é rejeitar a pessoa. E aí eu devo muito até do entendimento a um dos meus professores, que foi inclusive reitor no seminário que hoje eu represento, né, o Carlos Osvaldo. Ele dizia: "Pessoal, preste atenção, eu estou rejeitando a ideia da pessoa, não a pessoa." A gente não sabe fazer isso, Saor, tá? eu ir contra uma ideia sua é como se eu estivesse indo contra você. Então aí eu aprendi com esses dois homens e tenho podido desfrutar hoje, né, nessa terceira igreja que eu pastoreio, juntamente com um amigo que eventualmente a gente pensa diferente de algumas coisas, mas aquilo que a gente pensa de diferente não é o suficiente para desfazer a nossa amizade, o nosso companheirismo, o amor que temos um pelo outro e o amor que temos por nossa igreja, entendeu? E nem são questões essenciais, fundamentais, que ferem a verdade do evangelho, não. Então, quando a gente não sabe lidar de forma correta, o significado de pensar diferente, o significado do fazer diferente, a gente carrega para essas coisas uma tensão tão brutal, tão pesada, que a convivência se torna impossível, né? E aí foi muito positiva a vinda desse pastor amigo. Hoje ele é missionário na África. Eh, a vinda desse pastor amigo conversar comigo, com a Juliana, eu falei: "Entendi é isso daí. Estamos sempre em busca de amigos no ministério em que mesmo que pensemos diferente, podemos trabalhar juntos. Porque a questão não é da minha ou da sua opinião, mas daquilo que nós dois devemos buscar biblicamente exercer no contexto da igreja. eventualmente vamos divergir. Teremos que trabalhar pela unidade, não pelo prevalecimento de uma ou de outra opinião, né? Então assim, eu eu tristemente tenho experiências muito ruins que custaram muito caro para mim, para minha esposa, para os meus filhos. Mas aprendendo com alguns homens de Deus, pude entender e reafirmar, viu, Saor, que eu eu e aí disso eu desenvolvi um conceito sobre o qual eu prego muito, especialmente para pastores. Eu prefiro correr o risco da traição de amigos no ministério a me privar da bênção de tê-los comigo no ministério, tá? Olha que eu prefiro correr o risco da traição de pessoas no ministério a me privar da bênção de tê-las como minhas amigas no ministério. É isso aí. E e tá falando alguém que não tem 2 anos de ministério e que nunca passou por nada? Não. Citei pelo menos dois casos. Poderia tristemente citar outros. Foram muito pesados, muito difíceis para mim e paraa minha família sobre traição no ministério, tá? Colegas, né? pessoas a quem eu inclusive ensinei como professor ser apunhalado por trás não é fácil. Então, aprendi a amar essas pessoas, a perdoá-las em Jesus, a a orar hoje, inclusive para que Deus abençoe o ministério deles, porque a graça restaura. É isso que o o Dom Lopes fala sobre a esperança, né? Ele diz que é a esperança que nos torna pacientes com o processo que Deus está fazendo no outro também. Deus não está atuando só na minha vida, Deus está atuando no outro. Então eu perdoo e sou paciente porque do jeito que Deus tá atuando em mim, ele tá atuando no outro. Então eu não amo porque ele é legal. Eu não sou amigo porque eu gosto dele, mas porque o mesmo Deus que está atuando em mim está atuando no outro. Amém. Amém. E diante disso, você falando aí da importância do perdão, tá muito conectado, como você mesmo já adiantou, com o que o Don Lopes vai tratar em um outro capítulo, que é justamente o capítulo seguinte, né? Eu acho interessante até que é uma conexão que ele faz. Ele fala no capítulo 5 sobre amizade, no seis ele fala sobre perdão, né? Até porque a amizade para ser mantida precisa ter a capacidade de perdoar. Mas como posso perdoar de verdade? Intentavitavelmente nós vamos entrar em conflito, tá bom? Inevitavelmente nós vamos ter tensões difíceis entre nós. Isso é inevitável. Isso é inerente à natureza humana, inerente à complexidade dos relacionamentos. Não permaneceremos concordantes em tudo todo tempo. Não faremos as mesmas coisas iguais por todo sempre. A gente vai pensar diferente, a gente vai fazer diferente, nós vamos preferir diferente. Por causa disso, deixaremos de ser amigos. Por causa disso, nos tornaremos inimigos. Não, por isso que você falou capítulo seguinte, eu acabei te interferindo, me desculpe. Por isso que o capítulo seguinte, né, que isso eu lhe perdoo. Eu lhe perdo eu lhe perdo aqui. Tá certo. É só você me responder agora justamente como é que perdoa esses irmãos difíceis que dá tudo perdoar. Joia. Ou como nós clamamos pelo perdão deles quando nós somos difíceis, né? Como é que a gente clama a Deus pelo perdão desses irmãos? Eh, o Dom Nope, ele tem uma questão muito muito legal, né? Eh, o perdão é, antes de tudo, a manifestação da justiça de Deus na cruz de Jesus. Perdão, Saor. Não é simplesmente eu te dizer tudo bem, faz de conta que nada aconteceu, não releva, nem foi tão grave assim. Não, não, não. Perdão significa e o que você fez contra mim ou eu fiz contra você é tão grave, é tão sério, que se Jesus não tivesse morrido na cruz, eu não teria condições de lidar com esse seu pecado. É isso aí. Isso, isso nos leva, e é interessante que a Bíblia, Saor, tem três conceitos bem ilustrativos, bem visuais sobre perdão de Deus. Dois deles vem da daquele dia da expiação, o dia do perdão do Antigo Testamento. Lembra que dois bodes eram trazidos até o sumo sacerdote? Um, ele colocava a mão na cabeça como que simbolizando a imputação, a contabilização do pecado do povo sobre aquele bode e o bode era solto na floresta para ir embora, simbolizando o quê? Perdão de Deus significa que ele levou nossos pecados para longe de nós. E recentemente, Saor, eu tava lidando com uma situação bem complexa na igreja e eu disse o seguinte: "Sabe por que a ilustração do perdão é levar os pecados para longe? para que eles estejam tão distantes que seja difícil recuperá-los na mente. Cara, tá tão longe que recuperá-los, trazer esses pecados para perto de mim dá tanto trabalho que é melhor deixar ele lá. Isso é perdão na Bíblia. É Deus levando para longe os pecados. Por isso que o Deus onisciente é capaz de dizer que se esquece dos nossos pecados. Não porque ele não tem a capacidade cognitiva de se lembrar deles, mas porque como Miqueias diz, ele os lançou nas profundezas do mar, que ter que trazê-los lá do de do fundo demora muito, dá muito trabalho, né? Então essa é a primeira ilustração. A segunda ilustração vem do segundo bode, que era morto. Seu sangue era colocado numa bacia e aquele sangue ele era aspergido na mesa da propiciação. E e o termo usado é cobrimento. O pecado ele era coberto. Lembra que Davi fala: "Bem-aventurado o homem cujo pecado é coberto". Coberto pelo quê? Pelo sangue, tá? Então, perdão significa cobrir pecado. Agora, cobrir não pelo meu sacrifício, mas cobrir pelo sacrifício de Jesus. Por isso que eh o Dom Lope fala, né, que o perdão só é possível por causa da justiça de Jesus na cruz. Saor, eu não tenho condições de perdoar o seu pecado. Jesus tem. Por isso, eu vou até a cruz e lanço mão de créditos infinitos da graça de Deus em Jesus e eu deposito no banco entre nós dois, dizendo: "Os méritos dele são suficientes para cobrir esse nosso pecado." Então, perdão é cobrimento. Não pelo meu esquecimento, não pelos meus esforços ou pelos seus. Você não pode reparar seu pecado, Saor. Eu não posso reparar o meu. Vamos supor, eu peco contra você, né? Eu sou desses caras muito louco que é indigesto e difícil. Que que eu posso fazer para reparar isso? Nada, Saul. Jesus já fez. A graça de Jesus é infinita. Ele tem crédito suficiente para bancar o meu pecado. Então, quando você me perdoa, você está lançando mão dos créditos de Jesus e dizendo: "Élder, seu pecado foi coberto. Jesus te perdoou do jeito que eu estou te perdoando." E a terceira figura, ela é muito legal porque ela é usada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. E aí a gente vai até entender disciplina e João 10 e Mateus 18, que é a ideia do desatar. Até no popular, infelizmente, na maioria das vezes, com uma conceituação errada, usa-se a ideia de liberar perdão. Já viu? liberar perdão. Mas esse é esse é uma é um dos significados do termo, é você desatar um nó, é você e descaracterizar uma ligação que é impossível de ser de ser solta até que haja perdão. Ou seja, perdoar significa desatar um nó que era mantido pelo pecado. Se eu pequei contra você, eu e você estamos ligados por algo que não é bom, é o pecado. fiz algo contra você. Que que é perdoar? Desatar esse nó. Por isso que então Jesus vai dizer: "O que ligar na terra será ligado no céu e o que for desligado na terra será desligado no céu. Ou seja, aquilo que mantiver se mantiver ligado, porque ainda não houve perdão na terra, estará ligado no céu." E até um outro autor da do ministério Nove Marcas, colega de ministério do Jamie Dun Lope, que é o Jonathan Lima, ele vai dizer, né? Os céus reconhecem a legitimidade do perdão na terra, dizendo: "Se houve perdão genuíno, desatou, desamarrou, o céu se reconhece como desligado. No entanto, né, se não há perdão, ainda está ligado. Os céus não reconhecem como tendo havido perdão." Então, essa é a terceira figura, né? Se vamos supor, se eu pequei contra você, te difamei, falei mal, sou uma pessoa indigesta, tô mais preocupado com as as nossas diferenças políticas do que com a nossa irmandade em Jesus, mas de repente eu te peço perdão e você me perdoa. Sabe o que isso significa, Élder? Aquilo que nos prendia negativamente um ao outro, que é o pecado, já não nos prende mais. Temos liberalidade no amor de Jesus, né? Então, essas três figuras me ajudam a entender o que é perdão na Bíblia. Não é fazer de conta que nada aconteceu. Não é diminuir a gravidade do acontecido. Não é simplesmente se esquecer no passado, mas é imputar o pecado sobre alguém que foi que foi levado para longe. Aliás, me lembrei, lembra de Hebreus quando Hebreus diz que Jesus foi morto fora da cidade? É isso aí, cara. É isso aí. Por que que ele foi morto fora da cidade? para simbolizar aquele aquele bode do dia da expiação, Deus levando o pecado para longe de nós, né? Então é por isso que a gente tem que perdoar. Não pode não perdoar. É pecado não perdoar. Saor, eu não tô dizendo que eu não vá ter que lidar com a a as dificuldades resultantes do pecado, eventuais consequências que não se desfazem com o perdão. Mas eu não posso não perdoar, mesmo que seja muito complexo lidar com as implicações do pecado de alguém contra mim. Não foi fácil perdoar aquele camarada que veio falar na minha sala que me boicotava, que me difamava e eu o perdoei em Jesus. L tive que lidar por algum tempo com as consequências, mas eu não posso não perdoá-lo. Não posso, porque temos uma irmandade em Jesus, mesmo que eventualmente não trabalhemos juntos mais. Que o Senhor nos ajude realmente a ter essa capacidade que vem dele de perdoar, né? Eh, por que que a gente eh pode olhar pro perdão como uma demonstração de que nós somos perdoados, né? Porque a gente só tem como oferecer perdão se antes a gente recebeu, né? Se a gente não recebeu, a gente não tem o a fonte aqui, a gente não tem nada para entregar, né? Não. E tem até uma ideia legal do do Don Lope na página 127, mais ou menos assim: "Se a morte de Cristo é suficiente para me perdoar, então ela deve ser suficiente para que eu perdoe." Entendeu? Sim. Se a se se a morte de Jesus é suficiente para Deus me perdoar, o que mais além da morte eu precisaria para poder perdoar alguém? Não, essa graça também é suficiente. É Mateus, é Mateus 18, né? É a história do credor incompassível lá, né? Que foi perdoado de uma dívida absurda, mas não quer perdoar uma pequena. Isso não faz sentido, né? Às vezes a gente fica, né? Mas pastor, eu não tenho com perdão. Você não sabe, pastor, o que é que ele fez comigo? Aí dá vontade de dizer: "Meu irmão, foi pior do que o que você fez com Cristo? Foi pior do que o que você fez com Deus?" Não, né? Então, como você foi perdoado, meu irmão, sei que pode ser difícil, mas busque o perdão do Senhor, se encha, né, do perdão do Senhor para que você tenha como oferecer perdão também. E é só ele que nos ajuda. Inclusive, a gente tem alguns capítulos a mais aqui no livro, né? Ele vai falar ainda sobre como posso parar de julgar e desprezar aquelas pessoas. vai falar: "Como posso amar aquelas pessoas quando elas estão erradas?" E caminhando pro final, ele vai falar a esperança somente em Cristo. A gente não vai ter condições aqui de no podcast responder o que ele fala aqui nos capítulos 7 e oito sobre essas verdades. Sete e oito que fazem parte dessas oito verdades aqui que ele aborda no livro, mas fica até como um estímulo para o pessoal a adquirir o livro e ler por si mesmo. Um livrinho curtinho, escrita gostosa e que vai ser bênção. Mas eu queria terminar aqui perguntando para você e enfatizando mais junto com você, como só Cristo pode nos dar esperança em tudo isso para viver essa unidade em meio a pessoas que nos enlouquecem e a quem enlouquecemos. Joia. Eh, primeiro ponto que eu sempre digo, eh, por que é que somos aceitos por Deus? Porque entre nós e Deus há Jesus. Se não houvesse Jesus entre nós, não importava. Não importaria o quão bondosos somos, o quão corretos tentamos ser ou o quanto tentamos impressionar Deus com a nossa caridade. Deus nos aceita em Cristo e por Cristo. Isso quer dizer, Saor, que entre mim e você deveria existir Jesus, que, aliás, eu só seu irmão em Cristo por causa de Jesus. Nós não somos de uma torcida de futebol, não somos de uma associação de bairros, nem trabalhamos numa mesma empresa, entendeu? Entre nós a Jesus, tá? Então isso para mim é muito reconfortante. Segundo, eu tenho sempre que pensar comunitariamente, corporativamente, não individualmente. Eu digo até o seguinte, Saor, eh, na igreja há espaço paraa individualidade, só não há espaço para o individualismo. O Wlder não deixou de ser o Wélder. Até o Kevin Van Ruser em vários dos livros que a gente tem pel edições e da Nova, ele fala da tal catolicidade, a importância de múltiplas vozes e influências dentro do cristianismo. E algumas delas não não porque uma herética, porque heresia, heresia e tá errado, né? Mas às vezes são formas distintas de se comunicar uma mesma verdade com ênfases distintas, né? Então assim, eh, eu tenho espaço para minha individualidade. O que não há espaço na igreja pro individualismo, o meu contra o seu, o meu a qualquer custo. Então, eu tenho que me lembrar que Deus está formando um corpo em Cristo ao qual o Éder pertence. O Éder não é a igreja. O Éder pertence a uma igreja. O Éder se identifica com uma igreja. Então eu parto desse povo de Jesus, dessa igreja de Cristo para aceitar meus irmãos em Cristo. Terceiro, aquilo que Jesus disse em João capítulo 15 em diante: "Nisto conhecerão que sois meus discípulos se vocês se amarem uns aos outros". Eu preciso acreditar e batalhar, Saor, para que o amor cristão seja a maior evidência da genuinidade do nosso cristianismo no mundo cético, contra relacionamentos interpessoais, relacionamentos genuínos e comprometidos uns com os outros, de um mundo que rejeita a instituição igreja e que deveria haver nos crentes a genuinidade do amor que caracteriza a instituição. Então isso isso é importante, né? E quarto e e por fim, né? A a prática do perdão. Saor, nós temos de tudo para dar errado, tá bom? E na verdade sermos nós mesmos implicará em dar errado. Nossos relacionamentos, nossas amizades, nossa convivência. Que todas as vezes que algo der errado entre nós, a cruz de Jesus seja suficiente para nos perdoar e nos reabilitar na nossa comunhão para que desfrutemos da intimidade com o Senhor. Ou seja, por causa de Jesus, esse, entre aspas, negócio chamado igreja é possível. Amém, meu irmão. Muito obrigado pelas palavras. Agradeço por esse tempo de conversa. Sempre é uma alegria conversar com você. Me perdoe aí qualquer coisa que eu tenha feito e meu irmão, até uma próxima aí pra gente conversar mais sobre outros livros bons de da editora Vidal. Perfeito. Valeu. Privilégio meu, viu, Saor? Sempre uma alegria e é sempre legal nos bastidores aqui com você saber um pouquinho mais da sua vida, do seu ministério que Deus tem feito por sua vida. Que que Jesus brilhe cada vez mais a glória dele na sua vida, sua família e do seu ministério também. Parabéns à Edições Vida Nova, né? Sempre livros muito úteis, né? e essa série da Ministério Nove Marcas, muito conectados à realidade da igreja. Então fica a recomendação, pastores, líderes, pessoas que trabalham com faixas etárias, que aconselham pessoas na igreja, né? Esse livro foi escrito para vocês, para todos os crentes, mas também para aqueles que lidam com relacionamentos, pessoas no contexto da igreja. Amém, meu irmão. Que Deus continue abençoando você e usando você também em todas as esferas que você está envolvido, inclusive na sua família também, meu irmão. E você aí de casa que nos ouviu, ficou interessado, quer saber como lidar com aquele irmãozinho difícil, começou a perceber que você também é difícil, quer saber como lidar consigo mesmo na unidade da igreja, quer entender mais, como pode viver pra glória de Deus em meio a essa unidade na diversidade? Então esse livrinho aqui, ame aqueles que te enlouquecem oito verdades para promover a unidade na sua igreja vai ser muito útil para você. Se você gostou da nossa conversa sobre o livro também, além de adquiri-lo e lê-lo, também nos ajude compartilhando esse podcast com outras pessoas. Deixe seu like, deixe seu comentário, sua recomendação de livros da vida nova que você gostaria que nós conversássemos aqui, opções de pessoas para conversarmos juntos e também se inscreva aí na sua plataforma de podcast preferido para não perder nenhum dos podcasts que vem pela frente e também assistir as dezenas que nós já gravamos. É isso aí, até a próxima. Valeu, [Música]