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A fé vem pelo ouvir

CORTES CRENTES: SOBRE FALAR LÍNGUAS ESTRANHAS, ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, IGREJAS E PARTIDOS

CORTES CRENTES: SOBRE FALAR LÍNGUAS ESTRANHAS, ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, IGREJAS E PARTIDOS

CORTES CRENTES: SOBRE FALAR LÍNGUAS ESTRANHAS, ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, IGREJAS E PARTIDOS

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Legendas automáticas:

Então eu faria uma crítica por quê?
Porque com quem eu pretenderia conversar
produzindo livro não seria
necessariamente com uma classe média
acadêmica. Eu se eu fosse produzir um
livro tentar fazer outra parada hoje,
né? Porque tem um livro aqui que é
acadêmico. Fetização do poder como
fundamento da corrupção é um texto que é
minha tese de de mestrado. Então ela é
exalamente técnica. E aí eu vou
apresentar e discutir nesses termos. Mas
quando eu vou trocar ideia com a galera,
eu faço de outra maneira, porque o meu,
a maioria dos meus interlocutores não tá
nesse ambiente, no dia a dia, né? Não
necessariamente na internet.
Então, se o texto, se os conteúdos me
ajudam a entender estrutura, é isso, é
essa a função deles. E aí o meu problema
não é como eu me comunico aqui e ali, se
o cara deveria falar assim ou daquele
outro jeito para atingir as massas, a
gente tem que falar a mesma língua. Não,
não. Nós temos que saber trabalhar as
línguas diferentes. E aí é o meu último
ponto. Nós temos que saber trabalhar
diferentes linguagens em diferentes
ambientes para diferentes grupos de
pessoas, tá? De maneira religiosa, eu
diria, você precisa ser um pentecostal e
uma pentecostal. Pentecostal, para quem
não tá ligado, é uma referência, a uma
festa que teve eh que tá relatada no
livro de Atos, né, Atos dos Apóstolos
ali na no Segundo Testamento, em que o
pessoal tinha uma festa regular, em que
as pessoas de vários territórios iam
para Jerusalém, faziam as cabanas e
celebrava a colheita, uma festa de
colheita. E aí o pessoal chamava de
Pentecostes. E aí diz o relato bíblico,
né, história narrativa que tá lá, eh,
que os discípulos de Jesus estavam
dentro de uma casa e aí soprou um vento,
tal, sei lá o que aconteceu, e os caras
saíram falando a língua de outros
grupos, de outros povos. E aí o texto
fala assim que os diferentes grupos de
diferentes povos ouvia de cada um desses
discípulos falar em sua língua. E eles
conversavam entre si, essas pessoas são
da Galileia, mas eles falam na minha
língua. E eu tô entendendo eles. E ali
seria o marco de início da mensagem de
Jesus se espalhar para além do grupo dos
discípulos no livro de Atos, na
narrativa de Atos. Do ponto de vista
aqui do mito religioso, né? Para quem
tem fé, espero que faça sentido. Para
quem não tem fé numa pessoa religiosa,
esse tipo de estrutura narrativa é para
dizer: "Olha, com diferentes grupos você
fala de diferentes maneiras, com
diferentes
línguas". Simples assim. Porque para eu
ser entendido na quebrada, eu utilizo um
tipo de linguagem. Para eu ser entendido
na universidade, utilizo o outro. Agora,
eu não preciso ser a mesma pessoa estar
na quebrada e na universidade. Pode ser
que aconteça, mas se a gente organizar
direitinho, já tem o camarada na
quebrada e já tem o camarada na
universidade, já tem o camarada ali. É
saber articular essas paradas dentro de
uma estrutura de divisão social do
trabalho existente e que cria essas
condições. Então, ajuste não é qual é a
linguagem que a esquerda inteira vai
falar, essa esquerda hipotética. É, pô,
já que eu tô aqui, qual que é o tipo de
trabalho que eu faço aqui no meu grupo?
Porque o meu objetivo não é convencer, é
construir um projeto. Meu objetivo não é
convencer a pessoa de que eu sou mais
legal. O objetivo é qual é o nosso
projeto comum, qual é o projeto, e aí eu
tenho que defender isso sempre, qual é o
projeto nacional que nós temos para
transformar as nossas eh nossa realidade
em uma realidade melhor, planejada,
organizada, mais racional, menos
desestruturada, que planeje o dia
seguinte. Ah, é em torno desse projeto
que a gente se organiza e aí a gente
espalha esse projeto de diferentes
maneiras. Beleza? Pô, era isso que eu
tinha dessa grande exposição. E deixa eu
olhar aqui os comentários. Espero que
tenha sido interessante esse papo,
tá? Que que vocês acham? Falem muita
grosélia. Foi massa? Foi
interessante? Pronto. E tem razão,
Gabriel. Os partidos eles não têm uma
uma capilaridade de comunidade como tem
as igrejas, inclusive porque
progressivamente as associações de barro
bairro foram
desaparecendo, as os coletivos foram
enfraquecendo, as organizações sindicais
foram enfraquecendo e as igrejas foram
assumindo muitas dessas
responsabilidades de educação formal, de
criação de laços e tal historicamente a
partir do modo como as cidades vão se
expandindo. E o estado foi saindo, né? e
as organizações civis foram se
enfraquecendo e o estado foi saindo.
Então, a combinação dessas coisas deu de
bandeja para que a comunidade fosse
construída de uma maneira específica. E
os partidos eles estão cada vez mais
estruturados desde a redemocratização
para ganhar a eleição, porque é assim
que funciona a regra do jogo. Quando não
tinha possibilidade de eleição, os caras
estão tendo que se organizar nas
comunidades. Havendo eleição, para você
poder executar um projeto de poder, você
precisa participar dela. Então, a no
aprendizado histórico que a gente teve,
e isso é muito importante, gente, é
recente, pelo amor de Deus,
Redemocratização. Foi em 85, é recente
isso. Não dá pra gente esperar que
amanhã as coisas se resolvam. A gente
aprendeu, olha, quando tava embaçado, a
gente se organizava em comunidade e aí
tinha comunidade de clise de base, tinha
sindicato, tinha associação de bairro,
tinha um monte de coisa. Agora que a
gente pode disputar a eleição, essas
paradas aqui foram se desarticulando e
enfraquecendo. Beleza? Aprendemos. Não
dá para ser nem eu aqui, nem ali. Eu
tenho que saber como a gente vai
utilizar o poder, mas eu não posso
abandonar a comunidade. Abandonei a
comunidade, que que acontece? alguém
ocupa esse espaço. Como o mercado não
foi lá aproveitar um mar de
oportunidades onde o estado não tava e o
estado abandonou a quebrada para por ela
mesma, a igreja ocupou o
lugar. Então, nessas dinâmicas é óbvio,
você não tem mais esses laços sociais
profundos, essa capilaridade de fazer
esse tipo de realização. E aí as lógicas
de condomínio, né, de você ir
privatizando cada vez mais as as os
serviços só pioraram. Por quê? Porque a
igreja tem a escolinha dela, tem o
hospital dela, tem a rede de educação
formal
dela. E aí é, se você entra na igreja,
você tem acesso a esses bens e
musicalização, eh, bens sociais que a
gente teria em outros lugares, como, por
exemplo, aprender a falar em público.
Aprendi a falar em público na igreja. E
muita gente que produz conteúdo na
internet ou que hoje em dia ocupa certos
espaços também aprendeu na igreja.
A igreja ocupou esse
lugar, eh, porque o estado não tava lá
para ofertar e nem o mercado para
aproveitar essa grande oportunidade, né?
E aí a igreja se prestou ao serviço de
ser um bracinho do mercado, tá? Fica aí.
Mas já que rolou, aí acontece isso, né?
Então, é importante aí a gente pensar
sobre essas questões e
tal. Tum tum tum tum tum
tum. Bruno, fala, meu querido,
bem-venido. Espero que você curta depois
assistir uma paradinha aí que espero que
tenha sido massa. Não vi Jéssica, eu não
vi a conversa do padre, eu só vi que o
padre tem a cara do Lula Molusco
harmonizado, né? Eu olhei e falou:
"Caraca, mano, igualzinho o Lula Molusco
harmonizado. Meme maravilhoso." Mas eu
não vi o papo do Jones com padre. Eu
perguntei lá no num grupo era tinha sido
um debate, o pessoal falou: "Não, não
foi debate". Falei: "Então foi
confessionário, não sei o que aconteceu
ali, mas depois quem sabe eu consigo
assistir, mas não vai rolar
direitinhou". Com certeza. Com certeza.
E se cada crente que é mais de esquerda,
progressista, assumisse que quer um
projeto de nação e não só mudar a
igreja, também ia mudar ajeitar, ajudar
bastante. Jogo isso aí. Importante. Sabe
por quê? Eu eu vou falar uma parada
séria. Muitas vezes o crente de
esquerda, crente comunista,
progressista, e isso eu vou jogar aqui
porque eu estou nesse lugarzinho de
debates, quer ajustar a igreja, quer uma
igrejinha para ele, para ela, né? Quer
uma igreja que seja igual a
conservadora.
Só que azul, só que sabor
morango. E aí é o esforço para mudar a
igreja e não para mudar o mundo também
por meio da igreja. E aí eu acho um
equívoco, acho um equívoco assim
programático absurdo. Eu tenho que mudar
as relações que obrigam que a igreja
seja de determinada maneira. Tenho que
mudar essas relações que condicionam a
igreja a ser um um espaço X e não Y. E
não a igreja por ela mesma. Senão vira
só uma disputa de nicho de mercado. Aí
digamos que temha 30% de progressista.
Aí fica um monte de igrejinha
progressista de esquerda disputando esse
30% de mercado para ter os seus fiéis
lá. Por quê? Porque o mundo não mudou. O
modo de produção segue sendo o mesmo. E
aí a gente não tem um projeto que nos
une, que faz com que a gente seja
crítico e atue enquanto igreja para que
a gente possa efetivamente resolver os
problemas. Só reproduz a lógica. E aí
mesmo quando faz caridade, quando faz
ação social, é uma ação social que na
verdade não tá liada à política pública
e fortalecimento do Estado. Ao
contrário. Aí vai minha crítica aí. O
pessoal crente de
esquerda, pô. Que bom, que massa, que
massa. Aí tamos junto, tamos junto. Rek
Rek, Rek. Eu li Hei foi mal que meu nome
é Hick Dal, talvez tenha me
atrapalhado. Bruno, indo nessa linha,
você acha que tem gargantada demais nos
partidos e pouca organização desses
outros fatores? Sim, sim, sim, tem, tem,
tem, porque ela é obrigada a fazer isso,
né? Então eu entendo a estrutura, tá
ligado? Eu eu entendo eu entendo o por
que a preocupação é essa e não
organização, porque você sobrevive
precisando de de como é que é que fala?
De recurso, cara. E aí o o a estrutura
como ela tá organizada da nossa
democracia exige que você gaste muito
tempo em coisas que não formam
comunidade, que não não criam base e
tal.
Vou numa próxima live trazer o exemplo
do que eu aprendi com os militantes
mexicanos, tá? Na numas viagens que eu
fiz aí que eu achei muito massa, como
eles ganharam as eleições recentes, né,
com a Cláudia
Shinba eh, na sucessão
do Lopes Obrador e eles tiveram uma
estratégia brilhante, cara. Eu não vou
não posso esquecer. Pela próxima live eu
vou vou papear sobre isso que eu acho
que vai que ajuda nessa linha aí.
Cara, o o grande projeto é muda tudo
para manter como ele tá, né? Não, não.
Esse é da fascista extremada. Muda tudo
para manter como tá. É só soltar na
manguela, né? O projeto de direito
liberal brasileiro solta na manguela.
Caraca, caraca, caraca. Chegou uma coisa
que eu não esperava, mas tudo bem. Solta
na banguela. Você solta na banguela e
deixa rolar. É isso. Não tem nem muito o
que fazer. M.

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