CORTES CRENTES: SOBRE FALAR LÍNGUAS ESTRANHAS, ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, IGREJAS E PARTIDOS
09/06/2025
CORTES CRENTES: SOBRE FALAR LÍNGUAS ESTRANHAS, ORGANIZAÇÃO POLÍTICA, IGREJAS E PARTIDOS
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Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Então eu faria uma crítica por quê? Porque com quem eu pretenderia conversar produzindo livro não seria necessariamente com uma classe média acadêmica. Eu se eu fosse produzir um livro tentar fazer outra parada hoje, né? Porque tem um livro aqui que é acadêmico. Fetização do poder como fundamento da corrupção é um texto que é minha tese de de mestrado. Então ela é exalamente técnica. E aí eu vou apresentar e discutir nesses termos. Mas quando eu vou trocar ideia com a galera, eu faço de outra maneira, porque o meu, a maioria dos meus interlocutores não tá nesse ambiente, no dia a dia, né? Não necessariamente na internet. Então, se o texto, se os conteúdos me ajudam a entender estrutura, é isso, é essa a função deles. E aí o meu problema não é como eu me comunico aqui e ali, se o cara deveria falar assim ou daquele outro jeito para atingir as massas, a gente tem que falar a mesma língua. Não, não. Nós temos que saber trabalhar as línguas diferentes. E aí é o meu último ponto. Nós temos que saber trabalhar diferentes linguagens em diferentes ambientes para diferentes grupos de pessoas, tá? De maneira religiosa, eu diria, você precisa ser um pentecostal e uma pentecostal. Pentecostal, para quem não tá ligado, é uma referência, a uma festa que teve eh que tá relatada no livro de Atos, né, Atos dos Apóstolos ali na no Segundo Testamento, em que o pessoal tinha uma festa regular, em que as pessoas de vários territórios iam para Jerusalém, faziam as cabanas e celebrava a colheita, uma festa de colheita. E aí o pessoal chamava de Pentecostes. E aí diz o relato bíblico, né, história narrativa que tá lá, eh, que os discípulos de Jesus estavam dentro de uma casa e aí soprou um vento, tal, sei lá o que aconteceu, e os caras saíram falando a língua de outros grupos, de outros povos. E aí o texto fala assim que os diferentes grupos de diferentes povos ouvia de cada um desses discípulos falar em sua língua. E eles conversavam entre si, essas pessoas são da Galileia, mas eles falam na minha língua. E eu tô entendendo eles. E ali seria o marco de início da mensagem de Jesus se espalhar para além do grupo dos discípulos no livro de Atos, na narrativa de Atos. Do ponto de vista aqui do mito religioso, né? Para quem tem fé, espero que faça sentido. Para quem não tem fé numa pessoa religiosa, esse tipo de estrutura narrativa é para dizer: "Olha, com diferentes grupos você fala de diferentes maneiras, com diferentes línguas". Simples assim. Porque para eu ser entendido na quebrada, eu utilizo um tipo de linguagem. Para eu ser entendido na universidade, utilizo o outro. Agora, eu não preciso ser a mesma pessoa estar na quebrada e na universidade. Pode ser que aconteça, mas se a gente organizar direitinho, já tem o camarada na quebrada e já tem o camarada na universidade, já tem o camarada ali. É saber articular essas paradas dentro de uma estrutura de divisão social do trabalho existente e que cria essas condições. Então, ajuste não é qual é a linguagem que a esquerda inteira vai falar, essa esquerda hipotética. É, pô, já que eu tô aqui, qual que é o tipo de trabalho que eu faço aqui no meu grupo? Porque o meu objetivo não é convencer, é construir um projeto. Meu objetivo não é convencer a pessoa de que eu sou mais legal. O objetivo é qual é o nosso projeto comum, qual é o projeto, e aí eu tenho que defender isso sempre, qual é o projeto nacional que nós temos para transformar as nossas eh nossa realidade em uma realidade melhor, planejada, organizada, mais racional, menos desestruturada, que planeje o dia seguinte. Ah, é em torno desse projeto que a gente se organiza e aí a gente espalha esse projeto de diferentes maneiras. Beleza? Pô, era isso que eu tinha dessa grande exposição. E deixa eu olhar aqui os comentários. Espero que tenha sido interessante esse papo, tá? Que que vocês acham? Falem muita grosélia. Foi massa? Foi interessante? Pronto. E tem razão, Gabriel. Os partidos eles não têm uma uma capilaridade de comunidade como tem as igrejas, inclusive porque progressivamente as associações de barro bairro foram desaparecendo, as os coletivos foram enfraquecendo, as organizações sindicais foram enfraquecendo e as igrejas foram assumindo muitas dessas responsabilidades de educação formal, de criação de laços e tal historicamente a partir do modo como as cidades vão se expandindo. E o estado foi saindo, né? e as organizações civis foram se enfraquecendo e o estado foi saindo. Então, a combinação dessas coisas deu de bandeja para que a comunidade fosse construída de uma maneira específica. E os partidos eles estão cada vez mais estruturados desde a redemocratização para ganhar a eleição, porque é assim que funciona a regra do jogo. Quando não tinha possibilidade de eleição, os caras estão tendo que se organizar nas comunidades. Havendo eleição, para você poder executar um projeto de poder, você precisa participar dela. Então, a no aprendizado histórico que a gente teve, e isso é muito importante, gente, é recente, pelo amor de Deus, Redemocratização. Foi em 85, é recente isso. Não dá pra gente esperar que amanhã as coisas se resolvam. A gente aprendeu, olha, quando tava embaçado, a gente se organizava em comunidade e aí tinha comunidade de clise de base, tinha sindicato, tinha associação de bairro, tinha um monte de coisa. Agora que a gente pode disputar a eleição, essas paradas aqui foram se desarticulando e enfraquecendo. Beleza? Aprendemos. Não dá para ser nem eu aqui, nem ali. Eu tenho que saber como a gente vai utilizar o poder, mas eu não posso abandonar a comunidade. Abandonei a comunidade, que que acontece? alguém ocupa esse espaço. Como o mercado não foi lá aproveitar um mar de oportunidades onde o estado não tava e o estado abandonou a quebrada para por ela mesma, a igreja ocupou o lugar. Então, nessas dinâmicas é óbvio, você não tem mais esses laços sociais profundos, essa capilaridade de fazer esse tipo de realização. E aí as lógicas de condomínio, né, de você ir privatizando cada vez mais as as os serviços só pioraram. Por quê? Porque a igreja tem a escolinha dela, tem o hospital dela, tem a rede de educação formal dela. E aí é, se você entra na igreja, você tem acesso a esses bens e musicalização, eh, bens sociais que a gente teria em outros lugares, como, por exemplo, aprender a falar em público. Aprendi a falar em público na igreja. E muita gente que produz conteúdo na internet ou que hoje em dia ocupa certos espaços também aprendeu na igreja. A igreja ocupou esse lugar, eh, porque o estado não tava lá para ofertar e nem o mercado para aproveitar essa grande oportunidade, né? E aí a igreja se prestou ao serviço de ser um bracinho do mercado, tá? Fica aí. Mas já que rolou, aí acontece isso, né? Então, é importante aí a gente pensar sobre essas questões e tal. Tum tum tum tum tum tum. Bruno, fala, meu querido, bem-venido. Espero que você curta depois assistir uma paradinha aí que espero que tenha sido massa. Não vi Jéssica, eu não vi a conversa do padre, eu só vi que o padre tem a cara do Lula Molusco harmonizado, né? Eu olhei e falou: "Caraca, mano, igualzinho o Lula Molusco harmonizado. Meme maravilhoso." Mas eu não vi o papo do Jones com padre. Eu perguntei lá no num grupo era tinha sido um debate, o pessoal falou: "Não, não foi debate". Falei: "Então foi confessionário, não sei o que aconteceu ali, mas depois quem sabe eu consigo assistir, mas não vai rolar direitinhou". Com certeza. Com certeza. E se cada crente que é mais de esquerda, progressista, assumisse que quer um projeto de nação e não só mudar a igreja, também ia mudar ajeitar, ajudar bastante. Jogo isso aí. Importante. Sabe por quê? Eu eu vou falar uma parada séria. Muitas vezes o crente de esquerda, crente comunista, progressista, e isso eu vou jogar aqui porque eu estou nesse lugarzinho de debates, quer ajustar a igreja, quer uma igrejinha para ele, para ela, né? Quer uma igreja que seja igual a conservadora. Só que azul, só que sabor morango. E aí é o esforço para mudar a igreja e não para mudar o mundo também por meio da igreja. E aí eu acho um equívoco, acho um equívoco assim programático absurdo. Eu tenho que mudar as relações que obrigam que a igreja seja de determinada maneira. Tenho que mudar essas relações que condicionam a igreja a ser um um espaço X e não Y. E não a igreja por ela mesma. Senão vira só uma disputa de nicho de mercado. Aí digamos que temha 30% de progressista. Aí fica um monte de igrejinha progressista de esquerda disputando esse 30% de mercado para ter os seus fiéis lá. Por quê? Porque o mundo não mudou. O modo de produção segue sendo o mesmo. E aí a gente não tem um projeto que nos une, que faz com que a gente seja crítico e atue enquanto igreja para que a gente possa efetivamente resolver os problemas. Só reproduz a lógica. E aí mesmo quando faz caridade, quando faz ação social, é uma ação social que na verdade não tá liada à política pública e fortalecimento do Estado. Ao contrário. Aí vai minha crítica aí. O pessoal crente de esquerda, pô. Que bom, que massa, que massa. Aí tamos junto, tamos junto. Rek Rek, Rek. Eu li Hei foi mal que meu nome é Hick Dal, talvez tenha me atrapalhado. Bruno, indo nessa linha, você acha que tem gargantada demais nos partidos e pouca organização desses outros fatores? Sim, sim, sim, tem, tem, tem, porque ela é obrigada a fazer isso, né? Então eu entendo a estrutura, tá ligado? Eu eu entendo eu entendo o por que a preocupação é essa e não organização, porque você sobrevive precisando de de como é que é que fala? De recurso, cara. E aí o o a estrutura como ela tá organizada da nossa democracia exige que você gaste muito tempo em coisas que não formam comunidade, que não não criam base e tal. Vou numa próxima live trazer o exemplo do que eu aprendi com os militantes mexicanos, tá? Na numas viagens que eu fiz aí que eu achei muito massa, como eles ganharam as eleições recentes, né, com a Cláudia Shinba eh, na sucessão do Lopes Obrador e eles tiveram uma estratégia brilhante, cara. Eu não vou não posso esquecer. Pela próxima live eu vou vou papear sobre isso que eu acho que vai que ajuda nessa linha aí. Cara, o o grande projeto é muda tudo para manter como ele tá, né? Não, não. Esse é da fascista extremada. Muda tudo para manter como tá. É só soltar na manguela, né? O projeto de direito liberal brasileiro solta na manguela. Caraca, caraca, caraca. Chegou uma coisa que eu não esperava, mas tudo bem. Solta na banguela. Você solta na banguela e deixa rolar. É isso. Não tem nem muito o que fazer. M.