Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

CORTES CRENTES: SOBRE O CENSO, ASSEMBLEIAS DE DEUS, EVANGÉLICOS E POLÍTICA NO BRASIL

CORTES CRENTES: SOBRE O CENSO, ASSEMBLEIAS DE DEUS, EVANGÉLICOS E POLÍTICA NO BRASIL

CORTES CRENTES: SOBRE O CENSO, ASSEMBLEIAS DE DEUS, EVANGÉLICOS E POLÍTICA NO BRASIL

Pix: bruno@reikdal.net

Legendas automáticas:

Nesse momento que saiu o censo, o
pessoal já começou a falar sobre o
censo, não saiu dados do senso sobre
religião. Saiu os dados do censo sobre
religião, o pessoal já começou a fazer
algumas análises aí, análises com a
profundidade de um pires, porque acabou
de sair as informações e a gente já tá
querendo fazer, como é que fala?
eh eh grandes comentários sobre o censo.
Saiu o senso e a galera quer já tirar
conclusões. Que que a gente viu, né,
sobre dados óbvios do senso? Há um segue
um aumento evangélico do país,
crescimento da população que se
autodeclara e apresenta como evangélica,
mas num ritmo mais desacelerado em
relação às projeções feitas, né? havia
projeções de que até 2032, se não me
engano, metade da população já seria
evangélica, mas há um um uma
desaceleração nesse crescimento. Diante
desse pequeno fato, que é importante,
mas não insignificante, mas é
importante, mas não, também é uma coisa
mais importante do mundo, muita gente
saiu dizendo o seguinte, ó, desacelerou
o crescimento evangélico por causa das
questões políticas do envolvimento com
Bolsonaro.
Isso é só burrice, gente. A gente tem
que estudar para ver se é isso, né? Tem
que fazer uma análise mais profunda, tem
que ter um trabalho aí de pesquisa mais
qualificada. A gente não pode ficar já
saindo, dando respostinhas fáceis e
prontas, não. Não pode ser isso. Então,
já dou uma primeira dica, não vamos sair
precipitadamente
dando criando hipóteses ou criando
respostas para porque isso aconteceu,
porque tal fenômeno aconteceu, sem
estudá-lo. E nós não estamos na área
desse estudo, então sem acompanhar quem
tem estudado. E a gente tem ali um uma
verificação junto a quem tem cientista
da religião, cientista social que
acompanha as discussões, acompanha esses
movimentos. Isso é fundamental, tá?
Porque simplesmente a tirada dó, isso aí
é por causa do envolvimento da igreja
com política. Ah, é porque a gente aqui
é de esquerda, quer atacar o
bolsonarismo. Isso é só burrice,
inclusive porque você enfraquece a
política e reforça a demonização da
política e é a participação de pessoas
religiosas na política.
Consegue perceber esse esse efeito?
Então, passo um, não saia dando
respostinhas prontas. Isso é ideologia
barata, isso não é ciência. Se nós somos
pessoas responsáveis, nós trabalhamos
com ciência.
Ciência, ciência social para analisar a
realidade, pesquisa, trabalho
qualificado, né? A gente respeita a
ciência, respeita a ciência. Então a
gente não sai dizendo aí por causa do
envolvimento com com bolsonarismo ou se
o cara é de direita ou mais centro
direita. Ah, isso aí é por causa da
polarização eh da polarização dentro da
igreja. Isso é burrice também.
simplesmente reproduzir isso vendo o
senso, dizer: "Ó, desacelerou o
crescimento evangélico porque a igreja
tá polarizada".
Mais uma vez, reforço da despolitização
e da demonização da política. Você tirar
as pessoas do âmbito de se preocuparem
com política, né? Se preocuparem com a
vida pública, se preocuparem com o mundo
no qual elas estão inseridas. A gente
não pode sair falando esse tipo de
coisa. Tem que analisar quais são as
hipóteses que nós temos. Ah, pode ser
que a minha hipótese seja a polarização.
Hipótese, então eu tenho que testá-la.
Testá-la é ir fazer pesquisa, não soltar
Twitch,
não escrever um artigo, eu acho o quê?
Não fazer alquimia teórica, que é coisa
que o Lavo de Carvalho faria, por
exemplo. Alquimia teórica, o método
alquímico. Você vai sacando autor, não
sei o que lá para dizer o que você quer
de qualquer grosélia. Temos que fazer
isso com cuidado pra gente não fazer
esse tipo de coisa, não fazer como o
Guilherme de Carvalho faz, que é
alquimia teórica, né? Ele vai sacando,
ele trabalha com hipóteses, não testa
nenhuma delas, são só hipóteses,
não faz nenhuma verificação científica,
metodológica, só hipótese. Então, minha
hipótese, ah, diminuiu o crescimento
evangélico, a minha hipótese, beleza,
soltou a hipótese, sabe o que você tem
que fazer? Pesquisar. Ah, mas eu não vou
pesquisar. Então, para de soltar a
hipótese. Para aí de ficar groselhando,
sejamos responsáveis. Isso é importante,
isso é sério. Ser mais responsável com
aquilo que a gente tem de opnologia,
sabe? Ah, uma coisa é trocar ideia no
bar, uma coisa trocar ideia com a
família, ficar beleza, estamos trocando
ideia. Outra é a gente começar a
publicar a produção de conteúdo, a gente
tem que levar ela a sério, mesmo que nas
nossas atuações da internet assim, ah,
faz piada, faz graça, tá no seu canal,
mas é uma coisa séria. É como se forma
opinião pública, como se reproduz
discurso, será que eu tô num senso
comum? Será que eu tô aqui numa
ideologia barata? Será que eu tô aqui só
num reforço que não tem nenhuma função
efetiva de conscientizar, de de
racionalizar o mundo, né? Então,
importante a gente a gente fazer esse
esse papo, assim, a gente fazer esse
tipo de de conversa, de discussão e tal.
Eh, então não vamos cair nos discursos
vazios e nas respostas rápidas para
aquilo que tá acontecendo. Tem hipótese
de trabalho do porque que desacelerou o
crescimento evangélico. Excelente. Vá
testá-la. Depois a gente faz aqui
análises mais mais cuidadosas e
conceituadas. Então,
por exemplo, se nada der errado nas
próximas semanas, sai um texto nosso na
Zelota, fazendo uma primeira observação
sobre o senso baseado naquilo que a
gente já tem publicado e trabalhado nos
últimos anos, testando as teses e as
conclusões que a gente já produziu
para ver se elas se verificam, se elas
precisam ser ajustadas. Vai ser esse
tipo de discussão que a gente quer
fazer, qualificar a conversa, analisar
de maneira cuidadosa
para não cair na ideologia barata, para
não cair nessas paradas que é só uma
reprodução de ideia comum, certo? Então,
fuja, fuja de quem já sai praticando o
roquismo cultural, né, professor Roca, o
roquismo cultural, que é o cientista do
óbvio, o cara que prevê o passado,
futurólogo daquilo que já aconteceu,
essas coisas, né? Não, vamos vamos
respeitar quem trabalha de maneira
qualificada e cuidadosa. Por isso que
nos canalzinho aqui a gente sempre
referencia gente legal pra gente
acompanhar, gente que faz trabalho
trabalho mais bacana. Tá bom. Então vou
começar pelo pelo esse papo do senso pra
gente dizer, cara, temos que estudar,
temos que estudar. Um camarada Artur,
Artur Martins, um excelente músico,
excelente músico. Esse vi um comentário
de um outro camarada, um outro pastor
que tinha falado: "Olha, eh, o
os evangélicos decresceram aí a sua
velocidade de taxa de crescimento, né?
Desacelerou a taxa de crescimento. Ah, é
por causa do bolsonarismo." Aí ele, ô,
gente, vamos estudar primeiro, né? Vamos
fazer ciência primeiro para depois sair
soltando essas informações, né? Porque a
gente
não gosta de um movimento de uma parada
que essa é a causa. E eu falei: "É
isso". E aí eu falei: "Vou, eu ia falar,
comentar isso, mas agora vou trazer pra
livezinha e comecemos por aí", tá bom?
Há um decréscimo, há uma desaceleração,
há um acréscimo bruto, né? Os
evangélicos seguem ascensão em
crescimento da dentro da população
brasileira, mas com uma taxa
desacelerada, menos acelerada do que
antes, o que não é um dado
eh aí perdido e sem sentido. Tudo bem?
Então vamos vamos aí primeiro fazer esse
esse comentário importante, muito
importante. Ciência social não é
opologia. Então vamos vamos trabalhar de
maneira importante
e qualificada, né? qualificada. Bom,
vamos agora pros evangélicos no Brasil e
o capitalismo no Brasil
é muito conhecido o famoso livro de Max
Weber, ética protestante e o espírito do
capitalismo. No geral, as pessoas param
título, né, e dizem, viu, tem uma
relação entre ética protestante e
espírito do capitalismo
e para aí não vai ler o que o cara
produziu. o mais importante, qual é o
método que ele utilizou para poder
discutir aquele tema ali.
Essa é a parte mais importante, o
método.
Tenta, quando for ler um livro de um
autor, de um autor, entender como eles
trabalham o seu pensamento. Mais
importante ou tão importante quanto o
resultado, é como se chega nesse
resultado. É pensar com, acompanhar o
pensamento.
resultado por si só prova muito pouco.
O lance é como ele chegou nessa
conclusão, eu acompanho esse pensamento,
esse método passo a passo e chego nessa
conclusão. Se eu reproduzir esse passo a
passo, eu chego na mesma conclusão. Aí a
gente tá falando de ciência, tá fazendo
de teste aí da nossa teoria, do que a
gente compreende, como a gente
compreende o mundo. Então, método Max
Weber, qual o método que ele utiliza
para chegar ali nessa relação entre
ética protestante, espírito do
capitalismo?
É aí que nos interessa,
porque senão fica muito fácil
simplesmente pegar um título como esse e
dizer: "Ó, o evangelho cresce aí por
causa do capitalismo." É a relação entre
a igreja evangélica e capitalismo do
Brasil é porque é intrínseco o
protestantismo com o capitalismo.
É só burrice também. pegar duas
essências e falar: "Olha, essência do
protestantismo e essência do
capitalismo, elas estão imbricadas e
elas se combinam".
Não, não é isso. O método é distinto.
Max Weber tenta entender qual é a
conduta e como organiza como as pessoas
organizam a sua conduta ética, ou seja,
de organização do dia a dia, de ação
cotidiana, de eleição do que é
preferível no seu dia a dia.
E como essa conduta daí se articula e se
conecta com um tipo de modo de organizar
a vida.
No caso, ele não está fazendo uma tese
universal sobre o capitalismo e a
religião. Ele está analisando em um
território específico, num momento
específico, como se deu a passagem de um
tipo de conduta de vida para outra. E
ele percebe que o elemento religioso
possibilita com que essa passagem seja
mais facilitada, prática cotidiana.
Tanto que ele vai dizer que os
protestantes que ele tá tratando, né,
que o pessoal que é o o tem um um como é
que fala? O puritanismo asético que ele
trata, ele vai até chamar de mediador
evanescente, né, que é aquilo que medida
logo desaparece.
Uma parada que surge ajudando as pessoas
a ter um tipo de conduta diferente de
vida e que se adequa a um novo modo de
produção que tá sendo desenvolvido, né?
Ele não usa expressão modo de produção,
mas um novo modo de vida que tá
acontecendo ao mesmo tempo e que daí há
esses encontros no processo histórico
que condicionam um tipo de conduta
específico, um tipo de maneira de
organizar a vida, de eleger quais são os
fins que nós desejamos, quais são os
bens que nós buscamos para poder
realizar o nosso dia a dia e viver bem
para daí falar, por exemplo, sobre a
relação entre protestantismo e
capitalismo.
E aí o que interessa é para ele entender
esses bens, essa conduta, né?
como como as pessoas alteram sua
conduta, como elas organizam esses
valores.
Isso é importante. Isso é importante,
mas não é uma regra universal de dizer
que há essa conexão imbricada, porque o
capitalismo é uma parada que se adapta a
tudo quanto é tipo de modo de vida,
minha gente. É um, tá baseado no
desenvolvimento das forças produtivas e
alteração das relações sociais,
exigindo um tipo de forma social
específica que é a forma social
burguesa. Mas aí tudo bem, a gente
trabalha devagarzinho cada um desses
conceitos. Tô comentando isso porque nós
não vamos simplesmente reproduzir essa
conexão sem perna e cabeça imediatamente
entre ética evangélica e capitalismo.
vai entrar num passo seguinte, num passo
segundo aqui na nossa discussão de
metodologia de compreensão dessa
relação, lançando mão agora numa parte
interessante de entender o que acontece
no Brasil
que dá condições para que um tipo de
religião cresça e crie raízes em um
determinado tempo específico.
A relação entre a igreja brasileira e o
capitalismo, ela se dá de uma maneira
específica e a gente precisa compreender
ela com similaridades, por exemplo, na
América Latina e com pontos que a gente
poderia esticar também em outros
territórios, mas é muito particular.
E aí a gente então tem que olhar o que
que tá acontecendo nesse território
brasileiro nos últimos tempos para que
haja essa condição aí de crescimento dos
evangélicos. E a gente vai começar desse
passo de reconstrução histórica. Mas
antes, como disse Dougr, Doug, fala aí,
Doug, bom dia, cara. Que bom que você tá
aqui com a gente de novo. Já deram like
na live, dá o like aí porque ela entrega
daí para mais pessoas e a gente pode
trocar uma ideia mais interessante, com
mais gente participando. Beleza? É isso
aí. Então, dá aí o o papo,
dá o like na live.
Gente, seguinte, o que que nós sabemos a
partir do censo, inclusive, que a maior
parte do dos evangélicos do Brasil são
de tradição pentecostal, né? Isso é
importante da gente considerar, porque
essa tradição tem um dia que ela chega
aqui no Brasil, né? Tem tem data, tem
ano. Então a gente tem que considerar
esse crescimento evangélico a partir
desse dessa data e desse ano, que é
quando esses grupos chegam por aqui. A
maior denominação dentro dos
pentecostais é as são as assembleias de
Deus, que também tem sua trajetória
específica. E quando eu falo maior, é
maior mesmo, é um número considerável.
Ou seja, a maior parte dos evangélicos
brasileiros são pentecostais e a maior
parte desses pentecostais são das
tradições das da são da denominação das
Assembleias de Deus. é o grupo
majoritário, o grupo, portanto, que em
certa medida dá o tom
e a cara para esse movimento. Isso é
importante da gente considerar, porque
muita gente vai se apresentar como
evangélico evangélica, mas a gente tem
que olhar esses dados grandes pra gente
saber qual é a cara desse desse
evangelicalismo, quem é.
No final do século XIX aqui no Brasil a
gente já tem protestantes que chegaram,
tá? Então, chegaram protestantes por
aqui da tradições chamadas reformadas,
né? Sejam eh presbiterianos,
calvinistas, eh, anglicanos, luteranos e
tal. E essa galera chega aqui num país
majoritariamente católico
sobre conflitos, né? Porque muitos
chegam, são holandeses, são franceses,
né? Vamos dizer assim. Tem uma galera
que tava também em questões de disputas
coloniais com Portugal, como os
portugueses. Então, chegam por aqui já
em situações de conflito herdadas
e tendo o catolicismo como religião
oficial, são grupos mais marginalizados
porque eles não têm acesso a certos
direitos legais, né? Não tem acerto,
não, não, não podem eh enterrar seus
mortos no cemitério, não podem
participar de certos ambientes das
instituições formais de ensino. Tem um
monte de coisa ali que vai acontecendo.
Por que que é importante destacar isso?
Porque essa galera chega e vai ter uma
dificuldade de se instalar nessa nessa
sociedade brasileira.
No primeiro momento, os protestantes
chamados reformados.
Ao mesmo tempo, são grupos brancos de
classe média, letrados,
trabalham em cargos qualificados dentro
da divisão social do trabalho e que,
portanto, vão ser igrejas de classe
média.
em relação à massa da população mais
elitizados, inclusive a chamada elite
intelectual aqui do do desse movimento
evangélico. Só que isso ali é século
XIX.
No início no início do século XX a gente
já teve independência do Brasil,
fundação da República no final do século
XIX,
primeira república rolando no século XX.
E a gente tem daí a chegada dos
pentecostais aqui no Brasil,
duas grandes denominações que chegam ali
no na década de 10, década de 20, 1911
chega aqui as Assembleias de Deus, que
serão a maior denominação, por meio de
missionários.
Gunar Vingren, sua esposa Frida Vingren
e o camarada Daniel Berk. Três suecos.
Eles são da Suécia porque são suecos.
Suecos da Suécia. A Suécia tá numa
situação muito dura de fome, de pobreza,
de dificuldades.
Essa galera busca lugares de trabalho.
Tem muita gente que sai durante o século
XIX, início do século XX da Suécia.
sai mesmo assim grandes massas da
população, entre elas esses três, eles
passam pelos Estados Unidos,
eh tem uma experiência mística e
religiosa, como batistas, né,
eh, protestantes de tradição batista por
lá, e vem para o Brasil como
missionários, sim e não, vem para
trabalhar, porque aqui no Brasil, nesse
período, está tendo as chamadas
políticas de branqueamento da população.
As políticas eugenistas orientadas por
uma ideologia de progresso tosca e
racista,
que achava que para que houvesse
processo de desenvolvimento e
industrialização do país, era necessário
trazer mão de obra branca europeia.
Então tem vagas e cargos, incentivo para
que brancos venham para cá ocupar terras
no Sul,
no Sudeste, ou trabalhar aí em novas
frentes que estão surgindo pelo país.
É sob essa dinâmica e sob essas relações
que vem Gunar Vingren, Frida Vingrin e
Danielberg.
Veja que a história é uma história
complexa e interessante.
Essa galera que tá lá nos Estados
Unidos, passa, tem sua experiência
religiosa lá, vem para cá, vem para cá
já pentecostalizados, como batistas
pentecostais. Qual que é a grande marca
dos pentecostais nesse momento? É o
êxtase da chamada glossolalia, falar em
línguas. Essa parada que às vezes vira
memeia, a galera zoa tal do cara fala o
que que pleca placa trca toca toca toca
do moleque lá que faz aquele bagulho lá.
o menino lá, o profeta Mirin, que já tá
na zoeira, ali não tem êxtase nenhum,
ali é pilatragem, mas tem a experiência
de êxtase, que inclusive não é uma
experiência só de pentecostais, a gente
tem em outras denominações e em outros
movimentos religiosos pelo mundo essa
experiência da glossolalia, entre sufs,
entre certas tradições judaicas, entre
certas tradições muçulmanas. A gente tem
vários grupos que têm essa experiência
de exase e que tem a glossodalia.
Nos pentecostais, nos Estados Unidos,
nos final do século XIX, começo do
século XX, tem uma galera que tem essa
experiência. Ela começa com uma galera
negra, né, chamada Rua Zusa, né, com a
referência de um pastor William Seimor,
que é um pastor batista negro
sobegregação
nos Estados Unidos, que não pode
participar das aulas no seminário, ele
fica sentado da porta do lado de fora
acompanhando as aulas de teologia, mas
ele tem uma experiência de êxtase de
carisma junto com a sua comunidade. Sua
comunidade tem o êxase e tem o carisma e
começa o movimento pentecostal por lá.
Esse movimento pentecostal vai ser
majoritariamente negros e muitas das
pessoas brancas, pobres, operárias
começam a participar desse negócio
também. Aí que que os brancos fazem no
na dinâmica de segregação? Criam a sua
igreja pentecostal separada da igreja
dos negros.
Nessa segregação e nessa separação
surgem as Assembleias de Deus dos
Estados Unidos,
racistas, segregacionistas e a coisa
toda que só no começo do do século XX
vão pedir desculpa pela sua história.
Os batistas que vem para cá vem desse
grupo branco pentecostalizado. Ou seja,
pois é, essa galera vem para cá e vem
para cá para quê? Como batistas brancos
vim dos Estados Unidos para pregar para
branco.
Só que a classe média brasileira, no
começo do século 20, majoritariamente
católica,
um ou outro perdido agnóstico, um ou
outro humano raríssimo, ateu, raríssimo,
não vão topar essa glossolalia e esse
fusu todo. É muito fora ali da ordem e
do modo como esse pessoal organiza a
vida. Tem nada a ver.
Então, nessa dinâmica, a galera que
chega aqui eh das assembleias das dessas
assembleias de Deus e começa essa
pregação que são o casal, né, o
Gunarving, a Frida e o Daniel Bergler
sobrando no rolê, vieram para trabalhar
eh em uma indústria, se não me engano,
era de uma indústria silvícula, né, de
borracha, de produção de borracha no
Pará ou era elétrica, uma das duas
coisas, eu esqueci agora.
E no Belém, Pará conseguem esse trampo
lá, tão trabalhando. O Danielberg era um
operário propriamente dito. Ele era,
como disse Gedeon Freire Alencar, que é
um um cara que eu vou até colocar aqui
no chat para quem tá acompanhando,
acompanha o trabalho dele, porque boa
parte das informações que eu estou
trazendo aqui é do trabalho de Gideon
Freire Alencar, o maior especialista em
Assembleia de Deus do nosso país. E o
Gideon, ele fala, né, o Danielberg, ele
era quase analfabeto, semiletrado em
sueco, imagina em português.
O Gunarving tinha dificuldade com
português, mas eles vieram para cá então
nesse trabalho missionário. A galera
branca não curtiu muito, não. Teve uma
galera no Sul que curtiu branca, mas era
um grupo minoritário. A maioria que
começou a participar desses movimentos
pentecostais eram mulheres
negras em suas casas, nas periferias das
cidades.
Essa galera sim curtiu essa experiência
pentecostal, esse negócio todo. Essa
galera aí já tava num num jinga muito
mais interessante do que o pessoal
católico de classe média mais com
educação formal, essa coisa toda. E essa
religião começa a se tornar uma
religiosidade dessa galera periférica
nas cidades, tá? Não é no campo, começa
nas cidades, periferias das cidades, vai
se reunindo nas casas, as pessoas pregam
em suas casas, fazem cultos em suas
casas, organizam a vida doméstica. Ainda
é uma estrutura em que o homem vai para
trabalhar no geral, a mulher ficava em
casa, aquela coisa toda. Ainda as
mulheres de periferia que tem que
trabalhar desde sempre para poder se
manter são trabalhos domésticos.
Então tudo tá girando muito dentro da
casa dessa dinâmica periférica e que não
tinha a ver então com o primeiro alvo
desse desse movimento eh evangélicante
pentecostal.
E ali em 1911, gente, a tá falando
começo do século XX. Mas beleza, esse
essa galera vai começar a crescer, vai
começar a se expandir, né? Vai começar a
a ter mais adeptos. Mas ainda é o grupo
pequeno, muito pequeno, muito muito
muito muito pequeno, muito pequeno.
E a galera protestante reformada olhava
para esses evangélicos pentecostais,
sabe como? Seita aí é tudo seita, tá? Aí
é seita. A seita que dó em menos.
Eram seita. Tratava como seita.
Por que que eu tô destacando isso?
Porque depois dos anos 80, quando esse
grupo começa a explodir de crescer, ai
vem cá, meus amigos, somos todos
evangélicos.
Ah, vem cá pra gente ficar junto, né?
Uhum. Qual será? Que que será que
aconteceu?
Que que será que aconteceu aí? Então
agora esse essa galera reformada aqui
que gosta do nome evangélico e gosta de
pousar como evangélico, antes chamava
essa galera de seita, tá? Agora que
gosta de de estampar no peito de nós
igrejas estão nas periferias das
cidades, né? As igrejas aí são eh as
igrejas que que apoiam aí o pessoal que
não tem não tem o estrutura do estado
nem no mercado. Essa galera reformada
agora que tá cheia de de pompa para
dizer isso. Antes chamava de seita e nem
vou dizer o nome que praticavam contra
essa galera de periferia que tava tendo
essa experiência de glossodalia e tal.
Beleza? Que acontece? Essa galera, elas
eles acreditavam que o mundo estava
acabando a qualquer momento. Final do
século XIX, começo do século XX, a crise
da chamada Bellepoc, né, que a galera
que acreditava na ciência, não, de que o
mundo tá indo para um progresso infinito
e de melhoramentos.
E
nesse processo, enquanto eles estão tão
discutindo essa essa parada toda aí, eh
o vem uma primeira guerra, primeira
grande guerra, depois da segunda grande
guerra, as grandes guerras, né, vamos
dizer assim.
E esse pessoal que tava achando que o
mundo ia acabar a qualquer momento,
quando vê isso fica maluco, fala:
"Gente, o mundo vai acabar a qualquer
momento mesmo. Imagina você tá lá num
lugar e do nada você ouve que tem
cidades inteiras sendo explodidas,
aviões que tão até ontem não tinha nada.
De repente você tem uma um rádio que
fala com você e que diz informações
sobre o mundo e que conta histórias
absurdas e fala: "Realmente o mundo tá
acabando, vamos ficar aqui". Então a
galera começa a se organizar muito
rápido nas casas e dizendo que o mundo
tá acabando, mundo tá acabando, o mundo
tá acabando, não tem nada que fazer, tá?
Não sei o que lá. Passa a primeira
grande guerra, segunda Grande Guerra,
esse movimento cresce relativamente
rápido, mas muito espontâneo e sem
relativa organização.
É uma passagem de uma primeira geração
de pastores para uma segunda. A segunda
geração de pastores ali, década de 40,
década de 50, indo pra década de 60.
Essa geração é formada nesse período,
década de 40, 50 e 60.
Essa segunda geração de pastores formada
nesse período,
eles vão falar: "Pô, gente,
o mundo não acabou.
Parece que
sobrevivemos.
Jesus não voltou imediatamente.
Vamos organizar as coisas aqui. A
primeira geração era só espalha o
evangelho, espalha a palavra e vamos
para cima. era completamente anárquico.
Assembleias de Deus, a ideia é que
fossem assembleias mesmo. Todo mundo
participa, todo mundo discute, todo
mundo tá aqui nessa loucura e a gente só
tá aguardando Jesus voltar. era para ser
assembleia
horizontalizada
ou minimamente e sem organização
central, sem planejamento.
A segunda geração já olha e fala: "Cara,
a gente precisa organizar isso aqui, a
gente precisa planejar a nossa
expansão".
A segunda geração, ela já é de gente e
de classe média, já é de pessoas
letradas, já é de pessoas que têm certos
cargos um pouco mais privilegiados
e posições interessantes que fala:
"Cara, vamos planejar nossa expansão? O
mundo não acabou, Jesus não voltou a
qualquer custo, a qualquer momento. A
gente precisa se organizar e estruturar
nossa igreja. Ela entra em conflito essa
segunda geração com a primeira geração e
com as pessoas que lideravam as
comunidades locais. Eles vão conflitar,
eles vão ter discussões e tensões,
porque essa galera de segunda geração,
ela ocupa cargo de pastor e de pastora,
porque eles sabem ler,
eles sabem planejar, tem recurso social
suficiente para planejar a médio e longo
prazo a organização institucional. Esses
recursos você não consegue do nada, né?
Você não aprende a ter concentração,
planejamento, leitura, certo? Sozinho.
Você adquire isso dentro da sua da da
sua classe, do espaço social que você
vive. Isso é importante da gente não
esquecer e da gente destacar.
Essa dinâmica desse processo, que eu
espero que vocês estejam interessados
por essa história, eh, faz com que essa
segunda geração, já melhor posicionada
dentro da divisão social do trabalho e
que ocupa cargos decisórios,
inverta as relações de de poder, de modo
em que ela vai querer se
institucionalizar,
criar cargos e regras. E aí no Brasil é
o único lugar do planeta em que as
Assembleias de Deus são centralizadas,
em que elas têm sedes,
pastor presidente, que é praticamente um
bispo, ou seja, um episcopado, uma
estrutura episcopal, e as congregações,
que são essas várias pequeninas igrejas
que giram em torno dessa sede, desse
polo, desse centro.
Então são igrejas que começaram nas
periferias, que criam suas igrejas
centrais, templos com pastores
presidentes e cargos fixos e vitalícios
que a partir dessas igrejas centrais
planejam as congregações e as igrejinhas
em volta. Inverte a dinâmica. Se antes
era as igrejinhas que vai criando nas
casas, agora inverteu a dinâmica, saca?
Por que que a gente, importante a gente
perceber essa, esse processo todo,
porque essa estrutura episcopal é o que
vai dar o tom para as igrejas
brasileiras em geral.
As igrejas que vão surgir dali paraa
frente aqui no Brasil, em território
brasileiro, vão reproduzir esta mesma
dinâmica de poder como igreja central,
criando suas congregações, suas sedes de
fora, né?
Então, esta é a loucura que nós temos
de organização institucional.
Para que você expanda o seu território,
para que você tenha privilégio nesse
espaço, você precisa do poder executivo
próximo de você. Você precisa de quem
tem poder político e de organização das
cidades que decide sobre as cidades do
seu lado. É por isso, é por isso que
esses, essas lideranças evangélicas
dessas igrejas de segunda geração que
agora criaram suas sedes e centralizaram
vão tentar se aproximar do poder
político existente, vão tentar chegar
perto. Como eles vão fazer isso?
tentando aliciar vereadores,
aliciar deputados, médicos, advogados. E
em 1964,
quando tem o golpe militar,
imediatamente essas lideranças
religiosas dessas igrejas vão se alinhar
e aliar ao poder vigente,
porque assim d sob essa estrutura, eles
vão tentar buscar os seus benefícios, os
seus privilégios e sua estabilidade de
manutenção de poder dentro dessa
sociedade, ainda como grupo minoritário.
Veja essa volta como ela é interessante,
porque há um alinhamento automático com
interesses específicos dessas lideranças
religiosas por questões internas.
Alinhamento ao regime, alinhamento à
ditadura.
Por outro lado, esses evangélicos que
vieram dos Estados Unidos, que tem esse
negócio todo, sejam os reformados, sejam
os pentecostais, não sei o que lá,
quando começam a tentar letrar-se a
respeito de teologia, essa discussão
toda, vão consumir o quê? Conteúdo
gringo, conteúdo que vem ali de suas
sedas, seus territórios fundadores, né?
Então, os Estados Unidos em especial.
E é de onde veio o pessoal da
Congregação Cristã.
E aí de onde veio o
o como é que fala? As assembleias de
Deus, os adventistas, os testemunhos de
Jeová, todos vêm desse de um mesmo
projeto ali do dos Estados Unidos. Então
quando rola esse desse mesmo processo
que rola nos Estados Unidos, que aí um
dia a gente conversa sobre isso
especificamente, mas estão falando do
Brasil, então sua fonte de consumo de
conteúdo são os Estados Unidos. Então
olha que massa, cara. Olha o a volta pra
gente sacar que há uma questão interna,
que é o alinhamento à ditadura militar
em benefício de de estabilizar e
estabelecer seu poder e o consumo do que
vem de fora como conteúdo ideológico que
pós grandes guerras ou pós-grande guerra
que acontece é Guerra Fria,
anticomunista, antibloco soviético,
antiluta popular.
Há uma um encontro entre esse movimento
externo com as questões internas da
estrutura das igrejas e esse met
perfeito
para que o anticomunismo seja uma
bandeira fundamental. E se você é
anticomunista, logo você está em defesa
do
capitalismo. Só que esse a gente é do
ponto político, a gente já vai falar
sobre a questão econômica. Essa é a
primeira parte. primeira parte sobre da
questão eh política, desse alinhamento
das da especialmente das Assembleias de
Deus, mas das religiões pentecostais em
geral, porque elas fazem esse mesmo
movimento com o regime militar, com a
ditadura militar e externamente sobra
fria, o consumo constante de conteúdo
teológico e religioso produzido nos
Estados Unidos, anticomunista e tudo
mais, imperialista, pi, pó poó. Massa,
né? Pausa, porque essa foi a parte
política. Já a gente vai agora pra parte
econômica dessa relação entre igrejas e
capitalismo, que eu acho que é a parte
também mais legal da gente bater um papo
e que eu acho que vocês vão curtir.
Beleza? Curtiram? Massa, né? Eu sei.
Estamos aqui. E o meu alinhamento?
Alinhamento do meu cabelinho tá na régua
mais ou menos. Eu sofri um acidente aqui
na franja do meu cabelo, eh,
recentemente, que foi um acidente de
causado por
forno a lenha.
Eu e minha companheira a gente gosta de
fazer pizza,
pizza caseira, forno alenha.
Só que a gente não viu que na casa da
pessoa que tinha o forno a lenha e que
disponibilizou para que fizéssemos para
uma galera a pizza, que o
cano ali do tubo saí a fumaça tava
tampado. E aí, pô, meu fogo não tá
pegando, fogo não tá pegando, fogo não
tá pegando. Do nada destampou o raio do
negócio e veio um fogar na minha cara. E
aí a franja sofreu um acidente. Então
ela não está muito bem alinhada, mas em
breve ela vai ser. Mas o resto tá na
régua ou tava, né? Em breve eu vou ter
que voltar para dar uma cortadinha. Esse
é o alinhamento do meu cabelo, um
alinhamento com a régua.

Tags: