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Makários | Os 3 Passos para Compreender o Antigo Testamento | Módulo 2 – Aula 1 | Ákilla Nascimento

Makários | Os 3 Passos para Compreender o Antigo Testamento | Módulo 2 – Aula 1 | Ákilla Nascimento

Makários | Os 3 Passos para Compreender o Antigo Testamento | Módulo 2 – Aula 1 | Ákilla Nascimento

Aula 1 | Módulo 2
Curso de Teologia Makários
Os três passos para compreender o Antigo Testamento
Introdução ao Antigo Testamento

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[Música]
Olá, muito boa noite para quem já chegou
aqui para a nossa
aula, primeira aula do segundo módulo do
curso Macários. Bem-vindo, bem-vinda
para mais uma etapa que a gente tá
começando juntos hoje e que a gente
espera desenvolver ao longo dos próximos
três meses. Eh, para quem tá chegando
agora, já dei uma olhadinha aqui no
chat, tem muitas pessoas que estão
acompanhando a gente há há semanas,
agora
meses, mas talvez você esteja vendo essa
aula aqui do curso Macários pela
primeira vez, sem ter tido contato com o
restante do material. Vale salientar o
que é que a gente tá fazendo ao longo
dos últimos meses e planeja fazer no
restante do ano. a gente tá realizando
um curso de teologia básico pela IBNU,
Igreja Batista Nações Unidas, eh que é
um curso que se ah pretende ser
equilibrado do ponto de vista teológico,
com rigor na apresentação das suas
ideias, mas de um caráter básico,
introdutório, em especial para as
pessoas que talvez tdo contato com
muitas ideias, tem lido, mas nunca fez
um curso propriamente de teologia.
Então, a nossa ideia é ser essa porta de
entrada para o mundo, que é o estudo da
teologia, que pode ser desenvolvido de
muitas maneiras diferentes. Então, você
é bem-vindo, bem-vinda para participar
do nosso curso. Esse curso tem três
módulos. Cada módulo com aproximadamente
26 aulas. Cada aula com aproximadamente
1 hora. Eu ainda não fiz o cálculo exato
da carga horária, mas dá para fazer aí.
1 hora x 26 x 3 para você ter uma noção
mais ou menos da carga horária de aula
que a gente tem ao longo do curso. O
primeiro módulo foi finalizado na semana
passada que foi o módulo de teologia
sistemática ou teologia cristã, como a
gente
chamou. Esse módulo que a gente começa
hoje é o módulo de Bíblia. a gente vai
ter uma introdução ao Antigo Testamento
e ao Novo Testamento. E a gente vai
explicar um pouquinho melhor como nós
vamos fazer isso. E a na nossa última
parte desse curso, a gente vai ter
teologia prática. Como é que esse estudo
da doutrina, esse estudo da Bíblia nos
ajuda a desenvolver os ministérios na
vida prática da igreja? Então, a gente
eh recebe vocês com muita alegria aqui
nesse nosso encontro, mais um encontro
do curso Macários e a gente espera que
você consiga tirar o máximo de proveito
dessas aulas. Além das aulas, a gente
tem uma plataforma com todo o material
do curso, ensino.ibibnu.com.br.
br. Nessa plataforma você vai poder
acessar as questões que são referentes a
cada uma das aulas. Eh, é um quiz,
geralmente um quiz com cinco perguntas,
três alternativas cada pergunta. E a
gente sempre tem uma leitura
complementar para cada uma das aulas,
que é uma forma de aprofundamento. Essa
leitura complementar varia bastante de
nível. A gente tem leituras que são
bastante básicas, outras leituras com
perfil um pouco mais técnico, mais
aprofundado, mas eu acredito que vale a
pena esse esforço de poder ler tudo
aquilo que a gente tá compartilhando,
fazer as perguntas como espécie de
acompanhamento da aula, saber se você
conseguiu entender bem os conceitos
básicos e, claro, na medida do possível,
a interação aqui no momento da aula
ajuda a gente também a enriquecer os
nossos encontros.
Bom, ah, a gente planejou o começo desse
módulo de uma forma diferente do que a
gente realmente está fazendo. A gente
desejava muito que saiam desse essa
primeira aula, porque eh ele abriu o
primeiro módulo, certamente é um
professor que tem eh abençoado a vida de
muitas pessoas e essa é precisamente a
área de estudo dele mais aprofundada,
que é o Antigo Testamento. A gente vai
começar hoje com uma introdução geral ao
Antigo Testamento e seria muito bom,
muito proveitoso se a gente tivesse essa
aula sendo ministrada por ele. Mas
devido aos eventos recentes, ele tem eh
a necessidade muito urgente aí de
cuidar, de se afastar um pouco das
atividades para cuidar da saúde.
Provavelmente, se Deus quiser, vai
realizar logo o procedimento cirúrgico
pra correção de um probleminha do
coração e em breve Saião vai estar de
volta com a gente aqui no time para
ajudar a gente nessa jornada no Antigo e
no Novo Testamento.
Ah, dada essas informações gerais do
curso, eh, a gente ainda não subiu, mas
deve subir ainda hoje as perguntas
referentes à aula de hoje e a leitura
também. A leitura de hoje é o capítulo
base que eu utilizei para fazer eh os
slides, para montar o conteúdo do que a
gente vai conversar hoje. Então, vai ser
muito bom se você puder realizar essa
primeira leitura, porque é a o
fundamento para aquilo que será a
estrutura de todas as aulas que a gente
vai ter no mínimo do Antigo Testamento,
tá bom?
Vamos tentar entender um pouquinho eh
porque é que a gente precisa fazer o
estudo da teologia de diferentes
ângulos. A gente teve o primeiro módulo
a fazendo uma análise da teologia
sistemática. E é muito importante a
gente estudar teologia sistemática
porque é por meio desses posicionamentos
que a gente compreendeu nas nossos 26
encontros dos últimos 3s meses, que
muitas das correntes dentro do
cristianismo se definem. Então, a
discussão sobre qual é a linha
soteriológica ou sobre a doutrina da
salvação que você acredita, aquilo que a
gente falou sobre eleição, sobre livre
arbítrio, sobre o chamado eh de Deus, eh
qual é a linha escatológica que você
acredita a respeito do milênio. você é
pré-milenista, pós-milenista,
amilenista, enfim, esse essa compreensão
do que existe de posicionamento nos
ajuda a entender o que é que as outras
pessoas pensam e também definir a
própria posição que nós temos em relação
à teologia. Um outro ponto importante do
estudo da doutrina é, como diz Paulo,
não ser levado por qualquer vento de
doutrina. A história nos ajuda muito a
não repetir os mesmos erros que as
gerações passadas cometeram e que a
duras penas nos ensinaram a seguir um
caminho diferente. Então, estudar
teologia sistemática também é quando
você ouve um ensino novo, quando você
ouve uma coisa que você não está
acostumado, você pode entender melhor de
onde é que isso vem. Ó, talvez esse
ensino pareça interessante, mas está
minando um aspecto fundamental, por
exemplo, sobre a divindade de Jesus ou
sobre a autoridade das Escrituras ou
sobre a maneira como a gente acredita
que será o juízo final. A teologia
sistemática permite você ter esse crio,
esse
critério que lhe permite entender melhor
de onde é que vem as ideias. A outra
coisa é, a Bíblia é enorme. A gente vai
falar um pouco sobre as características
da Bíblia de maneira geral hoje, mas a
Bíblia tem um volume gigantesco de
informações e organizar essas
informações é sempre necessário. A gente
não pode abrir aleatoriamente os textos,
interpretá-los como se eles não tivessem
conexão e achar que tá tudo certo. Não.
a gente parte do pressuposto de que
existe organização, existe consistência
interna ou existe coerência entre os
vários ensinamentos, as várias
histórias, as várias leis que a gente
encontra no Antigo e no Novo Testamento.
E a forma como essa organização é feita
pode ser realizada de mais de uma
maneira e a teologia sistemática é uma
dessas maneiras. Mas tendo dito tudo
isso como importância do estudo da
doutrina a partir da organização
sistemática, existe um passo
anterior. Existe algo mais básico do que
a organização desses textos bíblicos em
grandes categorias teológicas. E que
categorias teológicas é essa que eu tô
me referindo? são as categorias que a
gente estudou no primeiro módulo, eh,
teologia própria, a cristologia,
pneumatologia,
escatologia, eh a missiologia, todas
essas categorias são formas da gente
organizar o texto bíblico que são
importantes. Mas o que é mais importante
do que essa organização? é entender o
texto bíblico, é compreender como é que
essas histórias foram compostas ou o que
é que essas histórias estão comunicando
e permitir que a gente tenha uma maneira
de entrar nas histórias, permitir que
essas histórias se tornem as nossas
histórias como algo ainda mais
fundamental do que simplesmente
organizar a informação
sobre a as orientações práticas ou sobre
uma doutrina em particular que esses
textos podem nos ajudar a organizar.
Então, por mais que o estudo da doutrina
seja importante, nenhum desses textos
bíblicos foram colocados ali como texto
prova para uma doutrina em particular.
Então, por exemplo, a gente citou várias
vezes Primeira Coríntios, capítulo 15,
Segunda Coríntios, capítulo 5,
Apocalipse capítulo 20, João capítulo
14. A gente falou de vários textos e
vários textos apareceram várias e várias
vezes nas nossas eh discussões, mas
nenhum desses textos foi colocado por
Paulo, por João, por Mateus, por Isaías,
por Moisés, para ser um texto prova de
um argumento teológico, para ser o texto
prova de uma doutrina. Esses textos
foram colocados em geral para
desenvolver uma história, uma narrativa.
E é entender a narrativa, entender a
poesia, entender o evangelho que está
contando também uma história. É o que é
mais básico e mais
fundamental naquilo que é a nossa
análise do texto. Então, hoje a gente
vai começar a nossa aula falando
justamente a respeito dessa maneira
diferente de ler o texto bíblico e em
especial de ler o Antigo Testamento de
uma maneira que faça sentido de acordo
com o sentido que o autor gostaria que o
leitor entendesse. E para isso a gente
vai fazer tudo isso com base no título
da nossa aula de hoje que tá aí na aula
do YouTube, que é a os três passos para
compreender o Antigo Testamento. Que
três passos são esses e de que forma a
gente pode realizá-los? Vamos
lá. A Bíblia não é um livro, mas é um
conjunto de livros. Talvez isso seja
muito óbvio para você, mas nem todo
mundo se percebe a se apercebe do fato
de que nós não temos apenas um livro,
mas nós temos 66 livros no canon
bíblico, 39 no Antigo Testamento, 27 no
Novo. A Bíblia tem 1189 capítulos. É
muita coisa. Esses 1189 capítulos foram
subdivisões tardias que a gente fez
muito tempo depois que o texto bíblico
foi
composto. E ela levou aproximadamente
1000 anos para ser composta. Então, a
gente tem um livro de uma amplitude
histórica muito grande. Ah, de maneira
geral, os livros e os cursos de
introdução ao Antigo e Novo Testamento
tem um
enfoque geral ou um enfoque específico.
O que é que a gente quer dizer com isso?
Um enfoque geral é quando a gente trata
dos tópicos relevantes ao testamento
como um todo. Quais são as
características do Antigo Testamento?
Como é que funciona? literatura do
Antigo Testamento como um todo. E outros
cursos e livros tem um
enfoque muito específico, que é tratar
livro por livro. Então, se você abrir um
livro de introdução ao Antigo
Testamento, provavelmente no índice você
vai ver o nome de todos os 39 livros do
Antigo Testamento. E dentro de cada um
desses capítulos, ele vai tratar das
mesmas questões a respeito da elaboração
desse livro, do contexto em que ele
estava inserido, do propósito desse
livro. Esse é um tipo de abordagem
bastante específico. Qual é a abordagem
que a gente vai adotar no nosso curso?
vai ser uma abordagem intermediária. A
gente vai falar de grupos de livros.
Então, a gente vai ter uma aula que é a
próxima para introduzir o Pentateuco. A
gente vai ter aula para introduzir os
livros históricos, a gente vai ter aula
para introduzir os livros poéticos, mas
nós também vamos tratar de informações
específicas. Então, a gente vai ter aula
que vai falar só sobre o livro de
Gênesis e a introdução dos aspectos mais
importantes pra gente saber e
compreender o livro de Gênesis, da mesma
forma com o livro de Êxodo, da mesma
forma com o livro de Levítico, também
com o livro de Salmos, de Jó e alguns
outros casos no Antigo Testamento. Mas
nós não vamos poder fazer isso com os 39
livros do Antigo Testamento e os 27 do
Novo. Por quê? Porque a gente tem uma
carga horária pequena para o tamanho da
tarefa. Claro que não é pouco tempo que
a gente dedica aqui no curso Macários,
né? 3 horas semanais durante 4 semanas
no mês, aproximadamente da 12 horas. 12
x 3 uma carga horária média.
Mas pra gente estudar cada um desses
livros com cada uma dessas perguntas
fundamentais paraa introdução do livro,
é pouco tempo. Então a gente vai
selecionar alguns dos livros do Antigo
Testamento que exemplificam o que é a
Torá, o que são os livros poéticos, os
que são o que são os livros históricos e
assim também com o Novo Testamento. Tá
bom?
uma coisa muito importante no começo da
do estudo da teologia, e aqui eu peço
que você tenha eh bastante atenção,
porque eu pelo menos demorei um pouco
para entender essa distinção. E essa é
uma distinção muito importante pra gente
compreender porque livros sobre o mesmo
assunto são tão diferentes, porque que
autores que tratam do Antigo Testamento
t resultados da sua análise que são tão
diferentes entre si. Porque muitas vezes
os métodos de análise, os métodos de
interpretação da Bíblia também são
distintos. A gente tem dois grandes
grupos de métodos. O método diacrônico
não é só um método. Ou o método
sincrônico não é só um método. Faz mais
sentido pensar como um grupo de métodos
que tísticas comuns entre si. Mas vamos
lá. A gente já citou esses dois nomes
estranhos. O que que é o método
diacrônico e o que que é o método
sincrônico? O método diacrônico tem como
objetivo responder algumas perguntas
básicas sobre a composição do livro.
Quem foi que escreveu esse livro? Quando
esse livro foi escrito? Qual é a
história de desenvolvimento desse texto?
Esse texto passou por um processo
editorial. O que é que a gente quer
dizer com processo editorial? Para
muitos teólogos, para muitos estudiosos,
o Pentateuco, por exemplo, foi escrito
por Moisés, mas não foi escrito na forma
como chegou em nossas mãos, exatamente
como Moisés fez. Houve um processo
editorial em que escribas, pessoas que
vieram depois de
Moisés, eh, pegaram esse texto como
Moisés fez e mudaram o texto no sentido
de complementar uma informação, de
explicar um dado histórico ou de
acrescentar material que não estava
originalmente nos livros do Pentateuco.
Por isso que o processo diacrônico ele é
um pouco diferente daquilo que vão ser
as características do método sincrônico.
A ideia é que o os métodos diacrônicos
eles olham para o livro ao longo do
tempo. Dia é através e crônico aí de
ideia de tempo cronológico. Então,
através do tempo cronológico, esse livro
foi tomando uma forma diferente em cada
período até chegar na forma como nós
temos ele hoje em nossas mãos. ou há
muitos séculos que os textos do Antigo
Testamento não são eh mudados,
transformados e também do Novo
Testamento, mas entende-se que desde o
ponto inicial desse texto até a sua
forma final, houve uma história de
construção do texto. Por isso que muitas
vezes o método diacrônico vai tentar
reverter esse processo, reconstruir como
é que era o texto originalmente, como
foram as etapas intermediárias e como é
que ele chegou no seu estado final.
Muitas das perguntas que são levantadas
pelo método de crônico são fundamentais.
Por exemplo, a todas as vezes que a
gente for introduzir um livro em
particular no nosso curso, você vai ver
a gente fazendo algumas perguntas que
são pertinentes ao método de crônico,
que é quem foi que escreveu esse livro?
Quando foi que esse livro foi escrito?
Porque faz muita diferença você dizer
que a carta aos Coríntios foi escrita
por Paulo ou supostamente por um autor
como Pedro. Eles têm estilos
completamente distintos. Eles passaram
por lugares diferentes. A teologia de
cada um desses apóstolos traz ênfases
diferentes. Então, saber qual é o autor
é muito importante pra gente fazer uma
interpretação adequada do texto. A outra
coisa importante, como a gente colocou
já no método diacrônico, é quando é que
esse livro foi escrito. Faz diferença
saber se um livro foi escrito na época
do exílio, antes da época do exílio
babilônico ou depois da época do exílio,
que é babilônico, que depois virou o o
exílio persa. Faz muita diferença. Antes
do exílio, o povo ainda não tinha
passado por aquilo que foi a condenação
de Deus, a correção de Deus, que foi
levar esse povo pro exílio. Inclusive,
muitos estudiosos acreditam que boa
parte do material do Antigo Testamento,
na forma como a gente tem hoje, data do
período exílico e alguma coisa do
período pós-es exílico. Então, quando o
livro foi escrito também tem sua
relevância. Agora, tem muitas perguntas
que o método diacrônico faz, que muita
gente diz o seguinte: "Olha, a pergunta
é importante, a razão de ser nessa
investigação, mas não dá para saber. Tem
perguntas que a gente consegue fazer,
mas não consegue responder. Então, há
muitas discussões envolvidas dentro das
perguntas que o método diacrônico
levanta. O outro conjunto de livros ou
de perdão, de métodos que a gente vai ah
utilizar é aquilo que a gente tá
resumindo como o método sincrônico, que
é qual é o pano de fundo histórico do
livro, quais são as características
literárias desse livro e qual é a
mensagem teológica desse livro. O método
sincrônico prioriza a análise do livro
em sua forma final. O método sincrônico
não está preocupado em saber qual foi a
história de desenvolvimento do livro,
mas fala o seguinte: "Beleza, seja lá
como esse livro chegou até aqui, o que a
gente tem é essa história, é essa
poesia, é esse conjunto de leis. Como é
que nós podemos interpretar isso na
forma como ela está diante dos nossos
olhos? Ao invés de tentar reconstruir um
texto anterior, ao invés de tentar
separar o que realmente foi Moisés que
escreveu do que foi outro autor, o que a
gente tem é o Pentateuco, a Torá. Vamos
analisar o livro na forma como ele está
diante de nós e vamos pressupor que
existe características dentro desse
texto. Existe coerência do texto no
começo ao fim. Existe uma intenção na
história como um todo. Isso aqui não é
um uma coxa de retalhos de vários
autores diferentes, com intenções
diferentes, que não necessariamente
precisa fazer sentido do começo ao fim.
Não, a gente está pressupondo que essa
história tem um sentido quando lida do
começo ao fim, tem coerência, tem uma
intenção. E por isso, então, o que
caracteriza o método sincrônico é
justamente aquilo que a análise
etimológica da palavra nos informa, que
é sim, eh, é num dado momento do tempo
crônico. Então, a gente não tá olhando
para a análise do livro através do
tempo, mas para um momento síncrono, um
momento único da história, que é quando
esse livro tem o seu formato final, a
forma como nos chegou o
conhecimento. O que é que vai ser mais
utilizado nesse curso aqui? Vão ser os
métodos sincrônicos. Os fatores mais
enfatizados vão ser aqueles que são
levantados pelo método sincrônico. E
aqui vai a enunciação dos três passos
que a gente mencionou no título do
livro. O que é que a gente precisa fazer
para entender qualquer texto do Antigo
Testamento? Com isso, a gente não está
querendo dizer que você consegue
resolver qualquer mistério, consegue
dissolver qualquer texto difícil, não é
isso, mas existe um passo a passo básico
que praticamente todos os estudiosos
mais respeitados do texto bíblico, vão
concordar como o mínimo necessário para
compreender o texto bíblico. Primeiro,
analisar o contexto histórico do livro,
o que é que estava acontecendo no
período em que a história está
acontecendo. Segundo, a análise
literária do livro. Isso é bem mais
recente na história da teologia.
Mas os textos bíblicos têm estilo, os
textos bíblicos têm gênero literário e,
por isso, podem ser submetido às
ferramentas da análise literária como um
outro livro de literatura qualquer. A
gente não tá dizendo que a Bíblia é como
outro livro qualquer, mas no sentido de
que tem características literárias, ela
se assemelha a outros livros. E por fim,
a Bíblia tem um propósito teológico. Não
foi escrito apenas história, não foi eh
escrito apenas um texto estilizado
literário, mas foi escrito um texto com
o propósito de revelar um Deus a um
povo. Então, entender que mensagem é
essa é o passo final e fundamental da
nossa jornada, do nosso trabalho de
interpretação bíblica. Essas três
dimensões, história, literatura e
teologia, costumam ser tratadas em
separado, mas na verdade essas coisas
estão plenamente integradas dentro do
texto bíblico. Por exemplo, história tem
um significado teológico. Teologia é
baseada em eventos históricos. Os textos
que tratam da história e da teologia se
apresentam com características
literárias. Então, ainda que a gente
precise separar esses elementos no
momento de uma explicação, de uma
análise mais
cuidadosa, no fim do processo a gente
tem que colocar todo mundo de volta no
mesmo balaio, no mesmo lugar, porque a
gente não lê o texto simplesmente
procurando a história ou a literatura ou
a teologia. Essas coisas fazem parte do
mesmo livro, da mesma narrativa. Nós,
então, na aula de hoje vamos basicamente
explorar as características da história,
da literatura e da teologia do Antigo
Testamento. Vamos lá, então,
para o nosso primeiro passo, contexto
histórico. Ah, deixa eu falar uma coisa
importante. Na aula
passada uma pessoa pediu slide, eu
encaminhei aqui pro pessoal da
plataforma que deve fazer o upload do
dos slides da última aula pra
plataforma. Mas eu também vou
disponibilizar os slides da aula de
hoje. Eu sei porque até conversando um
pouquinho antes de começar aqui a aula
com a pessoa que acompanha o curso, às
vezes as pessoas ficam atrapalhadas
entre eh copiar o assunto ou a
informação que tá no slide ou prestar
atenção no que tá sendo dito. Então não
precisa se preocupar em reproduzir o
slide aí eh ou no nas suas anotações ou
naquilo que você tá lendo no momento da
aula, que a gente vai passar isso para
vocês depois da aula, tá bom? Contexto
histórico. Existe um ponto em comum em
todas as pessoas que leem a Bíblia de
forma responsável, que é a Bíblia
precisa ser lida no seu contexto e ela
não pode ser lida isolando versículos.
Ainda que isso seja um ponto comum, esse
é um ponto muito desrespeitado na maior
parte das leituras bíblicas que a gente
percebe até
hoje. Você lembra daquele negócio que
existia? Eu via muito na minha infância,
não sei se ainda existe hoje, que é
caixinha de promessas. Era um negócio
com vários cartõezinhos pequenininhos
que a pessoa tirava. tinha um versículo
com uma promessa e a pessoa entendia que
aquela era a promessa do dia. Qual o
problema da gente ler a Bíblia assim? É
que nenhum desses versículos foram
colocados para servir a esse propósito
no texto bíblico. Todos os versículos
estão dentro de uma história maior que
só faz sentido entendendo que história é
essa. Por quê? Se a gente isola um
versículo, a gente pode dizer
praticamente qualquer coisa sobre esse
versículo. Se a gente isola uma fala do
eh nosso Senhor, se a gente isola uma
fala do profeta Isaías, a gente pode
aplicar da maneira que a gente desejar.
Quando na verdade Isaías tinha um
propósito muito específico com a sua
profecia, tinha uma tinha um propósito
muito específico com sua profecia. E a
gente quando faz isso, a gente está de
certa forma indo contra a vontade do
texto. O contexto que a gente está se
referindo não é só literário, mas também
histórico. O que é que significa dizer,
por exemplo, como muitas pessoas afirmam
que a Bíblia é atemporal?
É muito perigosa essa afirmação. Quando
a gente fala que a Bíblia é atemporal, é
como se a gente pudesse pegar o
princípio que está sendo ensinado. A
maioria das pessoas abrem a Bíblia já
com essa sede, essa gana de saber qual
que é a aplicação desse texto para minha
vida. E no momento em que essas pessoas
acreditam que encontraram esse princípio
ou essa aplicação, elas tiram esse
princípio de toda essa sujeira, de toda
essa terra, de toda essa confusão que é
a história na qual o princípio está
inserido e descasca, limpa, tira toda a
forma de história que está em torno
desse princípio. Por quê? O que ela quer
é o princípio. É justamente a ideia de
que o que vale na Bíblia são essas
pérolas, são essas gemas, são essas
partes preciosas que são os ensinamentos
sobre Deus, sobre a nossa vida, sobre o
mundo, que são atemporais, como se o
propósito da Bíblia fosse justamente ser
separada da confusão, que é a história
para ser elevada à categoria de verdades
eternas. Isso é muito complicado. Por
quê? Ainda que a Bíblia seja verdade no
seu contexto original há 3.000 anos
atrás, ainda que a Bíblia seja verdade
no seu contexto original do Novo
Testamento há 2000 anos atrás atrás,
continue sendo relevante pra gente hoje,
ela só é relevante pra gente hoje. Ela
só comunica aquilo que é verdade a
partir daquilo que ela significava para
os seus leitores originais, para o seu
autor que originalmente tinha um
propósito em comunicar essas coisas
dentro do contexto que ele vivia. Então,
quando a gente fala que a Bíblia é um
livro atemporal, existe uma maneira
correta e existem muitas maneiras
erradas de interpretar essa expressão. A
minha percepção mais concisa de dizer
que a Bíblia é atemporal é no sentido de
dizer que ela é uma história que governa
todas as outras histórias. Ou seja, ela
é atemporal porque ainda que ela tenha
sido escrita em um contexto original,
aquele contexto original foi um contexto
muito diferente de todos os outros,
porque foi ali que Deus se revelou de
forma especial para que todas as pessoas
pudessem conhecer esse Deus verdadeiro.
Então, essa história que está em
Gênesis, essa história que está em Jó,
essa história que está eh no livro de
Judas, é a história que deve governar a
minha história. Nesse sentido, ela é
atemporal, porque, na verdade, ela não
está fora do tempo, ela inclui todos os
pontos do tempo. Mas quando a gente fala
que a Bíblia é atemporal, a gente não
pode esquecer desse ponto. A Bíblia é
condicionada por sua época. A Bíblia é
condicionada por sua
cultura. Por exemplo, quando a gente lê
o texto de Gênesis, fica muito claro que
foram usadas convenções literárias
próprias daquela época para comunicar
como o mundo foi criado, como é que os
povos surgiram, como é que o povo de
Israel começou a partir de Abraão. Nós,
por outro lado, estamos distanciados dos
eventos que motivaram a escrita desses
livros. Estamos muito distanciados.
Estamos a 3.000, 3.500 anos de
distância desses eventos. Então, a gente
não pode imaginar que as pessoas
contavam histórias há 3.000 anos atrás
na Mesopotâmia, da mesma forma que nós
contamos hoje no Brasil, ano de 2025. As
maneiras de contar um fato, as perguntas
que as pessoas se faziam eram muito
diferentes da maneira como nós contamos
os fatos e das perguntas que nós nos
fazemos hoje. Por isso, se submeter à
autoridade bíblica não significa pegar
um texto, encontrar a primeira aplicação
possível para esse texto e dizer:
"Aqueles que realmente acreditam na
Bíblia como palavra de Deus, precisam
seguir essa orientação aqui." E calma
lá, tem muitos passos anteriores pra
gente primeiro responder o que é que
esse texto realmente está querendo
dizer. A partir do momento em que a
gente faz as perguntas que o texto está
fazendo, a gente encontra as respostas
que o Antigo Testamento, que o Novo
Testamento está dando, é que a gente
pode dar esse passo realmente
importante. Eu preciso submeter a minha
vida a esse
ensinamento. Ah, e de maneira geral,
pessoal, esse é o propósito do módulo
como um todo, tá? Só fazendo um
parênteses aqui. Qual é o propósito
desse módulo? Encurtar distância. a
distância no tempo, a distância na
maneira de pensar, a distância na
maneira de se comunicar que existe entre
nós, leitores do ano de 2025,
distribuídos por vários lugares do
Brasil e de outros países também, mas
desses autores que viveram há milhares
de anos atrás e desses leitores e
ouvintes originais que tinham outra
maneira de se comunicar, de pensar e de
escrever. Por que que isso é importante?
Porque sem compreensão do contexto, nós
não sabemos o que é que significa seguir
a palavra de
Deus. Com raras
exceções, nós temos livros na Bíblia que
narram histórias bem posicionadas na
cronologia relativa. Quem veio antes de
quem e quem veio depois de quem? Existem
muitas discussões sobre exatamente em
que ano aconteceram esses eventos sobre
o chamado de Abraão, em que ano
aconteceu exatamente o êxodo, em que ano
alguns eventos são bastante claros no
posicionamento histórico, como por
exemplo a queda de Jerusalém, a o início
do exílio babilônico. Então, ainda que
alguns eventos a gente não saiba com
precisão do ano, a gente sabe
aproximadamente uma faixa de tempo e
principalmente a gente sabe quem veio
antes de quem e quem veio depois de
quem. Não faz sentido imaginar que
Daniel veio antes de Moisés. Não faz
sentido imaginar que Moisés veio antes
de Abraão. Não faz sentido imaginar que
Abraão veio antes de Adão. Então, a
gente tem clareza dessa cronologia
bíblica e isso precisa ficar sempre eh
no fundo da nossa cabeça, assim
disponível paraa nossa memória. Quando a
gente abre e a gente lê um texto como
juízes, o período dos juízes aconteceu
antes ou depois da monarquia? O
estabelecimento da monarquia em Israel.
aconteceu antes. Mas isso é importante,
muito importante. O contexto, a maneira
como Israel estava organizada no período
dos juízes é muito diferente do que a
monarquia no período do seu apogeu com
Davi e
Salomão. Então, a gente precisa ter essa
clareza da linha histórica.
Um dos erros mais perigosos e
recorrentes da interpretação do Antigo
Testamento é justamente a imposição de
valores contemporâneos de nossa cultura
dentro da história do Antigo Testamento.
Isso é um problema na leitura da Bíblia.
Isso é um problema na leitura de
qualquer documento histórico. Qual o
nome que a gente dá para isso? Isso é o
pecado mortal do historiador, que é
cometer anacronismo. É a ideia de que
você está
avaliando os eventos do passado com a
régua do presente, como se aquelas
pessoas tivessem obrigação de se
submeter à nossa
moral, conforme a interpretação do que é
a moral na mente contemporânea, como se
as pessoas estivessem eh sujeitas a um
julgamento no passado com as avaliações
que a gente faz. com as métricas e com
os juízos do presente. Esse tipo de
postura leva a muitos erros e muitos
problemas do ponto de vista histórico. E
é fundamental a gente entender a
natureza então da historiografia. A
gente já falou bastante de história e
agora a gente tá colocando uma nova
palavrinha aí na nossa conversa, que é
historiografia. Mas vamos dar um passo
atrás que é se perguntar o que que é
história e o que que é historiografia.
de forma muito muito simples, talvez até
simplista. História está relacionado a
aos eventos do passado. A história eh é
aquilo que está ligado ao relato dos
eventos do passado. A historiografia é a
escrita dos eventos do passado. É a
maneira como é que a história é contada,
a maneira como a história é registrada.
Então, pensa em um como sendo o evento,
o evento da ressurreição de Jesus. Pensa
no outro como sendo o relato do evento,
como é que Lucas registrou a
ressurreição de
Jesus. Como é que, por exemplo, os
livros históricos, Primeira Reis,
Segunda Reis, Primeira Samuel, Segunda
Samuel, Crônicas, como é que esses
livros relatam aquilo que aconteceu no
começo da monarquia de Israel? O livro
histórico eh significa, o dizer que um
livro é histórico significa que o autor
tem intenção de relatar
fatos que aconteceram no espaço e no
tempo passados. O livro de história na
Bíblia não é o mesmo que o livro de
história dos padrões modernos. É muito
diferente você pegar o livro, por
exemplo, acho que é eh do século XIX, um
clássico da história, O declínio e queda
do Império Romano de Edward Gibbon, um
livro de história gigantesco que tem um
tratamento muito respeitado sobre a
fase, o Império Romano como um todo, mas
em especial a sua fase final. É muito
diferente você ler esse tipo de livro de
história para aquilo que são esses
livros que eu acabei de mencionar,
Primeira e Segunda Samuel, por exemplo.
O registro dos eventos envolve autor e
sua interpretação dos fatos para uma
audiência específica. A história sempre
procura atribuir coerência aos eventos
narrados. Toda narrativa parte de uma
perspectiva restrita. Ninguém tem todos
os dados da realidade. Ninguém consegue
contar a história com todos os detalhes
do que aconteceu, com todas as
informações possíveis relacionadas a
esse evento. Toda a história tem alguma
dose de subjetividade. Se você precisa
selecionar, a escolha do autor vai estar
envolvida nesse processo. Toda história
tem alguma dose de
subjetividade. A própria noção de o que
é objetivo e o que é subjetivo pode ser
algo bastante
enganoso. Tudo passa pelo filtro da
subjetividade. Agora, quando a gente diz
que tudo tem alguma dose de
subjetividade, a gente não tá querendo
dizer que todo relato histórico é uma
criação da cabeça do autor. Não é porque
a gente fala assim: "Olha, quando o
autor de Primeira e segunda Samuel
relatou história, ele relatou de uma
perspectiva pessoal, particular, a gente
não tá querendo dizer que ele inventou
os fatos, mas que ele contou aquela
história a partir de um ponto de vista
particular.
Toda história é selecionada por alguém e
isso não invalida o relato simplesmente
como mera projeção do autor. O que a
gente tá querendo dizer que a
perspectiva do autor e do leitor
precisam ser
considerados no ato da interpretação do
texto. Quem foi que escreveu e para quem
escreveu? Um outro ponto, os autores
bíblicos têm interesse em registrar
eventos reais do passado. Os autores
bíblicos realmente acreditavam que o
universo foi criado por Deus, que Abraão
migrou da Mesopotâmia para o que hoje é
a região ali da Palestina, Israel.
Moisés atravessou o Mar Vermelho. Davi
ascendeu ao trono de Israel. A
historicidade, ou seja, a certeza que
esses eventos de fato aconteceram na
história é assumida pelos autores
bíblicos. Eles não estão nem tentando
provar que isso é verdade. Eles estão
apenas informando que isso
aconteceu. A intenção do autor bíblico é
sempre impactar o leitor com o
significado teológico dos eventos que se
assume como algo que de fato aconteceu
na história. Então, todos os livros da
Bíblia, mesmo os livros que a gente
classifica como livros históricos, estão
registrando os eventos do passado, mas
nunca apenas para registrar os eventos
do passado. A ideia sempre é registrar o
evento do passado, comunicar que essas
coisas aconteceram, mas confrontar e
impactar o leitor com o significado
dessas histórias. De que maneira Deus
estava presente aqui?
De que maneira Deus se revelou ao seu
povo? se revelou às pessoas que teriam
contato com esse texto e que precisa ser
compreendido pelo
leitor. A história e a teologia estão de
mão dadas, estão de mãos dadas naquilo
que é o texto bíblico. Isso é muito
importante. História e teologia estão
unificados no texto bíblico e a história
é sempre narrada com um propósito
divino. Claro que isso é o pressuposto
de quem entende que a Bíblia é um texto
inspirado por Deus. Se você tem a
perspectiva de que esse é um texto
basicamente fruto de processos humanos
com intenções de manipulação, de
controle das massas, isso é um relato
como existia em qualquer outro povo da
antiguidade, você não vai partilhar
dessa perspectiva. Mas para nós que
entendemos que a Bíblia é um texto
inspirado por Deus, a gente também
percebe que a história ela é sempre
narrada com um propósito divino. Muitos
se referem a essa união como uma
história teológica. A Bíblia tem vários
momentos de narrativa histórica que
devem ser entendidos como história
teológica. E essa classificação ajuda,
mas demanda muito, muito cuidado, porque
toda narrativa histórica tem alguma
intenção dentro e fora da Bíblia. Nesse
sentido, a Bíblia não é particular, não
é exceção. O fato de que a gente diz que
a história na Bíblia tem uma intenção
teológica, revelar o Deus verdadeiro,
todo texto histórico também tem alguma
intenção. Ainda que não seja o mesmo da
Bíblia, vai ter alguma intenção. O autor
quer fazer algo com você.
É preciso você abandonar essa
ingenuidade de que existem autores que
escrevem com completa imparcialidade.
Existem autores que escrevem apenas
relatando o que aconteceu. Isso nunca
acontece. sempre existe uma intenção do
autor por trás do texto que você está
lendo. É realmente importante, por
exemplo, que os eventos que a gente lê
na Bíblia tenham acontecido ou não na
história? Será que não seria suficiente
manter um ensino ético e moral das
escrituras sem se preocupar com esse
lance de o que realmente aconteceu na
história? Como foi que esses eventos
tomaram eh lugar no palco da história?
E aqui vale um texto que a gente leu há
pouquíssimo tempo no curso Macários, que
é o texto de Primeira Coríntios 15:14.
Se Cristo não ressuscitou, é inútil a
nossa pregação, como também é inútil a
fé que vocês têm. Evento histórico,
ressurreição de Jesus. Ou Jesus
ressuscitou dentre os mortos ou ele não
ressuscitou. Se a gente está preocupado
apenas com ensino ético e moral, a gente
poderia dizer: "Não é tão importante
assim, porque Jesus foi uma figura
singular muito importante na
história. Independentemente do que tem
acontecido em torno da sua ressurreição
ou não, permanece o ensino, permanece o
exemplo. Paulo diz que não. Se Cristo
não ressuscitou dentre os mortos, a
nossa pregação é inútil, assim como a fé
que vocês têm na correspondência de
Paulo com os
Coríntios. Ainda que tenham fatos mais
importantes do que outros, minar a
historicidade pretendida pelos autores
tem consequências muito profundas na
relação de fé que nós temos com a
Bíblia. Se alguém
começa a apontar que as coisas não
necessariamente acontecerão assim como
estão narradas na Bíblia, olha, eu
preciso prestar muita atenção. Por
quê? Porque a dependência entre
teologia, mensagem teológica, ensino
ético, ensino moral, revelação de Deus e
história é muito profunda essa relação é
muito estreita, tá?
O próximo ponto aqui é desenvolvendo
aquilo que a gente tinha falado sobre a
historiografia. A gente precisa entender
um pouquinho como é que essa história é
registrada na Bíblia. E essa história
registrada na Bíblia tem algumas
características, como você pode ver aí
no slide. Seletividade, ênfase, ordem e
aplicação. Seletividade. Ninguém fala
tudo sobre um único evento que seja. Se
você chegar em
casa e seu cônjuge lhe perguntar como é
que foi o dia, você provavelmente não
vai descrever se o pneu do ônibus estava
com lama ou não. Você não vai falar
sobre a cor do casaco do seu colega de
trabalho. Você não vai falar sobre a
umidade do ar no momento em que você
chegou em casa, você vai selecionar
aquilo que tem muita importância e
levaria muito
tempo falar sobre todas as informações
que você teve acesso e também há muitos
detalhes que não contribuem em nada para
o propósito desejado pelo autor. O que é
que vai ser incluído e o que é que vai
ser excluído? Essa é uma pergunta que
todo mundo que conta uma história
precisa se fazer ou faz automaticamente
sem nem perceber. Existe uma diferença
clara, por exemplo, entre os livros de
Primeira a Segunda Samuel, Primeira e
Segunda Reis de um lado, e o livro de
Primeira e Segunda Crônicas do outro.
Por exemplo, no primeiro caso, primeiro
e segunda Samuel e Primeira e Segunda
Reis, fala-se do adultério de Davi. No
segundo, esse evento, esse fato nem é
mencionado, exceto por uma menção de
Batseba na genealogia de Davi. Mas por
que que Crônicas não faz menção a isso
quando primeira e segunda Samuel falam
muito sobre isso? Porque o propósito
desses livros eram diferentes? Samuel e
Reis, por
exemplo, eh, tá tentando responder a
seguinte pergunta: Porque nós, que somos
o povo escolhido, estamos no exílio? Ou
seja, entende-se para boa parte dos
estudiosos que Primeira e Segunda
Samuel, Primeira Segunda
Reis, são escritos ou encontram a sua
forma final de escrita no período do
exílio. E o período do exílio é um
período de muita pergunta. Por que se
Deus nos escolheu, o criador dos céus e
da terra e do universo inteiro é o nosso
Deus e não o Deus dos pagãos? Por que
que a gente está sofrendo na mão dos
pagãos? Entender esse caminho era
fundamental e essa
pergunta exigia a menção do pecado de
Davi. Porque que nós, que somos o povo
escolhido, estamos no exílio? Já em
crônicas, a gente tá falando do período
provavelmente pós-es exílico. E a
pergunta básica de crônicas é: como é
que nós da tribo de Judá damos
continuidade à história e à promessas
dos nossos antepassados? Opa, mudou o
contexto. A gente não tá falando das 12
tribos, mas está falando do reino de
Judá. E a gente não está falando sobre
porque estamos no exílio, porque o
exílio já passou, pelo menos naquela
forma como eles experimentaram com os
babilônios. E a pergunta agora é: como é
que a gente pode dar continuidade às
histórias da promessa que nós
recebemos? Segundo lugar, ênfase tá
diretamente relacionado com a
seletividade. Nem todos os fatos são
narrados e dentre os eventos narrados,
alguns são mais importantes do que os
outros. Existe maior ênfase que é dada
para eventos que cooperam para esse
propósito maior do livro. O templo de
Jerusalém, por exemplo, é um símbolo
fundamental. É um dos elementos mais
importantes no livro de Primeira e
Segunda Crônicas. O livro é escrito no
período em que o templo está sendo
reconstruído. Por isso, compreender o
significado do templo é tão importante.
E o templo serve como essa ponte entre o
período pósesílico que eles estão
vivendo agora, e o período anterior, que
é o período de Moisés e Davi. E essa
ponte é fundamental para aquilo que eles
estavam experimentando no momento da
reconstrução. precisa existir uma
continuidade entre isso que tá
acontecendo com a gente agora no momento
de reconstrução de Israel e isso que
aconteceu com Moisés, isso que aconteceu
com Davi. Terceiro
lugar, a característica da história,
historiografia bíblica é a ordem. Em
geral, a narrativa respeita a ordem
cronológica dos fatos. De forma geral,
você não tem muitos vai e vens na
história. Você narra um evento que
aconteceu e depois volta para narrar
outro que aconteceu no passado. Há casos
em que a preocupação temática altera
essa ordem natural dos eventos. Por
exemplo, Primeira Samuel, capítulo 16,
do 14 ao
23, a gente tem Davi aparecendo como um
musicista que acalma Saul. Lembra
daquela história? Saul perturbado por
espíritos maus, eh, Davi toca e Saul se
acalma. Capítulo 16. Quando a gente vira
a página e vai pro capítulo 17, Davi
aparece como aquele que derrota Golias.
E depois da vitória de Davi é que ele é
apresentado para Saul ainda no capítulo
17. E Saul reage como se não conhecesse
o
menino. A gente pode interpretar que
talvez Saul não lembrava que Davi era
aquele músico que tocava a arpa para o
acalmar no momento em que ele estava
sendo perturbado por aqueles espíritos.
Pode, mas é improvável. O que é provável
é que o texto quis primeiro introduzir
Davi como dotado dessa capacidade
musical e poética, que isso vai ser
muito relevante para entender eh Davi
como sendo o grande salmista e depois
quer introduzir Davi como esse grande
guerreiro, que é o guerreiro que começa
a sua história de guerra derrotando
Golias, o gigante filisteu. Então, a
gente tem possivelmente uma inversão dos
da ordem natural por um propósito do
autor, mas isso é exceção. Normalmente
as narrativas e as histórias são
contadas na ordem que elas aconteceram.
Em quarto lugar, a aplicação. Os autores
da Bíblia nem tentam parecer autores
desapaixonados, distanciados pela
interpretação dos eventos.
O oposto é uma ilusão moderna, como a
gente já colocou, esse autor que se
coloca como um observador externo, um
avaliador imparcial, ele está apenas
reportando aquilo que ele presenciou. é
uma ilusão da modernidade que inclusive
tem caído já nos últimos assim períodos
de revisão de como é que a gente entende
a história mesmo na contemporaneidade,
muitos historiadores admitem isso. Toda
história é contada de um ponto de vista.
No caso da Bíblia, os autores serviam
como profetas, mediadores da palavra de
Deus. E eles eram veículos da
interpretação divina dos atos do próprio
Deus. Por isso, os historiadores de
Israel são
pregadores. No caso da Bíblia, o que a
gente tem é uma série de relatos
históricos com validade do ponto de
vista histórico, mas que tinha um
propósito muito claro, muito evidente. E
eles não fazem questão de esconder isso.
Eles também eram
pregadores. Tem sido o ponto da
história, a gente precisa se preocupar
com aquilo que é a análise literária da
Bíblia. Pessoal, eu acho que esse é um
dos pontos mais importantes, não porque
seja mais importante do que a história,
mas porque eu acho que é mais ignorado
do que o primeiro passo, que é analisar
o livro histórico do ponto de o livro
bíblico, do ponto de vista histórico. As
pessoas nem sempre t muita clareza de
que os textos bíblicos fazem parte de
gêneros, gêneros literários. Por
exemplo, no Antigo Testamento, os dois
principais gêneros que a gente encontra
é narrativa e
poesia. Quase a totalidade do Antigo
Testamento pode ser resumido ou pode ser
resumida a dois tipos de texto, que é
justamente a narrativa e a poesia. mesmo
as descrições, por exemplo, das
fronteiras das tribos, os códigos legais
do Levítico, do Deuteronômio, a
genealogia dos principais personagens,
tudo isso está dentro de um contexto de
narrativa dos grandes atos de Deus e do
desenvolvimento de Israel. No caso do
Antigo
Testamento, a Bíblia não se parece com
os nossos livros de história e nem mesmo
com os nossos ensaios teológicos
contemporâneos. Por quê? Porque a Bíblia
está preocupada com poemas e com
narrativas. Eu ouvi isso de um professor
meu do mestrado. Ele falou: "Ó, só
teólogo tem esse lance de escrever um
livro de 500 páginas e não usar nem
mesmo uma única imagem.
Eh, é a ideia de que você tem um uma
teologia muito argumentativa, você tem
um uma teologia muito da elaboração da
lógica dos eventos ou a análise da
história nesse sentido de aconteceu o
evento ou não aconteceu. Ainda que os
argumentos sejam importantes, ainda que
a avaliação da história seja importante,
é interessante que a Bíblia não
conta aquilo que ela tem para contar
dessa maneira. A Bíblia conta o que tem
para contar por meio de poesia e por
meio de narrativas. Por que que ela faz
isso? Isso alcança um público muito,
muito maior. Não é
necessário você ter muita
idade ou você ter muita escolaridade,
por exemplo, para se identificar com a
história de Davi e Golias, de Sansão e
Dalila, de Estter ou então a história de
Rut. Toda criança intuitivamente começa
a entender, a se identificar e permitir
que essas histórias transformem quem
elas são. As histórias fazem muito mais
do que informar o intelecto. As
histórias despertam emoções, as
histórias demandam decisões, as
histórias estimulam e formam a nossa
imaginação. E as culturas contam
histórias de formas muito diferentes
entre si. Quando a gente abre a Bíblia,
a gente precisa reconhecer, nós somos
estrangeiros em terra estranha. Nós
precisamos nos ambientar com esse mundo.
Pergunta básica é: Quais são as
convenções literárias do passado? Como é
que essas pessoas contavam a história?
Qual é a estratégia de leitura mais
apropriada diante dessa maneira de eles
contarem as histórias? Se eles contam as
histórias assim, é porque nós precisamos
nos adequar a eles, os autores originais
e os leitores originais. Não o
contrário. Não é Gênesis que tem que se
adequar às minhas perguntas. A gente
sempre faz essa pergunta. Poxa,
mas o texto de Gênesis está fazendo um
relato da criação que deve ser lido de
forma literal ou não? Já ocorreu a você
fazer a pergunta de que talvez o texto
de Gênesis tenha outra preocupação do
que responder essa pergunta? se é uma
narrativa eh científica ou não
científica, talvez ele tenha outro
desejo, o texto tenha outro propósito e
a única maneira proveitosa de lê-lo e
respeitosa é encontrando a maneira como
Gênesis conta a história. Vamos lá falar
um pouquinho sobre as convenções da
poesia hebraica e depois um pouquinho da
convenção da narrativa hebraica. Poesia
hebraica. A poesia é um gênero literário
altamente estilizado. Costuma ser fácil
de a gente distinguir da prosa, daquilo
que é a
narrativa. A poesia é um estilo
artificial no sentido de que ela não
segue as regras normais da linguagem. Há
características da poesia, mas nenhuma
dessas características eh separadamente
ou em grupo conseguem fornecer assim uma
definição precisa de poesia. Quase como
se a gente batesse o olho e soubesse que
aquilo dali é um texto poético, mas a
gente conseguisse dizer exatamente o que
é uma poesia, no caso da poesia
hebraica, tá? Poesia hebraica é
diferente da poesia em língua portuguesa
que é diferente em da poesia em língua
inglesa. Só para comparar isso, não sei
se vocês já viram algo a respeito, mas
as características da poesia inglesa é
muito diferente daquilo que é a poesia
brasileira.
Então, imagina isso paraa poesia
hebraica de 3.000 anos atrás é ainda
mais importante. Em alguns textos
proféticos é muito difícil a gente dizer
se a gente está diante de uma poesia ou
de uma prosa altamente estilística. Nem
sempre essa distinção é assim tão
fácil. Vamos lá ver algumas
características da poesia. Primeiro,
concisão. A principal característica da
poesia hebraica é que ela é composta por
sentenças curtas. Essas sentenças estão
agrupadas em diferentes níveis de
paralelismo e estrofes e ela é
explicitada em várias versões que
colocam o texto
poético em margens mais largas. As
nossas traduções fazem isso para nos
ajudar a perceber que aquilo é uma
poesia. Então, quando você abre o livro
dos Salmos, você vai ver que é diferente
as margens do que é no livro de Jó, por
exemplo, que tá contando uma história,
ainda que também tenham muitas poesias
no meio da história de Jó, a poesia fala
muita coisa em poucas palavras e existem
dois mecanismos principais para
economizar a palavra. Primeiro, a
supressão das conjunções. Segundo, a
grande frequência das imagens. Por
exemplo, para supressão das conjunções,
o Senhor é o meu pastor, de nada terei
falta. Essas duas partes poderiam ter
sido conectadas por uma conjunção, mas
não é uma maneira da poesia economizar a
palavra. Grande frequência das imagens é
um ponto que a gente vai falar já
já. Isso mostra pra gente, pessoal, um
ponto que é fundamental para toda a
Bíblia. Tô falando agora sobre poesia
hebraica, mas vale para toda a Bíblia. A
concisão da poesia hebraica demanda que
a leitura seja lenta e que a leitura
seja meditativa. Eu sei que tem muitas
pessoas, eu mesmo já tive esse interesse
de saber como é que a gente pode ler
mais rápido, porque se a gente ler mais
rápido, a gente lê mais, mas nem sempre
ler mais. se ler mais rápido é ler
melhor. A ideia de leitura dinâmica é
muito estranha para alguns ou paraa
maior parte dos escritores e dos
estudiosos que eu li e que se deram ao
trabalho de comentar esse assunto. O que
essas pessoas que leram muito e muito
bem falam é: Ó, aquilo que vale a pena
ser lido, vale a pena ser lido
lentamente. Da mesma forma pegar a
Bíblia e ler de capa a capa em 3, 4 dias
tem um valor? Tem, com certeza tem um
valor. Mas não tem como a gente dizer
que a gente tirou bom proveito da Bíblia
se a gente leu tudo de forma muito
rápida. A poesia hebraica demanda uma
leitura lenta e uma leitura meditativa.
Ao mesmo tempo, é aí onde entra o
equilíbrio. Tem partes da Bíblia que não
adianta ler de forma isolada. Por
exemplo, Isaías 40 até o 55 formam uma
unidade literária. O correto é a gente
ler do começo até o final numa sentada
só. A carta de Paulo foi escrita como
uma carta que deveria ser lida do começo
ao fim numa reunião pública daquela
comunidade. Então, o que é que faz
sentido? Ler Romanos do começo ao fim de
uma vez só. ainda que depois existe o
momento certo para parar e fazer a
interpretação cuidadosa de cada termo,
de cada versículo, estabelecer as
conexões com outro texto, mas existe o
momento certo, o ritmo certo para cada
uma dessas
funções. Segunda característica da
poesia hebraica, a gente tem o
paralelismo. A maior parte da poesia
hebraica contém alta frequência de
repetição. Pode ser um paralelismo
dentro do mesmo verso, que é mais comum,
ou em versos distantes, como por exemplo
no Salmo 8. O versículo 1 do Salmo 8 é
paralelo com o versículo 9 do Salmo 8.
Esse paralelismo é mais incomum. É mais
comum, como a gente viu no Salmo 23,
versículo 1, a primeira parte do
versículo ser paralela à segunda parte
do versículo. Dificilmente o o
paralelismo é palavra por palavra. Não é
que a mesma palavra aparece duas vezes.
Existe uma alternância de palavras, mas
com significados próximos. Esse
ornamento linguístico também pode ser
encontrado na prosa. A ocorrência do
paralelismo por si não indica uma
poesia. Só que quando a gente enxerga
vários paralelismos numa proporção muito
grande desse artifício literário
acontecendo no mesmo texto, opa, a gente
começa a suspeitar que a gente tem um um
texto poético diante de nós. Os versos
paralelos não são idênticos, eles são
similares. Por a Bíblia, em especial, os
Salmos aqui, nunca fala a mesma coisa
exatamente do mesmo jeito, a não ser que
ela esteja desejando construir uma
moldura. Às vezes uma fala acontece
aqui, ela é repetida lá no final. É para
dar a entender que aquela frase começou
um cântico, um hino, uma poesia e a
mesma frase agora está concluindo. Mas
de maneira geral, quando a gente se
depara com um paralelismo, não
simplesmente uma repetição, nós vemos
que o autor está querendo acrescentar
alguma coisa. Existe uma progressão de
uma linha para outra. Por exemplo, Salmo
9:1.
Senhor, quero dar-te graças de todo
coração e falar de todas as tuas
maravilhas. A primeira parte, Senhor,
quero dar-te graças de todo coração, é
explicada pela segunda parte. Por quê?
Porque a segunda parte está dizendo como
é que o salmista vai dar graças ao
Senhor. Como é que ele vai fazer isso?
Falando de todas as maravilhas que o
Senhor realizou. Então o salmo 91 que a
gente acabou de ver é um exemplo de
bolum, que é uma unidade básica da
poesia hebraica, na qual duas linhas
diferentes formam um paralelismo por
meio de seus substantivos.
Eh, a forma correta de interpretar esse
bicolon é por meio da relação entre os
dois colons. A primeira parte é um
columon, a segunda parte é outro colum.
Então, como é que a gente entende isso?
É procurando como é que a segunda parte
explica a primeira parte. O paralelismo
é um sinal de aviso, mais um sinal de
aviso de que esse texto precisa ser lido
lenta e
meditativamente. O outro ponto,
métrica, quando a gente olha para a
poesia
hebraica, a gente precisa perceber que
existe uma característica diferente de
outras poesias que a gente esteja mais
acostumado. Por exemplo, um traço muito
importante quando a gente vai estudar a
poesia grega e também a poesia latina é
encontrar uma métrica que é bem
definida. Existem quantas sílabas
poéticas aqui? Qual é a parte da poesia?
Qual é o verso que rima com outro verso?
De quantos versos se compõe uma estrofe?
Então, esse tipo de tratamento que é
dado para a poesia grega com muito
sucesso, paraa poesia latina com muito
proveito, foi utilizado também como
critério na busca de uma métrica da
poesia hebraica. grandes
nomes, perdão, da história da teologia
ou da história eh da
igreja fizeram isso. Josef, o
historiador judeu do primeiro século,
fez isso. Agostinho também tentou
encontrar uma métrica paraa poesia
hebraica. Jerônimo também tentou
encontrar. E eles tentaram então fazer
essa medida do verso da poesia hebraica.
De forma simplificada, a medida do verso
é a contagem dos sons do verso, que são
as sílabas poéticas. Apesar dos
esforços, o o Antigo Testamento nunca se
rendeu, a sua poesia nunca se rendeu a
um esquema métrico bem
definido. Existe hoje um corpo crescente
de estudiosos que admite que não existe
um esquema métrico único. Então, ainda
que a gente consiga caracterizar bem a
poesia grega e latina, nesse sentido,
não é tão fácil caracterizar a poesia
hebraica.
Em último lugar, a imagem é um recurso
muito importante da poesia hebraica. A
poesia faz um uso intenso das imagens e
isso contribui pra concisão, porque você
comunica muita coisa com uma única
imagem. As imagens compõem uma forma de
fala ou uma escrita que é uma escrita
que é indireta. Você compara algo ou
alguém com algum outro algo ou alguém.
Então, por exemplo, aqui vai
um exemplo um pouco polêmico, mas eu
achei muito legal que os autores do
livro colocaram esse exemplo aqui e
ainda que deva ser discutida essa
interpretação, me pareceu coerente. Ah,
vou fazer
um um uma pausa só para falar qual é o
livro que eu tô fazendo referência, tá?
A gente vai colocar lá, mas é esse livro
aqui, ó. aproximar para vocês verem o
título. A gente vai colocar uma ementa
completa do curso lá no nosso eh no
nosso na nossa plataforma, mas é
introdução ao Antigo Testamento de
Raymond Dillard e Tramper Lungman.
Terceiro, é um livro da editora Vida
Nova, tá aqui embaixo,
né, da editora Vida Nova que baseou essa
primeira aula. E a gente vai ter outras
referências para Antigo Testamento e
também para Novo Testamento. Eh, tem um
outra uma outra introdução muito boa que
a gente deve colocar na
introdução do Antigo Testamento do John
Walton e Andrew Hill, que é da editora
Vida. Não se eh se preocupem em saber
exatamente como é que é que a gente vai
colocar no na nossa plataforma e vai dar
para vocês localizarem direitinho essas
referências. Mas essa é da editora Vida.
Eu não tenho esse livro em mãos aqui
para mostrar para vocês,
mas se algum funcionário da Editora Vida
assistir a aula do curso Macários e
quiser me dar de presente, eu vou
mostrar orgulhosamente o livro aqui da
Editora Vida. Eh, mas eh vocês fiquem
informados dessas duas introduções, tá?
Do a Trampol Longman e a outra do John
Walton. Uma é da Vida Nova e a outra é
da Editora Vida. Mas vamos lá. Qual é o
exemplo que eu falei? Quando a gente
fala de imagens, a gente tem um exemplo
muito curioso que está em Cântico dos
Cânticos, capítulo 1, versículo 9. Leio
na versão NVI. Comparo você, minha
querida, a uma égua das carruagens do
faraó. É óbvio que existe uma diferença
entre uma mulher e uma égua. E essa
diferença chama a nossa atenção, até
porque na nossa cultura seria um pouco
ofensivo fazer um paralelo entre uma
mulher e uma égua. Agora, ele está
comparando como se isso fosse um elogio
paraa sua querida, paraa sua amada. Onde
é que está o ponto de semelhança? Aqui é
onde entra o contexto histórico que os
autores reconstróem pra
gente. Ele fala que comparo você, minha
querida, a uma das éguas das carruagens
do faraó. O que é interessante é que as
carruagens do faraó não usavam éguas. As
carruagens de guerra do Egito usavam,
pelo contrário, garanhões, que eram os
cavalos machos fortes, não castrados, e
não éguas. A presença de éguas entre os
garanhões excita os garanhões. E Israel,
sabendo disso, quando precisava lidar
com conflitos em que estava o os
exércitos do faraó, exército do Egito,
fazia o quê? Soltava uma égua no meio
dos garanhões em batalha para desviar a
atenção dos cavalos do faraó, dos
ganhões do faraó. Isso obviamente não é
uma objetificação da mulher. O elogio
está na sensualidade, na sexualidade
entre o amado e amada. E aqui vale essa
observação geral. A gente vai falar
sobre isso depois. O cântico dos
cânticos, na nossa percepção, não é um
livro sobre a relação entre Jesus e a
igreja. É um livro entre homem e mulher,
amor matrimonial. Por isso o tema da
sexualidade como sendo tão importante
ali. E a comparação parece dizer que
mesmo para um cavalo no meio da guerra,
a atração da sua mulher é tão forte que
ele compara a atração que ele possui
para sua amada, assim como um garanhão é
atraído por uma égua. Então a gente tem
um uso intenso da imagem nesse exemplo,
mas muitos outros exemplos que contribui
para essa textura emocional. do texto,
tá? Então, a gente falou sobre
convenções da poesia eh hebraica e agora
a gente vai falar um pouquinho sobre as
convenções da narrativa
hebraica. Convenções da narrativa
hebraica. O texto do Antigo Testamento é
prioritariamente um texto narrativo. Ah,
eu esqueci de citar um dado muito, muito
importante. Bem rápido. Se toda a poesia
do Antigo Testamento fosse
reunida, seria maior do que o Novo
Testamento inteiro. O Antigo Testamento
tem tanta poesia que se toda ela fosse
reunida em um único livro, o volume
seria maior do que os 27 livros do Novo
Testamento somados, tá?
Mas voltando então paraa narrativa, o
texto do Antigo Testamento é ainda mais
narrativo do que é poético, ainda que em
alguns momentos a distinção de narrativa
e poesia não seja
possível. No caso da narrativa, as
sentenças estão organizadas em
parágrafos da forma como a gente está
acostumado. É uma linguagem mais próxima
ao dia a dia do que é a linguagem
poética.
Nem sempre é muito fácil traçar uma
linha clara entre prosa e poesia. As
narrativas também são compostas
literariamente. Toda toda narrativa no
Antigo Testamento tem estilo, tem
gênero, tem características assim de que
foi um texto artisticamente trabalhado.
Por isso que muitas pessoas caracterizam
as narrativas do Antigo Testamento como
sendo uma narrativa literária, uma coisa
só. Bota um ifen entre os dois.
narrativa
literária. O que é que significa que o
Antigo Testamento eh tem gênero
literário ou os textos têm vários
gêneros diferentes? Significa que o
Antigo Testamento é passível de uma
análise
literária. Isso quer dizer que a gente
pode aplicar métodos da teoria literária
contemporânea para descobrir informações
sobre o texto da literatura hebraica,
que talvez foi ficando difícil de
compreender ao longo do tempo. Por que
que isso é importante? Porque cada
cultura conta a história de um jeito
diferente. Existe variação no tempo,
existe variação no espaço. Toda essa
coisa de análise literária, análise do
contexto histórico, era desnecessário
para os leitores originais desses
livros, porque a história que estava
sendo narrada era história deles. As
convenções literárias que foram usadas
pelo autor eram as convenções literárias
que o autor compartilhava com seus
leitores. Era tudo muito natural, era
tudo muito intuitivo, mas pra gente não.
Pra gente já se passaram 3.000 anos, já
mudou muita coisa. Então a ideia é usar
essas ferramentas da literatura para
descobrir a
intenção e a mensagem do texto. Eu vou
só pedir desculpa que eu tô bem fanho,
tá? que eu tô recuperando de uma gripe
que chegou aqui de domingo para segunda
e tá tá prejudicando um pouquinho a voz,
mas eu acho que não tá atrapalhando
tanto
não. Ah, quando a gente fala então sobre
análise literária, a gente tá falando
necessariamente sobre descobrir qual que
é o gênero de cada texto. E a
definição se aplica tanto à prosa quanto
à poesia. A gente vai usar daqui para
frente prosa como uma um sinônimo para
narrativa. A identificação do gênero
direciona a forma adequada, como a gente
lê um texto. Por
exemplo, o livro de Deuteronômio traz
uma grande quantidade de leis.
existe no Deuteronômio uma repetição das
leis que já havia sido enunciada no
Êxodo, no
Levítico. Eh, isso quer dizer que quando
você começa a ler um texto de caráter
jurídico, legal, você tem uma estratégia
de leitura. Já se você abre um texto e
começa a ler no texto era uma vez, você
tem outra estratégia de leitura. Você
tem outras expectativas sobre como deve
interpretar aquele texto. Existem muitos
tipos diferentes de texto dentro da
Bíblia e o autor escolhe uma forma
específica para passar uma mensagem
específica para os seus
leitores. As culturas antigas eh tinham
formas específicas de estruturar os seus
gêneros. E o que que é um gênero
literário? Gênero é um grupo de textos
que possui uma ou mais características
em comum. Existe similaridade entre
esses vários textos. A similaridade pode
ser no conteúdo, na estrutura, na frase,
na função, no estilo. E geralmente
existem pontos em comum em todas essas
características. Mas o gênero também é
uma categoria fluida. dentro de um mesmo
texto, você pode ter mais de um gênero.
Existem alguns salmos que são cânticos
reais. Estão falando do rei, das
vitórias do rei, das conquistas do rei.
É um cântico real, mas ao mesmo tempo é
um hino de louvor a Deus, porque existe
uma
respons de Deus.
E isso pode ser subdividido em muitas
outras
categorias. O significado do gênero eh
afeta a interpretação por como a gente
falou, desperta estratégias específicas
de leitura e delimita o contexto
literário. Tem muito texto que é difícil
de interpretar. O que é que a gente pode
fazer para ajudar? Comparar com outros
textos do mesmo gênero? A gente vai
falar sobre isso em Apocalipse. O texto
do livro de Apocalipse tem três gêneros
literários. É uma carta, é uma profecia
e também é um apocalipse. O próprio
apocalipse é um gênero literário. E
existem outros apocalipses que não estão
na Bíblia e outro que está na Bíblia.
Como é que a gente pode compreender
melhor as profecias do livro do
Apocalipse? Compara, compara com o livro
de Daniel, compara com os apocalipses
judaicos que não entraram pra Bíblia,
mas que talvez ajude você e a mim a
compreender como é que essas imagens
eram usadas nesse tipo de gênero
literário. Então, a gente percebe que a
o significado de um texto pode ser
esclarecido pelo seu pela delimitação e
pela confirmação do gênero que aquele
texto faz parte. É outra coisa é a
dinâmica da narrativa muda também. O
narrador pode ser colocado em primeira
pessoa ou em terceira pessoa. Em
primeira pessoa, o narrador tá dentro da
história, tá junto com
você, mas ele tem uma perspectiva
limitada dos dados que são colocados na
história. Já o narrador em terceira
pessoa é um narrador onisciente, é muito
diferente. Ele tem acesso aos
pensamentos e Davi pensou naquilo e Rute
pensou isso. E as coisas que acontecem
em secreto são acessíveis para o
narrador
onisciente. Esse narrador onisciente,
ele é muito poderoso porque ele é uma
voz não percebida no texto. Você não
fica percebendo a presença do narrador
quando ele se coloca em terceira pessoa.
Mas é uma estratégia muito poderosa de
convencimento do leitor, porque ele
conduz para o lugar que ele quer e ele
tem acesso exatamente a todas as
informações que ele deseja, que ele
precisa para contar aquela história.
Então isso muda a dinâmica da narrativa.
E a outra coisa, e a gente perceber que
os livros da Bíblia ou as narrativas
hebraicas, mais especificamente, sempre
tem dois elementos básicos: enredo e
personagem. sempre tem enredo e
personagem. Tem várias definições do que
que é enredo, mas aqui existe uma
definição do vern postres que eh eu
achei bastante interessante. Como é que
as narrativas da Bíblia funcionam? Você
tem um início da ação, você tem um
conflito que começa a se desenhar, esse
conflito vai se acentuando até chegar no
seu ponto mais elevado. Nesse ponto ele
se desenvolve até começar a ser
resolvido. É o conflito no início da sua
elucidação. Depois a gente tem um
progresso da resolução até chegar a uma
resolução completa desse conflito
original e o fim da ação. Durante esse
desenvolvimento de conflito e elucidação
do conflito, o autor geralmente,
primeiro ele apresenta o cenário, depois
os incidentes preliminares, depois o
incidente causador, depois as
complicações, depois a resolução, o
resultado e a conclusão. Isso é uma
estrutura geral. que ajuda você
a identificar como é que o enredo está
se desenvolvendo, como é que a história
está se desenvolvendo,
tá? Por último, a gente tem
a mensagem teológica. E aqui eu vou
precisar ser muito conciso porque a aula
ficou bem extensa. Eh, mensagem
teológica, a gente precisa da história,
a gente precisa da teologia, mas o
propósito da Bíblia é teológico, não é
simplesmente registrar a história e nem
escrever textos estilizados e bonitos. A
teologia no contexto do Antigo
Testamento é muito particular. A
pergunta fundamental é: o que é que o
texto está dizendo a respeito de Deus e
do seu relacionamento com com a gente? O
que que esse texto falou aos seus
leitores originais, está falando com a
gente hoje? E claro, a gente está
fazendo uma introdução ao Antigo
Testamento, mas nós somos cristãos. Nós
obviamente interpretamos o Antigo
Testamento a partir do que o Novo
Testamento nos esclarece.
O Antigo Testamento, da perspectiva do
Novo Testamento, ganha contornos muito
particulares. Vocês lembram
daquela, perdão, daquela narrativa de
Lucas, capítulo
24, perdão, que Jesus se
encontra com os dois discípulos no
caminho de
Emaús. Ali diz que Jesus
explicou todos eh os profetas, desde da
lei até os profetas, de Moisés em
diante, dizendo como é que aquelas
coisas tinham, aquilo que aconteceu com
o próprio Jesus, com o Messias, tinham
que acontecer. E aí a nossa pergunta é:
em que nível o Antigo Testamento
testemunha Jesus e de que forma essa
história está sendo contada? Por que que
isso é importante? Tem uma palavra que é
muito repetida hoje em dia, que é
precisamos ser cristocêntricos na nossa
vida e precisamos ser cristocêntrico nas
nossas mensagens. Todas as pregações têm
que apontar para
Jesus. Precisamos ser cristocêntricos na
nossa leitura da Bíblia, como todo
Antigo Testamento e Novo Testamento.
Isso faz sentido? Faz todo sentido. Mas
isso pode ser problemático? Ao meu ver,
na maioria das vezes é problemático. Por
quê?
Porque o cara tá querendo enxergar Jesus
em cada versículo, em cada ato. Tudo
aquilo que Moisés faz é uma espécie de
prenúncio direto da pessoa de Jesus. E
talvez, ao meu ver, em muitos momentos,
a maneira como Jesus está sendo eh o
caminho está sendo preparado paraa
chegada do Messí, do Messias, acontece
em um nível superior. Não é porque
Moisés vai fazer exatamente a mesma
coisa que Jesus fez. Às vezes o paralelo
é direto, às vezes é indireto. Então,
muitas vezes é como se o Messias
estivesse nas Escrituras, mas em um
nível muito superior. É como se Deus
estivesse
mostrando o seu caráter misericordioso
desde o começo, até que Jesus
manifestasse misericórdia de uma forma
como nunca antes foi expresso. As
pessoas sempre souberam que Deus é
onipotente, mas o que é que
significa esse Deus onipotente que serve
a sua criação, ainda que permaneça como
Deus acima da criação? A gente só
entende isso com o Deus que se fez
carne. A gente só entende completamente
o que é o amor de Deus na cruz de
Cristo. Então, talvez essa revelação de
onde está Jesus no Antigo Testamento não
esteja em um versículo, não esteja em um
símbolo, não esteja apenas em uma ação
de um personagem, mas esteja na história
como um todo. como é que nós aprendemos
a interpretar a pessoa de Deus, o que
ele está fazendo mundo e como isso muda
quando a gente olha para Jesus e para o
que ele fez. Então, a gente começa a
perceber que a presença de Jesus no
Antigo
Testamento e a interpretação que o Novo
faz do Antigo não pode ser assim também
tão eh direta e facilitada por um
princípio de interpretação, que é Jesus
está em todo lugar. Vamos enxergar aqui,
vamos procurar que a gente vai enxergar
isso de forma muito rápida e direta.
Calma que as coisas nem sempre são tão
fáceis assim,
tá bom? Pessoal, essa aula ficou muito
grande, mas não foi à toa. Eu sabia que
ia demorar. É porque ela serve como
fundamento para todas as outras aulas e
por isso que ficou um pouquinho menos de
tempo para as nossas perguntas. Mas a
gente vai ter bastante tempo para tirar
as dúvidas de vocês nos próximos
encontros e hoje eu vou tentar responder
alguma coisa que já apareceu aqui, tá?
Vamos lá. Deixa eu
ver. A Bíblia na sua essência foi
escrita para o povo de Israel,
literal. Então, o correto seria o estudo
também se basear na Torá, Neviim,
Ketovim para uma melhor compreensão de
todo contexto? Com certeza. A melhor
maneira de você entender a
pessoa de Jesus é estudando bem o Antigo
Testamento, estudando vários elementos
próprios, o período de Jesus, da
narrativa dos apóstolos, mas é
impossível entender e compreender, por
exemplo, as orações de
Jesus sem ler e interpretar os Salmos.
Os Salmos é o conjunto de livros que é
mais ou é o livro mais citado por Jesus.
Jesus cita mais o salmo do que o
Deuteronômio, por exemplo. Então, é
preciso realmente
compreender bem o Antigo Testamento para
eh não ser apressado, desrespeitoso,
ingênuo na interpretação do Novo
Testamento. Vamos ver
mais que que tá por
aqui. Deixa eu ver.
Ah, Carla faz a seguinte pergunta:
"Seria possível as referências de
leitura antes da aula para que possamos
assistir a aula live já tendo lido
material?" Carla, às vezes o material é
a base para aquilo que é a aula. às
vezes é um aprofundamento, então faz até
mais sentido paraa boa parte do material
que a gente compartilha ler depois da
aula, porque você tem uma introdução aos
assuntos e depois você pode se se
aprofundar nisso, mas a gente vai
procurar ser bastante organizado. No
final do primeiro módulo, a gente deixou
algumas aulas se acumularem sem o
material de leitura complementar muito
cedo. A gente corrigiu todos eles, mas
atrasou um pouquinho no final. A gente
vai se atentar para nesse módulo isso
não acontecer,
tá? Pois é. Ó, a Jéssica ressaltou aqui
um ponto que a gente colocou. 1000 anos
para ser composto é bastante tempo.
Nunca tinha parado para pensar nisso.
Pois é. Imagina um livro que começa a
ser escrito hoje, 2025, e vai terminar
de ser escrito em 3025. é inimaginável
pra gente é a dificuldade de manter
coerência numa composição tão tão eh
lenta de certa forma em um tempo tão
estendido por pessoas muito diferentes.
Reis escreveram eh profetas, escreveram
homens, profetas pobres, profetas ricos,
pescador, coletor de impostos, pessoas
desconhecidas. Tem muita coisa envolvida
nessa diversidade da autoria bíblica e
do tempo que isso levou,
né? Vamos lá para as próximas perguntas.
Deixa eu ver
aqui.
Ah.
Uma pergunta, uma pessoa falou que tá
tendo dificuldade com a nossa
plataforma. Olha, Sandra, tá no ar. Eu
entrei um pouquinho antes aqui de
começar a aula para conferir se já tava
essa aula também lá e estava. Então, as
coisas estão funcionando, sim. É bom dar
uma olhadinha aí para saber se você tá
com endereço correto, internet, mas a
plataforma tá
funcionando. A Bíblia que Jesus lia
continha os livros apócrifos. Então, eu
sou, muito interessante que de maneira
direta Jesus cita os três grupos
bíblicos, né? a a lei, os profetas e os
escritos. Eh, existe uma palavrinha um
pouquinho diferente. Eu acho que os
salmos eh ele ao invés de falar
escritos, ele cita os salmos, mas a
maioria dos intérpretes entendam
entendem ali que é uma espécie de
metonímia. Ele tá usando o salmo como
uma indicação de todos os escritos.
Mas a Bíblia, eh, o Antigo Testamento, a
Bíblia Hebraica, na sua forma canônica
como aceita por todo o judaísmo, a maior
parte do judaísmo, é posterior a Jesus,
se eu não me engano, no começo do
segundo século, no concílio que existe
na cidade de Jamnia.
De certa forma, parece, os estudiosos
indicam que isso tinha até a ver com o
surgimento da igreja, alguns conflitos
entre judeus cristãos e não cristãos,
mas até aquele momento não existia esse
conceito de um canon, no mesmo sentido
que passa a existir depois desse
concílio de gêmea. Agora, o que a gente
tem certeza é que Jesus cita livros que
estão estritamente vinculados ao nosso
canon do Antigo Testamento. nesses três
grupos, eh, que a gente acabou de
mencionar, né, que é a Torá, os escritos
e os profetas. Então, a gente pode ter
bastante segurança que a Bíblia que
Jesus linha era a mesma Bíblia que nós
temos acesso hoje como sendo o nosso
Antigo Testamento ou para os judeus a
Bíblia hebraica.
Deixa eu ver
aqui. Que mais temos de observação? A
gente tem algumas perguntas específicas
já para o livro de Gênesis que eu vou me
dar o direito de não responder agora,
porque a gente vai ter uma aula só para
falar sobre o livro de Gênesis. Eh, e aí
a gente vai poder responder algumas
perguntas a mais, tá? Mas bom, pessoal,
eu acho que tem outras perguntas que
foram colocadas aqui, mas deu para
comentar algumas coisas que vocês
colocaram e também pra gente não ficar
com uma aula muito longa, eu vou
encerrar esse primeiro encontro nosso
desse módulo por aqui. Foi bastante
conteúdo. A gente vai disponibilizar
todo esse material de slide do texto que
deu origem paraa aula e dos do quiz das
perguntas na nossa plataforma.
E a gente então pede para que vocês
estejam aí de fôlego renovado e ânimo
pra gente começar agora uma jornada
aqui, ao meu ver, eh opinião bastante eh
restrita a mim, nem todo mundo concorda
comigo. Esse módulo é mais importante do
que o módulo anterior. O módulo de
Bíblia significa que nós podemos
aprender a lidar com texto bíblico de
uma forma melhor do que leituras
apressadas e sem qualquer tipo de
critério de interpretação, que nos dá
base, inclusive, pra gente conseguir
avaliar as questões doutrinárias que a
gente começou no nosso curso no módulo
anterior. Então esse módulo para mim é a
o centro de tudo aquilo que a gente vai
falar do ponto de vista prático e de
tudo aquilo que a gente falou do ponto
de vista doutrinário. Ajuda a gente a
divulgar esse material para outras
pessoas. Acompanha o curso direitinho,
faça as leituras, o quiz e a gente
espera poder cooperar com você ainda
mais do que foi possível nos últimos
encontros, tá bom? A gente volta aqui na
nossa próxima aula para falar sobre
Pentateuco. Quinta-feira a gente vai ter
uma aula só sobre Pentateuco. Acompanha
a gente nas redes sociais, divulga aí
esse conteúdo e um forte abraço para
todos vocês. Até o nosso próximo
encontro. Ciao. Ciao.

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