O QUE SÃO TIPOLOGIAS BÍBLICAS? – ANTÔNIO NETO
02/06/2025
O QUE SÃO TIPOLOGIAS BÍBLICAS? – ANTÔNIO NETO
A Bíblia apresenta diversos padrões que revelam o andamento da história da redenção. Neste vídeo, o teólogo Antonio Neto comenta a importância das tipologias do Novo Testamento como chave para interpretar o Antigo Testamento.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
[Música] essa interpretação direta que a gente vai trazer com toda a autoridade de assim diz o Senhor e aqui nós temos esse padrão. É só o profeta que realmente vai ser capaz. Agora, como você falou em outro momento, isso não anula que nós possamos encontrar eh padrões indiretos que se assemelham e dizer aqui parece que o autor quer nos lembrar de disso aqui, disso aqui, né? ou ou aqui nós vemos essa similaridade. Então é importante entender isso, inclusive de forma breve aqui pra gente falar, a esses padrões têm a ver também com aquilo que a gente chama de tipologia, Neto, porque assim, são coisas que são muito abordadas, né? Esse termo tipologia é muito falado quando nós estamos conversando sobre profecias. Tem a ver com isso? Sim, absolutamente tudo a ver, certo? A a tipologia eh, é exatamente uma prática hermenêutica eh de percepção da relação entre personagens bíblicos, entre eventos bíblicos, instituições que possuem de fato algum tipo de relação, tá certo? Ah, a Bíblia, Saul, ela é cheia de de estabelecimento de padrões que as que o povo de Deus, ele deveria olhar ou ler, no caso, e perceber na percepção de um determinado padrão, você perceber que isso tá em continuidade com algo que Deus fez história. Então, deixa eu dar só dar um exemplo bem interessante de tipologia, que é um exemplo que é dado no livro, né, manual de profecia messiânica, que é de como ah a relação entre Adão e Noé, entre Gênesis 1 e 2 e Gênesis de 7 a 9. Interessante isso, né? No caso, o vento de Deus, ele sopra as águas na história de Noé. E aí você tem o vento de Deus. Ah, o espírito de Deus sobre as águas na história de Adão. Você tem os animais indo até Noé e você tem os animais indo até Adão para que Adão desse o nome. Você tem ah Deus dando um mandato para Noé, certo? Onde e Deus dando mandato para Adão. Então, qual a relevância disso? é que na história bíblica você tem determinados eventos que acontecem nesse ponto ou personagens que acontecem nesse ponto aqui da história que ele forma uma imagem e é daí que surge o termo tipo, vem de do grego tipos, que é imagem. Então esse evento, esse personagem ou esse texto, ele estabelece um padrão, uma imagem. E aí textos posteriores ou eventos e tudo quando eles eh replicam replicam esse padrão anterior, aqui nós temos um caso de tipologia, tá? Uhum. É o caso, por exemplo, de do de Mateus, falando lá do texto do de Oséias, né? Do Egito chamei o meu filho. Então aqui você tem um evento de Deus chamando Israel para fora do Egito. E esse evento ele é replicado na história de Jesus, entende? Então, o estudo dessa relação de um evento do antigo eh com outro, do próprio antigo ou do novo, é chamado de tipologia, né? E aí é importante que o pessoal saiba que existe um debate que é o quê? o debate se tipologia se torna método hermenêutico, ou seja, se eu posso ir pro Antigo Testamento e encontrar ali referências, padrões sobre Jesus, o Novo Testamento, em qualquer texto que eu quiser, certo? Uhum. E eu particularmente penso que não, como eu expliquei anteriormente, eu entendo que a percepção de padrões proféticos, isso isso requer que a pessoa que perceba esse padrão também seja um um profeta. E por isso apenas nós só podemos considerar como tipologia aquilo que os próprios escritores bíblicos relacionam com textos anteriores. Interessante. Então isso que você tá falando, como você acabou de de comentar, Neto, é algo debatido, né? esse tipo de de qual seria a abordagem hermenêutica, interpretativa que a gente pode usar para olhar as profecias messiânicas, certo? Quais são as principais abordagens que nós temos na atualidade a respeito disso? Porque assim, eu sei que, por exemplo, antigamente nós tínhamos uma linha mais simbólica, né? Eu quero que você mesmo comente, então não quero adiantar, mas vê tudo de a partir de símbolos aí também uma linha muito literal. Como é que são essas principais abordagens? Certo? Então, essas abordagens elas são abordagens para resolver um uma questão, um problema. Qual é o problema? É basicamente o seguinte: como que os textos do Antigo Testamento eles podem ser compreendidos ah como referindo-se a Jesus ou ao Messias, tá? Então, a primeira abordagem que a gente sempre tem que colocar por uma questão assim de de sei lá, nem sei porque que tem que colocar, mas é a abordagem dos liberais, da teologia liberal, que defende o seguinte, que ah é o chamado a abordagem histórica, o cumprimento histórico, né, que os eventos do Antigo Testamento, aquilo que foi dito no Antigo Testamento, os textos, eles não possuem absolutamente nenhuma referência ao Messias, tá certo? Então, a intenção autoral dos textos do Antigo Testamento, elas não nenhum momento era para se referir a uma figura posterior histórica, o Messias, tá? E eu só queria fazer um um parênteses aqui, que não é porque ah os liberais dizem que nenhum texto do Antigo Testamento realmente se refere ao Messias, ah, que é liberal, não é porque os liberais dizem isso, que seria liberal dizer que um determinado texto não se refere ao Messias, tá entendendo? Uhum. Então, só para abrir aqui a a diferença entre a totalidade, né? Uma coisa é você dizer que nenhum texto se refere ao Messias, o que seria uma ação de uma teologia liberal e de você dizer, ó, há textos que se referem ao Messias. Esse aqui, no entanto, nós não temos como afirmar isso ou ele não é sobre o Messias, né? Exatamente. Então é é tipo uma pessoa que lê Daniel 9, texto das 70 semanas e que entende que o ungido ali que fala no final da na da última semana e tudo. Ahã. Se uma pessoa diz: "Não, eu não creio que isso daqui se refira ao Messias". Ela não tá necessariamente sendo um liberal, certo? O liberal é aquele que diz que absolutamente nenhum, tá? Sim. Sim. Agora, no meio evangélico, eu vou destacar que tem várias, mas eu vou destacar aqui as principais. Existe ah o chamado cumprimento duplo, que é a teoria do sensus plenor. Qual é a teoria do sensus pleno? é que os escritores do Antigo Testamento, quando eles escreveram os textos do Antigo Testamento, eles escreveram com uma pretensão, uma intenção autoral de realmente não se referir diretamente ao Messias ou não se referir ao Messias. Quando a gente chega no Novo Testamento, é que os escritores do Novo Testamento, ao interpretar o texto do Antigo Testamento, eles percebem um sentido mais profundo. E aí que vem a expressão sensus plenor, OK? Então, o segredo do sensus pleno é você saber que o texto do Antigo Testamento, ele não tinha uma intenção autoral de se referir ao Messias e que essa ah essa atribuição, portanto, de um texto para o Messias é feito no Novo Testamento, dando um sentido mais pleno. Isso é chamado de cumprimento duplo, né? Aí você tem também a abordagem tipológica, que eu já expliquei aqui, tá? E a abordagem tipológica, ela afirma o seguinte, que os escritores do Antigo Testamento, eles escreveram falando sobre eventos, sobre personagens e e ao fazerem isso, eles estabeleceram consciente ou inconscientemente, eles estabeleceram padrões proféticos, imagens que quando chega no Novo Testamento, os escritores do Novo Test testamento identificam essas imagens e aplicam a Jesus. Ok? Uhum. Agora, ah, existe também a abordagem do Walter Kaiser, e não é segredo, que o Walter Kaiser é um dos teólogos que mais me influencia. E a abordagem do Kaiser é o que ele chama de epigenético. O que é uma abordagem epigenética? é que eh as profecias a respeito do Messias, elas foram dadas de fato com a intenção de se referir a um Messias, né? Só que elas vão eh elas vão sendo acumuladas em diversas figuras históricas e eventos históricos dentro do Antigo Testamento. Então, a diferenciação do Walter Kaiser para o modelo tipológico é que o Walter Kaiser ele entende, nesse modelo epigenético, ele entende que havia sim uma certa pretensão de que aquele texto contribuísse no construto de textos que falam a respeito do Messias, tá? E interessante, e existem a existem as abordagens judaicas também, as abordagens do Midrash, né, e do PER, que eles entendem que os intérpretes do Novo Testamento, eles utilizavam essas técnicas judaicas de interpretação e que, por isso eles se sentiam livres e criativos para encontrar referências sobre Jesus eh onde eles quisessem, né? Então, em textos que tinham pretensão de falar sobre o Messias, em textos que não tinham pretensão, que a razão pela qual eles pegam textos como esse de Ozeias ou Salmo 16 e aplicam para Jesus é simplesmente porque eles tinham uma certa criatividade escatológica, uma certa criatividade profética e não necessariamente que esses textos apontavam para Jesus. Agora, diante de tudo isso, tá? O que que a gente faz, né? Qual a abordagem a gente utiliza? É, como eu disse anteriormente, o segredo aqui que eu entendo é você deixar com que o Novo Testamento estabeleça as regras do jogo, tá? Existem textos do Novo Testamento que leem o Antigo Testamento como um pescher, como um midrasche judaico. Existem. Então diga aqui, a abordagem é midrática. Existem textos do Novo Testamento que utilizam uma abordagem tipológica? Existem. Então, utiliza a abordagem tipológica. Meu ponto de vista pessoal, eu não creio nem no cumprimento histórico, né, ou na abordagem histórica e nem na abordagem do sensus pleno, mas tanto a tipológica quanto a epigenética, quanto a abordagem judaica dos midrashtes e do pester, você vai encontrar no Novo Testamento. E além dessas três, existe uma outra que é a mais simples de todas, que são a abordagem da profecia direta, ou seja, os textos que fazem uma profecia direta sobre Jesus, né? Uhum. Como Gênesis 3:15 e alguns outros. Então, deixe o Novo Testamento estabelecer como você vai entender os textos messiânicos do Antigo Testamento. [Música]