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O QUE SÃO TIPOLOGIAS BÍBLICAS? – ANTÔNIO NETO

O QUE SÃO TIPOLOGIAS BÍBLICAS? – ANTÔNIO NETO

O QUE SÃO TIPOLOGIAS BÍBLICAS? – ANTÔNIO NETO

A Bíblia apresenta diversos padrões que revelam o andamento da história da redenção. Neste vídeo, o teólogo Antonio Neto comenta a importância das tipologias do Novo Testamento como chave para interpretar o Antigo Testamento.

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[Música]
essa interpretação direta que a gente
vai trazer com toda a autoridade de
assim diz o Senhor e aqui nós temos esse
padrão. É só o profeta que realmente vai
ser capaz. Agora, como você falou em
outro momento, isso não anula que nós
possamos encontrar eh padrões indiretos
que se assemelham e dizer aqui parece
que o autor quer nos lembrar de disso
aqui, disso aqui, né? ou ou aqui nós
vemos essa similaridade. Então é
importante entender isso, inclusive de
forma breve aqui pra gente falar, a
esses padrões têm a ver também com
aquilo que a gente chama de tipologia,
Neto, porque assim, são coisas que são
muito abordadas, né? Esse termo
tipologia é muito falado quando nós
estamos conversando sobre profecias. Tem
a ver com isso? Sim, absolutamente tudo
a ver, certo? A a
tipologia eh, é exatamente uma prática
hermenêutica eh de percepção da relação
entre personagens bíblicos, entre
eventos bíblicos,
instituições que possuem de fato algum
tipo de relação, tá certo? Ah, a Bíblia,
Saul, ela é cheia de de estabelecimento
de padrões que as que o povo de Deus,
ele deveria olhar ou ler, no caso, e
perceber na percepção de um determinado
padrão, você perceber que isso tá em
continuidade com algo que Deus fez
história. Então, deixa eu dar só dar um
exemplo bem interessante de
tipologia, que é um exemplo que é dado
no livro, né, manual de profecia
messiânica, que é de como ah a relação
entre Adão e Noé, entre Gênesis 1 e 2 e
Gênesis de 7 a 9. Interessante isso, né?
No caso, o vento de Deus, ele sopra as
águas na história de Noé. E aí você tem
o vento de Deus.
Ah, o espírito de Deus sobre as águas na
história de Adão. Você tem os animais
indo até Noé e você tem os animais indo
até Adão para que Adão desse o nome.
Você tem ah Deus dando um mandato para
Noé, certo? Onde e Deus dando mandato
para Adão. Então, qual a relevância
disso? é que na história bíblica você
tem determinados eventos que acontecem
nesse ponto ou personagens que acontecem
nesse ponto aqui da história que ele
forma uma imagem e é daí que surge o
termo tipo, vem de do grego tipos, que é
imagem. Então esse evento, esse
personagem ou esse texto, ele estabelece
um padrão, uma imagem. E aí textos
posteriores ou eventos e tudo quando
eles eh replicam replicam esse padrão
anterior, aqui nós temos um caso de
tipologia, tá? Uhum. É o caso, por
exemplo, de do de Mateus, falando lá do
texto do de Oséias, né? Do Egito chamei
o meu filho. Então aqui você tem um
evento de Deus chamando Israel para fora
do Egito. E esse evento ele é replicado
na história de Jesus, entende? Então, o
estudo dessa relação de um evento do
antigo eh com outro, do próprio antigo
ou do novo, é chamado de tipologia, né?
E aí é importante que o pessoal saiba
que existe um debate que é o quê? o
debate se tipologia se torna método
hermenêutico, ou seja, se eu posso ir
pro Antigo Testamento e encontrar ali
referências,
padrões sobre Jesus, o Novo Testamento,
em qualquer texto que eu quiser, certo?
Uhum. E eu particularmente penso que
não, como eu expliquei anteriormente, eu
entendo que a percepção de padrões
proféticos,
isso isso requer que a pessoa que
perceba esse padrão também seja um um
profeta. E por isso apenas nós só
podemos considerar como
tipologia aquilo que os próprios
escritores bíblicos relacionam com
textos anteriores.
Interessante. Então isso que você tá
falando, como você acabou de de
comentar, Neto, é algo debatido, né?
esse tipo de de qual seria a abordagem
hermenêutica, interpretativa que a gente
pode usar para olhar as profecias
messiânicas, certo? Quais são as
principais abordagens que nós temos na
atualidade a respeito disso? Porque
assim, eu sei que, por exemplo,
antigamente nós tínhamos uma linha mais
simbólica, né? Eu quero que você mesmo
comente, então não quero adiantar, mas
vê tudo de a partir de símbolos aí
também uma linha muito literal. Como é
que são essas principais abordagens?
Certo? Então, essas abordagens elas são
abordagens para resolver um uma questão,
um problema. Qual é o problema? É
basicamente o seguinte: como que os
textos do Antigo Testamento eles podem
ser
compreendidos ah como referindo-se a
Jesus ou ao Messias, tá?
Então, a primeira abordagem que a gente
sempre tem que colocar por uma questão
assim de
de sei lá, nem sei porque que tem que
colocar, mas é a abordagem dos liberais,
da teologia liberal, que defende o
seguinte, que ah é o chamado a abordagem
histórica, o cumprimento histórico, né,
que os eventos do Antigo Testamento,
aquilo que foi dito no Antigo
Testamento, os textos, eles
não possuem absolutamente nenhuma
referência ao Messias, tá certo? Então,
a intenção autoral dos textos do Antigo
Testamento,
elas não nenhum momento era para se
referir a uma figura posterior
histórica, o Messias, tá? E eu só queria
fazer um um parênteses aqui, que não é
porque ah os liberais dizem que nenhum
texto do Antigo Testamento realmente se
refere ao
Messias, ah, que é liberal, não é porque
os liberais dizem isso, que seria
liberal dizer que um determinado texto
não se refere ao Messias, tá entendendo?
Uhum. Então, só para abrir aqui a a
diferença entre a totalidade, né? Uma
coisa é você dizer que nenhum texto se
refere ao Messias, o que seria uma ação
de uma teologia liberal e de você dizer,
ó, há textos que se referem ao Messias.
Esse aqui, no entanto, nós não temos
como afirmar isso ou ele não é sobre o
Messias, né? Exatamente. Então é é tipo
uma pessoa que lê Daniel 9, texto das 70
semanas e que entende que o ungido ali
que fala no final da na da última semana
e tudo. Ahã. Se uma pessoa diz: "Não, eu
não creio que isso daqui se refira ao
Messias". Ela não tá necessariamente
sendo um liberal, certo? O liberal é
aquele que diz que absolutamente nenhum,
tá? Sim. Sim. Agora, no meio evangélico,
eu vou destacar que tem várias, mas eu
vou destacar aqui as principais.
Existe ah o chamado cumprimento duplo,
que é a teoria do sensus plenor. Qual é
a teoria do sensus pleno? é que os
escritores do Antigo Testamento, quando
eles escreveram os textos do Antigo
Testamento, eles escreveram com
uma pretensão, uma intenção autoral de
realmente não se referir diretamente ao
Messias ou não se referir ao Messias.
Quando a gente chega no Novo Testamento,
é que os escritores do Novo Testamento,
ao interpretar o texto do Antigo
Testamento, eles percebem um sentido
mais
profundo. E aí que vem a expressão
sensus plenor, OK? Então, o segredo do
sensus pleno é você saber que o texto do
Antigo Testamento, ele não tinha uma
intenção autoral de se referir ao
Messias e que essa ah essa atribuição,
portanto, de um texto para o Messias é
feito no Novo Testamento, dando um
sentido mais pleno. Isso é chamado de
cumprimento duplo, né? Aí você tem
também a
abordagem tipológica, que eu já
expliquei aqui, tá? E a abordagem
tipológica, ela afirma o seguinte, que
os escritores do Antigo Testamento, eles
escreveram falando sobre eventos, sobre
personagens e e ao fazerem isso, eles
estabeleceram consciente ou
inconscientemente, eles estabeleceram
padrões proféticos, imagens que quando
chega no Novo Testamento, os escritores
do Novo Test testamento identificam
essas imagens e aplicam a Jesus. Ok?
Uhum. Agora, ah, existe também a
abordagem do Walter Kaiser, e não é
segredo, que o Walter Kaiser é um dos
teólogos que mais me influencia. E a
abordagem do Kaiser é o que ele chama de
epigenético. O que é uma abordagem
epigenética? é que eh as profecias a
respeito do Messias, elas foram dadas de
fato com a intenção de se referir a um
Messias, né? Só que elas vão eh elas vão
sendo
acumuladas em diversas figuras
históricas e eventos
históricos dentro do Antigo Testamento.
Então, a diferenciação do Walter Kaiser
para o modelo tipológico é que o Walter
Kaiser ele entende, nesse modelo
epigenético, ele entende que havia sim
uma certa
pretensão de que aquele texto
contribuísse no construto de textos que
falam a respeito do Messias, tá?
E interessante, e existem a existem as
abordagens judaicas também, as
abordagens do Midrash, né, e do PER, que
eles entendem que os intérpretes do Novo
Testamento, eles utilizavam essas
técnicas judaicas de interpretação e
que, por isso eles se sentiam livres e
criativos para encontrar referências
sobre Jesus eh onde eles quisessem, né?
Então, em textos que tinham pretensão de
falar sobre o Messias, em textos que não
tinham pretensão, que a razão pela qual
eles pegam textos como esse de Ozeias ou
Salmo 16 e aplicam para Jesus é
simplesmente porque eles tinham uma
certa
criatividade escatológica, uma certa
criatividade profética e não
necessariamente que esses textos
apontavam para Jesus. Agora, diante de
tudo isso, tá?
O que que a gente faz, né? Qual a
abordagem a gente utiliza? É, como eu
disse anteriormente, o segredo aqui que
eu entendo é você deixar com que o Novo
Testamento estabeleça as regras do jogo,
tá? Existem textos do Novo Testamento
que leem o Antigo Testamento como um
pescher, como um midrasche judaico.
Existem. Então diga aqui, a abordagem é
midrática. Existem textos do Novo
Testamento que utilizam uma abordagem
tipológica? Existem. Então, utiliza a
abordagem tipológica.
Meu ponto de vista pessoal, eu não creio
nem no cumprimento histórico, né, ou na
abordagem histórica e nem na abordagem
do sensus pleno, mas tanto a tipológica
quanto a epigenética, quanto a abordagem
judaica dos midrashtes e do pester, você
vai encontrar no Novo Testamento. E além
dessas três, existe uma outra que é a
mais simples de todas, que são a
abordagem da profecia direta, ou seja,
os textos que fazem uma profecia direta
sobre Jesus, né? Uhum. Como Gênesis 3:15
e alguns outros. Então, deixe o Novo
Testamento estabelecer como você vai
entender os textos messiânicos do Antigo
Testamento.
[Música]

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