O Estudo Teológico e a Internet (PodCast com Paulo Won e Antonio Neto)
02/09/2025
O Estudo Teológico e a Internet (PodCast com Paulo Won e Antonio Neto)
Pregações em Áudio, Vídeo e Texto + CURSO de TEOLOGIA ONLINE:
www.spurgeonline.com.br
Fonte: Escola Charles Spurgeon
Legendas automáticas:
[Música] Vamos começar agora o nosso podcast e a gente tá recebendo aqui o pastor Paulo ele tá participando da nossa semana magna aqui da escola Charles Espugon. é um dos pré-eleitores, eh, foi já deu as suas duas primeiras palestras aqui sobre a teologia, o estudo da teologia, as intenções. E eu particularmente gostei muito, aprendi muita coisa e fui confrontado em outras coisas também. Então, queria te agradecer tanto pelas palestras como por aceitar estar aqui conosco. É um prazer para mim também lhe conhecer pessoalmente. Só lhe conhecia pela internet. >> Uhum. >> E eu queria pedir para você me dizer então como é que tá o seu dia, como é que tá esses dias aqui em Curitiba. Tá gostando? Show, querido. Muito obrigado em primeiro lugar por esse essa oportunidade de conversar com você também, essa oportunidade de poder falar com os alunos do Charles Expurion aqui nessa semana magna. Tem sido uma experiência muito legal e é sempre legal vir a Curitiba, uma uma cidade que particularmente já estive várias vezes, gosto demais, principalmente do frio, mas o frio tá tá abusando um pouquinho da nossa, eu gosto do frio, mas às vezes nem tanto, mas uma cidade muito legal. Tenho muitos amigos queridos nessa cidade e ter o contato presencial com essa escola que eu já ouvi falar muito, já fui muito abençoado por muitas palestras de grandes homens de Deus que passaram por aqui. É sempre muito legal, né? E eu me sinto constrangido até de estar aqui por tanta gente boa que passou e espero não ter atrapalhado e ter deixado alguma contribuição na reflexão dos alunos aí e da igreja que também está nos recebendo nessa semana magna. Então, muito legal, muito obrigado e estamos junto. >> Nada, não atrapalhou nada, na verdade só ajudou. Ah, na, você disse ontem algo em uma das palestras que eu inclusive postei no meu no meu Instagram que que eu fiquei então martelando para eu memorizar e guardar isso e depois usar dando os créditos, né, >> que a teologia é a inteligência eh investigando a fé e a verdade revelada. Uhum. >> Então, eu achei isso bem interessante, eh, por você colocar nessa definição a questão da inteligência, né? É a inteligência investigando a fé. Sim, >> porque eh eu eu mesmo já passei por isso assim quando eu estava nessa fase de querer ir pro seminário de pessoas dizendo o seguinte: "Olha, eh vai vaiá evangelizar, eh vá buscar o espírito, vá orar, não precisa estudar teologia, né? >> Teologia esfria o crente". >> Teologia esfria o crente, né? É como se fosse assim, inteligência é uma coisa meio, não é muito bom de se usar, é muito mais a emoção. Emoção vale mais, né? >> Então eu queria te perguntar nesse teu processo também, como foi como foi esse teu processo, né, de de entender que queria estudar teologia, eh, os desafios que você teve ali no começo, se puder compartilhar aí com a gente alguma coisa mais pessoal que você enfrentou. Uhum. >> Muito bom. Eu não, eu sempre tive uma convicção do chamado de Deus sobre a minha vida desde muito cedo, né? Eu sou a quarta direção de crentes na minha família. Então, eu sou daqueles crentes que não sabe exatamente quando houve a conversão. >> Uhum. Mas que houve, houve, só não sei definir quando. Foi um processo mais estendido. E eu sempre gostava de estudar a Bíblia, de escutar sobre as histórias bíblicas. Isso ah moldou muito daquilo que eu sou e das minhas preferências. Ah, eu não pude estudar teologia logo depois do ensino médio por vários fatores, mas eu estudei, pela graça de Deus coisas que eu também gostava de estudar. Eu sou formado em relações internacionais, passei quase uma década trabalhando no mercado secular e isso foi para mim uma experiência muito boa. >> Uhum. Porque quando as pessoas imaginam estudar teologia, geralmente as pessoas imaginam o estudo de algo desconectado com a nossa realidade. >> Uhum. >> Mas é justamente o contrário. E aí que entra a questão da própria inteligência. Porque se nós assumimos que a inteligência faz mal e que o nosso relacionamento com Deus e com as coisas de Deus não pode ser pautado na inteligência, nós temos que afirmar que a inteligência não foi algo dado por Deus e que a inteligência é do diabo. >> Uhum. >> Pode ser que o diabo use de inteligência para nos ah incomodar. É, mas a inteligência foi algo que dado por Deus nos beneficia e nos faz melhor maneira possível que nós podemos viver aqui. Lógico que a nossa inteligência tem as marcas do da queda do pecado, mas a teologia é justamente esse processo onde nós nos submetemos diante de Deus. A nossa inteligência é colocada diante do altar do Senhor para que essa inteligência possa ser restaurada, renovada, redimida. Ah, até pegando emprestado a o nome do livro do pastor Jonas Madureira, a nossa inteligência é humilhada. >> Uhum. >> Não é anulada. Ela é humilhada no sentido de Deus nos mostrar propósito do porque nós usamos a nossa cabeça e como nós devemos usar as nossas faculdades cognitivas, a nossa maneira de pensar para a glória dele. E propriamente a teologia é nós colocarmos essa inteligência a serviço das coisas de Deus. A citação que você fez é do Alister Magreth e eu acho que sintetiza muito bem aquilo que é o nosso esforço diante de Deus. Então, estudar teologia não é simplesmente sentir um arrepio dentro do coração, porque nós sabemos que o coração é enganoso, é desesperadamente corrupto. Quem vai garantir que o que eu tô sentindo realmente é ou vem de Deus? Pode ser que não, >> mas quando nós somos expostos à palavra de Deus e nós lemos a palavra de Deus com honestidade e guiados pelo Espírito Santo, há uma transformação que acontece em todos os âmbitos da nossa vida, na nossa mente, no nosso coração, no nosso intelecto, nossas nas nossas emoções. E isso está diante de Deus para ser transformado. E essa é a função básica da teologia. >> Uhum. Então, nós queimamos muita massa cinzenta para aprender, para memorizar, para entender, para raciocinar, mas esse é também um exercício espiritual. >> Aham. >> É um exercício espiritual, é um exercício devocional, é um exercício de adoração. >> É interessante isso, porque eu acho que aí é que tá o problema. Eh, a galera espiritual à emoção e o o a razão às coisas do mundo, né? O racional à coisas dessa vida >> e a emoção, as coisas do espírito. É, é quase que >> é quase que se eu estou sentindo alguma coisa, então é o espírito atuando em mim. Uhum. >> Mas se eu tô estudando e e aprendendo, aí já não é >> porque parece muito um negócio de autojustificação, né? Eu estou fazendo algo pelo meu esforço e a emoção é simplesmente deixar acontecer. O espírito parece tem mais liberdade quando age nas nossas emoções. Eu acho que é um pacote fechado. Deus trabalha com pacote fechado, com porteira fechada e dentro dessa porteira está o cérebro e o coração. >> Então, ambas as coisas nunca quando é que a nossa cabeça funciona separada da do nosso coração? A gente acha que sim, mas na verdade tá tudo integrado. É, >> então nós precisamos nos entregar integralmente, inteiramente a Deus para que haja essa transformação, para que a minha maneira de pensar possa também ser transformada e para que essa maneira de pensar possa ser ferramenta para que possamos entender algo que nós não conseguimos entender de fato com a cabeça. É aí que nós temos o grande pulo da inteligência para o aspecto da fé. >> Sim. Sim. E aí, pegando esse gancho, cara, eh, então, nesse caso, a gente pensando nessa perspectiva, isso de certa forma justifica e de alguma forma isso justifica a necessidade da gente estudar, da gente procurar mestres. Inclusive o apóstolo Paulo nos diz em Efésios 4 que Deus, que o Senhor Jesus Cristo, quando ele derrama dons, ele derrama dons para mestres. Então é porque ele quer que a gente busque mestres para aprender todos, >> pastores, mestres, né? E e daí eu queria, só antes da gente entrar mais a fundo nessa questão, eh uma curiosidade pessoal mesmo, eh, você fala um pouco da tua própria jornada de estudo. Você falou agora a pouco que passou uns 10 anos atuando eh no meio que a galera chama secular, né? E você é formado em relações >> internacionais. >> Internacionais. >> Uhum. >> E e como que foi esse processo? eh, de você abandonar isso e ir paraa teologia, né? >> Uhum. Legal. >> O que foi o que foi no meu caso, cara? Eu eu não sou entrevistado, mas só porque eu acho curioso, no meu caso, foi uma apresentação do grupo Logos, cara. >> Olha só, >> eu era fazia faculdade de administração de empresas, >> fui numa apresentação do grupo Logos e aí ele daquela música Mão no Arado. >> Hum. Eu pensei, cara, quer saber? Meu coração queima assim por querer estudar a teologia e tudo. Eu acho que tá na hora de eu ir atrás disso. >> É, às vezes Deus nos coloca numas numas situações em que ele nos encurrala, né? >> Uhum. >> E ele diz assim: "É agora? É agora. Vamos, é agora". E às vezes as pessoas pensam o seguinte: "Nossa, deve ter sido muito duro para você abandonar tudo e ir pra obra, porque eu tinha um emprego que eu ganhava muito bem, tinha o conforto que talvez muitas pessoas na minha idade não teriam, uma estabilidade econômica, ah, uma estabilidade emocional boa, mas sempre o chamado estava de alguma maneira no coração e chegou um ponto em que Deus começou a abrir as portas. É por aqui que você tem que ir. E quando você tem uma clareza daquilo que Deus quer para você, fica fácil você tomar a decisão. >> Aham. >> O seu coração fica dividido quando você não tem claro aquilo que Deus tem para você. Mas quando cai a ficha e quando você tem aquele momento, né, aquela aquele momento meio que epifânico, diz assim: "Não, eu nasci para isso. Deus tá me chandando para isso e Deus tá abrindo as e você vê as portas abrirem. A coisa mais fácil só entrar. >> Aham. >> Só entrar. Então, eu não senti muita dificuldade, eu não senti muito esse negócio de apego, eu só senti que a vida era muito diferente, que a vida ia ficar muito diferente. E foi bom para mim porque eu sempre gostei de estudar. Então, estudar daquilo que eu mais gostava de estudar com mais profundidade, aí é juntar a comida com a vontade de comer. Então, acabou sendo >> um processo que para mim foi muito gostoso, foi assim, foi muito edificante. Tivemos desafios, tivemos muitos desafios. Isso da teologia não é de graça. >> Uhum. Isso da teologia não é simples. Isso da teologia, ainda mais em num contexto em que eu pude também me especializar lá fora, é uma dificuldade ainda maior, porque os brasileiros já entram já perdendo na competição. >> Sim, >> por inúmeros fatores. Mas noputo geral, eu posso, eu tenho a certeza que Deus esteve comigo nessa jornada. E eu e eu e quem sou eu para falar que, né, valeu a pena, assim como se eu tivesse fazendo uma avaliação da vida inteira, né? Eu ainda ainda espero viver muitas décadas para lá depois dos 90 anos, olhar para trás e falar assim: "Valeu a pena". Mas até aqui onde eu estou, na metade da vida, >> tem valido a pena. tem valido e valido muito a pena. >> Aham. E aí, no caso, você onde foi que você foi estudar, no caso, o seu seu seminário, né? Estudou onde? >> Eu eu estudei no seminário servo de Cristo em São Paulo. Em São Paulo. Fiz o mestrado em divindade lá. São Paulo. >> E depois automaticamente se abriram as portas para eu estudar fora, onde eu fiz o meu mestrado. Eu fiz o mestrado em Novo Testamento na Universidade de Edemburgo, na Escócia. Retornei aqui pro Brasil em 16, >> família para lá e tudo. >> Na época eu tinha só dois filhos, eu tenho três, eu tinha só dois. Eu fui com a minha esposa e foi aquela aquela aquele momento de dificuldade, né? Eh, não é fácil você ir com a família. >> É, imagina. >> Então, até eu falo assim pros meus alunos, se você quer isso da fora, vai antes de casar. >> Uhum. O que você quiser fazer em termos de estudo, em termos de aprimoramento, se der para antecipantes do casamento, faz. Porque depois que você casa, as suas prioridades mudam radicamente, radicalmente. E se a sua família não assimila a missão que Deus deu para você como a missão da família, aí fica também muito mais difícil. Graças a Deus, a nossa família é muito generosa com isso, entendeu o chamado de Deus. Passamos dois anos maravilhosos na Escócia, passando muito aperto, né? Porque isso da fora é muito caro, >> né? >> Mas deu tudo certo. A gente gastou até o último centavo daquilo que Deus nos permitiu ter e voltamos em 16. E a partir de então começando a servir especificamente de forma integral na obra do Senhor, ensinando, pastoreando. >> Aí então no caso, pelo que eu já te acompanho, né? Eh, quando quando tu voltou da Escócia, tu foi ser pastor em Cuiabá, cara? >> Fui ser pastor por dois anos numa igreja de imigração coreana em São Paulo. >> Ah, certo. Certo. >> Na igreja Presbiteriana Chinam. E depois eu passei 5 anos na Igreja Presbiteriana de Cuiabá, onde eu fui recebido, acolhido e fui cuidado para ser encaminhado ao pastorado. Então, todo o meu processo de ordenação aconteceu debaixo do cuidado da Igreja Presbiteriana de Cuiabá. Foram anos desafiadores, porque lá fora, em Cuiabá, longe de toda a minha rede de assistência de família, só a nossa família, nós passamos os anos de pandemia. >> Então, foi um desafio muito grande, trabalhando mais do que em qualquer outro tempo da vida, mas também experimentando muito do cuidado de Deus, né? Fui ordenado e pude também servir como pastor auxiliar lá. E retornei a São Paulo, que é minha cidade natal, agora no final de 2023, para também participar de um projeto muito, muito singular na minha vida, que é que foi a plantação da nossa igreja, aonde eu também pastorei, que é a Igreja Presbiteriana Metropolitana, na cidade de Campinas. Uhum. Então, Deus me deu a grande, o grande privilégio de viver a realidade acadêmica, mas também viver a realidade prática, onde desemboca toda a academia. >> Sim. >> Por isso a ênfase da minha perspectiva teológica, e quando eu falo de teologia, em qualquer lugar eu falo isso, a teologia não pode ser um exercício solitário em cima de uma torre de marfim. >> Sim. A teologia tem que desembocar para a glória de Deus e para o serviço de Deus no mundo, seja fazendo missões, seja plantando igreja, mas algo de concreto tem que acontecer com aquilo que nós somos desafiados por meio da teologia, né? Então, uma coisa que eu que eu tô achando bem interessante é que eh que na verdade a tua preparação ministerial ela você não considera como ela já tendo começado quando você foi pro seminário, né? >> Não, >> ela começou quando você não sei se era CLT, né? Quando você era, era que eu tenho eu tenho um um ditado que eu eu carrego comigo. O nome do seminário que eu estudei é seminário Batista do Cariri. Aham. >> E eu digo que os meus dois anos de CLT foram tão importante quanto os meus 4 anos de SBC. >> Sim, sim, sim. >> Eh, e aí depois da do seu tempo na academia, Deus tem te dado também um caminho no chão da igreja na prática. >> Na prática, >> né? Então, então assim, o que é que você diria, cara, pra galera que tá querendo também trilhar esse caminho da teologia, né? Eh, no caso, eh, mais especificamente pensando no sustento, cara. >> Humum. mais especificamente pensando nisso, assim, eh, de de do largar >> tudo e e viver de teologia na >> na sua perspectiva, tanto bíblica quanto na sua experiência, quanto naquilo que na naquilo que você vê do Brasil hoje, a situação do nosso país, tanto das igrejas, da situação econômica e tudo >> o que que você diria assim, cara, para uma ah não não necessariamente uma fórmula, porque não existe uma fórmula, né? >> Mas pra galera que tá pensando assim, rapaz, eu quero estudar a teologia, eu quero viver de teologia ou ser pastor ou >> ou ser um teólogo e tal, >> quais seriam algumas etapas assim, você julga crucial? Eu acho essa pergunta uma pergunta muito importante que traz uma responsabilidade muito grande, porque não existe resposta certa no sentido de só existir uma possibilidade de nós respondermos a essa pergunta. Efetivamente, a gente tem que definir o que que é viver de teologia, o que que a pessoa espera >> Uhum. ao falar que vive de teologia da aula, por exemplo, você sabe que no Brasil o professor é uma das classes menos valorizadas. >> Uhum. >> Imagine um professor de teologia não tem nenhum prestígio e financeiramente é um tiro no pé. Ah, lidar com teologia. Só >> interrompendo, cara. Quero falar uma coisa. Me lembrei que teve uma uma trend >> h algum tempo atrás no em >> no Facebook, na verdade, >> que era assim: >> "Ah, qual é a tua profissão?" Aí o cara respondia: "Engenheiro, ô cara, então eh me diz como eu posso colocar esse tijolo aqui. Aí e tu, cara, qual é a tua profissão? Aí eu sou médico. Ô, cara, eh, tô sentindo uma dor aqui, sabe? >> Aí, e tu, qual é a tua profissão? Aí eu sou, sei lá, engenheiro elétrico. Cara, pode trocar essa lâmpada aí. O cara da do ATI, tu pode formatar meu computador, né? Aí eu entrei nessa trend dizendo quando as pessoas chegavam para mim e perguntavam: "O que é que você faz?" Aí eu di aí quando eu dizia, "Eu sou professor de teologia". >> Uhum. >> Aí as pessoas só diziam: "Ah, nunca tinha um um interesse, nunca tinha assim um >> uma expectativa, né? Então, é bem isso que você tá dizendo, mas pode continuar. Desculpe. >> É, é, é a própria forma de nós vivermos essa realidade acadêmica no Brasil. Fora fora do Brasil, nos Estados Unidos, no Reino Unido, por exemplo, na Europa, existem posições acadêmicas onde o professor de teologia estuda, faz pesquisa e consegue viver até relativamente bem com a atividade docente, não é a realidade aqui no Brasil. Então, nós precisamos pensar ah no que move o nosso coração ou quais são as nossas motivações que nos fazem estudar teologia. Se for para ganhar dinheiro, eu aconselho firmemente a fazer outra coisa melhor no sentido de ser mais rentável. O teólogo não estuda teologia ou não deveria estudar teologia por causa dos seus rendimentos ou das entradas financeiras ou das divisas que isso pode trazer. Segundo ponto é que eu creio que num cenário desafiador como o nosso, nós precisamos olhar para um dos nossos mentores maiores, que é o apóstolo Paulo, que dentro de todas as suas limitações, sendo ele um teólogo por excelência e ao mesmo tempo um pastor de muita qualidade, ele não quis ser peso para suas comunidades. Então ele trabalhou, ele costurava tendas, ele fazia o corre dele, como nós costumamos falar, para poder ter até autonomia e liberdade para falar o evangelho de forma plena. Porque tem aquele negócio, se você depende muito financeiramente, isso acaba sendo um empecílio na hora de você proclamar o evangelho. Porque você sabe, sempre vai perguntar assim: >> "Se eu proclamar isso, se eu falar essa verdade, será que como que a minha comunidade vai receber?" É, é o caso de Paulo com os patrões de Coríntios, Corinto, né? >> É toda uma situação contextual de Paulo que também pode ser replicada aos nossos tempos. >> Uhum. >> E não existe esse negócio. Ah, eu vou ser só um professor de teologia. O nosso campo brasileiro é um campo que desesperadamente precisa de muitos obreiros. Então não tem luxo para pra pessoa ficar falando que ele é só faz isso e não faz outras coisas, que ele só joga numa posição, ele é só é atacante. >> Uhum. >> Mas nós temos que ter a visão de que o nosso time não tá com 11 jogadores, tá com nove. >> É. >> Então o atacante tem que voltar lá para trás para fazer as vezes de zagueiro. Tem que às vezes tapar o gol com o joelho, com mão, com o pé, do jeito que der. Então, a diante da urgência da obra aqui no Brasil, diante da falta de obreiros e diante até do próprio perfil de igreja que nós temos, eu creio que o teólogo precisa vislumbrar a algo muito mais essencial, que é a questão do ministério, o que que ele quer fazer para Deus, como ele quer servir, seja ensinando, seja auxiliando as pessoas, seja acudindo os necessitados e encontrar ar o seu norte teológico dentro dessas práticas, porque senão eu creio que quem entrar com a motivação incorreta, além de todos os outros problemas que pode trazar para trazer para outras pessoas, inclusive pra igreja, vai sair muito frustrado, porque com essa onda de teologia reformada, com essa onda de pessoas influenciadores, né, que são uma bênção, As pessoas podem ser seduzidas a pensar de uma forma muito romântica e você sabe e eu sei que não tem nada de romântico no ministério. >> Uhum. E nossa, mas eu quero ser um preleitor internacional que viaja que viaja num esquema de 30, ou seja, 30 dias no mês o cara tá em todos os lugares. Eu não acho que isso é a maior chiqueza do mundo. >> Eu acho que isso é a coisa mais trabalhosa do mundo, a coisa mais sacrificante do mundo, >> a coisa mais massante do mundo. E precisa ter uma convicção do chamado muito grande de Deus para fazer tudo isso com qualidade. Temos pessoas que fazem isso com qualidade, mas isso não é para todo mundo. Então, não pode romantizar sobre estereótipos que nós criamos, sobre teólogos que tem algum tipo de visibilidade, como se todos tivessem o mesmo uso. Deus não usa uma mesma pessoa de forma igual à outra. Deus é multiforme em graça. Deus tem um propósito para você. Deus tem um propósito para mim. Encontrar esse propósito, eu acho que é a coisa mais importante que vai nos fazer enxergar para outras coisas, além de meras coisas que também são importantes, mas questões financeiras, tudo isso acaba virando algo secundário. >> É. E e agora sim, pastor, tem um tem um fator que a gente precisa levar em conta nessa nessa questão, >> que é o fator internet, né? >> Sim. O fato é que a internet hoje ela ela meio que democratizou, ela meio que possibilitou que pessoas de qualquer profissão ou de qualquer expertise, digamos assim, elas possam monetizar sua expertise, né? >> Sim. Sim. >> Então, tipo, >> eh, eu já vi pessoas na internet que são faxineiros nos Estados Unidos. >> Aham. Então a ela pessoa começa a filmar a sua rotina como fachineiro e tudo e e aí começa a ganhar muitos seguidores, muita visibilidade e nesse processo faz parcerias e e chega um certo ponto que a pessoa tá ganhando mais dinheiro com essas trabalhos na internet do que com a própria faxina. Então, pensando na na teologia, eh nos últimos anos a gente tem visto um aumento substancial de professores, de cursos que são dados pela internet, né? Inclusive, é o meu caso e é o o seu caso é o caso da escola Charles Spugon, né? E a gente poderia citar muitos outros casos aqui também de teólogos que estão pegando a sua expertise na teologia e estão monetizando isso na internet. >> Uhum. E então, de certa forma, o cara que tá querendo viver de teologia, ele pode vislumbrar aí uma possibilidade de que não é fácil, mas a gente, é isso que eu queria falar contigo, >> mas ele pode meio que vislumbrar aí uma uma chance de talvez pelo menos pagar o seu aluguel, sua conta de água, luz e tal. Só que aí vem as dificuldades. E aí como como você >> você já tem bastante experiência, você tem um um canal no YouTube expressivo, seu Instagram também, você tem uma escola de teologia de Dascalia, né? E só que só que quem te conhece, quem te acompanha eh consegue perceber nitidamente algumas características, certo? E eu queria falar sobre elas, tá bom? aqui, eh, para galera que tá assistindo e para mim também, obviamente, entender se você faz isso com de alguma forma eh intencional ou se você faz isso é porque é o seu temperamento mesmo. Por exemplo, eh algo que ajuda muito a a quem quem quer viver de teologia na internet é polêmica. >> Aham. Certo? E eu não me lembro de de ver envolvido em polêmica, não assim intencionalmente, né? >> É, às vezes a gente faz sem querer. >> Às vezes você faz e a polêmica vem até você. >> É isso, isso, isso, >> né? Agora sim, ah, no caso, por exemplo, de fazer propositalmente, eh, pegar um um trecho que uma pessoa falou e e você saber que aquela é uma pessoa controversa. uma pessoa que tem >> muito alcance e tudo. Eh, eu eu sempre tive essa impressão que que essa não é muito a sua tônica do teu ministério na internet, certo? >> Então, o que eu queria saber de ti é o seguinte, >> eh, isso seria intencional? Existem alguns princípios que que você acredita pessoalmente, que você recomendaria para outros dessa dessa teologia pública feita na internet. >> O o Humberto Eco diria que a internet deu plataforma pros loucos falarem. >> Uhum. Então, a internet é uma bênção. Se você for pensar numa perspectiva maior do alcance que a nossa voz tem de proclamar o evangelho. Nunca na história da humanidade tivemos um tempo tão propício de portas abertas para falarmos o que nós queremos falar, inclusive o evangelho. O que nós falamos aqui pode ser ouvido por um português, por um moçambicano, por um angolano. >> Uhum. por um cearense, por um Manauara, sem sair do conforto daqui, da onde que nós estamos. Nesse sentido, é uma bênção pessoas poderem se expressar e também ensinar. Eu não acho ruim. Eu não sou das pessoas que acham que existe uma categoria de pessoas que só eles podem ensinar. Eu acho que todos temos o o jeito peculiar de ensinar, de falar, que pode não servir para um, mas servir para outro. Então, temos audiências variadas. Agora, o como nós fazemos isso é o grande problema. Ah, e o como tá tá relacionado à nossa filosofia de trabalho e filosofia ministerial, porque eu encaro o trabalho na internet como ministério. >> Uhum. A Igreja Católica usa um termo para os seus influenciadores digitais, que é o apostolado. A Igreja Católica reconhece como apostolado o trabalho digital de evangelização. Eu reconheço como missão o grande campo missionário dos nossos tempos é a internet, que é um campo de doido, que que tem gente ímpia, que tem gente maltosa com intenções que são realmente intenções mercadológicas que produzem conteúdo só para monetizar. tem um certo nível do juízo que nós temos que confiar que é pertencente apenas a Deus, porque nós não sabemos a intenção das pessoas por detrás de tudo isso. >> Mas às vezes o próprio tipo de conteúdo nos faz realmente desconfiar se a pessoa tá fazendo uma intenção boa ou uma intenção ruim. >> Sim. Sim. >> Aquilo pode ser até bênção para outras pessoas, mas para aquele que produz com intenção ruim vai ser juízo de Deus. Então, Deus é tão bom que pode pregar por meio da boca de um asno. >> Uhum. >> Certo? Então isso daí eu acho que precisamos ter não restrições, mas um discernimento e ensinarmos a nossa igreja a ter discernimento, a consumir produtos e consumir conteúdos teológicos e bíblicos na internet. Tendo dito isso, isso tá muito relacionado com a minha filosofia de trabalho. Você tocou num ponto que para mim é um ponto muito importante. Eu não me envolvo em polêmica. Não é porque eu sou bom, é porque eu não tenho capacidade mental e saúde para lidar com isso. Eu não sou polemista. Eu lido bem falando daquilo que eu sei, do jeito que eu sei, mas levantando polêmica, eu não eu não consigo lidar bem com isso. Mais algo que eu até gostaria de deixar como reflexão para vocês que são jovens, muito mais jovens e que querem ganhar com a internet, é que eu aprendi e eu vivo isso e eu vi isso, vejo isso a todo momento, demora uma vida para construir uma reputação. >> Uhum. que com uma fala na internet de 5 segundos, você pode destruí-la completamente. E às vezes, e na maioria das vezes, nós somos injustos. Por exemplo, >> vai dar muito ibope dizer que tal pessoa é herege e alguma são mesmo. >> Uhum. algumação e nós temos que denunciar o pecado, nós temos que denunciar os falsos mestres, mas chamar dege todo mundo virou moda. E nós, porque isso da Ibope, nós chamamos qualquer um dege e não impomérios corretos para chamar alguém de herege. Nós chamamos de alguém de herege porque a pessoa simplesmente não comunga de todos os cânis doutrinários que eu comungo. Mas às vezes a pessoa discorda de um aspecto que é extremamente secundário, que a teologia chama de a diáfora, que aquilo é suficiente para eu considerar a pessoa um inimigo da fé e eu como paladino, como grande defensor da fé, porque as pessoas se acham grandes defensoras da fé no campo da internet, né? Eu tenho, eu me vejo na sagrada missão, quase uma cruzada que Deus me deu para acabar com os herges. A minha pergunta é: será que isso tá certo? Será que a medida não é pesada demais para algumas pessoas? >> Uhum. >> Você a questão é o seguinte: você tem a certeza absoluta que o seu juízo está correto? E se não estiver, você tem a humildade suficiente de se retratar? Muitas pessoas só jogam, mas quando confrontadas do seu erro não se retratam. Isso fala muito da integridade dos nossos corações que se perdem muito facilmente dentro das seduções da internet, porque é um é uma injeção de dopamina muito grande vê que o seu vídeo tá viralizando. >> É, >> você faz isso uma vez, aí você acha legal, mas você ainda tem aquele peso na consciência de de não fazer certas coisas. Você faz duas vezes, terceira, quarta, na sexta vez você já manda pro espaço tudo que você tem de consciência ética. Por quê? Porque te traz visualização, te traz dinheiro, gente. E diante do dinheiro, quero ver um gigante na fé dizer que não treina. >> Uhum. É mesmo, né? E e aí, ô ô Paulo, uma coisa que que pelo menos eu no no meu Instagram, eu eu luto com isso no meu coração e eu queria ver o que é que você o que é que você pensa, o que é que você faz para para lidar com ou se você lida com isso também, que é a seguinte, cara. Eh, queira ou não queira, você precisa de views. >> Uhum. Certo? A gente precisa de visualização. Então, existe existem as técnicas de comunicação >> Uhum. >> de copy copyrighting, coisas desse tipo. >> Ganchos. >> Ganchos, isso mesmo. Que fazem como, por exemplo, a ideia de que os três primeiros segundos do vídeo precisa ter um gancho que é para quanto mais tempo a pessoa passar, mais o Instagram entrega. >> Cruel, né? >> É. Então, então quando você vai pensar em publicar um conteúdo, você pensa nessas técnicas porque você quer views, você quer. Só que que o o que eu o que eu particularmente penso é o seguinte, é que a única coisa que poderia justificar o meu desejo por views é se eu entregar algo que seja realmente útil para as pessoas. >> OK? >> Certo? Uhum. >> Então, se eu entregar algo que vai me trazer views, eh, vai me trazer benefícios financeiros, portanto, mas que não não for realmente útil, for uma polêmica, for algo que vai gerar, enfim. Então, ah, o que que você pensa assim, cara? Como como que você lida com essa, com essa necessidade de views, né? >> Ótima pergunta e sendo bem sincero, eu acho muito legítimo as pessoas quererem ter views, porque senão não estariam nas mídias sociais. >> Uhum. >> É a mesma coisa de nós queremos querermos ter uma grande audiência para escutar a nossa pregação. Qual é o pregador que não quer? >> Uhum. >> Pregar para 5.000 pessoas, pregar para uma audiência enorme? todo mundo quer. Eu acho que o querer não tá errado. Mais uma vez, eu acho que é a questão da motivação. Nós usarmos as técnicas que de alguma maneira tornam o nosso vídeo mais visível às pessoas, não tá de todo errado, porque o ser humano sempre fez isso na arte da comunicação. Veja o apóstolo Paulo, como que ele se comunicava? Ele ele se comunicava de acordo com as regras de retórica do seu tempo. Veja só a carta de Filemon. É um grande exercício retórico de convencimento que Paulo faz. As cartas >> é um instrumento da época que os apóstolos usaram para a finalidade de pastorear. carta é aquilo que é técnico. É, é como se fosse o nosso reals hoje. Se o Paulo tivesse vivo hoje, ele faria um baita reals. Mas só que qual que é o problema? O problema não são as técnicas, os ganchos, os os catching phrases, não são essas coisas. O problema é de nós corrompermos a nossa mensagem e de adequarmos a nossa mensagem para que ela seja palatável ou que ela seja demasiadamente, vamos dizer assim, amigável aos algoritmos, >> certo? Ah, nós podemos manter a essência da mensagem fazendo um gancho legal, às vezes até um pouquinho polêmico, que te que prende a atenção, como nós fazemos isso durante a pregação. >> Uhum. Aqui a pregação nós temos um tempo maior, mas as nossas mídias sociais, gente, é um negó é um, se você parar para pensar, é um exercício muito injusto e muito inglório, porque você tem 90 segundos para vender uma ideia, vender uma ideia >> para cativar a atenção de uma pessoa que tem 1 milhão de outros views que vai existir em sequência. >> Uhum. E a grande pergunta é: a mensagem do evangelho vai ficar na cabeça da pessoa quando o outro reals que vê que vem na sequência for uma de piada, for uma de conteúdo sensual? >> Uhum. >> É, cara, >> aí a gente tem que confiar muito no Espírito Santo, que é ele que convence do pecado, da justiça e do juízo. >> É verdade. >> Mas eu acho que nós podemos usar ao nosso favor, sem vender a nossa alma, sem vender os nossos princípios. >> Uhum. fazer um carrossel lindo de qualidade, colocar as frases corretas, não tem nenhum problema com isso. Ô cara, se tu vender um curso de como fazer carrocelo que tu faz, eu compro esse curso, cara. >> Tem muitos segredos escondidos. >> Os teus carrosséis são e não não apenas o conteúdo, esteticamente são lindos, cara. Não, >> o que, >> mas um grande uma grande coisa que o trabalho da internet me ensinou é: "Não trabalhe sozinho." >> Uhum. >> Eu tenho um grande amigo, Gabriel, que trabalha junto comigo e todos os carrosséis nascem num tipo de interação que nós fazemos, né? >> Certo. >> E aí, gente, a gente tem que usar tudo que estiver ao nosso dispor. Tem que usar inteligência artificial. Vamos a inteligência artificial para melhorar o texto e para deixar o texto mais resumido, mais conciso, mais que não perca a essência. Vamos usar uma estética legal. Vamos usar, gente. Por que crente faz tudo feio? >> Uhum. >> Né? Por que que crente tem que fazer uma arte que é feia, que ninguém vê? Depois reclama que não tem visualização, lógico, tá feio. >> Aham. Não, não, não, não, não, não, não desperta curiosidade nem do filho, nem da mulher, nem a mulher dele quer ver o que ele produz na internet. Nós precisamos ter criatividade, ter esse cuidado que não é vender a alma pro sistema. Sim, >> é usar os mecanismos da tecnologia ao nosso favor e em benefício de algo muito maior. Visualização, receita, tudo isso é justo. É justo porque isso faz parte do nosso trabalho. Faz parte do nosso trabalho. O pastor não ganha sua cóngroa para pregar o evangelho. E se nós formos pregar o evangelho, vender um curso que seja realmente uma bênção, que não seja enganação nem charlatanismo, tudo isso faz parte da justa e é justo a pessoa ser remunerada pelo trabalho, feita com honestidade e com um coração na obra. Então, nós muitas vezes demonizamos o que não deveríamos e santificamos o que é inadequado. É, cara. E uma das coisas que o pessoal demoniza é justamente o vender curso, né? Eu já eu já ouvi muito isso de que vender curso é >> como se eu tivesse mercadejando a fé. >> Aham. E e eu fico imaginando eh como que foi e na época que as pessoas começaram a vender livros. >> Pois é, >> né? >> Eu já fui criticado porque eu eu tô vendendo os meus livros. Aham. >> Assim, por que que você vende os seus livros? De graça receber e de graça dai a pessoa falar o seguinte, falar isso, né? Aí eu respondo pra pessoa: "Pois é, mas para eu ter que escrever esse livro, eu paguei e muito caro para ter esse conhecimento." >> Aham. É verdade. >> E a minha parte ninguém vai pensar, só que a pensar a parte do produto pronto, isso eu tenho que dar de graça. E às vezes a gente dá muito de graça, as pessoas não sabem dos bastidores. A gente a gente não a gente não vende apenas para pessoas que realmente têm necessidade paraa obra missionária, a gente dá ao monte. É, mas eu acho muito interessante esse tipo de questionamento e para eu não ter, não me pegar com o coração corrompido e nem fazendo a coisa errada, uma filosofia de trabalho que eu tenho é o seguinte: no máximo das minhas possibilidades, eu vou colocar as coisas gratuitamente e naquilo que realmente for um negócio mais técnico, um negócio que tenha um propósito mais específico, isso eu coloco para vender. A pessoa reclamou dos meus cursos, eu simplesmente falo o seguinte: "Então você não precisa comprar, vai no meu canal do YouTube e tem milhares de vídeos, você pode passar um ano inteiro maratonando os vídeos lá que você vai ser muito abençoado." Agora, esse conteúdo é um conteúdo muito específico >> que custou para produzir, porque as pessoas imaginam que manter câmera, manter microfone, isso daqui caiu do céu, né? Isso daqui caiu por obra do Espírito Santo, se materializou. E quem que vai pagar isso daqui, né? Quem que vai pagar energia? Quem que vai pagar o prato de comida das crianças do produtor? >> Aham. >> Então não tem cabimento. E a Bíblia não condena isso. Condena você ser mercenário. >> Aham. >> Você tirar a vantagem injusta, né? e ímpia com o evangelho. Isso sim, isso deve ser condenado. >> Mas não tem problema nenhum. Não tem problema nenhum. Se tivesse problema, eu eu estaria com um grande problema nas mãos. >> Aham. Inclusive, cara, eu me lembro quando eu comecei a produzir cursos e que eu entrava no teu canal para ver qual era o microfone que tu usava >> e aí atrás e só que tu muda muito de microfone, cara. Às vezes é um road, às vezes é um um outro. E aí eu entrava no teu Instagram e ficava vendo se tu tirava alguma foto que pegasse qual era a câmera que tu usa, tá entendendo? >> Eu fazia isso muito, eu fazia isso muito. >> A a minha a assim, eu sempre fui muito chato com essas coisas. Então, desde o começo, eu sempre quis ter uma estética boa nos vídeos, né? Porque eu comecei relativamente tarde. Então, muitas pessoas chegaram muito antes no YouTube e constituíram um arsenal paraa gente poder fazer o benchmarking para você para nós podermos fazer a a como que é? Para nós vermos como exemplo, como modelo. >> Sim. Então, ah, mas tudo isso assim eu fazia de acordo com as minhas possibilidades, mas é um, até isso foi muito bom para mim, porque você aprende desde o começo até o fim qual que é a esteira completa da produção de um conteúdo. >> Uhum. E você aprende. Isso custa, custa seu trabalho, custa o seu dinheiro. E é justo o trabalhador ter a paga pelo seu esforço. E a Bíblia fala que aquele que prega a palavra é digno de dupla honra. >> Uhum. >> Né? A gente não a gente não vai chegar ao nível das igrejas meio estranhas por aí e ficar fazendo campanha de arrecadação de fundos, né? Eu nunca fiz uma vaquinha, né? O curso tá lá, quem quiser paga, quem não quiser, glória a Deus, tem muita coisa gratuita e é assim que funcionam as coisas. Não sei porque que a gente tem que demonizar. Geralmente quem demoniza não entende como é todo o processo e às vezes quer apenas levantar uma polêmica para ele próprio se capitalizar com isso. >> É, eu eu já vi, cara, já vi o um já vi um um cara do Instagram, um pastor, na verdade, né, que um um dos principais argumentos que ele utiliza para desabonar alguém é ele vem de curso. Uhum. >> Então, é como se fosse assim, já que você vende curso, tudo o que você fala, você fala porque você quer vender curso. >> Uhum. >> Né? >> E isso, ah, isso obviamente que deve ter muita gente que faz isso. >> Tem, >> tem muita gente que faz isso, mas isso despreza essa compreensão de que fazer curso não é fácil, não é? Eh, o o vender o curso é uma das partes mais difíceis, mas não é a única parte. Ixi, >> as pessoas acham que é fácil sentar na frente de uma câmera e começar a falar de qualquer assunto. >> Uhum. >> Gente, isso daí tem gente que não consegue lidar com isso. Tem gente que tem que ter ajuda mesmo de outras pessoas para conseguirem fazer isso. Então, é um trabalho, é um, é um trabalho como qualquer outro. É um trabalho como qualquer outro, é um trabalho digno, é um trabalho que honra o nome do Senhor. Então, eu creio que nós precisamos ter muito mais pessoas. Agora, voltando pro nosso aspecto inicial, o meu grande medo é que qualquer um faça qualquer coisa, >> certo? E que qualquer um se ache no direito que porque leu duas páginas de uma boa teologia sistemática, se acha o valentão da fé que vai com o seu canalzinho no YouTube eh resolver todos os problemas que estão na cristandade há 2000 anos. >> Uhum. >> Né? Eu fico muito impressionado com algumas pessoas assim, eh, citando exemplos, né? Mas que a gente vê muito acontecer. O cara mal saiu de uma educação formal na igreja, mal frequenta uma escola bíblica e quer debater com o católico, com o padre católico. >> Uhum. >> Assim, qual é a motivação? Não, porque eu vou desmascarar as heresias do catolicismo. Você vai fazer isso. Você não conhece nem a doutrina da sua própria igreja. Você não sabe nem argumentar. Você não conhece a doutrina do outro. Então, a internet é palco para um bater no espantalho do outro. >> Uhum. >> Então, é uma briga de espantalhos. Não se chega na discussão que é o centro de todas as coisas. >> Sim. fica só na questão da aparência, na pirotecnia. E isso é um aspecto com certeza muito negativo que as pessoas têm que tomar muito cuidado. >> É, cara. E e é e é exatamente por isso, cara, que eu eu particularmente estabeleci isso como uma cerca no meu coração, que é eh o que eu o que eu vou oferecer tem que ser útil pras pessoas, cara. É, >> tem que ser útil. Porque tipo assim, cara, ah, eu vou debater com não, voltando um pouco, pensa assim, então no final das contas, em que momento uma pessoa ela pode achar que ela que ela tá pronta para poder ter o ministério na internet? >> Hum. Hum. >> Se se você parar para pensar, >> hum, >> eh, ninguém se acha que tá, eu eu pelo menos acho que eu não teria condições. Eu eu morro de medo, por exemplo, de alguém de quando eu falo de um story, quando eu escrevo um story, alguém vi desmascarar. >> Aham. >> Que eu ali pareci muito bom. E não tô, na verdade, tô falando de um assunto que não é, entende? >> Aham. Então, em eh em que momento uma pessoa ela pode olhar e pensar assim: "Eh, eu acho que agora eu posso eh atuar na internet." >> Hum. >> Não sei se você já parou para pensar na minha mente é o seguinte, cara. É se a pessoa tem alguma coisa realmente útil que ela pode ajudar, >> tá entendendo? Eh, e dificilmente, cara, a opinião das pessoas sobre as coisas é algo realmente útil, >> tá entendendo? É, as pessoas se pronunciam na internet como se a sua opinião fosse a opinião mais importante do mundo. >> É como se as pessoas tivessem, é como se fosse assim, o Brasil está esperando a opinião do Antônio Neto. >> Ah, assim, quem já quem pensa isso é porque já não bate muito bem da cabeça, né? achar que ele é o a última bolacha do pacote. Quem geralmente pensa isso tem um ego que precisa ser tratado pelo próprio Espírito Santo. Ah, é muito difícil nós mensurarmos como que nós avaliamos se uma pessoa tá pronta ou não. Se eu olhar para mim, eu não sei se eu tô pronto. >> Uhum. Eu tô acostumado com certas coisas que eu aprendi a manejar nesse meu ministério online, mas eu não tô pronto para muita coisa. Tem assuntos que eu não falo. Por exemplo, eu não falo de filosofia. Por quê? Porque eu não manjo de filosofia. Eu sei algumas coisas assim de nota de rodapé, mas eu não debato sobre filosofia. E tem coisas que eu não debato porque realmente não não traz edificação. Por exemplo, eu sou especialista em política internacional e em ciência política. Eu conheço bem o sistema político brasileiro. Eu estudei isso muitos anos. Eu poderia dar aula disso, mas eu me recuso a falar de política nas minhas mídias sociais. Por quê? Porque eu me vejo com menos autoridade. Não, eu tenho muito mais autoridade do que muita gente que acha que tá falando e arrebentando falando de política. Mas eu não faço isso porque eu tenho uma igreja. >> Sim. >> Eu tenho pessoas que são muito queridas. >> Uhum. E dependendo de do que eu falo e como eu falo, eu posso causar um ruído, não conversão da pessoa a uma ideologia, mas na conversão da pessoa a Cristo. >> Uhum. Então, de certas coisas eu não falo. Eu falo em círculos íntimos de amizade, mas eu não vou defender candidato A ou B, >> até porque eu acho que eu não sirvo para isso. Tem gente que faz isso, é problema dessa pessoa. Eu não faço. Eu mal tenho tempo de falar do evangelho nos meus canais, né? Por que que eu vou falar de outra coisa? Por que que eu vou gastar meu esforço, minha saúde mental para ter que administrar um monte de coisa que pode acontecer com isso? Eu não vou em debate. Por quê? Porque isso me faz mal. Eu não sei debater. >> Uhum. >> Eu sei conversar. Eh, algumas pessoas, alguns grandes canais assim, entrar em contato com, ah, participa desse debate, eu falei: "Não, eu não, eu não gosto de debate". E eu e para ser chato, né, e até para ser um pouquinho jocoso, falar assim, mas se for se for para eu ser entrevistado sozinho, eu vou, >> mas debate eu não vou, porque eu não sei debater, tem ótimos debatedores. Deixa eles. Eu não é minha praia, não é minha, eu não sou polemista, tem ótimos polemistas. Deixa os ótimos polemistas, então, falarem com autoridade. Eu vou falar no meu feijão com arroz. >> Sim. naquilo que eu sei falar, naquilo que Deus me capacitou. Eu acho que isso é importante, não ter a falsa sedução de que você pode fazer tudo só porque tem um microfone e uma câmera diante de você. >> Sim, porque a Bíblia fala que de tudo que nós falarmos, Deus vai trazer juízo. >> Sim. >> E às vezes isso faz a nossa perna tremer. Eu tenho o mesmo medo que você. Muitas vezes eu postei um vídeo e depois eu pensei, cara, eu poderia ter falado isso de outra forma e isso não tá legal. >> Aham. >> Ou muitas vezes você posta uma coisa que você vê, revê, revisa e um comentário diz assim: "Mas isso tá errado por isso, isso, isso, isso". E você coloca a mão na cabeça e fala assim: "Nossa, mas esse comentário tá certo, o que que eu faço agora? >> Que é que eu faço agora?" Que que eu faço? Às vezes eu só retiro sem dar o mínima explicação. Às vezes eu eu mantenho e respondo falando o quê? Meu irmão, você está certo. Então, nesse ponto eu estou errado por isso, isso, isso, isso. Mas às vezes eu deixo o post lá para me lembrar que eu sou falho, desesperadamente falho. >> Aquilo que eu acho ser a melhor forma de comunicar pode não estar sendo pra pessoa que tá lendo do outro lado. Sim. >> Então, Paulo, foi muito boa essa conversa, cara. assim, não só para mim, eu acho que para muita gente que que vai assistir, eh, não apenas para quem quer, eh, atuar na internet ou na teologia, mas também para quem consome esse tipo de conteúdo para ter mais saber, assim, >> ter um pouco mais de critério, né? Mas pra gente terminar mesmo, pensando agora então assim na tua experiência, ah, voltando pra questão de quem quer estudar a teologia, né? >> Uhum. >> Eh, pensando na tua experiência e nos nas pessoas que hoje querem estudar teologia, especialmente os que desejam estudar na escola Charles Espon. Então, qual que seria na sua mente, qual que seria assim o conselho, o tier um de conselho para o estudante de teologia na tua perspectiva? >> Que pergunta difícil. Talvez se eu tivesse uma resposta pronta, né, seria uma resposta de milhões. Eu acho que principalmente quando nós estamos lidando com ensino teológico online, a a principal preocupação ou a principal coisa que a o estudante de teologia deve pensar é que a teologia é algo físico, encarnado. Mesmo que a nossa experiência do aprendizado seja digital e online, não pode permanecer como tal, tem que ser encarnada na nossa vida, na nossa forma de pensar, na nossa forma de servir ao Senhor. Então, o que eu falo pros nossos estudantes de teologia é o seguinte: se você não estiver disposto a servir com as suas mãos e com seus pés a causa de Cristo, não vai estudar teologia imaginando que o seu ministério será ficar sentado em um escritório e ficar lendo o livro o dia inteiro e achar que você tá edificando a igreja. >> Uhum. Nós não precisamos de intelectuais soberbos, nós precisamos de teólogos piedosos, que vai muito de encontro com o tema da semana magna que nós estamos falando aqui. >> Teologia e piedade. >> Teologia e piedade. Uma teologia que glorifica Deus, serve a igreja e também serve a criação. que nós não podemos imaginar que a igreja, que a teologia é apenas um exercício para falar para membros da igreja. Não. A teologia é uma proclamação também ao mundo que precisa ouvir a voz de Cristo. Essa é uma missão muito grande. >> Aham. E a minha expectativa é que os estudantes de teologia não miniaturizem essa visão, capitalizando apenas para os seus interesses pessoais e interesses próximos, que pensemos na glória de Deus. >> Uhum. >> Dentro da qual aquilo que eu faço faz sentido. >> Amém. Eu sempre termino com uma pergunta totalmente off topic. >> Aham. >> E a a que eu queria fazer para ti é o seguinte. Você fala ou não fala coreano, cara? >> Falo. >> Fala. >> Falo coreano. >> Que legal, cara. >> Falo coreano. Foi a primeira, foi a minha língua materna. >> Ah, é? >> Por quê? Porque os meus pais vieram pro Brasil e como eles já vieram crescidos, eles não falam português confluência. Então, a língua materna deles foi o coreano. Então, eu nasci aprendendo coreano. Eu só fui aprender a língua portuguesa quando eu entrei no maternal. Então eu sou um brasileiro meio que esquisito que não aprendeu português como a sua língua original. A sua língua original já tô pensando em Bíblia. Sua língua natal, sua língua primeira. >> Falo, não falo com tanta fluência como um nativo, mas >> tu assisti dorama legenda ou sem legenda? >> Sem legenda, sem legenda. Sem legenda. Como um crente adequado, sem legenda, com o dom da interpretação das línguas. >> Legenda. É, cara. Eu foi, eu tinha um dorama de uma menina autista, como é o nome do dorama, cara? É >> uma advogada. >> Isso. Uma extraordinária. Excelente. Excelente. Bom is é bom isso. É série, cara. E >> e daí eu fui assistir em em comecei em coreano. >> Cara, você conseguiu entender? >> Não, não, não. Com legenda. >> Ah, mas mesmo com legenda ela fala muito rápido. >> Isso aí eu percebi. Não, cara. E ela e ela cita lei em coreano. >> É, aí eu não não consegui acompanhar e aí coloquei dublado. Aí dublado eu já perdeu a graça. >> Já já perdeu a graça, né? >> Então você é beneficiado de poder. >> Mas tem que ser tem que fazer que nem crente, tem que apenas crer, irmão. Crê crer. O que tá falado tá falado. >> Aham. Pois, pastor Paulo, obrigadão, cara. Obrigado por esse papo. >> Eh, então, pessoal que que quiser lhe acompanhar no Instagram, se quiser deixar aí o o seu, >> no meu caso é muito fácil, é só entrar no Google e digita Paulo on. Só tem eu. >> Então, eh, eu lhe acompanho, eu sei que você sempre produz conteúdos úteis, conteúdos realmente edificantes, certo? Então que Deus continue abençoando seu ministério continu todos nós, a todos nós. Nós dois somos produtores de conteúdo. >> Precisamos da graça de Deus para nos sustentar. >> É verdade.Essa loucura. Verdade. Às vezes dá uma, inclusive tá no meu, tava no meu roteiro, eu acabei não não falando sobre isso, mas às vezes dá aquela vontadezinha assim de desistir, porque >> eh presença digital é >> não é algo >> tão satisfatório como as pessoas acham que é >> glório, né? Então, mas também falando agora também para o pessoal que tá nos assistindo aqui, entre no nosso site, no site da Escola Teológica Charles Spugon, conheça os nossos cursos. A gente tem o nosso curso de teologia, tem também o nosso curso de aconselhamento de teologia sistemática. Nós também, você pode procurar um polo perto aí da sua região e se quiser uma preparação teológica a nível de seminário, considere estudar conosco, tá? Na Escola Teológica Charles Espugel, entra em contato para mais, se você quiser mais informações. E também o pastor Paulo também tem vários treinamentos. a escola de didascalia. >> Isso, >> certo? Que >> escola de dascalia, >> que é uma escola paraa liderança, é isso? >> É uma escola para o crente, >> certo? >> Né? >> Não é uma formação completa em teologia. Nós temos vários cursos que auxiliam o crente normal, né? Na compreensão melhor da Bíblia e da teologia. Temos muito conteúdo também na área de igreja, de ministério, de teologia missional. Então, convido você também a conhecer a nossa plataforma. >> Beleza? O que eu sei eh quando você liberou lá um um teste gratuito lá, eu fiz e o que eu posso dizer para o pessoal é que qualidade técnica e de conteúdo eles vão encontrar, né? Então, o pastor Paulo sempre foi assim: "Vou lá no canal dele, >> agradecido. Agradecido, >> vou lá no canal dele para ver o que é que ele tá usando para ver se eu usa meu querido. Muito obrigado mais uma vez, tá? Eu vou pedir a gentileza se orar pra gente terminar nosso tempo. >> Vamos orar. nosso Deus. Muito obrigado. O Senhor é o Senhor sobre todas as coisas, sobre os domínios físicos e também sobre o o domínio digital do qual tanto nós falamos aqui. E nós queremos que o Senhor realmente seja o Senhor que nos guievermos a realidade concreta do teu evangelho e a proclamarmos com ousadia, com fidelidade, mas também com criatividade e inteligência a tua palavra eterna. Abençoe, Senhor, todos os nossos ouvintes. Abençoe, Senhor, outros trabalhos tão importantes da escola Charles Spur, do seu corpo docente, decente, que repouse sobre todos a tua graça e a tua paz, no nome de Jesus. Amém. >> Amém. Valeu, pessoal. Até a próxima. Tcho.