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Sermão: Onde Deus e o Homem se Encontram

Sermão: Onde Deus e o Homem se Encontram

Sermão: Onde Deus e o Homem se Encontram

Terceiro sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

[Música]
Eterno nosso Pai, eterno nosso rei.
Louvado e engrandecido seja o teu nome,
Senhor.
Louvado e engrandecido seja o teu nome
por Cristo Jesus. Amém, Senhor.
>> Pelo que ele fez, pelo que ele faz
e pelo que ele ainda fará
em nós, por nós e através de nós também,
Senhor.
Senhor, agora que mais uma vez vamos
estudar a tua palavra, que o teu
espírito trabalhe o nosso coração e a
nossa mente.
E que o nome de Cristo continue sendo
exaltado. É o que nós te imploramos em
nome dele. Amém, Senhor. Põe aí.
>> Bom dia. Muito bom receber vocês aqui na
comunidade
aqui no Shopping Genópolis, no Teatro
All.
Muito bom ter você aqui participando com
a gente presencialmente. Muito bom ter
você aí também participando com a gente
aonde quer que você esteja, no Brasil,
no mundo, na sua casa, na sua, no
ônibus, no metrô, no carro e assim por
diante. A gente tá na série chamada
Bíblia
e essa série é um recorte
de muitas discussões importantes que a
gente vai desdobrar depois.
uma delas logo na sequência, na próxima
série, e outra em outros momentos ao
longo do tempo na comunidade, em outras
séries de sermões, em estudos bíblicos e
assim por diante.
Aí hoje a gente vai falar de um tema que
é controverso, mas é extremamente
importante.
Eh, e esse tema é um tema que a gente
não conhece muito. Eu mesmo conheci há
muito pouco. E eu lembro que quando
eu fui, comecei o meu, o meu mestrado,
fiz o meu mestrado em poesia hebraica
bíblica e uma das discussões é se
existia poesia bíblica, se a gente podia
chamar aquilo que que está na Bíblia, na
Salmos e etc, se a gente podia chamar de
poesia. E a discussão passava por
entender justamente
outras literaturas que tinham a ver com
a Bíblia. é o que a gente chama de
literatura comparada. E através desse
estudo de elementos poéticos, bíblicos
que a gente encontra em outros corpos
literários poéticos de outros povos, é
que a gente pode afirmar que existe
então poesia hebraica bíblica, por
exemplo. E no doutorado, dos primeiros
caminhos que minha querida orientadora
Susana Esvartes queria que eu seguisse
era de fazer uma comparação entre ah os
relatos criativos mesopotâmicos e a
Bíblia e depois focar nessa relação das
maldições que aparecem na Bíblia e nas
maldições que aparecem nesses outros
relatos. E aí eu desisti eh logo no
início. Eu falei falei: "É muito chato
isso daqui". E vocês vão ver daqui a
pouco por e a gente vai falar um
pouquinho sobre sobre isso. Então a
gente vai falar hoje um pouquinho sobre
literatura comparada, sobre essa relação
do texto bíblico com outros textos
escritos na região em que a Bíblia foi
escrita e basicamente na época em que a
Bíblia foi escrita também.
E a gente começa por um tipo de
literatura que vocês já ouviram a gente
falar aqui na comunidade.
Existe um gênero específico de
literatura antiga chamada tratados
político econômicos,
em que um rei suzerano faz aliança com o
rei vassalo, ou seja, um rei mais forte,
um rei com maior exército, com mais
poder. que faz uma aliança, um tratado
com um rei mais fraco, um vassalo, que
vai ser submisso a esse rei mais forte.
E esse gênero literário é um gênero
extremamente bem documentado. E a gente
tem, né, a partir da do século XVI,
século XIX, a gente tem muitos achados
eh arqueológicos de tabletes, de
tabuinhas, de inscrições em pedras
comuneiformes e tal, depois eh eh eh
pergaminhos e tal, com vários tipos
desses tratados. E é o gênero mais bem
documentado de quantidade, de extensão e
assim por diante. São mais de 60
tratados, tá? Eu trouxe aqui um livro,
é um dos meus chodozinhos
na minha casa. É o livro que tem todos
esses tratados. O nome dele é Tratado
Lei e Aliança no Antigo Oriente Médio,
tá? Só para vocês terem um tamanho, uma
noção do tamanho, é isso daqui. Então,
obviamente tem a transliteração do
cuneiform, tem também a tradução pro
inglês, obviamente, e são vários,
diversos tratados. E um indivíduo
chamado George Mandenhhall, ah, que era
um acadêmico de de línguas e semitas e
um um entusiasta do estudo do Antigo
Oriente Médio. Ele publicou em mais ou
menos 1954, 1955 um um artigo, uma série
de de palestras de que virou um livro e
tal, comparando esses tratados com os
tratados com com o texto bíblico,
principalmente de Êxodo, Levítico e de
Deuteronômio, tá? E ele mostrou que
existem muitas semelhanças, tá? E eu
separei aqui eh um tratado aqui. Eu
tenho várias marcações. Algumas
marcações são de tratados que eu acho
engraçados
e a e outras duas são quatro marcações,
uma de tratados que eu acho engraçados,
que eu não vou ler para vocês que não
precisa, e outra de ah tratados
relevantes, tá? Eu vou ler a do
relevante para vocês, tá bom?
E esse tratado eh relevante foi feito
entre o rei
eh Supililiuama
primeiro, tá? Que parece que teve
outros, né? Dos ititas, OK? Da tribo de
Hat e Chatuasa de Mitân. Então os
intitas eles são um povo extremamente
importante que habitou eh basicamente a
região que hoje a gente conhece como
Turquia ali, Anatóia e tal. E são povos
extremamente importantes. Só para vocês
terem uma ideia, esses tratados aqui,
eles vão desde o terceiro milênio antes
da era comum, antes de Cristo, até o
primeiro milênio antes da era comum,
antes de Cristo, tá? Então é um período
histórico bem abrangente. Esse daqui que
a gente vai ler, ele é da época do
segundo milênio. Ele é de mais ou menos
100, 100 antes de Cristo, antes da era
comum, tá?
Ele, obviamente, tem algumas partes que
estão incompletas, mas a maior parte
dele tá completa e tem muito a ver com
êxodo Levítico e Deuteronômio. Então ele
começa com preâmbulo, onde o rei mais
poderoso se apresenta. É um uma espécie
de introdução que a gente chama de
titulação. Esse rei, ele se apresenta
com a a as classificações dele e depois
um histórico, um prólogo histórico, tá?
Então ele começa dizendo assim: "Ah,
quando o rei, o Deus, o Deus, o rei Sol,
supilíilama, o grande rei, o herói, o
rei da terra dos ititas, o deus filho do
deus amado da tormenta, eh quando ele
fez um tratado com o rei da terra de Ur
e ele concluiu o tratado entre eles e
tal, e aí vai descrever, aí vai falar
toda a história da relação desses dois
povos aqui, pais e tal, como é que foi
as guerras que um defenderu o outro,
etc. e tal, vai apresentar esse prólogo
histórico. Isso lembra muito, por
exemplo, o início de Êxodo, capítulo 20.
Eu sou o Senhor teu Deus. Eu sou Yahua,
eu sou Javé, teu Deus, que te tirei da
terra e do Egito, da casa da servisão.
Então, Deus apresentando as suas
credenciais. Eu sou Yahua, Deus.
E eu fiz isso por vocês. Depois disso,
vem uma sessão que a gente chama de
estipulações.
São várias estipulações da aliança,
coisas que precisam acontecer entre
esses povos. E uma das coisas
interessantes aqui dessa sessão de
estipulação, desse tratado específico é
diz assim: "No futuro,
o povo de dos ititas e o povo da terra
dos mitem
olhar um um para o outro com olhos maus.
Achei isso daqui legal, que já deveria
ser aplicado ainda nos dias de hoje, né?
Também diz assim: "O povo da terra dos
ititas não deve fazer nada mal para o
povo da terra dos mitane.
Nenhum deve fazer nada mal um para o
outro". Interessante, né? Uma
estipulação que faz sentido, deveria
cumprir hoje também, né? E aí vai
aparecer aqui sobre eh onde eles vão
morar, como eles vão morar, estipulações
acerca de casamentos que o rei da terra
de Mitir, porque os o rei dos ititas tá
eh colocando, etc. e tal. E isso a gente
tem também capítulo 20, logo depois de
se apresentar, ele coloca as
estipulações do tratado.
Depois existe uma sessão sobre o
depósito dessa lei. Essa lei vai ficar
no santuário do deus,
tá? E também tem especificações sobre a
leitura.
Então esse tratado vai ser lido
periodicamente assim, assim assado pelo
rei, etc. e tal.
Depois vem uma lista de testemunhas,
tá? Então, nessa lista de testemunhas,
geralmente os deuses dos dois povos são
chamados e além dos deuses dos dois
povos são colocados como testemunhas as
montanhas, ah, os céus, a terra, as
árvores, os rios e assim por diante.
Tudo isso é muito semelhante ao que você
encontra na Bíblia. Então, na Bíblia
você também tem, né, os céus e a terra
tomou hoje como testemunhas
contra ti, que te propus a bênção, a
maldição, etc e tal. Aí a lei que Moisés
escreveu, ela deve ser reescrita, a Torá
deve ser reescrita pelos reis e os reis
devem ler em voz alta pro povo. Tudo
isso tá eh descrito na lei. E aqui vem
uma das sessões mais famosas,
sessão das bênçãos e principalmente das
maldições. Então tem aqui uma sessão
toda de maldições que são muito
curiosas, tá? várias maldições
interessantes a gente encontra eh
nesses nesses tabletes aí com neiformes,
tá? Então, por exemplo, ah,
que os deuses, os deuses desse
juramento, que eles derram você,
obviamente, se os se as estipulações não
forem cumpridas, né? Que os deuses
derram você pobreza e destituição.
Que Chatuasa seja tirado do trono, que é
o rei dos Mit, né? Que é o rei mais é o
suzer, é o vassalo, desculpa. Que os
deuses quebrem a cabeça de o pescoço de
de Chatioasa se ele desobedecer esse
tratado e que ele seja enterrado fora da
sua terra. Aí vem também um
interessante, engraçadinho, diz assim,
clássico também, que a gente encontra em
outros lugares até mais modernamente,
que a sua semente, né, seja de outras
mulheres e não seja mais sua e seja
destruída da face da terra. Então, que
as suas mulheres não tenham filhos seus
e os filhos que elas tiverem que sejam
destruídos. E aqui um dos clássicos que
eu adoro sempre mencionar,
ah, que o seu chão se transforme em
gelo, você caia e quebre seu pescoço,
né? Então tem várias assim muito
interessantes. E aí tem as bênçãos
também, né? Então, se você chataza
obedecer as estipulações desse tratado,
então eu acho essa bção aqui fenomenal,
que a sua esposa vai ser sua mesmo, né?
Não vai ser de outro homem. Isso é
importante, que os seus filhos e netos
vão reinar sobre a terra e as pessoas
vão tratar todo mundo bem e os deuses
vão proteger você, etc, etc, etc. Então,
ah, uma parte dessa da desses tratados
antigos fala de bênçãos e maldições. E
na verdade, bênçãos a gente só encontra
justamente nos tratados ititas. Nos
outros povos não existem bênçãos, eram
só maldições. E na bênção ou na bção e
maldição, especificamente em Levítico
capítulo 26, você tem bênçãos e
maldições, né? Então existem muitas
similaridades entre esses tratados e o
texto bíblico. E esse indivíduo, George
Manhha, ele publicou falando assim:
"Olha, é muito parecido tudo isso". E aí
você encontra o mesmo linguajar,
as mesmas maldições,
tanto nesses tratados desses povos
quanto na Bíblia. E um exemplo, eu
trouxe aqui um outro livro que tem eh
vários desses documentos ah
arqueológicos, né? Esse outro livro aqui
vai trazer, por exemplo, a comparação
entre as maldições. Aí você encontra,
por exemplo, em Levítico 26, verso 26, a
seguinte maldição,
que quando você quebrar o pão para, para
partir o pão, para cozinhar o pão, etc e
tal, que 10 mulheres consigam cozinhar
esse pão no forno e que esse pão tenha
peso, etc e tal. quando você comer que
você não seja satisfeito,
né? Então, uma maldição, então que você
consiga encher seu forno de pão para
cozinhar e quando esse pão tiver pronto
que você não fique satisfeito.
E aí você tem, por exemplo, a inscrição
de T eh Facaria que diz o seguinte, que
100 mulheres cozinh o pão, mas que não
sejam, que não consigam encher o forno.
Aí você tem o tratado de Safira, ah, que
sete das suas filhas cozinhem um pão,
mas que não encham o forno. Aí você tem
a inscrição de bucan. Tudo isso que eu
tô falando é do século e 98 antes de
Cristo, tá? A inscrição de Bucanã é do
século VI antes de Cristo. E que sete
mulheres cozinhem o pão no forno, mas
que esse que esse forno não se encha.
Então você tem ah essas maldições com
linguagem muito semelhante, mas você
também tem leves diferenças. Por
exemplo, nessa maldição específica, a
maldição dos outros povos tem a ver com
não conseguir encher o forno.
Então, as pessoas vão cozinhar, mas não
vão encher o forno. Já na maldição
bíblica, você pode até encher o forno. O
problema não é encher ou não o forno, é
você não vai ser satisfeito com a
comida. Você pode encher o forno e comer
tudo que tá dentro do forno, mas não vai
ser satisfeito que me relaciona bastante
com essa maldição, né? Eu acho que eu
tenho essa maldição na minha vida,
infelizmente. Então, tem essa leve
diferença. Agora, a principal diferença
entre esses tratados políticoeconômicos
e os e o tratado bíblico entre o povo e
Deus, a gente também encontra em
Levítico 26, no finalzinho das
maldições, dessa sessão das maldições.
Porque nos outros povos, se você
desobedece, acabou o tratado. Você vai
morrer, você vai ser destruído, acabou.
Não tem mais relacionamento entre os
povos. Mas na Bíblia, se o tratado é
descumprido,
se há quebra do acordo, você tem a
chance de restauração através do
arrependimento. E como vocês lembram, a
gente já estudou isso aqui algumas vezes
nos últimos 3 anos, que Levítico 23 é um
texto extremamente importante para falar
sobre graça.
Porque nesse texto de Levítico 26 diz
assim: "Se você descumprir, vai ter
essa, essa, essa, essa maldição e tal,
tal, tal, mas se você se arrepender, eu
vou restaurar você". Pronto. Esse é o
primeiro ponto. É uma inovação tremenda
do texto bíblico em relação aos
tratados. chance de restauração através
do arrependimento. Mas tem um segundo
detalhe em Levítico 26, que é o detalhe
da graça. Diz: "Mas ainda que você não
se arrependa,
eu por amor
vou restaurar vocês." Ou seja, ele
inclui em Levítico 26 a ideia da graça.
A graça que tá para além do
arrependimento. Mesmo que não haja
arrependimento, eu vou usar de graça
para com vocês. Então você tem muitas
semelhanças em forma, em linguagem, em
estrutura, mas você tem diferenças
marcantes. Uma dessas diferenças
marcantes tem a ver com amor e com
graça.
Esse é um tipo de comparação que a gente
faz entre um corpus literário dos povos
ao redor de Israel e do texto bíblico.
um outro grupo de de textos que também
são textos abrangentes, a gente tem
bastante material, a gente tem pelo
menos oito eh documentos legais,
jurídicos, extensos,
ah, apresentando listas de leis. A gente
tem dos sumérios, a gente tem dos
assírios, dos ititas e dos egípcios
também. Então, são pelo menos oito
documentos bem bem robustos, bem
abundantes, descrevendo leis, falando de
leis. Então são é um corpo de literatura
legal, lei. E a gente vai perceber que
nesse nesse texto ou nesses textos, né,
nesse nesses documentos antigos eh do
antigo Oriente Médio, você vai ter do
Egito, você vai ter leis que se referem
a a roubo, a adultério, a assassinato, a
questão de propriedades, a questão de
herança, questão de dívida, se você
deve, etc e tal. Você vai ter também
questões sobre escravos e assim por
diante. Você vai ter várias leis que vão
acontecer, vão aparecer nesses nesses
documentos. E essas leis elas são
descritas de uma maneira que a gente
chama causuística, tem a ver com
circunstâncias. Então, eh, quando o o
chefe do clã morrer, não sei o que lá,
tal, tal, tal, a herança vai ser passada
assim, assim, assado. Eh, se você
comprar uma propriedade, essa
propriedade tem que ter, sei lá,
registrada no cartório da cidade. Aqui
eu tô, obviamente, né, fazendo um uma
explicação, trazendo pros nossos dias,
né? Eh, eh, se você fos se casar com no
casamento, o contrato vai ter que ser
assim, assim, assado. Se houver
adultério, vai ser assim, assim, assado.
Ah,
assassinato. Ah, se o assassinato
acontecer sem querer, vai ter assim. Se
o assassinado acontecer com
premeditação, vai ser assado. Então,
você vai ter uma série de leis que todas
as circunstâncias vão ser descritas e as
penas também vão ser apresentadas.
Então, se você matar alguém sem querer,
a pena é essa. Se você matar alguém
querendo, a pena é outra. Se você matar
alguém planejando, a pena é outra.
E tudo isso vai ser descrito,
apresentado nesses documentos legais de
uma maneira extensa.
E quando a gente vai pra Bíblia, o corpo
de literatura legal é muito parecido,
tanto na forma quanto na linguagem.
E você tem as mesmas descrições, as
mesmas as mesmas construções, tanto
formais quanto de linguagem.
Você tem a causuística na Bíblia, você
tem várias, tem até algumas que são meio
bizarras, né? A mulher que que que é
abusada no campo, se ela gritar é de um
jeito, se ela não gritar é de outro
jeito e tal. Tem umas coisas assim meio
meio malucas. Tem os escravos, os
escravos de outros povos, os escravos de
Israel. Se tiverem filhos enquanto são
escravos, se os filhos forem diante da
escravidão, vai ser assim, assim,
assado, vai, se você dever, você vai
pagar assim, assim, assado. Lembra disso
do ano sabático, no jubileu, se você
dever, você deve 50 anos. Depois de 50
anos, as dívidas são perdoadas. Então,
você tem legislação causuística de como
as coisas vão acontecer. Extenso, êxodo,
Levítico, Números e também,
principalmente, Deuteronômio, que vai
repetir tudo num compêndio.
Só que você tem diferenças. E a
principal diferença, a mais marcante
diferença entre o corpus legal jurídico
dos outros povos e de Israel da Bíblia é
a seguinte.
Na Bíblia todas as leis
são cúticas barra religiosas, todas.
Tudo que você faz quer em relação à
propriedade, em relação aos escravos, em
relação a à herança, em relação à
dívida, em relação a assassinato, a
roubo, adultério, a falso testemunho.
Tenho vários povos com leis de falso
testemunho. Não pode mentir. Todas essas
leis na Bíblia, elas são religiosas,
elas são espirituais, elas são cúpticas,
elas têm a ver com Deus. Você não
adultera, você não rouba, você não faz
isso, não faz aquilo, tal. Por quê?
Porque Deus é o seu Deus. E é isso aí. O
que você não encontre nenhum outro
corpus legal jurídico de literatura do
Antigo Oriente.
As leis não têm a ver com os deuses, mas
na Bíblia tem. Todas as leis têm a ver
com Deus. E essa é uma diferença
gritante. Então você tem forma parecida,
linguagem parecida, mas você tem
propósito distinto.
E aqui eu faço um parênteses muito
importante. Quando a gente fala dos 10
mandamentos.
a gente fala das 10 palavras, do
capítulo 20, elas não estão escritas
numa no gênero literário legal,
jurídico,
tá? Porque elas são apodídicas, são lei,
são leis apodídicas. Que que isso quer
dizer? Elas não são, elas são
autoevidentes, elas são, eh,
irrevogáveis e refutáveis. Acabou, não
tem circunstância, tá lá, não matarás.
Qual a circunstância? Não interessa. Tá
lá, não matarás. E qual é a pena? Também
não tem pena. Portanto, os 10
mandamentos não estão escritos em forma,
em gênero literário, jurídico, legal,
portanto, não são leis. Isso é
extremamente interessante e importante.
Então, como é que a gente classifica os
10 amendamentos? Eles são estipulações
da aliança.
Porque quando você fala de estipulação,
ela não precisa ter circunstância e ela
não precisa ter pena.
O que que vai acontecer se você
infringir? Tão entendendo?
Então, é muito interessante a gente
fazer essas comparações para entender as
semelhanças e para entender as
diferenças. É parecido, é, mas também é
diferente. E por fim,
o conjunto de textos assim mais
abundante que a gente encontra e assim
abundante no sentido de eh diversidade
mesmo são os de origens, né? A Bíblia
então vai falar das origens lá em
Gênesis 1, Gênesis 2 e tal. em a gente
vai apresentar as origens da humanidade,
do mundo, do cosmos, etc. e tal. Existem
muitas literaturas na Mesopotâmia, no
Antigo Oriente Médio, que apresentam
exatamente isso. E aqui tem um livro
também do mesmo do outro, são três
volumes também, que apresenta todos
esses relatos, tá? Todos, uma coleção de
todos. Então aqui tem ah os principais
que vocês quiserem ah nomear, tá aqui
nesse livro. Infelizmente tive que ler
todos também,
que é cansativo, né? Fácil não? E eu
separei aqui quatro para falar com vocês
que são quatro que eu diria que são os
mais importantes de uma certa maneira,
tá? Todos são interessantes, mas os
quatro são mais importantes.
Primeiro deles é o gênesis de Eridu, tá?
Então, nesse gênesido, os seres humanos
são criados pelos deuses para trabalhar.
E aí os seres humanos, ao trabalharem,
eles fundam cidades. Só que nessas
cidades eles começam a ficar muito
barulhentos e os deuses ficam com raiva
de barulho. Os deuses não gostam de
barulho. Então, os seres humanos fazem
muito barulho. Eu falei disso numa série
chamada O silêncio de Deus. Muito
interessante. Depois vocês podem
assistir. E aí os deuses ficam com tanta
raiva do barulho do ser humano que eles
resolvem destruir o ser humano.
E eles destróem como mandam um dilúvio.
Só que aí um dos deuses avisa um
indivíduo. O nome desse indivíduo é
maravilhoso. Você dá paraos seus filhos,
Zil Sudra. O Zio Sudra é avisado por um
dos deuses e ele constrói, adivinem, uma
arca. E ele se protege dessa nessa arca
do dilúvio e ele não é destruído. O
resto da humanidade é destruído. Ele sai
da arca e ele oferece sacrifícios pros
deuses para agradecer por ter sido
poupado. Os deuses gostam tanto do
sacrifício que ele ofereceu que fazem
uma aliança com Zudra e Zil Sudra ganha
a vida eterna.
Gêneseis Geridu.
Depois você tem o famoso assírio
atraasi. Isso é um um conto de origens,
né, um mito de origens assírio do
Atraases.
Nesse conto, assíria, então, depois de
uma rebelião dos deuses, o ser humano é
criado para trabalhar pros deuses. Os
deuses geralmente eles se revoltam
porque eles não querem mais trabalhar
para arranjar comida. Eles querem que
alguém trabalhe para arranjar comida
para eles. E aí o ser humano é criado
para resolver esse problema, vai
trabalhar para ganhar comida. Só que a
população humana cresce muito e fica
barulhenta,
muito barulhenta. E aí essa população é
é punida com pragas, com pestes e com
fome também. E aí não resolve. Eles
continuam muito barulhentos e aí os
deuses resolvem mandar um
dilúvio. Isso.
Adivinha o que acontece? Um dos deuses
conta para Atarras que vai ter o
dilúvio. Atraases se prepara pro
dilúvio. Ele constrói um barco, uma
arca, e ele leva para essa arca, para
esse barco, os animais e eles se salvam,
né? Muito interessante.
Um dos relatos mais famosos é o Enuma
Elis, né? Sumério Babilônio. Os deuses
mais jovens entram em guerra com os
deuses mais velhos.
Os deuses mais jovens estão revoltados
porque eles têm que arranjar a própria
comida. E aí, Tiamate e Apso ah, que são
deuses, né? Tiamate é tipo a mãe dos
deuses. Eles eles são ligados às águas e
a Tiamat do desenho, né, do do da
caverna do dragão e tudo. Aí vocês
lembram aí desse negócio? É o dragão lá
e tal. E aí Tiamate e Apso são deuses
ligados à água e eles se juntam com
esses deuses mais novos, revoltados. E
aí, Mardu, que é eleito pelos deuses
mais velhos para lutar por eles. É como
se fosse um campeão que vai lutar contra
os rebeldes. E Marduk vence. Marduk
destrói essa rebelião. E aí com o corpo
de Tiamate, a mãe, né, tipo uma mãe dos
deuses, ele cria o cosmos. Cria o cosmos
em sete dias. O sétimo dia é o sapatu e
tal. Tem todo um esquema aqui e de sete,
tá? de seis e de sete. E aí ele pega a
deusa Eá, pega o sangue de Kingu, que
era um outro deus que era aliado de
Tiamate, que também foi derrotado,
mistura com a terra e faz o ser humano.
E o ser humano é feito, adivinho.
É maneiro, né? Os deuses criam a gente
para trabalhar. Para trabalhar para quê?
Para arranjar comida pros deuses. Para
oferecer comida pros deuses. Os seres
humanos se organizam, eles criam a
primeira cidade. O nome da primeira
cidade é a Babilônia.
E aí nessa cidade de Babilônia eles
constróem o primeiro templo, um
zigurate. E eles vão levar então a
comida que eles plantam no Zigurate para
oferecer pros deuses, para alimentar
Marduk, para Marduque sempre ficar
bonzinho e não destruir a humanidade.
Esse é o enumelix. E aí talvez o conto
mais famoso seja o conto de Gilgamesh,
né? O épico de Gil Gamesh, que em uma
versão chega a ter 12 tabletes, né? Ou
seja, é um conto bem longo.
Então, há uma série de disputas entre os
deuses, são lutas, tem sedução, tem um
monte de coisa, não sei o que lá, tal.
No meio disso, a deusa estar se apaixona
por um indivíduo chamado Gilgames, que é
o personagem principal aqui. E ela
propõe se casar com Gilgameste. Gilgame
rejeita a Deusa estar. A deusa está
ficar muito brava, louca, possessa. E
ela manda
o touro dos céus para matar Gameche. E
Gilgame consegue sobreviver ele e o
amigo dele em Ku.
Só que aí os deuses resolvem puniru e
matam o Inkidu e Enkidu vai morar no
submundo, no inferno, etc e tal. Tá? E
aí tem um tablete que é só contando a
história de Inquidu nesse submundo,
nesse nesse inferno e tal. Pá. Bom,
Gilestre sobrevive, ele fica triste,
fica chateado que morreu e tal. E ele
vai procurar o sentido da vida e ele
decide que a vida foi feita para ser
aproveitada, para ser curtida. Então ele
vai curtir a vida dele. Só que os deuses
resolvem matar Gamexech e mandam um
dilúvio. Vocês estão devagar. manda um
dilúvio. Um dilúvio. Alguém avisa
Gilgamex. Gilgamex constrói uma arca e
tal, se refugia dela e sobrevive. Quando
ele sai, então depois dilúvio, eu tô
resumindo, tá gente? São vários
tabletes. E aí ele sai dessa aca e ele
sai, né, sobrevivendo desse dilúvio, ele
resolve ir atrás de uma planta para
rejuvenecer. Só que essa planta é
destruída por uma serpente que morde a
planta e a planta morre, etc. e tal. Tem
uma série de coisas aí muito
interessantes em relação com a Bíblia,
né? Esses contos tem muitos paralelos,
né? O próprio Numeli tem pelo menos dois
paralelos muito eh muito claros, né? Um
deles é o épico de Anzu e o outro
assassinato de Labu. E quando você vai
ler esses tabletes, você percebe que é
um esquema meio assim, ah, meio dorama,
tá ligado? Conhecem dorama? Dorama, né?
O do coraçãozinho e tal. dorama, uma
novelna, um esquema. E você percebe que
existem elementos comuns em todos eles.
E quando você compara eles com texto de
da Bíblia, você percebe que também
existem muitas relações. Tem um dilúvio,
tem alguém que sobrevive o dilúvio, o
ser humano é criado, tem trabalho, a
criação do ser humano tem a ver com a
terra, envolve a terra, tem céus e
terra, tal, pá, pá, pá, mas também tem
diferenças e diferenças importantes,
diferenças que tm a ver com o propósito,
né? Ahã. Uma das diferenças principais,
talvez que é importante a gente lembrar
em todos esses relatos que eu falei, o
ser humano é criado para resolver um
problema de alimentação dos deuses. Não,
o ser humano é criado para trabalhar,
para dar comida pros deuses. E na
Bíblia, em Gênesis 1, verso 29 e 30,
você lembra que Deus cria o ser humano e
Deus dá comida pro ser humano. Deus
alimenta o ser humano. Em Gênesis 2, ele
planta o jardim que tem comida, que tem
as árvores, frutíferas e tal. E o ser
humano vai só cuidar do jardim que Deus
plantou. Ou seja, Deus tem o trabalho e
o ser humano vai apenas manter o
trabalho de Deus. Então, você tem
semelhanças e você tem diferenças. Qual
é a grande questão aqui?
Que existem dois tipos de reação para
esse fato de que a Bíblia tem um
relacionamento extenso com corpos
literários do antigo Oriente Médio, do
tempo e do espaço em que ela foi
escrita.
A primeira é a mais comum entre a gente,
que a gente a gente pode chamar de
paralelofobia.
Quando a gente fala assim: "Ah, a Bíblia
e os outros textos da antiguidade se
parecem". Não, não pode. Não pode. Isso
é uma contrafação do inimigo. O inimigo
criou esses relatos para confundir a
mente dos salvos. Porque o texto bíblico
diz que o diabo enganaria, se possível,
até os santos. Então, não podemos ler,
não podemos, não tem relação, não tem
nada a ver, não sei o que lá tal, tal.
Essa é a primeira reação, que é essa
paralelofobia. E tem a segunda, que é a
paralelomania,
que é a galera do Discovery Channel, do
do, né, BBC, às vezes documentários e
tal. Ah, tá vendo a Bíblia? Ah, tá, tem
um monte de livro igual. Olha aqui, é
tudo igual. Tudo igual.
O convite é a gente entender,
e a gente já falou isso aqui no início
da série, que a Bíblia não caiu do céu.
A Bíblia não desceu num facho de luz.
com uma voz dizendo: "Ó, esse é meu
livro, leiam e tal, tal, tal e já
pronto." Não, a Bíblia, como a gente já
viu, foi produzida humanamente, uma
revelação, uma comunicação divina, mas
uma produção humana.
Porque Deus, ao escolher se comunicar,
ele precisa escolher se comunicar de uma
maneira que a gente compreenda, que a
humanidade compreenda.
E se ele escolhe uma um gênero, uma
maneira de se revelar que só uns dois ou
três gênios literatos, gênios
intelectuais compreendam, a maior parte
das pessoas não vai entender.
Por exemplo, quantos aqui conhecem
poesia neuoconcreta?
Ninguém. Maravilha. Poesia neoconcreta
rolou, inclusive rolou no Brasil. Um dos
autores principais ou ou o autor
principal foi Ferreira Gular. Tem um
livro chamado formigueiro. Depois vocês
procurem. Formigueiros são letras e
palavras dispostas na página, como se
fossem formigas passeando pelas páginas.
E você tem que entender como é que você
lê isso.
Tem um jeito certo de ler,
mas se você bate o olho, você não
entende nada.
Quantas pessoas leem e compreendem e
gostam de poesia neu concreta?
Pouquíssimas pessoas. Aí Deus resolve se
revelar de em poesia neu concreta, aí
vai ficar todo mundo olhando,
né? X, né? Tanto faz. Agora, quem gosta
de novela,
quem gosta de dorama,
quem gosta daquele negócio que pá, tem
isso, tem aquilo, histórias e tal.
Então, Deus escolhe se revelar de uma
maneira que as pessoas, o máximo de
pessoas compreenda,
porque era um tipo de literatura comum,
era um tipo de narrativa comum que as
pessoas conheciam.
E aqui vem a grande sacada. é você
entender que a semelhança da Bíblia com
essas outras literaturas aponta o
aspecto humano do texto bíblico, essa
produção humana, esse relacionamento
humano, essa decisão divina de se
limitar em um jeito de escrever, em uma
língua, em uma consciência, em um uma
filosofia, em um uma ideologia de
linguagem tal, naquilo ali.
Mas as diferenças entre o texto bíblico
e essas outras literaturas
apontam para esse ingrediente dessa
revelação
transcendente
que mostram pra gente o ingrediente
divino.
É igual,
mas não é igual.
Então, comparar a Bíblia com outras
literaturas não é diminuir a Bíblia,
pelo contrário, é entender
a importância dessa tensão que existe
dentro do texto bíblico.
Essa é a tensão entre o elemento humano
e o elemento divino, que foi o que a
gente tá falando nessa série dessa
analogia encarnacional,
essa tensão que tá presente o tempo
todo.
E essa atenção, ela é um convite,
um convite a duas coisas importantes.
Primeira, nós precisamos estudar e nos
aprofundar mais no conhecimento da
Bíblia. Se a gente se julga cristão
porque seguimos um livro que fala de
Cristo, nós precisamos cada vez mais nos
aprofundarmos no estudo desse livro e
entender o ingrediente humano, entender
esse essa essa parte palpável,
histórica, literária, que situa a Bíblia
no tempo e no espaço,
faz com que a gente tenha uma melhor
compreensão do texto que é sagrado pra
gente.
Então, nós precisamos estudar mais.
E o segundo convite é, a gente precisa
para entender as diferenças
do que a Bíblia não é igual, do que a
Bíblia inova, do que a Bíblia é única em
relação à literatura da época em que ela
foi escrita. A gente precisa do Espírito
Santo.
A gente precisa orar e pedir pela
direção do Espírito Santo para que a
nossa leitura não seja apenas um olhar
humano, um viés humano, mas ela tenha
também esse ingrediente
de uma revelação que continua
acontecendo quando a gente interpreta as
escrituras com ação através da ação do
Espírito Santo.
Entender a atenção da Bíblia, entender a
atenção do próprio Deus que é
transcedente,
que é imanente, é entender a atenção de
Cristo, que é o verbo que é Deus, mas é
o o encarnado. É o verbo encarnado.
E a gente precisa experimentar essa
atenção na nossa relação com a Bíblia
para nos aprofundarmos no entendimento
daquela que é a palavra de Deus viva e
eficaz para todos nós. Eterno nosso pai
e nosso rei.
Senhor, a gente tem dificuldade muitas
vezes de viver tensões,
porque a gente escolhe lados e a gente
quer só uma coisa ou só outra. Mas
muitas vezes não se trata de uma coisa
ou outra, mas se trata de uma coisa e
outra.
Senhor, nos ajude a entendermos essa
atenção e através dessa atenção
buscarmos mais entendimento sobre essa
parte tão humana da Bíblia e também,
Senhor, buscarmos mais o Espírito Santo
para entendermos a tua revelação para
nós.
Nós te pedimos a tua companhia e te
agradecemos por ela desde já, em nome de
Cristo Jesus. Amém, senhor.

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