Sermão: Onde Deus e o Homem se Encontram
04/09/2025
Sermão: Onde Deus e o Homem se Encontram
Terceiro sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
[Música] Eterno nosso Pai, eterno nosso rei. Louvado e engrandecido seja o teu nome, Senhor. Louvado e engrandecido seja o teu nome por Cristo Jesus. Amém, Senhor. >> Pelo que ele fez, pelo que ele faz e pelo que ele ainda fará em nós, por nós e através de nós também, Senhor. Senhor, agora que mais uma vez vamos estudar a tua palavra, que o teu espírito trabalhe o nosso coração e a nossa mente. E que o nome de Cristo continue sendo exaltado. É o que nós te imploramos em nome dele. Amém, Senhor. Põe aí. >> Bom dia. Muito bom receber vocês aqui na comunidade aqui no Shopping Genópolis, no Teatro All. Muito bom ter você aqui participando com a gente presencialmente. Muito bom ter você aí também participando com a gente aonde quer que você esteja, no Brasil, no mundo, na sua casa, na sua, no ônibus, no metrô, no carro e assim por diante. A gente tá na série chamada Bíblia e essa série é um recorte de muitas discussões importantes que a gente vai desdobrar depois. uma delas logo na sequência, na próxima série, e outra em outros momentos ao longo do tempo na comunidade, em outras séries de sermões, em estudos bíblicos e assim por diante. Aí hoje a gente vai falar de um tema que é controverso, mas é extremamente importante. Eh, e esse tema é um tema que a gente não conhece muito. Eu mesmo conheci há muito pouco. E eu lembro que quando eu fui, comecei o meu, o meu mestrado, fiz o meu mestrado em poesia hebraica bíblica e uma das discussões é se existia poesia bíblica, se a gente podia chamar aquilo que que está na Bíblia, na Salmos e etc, se a gente podia chamar de poesia. E a discussão passava por entender justamente outras literaturas que tinham a ver com a Bíblia. é o que a gente chama de literatura comparada. E através desse estudo de elementos poéticos, bíblicos que a gente encontra em outros corpos literários poéticos de outros povos, é que a gente pode afirmar que existe então poesia hebraica bíblica, por exemplo. E no doutorado, dos primeiros caminhos que minha querida orientadora Susana Esvartes queria que eu seguisse era de fazer uma comparação entre ah os relatos criativos mesopotâmicos e a Bíblia e depois focar nessa relação das maldições que aparecem na Bíblia e nas maldições que aparecem nesses outros relatos. E aí eu desisti eh logo no início. Eu falei falei: "É muito chato isso daqui". E vocês vão ver daqui a pouco por e a gente vai falar um pouquinho sobre sobre isso. Então a gente vai falar hoje um pouquinho sobre literatura comparada, sobre essa relação do texto bíblico com outros textos escritos na região em que a Bíblia foi escrita e basicamente na época em que a Bíblia foi escrita também. E a gente começa por um tipo de literatura que vocês já ouviram a gente falar aqui na comunidade. Existe um gênero específico de literatura antiga chamada tratados político econômicos, em que um rei suzerano faz aliança com o rei vassalo, ou seja, um rei mais forte, um rei com maior exército, com mais poder. que faz uma aliança, um tratado com um rei mais fraco, um vassalo, que vai ser submisso a esse rei mais forte. E esse gênero literário é um gênero extremamente bem documentado. E a gente tem, né, a partir da do século XVI, século XIX, a gente tem muitos achados eh arqueológicos de tabletes, de tabuinhas, de inscrições em pedras comuneiformes e tal, depois eh eh eh pergaminhos e tal, com vários tipos desses tratados. E é o gênero mais bem documentado de quantidade, de extensão e assim por diante. São mais de 60 tratados, tá? Eu trouxe aqui um livro, é um dos meus chodozinhos na minha casa. É o livro que tem todos esses tratados. O nome dele é Tratado Lei e Aliança no Antigo Oriente Médio, tá? Só para vocês terem um tamanho, uma noção do tamanho, é isso daqui. Então, obviamente tem a transliteração do cuneiform, tem também a tradução pro inglês, obviamente, e são vários, diversos tratados. E um indivíduo chamado George Mandenhhall, ah, que era um acadêmico de de línguas e semitas e um um entusiasta do estudo do Antigo Oriente Médio. Ele publicou em mais ou menos 1954, 1955 um um artigo, uma série de de palestras de que virou um livro e tal, comparando esses tratados com os tratados com com o texto bíblico, principalmente de Êxodo, Levítico e de Deuteronômio, tá? E ele mostrou que existem muitas semelhanças, tá? E eu separei aqui eh um tratado aqui. Eu tenho várias marcações. Algumas marcações são de tratados que eu acho engraçados e a e outras duas são quatro marcações, uma de tratados que eu acho engraçados, que eu não vou ler para vocês que não precisa, e outra de ah tratados relevantes, tá? Eu vou ler a do relevante para vocês, tá bom? E esse tratado eh relevante foi feito entre o rei eh Supililiuama primeiro, tá? Que parece que teve outros, né? Dos ititas, OK? Da tribo de Hat e Chatuasa de Mitân. Então os intitas eles são um povo extremamente importante que habitou eh basicamente a região que hoje a gente conhece como Turquia ali, Anatóia e tal. E são povos extremamente importantes. Só para vocês terem uma ideia, esses tratados aqui, eles vão desde o terceiro milênio antes da era comum, antes de Cristo, até o primeiro milênio antes da era comum, antes de Cristo, tá? Então é um período histórico bem abrangente. Esse daqui que a gente vai ler, ele é da época do segundo milênio. Ele é de mais ou menos 100, 100 antes de Cristo, antes da era comum, tá? Ele, obviamente, tem algumas partes que estão incompletas, mas a maior parte dele tá completa e tem muito a ver com êxodo Levítico e Deuteronômio. Então ele começa com preâmbulo, onde o rei mais poderoso se apresenta. É um uma espécie de introdução que a gente chama de titulação. Esse rei, ele se apresenta com a a as classificações dele e depois um histórico, um prólogo histórico, tá? Então ele começa dizendo assim: "Ah, quando o rei, o Deus, o Deus, o rei Sol, supilíilama, o grande rei, o herói, o rei da terra dos ititas, o deus filho do deus amado da tormenta, eh quando ele fez um tratado com o rei da terra de Ur e ele concluiu o tratado entre eles e tal, e aí vai descrever, aí vai falar toda a história da relação desses dois povos aqui, pais e tal, como é que foi as guerras que um defenderu o outro, etc. e tal, vai apresentar esse prólogo histórico. Isso lembra muito, por exemplo, o início de Êxodo, capítulo 20. Eu sou o Senhor teu Deus. Eu sou Yahua, eu sou Javé, teu Deus, que te tirei da terra e do Egito, da casa da servisão. Então, Deus apresentando as suas credenciais. Eu sou Yahua, Deus. E eu fiz isso por vocês. Depois disso, vem uma sessão que a gente chama de estipulações. São várias estipulações da aliança, coisas que precisam acontecer entre esses povos. E uma das coisas interessantes aqui dessa sessão de estipulação, desse tratado específico é diz assim: "No futuro, o povo de dos ititas e o povo da terra dos mitem olhar um um para o outro com olhos maus. Achei isso daqui legal, que já deveria ser aplicado ainda nos dias de hoje, né? Também diz assim: "O povo da terra dos ititas não deve fazer nada mal para o povo da terra dos mitane. Nenhum deve fazer nada mal um para o outro". Interessante, né? Uma estipulação que faz sentido, deveria cumprir hoje também, né? E aí vai aparecer aqui sobre eh onde eles vão morar, como eles vão morar, estipulações acerca de casamentos que o rei da terra de Mitir, porque os o rei dos ititas tá eh colocando, etc. e tal. E isso a gente tem também capítulo 20, logo depois de se apresentar, ele coloca as estipulações do tratado. Depois existe uma sessão sobre o depósito dessa lei. Essa lei vai ficar no santuário do deus, tá? E também tem especificações sobre a leitura. Então esse tratado vai ser lido periodicamente assim, assim assado pelo rei, etc. e tal. Depois vem uma lista de testemunhas, tá? Então, nessa lista de testemunhas, geralmente os deuses dos dois povos são chamados e além dos deuses dos dois povos são colocados como testemunhas as montanhas, ah, os céus, a terra, as árvores, os rios e assim por diante. Tudo isso é muito semelhante ao que você encontra na Bíblia. Então, na Bíblia você também tem, né, os céus e a terra tomou hoje como testemunhas contra ti, que te propus a bênção, a maldição, etc e tal. Aí a lei que Moisés escreveu, ela deve ser reescrita, a Torá deve ser reescrita pelos reis e os reis devem ler em voz alta pro povo. Tudo isso tá eh descrito na lei. E aqui vem uma das sessões mais famosas, sessão das bênçãos e principalmente das maldições. Então tem aqui uma sessão toda de maldições que são muito curiosas, tá? várias maldições interessantes a gente encontra eh nesses nesses tabletes aí com neiformes, tá? Então, por exemplo, ah, que os deuses, os deuses desse juramento, que eles derram você, obviamente, se os se as estipulações não forem cumpridas, né? Que os deuses derram você pobreza e destituição. Que Chatuasa seja tirado do trono, que é o rei dos Mit, né? Que é o rei mais é o suzer, é o vassalo, desculpa. Que os deuses quebrem a cabeça de o pescoço de de Chatioasa se ele desobedecer esse tratado e que ele seja enterrado fora da sua terra. Aí vem também um interessante, engraçadinho, diz assim, clássico também, que a gente encontra em outros lugares até mais modernamente, que a sua semente, né, seja de outras mulheres e não seja mais sua e seja destruída da face da terra. Então, que as suas mulheres não tenham filhos seus e os filhos que elas tiverem que sejam destruídos. E aqui um dos clássicos que eu adoro sempre mencionar, ah, que o seu chão se transforme em gelo, você caia e quebre seu pescoço, né? Então tem várias assim muito interessantes. E aí tem as bênçãos também, né? Então, se você chataza obedecer as estipulações desse tratado, então eu acho essa bção aqui fenomenal, que a sua esposa vai ser sua mesmo, né? Não vai ser de outro homem. Isso é importante, que os seus filhos e netos vão reinar sobre a terra e as pessoas vão tratar todo mundo bem e os deuses vão proteger você, etc, etc, etc. Então, ah, uma parte dessa da desses tratados antigos fala de bênçãos e maldições. E na verdade, bênçãos a gente só encontra justamente nos tratados ititas. Nos outros povos não existem bênçãos, eram só maldições. E na bênção ou na bção e maldição, especificamente em Levítico capítulo 26, você tem bênçãos e maldições, né? Então existem muitas similaridades entre esses tratados e o texto bíblico. E esse indivíduo, George Manhha, ele publicou falando assim: "Olha, é muito parecido tudo isso". E aí você encontra o mesmo linguajar, as mesmas maldições, tanto nesses tratados desses povos quanto na Bíblia. E um exemplo, eu trouxe aqui um outro livro que tem eh vários desses documentos ah arqueológicos, né? Esse outro livro aqui vai trazer, por exemplo, a comparação entre as maldições. Aí você encontra, por exemplo, em Levítico 26, verso 26, a seguinte maldição, que quando você quebrar o pão para, para partir o pão, para cozinhar o pão, etc e tal, que 10 mulheres consigam cozinhar esse pão no forno e que esse pão tenha peso, etc e tal. quando você comer que você não seja satisfeito, né? Então, uma maldição, então que você consiga encher seu forno de pão para cozinhar e quando esse pão tiver pronto que você não fique satisfeito. E aí você tem, por exemplo, a inscrição de T eh Facaria que diz o seguinte, que 100 mulheres cozinh o pão, mas que não sejam, que não consigam encher o forno. Aí você tem o tratado de Safira, ah, que sete das suas filhas cozinhem um pão, mas que não encham o forno. Aí você tem a inscrição de bucan. Tudo isso que eu tô falando é do século e 98 antes de Cristo, tá? A inscrição de Bucanã é do século VI antes de Cristo. E que sete mulheres cozinhem o pão no forno, mas que esse que esse forno não se encha. Então você tem ah essas maldições com linguagem muito semelhante, mas você também tem leves diferenças. Por exemplo, nessa maldição específica, a maldição dos outros povos tem a ver com não conseguir encher o forno. Então, as pessoas vão cozinhar, mas não vão encher o forno. Já na maldição bíblica, você pode até encher o forno. O problema não é encher ou não o forno, é você não vai ser satisfeito com a comida. Você pode encher o forno e comer tudo que tá dentro do forno, mas não vai ser satisfeito que me relaciona bastante com essa maldição, né? Eu acho que eu tenho essa maldição na minha vida, infelizmente. Então, tem essa leve diferença. Agora, a principal diferença entre esses tratados políticoeconômicos e os e o tratado bíblico entre o povo e Deus, a gente também encontra em Levítico 26, no finalzinho das maldições, dessa sessão das maldições. Porque nos outros povos, se você desobedece, acabou o tratado. Você vai morrer, você vai ser destruído, acabou. Não tem mais relacionamento entre os povos. Mas na Bíblia, se o tratado é descumprido, se há quebra do acordo, você tem a chance de restauração através do arrependimento. E como vocês lembram, a gente já estudou isso aqui algumas vezes nos últimos 3 anos, que Levítico 23 é um texto extremamente importante para falar sobre graça. Porque nesse texto de Levítico 26 diz assim: "Se você descumprir, vai ter essa, essa, essa, essa maldição e tal, tal, tal, mas se você se arrepender, eu vou restaurar você". Pronto. Esse é o primeiro ponto. É uma inovação tremenda do texto bíblico em relação aos tratados. chance de restauração através do arrependimento. Mas tem um segundo detalhe em Levítico 26, que é o detalhe da graça. Diz: "Mas ainda que você não se arrependa, eu por amor vou restaurar vocês." Ou seja, ele inclui em Levítico 26 a ideia da graça. A graça que tá para além do arrependimento. Mesmo que não haja arrependimento, eu vou usar de graça para com vocês. Então você tem muitas semelhanças em forma, em linguagem, em estrutura, mas você tem diferenças marcantes. Uma dessas diferenças marcantes tem a ver com amor e com graça. Esse é um tipo de comparação que a gente faz entre um corpus literário dos povos ao redor de Israel e do texto bíblico. um outro grupo de de textos que também são textos abrangentes, a gente tem bastante material, a gente tem pelo menos oito eh documentos legais, jurídicos, extensos, ah, apresentando listas de leis. A gente tem dos sumérios, a gente tem dos assírios, dos ititas e dos egípcios também. Então, são pelo menos oito documentos bem bem robustos, bem abundantes, descrevendo leis, falando de leis. Então são é um corpo de literatura legal, lei. E a gente vai perceber que nesse nesse texto ou nesses textos, né, nesse nesses documentos antigos eh do antigo Oriente Médio, você vai ter do Egito, você vai ter leis que se referem a a roubo, a adultério, a assassinato, a questão de propriedades, a questão de herança, questão de dívida, se você deve, etc e tal. Você vai ter também questões sobre escravos e assim por diante. Você vai ter várias leis que vão acontecer, vão aparecer nesses nesses documentos. E essas leis elas são descritas de uma maneira que a gente chama causuística, tem a ver com circunstâncias. Então, eh, quando o o chefe do clã morrer, não sei o que lá, tal, tal, tal, a herança vai ser passada assim, assim, assado. Eh, se você comprar uma propriedade, essa propriedade tem que ter, sei lá, registrada no cartório da cidade. Aqui eu tô, obviamente, né, fazendo um uma explicação, trazendo pros nossos dias, né? Eh, eh, se você fos se casar com no casamento, o contrato vai ter que ser assim, assim, assado. Se houver adultério, vai ser assim, assim, assado. Ah, assassinato. Ah, se o assassinato acontecer sem querer, vai ter assim. Se o assassinado acontecer com premeditação, vai ser assado. Então, você vai ter uma série de leis que todas as circunstâncias vão ser descritas e as penas também vão ser apresentadas. Então, se você matar alguém sem querer, a pena é essa. Se você matar alguém querendo, a pena é outra. Se você matar alguém planejando, a pena é outra. E tudo isso vai ser descrito, apresentado nesses documentos legais de uma maneira extensa. E quando a gente vai pra Bíblia, o corpo de literatura legal é muito parecido, tanto na forma quanto na linguagem. E você tem as mesmas descrições, as mesmas as mesmas construções, tanto formais quanto de linguagem. Você tem a causuística na Bíblia, você tem várias, tem até algumas que são meio bizarras, né? A mulher que que que é abusada no campo, se ela gritar é de um jeito, se ela não gritar é de outro jeito e tal. Tem umas coisas assim meio meio malucas. Tem os escravos, os escravos de outros povos, os escravos de Israel. Se tiverem filhos enquanto são escravos, se os filhos forem diante da escravidão, vai ser assim, assim, assado, vai, se você dever, você vai pagar assim, assim, assado. Lembra disso do ano sabático, no jubileu, se você dever, você deve 50 anos. Depois de 50 anos, as dívidas são perdoadas. Então, você tem legislação causuística de como as coisas vão acontecer. Extenso, êxodo, Levítico, Números e também, principalmente, Deuteronômio, que vai repetir tudo num compêndio. Só que você tem diferenças. E a principal diferença, a mais marcante diferença entre o corpus legal jurídico dos outros povos e de Israel da Bíblia é a seguinte. Na Bíblia todas as leis são cúticas barra religiosas, todas. Tudo que você faz quer em relação à propriedade, em relação aos escravos, em relação a à herança, em relação à dívida, em relação a assassinato, a roubo, adultério, a falso testemunho. Tenho vários povos com leis de falso testemunho. Não pode mentir. Todas essas leis na Bíblia, elas são religiosas, elas são espirituais, elas são cúpticas, elas têm a ver com Deus. Você não adultera, você não rouba, você não faz isso, não faz aquilo, tal. Por quê? Porque Deus é o seu Deus. E é isso aí. O que você não encontre nenhum outro corpus legal jurídico de literatura do Antigo Oriente. As leis não têm a ver com os deuses, mas na Bíblia tem. Todas as leis têm a ver com Deus. E essa é uma diferença gritante. Então você tem forma parecida, linguagem parecida, mas você tem propósito distinto. E aqui eu faço um parênteses muito importante. Quando a gente fala dos 10 mandamentos. a gente fala das 10 palavras, do capítulo 20, elas não estão escritas numa no gênero literário legal, jurídico, tá? Porque elas são apodídicas, são lei, são leis apodídicas. Que que isso quer dizer? Elas não são, elas são autoevidentes, elas são, eh, irrevogáveis e refutáveis. Acabou, não tem circunstância, tá lá, não matarás. Qual a circunstância? Não interessa. Tá lá, não matarás. E qual é a pena? Também não tem pena. Portanto, os 10 mandamentos não estão escritos em forma, em gênero literário, jurídico, legal, portanto, não são leis. Isso é extremamente interessante e importante. Então, como é que a gente classifica os 10 amendamentos? Eles são estipulações da aliança. Porque quando você fala de estipulação, ela não precisa ter circunstância e ela não precisa ter pena. O que que vai acontecer se você infringir? Tão entendendo? Então, é muito interessante a gente fazer essas comparações para entender as semelhanças e para entender as diferenças. É parecido, é, mas também é diferente. E por fim, o conjunto de textos assim mais abundante que a gente encontra e assim abundante no sentido de eh diversidade mesmo são os de origens, né? A Bíblia então vai falar das origens lá em Gênesis 1, Gênesis 2 e tal. em a gente vai apresentar as origens da humanidade, do mundo, do cosmos, etc. e tal. Existem muitas literaturas na Mesopotâmia, no Antigo Oriente Médio, que apresentam exatamente isso. E aqui tem um livro também do mesmo do outro, são três volumes também, que apresenta todos esses relatos, tá? Todos, uma coleção de todos. Então aqui tem ah os principais que vocês quiserem ah nomear, tá aqui nesse livro. Infelizmente tive que ler todos também, que é cansativo, né? Fácil não? E eu separei aqui quatro para falar com vocês que são quatro que eu diria que são os mais importantes de uma certa maneira, tá? Todos são interessantes, mas os quatro são mais importantes. Primeiro deles é o gênesis de Eridu, tá? Então, nesse gênesido, os seres humanos são criados pelos deuses para trabalhar. E aí os seres humanos, ao trabalharem, eles fundam cidades. Só que nessas cidades eles começam a ficar muito barulhentos e os deuses ficam com raiva de barulho. Os deuses não gostam de barulho. Então, os seres humanos fazem muito barulho. Eu falei disso numa série chamada O silêncio de Deus. Muito interessante. Depois vocês podem assistir. E aí os deuses ficam com tanta raiva do barulho do ser humano que eles resolvem destruir o ser humano. E eles destróem como mandam um dilúvio. Só que aí um dos deuses avisa um indivíduo. O nome desse indivíduo é maravilhoso. Você dá paraos seus filhos, Zil Sudra. O Zio Sudra é avisado por um dos deuses e ele constrói, adivinem, uma arca. E ele se protege dessa nessa arca do dilúvio e ele não é destruído. O resto da humanidade é destruído. Ele sai da arca e ele oferece sacrifícios pros deuses para agradecer por ter sido poupado. Os deuses gostam tanto do sacrifício que ele ofereceu que fazem uma aliança com Zudra e Zil Sudra ganha a vida eterna. Gêneseis Geridu. Depois você tem o famoso assírio atraasi. Isso é um um conto de origens, né, um mito de origens assírio do Atraases. Nesse conto, assíria, então, depois de uma rebelião dos deuses, o ser humano é criado para trabalhar pros deuses. Os deuses geralmente eles se revoltam porque eles não querem mais trabalhar para arranjar comida. Eles querem que alguém trabalhe para arranjar comida para eles. E aí o ser humano é criado para resolver esse problema, vai trabalhar para ganhar comida. Só que a população humana cresce muito e fica barulhenta, muito barulhenta. E aí essa população é é punida com pragas, com pestes e com fome também. E aí não resolve. Eles continuam muito barulhentos e aí os deuses resolvem mandar um dilúvio. Isso. Adivinha o que acontece? Um dos deuses conta para Atarras que vai ter o dilúvio. Atraases se prepara pro dilúvio. Ele constrói um barco, uma arca, e ele leva para essa arca, para esse barco, os animais e eles se salvam, né? Muito interessante. Um dos relatos mais famosos é o Enuma Elis, né? Sumério Babilônio. Os deuses mais jovens entram em guerra com os deuses mais velhos. Os deuses mais jovens estão revoltados porque eles têm que arranjar a própria comida. E aí, Tiamate e Apso ah, que são deuses, né? Tiamate é tipo a mãe dos deuses. Eles eles são ligados às águas e a Tiamat do desenho, né, do do da caverna do dragão e tudo. Aí vocês lembram aí desse negócio? É o dragão lá e tal. E aí Tiamate e Apso são deuses ligados à água e eles se juntam com esses deuses mais novos, revoltados. E aí, Mardu, que é eleito pelos deuses mais velhos para lutar por eles. É como se fosse um campeão que vai lutar contra os rebeldes. E Marduk vence. Marduk destrói essa rebelião. E aí com o corpo de Tiamate, a mãe, né, tipo uma mãe dos deuses, ele cria o cosmos. Cria o cosmos em sete dias. O sétimo dia é o sapatu e tal. Tem todo um esquema aqui e de sete, tá? de seis e de sete. E aí ele pega a deusa Eá, pega o sangue de Kingu, que era um outro deus que era aliado de Tiamate, que também foi derrotado, mistura com a terra e faz o ser humano. E o ser humano é feito, adivinho. É maneiro, né? Os deuses criam a gente para trabalhar. Para trabalhar para quê? Para arranjar comida pros deuses. Para oferecer comida pros deuses. Os seres humanos se organizam, eles criam a primeira cidade. O nome da primeira cidade é a Babilônia. E aí nessa cidade de Babilônia eles constróem o primeiro templo, um zigurate. E eles vão levar então a comida que eles plantam no Zigurate para oferecer pros deuses, para alimentar Marduk, para Marduque sempre ficar bonzinho e não destruir a humanidade. Esse é o enumelix. E aí talvez o conto mais famoso seja o conto de Gilgamesh, né? O épico de Gil Gamesh, que em uma versão chega a ter 12 tabletes, né? Ou seja, é um conto bem longo. Então, há uma série de disputas entre os deuses, são lutas, tem sedução, tem um monte de coisa, não sei o que lá, tal. No meio disso, a deusa estar se apaixona por um indivíduo chamado Gilgames, que é o personagem principal aqui. E ela propõe se casar com Gilgameste. Gilgame rejeita a Deusa estar. A deusa está ficar muito brava, louca, possessa. E ela manda o touro dos céus para matar Gameche. E Gilgame consegue sobreviver ele e o amigo dele em Ku. Só que aí os deuses resolvem puniru e matam o Inkidu e Enkidu vai morar no submundo, no inferno, etc e tal. Tá? E aí tem um tablete que é só contando a história de Inquidu nesse submundo, nesse nesse inferno e tal. Pá. Bom, Gilestre sobrevive, ele fica triste, fica chateado que morreu e tal. E ele vai procurar o sentido da vida e ele decide que a vida foi feita para ser aproveitada, para ser curtida. Então ele vai curtir a vida dele. Só que os deuses resolvem matar Gamexech e mandam um dilúvio. Vocês estão devagar. manda um dilúvio. Um dilúvio. Alguém avisa Gilgamex. Gilgamex constrói uma arca e tal, se refugia dela e sobrevive. Quando ele sai, então depois dilúvio, eu tô resumindo, tá gente? São vários tabletes. E aí ele sai dessa aca e ele sai, né, sobrevivendo desse dilúvio, ele resolve ir atrás de uma planta para rejuvenecer. Só que essa planta é destruída por uma serpente que morde a planta e a planta morre, etc. e tal. Tem uma série de coisas aí muito interessantes em relação com a Bíblia, né? Esses contos tem muitos paralelos, né? O próprio Numeli tem pelo menos dois paralelos muito eh muito claros, né? Um deles é o épico de Anzu e o outro assassinato de Labu. E quando você vai ler esses tabletes, você percebe que é um esquema meio assim, ah, meio dorama, tá ligado? Conhecem dorama? Dorama, né? O do coraçãozinho e tal. dorama, uma novelna, um esquema. E você percebe que existem elementos comuns em todos eles. E quando você compara eles com texto de da Bíblia, você percebe que também existem muitas relações. Tem um dilúvio, tem alguém que sobrevive o dilúvio, o ser humano é criado, tem trabalho, a criação do ser humano tem a ver com a terra, envolve a terra, tem céus e terra, tal, pá, pá, pá, mas também tem diferenças e diferenças importantes, diferenças que tm a ver com o propósito, né? Ahã. Uma das diferenças principais, talvez que é importante a gente lembrar em todos esses relatos que eu falei, o ser humano é criado para resolver um problema de alimentação dos deuses. Não, o ser humano é criado para trabalhar, para dar comida pros deuses. E na Bíblia, em Gênesis 1, verso 29 e 30, você lembra que Deus cria o ser humano e Deus dá comida pro ser humano. Deus alimenta o ser humano. Em Gênesis 2, ele planta o jardim que tem comida, que tem as árvores, frutíferas e tal. E o ser humano vai só cuidar do jardim que Deus plantou. Ou seja, Deus tem o trabalho e o ser humano vai apenas manter o trabalho de Deus. Então, você tem semelhanças e você tem diferenças. Qual é a grande questão aqui? Que existem dois tipos de reação para esse fato de que a Bíblia tem um relacionamento extenso com corpos literários do antigo Oriente Médio, do tempo e do espaço em que ela foi escrita. A primeira é a mais comum entre a gente, que a gente a gente pode chamar de paralelofobia. Quando a gente fala assim: "Ah, a Bíblia e os outros textos da antiguidade se parecem". Não, não pode. Não pode. Isso é uma contrafação do inimigo. O inimigo criou esses relatos para confundir a mente dos salvos. Porque o texto bíblico diz que o diabo enganaria, se possível, até os santos. Então, não podemos ler, não podemos, não tem relação, não tem nada a ver, não sei o que lá tal, tal. Essa é a primeira reação, que é essa paralelofobia. E tem a segunda, que é a paralelomania, que é a galera do Discovery Channel, do do, né, BBC, às vezes documentários e tal. Ah, tá vendo a Bíblia? Ah, tá, tem um monte de livro igual. Olha aqui, é tudo igual. Tudo igual. O convite é a gente entender, e a gente já falou isso aqui no início da série, que a Bíblia não caiu do céu. A Bíblia não desceu num facho de luz. com uma voz dizendo: "Ó, esse é meu livro, leiam e tal, tal, tal e já pronto." Não, a Bíblia, como a gente já viu, foi produzida humanamente, uma revelação, uma comunicação divina, mas uma produção humana. Porque Deus, ao escolher se comunicar, ele precisa escolher se comunicar de uma maneira que a gente compreenda, que a humanidade compreenda. E se ele escolhe uma um gênero, uma maneira de se revelar que só uns dois ou três gênios literatos, gênios intelectuais compreendam, a maior parte das pessoas não vai entender. Por exemplo, quantos aqui conhecem poesia neuoconcreta? Ninguém. Maravilha. Poesia neoconcreta rolou, inclusive rolou no Brasil. Um dos autores principais ou ou o autor principal foi Ferreira Gular. Tem um livro chamado formigueiro. Depois vocês procurem. Formigueiros são letras e palavras dispostas na página, como se fossem formigas passeando pelas páginas. E você tem que entender como é que você lê isso. Tem um jeito certo de ler, mas se você bate o olho, você não entende nada. Quantas pessoas leem e compreendem e gostam de poesia neu concreta? Pouquíssimas pessoas. Aí Deus resolve se revelar de em poesia neu concreta, aí vai ficar todo mundo olhando, né? X, né? Tanto faz. Agora, quem gosta de novela, quem gosta de dorama, quem gosta daquele negócio que pá, tem isso, tem aquilo, histórias e tal. Então, Deus escolhe se revelar de uma maneira que as pessoas, o máximo de pessoas compreenda, porque era um tipo de literatura comum, era um tipo de narrativa comum que as pessoas conheciam. E aqui vem a grande sacada. é você entender que a semelhança da Bíblia com essas outras literaturas aponta o aspecto humano do texto bíblico, essa produção humana, esse relacionamento humano, essa decisão divina de se limitar em um jeito de escrever, em uma língua, em uma consciência, em um uma filosofia, em um uma ideologia de linguagem tal, naquilo ali. Mas as diferenças entre o texto bíblico e essas outras literaturas apontam para esse ingrediente dessa revelação transcendente que mostram pra gente o ingrediente divino. É igual, mas não é igual. Então, comparar a Bíblia com outras literaturas não é diminuir a Bíblia, pelo contrário, é entender a importância dessa tensão que existe dentro do texto bíblico. Essa é a tensão entre o elemento humano e o elemento divino, que foi o que a gente tá falando nessa série dessa analogia encarnacional, essa tensão que tá presente o tempo todo. E essa atenção, ela é um convite, um convite a duas coisas importantes. Primeira, nós precisamos estudar e nos aprofundar mais no conhecimento da Bíblia. Se a gente se julga cristão porque seguimos um livro que fala de Cristo, nós precisamos cada vez mais nos aprofundarmos no estudo desse livro e entender o ingrediente humano, entender esse essa essa parte palpável, histórica, literária, que situa a Bíblia no tempo e no espaço, faz com que a gente tenha uma melhor compreensão do texto que é sagrado pra gente. Então, nós precisamos estudar mais. E o segundo convite é, a gente precisa para entender as diferenças do que a Bíblia não é igual, do que a Bíblia inova, do que a Bíblia é única em relação à literatura da época em que ela foi escrita. A gente precisa do Espírito Santo. A gente precisa orar e pedir pela direção do Espírito Santo para que a nossa leitura não seja apenas um olhar humano, um viés humano, mas ela tenha também esse ingrediente de uma revelação que continua acontecendo quando a gente interpreta as escrituras com ação através da ação do Espírito Santo. Entender a atenção da Bíblia, entender a atenção do próprio Deus que é transcedente, que é imanente, é entender a atenção de Cristo, que é o verbo que é Deus, mas é o o encarnado. É o verbo encarnado. E a gente precisa experimentar essa atenção na nossa relação com a Bíblia para nos aprofundarmos no entendimento daquela que é a palavra de Deus viva e eficaz para todos nós. Eterno nosso pai e nosso rei. Senhor, a gente tem dificuldade muitas vezes de viver tensões, porque a gente escolhe lados e a gente quer só uma coisa ou só outra. Mas muitas vezes não se trata de uma coisa ou outra, mas se trata de uma coisa e outra. Senhor, nos ajude a entendermos essa atenção e através dessa atenção buscarmos mais entendimento sobre essa parte tão humana da Bíblia e também, Senhor, buscarmos mais o Espírito Santo para entendermos a tua revelação para nós. Nós te pedimos a tua companhia e te agradecemos por ela desde já, em nome de Cristo Jesus. Amém, senhor.