Tomando de volta a nossa alma | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 210
12/12/2025
Tomando de volta a nossa alma | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 210
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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.
História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.
Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]
Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.
Fonte: Bp Walter McAlister
Legendas automáticas:
Non, domine [música] se nomine. Hum. Eu tenho confissão a a fazer. Eu nunca me senti à vontade inteiramente com a internet. Nunca me senti conformado com esse meio de comunicação que eu acho perigoso. É útil sim. É, todos os meios potencialmente são bons. Eu já usei outros, inclusive já fiz rádio. Fiz rádio por 20 anos, mas rádio é palavra, é mensagem. Internet não é algo mais. Minha primeira tentativa de usar a internet e foi pelo aplicativo Twitter, hoje é chamado X, né? Em poucas palavras, o desafio era cunhar uma mensagem suscinta e consequente. Eu nem me lembro quantas caracteres usávamos. Era um limite bem pequeno, mas não eram muitos, né? Pois o número e eh mas mas tinha uma disciplina, né? Hã, depois o número foi dobrado. H, eh, mas ainda era por meio de palavras que nós nos comunicávamos. Ninguém podia botar fotos ou vídeos como hoje em dia no X pode. Mas havia algo novo que não existia no pelo rádio. Pessoas podiam reagir à mensagem. Aí, eh, surgiram controvérsias. Controvérsias gerava interesse, retuitadas, pessoas interagiam e a controvérsia criou fóruns e debates dos mais acalorados. Pessoas se ofendiam livremente. Aí apareceram os trolls, a trollagem, né? Quem se lembra do desenho animado do Shrek, né? E é um troll, é um é um ogre, é um brutamontes. E esses brutamontes do Twitter, né, ficavam apostos só esperando alguém que podia menosprezar de graça. E o nível baixou, sempre baixa assim, assim baixa. Livre uma luta livre. Não se respeitava senhoridade, hierarquia, experiência, idade, qualquer coisa. As pessoas se ofendiam sem nenhuma consequência. os que levavam a sério meio acabavam tendo infartes e perdiam sono, se amarguravam. No início até ficava bem chateado, mas depois surgiu Facebook, outro meio que supostamente criava ligações sociais, era chamado a grande rede social foi Facebook, né? Teve até um filme, fizeram filme sobre isso. As pessoas compartilhavam fotos, histórias e opiniões e os trolls vieram de reboque, né? Acharam logo o novo playground onde podiam surrar os menos resistentes e os mais os menos habilidosos, né? No meio de tudo isso, o aplicativo foi descoberto pelo comércio e toda uma via de propaganda se abriu. E onde há espaço para propaganda, certamente a política também vem de reboque. E foi o que aconteceu. Twitter e Facebook foram sugados por por Instagram, TikTok, Reels. E tudo conspirou para uma tempestade perfeita durante as campanhas políticas. Todo mundo demonizava seu oponente e a selvageria rolou solto. Rola até hoje, para dizer a verdade. Criou toda uma sociedade hostil. Aí veio a pandemia. Com o cenário internacional girando em torno dessa nova estrutura de comunicação e de poder, a população mundial foi submetida a um trauma que poucos conseguem compreender até hoje. Mas mesmo sem entender, todos sentiram o BAC. Sentimos muito. Ouso dizer que nunca mais o mundo foi o mesmo. Nunca vimos tanta gente solitária, tensa, doente, aflita, confusa e sem rumo. Nunca vimos a população tão agressiva, tão opinada e tão sem noção. Brigamos sobre coisas que nem compreendemos. As pessoas não têm cabeça, mas a sua adrenalina jorra em cada velia. Multidões dormem com o zumbido nos ouvidos. Multidões se vem apreensivos, ansiosos, temerosos pelo dia de amanhã. Não falamos sobre isso, né? Parece que se não falarmos não vai nos afetar tanto, mas afeta sim. Tô falando, mesmo sem reconhecer ou expressar, estamos todos como ratos num labirinto, tentando chegar ao fim do percurso a algum lugar de descanso que nos dê um pouquinho de sossego. Poucos compreendem que essa neurose é fruto de uma estratégia diabólica. Estamos sendo manipulados, creia em mim mim. Embora a ideia nos meta medo se desligarmos os nossos smartphones, nem que seja por um dia apenas, parece que a alma surrada ganha um pouco de fôlego e se redescobre um pouco. Mas mais uma checada no Instagram e o pequeno flash de sanidade desaparece. Voltamos a mergulhar no marasmo digital que não passa de uma enorme ratoeira virtual com pequenas doses de de seratonina, dopamina para alegrar o coração, nem que seja um pouquinho, microalegrias, mas com isso estamos sendo empurrados, estamos sendo monitorados e usados por forças que não compreendemos. Estamos sendo vendidos. Nossos dados, nossas preferências, nossas mentes, nossas almas. Somos escravos de um sistema que implacavelmente suga, empurra e gera em nós o desequilíbrio necessário para nos manter dóceis e controlados. Aí entra a igreja. A igreja também está no caldo. Ela também se sujeita às forças ocultas. Algumas até têm um culto virtual. Eu conheci um rapaz outro dia que disse que o pastor dele profetizou que ele criaria um aplicativo de telefone que mudaria o mundo. Eu não rie ofender. Ele tava muito, ele era muito sincero, mas senti pena. Mais um escravo útil, mais um drone do sistema. Então, brigamos sobre a fé, brigamos sobre denominações, brigamos sobre quem manda aqui, brigamos os católicos brigam com os protestantes, os protestantes brigam com os católicos, brigamos. É a única linguagem que sobra para uma sociedade doente. Ninguém reflete, ninguém ora, ninguém se compadece. Todos parecem saber qual é o problema da igreja. Quantas vezes eu vejo nos comentários os meus vídeos, bispo, o problema é aí já dizem qual é o problema. Todos parecem saber o que há de errado com a igreja, com os pastores de hoje. E poucos parecem entender que se não tivermos misericórdia, paciência e orarmos, nada vai mudar para o melhor. Fiquei tão impressionado com o fim do livro de Jonas que eu li. Eu leio frequentemente Jonas. Aliás, todo ama. Eu lei o Jonas. Ele ficou chateado que Deus havia poupado o Nínibe da destruição. Disse: "Eu sabia, eu sabia que o Deus, se eu pregasse e se eu anunciasse, Deus pouparia". Mas Deus falou que Jonas deveria ter tido compaixão. Por quê? Porque os nenevitas nem sabiam distinguir entre a sua mão direita e sua mão esquerda. E é o caso de hoje. Deus sabe que estamos perdidos, que estamos confusos. E como ratos, no meio de uma experiência científica, estamos nos mordendo e correndo pelo labirinto, tentando achar uma razão pela angústia que nos aflige. Mas é hora de parar um pouco, é hora de desligar o grid, guardar o telefone, apagar o aplicativo e deixar que o silêncio nos cure. Sim, pois precisamos recuperar o silêncio, o tédio. Tédi um santo remédio. Acredite, precisamos de bonança, que sempre foram fontes de saúde mental. É impossível ter saúde no meio dessa cacofonia ensurdecedora, desse barulho, dessa confusão feita de luzes, vozes, músicas, mensagens, propaganda, frases feitas e manipulação da mídia, de tudo, até do noticiário, especialmente do noticiário. Temos que parar o suficiente para ouvir a nossa própria respiração. Temos que nos lembrar do fato de que não somos siborgues, não temos que ficar ligados a essas máquinas. Temos que tirar os filtros do nosso telefone que distorcem o nosso rosto, que criar avatar, que nada tem a ver com quem somos. Tem pessoas com nariz de de coelho, orelhas, mudam de rosto. Nós somos ser humanos que somos homens e mulheres, filhos, filhas, pais, mães, irmãos. Somos criaturas feitas na imagem e semelhança de Deus. Temos uma alma, temos um criador, temos um destino. Muitos caminham na direção errada. Adquirimos hábitos que estão nos matando e e nos tirando não somente o prazer de viver, mas a capacidade de viver. Somos cegos, sendo guiados por outros cegos e estamos andando em círculos e nos perdendo. Estamos viciados naquilo que está nos devorando, que está devorando a nossa mente e a nossa alma. A igreja tem que cumprir seu papel nisso, gente. Temos que promover almas saudáveis, movidas por esperança, que não desaponta. Paulo fala dessa esperança, não desaponta. Isso vem pelo como? Pelo espírito de Deus. Então, temos que priorizar a comunhão com o Deus vivo. Mas devoção não começa com uma apoteose, um culto bem bolado. Ela começa no silêncio. Devoção exige foco, concentração e uma intenção clara e medida de ser se humilhar na presença de quem nos criou. Devoção espera ouvir o sopro de Deus. Ela tira tempo para abrir as sagradas letras e deixá-las curar a sua alma. Temos que tomar de volta a nossa alma, temos que tomar de volta a nossa mente, temos que tomar de volta o nosso rumo. Temos que investir no que dá saúde para os nossos ossos e uma boa noite de sono para os nossos olhos e mentes exaustos. Estamos intoxicados, obesos, vazios, confusos e prostrados perante os ídolos dessa geração. A igreja hoje em muitos arraiais é um templo de paganismo, mais uma rugia de vaidades e confusão com um pouquinho de Bíblia, né, salpicado. Algumas frases feitas com pastor descolado. Bacana. Meus caros irmãos do clero, meus irmãos de fé, sejamos homens de palavras simples e bíblicas. Sejamos homens modestos. Sejamos homens que vivem vidas tementes a Deus com toda reverência e humildade. A multidão continua como ovelhas sem pastor. Mas eu sei que há muitos que compartilham no meu sentimento que isso não pode continuar. Não dá. Isso não dá. Não serve. Chegou uma hora que que nós líderes temos que desligar o cordão umbilical da internet e botar os nossos joelhos no chão. Temos que clamar pelas almas escravizadas por este mundo, a começar pela nossa própria alma. Quem buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, terá tudo que precisa de Deus. Mas tem que buscar em primeiro lugar. Aquele que veste os lilos do campo e alimenta os pássaros do céu, nos valoriza mais do que os pássaros, nos ama mais do que as flores. Nós somos a menina dos seus olhos. É hora de tomar de volta a nossa alma, pois não compensa ganhar o mundo todo e perdermos a nossa alma. Jesus Cristo, filho de Deus, que tira o pecado do mundo, tem misericórdia de nós pecadores que somos, salva a nossa nação iníqua e perdoa os nossos muitos pecados. antes de ir para você que fica comigo até o fim, eu sei que muitos ficam, muitos estão dizendo isso. Então, vamos lembrar que a cada dia, cada um de nós que cremos em Jesus Cristo tem Deus para glorificar, Jesus para imitar, salvação para desenvolver com temor e tremor, um corpo para glorificar a Deus, pecados para [música] confessar, virtudes para adquirir, o inferno para evitar. O céu para alcançar eternidade para não perder de vista. Tempo para remir, vizinhos para servir, o mundo para desfrutar, a criação para cuidar, ofensas para pacientemente suportar, bondades para voluntariamente praticar, justiça para almejar, tentações para vencer, a morte para possivelmente sofrer. E em tudo isso o amor de Deus para nos sustentar. É isso, eu volto. A paz.