Feliz Ano Novo… Sério? | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 213
03/01/2026
Feliz Ano Novo… Sério? | Descomplicando a Fé Cristã – Ep. 213
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Walter McAlister é Bispo Primaz da Aliança das Igrejas Cristã Nova Vida, graduado em Psicologia pela Oral Roberts University e em Estudos Bíblicos pela Eastern Pentecostal Bible College e "Mestre em Teologia pela Reformed Theological Seminary". Foi pastor das igrejas de Nova Vida do Méier, Engenho Novo, Botafogo e Catedral. É casado com Marta e possui dois filhos, Pastor John McAlister e Andrew.
História da Igreja Cristã Nova Vida:
Historicamente consciente
Somos herdeiros de mais de 2.000 anos de testemunho das gerações de cristãos que nos antecederam na fé. Embora não possamos nem devamos imitá-los em todos os aspectos, cremos que há muita riqueza a ser apreciada e resgatada na história da Igreja.
Por isso, em nosso culto a Deus observamos várias das práticas cristãs históricas que consideramos valiosas para fortalecer a fé da Igreja: a confissão do Credo dos Apóstolos (o resumo da fé cristã), a oração do Senhor (“Pai Nosso”), a celebracão semanal da Santa Ceia e a simbologia da Cruz (o símbolo chave do Cristianismo).
Protestante e Reformada
Dentre todas as vertentes históricas do Cristianismo, nos identificamos principalmente com as doutrinas da Reforma Protestante, dentre as quais: a autoridade final das Escrituras Sagradas (Sola Scriptura); a mediação suficiente e exclusiva de Jesus Cristo entre Deus e a humanidade (solus Christus); a necessidade e exclusividade da graça para salvar pecadores (sola gratia); a resposta necessária e suficiente do arrependimento e da fé em Cristo para a salvação (sola fide); a atribuição de glória exclusiva a Deus por toda a obra da Criação, Redenção e Consumação da História (Soli Deo Gloria); e o sacerdócio compartilhado de todos os cristãos na vida e no ministério da Igreja.
Pentecostal de experiência
Finalmente, somos filhos do movimento missionário Pentecostal do século 20 e fruto da obra missionária do Bp. Roberto McAlister, fundador da Igreja Cristã Nova Vida no Brasil em 1960.
Cremos no papel indispensável do Espírito Santo no cumprimento da missão da Igreja, desde a proclamação do Evangelho até a operação e o desenvolvimento da salvação na vida do crente, incluindo a geração do fruto do Espírito e a concessão dos dons espirituais para a edificação de toda a Igreja.
Nossa missão:
Ir ao mundo e fazer discípulos, proclamando o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito, e reunindo esses discípulos em igrejas, para que eles adorem o Senhor e obedeçam aos seus mandamentos, agora e na eternidade, para a glória de Deus, o Pai. [extraído de Kevin DeYoung & Greg Gilbert, Qual a Missão da Igreja?, p.82]
Nossos valores:
Adoração
A motivação principal da Igreja é render glória e honra ao Senhor, desde o culto fervoroso e reverente a Deus até o serviço no mundo, tanto coletivamente como individualmente, seja no ajuntamento dos salvos ou na devoção familiar e particular.
Proclamação
A tarefa principal da Igreja é proclamar toda a Palavra de Deus a todos os homens para o homem todo, dando testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por meio da proclamação fiel e do ensino sistemático das Escrituras Sagradas.
Comunhão
O resultado necessário da proclamação e da rendição ao Evangelho é a vida em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus, marcada pelo amor mútuo e pela disciplina característica dos discípulos de Cristo.
Testemunho
O testemunho da Igreja é composto do compartilhamento do Evangelho como também de uma vida condizente com este Evangelho daqueles que professam o Senhorio de Jesus Cristo.
Serviço
O testemunho da Igreja envolve também o serviço prestado por cada crente à Igreja e como Igreja, mediante a mordomia tanto das nossas palavras e do nosso tempo como dos nossos recursos e talentos.
Fonte: Bp Walter McAlister
Legendas automáticas:
Non, domine Cristo se [Música] >> essa virada do ano foi surreal para mim. Eu e minha esposa não saímos de casa, em si, isso não é nada de novo. Por razões de saúde, a gente não tem a mobilidade, não podemos ficar muito tempo fora de casa. O nosso prédio se esvaziou e tudo ficou muito quieto por aqui. E as poucas pessoas que eu vi perguntaram para onde iríamos no Natal, no Ano Novo. E a resposta sempre foi a mesma: "Vou ficar em casa." Nós vamos ficar em casa. Todos trocaram saudações de boas festas. Muitos fizeram montagem de fotos com decorações, afirmando tanto a chegada do Salvador no Natal quanto a passagem do ano novo. Então, os protocolos sociais foram seguidos e todos celebraram como acharam apropriado, a entrada do ano novo. Igrejas fizeram cultos da virada, algumas chegaram a servir a Santa Ceia à meia-noite e eu já fiz tudo isso, mas a idade não permite que eu faça mais isso. Eu durmo às 8 da noite para poder acordar às 4 da manhã. As primeiras horas do dia são importantes para mim, tanto para oração e leitura bíblica quanto para o preparo do café da manhã que faço para mim e a minha esposa. Aliás, falando nela, hoje estamos completando 45 anos de casamento. É uma vida, né? Pois é, isso é outra história. Mas o o que me aconteceu e causou espécie, foi um encontro que eu tive na rua quando passeava com o meu cachorro. Encontrei com alguém que não conhecia um estranho, cujo cachorrinho, a cachorrinha, aliás, se engraçou com o meu cachorro. Depois de uma dancinha com os rabos abanando, cheirando um ao outro, essa cachorrinha latiu para ele. E meu cachorro não late, não briga, não morde e não gosta dos outros que fazem isso. Ele é um staff bterrier com cara de mal. Parece um pequeno pitbull, né? Mas só tem cara de mal. Com seus 10 anos de idade, nunca teve uma briga com outro cachorro. Quando ele vê cachorros, ele chora, acredite ou não. Quando vê pessoas, ele abaixa cabeça para todo mundo esperando algum carinho e todo mundo depois de ter um pouquinho de medo, vem que ele é bobão mesmo. Eh, aí fica, uh, que caracia, tal, ele ganha todo mundo, né? Ele é o é o mascote. A para onde ele vai ele o mascote? Ele é muito bobo, mas é um bom companheiro. Bom, mas ao nos despedir, voltando ao encontro com outro cachorro e conhecer a pessoa que eu não conheço, um um outro dono de cachorro, uma cachorrinha, eh, ele me desejou um bom dia, só que logo em seguida ele disse: "Ah, me desculpem". Quer dizer, feliz ano novo. Eu sei que sou um neurodivergente que presta atenção a coisas que não costumam ser questionadas. Mas eu fiquei um pouco cismado pelo fato dele ter pedido desculpas por não ter me desejado um feliz ano novo. Já era o segundo dia do ano, né? Isso foi ontem. Eh, e eu pensei, bom, o ano novo é uma questão resolvida, né? já ponto passivo, mas não. Ele achou que tinha uma obrigação social de desejar para um estranho na rua um feliz ano novo, mesmo dois dias depois. Agora, eu entendo que nossa vida é cheia de protocolos que garantem uma certa civilidade, né? Ciências rituais, certamente a civilização desapareceria e nós voltaríamos para os tempos em que uivávamos para a lua e colecionávamos caveiras dos nossos inimigos, né? O bom dia, o aperto de mãos, as muitas gentilezas que praticamos, sem nem pensarmos nelas, fazem parte de um arcaboo social que gera uma certa segurança civilizatória. Isso se aplica à igreja também. Pensamos muito pouco no que realmente estamos fazendo ao desejar graça e paz uns aos outros. pensamos pouco sobre o que realmente estamos fazendo quando levantamos as mãos no culto ou quando curvamos a nossa cabeça. Apenas repetimos os gestos e pronunciamos as palavras que nos são tão familiares na congregação dos santos. E em grande parte a nossa vida é vivida sem que realmente estejamos conscientes ou verdadeiramente presentes nos atos ah praticados ou ou nas palavras emitidas. Os hábitos são repetidos sem que isto requeira de nós uma decisão ou mesmo uma noção do que estamos fazendo. Agora, basta que alguém recuse o aperto de mão, né? alguém estende a mão, a outra não corresponde, aí a civilidade desmorona, né? Estabelece-se uma ruptura social e o constrangimento segue, né? Junto com uma certa ofensa recebida, né? Não apertou minha mão, que que é que aconteceu? tal, tá de mal comigo, p, a gente já pensa, há algo errado. Quando a gente não pratica essas coisas, há algo errado. Eu penso nessas coisas, eu sei que isso não é normal, mas eu penso em tudo isso. Sócrates disse que a vida vivida sem reflexão não vale a pena. Esse pensamento fala da necessidade de estarmos realmente presentes e conscientes ao passarmos por essa vida, mas a maioria não está acordado. Repete a sua consulta ao smartphone, essa chupeta eletrônica, sem que realmente pensem, pense no que está fazendo. e pela sua desatenção cai mais uma vez na teia eletrônica que prende a nossa atenção e rouba mais uma hora ou duas das nossas vidas. Acho que foi Vinícius de Moraes que disse que navegar é preciso, viver não é preciso. Mas para navegar temos que ter noção do que estamos fazendo. Se não pararmos e pensarmos, seremos tragados pelas correntezas que certamente nos levarão ao naufrágio. como nunca na história do mundo. Essa geração é uma geração levada por uma corrente de informações, imagens, dancinhas, piadas, notícias, notícias que não são notícias, são notícias vazias, sem nenhuma aplicação, ocupam a nossa mente, somando a neblina mental que ofusca a nossa visão e confunde a nossa razão. Vivemos, mas não navegamos. Mas viver não se resume ao consumo ou à nossas emoções ou experiências. Viver requer uma caminhada com propósito e realizações com efeito, um plano, um projeto, um pensamento claro. Viver é entender que esse mundo passa e a maioria das coisas que as pessoas valorizam no fim das contas é inútil, é vazia. Eu queria lhe desejar para esse ano novo uma vida mais resoluta, mais consciente e mais com mais presença. Eu desejo a você uma vida mais cheia da verdadeira presença de Deus e não de experiências que parodiam essa presença. Essa presença não pode ser reproduzida. Não é uma emoção que é gerada no meio de um culto bem bolado, com música apropriada, palavras comoventes. Não. A presença de Deus só acontece quando Deus realmente é presente, quando ele fala ao nosso íntimo. E para isso temos que ouvir, temos que parar de lutar e lembrar que só ele é Deus. Temos que desligar a máquina. e esperar o vento suave sobre o nosso rosto. Temos que abraçar o silêncio, que é uma das disciplinas espirituais mais negligenciadas dos nossos tempos. Assim como o tédio é fundamental para a criatividade, o silêncio é absolutamente essencial para a comunhão com Deus. Toda a devoção começa com silêncio, com concentração, com foco, com presença. Nossa presença primeiro. Então, como é que eu posso fazer isso? Leia um salmo e que seja numa Bíblia física, não seu aplicativo, no site phone. Um salmo de uma Bíblia, né? Depois fique 10 minutos em silêncio, sem uma tela acesa na sua frente. Eu garanto que você vai ficar aterrorizado por instantes e o tédio vai ser sufocante. Mas se você continuar a fazer esse pequeno exercício mental, eu garanto que sua vida não vai ser a mesma. Esse ano não vai ser a mesma. Creia em mim. Bom, antes de ir para você que ficou comigo até o fim, quero te lembrar que a cada dia, cada um de nós que cremos em Jesus Cristo, tem Deus para glorificar, Jesus para imitar salvação, para desenvolver com temor e tremor. Temos um corpo para glorificar a Deus, pecados para confessar, virtudes para adquirir, o inferno para evitar e o céu para alcançar, eternidade para não perder de vista, tempo para remir, vizinhos para servir, o mundo para desfrutar e a criação para cuidar. Ofensas para pacientemente suportar, bondades para voluntariamente praticar, justiça para almejar, tentações para vencer e a morte para possivelmente sofrer. E em tudo isso o amor de Deus para nos sustentar. É isso, eu volto até a próxima. A paz. [Música]