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A fé vem pelo ouvir

A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 1/3) Diego dy Carlos

A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 1/3) Diego dy Carlos

A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 1/3) Diego dy Carlos

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Boa noite, irmãos. Saud os irmãos com a
graça e a paz de Cristo. É uma alegria
imensa para mim estar aqui no Charles
Spugion. Eh, era em Fortaleza, minha
quase a minha terra. Eu sou do interior
do Ceará e agora em Curitiba. Muito bom.
minha primeira vez em Curitiba. Eh, a
minha esposa eh mandou uma saudação
especial para vocês, porque ela nasceu
em Ponta Grossa, então ela é daqui
pertinho daqui. Eu eu soube agora, né? E
ela gosto muito eh da região e gostaria
de ter vindo, mas nós estamos com dois
bebês e não seria eh não foi possível
dessa vez, mas quem sabe numa próxima
vez. Hoje nós vamos ver um pouquinho,
vamos fazer uma introdução à metáfora
paulina da reconciliação. Então, o que é
que eu pretendo? O que é que, qual é o
meu plano para esses três dias, essas
três noites com vocês aqui, né, nas
minhas palestras? Eu quero fazer uma
introdução. Eh, amanhã eu vou falar um
pouquinho mais desse livro que que eu
estou escrevendo agora, mas eu quero
fazer uma introdução à doutrina paulina.
Isso porque a reconciliação, essa
metáfora é tipicamente peculiarmente
paulina no Novo Testamento. Então eu
quero fazer uma introdução a essa
metáfora da esoteriológica com você aqui
em três partes. Hoje nós vamos fazer uma
introdução propriamente dito, talvez um
pouquinho mais técnico em algumas
coisinhas aqui, como o pastor Cleiton já
deixou claro, eu nós não estamos num
culto, eu não vou pregar, então vai ser
mesmo em estilo de palestra, então a
gente não não vai ter aplicações
profundas, aquelas coisas todas, mas a
vamos mais nesse estilo de aula mesmo.
Amanhã, ah, nós vamos ver um pouquinho
de da reunificação ou reconciliação
cósmica e paz entre os homens na carta
de Paulo aos Efésios, nos capítulos 1 e
2, e algum algumas porções selecionadas
ali. Na nossa terceira noite, nós vamos
ver Efésios, capítulo 4, versos 1 a 16
como um exemplo ah da reconciliação
horizontal na teologia paulina, tá? E aí
o tema dessa terceira palestra será
igreja reconciliada, sempre
reconciliando. Então você consegue pegar
a alusão aí. Esse é o nosso plano.
Quando eu comecei a a preparar essas
palestras, eu pensei em passar pelas
três cartas do livro que eu estou
analisando. Efésios, Colossenses e
Filemon.
Ficou muito grande. Eu disse: "Eu vou
fazer então Colossenses e Efésios". Aí
ficou grande. Eu acabei com dois
capítulos de Efésios. Então, eh, mas dá
pra gente ter um pouco do do
sabor aqui do que é essa metáfora e o
que é essa doutrina para Paulo, tá?
Então, esse é o nosso plano para a os
três as três noites. Eu espero que você
já tenha a o nosso esboço aí em seu
celular. Primeira coisa que eu quero
então ver com você é definir o problema
que nós enc não não um problema, mas a
questão que nós encontramos em Paulo.
Paulo é o único escritor do Novo
Testamento a referir-se aos efeitos
vicários de Cristo na cruz através da
metáfora da reconciliação.
Essa é uma daquelas que nós chamamos de
metáforas soleriológicas, metáforas que
o Novo Testamento usa para se referir
justamente a esses efeitos, os efeitos
vicários, salvíficos, ah, do sacrifício
de Cristo na cruz do Calvário. A própria
palavra salvação já é uma metáfora
também. Então, nós temos várias delas,
como justificação, adoção, redenção e
reconciliação como uma delas.
Reconciliação é, sem dúvida, a mais
relacional de todas as metáforas da
salvação usadas no Novo Testamento,
talvez ali ao lado de adoção, mas ainda
assim nós temos em adoção uma
perspectiva muito mais uma perspectiva
muito mais jurídica, né? Eu estou
pensando em adoção naquilo que era
conhecido como adoção no sistema
greco-romano e não em adoção nos nossos
tempos. E essa é uma metáfora também
jurídica. Não só justificação é uma
metáfora forense, mas eh a adoção no
Novo Testamento também é uma metáfora
jurídica. E eu ainda penso que
reconciliação é a mais eh relacional das
metáforas soteriológicas e para mim a
mais fascinante. Mas aí nesse aspecto
aqui eu estou sendo extremamente
parcial. Então, eh, eu fiz a minha a
minha tese de doutorado foi em algo
relacionado à reconciliação. Estou
escrevendo sobre reconciliação, então
você vai ter que aguentar um pouquinho a
minha parcialidade. Um acadêmico
ah britânico chamado Ralph Martin a 40
anos atrás escreveu um livro sobre
reconciliação em Paulo, onde ele não
apenas avaliava algumas das cartas
paulinas e esse tema nessas cartas, como
também propôs que Reconciliação era o
centro da teologia paulina, o centrum
paulinum.
Essa é uma área dos estudos paulinos
bastante debatida até hoje. Qual é o
centro da teologia paulina?
Reformados, especialmente da tradição
maisana, vão dizer que o centro da
teologia paulina é justificação pela fé,
mas nós temos dezenas, literalmente, de
outras propostas na academia. Olá.
E nenhuma delas, nenhum tema teológico
faz de fato justiça ao que o centro ou
um centro de teologia paulina deveria
ser. Então, embora eu goste bastante da
ideia de reconciliação, eu discordo de
Half Martin de que ela seria eh o centro
paulino. No entanto, isso testifica para
nós essa esse insite dele, essa proposta
dele nos fala da importância da
metáfora, não só em Paulo, mas ele
argumentaria e eu argumentarei em todas
as em toda a escritura, do início ao
fim. E eu espero poder trazer um
pouquinho mais de luz sobre essa
afirmação ao longo das nossas palestras.
No entanto, ao mesmo tempo em que eu
afirmo que reconciliação é tão
importante em Paulo e nas Escrituras, ao
ponto de alguém propor que seria o
centro da teologia de Paulo, ao mesmo
tempo nós temos apenas algumas
pouquíssimas eh ocorrências do
vocabulário de reconciliação ou
reconciliar em Paulo.
vocabulário, as palavras para
reconciliar e reconciliação são
relativamente raras, desproporcional
a importância do conceito do no enredo
das escrituras como um todo. E aí, se
você conseguiu fazer o download e você
pode dar uma olhadinha se você puder, no
Hangout número quatro, onde você tem aí
eh os quatro textos em quatro colunas.
Você tem esse essa folha com você aí no
celular, quatro colunas, OK? Você tem
ali segunda aos Coríntios 5, Romanos 5,
Colossenses 1, Efésios 2, tá? Essas são
as quatro cartas onde o vocabulário
reconciliar, reconciliação aparece nas
cartas de Paulo no sentido teológico.
Por que isso? Porque em primeiro aos
Coríntios 7, Paulo usa o verbo
reconciliar, mas não no sentido
teológico, mas no sentido de uma
reconciliação entre marido e mulher, OK?
Naquele contexto de, ah, o marido não
crente que abandona a mulher e etc., Ele
usa isso, mas isso para nós não é de
importância porque ele não está usando
no sentido teológico, ou seja, para
descrever um relacionamento entre a
humanidade e Deus, OK? É um uso, digamos
assim, eh mais cotidiano, ordinário da
palavra reconciliar. Então, ela não
entra aqui, mas ela ocorre só uma vez
mais e em Paulo, que é lá em Primeiro
aos Coríntios 7. Esses são os quatro
textos relevantes para nós. Eu coloquei
os textos na ordem cronológica, na ordem
que as cartas foram escritas por Paulo,
segundo aos Coríntios, depois Romanos,
as últimas duas, Colossenses e Efésios,
10 anos depois, mais ou menos, da carta
aos Romanos. O que é que nós percebemos
aqui? Se você der um zoom eh no
primeiro, na primeira coluna, segunda
aos Coríntios 5:16 a 21, esse é, essa é
a primeira vez que Paulo usa a palavra
reconciliar. conciliação no sentido
teológico na nas suas cartas, ok? E aí
eu coloquei a nessa tradução eh a
transiteração de algumas palavras
gregas. Você vai ver entre colchetes aí,
tá? Ao contrário da sua Bíblia, isso não
quer dizer que o texto não estava no
original. Estou apenas trazendo para
você qual a palavra grega que Paulo, que
nós traduzimos, né? e aparece no nosso
texto em português.
Ah, eu não vou ler todo esse texto
porque, do contrário, o nosso tempo
inteiro iria nessa leitura, mas eu quero
apenas pontuar algumas coisas para
vocês. Se você olhar a nos versos 18,
19, eh, 18, 19 de segunda aos Coríntios,
você vê a palavra que eu coloquei em
grego catalaço. Ele diz: "Ora, tudo
provém de Deus que nos reconciliou
consigo mesmo por meio de Cristo e nos
concedeu, nos deu o ministério da
reconciliação. Catalaguei". é a a
substantivo grego para a reconciliação.
Mais adiante no verso 19, a saber que
Deus estava em Cristo reconciliando
consigo o mundo, não imputando aos
homens as suas transgressões, nos
confiou a palavra da reconciliação
catalaguei.
Aqui é é interessante nos versos
seguintes, Paulo vai dizer que a uma vez
que nós somos reconciliados com Deus por
meio de uma iniciativa do próprio Deus,
por intermédio de Cristo Jesus, nós
também recebemos o ministério da
reconciliação. Nós somos embaixadores.
A palavra para embaixadores, presbível,
presbiteis seria a palavra para
embaixada. Em nome de Cristo, fomos
enviados por Cristo, como se Deus
exortasse para Calel por nosso
intermédio em nome de Cristo. Pois
rogamos de Mai que vos reconcilieis com
Deus Catalasso. Uma vez mais, Paulo está
dizendo: "Fomos reconciliados com Deus
por meio dele, a de iniciativa dele
mesmo, por meio de Cristo. Recebemos o
ministério da reconciliação, pelo qual
nós vamos a pelo mundo, cumprindo a
grande comissão e exortando homens e
mulheres, vocês precisam se reconciliar
com Deus. Algumas observações rápidas.
Nesse texto, nós percebemos pelo menos
duas características ou duas dimensões
eh da do ato de reconciliação divino.
Primeiro, aquilo que na teologia talvez
mais sistemática, gosta-se de falar de
uma reconciliação objetiva e uma
subjetiva. A reconciliação objetiva tem
a ver com uma obra final de Cristo na
cruz. Quando Cristo morreu, ele na cruz
nos justificou, nos reconciliou, nos
adotou, nos redimiu em um evento único.
Tudo necessário paraa nossa
reconciliação foi consumado por Cristo
na cruz de uma vez por todas. Amém,
igreja?
>> Amém.
>> Quase um culto. No entanto, isso não
significa que todos os eleitos foram
automaticamente reconciliados,
justificados, adotados, redimidos, etc.
Corretos? É preciso que haja resposta de
fé. Esse é o aspecto subjetivo. E aí
entra a nossa ação como embaixadores de
Deus, evangelizando e exortando homens e
mulheres. Essa é a mensagem do
evangelho. Você precisa responder com fé
a a a oferta de reconciliação, OK? Em
Romanos, o interessante aqui você vai
ver palavras se repetindo, especialmente
no finalzinho verso 10 e 11. Mas uma das
coisas que mais chama a atenção no texto
de Romanos é que Paulo junta duas
metáforas que ao longo da da história da
academia eh paulina tem sido motivo de
controvérsia também. Como que nós
relacionamos
a perspectiva mais forense de Paulo em
metáforas como justificação e a ideia
participativa de outras como
reconciliação?
A a justificação por um lado,
reconciliação por outro. Paulo não tem
nada a ver com disputa e discussões de
acadêmicos modernos. Ele junta as duas
metáforas sem nenhum problema e
colocando como quase sinônimas aqui. Não
são, obviamente são etapas diferentes de
um processo ou argumentaria, mas Paulo
fala que nós somos justificados mediante
a fé e por isso nós temos o quê? Paz com
Deus.
Paz pertence ao campo semântico de
reconciliação.
A a ideia de reconciliação como um todo
é uma das palavras, porque uma vez que
reconciliação é feita, a paz. Paulo
junta as duas coisas. Nós precisaríamos
de mais tempo para discutir e entender
como que Paulo concilia a ideia de
justificação e reconciliação aqui. Mas
no final ele encerra falando justamente
de reconciliação. Você vê algumas
palavras importantes paraa dinâmica. Nós
éramos inimigos e fomos reconciliados
enquanto nós ainda éramos inimigos. A
palavra erros aqui ou inimigos é
importante porque ela nos traz a nos
aponta para o significado de
reconciliação. Reconciliação aqui a como
no restante das nas demais cartas
significa o se desfazer dessa inimizade.
Ok? Mas uma coisa muito importante que
eu quero que você perceba entre as duas
primeiras cartas e as últimas duas
cartas, 10 anos depois,
é que Paulo nas últimas duas cartas
acrescenta uma dimensão nova a
reconciliação.
Se você lê com cuidado depois, segunda
aos Coríntios 5 e Romanos 5, Paulo nos
fala, Paulo nos pinta, nos descreve o
seguinte cenário da reconciliação. Deus
toma a iniciativa de mediante Cristo e o
seu sacrifício, reconciliar seres
humanos inimigos consigo mesmo. A
reconciliação então diz respeito a Deus
restaurando o relacionamento
de homens e mulheres outrora inimigos
com ele. Ok? Nós temos essa dimensão
vertical bem definida por Paulo. De cima
para baixo. Deus nos reconcilia consigo.
Ok? Reconciliação humana.
Quando nós vamos adiante para
Colossenses e Efésios, as duas cartas
são interessantes aqui, mas você vai
perceber mais essa dinâmica amanhã
quando nós falarmos de Efésios 19 a 10.
Então eu vou usar Colossenses para te
mostrar eh qual é a mudança de ênfase de
Paulo aqui, tá? Ah, veja só o verso 20.
O versos 15, os versos 15 a 20 são
aquilo que é conhecido na academia como
hino a Cristo, semelhante a Filipenses
2, 5 a 11, não é? que é um texto que
destoa da do restante da do estilo de
Paulo em Colossenses, da prosa dele, se
torna um pouco mais poético, com uma
série de pronomes relativos aqui na
língua grega e realmente mostra que nós
temos um estilo diferente. Então, algo
mais
poético, digamos assim, uma espécie de
de hino, então, um hino de Cristo, onde
ele basicamente enfatiza a supremacia de
Cristo sobre a primeira criação e a
supremacia de Cristo através da metáfora
da reconciliação sobre a recreação do
universo. Mas veja o verso 20, por
gentileza. Ele diz: "E havendo feito a
paz pelo sangue da sua cruz, por meio
dele reconciliar todas as coisas."
Táta
com ele, quer sobre a terra, quer sobre
os céus.
Em nenhum outro lugar, nem segunda aos
Coríntios 5, nem Romanos 5, Paulo fala
que Deus reconciliou todas as coisas no
contexto de Efésios, de Colossenses e de
Efésios. Mas se você voltar pro verso 15
de Colossenses, você vai ver que quando
ele descreve a supremacia de Cristo na
primeira criação, ele fala que todas as
coisas foram criadas nele, por meio dele
e para ele, todas as coisas. Depois ele
descreve isso pra gente, que todas as
coisas são essas. Ele diz: "Olha, coisas
nos céus e na terra". Essa é uma maneira
judaica de falar o seguinte: tudo que
existe, céu e terra adoram ao Senhor.
Tudo adora ao Senhor. Então Paulo diz:
"Cristo é responsável por toda a
criação". Para deixar mais claro ainda o
que ele tem em mente, ele ainda explica
e meiúsa um pouquinho mais pra gente.
Ele fala: "Sejam coisas visíveis ou
invisíveis, tronos, sejam soberanias,
principados ou potestades, palavras aqui
que Paulo bastante conhecida na
literatura judaica, para se referir a
seres demoníacos, seres espirituais
malignos. Paulo fala tudo, inclusive
eles foram criados por Cristo, por meio
de Cristo. Portanto, Cristo tem a
soberania sobre eles. Quando lá na
segunda estrofe ou terceira estrofe do
hino, Paulo fala que ele reconciliou
todas as coisas, ele ele explica pra
gente, para não deixar nenhuma dúvida
também, ele diz: "Quer sobre a terra,
quer coisas no céu."
Ou seja, tudo o que Deus criou em Cristo
Jesus, que eu mencionei nos versos 15 e
16, em algum momento da história
se apartou de Deus.
Ele não menciona, mas Paulo pressupõe em
Gênesis 3,
tudo agora foi danificado pelo pecado. E
quando Deus reconciliou em Cristo, ele
reconciliou todo o universo,
inclusive seres espirituais malignos.
Nenhuma heresia aqui. Se você depois lê
o meu livro, você vai entender o que eu
quero dizer. Mas se não quiser ler o
livro, não tem problema. Tem um artigo
eh na vida nova que você pode já ver
alguma coisa. O Paulo não tá dizendo que
seres espirituais malignos são eh
salvos, tem o seu relacionamento
restaurado, mas ele explica isso pra
gente em Colossenses 2:15, através da
ideia de que eles foram subjugados,
pacificados,
não é? Alá a pax romana, quando os
romanos impunham a sua paz violentamente
sobre seus inimigos derrotados.
Mas o fato é que a mudança de ênfase de
Paulo é que ele sai da reconciliação em
que seres humanos são reconciliados por
Deus para aquilo que nós chamamos de
reconciliação cósmica.
Tudo foi reconciliado. A mesma ênfase,
quase verbatim aparece em Efésios 1, 9 e
10. Apesar de que Paulo usa uma outra
metáfora ali, que na minha opinião
explica um pouco mais a mesma ideia de
reconciliação, que é a ideia de
reunificação.
Ana Cafaleio é a palavra em grega.
Resumir todas as coisas. As nossas
traduções costumeiramente trazem o verso
traduzem como fazer com que todas as
coisas convijam, convergir todas as
coisas em Cristo Jesus. Mas nós vamos
ver isso mais amanhã. Então, entre
segundo aos Coríntios, Romanos
e Colossenses e Efésios do outro lado,
nós temos uma expansão
do escopo da reconciliação.
essa variação ou essa nuance nova em
Paulo, juntamente com outros detalhes,
tem feito com que alguns acadêmicos mais
inclinados à alta crítica tenham
questionado a autoria de Efésios e
Colossenses, como se elas não pudessem
ter sido escritas pelo apóstolo Paulo.
Se eu tivesse tempo, eu mostraria para,
eu falaria para você como nenhum dos
argumentos usados para questionar a
autoria paulina consegue se sustentar
sobre as próprias pernas. e que há
explicações muito melhores para qualquer
argumento que eles tentam levantar
contra a autoria paulina. OK? Então, a
palavra ou a metáfora reconciliação
aparece apenas nessas quatro cartas.
E aí o que que acontece aqui? Nós temos
vários estudantes de teologia, vários
irmãos e irmãs entrando no seminário e
fica um alerta para você, estudioso da
Bíblia, que quando nós estudamos as
Escrituras, nós precisamos evitar o
vício e o erro de eh focar demais ou
unicamente em paralelos léxicais ou
estudos léxicais, estudos de palavras.
Os estudos de palavras nas línguas
hebraicas e grega, assim como em
português também, mas está falando da
Bíblia, não são tão fáceis de serem
feitos. E muitos pastores que usam
etimologia, história das palavras em
sermões, eh usam de forma equivocada e
errada. Nem sempre pregando heresias ou
mentiras, mas pregando verdades a partir
de textos errados.
E você deveria, futuro pregador e mestre
da da da palavra, evitar isso. Um bom
livro para você ler, que o meu amigo
Jonas, você não pode passar dessa vida
paraa próxima sem ler. É exegese e suas
falácias de Dom Carson. Todo estudante
sério das escrituras deveria possuir
esse livro na sua biblioteca e ler pelo
menos a cada 5 anos.
Então, apesar da da palavra reconciliar,
reconciliação ocorrer apenas em quatro
cartas de Paulo, o conceito.
Então, cuidado para não ficar preso a
paralelos lexicais, mas busque também
paralelos conceituais,
onde o conceito aparece, ainda que com
outras palavras e metáforas e
construções e cenários. O conceito de
reconciliação é pervasivo nas
escrituras,
do início ao fim, pelo menos desde
Gênesis 3, a após a queda da humanidade
até Apocalipse,
o último capítulo de Apocalipse, quando
nós temos a reconstrução, restauração do
jardim perdido no Éden. OK? Então, nós
precisamos olhar para o conceito, mas
nós vamos focar nos textos onde Paulo
fala explicitamente sobre reconciliação.
E aí, a uma vez que nós estamos
definindo aqui conceitos, categorias,
fazendo introdução ao conceito, nós
precisamos pensar no sentido linguístico
do grupo de palavras catalasso, o verbo
grego para reconciliar, e catalaguei, o
substantivo reconciliação, os dois
juntos. Qual é o sentido disso? Você tá
falando que é uma metáfora reconciliar
aplicada ao relacionamento entre Deus e
a humanidade. É uma metáfora, portanto,
usada teologicamente. O que é que isso
significa?
Qual é o cenário que esse negócio pinta
para nós?
Como que se dá a dinâmica da
reconciliação?
Dois lexicógrafos chamados a Lida, o
sobrenome deles, Johannes Lou, a Eugene
Naida. Eles possuem um que é um dos
léxicos do Novo Testamento fundamentais
para você. Ele é mais voltado pro
tradutor. Então nós temos dois
importantes, o Bidag, ah e o Luna Naida.
O Bidag para mim é o primeiro ponto de
partida do estudioso do Novo Testamento.
Luida, se você quer ver um pouquinho
mais, ajudar você em tradução, você vai
lá com ele. Ele ele traz a o seu Lex
como organizado em campos em domínios
semânticos, o que é bastante
interessante e inovador quando eles
produziram isso. E eles falam o
seguinte: o sentido essencial do grupo
de palavras catalasso é o seguinte, abre
aspas, eu acho que eu coloquei isso no
rend para você, é restabelecer relações
interpessoais amistosas, apropriadas
depois de terem sido interrompidas ou
rompidas. Isso parece claro o
suficiente, né? E bem simples. Bem
simples. OK. Eles continuam. As
características constituintes desta
série de significados envolvem quatro
coisas. Primeiro, rompimento de relações
amistosas por causa de havia um
relacionamento que foi rompido, é a
primeira coisa. Foi rompido por causa de
dois, provocação presumida ou real.
Três, manifestação de comportamento
destinado a remover a hostilidade. E
quatro, a restauração das relações
amistosas originais para reconciliar,
para acertar as coisas um com o outro.
reconciliação.
Eles estão definindo para você aqui, não
tão dando uma definiçãozinha de de de
dicionário, uma glosa. Você traduz essa
palavra reconciliação com a palavra ou
você traduz essa palavra catalaguei com
a palavra portuguesa reconciliação. Não,
ele tá dando o sentido da palavra para
você. Ele diz que ela envolve essa
dinâmica. Havia um relacionamento
original, foi rompido em segundo lugar
por foi rompido por quê? Por alguma
ofensa real ou presumida.
Isso não acontece em Curitiba, mas lá no
Ceará e agora em São José dos Campos, no
casamento,
às vezes um dos dois, um dos cônjuges
acaba se chateando profundamente por uma
ofensa puramente presumida.
Não aconteceu a ofensa de verdade, mas
na cabeça de um dos cônjuges, que eu não
vou dizer quem com mais geral, mais tem,
ele olhou e eu sei o que é que ele
pensou. Ou ver se ver aí e aí fica
aquela aquele climão, mas ninguém
ofendeu ninguém. Nas igrejas do Ceará
isso acontece também. Famílias
chateadíssimas uma com as outras, mas
não houve nenhuma ofensa, foi só
presumida. Ele pensou que o outro quis
dizer aquilo e já ficou chateado.
Então isso pode acontecer. Então por
isso que a ofensa é real ou presumida.
Depois há alguém que se manifesta, pode
ser um mediador, no caso de um mediador
tentando reconciliar dois indivíduos ou
o próprio indivíduo magoado, ele mesmo
se manifesta, ah, toma uma atitude para,
eh, remover essa ofensa, lidar com essa
ofensa. E por último, em quarto lugar, o
relacionamento é restaurado. Isso é
reconciliação. Claro, o suficiente, não
é? OK. Então, ah, agora com isso em
mente,
a gente precisa agora fazer a seguinte
pergunta, OK? Se essa metáfora só
aparece no Corpus Paulino e ah, ela é
tão importante assim, de onde Paulo
extraiu essa ideia
de que Deus reconcilia inimigos consigo
mesmo? De onde Paulo extraiu a ideia de
que o relacionamento divino humano foi
marcado por uma ofensa real. Nesse caso,
havia um relacionamento original e aí
houve uma ofensa que nós sabemos que é
pecado. Alguém tomou a iniciativa de
iniciar o processo de reconciliação e
por último com a, não é? Nós somos
reconciliados com Deus. Porque quando a
gente fala que nós somos redimidos,
nós entendemos o pano de fundo da
metáfora de redenção, não entendemos
bíblica. De onde Paulo extrai a ideia de
redenção?
Hã,
mercado de escravos, não é assim isso
que nós aprendemos? Mercado de escravos.
Então, nós, quando imaginamos a seguinte
frase: Deus ou Cristo Jesus nos redimiu
mediante o seu sangue, o que é que a
língua e o seu cérebro faz com você? É
assim que língua funciona nesse aspecto
de metáforas, domínios semânticos que
ela vai despertando na sua mente, a sua
mente para você entender o que Deus fez
com você ao redimir, ele, o cérebro vai,
ainda que você não perceba, ele vai
associar
a obra de Cristo Jesus em te redimir, no
caso, se você conhecesse o mercado de
trabalho de escravos, com aquilo que
ocorre no mercado de escravos. Se eu
tivesse no primeiro século do mundo
mediterrâneo, eu conheceria isso bem, ir
lá, comprar um escravo, tirar,
redimi-lo, pagar por sua, por sua, né,
redenção ou pagar por sua, eh, alforia.
E eu vou entender que aquilo que Deus
fez comigo foi aquilo ali, ó. Eu era,
então, nesse cenário em que Cristo me
redime, eu era o escravo. Não é assim
que você pensa? Cristo é o Senhor que
tem a condição de bancar para que eu
seja redimido. E ele me redime de alguma
coisa ou de alguém, porque é esse o
cenário do mercado de escravos, não é
assim? É assim que o cérebro funciona
com toda a linguagem o tempo inteiro,
mesmo que você não perceba.
Nosso cérebro ele está fazendo conexões
entre aquilo que nós ouvimos e os
cenários conhecidos nessa grande cadeia
interligada de do nosso sistema
cognitivo. E é assim que nós vamos eh
expandindo conceitos e compreendendo
conceitos através desses links que o
cérebro vai fazendo. Ou você precisa,
caso você não conheça a origem da
metáfora, não tem problema, porque você
alguém pode explicar para você o que é
que isso significa, mas aí é um segundo
passo no processo, tá?
Mas de onde vem reconciliação? E aí que
está o grande problema e eu quero passar
o restante do nosso tempo com isso aqui.
No final eu vou te dar a minha proposta
de o que é que Paulo faz e como que
Paulo eh chega a essa conclusão de que
aquilo que ocorre na cruz é um ato de
reconciliação. Veja só,
só para deixar isso mais claro, talvez
Paulo usa e os demais usam várias demais
escritores bíblicos várias metáforas
para se referir a aos efeitos da obra
vicária de Cristo na cruz. Correto? já
mencionei algumas delas.
Eh, isso porque o que ocorreu na cruz é
tão rico e vasto que uma metáfora só não
seria capaz de englobar e de explicar e
de entender. Nem as que nós temos nas
escrituras são de fato exaustivas. Às
veas não exaurem todo, toda a riqueza, a
glória do que Deus fez por nós em Cristo
Jesus no Calvário. Elas nos dão apenas
aquilo que talvez nossos nossa pequena
compreensão consegue aprender por hora.
Na eternidade nós vamos passar a
eternidade inteira esmiuçando e tentando
entender e crescendo no conhecimento
toda todas as nuances e e detalhes
daquilo que ocorreu lá. Mas nós temos
essas metáforas aqui à nossa disposição,
porque elas apontam para perspectivas e
ângulos diferentes da obra redentora de
Cristo, de onde Paulo extrai a ideia de
reconciliação.
Isso tem sido muito, só para variar,
muito debatido na academia também. De
onde isso a gente chama de estudos de
pano de fundo, né? A gente gosta disso.
A gente e é importante o pano de fundo
do texto para você entender o texto. Às
vezes a gente exagera um pouquinho, Cay
Kina exagera um pouquinho nas nos seus
estudos de background. Paciência, não
preciso ler 1000 páginas de background
para entender isso daqui, tá? Mas tem um
seu lugar na exegese muito importante.
Background linguístico, histórico,
cultural. É importante, é parte
essencial da sua exigese. De onde vem?
Bom, uma primeira teoria a que tá aí é
que Paulo extraiu isso do mundo
greco-romano.
Essa é uma tese que foi proposta de uma
forma mais completa ah por um acadêmico
ah alemão chamado Kiles Bretenbar na sua
obra Reconciliação, um estudo sobre a
soterologia paulina. Ele lançou isso em
1989.
os irmãos alemãos, alemães, me me eh me
perdoem a pronúncia a da língua de
vocês. Ah, mas esse livro é fantástico.
Ele ah nos legou que ainda é
provavelmente a obra mais completa de
estudo lexical a respeito desse grupo de
palavras da reconciliação. E ele, o que
que ele fez? Então, a Braenb
que a linguagem de reconciliação é usada
na literatura grega em contextos
diplomáticos político-militares
para se referir a tratados de paz,
mas sem nenhum exemplo significativo de
uso em contextos religiosos para
referir-se à reconciliação entre seres
divinos e humanos.
Ele falou: "Olha, quando nós procuramos
esta palavra essa esse léxico, na
antiguidade nós encontramos nesse
contexto greco-romano diplomático entre
duas cidades, entre dois exércitos. Mas
quando nós olhamos a Septoaginta, que é
a tradução grega da Bíblia hebraica, nós
não encontramos essa palavra ali. Não
encontramos na literatura judaica como
um todo, exceto em uma exceção que eu
vou mostrar no final.
E ele então conclui que esta ideia de
reconciliação não tem nenhum sentido
cútico, nenhum sentido religioso.
Zero. É puramente uma metáfora
diplomática. No contexto da diplomacia
greco-romana, um exército em busca de
trégua poderia enviar embaixadores,
presbíteses,
ao território inimigo com o objetivo de
negociar paz, o que geralmente envolvia
súplicas delai e apelos para Calel. você
vai encontrar essas três palavras em
segunda aos Coríntios 5, que eu acabei
de ler com você. Então, ele compara esse
vocabulário bastante eh presente nesses
contextos diplomáticos greco-romanos com
segunda aos Coríntios 5, em especial, vê
as palavras, vê os paralelos e fala:
"Bingo, tá vendo? Pronto, achamos."
Paulo extrai a metáfora ali. Ele usa
inclusive o campo semântico todo, todo o
o campo de semântico da ideia tá aqui,
ó, linguístico, tá aqui. Delmais,
súplicas, eh, embaixadas, nós somos
embaixadores. É daqui que Paulo extrai
isso daqui. Portanto, é uma metáfora
puramente greco-romana. como disse, ele
nos legou o que continua sendo um dos
estudos mais completos, lexicais da
terminologia de reconciliação, porém,
apesar de todos os bons insightes deles
dele,
eh a sua conclusão continua ou foi
bastante reducionista e incapaz de
explicar todas as nuances da teologia de
Paulo, tá? Uma um aspecto desse
reducionismo dele é que ele não consegue
perceber os paralelos conceituais entre
estabelecimento de paz e reconciliação
de Paulo e o Antigo Testamento. Ele
deixou isso de fora. Por quê? Porque a
palavra não aparece lá. É isso que eu
falei. O erro de você ficar tão
empolgado e tão dependente de paralelos
lexicais ao ponto de esquecer de buscar
os conceitos. OK? Então ele anula
literalmente ele fala: "Esta metáfora
não pertence a nenhum contexto
religioso, muito menos judaico,
tá? Eu acho que devo ter colocado as
páginas do livro dele para você aí,
senão eu tenho na pelo menos na minha
versão aqui, ok? Então, é verdade que as
palavras lá de segunda aos Coríntios
fazem paralelo com aquilo, mas será que
é só isso ou tem algo mais?" Outros, no
entanto, propuseram o seguinte: "Não,
não, não, não, não. Paulo extrai essa
ideia de reconciliação
da sua experiência de conversão a
caminho de Damasco, gente."
E aí, ah, vários estudiosos ao longo dos
últimos, pessoalmente talvez três
décadas aí ou mais quatro décadas,
porque começa com C1 Kim, mas antes dele
já um pouco, depois dele,
estudiosos têm chamado a nossa atenção
paraa importância da experiência de
conversão de Paulo a caminho de Damasco
para a as convicções de Paulo, não
apenas teológicas, mas também de
chamado.
de chamado ministerial apostólico. A
essa experiência é considerada um dos
fatores decisivos para a reconfiguração
das categorias fundamentais da sua
teologia e cosmovisão. A caminho de
Damasco, Paulo tem uma revelação de
Jesus Cristo, uma expressão que ele usa
em Gálatas 1:12, a qual ele caracteriza
como uma ruptura radical de sua vida
anterior, uma verdadeira mudança de
paradigma.
Seun Kim, a, na sua tese, a origem do
evangelho de Paulo. Então, a tese aí já
tá bem clara para você, o que é que ele
quer propor. De 1981, ele escreveu essa
tese sobre a orientação de FF Bruce, ah,
em Manchester.
Ele argumenta que tanto as categorias
fundamentais da teologia de Paulo quanto
a sua convicção de chamado apostólico
surgiram de seu encontro com o Senhor
Jesus ressurreto a a caminho de Damasco.
Nesse encontro, Paulo é confrontado com
a realidade irrefutável de que Jesus
Cristo, que fora morto em uma cruz
romana sob a condenação da lei, havia
sido ressuscitado por Deus, confirmando
assim a pregação dos discípulos de Jesus
sobre ser ele o Messias prometido,
Senhor e Salvador do mundo. Segundo Kim,
essa experiência de Paula Caminho de
Damasco teria reconfigurado algumas
categorias fundamentais da teologia do
futuro rabino Paulo, como, por exemplo,
a sua cristologia ou a sua ideia de
Messias, Cristo como Messias, a sua
escatologia, a sua soterologia e
eclesiologia,
além de justificação, união com Cristo,
tudo isso.
um pouco mais forçoso na sua tese,
diria, teve origem na experiência de
Paula Caminho de Damasco.
Eh,
OK. Eu poderia falar um pouquinho mais
sobre essas coisas, mas nosso tempo tá
correndo. Eu vou adiantar um pouquinho.
Você pode ler isso depois em algum outro
lugar. Mas o fato é que por que que essa
experiência foi tão importante para
Paulo? O fator decisivo é apenas bem
rápido para você, a gente pode voltar um
passo atrás. Por que que Paulo perseguia
a igreja, os discípulos com tanta
veemência? Talvez a resposta para isso
esteja em Gálatas 3, quando Paulo diz
que a Paulo, inclusive, depois aplica
isso para nós em Gálatas e diz que na
cruz de Deus ah Cristo se fez maldição
em nosso lugar. Por quê? Porque em
Deuteronômio fala que aquele que for
pendurado, todo aquele que fori
pendurado no no madeiro é o quê? Maldito
de Deus. Imagina Paulo, um rabino, um
futuro rabino aos, né, treinado aos pés
de Gamaliel, zeloso da lei, escuta um
bando de judeu agora pertencente ao
caminho, dizendo que o o Messias
prometido morreu na cruz.
Para aí, eles estão dizendo que o
Messias morreu numa cruz, mas a lei diz
que quem for pendurado é o quê? Maldito
de Deus. Eles estão me dizendo que o
Messias prometido é maldito de Deus.
Isso é blasfêmia.
Isso justificaria essa perseguição
fervorosa de Paulo aos aos cristãos.
Porém, quando ele encontra Jesus a
caminho de Damasco, ele vê Jesus
ressurreto. Não é uma visão estática. O
próprio Jesus aparece a ele. Ele vê
Jesus ressurreto. Portanto, o que é que
automaticamente muda na sua cabeça
radicalmente?
Jesus é mesmo Cristo. Porque atrelada à
promessa de o Messias, na teologia
judaica, havia a esperança da
ressurreição. Para eles, a ressurreição
viria ou seria o resultado da vinda do
Messias e daria início à nova era
escatológica. Portanto, se Jesus, que eu
sei quem morreu, de fato, ressuscitou,
ele é mesmo um Messias, mas diferente
daquilo que eu esperava. Ele morreu numa
cruz e ressuscitou. A nova era já
começou escatológica e ele precisa
reconfigurar tudo que ele entendia sobre
teologia à luz dessa revelação de Jesus
Cristo, porque ele nunca conseguiria ter
previsto que o Messias morreria numa
cruz romana e seria ressuscitado.
Entende? Tudo isso desencadeia uma série
de, por exemplo, a ideia de união com
Cristo poderia se argumentar, que é uma
ênfase forte de Paulo, que quando Paulo
escuta Jesus dizer Paulo, Saulo, Saulo,
por me persegues? Tá vendo? a origem da
ideia da união da igreja com Cristo.
Porque Jesus se referiu
não à perseguição da igreja, mas a ao
perseguir a igreja, eu estava
perseguindo Cristo. Isso deve significar
que Cristo e a igreja são um só. E aí
você entende mais ou menos o raciocínio.
E onde que entra a reconciliação nesse
bolo todo aí? Como que a reconciliação
poderia ter surgido na experiência de
Paulo em Damasco? Ora, a conversão de
Paulo se deu durante uma campanha de
perseguição à igreja, o que equivaleria
a perseguir o próprio Senhor Jesus.
Paulo, portanto, teria entendido que ele
foi resgatado por Deus quando ele era o
quê? Inimigo de Deus. No entanto, ao
invés de puni-lo em sua ira justa, Deus
o acolhe, perdoando-o e reconciliando-o
consigo mesmo. Bom, tá aqui a origem da
metáfora da reconciliação
no sentido teológico. É o que ele
argumenta. Quem tem Quem tem várias eh
ideias interessantíssimas na sua tese,
porém nós temos algumas algumas críticas
também ao alguns aspectos da sua
metodologia. E embora eu eh reconheça a
importância de Damasco, eu penso que ele
exagera um pouquinho mais. Eu sei que
isso é injusto de minha parte falar isso
sem te dar razões do porque eu penso
isso. Tá escrito no meu esboço, mas ao
mesmo tempo eu coloquei um X bem grande
porque eu pensei, não vai dar tempo
falar tudo isso, a gente pode conversar
sobre isso depois, mas ele tá no rumo
certo. Eu acho que passa toda a teologia
de Paulo, para deixar isso bem claro, na
minha perspectiva, toda a teologia de
Paulo é filtrada pelo evento Cristo,
especialmente pelo grande, pela grande
mudança de paradigma que ocorre no ato
de sua conversão. Isso é verdade, tá?
Mas o problema maior de Quima é quando
ele pelo menos dá a impressão de que
tudo se explica por uma só experiência
de Paulo aqui somente e aí fica
reducionista também, certo? OK. Mas
outros disseram, talvez um outro alemão,
Hofias, Hoffius, espero que eu tenha
chegado perto da pronúncia dele.
Ah, eu acho que ele faz mais justiça ao
texto de segunda aos Coríntios 5 do que
a Breten Bar e Kim, quando ele diz que,
embora o fundamento da reconciliação
tenha sido o encontro de Paulo com o
Senhor ressurreto, concordo com isso, o
conteúdo material sarr do conceito foi
moldado pelo testemunho do profeta
Isaías.
Ele continua abre aspas. O que havia
sido revelado a Paulo neste evento,
sua conversão, ele encontrou confirmado
e interpretado por meio do testemunho
profético das Escrituras. Assim, ele
obteve do Antigo Testamento a linguagem
com a qual pôde expressar o ato
salvífico de Deus em Jesus Cristo. E eu
acho que aqui nós estamos chegando um
pouquinho mais próximo a algo mais,
digamos assim, substancioso
da formação, eh, do conceito de
reconciliação em Paulo. E essa é a
terceira proposta aqui de origem da
reconciliação, o servo sofredor de
Isaías. Especialmente os quatro cânticos
do servo, você encontra no livro da das
consolações de Isaías, capítulos 40 a
55.
E a relevância de Isaías para Paulo e
para o Novo Testamento como um todo,
irmãos, é inquestionável.
Richard Bockam, um biblicista acadêmico
britânico fantástico, fantástico. Ele
observa que Isaías 40:55, talvez mais
conhecido como livro da consolação,
desempenhou o papel mais significativo
na formulação da cristologia dos
escritores do Novo Testamento. E a gente
pode demonstrar isso textualmente.
Sobre Isaías e Reconciliação, Greg Bill,
bastante conhecido da gente por Livros
da Vida Nova também.
Ah, o seu livro é ditado junto com Dom
Caston, o uso do Antigo Testamento do
Novo Testamento. Ele tem também o
templo, não sei quem traduziu e publicou
isso, a teologia do templo. Alguém
traduziu isso? Alguém sabe? Maior da
vida nova, resumido da Lyola,
>> OK? Loyola, o mais resumido, maior da
vida nova, um livro muito bom também. A
Magnusopos, talvez uma delas, a teologia
do Novo Testamento dele também pela vida
nova, tá? E ele tem um artigo que ele
bem antigo, que ele depois incorporou na
sua teologia do Novo Testamento, que a
vida nova publicou sobre reconciliação.
E ele argumenta a partir de segunda aos
Coríntios 5, mostrando como Paulo atrela
a ideia de reconciliação a Isaías e a
promessa de restauração.
Então, para ele, em segunda aos
Coríntios 5:17, quando Paulo diz que
aquele que está em Cristo nova criatura
é, as coisas velhas já passaram e eis
que tudo se fez novo, essa aqui é uma
alusão, senão uma citação claríssima de
Isaías 43, a promessa de novos céus e
nova terra. Eu concordo com Bills, vou
resumir bastante para você aqui, que
basicamente a tese é o seguinte: quando
Paulo usa a ideia de reconciliação para
ele é equivalente à recriação
escatológica.
A reconciliação inaugurou
a nova criação,
a nova era escatológica. Mas como nós
estamos acostumados a ouvir, a
escatologia é apenas inaugurada, é o já,
mas
>> ainda não. Ou seja, ele ainda ainda será
consumada. Essa foi uma das mudanças de
perspectiva e de paradigma na teologia
de Paulo proporcionada provavelmente por
Damasco, tá?
Nós poderíamos conversar mais sobre isso
depois, mas nós podemos comprovar não
apenas em segunda aos Coríntios, mas
também especialmente em Colossenses e
Filemon, como Paulo põe lado a lado a
ideia de reconciliação como recreação. E
aí, irmãos, prestem atenção no que eu
vou lhe falar. Sei que você já tá
cansado, mas veja só nas escrituras,
redenção, salvação, etc e tal, e a
consumação final não vai ser Deus
olhando paraa sua criação e pensando o
seguinte: Gênesis 3 estragou um plano
que era bem bonitinho.
Vou jogar tudo fora, vou fazer tudo
novo, novo, novos céus e nova terra.
Ao longo de toda a escritura, Antigo e
Novo Testamento,
salvação ou redenção é um ato de
recreação,
de restauração de algo que foi criado
muito bom.
O pecado estragou,
mas Deus não jogou fora a sua criação.
Ele vai restaurar.
Em Colossenses 3:10, Paulo nos diz que
nesse contexto que nós somos recriados.
Nós somos nova humanidade, novo homem,
recriados em Cristo Jesus, de acordo com
a imagem daquele que nos criou. O que
que Paulo tá dizendo? Paulo está
aludindo a quê? A Gênesis 1 e 2. Ele
está dizendo: "Quando nós somos salvos,
reconciliados, esse é um ato de
recreação mediante o qual Deus refaz.
a sua imagem em nós.
Nova criação,
restauração.
No final de tudo, isso não será
completamente queimado pelo fogo em
cinzas. Ele vai fazer tudo do zero. Não,
não, não, não, não. Ele está restaurando
a sua criação, gente. Isso já foi
inaugurado em Cristo Jesus.
Paulo usa a metáfora nesse sentido.
Eh, por último, uma quarta eh
teoria seria do judaísmo helenista.
Alguém apontou ali dizendo que eu ainda
tenho 50 minutos. Então, fizeram assim,
eu acho que é 50 minutos.
E aí, o que é que isso significa? Veja
só, gente, eu falei para você que a
metáfora quase nunca ou a palavra quase
nunca foi nunca foi usada, segundo a
Braenbido religioso, mas nem tanto. Em
segundo Macabeus, que é um livro da
literatura judaica, importantíssimo, do
segundo templo, que você precisa ler
para conhecer um pouco da história ali,
sabendo como ler Macabeus, porque tem
muito mito misturado com história, a
história como nós imaginamos, né, bem
objetiva de fatos históricos, etc.
E o que que acontece? Eu vou resumir o a
ópera para você, tá? Em segunda os em
segundo em segundo Macabeus, que não é
um livro canônico, só para deixar bem
claro, não é inspirado, mas é um livro
que muito importante para nós
entendermos background, pano de fundo,
etc. e tal. O que que acontece? Os
Macabeus estavam lidando com aquela com
aquela crise existencial típica, não só
da literatura dele, como da literatura
apocalíptica, na verdade judaica. Como
que a gente eh racionaliza, como como
que a gente harmoniza a soberania de
Deus, as suas promessas para o seu povo
com o nosso cativeiro ininterrupto,
porque nós estávamos, os judeus estavam
sob o cativeiro de Babilônia, depois tem
os assírios, depois os romanos. Cadê
aquela libertação que Isaías prometeu?
Então eles estão preocupados com a ideia
da com teodisseia. Como que eu vou
alinhar essa ideia do sofrimento com a
soberania de Deus? Então eles
precisavam, né, racionalizar isso. E
eles então tm uma lenda em segundo
Macabeus que dos sete mártires, dos sete
irmãos que são martirizados pelo governo
romano, pelo império romano, tá? Pelos E
o que que acontece? Eles entendem então
que esses sete irmãos, eles são eh
martirizados de forma inocente, porque
eles não eram culpados, apesar de que a
nação era culpada, eles entendem isso,
mas os irmãos não, mas eles morrem de
forma inocente e voluntária. Por que
voluntária? Porque o a autoridade romana
deu a cada um deles a oportunidade de se
retratar e evitar os a morte, mas eles
se recusaram, se mantiveram firmes em
seus princípios e morreram. E eles então
dizem que o sangue dos mártires
reconciliou Deus com seu povo novamente.
Essa é a primeira vez que reconciliação,
essa palavra em grego, porque segundo
Macabe foi escrito em grego, é usada
para conceitualizar o relacionamento
entre Deus e a humanidade. Eles disseram
então que o sangue foi suficiente para
apaziguar Deus. É uma outra, um paralelo
que eles usam no mesmo texto, texto um
pouco mais adiante. Reconciliar Deus com
o seu povo. Outros vão dizer que tá
vendo toda a toda a a soterologia de
Paulo é explicada pelo martírio ou pela
a do a a o conceito de martírio dos
Macabeus. Mais uma vez, calma aí, gente.
Um só. Esse é um vício da academia
também para vocês estudantes de
teologia. É quando você procura
background, quando você procura pano de
fundo, você procura por um pano de
fundo. Mas linguagem não funciona assim.
Não funciona assim. Eu vou te dar um
exemplo. Romano, eh, João 11, no
princípio era o verbo logos, um texto
muito importante. Qual é o pano de fundo
de logos? Uns brigam dizendo que a
filosofia é grega e vão explicar porquê.
Legal, faz sentido. Outros dizem: "Não,
não, não, não, não, não". É a literatura
judaica com a sua ideia de palavra ativa
de Deus. faz muito sentido. Por que não
as duas coisas?
Você acha que quando alguém que conhecia
tanto a filosofia grega quanto o Antigo
Testamento, a literatura judaica,
ouvisse João 11, ele não iria associar
com as duas coisas? É claro que iria.
Como que ele vai entender o que é que
João quer dizer? através do que o João
faz com o conceito no seu próprio texto.
Por isso aqui, mais uma dica
importantíssima para estudiosos da
Bíblia, contexto é rei.
Não é uma palavra isolada que te vai dar
o sentido da palavra para nenhuma
palavra contém um sentido dela em si
sozinha e isolada. É o contexto que vai
te dar o sentido da palavra. Então leia
o contexto e entenda. Mas o pano de
fundo, os dois vem à mente daquele que
conhece os dois contextos. OK? Chegando
ao final agora,
o que é que, onde que eu me coloco nisso
tudo aqui? A primeira coisa das últimas
duas que eu vou falar é que Paulo faz
uma reconfiguração da metáfora como um
bom orador e pregador e escritor que ele
era. Genial, genial. Ele reconfigura a
coisa. O que que ele faz? Eu vou ler
para você. Antes de esboçar os contornos
da mensagem paulina de reconciliação,
nós precisamos pensar a a apresentar, eu
quero apresentar para você a minha
teoria. para origem e desenvolvimento do
conceito em Paulo. Isso eu extraí de um
capítulo desse livro novo. A luz do
exposto acima eu proponho o seguinte: na
experiência de Damasco, Paulo tem um
encontro com o Messias ressurreto.
A percepção de que Jesus Cristo morto e
ressuscitado era realmente o Messias
prometido. A revelação de Jesus Cristo
compele Paulo a fazer uma
reinterpretação radical das Escrituras
do Antigo Testamento, através da qual
ele passa a identificar o cumprimento
das profecias isaiânicas, especialmente
profecias isaiânicas a respeito da
restauração do povo, sobretudo os
elementos relacionados à restauração,
nova criação e paz escatológicas
associados com a obra vicária do servo
sofredor de Yahé, com a obra de Cristo
na cruz.
Mas nós precisamos de uma palavra para
transmitir tudo isso. Que é que Paulo
faz? Para dar a expressão linguística a
esse aspecto de sua teologia, Paulo
emprega uma metáfora greco-romana,
amplamente conhecida na época mediante o
grupo de palavras catalaço. A associação
do lexema grego com o conceito isaiânico
e com a obra de Cristo na cruz foi
facilitada pela teologia do martírio dos
Macabeus, que constitui um marco
histórico e conceitual entre Isaías 53 e
o Novo Testamento. Essa é uma teoria
nova, pastor, que ninguém se importa,
mas essa é nova. Não vai pegar, mas essa
é, essa é minha. Eh, no que diz respeito
ao desenvolvimento da noção de expiação
mediante a morte sacrificial de um
indivíduo em favor de outros. Então, eu
diria para você, trocando em miúdos, que
as categorias principais da teologia de
Paulo, todas elas vêm do Antigo
Testamento, OK? De lá. E o que é que ele
faz? Ele contextualiza essa mensagem
através de ah mensagens, metáforas,
estruturas da sua época. Ele, em outras
palavras, contextualiza
a mensagem. Contextualizar não é
negociar o conteúdo, é tornar o conteúdo
compreensível.
Excelente escritor e pregador. Pegava
coisas que todo mundo conhecia. Vocês
sabem o que é reconciliação, não sabem?
Vocês leem, vocês sabem o que é que um
exército faz. Eu vou te falar para você
o que é que Jesus fez por nós na cruz. E
agora eu vou falar como é que Paulo
reconfigura a coisa pra gente encerrar.
Ele faz o seguinte como bom orador. Ele
faz isso com todas as suas metáforas.
Quando nós usamos uma metáfora em uma
linguagem, nós despertamos na mente de
quem escuta um cenário. É assim que
funciona a nossa mente, tá? Em vários
aspectos. A linguística cognitiva tem
tornado isso de modo claro pra gente,
tem estudado isso há 40 anos, tá?
fantástica, precisa dar uma olhadinha em
metáfora conceitual na na linguística
cognitiva. Por exemplo, quando Paulo
fala aos Coríntios que Cristo Jesus é o
nosso cordeiro pascal,
o judeu que escuta aquilo, ele sabe
exatamente o que Paulo quer dizer,
porque ele entende o cenário original de
Êxodo, que tinha um cordeiro pascal,
lembram? E aí ele vê como Paulo aplica
isso a Jesus, sem falar muita mais,
muito mais sobre o que é que ele quer
dizer, Paulo faz a sua metáfora
compreensível, porque o nosso cérebro
associa com um cenário que nós já
conhecemos. Dá para entender o que eu tô
dizendo? Então, a metáfora está aqui no
ponto B. Ela extrai a sua força de um
campo semântico ou de um cenário no
campo A, aplicando a outro contexto. Eu
tirei um cordeiro pascal daqui e
apresentei, eu apliquei, impus num outro
cenário para um homem, Jesus, morrendo
na cruz por seres humanos. OK? Eu falei
para você que os Macabeus entenderam o
seguinte, que o sangue dos mártires
havia reconciliado Deus
com o povo. Howard Marshall, que foi um
gigante eh da dos estudos do Novo
Testamento lá na Escócia, ele escreveu
um artigo muito bom sobre reconciliação
bastante tempo atrás, onde ele teve um
insight. Ele disse: "Olha, eu imagino
que Paulo foi o primeiro a usar a
palavra reconciliação do modo como ele
usou.
Stanley Porza, recente, não tão
recentemente, mas um acadêmico mais
ainda vivo, ele resolveu pegar aquele
insite de Howard Marshall e conferir.
Deixa eu deixa eu fazer a pesquisa
agora. Ele foi lá no eh no nos programas
que a gente usa para fazer a busca e ele
analisou todas as ocorrências da palavra
grega, substantivo, verbo, etc., em
todos os textos gregos que nós temos
disponíveis online. Nós temos tudo isso
online. Você põe lá, escreve, dá um
enter, aparece lá. Depois você tem que
ler um por um,
né? Não é chato GPT, não. Você tem que
ler um por um e pensar. Eh, pensar dói,
mas ainda é importante. Eh, e ele fez
isso e ele e ele confirmou que Howard
Mar estava certo. O que é que Paulo fez?
Ele falou o seguinte: "Olha, nós somos
nesse cenário inimigos de Deus.
E enquanto os Macabeus entenderam que um
sangue dos mártires reconciliou Deus
consigo mesmo, Paulo falou o seguinte:
"Olha, gente, Deus estava em Cristo. O
que aconteceu na cruz foi um ato de
reconciliação. O do primeiro século
falava o seguinte: "Eu sei o que que é
isso. Eu sei porque no mundo
greco-romano funcionava da seguinte
maneira. Se eu ofendi o Jonas, meu
exército, ofendeu o exército do general
Jonas ali, eu sou o ofensor. Eu quero
reconciliar
o esperado, a expectativa
da sociedade da época é que eu, o
ofensor, tome a iniciativa de enviar uma
embaixada de paz.
Tão entendendo o que eu tô dizendo? Se a
cidade A ofendeu cidade B, cidade A tem
que mandar alguém na B. A B tem que
ficar só esperando. Ela não tem
obrigação de buscar paz com ninguém,
porque ela foi ofendido.
Em todos os textos que Stanley Pottera
leu sobre reconciliação antes de Paulo,
em todos os cenários de reconciliação
bilateral, dessa forma, era sempre o
ofensor,
que era o sujeito do verbo reconciliar,
e o ofendido, o objeto direto do verbo
reconciliar. Paulo foi o primeiro
escritor na história da humanidade, da
língua grega, a usar o verbo reconciliar
com a parte ofendida
como sujeito do verbo.
O que Paulo tava dizendo pro se isso era
chocante pros ouvintes, porque era novo,
especialmente vindo da divindade.
Porque Paulo está dizendo, os Macabeus
não entenderam o ponto certo de Isaías.
O servo sofredor de Isaías foi enviado
por Deus para redimir e salvar um povo
que era culpado diante de Deus de ser
infiel à aliança. Deus não era, Deus não
foi infiel, Deus não quebrou nada. Foi o
povo. Mas Deus tomou a iniciativa de
resgatar. Paulo tá dizendo, nenhum
pecador tem condições
de reconciliar um Deus virado consigo
mesmo.
Pela primeira vez na história, nós vemos
que alguém ofendido inicia a
reconciliação. Paulo tá dizendo: "Foi
Deus quem tomou a iniciativa de vir em
direção aos seus inimigos e reconciliar
inimigos consigo mesmo."
Isso é revolucionário no primeiro
século.
Isso é o que um bom orador faz. E aí nós
entendemos o que Paulo quer dizer por
reconciliar.
A metáfora é conhecida. E isso foi
importante para Paulo. Por quê? Porque
ele despertou a atenção de todo mundo.
Mas ele ele sa ele subverte as
expectativas da dos seus da sua
audiência e choca a audiência e torna
memorável.
Há uma coisa, uma coisa comum
em a todas as metáforasológicas do Novo
Testamento. Uma coisa só, bom, talvez
outras, mas uma coisa fundamental
é que a iniciativa é sempre de Deus.
Paulo chama isso de quê? Graça.
Redenção, ele toma a iniciativa de
redimir. Salvação, ele toma a iniciativa
de salvar. reconciliação. Ele
reconcilia, ele justifica, ele adota.
Nós somos inimigos separados, rebeldes,
que se não for transformado pela graça
de Deus, não consegue sequer erguer a
mão para receber a oferta de salvação.
A reconciliação, então, refere-se à
restauração da comunhão da humanidade
com Deus. Envolve a humanidade
reconciliada com o Senhor e nunca o
contrário. Sempre Deus é o iniciador.
A humanidade só contribui com a sua
disposição mediante a graça que o
desperta para isso. O estado do qual nós
somos libertados é inimizade ou
estranhamento. Nós vamos ver isso mais
amanhã. E esse ato de reconciliação é
realizado através de Cristo e do poder
de sua morte. E aí eu vou deixar com
esse último ponto. A reconciliação tem
duas dinâmicas importantes, tanto no
argumento do meu livro como nessas
palestras. Uma dimensão vertical,
Deus nos reconcilia consigo mesmo, e uma
dimensão horizontal.
Aqueles que são reconciliados com Deus
são enxertados em um só corpo e vivem
como uma comunidade de reconciliados que
promove a reconciliação.
Vamos orar.
Senhor Deus, muito obrigado por esse
tempo pensando sobre a tua palavra e
obrigado, Pai, pela grande reconciliação
que nós recebemos em Cristo Jesus.
Inimigos rebeldes,
estranhos,
mas achados por tua graça em Cristo. Nós
te rendemos louvores por ele, Pai, hoje
e sempre. Amém. Yeah.

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