Discipulado Radical (Palestra 3/3) Jonas Madureira.
09/02/2026
Discipulado Radical (Palestra 3/3) Jonas Madureira.
Pregações em Áudio, Vídeo e Texto + CURSO de TEOLOGIA ONLINE:
www.spurgeonline.com.br
(WhatsApp 85-8658-8274)
Fonte: Escola Charles Spurgeon
Legendas automáticas:
Vamos então paraa nossa terceira e última palestra que tem como título discipulado radical, não é? As duas primeiras palestras foram palestras eh de eh estabelecimento do significado das palavras radical e discipulado, para que a gente pudesse na última palestra entender a proposta do discipulado radical. A primeira palestra foi importante para nos colocar no universo semântico da palavra radical, não é? radical, portanto, aqui não significa uma pessoa intransigente, não tem a ver com beligerância, eh eh algo belicoso, não é? Não tem a ver com eh uma postura mais negativa e e radicalmente fechada, né? Por outro lado, também não tem a ver o radical aqui com aquilo que é extraordinário como uma performance em algum esporte, né? Não tem a ver nem com intransigência, nem com algo extraordinário, porque não é algo intransigente e tampouco algo extraordinário. É algo ordinário, corriqueiro, do cotidiano. Então, de onde vem o sentido de radical aplicado ao discipulado radical do latim? Que lembra que a origem da palavra radical vem de radic, que significa raiz, chamando atenção para o fato de que este discipulado, ele é um trabalho sobre a raiz da existência humana, o eu. Então, onde o discipulado vai trabalhar? No eu, vimos que definir o eu não é algo tão simples assim. A primeira palestra foi mais para colocar questões do que dar respostas. As pessoas não conseguem hoje dar respostas muito claras sobre o que é o eu. Mesmo do ponto de vista da ciência, é muito difícil dizer o que é o eu. Nunca me esqueço de uma turma de psicologia que tive oportunidade de lecionar lá no Mackenzie e eram todos eles estudantes de psicologia. E como o meu mestrado foi sobre a história da psicologia no contexto da filosofia e toda a influência do nascimento da psicologia como ciência, e o meu tema era justamente um tema que envolvia a história da psicologia, eu comecei a a meu primeiro encontro, minha primeira aula com eles assim: "Mas escuta, por que que vocês estudam psicologia se vocês não acreditam mais na alma? A alma existe? Que peso tem a alma? Que cheiro tem a alma? Quanto mede uma alma? O que que é isso que se chama alma do qual o curso psicologia herdou o nome? O que que é psé? Onde tá a alma? Abre uma pessoa da cabeça, planta dos pés e me diga onde tá esse negócio chamado alma. Alguns, obviamente mais escandalizados diam assim: "Ué, eu nunca pensei nisso." Os outros jamais estudados assim: "Não é isso mesmo. Nunca existiu alma. Nós somos resultado de sinapses. Não existe uma coisa chamada alma. Somos um sistema nervoso que a partir de comandos cerebrais estabelecidos pela união com o mundo que nós vivemos constrói essa coisa que nós achamos que é um ser espiritual quando na verdade são apenas estímulos eh neurotransmissores das nossas chamadas afeições. Ser uma pessoa muito infeliz para acreditar que a alma é uma descarga elétrica. Mas ao mesmo tempo isso coloca um problema. Porque se por um lado nós acreditamos que há uma coisa chamada alma, como a gente consegue provar a existência da alma? Alguém aqui já conseguiu provar a existência da alma? Talvez provar a existência da alma seja tão difícil demonstrar a existência de Deus, não é? Então, a alma parece ser um um daqueles temas metafísicos que a modernidade tem horror. Entretanto, vimos o quanto é difícil considerar, sobretudo no plano da modernidade, esse ente que nós chamamos de alma, porque não é um ser dado, como vimos Div dizer. A alma não está dada como é como são dados os fenômenos físicos. A gente pode analisar os fenômenos físicos e a adação desses fenômenos físicos pela repetição. Eles vão acontecendo várias vezes no tempo e no espaço e vamos descrevendo a partir do seu comportamento e as variantes de todas as repetições da experiência para dali por um processo indutivo chegar a conclusões teóricas sobre o que é este fenômeno que nós julgamos ser a alma. Mas vimos que é muito difícil, difícil descrever o que é alma, dizer o que é alma. Por isso é muito difícil também dizer quem eu sou. Então, se o discipulado trabalha com a raiz da existência humana, com o que o discipulado trabalha com o problema do nosso eu, da nossa existência. Porque é isso que tem que saltar os seus olhos hoje. Como uma coisa que a gente tem dificuldade de provar sua existência pode ser tão central em nossa vida? Você nem consegue ter tanta certeza e segurança científica, empírica do seu eu. No entanto, ele domina a sua vida e te torna uma pessoa extremamente esquisita. Nunca pensou nisso? Tem um livro do Keller muito bacana que é o resultado de um sermão dele. Eu fui voto vencido na época que era editor e eu queria que fosse mantido o título original que era o autoesquecimento. Ele estava trabalhando o autoesquecimento e não o ego transformado. Alguns de vocês devem ter lido este livreto. Ego transformado. Odeio esse título, tá? Já tô dizendo logo de cara, porque não é o título que o Keller deu para esse livro, simplesmente por isso, já começa por aí. Segundo, porque o título que ele dá é muito mais interessante, vai descrever o teor, que não é só o ego transformado, é o autoesquecimento. Um dos exemplos mais bonitos desse sermão é a de que é a comparação que ele estabelece entre essa coisa que nós chamamos self, o centro da existência humana, a raiz da existência humana, com o dedão do pé. Lembra esse esse comentário? Já viu o dedão do pé? Pessoas que adoram dedão do pé. Nunca viu dedomania? Aí o sujeito olha pro dedo dele, diz assim: "Uau, meu dedo, gente, que coisa mais linda que é meu dedo. Observem meu dedo. Como vocês não podem olhar pro meu dedo? O assunto da minha vida é meu dedo. Eu passo o dia inteiro pensando mil maneiras em como fazer meu dedo feliz. Por isso eu cuido, olho para ele, quando pisam no meu dedo, ah, eu quero matar porque, claro, toda a minha vida está nesse dedão e o cara vem pisa no meu dedão. Não pode. O dedão tem que ser amado, idolatrado. Salve, salve. Por favor, traga um ar condicionado porque o meu dedão está passando calor. Não tá muito frio. Traz agora um cobertor. Meu dedão é muito exigente. Você já viu meu dedão? Quer conhecer meu dedão? Não. Você acharia uma pessoa estranha que tratasse assim o seu dedo e dissesse ainda assim: "As pessoas mais felizes da minha vida, os meus melhores amigos, são aqueles que não tiram os olhos do meu dedão? Ah, como eu sou feliz com os meus amigos que também amam meu dedão. Nossa, quando descubro alguém que sonha com meu dedão, ah, ganhei o amigo pra vida toda. E quando eu chego em casa e aí eu olho para meu cônjuge, a primeira coisa que ele pergunta é: "E aí, seu dedão, como ele tá?" Tá bem, tá ótimo. Ah, eu fico feliz porque nada mais importa do que o meu dedão. Deus me livre esquecer o meu dedão. Você não acharia estranho uma pessoa assim? Acharia ou não? >> Mas você não acha estranho uma pessoa egocêntrica? Você não se acha estranho quando você vive em função do seu próprio eu, quando tudo nessa vida só importa? Se o seu eu for a referência, é estranho uma pessoa que faz do seu ego a coisa mais importante desse mundo. E por não seria também estranho quando o único pronome que nos interessa é o pronome conjugado sempre na primeira pessoa? Eu eu eu fiz isso, eu fiz aquilo, eu faço, eu aconteço, eu sou assim mesmo, desbocado. Se tiver que falar, eu falo na cara. Gostou? Não gostou, problema é seu. E seu rima com eu, né? Então, a maior dificuldade de alguém que descobre que o eu é um grande mistério é depois tentar justificar como este ser, que eu não consigo nem observar sua existência, pode ser tão central em minha vida a ponto de eu não esquecê-lo em nenhum momento e tentar 24 horas do meu tempo pensando 1000 maneiras de como fazer este ego mais feliz. Então o discipulado vai tocar nisso, nesse ser que nós não temos segurança de sua existência, segurança epistêmica de sua existência do ponto de vista empírico, mas que ao mesmo tempo é o primeiro item lembrado quando nós abrimos os nossos olhos e quando fechamos os nossos olhos antes de dormir, de pegar no sono. Então o que que o discipulado vai tocar? no dedão, quer dizer, no seu eu, vai mexer no seu eu, vai tratar o seu eu. Se e somente ser o discipulado não for conteudista. Por isso, precisamos na segunda palestra nos debruçar sobre o sentido de discipulado. Primeiro lugar, desconstruindo. Eu não gosto muito de usar essa palavra porque ela tá desgastada, mas de alguma forma corrigindo as rotas de uma perspectiva de discipulado que era muito redutora, porque nos apresentava o discipulado apenas conteudisticamente como uma série de informações que precisamos entender e ponto. Completamente desconectada das implicações egocêntricas. das implicações do tratamento do ego, por uma razão muito simples. Todo discipulado conteudista vai tirar de você o único problema do seu eu. Não é o diácono da sua igreja, não é sua sogra, mas é o Nazareno, aquele que não julgou por usurpação ser igual a Deus. antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma humana, na forma de servo. Cristo Jesus é a farpa no teu ego. E isso só acontece se o discipulado não for conteúdos sobre a vida cristã, mas for centrado unicamente na reflexão que nos leva a seguir Jesus, que nos move pensamento à ação. Por isso que Paulo é tão importante pra gente, como a gente viu o Diego explanar de uma maneira muito contundente. As cartas paulinas são reflexo desse movimento que de um lado apresenta os indicativos do evangelho, mas na sequência mostra as implicações imperativas na vida prática daquele que imita Jesus, que não pode só entender o que é Jesus, mas tem de viver como Jesus. Não nos termos que construímos o imaginário do Jesus, que faria mais sentido para o nosso ego que não gostaria de encontrar um rival. Nosso ego quer fabricar um Jesus, porque o Jesus verdadeiro vai ser uma farpa no ego. Queremos um Jesus suave, tranquilo, sereno, atencioso, domesticado, que diz sim para nosso ego o tempo todo, que não mexe com as nossas resistências. que não mexe com as nossas vaidades e orgulhos, que deixa a parte sombria desse ego que nós carregamos sem saber da sua existência, não só pesado, mas lento. Então, o discipulado vai mexer porque ele ele ele precisa ser mais do que informações sobre Jesus. Tem de ser um ato. Então vamos dizer todos a uma só voz. discipulado. >> Discipulado >> é >> um ato. >> Um ato. >> Pronto. Não é pensamento. Não é pensamento. É ato. E é um ato que decorre da conversão que resulta do impacto da palavra de Deus no ego. Aquilo que Agostinho chamou de a ferida da palavra no coração. Ee-me o coração com a tua palavra. Desde então te amei. Ferida. É a farpa no ego. Quem faz essa farpa? Cristo e a sua palavra. A palavra de Cristo é a farpa no nosso ego. Por isso que a gente quer um Cristo sem palavra, um Cristo sem leitura bíblica, um Cristo com musiquinhas, um Cristo com dancinhas, um Cristo com fumacinhas, um Cristo com estéticas mirabolantes, todas essas outras coisas que são, veja, da ordem da criação de Deus e das belezas da alegria e da festa que pessoas podem fazer diante do Senhor viram palha se o ego não for ferido pela palavra. Um Cristo sem a palavra é um falso Cristo. Ninguém vai conhecer Jesus sem a palavra. Qualquer Cristo que você conhecer, que não seja mediado pela palavra, será um falso Cristo. Será apenas uma versão piorada do seu ego. Jesus que não decorre da palavra, não fere ninguém, mas tampouco salva, tampouco perdoa, tampouco restaura. Então, a farpa do ato de seguir a Jesus provoca naquele que é ferido por Jesus uma libertação. Que libertação é esta? da autorreferência, do sujeito pensar e processar a vida sempre a partir de si mesmo como referência. Narciso, ele não é apaixonado pelo rio, ele é apaixonado por si mesmo, mas ele precisa do rio, porque o rio é o espelho dele mesmo. Todo mundo que estuda a história de Narciso lembra sempre de Narciso e esquece de eco. Já ouviram falar de eco? E é a contrapartida de Narciso. Os dois estão convivendo. Só que Narciso o que acontece? acha feio tudo que não é espelho. Então, se ele não pode se ver, não interessa para ele. Se a referência não é ele, o assunto não interessa. Se a conversa na roda de amigos não for algo que aconteceu com ele, com ela, não interessa. Por isso, Narciso, quando chega numa roda de conversa e vê que o assunto é outro, Narciso precisa falar de si mesmo. Narciso precisa contar sua própria história. Narciso está ouvindo uma pessoa amiga de longa data abrir o coração e dizer: "Eu estou passando por uma dificuldade, aconteceu isso, isso, isso, isso, isso, isso, isso." Não dá 2 minutos narciso é amigo comigo também foi assim. A minha história é essa, blá blá blá blá blá blá. Narciso não consegue ouvir a história do outro e dizer: "Eu tô aqui para te ouvir." Narciso precisa falar de si mesmo. Narciso não consegue ouvir o outro e oferecer Jesus. Ele tem que oferecer depois de ouvir o outro a si mesmo, sua própria experiência. Olha, comigo também é assim. Olha, aconteceu comigo hoje algo tão incri a gente aumenta toda a nossa história, porque o nosso ego precisa de alguma forma se fincar nas nossas relações é autorreferentes. Eco é o contrário. Eco sofre do movimento contrário de Narciso. Ela também é uma deformação da da alma humana. Porque eco, ela não consegue olhar para si mesmo. Ela se esquece de si de uma tal maneira que ela não consegue olhar para si nenhum momento. Ela vive atrás de Narciso, se entrega para Narciso. Narciso não está nem aí para ela. Narciso humilha. Narciso espizinha. Niso humilha de todas as formas. Mas Zeco não tem amor próprio, não tem absolutamente nada a não ser o amor que ela tem porciso que faz ela esquecer de si de uma tal maneira que nem mais orgulho próprio ela tem. Narciso faz ela de gato e sapato, mas não porque ela tenha esquecido de si mesmo por amor a Jesus, mas porque ela é tão viciada em alguém, tão viciada em alguém. que ela não percebeu, que ela sofre também de uma egolatria que é a pior de todas as egolatrias. Quando você adora o eu do outro e o eu, mais uma vez, não o seu próprio eu, mas o eu de um outro se torna o senhor de sua vida e você entrega a sua vida para este outro eu. Um pai que olha para você e diz assim: "Ó, seu bisavô foi missionário, seu avô foi missionário. Você vai ser missionário porque eu também sou missionário. Filho de missionário, missionáriozinho. É. Daí você pensa o advogado, pensa ao médico, pensa a todas as profissões e o outro sempre recebendo os nossos sacrifícios. Niso e eco tem problemas gravíssimos com eu e eles só podem ser transformados se o eu for ferido pela palavra de Jesus. Por isso que o discipulado autêntico é um ato de seguir a Jesus. Seguir a Jesus só é possível quando feridos pela palavra, nós dizemos: "Puxa vida, a palavra feriu meu coração e eu tenho que tomar uma decisão. Sigo a Jesus ou não sigo a Jesus?" Por incrível que pareça, quando você toma a decisão de seguir a Jesus, o ato que é o primeiro passo é negativo. O primeiro passo para seguir a Jesus é uma negação. Negue-se como >> a si mesmo e siga-me. Seguir a Jesus exige o primeiro passo de um coração ferido por Jesus. A autonegação, o autoesquecimento. É fácil. É fácil, irmãos? Não, porque hoje você pode negar, mas amanhã você tá lá banando o seu dedão. Oh, meu dedãozinho, traz o ventilador pro meu dedão aqui. Ah, meu dedão, né? dia seguinte você tá lá de novo. Então o que que a gente precisa além de seguir a Jesus? Que outras pessoas nos ajudem a seguir a Jesus nos termos de Jesus. Então vamos agora pra definição discipulado. Todos juntos depois de mim. Discipulado. >> Discipulado >> é o ato de seguir a Jesus. >> É o ato de seguir a Jesus. e de ajudar outras pessoas a seguirem a Jesus. >> de ajudar outras pessoas a seguirem a Jesus. >> Nos termos de Jesus. >> Pronto. Fale isso 40 vezes por dia quando você acordar até isso incorporar na sua vida e você sair de casa. Discipulado é o ato de seguir a Jesus nos termos de Jesus e ajudar outras pessoas a seguirem a Jesus nos termos de Jesus. Discipulado é seguir a Jesus nos termos de Jesus. e ajudar pessoas a seguirem a Jesus. Nos termos de Jesus, você vai precisar seguir a Jesus e vai precisar ajudar pessoas a seguirem a Jesus. Ninguém, a não ser aqueles que têm um coração ferido pela palavra de Jesus, pode ajudar pessoas a seguirem a Jesus. Só corações feridos ajudam outros corações feridos a seguirem a Jesus. Corações feridos são os corações salvos. Não existe salvação sem um coração ferido pela palavra de Deus. Isso é discipulado. Então, temos um discipulado radical, um discipulado que é um ato de seguir a Jesus e ajudar outros a seguirem a Jesus nos termos de Jesus, a fim de tratar o nosso ego. O ego tem de ser tratado. Jonas, eu precisava ouvir isso porque o discipulado que eu fiz com o meu discipulador, meu discipulador, o meu discipulando, não é conteúdo, não é sobre conteúdo. O último encontro, meu discipulado, Jonas, a gente estava falando sobre um compartilhamento. Compartilhamos as nossas lutas. E houve confissão de ego, trabalhou o ego, teve sujeito dizendo: "Olha, essa semana foi difícil, não tô conseguindo assumir que eu tô com inveja da minha esposa só porque ela ganha mais do que eu." Posso tocar mais um pouquinho? Essa semana foi difícil. Porque eu tava com raiva de fulano, mas ele tinha razão. Desde o início eu sabia que ele tinha razão, mas ele fez isso na frente dos meus irmãos. Como assim questionar a minha inteligência na frente dos meus irmãos? Então eu bati de frente, até menti, falei o que não devia, aumentei, acrescentei palavras no meu discurso só porque eu não queria passar por alguém que ignorava o assunto e que estava sendo corrigido. Já parou para imaginar que talvez a maior parte dos nossos discipulados são mentiras? Discursos mentirosos que mais do que revelar ocultam a superf na superfície do discurso todas as reais intenções do coração, os reais desejos do coração. Portanto, o discipulado não pode ser um movimento de discurso em que as pessoas todas estão defendidas, crente defendido um com o outro. Eh, vai, se eu abrir meu coração aqui, o sujeito vai botar a boca no trombone e não posso, é minha reputação. É por isso que a gente vive assim, né? Todo mundo comete os pecados, etc. E só há arrependimento, confissão de fé quando descobre. A gente não consegue fazer o movimento anterior. A gente não é treinado para abrir o coração e para revelar o que todo mundo sabe, que nosso coração é um coração enganoso, desesperadamente corrupto. Quem o conhecerá? Você. Sério, você é a única pessoa que dorme com você mesmo, mas ao mesmo tempo ignora quem você realmente é. Se você que dorme com você mesmo, ignora quem você é, imagine as pessoas que te conhecem. Mas existe alguém que antes da fundação do mundo já te conhecia e nenhum dos seus discursos, das suas orações escamoteadoras da realidade do seu coração pode ocultar. Ele sabe tudo. Até quando oramos uma mentira, ele tá assim: "Você vai continuar com essa oração desgraçada?" ser desgraçado. Até quando você vai começar a oração e Deus vem de novo um sujeito. Ó Senhor Deus e Pai, o Senhor é o Senhor de toda a criação. Mas e a submissão à palavra de Deus? É fácil você orar e dizer o Senhor. A coisa mais difícil do mundo é você se submeter ao sim de Deus. Portanto, o discipulado vai mexer onde? No que você não conhece e acha que conhece. Você acha que você domina o seu próprio eu. Não é assim que a gente diz? Você não me conhece. Quando a pessoa fala uma verdade que dói, pum, veio aqui. E aí você olha bem com aquela raiva, que ele olha assim, você não sabe com quem você tá falando, você não me conhece. Em geral a gente fica assim, né, colérico. É. A gente acha que a gente sabe quem nós somos. Até o dia que a gente descobre que só quem sabe o verdadeiro eu que somos é o Senhor, criador dos céus e da terra. E ele não quer que você negue o verdadeiro eu. O verdadeiro eu não é para ser negado, porque ele está em Jesus. O que tem de ser negado é o eu que não está em Jesus, o falso eu, o que é ferido pela palavra, para que o verdadeiro eu possa olhar para Jesus, somente para Jesus, e nunca mais ser seduzido pelo maldito dedão do pé. Discipulado radical, então, é seguir a Jesus nos termos de Jesus, a fim de ajudar outras pessoas a seguirem a Jesus nos termos de Jesus. Mas isso, como nós terminamos ontem, não seria comprometer a nossa autenticidade? Ora, se eu vou me tornar um outro que não sou eu mesmo, não perdi então a minha autenticidade e a minha originalidade. Eu não posso me tornar uma outra pessoa. Jesus me fez assim, ó, minha identidade. Eu sou assim. Como assim? Vou me tornar um outro, um outro ser. Daí a gente precisa perceber que o eu que se converte a Jesus é um eu que dirige o seu discurso como uma flecha a Jesus. E aí eu trouxe para vocês do rendout duas orações de dois grandes pensadores, um Agostinho e outro Rousseau. Certo? Os dois escreveram uma obra chamada confissões. Vamos ver como o ego aparece nas orações. Observe o que Agostinho diz. Que eu te conheça, ó conhecedor de mim. Que eu te conheça tal como eu sou conhecido por ti. Ó virtude da minha alma, entra nela e molda a ti. Perceba a modelação. Entre em minha alma e modela a minha alma a ti. Percebe isso? Para que a tenhas e a possuas sem mancha nem ruga. É como se o nosso ego fosse de elástico. Não é Deus que se apequena para caber no seu ego. É o seu ego que você coloca ele deste tamanhão, que é deste tamanhinho diante do Senhor. E a ferida que Deus faz neste ego é a presença de um Deus que não pode habitar o ego sem esticar, esticar, esticar, esticar, esticar. para que este ego e não Deus, o ego se acomode a Deus. Não é Deus que se acomoda um ego, não é Deus que se apequena para caber dentro de um ego, mas é um Deus que estica, dilata a alma para que a alma receba Deus. Quem tem de ser transformado para ter comunhão com Deus não é Deus, é você. É seu ego que precisa ser transformado para receber o Senhor. Então, Agostinho diz: "Esta é a minha esperança, por isso falo e nessa esperança me alegro quando experimento uma sã recentes coisas desta vida, tanto menos se devem chorar quanto mais por causa dela se chora." E tanto mais se devem chorar quanto menos por causa dela se chora. Tente entender isso aí. Mas tu amaste a verdade, porque aquele que a põe em prática alcança a luz. Também a quero pôr em prática no meu coração diante de ti. Não é coran deu, né? Na minha confissão e coran ómnibus diante dos homens, das muitas testemunhas, onde? Nos meus escritos. Isso é gostinho. Percebe o ego dele? O ego dele todo está assim. Que eu te conheça, ó conhecedor de mim. Se tem alguém que tem de ser mudado, se tem alguém que tem de ser transformado, se tem alguém que tem que descobrir um verdadeiro eu, este alguém sou eu. Quem tem que sofrer mudança é o ego nas mãos de um Deus que não vai permitir, no encontro com um homem que o homem permaneça do mesmo jeito. Você não pode andar com Jesus Cristo e não ser transformado por ele. Jesus não vai permitir que você siga ele e permaneça o mesmo. Não vai. Em contrapartida, Russa diz assim: "Eu só". Pronto, é assim que começa o discurso dele. Eu só sinto meu coração e conheço os homens. Não sou feito como nenhum dos que já vi. Olha, não sou igual a ninguém. Sou eu original e eu ouso crer que não sou feito como nenhum dos que existem. ia ser de ouro. Se eu não sou melhor, eu sou pelo menos diferente. É um diferenciado. Só depois de me haver lido, ó, que coisa impressionante é que poderá alguém julgar se a natureza fez bem ou mal em quebrar a forma em que me moldou. Uau! Soe quando quiser a trombeta do juízo final. Eu virei com este livro nas mãos comparecer diante do soberano juiz. Eu direi: Altivo! Eis o que eu fiz, o que eu pensei, o que eu fui. Eu não vou dizer para você o que eu pensei, mas espero que os mais, os não tanto religiosos assim possam perceber o que eu pensei, porque nada que a gente possa oferecer vale mais do que o nosso próprio esterco. O que nós poderíamos oferecer ao Senhor? que pudesse ser tão extraordinário. Então, o discipulado radical vai tocar nesse ponto. Percebe isso? E quando a gente percebe a mudança do nosso ego, onde é que tá a mudança? Onde é que você começa a perceber as primeiras mudanças de que Deus tá atrapalhando o seu ego e que o discipulado, que é o ato de seguir a Jesus e ser ajudado a seguir Jesus nos termos de Jesus, está surtindo efeito na sua vida? Quando é que você percebe isso? Quando você ora. Faça o que eu fiz agora. A gente observou Agostinho, observou Russult. Observe suas orações. Se suas orações revelam quem você é, elas não revelam absolutamente nada seguro sobre quem Deus é. Suas orações não vão dizer com segurança que a gente precisa quem Deus é. Elas podem revelar o contrário, com muita segurança, quem você é. Porque a oração revela quem nós somos, mas a palavra revela sempre quem Deus é. E ao revelar quem Deus é, ela também revela quem nós somos. Por isso a gente só troca o espelho pela janela quando o espelho verdadeiro, não as margens de um rio, não o espelho que você estabeleceu segundo os seus termos que descreve quem você é. Mas quando os seus reflexo, o seu estanho, não é o estanho dos olhos de alguém ou de um mar ou de um rio, mas quando esse estanho é o estanho do próprio Deus, os olhos de Deus. E os olhos de Deus são a sua palavra. Eu sempre me encanto com um salmo que diz: "Sonda o meu coração". Que que extraordinário isso, né? Toda vez que olho para esse salmo, eu fico num constrangimento absurdo, porque eu às vezes eu olho pro salmista di assim: "Rapaz, você tem um, né? Porque o sujeito para dizer: "Olha o meu coração, senhor". Não é? A gente diria assim: "Pa, não tenho nada de bom para olhar aqui". E e aí a gente descobre que é isso que tá acontecendo. O salmista não tá dizendo: "Olha pro meu coração porque olha, eu vou te surpreender. Senhor, o senhor nunca viu o que o senhor vai ver agora. Sa, o senhor vai encontrar algo extraordinário, pá! Não, meus irmãos, Deus não vai olhar assim pro seu coração assim. Uau, que coração! Eu nunca vi um ego deste tamanho. Você não vai ver Deus escandalizado, nem admirado pelo seu ego. E o salmista sabe disso. Então, por que carg d'água? Ele disse: "Sonda-me, porque sonda-me o meu coração não está falando sobre uma ignorância de Deus, sobre quem nós somos. O salmista sabe, ele mesmo diz: "Antes que fosse formado e entretecido no seio de minha mãe, o Senhor já me conhecia". Então, nós estamos falando de um ser que ignora e que precisa olhar pro nosso ego para dizer: "Ah, agora eu sei quem você é". Não, mas então por que cargas d'água? O salmista diz: "Sonda-me". Porque o sonda-me, Senhor, não fala sobre a ignorância de Deus sobre o salmista. Fala da ignorância do salmista sobre seu próprio coração e sobre aquele único momento do dia em que ele diz: "Sona do meu coração, Senhor". Ele poderia olhar nos olhos de Deus e fazer dos olhos de Deus um espelho para ver aquilo que os espelhos que ele tanto utilizou nesse mundo escondeu o seu eu entrevado sonda-me. Não é outra coisa senão, Senhor, mostra que a tua palavra diz que eu sou. Isso é sonda-me. Eu não quero saber mais o que os meus irmãos que vivem comigo dizem que eu sou. Estou cansado de saber o que as pessoas vivem me dizendo que eu devo ser ou quem eu sou. Estou cansado de ter de dizer para mim mesmo: "Eu não sou X, eu sou Y e se eu não me tornar Z, eu não serei mais nada nessa vida. Estou cansado das palavras que os homens dizem que eu sou, das palavras que eu digo sobre o meu próprio eu. Eu preciso de uma palavra maior do que as palavras dos homens. Eu preciso de uma palavra que fira de uma vez por todas o meu coração e ao ferir, diga quem eu verdadeiramente sou. Não quero mais um falso eu. Não quero mais enxergar um eu criado pelas minhas expectativas, sórdidas, tacanhas e pecaminosas. Quero o eu revelado pelas tuas palavras, pela escritura, pelo teu olhar, pela tua sondagem. Me diz, Senhor, quem eu sou? O discipulado é as mãos dadas. de crentes que se cansaram da opinião pública sobre si mesmos, que querem dormir com a opinião que mais importa em suas vidas. Não a opinião dos outros, mas a opinião de Jesus. Se os outros concordam com Jesus, melhor pros outros. A opinião que importa é aquela que vem da sondagem de Deus através da sua palavra. Quando você faz essa oração, você tem que ter muita coragem, viu, irmão? Porque Deus fala a verdade, ele não mente. É verdade que em alguns momentos ele vai usar estratégias do tipo: "Conheço as tuas obras, olha, sei que você fez isso, isso é muito bom porque você é perseverante, porque você resiste aos nicolaítas, aqueles caras que, não é, não são apóstolos, mas dizem que são e depois enganam o povo todo." Mas vocês com uma ortodoxia, ó, que doutrina fiel que vocês têm. Expulsam todos os apóstolos, falsos apóstolos da igreja de Cristo Jesus. Sou feliz porque vocês são criteriosos com a palavra. Sou feliz porque vejo as obras que vocês fazem e elas são numerosas, mas tenho, porém contra ti. Abandonaste o primeiro amor. Se você quer a sondagem de Deus, você tem de estar disposto a ouvir Deus dizer: "Eu estou contra você". Não porque nas não porque o meu movimento é ser contra você, mas é porque até agora toda a sua existência foi uma luta contra a verdade. Toda a experiência de um crente é um microcosmo do encontro de Paulo em Damasco. A caminho de Damasco. é alguém que descobre que achando que estava fazendo bem, estava perseguindo o próprio Jesus, indo contra o próprio Cristo. Não acredite nas mentiras de que seu eu ama a Jesus sem antes o próprio Jesus mostrar para você o quanto você vive contra ele. O verdadeiro sim que o ego dá para Jesus. Só aparece depois que você enxerga os milhares de não que você tem dado dia após dia a palavra de Jesus. O sim verdadeiro só aparece quando você enxerga todos os nos que você vem dando a Jesus, ao Senhor de sua vida. Por isso a palavra tem que ser uma ferida que abre teus olhos e diz: "Meu Senhor, eu tô dizendo não para o Senhor há muito tempo". As minhas mentiras t me feito acreditar que estou dando sim para o Senhor, quando na verdade estou dando sim para o meu ego. Eu estou dando sim paraas minhas vontades. Eu estou na igreja que eu quero estar. Eu estou no ministério que eu quero estar. Eu estou fazendo as coisas que eu quero fazer. Eu estou vivendo as coisas que eu gosto de fazer. Em nenhum momento eu me perguntei se o que eu estava fazendo é o que o Senhor queria. Na verdade, a gente tem até medo de dizer: "Senhor, mostra a tua vontade, porque na nossa cabeça, no nosso ego, falso ego, Deus está pensando 24 horas em 1000 maneiras de contrariar você e fazer o contrário do que você quer." Então, é melhor não saber o que Deus quer e dizer que aquilo que você quer é a vontade de Deus, é o sim deu de sua vida. Porque o sim para o seu eu, quando é um não para Deus, é o mais grave de todos os nos. Por isso o discipulado vai tratar com quê? Com as nossas negativas, com os nossos nãos. A gente não quer ter conversas difíceis, a gente não quer ter conversas dolorosas, a gente quer ter conversas superficiais para que esses pontos, estas questões não venham à tona, porque quando elas vêm, elas vêm com uma força que a gente perde o chão. Então é melhor não faz isso, porque se fizer isso eu corro o risco de converter. Não faz isso, porque se isso acontece, eu viro crente mesmo. E vai que isso acontece, eu sou transformado. Não me deixa assim, assim, tá bom? Óbvio que tô sendo irônico. É por isso que a gente precisa de ajuda. Ajuda para seguir Jesus. E aí entra o papel dos nossos irmãos. Você que segue a Jesus não vai conseguir trabalhar com seu ego sozinho. O discipulado tá aí para dizer para você, você não consegue lidar com seu ego, você e só você. Todas as tentativas de você de ser assim: "Eu vou mudar por mim mesmo", elas deram errado. Só nos momentos em que você teve confissão, a experiência da confissão, você teve a experiência de mudanças significativas em sua vida. Todas as vezes que você lutando contra seus pecados, você diz assim: "Senhor, agora eu vou conseguir. Eu não preciso abrir isso para ninguém." Você caiu mais profundamente na lama do pecado que te acedia. Mas no momento em que você confessa, você sofre a primeira experiência dolorosa, que é confessar um pecado, mas ao mesmo tempo perceber que na sua convicção o primeiro que estendeu a graça e a misericórdia a você é aquele que estava pendurado no madeiro e que morreu exatamente para que no dia da confissão você lembrasse: "Foi para isso que meu sangue sangue serviu. Não, meu sangue não serviu para tirar mal olhado. Não, eu sei que você já olhou dizendo: "O sangue de Jesus tem poder. Vai me proteger agora do assaltante? Vai me proteger agora do assassino?" Não, o sangue de Jesus não é para isso. Você tem policial para isso, você tem câmeras para isso, você tem sistema de vigilância para isso. E se isso faltar, meus irmãos, se Deus não guardar em vão trabalhar todo o nosso sistema de segurança. Portanto, o sangue de Jesus tem uma única finalidade. A gente não pode errar nesse ponto. é expiatório e nada mais. O sangue de Jesus tem de ser lembrado todas as vezes que você confessar os seus pecados, porque foi para isso que ele derramou sangue, para dizer: "Esse sangue vai te levar limpo para os céus". Isso começa com o eu que confessa. Por isso que Agostinho no meio da sua maturidade espiritual, um homem que já estava preparado pro ministério, escreve um livro de confissões para confessar seus pecados, confessar suas limitações. Descobriu que na confissão do verdadeiro eu há salvação e redenção. Então, a gente precisa de ajuda. Precisamos de ajuda para lidar com o nosso eu. Mas a gente tem um problema muito sério. Quando a igreja não é feita de imitadores de Cristo, quando a igreja não é feita de seguidores de Cristo, nós padecemos de heróis e a gente precisa de modelos. Por isso Paulo vai dizer: "Sede meus imitadores". Porque a igreja precisa de seguidores de Jesus, homens e mulheres que são santos, que andam no caminho do Senhor. Tem um livro, e essa foi uma das indicações mais poderosas que o Dr. Ched deu, diz assim: "Leia esse livro, se você quer entender sobre discipulado, esse é o livro. Pai e filho escreveram livro, chama-se Como ferro afia ferro". Já leram esse livro? Tá aí no handout. Ele diz assim: "Os pedetais estão em grande parte vazios hoje em dia. Os heróis e modelos têm desaparecido. Nunca esquecerei do garotinho que encontrei na barbearia. Ei, filho, quando você crescer, vai querer ser parecido com quem?", perguntei a ele. Ele me olhou direto nos olhos e disse: "Senhor, não achei ninguém com quem quero ser parecido. Ninguém para admirar, ninguém para imitar. A igreja precisa de gente que segue a Jesus para ser modelo e ajudar outros a seguirem a Jesus. Portanto, não adianta você falar bem do evangelho. O que eu já vi, gente, de pessoas com ideias mais incríveis sobre igreja. Você olha pro pastor, ele tem uma ideia de igreja impressionante. Incrível a ideia que ele tem de igreja, a ideia que ele tem de doutrina e a fidelidade com a qual ele defende a doutrina é uma coisa, não é, que faz até João Batista sentir inveja, certo? Mas quando você vai vê-lo na vida, na ação da igreja, quando você vê exatamente essas duas coisas, você tá diante de uma distopia. Você não consegue perceber a relação como pode a ideia ser tão incrível, mas a vida não reflete a ideia, porque essa é a nossa existência hoje. Os modernos são assim, como são os modernos? Como nós somos? Nós achamos uma ideia linda e maravilhosa. E por que que a gente precisa dessa ideia linda e maravilhosa? Porque a gente diz assim: "Eu vou morar nela." E aí a gente age no mundo como se a gente tivesse vivendo aqui, mas o mundo real é outro. É outro. A realidade é outra. Quando a gente não tem modelos de pessoas que de fato estão seguindo a Jesus, a gente não tem padrão moral, não tem padrão de caráter cristão. Você tem que ter disciplina na igreja. A disciplina na igreja mantém a unidade dos modelos, mantém o exemplo dos fiéis. Sem exemplo para os fiéis a gente não caminha. Eu queria terminar com a leitura de um trecho do LS. Já passou 4 minutos aqui do meu horário. Jesus, tenha misericórdia, homem. Um dia desses eu falo com vocês sobre a mentira romântica e a verdade romanesca, mas quem lêu o livro curso do discipulado já sabe, fazendo o o a propaganda do livro. Mas esse trecho aqui do LS é um trecho com o qual gostaria de encerrar a nossa palestra de hoje. LS em cristianismo por e simples diz o seguinte: "Quanto mais nos libertamos de nós mesmos e deixamos que seja Cristo quem nos dirija, tanto mais verdadeiramente nos tornamos nós mesmos. Quando é que você se torna verdadeiramente quem você é? Quanto mais próximo de Jesus você é, quanto mais distante de Jesus você está, mais falso eu você será e mais falso será o seu Cristo. Quanto mais perto de Cristo você, você estiver, do verdadeiro Cristo, mais perto do verdadeiro eu você estará. Cristo é tão imenso que milhões e milhões de pequenos Cristos, todos diferentes entre si, ainda são insuficientes para exprimi-lo por inteiro. Foi ele quem nos criou a todos. Inventou, tal como o escritor inventa personagens de romance, cada um desses diversíssimos homens novos que você e eu estamos destinados a ser. Nesse sentido, os nossos verdadeiros eus estão todos à nossa espera nele. Onde está o seu verdadeiro eu? Se abrir a sua cabeça, ponta dos seus pés, onde estará o seu eu? Se você quiser encontrar o seu eu, você encontrará o seu verdadeiro eu em Jesus. Ele é o ponto de encontro da sua identidade. Se você quer resgatar a veracidade da sua identidade, você tem de encontrar Jesus. Ô Jonas, eu tô num seminário. É, é por isso mesmo que a sua vida pode ter sido até hoje uma farsa e você fez do seminário a pior escolha da sua vida. Se você escolheu o seminário para resolver a questão da falsa e da completa falsidade da sua existência enquanto cristão, seminário não vai resolver o problema da sua falsidade egocêntrica. O seminário tem outras prerrogativas, porque o seu falso eu só se resolve ao pé da cruz. É ali que você vai encontrar o seu verdadeiro eu. E enquanto você não estiver ali, o seu eu não será visto e contemplado verdadeiramente como ele é. De nada adianta procurarmos ser nós mesmos sem Jesus. Tente ser você mesmo sem Jesus e você não será nada do que você verdadeiramente é. Quanto mais eu resistir a Cristo, quanto mais tentar viver por conta própria, mais me verei dominado pela minha hereditariedade, pela minha criação, pelas minhas circunstâncias, pelos meus desejos naturais. Aquilo que tão orgulhosamente chamo eu torna-se simplesmente o ponto de encontro de uma cadeia de acontecimentos que não pus em movimento e que não sou capaz de deter. Aquilo que chamo as minhas intenções reduz-se simplesmente aos desejos do meu organismo físico. No meu estado natural não sou nem metade da pessoa que imagino ser. Praticamente tudo aquilo a que dou o nome de eu pode encontrar uma explicação muito fácil. É somente quando me volto para Cristo, quando me entrego a sua personalidade que começo a ter personalidade própria. Mas para isso tem haver uma verdadeira entrega do eu. Você tem de lançá-lo fora as cegas, por assim dizer. Sem sombra de dúvida, Cristo dar-lhe uma personalidade real, mas você não deve procurá-lo por isso. Se você procurar Jesus para encontrar o seu eu, você não só ficará longe do seu eu, mas se manterá muito longe de Jesus. Para você encontrar o seu verdadeiro eu, você não pode procurar Jesus mais alguma coisa. É Jesus e somente Jesus. Só os Cristos na sua máxima radicalidade. Só Jesus e mais nada. Enquanto a sua verdadeira preocupação continuar a ser a sua própria pessoa, você ainda não estará à procura de Cristo. O primeiríssimo passo é tentar esquecer-se inteiramente do seu eu. O seu autêntico novo eu que é de Cristo e também seu e seu unicamente por ser dele, não aparecerá enquanto você o buscar. Ele surgirá apenas quando você estiver à busca de Cristo. Busque seu eu e você não vai encontrá-lo. Busque Jesus e apenas Jesus e o seu eu irá ao seu próprio encontro. É um princípio que percorre a vida inteira do começo ao fim. Entregue-se a si mesmo e encontrará o seu verdadeiro eu. Perca sua vida e salvá-laá. Submeta-se à morte, à morte das suas ambições, dos seus desejos prediletos. todos os dias e a morte de todo o seu corpo no fim. Submeta-se a ela com cada fibra do seu ser e encontrará a eternidade. Não tente reter nada. Nada que você não tenha entregado chegará a ser realmente seu. Enquanto você não entregar o seu eu, ele não será realmente seu. Só aquilo que você entrega totalmente a Jesus pode um dia ser seu. Tudo aquilo que você retém e você diz: "É meu". jamais será seu de verdade. Nada em você que não tiver morrido poderá algum dia ressuscitar dentre os mortos. Busque-se a si mesmo e a longo prazo só encontrará ódio, solidão, desespero, rancor, ruína e decadência. Busque a Cristo e você o encontrará. E com ele tudo mais. Inclusive essa coisinha que você não consegue descrever o que é, mas que você vive chamando de eu. Será que a gente pode orar não de uma maneira tola, protocolar? Podíamos fazer isso. Estamos no seminário, temos de ser comedidos. Na academia a gente se comporta como o senhor Spock, frios, distanciados. Mas se a gente está em Jerusalém, não em Atenas. Em Jerusalém a gente vê o céu aberto. Em Jerusalém a gente enxerga o rugido do leão nos movimentos do Rei Jesus, governando soberanamente o mundo todo. E uma coisa tão pequenina como o nosso ego. Será que hoje, mesmo num seminário, que afinal de contas não tem um lugar assim tão limpo que Jesus não possa visitar e nem assim um lugar tão nojento, tão sujo, que a palavra de Jesus não possa ser pregada e transformar nossa vida? Talvez você veio pro seminário e não disse isso, mas você vê no fundo, no fundo, dizendo: "Senhor, ou eu tenho as respostas, as perguntas que eu tenho ao longo de toda a minha vida ou eu não vou mais seguir o senhor?" E aí você vê pro seminário pelas razões erradas. Mas que coisa curiosa. Deus usa até um seminário para salvar um ego tão gigante, desesperado e angustiado por aprovação, validação e segurança humana. que Deus usa esse seminário para quebrantar você, para quebrantar seu coração e que as belas letras não escondam o terror do seu coração, não escondam a arrogância do seu coração, mas revelem a dependência que o seu eu tem de Jesus, de amar Jesus e viver intensamente por Jesus. que a sua pesquisa, que os seus trabalhos científicos feitos aqui neste lugar revelem no meio do rigor um joelho dobrado diante do Senhor, sem conjugar a primeira pessoa do singular. Vamos fazer isso. Vou pedir que você, se assim desejar, curve sua cabeça. E se você ainda não fez uma oração honesta a Jesus, que tal começar fazendo essa oração hoje? Senhor, estamos diante de uma semana magna e as semanas magnas são semanas que abrem o semestre letivo, que abrem os trabalhos para que a gente faça inúmeras pesquisas importantes pra nossa formação enquanto teólogos, gente comprometida com o ensino da palavra na igreja. Viemos para um seminário porque queremos isso. Queremos amamos a tua palavra, ensinar a tua palavra com fidelidade. Amamos tanto a tua palavra que quando vemos os homens deturpando as escrituras, temos raiva como a do salmista, que sentia tristeza a ponto de rios de lágrimas correrem de seus olhos, porque os homens desobedeciam a sua lei. Talvez lágrimas rolem dos rostos aqui de gente que não suporta mais a pregação da falsa doutrina, do falso evangelho. entrou no seminário com a fã de ser um pregador do verdadeiro evangelho, um mestre do verdadeiro evangelho, alguém que vai ensinar a doutrina com testemunho fiel, mas que hoje, apesar do desejo de ser fiel à tua palavra, descobriu que tem um coração infiel, que tem um ego infiel, porque não teme a Jesus ao ponto de dizer dizer sim, mas diz numa forma piedosa, sim, não para Deus, mas pro seu próprio ego. O que o seu ego pensa que Deus quer, o que o seu ego pensa que Deus quer. Mas hoje sai daqui com uma outra oração, dizendo: "Senhor, até hoje eu quis fazer a minha vontade traduzida na tua vontade. Hoje eu quero ouvir tua palavra e dizer um sim bem grandão para o Senhor, mas que seja um sim verdadeiro, que nos custe algo, a começar pela primeira ferida que a vontade de Deus realizada em nossa vida provoca, a negação de si mesmo. que a dádiva do autoesquecimento seja experimentada por todos nós na comunhão dos irmãos. E nos livra, Senhor, de acreditarmos na loucura de que seremos capazes de conhecer o verdadeiro eu, o verdadeiro eu somente por nós mesmos. Planta em nosso coração amor pela igreja até descobrirmos que é por causa dela e por causa de Jesus sobretudo que nós podemos descobrir quem nós realmente somos. Que o Senhor nos livre de viver fora da tua igreja. No nome de Jesus, teu filho, oramos. Amém. >> Amém. Yeah.