A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 1/3) Diego dy Carlos
09/02/2026
A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 1/3) Diego dy Carlos
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Boa noite, irmãos. Saud os irmãos com a graça e a paz de Cristo. É uma alegria imensa para mim estar aqui no Charles Spugion. Eh, era em Fortaleza, minha quase a minha terra. Eu sou do interior do Ceará e agora em Curitiba. Muito bom. minha primeira vez em Curitiba. Eh, a minha esposa eh mandou uma saudação especial para vocês, porque ela nasceu em Ponta Grossa, então ela é daqui pertinho daqui. Eu eu soube agora, né? E ela gosto muito eh da região e gostaria de ter vindo, mas nós estamos com dois bebês e não seria eh não foi possível dessa vez, mas quem sabe numa próxima vez. Hoje nós vamos ver um pouquinho, vamos fazer uma introdução à metáfora paulina da reconciliação. Então, o que é que eu pretendo? O que é que, qual é o meu plano para esses três dias, essas três noites com vocês aqui, né, nas minhas palestras? Eu quero fazer uma introdução. Eh, amanhã eu vou falar um pouquinho mais desse livro que que eu estou escrevendo agora, mas eu quero fazer uma introdução à doutrina paulina. Isso porque a reconciliação, essa metáfora é tipicamente peculiarmente paulina no Novo Testamento. Então eu quero fazer uma introdução a essa metáfora da esoteriológica com você aqui em três partes. Hoje nós vamos fazer uma introdução propriamente dito, talvez um pouquinho mais técnico em algumas coisinhas aqui, como o pastor Cleiton já deixou claro, eu nós não estamos num culto, eu não vou pregar, então vai ser mesmo em estilo de palestra, então a gente não não vai ter aplicações profundas, aquelas coisas todas, mas a vamos mais nesse estilo de aula mesmo. Amanhã, ah, nós vamos ver um pouquinho de da reunificação ou reconciliação cósmica e paz entre os homens na carta de Paulo aos Efésios, nos capítulos 1 e 2, e algum algumas porções selecionadas ali. Na nossa terceira noite, nós vamos ver Efésios, capítulo 4, versos 1 a 16 como um exemplo ah da reconciliação horizontal na teologia paulina, tá? E aí o tema dessa terceira palestra será igreja reconciliada, sempre reconciliando. Então você consegue pegar a alusão aí. Esse é o nosso plano. Quando eu comecei a a preparar essas palestras, eu pensei em passar pelas três cartas do livro que eu estou analisando. Efésios, Colossenses e Filemon. Ficou muito grande. Eu disse: "Eu vou fazer então Colossenses e Efésios". Aí ficou grande. Eu acabei com dois capítulos de Efésios. Então, eh, mas dá pra gente ter um pouco do do sabor aqui do que é essa metáfora e o que é essa doutrina para Paulo, tá? Então, esse é o nosso plano para a os três as três noites. Eu espero que você já tenha a o nosso esboço aí em seu celular. Primeira coisa que eu quero então ver com você é definir o problema que nós enc não não um problema, mas a questão que nós encontramos em Paulo. Paulo é o único escritor do Novo Testamento a referir-se aos efeitos vicários de Cristo na cruz através da metáfora da reconciliação. Essa é uma daquelas que nós chamamos de metáforas soleriológicas, metáforas que o Novo Testamento usa para se referir justamente a esses efeitos, os efeitos vicários, salvíficos, ah, do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. A própria palavra salvação já é uma metáfora também. Então, nós temos várias delas, como justificação, adoção, redenção e reconciliação como uma delas. Reconciliação é, sem dúvida, a mais relacional de todas as metáforas da salvação usadas no Novo Testamento, talvez ali ao lado de adoção, mas ainda assim nós temos em adoção uma perspectiva muito mais uma perspectiva muito mais jurídica, né? Eu estou pensando em adoção naquilo que era conhecido como adoção no sistema greco-romano e não em adoção nos nossos tempos. E essa é uma metáfora também jurídica. Não só justificação é uma metáfora forense, mas eh a adoção no Novo Testamento também é uma metáfora jurídica. E eu ainda penso que reconciliação é a mais eh relacional das metáforas soteriológicas e para mim a mais fascinante. Mas aí nesse aspecto aqui eu estou sendo extremamente parcial. Então, eh, eu fiz a minha a minha tese de doutorado foi em algo relacionado à reconciliação. Estou escrevendo sobre reconciliação, então você vai ter que aguentar um pouquinho a minha parcialidade. Um acadêmico ah britânico chamado Ralph Martin a 40 anos atrás escreveu um livro sobre reconciliação em Paulo, onde ele não apenas avaliava algumas das cartas paulinas e esse tema nessas cartas, como também propôs que Reconciliação era o centro da teologia paulina, o centrum paulinum. Essa é uma área dos estudos paulinos bastante debatida até hoje. Qual é o centro da teologia paulina? Reformados, especialmente da tradição maisana, vão dizer que o centro da teologia paulina é justificação pela fé, mas nós temos dezenas, literalmente, de outras propostas na academia. Olá. E nenhuma delas, nenhum tema teológico faz de fato justiça ao que o centro ou um centro de teologia paulina deveria ser. Então, embora eu goste bastante da ideia de reconciliação, eu discordo de Half Martin de que ela seria eh o centro paulino. No entanto, isso testifica para nós essa esse insite dele, essa proposta dele nos fala da importância da metáfora, não só em Paulo, mas ele argumentaria e eu argumentarei em todas as em toda a escritura, do início ao fim. E eu espero poder trazer um pouquinho mais de luz sobre essa afirmação ao longo das nossas palestras. No entanto, ao mesmo tempo em que eu afirmo que reconciliação é tão importante em Paulo e nas Escrituras, ao ponto de alguém propor que seria o centro da teologia de Paulo, ao mesmo tempo nós temos apenas algumas pouquíssimas eh ocorrências do vocabulário de reconciliação ou reconciliar em Paulo. vocabulário, as palavras para reconciliar e reconciliação são relativamente raras, desproporcional a importância do conceito do no enredo das escrituras como um todo. E aí, se você conseguiu fazer o download e você pode dar uma olhadinha se você puder, no Hangout número quatro, onde você tem aí eh os quatro textos em quatro colunas. Você tem esse essa folha com você aí no celular, quatro colunas, OK? Você tem ali segunda aos Coríntios 5, Romanos 5, Colossenses 1, Efésios 2, tá? Essas são as quatro cartas onde o vocabulário reconciliar, reconciliação aparece nas cartas de Paulo no sentido teológico. Por que isso? Porque em primeiro aos Coríntios 7, Paulo usa o verbo reconciliar, mas não no sentido teológico, mas no sentido de uma reconciliação entre marido e mulher, OK? Naquele contexto de, ah, o marido não crente que abandona a mulher e etc., Ele usa isso, mas isso para nós não é de importância porque ele não está usando no sentido teológico, ou seja, para descrever um relacionamento entre a humanidade e Deus, OK? É um uso, digamos assim, eh mais cotidiano, ordinário da palavra reconciliar. Então, ela não entra aqui, mas ela ocorre só uma vez mais e em Paulo, que é lá em Primeiro aos Coríntios 7. Esses são os quatro textos relevantes para nós. Eu coloquei os textos na ordem cronológica, na ordem que as cartas foram escritas por Paulo, segundo aos Coríntios, depois Romanos, as últimas duas, Colossenses e Efésios, 10 anos depois, mais ou menos, da carta aos Romanos. O que é que nós percebemos aqui? Se você der um zoom eh no primeiro, na primeira coluna, segunda aos Coríntios 5:16 a 21, esse é, essa é a primeira vez que Paulo usa a palavra reconciliar. conciliação no sentido teológico na nas suas cartas, ok? E aí eu coloquei a nessa tradução eh a transiteração de algumas palavras gregas. Você vai ver entre colchetes aí, tá? Ao contrário da sua Bíblia, isso não quer dizer que o texto não estava no original. Estou apenas trazendo para você qual a palavra grega que Paulo, que nós traduzimos, né? e aparece no nosso texto em português. Ah, eu não vou ler todo esse texto porque, do contrário, o nosso tempo inteiro iria nessa leitura, mas eu quero apenas pontuar algumas coisas para vocês. Se você olhar a nos versos 18, 19, eh, 18, 19 de segunda aos Coríntios, você vê a palavra que eu coloquei em grego catalaço. Ele diz: "Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos concedeu, nos deu o ministério da reconciliação. Catalaguei". é a a substantivo grego para a reconciliação. Mais adiante no verso 19, a saber que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, nos confiou a palavra da reconciliação catalaguei. Aqui é é interessante nos versos seguintes, Paulo vai dizer que a uma vez que nós somos reconciliados com Deus por meio de uma iniciativa do próprio Deus, por intermédio de Cristo Jesus, nós também recebemos o ministério da reconciliação. Nós somos embaixadores. A palavra para embaixadores, presbível, presbiteis seria a palavra para embaixada. Em nome de Cristo, fomos enviados por Cristo, como se Deus exortasse para Calel por nosso intermédio em nome de Cristo. Pois rogamos de Mai que vos reconcilieis com Deus Catalasso. Uma vez mais, Paulo está dizendo: "Fomos reconciliados com Deus por meio dele, a de iniciativa dele mesmo, por meio de Cristo. Recebemos o ministério da reconciliação, pelo qual nós vamos a pelo mundo, cumprindo a grande comissão e exortando homens e mulheres, vocês precisam se reconciliar com Deus. Algumas observações rápidas. Nesse texto, nós percebemos pelo menos duas características ou duas dimensões eh da do ato de reconciliação divino. Primeiro, aquilo que na teologia talvez mais sistemática, gosta-se de falar de uma reconciliação objetiva e uma subjetiva. A reconciliação objetiva tem a ver com uma obra final de Cristo na cruz. Quando Cristo morreu, ele na cruz nos justificou, nos reconciliou, nos adotou, nos redimiu em um evento único. Tudo necessário paraa nossa reconciliação foi consumado por Cristo na cruz de uma vez por todas. Amém, igreja? >> Amém. >> Quase um culto. No entanto, isso não significa que todos os eleitos foram automaticamente reconciliados, justificados, adotados, redimidos, etc. Corretos? É preciso que haja resposta de fé. Esse é o aspecto subjetivo. E aí entra a nossa ação como embaixadores de Deus, evangelizando e exortando homens e mulheres. Essa é a mensagem do evangelho. Você precisa responder com fé a a a oferta de reconciliação, OK? Em Romanos, o interessante aqui você vai ver palavras se repetindo, especialmente no finalzinho verso 10 e 11. Mas uma das coisas que mais chama a atenção no texto de Romanos é que Paulo junta duas metáforas que ao longo da da história da academia eh paulina tem sido motivo de controvérsia também. Como que nós relacionamos a perspectiva mais forense de Paulo em metáforas como justificação e a ideia participativa de outras como reconciliação? A a justificação por um lado, reconciliação por outro. Paulo não tem nada a ver com disputa e discussões de acadêmicos modernos. Ele junta as duas metáforas sem nenhum problema e colocando como quase sinônimas aqui. Não são, obviamente são etapas diferentes de um processo ou argumentaria, mas Paulo fala que nós somos justificados mediante a fé e por isso nós temos o quê? Paz com Deus. Paz pertence ao campo semântico de reconciliação. A a ideia de reconciliação como um todo é uma das palavras, porque uma vez que reconciliação é feita, a paz. Paulo junta as duas coisas. Nós precisaríamos de mais tempo para discutir e entender como que Paulo concilia a ideia de justificação e reconciliação aqui. Mas no final ele encerra falando justamente de reconciliação. Você vê algumas palavras importantes paraa dinâmica. Nós éramos inimigos e fomos reconciliados enquanto nós ainda éramos inimigos. A palavra erros aqui ou inimigos é importante porque ela nos traz a nos aponta para o significado de reconciliação. Reconciliação aqui a como no restante das nas demais cartas significa o se desfazer dessa inimizade. Ok? Mas uma coisa muito importante que eu quero que você perceba entre as duas primeiras cartas e as últimas duas cartas, 10 anos depois, é que Paulo nas últimas duas cartas acrescenta uma dimensão nova a reconciliação. Se você lê com cuidado depois, segunda aos Coríntios 5 e Romanos 5, Paulo nos fala, Paulo nos pinta, nos descreve o seguinte cenário da reconciliação. Deus toma a iniciativa de mediante Cristo e o seu sacrifício, reconciliar seres humanos inimigos consigo mesmo. A reconciliação então diz respeito a Deus restaurando o relacionamento de homens e mulheres outrora inimigos com ele. Ok? Nós temos essa dimensão vertical bem definida por Paulo. De cima para baixo. Deus nos reconcilia consigo. Ok? Reconciliação humana. Quando nós vamos adiante para Colossenses e Efésios, as duas cartas são interessantes aqui, mas você vai perceber mais essa dinâmica amanhã quando nós falarmos de Efésios 19 a 10. Então eu vou usar Colossenses para te mostrar eh qual é a mudança de ênfase de Paulo aqui, tá? Ah, veja só o verso 20. O versos 15, os versos 15 a 20 são aquilo que é conhecido na academia como hino a Cristo, semelhante a Filipenses 2, 5 a 11, não é? que é um texto que destoa da do restante da do estilo de Paulo em Colossenses, da prosa dele, se torna um pouco mais poético, com uma série de pronomes relativos aqui na língua grega e realmente mostra que nós temos um estilo diferente. Então, algo mais poético, digamos assim, uma espécie de de hino, então, um hino de Cristo, onde ele basicamente enfatiza a supremacia de Cristo sobre a primeira criação e a supremacia de Cristo através da metáfora da reconciliação sobre a recreação do universo. Mas veja o verso 20, por gentileza. Ele diz: "E havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliar todas as coisas." Táta com ele, quer sobre a terra, quer sobre os céus. Em nenhum outro lugar, nem segunda aos Coríntios 5, nem Romanos 5, Paulo fala que Deus reconciliou todas as coisas no contexto de Efésios, de Colossenses e de Efésios. Mas se você voltar pro verso 15 de Colossenses, você vai ver que quando ele descreve a supremacia de Cristo na primeira criação, ele fala que todas as coisas foram criadas nele, por meio dele e para ele, todas as coisas. Depois ele descreve isso pra gente, que todas as coisas são essas. Ele diz: "Olha, coisas nos céus e na terra". Essa é uma maneira judaica de falar o seguinte: tudo que existe, céu e terra adoram ao Senhor. Tudo adora ao Senhor. Então Paulo diz: "Cristo é responsável por toda a criação". Para deixar mais claro ainda o que ele tem em mente, ele ainda explica e meiúsa um pouquinho mais pra gente. Ele fala: "Sejam coisas visíveis ou invisíveis, tronos, sejam soberanias, principados ou potestades, palavras aqui que Paulo bastante conhecida na literatura judaica, para se referir a seres demoníacos, seres espirituais malignos. Paulo fala tudo, inclusive eles foram criados por Cristo, por meio de Cristo. Portanto, Cristo tem a soberania sobre eles. Quando lá na segunda estrofe ou terceira estrofe do hino, Paulo fala que ele reconciliou todas as coisas, ele ele explica pra gente, para não deixar nenhuma dúvida também, ele diz: "Quer sobre a terra, quer coisas no céu." Ou seja, tudo o que Deus criou em Cristo Jesus, que eu mencionei nos versos 15 e 16, em algum momento da história se apartou de Deus. Ele não menciona, mas Paulo pressupõe em Gênesis 3, tudo agora foi danificado pelo pecado. E quando Deus reconciliou em Cristo, ele reconciliou todo o universo, inclusive seres espirituais malignos. Nenhuma heresia aqui. Se você depois lê o meu livro, você vai entender o que eu quero dizer. Mas se não quiser ler o livro, não tem problema. Tem um artigo eh na vida nova que você pode já ver alguma coisa. O Paulo não tá dizendo que seres espirituais malignos são eh salvos, tem o seu relacionamento restaurado, mas ele explica isso pra gente em Colossenses 2:15, através da ideia de que eles foram subjugados, pacificados, não é? Alá a pax romana, quando os romanos impunham a sua paz violentamente sobre seus inimigos derrotados. Mas o fato é que a mudança de ênfase de Paulo é que ele sai da reconciliação em que seres humanos são reconciliados por Deus para aquilo que nós chamamos de reconciliação cósmica. Tudo foi reconciliado. A mesma ênfase, quase verbatim aparece em Efésios 1, 9 e 10. Apesar de que Paulo usa uma outra metáfora ali, que na minha opinião explica um pouco mais a mesma ideia de reconciliação, que é a ideia de reunificação. Ana Cafaleio é a palavra em grega. Resumir todas as coisas. As nossas traduções costumeiramente trazem o verso traduzem como fazer com que todas as coisas convijam, convergir todas as coisas em Cristo Jesus. Mas nós vamos ver isso mais amanhã. Então, entre segundo aos Coríntios, Romanos e Colossenses e Efésios do outro lado, nós temos uma expansão do escopo da reconciliação. essa variação ou essa nuance nova em Paulo, juntamente com outros detalhes, tem feito com que alguns acadêmicos mais inclinados à alta crítica tenham questionado a autoria de Efésios e Colossenses, como se elas não pudessem ter sido escritas pelo apóstolo Paulo. Se eu tivesse tempo, eu mostraria para, eu falaria para você como nenhum dos argumentos usados para questionar a autoria paulina consegue se sustentar sobre as próprias pernas. e que há explicações muito melhores para qualquer argumento que eles tentam levantar contra a autoria paulina. OK? Então, a palavra ou a metáfora reconciliação aparece apenas nessas quatro cartas. E aí o que que acontece aqui? Nós temos vários estudantes de teologia, vários irmãos e irmãs entrando no seminário e fica um alerta para você, estudioso da Bíblia, que quando nós estudamos as Escrituras, nós precisamos evitar o vício e o erro de eh focar demais ou unicamente em paralelos léxicais ou estudos léxicais, estudos de palavras. Os estudos de palavras nas línguas hebraicas e grega, assim como em português também, mas está falando da Bíblia, não são tão fáceis de serem feitos. E muitos pastores que usam etimologia, história das palavras em sermões, eh usam de forma equivocada e errada. Nem sempre pregando heresias ou mentiras, mas pregando verdades a partir de textos errados. E você deveria, futuro pregador e mestre da da da palavra, evitar isso. Um bom livro para você ler, que o meu amigo Jonas, você não pode passar dessa vida paraa próxima sem ler. É exegese e suas falácias de Dom Carson. Todo estudante sério das escrituras deveria possuir esse livro na sua biblioteca e ler pelo menos a cada 5 anos. Então, apesar da da palavra reconciliar, reconciliação ocorrer apenas em quatro cartas de Paulo, o conceito. Então, cuidado para não ficar preso a paralelos lexicais, mas busque também paralelos conceituais, onde o conceito aparece, ainda que com outras palavras e metáforas e construções e cenários. O conceito de reconciliação é pervasivo nas escrituras, do início ao fim, pelo menos desde Gênesis 3, a após a queda da humanidade até Apocalipse, o último capítulo de Apocalipse, quando nós temos a reconstrução, restauração do jardim perdido no Éden. OK? Então, nós precisamos olhar para o conceito, mas nós vamos focar nos textos onde Paulo fala explicitamente sobre reconciliação. E aí, a uma vez que nós estamos definindo aqui conceitos, categorias, fazendo introdução ao conceito, nós precisamos pensar no sentido linguístico do grupo de palavras catalasso, o verbo grego para reconciliar, e catalaguei, o substantivo reconciliação, os dois juntos. Qual é o sentido disso? Você tá falando que é uma metáfora reconciliar aplicada ao relacionamento entre Deus e a humanidade. É uma metáfora, portanto, usada teologicamente. O que é que isso significa? Qual é o cenário que esse negócio pinta para nós? Como que se dá a dinâmica da reconciliação? Dois lexicógrafos chamados a Lida, o sobrenome deles, Johannes Lou, a Eugene Naida. Eles possuem um que é um dos léxicos do Novo Testamento fundamentais para você. Ele é mais voltado pro tradutor. Então nós temos dois importantes, o Bidag, ah e o Luna Naida. O Bidag para mim é o primeiro ponto de partida do estudioso do Novo Testamento. Luida, se você quer ver um pouquinho mais, ajudar você em tradução, você vai lá com ele. Ele ele traz a o seu Lex como organizado em campos em domínios semânticos, o que é bastante interessante e inovador quando eles produziram isso. E eles falam o seguinte: o sentido essencial do grupo de palavras catalasso é o seguinte, abre aspas, eu acho que eu coloquei isso no rend para você, é restabelecer relações interpessoais amistosas, apropriadas depois de terem sido interrompidas ou rompidas. Isso parece claro o suficiente, né? E bem simples. Bem simples. OK. Eles continuam. As características constituintes desta série de significados envolvem quatro coisas. Primeiro, rompimento de relações amistosas por causa de havia um relacionamento que foi rompido, é a primeira coisa. Foi rompido por causa de dois, provocação presumida ou real. Três, manifestação de comportamento destinado a remover a hostilidade. E quatro, a restauração das relações amistosas originais para reconciliar, para acertar as coisas um com o outro. reconciliação. Eles estão definindo para você aqui, não tão dando uma definiçãozinha de de de dicionário, uma glosa. Você traduz essa palavra reconciliação com a palavra ou você traduz essa palavra catalaguei com a palavra portuguesa reconciliação. Não, ele tá dando o sentido da palavra para você. Ele diz que ela envolve essa dinâmica. Havia um relacionamento original, foi rompido em segundo lugar por foi rompido por quê? Por alguma ofensa real ou presumida. Isso não acontece em Curitiba, mas lá no Ceará e agora em São José dos Campos, no casamento, às vezes um dos dois, um dos cônjuges acaba se chateando profundamente por uma ofensa puramente presumida. Não aconteceu a ofensa de verdade, mas na cabeça de um dos cônjuges, que eu não vou dizer quem com mais geral, mais tem, ele olhou e eu sei o que é que ele pensou. Ou ver se ver aí e aí fica aquela aquele climão, mas ninguém ofendeu ninguém. Nas igrejas do Ceará isso acontece também. Famílias chateadíssimas uma com as outras, mas não houve nenhuma ofensa, foi só presumida. Ele pensou que o outro quis dizer aquilo e já ficou chateado. Então isso pode acontecer. Então por isso que a ofensa é real ou presumida. Depois há alguém que se manifesta, pode ser um mediador, no caso de um mediador tentando reconciliar dois indivíduos ou o próprio indivíduo magoado, ele mesmo se manifesta, ah, toma uma atitude para, eh, remover essa ofensa, lidar com essa ofensa. E por último, em quarto lugar, o relacionamento é restaurado. Isso é reconciliação. Claro, o suficiente, não é? OK. Então, ah, agora com isso em mente, a gente precisa agora fazer a seguinte pergunta, OK? Se essa metáfora só aparece no Corpus Paulino e ah, ela é tão importante assim, de onde Paulo extraiu essa ideia de que Deus reconcilia inimigos consigo mesmo? De onde Paulo extraiu a ideia de que o relacionamento divino humano foi marcado por uma ofensa real. Nesse caso, havia um relacionamento original e aí houve uma ofensa que nós sabemos que é pecado. Alguém tomou a iniciativa de iniciar o processo de reconciliação e por último com a, não é? Nós somos reconciliados com Deus. Porque quando a gente fala que nós somos redimidos, nós entendemos o pano de fundo da metáfora de redenção, não entendemos bíblica. De onde Paulo extrai a ideia de redenção? Hã, mercado de escravos, não é assim isso que nós aprendemos? Mercado de escravos. Então, nós, quando imaginamos a seguinte frase: Deus ou Cristo Jesus nos redimiu mediante o seu sangue, o que é que a língua e o seu cérebro faz com você? É assim que língua funciona nesse aspecto de metáforas, domínios semânticos que ela vai despertando na sua mente, a sua mente para você entender o que Deus fez com você ao redimir, ele, o cérebro vai, ainda que você não perceba, ele vai associar a obra de Cristo Jesus em te redimir, no caso, se você conhecesse o mercado de trabalho de escravos, com aquilo que ocorre no mercado de escravos. Se eu tivesse no primeiro século do mundo mediterrâneo, eu conheceria isso bem, ir lá, comprar um escravo, tirar, redimi-lo, pagar por sua, por sua, né, redenção ou pagar por sua, eh, alforia. E eu vou entender que aquilo que Deus fez comigo foi aquilo ali, ó. Eu era, então, nesse cenário em que Cristo me redime, eu era o escravo. Não é assim que você pensa? Cristo é o Senhor que tem a condição de bancar para que eu seja redimido. E ele me redime de alguma coisa ou de alguém, porque é esse o cenário do mercado de escravos, não é assim? É assim que o cérebro funciona com toda a linguagem o tempo inteiro, mesmo que você não perceba. Nosso cérebro ele está fazendo conexões entre aquilo que nós ouvimos e os cenários conhecidos nessa grande cadeia interligada de do nosso sistema cognitivo. E é assim que nós vamos eh expandindo conceitos e compreendendo conceitos através desses links que o cérebro vai fazendo. Ou você precisa, caso você não conheça a origem da metáfora, não tem problema, porque você alguém pode explicar para você o que é que isso significa, mas aí é um segundo passo no processo, tá? Mas de onde vem reconciliação? E aí que está o grande problema e eu quero passar o restante do nosso tempo com isso aqui. No final eu vou te dar a minha proposta de o que é que Paulo faz e como que Paulo eh chega a essa conclusão de que aquilo que ocorre na cruz é um ato de reconciliação. Veja só, só para deixar isso mais claro, talvez Paulo usa e os demais usam várias demais escritores bíblicos várias metáforas para se referir a aos efeitos da obra vicária de Cristo na cruz. Correto? já mencionei algumas delas. Eh, isso porque o que ocorreu na cruz é tão rico e vasto que uma metáfora só não seria capaz de englobar e de explicar e de entender. Nem as que nós temos nas escrituras são de fato exaustivas. Às veas não exaurem todo, toda a riqueza, a glória do que Deus fez por nós em Cristo Jesus no Calvário. Elas nos dão apenas aquilo que talvez nossos nossa pequena compreensão consegue aprender por hora. Na eternidade nós vamos passar a eternidade inteira esmiuçando e tentando entender e crescendo no conhecimento toda todas as nuances e e detalhes daquilo que ocorreu lá. Mas nós temos essas metáforas aqui à nossa disposição, porque elas apontam para perspectivas e ângulos diferentes da obra redentora de Cristo, de onde Paulo extrai a ideia de reconciliação. Isso tem sido muito, só para variar, muito debatido na academia também. De onde isso a gente chama de estudos de pano de fundo, né? A gente gosta disso. A gente e é importante o pano de fundo do texto para você entender o texto. Às vezes a gente exagera um pouquinho, Cay Kina exagera um pouquinho nas nos seus estudos de background. Paciência, não preciso ler 1000 páginas de background para entender isso daqui, tá? Mas tem um seu lugar na exegese muito importante. Background linguístico, histórico, cultural. É importante, é parte essencial da sua exigese. De onde vem? Bom, uma primeira teoria a que tá aí é que Paulo extraiu isso do mundo greco-romano. Essa é uma tese que foi proposta de uma forma mais completa ah por um acadêmico ah alemão chamado Kiles Bretenbar na sua obra Reconciliação, um estudo sobre a soterologia paulina. Ele lançou isso em 1989. os irmãos alemãos, alemães, me me eh me perdoem a pronúncia a da língua de vocês. Ah, mas esse livro é fantástico. Ele ah nos legou que ainda é provavelmente a obra mais completa de estudo lexical a respeito desse grupo de palavras da reconciliação. E ele, o que que ele fez? Então, a Braenb que a linguagem de reconciliação é usada na literatura grega em contextos diplomáticos político-militares para se referir a tratados de paz, mas sem nenhum exemplo significativo de uso em contextos religiosos para referir-se à reconciliação entre seres divinos e humanos. Ele falou: "Olha, quando nós procuramos esta palavra essa esse léxico, na antiguidade nós encontramos nesse contexto greco-romano diplomático entre duas cidades, entre dois exércitos. Mas quando nós olhamos a Septoaginta, que é a tradução grega da Bíblia hebraica, nós não encontramos essa palavra ali. Não encontramos na literatura judaica como um todo, exceto em uma exceção que eu vou mostrar no final. E ele então conclui que esta ideia de reconciliação não tem nenhum sentido cútico, nenhum sentido religioso. Zero. É puramente uma metáfora diplomática. No contexto da diplomacia greco-romana, um exército em busca de trégua poderia enviar embaixadores, presbíteses, ao território inimigo com o objetivo de negociar paz, o que geralmente envolvia súplicas delai e apelos para Calel. você vai encontrar essas três palavras em segunda aos Coríntios 5, que eu acabei de ler com você. Então, ele compara esse vocabulário bastante eh presente nesses contextos diplomáticos greco-romanos com segunda aos Coríntios 5, em especial, vê as palavras, vê os paralelos e fala: "Bingo, tá vendo? Pronto, achamos." Paulo extrai a metáfora ali. Ele usa inclusive o campo semântico todo, todo o o campo de semântico da ideia tá aqui, ó, linguístico, tá aqui. Delmais, súplicas, eh, embaixadas, nós somos embaixadores. É daqui que Paulo extrai isso daqui. Portanto, é uma metáfora puramente greco-romana. como disse, ele nos legou o que continua sendo um dos estudos mais completos, lexicais da terminologia de reconciliação, porém, apesar de todos os bons insightes deles dele, eh a sua conclusão continua ou foi bastante reducionista e incapaz de explicar todas as nuances da teologia de Paulo, tá? Uma um aspecto desse reducionismo dele é que ele não consegue perceber os paralelos conceituais entre estabelecimento de paz e reconciliação de Paulo e o Antigo Testamento. Ele deixou isso de fora. Por quê? Porque a palavra não aparece lá. É isso que eu falei. O erro de você ficar tão empolgado e tão dependente de paralelos lexicais ao ponto de esquecer de buscar os conceitos. OK? Então ele anula literalmente ele fala: "Esta metáfora não pertence a nenhum contexto religioso, muito menos judaico, tá? Eu acho que devo ter colocado as páginas do livro dele para você aí, senão eu tenho na pelo menos na minha versão aqui, ok? Então, é verdade que as palavras lá de segunda aos Coríntios fazem paralelo com aquilo, mas será que é só isso ou tem algo mais?" Outros, no entanto, propuseram o seguinte: "Não, não, não, não, não. Paulo extrai essa ideia de reconciliação da sua experiência de conversão a caminho de Damasco, gente." E aí, ah, vários estudiosos ao longo dos últimos, pessoalmente talvez três décadas aí ou mais quatro décadas, porque começa com C1 Kim, mas antes dele já um pouco, depois dele, estudiosos têm chamado a nossa atenção paraa importância da experiência de conversão de Paulo a caminho de Damasco para a as convicções de Paulo, não apenas teológicas, mas também de chamado. de chamado ministerial apostólico. A essa experiência é considerada um dos fatores decisivos para a reconfiguração das categorias fundamentais da sua teologia e cosmovisão. A caminho de Damasco, Paulo tem uma revelação de Jesus Cristo, uma expressão que ele usa em Gálatas 1:12, a qual ele caracteriza como uma ruptura radical de sua vida anterior, uma verdadeira mudança de paradigma. Seun Kim, a, na sua tese, a origem do evangelho de Paulo. Então, a tese aí já tá bem clara para você, o que é que ele quer propor. De 1981, ele escreveu essa tese sobre a orientação de FF Bruce, ah, em Manchester. Ele argumenta que tanto as categorias fundamentais da teologia de Paulo quanto a sua convicção de chamado apostólico surgiram de seu encontro com o Senhor Jesus ressurreto a a caminho de Damasco. Nesse encontro, Paulo é confrontado com a realidade irrefutável de que Jesus Cristo, que fora morto em uma cruz romana sob a condenação da lei, havia sido ressuscitado por Deus, confirmando assim a pregação dos discípulos de Jesus sobre ser ele o Messias prometido, Senhor e Salvador do mundo. Segundo Kim, essa experiência de Paula Caminho de Damasco teria reconfigurado algumas categorias fundamentais da teologia do futuro rabino Paulo, como, por exemplo, a sua cristologia ou a sua ideia de Messias, Cristo como Messias, a sua escatologia, a sua soterologia e eclesiologia, além de justificação, união com Cristo, tudo isso. um pouco mais forçoso na sua tese, diria, teve origem na experiência de Paula Caminho de Damasco. Eh, OK. Eu poderia falar um pouquinho mais sobre essas coisas, mas nosso tempo tá correndo. Eu vou adiantar um pouquinho. Você pode ler isso depois em algum outro lugar. Mas o fato é que por que que essa experiência foi tão importante para Paulo? O fator decisivo é apenas bem rápido para você, a gente pode voltar um passo atrás. Por que que Paulo perseguia a igreja, os discípulos com tanta veemência? Talvez a resposta para isso esteja em Gálatas 3, quando Paulo diz que a Paulo, inclusive, depois aplica isso para nós em Gálatas e diz que na cruz de Deus ah Cristo se fez maldição em nosso lugar. Por quê? Porque em Deuteronômio fala que aquele que for pendurado, todo aquele que fori pendurado no no madeiro é o quê? Maldito de Deus. Imagina Paulo, um rabino, um futuro rabino aos, né, treinado aos pés de Gamaliel, zeloso da lei, escuta um bando de judeu agora pertencente ao caminho, dizendo que o o Messias prometido morreu na cruz. Para aí, eles estão dizendo que o Messias morreu numa cruz, mas a lei diz que quem for pendurado é o quê? Maldito de Deus. Eles estão me dizendo que o Messias prometido é maldito de Deus. Isso é blasfêmia. Isso justificaria essa perseguição fervorosa de Paulo aos aos cristãos. Porém, quando ele encontra Jesus a caminho de Damasco, ele vê Jesus ressurreto. Não é uma visão estática. O próprio Jesus aparece a ele. Ele vê Jesus ressurreto. Portanto, o que é que automaticamente muda na sua cabeça radicalmente? Jesus é mesmo Cristo. Porque atrelada à promessa de o Messias, na teologia judaica, havia a esperança da ressurreição. Para eles, a ressurreição viria ou seria o resultado da vinda do Messias e daria início à nova era escatológica. Portanto, se Jesus, que eu sei quem morreu, de fato, ressuscitou, ele é mesmo um Messias, mas diferente daquilo que eu esperava. Ele morreu numa cruz e ressuscitou. A nova era já começou escatológica e ele precisa reconfigurar tudo que ele entendia sobre teologia à luz dessa revelação de Jesus Cristo, porque ele nunca conseguiria ter previsto que o Messias morreria numa cruz romana e seria ressuscitado. Entende? Tudo isso desencadeia uma série de, por exemplo, a ideia de união com Cristo poderia se argumentar, que é uma ênfase forte de Paulo, que quando Paulo escuta Jesus dizer Paulo, Saulo, Saulo, por me persegues? Tá vendo? a origem da ideia da união da igreja com Cristo. Porque Jesus se referiu não à perseguição da igreja, mas a ao perseguir a igreja, eu estava perseguindo Cristo. Isso deve significar que Cristo e a igreja são um só. E aí você entende mais ou menos o raciocínio. E onde que entra a reconciliação nesse bolo todo aí? Como que a reconciliação poderia ter surgido na experiência de Paulo em Damasco? Ora, a conversão de Paulo se deu durante uma campanha de perseguição à igreja, o que equivaleria a perseguir o próprio Senhor Jesus. Paulo, portanto, teria entendido que ele foi resgatado por Deus quando ele era o quê? Inimigo de Deus. No entanto, ao invés de puni-lo em sua ira justa, Deus o acolhe, perdoando-o e reconciliando-o consigo mesmo. Bom, tá aqui a origem da metáfora da reconciliação no sentido teológico. É o que ele argumenta. Quem tem Quem tem várias eh ideias interessantíssimas na sua tese, porém nós temos algumas algumas críticas também ao alguns aspectos da sua metodologia. E embora eu eh reconheça a importância de Damasco, eu penso que ele exagera um pouquinho mais. Eu sei que isso é injusto de minha parte falar isso sem te dar razões do porque eu penso isso. Tá escrito no meu esboço, mas ao mesmo tempo eu coloquei um X bem grande porque eu pensei, não vai dar tempo falar tudo isso, a gente pode conversar sobre isso depois, mas ele tá no rumo certo. Eu acho que passa toda a teologia de Paulo, para deixar isso bem claro, na minha perspectiva, toda a teologia de Paulo é filtrada pelo evento Cristo, especialmente pelo grande, pela grande mudança de paradigma que ocorre no ato de sua conversão. Isso é verdade, tá? Mas o problema maior de Quima é quando ele pelo menos dá a impressão de que tudo se explica por uma só experiência de Paulo aqui somente e aí fica reducionista também, certo? OK. Mas outros disseram, talvez um outro alemão, Hofias, Hoffius, espero que eu tenha chegado perto da pronúncia dele. Ah, eu acho que ele faz mais justiça ao texto de segunda aos Coríntios 5 do que a Breten Bar e Kim, quando ele diz que, embora o fundamento da reconciliação tenha sido o encontro de Paulo com o Senhor ressurreto, concordo com isso, o conteúdo material sarr do conceito foi moldado pelo testemunho do profeta Isaías. Ele continua abre aspas. O que havia sido revelado a Paulo neste evento, sua conversão, ele encontrou confirmado e interpretado por meio do testemunho profético das Escrituras. Assim, ele obteve do Antigo Testamento a linguagem com a qual pôde expressar o ato salvífico de Deus em Jesus Cristo. E eu acho que aqui nós estamos chegando um pouquinho mais próximo a algo mais, digamos assim, substancioso da formação, eh, do conceito de reconciliação em Paulo. E essa é a terceira proposta aqui de origem da reconciliação, o servo sofredor de Isaías. Especialmente os quatro cânticos do servo, você encontra no livro da das consolações de Isaías, capítulos 40 a 55. E a relevância de Isaías para Paulo e para o Novo Testamento como um todo, irmãos, é inquestionável. Richard Bockam, um biblicista acadêmico britânico fantástico, fantástico. Ele observa que Isaías 40:55, talvez mais conhecido como livro da consolação, desempenhou o papel mais significativo na formulação da cristologia dos escritores do Novo Testamento. E a gente pode demonstrar isso textualmente. Sobre Isaías e Reconciliação, Greg Bill, bastante conhecido da gente por Livros da Vida Nova também. Ah, o seu livro é ditado junto com Dom Caston, o uso do Antigo Testamento do Novo Testamento. Ele tem também o templo, não sei quem traduziu e publicou isso, a teologia do templo. Alguém traduziu isso? Alguém sabe? Maior da vida nova, resumido da Lyola, >> OK? Loyola, o mais resumido, maior da vida nova, um livro muito bom também. A Magnusopos, talvez uma delas, a teologia do Novo Testamento dele também pela vida nova, tá? E ele tem um artigo que ele bem antigo, que ele depois incorporou na sua teologia do Novo Testamento, que a vida nova publicou sobre reconciliação. E ele argumenta a partir de segunda aos Coríntios 5, mostrando como Paulo atrela a ideia de reconciliação a Isaías e a promessa de restauração. Então, para ele, em segunda aos Coríntios 5:17, quando Paulo diz que aquele que está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo, essa aqui é uma alusão, senão uma citação claríssima de Isaías 43, a promessa de novos céus e nova terra. Eu concordo com Bills, vou resumir bastante para você aqui, que basicamente a tese é o seguinte: quando Paulo usa a ideia de reconciliação para ele é equivalente à recriação escatológica. A reconciliação inaugurou a nova criação, a nova era escatológica. Mas como nós estamos acostumados a ouvir, a escatologia é apenas inaugurada, é o já, mas >> ainda não. Ou seja, ele ainda ainda será consumada. Essa foi uma das mudanças de perspectiva e de paradigma na teologia de Paulo proporcionada provavelmente por Damasco, tá? Nós poderíamos conversar mais sobre isso depois, mas nós podemos comprovar não apenas em segunda aos Coríntios, mas também especialmente em Colossenses e Filemon, como Paulo põe lado a lado a ideia de reconciliação como recreação. E aí, irmãos, prestem atenção no que eu vou lhe falar. Sei que você já tá cansado, mas veja só nas escrituras, redenção, salvação, etc e tal, e a consumação final não vai ser Deus olhando paraa sua criação e pensando o seguinte: Gênesis 3 estragou um plano que era bem bonitinho. Vou jogar tudo fora, vou fazer tudo novo, novo, novos céus e nova terra. Ao longo de toda a escritura, Antigo e Novo Testamento, salvação ou redenção é um ato de recreação, de restauração de algo que foi criado muito bom. O pecado estragou, mas Deus não jogou fora a sua criação. Ele vai restaurar. Em Colossenses 3:10, Paulo nos diz que nesse contexto que nós somos recriados. Nós somos nova humanidade, novo homem, recriados em Cristo Jesus, de acordo com a imagem daquele que nos criou. O que que Paulo tá dizendo? Paulo está aludindo a quê? A Gênesis 1 e 2. Ele está dizendo: "Quando nós somos salvos, reconciliados, esse é um ato de recreação mediante o qual Deus refaz. a sua imagem em nós. Nova criação, restauração. No final de tudo, isso não será completamente queimado pelo fogo em cinzas. Ele vai fazer tudo do zero. Não, não, não, não, não. Ele está restaurando a sua criação, gente. Isso já foi inaugurado em Cristo Jesus. Paulo usa a metáfora nesse sentido. Eh, por último, uma quarta eh teoria seria do judaísmo helenista. Alguém apontou ali dizendo que eu ainda tenho 50 minutos. Então, fizeram assim, eu acho que é 50 minutos. E aí, o que é que isso significa? Veja só, gente, eu falei para você que a metáfora quase nunca ou a palavra quase nunca foi nunca foi usada, segundo a Braenbido religioso, mas nem tanto. Em segundo Macabeus, que é um livro da literatura judaica, importantíssimo, do segundo templo, que você precisa ler para conhecer um pouco da história ali, sabendo como ler Macabeus, porque tem muito mito misturado com história, a história como nós imaginamos, né, bem objetiva de fatos históricos, etc. E o que que acontece? Eu vou resumir o a ópera para você, tá? Em segunda os em segundo em segundo Macabeus, que não é um livro canônico, só para deixar bem claro, não é inspirado, mas é um livro que muito importante para nós entendermos background, pano de fundo, etc. e tal. O que que acontece? Os Macabeus estavam lidando com aquela com aquela crise existencial típica, não só da literatura dele, como da literatura apocalíptica, na verdade judaica. Como que a gente eh racionaliza, como como que a gente harmoniza a soberania de Deus, as suas promessas para o seu povo com o nosso cativeiro ininterrupto, porque nós estávamos, os judeus estavam sob o cativeiro de Babilônia, depois tem os assírios, depois os romanos. Cadê aquela libertação que Isaías prometeu? Então eles estão preocupados com a ideia da com teodisseia. Como que eu vou alinhar essa ideia do sofrimento com a soberania de Deus? Então eles precisavam, né, racionalizar isso. E eles então tm uma lenda em segundo Macabeus que dos sete mártires, dos sete irmãos que são martirizados pelo governo romano, pelo império romano, tá? Pelos E o que que acontece? Eles entendem então que esses sete irmãos, eles são eh martirizados de forma inocente, porque eles não eram culpados, apesar de que a nação era culpada, eles entendem isso, mas os irmãos não, mas eles morrem de forma inocente e voluntária. Por que voluntária? Porque o a autoridade romana deu a cada um deles a oportunidade de se retratar e evitar os a morte, mas eles se recusaram, se mantiveram firmes em seus princípios e morreram. E eles então dizem que o sangue dos mártires reconciliou Deus com seu povo novamente. Essa é a primeira vez que reconciliação, essa palavra em grego, porque segundo Macabe foi escrito em grego, é usada para conceitualizar o relacionamento entre Deus e a humanidade. Eles disseram então que o sangue foi suficiente para apaziguar Deus. É uma outra, um paralelo que eles usam no mesmo texto, texto um pouco mais adiante. Reconciliar Deus com o seu povo. Outros vão dizer que tá vendo toda a toda a a soterologia de Paulo é explicada pelo martírio ou pela a do a a o conceito de martírio dos Macabeus. Mais uma vez, calma aí, gente. Um só. Esse é um vício da academia também para vocês estudantes de teologia. É quando você procura background, quando você procura pano de fundo, você procura por um pano de fundo. Mas linguagem não funciona assim. Não funciona assim. Eu vou te dar um exemplo. Romano, eh, João 11, no princípio era o verbo logos, um texto muito importante. Qual é o pano de fundo de logos? Uns brigam dizendo que a filosofia é grega e vão explicar porquê. Legal, faz sentido. Outros dizem: "Não, não, não, não, não, não". É a literatura judaica com a sua ideia de palavra ativa de Deus. faz muito sentido. Por que não as duas coisas? Você acha que quando alguém que conhecia tanto a filosofia grega quanto o Antigo Testamento, a literatura judaica, ouvisse João 11, ele não iria associar com as duas coisas? É claro que iria. Como que ele vai entender o que é que João quer dizer? através do que o João faz com o conceito no seu próprio texto. Por isso aqui, mais uma dica importantíssima para estudiosos da Bíblia, contexto é rei. Não é uma palavra isolada que te vai dar o sentido da palavra para nenhuma palavra contém um sentido dela em si sozinha e isolada. É o contexto que vai te dar o sentido da palavra. Então leia o contexto e entenda. Mas o pano de fundo, os dois vem à mente daquele que conhece os dois contextos. OK? Chegando ao final agora, o que é que, onde que eu me coloco nisso tudo aqui? A primeira coisa das últimas duas que eu vou falar é que Paulo faz uma reconfiguração da metáfora como um bom orador e pregador e escritor que ele era. Genial, genial. Ele reconfigura a coisa. O que que ele faz? Eu vou ler para você. Antes de esboçar os contornos da mensagem paulina de reconciliação, nós precisamos pensar a a apresentar, eu quero apresentar para você a minha teoria. para origem e desenvolvimento do conceito em Paulo. Isso eu extraí de um capítulo desse livro novo. A luz do exposto acima eu proponho o seguinte: na experiência de Damasco, Paulo tem um encontro com o Messias ressurreto. A percepção de que Jesus Cristo morto e ressuscitado era realmente o Messias prometido. A revelação de Jesus Cristo compele Paulo a fazer uma reinterpretação radical das Escrituras do Antigo Testamento, através da qual ele passa a identificar o cumprimento das profecias isaiânicas, especialmente profecias isaiânicas a respeito da restauração do povo, sobretudo os elementos relacionados à restauração, nova criação e paz escatológicas associados com a obra vicária do servo sofredor de Yahé, com a obra de Cristo na cruz. Mas nós precisamos de uma palavra para transmitir tudo isso. Que é que Paulo faz? Para dar a expressão linguística a esse aspecto de sua teologia, Paulo emprega uma metáfora greco-romana, amplamente conhecida na época mediante o grupo de palavras catalaço. A associação do lexema grego com o conceito isaiânico e com a obra de Cristo na cruz foi facilitada pela teologia do martírio dos Macabeus, que constitui um marco histórico e conceitual entre Isaías 53 e o Novo Testamento. Essa é uma teoria nova, pastor, que ninguém se importa, mas essa é nova. Não vai pegar, mas essa é, essa é minha. Eh, no que diz respeito ao desenvolvimento da noção de expiação mediante a morte sacrificial de um indivíduo em favor de outros. Então, eu diria para você, trocando em miúdos, que as categorias principais da teologia de Paulo, todas elas vêm do Antigo Testamento, OK? De lá. E o que é que ele faz? Ele contextualiza essa mensagem através de ah mensagens, metáforas, estruturas da sua época. Ele, em outras palavras, contextualiza a mensagem. Contextualizar não é negociar o conteúdo, é tornar o conteúdo compreensível. Excelente escritor e pregador. Pegava coisas que todo mundo conhecia. Vocês sabem o que é reconciliação, não sabem? Vocês leem, vocês sabem o que é que um exército faz. Eu vou te falar para você o que é que Jesus fez por nós na cruz. E agora eu vou falar como é que Paulo reconfigura a coisa pra gente encerrar. Ele faz o seguinte como bom orador. Ele faz isso com todas as suas metáforas. Quando nós usamos uma metáfora em uma linguagem, nós despertamos na mente de quem escuta um cenário. É assim que funciona a nossa mente, tá? Em vários aspectos. A linguística cognitiva tem tornado isso de modo claro pra gente, tem estudado isso há 40 anos, tá? fantástica, precisa dar uma olhadinha em metáfora conceitual na na linguística cognitiva. Por exemplo, quando Paulo fala aos Coríntios que Cristo Jesus é o nosso cordeiro pascal, o judeu que escuta aquilo, ele sabe exatamente o que Paulo quer dizer, porque ele entende o cenário original de Êxodo, que tinha um cordeiro pascal, lembram? E aí ele vê como Paulo aplica isso a Jesus, sem falar muita mais, muito mais sobre o que é que ele quer dizer, Paulo faz a sua metáfora compreensível, porque o nosso cérebro associa com um cenário que nós já conhecemos. Dá para entender o que eu tô dizendo? Então, a metáfora está aqui no ponto B. Ela extrai a sua força de um campo semântico ou de um cenário no campo A, aplicando a outro contexto. Eu tirei um cordeiro pascal daqui e apresentei, eu apliquei, impus num outro cenário para um homem, Jesus, morrendo na cruz por seres humanos. OK? Eu falei para você que os Macabeus entenderam o seguinte, que o sangue dos mártires havia reconciliado Deus com o povo. Howard Marshall, que foi um gigante eh da dos estudos do Novo Testamento lá na Escócia, ele escreveu um artigo muito bom sobre reconciliação bastante tempo atrás, onde ele teve um insight. Ele disse: "Olha, eu imagino que Paulo foi o primeiro a usar a palavra reconciliação do modo como ele usou. Stanley Porza, recente, não tão recentemente, mas um acadêmico mais ainda vivo, ele resolveu pegar aquele insite de Howard Marshall e conferir. Deixa eu deixa eu fazer a pesquisa agora. Ele foi lá no eh no nos programas que a gente usa para fazer a busca e ele analisou todas as ocorrências da palavra grega, substantivo, verbo, etc., em todos os textos gregos que nós temos disponíveis online. Nós temos tudo isso online. Você põe lá, escreve, dá um enter, aparece lá. Depois você tem que ler um por um, né? Não é chato GPT, não. Você tem que ler um por um e pensar. Eh, pensar dói, mas ainda é importante. Eh, e ele fez isso e ele e ele confirmou que Howard Mar estava certo. O que é que Paulo fez? Ele falou o seguinte: "Olha, nós somos nesse cenário inimigos de Deus. E enquanto os Macabeus entenderam que um sangue dos mártires reconciliou Deus consigo mesmo, Paulo falou o seguinte: "Olha, gente, Deus estava em Cristo. O que aconteceu na cruz foi um ato de reconciliação. O do primeiro século falava o seguinte: "Eu sei o que que é isso. Eu sei porque no mundo greco-romano funcionava da seguinte maneira. Se eu ofendi o Jonas, meu exército, ofendeu o exército do general Jonas ali, eu sou o ofensor. Eu quero reconciliar o esperado, a expectativa da sociedade da época é que eu, o ofensor, tome a iniciativa de enviar uma embaixada de paz. Tão entendendo o que eu tô dizendo? Se a cidade A ofendeu cidade B, cidade A tem que mandar alguém na B. A B tem que ficar só esperando. Ela não tem obrigação de buscar paz com ninguém, porque ela foi ofendido. Em todos os textos que Stanley Pottera leu sobre reconciliação antes de Paulo, em todos os cenários de reconciliação bilateral, dessa forma, era sempre o ofensor, que era o sujeito do verbo reconciliar, e o ofendido, o objeto direto do verbo reconciliar. Paulo foi o primeiro escritor na história da humanidade, da língua grega, a usar o verbo reconciliar com a parte ofendida como sujeito do verbo. O que Paulo tava dizendo pro se isso era chocante pros ouvintes, porque era novo, especialmente vindo da divindade. Porque Paulo está dizendo, os Macabeus não entenderam o ponto certo de Isaías. O servo sofredor de Isaías foi enviado por Deus para redimir e salvar um povo que era culpado diante de Deus de ser infiel à aliança. Deus não era, Deus não foi infiel, Deus não quebrou nada. Foi o povo. Mas Deus tomou a iniciativa de resgatar. Paulo tá dizendo, nenhum pecador tem condições de reconciliar um Deus virado consigo mesmo. Pela primeira vez na história, nós vemos que alguém ofendido inicia a reconciliação. Paulo tá dizendo: "Foi Deus quem tomou a iniciativa de vir em direção aos seus inimigos e reconciliar inimigos consigo mesmo." Isso é revolucionário no primeiro século. Isso é o que um bom orador faz. E aí nós entendemos o que Paulo quer dizer por reconciliar. A metáfora é conhecida. E isso foi importante para Paulo. Por quê? Porque ele despertou a atenção de todo mundo. Mas ele ele sa ele subverte as expectativas da dos seus da sua audiência e choca a audiência e torna memorável. Há uma coisa, uma coisa comum em a todas as metáforasológicas do Novo Testamento. Uma coisa só, bom, talvez outras, mas uma coisa fundamental é que a iniciativa é sempre de Deus. Paulo chama isso de quê? Graça. Redenção, ele toma a iniciativa de redimir. Salvação, ele toma a iniciativa de salvar. reconciliação. Ele reconcilia, ele justifica, ele adota. Nós somos inimigos separados, rebeldes, que se não for transformado pela graça de Deus, não consegue sequer erguer a mão para receber a oferta de salvação. A reconciliação, então, refere-se à restauração da comunhão da humanidade com Deus. Envolve a humanidade reconciliada com o Senhor e nunca o contrário. Sempre Deus é o iniciador. A humanidade só contribui com a sua disposição mediante a graça que o desperta para isso. O estado do qual nós somos libertados é inimizade ou estranhamento. Nós vamos ver isso mais amanhã. E esse ato de reconciliação é realizado através de Cristo e do poder de sua morte. E aí eu vou deixar com esse último ponto. A reconciliação tem duas dinâmicas importantes, tanto no argumento do meu livro como nessas palestras. Uma dimensão vertical, Deus nos reconcilia consigo mesmo, e uma dimensão horizontal. Aqueles que são reconciliados com Deus são enxertados em um só corpo e vivem como uma comunidade de reconciliados que promove a reconciliação. Vamos orar. Senhor Deus, muito obrigado por esse tempo pensando sobre a tua palavra e obrigado, Pai, pela grande reconciliação que nós recebemos em Cristo Jesus. Inimigos rebeldes, estranhos, mas achados por tua graça em Cristo. Nós te rendemos louvores por ele, Pai, hoje e sempre. Amém. Yeah.