A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 2/3) Diego dy Carlos
09/02/2026
A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 2/3) Diego dy Carlos
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OK. Ontem, eh, nós começamos a ver uma, fizemos uma pequena introdução à doutrina paulina da reconciliação. E, como eu falei, hoje eu pretendo avançar um pouquinho com vocês dando uma olhada em Efésios. Originalmente eu pensei em fazer as três cartas de, como eu mencionei, eu estou trabalhando nesse livro, mas eh não não daria tempo, ficaria um pouco muito talvez superficial, mas ah nesse livro e eu queria apenas falar um pouquinho sobre a ideia dele, e aí a gente já serve como uma introdução ao que a gente vai fazer hoje. Eu resolvi escrever um pouquinho sobre a reconciliação paulina em três cartas paulinas, em três cartas de Paulo, Efésios, Colossenses e Filemó. Por enquanto, nessa obra, eu tô deixando de fora segunda aos Coríntios e Romanos. Mas por que essas três cartas? É uma pergunta é muito comum e normal. Bom, ah, eu estou propondo uma leitura canônica das três cartas, porque eu estou argumentando que elas foram enviadas na mesma ocasião pelo apóstolo Paulo para a mesma região e a para uma igreja onde se envolviam as mesmas pessoas ou um conjunto de muitas pessoas ali a semelhantes, as mesmas os mesmos personagens. Ah, tem um estudioso do Novo Testamento chamado Timothy Johnson no seu livro Construindo Paulo, o Paulo canônico. Essa obra está e em inglês. Ele faz as conexões, ele apresenta para nós as conexões literárias entre as três cartas. E dentre os elementos que ele apresenta pra gente ali, talvez a mais relevante ou mais relevante seja o aglomerado de nomes próprios comuns a Efésios, Colossenses e Filemon, especialmente a Colossenses e a Filemon. Mas as três cartas estão linkcadas. Ah, isso leva, não é, quando você, a gente não vai ter tempo de fazer essa leitura, estou apenas introduzindo. Você lê Colossenses, especialmente o último capítulo, quando Paulo está saudando uma série de pessoas. E aí você abre a Colossenses, você vai a Filemon, você vai perceber que as mesmas pessoas aparecem nas duas cartas, tanto os companheiros de Paulo que estavam com ele na prisão indicando para nós que as duas cartas foram muito provavelmente escritas na mesma ocasião, na mesma situação, quanto aqueles que também estavam recebendo a correspondência a Paulina. também nos apontando ali que eles estavam a que eles pertenciam a uma mesma comunidade. Johnson conclui com base nisso que à primeira vista essa concentração de nomes idênticos parece sugerir eh que Filemon e Colossenses foram escritos ao mesmo tempo no mesmo lugar e pela mesma pessoa e eu acrescentaria a mesma igreja ou comunidade cristã. Isso é fica mais evidente ainda quando a gente percebe em Colossenses capítulo 4 e verso 9 que Paulo menciona um personagem muito interessante, Onésimo. Vocês lembram quem Onésimo era aquele escravo que pertencia a Filemon, que Paulo pretende eh apresentar ou reapresentar ao seu senhor Filemon. Isso ah nos mostra, né, Paulo chama Onésimo de o fiel, amado irmão que é do vosso meio. Veja, isso aqui é na carta aos Colossenses. Isso então indica pra gente que Filemon pertencia à igreja que estava onde? em Colossos, naquela mesma cidade. Quando Paulo endereça a pequena carta a Afilemon, ele endereça em primeiro lugar a Filemon, obviamente, Arquipo, Áfia, e a igreja que se reúne em sua casa. O que nos mostra que Filemon provavelmente era alguém bem de vida, que tinha uma casa grande suficiente para abrigar uma comunidade cristã local. Os mesmos nomes aparecendo ali nas duas cartas. Então nós estamos aqui ah se referindo à mesma igreja. E Onésimo estava presente quando Tíquico, o emissário das cartas de Paulo, juntamente com Onésmo, lia a carta aos Colossenses para a igreja. E por que que ele lia a carta que Paulo enviara aos Colossenses? Porque naquela época era costume, em particular as cartas de Paulo, que o emissário da carta, aquele que trazia a carta, lesse em voz audível para todos, porque era uma carta que iria beneficiar a toda a igreja. Nem todos sabiam ler naquela época e fazer cópias era muito caro. Então nós não temos essa a gente não pode pensar nesse nesse processo de cartas como as cartas modernas em que nós facilmente temos várias cópias enviando para indivíduos. Então, Tquico lê Colossenses e a Onésmo ao seu lado como um dos emissários de Paulo. E Paulo ainda nos diz em Colossenses que os dois, Tíquico e Onésimo, ah, informariam a igreja tudo com respeito a ele, tudo que estava acontecendo com ele. Isso também era um papel dos emissários de cartas naquela época. Eles não somente liam as cartas, ah, digamos, de Paulo nesse caso pra igreja, como eles também tinham a tarefa de explicar alguma coisa que talvez não tivesse ficado muito claro e de acrescentar informações, de responder perguntas e coisas semelhantes. Isso era um costume dos emissários e cartas do primeiro século. E nós vemos isso também revelado para nós nas cartas de Paulo. Por outro lado, quando nós olhamos Efésios, quando tentando fazer essa eh juntar essas três cartas, Efésios não possui referências pessoais, com a exceção de Tíquico. Tíquico, de todos esses que aparecem em Colossenses e Filemon, é o único que figura ah em Efésios. Ele é mencionado ali como mais uma vez o encarregado de transmitir informações sobre Paulo aos seus destinatários. Portanto, como emissário de ambas, tanto de Colossenses como de Efésios, Tíquico constitui o link histórico entre Efésios e Colossenses. Mas isso nós estamos pensando em termos de eh uma prospografia, um estudo de nomes próprios aqui. Mas quando nós olhamos a o próprio texto de Efésios e Colossenses, a semelhança entre as duas cartas são claríssimas, não são? Tanto que alguns comentários, especialmente os mais antigos, juntavam Efésios e e Colossenses. Alguns outros, Efésios, Colossenses e Filemon e vários outros comentários até hoje juntam na mesma obra Colossenses e Filemon. Não é à toa. Então, a maioria das sessões de Colossenses ocorrem em Efésios, geralmente na mesma ordem. Efésios compartilha cerca de 1/3 do texto de Colossenses. Porém, a gente não pode ou não deveria exagerar as semelhanças entre as duas cartas, porque nós também encontramos ênfases peculiares em ambas. Ah, e o mesmo material sendo trabalhado em Efésios, no entanto, com em contextos diferentes e com nuances diferentes. No entanto, o suficiente para nos revelar, para evidenciar que as duas cartas possuem algum tipo de relação eh literária. Muito bem. Qual é a minha proposta então para ler essas três cartas canonicamente? E aqui nós vamos entrar um pouquinho mais ainda em interpretação e um pouco de conjectura e vocês tenham paciência comigo e e vocês podem avaliar se essa proposta de reconstrução é provável ou simplesmente possível. Mais uma vez falando pros estudiosos de bíblia, de teologia, alunos novos e velhos. Quando você estiver escrevendo o seu trabalho acadêmico, qualquer um deles, a tarefa do exegeta é tentar ao máximo sair do do estágio do possível para o provável. Então, quando um aluno geralmente na nas minhas aulas me pergunta: "Professor, mas o senhor acha que é possível Paulo ter morrido ou você acha que é possível Paulo ter escrito essas cartas da sua prisão em Cesareia ao invés da prisão em Roma?" Possível é, mas é provável à luz das evidências. Então, o que nós precisamos fazer é tentar fazer esta este salto. E a gente faz isso não impondo no grito, como pregador ruim que precisa bater no púlpito e falar alto porque não tem conteúdo. Nós precisamos fazer isso com argumentos e evidências textuais, ok? Então vocês podem julgar se isso é provável. Essa é a minha reconstrução das três cartas. Ah, eu estou usando aqui parte da reconstrução de a de Johnson, que eu acabei de mencionar, junto com algumas variações dessa teoria e outros também. Epafras foi o fundador da igreja em Colossos. Paulo menciona isso em Colossenses 17, no final também no capítulo 4. Paulo não fundou essa igreja. Provavelmente Epáfras havia sido um fruto do trabalho evangelístico de Paulo em Efésios, quando em Éfeso, quando ele ministrou ali por vários anos. E através do ministério dele, toda a Ásia, nos diz Lucas em Atos conheceu ou ouviu falar do Senhor Jesus. Epáfras está agora preso em Roma juntamente com Paulo. Por alguma razão ele está preso com Paulo ali. E ele traz notícias da igreja de Colossios. Ele fala para Paulo que alguns falsos mestres estavam divulgando essas heresias ali e que ele precisava do auxílio ministerial de Paulo para lidar com a influência desses falsos mestres. Paulo então resolve escrever uma carta para resolver esse problema eh de falso ensino em Colossenses. Por em Colossos, por alguma razão, Onésimo também está na mesma prisão de Paulo em Roma. se ele era um escravo fugitivo ou se ele estava buscando o auxílio de um mediador, um amigo do seu senhor. Enfim, isso agora não é no meu interesse, mas o fato é que nós sabemos que Onésimo estava com Paulo ali. Ele então aproveita a oportunidade para escrever uma segunda carta, Filemon. E essa segunda carta seria uma carta de recomendação para reconciliar Filemon e Onésmo e enviaria na mesma ocasião junto com a carta a a aos Colossenses, porque a o tanto Filemon estava pertencia a esta mesma cidade. No entanto, Paulo sabia também que a influência desses falsos mestres em Colossos podia facilmente se espalhar pela Ásia Menor, porque aquelas igrejas a da Ásia estavam conectadas por um sistema, pelo sistema de estradas romanas que tornava o acesso a cada uma delas muito fácil e muito ágil. Então ele sabia disso também com, né, com esse objetivo, mas não somente isso, Paulo resolve escrever uma carta encíclica, uma carta que seria circulada em toda a Ásia, que serviria como um remédio profilático contra um um possível eh uma possível infecção desses falsos ensinos. Essa carta nós conhecemos como Efésios. E essa seria a minha teoria de que eu concordo que Efésios provavelmente era uma carta encíclica, não escrita para uma cidade em si específica, mas para toda uma região. E então Paulo pega essas três cartas mais a carta que ele escreveu a Laodiceia, que nós não temos mais. Lembra que no final de Colossenses Paulo fala: "E olha, certifiquem-se de que a carta que eu mandei para Laod Odisseia seja lida em Colossos e a carta que foi lida entre vocês seja lida em la Odisseia". Então é possível que Paulo enviou quatro cartas ou três. Se Efésios também foi a carta lida a a a Laudsaia que ele menciona, nós não sabemos. Ele entrega a Tíquico e a Onésimo. E eles dois vão então para a Ásia Menor, levando essas três cartas. Éfeso é o porto de entrada ah pra Ásia Menor. Eles então muito provavelmente de Roma entram por Éfeso, onde a primeira carta é entregue a Éfeso, Efésios. E eles então seguem para Colossos numa caminhada de mais ou menos 2 dias, cerca de 180 km entre Éfeso e Colossos. Lá eles reúnem a igreja em Colossos e Tíquico, como emissário de Paulo lê a carta aos Colossenses. Uma das ênfases fortes de Colossenses, não apenas, mas uma das ênfases muito fortes ali, eu argumento isso a no meu livro, é que é o tema da reconciliação. Ele fala isso tanto no aspecto, desenvolve isso tanto no aspecto vertical. Deus reconcilia todas as coisas, como também na sessão exortatória, ele passa a falar dos efeitos horizontais dessa reconciliação, falando do perdão de uns aos outros, falando que em Cristo Jesus, ah, em Colossenses 3:11, não há mais escravo ou livre, ah, judeu ou gentil, mas todos são um em Cristo Jesus e Cristo em todos. E ao final dessa carta, tíqueésmo de frente à congregação, como eu estou com vocês agora, Filemon sentado ali, ele termina de ler Colossenses, talvez responde algumas perguntas e a congregação se levanta para se dispersar. E Tik então se volta para Fileemon e disse: "Gente, só um instantinho, eu tenho uma segunda carta para ler. É para você essa, Filemon, e pra igreja que se reúne em sua casa. Onésimo aqui, o meu companheiro vai ler essa carta. Onésimo recebe Filemon, está com a carta a Filemon e ler a carta que Paulo escreve para reintroduzi-lo a Onésimo, a Filemon. Depois de ouvir uma carta inteira de quatro capítulos sobre reconciliação e os efeitos práticos disso, Filemon escuta que ele precisa receber de volta e ser reconciliado com seu escravo Onésimo. Isso adiciona um pouco mais de pressão. Paulo sabia o que estava fazendo a Filemon. Ele traz testemunhas à igreja que está em sua caso. Nós sabemos do poder retórico de Paulo. Enity Wright tem uma frase muito interessante para resumir o que está acontecendo em Filemon. Na abertura de sua Magnus Opus de 2015, Paulo e a fidelidade de Deus, ele se referindo a Filemon, ele diz que e Deus estava em Paulo reconciliando Onésimo a Filemon. Ele estava parafraseando, obviamente, segunda aos Coríntios 5, Deus estava em Paulo reconciliando o Onésimo a Filemon. A minha proposta então é que Efésios e Colossenses e Filemon podem e devem ser lidas canonicamente como três cartas enviadas na mesma ocasião pra mesma região, envolvendo muitos dos mesmos personagens. e que um tema unificador das três é reconciliação. Em Efésios, como nós vamos ver hoje, Paulo enfatiza, obviamente, tanto a reunificação cósmica como aquela que ocorre entre seres humanos, especialmente judeus e gentios, como grande modelo de inimizade social que foi reconciliada na cruz. Ah, em Colossenses, Paulo enfatiza talvez um pouco mais o aspecto cósmico dessa reconciliação, mas também traz pra gente os aspectos horizontais, preparando para Filemon. E Filemon, que não tem uma só ocorrência da palavra reconciliar ou reconciliação, por que que deveria ser lida como uma carta cujo conteúdo é reconciliação? Porque é esse o assunto. O assunto de Filemon, irmãos, não é escravidão, não é escravos e mestres. E o que fazer nessa situação? Eu sei que esse é um tema importante. Eu sei disso. Eu sei que nós sabemos que Fileão foi abusado ao longo da história por aqueles que tentaram justificar a escravidão, especialmente a escravidão do novo mundo nas Américas, que é terrível, terrível, absolutamente absurdo. No entanto, o conteúdo, o tema de Filemon não é um tratado sobre o regime escravagista, é um tratado sobre reconciliação na prática. É a teologia prática. É como se Paulo estivesse dizendo, "Estou falando tanto de reconciliação, vamos ver se isso funciona mesmo nos relacionamentos interpessoais da comunidade reconciliada. Vamos mostrar um teste, um caso teste aqui da reconciliação. Essa é a minha reconstrução. Então, nessa palestra de hoje, eu vou falar um pouquinho pensando apenas em Efésios. E aí eu vou deixar Colossenses e Filemon de lado, porque você vai ter que comprar o livro. Aí fica, né, essa ideia assim, né, aí você pode ver e julgar se realmente a coisa bate bate lá direitinho. Aí depois você vai lá na internet para me cancelar ou alguma coisa do tipo. Mas lê primeiro aí depois cancela ou esquece esse negócio de cancelamento. Na segunda, na terceira palestra amanhã nós vamos falar sobre igreja reconciliada sempre reconciliando. Hoje eu quero focar um pouquinho naquilo que nós conhecemos como o a metade indicativa da carta de Paulo, onde Paulo nos traz teologia no indicativo, dizendo o que é que aconteceu, o que é que Deus fez. Amanhã eu quero focar na sessão parenética de Efésios ou na sessão exortória de Efésios a partir do capítulo 4, especialmente os versos 1 a 16. Para nós então falarmos sobre Efésios, nós precisamos começar pelo começo. Efésios capítulo 1. Você pode abrir a sua Bíblia, usar o handout que ah eu trouxe ontem com os quatro textos. Eu acho que você já teve um Qcode aqui para o handout de hoje, né? Então, o handout número dois, você pode ir acompanhando o que nós vamos ah desenvolvendo aqui. Primeira coisa, então, que eu quero ver com vocês em Efésios, é o mistério de Deus revelado à reunificação cósmica em a Efésios 19 a 10. Como nós sabemos, Efésios 13 a 14 é um texto muito conhecido da gente. A gente chama esse texto de uma eologia ou a um enaltecimento, um louvor a Deus. Paulo inicia o verso 3 dizendo: "Bendito seja o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo". E ele desenvolve a em uma estrutura trinitariana belíssima, não é? ah, desenvolve paraa gente ali a a história da redenção desde antes da fundação do mundo, quando nós fomos eleitos e predestinados para a adoção a em amor. E ele vai desenvolvendo isso, passando pelo o papel do Pai, do Filho e finalizando com a o Espírito Santo. O clímax desse enaltecimento, dessa eoguia, são os versos 9 a 10, onde Paulo diz, no verso 8, ele fala que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda sabedoria e prudência essa graça que ele derramou sobre nós. Como que essa graça foi manifestada? quando ele desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propuser em Cristo de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra. palavra mistério. Aqui a expressão mistério da sua vontade é um mistério para alguns de nós. Isso porque a palavra grega por trás da palavra portuguesa mistério é misterion. E aí os nossos tradutores traduziram corretamente como mistério. No entanto, a palavra portuguesa mistério tem uma conotação diferente daquilo que a palavra Mysterion em grego tinha para Paulo e para os ouvintes do primeiro século. A palavra mistério em português se refere comumente a algo impenetrável à razão e, portanto, inexplicável. Daí nós falamos de algo misterioso. Já na tradução, na tradição judaica a qual Paulo pertencia, Myterion significava algo que outrora estivera oculto, mas que agora fora revelado. ou se nós queremos uma outra palavra portuguesa para isso, talvez a palavra segredo seja uma boa ah palavra para nós entendermos o sentido de mistério, algo que estava oculto, mas que ah foi revelado neste momento. Essa palavra ocorre várias vezes na tradução do livro de Daniel, do hebraico para o grego. Então, na versão grega do livro de Daniel, o sonho de Da Boca Donozor, junto com a interpretação, é referida como Misteriona. E essa era uma palavra importante na literatura apocalíptica dos judeus. se referia a algo que o próprio Deus escondera da humanidade. E uma das características desta palavra é que somente a divindade, somente Deus podia revelar, desvelar a esse segredo aos seus profetas. Se Deus não o fizesse, seria impenetrável. Nabuco Donos e os seus magos jamais poderiam penetrar o segredo oculto por Deus se ele não tivesse revelado a Daniel. Paulo então nos diz que esse segredo fora esse mistério estava estava oculto por um tempo, mas que agora foi revelado aos seus apóstolos. Tanto em Efésios como em Colossenses, o mistério significa o plano secreto de Deus. N outro lugar, Paulo define mais especificamente como a inclusão dos gentios dentro do plano redentivo de Deus, tornando-os coparticipantes das promessas de Deus ao seu povo. Aqui em Efésios 1:2, nós precisamos perguntar: "Qual é o conteúdo desse segredo?" Agora eu quero saber que segredo é esse. Estou curioso. Paulo nos revela, veja, volte pro texto. Desvendando-nos o mistério da sua vontade segundo a sua boa vontade que ele estabelecer em Cristo. E qual mistério é esse? O mistério era de fazer convergir nele, na plenitude dos tempos, não é? De acordo com a sua dispensação, todas as coisas, tanto nos céus como na terra. O plano secreto de Deus então consistia, e essa a minha maneira de traduzir a expressão fazer convergir. Uma outra maneira de você traduzir essa palavra grega anafaleio, cafaleio, é resumir ou unificar. Resumir seria talvez a resumir ou recapitular seriam os usos mais comuns da palavra anafalaio aqui a na literatura, especialmente na literatura de retórica grega. Em Romanos 13:9, por exemplo, Paulo diz que todos os mandamentos se resumem em um só, no grande mandamento do amor. Ele coloca todos debaixo, né, desse mandamento. Ele resume todos em um. A palavra lá é essa que é falion de onde vem Ana Cafalion. Ele resume, então traz, ele recapitula todas as coisas. Mas nós, enquanto, por um lado, entendemos o sentido dessa palavra na literatura grega como sendo resumir, recapitular, o que é que isso significa em relação a Cristo e a obra vicária da cruz? Porque Paulo a aplica aqui metaforicamente, correto? para ser o que significa dizer que todas as coisas foram resumidas em Cristo, gente, o que é que é isso? O que a expressão metafórica aqui significa pra gente no contexto, esse resumir todas as coisas, fazer convergir todas as coisas em Cristo, consiste no ato de Deus de reintegrar em Cristo várias esferas de uma existência fragmentada. O contexto aqui de Paulo é que ele vê o cosmos, ele vê o universo criado por Deus como fragmentado em várias esferas. E em Cristo Jesus, ele diz: Deus traz tudo isso de volta a um eixo unificador. Pense em Colossenses, capítulo 1, versos 15 a 20. O hino de Cristo. Eu falei para você que nos versos 15 e 16, Paulo ah fala pra gente da supremacia de Cristo na primeira criação. Ele usa três preposições importantes ali. Ele diz que a todas as coisas foram criadas nele, por ele e para ele. Quem tem supremacia em toda a criação? Cristo. Pela primeira vez na Bíblia, pela primeira vez no Novo Testamento, nós lemos que toda a criação foi criada para Cristo. Paulo nunca disse isso antes. Em Romanos, ele fala que tudo foi criado para Deus Pai. Agora ele eleva a sua cristologia e fala que todas as coisas foram criadas com propósito, nós imaginamos, entendemos assim, de glorificar a Cristo. Ele é o objetivo final. É ele. Deus não criou o universo primariamente para o nosso deleite ou porque ele estava se sentindo solitário no mundo ou na na esfera da existência divina. Ele criou para a glória do filho. Muito bem. Algo aconteceu que fragmentou a unidade desse mundo e dessa desse universo que Deus criou e disse que era muito bom. Porque na segunda metade do hino, Paulo repete as três preposições e diz que Deus reconciliou todas as coisas nele, por ele e para ele. Você percebe como no ato da reconciliação, aquilo que originalmente fora criado, bom, com unidade, harmonia, mas que em algum momento perdeu tudo isso, ele é reconstituído, reconciliado em Cristo Jesus e ele permanece no centro. Entre essas duas estrofes do hino, Paulo diz que e nele todas as coisas subsistem. Ele mantém todas as coisas unidas juntas. Cristo é o eixo unificador da existência material e imaterial. Coisas nos céus e coisas na terra. Portanto, quando Paulo diz aqui que todas as coisas convergem em Cristo ou todas as coisas são reunificadas em Cristo, é disso que ele está se referindo, este trazer de toda a existência fragmentada de volta à união no seu eixo unificador. As palavras de um acadêmico do Novo Testamento chamado Max Tor, quando Paulo aplica esse verbo, abre aspas ao relacionamento escatológico de Cristo com uma multidão de entidades, inclusive seres espirituais pessoais espalhadas pelo cosmos, somos convidados a receber ou a conceber o resumo de Deus dessas entidades em Cristo como seu ato de reunir todas as coisas em e sob Cristo. o ato de Deus de unificá-los de alguma forma em Cristo. Portanto, em Cristo, Deus realizou uma reunificação, isto é, o restabelecimento da unidade e harmonia cósmica previamente existentes. No seu handout, eu coloquei os dois textos aqui importantes de Colossenses e e Efésios pra gente. Se você percebe que alguém não tem um handout, quiser compartilhar aí ao seu lado, fica à vontade. Eu coloquei de um lado Colossenses 1:20. Colossenses 1:20 pertence à aquilo que eu acabei de ler ou de mencionar para você, que é o hino de Cristo, onde a Paulo conclui a segunda metade do seu hino lá em Colossenses. E Efésios 1:10 do outro. Em Efésios, em Colossenses 1:20, como você pode ver na sua folha, na segunda linha, Paulo diz que toda a plenitude de Deus aprove habitar nele e por meio dele reconciliar. Aqui aparece a nossa palavra, reconciliar todas as coisas a ele, Cristo ou nele. Olhe para pra coluna da direita. Em Efésios ele fala reunificar, ele muda a metáfora. Ana quefalaio. Resumir tudo. Resumi o quê? Todas as coisas. Tá panta. Mesma expressão grega. Per. Ah, percebe aí todas as coisas. Em quem? Em Cristo. Em Efésios ele fala reunificar todas as coisas. Em Colossenses ele fala reconciliar todas as coisas em Cristo. Veja agora a segunda linha embaixo. Tanto as coisas na terra quanto as coisas nos céus. Em em Colossenses 1:20. E em Efésios ele fala tanto as coisas nos céus quanto as coisas sobre a terra. A mesma expressão só invertendo a ordem. Você percebe como os dois textos são muito similar a semelhantes? Isso porque o que Paulo faz em Efésios é reinterpretar aquilo que ele havia escrito em Colossenses 1:20. No entanto, agora ele fala em termos de reunificação, porque ele quer trazer esse ângulo novo ah nesse contexto de Efésios. Então, eu me sinto justificado em interpretar esta reunificação aqui em Efésios 19 a 10 como ato de reconciliação. Deus em Cristo Jesus ou reconcilia ou reunifica todas as coisas em Cristo, quer coisas nos céus, quer coisas na terra. Essa expressão céu e terra era uma expressão judaica bem conhecida e bastante usada no Antigo Testamento para se referir à totalidade da existência. OK? Então, basicamente esta é uma é um um semitismo para falar ah que ele reunificou tudo que há, tudo que foi criado espiritualmente, seres materiais ou imaterial, tudo foi criado, foi eh foi, desculpa, reunificado em Cristo Jesus. Até aqui tudo bem? OK. De onde Paulo tirou essa ideia de que todas as coisas precisavam ser reunificadas, gente, em Cristo? De onde Paulo tirou essa ideia de que havia a necessidade de uma reconciliação para o cosmos e não apenas para seres humanos? Ele tirou isso da tradição bíblica judaica. O pano de fundo aqui é o Antigo Testamento, porque de acordo com a tradição bíblica e judaica, a unidade da criação, como mencionei ontem, é um conceito fundamental relacionado à noção da existência de um só Deus, o monoteísmo. Se há apenas um Deus, o que é o fato, isso, isso significa que todas as coisas têm uma só origem. A origem é Deus. E não apenas isso, todas as coisas estão debaixo da autoridade do seu soberano criador, Deus. Portanto, na literatura hebraica e na literatura judaica, a lógica seria: "Portanto, todo o universo foi criado com unidade e harmonia, porque tem uma só origem e um só senhor." E tudo isso é verdade em Gênesis 1 e 2. Quando nós lemos Gênesis 1 e 2, você percebe que há completa e total harmonia em todas as esferas de relacionamento. A humanidade e Deus estão em perfeita harmonia. Deus descia para passear no jardim e bater papo com Adão. Todo mundo estava bem. Adão e Eva joinha. Nenhuma crise no lar, nenhuma falta de compreensão, nenhum problema de comunicação. Tô vendo marido aqui feliz da vida assim. Que bênção. Era, irmão, era mais fácil o negócio. Então, havia harmonia. E havia harmonia entre a humanidade e a natureza de Deus. Os animais vinham e Adão dava nome aos animais. A terra produzia frutos. Eles podiam comer de tudo que Deus havia produzido e todo fruto que Deus tinha produzido, exceto um, mas o restante era a vontade, havia harmonia em todas as esferas relacionais. No entanto, nós chegamos a Gênesis 3. Isso não dura muito tempo. E Gênesis 3 é o capítulo mais triste de toda a Bíblia. Quando o homem se rebela contra Deus. Quando Adão e Eva se rebelam contra Deus, eles fragmentam, destroçam o relacionamento fundamental da criação divina, que é o relacionamento divino humano. Quando o relacionamento fundamental, vertical, divino, humano, é rompido, todos os as demais esferas de relacionamento são fragmentadas. Percebe? Nós vemos isto logo ainda em Gênesis 3, quando Deus desce pronuncia a maldição sobre eles. Nessas maldições, nós vemos que haveria desarmonia e conflito entre homem, entre marido e mulher. Havia conflito, haveria conflito agora entre a humanidade e a natureza, como nós vemos na maldição sobre a serpente, na maldição sobre a terra, que agora daria o seu fruto, mas também com espinhos, com ervas daninas, seria do fruto do seu suor. E obviamente tudo isso fruto de um relacionamento originalmente rompido entre a humanidade e Deus. Então, quando o relacionamento fundamental divino humano é rompido, os demais são estralhaçados, são fragmentados e todo o cosmos entra em confusão. Então, ontem no podcast me perguntaram onde a o enredo da reconciliação, onde nós encontramos reconciliação pela primeira vez na Bíblia. Em Gênesis 3, quando tudo isso é perdido pelo pecado e rebeldia humana, Deus começa o processo de reconciliar a sua criação, quando ele já pronuncia a promessa de que da descendência da mulher viria um, que esmagaria a cabeça da serpente. E começa ali. E dali em diante nós temos a história de Deus reconciliando a sua criação conosco até o último capítulo da Bíblia, quando nos últimos dois capítulos de Apocalipse nós vemos o jardim perdido, reconstruído por Deus, restaurado por Deus, mas não apenas ao estado original de Gênesis 1 e 2, mas glorificado muito maior em glória e eterno e sem possibilidade de serpente entrar no reino de Deus e danificá-lo uma outra vez. Percebe? Percebe a história, o enredo da Bíblia é a história de Deus reconciliando a sua criação consigo mesmo e restaurando a unidade do cosmos a em seu filho Jesus Cristo, o seu eixo unificador. A intensificação dessas divisões, irmãos, são a ilustradas perfeitamente em Gênesis 4 a 11. Se você não entendeu, estudante da Bíblia, se e crente, se você não entende, uma vez alguém me perguntou em uma aula eh sobre teologia paulina, alguém chegou e falou para mim, um dos alunos: "Professor, ah, o que é que o senhor me indica, assim, a melhor leitura que eu preciso fazer para entender Paulo?" Falei: "Fácil. Você começa com Gênesis 1 a 3. Você precisa ler Gênesis 1 a 3 com muito cuidado e entender o que é que tá acontecendo ali. Depois você ler bastante, entender bem Gênesis 1 a 3, você lê do 4 ao 11. Aí você vê como o processo de queda foi intensificado. Porque no capítulo 3, Deus havia dito: "Se você comer do fruto, você morrerá." Não foi isso? Eles morreram. No capítulo 4, nós temos mais duas mortes. Um irmão matou o outro. Lamec no mesmo capítulo duplica a morte, mata mais dois. O mal vai se intensificando do capítulo 4 até nós chegarmos no último ato de rebeldia humana desses primeiros capítulos, quando a humanidade tenta invadir o céu na torre de Babel e Deus diz: "Já deu, já deu e espalha todo sobre a terra". Depois que você entender bem esses 11 capítulos, aí você lê o restante do Pentateuco e entenda bem. Depois você vai passar por toda a Bíblia dando uma parada com muita calma nos profetas, Jeremias, Isaías. Entenda bem, entenda bem os profetas. Ah, depois você chega lá em Jesus, lê os evangelhos com calma. Depois, bom, a moral da história é Bíblia. Estudante de teologia, não seja preguiçoso e não faça teologia terceirizada. Pastores pregam sermões terceirizados de outros, vão no YouTube completo, eh eh copiam eh esboços e pregam ou o mais comum, pregam comentários bíblicos. Quando se convida um pastor para pregar ou um seminarista ou um pregador para pregar, o vício, pelo menos lá no Nordeste, talvez aqui seja diferente, mas lá no Nordeste, em São Paulo, o vício é antes de abrir a Bíblia, se abrem três comentários bíblicos. Depois, se der tempo, ele ler a Bíblia para saber o que que ele vai, em qual texto ele, qual é a desculpa que ele tem para pregar o comentário, porque ele não sabe ler a Bíblia, ele não sabe interpretar a Bíblia, ele negligenciou hebraico, negligenciou grego, o pastor e o estudante de teologia, ele não sabe interpretar texto. Vai pregar o quê? Vai entender Paulo? Não vai. Vai entender Jesus sem entender o Antigo Testamento? Não vai. vai entender o Antigo Testamento sem entender o Novo, não vai também. Bíblia. Então, quando Paulo fala que todas as coisas foram reunificadas através de por meio de em Cristo Jesus, é disso que ele está falando. Esse é o tempo do cumprimento. Quando ele fala de plenitude dos tempos, ele não está se referindo aqui à aquela ideia de que o tempo eh estava maduro para Jesus e estradas romanas, paxos romanos, aquilo que às vezes a gente escuta no seminário. Nada disso. A expressão aqui é apocalíptica. O que o que Paulo quer dizer tanto aqui como em Gálatas 4:4, que vindo à plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho nascido de mulher, nascido sob a lei, é no tempo do cumprimento de Deus. Deus estabeleceu o tempo do cumprimento e é chegado em Cristo Jesus e todas as coisas são reunificadas nele. Bom, tendo introduzido a minha palestra de hoje, agora nós vamos desenvolver um pouco eh de tudo isso que a tudo isso que eu tô falando para você. Eh, eu tenho 10 minutos para terminar o restante, tá? Então, veja, a teologia da reconciliação está fundamentada na teologia da alienação. Toda o a a todo o universo criado foi alienado, se tornou estranho e se afastou de Deus. E essa perspectiva destaca que essa unidade primordial fora perdida por conta do pecado. O pastor ficou tão assustado que veio aqui paraa frente. Eh, muito bem. Mas nós temos um processo agora de reconciliação. E o que que eu quero destacar para você? Se eu tivesse mais tempo, o que é que acontece? Paulo fala então que o o conteúdo desse mistério é que Deus estava ou que Deus a em Cristo Jesus inaugura. Paulo não é eh ele não é eh inocente aqui ou na verdade não é essa palavra que eu tô procurando. Ele não é eh ingênuo aqui. Ele sabia que, embora ele pudesse falar que nós havíamos sido redimidos, que nós éramos novas criaturas, ele sabia que nós ainda estávamos nesse mundo mal, né? É aquela tensão a escatológica, né? que a gente conhece do Jael, ainda não. Nós já o reino já foi inaugurado, porém ainda não consumado. Infelizmente nós precisamos lidar ainda com o pecado. Ele sabia disso, mas ele também sabia que o reino havia sido inaugurado. Ele diz que o conteúdo foi essa reunificação. E ele diz então pra gente que isso já ocorreu na cruz. E quando ele vai elaborar um pouquinho mais nesse conteúdo do mistério, do segredo, ele diz que ah, ele reunificou todas as coisas em Cristo, tanto as coisas do céu como as coisas da terra. Como eu disse para você, essa expressão céu e terra significa toda a existência, a aspecto material e aspecto imaterial. No que diz respeito aos seres celestiais, tanto em Efésios como em Colossenses, Paulo dá muita ênfase aos poderes malignos. Você já percebeu isso? Tanto em Efésios como Colossenses? Esses são seres celestiais que Deus reunificou em Cristo Jesus. Quando ele menciona coisas na terra, ele está então pensando no aspecto da reconciliação que diz respeito a seres humanos. Nós, em ambas as cartas, Paulo trabalha as as duas esferas de reconciliação, mas eu argumento que em Efésios ele dá mais ênfase a reconciliação no que diz a respeito às coisas na terra. Eu vou tentar mostrar por rapidamente. No final do capítulo 1 de Efésios, ele elabora um pouquinho no que essa reunificação significou na esfera celestial. Ele diz que esses seres espirituais foram o quê? Subjulgados, submetidos a Cristo. Eles foram colocados debaixo dos pés de Cristo Jesus, que estava exaltado à direita de Deus Pai. Percebe? Estão no seu devido lugar agora. Estão lá. Pronto. Isso é basicamente a ênfase dos seres eh a da reunificação e reconciliação no que diz respeito às coisas no céu. E eu trabalho mais isso. O que é que reconciliação significa em relação aos seres espirituais no meu capítulo sobre Colossenses mais à frente. Então você a gente pode conversar sobre isso depois. Mas logo em seguida, no final do do capítulo um, veja como ele termina, ele diz que ele fez tudo isso para o benefício da igreja, porque ele deu, ele colocou todos os seres debaixo dos pés de Cristo e deu a Cristo Jesus como cabeça sobre todas as coisas. A quem? A igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. Ele mencionou a igreja, não mencionou? Agora ele passa a desenvolver a partir do capítulo dois um pouco mais sobre como essa igreja surgiu. E isso aqui é Paulo já iniciando pra gente a sua ideia de reunificação da humanidade. Veja nos capítulos, no capítulo 2, versos 1 a 10. Ah, o capítulo 2 está dividido em duas partes, versos 1 a 10 e depois 11 a 22. Os dois são complementares, obviamente são meio que paralelos, digamos assim. nos capítulos, nos versos 1 a 10, sendo bem objetivo com você, Paulo trabalha essa reconciliação vertical que eu mencionei para você, nós e Deus. Nos versos 1 a tr, ele fala do estado do homem antes de Cristo Jesus. Ele diz que nós estávamos o quê? Mortos, entregues a esses seres, a ao príncipe deste mundo. Nós temos os três inimigos aqui do ser humano, não é? a carne, talvez o pior deles, o mundo e o príncipe das trevas, os três inimigos. Ele fala que nós estávamos nesse estado de desobediência, debaixo da ira de Deus até o verso 3. E ele fala que nós andávamos de acordo com essas inclinações, não é assim que ele fala? Ele usa a metáfora andar, que é muito importante em Efésios. Mas no verso 4, nós temos nas três primeiras palavras em grego, duas primeiras palavras em português, o resumo do evangelho e da reconciliação. Mas Deus, mas Deus, esse é o evangelho, é Deus fazendo algo que você e eu não podíamos fazer. Mas Deus sendo rico em misericórdia, ele diz então como Deus em sua graça e misericórdia nos vivificou, nos deu vida juntamente com ele, correto? E nós somos unidos ao Cristo ressurreto que está assentado nos céus. Nós já estamos assentados com ele nas regiões celestiais, o já escatológico. E como ele termina o verso 10? dizendo que nós somos feitura dele, ou seja, criação dele, feitura, criação dele, criados em Cristo Jesus para >> que várias boas obras para que andemos nelas. Mais uma vez a metáfora andar depois de Cristo. Isso é importante para Paulo. Nos três primeiros versículos, ele fala que nós andávamos de acordo com aquela natureza antiga, pré-Cristo. Agora ele diz que uma vez criados em Cristo, nós andamos de acordo com a nossa nova natureza. Paulo, então, agora aplica isso nos versos 11 a 22, a com escopo coletivo, corporativo, agora se voltando para a igreja como um todo. nos versos 11 a 22, ele desenvolve os efeitos da reconciliação vertical nos relacionamentos horizontais a partir do grande paradigma da divisão social nas escrituras, que é a inimizade judeus e gentios. E aí nós chegamos no coração da minha palestra que eu vou ter 3 minutos para falar para você. Eu falei pro Jonas no final, ficou 50 minutos fechadinho, cara. Que inveja. Ele disse que tinha me dado 20 minutos dele para acrescentar o meu. Então, mas não vai colar. Então, veja só, nos versos 11 a 22, nós temos a reconciliação horizontal, paz com Deus e paz uns com os outros. E eu vou resumir para você o que é que acontece aqui nos versos 11 a 13. Nós temos aqui Paulo reconfigurando a identidade dos gentios ah convertidos, aqueles que ele mencionou juntamente com judeus nos versículos 1 a 10. Ele fala que outrora esses gentios que agora estavam em Cristo, eles eram estranhos à promessas da aliança. Eles não pertenciam à comunidade de Israel. Estavam distantes sem Deus no mundo. Esse era o estado do gentil sem Cristo. Mas agora ele diz, né? Mas agora e essa e essa é uma essa é uma um outro aspecto da estrutura de Efésios, essa estrutura apocalíptica, não é escatológica entre o outrora e o agora. Mas ele ele vai adiante e diz agora no verso 13, esse mas agora eu gosto de pensar que é similar ao mais Deus. No verso 4, mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estavais longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Esses gentios poderiam estar com uma crise de identidade, como Jonas tem falado pra gente aqui noutros termos, se sentindo menores. Mas Paulo diz: "Não, não, não, pera aí. Vocês eram assim quando vocês andavam nos versos 1 a tr. Mas agora que vocês estão nos versos 4 a 10, vocês que outrora estavam longe, agora vocês estão perto. Vocês foram aproximados de Deus, trazidos para perto. E qual foi o meio utilizado para esse para essa aproximação? Os versos 14 a 18 nos dizem a reconciliação. E o que é que Paulo nos fala aqui? Veja o verso 4 14. Porque ele é a nossa paz. Final do verso 15 se referindo a Jesus. Fazendo a paz. Verso 17. Vindo evangelizou a paz. Veja os versos 14 a 15 agora. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um. E tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem fazendo a paz. O que nós temos aqui, irmãos? Por conta do contexto, Paulo inverte a ordem. Ele começa com a reconciliação horizontal. Ele fala aqui que Cristo, sendo a nossa paz, uma referência no conjunto aqui a a Cristo como cumprimento do príncipe da paz de Isaías. Ele derrubou a parede de separação, que separava estes dois, e os reconciliou de tal forma que agora ele criou dos dois judeus gentius uma nova entidade. Ele traz os gentios judeus e nós temos agora esta reconfiguração do povo de Deus mediante a obra de reconciliação. É interessante observar que agora a identidade do crente não é mais definida em termos étnicos. Outrora, eles estavam fora da comunidade de Israel. Quando eles foram aproximados, Paulo não diz que eles foram agora inseridos na comunidade de Israel. Paulo diz que eles estão agora, que eles foram inseridos em Cristo. E porque eles estão em Cristo, eles estão próximos Deus. Ele fez isso ao destruir o mandamento ou os mandamentos que consistiam em ordenanças. Na literatura rabínica, a lei mosaica era geralmente conceitualizada como uma cerca em alguns lugares ao redor do povo de judeu para protegê-lo das contaminações dos gentios. E esta mesma cerca, a lei fazia separação entre os dois povos. Paulo diz, ela não existe mais. da lei enquanto um definidor de quem está dentro ou fora da aliança. Ah, cumpriu o seu papel e agora o denominador comum é Cristo Jesus. Estando em Cristo, nós somos parte da nova aliança. Então aqui nós vemos algumas coisas, irmãos. Primeiro, observe como nós temos aqui a reconciliação como recreação. Um novo homem surge no ato da reconciliação. Nós temos uma nova humanidade. A noção de povo de Deus é reconfigurada por Cristo. E agora nós temos uma nova identidade, uma identidade coletiva. Igreja é coletivo, é a comunidade dos reconciliados. tem muitas implicações para o conceito de desigrejado. Paulo daria um salto em confusão ao ouvir uma expressão do tipo um crente sem igreja. Para ele seria uma tautologia, não faria o menor sentido, uma contradição em termos o quê? Faz sentido algum, mas uma invenção moderna para dar vazão à nossa pecaminosidade, desejo de independência e total autonomia distante de Deus e de responsabilidade prestada ao seu povo. Mas veja só, eu vou já vou concluir com isso, pastor. É possível que, ouvindo tudo isso, um judeu na época tivesse dito: "É isso mesmo, o gentil precisava dessa reconciliação aí. miserável, pecador miserável, precisa ser reconciliado mesmo. Vai lá, Paulo, mete ver, manda ver esse negócio aí. Mas aí Paulo no verso 16 dá um passo atrás, ele fala só um instantinho. E reconciliasse, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. Paulo diz: "Ô querido irmão e e conterrâneo judeu, você e o gentil foram reconciliados em um só corpo a Deus. Portanto, os dois precisavam de reconciliação com Deus, porque os dois estavam nos versos um a três que ele acabou de escrever. Entende? Paulo diz que eles que ambos foram reconciliados com Deus em um só corpo. Veja a ênfase de Paulo no coletivo, no horizontal. Não é uma reconciliação do indivíduo, do pastor Cleiton com Deus sozinho. Isso é verdade. Acontece. Mas Paulo não traz luz ou não enfatiza esse aspecto da conversão individual. Ele está aqui enfatizando a dimensão fundamental coletiva da igreja, dizendo que ele reconciliou esses dois povos em um só corpo, que é o corpo de Cristo. A Deus. A Deus. Nos versos 17 a 18, nós temos um resumo de tudo que ele fala nesses versos 14 a 16, quando ele nos fala que em conjunto, como um corpo coletivo, nós temos acesso a Deus por meio do Espírito Santo e não por meio de nenhuma ah de nenhum traço étnico ou templo físico. Por último, nos versos 19 a 22, que eu não vou tratar, Paulo se refere à igreja como a cidade templo do Senhor. O templo é agora reconfigurado. E ao invés de nós termos um prédio, um edifício onde Deus se encontrava com o seu povo, Paulo diz que os crentes constituem esse novo templo de Deus, a família de Deus, onde o Senhor é a onde o Senhor se encontra. com os seus e onde Deus é adorado. Nós somos a habitação de Deus. Paulo diz. Isso foi um produto da reconciliação. Então eu queria apenas enfatizar ou trazer para você essa curiosidade para depois nós, quem sabe você ler um pouco mais sobre isso. Que como esta reunificação, Paulo começa demonstrando como ela tem esse efeito horizontal de reconciliar. Eh, e ele traz aqui este grande paradigma de inimizade social, judeus e gentios, em um só corpo, que é a igreja. A reconciliação vertical pressupõe necessária e naturalmente reconciliação horizontal. Horizontal. Depois, e essa é a minha última aplicação aqui, se é que nós podemos chamar de aplicação, a igreja, este um corpo de Cristo Jesus, é a comunidade dos reconciliados, a humanidade recriada em Cristo. Nessa humanidade, nós podemos talvez resumir tudo isso com Colossenses, capítulo 3. Se você abrir comigo a sua Bíblia no verso 11, descrevendo a ética da reconciliação, Paulo nos diz: "No qual não pode haver grego, nem judeu, circuncisão, nem circuncisão, bárbaro, cita, escravo livre, porém Cristo é tudo em todos. A nossa identidade é redefinida no ato da reconciliação. Nós agora estamos em Cristo Jesus. Ser escravo, Onésimo, é uma definição secundária para você. Ser senhor é uma definição secundária, livre. Definição secundária, judeu, gentil, secundário. A identidade primária do crente é em Cristo. Reconciliado, nova criatura. Vamos orar, irmãos. Vamos orar com Paulo no capítulo 3, versos 14 em diante. Paulo se põe de joelhos diante do pai, de quem toma o nome, de quem toda a família, de quem a toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra, para que segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder mediante o seu espírito no homem interior. E assim habite Cristo no vosso coração pela fé, estando vós arraigados e alicados em amor, a fim de poderes compreender com todos os santos qual é a largura e o cumprimento e a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento e para que sejais tomados e toda a plenitude de Deus. Amém.