A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 3/3) Diego dy Carlos
09/02/2026
A Metáfora Paulina da Reconciliação (Palestra 3/3) Diego dy Carlos
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Então, a minha proposta ao longo desses três dias foi ver com vocês uma pequena dar, né, compartilhar com vocês uma pequena introdução à doutrina paulina da reconciliação. a reconciliação que tem duas dimensões inseparáveis para Paulo, que é a dimensão vertical, Deus em Cristo reconciliando o mundo, seres humanos consigo mesmo, e uma dimensão horizontal, que são os resultados eh naturais, os resultados inevitáveis da reconciliação vertical, ou seja, a reconciliação entre os indivíduos reconciliados com Deus. A igreja, portanto, é a comunidade dos reconciliados. E a minha proposta é que a ética cristã, especialmente em Efésios, Colossenses, eu argumentaria em outras ah em outros documentos do Novo Testamento, mas especialmente aqui é aquilo que eu gosto de chamar de a ética da reconciliação. Paulo aplica a sua doutrina de forma muito prática na sessão exortativa da sua carta, mostrando que como aquela comunidade reconciliada com Deus vive uma moral, vive uma prática reconciliatória, não é, nos seus relacionamentos interpessoais dentro da igreja. Nós vimos no primeiro dia, então, uma pequena introdução à origem da metáfora da reconciliação em Paulo. Ontem nós tentamos ver um pouquinhos da reconciliação eh cósmica ou reunificação cósmica em seu aspecto terreno, ou seja, a reconciliação entre indivíduos, seres humanos, que deu origem à igreja, representado aqui em Efésios, pela reconciliação operada por Cristo entre judeus e gentios em Cristo Jesus. Essa foi a primeira parte, digamos assim, de Efésios. Efésios 1, 2 e 3, aquilo que nós conhecemos como um indicativo eh da carta de Paulo, onde Paulo nos traz informações sobre o que Deus fez por nós. A partir do capítulo 4ro, nós temos o que chamamos também de parênese ou exortação de Paulo ou os imperativos paulinos. E é nesse momento que nós vamos então pensar um pouquinho sobre o tema igreja reconciliada, sempre reconciliando. E como nós não temos tempo de ver os quatro capítulos ou os três, perdão, capítulos eh de Efésios, nós vamos ver uma amostra de Efésios 4:1 a 16, que é o capítulo introdutório da sessão parenética. Muito bem, você que tem um handouts, ah, vamos começar. Os capítulos 4 a 6 de Efésios constituem a sessão exortativa dessa carta conhecida como parêneses. Parêneses é a palavra que significa exortação, eh, exortação moral. Maior, a maior concentração de imperativos ah na carta estão aqui. Nós temos, na verdade, eu acho que ah eu preciso ver a informação precisamente. Nós temos em Efésios cerca de 40 imperativos, 41 talvez imperativos. Apenas um imperativo aparece nos primeiros três capítulos. Eh, hã, em Efésios 21, quando Paulo a ordena a igreja a lembrar que outra hora eles estavam distantes, mas agora eles foram reconciliados. Todos os demais imperativos estão nos capítulos 4 a se, portanto, isso é bem indicativo de que nós estamos lidando aqui com esses esses esses imperativos morais. Então, estes imperativos éticos estão fundamentados teologicamente nos indicativos da primeira metade da carta, na qual Paulo descreve o propósito divino de reunificar a criação, sobretudo em termos de reconciliação de gentios e judeus, que resulta na formação de uma nova humanidade que é a igreja. Portanto, ah, eu argumentaria, não é de se estranhar, que a exortação que se segue logo após aqueles três primeiros capítulos com tanta ênfase na reunificação, na reconciliação, desenvolva o aspecto ético da teologia da reconciliação. A reunificação cósmica que eu tentei expor para você aqui ontem em Efésios 1, 9 e 10 e todas as coisas compreendem compreende tanto a dimensão celestial, as coisas no céu, como a terrena, coisas na terra. A ênfase de Efésios, no entanto, recai sobre a dimensão terrena da reconciliação, ou seja, a reconciliação de indivíduos com Deus e uns com os outros, resultando na criação da igreja, tá? Os dois aspectos estão presentes aqui em Efésios, como estão presentes também em Colossenses. Porém, eu argumentaria e argumento no meu livro que a a ênfase em Efésios recai sobre este aspecto terreno, especialmente como nós vemos nessa ênfase tão forte de Paulo na junção aqui na na união de gentios e judeus. OK? Então, com isso em mente, o meu alvo hoje é examinar brevemente a relação entre a parênes e a teologia da reconciliação da primeira metade da carta, argumentando que os imperativos éticos da segunda metade de Efésios são essencialmente implicações éticas da reconciliação apresentada nos capítulos anteriores. A igreja, então, é a comunidade dos reconciliados e como tal deve cultivar com caráter e atitudes apropriados, com o objetivo de preservar a unidade da igreja e promover a sua edificação. Portanto, pegando aqui, parafraseando um pouco o moto ah reformado holandês para Paulo, igreja reconciliada está sempre reconciliando. Muito bem. A primeira coisa, então, para nós alcançarmos esse objetivo é avaliar um pouquinho, analisar brevemente a unidade de Efésios, porque há, irmãos, uma um grande debate ainda sobre a relação precisa entre os indicativos teológicos e os imperativos éticos. E nós precisamos evitar algumas falácias e ou algum algumas perspectivas equivocadas, pelo menos na minha opinião, a do que seria esse relacionamento. Nós temos um hino tradicional que eh pelo menos no ah nos Salmos e Hinos Congregacional, a última vez que a eu vi este hino sendo cantado, eh o hino diz mais ou menos assim em determinado momento: "Morri, morri na cruz por ti, que fazes tu por mim?" Excelente. Eu entendo a perspectiva do hino dentro do contexto. No entanto, que isto as pode gerar é a o eh talvez a ideia de que a ética cristã é simplesmente uma tentativa de imitar a Cristo Jesus sem antes haver aquela transformação que torna o indivíduo capaz de imitar. Tipo, o que é que você é capaz de fazer por mim hipoteticamente? Como Jonas colocou de maneira tão interessante ontem, algo que talvez você faria o que na sua, qual é a melhor coisa que você pode fazer por mim? aquela ética da gratidão. Eu obedeço a Deus a a e sirvo a Deus e obedeço a sua palavra simplesmente por gratidão. Verdade. Tem que a gratidão tem que estar ali. Mas se nós separarmos o indicativo de Paulo do imperativo, no sentido de que quando eu leio Efésios 1 a 3, eu tenho teologia. O que Deus fez por mim? O evangelho está aqui, capítulos 1 a tr, não é? Bendito seja Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos elegeu, nos predestinou. Quando nós chegamos no capítulo 4ro, que ele começa com, portanto, vivam dessa maneira, a impressão que isso nos dá e o risco que nós corremos com esse tipo de pensamento é separar algo que o evangelho de Cristo Jesus não separa. Evangelho ou mensagem, um indicativo, a ação de divina da ética cristã, como se o indicativo fosse Deus agindo e o imperativo depende de mim. Nós temos o sinergismo então moral aqui. O evangelho significa a mensagem do que Deus fez por mim. Mas agora a partir do capítulo 4ro aqui, eu que tô na respons, eu que assumo a direção. Se eu não fizer esse negócio aqui, a gente não vai obedecer o evangelho. Para Paulo não faz a menor, o menor sentido esse tipo de coisa. O evangelho para Paulo eu definiria como sendo a mensagem transformadora do que Deus fez por nós. Porque a no momento em que este evangelho encontra morada no coração de um indivíduo e ele é recriado, ele recebe uma nova natureza inclinada a obedecer a Deus. Portanto, para Paulo, o evangelho integra inseparavelmente indicativo e imperativo, proposição teológica e ética cristã, entende? Portanto, se alguém diz que ama a Deus, mas odeia o seu irmão, João diria: "É mentiroso". Ele pode ter uma doutrina correta. Ele pode conhecer muito das línguas originais, pode conhecer muito de teologia sistemática e ainda assim ser um demônio na igreja. Nunca foi alcançado pelo evangelho, entende? Mas aquele que é de fato crente, ele absorve o indicativo que o transforma. A fé vem pelo ouvir e ele é uma nova criatura, agora criada à imagem e semelhança de Cristo Jesus. e já inauguravelmente, pelo menos de forma inaugural, já pronta para habitar o novo céus e a nova terra, inclinado para o Senhor, ele agora vê Cristo Jesus e o ama e o abraça, entende? Então, esse relacionamento entre indicativo e imperativo é interessante. Paulo não ah não distingue como sendo duas coisas diferentes, evangelho e moral. Então nós precisamos para entender como Paulo conecta a ética da reconciliação, a teologia da reconciliação, entender um pouquinho desse relacionamento. Então, a Paulo incorpora a parênese, a teologia da primeira metade da carta, evidenciando o o caráter abrangente do Evangelho, que une separavelmente os elementos do saber, afirmações propositivas, ou seja, o indicativo teológico e do fazer instruções propositivas. Ou seja, o imperativo ético. E eu quero destacar, então, para isso, para nós vermos essa ligação à unidade literária e conceitual de Efésios, eu quero destacar dois elementos estruturais importantes nessa epístola, tá? Primeiro deles é a tensão escatológica entre o outrora e o agora da existência cristã. Você não vai entender, eu diria o Novo Testamento, mas eu vou afunilar um pouquinho. Você não vai entender Paulo e aí eu vou afunilar um pouco mais. Você não vai entender Efésios se você não entender a perspectiva escatalógica de Paulo. E essa tensão entre o outrora e o agora da existência cristã. Como eu falei no primeiro dia, naquela experiência de Paulo a caminho de Damasco, houve uma mudança de paradigma radical em Paulo e vários aspectos da sua teologia muito bem, ah, digamos assim, ah, fundamentada em seu ah em sua mente por todo o seu treinamento aos pés de Gamaliel, parte disso dizer respeito à perspectiva judaica quanto à escatologia. e uma, embora não haja uma unidade de pensamento, não é? Não seja um sistema que monolítico no no judaísmo do primeiro século, talvez a perspectiva mais popular entre a os judeus do primeiro século era que a existência era dividida em duas eras, a era presente e a era futura. A era futura ou a nova era, o novos céus e a nova terra seria inaugurado com a vinda do Messias. Até aqui nós estamos mais ou menos na mesma página. parece muito semelhante ao que a gente hoje fala eh sobre escatologia. Então, essa era a ideia. O Messias vem, ele inaugura novos céus e e a nova terra, dependendo do texto que você tá lendo dos judeus a do judaísmo, eh, Israel é restaurado, colocado no topo do mundo, vai reinar sobre todos os demais, etc, etc e tal. Um dos elementos dessa da vinda do Messias era a ressurreição. Então eles atrelavam a ressurreição dos mortos à vinda do Messias. Quando o Messias vier, haverá ressurreição. Daí você vê tanta polêmica nas palavras de Jesus sobre ser ele a ressurreição, né? Ou seja, não é qualquer tipo de ressurreição, é a ressurreição esperada. Muito bem. Então, novos céus e a nova terra começariam. Mas aí Paulo se depara com o Messias. ressurreto. O que significa para Paulo, poxa, se esse de fato é Jesus o Messias, Jesus Cristo, a palavra Cristo para nós, e por isso a gente precisa ser cuidadoso com a linguagem, Cristo se tornou simplesmente para pelo menos pra maioria de nós, o sobrenome de Jesus. No primeiro século era um título muito importante paraa cristologia, é Jesus, o Messias. Com isso, os primeiros cristãos estavam dizendo, este Jesus é o Messias prometido. Então, Paulo se depara com Jesus reto e fala e pensa: "Poxa, este que os do caminho estão pregando é de fato o Messias, o Cristo?" E ele ressurgiu mesmo, porque eu estou vendo ele aqui na minha frente, mesmo após morrer, uma morte que a lei de Deus considerava maldita na cruz romana. Mas se esse é o Messias e ele de fato ressuscitou, isso significa o quê? Logo, a nova era teve início, mas ele olhou ao redor e percebeu que as coisas pareciam muito semelhantes ao que eram antes do Messias ressuscitar. Ele falou: "Mas esa aí, a promessa era que quando ele viesse ressuscitasse novos céus e nova terra, mas a coisa ainda, o mal continua aqui, o pecado continua entre nós." E aí, como eu falei no primeiro dia, é aí que Paulo provavelmente vai começar a desenvolver a ideia. ele vai reconfigurar, recalibrar a sua perspectiva eh teológica, sua perspectiva escatológica, à luz da sua experiência com Cristo e a partir de uma releitura do Antigo Testamento em luz, não é? Pelas lentes do Cristo ressuscitado. Ao final do do de qual processo, né? A, ao final desse processo, ele chega à conclusão de que não, novos céus e nova terra de fato surgiram na ressurreição do Messias como prometido. Mas o que eu não havia percebido é que ela vai acontecer em duas prestações. A primeira na ressurreição de Jesus, reino inaugurado. A segunda prestação na parúia de Jesus, reino consumado. E só assim uma, né, um parêntesezinho para Paulo, a escatologia termina aí na na vinda de Cristo, na parúia, consumação do novo céus e a nova terra. Só deixar isso no aí. Não havia muitas descidas e subidas e descidas e subidas. desceu. Uou, novos céus e nova terra para Paulo. Mas tudo bem, a gente se eu só deixando no Aí, portanto, ele entendeu a vinda do Messias, né, inaugurando novos céus, a nova terra e que agora os nós viveria viveríamos nesses nesse nessa justa posição. A igreja existe para Paulo, então, nessa justa posição de dois mundos, a velha e a nova ordem, a velha e a nova criação, que coexistirão até a vinda do Messias. Então, infelizmente, nós, apesar de já termos vencido o pecado, nós continuamos ainda lutando contra o pecado e caindo no pecado. Não é assim? Embora nós sejamos novas criaturas, nós continuamos viver a viver no mundo de Adão caído. E essas duas dimensões da existência cristã coexistirão até o dia em que a nova era eh destroçará a antiga e assumirá o lugar dela. E haverá então a consumação final no céus e nova terra, jardim restaurado. Apocalipse 21, Apocalipse 22, por toda a eternidade, habitando na cidade onde o Senhor Jesus está. Que essa é a melhor bênção do céu, é estar onde o nosso Senhor Jesus está. No no jardim restaurado e muito mais glorioso do que a primeira versão do jardim. Deus não descerá para visitar o seu povo na veração do dia. Quando ele restaurar o jardim, ele vai estabelecer o seu tabernáculo entre nós e ele nos chamará de seu povo e nós o chamaremos de nosso Deus. E essa é a bênção da da do novos céus e da nova terra. Deus habitará no meio do seu povo, finalmente. Muito mais glorioso do que o que Adão tinha ali. Muito bem. Então, Paulo entendia essa justa justa posição dos dois mundos. Qual é a implicação disso para o relacionamento entre teologia e ética? Algumas coisas que a gente precisa, tem muita coisa, mas do que diz respeito a nós aqui, a uma dessas implicações é que em Cristo a igreja já é nova criação. Assim sendo, a ética cristã é uma manifestação da nova natureza cristã. Tão me acompanhando aqui? Se nós somos nova criação, isso significa que me é dada uma nova natureza. Correto? A nossa, a imagem de Deus é restaurada em nós, pelo menos em uma dimensão inaugural. Aquilo que foi danificado em Adão. Agora nós somos refeitos à imagem daquele que nos criou. Colossenses 3:10. Isso significa que nós temos uma nova natureza a da a qual é nós nos revestimos desse novo homem. E, portanto, a ética cristã é uma manifestação dessa natureza nova. Mas ainda não somos aquilo que seremos. Então, nós ainda precisamos continuamente renovar ou nos renovar ou renovar a nossa mente pelo Espírito Santo, de maneira que nos revistamos diariamente deste novo homem. Segunda implicação é que a identidade da igreja é marcada por dois momentos ou a identidade dos cristãos de forma geral. A antiga, que a Bíblia chama de adâmica, de outrora. Lembram de Colossenses, de Efésios 2 1 a 3? Aquilo era o o cristão outrora, o de outrora. Ele era, ele estava morto em seus delitos e pecados, entregue a ao domínio deste mundo. Isso era antes. Esta esta é uma dimensão da nossa existência. E nós temos um outro momento, o agora em Cristo. Por isso que Paulo pode começar Efésios 2, eh a 1 e 3, falando da nossa realidade de outrora. Mas Deus, verso 4, agora vocês são isso. No capítulo 11 em diante. Portanto, lembrai-vos de que outrora vós gentios na carne eram isso, mas agora verso 13 vocês são isto outro. Então a nossa identidade é marcada por esses dois momentos. Isso corresponde a essas duas humanidades. Essa esse é o primeiro elemento estrutural de Efésios, que nos ajuda a entender eh a unidade da carta entre indicativo e imperativo, porque isso perpassa os seis capítulos. Essa dimensão ou essa perspectiva escatológica de outrora e agora pertence à estrutura dos primeiros três capítulos e continua na estrutura dos últimos três capítulos, entende? mostrando a unidade, coerência e coesão dos seis capítulos. Segundo elemento é a metáfora do andar, tá no seu handout aí, peripatel em grego. Um dos elementos estruturais mais notáveis de Efésios é a repetição da metáfora do andar com o sentido de conduta de vida. Aparece oito vezes. Os versos estão aí no seu handout. Veja no capítulo 4, que é o nosso texto de hoje, logo no início. Portanto, Paulo começa com um portanto aqui, baseando tudo que ele vai dizer eh naquilo que ele já escreveu. Rogo-vos eu, prisioneiro no Senhor, que o quê? Andeis, de modo digno da vocação para a qual fostes chamados. Efésios 4:1 é o ponto de inflexão de Efésios, o ponto de virada de Efésios. Paulo fundamenta a instrução ética sobre as premissas teológicas da primeira metade da carta. Portanto, nos indica isso. Paulo introduz sua exortação com um apelo para que os leitores andem de modo digno desse chamado divino. Percebam o passivum divinum ou o passivo de Deus. Aqui é um chamado para o qual vocês foram chamados. E aqui ele, a implicação é que Deus mesmo é aquele que nos chamou. A contrapartida negativa desse chamado, veja, no verso um, ele diz: "Rogo-vos, pois, ele está abrindo aqui a sessão exortativa da carta, irmãos, a ética da carta. Ele abre com esse com essa metáfora. Eh, rogo-vos, pois, eu, prisioneiro do Senhor, que andeis de modo digno." E aí nós temos a contrapartida negativa disso no verso 17. Veja o que ele diz no verso 17. Não andeis como também andos gentios. Andem desse modo no verso um, mas eu rogo para que vocês não andem daquele outro modo. Estes são os dois estilos de vida. Lembre que a metáfora aqui do andar significa conduta de vida, OK? Conduta de vida, a maneira como você se comporta, como você vive, tá? Essa era era uma perspectiva bem interessante no no judaísmo, em que você eh se referia a um andar ou se referia a ao estilo de vida de alguém como andar com o Senhor ou andar sem o Senhor, longe do Senhor. Então, esses esses dois andares aqui são os dois estilos de vida contrastantes que correspondem às duas eras escatológicas. outrora da experiência cristã, como é evidenciado pelo contraste, o outrora e o agora, perdão, da experiência cristã, como evidenciado pelo contraste entre a velha e a nova criação. Nos versos 20 a 24, Paulo se refere ao andar dos gentios, que era antes da nova criação, e o andar de agora, que é o natural da nova criação. Criação. O restante da parênes, Paulo retorna à ênfase positiva. O verso 17 e tem essa perspectiva negativa. Não andeis assim, mas no restante das ocorrências da metáfora do andar, ele retorna à ênfase positiva desse andar, associando-o com amor, luz e sabedoria. Agora, irmãos, a menção de Peripatel em 4 também remete o leitor às ocorrências anteriores da metáfora, porque 41 não é a primeira vez que nós encontramos essa metáfora. Nós voltamos para o capítulo 2, versos 1 e 3. Veja só aqui o que é que Paulo nos diz no verso dois. Ele fala: "Ele vos deu vida, estando-vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais o quê? Andastes quando? Outrora. Percebem a semelhança? OK. Mas veja o verso 10 do capítulo 2. Pois somos criatura ou feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou. Para quê? Para que andássemos nela. Você percebe que nós temos um andar de outrora e um andar de agora? Isso corresponde às duas eras escatológicas. Préisto pós Cristo, pré-conversão pós conversão. Então, os dois versículos de vida são pela primeira vez associados às eras pré- e pós conversão. No capítulo 2, versos 2 e 10. Quando chegamos nos versículos 11 a 22 do capítulo 2, a segunda metade do capítulo 2, Paulo desenvolve as implicações corporativas dos versos 1 a 10 em termos de alienação teológica e social e da reconciliação que deu origem à Igreja, a nova humanidade. Ele fala que ambos, judeus e gentios, foram reconciliados em um só corpo a Deus. reconciliação vertical e horizontal, criação de uma nova humanidade. Isso significa que o novo estilo de vida cristão se manifesta na vida comunitária do povo reconciliado. Versos 13 a 22. Agora vamos pular de volta para o capítulo 4, verso 1 e verso 17 com as as outras duas ocorrências da metáfora do andar. Em 41, Paulo retoma o novo andar cristão de 210, o qual é explicado em 211 a 22 em termos de reconciliação. Isso aqui tá um pouco confuso, talvez por conta do tempo, mas olhe para esse gráfico no seu handout. E aí eu vou resumir tudo isso olhando pro gráfico. Como que eu entendo aqui a dinâmica da exposição de Paulo? Paulo expõe o capítulo 2, versos 1 a 10 e o restante, todo o capítulo 2 é fundacional também, um desenvolvimento direto de 1 9 a 10. Ele fala que outrora nós éramos inimigos de Deus ou estávamos distantes e mortos. Agora nós somos vivificados e nós temos um andar que abandonamos e um novo andar, que é um andar em boas obras, correto? No capítulo 11, versos, perdão, nos versos 11 a 22, ele espelha os versos 1 a 10. Só que agora ele sai do individual para o coletivo, dizendo: "Olha, gente, isso significa o seguinte, esse mais Deus, no verso 4 significa também que os gentios que outrora estavam distantes agora foram o quê? Aproximados. Isso como como que isso aconteceu? Por meio da reconciliação operada pelo príncipe da paz. Jesus que é a nossa paz, que faz a paz e proclama a paz. Veja a ênfase de Paulo na palavra paz aqui relacionada a Jesus. Estudantes da Bíblia, repetições como essas não estão aí por acaso. Nenhum escritor bíblico faz esse tipo de coisa por acaso. Isso é algo pensado e obviamente inspirado pelo Espírito Santo. Deve chamar sua atenção. Paulo está focando na reconciliação. Aquilo que aconteceu em Deus, no verso 4, Paulo agora expande para o coletivo da igreja. Aquele mais Deus recriou a humanidade fazendo a nova nova criação. É a criação dos reconciliados em um só corpo a Deus, que coletivamente tem acesso a Deus. OK? Essa é a teologia do capítulo dois. Quando chega no capítulo 4, Paulo retorna, retorna à teologia do capítulo 2. Só que se em no nos versos 1 a 10, se em 2, 1 a 10 Paulo fala sobre a antiga e e novo andar. E nos versos 11 a 22 da comunidade, no capítulo 4 versos 1 a 24, ele inverte essa ordem. Nos versos 1 a 16, ele fala da implicação da reconciliação para a comunidade. E nos versos 17 a 24 ele fala do antigo e do novo andar. Então ele numa espécie de quiasmo, ele inverte a estrutura ou a ordem da apresentação e simplesmente retorna aquele aquele andar anterior que ele já introduziu. Então a no versos 17 a 19 Paulo tá dizendo o seguinte: "Gente, vocês não podem recair no andar do capítulo 2, versos 1 a 3, porque aquele era o andar de pagãos. pré-cristo que não conheciam a Cristo. Nos versos 20 a 24, ele continua nisso: "Vocês agora são nova criatura. Vocês foram revestidas do novo homem. Vocês devem permitir que serem renovados em sua mente pelo Espírito Santo e devem se despir do velho homem e se revestir do novo sempre. Isso aqui continua sendo o andar de 210, o novo andar da nova criatura. Entende? Nos versos, no capítulo 2, versos 11 a 13, ele fala da implicação disso para a comunidade. Nós somos um povo reconciliado. Isso ele desenvolve no capítulo 4, versos 1 a 16, dizendo: "O andar digno é o andar dos reconciliados em um só corpo em Cristo." Dá para entender essa inversão que Paulo faz e como ele vai construindo a sua, o seu argumento? Depois a gente pode conversar mais sobre isso, se for o caso. Muito bem. Então, Efésios 4:1 a 16 claramente reflete a linguagem e ênfases de 2 11 a 22. Paulo descreve o andar digno como um padrão de vida que corresponde ao chamado cristão à unidade e harmonia características da nova humanidade, as primícias da reunificação cósmica. Em contrapartida, Efésios 4:17 a 24 recapitula e aprofunda as implicações éticas do contraste escatológico de 2 1 a 10. Muito bem. A metáfora do andar, então, irmãos, retrata a conduta moral característica da existência humana em ambas as eras, sendo expressa de várias formas. Outrora, o cristão não reconciliado era velha criação, espiritualmente morto, trevas e tolo. E tudo isso encontrava expressão na sua conduta de vida, no seu andar. Agora, porém, em Cristo, ele é nova criação, espiritualmente vivo, luz, sábio. Consequentemente, seu andar passa a refletir essa nova condição. Em suma, Paulo integra os aspectos indicativo e imperativo do seu evangelho em uma metáfora só, peripatel, andar. Ela prescreve a maneira como a transformação ética produzida pela invasão da era futura sobre a presente deve se manifestar durante o período em que aguardamos a consumação da era messiânica. Vivendo nessa sobreposição das eras, o cristão deve exibir no presente um andar característico da era vindoura. Nós precisamos, portanto, expandir aqui a definição de indicativo paulino para acomodar a ideia de etos, de caráter moral. Douglas M faz isso muito bem em sua obra sobre a teologia de Paulo. Ele diz o seguinte, abre aspas, o indicativo dos atos de Deus em nosso favor inclui a criação de um novo conjunto de relacionamentos em que o crente vive. relacionamentos tanto verticais com Cristo e o espírito, quanto horizontais com outros crentes. Portanto, a ética da reconciliação é algo que brota de um coração transformado pelo evangelho de Cristo Jesus. Nós precisamos cultivar as virtudes da reconciliação. Sim. Nós precisamos mortificar os mal feitos do corpo diariamente. Sim. Mas o cristão que ama a Deus ama a sua igreja e ama os demais membros do seu corpo e vive essa ética da reconciliação. Mas Paulo não é inocente no sentido de Paulo não é ingênuo. Ele sabe das dificuldades. Por isso a exortação, a exortação imperativo é real. Ele quer que você eh se esforce para obedecer essa ética. OK? Havendo introduzir a nossa palestra de hoje, nós podemos agora desenvolver o argumento: como a igreja reconciliada é exhortada a manifestar um andar marcado por atitudes reconciliadoras. Agora sim, vamos olhar para Efésios 4:1 a 16. Esses versos, irmãos, aqui serve como uma passagem de transição entre as duas metades da carta, não apenas o verso um, todo o parágrafo. Este parágrafo reflete o tema central dos capítulos anteriores e prepara o leitor para os elementos que orientarão o restante da exortação de 4:17 a 6:9, quando a parênes encerra. Esses versos ecoam mais precisamente a linguagem, como eu tenho dito, de 111 a 22. O foco do parágrafo aqui é unidade da igreja. Veja os versos 1 a se. É óbvio que eu não vou expor todo texto, isso seria uma pregação ou uma aula maior, mas nós vamos apenas pontuar algumas coisas. Se você olhar na sua Bíblia mesmo, os versos 1 a 6, nós temos aqui uma exortação à unidade da nova criação. A exortação inicial define o tom para o restante da parêneses. Portanto, rogo-vos que andeis de modo digno do chamado a que fostes chamados. Essa expressão metafórica significa um andar, a uma conduta digna, apropriada do chamado. E eu defendo esse chamado aqui porque a gente fala, ó, tudo bem, Paulo tá dizendo: "Andeis de modo digno do chamado." Qual é o chamado? Que chamado é esse? Aí você vai responder: "O chamado de Cristo do evangelho. Excelente. Responde, mas não diz nada. Porque é tão abrangente essa resposta, é verdadeira que ela não ela não explica muita coisa. No contexto de Efésios, como que Paulo define esse chamado? Qual é o chamado de Efésios em particular? Eu definiria esse chamado como sendo um padrão de vida que corresponde ao chamado cristão a unidade e harmonia características da nova humanidade. As primícias da reunificação cósmica. Eu não estou inventando isso. O contexto de 4 em diante vai nos mostrar isso. Por exemplo, veja no verso, no verso um, nós temos a exortação que, digamos assim, é fundamental pro restante da parênes. Ela é programática. Aqui andeis de modo digno desse chamado. Nos versos dois em diante, dois e três, nós temos aqui os versos chaves que vão nos ajudar a entender como Paulo entende esse chamado. Veja o verso dois. Como é esse chamado que nós como é esse modo digno de se viver? Verso dois. Com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor. O que nós temos aqui, irmãos? Quatro virtudes essenciais. a manutenção da reconciliação ou da unidade da igreja e atos que vão ajudar ou ações que vão eh que vão eh possibilitar, que vão potencializar a preservação da unidade, humildade, mansidão, longanimidade e o suportar uns aos outros em amor. A gente precisa explicar muito sobre a importância dessas quatro virtudes pra manutenção de da harmonia em qualquer relacionamento interpessoal. Algo tem dividido mais a igreja ou relacionamentos do que orgulho. Falta de humildade, falta de mansidão, a impaciência, o não suportar as imperfeições do outro, a falta de amor. E qual é o propósito de se manter essas quatro virtudes? Olha só, veja o verso três. Esforçando-vos diligentemente por preservar o quê? A unidade do espírito no vínculo da paz. Voá. Eis o chamado. Vocês precisam andar e cultivar essas virtudes para que vocês sejam capazes de manter a unidade que o Espírito produziu quando Cristo reconciliou gentil e judeu em um só corpo. Compreende? Percebe? Perceba algumas coisas aqui. No verso seguinte, só pra gente fazer o panorama geral. Nos versos 4 a 6, Paulo nos dá as bases teológicas. Por que que nós devemos, por que que o chamado cristão é um chamado a manter a unidade do corpo, da comunidade reconciliada? Porque o Deus que criou essa comunidade é um só. Ele fundamenta a unidade do corpo de Cristo na unidade da trindade. Deus é um só. Nós temos as bases teológicas. Sendo ele um só, a origem da igreja é uma só e o Senhor soberano sobre ela é uma só. Portanto, as práticas da igreja, o batismo, a fé, é são um só em Cristo. E aí ele conclui, voltando agora pro verso dois, ele conclui essa série, essa lista de virtudes com amor e com e com e tudo isso com o propósito de manter a unidade no vínculo da paz. Um amor reconciliador e o vínculo da paz. Amor aqui, irmãos, só para deixar claro, a expressão em amor que conclui essa lista revela a virtude fundamental da ética da reconciliação. Não é qualquer outra virtude. Eu diria que isso aqui é o solo onde o andar reconciliado germina e o alicece que o sustenta. Na verdade, essas duas metáforas são paulinas. Capítulo 3 e verso 17, ele usa exatamente essas duas metáforas da construção civil e da agricultura. quando ele diz no verso 17 que ah, e assim habite Cristo em vosso coração pela fé, estando vós arraigados, ou seja, a enraizados e alicçados em amor. Palavra amor, o conceito de amor é muito importante em Efésios aparecem vários lugares chaves. E Efésios ressalta duas funções principais do amor. Uma em relação a Deus e a outra em relação aos demais cristãos. percebe uma vertical e a outra horizontal. Por um lado, amor em Efésios é o impulso motivador da ação salvífica de Deus, manifestada na predestinação, na corressurreição e exaltação com Cristo e no sacrifício vicário de seu filho por nós. Várias referências que eu talvez tenha colocado para você aí. Consequentemente, nós chegamos agora no aspecto horizontal do amor. O amor se torna o princípio fundamental da conduta daqueles que, tendo sido amados por Deus, respondem com fé ao seu chamado. A fé que abraça as verdades do Evangelho, manifesta-se horizontalmente em expressões de amor mútuo. Veja um texto que o Jonas mencionou na palestra de ontem, no capítulo 4, versos 32 a 52. Eu vou ler mais o que o que o Jonas colocou pra gente, porque esses versos aqui estão numa posição estratégica no argumento de Paulo. Estão cheios de linguagens da reconciliação. Veja o verso 32 do capítulo 4. Antes, na verdade, eu diria para você que essa divisão de capítulo é péssima. Você sabe que a divisão de capítulos e versículos não é inspirada, né, irmãos? O texto é inspirado. Então, nós temos alguns lapsos. Essa divisão é horrível. Eu sei que há um argumento para dizer que a sessão ou que essa unidade termina no verso 32, mas o melhor aqui seria começar o capítulo 5 no verso 3. Então você precisa ler até o capítulo 5 e verso 2 para fechar essa primeira metade que vai de 41 até 52, tá? Então eu vou ler do 432 ao 52. Antes sede uns para com os outros o quê? Paulo tá dizendo: "Abandonem esses vícios que ele acabou de mencionar. E eu diria que se você ler esses vícios, você vai ver que são vícios que contribuem para quê? Adivinhe? Fragmentação de relacionamentos. Especialmente não é nenhuma novidade que ele começa essas advertências mais específicas de vícios que nós devemos abandonar. Sabe com qual vício? Qual pecado? Da língua. Da língua, da fala. Nenhuma novidade nesse contexto. Talvez nada mais. de expressão ao orgulho do coração humano e as divisões de um homem ímpio do que a língua. Mas aí Paulo diz: "Abandonem todo todos esses vícios antes se uns para com os outros benignos, bondosos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou". mecanismo mais significativo da ética cristã, da teologia cristã paraa manutenção de relacionamentos. Perdão, porque você vai pisar na bola. Eu e você vamos cometer algum erro com a língua. Nós vamos ferir alguém. Nós vamos quebrar um relacionamento. Não se aveste, como nós iríamos no Nordeste. Se aveste não, irmão. Deus providenciou um mecanismo para você resolver essa parada. Perdão. E aí? Mas aí é outro problema porque aí tem que lidar com o meu orgulho. É, mas você acha que é demais pedir perdão ou perdoar alguém? Veja o que Deus fez por você, miserável. Como Deus vos perdoou em Cristo. Lembra da parábola do credor incompassivo de Jesus? Sério? Que é que ele fez e tão ruim? Foi pior do que foi pior do que o que você fez com Deus, o que a humanidade fez com Deus? O que Adão e Eva fizeram com Deus? Você acha que é mais sério? Você acha que você merece mais honra e dignidade do que o próprio Deus? O único que pode, o único ser de toda a existência que pode dizer: "Eu sou o ser mais superior de toda a existência e eu devo ser adorado, reconhecido e respeitado". Porque o restante de nós, ninguém pode fazer isso. Ninguém pode exigir esse tipo de respeito, porque o único digno de tudo isso é o criador de todo o universo. E por isso Paulo diz: "Perdoai-vos uns aos outros, assim como Deus também vos perdoou em Cristo Jesus". Mas ele continua: "Sede pois imitadores de Deus como filhos amados. Mimeses deixar o meu amigo Jonas feliz. a imitação de Deus. E aqui nesse contexto, o que nós devemos imitar de Deus, sabe o que é? Sabe o que é o perdão que ele acabou de mencionar? Como Jonas esclareceu pra gente de forma fantástica, inclusive isso vai vai ser incorporado no meu livro. Nós não vamos nos tornar Deus. Imitar não é se tornar Deus ou se tornar Jesus. É impossível. É impossível. Mas nós vamos reproduzir a ação de Deus, o perdão de Deus. É isso que Paulo exige nesse sede imitadores. Sigam o modelo de Deus. Nem um outro, nem o meu, nem de Pedro. Sigam o modelo de Deus. E verso 2, mais uma vez, nenhuma surpresa. Veja qual é a metáfora que Paulo usa aqui. E andai em o quê? amor. Mas aí ele não vai definir amor como aquele amor hollywoodiano, rosa, bonitinho, de adolescente. Amor não é simplesmente esse sentimentinho bonitinho que faz o nosso cora coração arder, fogo que arde, essa coisa toda. Não. Para Paulo é bem mais concreto do que isso. E andai em amor como também Cristo nos amou ao ponto de entregar a própria vida por nós. mais um modelo a ser imitado. E veja, o amor de que Paulo fala aqui é o amor sacrificial. Você percebe que ele abre o capítulo 4 com amor e fecha essa unidade com amor? Isso é chamado de inclusive para os estudantes da Bíblia. Paulo está estruturando essa unidade, mostrando que amor é aquilo que dentro, aquilo que ele vai desenvolver ao longo dos versos que estão dentro desses dois eh colchetes aqui. Amor no início, amor no final. Ele vai mostrar o que é que esse amor, como que ele age, como que ele funciona na parte de dentro. Esse é o amor que Paulo fala que nós devemos ter para com Deus e que Deus teve para conosco, que nós devemos manifestar para o restante da comunidade reconciliada. Vou precisar só de mais 10 minutos pra gente fechar isso, tá? O pastor disse cinco, vou fingir que não vi, mas 5 minutos, pastor. Vamos lá. Eu amo o Senhor. Então, ah, se o amor, aqui nesse texto de Paulo, voltando lá pro início do capítulo 4, se o amor é a base da ética dos reconciliados, a paz é o cimento da comunidade reconciliada que une os cristãos em um único e sólido edifício. Porque Paulo diz: "Esforçando-vos para preservar a unidade do espírito no vínculo, no cimento da paz que mantém seres tão estranhos, tão diversos em um só corpo, com uma só mente, um só coração em harmonia. É milagre de Deus. Milagre de Deus. E quando há uma rachadura na estrutura, perdão para consertar esse negócio. Perdão. Muito bem. Esta é a unidade do espírito. Perceba isso. Veja que Paulo não está dizendo o seguinte para você, igreja. Certifique-se, pastores, certifiquem-se, irmãos, de produzir a unidade da igreja. É isso que ele diz? Não. O que que ele fala? A ordem é para você se esforçar com pressa. É, é esse o sentido aqui da expressão grega. Depressa, ansioso para fazer a coisa acontecer. Para quê? para proteger, para preservar, para conservar a unidade que o espírito já produziu. Essa paz e essa unidade já foi produzida pelo Espírito Santo no momento em que Cristo nos reconcilia em um só corpo a Deus. Entende? A unidade já está lá. O nosso papel como comunidade reconciliada por Cristo é mantê-la, é nos esmerar para protegê-la. E eu diria e eu argumentaria, nós precisamos agir profilaticamente aqui. Não é esperar acontecer uma crise para depois ter que tapar os buracos e trazer talvez o perdão para tentar as pressas eh eh reforçar a estrutura do prédio que foi danificada e minada aqui. Essas virtudes que Paulo exorta que nós cultivemos, elas servem para como um efeito profilático. Se vocês cultivarem essas coisas, a disposição de perdoar uns aos outros como Deus nos perdoa, se vocês andem em amor como Cristo nos amou, isso vai ser a melhor proteção contra qualquer rachadura no templo de Deus. Então, enquanto Cristo é descrito no capítulo 2, versos 14 a 18, como a personificação da paz que restabelece o shalom entre Deus e a humanidade, assim como entre os seres humanos, os reconciliados são representados por Paulo aqui nesses versos como agentes da paz, encarregados de manter a harmonia da comunidade reconciliada. Nós somos assim então, portanto, irmãos, embaixadores de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. Mantenham-se reconciliados. Eu vou resumir o restante desse desses versos para nós. Logo em seguida, nos versos 4 a se ele nos traz um fundamento trinitariano da unidade. Você lembra que no primeiro dia eu falei para você que o conceito judaico da unidade e a harmonia original da criação é baseada no monoteísmo. Porque nós temos um só Deus, nós temos uma origem só e um só soberano. Portanto, o mundo foi criado em harmonia, mas isso foi quebrado na rebeldia da humanidade. Paulo não vai longe disso aqui. Ele fala que quando a nova criação é refeita em Cristo, a harmonia é restaurada, correta? Com base em quê? No monoteísmo, na unidade do próprio Deus. Três em um, mas um só em harmonia. Então, mantenha a unidade, porque eu imagino que se Paulo pregasse esse texto para nós hoje, eu gosto de pensar que ele diria para você o seguinte: "Olha, aquilo que Deus uniu, que não separe o homem. A igreja que Deus reconciliou que vocês não separem, a partem, fragmentem, porque seria semelhante a tentar dividir o próprio Deus. Isso é absurdo. Imagine uma palavra dessa para os chamados desigrejados, condenadores, ferrinhos e veteros da igreja que não contribuem com nada, não servem, não contribuem, não não trabalham para o rei, só espalham, mas são críticos ferrhos da igreja, prontos a destruir, difamar. Muito bem. Em seguida, nos versos 17, nos versos 7 a 16, Paulo fala então que esta igreja unida, ela é dinâmica, gente. Esse templo, esta cidade, templo de que Paulo fala no capítulo 2, versos 18 a 22, não é estático, é dinâmico, ele ele cresce, ele é orgânico, é esquisito, né? É um prédio, mas ele cresce. Tijolos vivos, nós lemos no outro lugar. Então Paulo vai desenvolver isso nos versos 17 a 16, falando que a igreja cresce em meio à diversidade. Essa beleza de cores, de rostos que eu estou vendo daqui de cima. É isso, é a igreja. E ela cresce quando ela é diversa, mas está alicada em Cristo Jesus. É isso que ele vai falar nos versos seguintes. E eu quero apenas destacar isso dessa sessão que vai do 7 ao 16, os versos 13 ou o verso 13 em especial. Nós temos o clímax, talvez aqui, ou a mensagem central. Veja o que ele diz no verso 13. Ele diz que nós devemos então usar os dons diversos que Deus nos deu para produzir a edificação do corpo, cada qu cada cada membro desse corpo e não apenas os pastores e avançar no crescimento até que verso 13 até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, a perfeita varonilidade à medida da estatura da plenitude de Cristo. Sabe o que que é isso? Paulo diz que a igreja reconciliada cresce em unidade com o alvo de chegar à unidade plena escatológica. Essa é a missão. Nós crescemos em unidade até chegarmos no dia final. Nas palavras de Max Tor abre aspas, ele diz: "Esta sessão é cuidadosamente elaborada como um chamado implícito à Igreja Universal para crescer como um corpo unificado a partir da união ah já concebida em Cristo." verso capítulo 2, versos 11 a 22, em direção à plena união com Cristo em harmonia cósmica, que caracterizará a transição desta era e a aparição da nova criação no seu estado consumado. No handout coloquei alguns paralelos para você ver como este capítulo, como esses versos estão ah fazendo uma alusão àquilo que Paulo já desenvolve no capítulo 2 versos 20 a 22. Paulo conclui então no verso 16 falando que a igreja em Cristo cresce. Somente quando nós operamos em harmonia uns com os outros, alicçados ou ah unidos a Cristo, a igreja cresce com unidade de forma saudável, irmãos. Então, portanto, finalmente, eu espero que esses versos, então, eles constituem o fundamento da exortação de Paulo. Paulo vai desenvolver esse andar digno da unidade, da manutenção da unidade no decorrer da sua eh parênes. OK? Eu poderia e eu eu espero poder mostrar isso em em algum capítulo em um capítulo do meu ah desse livro. E eu espero que isso tenha dado para você um pouco desse gosto, um pouco desse dessa perspectiva paulina de que a reconciliação eh vertical implica em reconciliação horizontal. Na sua, no seu handal, eu coloquei a dinâmica desses versos, unidade, diversidade e maturidade escatológica. Duas aplicações simples, mas eu vou apenas mencionar uma delas. a unidade ou a reconciliação vertical implica em reconciliação horizontal. Tenho batido nisso e eu espero que esses versos aqui que falam da moral cristã tenha mostrado isso, a ideia de que a igreja reconciliada está sempre reconciliando. Mas eu quero encerrar com isso aqui no capítulo 3 versos 8 a 10. Vou encerrar com esses versos. Volte no capítulo 3 versos 8 a 10. Uma outra maneira de você analisar a estrutura de Efélios é observando a ideia de mistérium em Paulo, especialmente na primeira metade da carta. Veja o capítulo 3, versos 8 a 10. Paulo diz o seguinte, quando ele explica esse mistério, no início do capítulo, ele fala que é o mistério de Deus unir os gentios e concederem aos gentios o mesmo status do dos judeus em termos de participantes dessa nova aliança, juntamente com os judeus, tá? Ele faz logo no início do capítulo 3, mas veja os versos 8 a 10. A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério que ele começou, falou pela primeira vez no capítulo 1 verso 10, que nós já falamos o segredo de Deus. Desde os séculos ocultos em Deus. Lembra que eu falei que o segredo era que Deus reunificaria todas as coisas em Cristo? Paulo diz que foi chamado na dispensação do tempo para manifestar qual seja, o que é que é este mistério. Desde os séculos oculto em Deus que criou todas as coisas para que pela igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais. Você entendeu o que Paulo tá falando? Isso aqui é o mais próximo que Efésios chega em falar para nós sobre a missão da igreja. Paulo tá dizendo que a missão dele e a missão que é dada à igreja é manifestar o mistério de Deus aos seres espirituais nas regiões celestiais. E qual é o mistério de Deus? A igreja unificada, reconciliada. Você lembra da oração sacerdotal de Jesus em João capítulo 17? Em um determinado momento, Jesus ora: "Pai, como tu e eu somos um, que eles também sejam um, para que o mundo saiba que tu me enviaste". A igreja é a manifestação visível da obra de reunificação cósmica inaugurada por Cristo. Ela é a manifestação microscópica da reunificação cósmica. Nossa geração parece acreditar que a glória de Deus é manifestada primariamente em debates pseudoacadêmicos online com pretensão de defesa de ortodoxia cristã. Paulo, porém, se refere à missão da igreja como mais do que isso, unidade. Paulo não tá desprezando a doutrina. Capítulo 4, ele fala que nós devemos falar a verdade ali no contexto verdades do evangelho em amor. A verdade tem sido um instrumento de controvérsias e fragmentação e tudo em nome da ortodoxia. Mas o princípio paulino é: mantenham a unidade do espírito falando a verdade em amor. Vamos orar. Senhor Deus, obrigado pela magnífica obra que é o edifício da tua igreja. Obrigado por tão grande reconciliação, Pai, que nos encontrou quando ainda éramos inimigos e nos reconciliou contigo, nos incorporou em um só corpo, o corpo de Cristo. Nos fez um contigo, Pai. que o mundo saiba que tu de fato foi enviado, que o teu filho foi enviado por ti, que o Cristo que nós pregamos é o filho de Deus, não apenas por ouvir a nossa mensagem, mas por confirmar a nossa mensagem pela maneira como nós vivemos e exibimos as insondáveis riquezas de Cristo em nossos relacionamentos contigo e interpessoais, ó Pai, intramuros. Nós oramos assim em nome de Cristo Jesus. Amém.