Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

A Reconciliação nas Cartas Paulinas (PodCast com Diego dy Carlos, Ari Langrafe e Rodrigo Laureano).

A Reconciliação nas Cartas Paulinas (PodCast com Diego dy Carlos, Ari Langrafe e Rodrigo Laureano).

A Reconciliação nas Cartas Paulinas (PodCast com Diego dy Carlos, Ari Langrafe e Rodrigo Laureano).

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Bem-vindo ao podcast da escola Charles
Espúgio. Eu sou Arilraf, é um acadêmico
aqui da ECS e hoje nós vamos caminhar
por três cartas do Novo Testamento,
Efésios, Colossenses e Filemon. E para
isso estou aqui com o pastor e
pesquisador Diego de Carlos, que está
escrevendo um livro sobre reconciliação
a partir desses textos. Diego, que
alegria enorme ter você aqui. Seja
bem-vindo.
>> Muito obrigado, pastor, por me receber
aqui. É uma alegria imensa estar aqui
com vocês no Charles Spur e no podcast
também com vocês.
>> Uau! E juntamente aqui grande parceiro,
pastor Rodrigo Lauriano, Igreja Batista
Nova Vida em Barueri. Seja bem-vindo,
pastor Rodrigo. Ele que é coordenador lá
do curso lá em São Paulo. Alegria estar
com vocês aqui hoje à noite.
>> Então vamos lá. A gente tá curioso,
pastor. A gente quer saber sobre esse
livro. E pastor, por que escrever sobre
reconciliação nesses três livros? Eu
fiquei pensando assim, mas Romanos ficou
fora, especialmente os capítulos 14 e 15
e Primeira Coríntios, segunda Coríntios,
qual que é o eixo, qual que é o fio
narrativo aí dessa escolha, pastor?
>> Então, é uma boa pergunta. Eh, a
metáfora da reconciliação em Paulo
aparece, na verdade, pela primeira vez
em segunda aos Coríntios 5, depois
Romanos 5. E aí nós temos as duas cartas
mais tardes de Paulo, né, que foram
escritas depois, Efésios e Colossenses,
não necessariamente nessa ordem.
Eh, e a palavra reconciliação e
reconciliar, como a gente sabe, não
aparece em Filemon. Então, é realmente
um pouco curioso porque por Efésios,
Colossenses e Filemon e, né, nessa ordem
aí, o fato é que a minha proposta é
fazer uma leitura canônica dessas três
cartas, mostrando como reconciliação
serve como um fio condutor, um fio
unificador das três cartas, né? Então,
eu creio que elas foram enviadas na
mesma ocasião por Paulo para lidar com
problemas eh semelhantes ali na mesma
região. E embora Filemonha nenhuma
ocorrência da palavra reconciliar,
reconciliação,
o assunto de Filemon é reconciliação,
né? Então era, é Paulo e Anti Wright
coloca em um dos seus livros falando
sobre Filemon, que Deus estava em Paulo
reconciliando Filemon a Onésimo. Então é
tudo a respeito de de eh reconciliação
ali em Filemon. Então essa é a ideia,
mostrar. Quem sabe no futuro eu não não
faço uma obra maior incorporando aí
segundo aos Coríntios e Romanos. Uau!
Pastor, vamos lá que eu queria fazer o
exercício com a gente aqui. Eh, eu
queria est ali na viagnat ali, não sei
se eu falei certo aí, senhores, né? Ali
naquelas naquela estrada romana. Então,
quem que são os portadores dessas dessas
cartas? Quem que tá levando essas?
Porque era uma região, você acabou de
falar, e essas cartas estavam chegando
nas igrejas, circulando por ali. Quem
são os portadores?
>> Que que tá acontecendo? Eh, Efésios e
Colossenses são claríssimos quanto a
quem estava portando a as cartas, né? Em
Efésios nós temos Tíquico, em
Colossenses nós temos Tíquico, Onésimo.
Então, o que é que acontece? A situação
que eu apresento e que eu entendo é eh
Paulo estava na sua prisão em Roma. Eh,
Pafras, provavelmente o fundador da
igreja em Colossos, eh, informa Paulo de
que alguns problemas estavam surgindo lá
na igreja em Colossos, alguns eh falsos
mestres ensinando algumas doutrinas
esquisitas lá e pede o auxílio
ministerial de Paulo. Paulo então
resolve escrever uma carta eh para
Colossenses, para Colossos. Mas o que
acontece?
O escravo de Filemon também estava ali
com Paulo em Roma e agora convertido,
Paulo resolve então, OK, vou aproveitar
a ocasião e mandar uma carta para
Filemon também eh de recomendação de
Onésimo. E eu acredito Efésios, a carta
a aos Efésios também foi produzida de
uma forma mais generalizada para toda a
região e enviada junto com Tíquico e
Onésimo. Então, esses dois são os dois
emissários portadores das cartas dessas
três cartas, né, de Paulo para Éfeso.
Então, imagina se eles estão em Roma e
eles vêm pra Ásia Menor, o ponto de
partida ou o ponto de entrada na Ásia
Menor mais natural é o porto de Éfeso.
Chegam ali e entregam a carta que nós
conhecemos como Éfeso, como Efésios. E
aí faz uma caminhada de cerca de 2 dias,
mais ou menos 160
km de Éfeso a Colossos e entrega a carta
aos Colossenses, a Filemon e aquela
carta a La Odisseia também que Paulo
menciona em Colossenses. E essa maneira
de enxergar isso muda, muda a forma como
a gente se conecta ao texto. A gente vai
olhar, talvez olhando isso de forma
separada, mas quando a gente junta traz
uma riqueza incrível. E dá vontade,
pastor Rodrigo, pastor Diego, de tá
sentadinho ali na igreja de Colossos,
assistindo isso. Imagina um membro, né?
Alguém que tá frequentando a igreja ali
e aí chega Tíquico,
>> ele chega com a carta, ele lê a carta.
Como que o pastor enxerga isso? Como que
a igreja recebeu isso? E, e o, isso é
muito interessante para mim, porque a o
que é muito comum é a gente olhar para
esses textos antigos, como o Novo
Testamento, escrito há 2000 anos atrás,
e a gente vê a palavra carta ou
epístola, mas mesma coisa de carta, e a
gente tende a enxergar essa dinâmica de
um portador de carta, entregando uma
carta eh por aquilo que nós conhecemos
no nosso tempo hoje do que seria
escrever uma carta. A gente acha que
Paulo estava sozinho no seu gabinete,
escreveu uma carta, selou, fechou
bonitinho, entregou pro portador. O
portador chegou lá e entregou a carta,
embora escorreio,
>> corre, vai lá. Só que não. A gente sabe
que era prática como no primeiro século.
As cartas de Cícero estão aí para isso e
vários outros outros documentos que nós
temos do primeiro século. E Paulo
evidencia isso também em suas cartas.
Uma das tarefas ou uma das obrigações,
digamos assim, né? Uma da da das coisas
que o que o portador da carta fazia não
era não era simplesmente entregar a
carta, ele também estava responsável por
explicar o conteúdo da carta, por
responder perguntas,
>> um pouco de contexto,
>> um pouco de contexto. Tanto que em
Colossenses Paulo fala eh Paulo fala que
Tikco e Onesmo os informariam de tudo
que estava acontecendo com ele. Então o
portador também era responsável por
tirar dúvidas da audiência. Então ele
interpretava, conversava, então ele
tinha uma e ele lia em público. Essa é
uma outra dinâmica. A gente acha que
seria como um e-mail, por exemplo,
>> manda pra igreja, cada um recebe uma
cópia e
>> não era publicado num mural, não.
>> Ha um leitor oficial, ele era leitor,
>> essa era a expectativa. E geralmente o
costume é tem uma tese de Peter Head,
ah, que é um estudioso que está em
Oxford, que ele trabalha bastante essa
questão da dos emissários, né, aqueles
dos portadores das cartas. Geralmente
nas cartas de Cíceros, nas cartas do
primeiro século, aquele que é mencionado
na carta como portador era o responsável
por fazer a leitura
>> e fazer ela compreender.
>> Pública. Exatamente. Então, aquela carta
a a Colossos e a carta a Filemon,
inclusive foram lidas publicamente por
tíquico para toda a congregação.
E essa era a dinâmica da coisa.
Então, chegou essas cartas ali. Muito
bom, pastor. Ah, então, olhando para
isso, né? Vamos pensar o são cartas que
tratam sobre reconciliação. O que seria
a reconciliação bíblica?
É, quanto tempo nós temos aqui no
[risadas]
eh a metáfora Paulina da reconciliação
em especial, ela ela ela incorpora uma
um conceito que eu diria, perpassa toda
a Bíblia. Então, a eu diria que esta é
uma é um dos fios eh importantes da
narrativa de toda a escritura, não é? a
iniciativa de Deus em reconciliar a
humanidade inimiga consigo mesmo. Então,
a reconciliação é essa iniciativa de
Deus de através de Cristo Jesus
reconciliar a uma um partido, no caso, a
humanidade que se encontrava em
rebeldia, em rebelião contra ele, se
encontrava em inimizade. E através do
sacrifício vicário de Cristo Jesus, a
paz é restabelecida. o relacionamento
que foi perdido pelo pecado é
restabelecido, né? Por isso, a
reconciliação é uma outra metáfora
soteriológica.
E aí ela fala, ela é a metáfora mais
relacional
dentre as metáforas soteriológicas no
Novo Testamento, né? Eu diria. Então ela
ela fala desse relacionamento restaurado
entre Deus e a humanidade. Isso é
reconciliação.
E é interessante a gente perceber que eh
é um tema muito importante pra vida de
igreja, né? Porque quando a gente olha
para o livro de Atos, por exemplo, a
gente percebe que assim que a igreja ela
é inaugurada, um primeiro problema que a
igreja tem interno não é um problema
teológico. A gente percebe ali um
problema relacional, onde as viúvas
estavam sendo esquecidas e tudo mais e a
necessidade de se intervir e solucionar
esse problema.
>> Então, sem dúvida, é um tema que precisa
ser trabalhado e dando essa perspectiva
teológica e prática também.
>> Uhum. Demais. E a parte da mensagem da
reconciliação bíblica, da mensagem da
reconciliação paulina, eh essa essas
duas dimensões inseparáveis da teologia
de Paulo. É que há um aspecto vertical
da reconciliação. Nós somos
reconciliados com Deus de cima para
baixo. Deus é sempre o iniciador. Deus
estava em Cristo reconciliando o mundo
consigo mesmo. que a implicação,
né, e necessária dessa reconciliação
vertical é reconciliação horizontal. Nós
somos reconciliados uns com os outros.
Em Efésios 2, por exemplo, Paulo diz que
ele, Cristo, reconciliou judeu e gentil
em um só corpo a Deus. Mas os dois estão
aqui reconciliados no corpo de Cristo. E
eu argumentaria que a parêneses, aquela
sessão exortatória, exortativa de das
cartas de Paulo, especialmente em
Efésios e Colossenses, elas desenvolvem,
essas duas sessões desenvolvem a a
doutrina da reconciliação nos
relacionamentos interpessoais dos
cristãos dentro da igreja.
>> Legal. E no seu livro você vai
desenvolver isso também. Eu desenvolvo
isso. Então, eu tento apresentar os
aspectos verticais. Eu apresento os
aspectos verticais e horizontais da
reconciliação em Efésios, Colossenses e
Filemão.
>> Excelente. Tô esperando aí, pastor.
Vamos lá, então. Vamos, vamos, já que
estamos caminhando nessas cartas, vamos
pisar um pouquinho na primeira dela, na
epístola aos Efésios.
Ah, vamos olhar para alguns textos
bíblicos. E o pastor, antes da gente
chegar nos textos, pastor, eu queria que
você comentasse um pouquinho sobre o que
é ser um pastor e pesquisador, né? O seu
trabalho de exegese tão importante para
tantos pastores do Brasil.
>> Ah, eu lembro a primeira vez, Rodrigo,
quando o professor Jang,
coreano, sentou, falou: "Ai, sente aqui,
vamos fazer GESE juntos". E aquilo foi
inesquecível para mim a paciência dele
nos meus primeiros passos ali fazendo
exegésio. Conta um pouquinho como que é
esse processo da sua formação, pastor,
como que é a sua área de estudos
bíblicos, por favor. Eh, eu sou eh hoje
eu sou um professor pesquisador no
seminário Mart em São José dos Campos e
eu de fato comecei a como pastor. Eu sou
ordenado, fui ordenado muito novo, aos
21 anos de idade. Pastoreei eh sete por
7 anos antes de sair para o meu
doutorado. Durante o meu período de
seminário, os meus professores já me
desafiavam a orar para para receber uma
definição de Deus se o meu ministério
seria mais pastoral ou mais acadêmico.
Eu acho que eles viam alguma coisa mais
voltada para o ensino e etc. Ah, eu eu
na época lembro que eu achei que não
acho que Deus tá me chamando mais para a
academia mesmo, mas imediatamente após a
minha ordenação, eu eu fui convidado a
pastorear, eu fui copastor numa igreja
no interior do Ceará por 7 anos. Foi uma
experiência maravilhosa. Durante todo
esse tempo lá, eu era mais eu era
responsável mais pela área de ensino,
pregação, etc. Fiz as visitações, tudo
mais que a gente tinha que fazer, mas
essa área de ensino também foi muito
forte. Durante esse tempo fez um
mestrado na área de de Bíblia também e
sempre senti o desejo de fazer o
doutorado.
Durante o meu período de PhD lá fora na
área de Bíblia. Eh, ficou ainda mais
firme na minha na minha mente, né? A
convicção cada vez mais eh alicada ali
na na minha mente de que Deus estava me
chamando para trabalhar em tempo
exclusivo na academia, que é algo que é
algo que eh eu acredito falta mais no
Brasil. Eu acho que nós precisamos de
mais brasileiros escrevendo em alto
nível. Nós precisamos de mais
brasileiros pesquisando Bíblia, fazendo
exegese, eh ensinando isso a outras
pessoas. Eh, nós nos beneficiemos demais
de material que vem da Europa, dos
Estados Unidos. Bênção de Deus. Deus nos
abençoou muito, tem nos abençoado com
isso, mas eu acho que é chegada a hora,
já passou a hora de nós, equiparmos os
nossos mesmos para que eles também
contribuam escrevendo a partir de uma
perspectiva brasileira.
>> Uhum.
>> Né? A teologia feita a respondendo
perguntas que a nossa igreja no Brasil
eh está fazendo e não igrejas europeias
ou americanas. Então, com essa
convicção, eu retornei ao Brasil como
missionário acadêmico. E aí, com isso,
eu eu posso eh trabalhar em tempo
integral como acadêmico. Nesse trabalho,
então, de professor pesquisador, eu
tenho uma parte, uma porção do meu tempo
dedicada à sala de aula. Então, eu
ensino, faço orientação de trabalhos de
monografias, TCC, mas a outra metade do
meu tempo é devotada a leituras,
pesquisa e produção de texto. Então é
nessa nessa outra metade do meu trabalho
em que eu me debruço sobre aquilo que eu
estou pesquisando no momento, no caso,
por exemplo, nos últimos dois anos,
pesquisando mais sobre reconciliação,
Efésios, Colossenses, Filemon e
produzindo esse livro, ao mesmo tempo em
que outras coisas menores, capítulos,
edições, revisões e textos, ah, tanto
aqui como fora do Brasil também são
partes do trabalho acadêmico ali, né?
bem como eh a fomentação de uma de um de
um colegiado aqui, de um de um grupo de
acadêmicos bíblicos brasileiros que
pertencem à Academia Brasileira de
Estudos Bíblicos que a gente fundou no
ano passado. Então é isso que a pesquisa
é a em que áreas a gente vai produzir
texto, escrever artigos e a gente vai
desenvolver um pouco mais da academia eh
nessa área que o senhor conhece tão bem
também. E esse esse trabalho
é fantástico, mas é extremamente
necessário. Nós temos milhares de
pastores
>> no Brasil e a maioria dos pastores
ah precisa fazer e depende do trabalho
da academia, daquilo que tá sendo
produzido, especialmente daquilo que
está sendo atualizado. Então a teologia,
né, ela serve paraa vida hoje.
>> Então na medida que nós temos
acadêmicos, pastor, a grande privilégio.
um grande auxílio, mas
>> hum,
>> você é o primeiro que eu conheço
especificamente trabalhando,
ah, com dedicação exclusiva a isso. Que
conselho você daria para pastores que
têm o perfil acadêmico
>> e e que gostariam de se tornar um pastor
na academia?
>> Olha, eh tem alguns poucos, talvez
realmente, eh são poucos mesmos que que
fazem isso de trabalho em em regime
exclusivo, né?
Talvez is uma boa pergunta. Eu acho que
você precisa ter muita clareza quanto ao
seu chamado.
Eh, eu creio que a diversidade de dons é
algo maravilhoso que Deus legou à
igreja. Essa unidade meu adversidade é
fantástica. Eu creio muito que nós ah
não temos nenhuma dicotomia entre a
pastores acadêmicos ou treinamento dado
a pastores acadêmicos precisam precisa
ser diferenciado necessariamente. Eh,
mas você precisa ter clareza. Se o seu
ministério é pastoral, é óbvio que você
pode investir na academia, que você pode
e você deve, eu diria, se especializar
cada vez mais para pregar melhor, para
aconselhar melhor, para liderar melhor,
para compreender melhor as escrituras.
Para mim, a é muito claro nas escrituras
que a pregação, o ensino da Bíblia é a
tarefa primordial do pastor. É assim que
ele vai pastorear a sua igreja e começa
na Bíblia. E tem que ser assim. Então
ele tem que ir procurando isso. Agora se
você vê Deus direcionando para ser mais
acadêmico ou talvez aí você vai ter que
negociar o seu tempo, porque bom, a
gente não consegue fazer tudo, né, nesse
mundo. Então você vai ter que abrir mão
de algumas coisas por outras.
>> Uhum. Se você se vê mais acadêmico e e
quer seguir na academia, aí você precisa
fazer um bom mestrado e precisa fazer um
bom PhD. Eh, treinar bastante eh o
método de pesquisa, de produção,
entender bem todas as habilidades que um
um programa de PhD eh lhe fornece e
voltar e continuar ser um crente
dedicado à igreja local, amando a igreja
local, amando a igreja do Senhor e
produzindo em alto nível.
E aquele tempo de 7 anos que você serviu
na igreja local, você entende que foi
fundamental paraa sua formação como um
acadêmico? Também você indicaria que
talvez antes de a pessoa ir direto para
um nível mais acadêmico, ela passar um
tempo eh servindo na igreja,
pastoreando, entendendo as dores e
necessidades da igreja local. Isso é
importante para um acadêmico?
>> Eu creio que é importante. A, deixa eu
dar um passinho para trás. Eu eu entendo
de essa pergunta é muito relevante
porque é parte da cultura brasileira e
eu ouvi bastante isso quando eu saí para
fazer um PhD, né? Eh, que olha, não, mas
para produzir texto você precisa ser
pastor também. Como que você vai
entender a igreja se você não for
pastor?
Esse é um conceito que só existe no
Brasil, tanto quanto eu sou capaz de
testemunhar. Isso não, isso é é só é
coisa nossa. É onde eu vejo isso? É
aqui. Então eu não creio que seja
fundamental para aqueles que Deus chamou
paraa academia serem pastores primeiros.
Há aqueles que Deus ordena. Eu fui
ordenado e depois paraa academia e, né,
e estou na academia somente, mas eu não
acho que é necessário. O que é que eu
acho que é necessário? Que o acadêmico
bíblico seja crente e comprometido com a
igreja local. Então, porque Deus não
chama todos com os mesmos dons? Eu não
creio que todo eh acadêmico tem
necessariamente o dom. Eu vou te dar um
exemplo. Uma vez a gente estava
conversando em um uma entrevista, é um
podcast com o Peter Williams. Pizza
Williams é o CEO da Tindle House
Cambridge. É um acadêmico de ponta com
pesquisa de ponta e ele tem liderado a
Cind House por muitos anos. Agora ele
falou algo que eu não esqueci. Ele falou
que a academia é muito democrática,
academia bíblica. Por quê? Hum. Porque é
óbvio, se você transita nesse meio a
comunidade house, você vai ver que
muitos acadêmicos bíblicos são
socialmente esquisitos.
Aquele cara mais no espectrum do do do
autismo, um pouquinho mais para lá do
que para cá. É aquele que é um pouco
mais desajeitado socialmente.
Mas gente, o que é que Deus faz? Esse
cara nunca seria um pastor.
>> Uhum.
>> Mas Deus o capacita e o chama. Olha,
você vai ajudar pastores
com o seu trabalho, com o dom que eu tô
te dando, com a sua pesquisa. Esse cara
vai, feliz da vida, ficar 10 horas no
seu escritório com cabeça baixa sobre
manuscritos, abençoando a igreja através
do seu trabalho rigoroso ali. Esse daqui
nunca serviria para atuar como pastor,
porque ele não tem aquele eh o chamado
de Deus para lidar o tato com pessoas. E
é isso não tá dizendo que é menos.
>> Exatamente. É isso que eu que eu quero
dizer. Então
>> eu acho que todo pastor deve ser mestre.
Ele tem que ensinar. Mas nem todo mestre
e acadêmico necessariamente precisa ser
pastor. E na para mim é fundamental é
que se ele não for pastor, ele seja
comprometido com uma igreja local,
esteja sob o pastorado de alguém sério,
preste contas em sua vida como um crente
fiel ao Senhor. Isso para mim é
innegociável. E aí nós teria, se nós
tivermos uma um exército, um grupo de
acadêmicos assim, aí nós temos uma, eu
acho que essa ideia,
>> uma grande vantagem na igreja. Essa
ideia é muito boa a gente olhar, né,
para para esse dom e ter espaço na
igreja para essas pessoas, né?
>> Então eu vejo um certo preconceito, né?
Ah, quando o pastor vai pro gabinete
estudar, por exemplo, né? Ó, o pastor
está, ele é um pastor de gabinete, ele
não se envolve com as ovelhas, mas é
importante demais. E na medida que as
igrejas elas crescem, elas vão crescer
em dons. E essas pessoas, né, Deus deu
dons a elas. para que elas possam ter
suporte. Então, eu vejo que a Igreja
Brasileira tem que valorizar a a esse
dom e ela vai poder ser muito muito
beneficiada com isso. Então, que coisa
boa, coisa boa. Vamos lá, gente. Então,
vamos então, já que o pastor fez o seu
PhD, eu não fiz, pastor, eu fiz um de
mim, né? Eu fiz um doutorado em
ministério, sou pastor, né? E eu olho
pro PhD, eu falo: "Uau, né? Que coragem,
que coragem!"
E vamos então usufruir agora um
pouquinho. Olhando para esse texto de
forma muito simples, a gente vai
perceber que exegese também, né, pastor,
não é uma coisa impossível, né?
>> Não é só trabalho duro, mas não precisa
ser gênio para fazer a coisa.
>> Isso. Eu eu acredito que é isso. Então
vamos nesse bloco de Efésios aqui. Eu
quero começar com Efésios capítulo
primeiro,
falando de reconciliação, óbvio, né? A
gente vai olhar para isso. Efésios,
capítulo primeiro, versículo 9 e 10. Eu
vou fazer a leitura aqui. Você que tá em
casa nos acompanha. Ele diz assim, ó.
Ele nos revelou o mistério de sua
vontade, segundo o seu propósito, que
ele apresentou em Cristo, de fazer
convergir nele, na dispensação da
plenitude dos tempos todas as coisas,
tanto as do céu como as da terra. Como
que você lê isso aqui? Paulo tá falando
só de salvação individual ou de algo
maior, algo até cósmico assim? O que que
o pastor pensa quando ele lê esse texto?
Fica à vontade, pastor.
>> Eh, ah, de forma bem breve, eh, veja só,
eh, para mim, esses dois versos são o
eles constituem o texto programático de
toda a carta de Paulo. Paulo começa a
vai desenvolver o restante da carta a
partir do que ele anuncia pra gente
nesses versos. É óbvio que tem uma
riqueza de teologia, de ética em
Efésios, como nas demais cartas de
Paulo, que eh não podem ser resumidas a
um único versículo ou um único conceito,
mas ele ele fundamenta, ele inicia o seu
argumento a partir desse conceito bem
mais macro, digamos assim. Então, você
percebe a importância do conceito de
mistério na teologia paulina. Esse é um
conceito apocalíptico conhecidíssimo na
literatura apocalíptica judaica,
>> eh, e que é um é estranho pra gente só
estranho quando se
>> literatura apocalíptica do período
interbíblico,
>> do período interbíblico, correto? e do
período bíblico, como por exemplo, eh,
Daniel, a tradução eh grega do livro de
Daniel, aquilo que a gente chama como
septo aginta, usa a palavra mistério
várias vezes, especialmente no contexto
do eh do sonho misterioso lá, mas não é
nesse sentido, mas o sonho de Nabuco
Donzo, a interpretação, aquilo é
colocado em grego como sendo misteriona.
É uma palavra muito semelhante à nossa e
em grego, mysterion. Aí a tradução fica
tão natural como mistério, né? Então, o
sonho de Nabuco do Nozo, tudo aquilo era
um mysterion e somente Daniel recebeu a
revelação de Deus ah, do que seria o
mistérium que estava sendo ah exibido
ali a a Nabuco Donozor. Paulo tá dizendo
que de forma semelhante Deus revelou um
mysterion também aqui para eles, tá? E a
palavra mysterion significa não algo
misterioso, como a palavra portuguesa
mistério, mas um segredo,
>> algo que estiver oculto por um tempo,
mas que agora foi revelado. Na
literatura judaica do segundo templo,
ah, uma das características do conceito
de mistérium é que somente Deus era
capaz de revelar o conteúdo desse
mistério. E e o que acontece aqui, tanto
aqui como em Colossenses, em outros
lugares, Paulo fala do mistério que foi
revelado aos apóstolos e profetas do
Novo Testamento. Nesse caso aqui, o
conteúdo do mistério é que ah Deus ah
que Deus no verso 10 faria convergir
nele, ou seja, Cristo, na economia ou na
dispensação da plenitude dos tempos. A
ideia de plenitude dos tempos aqui é a
ideia de o tempo do cumprimento, não é?
Determinado por Deus. Ele então faria
convergir todas as coisas, tanto nos
céus como na terra. Ou seja, a metáfora
aqui que Paulo usa, a palavra grega é
anafalo, significa resumir, trazer
sobre, né, recapitular todas essas
coisas sob eh um um head em uma cabeça
aqui. E eu interpreto isso aqui. Esse
texto de Paulo para mim é uma
interpretação daquilo que ele fala em
Colossenses 1:20. Lá ele fala que Deus
ah, reconciliou todas as coisas em
Cristo, nele, né, em Cristo Jesus, tanto
coisas, as coisas no céu como as coisas
na terra. Percebo o paralelismo entre os
dois textos. A ideia que eu argumentaria
e argumento no meu livro é que essa
ideia de resumir, de convergir, é a
ideia de reunificar todas as coisas em
Cristo Jesus. Cristo então é apresentado
como o eixo unificador
de uma de um universo fragmentado,
mas que agora Deus começa a restaurar,
inaugura a restauração novos céus e nova
terra em Cristo Jesus. Paulo diz: "Este
o mistério que estava oculto, mas que em
Cristo Jesus agora foi revelado para
nós. Nos foi dada a graça de conhecer
isso daí. E ele fala que esse esse
projeto de reunificação cósmico, todas
as coisas, é um conceito importante
aqui, ele explica ainda mais dizendo
coisas nos céus e na terra. No contexto
de Efésios e Colossenses, isso significa
seres materiais e imateriais.
Terra, coisas materiais, inclusive seres
humanos e imateriais. Ele passa a
desenvolver ao longo de Efésios, então,
esse conceito de reunificação cósmica,
olhando para os seres espirituais.
Paulo diz, eles foram colocados debaixo
dos pés de Jesus no seu devido lugar,
mas especialmente olhando paraa
implicação dessa reunificação cósmica no
que diz respeito ao relacionamento entre
judeu e gentil naquilo que seria a
formação ah da igreja, né, dessa nova
humanidade no capítulo dois. E ele
desenvolve isso no restante da carta
também. Então, para mim, esse texto aqui
é o texto programático da carta e e
Paulo, a partir de então passa a mostrar
os efeitos, né? a passa a mostrar,
digamos assim, as características desta
inauguração dessa reunificação cósmica,
especialmente em relação à igreja, essa
nova humanidade.
>> Bom, eu queria fazer um ponto aqui,
pastor Rodrigo, porque pastor Diego de
Carlos não está com o Novo Testamento
grego, ele está com a Bíblia em
português, é memória mesmo. É incrível
isso. Eu falei, é incrível, acho muito
bom. E pastor, agora eu queria ir para
talvez o texto mais direto sobre
reconciliação. Eu eu penso, tá? Eu eu
que eu selecionei. Então, se o pastor
discordar, por favor. Ah, seria Efésios,
capítulo 2,
verso 13 a 16. Posso fazer a leitura
aqui, pastor? Claro, diz o texto
bíblico, mas agora em Cristo Jesus,
vocês que antes estavam longe, foram
aproximados pelo sangue de Cristo,
porque ele é a nossa paz. de dois povos.
Ele fez um só e na sua carne derrubou a
parede de separação que estava no meio,
a inimizade. Cristo aboliu a lei dos
mandamentos na forma de ordenanças para
que dos dois criassem em si mesmo uma
nova humanidade, fazendo a paz e
reconciliasse ambos em um só corpo com
Deus por meio da cruz, destruindo
enimizade por meio dela. Então vai lá,
pastor, toca o barco, porque o texto é
emocionante. É fantástico. Veja como
Paulo chega ali, não é? Depois dessa
abertura da carta com os versos 3 a 14,
nessa eologuia essa bênção aqui, falando
sobre as bênçãos de Deus para nós
através de uma estrutura trinitariana,
ele fala dessa dessa reunificação
cósmica em Cristo envolvendo seres
celestiais de seres terrenos. Ele no
restante do capítulo 1, a partir do
verso 15 até o verso 22, ele nos dá uma
amostra do que seria essa reunificação
em relação aos seres espirituais. Paulo
diz: "Olha, e eles foram colocados sob
os pés do Cristo exaltado." Então, ele
tá falando do da reunificação na esfera
celestial, mas ele termina o capítulo
dizendo que a e Cristo, este Cristo
exaltado, foi dado à igreja como seu
cabeça, que é a plenitude daquele que
enche tudo em todos. Ele menciona a
igreja.
>> Uhum.
>> A partir do capítulo dois, ele começa a
desenvolver mais o conceito de igreja,
dizendo: "Olha, como que essa igreja
surgiu? Nos versos 1 a tr, ele diz:
"Orora todos nós éramos ah mortos,
andávamos
ah nessa nesse estado de morte
espiritual, mas Deus verso 4 e até o
verso 10 ele desenvolve agora a o
evangelho para nós. Deus nos encontrou
naquele estado, mas ele nos vivificou
juntamente com Cristo a esta união com o
Senhor em quem nós já estamos nas
regiões celestiais. E ele, nós, ele diz
no verso 10, nós somos feitura deles,
criados em Cristo Jesus para as boas
obras, as quais Deus preparou de antemão
para que andássemos nelas.
O versos 11 a 22, que você lê uma porção
dela, reflete ou ela ela espelha, melhor
dizendo, a primeira metade do capítulo.
Paulo agora diz: "Olha, uma foi assim
que a Deus nos resgatou da morte. Agora
eu vou falar para vocês das implicações
eh horizontais ou ou corporativas da
ação de Deus. E quando ele vai falar
sobre isso, ele usa a metáfora agora
mais direta da reconciliação. Os versos
13, os versos 11 a 13, ele se volta
especialmente para os crentes gentius
que talvez estivessem se sentindo
menosprezados ou menores. E diz: "Olha,
outrora durante aquele período dos
versos 1 a tr vocês estavam distantes de
Deus. Mas lembra do do verso 4, mas Deus
>> no verso tr Paulo replica isso dizendo:
"Mas agora em Cristo Jesus vocês foram
aproximados". Como que eu fui aproximado
de Deus? Gente, o gentil podia
perguntar. Paulo diz que o meio foi
através da reconciliação, como você leu
a partir do verso 13. Então Paulo diz:
"Olha como que vocês foram aproximados."
Verso 14, porque ele é a nossa paz. Veja
como Paulo repete esse conceito de paz
em relação a Cristo. No verso 14, Cristo
é a paz, a nossa paz.
>> No verso 15, ele faz a paz. No verso 17,
ele evangelizou a paz. Cristo é o
cumprimento do príncipe da paz. Ele é o
príncipe da paz. Nos versos 14 a 15,
Paulo fala da do aspecto horizontal a
dessa reconciliação. Ele diz que ele é a
nossa paz e de ambos judeus e gentius,
ele fez um só.
Fez um só. E tendo derribado a parede de
separação que estava no meio à
inimizade, aboliu na sua carne a lei dos
mandamentos na forma de ordenanças, para
que dos dois judeus e gentius obviamente
convertidos, criasse.
Veja a ideia de criar em si mesmo um
novo homem, fazendo a paz.
Para Paulo, reconciliação é um ato de
recreação. Ao reconciliar os dois entre
si,
>> ele estava criando a nova humanidade. Em
Colossenses 3:10, Paulo vai falar que
nós fomos recriados a acordo com a
imagem daquele que nos criou. O que que
Paulo tá dizendo pra gente, gente? Que é
uma alusão a Gênesis 1, 2 e 3. Capítulo
3. O homem danificou a imagem de Deus. A
humanidade caiu no ato da reconciliação.
Deus está restaurando aquela humanidade.
Ele restaura a imagem de Deus na
humanidade. Nós agora, a igreja somos
recriados de acordo com esta nova imagem
do criador, imagem dele. Então, a imagem
recuperada aqui. Mas veja, ele começa
com o horizontal aqui. Mas o verso 16
que você também leu, Paulo olha para
judeu e gentil e diz: "Olha, mas isso
não foi algo que aconteceu apenas com
judeus, com os gentios. Ele disse que
também, ele disse também que essa eh
reconciliação horizontal foi baseada na
vertical. Veja o verso 16. E
reconciliasse ambos, vocês dois,
>> em um só corpo com quem?
>> Você percebe que Paulo agora muda
>> a a a
dinâmica, o plano da reconciliação para
agora Deus e a humanidade, ele
reconciliou vocês dois em um só corpo
>> e aponta para
>> com Deus. Exatamente. Por intermédio da
cruz, destruindo animizade. Veja só,
Deus age para reconciliar esses dois.
Mas uma das coisas que eu acho
interessante aqui, pastores, é que
>> veja a ênfase de Paulo no coletivo. É
óbvio que nós somos reconciliados quando
nós
>> recebemos o evangelho pela fé, correto?
Individualmente. Isso eu só eu sozinho
posso fazer. Somente pela graça de Deus
em mim, eu sou capaz de responder com
fé. Paulo sabe disso, é óbvio, mas aqui
ele enfatiza o aspecto corporativo,
até mesmo no finalzinho, quando ele fala
que nós somos o templo de Deus. E logo
no a seguir, nos versos 17 a a 19, ele
fala que é juntos que nós temos acesso a
Deus pelo Espírito Santo.
Paulo quer deixar bem claro para os seus
ouvintes e leitores que ele está se
referindo aqui à reconciliação vertical
e horizontal e a importância desse uns
aos outros na igreja em um só corpo.
Então isso para mim é uma mensagem
fantástica de reconciliação.
E é os dois ficendo juntos.
>> Tom um colorido todo diferente.
>> Uau. E Paulo tá juntando coisas ali. Ah,
duas coisas inseparáveis. Tá. E ele tá,
isso é fantástico nesse livro, pastor.
Essa essa ideia de reconciliação com
Deus e reconciliação entre as pessoas.
Esse coletivo que é colocado. Há uma
tendência a gente olhar essas coisas
como separadas, né? Mas elas são
interligadas, tá? E pastor, trazendo
para hoje num mundo polarizado
>> e às vezes numa igreja polarizada, né?
Ah, como que Efésios então nos
confronta, né? Ah, e uma das coisas que
eu faço nesse livro é a última sessão de
cada capítulo, eu intitulei eh
Conectando os Mundos. Então, a gente tá
olhando pro mundo de Paulo, pra maneira
como ele articulou todo esse
entendimento dele da reconciliação, tá?
Mas ok, o que é que isso tem a ver
conosco? Então, essa é o tipo de
pergunta que eu faço no final de cada eh
capítulo, conectando os mundos. A a
importância dessa mensagem na época de
Paulo qual a relevância dela para nós
hoje no Brasil, em especial,
>> polarização é um fenômeno do mundo
ocidental e no na América Latina, né?
Está uma coisa horrível. Uma das
implicações de tudo isso é que a nossa
identidade não está em partidos
políticos. A nossa identidade está em
Cristo Jesus. Nós não somos apolíticos.
Nós não estamos aqui dizendo que nós não
nos importamos com a moral da sociedade,
mas esta não é a nossa prioridade. A
missão da igreja não é determinar quais
visões de mundo extrabíblicas, digamos
assim, partidárias devem eh governar uma
nação, estado. Mas nós, Paulo nunca foi
em lugar nenhum guerreiro social. em
primeiro lugar, ele ele era em primeiro
lugar um anunciador, um proclamador da
mensagem do evangelho, da reconciliação
de Cristo. Então, eu acho que eu eu
penso que esta mensagem da reconciliação
nos mostra que nós, igreja, estamos no
mesmo lado. Nós precisamos continuar com
a missão de fazer discípulos, de
proclamar aquilo que Paulo nos fala em
segunda aos Coríntios, a mensagem da
reconciliação como embaixadores.
Paulo nos diz em segunda Coríntios 5 que
não somente Deus nos reconciliou consigo
mesmo, como ele nos concedeu, nos
entregou o ministério da reconciliação,
pelo qual nós exortamos em nome de
Cristo para que homens e mulheres sejam
reconciliados com Deus. Essa é a nossa
mensagem. Eu creio que em um mundo
polarizado e tão sensível nessa área, a
igreja precisa ter uma voz profética
capaz de falar tanto para um lado como
para o outro. Eu não creio que a igreja
esteja, deva estar em cima do muro, mas
ao mesmo tempo a igreja não é parte de
nenhum de o evangelho
não pertence a nenhum desses dois grupos
que o mundo nos coloca. O evangelho está
acima. Ele não está em cima do muro, mas
ele é supra político, ele é suprassocial
e ele é capaz de deve ser capaz de
enxergar injustiça onde quer que ela
apareça e denunciarem onde quer que ela
apareça com a mesma voz profética e
bíblica. Então acho que a mensagem da
reconciliação, ela nos ajuda a entender
a identidade da igreja, a identidade do
cristão e da igreja. E, portanto, a
nossa prioridade, a gente fala que ela é
súpra, né? Então, a gente tem movimentos
do conservadorismo no Brasil, nós temos
movimentos progressistas no Brasil e nós
temos cristãos trafegando, né, nesses
nesses movimentos. Como o pastor
colocou, nós não somos apolíticos, mas o
evangelho e a mensagem da reconciliação
é para ambos. Hum.
>> Então, eu vejo que a igreja não pode
fechar as portas,
a verdade, nós temos a verdade contida
na palavra do Senhor, mas ao mesmo tempo
a gente tem que tá, a nossa preocupação
é a proclamação,
>> hum,
>> desta mensagem de reconciliação que eu
acredito que pode mudar os rumos do
nosso país, inclusive ou uma ideologia,
né, mas sim a palavra e o evangelho. E
aí eu vejo que uma coisa que a gente
confunde no país é confundir muitas
vezes os conservadorismo com o
cristianismo, né? O cristianismo está
acima disso. Ele tem que estar acima. No
momento que a gente coloca duas coisas
no mesmo plano, nós estamos a o
evangelho vai perder a sua força.
>> E a moral cristã, que de fato é cristã,
ela não é produzida por eh leis
progressistas ou leis conservadoras. Ela
é produzida pela transformação do
Espírito Santo, que só é possível
através da proclamação do Evangelho.
Então, eu creio na suficiência da
mensagem, eu creio na suficiência das
Escrituras e somente ela pode
transformar uma sociedade em termos de
moral. Eh, então é ela é a nossa
prioridade, é fazer discípulos
ensinando-as a guardar tudo que Jesus
nos ensinou. Quando nós recebemos esse
essa mensagem da reconciliação, quando
alguém crê, há uma transformação
tremenda. Que mais?
>> É uma transformação
>> que vem de dentro para fora. E é por
isso que a gente chega agora no capítulo
quatro. Pastor, eu tô acelerando aqui,
mas fique à vontade de voltar. Não dá
tempo, né, pastor? A gente tem que ler a
pístula inteira.
>> Vai ter que ler, vai ter que ler, vai
ter que ter que ler o meu livro depois.
É, não, mas é, tem ideia, né, pastor?
Porque a gente não vai esgotar hoje aqui
em alguns minutos, né, uma riqueza tão
grande. E esse evangelho então é
aterriza pra vida real, né? Ele ele não
para, ele vem paraa nossa vida. E ele e
ele diz o capítulo 4 verso 1 a 3,
por isso eu, o prisioneiro no Senhor,
peço que vocês vivam de maneira digna da
vocação a que foram chamados com toda
humildade e mansidão, com longanimidade,
suportando uns aos outros em amor,
fazendo tudo para preservar a unidade do
espírito no vínculo da paz.
>> Hum.
Então, a reconciliação não é uma só uma
experiência espiritual, é um estilo de
vida comunitário. Como que o pastor vai
enxergar esse treço agora vindo, né,
para para esse viver? Parece meio dia a
dia aqui.
>> Boa pergunta. Eh, o capítulo 4ro começa
aquela sessão exortativa de Paulo, né,
que a gente chama do dos imperativos
éticos de Paulo aqui, né? portanto,
fundamenta tudo que ele vai falar
adiante naquilo que ele ah mencionou e
eh expôs nos primeiros três capítulos. E
óbvio que há uma unidade conceitual e
uma unidade literária entre as duas
partes da carta de Paulo. Ele não tava
escrevendo um manual de teologia e um
manual de ética. Para Paulo, indicativo
e imperativo são inseparáveis. Porque a
mensagem do evangelho não é só a
teologia dos versos 1 a tr.
>> Uhum. Na verdade, a mensagem do
evangelho é a mensagem transformadora
da do evangelho de Cristo Jesus, que ao
transformar um indivíduo pela mensagem,
ela automaticamente transforma o caráter
daquele que é ah reconciliado com Deus.
Portanto, o imperativo é possível
somente na vida daqueles que foram
transformados ah pelo Espírito Santo.
OK? Então ele fundamenta lá. Eu quero
lhe chamar chamar atenção apenas para um
detalhe aqui
>> que nos nos dá uma boa dica do que Paulo
tá fazendo. Ele usa a metáfora do andar.
Essa é uma metáfora importante na carta
aos Efésios. Ele fala que nós devemos
andar de modo digno. Ele começa a
exortação dos três capítulos com essa
injunção aqui. Então eu eu vejo nesse
texto aqui o mais uma vez o texto
programático da parênes da exortação de
Paulo. Eu vou desenvolver agora para
vocês as características de um andar
digno. Se você voltar no capítulo dois,
ele já mencionou essa essa metáfora duas
vezes. Capítulo 2, versos 1 a três, no
verso 2, ele diz: "Olha, vocês estavam
mortos em delitos e pecados nos quais
vocês andavam."
>> Isso significa estilo de vida. Esse
andar aqui é uma metáfora para estilo de
vida. Quando nós somos transformados
pelo evangelho, a partir do verso 4,
veja como ele conclui essa unidade no
verso 10. Pois somos feitura dele,
criados em Cristo Jesus para as boas
obras, as quais Deus de antemão
preparou. Para quê?
andássemos nela.
Quando Paulo desenvolve a transformação
do Evangelho nos versos 11 a 22, ele
foca, como nós já vimos, no aspecto
corporativo dessa transformação e dessa
nova criação. É assim que nós andamos
como reconciliados uns com os outros e
com Deus em um só corpo tendo acesso a
Deus assim, né? Não é isso? Então, isso
já nos dá uma dica do que Paulo quer
dizer com um andar digno. Um andar digno
é um andar dos reconciliados com Deus.
Isso fica claro no contexto imediato que
você já leu. No verso dois, ele nos dá
as virtudes fundamentais da
reconciliação ou de uma igreja que foi
reconciliada e, portanto, tem unidade.
Vocês devem cultivar humildade,
mansidão, longanimidade, suportando-vos
uns aos outros em amor. Com qual
objetivo? Se esforçando para manter,
preservar a unidade do espírito no
vínculo da paz. que nós temos de
paralelos conceituais entre os versos 1
e 16 e o capítulo 2, especialmente
versos 11 a 22. É incrível. Isso mostra
que Paulo está desenvolvendo um andar
digno que para ele significa, no
contexto de Efésios, em especial, em
específico, um andar daqueles que foram
reconciliados uns com os outros e com
Deus. E aí, nesse andar o a ordem é
vocês precisam não criar a unidade,
porque isso foi criado pelo Espírito
Santo. Você não tem condições de fazer
isso. A unidade da igreja foi criada
pelo Espírito Santo no ato da
reconciliação, mas vocês têm a tarefa de
manter, de preservar a unidade que o
Espírito Santo criou, fundamentado em
amor e no vínculo da paz. Isso é
linguagem de reconciliação. E eu
argumento que ao longo da exortação de
Paulo, ele vai elaborando,
né, em termos práticos, aquilo que ele
apresenta como sendo a doutrina da
reconciliação nos aspectos vertical e
horizontal dos primeiros três capítulos.
>> É isso, pastor Rodrigo. Então, vamos lá.
Vamos caminhar pro próximo bloco. Agora
a gente tá esgotando aqui o pastor, né?
Exigindo aqui.
>> Vamos lá,
>> pastor. Vamos lá. Vamos pro bloco
Colossenses, né? E aqui, quando eu olho
pro livro, Reconciliação começa em quem
Cristo é. Parece que Efésios ele tá, ele
tá criando esse povo e ele mostra esse
povo reconciliado. Mas Colossenses, a
minha sensação, tá? Sensação na leitura
é antes de falar reconciliação,
entenda quem Cristo é, né? E Colossenses
parece colocar Cristo como centro de
tudo. E eu vou ler aqui, pastor. Posso
ler Colossenses, cap, vamos ver se eu
acertei, né, pastor Rodrigo? Tô
escolhendo os textos aqui, mas
Colossenses, capítulo primeiro, verso 19
até o verso 23. Posso ler aqui, pastor,
>> por favor?
>> Então, vamos lá.
Colossenses primeiro aqui, capítulo 1, a
partir do verso 19. Porque Deus achou
por bem que nele residisse toda a
plenitude e que, havendo feito a paz
pelo sangue da sua cruz, por meio dele,
reconciliasse consigo mesmo todas as
coisas, quer sobre a terra, quer nos
céus. E vocês que no passado eram
estranhos, inimigos do entendimento,
pelas obras más que praticavam, agora,
porém, ele os reconciliou no corpo da
sua carne, mediante a sua morte, para
apresentá-los diante dele santos,
inculpáveis e irrepreensíveis, se é que
vocês permanecem na fé, alicerçados e
firmes, não se deixando afastar da
esperança do evangelho que vocês ouviram
e que foi pregado a toda criatura.
debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me
tornei ministro.
Lindo esse negócio.
É lindo. É, pastor. É incrível.
E Paulo aqui fala de todas as coisas,
né? Estamos falando só de pessoas. Como
que é? O pastor já falou um pouquinho
com a gente.
>> Isso é fantástico. É, é um é um texto
nos versos 15 a 20, a gente tem aquilo
que na academia é conhecido como um hino
de Cristo. Aqui de Colossenses, a gente
tem um outro também chamado hino de
Cristo em Efésios, ah, em, desculpa, em
Filipenses 2, 5 a 11. E nós temos esse
outro famoso hino de Cristo nos versos
15 a 20. a prosa muda, a maneira, o
estilo muda e a gente vê uma uma sessão
mais poética, mesmo, especialmente mais
claro, talvez na língua grega. E esse
esse hino na minha na maneira como eu o
divido, eu dividiria em três estrofes
com a a segunda estrofe, sendo uma mais
breve, uma ponte paraa segunda. Mas o
que é que é interessante aqui?
Paulo está falando do Cristo exaltado.
Então, nesse esse hino proclama a
supremacia de Cristo sobre todo o
universo. Nos versos 15 e 16, Paulo diz
três preposições importantes aqui. Ele
fala que ele, Cristo, é a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a
criação. A primogênito aqui tem um
sentido primário de a autoridade máxima,
de rank, né? não do primeiro criado.
Porque no próprio contexto de de
Colossenses, Paulo deixa claro que não é
esse. Paulo está falando da
preexistência de Cristo aqui. Mas no
verso seguinte, ele usa três preposições
importantes. Ele diz que tudo que foi
criado foi criado por ele, por meio
dele. Desculpa, foi criado nele, por
meio dele e a última para ele. Para ele.
Paulo tá dizendo é que toda a primeira
criação, a semelhança do que João faz no
Evangelho de João, capítulo 1, verso 3,
toda a criação foi feita por Cristo
Jesus, em Cristo Jesus e pela primeira
vez no Novo Testamento para Cristo
Jesus. Paulo não fala isso em lugar
nenhum antes de Colossenses.
>> Uhum. Mas toda a criação tinha um
objetivo, Cristo.
Quando ele vai desenvolver a ideia de
que todas as coisas foram criadas eh
nele, por ele e para ele, a Paulo nos
explica um pouco mais o que ele quer
dizer com isso. Todas as coisas aqui nos
céus e sobre a terra. Lembra que essa
expressão também aparece em Efésios
1:10? Ela aparece no texto que você
acabou de ler, 1
>> Uhum. E e começa aqui todas as coisas
criadas para Paulo, então, se referem a
coisas materiais e materiais, inclusive
seres espirituais, inclusive seres
espirituais malignos. Paulo fala: "Sejam
visíveis e invisíveis, sejam tronos,
soberanias, principados ou potestades.
Tudo foi criado por meio dele e para
ele." Esses termos que ele menciona, a
soberania principal dos tronos, eram
termos comuns no judaísmo para seres
espirituais malignos.
>> Mas aí a todas as coisas foram criadas
em Cristo por meio dele e para ele. Nós
sabemos de Gênesis que tudo que foi
criado foi muito bom.
Por que que nós chegamos então no verso
19 20 e nós temos uma necessidade de
reconciliação?
Paulo não menciona no hino, mas a
pressuposição dele é que o pecado
arruinou essa criação original de Deus e
agora há necessidade de reconciliação.
Mas veja a dinâmica interessante de
Paulo. Ele diz então o que no verso 19:
"Aprouve a Deus. Deus não aparece no
original grego, apesar de que a ideia é
essa, mas originalmente o que Paulo tá
dizendo é que e toda a plenitude se
agradou em habitar nele. Por que que
Paulo, apesar de que a ideia que Deus,
né, a plenitude era uma forma inclusive
hebraísta, né, a gente vê isso no Antigo
Testamento, que se referia a plenitude
de Deus, né, céus e terra. Deus preenche
céus e terra, OK? Mas Deus não menciona
a palavra Deus. Paulo não menciona a
palavra de Deus aqui. Ele mantém o foco
em Cristo. Todos os pronomes relativos,
cerca de 14, 15, eu preciso fazer a
recontagem, relativos e pessoais aqui se
referem a Cristo Jesus. Ele não quer
tirar a atenção do seu leitor da
supremacia de Cristo. Esse é o meu
assunto. Cristo, filho de Deus. Cristo,
Cristo, Cristo. Mas toda a plenitude ave
habitar nele, em Cristo, ah, eh, residiu
nele. E que, havendo feito a paz pelo
sangue da sua cruz, veja só as
preposições aparecendo novamente. Por
meio dele reconciliasse consigo mesmo
todas as coisas que ele já mencionou lá
em cima e que também aparece em Efésios,
todas as coisas, quer sobre a terra,
quer sobre os céus.
Veja, ele reconciliou nele, por meio
dele e para ele, nele, em Cristo Jesus.
Tá?
Que são essas todas as coisas? Aquilo
que ele mencionou na primeira estrofe,
toda a criação, inclusive seres
espirituais malignos, tudo foi
reconciliado em Cristo Jesus.
Que Paulo tá dizendo para nós aqui é que
o ato de reconciliação é um ato de
recreação.
>> Uhum. Ele já deixou isso claro para mim
em Efésios. Ele vai esclarecer isso em
Colossenses 3:10, quando diz que nós
somos recriados à imagem daquele que nos
criou, que é Cristo Jesus. Nós agora nos
revestimos da nova humanidade, havendo
nos havendo-nos despido da antiga e nos
renovamos em nossa mente, correto?
Então, para Paulo, reconciliação,
eu vou resumir algo que a gente fala
bastante no no livro e que outros,
obviamente, desenvolvendo a a o insite
de outros, a metáfora da reconciliação
para Paulo fala do cumprimento das
promessas proféticas de novos céus e
nova terra, da recreação que Deus
prometeu.
>> Ele já falou de nova humanidade e ele
vai esplendir
>> Exato. Exato. E nos versos 21 a 23, ele
aplica pela primeira vez na carta a
ideia de reconciliação olhando pra
humanidade. Vocês eram inimigos e vocês
foram reconciliados com Deus. A pergunta
agora é: o que reconciliação significa
em relação à aqueles tronos e
principados e potestades? Isso ele vai
explicar no capítulo 2 e verso 15. No
que diz respeito aos seres espirituais,
a reconciliação não significa a
restauração de um relacionamento, mas
pacificação.
Uhum.
>> É a paz da pax romana. uma paz violenta
imposta sobre conquistados.
Cristo conquistou os seres espirituais
na cruz. Por isso que em 2:15 Paulo
desenvolve isso dizendo: "E despojando
os principados e as potestades,
publicamente os expôs ao desprezo,
triunfando
neles ou deles na cruz".
Então, basicamente a mesma ideia de
Efésios aqui. Cristo é o eixo unificador
de toda a criação. Tanto que ele diz: "E
tudo no hino subsiste nele." É ele quem
sustenta todas as coisas nessa unidade.
>> E pastor, não dá para ficar sem Cristo.
Porque que que o mundo hoje quer, pastor
Rodrigo? O mundo quer paz.
A gente liga o noticiário, tá lá, gente,
queremos paz. O mundo tá tem, a gente
vive cenários de grandes guerras hoje,
né? Até a eminência aí de uma terceira
guerra, isso tem sido cogitado de forma
que eu nunca tinha visto, né? Chegando
bem perto. O mundo quer paz, o mundo
quer unidade, o mundo quer cura social.
E aí vem para mim algo que tem que ficar
mais sem cruz.
Eles querem mais sem cruz, né? E e
reconciliação sem cruz existe?
>> Não.
Essa eh a dinâmica de reconciliação, ela
ela pressupõe quatro movimentos. Ela
pressupõe
a um relacionamento que foi eh
danificado, um relacionamento original
que foi fraturado, a iniciativa de
alguém em remover a, aliás, desculpa, o
primeiro é um relacionamento inicial que
foi fraturado, em segundo lugar por uma
ofensa real ou presumida e em terceiro,
um movimento em direção a a a retirar
esse obstáculo, essa ofensa do lugar,
para que, em quarto lugar, o
relacionamento amigável seja recuperado,
tá?
>> Uhum.
>> Na dinâmica teológica da reconciliação,
a cruz é o único meio para retirar a
ofensa que causou a ruptura do
relacionamento divino humano e ao
pecado. Não há paz, não há shalom de
Deus, não há reconciliação sem cruz.
É a cruz o nosso ponto de partida.
>> Amém, pastor. Vamos lá. E aí ele vem
paraa aplicação prática. A gente passou
aqui um pouquinho o capítulo dois. No
capítulo 3, eu achei interessante quando
ele fala assim, pastor, capítulo 3. E
Paulo é muito prático, ele tá levando
para paraa nossa vida da seguinte forma.
Então ele diz, hã, capítulo 3 de 12 a
15, portanto, como eleitos de Deus,
santos e amados, revistam-se de profunda
compaixão, de bondade, de humildade, de
mansidão, de paciência, suportem-se uns
aos outros e perdoem-se mutuamente. Caso
alguém tenha motivo de queixa contra
outra pessoa, assim como o Senhor
perdoou vocês, perdoem também uns aos
outros. Acima de tudo, porém, seja o
amor, que é o vínculo da perfeição. Que
a paz de Cristo seja o árbitro no
coração de vocês, pois foi para essa paz
que vocês foram chamados em um só corpo
e sejam agradecidos. Então, como que nós
fomos reconciliados e agora vivemos
reconciliando?
>> Você percebe a linguagem de
reconciliação claríssima aqui. Faz
sentido pra gente? Paulo tá dizendo,
gente, não fica no campo da teoria, não.
Isso aqui tem aspecto muito prático.
Significa que
>> aqui é pro dia a dia. Isso aqui é para
amanhã.
>> É pro dia a dia.
>> Veja até para agora.
>> É. [risadas] E quando ele começa,
>> vai brigar comigo aí.
>> Quando ele começa a exortação no verso
5, veja, ele ele fala dos de duas listas
de vícios que nós devemos nos livrar. Na
primeira daqueles pecados que eu diria,
corrompem o relacionamento vertical
entre homem e entre a a humanidade e
Deus. Ele fala de impureza, de
prostituição, paixão laciva, desejo
maligno e avareza, que também envolvem
relacionamentos interpessoais. Mas vej
de modo mais claro o verso oito.
Despojai-vos igualmente de tudo isto.
Ira, indignação, maldade, maledicência,
linguagem obscena do vosso falar. Não
mintais uns aos outros. Percebe como
esses vícios eles têm um efeito direto
na unidade da igreja?
>> Uhum. Com certeza. Paulo, na minha
maneira de ler o texto, na maneira como
eu vejo o argumento de Paulo aqui, ele
está desenvolvendo as implicações
práticas da reconciliação. Gente, uma
vez que nós somos uma unidade agora,
vocês devem se esforçar por manter essa
unidade. Uau! E não, e e é incrível que
isso vai, isso é uma, é a força do povo
de Deus. É ou não é, pastor Rodrigo? E o
pastor Rodrigo, imagine, Diego, a gente
é amigo há 20 anos. Não vai, não vai
falar, olha, né? Vai, é, é sempre um mar
de rosas. Já discordou. E quando a gente
discorda, a gente tem um chão tão seguro
para pisar que a cruz, que é aquele
terreno plano da cruz, onde pode, onde
nós podemos resolver a a as nossas
dúvidas, os nossos dilemas, onde a gente
tem essa unidade que não vem de nós, vem
de Cristo. Em Cristo, na igreja,
provavelmente é um único lugar onde o
diferente coexiste em harmonia.
>> Amém.
E agora, gente, pastor Jonas Madureira
acabou de passar ali, pessoal, e ele tá
aqui atrás. Passou de Diego aqui.
[risadas]
>> Vamos então pro bloco finalzinho que é
Filemon, né? Filemon aqui, pastor, né?
>> Aqui é quando a reconciliação ganha nome
e rosto, né? Então, quando isso
acontece, então Paulo pega toda essa
teologia de Efésios e Colossenses. Tô,
tô caminhando bem, pastor, né? Ele pega
toda essa teologia robusta e a gente só
leu aqui um pouquinho só. A gente tá no
um pouquinho e ele pega tudo isso aí e
transforma isso numa história real.
Vai lá, pastor. E aí nós vamos terminar.
>> Vamos. Isso é fantástico. Vamos, vamos
voltar agora para Tíquico e Onésimo
enviados por Paulo a Colossos, para
resolver esse problema, tanto na igreja
em Colossos em relação aos falsos
mestres, mas também com aquela outra
cartinha a Filemon mais curta. Imagina o
choque talvez de Filemon. Quando Paulo
endereça essa carta a Afemon, ele diz
que ele escreve Afemon, Arquipo, Áfia e
a igreja que se reúne em sua casa,
significando a casa de Filemon.
>> Provavelmente ele tinha uma casa grande
suficiente para abregar uma porção da
igreja de Deus, uma casa local, uma
igreja ah local doméstica, né, na sua
casa. Então imagina que Tico e Onésimo,
os enviados de Paulo, o escravo que
havia saído dali, escravo, sem a
permissão do seu senhor, chega com
tíquico e essas cartas. E Filemon pra
congregação ao redor, como assim? Eles
vão na casa de Filemon agora, nada
acontece ainda. Eles sentam, fica com
falam: "Olha, eu tenho uma
correspondência aqui de Paulo para
vocês". e ler essa carta que nós agora
brevemente falamos, cheia de
reconciliação.
Cheia de reconciliação. Mais do que
isso, quando nós chegamos no código
doméstico de Colossenses, aquilo onde
Paulo fala do relacionamento entre
marido e mulher, entre pais e filhos e
escravos e senhor, perceba que ele gasta
duas linhas para o relacionamento de
marido e mulher, duas linhas para o
relacionamento de pais e filhos e várias
linhas para tratar do relacionamento do
escravo com seu senhor, mostrando como
em Cristo o relacionamento deles é
reconfigurado. Depois de tudo isso,
Tiker essa carta. Quando a congregação
talvez já começa a se levantar para se
dispersar, ele fala: "Gente, só só um
instantinho, me dá mais 5co minutinhos
aí. Eu tenho uma segunda carta para ler.
Lemão essa carta é endereçada para você
ir pra igreja em sua casa. Onésimo aqui.
Meu companheiro vai ler a carta,
>> gente do céu.
>> E aí ele lê aquela carta a Filemon, onde
Paulo, onde Deus estava em Paulo
reconciliando Filemonéso. Ele diz: "Olha
Paulo, eu" Paulo fala: "Olha, poderia,
Onésimo, ou poderia Filemon te dizer o
que fazer, mas eu vou te pedir em nome
do amor." Perceba que Paulo e ele fala
mais, olha, meu filho, ele é o meu filho
na fé que eu gerei nas minhas cadeias
aqui durante a prisão. Receba- como você
receberia a mim. E eu vou te falar mais.
O coração de Filemões está naquele verso
quando Paulo fala, olha, eh, verso 16,
se não me engano,
>> ah, vamos ler. Quando ele fala, recebe a
a Onésimo, não apenas como um escravo,
mas muito mais do que isso. 16, como um
irmão.
>> Paulo, gente, se coloca aqui, Lutero
teve esse insite no seu prefácio a
Filemon. Ele fala que Paulo se coloca no
lugar de Jesus aqui lá de Filipenses 2 5
a 11. Ele se esvazia da sua autoridade
apostólica, se coloca no lugar do
escravo e fala para Fileon: "Põe a
dívida dele na minha conta e recebo o
meu filho como você receberia a mim".
Então, a leitura de Colossenses, que eu
imagino seria prévia a de Filemon,
prepara o terrano para que Filemon seja
lida e impõe e põe um pouco mais de
pressão
>> a Filemon para obedecer a Paulo. E Paulo
tinha muita confiança de que Filemon
faria ainda muito mais do que o que ele
estava pedindo. Então, Filemon é uma
carta de recomendação de Paulo a
Filemon, ah, em favor de Onésimo, para
que Onésimo seja recebido agora, não
apenas como um escravo, mas muito mais
do que isso, como um irmão, porque a
identidade de ambos é redefinida pelo
evangelho. Eles agora são irmãos em
Cristo.
Pastor querido, quero agradecer todo o
esforço,
>> já quero o livro,
>> todo o carinho, [risadas]
aguardando esse livro que sai quando,
pastor?
>> Olha, a expectativa é que ele esteja
pronto aí a até a a outubro. Então, a
gente pretende fazer um lançamento,
alguma coisa do tipo, na conferência
Peladeres em outubro. Então, espero que
em setembro já esteja disponível e
outubro pronto, né? de outubro ali.
>> É
>> isso. Eu espero por pelo que a gente
conversou hoje e tenho certeza que esse
livro vai ser grande bênção pra igreja
brasileira. Deus continue usando o
senhor, seu ministério. Ah, e abençoando
também a sua família. Marido da
Sherloca, né? Todo mundo já sabe isso,
né? [risadas]
Obrigado, pastor Rodrigo, por esse tempo
aqui. Obrigado, Luís Gustavo, que não
aparece aqui, pessoal, mas ali tá aqui
conosco no nosso ob e faz tudo acontecer
aqui. Deus seja louvado, pastor. Muito
obrigado.
>> Muito obrigado por esse tempo. Muito
bom.

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