Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Discipulado Radical (Palestra 1/3) Jonas Madureira.

Discipulado Radical (Palestra 1/3) Jonas Madureira.

Discipulado Radical (Palestra 1/3) Jonas Madureira.

Pregações em Áudio, Vídeo e Texto + CURSO de TEOLOGIA ONLINE:

Principal


www.spurgeonline.com.br
​(WhatsApp 85-8658-8274)

Legendas automáticas:

uma alegria enorme de estar aqui agora
conhecendo o seminário Charles Spurion
e nesse novo lugar, né? agradecer a
oportunidade de poder eh refletir sobre
um tema que me é caro. Quando me foi
passado a passada a proposta
ah de falar sobre discipulado radical,
eu comecei a pensar em algumas
possibilidades de como a gente poderia
trabalhar esse tema.
Então eu cheguei à seguinte estratégia.
Vamos trabalhar três blocos, né, três
reflexões, três palestras.
E as duas primeiras palestras, elas são
bem, eh, eu diria assim esclarecedoras,
de esclarecimento, esclarecer o
significado, não é? A Aristóteles, eh,
dizia a que todas as vezes que você quer
se tornar claro, a primeira o primeiro
passo paraa clareza é determinar o
significado dos termos. Se a gente não
entende os termos, a gente vai bater
cabeça nos termos. Um vai entender uma
coisa, outro vai entender outra. E a
gente não tem clareza nenhuma. Então,
para ter clareza, primeiro definir os
termos da proposição, os termos a serem
tratados. Então, as duas primeiras
palestras vão ter esse teor, essa
finalidade de esclarecer os termos, não
é? Então, o primeiro esclarecimento é o
sentido de radical.
Então, hoje a gente vai gastar tempo
para refletir sobre o significado
ah de radical,
óbvio, tendo em vista a aplicação ao
conceito de discipulado, que é o tema de
amanhã. Então, primeiro, vamos
esclarecer o que entendemos por radical,
segundo, o que entendemos por
discipulado. O desfecho da nossa
reflexão se dará na terceira palestra,
quando falaremos diretamente dos
desafios, das implicações desse
discipulado qualificado como radical.
Então, primeiro radical, segundo
discipulado, terceiro discipulado
radical. Para entender o que é o
discipulado radical, a gente precisa
primeiro compreender o radical e o
discipulado, esses dois termos, tá
certo? Então, esse é o nosso plano.
Primeiro plano, portanto, é tratar do
sentido de radical.
Quando você ouve essa
palavra radical que vem na sua mente,
muitas coisas,
uma pessoa intransigente,
ausência de paciência, uma pessoa
perigosa,
fundamentalista,
aquele olhar ortodoxo
andou fora da linha.
Cabeças vão rolar.
Então, pessoa radical, você tem medo de
chegar perto,
tomar um safanão.
É um sentido de radical.
Segundo sentido de radical,
algo incrível, extraordinário. Usamos
radical para dizer esta manobra que o
sujeito fez lá no skate é uma manobra
radical. E aí radical não tem tanto
aquele sentido primeiro negativo, mas
tem o sentido de algo extraordinário,
algo incrível. O cara fez algo
impressionante,
n?
Em geral, esse sentido mais positivo de
radical
vem acompanhado também
de ações radicais, não no sentido
primeiro, que é o sentido negativo, não
é, mas no sentido de algo realmente
impressionante.
Daí a ideia, por exemplo, de ser um
crente radical que fez Michael Horton,
por exemplo, escrever o livro
simplesmente crente, não é? Vocês leram
esse livro já?
Quem já leu esse livro? É, tem umas
pessoas crentes aqui nesse ambiente.
[risadas]
Brincadeiras à parte, mas o livro é
muito interessante. A proposta do
Michael Horton é descrever contra todas
aquelas propostas de um cristianismo
radical. Sabe o que seria o cristianismo
radical? Abandona tudo, abandona até o
seu cérebro,
mas faça alguma coisa.
Ele diz: "Calma, talvez a gente precise
de um uma vida cristã
comum encontrar-te ao radical, ou seja,
entender que talvez a nossa caminhada
cristã mais desafiadora não seja ser um
cristão radical, extraordinário,
incrível, não é? com uma disposição
impressionante, mas
a a o desafio de ser um crente comum,
que vai viver uma vida cristã comum,
ordinária, no dia a dia, fiel ao Senhor,
de uma maneira comum, sem ter de
realizar algo extraordinário para que as
pessoas possam olhar e dizer: "Uau,
fulano é crente". Eu não sei vocês, mas
às vezes tem pessoas que a gente fica,
se sente até pequeno. Quando você fala
da pessoa, você fala assim: "Rapaz, nem
falo o nome de fulano que eu já me
sinto, não é um tranca-rua,
eu já me sinto mal, eu me sinto, sei lá,
diferente. Eu me sinto, sei lá, uma
pessoa complicada, complexa.
Porque talvez a gente
gere expectativas de que o o crente
radical seja um crente melhor, né?
que crentes ordinários, fiéis, que não
fazem coisas extraordinárias,
que não são eh midiáticos, não é? Eles
eh portanto são crentes menores. Então,
daí a palavra radical ganha também um
aspecto negativo.
Nenhum desses dois sentidos de radical
nos interessa,
certo? Não vamos falar de radical no
sentido de intransigente, nem radical no
sentido de algo extraordinário.
A palavra que nos chama atenção para
radical, melhor dizendo, o sentido que
nos chama atenção para radical é aquele
que vem do latim, radix, que significa
raiz.
Raiz.
E se você puder a partir de agora
acompanhar o handout que a gente
eh ofereceu paraa nossa palestra de
hoje,
você vai ver que a base da nossa
reflexão sobre o conceito de radical
como algo relacionado à raiz vem de um
filósofo holandês chamado Herman.
Ele escreveu um livro muito interessante
chamado No Crepúsculo do Pensamento
Ocidental.
Eu reputo como dos textos mais claros do
Divid que para alguns aqui que já leram
já falam: "Mas se esse é o mais claro,
eu não quero ver o mais difícil".
Mas talvez você tenha começado o livro
da maneira que eu acho a mais errada
possível para ler esse livro, que é uma
coletânia de eh ensaios do Div. Em
geral, eu sempre tento encorajar as
pessoas que vão ler Divas comecem
pelo capítulo oito,
ou seja, do último capítulo para trás.
Esse último capítulo, que é o capítulo
que será a
fonte bibliográfica com a qual eu quero
dialogar com vocês sobre o conceito de
Radix, é uma um um um uma abordagem
muito interessante daquilo que a gente
chama de antropologia bíblica ou
teológica ou mesmo filosófica,
dependendo da chave que o Divard vai
considerar. Ele sempre está trabalhando
com categorias bíblicas, sempre
trabalhando com categorias teológicas,
sempre com categorias filosóficas.
E não é diferente nesse capítulo oito do
Crepúsculo do Pensamento. Nesse
capítulo, Div, ele quer responder a
pergunta mais importante, que é a
pergunta: Quem sou eu?
Quem é o homem?
Pra proposta que nós vamos na terceira
palestra sobre o que é o discipulado,
a primeira nuance que o conceito de
radical vai trazer pra gente enquanto
desafio pro discipulado é justamente a
quebra da perspectiva de um discipulado
como um programa de conhecimentos.
Sabe aquele programa que você tem
determinadas aulas a fim de cumprir a,
sei lá, alguns itens do currículo que
você precisa saber para você se tornar
um cristão?
Sete passos do discipulado cristão,
nove passos para se tornar um discípulo
de Cristo.
Então, para que a gente não entenda o
discipulado como um conjunto de saberes
a serem compreendidos, assimilados, mas
entender o discipulado como algo pelo
qual o próprio Cristo estabeleceu
aos seus discípulos como via para
autoconhecimento.
Talvez a maior dificuldade não só do
homem moderno, mas do homem de todas as
eras seja a resposta que ele dá a
pergunta: "Quem eu sou?" Se eu te
pergunto quem você é,
você me diz, "João, ué, mas tem tanto
João nessa vida?"
Ah, mas então quer dizer que você dizer
o seu nome não é dizer quem você é?
Claro que não. O seu nome não diz quem
você é,
nem a cidade de onde você tá falando,
nem o emprego que você tem. Ah, sou
Jonas, moro em São Paulo, sou professor.
Ué, quantos Jonas moram em São Paulo e
podem ser também professores em números?
Isso não caracteriza quem Jonas é. Se eu
te pergunto quem você é e você me diz
apenas o que você faz, o seu nome e o
lugar onde você mora, você não me diz
nada sobre quem de fato você é. Por isso
eu sigo perguntando para você quem você
é.
Se eu te pergunto quem você é e você me
diz seu nome, o lugar de onde você tá
falando e a sua profissão, você ainda
não me disse quem você é. Então, quando
é que uma pessoa diz
de fato quem ela é?
Somente aqueles que conhecem sua
história,
não é? Já dizia Orteg GC que nós somos
nós mesmos e nossas histórias. Se nós
não sabemos nossas histórias, nós não
sabemos quem nós somos. É preciso
encontrar o sentido do que nos rodeia.
Portanto, se você me diz sua história,
aí sim você me diz muito sobre quem você
é.
Porque quando você me diz a sua
história, você me diz a única coisa que
te torna você quem você é. E aqui
começam todos os nossos problemas,
porque nós achamos que as nossas
histórias acontecem quando a gente
nasce.
A vida é um bonde andando. Já ouviram
falar nisso?
>> Alguns aqui já se pegaram a referência.
Quem não pegou a referência vai assistir
as aulas, não é? do
seminário Charles Spurion sobre um curso
chamado Inteligência Humilhada.
A vida é um bonde andando.
E as pessoas acham que quando elas
nascem, elas estreiam no mundo que
começa com elas. O mundo nasce comigo.
Não, o mundo não nasce com você não,
filho. Você, você quando nasce, o mundo
já tava andando. Você tá lá no meio
dele.
É você que tem que saber.
conectar a sua história nas grandes
histórias que existem por aí. Você já
parou para imaginar se nós somos nossas
histórias? Quantas histórias estão aqui
e como todas essas histórias estão
atreladas à história de hoje, estarmos
todos aqui? E como essas histórias todas
estão relacionadas à história do nosso
contexto brasileiro hoje, do nosso
contexto mundial hoje, dentro de toda
uma história
que, como você é crente, você sabe muito
bem, começa desde o Éden.
Se você não consegue contar sua história
a partir da grande história, você não
consegue nem dizer a sua própria
história. Por isso, responder a
pergunta: "Quem eu sou?"
Não é só saber seu nome, o lugar de onde
você é, sua profissão, é você contar sua
história. Mas
quando você me conta a sua história,
você não me diz só quem você é, você
também me diz
em quem você acredita.
Você me diz sobre seus princípios,
sobre seus valores, o que é importante,
o que é menos importante. Por isso que é
tão difícil a gente ouvir as pessoas,
porque a gente prefere ignorá-las.
Ouvir as histórias dos outros é uma das
coisas mais chatas desse mundo, a não
ser quando você descobre que existe algo
mais interessante do que sua própria
história.
Quando você descobre que o conhecimento
de si, ele não está ligado só a você e
você mesmo, mas a você e o outro, a você
e aquele que está ao seu lado. Nossas
histórias estão tão ligadas, tão
ligadas, que ninguém chega no céu
solitariamente. A gente chega aos
bandos. E assim que a gente vai pro céu,
a gente chega como povo. A gente está
ligado a um povo. Minha história, sua
história está ligada a um povo e não é o
povo brasileiro.
Como você vai me contar a sua história?
Você vai me dizer não não somente sobre
sua nacionalidade, sobre o lugar onde
você vive. Você vai me dizer sobre quem
você é.
Faz sentido?
Posso operar mais um pouquinho? Vamos
mais fundo um pouquinho nessa história.
Vamos na raiz.
O que que é radical?
É penetrar até a raiz. Esse é o sentido
que Doivard vai usar na maior parte das
vezes quando ele usar o termo radic.
E é muito interessante como a gente
gosta das superfícies.
A gente gosta da árvore frondosa, a
gente gosta dos frutos.
E a sua história é muito bonita quando
você conta a partir da sua genealogia,
quando você conta a história do seu pai,
do seu avô.
Mas isso quando você conhece a sua
história, aliás,
você sabe
sobre seu nascimento,
você acreditou naquela história que
papai e mamãe contou para você?
Sério? Você nunca foi questioná-los,
nunca foi dizer assim: "Será que a minha
história é exatamente essa que papai e
mamãe me contou?" Bom, criticar a
Bíblia, você sabe, né?
Questionar a história das Escrituras,
você sabe.
E a sua história
que você aceitou até hoje passivamente?
Tem gente assim: "Jonas, não mexe nisso
não, porque agora vou ter que mexer
nisso aí". É verdade. Você vai ter que
mexer se você quer saber quem você é.
Sério que você nunca se perguntou o que
aconteceu com você quando você nasceu
e se aquilo que te contaram é realmente
o que aconteceu?
Sério que desde então você acreditou
naquela historinha até agora e ninguém
te fez duvidar nem questionar daquela
história?
Plantando um pouquinho de ceticismo não
faz mal a ninguém.
Ele faz a gente descobrir que às vezes a
gente acha que
é difícil questionar a existência de
Deus e sua história. Não, não, não, não,
não, não.
As pessoas acham ser difícil questionar
a história da Bíblia, questionar Deus. A
coisa mais difícil, seu desafio maior
será questionar você mesmo, sua própria
história, sua própria existência. Esse é
o maior desafio. Essa é a maior dúvida,
esse é o maior ceticismo. Aquele não
coloca Deus em cheque, mas aquele coloca
em cheque sua história.
Eu quero saber minha história.
Porque até hoje você pode achar que a
sua história com Deus tá rolando só
depois da sua conversão.
E aí, de repente você descobre uma coisa
chamada providência.
E aí a providência faz você perceber que
muito antes da sua conversão, Deus já
estava ali, já estava trabalhando. A sua
história com ele já estava rolando.
Sério que você acreditou até hoje nessa
história que você contou sobre você
mesmo?
Sério que você acredita nessa historinha
que você conta sobre você mesmo? Você
acredita mesmo nessa história? Quando as
pessoas perguntam: "Quem você é?" Você
vai contar a sua história de vida. Você
acredita nisso aí que você tá contando?
Você nunca inventou nada, nem aumentou
um pouquinho,
um pou nem flor, nem floreou um
pouquinho assim, deu um pouquinho mais
de emoção para aquela história ficar um
pouco mais, né, empolgante. Afinal de
contas, a sua história não pode ser uma
história sem uma jornada do herói,
sem os seus antiheróis, sem o clímax,
sem aquela grande reviravolta no final.
Se tiver mais plot is melhor ainda.
Temos que ir à raiz.
E a raiz não aparece.
A raiz ela se esconde
lá a fundo. Lá fundo.
É preciso ir até a raiz da pergunta:
Quem eu sou?
Veja o que Doivard diz. Na verdade, não
é Doverd, não. Isso aqui quem diz é
Albert Walters.
Ele é um estudioso do pensamento do Dor
e ele escreveu um vocabulário do
pensamento do Dorvard. Então, na palavra
radical ele traz a definição aqui, ou
pelo menos uma explicação do que Drid
entende por radical. Veja o que ele diz.
Dovid frequentemente usa esse termo com
referência implícita ao sentido latim de
radix, raiz. Este uso não deve ser
confundido com conotação política do
termo radical nas línguas inglesa e
portuguesa. Em outras obras, Doiv às
vezes parafraseia o seu uso do termo
radical com a frase penetrando até a
raiz da realidade
criada.
E que raiz é essa?
Como a gente pode tocar essa raiz, ir
além do que nós estamos vendo
a partir da questão quem é o homem.
Esta questão, segundo Divd, contém um
mistério
que não pode ser explicado pelo próprio
homem. Percebeu o que ele tá dizendo?
Então, estamos diante de uma pergunta
misteriosa. Qual é a pergunta? Quem? Eu?
sou. E logo de cara ele apresenta o seu
pressuposto. Qual é o seu pressuposto?
Esta pergunta não pode ser explicada
pelo próprio homem. Ou seja, o homem não
consegue responder essa pergunta de
forma satisfatória.
Se eu te pergunto quem você é e você me
conta a sua história, ainda assim a sua
história não será satisfatória. Ela não
nos dirá
com a profundidade que se espera as
coisas que são verdadeiras, quem você de
fato é?
Observe o que ele diz. E agora é o
Dovred mesmo.
O ego humano não é um objeto dado. Que
que é um objeto dado? Por exemplo,
isto aqui é uma pasta, é um objeto dado,
certo? Por que que é um objeto dado?
Porque podemos
constatar. Eu posso ver, posso mensurar,
posso estudar. Tudo que é da ordem do
dado pode ser conhecido, pode ser
observado, pode ser compreendido. Todas
as coisas dadas são fenômenos que nós
podemos conhecer.
A ciência vai se fundamentar nos dados.
É com os dados que o cientista constrói
seus post seus postulados. Então tudo
que é da ordem, não é da dação, tudo
aquilo que é um objeto dado, é passível
de ser conhecido.
E eu lhes pergunto,
o eu é dado?
Alguém aqui já pesou o eu? Que cheiro
tem o eu?
Que cor tem o eu? Quanto pesa o eu? Que
tamanho tem o eu? Ah, Jonas, tem uns
aqui, ó.
>> [risadas]
>> Se abrirem o sujeito da cabeça, planta
dos pés, onde eles vão encontrar essa
coisa chamada self?
Cadê o self?
Onde ele tá?
Era uma coisa dada?
Não, não é dado.
É isso que o D tá dizendo. O ego não é
dado. As pessoas não pegam o ego. As
pessoas não medem o ego. As pessoas não
sozesam o ego. Não dá para comparar um
ego com o outro.
Não dá para observar um ego em contraste
com outro,
com um microscópio.
Não temos uma ferramenta simplesmente
porque uma ferramenta não seria
necessário,
porque os egos não são dados, não são
objetos dados.
E aí vem a pergunta: será verdade que
podemos chegar a um real
autoconhecimento por esse caminho? Como
eu poderia saber o que é o meu eu se eu
não posso observá-lo?
Se eu não tenho do meu eu uma observação
empírica que seja capaz de eu construir
pela minha observação vários aspectos
que me permitam classificar o ego em
determinadas ah classes de conhecimento.
É possível penetrar no centro real e na
raiz de nossa existência? É possível
alguém penetrar no âmago de quem nós
somos e descortinar quem nós somos de
uma maneira absoluta? Alguém diria: "Eu
eu quem
quem é esse eu que disse eu?"
Ele vai dizer: "Eu sou da opinião de que
é uma vã ilusão pensar dessa forma.
Este eu central que ultrapassa a ordem
temporal permanece um verdadeiro
mistério. Eu queria chamar a sua atenção
para a expressão eu central.
Até agora nós estamos pensando a raiz
como este lugar que é o centro.
E não é não é de todo errado pensar
assim. A gente vive dizendo isso, né?
que o nosso ego é o centro das nossas
atenções, centro das nossas, porque de
fato parece que existe uma coisa que é
central em nós.
Só que DVD conduz essa essa esse termo
central.
Ele não está querendo dizer que
necessariamente o nosso ego é o centro.
Muito embora sejamos muito propensos a
fazer do nosso eu um centro.
Vai dizer que você não gosta de ser o
centro das atenções.
Vai dizer que você não gosta que o mundo
todo fique rodeando ao seu redor.
Imagina, Jonas, eu sou crente.
Crente não faz essas coisas.
Crente não se preocupa com essas coisas.
Então, a gente
facilmente
percebe
a cilada que é o nosso eu para nós
mesmos.
Parece que todas as nossas ações
fazem a gente pensar que o nosso eu é o
centro, porque parece que temos em nós
um tropismo a fazer todas as coisas
rodearem ao nosso centro.
Por isso a gente vai forçar o papai, a
mamãe, o filho, a filha, o avô,
papagaio, cachorrinho, uma igreja, uma
instituição, um povo, uma denominação, a
rodear o meu pobre umbigo.
A gente vai ser capaz de estrangular
coisas que não podem e jamais girariam
ao nosso redor, a girarem ao nosso
redor. Com isso a gente quebra a
natureza das coisas.
Falar sobre o centro não é algo tão
simples assim.
Sobretudo quando a gente tem a clara
consciência de que se existe um centro e
nós acreditamos que ele existe, esse
centro só pode ser
Tem crente aí?
Deus,
só ele pode ter
a centralidade de todas as coisas de uma
tal forma que não há nada neste mundo,
em qualquer posição que esteja, que não
tenha ele como centro.
Então, todas as coisas estão orbitando
ao redor dele. Mas quando eu pego algo
que orbita ao redor dele e forço a
orbitar ao meu redor, eu estou não
somente
manifestando o meu egocentrismo,
mas estou forçando coisas que não foram
feitas para se girarem ao redor de mim,
a girarem ao redor de mim.
Este eu, portanto, ele é central por uma
razão,
porque todos os eus
eles são centrais porque eles
representam a inclinação máxima de todo
ser que possui eu em direção ao centro,
que é Deus. Por isso que ele chama de eu
central,
porque todo eu está se dirigindo ao
Senhor. Todos os eus estão se dirigindo
a Deus.
Não fomos feitos e criados para ter egos
que não giram ao redor de Deus. Por
isso, quando nós tentamos ocupar a
centralidade que pertence a Deus,
nós não fazemos com que isto aconteça,
porque isso é uma ilusão. Por isso que
ele tá dizendo, isso é uma ilusão.
Achamos que estamos forçando todas as
coisas a girarem ao nosso redor, quando
na verdade elas continuam girando ao
redor de Deus. E a nossa insatisfação é
porque estas coisas não conseguem girar
ao nosso redor. Uma pessoa egocêntrica,
uma pessoa narcisista, é uma pessoa
infeliz. infeliz não consegue encontrar
a plenitude do seu eu, porque o seu eu
entende que a plenitude está em ser o
centro de todas as atenções e, portanto,
da plenitude.
Dverd vai dizer: "Então, logo tentamos
capturá-lo em um conceito, ou seja, o
conceito de eu definição, e ele se torna
um fantasma, se torna um nada, como a
gente acabou de fazer. Se eu pergunto
para você, cadê o seu eu?
Cadê o seu eu? Vai virar uma pergunta
filosófica que você vai ficar num
looping
assim: "Meu Deus, o que sou eu?
Quem sou eu?" Vai sair daqui dizendo:
"Meu Deus, era para falar sobre
discipulado e agora eu tô, eu nem sei
mais quem eu sou.
Alguém acha o meu eu?
Todas as vezes que você se debruçar
sobre o eu, você vai descobrir o
fantasma que ele é.
Escorrega, escapa das suas mãos,
porque ele não pode ser visto como um
algo dado. Ele está sempre em algo dado.
Seu corpo, quem você é, o mundo que você
tá vivendo,
seu eu não aparece sem nenhuma dessas
desses aspectos da existência humana.
Você nunca vai encontrar o seu eu
passeando por aí, dizendo: "Hum, ah,
você está aí, eu já estava sem saber
quem você era".
Não, veja o que ele diz.
Então, logo tentão, seria ele realmente
um nada?
Como alguns filósofos afirmaram, o
mistério do eu humano é que ele é de
fato nada em si mesmo. Quer dizer, ele é
nada enquanto tentamos concebê-lo a
parte das três relações centrais que
sozinhas lhe dão sentido. Ou seja, todas
as vezes que eu tento refletir sobre o
eu
sem a sua história,
o eu sem as pessoas,
o eu sem Deus, eu entro numa crise,
eu não consigo decifrar o que é o eu.
Ele vai permanecer sempre escorregadio,
sempre uma pergunta sem resposta, sempre
uma pergunta desesperadora.
Quem sou eu?
Este ou aquele?
Essa é a pergunta que você vai fazer,
porque você já não sabe mais quem você
é, enquanto o eu for apenas uma
abstração.
Mas todas as vezes que você disser quem
você é ao lado de sua história, o seu eu
ganha.
Quando você coloca o seu eu junto com o
povo que você anda, as pessoas com quem
você vive, o seu eu ganha, ganha
reflexo, ganha revelação.
Veja como ele vai colocar essas três
relações, mundo, os outros e Deus. o
mundo, nosso ego humano relaciona-se com
toda a nossa existência temporal e com a
nossa experiência integral do mundo
temporal como o ponto de referência
central deste último. Ou seja, você
nunca vai encontrar o seu eu sem o seu
corpo. Amém?
Seria assustador se você encontrasse o
seu ir em qualquer outro lugar que não
fosse com você mesmo. Imagina você: "Ah,
tô com raiva de mim mesmo. Vou ficar,
vou ficar de mal. Não quero falar com
meu eu durante uma semana. O que é isso
que está ficando de mal? Seu eu, seu eu
é a coisa mais doida deste mundo, porque
o seu eu não consegue suportar a solidão
sem ele criar um duplo de você mesmo.
Você nunca falou sozinho.
>> No extinorcut,
na época da pedra, tinha um grupo
chamado Eu falo sozinho.
Era um grupo bastante, né? Eu diria
assim empolgante.
Quando você se vê falando sozinho, você
nunca viu. Quando você tem raiva, você
nunca viu. Todas vezes que você tem
raiva, você encarna o espírito de
Dostoyevski.
Todas vezes que você lê Dostoev, você
vai descobrir isso, o sujeito falando:
"Como? Ele por ter falado assim comigo,
ele não tá fazendo nada. Ah, mas eu vou
encontrar ele e quando eu encontrar eu
vou atropelar aquele desgraçado. Ah, ele
está vindo de hoje não passa. Eu vou
atravessá-lo, vou me impor sobre ele
quando ele se encontra diante do Pois
não, Senhor. O que o Senhor deseja?
A realidade se impõe e o eu que tava ali
numa discussão tremenda
se silencia. Você não consegue pensar
sem você estabelecer um outro para você
mesmo pensar. Você já parou pensar? Eu
tô só colocando questões, tá? Para você
pensar. Quando você sonha, quem que
sonha?
Nunca pensou nisso?
Quando você sonha, quem que tá sonhando?
Quem é esse ser que sonha? Quem é esse
ser que pensa? Quem é esse ser que na
hora que tá lendo a Bíblia tá pensando
em outras coisas e ao mesmo tempo tá
lendo?
Aí você fala: "Gente, como é que eu
consegui fazer isso? Eu tô lendo e
pensei em um monte de coisa agora.
Esse ser é um ser que nunca se dá pura e
simplesmente.
Ele está dado sempre no mundo, no mundo
da existência, com as vicissitudes da
vida. Você nunca vai encontrar
a voz do seu eu.
Já parou pensar se as pessoas
conseguissem ouvir o que você pensa?
Deus é sábio, meus irmãos.
Deus é sábio.
Seriam o que procoda aqueles.
Mas você já parou para imaginar? Por
isso que Agostinho vai lá nas confissões
dizer que Deus escuta até o estrépito
das nossas orações quando elas são
feitas no gemido da alma, sem barulho
nenhum, sem som nenhum,
sem som.
Mas você entende?
Você consegue no seu eu imaginar uma
música. Quem é que é músico?
Você já parou para imaginar que coisa
extraordinária?
Você pensa, a nota,
a nota vem na sua cabeça, a harmonia vem
na sua cabeça. Você consegue visualizar,
visualizar no seu eu a melodia sem
precisar assviar.
No entanto,
este eu não está solto, perambulando no
mundo etéreo por aí. Ele está onde seu
corpo está.
Segundo, ele se encontra também na
relação comunal
essencial com o ego de seus semelhantes.
E aqui a coisa ainda fica mais
extraordinária,
porque todas as vezes que você se embate
com uma pessoa, o que mais você quer?
Conhecê-la.
E como conhecer o outro é complicado.
Já parou para imaginar como é complicado
conhecer uma pessoa? Porque significa
conhecer o ego de outra pessoa?
Porque se não for conhecer o ego de
outra pessoa, se for conhecer as
aparências, a gente tá lascado.
Imagina se eu tenho a cara do professor
de matemática que você odiou a vida
inteira,
entende? Não tem como você me dar
nenhuma chance.
você já colocou rejeitado.
Então, a gente é capaz de pelas
aparências
aparências julgar uma pessoa.
Mas dali a pouco a gente começa a
conversar com uma pessoa e a gente
começa a conhecer só o seu corpo, a
gente conhece
o seu eu, não tão plenamente como a
gente gostaria.
Os casados aqui, não é? Sabe muito bem
como a gente gostaria de saber o que se
passa na cabeça do cônjuge.
Nos momentos mais incríveis dessa vida,
a gente seria capaz de dar um dedo só
para saber o que se passa na cabeça de
alguém.
Mas ao mesmo tempo, enquanto uma pessoa
não se comunica, enquanto uma pessoa não
fala, enquanto ela não
se expressa, nós não temos nada do que
ela é.
Mas às vezes quando a pessoa fala,
revela até o que nós não gostaríamos de
conhecer.
Portanto, no embate com os outros egos,
a gente sabe que não temos só um ego,
tem o outro ego, o ego do outro,
do que ele é feito,
quem ele é.
Terceiro,
o drama do eu está no fato de que ele
aponta também para além de si mesmo. Ele
tem um aspecto de transcendência.
Quando o não é visto dessa maneira, ele
é narcisista. E o narcisismo, a
caracterização do narcisismo é
impossibilidade de transparência.
Todo narcisista não consegue driblar o
estanho que fica por detrás do espelho.
Então, o que que o espelho devolve pro
narcisista?
A única coisa que interessa para ele,
ele mesmo,
ele não consegue ver através do espelho
porque tem um estanho que impede a
transcendência, impede ele ver algo além
dele, algo que está para fora dele.
Então, quando esse estanho é removido,
o sujeito vai ver algo que não é
o seu próprio rosto.
Então, a grande
sacada do Dóver aqui é mostrar que nesta
terceira e última relação do eu está a
verdadeira libertação do eu.
É o único momento em que o eu de fato
pode realizar-se
na medida em que não vê a si mesmo, mas
conseguiu enxergar algo maior do que
todas estas coisas que estão à sua
frente, maior do que ele mesmo.
É nesse momento, em direção à relação
central com a sua origem divina,
que ele se descobre como imagem, como
ser criado,
como imagem de Deus.
Observe o que diz o Wend, né? Mais uma
vez o trecho do Divard, lembrando agora
Calvino,
nenhuma reflexão filosófica pode
levar-nos a um autoconhecimento real de
uma forma puramente filosófica. Então,
preste atenção nesse ponto. Não são os
teólogos apenas que se preocupam com a
pergunta: "Quem sou eu?" Os filósofos
também. O maior de todos eles do
contexto grego é Sócrates, sem sombra de
dúvida. Sócrates passou a vida dizendo,
"A pergunta mais importante é: quem eu
sou?
Conhece-te a ti mesmo. Esse é o
imperativo do filósofo. Busque o
autoconhecimento. E a fé deste filósofo
é esta: Se eu conseguir mergulhar
profundamente nos meus próprios
pensamentos, em mim mesmo, eu saberei
quem eu sou.
No entanto, que D está dizendo que esta
é uma faça, os filósofos não tem razão.
Não é possível o autoconhecimento.
Você não pode conhecer-se a si mesmo
observando uma coisa chamada eu,
porque o eu não é dado.
Você mesmo não consegue enxergar o seu
próprio eu.
Você mesmo não vê o seu próprio eu. Você
mesmo não percebe o seu próprio eu. Você
não pode dizer: "Hoje o meu eu tá
quente, hoje o meu eu tá frio". Você não
consegue observar o seu próprio eu. O
seu eu está num ponto cego das suas
vistas e não pode ser contemplado, não
pode ser visto, não pode ser considerado
por você.
As palavras com as quais Calvino inicia
o primeiro capítulo das das institutas
são é muito significativo, né? As
palavras são muito significativas. O
verdadeiro conhecimento de nós mesmos é
dependente do verdadeiro conhecimento de
Deus. Tá lá nas institutas. Ele abre
dizendo da relação entre o conhecimento
que temos de nós mesmos e o conhecimento
que Deus tem de nós mesmos, ao ponto de
não ser possível termos o conhecimento
de Deus e ignorarmos o nosso a nós
mesmos. Se conhecemos a nós mesmos,
conhecemos a Deus. Se conhecemos a Deus,
conhecemos a nós mesmos. Ponto. Ninguém
discute isso. O que a gente discute,
Galvino vai dizer a ordem. Qual
conhecimento vem primeiro?
Que eu posso ter um conhecimento de mim
mesmo? Não há dúvida. Se e somente se eu
tenho um conhecimento de Deus. Se eu
tenho o conhecimento de Deus,
necessariamente eu tenho o conhecimento
verdadeiro de quem eu sou. Não há dúvida
disso. A pergunta certa e mais
importante é: qual conhecimento vem
primeiro? Em qual conhecimento eu me
aplico em primeiro lugar? O que eu
conheço primeiramente? A mim mesmo? O
filósofo vai dizer: "Sim, faça isso,
conheça-te a ti mesmo."
Entre, entretanto,
como Calvino lembra, a ordem que as
escrituras nos oferecem é justamente
contrária.
O nosso autoconhecimento
não começa com mergulho em nós mesmos,
mas o mergulho no próprio Deus. Por isso
que o narcisismo é o primeiro obstáculo.
Enquanto o espelho não for removido do
seu estanho e se tornar uma janela, eu
não verei algo maior do que eu mesmo.
Eu preciso trocar um espelho por uma
janela.
Eu preciso ver através de uma janela
algo que é maior do que eu mesmo.
Só assim eu posso saber quem eu sou.
Assim dizem os teólogos. Entretanto,
há um problema no contexto da teologia
quando se trata do autoconhecimento.
Veja o que ele diz.
São de fato essas palavras de Calvino a
chave para responder à questão quem é o
homem. Mas se assim é, parece que
deveríamos dedicar-nos à teologia.
Então, alguém agora poderia ouvir tudo
isso e dizer assim: "Tô no curso certo".
Resposta errada.
Você pode achar que o autoconhecimento é
resultado de um profundo conhecimento
teológico. E aqui está o autoengano.
Observe.
Parece que deveria nos dedicar-nos à
teologia para alcançar um
autoconhecimento real, visto que a
teologia parece estar especialmente
interessada no conhecimento de Deus.
Entretanto, isso também se constituiria
um autoengano,
pois como ciência dogmática dos artigos
da fé cristã, a teologia não é capaz de
nos conduzirnos ao conhecimento real de
nós mesmos e de Deus, mais do que a
filosofia e outras ciências.
Porque
todo o estudo que fazemos da teologia é
sempre o estudo sobre o que alguém pensa
sobre Deus.
Tem um livro muito interessante chamado
Inteligência Humilhada.
E a tese principal desse livro é essa.
Há uma diferença enorme entre conhecer
Deus e conhecer teologia. Você pode
saber muito sobre o que Calvino pensa
sobre Deus, o que Agostinho pensa sobre
Deus, o que Calbart pensa sobre Deus. E
ainda assim ser um profundo ignorante
sobre Deus. Uma coisa é você ter
ciência, conhecimento,
informações.
Você fez o curso para se tornar
conhecedor de Deus, os sete passos para
ser um conhecedor de Deus, os nove
passos para ser o conhecedor de Deus,
você fez todos os passos adquiri
conhecimento e você acha que você
conheceu a Deus.
Portanto, o que DVD está dizendo é algo
da imensa de imensa importância. Por
quê?
Porque podemos confundir
o conhecimento de Deus com os nossos
estudos sobre Deus.
É como se você quisesse conhecer a sua
esposa fazendo aulas de anatomia e
depois medindo ela segundo os critérios
da anatomia.
Descrever o que uma pessoa é a partir
dos seus dados
não é a mesma coisa que conhecer.
Quem foi que disse que só é possível
conhecimentos a partir de coisas dadas?
Se não é possível o conhecimento de
Deus,
tampouco é possível o conhecimento de
nós mesmos.
E é tão interessante quando a gente
chega a essa conclusão, porque a
primeira dúvida que a gente que para
sobre nossa cabeça é a seguinte: então,
se a teologia não pode me salvar,
se a filosofia não pode me salvar, quem
pode me salvar?
Meu senhor.
Valdemar, vamos pregar o evangelho aqui.
Se a filosofia não pode te salvar, se a
teologia não pode te salvar, quem pode
te salvar? Deus.
>> Ufa! Se você me dissesse que era o
Chapolim Colorado,
[risadas]
nem filosofia,
nem teologia,
elas têm as os seus aspectos de
contribuição para o amadurecimento
espiritual, mental, cognitivo de uma
pessoa innegável. Mas não estamos
falando de informações, de conhecimentos
informativos.
Estamos falando de uma vivência.
E aqui
que a gente descobre que este
conhecimento central
só pode ser resultado da palavra
revelação de Deus operando no coração,
o centro religioso de nossa existência
pelo poder do Espírito Santo.
Ou seja, é pela palavra e o testemunho
interno do Espírito Santo que alguém
pode chegar ao conhecimento de Deus.
Não se conhece Deus observando Deus como
a gente observa um ratinho no
laboratório.
Assim também é o seu eu. Você não pode
transformar o seu eu num ratinho de
laboratório, porque o seu eu não é como
um ratinho de laboratório, uma coisa
dada.
As coisas não dadas, elas são sempre
reveladas.
Você já teve a revelação de Deus? Talvez
o que você precise, aquilo que acompanha
a revelação de Deus, é a revelação do
teu verdadeiro eu. Não é só Deus que
precisa ser revelado a você, ignorante
de Deus.
O seu verdadeiro eu também é fruto de
revelação.
Só podemos saber quem Deus é por meio da
revelação. Só sabemos quem nós somos por
meio da revelação.
E por detrás da revelação,
todas as ações são ações do espírito.
o testemunho,
aquele que está para fazer toda a prova
daquele que é o nosso mestre interior,
como dizia Agostinho, Jesus, o Cristo.
Agora observe,
caminhando pra conclusão,
o homem foi criado à imagem de Deus.
Então, quando a gente faz a pergunta:
"Quem eu sou?"
estuda um pouquinho de teologia,
a gente diz:
"Eu sou a imagem de Deus".
O que é a imagem de Deus?
Assim como Deus é a origem absoluta de
tudo,
tudo que existe fora dele mesmo, ele
criou o homem como um ser em quem toda a
diversidade de aspectos e faculdades do
mundo temporal está concentrada dentro
do centro religioso de sua existência,
seu coração, ao qual denominamos nosso
eu, e que as escrituras sagradas chamam
de coração. Na antropologia bíblica,
coração é o centro,
porque nele está toda a deliberação do
homem.
É no eu, na consciência
que o sujeito toma as decisões mais
importantes de sua vida.
Mas é neste eu que ele reconhece
a origem absoluta,
a origem que não pode sofrer nenhuma
alteração
diante da sua existência
relativa,
completamente marcada pela contingência,
pela mudança.
Você já imaginou quantos eus você já foi
desde que dia que você nasceu?
Não, você nunca pensou nisso. Vou te dar
mais um problema para você ficar com
crise existencial.
Por exemplo, todas as vezes que eu vejo
uma foto minha bebê, eu não acredito que
sou eu.
E eu sempre pergunto: "Onde tá esse
bebê?"
Eu digo: "Aqui ninguém acredita.
Ninguém consegue acreditar, porque
daquele ser até hoje,
muitas mudanças ocorreram.
Ele não é um ser que permanece imutável,
não muda absoluto.
Ele é relativo. Conforme o tempo, ele
vai mudando. Conforme o tempo ele fica
mais sábio ou mais chato.
Ele fica ranzinza,
ele fica manso.
Esse ser que é a imagem de Deus
relaciona-se com a raiz, o radix, ou
seja, o centro religioso e a raiz de
toda a nossa existência temporal.
A queda pode ser resumida como uma
ilusão surgida no coração humano,
segundo o qual o eu tem a mesma
existência absoluta que o próprio Deus.
Aqui está o grande problema da nossa
reflexão sobre quem nós somos. E é com
essa última, esse último pressuposto que
eu queria encerrar a nossa reflexão de
hoje, ainda dialogando com Divd,
porque o nosso eu
não é uma coisa dada e muitos de nós
somos propensos a espiritualizá-lo.
Muitos de nós acabam perdendo de vista
que este eu não é absoluto,
de que a condição dele é uma condição de
dependência.
E aqui que a teologia ajuda bastante,
bastante,
porque ela nos ensina que só existem
dois tipos de seres,
o absoluto
e todos os relativos.
Aquele que existe por si e não existe
por um outro.
Aquele que nunca precisou de uma causa,
nunca precisou de uma potência criativa,
sempre é sempre a causa de todas as
coisas, subsistindo como Deus por toda a
eternidade.
Portanto, existe o ser absoluto que
existe por ser e por nenhum outro e o
resto.
O que é o resto?
Todos os seres que não existem por si e
que só existem por um outro, que é Deus.
Observe o mundo ao seu redor, o mundo
das coisas dadas.
E eu lhe faço uma pergunta.
Qual destas coisas que você vê existiu
por si e dependeu apenas de si mesmo
para existir? Nenhuma delas.
Só Deus existe por si.
Todos os demais dependem de Deus para
existir.
Não seria assim também o nosso eu?
Dependente de Deus para existir,
dependente de Deus para ser,
dependente de Deus
para conhecer,
dependente de Deus para viver.
Parece que o que a gente tá falando não
tem nada a ver com a nossa realidade
hoje.
Mas se eu dissesse para você que toda
história do ocidente se reduz a uma
discussão sobre o eu, ninguém se
preocupava tanto assim com o eu. As
pessoas sempre tiveram preocupadas com o
mundo. Os primeiros filósofos estão
olhando pras estrelas, estão olhando
pros astros, estão olhando pros
fenômenos, água, terra, fogo. Eles estão
olhando para estas coisas todas. Eles
estão olhando pro mundo, pros fenômenos,
pras coisas dadas. Estão tentando
entender o que é o mundo. É só no século
X7 que a gente descobriu essa coisa
chamada eu.
Cógeto ergos.
Penso logo existo, porque o sujeito
resolveu ter uma dúvida radical.
E que dúvida radical é essa?
Vou duvidar de todas as coisas. Vou
duvidar da existência de tudo à minha
volta e vou resistir apenas a única
coisa que não vou poder duvidar. Posso
duvidar de vocês aqui presentes e posso
simplesmente dizer: "Vocês não passam de
uma ilusão de ótica". Posso olhar para o
meu corpo, e hoje tá muito mais comum do
que você possa imaginar e dizer: "Este
corpo não é meu. Este corpo não me
pertence. Este corpo não corresponde com
a realidade.
Você pode suspender o seu juízo sobre o
mundo. Você pode suspender o seu juízo
sobre as pessoas. Você pode suspender o
seu juízo sobre o seu corpo. E aí você
vai olhar e vai dizer assim: "Duvido de
todas as coisas". Vai olhar no espelho e
vai dizer assim: "Eu duvido que eu
duvido".
Ah,
posso duvidar de tudo,
mas não posso duvidar que eu duvido.
Pronto.
O eu é o centro do conhecimento.
O eu é o centro do raciocínio.
O eu é o centro sobre o qual todo
direito, toda psicologia,
toda filosofia e até mesmo a teologia
vai ser reconfigurada. reconsiderada a
luz de um sujeito. Uns vão chamar de
sujeito cognocente,
outros vão chamar de sujeito
transcendental. Alguém já viu o sujeito
transcendental por aí? O sujeito
transcendental. Bom dia.
Alguém já viu sujeitos transcendentais?
Sujeito cognocente. Hoje o sujeito
coginente, ele está muito nervoso.
De repente estamos falando sobre
categorias, sobre nome de coisas que nós
não fazemos. a menor ideia. Estamos lá
na universidade, o professor tá falando,
sujeito transcendental e você tá assim,
hum, com aquela cara de conteúdo, como
se tivesse entendendo, tudo não tá
entendendo nada.
E não tá entendendo por uma razão muito
simples.
Onde está o sujeito transcendental no
mundo?
Colocamos toda a nossa confiança
no sujeito,
mas ele não tem o caráter absoluto de
Deus.
E por isso construímos toda a nossa
história
sempre a partir de um sujeito.
Tem que ter um sujeito na história,
tem que ter um sujeito do discurso,
tem que ter um sujeito que está falando,
tem de ter um sujeito com seus
interesses, tem que ter os seus um
sujeito com seus argumentos.
E aí, quando menos a gente espera, a
gente está num universo
extremamente cético, onde nós estamos
questionando os discursos de todos.
Estamos como aquele professor francês
dizendo: "Todos os discursos [risadas]
são discursos de poder." Até que chega
alguém, levanta o dedinho e diz assim:
"Professor, inclusive o seu discurso?"
Ele diz: "Sim, inclusive o meu discurso.
Ninguém está livre das manipulações de
discurso, das manipulações de palavras.
O sujeito precisa ser desconstruído.
Mataram Deus e querem um sujeito vivo.
Não tem como.
Se você não crê em Deus, próximo passo é
desconstruir, desacreditar no sujeito.
Mas a pergunta que fica
é: o que isso tudo tem a ver com
discipulado?
Não é verdade? Você tá assim, Jonas, eu
achei que eu ia abrir a Bíblia hoje. Eu
quero Bíblia. Amanhã você vai tomar
Bíblia na cabeça. Mas agora eu quero que
você saia daqui pensando só sobre isso.
O que a pergunta quem eu sou tem a ver
com discipulado?
Porque talvez o discipulado tenha sido
um dos movimentos mais desinteressantes
hoje na vida da igreja, porque ele tem
sido nada mais nada menos do que
informações, uma coletân
precisa saber para não passar como um
crente, não é? eh, ignorante dos
principais das principais doutrinas, tem
o seu valor. Mas e se o discipulado
não fosse apenas algo que responde às
perguntas sobre quem Deus é, mas ao
mesmo tempo o discipulado, o meio de
Deus nos ajudar a cada dia descobrir
quem nós realmente somos e conhecer quem
nós realmente somos. E se o discipulado
na vida da igreja
for o meio de Deus nos permitir conhecer
a nós mesmos?
Se você viver a sua vida isolada da
igreja, sem discipulado,
você vai permanecer ignorante de si
mesmo.
No discipulado, esse sujeito vai
aparecer,
não como sujeito cognocente,
não como sujeito transcendental.
Mas como um sujeito pecador,
com uma consciência culpada,
que não sabe lidar com a sua culpa com
as suas próprias mãos e que precisa de
um salvador.
E é o Salvador, aquele que não apenas
resgata das trevas o nosso caminho que
estava premeditado para o inferno, mas
ao mesmo tempo revela a nossa real
natureza quem nós realmente somos.
Se o discipulado é um discipulado
radical, ele precisa ser um discipulado
que vai até a raiz. E pro discipulado
ser uma bênção em minha vida, em sua
vida, ele tem de trabalhar com a
pergunta: quem eu sou? Quem você é?
Vamos orar.
Pai querido,
nós iniciamos uma reflexão
que, em primeiro lugar
levanta o problema da dúvida sobre quem
nós somos,
coloca-nos questões,
nos faz pensar
sobre nossa verdadeira identidade e
também a nossa verdadeira história,
mas nos faz pensar que a ruptura do
sujeito em relação a Deus
que tornou o sujeito fundamento do
conhecimento,
colocou-nos na ignorância de quem nós
somos.
Porque expulsamos o Senhor do
conhecimento,
tatiamos no escuro, não só para conhecer
o mundo,
tatiamos para conhecer quem nós
realmente somos.
Tateamos
de ilusão em ilusão.
Usamos nesse baile de máscaras,
máscaras que não representam quem nós
somos,
mas escondem nossa verdadeira
identidade.
Onde está a nossa verdadeira identidade,
Senhor? Onde está o nosso eu? Onde está
a fonte de revelação do nosso eu?
Será que o discipulado
é a revelação de quem nós somos
no esquecimento
sobre quem nós somos?
E como esquecer de quem nós somos?
Como esquecer e negar quem nós somos?
Porque o nosso eu, ele é o ponto de
partida do discipulado. E quem não negar
a si mesmo não pode ser seu discípulo,
porque o eu é uma condição para o
discipulado com Jesus, Senhor.
Porque não podemos seguir o teu filho
sem em primeiro lugar enfrentarmos o
problema do eu?
nos ajude, Senhor, a aprofundar
a Tua palavra na leitura das Escrituras
e descobrir
como o Senhor nos oferece o conhecimento
do verdadeiro eu que somos no
discipulado de Jesus. Assim oramos,
pedindo a bção do Senhor durante esses
dias. E é no nome de Jesus, teu filho,
que oramos. Amém.
>> Amém. M.

Tags: