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A fé vem pelo ouvir

Discipulado Radical (Palestra 3/3) Jonas Madureira.

Discipulado Radical (Palestra 3/3) Jonas Madureira.

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Legendas automáticas:

Vamos então paraa nossa terceira e
última palestra
que tem como título discipulado radical,
não é? As duas primeiras palestras foram
palestras eh de eh estabelecimento do
significado das palavras radical e
discipulado, para que a gente pudesse na
última palestra entender a proposta do
discipulado radical. A primeira palestra
foi importante para nos colocar no
universo
semântico da palavra radical, não é?
radical, portanto, aqui não significa
uma pessoa intransigente, não tem a ver
com beligerância,
eh eh algo belicoso,
não é? Não tem a ver com eh uma postura
mais negativa
e e radicalmente fechada, né?
Por outro lado, também não tem a ver o
radical aqui com aquilo que é
extraordinário como uma performance em
algum esporte, né?
Não tem a ver nem com intransigência,
nem com algo extraordinário, porque não
é algo intransigente e tampouco algo
extraordinário. É algo ordinário,
corriqueiro, do cotidiano.
Então, de onde
vem o sentido de radical aplicado ao
discipulado radical do latim? Que lembra
que a origem da palavra radical vem de
radic, que significa raiz,
chamando atenção para o fato de que este
discipulado,
ele é um trabalho sobre a raiz da
existência humana, o eu. Então, onde o
discipulado vai trabalhar?
No eu, vimos que definir o eu não é algo
tão simples assim. A primeira palestra
foi mais para colocar questões do que
dar respostas. As pessoas não conseguem
hoje dar respostas muito claras sobre o
que é o eu. Mesmo do ponto de vista da
ciência, é muito difícil dizer o que é o
eu. Nunca me esqueço de uma
turma de psicologia que tive
oportunidade de lecionar lá no Mackenzie
e eram todos eles estudantes de
psicologia. E como o meu mestrado foi
sobre a história da psicologia no
contexto da filosofia e toda a
influência do nascimento da psicologia
como ciência, e o meu tema era
justamente um tema que envolvia a
história da psicologia,
eu comecei a a meu primeiro encontro,
minha primeira aula com eles assim: "Mas
escuta,
por que que vocês estudam psicologia se
vocês não acreditam mais na alma?
A alma existe?
Que peso tem a alma?
Que cheiro tem a alma?
Quanto mede uma alma?
O que que é isso que se chama alma do
qual o curso psicologia herdou o nome? O
que que é psé?
Onde tá a alma? Abre uma pessoa da
cabeça, planta dos pés e me diga onde tá
esse negócio chamado alma.
Alguns, obviamente
mais escandalizados
diam assim: "Ué, eu nunca pensei nisso."
Os outros jamais estudados assim: "Não é
isso mesmo. Nunca existiu alma. Nós
somos resultado de sinapses.
Não existe uma coisa chamada alma. Somos
um sistema nervoso
que a partir de comandos cerebrais
estabelecidos pela união com o mundo que
nós vivemos constrói essa coisa que nós
achamos que é um ser espiritual quando
na verdade são apenas estímulos eh
neurotransmissores das nossas chamadas
afeições.
Ser uma pessoa muito infeliz para
acreditar que a alma é uma descarga
elétrica.
Mas ao mesmo tempo isso coloca um
problema.
Porque se por um lado nós acreditamos
que há uma coisa chamada alma,
como a gente consegue provar a
existência da alma? Alguém aqui já
conseguiu provar a existência da alma?
Talvez provar a existência da alma seja
tão difícil demonstrar a existência de
Deus,
não é?
Então, a alma parece ser um um daqueles
temas metafísicos que a modernidade tem
horror.
Entretanto, vimos o quanto é difícil
considerar, sobretudo no plano da
modernidade, esse ente que nós chamamos
de alma, porque não é um ser dado, como
vimos Div dizer. A alma não está dada
como é como são dados os fenômenos
físicos.
A gente pode analisar os fenômenos
físicos e a adação desses fenômenos
físicos pela repetição. Eles vão
acontecendo várias vezes no tempo e no
espaço e vamos descrevendo a partir do
seu comportamento e as variantes de
todas as repetições da experiência para
dali por um processo indutivo chegar a
conclusões teóricas sobre o que é este
fenômeno que nós julgamos ser a alma.
Mas vimos que é muito difícil,
difícil descrever o que é alma, dizer o
que é alma. Por isso é muito difícil
também dizer quem
eu sou.
Então, se o discipulado trabalha com a
raiz da existência humana, com o que o
discipulado trabalha
com o problema do nosso eu, da nossa
existência. Porque é isso que tem que
saltar os seus olhos hoje. Como uma
coisa
que a gente tem dificuldade de provar
sua existência pode ser tão central em
nossa vida? Você nem consegue ter tanta
certeza e segurança científica, empírica
do seu eu.
No entanto, ele domina a sua vida e te
torna uma pessoa extremamente esquisita.
Nunca pensou nisso?
Tem um livro do Keller muito bacana que
é o resultado de um sermão dele. Eu fui
voto vencido na época que era editor e
eu queria que fosse mantido o título
original
que era o autoesquecimento.
Ele estava trabalhando o
autoesquecimento e não o ego
transformado.
Alguns de vocês devem ter lido este
livreto. Ego transformado. Odeio esse
título, tá? Já tô dizendo logo de cara,
porque não é o título que o Keller deu
para esse livro, simplesmente por isso,
já começa por aí. Segundo, porque o
título que ele dá é muito mais
interessante,
vai descrever o teor, que não é só o ego
transformado, é o autoesquecimento.
Um dos exemplos mais bonitos desse
sermão é a de que é a comparação que ele
estabelece entre essa coisa que nós
chamamos self, o centro da existência
humana, a raiz da existência humana, com
o dedão do pé. Lembra esse esse
comentário? Já viu o dedão do pé?
Pessoas que adoram dedão do pé.
Nunca viu dedomania?
Aí o sujeito olha pro dedo dele, diz
assim: "Uau,
meu dedo, gente,
que coisa mais linda que é meu dedo.
Observem meu dedo.
Como vocês não podem olhar pro meu dedo?
O assunto da minha vida é meu dedo. Eu
passo o dia inteiro pensando mil
maneiras em como fazer meu dedo feliz.
Por isso eu cuido, olho para ele, quando
pisam no meu dedo, ah, eu quero matar
porque, claro, toda a minha vida está
nesse dedão e o cara vem pisa no meu
dedão. Não pode. O dedão tem que ser
amado, idolatrado. Salve, salve.
Por favor, traga um ar condicionado
porque o meu dedão está passando calor.
Não tá muito frio. Traz agora um
cobertor. Meu dedão é muito exigente.
Você já viu meu dedão? Quer conhecer meu
dedão? Não. Você acharia uma pessoa
estranha que tratasse assim o seu dedo
e dissesse ainda assim: "As pessoas mais
felizes da minha vida, os meus melhores
amigos, são aqueles que não tiram os
olhos do meu dedão?
Ah, como eu sou feliz com os meus amigos
que também amam meu dedão.
Nossa, quando descubro alguém que sonha
com meu dedão, ah, ganhei o amigo pra
vida toda. E quando eu chego em casa e
aí eu olho para meu cônjuge, a primeira
coisa que ele pergunta é: "E aí, seu
dedão,
como ele tá?" Tá bem, tá ótimo. Ah, eu
fico feliz porque nada mais importa do
que o meu dedão.
Deus me livre esquecer o meu dedão. Você
não acharia estranho uma pessoa assim?
Acharia ou não?
>> Mas você não acha estranho uma pessoa
egocêntrica?
Você não se acha estranho quando você
vive em função do seu próprio eu,
quando tudo nessa vida só importa?
Se o seu eu for a referência, é estranho
uma pessoa que faz do seu ego a coisa
mais importante desse mundo. E por não
seria também estranho quando o único
pronome que nos interessa é o pronome
conjugado sempre na primeira pessoa? Eu
eu eu fiz isso, eu fiz aquilo, eu faço,
eu aconteço,
eu sou assim mesmo, desbocado. Se tiver
que falar, eu falo na cara.
Gostou? Não gostou, problema é seu. E
seu rima com eu, né?
Então,
a maior dificuldade de alguém que
descobre que o eu é um grande mistério
é depois tentar justificar como este
ser, que eu não consigo nem observar sua
existência, pode ser tão central em
minha vida a ponto de eu não esquecê-lo
em nenhum momento e tentar 24 horas do
meu tempo pensando 1000 maneiras de como
fazer este ego mais feliz.
Então o discipulado vai tocar nisso,
nesse ser que nós não temos segurança de
sua existência, segurança epistêmica de
sua existência do ponto de vista
empírico, mas que ao mesmo tempo é o
primeiro item lembrado quando nós
abrimos os nossos olhos e quando
fechamos os nossos olhos antes de
dormir, de pegar no sono.
Então o que que o discipulado vai tocar?
no dedão, quer dizer, no seu eu,
vai mexer no seu eu, vai tratar o seu
eu. Se e somente ser o discipulado não
for conteudista. Por isso, precisamos na
segunda palestra nos debruçar sobre o
sentido de discipulado. Primeiro lugar,
desconstruindo. Eu não gosto muito de
usar essa palavra porque ela tá
desgastada, mas de alguma forma
corrigindo as rotas de uma perspectiva
de discipulado que era muito redutora,
porque nos apresentava o discipulado
apenas conteudisticamente como uma série
de informações que precisamos entender e
ponto.
Completamente desconectada das
implicações
egocêntricas.
das implicações do tratamento do ego,
por uma razão muito simples.
Todo discipulado conteudista vai tirar
de você o único problema do seu eu.
Não é o diácono da sua igreja,
não é sua sogra,
mas é o Nazareno,
aquele que não julgou por usurpação ser
igual a Deus.
antes a si mesmo
se esvaziou,
assumindo a forma humana, na forma de
servo. Cristo Jesus
é a farpa no teu ego.
E isso só acontece
se o discipulado não for conteúdos
sobre a vida cristã, mas for centrado
unicamente na reflexão que nos leva a
seguir Jesus, que nos move pensamento à
ação. Por isso que Paulo é tão
importante pra gente, como a gente viu o
Diego explanar de uma maneira muito
contundente.
As cartas paulinas são reflexo desse
movimento que de um lado apresenta os
indicativos do evangelho, mas na
sequência mostra as implicações
imperativas na vida prática daquele que
imita Jesus, que não pode só entender o
que é Jesus, mas tem de viver como
Jesus.
Não
nos termos que construímos o imaginário
do Jesus,
que faria
mais sentido para o nosso ego que não
gostaria de encontrar um rival.
Nosso ego quer fabricar um Jesus,
porque o Jesus verdadeiro
vai ser uma farpa no ego.
Queremos um Jesus suave, tranquilo,
sereno,
atencioso,
domesticado,
que diz sim para nosso ego o tempo todo,
que não mexe com as nossas resistências.
que não mexe com as nossas vaidades e
orgulhos, que deixa a parte sombria
desse ego que nós carregamos sem saber
da sua existência,
não só pesado,
mas lento.
Então, o discipulado vai mexer porque
ele ele ele precisa ser
mais do que informações
sobre Jesus. Tem de ser um ato.
Então vamos dizer todos a uma só voz.
discipulado.
>> Discipulado
>> é
>> um ato.
>> Um ato.
>> Pronto. Não é pensamento.
Não é pensamento.
É ato.
E é um ato que decorre da conversão
que resulta do impacto da palavra de
Deus no ego.
Aquilo que Agostinho chamou de a ferida
da palavra no coração. Ee-me o coração
com a tua palavra. Desde então te amei.
Ferida. É a farpa no ego. Quem faz essa
farpa? Cristo
e a sua palavra.
A palavra de Cristo
é a farpa no nosso ego.
Por isso que a gente quer um Cristo
sem palavra,
um Cristo sem leitura bíblica,
um Cristo com musiquinhas,
um Cristo com dancinhas,
um Cristo com fumacinhas,
um Cristo com estéticas mirabolantes,
todas essas outras coisas que são, veja,
da ordem da criação de Deus e das
belezas da alegria e da festa que
pessoas podem fazer diante do Senhor
viram palha se o ego não for ferido pela
palavra. Um Cristo sem a palavra é um
falso Cristo.
Ninguém vai conhecer Jesus sem a
palavra.
Qualquer Cristo que você conhecer, que
não seja mediado pela palavra, será um
falso Cristo. Será apenas uma versão
piorada do seu ego.
Jesus
que não decorre da palavra, não fere
ninguém,
mas tampouco salva,
tampouco perdoa,
tampouco restaura.
Então, a farpa do ato de seguir a Jesus
provoca naquele que é ferido por Jesus
uma libertação.
Que libertação é esta?
da autorreferência,
do sujeito pensar e processar a vida
sempre a partir de si mesmo como
referência.
Narciso,
ele não é apaixonado pelo rio,
ele é apaixonado por si mesmo,
mas ele precisa do rio,
porque o rio é o espelho dele mesmo.
Todo mundo que estuda a história de
Narciso lembra sempre de Narciso e
esquece de eco. Já ouviram falar de eco?
E é a contrapartida de Narciso. Os dois
estão convivendo. Só que Narciso o que
acontece? acha feio tudo que não é
espelho. Então, se ele não pode se ver,
não interessa para ele. Se a referência
não é ele, o assunto não interessa. Se a
conversa na roda de amigos não for algo
que aconteceu com ele, com ela, não
interessa. Por isso, Narciso, quando
chega numa roda de conversa e vê que o
assunto é outro, Narciso precisa falar
de si mesmo. Narciso precisa contar sua
própria história. Narciso está ouvindo
uma pessoa amiga de longa data abrir o
coração e dizer: "Eu estou passando por
uma dificuldade, aconteceu isso, isso,
isso, isso, isso, isso, isso." Não dá 2
minutos narciso é amigo comigo também
foi assim. A minha história é essa, blá
blá blá blá blá blá.
Narciso não consegue ouvir a história do
outro
e dizer: "Eu tô aqui para te ouvir."
Narciso precisa falar de si mesmo.
Narciso não consegue ouvir o outro e
oferecer Jesus. Ele tem que oferecer
depois de ouvir o outro a si mesmo, sua
própria experiência.
Olha, comigo também é assim. Olha,
aconteceu comigo hoje algo tão incri a
gente aumenta toda a nossa história,
porque o nosso ego precisa de alguma
forma se fincar
nas nossas relações é autorreferentes.
Eco é o contrário.
Eco sofre
do movimento contrário de Narciso. Ela
também é uma deformação da da alma
humana. Porque eco, ela não consegue
olhar para si mesmo. Ela se esquece de
si de uma tal maneira
que ela não consegue olhar para si
nenhum momento. Ela vive atrás de
Narciso, se entrega para Narciso.
Narciso não está nem aí para ela.
Narciso humilha. Narciso espizinha. Niso
humilha de todas as formas. Mas Zeco não
tem amor próprio, não tem absolutamente
nada a não ser o amor que ela tem
porciso que faz ela esquecer de si de
uma tal maneira que nem mais orgulho
próprio ela tem.
Narciso faz ela de gato e sapato,
mas não porque ela tenha esquecido de si
mesmo por amor a Jesus,
mas porque ela é tão viciada em alguém,
tão viciada em alguém.
que ela não percebeu, que ela sofre
também de uma egolatria que é a pior de
todas as egolatrias.
Quando você adora o eu do outro
e o eu, mais uma vez, não o seu próprio
eu, mas o eu de um outro se torna o
senhor de sua vida e você entrega a sua
vida para este outro eu. Um pai que olha
para você e diz assim: "Ó,
seu bisavô foi missionário, seu avô foi
missionário. Você vai ser missionário
porque eu também sou missionário.
Filho de missionário, missionáriozinho.
É. Daí você pensa o advogado, pensa ao
médico, pensa a todas as profissões e o
outro sempre recebendo os nossos
sacrifícios.
Niso e eco tem problemas gravíssimos com
eu e eles só podem ser transformados
se o eu for ferido pela palavra de
Jesus.
Por isso que o discipulado autêntico é
um ato de seguir a Jesus.
Seguir a Jesus só é possível quando
feridos pela palavra, nós dizemos: "Puxa
vida,
a palavra feriu meu coração
e eu tenho que tomar uma decisão.
Sigo a Jesus
ou não sigo a Jesus?"
Por incrível que pareça,
quando você toma a decisão de seguir a
Jesus,
o ato que é o primeiro passo é negativo.
O primeiro passo para seguir a Jesus é
uma negação.
Negue-se
como
>> a si mesmo e
siga-me.
Seguir a Jesus exige o primeiro passo de
um coração ferido
por Jesus. A autonegação, o
autoesquecimento.
É fácil.
É fácil, irmãos? Não,
porque hoje você pode negar, mas amanhã
você tá lá banando o seu dedão. Oh, meu
dedãozinho, traz o ventilador pro meu
dedão aqui. Ah, meu dedão, né?
dia seguinte você tá lá de novo. Então o
que que a gente precisa além de seguir a
Jesus?
Que outras pessoas
nos ajudem a seguir a Jesus nos termos
de Jesus. Então vamos agora pra
definição discipulado. Todos juntos
depois de mim. Discipulado.
>> Discipulado
>> é o ato de seguir a Jesus.
>> É o ato de seguir a Jesus. e de ajudar
outras pessoas a seguirem a Jesus.
>> de ajudar outras pessoas a seguirem a
Jesus.
>> Nos termos de Jesus.
>> Pronto. Fale isso 40 vezes por dia
quando você acordar até isso incorporar
na sua vida e você sair de casa.
Discipulado é o ato de seguir a Jesus
nos termos de Jesus e ajudar outras
pessoas a seguirem a Jesus nos termos de
Jesus. Discipulado é seguir a Jesus nos
termos de Jesus. e ajudar pessoas a
seguirem a Jesus. Nos termos de Jesus,
você vai precisar seguir a Jesus
e vai precisar ajudar pessoas a seguirem
a Jesus. Ninguém, a não ser aqueles que
têm um coração ferido pela palavra de
Jesus,
pode ajudar pessoas a seguirem a Jesus.
Só corações feridos ajudam outros
corações feridos a seguirem a Jesus.
Corações feridos são os corações salvos.
Não existe salvação sem um coração
ferido pela palavra de Deus.
Isso é discipulado.
Então, temos um discipulado radical, um
discipulado que é um ato de seguir a
Jesus e ajudar outros a seguirem a Jesus
nos termos de Jesus, a fim de tratar o
nosso ego. O ego tem de ser tratado.
Jonas, eu precisava ouvir isso porque o
discipulado que eu fiz com o meu
discipulador,
meu discipulador,
o meu discipulando,
não é conteúdo,
não é sobre conteúdo.
O último encontro, meu discipulado,
Jonas, a gente estava falando sobre um
compartilhamento.
Compartilhamos as nossas lutas.
E houve confissão de ego, trabalhou o
ego,
teve sujeito dizendo: "Olha, essa semana
foi difícil, não tô conseguindo assumir
que eu tô com inveja
da minha esposa só porque ela ganha mais
do que eu."
Posso tocar mais um pouquinho?
Essa semana foi difícil.
Porque
eu tava com raiva de fulano, mas ele
tinha razão.
Desde o início eu sabia que ele tinha
razão, mas ele fez isso na frente dos
meus irmãos.
Como assim questionar a minha
inteligência na frente dos meus irmãos?
Então eu bati de frente, até menti,
falei o que não devia, aumentei,
acrescentei palavras no meu discurso
só porque eu não queria
passar por alguém que ignorava o assunto
e que estava sendo corrigido.
Já parou para imaginar que talvez a
maior parte dos nossos discipulados são
mentiras?
Discursos mentirosos
que mais do que revelar ocultam
a superf na superfície do discurso
todas as reais intenções do coração, os
reais desejos do coração.
Portanto, o discipulado não pode ser um
movimento de discurso em que as pessoas
todas estão defendidas,
crente defendido um com o outro. Eh,
vai, se eu abrir meu coração aqui, o
sujeito vai botar a boca no trombone e
não posso, é minha reputação.
É por isso que a gente vive assim, né?
Todo mundo comete os pecados, etc. E só
há arrependimento, confissão de fé
quando descobre.
A gente não consegue fazer o movimento
anterior.
A gente não é treinado para abrir o
coração e para revelar o que todo mundo
sabe, que nosso coração é um coração
enganoso, desesperadamente corrupto.
Quem o conhecerá?
Você.
Sério, você é a única pessoa que dorme
com você mesmo,
mas ao mesmo tempo ignora quem você
realmente é. Se você que dorme com você
mesmo, ignora quem você é, imagine as
pessoas que te conhecem.
Mas existe alguém
que antes da fundação do mundo já te
conhecia
e nenhum dos seus discursos,
das suas orações
escamoteadoras da realidade
do seu coração pode ocultar.
Ele sabe tudo.
Até quando oramos uma mentira, ele tá
assim: "Você vai continuar com essa
oração desgraçada?" ser desgraçado.
Até quando você vai começar a oração e
Deus
vem de novo um sujeito. Ó Senhor Deus e
Pai, o Senhor é o Senhor de toda a
criação.
Mas e a submissão à palavra de Deus? É
fácil você orar e dizer o Senhor.
A coisa mais difícil do mundo é você se
submeter ao sim de Deus.
Portanto, o discipulado vai mexer onde?
No que você não conhece e acha que
conhece.
Você acha que você domina o seu próprio
eu. Não é assim que a gente diz? Você
não me conhece. Quando a pessoa fala uma
verdade
que dói, pum, veio aqui.
E aí você olha bem com aquela raiva, que
ele olha assim, você não sabe com quem
você tá falando, você não me conhece. Em
geral a gente fica assim, né, colérico.
É.
A gente acha que a gente sabe quem nós
somos.
Até o dia que a gente descobre que só
quem sabe o verdadeiro eu que somos é o
Senhor, criador dos céus e da terra.
E ele não quer
que você negue o verdadeiro eu.
O verdadeiro eu não é para ser negado,
porque ele está em Jesus.
O que tem de ser negado é o eu que não
está em Jesus, o falso eu, o que é
ferido pela palavra, para que o
verdadeiro eu possa olhar para Jesus,
somente para Jesus, e nunca mais ser
seduzido pelo maldito dedão do pé.
Discipulado radical, então, é seguir a
Jesus nos termos de Jesus, a fim de
ajudar outras pessoas a seguirem a Jesus
nos termos de Jesus. Mas isso, como nós
terminamos ontem, não seria comprometer
a nossa autenticidade?
Ora, se eu vou me tornar um outro que
não sou eu mesmo, não perdi então a
minha autenticidade e a minha
originalidade.
Eu não posso me tornar uma outra pessoa.
Jesus me fez assim, ó, minha identidade.
Eu sou assim. Como assim? Vou me tornar
um outro,
um outro ser.
Daí a gente precisa perceber que o eu
que se converte a Jesus
é um eu
que dirige o seu discurso como uma
flecha a Jesus.
E aí eu trouxe para vocês do rendout
duas orações de dois grandes pensadores,
um Agostinho
e outro
Rousseau.
Certo?
Os dois escreveram uma obra chamada
confissões.
Vamos ver como o ego aparece
nas orações.
Observe o que Agostinho diz.
Que eu te conheça, ó conhecedor de mim.
Que eu te conheça tal como eu sou
conhecido por ti. Ó virtude da minha
alma, entra nela e molda a ti. Perceba a
modelação.
Entre em minha alma e modela a minha
alma a ti. Percebe isso?
Para que a tenhas e a possuas sem mancha
nem ruga. É como se o nosso ego fosse de
elástico.
Não é Deus que se apequena para caber no
seu ego. É o seu ego que você coloca ele
deste tamanhão, que é deste tamanhinho
diante do Senhor. E a ferida que Deus
faz neste ego é a presença de um Deus
que não pode habitar o ego sem esticar,
esticar, esticar, esticar, esticar. para
que este ego e não Deus, o ego se
acomode a Deus.
Não é Deus que se acomoda um ego, não é
Deus que se apequena para caber dentro
de um ego, mas é um Deus que estica,
dilata a alma
para que a alma receba Deus. Quem tem de
ser transformado para ter comunhão com
Deus não é Deus, é você.
É seu ego que precisa ser transformado
para receber o Senhor.
Então, Agostinho diz:
"Esta é a minha esperança, por isso falo
e nessa esperança me alegro quando
experimento uma sã recentes coisas desta
vida, tanto menos se devem chorar quanto
mais por causa dela se chora." E tanto
mais se devem chorar quanto menos por
causa dela se chora. Tente entender isso
aí. Mas tu amaste a verdade,
porque aquele que a põe em prática
alcança a luz. Também a quero pôr em
prática no meu coração diante de ti. Não
é coran deu, né? Na minha confissão e
coran ómnibus diante dos homens, das
muitas testemunhas, onde? Nos meus
escritos. Isso é gostinho. Percebe o ego
dele? O ego dele todo está assim. Que eu
te conheça, ó conhecedor de mim. Se tem
alguém que tem de ser mudado, se tem
alguém que tem de ser transformado, se
tem alguém que tem que descobrir um
verdadeiro eu, este alguém sou eu. Quem
tem que sofrer mudança é o ego nas mãos
de um Deus que não vai permitir, no
encontro com um homem que o homem
permaneça do mesmo jeito. Você não pode
andar com Jesus Cristo e não ser
transformado por ele. Jesus não vai
permitir que você siga ele e permaneça o
mesmo.
Não vai.
Em contrapartida, Russa diz assim:
"Eu só". Pronto, é assim que começa o
discurso dele.
Eu só sinto meu coração e conheço os
homens.
Não sou feito como nenhum dos que já vi.
Olha, não sou igual a ninguém.
Sou eu original
e eu ouso crer que não sou feito como
nenhum dos que existem. ia ser de ouro.
Se eu não sou melhor,
eu sou
pelo menos diferente.
É um diferenciado.
Só depois de me haver lido, ó, que coisa
impressionante
é que poderá alguém julgar se a natureza
fez bem ou mal em quebrar a forma em que
me moldou.
Uau!
Soe quando quiser a trombeta do juízo
final.
Eu virei com este livro nas mãos
comparecer diante do soberano juiz. Eu
direi: Altivo! Eis o que eu fiz, o que
eu pensei, o que eu fui.
Eu não vou dizer para você o que eu
pensei,
mas espero que os mais, os não tanto
religiosos assim possam perceber o que
eu pensei,
porque nada que a gente possa oferecer
vale mais do que o nosso próprio
esterco.
O que nós poderíamos oferecer ao Senhor?
que pudesse
ser tão extraordinário.
Então, o discipulado radical vai tocar
nesse ponto. Percebe isso?
E quando a gente percebe a mudança do
nosso ego, onde é que tá a mudança?
Onde é que você começa a perceber as
primeiras mudanças de que Deus tá
atrapalhando o seu ego e que o
discipulado, que é o ato de seguir a
Jesus e ser ajudado a seguir Jesus nos
termos de Jesus, está surtindo efeito na
sua vida? Quando é que você percebe
isso? Quando você ora.
Faça o que eu fiz agora.
A gente observou Agostinho, observou
Russult. Observe suas orações.
Se suas orações
revelam quem você é,
elas não revelam absolutamente nada
seguro sobre quem Deus é.
Suas orações não vão dizer com segurança
que a gente precisa quem Deus é.
Elas podem revelar o contrário, com
muita segurança, quem você é. Porque a
oração revela quem nós somos, mas a
palavra revela sempre quem Deus é. E ao
revelar quem Deus é, ela também revela
quem nós somos.
Por isso a gente só troca o espelho pela
janela
quando o espelho verdadeiro,
não as margens de um rio,
não o espelho que você estabeleceu
segundo os seus termos que descreve quem
você é.
Mas quando os seus reflexo, o seu
estanho,
não é o estanho dos olhos de alguém ou
de um mar ou de um rio, mas quando esse
estanho é o estanho do próprio Deus, os
olhos de Deus. E os olhos de Deus são a
sua palavra.
Eu sempre me encanto com um salmo
que diz: "Sonda
o meu coração". Que que extraordinário
isso, né? Toda vez que olho para esse
salmo, eu fico num constrangimento
absurdo,
porque eu às vezes eu olho pro salmista
di assim: "Rapaz,
você tem um, né? Porque o sujeito para
dizer: "Olha o meu coração, senhor".
Não é? A gente diria assim: "Pa, não
tenho nada de bom para olhar aqui".
E e aí a gente descobre que é isso que
tá acontecendo.
O salmista não tá dizendo: "Olha pro meu
coração porque olha, eu vou te
surpreender.
Senhor, o senhor nunca viu o que o
senhor vai ver agora.
Sa, o senhor vai encontrar algo
extraordinário, pá!
Não, meus irmãos, Deus não vai olhar
assim pro seu coração assim. Uau, que
coração! Eu nunca vi um ego deste
tamanho.
Você não vai ver Deus escandalizado,
nem admirado pelo seu ego. E o salmista
sabe disso.
Então, por que carg d'água? Ele disse:
"Sonda-me,
porque sonda-me o meu coração não está
falando sobre uma ignorância de Deus,
sobre quem nós somos.
O salmista sabe, ele mesmo diz: "Antes
que fosse formado e entretecido no seio
de minha mãe, o Senhor já me conhecia".
Então, nós estamos falando de um ser que
ignora e que precisa olhar pro nosso ego
para dizer: "Ah, agora eu sei quem você
é". Não, mas então por que cargas
d'água? O salmista diz: "Sonda-me".
Porque o sonda-me, Senhor, não fala
sobre a ignorância de Deus sobre o
salmista.
Fala da ignorância do salmista sobre seu
próprio coração
e sobre aquele único momento do dia em
que ele diz: "Sona do meu coração,
Senhor".
Ele poderia olhar nos olhos de Deus e
fazer dos olhos de Deus um espelho para
ver aquilo que os espelhos que ele tanto
utilizou nesse mundo escondeu
o seu eu entrevado
sonda-me. Não é outra coisa senão,
Senhor,
mostra que a tua palavra diz que eu sou.
Isso é sonda-me. Eu não quero saber mais
o que os meus irmãos que vivem comigo
dizem que eu sou. Estou cansado
de saber o que as pessoas vivem me
dizendo que eu devo ser ou quem eu sou.
Estou cansado de ter de dizer para mim
mesmo: "Eu não sou X, eu sou Y e se eu
não me tornar Z, eu não serei mais nada
nessa vida. Estou cansado das palavras
que os homens dizem que eu sou, das
palavras que eu digo sobre o meu próprio
eu. Eu preciso de uma palavra maior do
que as palavras dos homens. Eu preciso
de uma palavra que fira de uma vez por
todas o meu coração e ao ferir, diga
quem eu verdadeiramente
sou. Não quero mais um falso eu. Não
quero mais enxergar um eu criado pelas
minhas expectativas, sórdidas, tacanhas
e pecaminosas. Quero o eu revelado pelas
tuas palavras, pela escritura, pelo teu
olhar, pela tua sondagem.
Me diz, Senhor,
quem eu sou? O discipulado
é as mãos dadas.
de crentes que se cansaram
da opinião pública sobre si mesmos,
que querem dormir
com a opinião que mais importa em suas
vidas.
Não a opinião dos outros, mas a opinião
de Jesus.
Se os outros concordam com Jesus, melhor
pros outros.
A opinião que importa é aquela que vem
da sondagem de Deus através da sua
palavra. Quando você faz essa oração,
você tem que ter muita coragem, viu,
irmão?
Porque Deus fala a verdade, ele não
mente.
É verdade que em alguns momentos ele vai
usar estratégias
do tipo: "Conheço as tuas obras,
olha, sei que você fez isso, isso é
muito bom porque você é perseverante,
porque você resiste aos nicolaítas,
aqueles caras que, não é, não são
apóstolos, mas dizem que são e depois
enganam o povo todo." Mas vocês com uma
ortodoxia,
ó, que doutrina fiel que vocês têm.
Expulsam todos os apóstolos, falsos
apóstolos da igreja de Cristo Jesus. Sou
feliz porque vocês são criteriosos com a
palavra.
Sou feliz
porque vejo as obras que vocês fazem e
elas são numerosas,
mas tenho, porém contra ti.
Abandonaste o primeiro amor.
Se você quer a sondagem de Deus, você
tem de estar disposto
a ouvir Deus dizer: "Eu estou contra
você".
Não porque nas não porque o meu
movimento é ser contra você, mas é
porque até agora
toda a sua existência
foi uma luta contra a verdade.
Toda a experiência de um crente é um
microcosmo do encontro de Paulo em
Damasco. A caminho de Damasco.
é alguém que descobre
que achando que estava fazendo bem,
estava perseguindo o próprio Jesus, indo
contra o próprio Cristo.
Não acredite
nas mentiras de que seu eu ama a Jesus
sem antes o próprio Jesus mostrar para
você o quanto você vive contra ele.
O verdadeiro sim que o ego dá para
Jesus.
Só aparece depois que você enxerga os
milhares de não que você tem dado dia
após dia a palavra de Jesus.
O sim verdadeiro
só aparece quando você enxerga todos os
nos que você vem dando a Jesus, ao
Senhor de sua vida.
Por isso a palavra tem que ser uma
ferida que abre teus olhos e diz: "Meu
Senhor, eu tô dizendo não para o Senhor
há muito tempo".
As minhas mentiras t me feito acreditar
que estou dando sim para o Senhor,
quando na verdade estou dando sim para o
meu ego. Eu estou dando sim paraas
minhas vontades. Eu estou na igreja que
eu quero estar. Eu estou no ministério
que eu quero estar. Eu estou fazendo as
coisas que eu quero fazer. Eu estou
vivendo as coisas que eu gosto de fazer.
Em nenhum momento eu me perguntei se o
que eu estava fazendo é o que o Senhor
queria.
Na verdade, a gente tem até medo de
dizer: "Senhor,
mostra a tua vontade,
porque na nossa cabeça, no nosso ego,
falso ego,
Deus está pensando 24 horas em 1000
maneiras de contrariar você e fazer o
contrário do que você quer."
Então, é melhor não saber o que Deus
quer
e dizer que aquilo que você quer é a
vontade de Deus, é o sim
deu de sua vida.
Porque o sim para o seu eu,
quando é um não para Deus, é o mais
grave de todos os nos.
Por isso o discipulado vai tratar com
quê?
Com as nossas negativas,
com os nossos nãos.
A gente não quer ter conversas difíceis,
a gente não quer ter conversas
dolorosas,
a gente quer ter conversas superficiais
para que esses pontos, estas questões
não venham à tona, porque quando elas
vêm, elas vêm com uma força que a gente
perde o chão.
Então é melhor não faz isso, porque se
fizer isso eu corro o risco de
converter.
Não faz isso, porque se isso acontece,
eu viro crente mesmo.
E vai que isso acontece, eu sou
transformado. Não me deixa assim, assim,
tá bom?
Óbvio que tô sendo irônico.
É por isso que a gente precisa de ajuda.
Ajuda
para seguir Jesus. E aí entra o papel
dos nossos irmãos. Você que segue a
Jesus
não vai conseguir trabalhar com seu ego
sozinho.
O discipulado tá aí para dizer para
você,
você não consegue lidar com seu ego,
você e só você. Todas as tentativas de
você de ser assim: "Eu vou mudar por mim
mesmo", elas deram errado.
Só nos momentos em que você teve
confissão, a experiência da confissão,
você teve a experiência de mudanças
significativas em sua vida. Todas as
vezes que você lutando contra seus
pecados, você diz assim: "Senhor, agora
eu vou conseguir. Eu não preciso abrir
isso para ninguém." Você caiu mais
profundamente na lama do pecado que te
acedia.
Mas no momento em que você confessa,
você sofre a primeira experiência
dolorosa,
que é confessar um pecado, mas ao mesmo
tempo perceber que na sua convicção o
primeiro que estendeu a graça e a
misericórdia a você é aquele que estava
pendurado no madeiro e que morreu
exatamente para que no dia da confissão
você lembrasse:
"Foi para isso que meu sangue sangue
serviu. Não, meu sangue não serviu para
tirar mal olhado.
Não, eu sei que você já olhou dizendo:
"O sangue de Jesus tem poder. Vai me
proteger agora do assaltante? Vai me
proteger agora do assassino?"
Não, o sangue de Jesus não é para isso.
Você tem policial para isso,
você tem câmeras para isso, você tem
sistema de vigilância para isso. E se
isso faltar, meus irmãos, se Deus não
guardar em vão trabalhar todo o nosso
sistema de segurança.
Portanto, o sangue de Jesus tem uma
única finalidade. A gente não pode errar
nesse ponto. é expiatório e nada mais.
O sangue de Jesus tem de ser lembrado
todas as vezes que você confessar os
seus pecados, porque foi para isso que
ele derramou sangue, para dizer: "Esse
sangue vai te levar limpo para os céus".
Isso começa com o eu que confessa. Por
isso que Agostinho no meio da sua
maturidade espiritual, um homem que já
estava preparado pro ministério, escreve
um livro de confissões para confessar
seus pecados, confessar suas limitações.
Descobriu
que na confissão do verdadeiro eu há
salvação e redenção.
Então, a gente precisa de ajuda.
Precisamos de ajuda para lidar com o
nosso eu. Mas a gente tem um problema
muito sério.
Quando a igreja não é feita de
imitadores de Cristo, quando a igreja
não é feita de seguidores de Cristo, nós
padecemos de heróis e a gente precisa de
modelos. Por isso Paulo vai dizer: "Sede
meus imitadores".
Porque a igreja precisa de seguidores de
Jesus,
homens e mulheres que são santos, que
andam no caminho do Senhor.
Tem um livro, e essa foi uma das
indicações mais poderosas que o Dr. Ched
deu, diz assim: "Leia esse livro, se
você quer entender sobre discipulado,
esse é o livro. Pai e filho escreveram
livro, chama-se Como ferro afia ferro".
Já leram esse livro? Tá aí no handout.
Ele diz assim: "Os pedetais estão em
grande parte vazios hoje em dia. Os
heróis e modelos têm desaparecido.
Nunca esquecerei do garotinho que
encontrei na barbearia. Ei, filho,
quando você crescer, vai querer ser
parecido com quem?", perguntei a ele.
Ele me olhou direto nos olhos e disse:
"Senhor, não achei ninguém com quem
quero ser parecido.
Ninguém para admirar,
ninguém para imitar.
A igreja precisa de gente que segue a
Jesus
para ser modelo e ajudar outros a
seguirem a Jesus. Portanto, não adianta
você falar bem do evangelho. O que eu já
vi, gente, de pessoas com ideias mais
incríveis sobre igreja. Você olha pro
pastor, ele tem uma ideia de igreja
impressionante. Incrível a ideia que ele
tem de igreja, a ideia que ele tem de
doutrina e a fidelidade com a qual ele
defende a doutrina é uma coisa, não é,
que faz até João Batista sentir inveja,
certo? Mas quando você vai vê-lo na
vida, na ação da igreja,
quando você vê exatamente essas duas
coisas, você tá diante de uma distopia.
Você não consegue perceber a relação
como pode a ideia ser tão incrível, mas
a vida não reflete a ideia, porque essa
é a nossa existência hoje. Os modernos
são assim, como são os modernos? Como
nós somos? Nós achamos uma ideia linda e
maravilhosa. E por que que a gente
precisa dessa ideia linda e maravilhosa?
Porque a gente diz assim: "Eu vou morar
nela."
E aí a gente age no mundo como se a
gente tivesse vivendo aqui, mas o mundo
real é outro. É outro. A realidade é
outra.
Quando a gente não tem modelos de
pessoas que de fato estão seguindo a
Jesus, a gente não tem padrão moral, não
tem padrão de caráter cristão.
Você tem que ter disciplina na igreja.
A disciplina na igreja mantém a unidade
dos modelos,
mantém o exemplo dos fiéis. Sem exemplo
para os fiéis a gente não caminha.
Eu queria terminar com
a leitura de um trecho do LS. Já passou
4 minutos aqui do meu horário. Jesus,
tenha misericórdia, homem.
Um dia desses eu falo com vocês sobre a
mentira romântica e a verdade romanesca,
mas quem lêu o livro curso do
discipulado já sabe, fazendo o o a
propaganda do livro.
Mas esse trecho aqui do LS é um trecho
com o qual gostaria de encerrar a nossa
palestra de hoje.
LS em cristianismo por e simples diz o
seguinte:
"Quanto mais nos libertamos de nós
mesmos
e deixamos que seja Cristo quem nos
dirija,
tanto mais verdadeiramente
nos tornamos nós mesmos.
Quando é que você se torna
verdadeiramente quem você é?
Quanto mais próximo de Jesus você é,
quanto mais distante de Jesus você está,
mais falso eu você será e mais falso
será o seu Cristo.
Quanto mais perto de Cristo você, você
estiver, do verdadeiro Cristo, mais
perto do verdadeiro eu você estará.
Cristo é tão imenso
que milhões e milhões de pequenos
Cristos, todos diferentes entre si,
ainda são insuficientes para exprimi-lo
por inteiro. Foi ele quem nos criou a
todos. Inventou, tal como o escritor
inventa personagens de romance, cada um
desses diversíssimos homens novos que
você e eu estamos destinados a ser.
Nesse sentido, os nossos verdadeiros eus
estão todos à nossa espera nele.
Onde está o seu verdadeiro eu?
Se abrir a sua cabeça, ponta dos seus
pés, onde estará o seu eu?
Se você quiser encontrar o seu eu, você
encontrará o seu verdadeiro eu em Jesus.
Ele é o ponto de encontro da sua
identidade. Se você quer resgatar a
veracidade da sua identidade, você tem
de encontrar Jesus. Ô Jonas, eu tô num
seminário. É, é por isso mesmo que a sua
vida pode ter sido até hoje uma farsa e
você fez do seminário a pior escolha da
sua vida. Se você escolheu o seminário
para resolver a questão da falsa e da
completa falsidade da sua existência
enquanto cristão, seminário não vai
resolver o problema da sua falsidade
egocêntrica.
O seminário tem outras prerrogativas,
porque o seu falso eu só se resolve ao
pé da cruz. É ali que você vai encontrar
o seu verdadeiro eu. E enquanto você não
estiver ali, o seu eu não será visto e
contemplado verdadeiramente como ele é.
De nada adianta procurarmos
ser nós mesmos sem Jesus. Tente ser você
mesmo sem Jesus e você não será nada do
que você verdadeiramente é.
Quanto mais eu resistir a Cristo, quanto
mais tentar viver por conta própria,
mais me verei dominado pela minha
hereditariedade, pela minha criação,
pelas minhas circunstâncias, pelos meus
desejos naturais. Aquilo que tão
orgulhosamente chamo eu torna-se
simplesmente o ponto de encontro de uma
cadeia de acontecimentos que não pus em
movimento e que não sou capaz de deter.
Aquilo que chamo as minhas intenções
reduz-se simplesmente aos desejos do meu
organismo físico. No meu estado natural
não sou nem metade da pessoa que imagino
ser. Praticamente tudo aquilo a que dou
o nome de eu pode encontrar uma
explicação muito fácil. É somente quando
me volto para Cristo, quando me entrego
a sua personalidade
que começo a ter personalidade própria.
Mas para isso tem haver uma verdadeira
entrega do eu.
Você tem de lançá-lo fora as cegas, por
assim dizer.
Sem sombra de dúvida, Cristo dar-lhe uma
personalidade real, mas você não deve
procurá-lo por isso.
Se você procurar Jesus para encontrar o
seu eu, você não só ficará longe do seu
eu, mas se manterá muito longe de Jesus.
Para você encontrar o seu verdadeiro eu,
você não pode procurar Jesus mais alguma
coisa. É Jesus e somente Jesus.
Só os Cristos na sua máxima
radicalidade.
Só Jesus e mais nada.
Enquanto a sua verdadeira preocupação
continuar a ser a sua própria pessoa,
você ainda não estará à procura de
Cristo. O primeiríssimo passo é tentar
esquecer-se
inteiramente do seu eu.
O seu autêntico novo eu que é de Cristo
e também seu e seu unicamente por ser
dele, não aparecerá enquanto você o
buscar.
Ele surgirá apenas quando você estiver à
busca de Cristo. Busque seu eu e você
não vai encontrá-lo. Busque Jesus e
apenas Jesus e o seu eu irá ao seu
próprio encontro.
É um princípio que percorre a vida
inteira do começo ao fim. Entregue-se a
si mesmo
e encontrará o seu verdadeiro eu. Perca
sua vida e salvá-laá.
Submeta-se à morte, à morte das suas
ambições, dos seus desejos prediletos.
todos os dias e a morte de todo o seu
corpo no fim. Submeta-se a ela com cada
fibra do seu ser e encontrará a
eternidade. Não tente reter nada. Nada
que você não tenha entregado chegará a
ser realmente seu.
Enquanto você não entregar o seu eu, ele
não será realmente seu. Só aquilo que
você entrega totalmente a Jesus pode um
dia ser seu. Tudo aquilo que você retém
e você diz: "É meu".
jamais será seu de verdade.
Nada em você que não tiver morrido
poderá algum dia ressuscitar dentre os
mortos.
Busque-se a si mesmo e a longo prazo só
encontrará ódio, solidão,
desespero,
rancor,
ruína e decadência.
Busque a Cristo
e você o encontrará.
E com ele tudo mais.
Inclusive
essa coisinha
que você não consegue descrever o que é,
mas que você vive chamando de eu.
Será que a gente pode orar
não de uma maneira tola,
protocolar?
Podíamos fazer isso. Estamos no
seminário,
temos de ser comedidos.
Na academia a gente se comporta como o
senhor Spock,
frios,
distanciados.
Mas se a gente está em Jerusalém, não em
Atenas.
Em Jerusalém
a gente vê o céu aberto.
Em Jerusalém
a gente enxerga
o rugido do leão nos movimentos do Rei
Jesus, governando soberanamente o mundo
todo. E uma coisa tão pequenina como o
nosso ego.
Será que hoje, mesmo num seminário, que
afinal de contas não tem um lugar assim
tão limpo que Jesus não possa visitar e
nem assim um lugar tão nojento, tão
sujo, que a palavra de Jesus não possa
ser pregada e transformar nossa vida?
Talvez você veio pro seminário e não
disse isso,
mas você vê no fundo, no fundo, dizendo:
"Senhor, ou eu tenho as respostas, as
perguntas que eu tenho ao longo de toda
a minha vida ou eu não vou mais seguir o
senhor?" E aí você vê pro seminário
pelas razões erradas.
Mas que coisa curiosa.
Deus usa até um seminário
para salvar um ego tão gigante,
desesperado e angustiado por aprovação,
validação e segurança humana.
que Deus usa esse seminário para
quebrantar você,
para quebrantar seu coração e que as
belas letras não escondam o terror do
seu coração, não escondam a arrogância
do seu coração, mas revelem a
dependência que o seu eu tem de Jesus,
de amar Jesus e viver intensamente por
Jesus.
que a sua pesquisa, que os seus
trabalhos científicos feitos aqui neste
lugar
revelem no meio do rigor
um joelho dobrado diante do Senhor,
sem conjugar a primeira pessoa do
singular.
Vamos fazer isso.
Vou pedir que você, se assim desejar,
curve sua cabeça.
E se você ainda não fez uma oração
honesta a Jesus, que tal começar fazendo
essa oração hoje?
Senhor, estamos diante de uma semana
magna e as semanas magnas são semanas
que abrem o semestre letivo,
que abrem os trabalhos
para que a gente faça inúmeras pesquisas
importantes pra nossa formação enquanto
teólogos,
gente comprometida com o ensino da
palavra na igreja.
Viemos para um seminário porque queremos
isso.
Queremos
amamos a tua palavra,
ensinar a tua palavra com fidelidade.
Amamos tanto a tua palavra que quando
vemos os homens
deturpando as escrituras, temos raiva
como a do salmista, que sentia tristeza
a ponto de rios de lágrimas correrem de
seus olhos, porque os homens
desobedeciam a sua lei.
Talvez lágrimas rolem dos rostos aqui de
gente que não suporta mais a pregação da
falsa doutrina, do falso evangelho.
entrou no seminário com a fã de ser um
pregador do verdadeiro evangelho,
um mestre do verdadeiro evangelho,
alguém que vai ensinar a doutrina com
testemunho fiel,
mas que hoje,
apesar do desejo de ser fiel à tua
palavra,
descobriu que tem um coração infiel,
que tem um ego infiel,
porque não teme a Jesus ao ponto de
dizer dizer sim,
mas diz numa forma piedosa,
sim,
não para Deus, mas pro seu próprio ego.
O que o seu ego pensa que Deus quer, o
que o seu ego pensa que Deus quer.
Mas hoje sai daqui com uma outra oração,
dizendo: "Senhor, até hoje
eu quis fazer a minha vontade
traduzida
na tua vontade.
Hoje eu quero ouvir tua palavra
e dizer um sim bem grandão
para o Senhor,
mas que seja um sim verdadeiro,
que nos custe algo,
a começar pela primeira ferida que a
vontade de Deus realizada em nossa vida
provoca, a negação de si mesmo. que a
dádiva do autoesquecimento
seja experimentada por todos nós
na comunhão dos irmãos.
E nos livra, Senhor, de acreditarmos na
loucura de que seremos capazes de
conhecer o verdadeiro eu, o verdadeiro
eu somente por nós mesmos.
Planta em nosso coração amor pela igreja
até descobrirmos
que é por causa dela e por causa de
Jesus sobretudo que nós podemos
descobrir quem nós realmente somos.
Que o Senhor nos livre de viver fora da
tua igreja.
No nome de Jesus, teu filho, oramos.
Amém.
>> Amém. Yeah.

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