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LENDO A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO – VALDEMAR KROKER | PODCAST VIDA NOVA #87

LENDO A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO – VALDEMAR KROKER | PODCAST VIDA NOVA #87

LENDO A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO – VALDEMAR KROKER | PODCAST VIDA NOVA #87

🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!

Neste episódio, conversamos com Valdemar Kroker sobre o livro Lendo a Bíblia Livro por Livro, de William H. Marty e Boyd Seevers.

Ao longo da conversa, refletimos sobre questões fundamentais da vida cristã e da interpretação bíblica:

📖 Como entender a Bíblia livro por livro?
📚 Como compreender o contexto e a autoria de cada livro bíblico?
🖋️ É possível acessar a intenção dos autores bíblicos?
🔎 Qual é a importância de ler livros inteiros da Bíblia, e não apenas trechos isolados?

Uma conversa clara, profunda e prática para quem deseja crescer na compreensão das Escrituras e desenvolver uma leitura mais fiel e consistente da Palavra de Deus.

Adquira o livro: https://bit.ly/4s8cSoe

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Legendas automáticas:

E aí, eu sou Saor Lucena e seja
bem-vindo ao podcast da editora Vida
Nova. Aqui a gente procura conversar com
autores, pastores e teólogos em geral
sobre os livros lançados pela editora
Vida Nova e as questões importantes que
eles abordam. E hoje nós vamos falar
sobre o livro Lendo a Bíblia, livro por
livro, um guia rápido de estudo
panorâmico da Bíblia do Dr. William
Marters.
Se você quer saber mais sobre as
Escrituras, quer entender mais sobre a
mensagem geral da Bíblia como um todo,
mas também livro por livro, quer
entender as ênfases, quer entender um
pouco de contexto, de autoria e de
ocasião, você vai se beneficiar muito da
leitura desse livro. E se você quer
entender também sobre como é que essas
coisas vão fazer diferença nos seus
estudos, na sua leitura e até no seu
devocional, você precisa não só adquirir
o livro, mas ouvir a conversa de hoje
com o Valdemar Crocker, onde a gente vai
falar sobre essas questões. E se você
gosta de assuntos assim, não se esqueça
de deixar aí já o seu like, de se
inscrever no canal e também de nos
ajudar depois compartilhando esse
podcast com outras pessoas. Mas é isso
aí, vamos à conversa. Valdemar, seja
muito bem-vindo ao podcast da Vida Nova.
Mais uma vez é uma alegria ter você aqui
com a gente, meu irmão.
>> Saor, muito obrigado pelo convite. É um
prazer para mim e poder participar.
>> Maravilha. Eu já perdi a conta de
quantos podcasts a gente já esteve junto
aqui conversando sobre bons livros da
vida nova, mas é sempre realmente muito
legal ter você aqui. Ainda assim tem
gente que tá chegando agora no podcast e
vale então a sua apresentação. Conta aí
um pouco da sua vida, do seu ministério
para pessoal que tá chegando agora.
Então, gente, meu nome é Valdemar
Valdemar Crocker. Eh, sou editor de
edições Vida Nova. Já contribuo com a
Vida Nova faz uns 35 anos, pelo menos.
Eh, e há 14 anos, 14º ano agora, de
tempo integral como editor. Sou casado
com Simone, temos três filhos, né,
deles, duas são casadas, o filho é
solteiro, dois netos e uma terceira
chegando paraa alegria de vovô e vovó,
né? Coisa linda. Eh, e participamos da
igreja Irmãos Menonitas do Boqueirão
aqui em Curitiba.
>> Tá certo, meu irmão? Obrigado aí pela
apresentação. Que Deus continue
abençoando você. E vamos falar mais
apresentações, no caso dos autores do
livro de hoje, né? O livro Lendo a
Bíblia, livro por livro. E eu queria que
você apresentasse esses autores que não
são ainda tão conhecidos no meio
brasileiro, né?
>> É, aliás, falando do livro, né? eh que
eu também tenho aqui. Eh, eh, uma das
minhas atividades que eu gosto muito é
da cursos, eu dou cursos em vários
seminários. Eh, e um que eu tô dando
agora é justo o da leitura da Bíblia
todo toda no seminário Servo de Cristo
em São Paulo. Falando sobre os autores,
né? Willam Mary, eh, é alguém que
ensinou no Instituto Bíblico Moodi em
Chicago, conheço lá, estivemos lá
visitando. Eh, e a sua, é, a sua ênfase
principal,
>> eh, é a a linha do tempo, da história da
Bíblia. Eh, então ele tem inclusive eh
uma eh um livro publicado em inglês, The
Whole Bible Story, ou seja, a história
da Bíblia toda, né? Outro livro que ele
publicou é The World of Jesus, o mundo
de Jesus e também The Jesus Story, né, a
história de Jesus. E é então coautor eh
desse livro aqui, junto com outro que é
o Boy Sivers, eh que é professor de
Antigo Testamento, numa universidade em
St. Paul, Minnesota, né, estados
vizinhos, Elenóis, Chicago, eh, e, e
Minnesota. Eh, nós moramos um ano e no
caminho entre essas duas duas regiões aí
perto de Chicago. É. Eh, e o Boer, isso
foi no tempo do seminário do Trinity que
eu fiz o meu primeiro ano de doutorado
lá. Eh, e o Dr. Siers, eh, ele é
professor então nessa universidade e
morou eh estudou, trabalhou em Israel
por 8 anos. Eh, e uma uma das obras que
ele publicou a questão da guerra no
Antigo Testamento. Então, são os dois eh
autores nossos aí dessa dessa obra,
>> rapaz. Dois escritores muito
capacitados, então, né? É bom essa
apresentação porque às vezes a gente não
conhece os nomes, não são talvez os mais
conhecidos pelas redes sociais ou algo
do tipo, mas ainda assim são acadêmicos,
estudiosos que prepararam um livro muito
útil pra gente conseguir aprender mais
da Bíblia. Como a gente tava até
brincando aqui antes, né? Eh, a gente
ainda vai falar mais disso, mas não a
partir do que The Chosen fala e sim a
partir do que a própria escritura diz,
né? Vamos, vamos lá que é importante, é
importante essa ênfase.
>> Mas, meu irmão, aproveitando, né, você
falou dos autores, agora vamos entrar no
mundo deste livro que vai nos falar
sobre os livros da escritura, sobre a
estrutura que nós temos aqui, como é que
o livro está organizado, o que é que os
leitores vão conseguir ao adquirir esse
livro.
Eh, o livro traz basicamente 66
capítulos, né? Eh, eh, assim, está
relacionado a cada livro da Bíblia. E
cada livro é tratado aí em, eh, às vezes
são cinco, a média é cinco, seis páginas
por livro da Bíblia.
>> Eh, no caso, eh, no caso dos Evangelhos
dá 10, 12, 13 páginas, no caso de
Mateus. Eh, então ali dá um pouco mais,
mas ele divide muito claramente o
tratamento de cada livro da Bíblia em
três partes. A primeira parte é o
contexto, né, fácil, só pra gente se
situar. Segunda parte é o resumo, né, do
conteúdo daquele livro da Bíblia. E a
terceira parte é a mensagem, né? Qual é
a mensagem que esse livro eh transmite.
Então, é basicamente é isso que ele faz
eh, né, para todos os os livros da
Bíblia. Eu posso inclusive dar alguns
exemplos aqui que ajudam a entender isso
melhor aí. Aham. Então, por exemplo, nos
Evangelhos, a gente tem Mateus. Aí, a
primeira parte que é contexto, olha só
que bacana como ele começa. Mateus
estava em seu posto de coleta de
impostos quando Jesus se aproximou e
disse: "Siga-me". Imediatamente ele se
levantou e o seguiu. Mateus sentiu-se
honrado. Ele queria que seus amigos
conhecessem aquele homem. Então,
convidou Jesus e seus discípulos para
jantar em sua casa. Os judeus odiavam os
compatriotas que, como Mateus, ganhavam
a vida, muitas vezes enganando outros
judeus, cobrando impostos para seus
conquistadores, os romanos. Quando os
líderes religiosos, conhecidos como
fariseus viram que Jesus estava na casa
de Mateus, queixaram-se com seus
discípulos, porque o seu mestre come com
publicanos e pecadores? E quando Jesus
ouviu isso, respondeu: "Não são os que
têm saúde, que precisam de médico, mas
sim os doentes. Não vim chamar justos,
mas pecadores."
Então, é a os primeiros dois parágrafos
e eles não só dão uma informação de que
Mateus era cobrador de impostos, não,
não diz aqui que ele era autista, tá?
Olha
aí o The Chosen [risadas]
>> e ele o The Chosen tem essa liberdade
poética lá, né, para fazer isso. Mas,
mas ele conta não só o fato, mas ele ele
nos leva para dentro da situação, né?
Tava lá sentado na coletoria, Jesus
chamou, Mateus se empolgou e já convidou
Jesus, né? eh e os seus discípulos para
jantar na casa deles. Então ele situa,
ele coloca a gente dentro da situação,
eh, né, abrindo assim melhor o o a visão
da gente para aquilo que vem no conteúdo
do livro, que aí vem no resumo, né?
Então, o resumo aqui eh tá dividido eh
pelo que eu anotei aqui, em oito partes
diferentes. Não vou citar essas partes
agora, eh, mas a última parte é
capítulos 21 a 28 de Mateus, a semana da
paixão. E aí vai detalhar, né, os eh
eventos com algumas frases eh eh resumo
de cada capítulo, de cada trecho dessa
semana da paixão.
>> Excelente. Então, tá aí uma ótima
estrutura. é um livro realmente tem seu
objetivo, como subtítulo aponta ser um
guia rápido de estudo panorâmico da
Bíblia. E a quantidade de páginas já
demonstra isso, né? Você consegue ter
uma visão geral do que o livro fala para
depois poder se aprofundar nele. E
>> é, inclusive nem mencionei, desculpa,
Saur. Eh, a terceira parte daí é é a
mensagem, né? No caso de Mateus, ele
resume isso, eh, né, em duas,
eh, assim, duas palavras chave, duas
expressões chave, né? A mensagem de
Mateus é o rei prometido. De fato, ele
veio. E o que Jesus quer e o que Mateus
viu que Jesus quer é um relacionamento e
não religião.
Eh, então são duas expressões chave
assim que destacam eh e claro ele vai
descrever isso alguns parágrafos aí eh o
que ele quer dizer com isso.
>> Aham. Excelente. Excelente. Então, tá
aí, você que já tá conhecendo a
estrutura do livro aqui nos ouvindo ou
nos assistindo, já fique de olho,
adquira esse livro que ele vai ser útil
para você. Mas vamos falar mais. E
alguma coisa que também, uma coisa que
também chama minha atenção é a ideia de
enfatizar o ler a Bíblia livro por
livro. A gente tem uma mania muitas
vezes que foi sendo construída de olhar
pra Bíblia mais por versículos soltos,
né? Eh, qual a importância da gente ler
a Bíblia livro por livro e quais os
problemas quando nós não fazemos isso?
Então, agora se tocou no assunto aí que
realmente eh nossos pais e avós e nossos
pastores antigos eram muito bem
intencionados ao nos fazer memorizar
versículos. E eu aprendi muitos
versículos com base numa estrutura que
tinha, num roteiro que faziam e era
muito interessante. Eu só tive um
probleminha depois. Eu sabia de de cor
aqueles versículos, sabia onde eles
estavam no número e do capítulo e do
versículo de tal livro,
>> a referência,
>> mas eu não sabia onde eles estavam no
conteúdo daquele capítulo. Sim. No
>> daquele trecho, né? Naquele no contexto,
né? Então, é,
>> ô, Valdemar, você usava, você usava
aquelas caixinhas também que vinha com
uns versículos sortidos assim ou não?
Você já, você já viu essas caixinhas?
>> Sim, sim. Eu vi, eu cheguei a usar, mas
bem pouco porque tivemos um pastor eh
muito bom de de incentivar a a leitura e
e a a memorização de versículos. e ele
fez um livro eh selecionando os
versículos mais importantes de acordo
com os conteúdos, as convicções
teológicas, né, as doutrinas bíblicas.
Eh, e a gente memorizava e ele então
fazia a gente ir na casa de alguém,
recitar o versículo e lá aquela pessoa
acabava, né, anotando a assim, ele
memorizou esse versículo aqui, então
pode avançar. E depois a gente tinha o
tipo de uma de um reconhecimento, de uma
formatura de ter memorizado todos os
versículos daquele livro.
>> Que coisa que legal, que legal.
Interessante. Interessante. Ainda que
tem essa questão que você vai até
pontuar mais, né, do contexto, mas é uma
algo que pode ser usado, né?
Interessante.
>> É, não exato. É. E e valeu. Eu eu fico
muito feliz porque eu sei de muitos eh
eh versículos e endereços por causa
disso, né? Então, a resposta específica
agora paraa sua pergunta, né? Por que é
tão importante ler livro por livro? Ora,
cada autor que contribuiu para pro texto
da palavra de Deus que nós temos hoje,
ele tinha uma história específica para
contar. Ele tinha uma mensagem assim
que, claro, cabia no todo, vinha de
Deus, mas era sua, era especificamente
sua. E ele queria passar essa mensagem.
Então, pra gente entender melhor cada
história ou cada ensinamento ou cada
mensagem,
a gente precisa aprender a ler aquela
mensagem inteira, né? Seja 66 capítulos
de Isaías, eh, seja, né, 22 de
Apocalipse, mas importante da gente ler
o completo uma vez para pegar a ideia,
para entender melhor o coração, a mente
daquele autor. Então, é verdade. Saul já
vai me perguntar, né? Mas e e não dá
para fazer uma uma teologia sistemática,
né?
>> Olha só, e as sistemáticas da vida nova,
Valdemarí agora.
>> Opa, calma, calma, não jogue fora,
compre mais. Eu tenho muitas aqui,
[risadas] não só da não só da vida nova,
né? Eh, mas eh é claro que aologia
sistemática é importante, mas Sa você
vai concordar comigo, os nossos ouvintes
aí também, uma boa sistemática só se faz
com uma boa teologia bíblica. Só a gente
conhecendo muito bem as verdades
bíblicas,
>> é que a gente vai poder sistematizá-las.
O que o que é conhecer bem verdades
bíblicas? É conhecer o o significado
delas. no seu contexto, cada uma no
livro em que elas aparecem na Bíblia.
Então, para que a gente entenda melhor o
ensinamento geral da Bíblia, só fazendo
uma boa síntese de cada livro da Bíblia.
E quando a gente domina isso, aí sim dá
para fazer uma teologia sistemática por
doutrinas como Deus, eh, Jesus, o
Espírito Santo, salvação, eh eh pecado e
assim por diante, porque daí a gente
corre menos risco de distorcer o
conceito bíblico, né? Então, seria seria
a a razão principal que eu e também
porque literariamente a gente ganha com
isso, né? Eh, eu gosto de ler uma obra
literária, né? Por exemplo, a
ressurreição de Toltoy, levei uns dias,
né, nas últimas férias para conseguir
ler e é muito interessante, né? E aí, aí
você pega assim a a, né, você entra na
vida, na alma do autor, eh, e e consegue
entender muito melhor quando você faz
isso. E até o gosto que a gente tem por
uma boa leitura, né, acaba sendo, eh,
recompensado, né, quando a gente lê um
livro de ponto a ponto. Aliás,
eh, me lembre depois, Sauro, vou deixar
pro final para deixar o pessoal esperto
aí ligado, né? Qual é o segredo para
entender tudo de apocalipse? Não me
deixe
>> terminar hoje sem te contar is tá bom,
>> rapaz? Eh, é é uma deixa aí do marketing
aí, né? Basicamente aquela coisa, ó,
fique até o final do vídeo porque eu
tenho aqui o segredo para transformar a
sua leitura de apocalipse. [risadas]
Você
>> vai entender tudo aí, aquela, o cara
mais exagerado, né? Você vai entender
tudo. 2000 anos de disputa se encerrarão
hoje na sua vida. [risadas]
Não, eu eu não cheguei não cheguei até
esse ponto aí, mas
o que eu aprendi há 45 anos, eu quero
repassar para outros também.
>> Maravilha, maravilha. Com certeza.
Então, final, vamos tentar lembrar disso
daí. Agora falando então, meu irmão,
sobre uma outra ênfase que ele dá, que
tem a ver até com a própria estrutura
desse livro que nós temos em mãos, é
perceber a mensagem do livro bíblico
como um todo, né, a tese, a ideia
central ali dele antes de mergulhar nos
detalhes. Agora a questão é como é que
nós podemos fazer isso? os autores
fizeram, eles trouxeram aqui pra gente,
mas até mesmo a partir do nosso próprio
estudo para comparar com o que o livro
traz aqui e tudo mais, como é que nós
podemos fazer esse tipo de análise do
livro como um todo
>> de de chegar no no céne do livro,
>> de chegar na mensagem, exato, a mensagem
central, a ênfase central dele.
>> É, e como a gente já falou e reforçou,
eh, precisa ler o livro todo, eh, de
ponta a ponta, prestar atenção no livro
todo. É, é interessante o comentário
entre parênteses aqui. A impressão que
dá é exatamente essa desse livro, é que
o pessoal fez isso. Eles eles quando
falam de um livro da Bíblia, eles falam
daquilo que está naquele livro,
basicamente, né? Então, ler aquele
livro, a segunda coisa é ler eh várias
vezes eh eh aí perceber a a os assuntos,
os conteúdos que aquilo autor
especificamente eh repete
eh e às vezes repete de uma forma
embutida eh entre aspas, né, dissimulada
eh ou disfarçada, digamos, né? Eh, e, e,
eh, por exemplo, a soberania
de Deus no livro de Ester, né? O nome de
Deus não é mencionado no livro de Ester,
mas a soberania de Deus emita, né?
Então, se você lê e pega eh olha nas
linhas, vê o que é repetido e que começa
a prestar atenção nas entreelinhas,
naquilo que fica claro, né, você
consegue pegar eh no cerne eh daquele
livro. Então são dicas eh básicas e
claro aí a gente começa a discutir com
outros, a interagir com outros para
pegar eh uma opinião que às vezes é
corrigida, né? A nossa é corrigida
porque alguém disse: "Ah, é verdade, eu
não tinha pensado dessa maneira", né?
>> Uhum. Com certeza. Então não tem muito
aquela, não tem tanto um segredo aqui
que possa nos fazer pular o papel da
leitura repetida, da leitura atenciosa,
cuidadosa. A gente precisa ler várias
vezes para então perceber esse fluxo de
pensamento, esses padrões e chegarmos a
a ênfase, a lei principal do autor, né?
É.
>> E quando a gente fala do Pode falar, por
favor. Eh, é isso tem a ver eh o que vai
nos o que nos ajuda e eh é que cada l
cada peça de literatura eh tem o seu
estilo, o seu gênero. Eh, e se a gente
prestar atenção nessas coisas, elas,
esses detalhes vão nos ajudar
>> a chegar mais rapidamente no na mensagem
central,
>> né? Perfeito. É justamente a próxima
pergunta que eu ia fazer aqui para você,
que é como a reconhecer os diferentes
gêneros literários que nós encontramos
na escritura e qual é a importância
deles pra gente fazer essa interpretação
correta?
>> Aham. Pois é. Os gêneros nós temos aí
muitos na Bíblia, aliás, tem um livro
que é excelente, eh, né, da também
publicado por Vida Nova. Eh, essa é a
última edição que nós temos em Tendes
Zilês, né, bem conhecido em muitos
seminários. É clássico, esse é um
clássico, né? Inclusive eu fiz a última
e a revisão desta última edição
atualizada que saiu nos Estados Unidos
com Gordon Fi, ainda trabalhando nisso,
né, já falecido agora. Eh, e ficou
excelente mesmo, uns ajustes aí finos,
bonitos que eles fizeram, os autores,
para sair nessa edição que que tá
excelente mesmo, né? E esse livro é
basicamente eh sobre isso, Sauro. Então,
o que nós pudimos fazer agora, eu começo
aqui na página um desse livro, eu vou
lendo, né, e umas 10, 12 horas a gente
termina o nosso a nossa entrevista
>> maratona livro. É isso aí.
>> Maratona livro, né? Então ele vai nos
dizer, esses autores vão nos dizer na
que a Bíblia, claro, nós sabemos disso,
tem eh lei principalmente no Pentateuco,
eh, né, tem narrativa na história, tanto
no Pentateuco quanto nos livros
históricos no Antigo Testamento. Vai ter
nos Evangelhos do Novo Testamento, tem
profecia, tem poesia, Salmos, por
exemplo, cântico dos cânticos, né? Aí no
Novo Testamento já mencionei, né, os
evangelhos que vão ter gêneros
diferentes
sendo usados. Não, o evangelho já é um
estilo, é um tipo de literatura que
então usa também poesia em alguns casos,
eh, parábolas, por exemplo. temos já eh
no Novo Testamento também eh o tipo de
literatura que tem a ver com orientação,
né, quase semelhante a certas leis, né,
que são as cartas pastorais eh eh nas
epístolas dos apóstolos, né, não só as
chamadas pastorais, todas elas, né, eh,
e temos também literatura apocalíptica,
né, a nossa vida, Sauror, é bem assim.
Nós também temos no nosso dia a dia eh
narrativas, eh livros de história,
livros de literatura, eh temos poesia,
quanta poesia bonita que tem aí, eh, né?
Eh, eh, tem, eh, literatura técnica, tem
códigos e leis, né? E aí chegando agora,
voltando à tua pergunta, depois dessa
fundamentação, né? Por que será que é
tão importante a gente respeitar os
gêneros literários bíblicos, né, para
chegar a uma interpretação correta? Eu
tenho uma resposta simples para isso.
Ninguém procura uma inspiração para uma
declaração de amor no código de leis de
trânsito.
>> Olha, verdade.
>> Eh, então, e é preciso olhar para cada
estilo e pensar naquilo que ele quer
transmitir.
>> Uhum.
>> Eh, e a partir dali fazer uma
interpretação correta. Eh, né? Por
exemplo, eh, Provérbios 22:6, né?
Ensina, instrua a criança no caminho em
que deve andar e mesmo com passar dos
anos, não se desviará dele. Isso é
poesia,
não é lei, não é uma profecia.
Eh, tem grande chan de dar certo, mas
não é uma lei absoluta, né?
Infelizmente, quantos pais choram, eh, o
f
>> princípio, né,
>> né, ensinaram tão bem o caminho para
pros filhos e depois eles acabaram não
escolhendo aquele caminho, né? Então, é
preciso entender que aquilo é poesia,
que retrata sim verdades da vida. Eh,
né, em muitos casos dá certo, né? Eh, eu
não me afastei do caminho. Meus pais
ensinaram muito fielmente, né, nós três
irmãos, eh, e estamos no caminho e somos
muito gratos por isso, mas em outras
situações isso, isso não é o caso, né?
Então, eh, então, eh, talvez algumas
orientações específicas, é, para me
conduzir nas decisões, né, as ações da
vida, eu vou precisar de lei, né? Antigo
Testamento é Moisés, Novo Testamento é
Jesus e depois os apóstolos com a as
cartas, né, com com as eh instruções que
que deram nas cartas, né?
Aí para me inspirar, eh, né, seja, eh,
na em, eh, eh, declarações de amor ou
para me inspirar ou para me ajudar a
chorar, eu vou achar muita poesia e ela
vai eh me consolar ou me encorajar. Por
exemplo, Simone e eu, minha esposa e eu,
nós escolhemos cânticos, cântico dos
cânticos 87, pro nosso versículo do
convite de casamento, pro nosso lema do
casamento. As muitas águas não podem
apagar o amor, nem os rios podem levá-lo
na correnteza. Se alguém oferecesse
todas as riquezas da sua casa para
adquirir o amor, seria totalmente
desprezado. E 7 de março agora fazemos
45 anos dessa promessa que fizemos um ao
outro aí, né? Então, Saor, Saor não
chegou a tanto ainda, mas também tá
caminhando aí.
>> Não, não, não. Eu não tenho isso de vida
ainda, então [risadas]
é isso.
>> Então não dá.
E, por exemplo, para expressar dor, para
buscar consolo, encorajamento, já
mencionei, né? Os salmos são ótimos, né?
Eh, e talvez até para esperar, expressar
raiva, só não dê vazão paraa aplicação,
né? O salmista quando tem vontade de
julgar os filhos do seu inimigo contra o
muro, contra a parede, né? Aí é melhor
não e eh colocar isso em prática, né?
>> Aham. Aham. Não, mas aí a importância do
gênero literário, ela é fundamental. Uma
que eu eu aprendi, eu até não tenho
certeza, mas eu acho que foi em uma aula
no seminário sobre o livro Entendes o
que Lês, em que a aprendi aquele
princípio de tomar cuidado para não
pegar um texto narrativo e tomá-lo como
um texto prescritivo, né? Então, ah, o
texto está dizendo o que aconteceu e eu
tomo aquilo como eu tenho que fazer a
mesma coisa que foi feita aqui. E não é
o que o texto quer eh me ensinar ali. Às
vezes o texto tá só narrando e eu tenho
que ver o texto como o que eu tenho que
fazer a partir dos textos prescritivos.
Claro, eu posso aprender com exemplos
narrativos, mas tenho que tomar muito
cuidado para não eh pegar um mandamento
a partir deles quando não há um
embasamento em um outro texto, né? Então
isso é um princípio muito importante.
>> É o valor eh de de eh entre aspas de
prescrição, pelo menos eh eh doutrinário
de um texto narrativo, é que não dá para
montar uma doutrina que contrarie
aquilo,
>> né? Tem tem gente que começa a a montar
doutrinas com base naquilo que nós temos
de de textos prescritivos de das cartas,
por exemplo. Eh, e aí começa a elaborar
aquelas doutrinas e aí eh só que
aconteceu em Atos aconteceu algo
diferente, né? Eh, ou seja, você não
pode negar aquilo que aconteceu daquela
forma, dizendo: "Não, mas isso não é de
Deus". Mas se foi ali claramente
expressão fruto do espírito, não tem
como negar, né? Então,
>> Uhum.
>> Mas mas bem lembrado,
>> tem tem que saber como harmonizar e
fazer aquela outra regra de
interpretação bíblica, que é interpretar
textos obscuros à luz dos textos claros,
né?
>> Isso. Isso. Isso aí. Mas foi mas foi
muito bom você lembrar, Saura, esse
aspecto aí de que realmente e a gente
tem que eh cuidar com o que a gente toma
como texto prescritivo mesmo, eh, e
outros que são encorajadores em uma
série de de aspectos, mas eu preciso
buscar naquilo que é de fato
fundamentação para caminhada, eu preciso
eh buscar eh sabedoria para as decisões
eh, né, da caminhada. Perfeito. Agora,
quando a gente olha para um livro como
esse, um panorama das escrituras, muitas
vezes nós vemos ênfases em várias
questões contextuais, históricas, né,
aquele plano de fundo histórico e
cultural. E ainda que aqui não vá fazer
isso com aprofundamento, ele vai trazer
esses dados pra gente. E aí perguntas
que são importantes pra gente pensar.
Qual é a relevância de entender uma
autoria antes de me aprofundar na
leitura de um livro? Qual é a relevância
de saber quem é o autor do livro e como
isso pode me influenciar ou me conduzir
na leitura?
>> O que eu penso ali é um exemplo bem
prático, né? É assim bastante fácil
entender uma série de aspectos das
cartas de Paulo, porque nós conhecemos
um bom pouco da sua história, né? Eh,
alguém que cresceu no judaísmo, é hebreu
de hebreus, da tribo de Benjamim, foi
formado ali como fariseu, eh, depois
caiu do cavalo no caminho para Damasco,
eh, entendeu quem o derrubou do cavalo,
né? eh aceitou eh aí de perseguidor se
eh, né, transformou em perseguido, foi
preso várias vezes, eh, quis levar
evangelho até no imperador. Eh, e, eh, a
gente vê muitas dessas coisas refletidas
naquilo que ele ensina, eh, naquilo que
ele escreve, né? Então, é bem mais fácil
entender quando você conhece, né? Eh,
então pode de fato fazer uma grande
diferença na prática. No caso de Paulo,
para ficar nesse exemplo, eh toda a
questão da justificação pela fé, eh, né,
ele que era assim irrepreensível, como
ele diz em Filipenses 3, né, na um
resuminho da sua de uma autobiografia,
eh, dá para entender bem melhor que se
Paulo, que era irrepreensível, que
obedeceu, que cresceu nisso, se ele
entendeu que a fé é o que importa, eh,
para que tenham amos a justiça imputada
a nós, eh, ele hebreu de hebreus, né?
Então, porque a coisa é séria, né?
Então, dá para entender melhor. Ou seja,
tem uma grande diferença na prática. Mas
não é condição, no caso da Bíblia, para
que compreendamos a mensagem do texto.
Eh, até porque tem alguns livros que nós
não sabemos quem é o autor,
>> eh,
>> né? E a E aí fica difícil se é muito,
>> que digamos de Hebreus, né?
>> Hebreus tá aí no debate até hoje, né?
>> Como é que você sabe que eu tinha
anotado Hebreus aqui, ó?
>> É, é o caso clássico. Agora eu tenho eu
tenho minha argumentação fortíssima
>> para quem é o autor de Hebreus, sabia?
Val,
>> é mesmo. E você vai revelar hoje.
>> É porque assim, vou vou revelar. Você
vai revelar o segredo para ler
Apocalipse. Eu vou revelar o autor de
Hebreus aqui, entendeu?
podcast revelaçõ. Mas a minha
argumentação fortíssima é o seguinte,
né? Eu já ouvi, eu aprendi no seminário
que dentre as opções para os autores de
Hebreus, nós temos Paulo, como era
colocado no início ali. Ah, depois não
se fortaleceu tanto essa ênfase, mas
enfim, você tem outros nomes, dentre
eles você tem Apolo, né? E como o nome
do meu filho é Apolo, o que eu quero
acreditar que escreveu Hebreus é Apolo.
Então, tá resumindo, tá resolvido. É
assim, entendeu? Estamos aqui tratando
com fundamentos sólidos aí de
argumentação. Todo
>> irresputáveis. É isso aí.
>> Irresputáveis.
Bom, eu tenho mais um outro ainda,
então, já que você tá entrando por esse
campo,
>> eh,
é entre os nomes que você citou,
inclusive aqui nesse livro aqui, eh, né,
nós vamos pegar, deixa eu aproveitar já
que estamos tratando desse livro, ele
diz aqui, ele fala de Hebreus que, eh,
vários autores foram sugeridos,
eh, né, e além de Paulo, tem Lucas,
Barnabé, Felipe,
Priscila
e, claro, Apolo, como você já anotou aí,
né? Então,
>> verdadeiro, né? [risadas]
Isso. Eu acho que foi Priscila. Tá,
>> mas rapaz, não acredito. Você tá aqui na
minha cara, Valdemar. Tô brincando,
Valdem. Ficou ontem. [risadas]
Então, veja só, depois de uma longa
dissertação,
argumentação, coisas densas, Hebreus é
espetacular. Eu dou um curso só de
Hebreus, né? um semestre inteiro. Aí vai
começar agora, fim do mês em fevereiro,
no no seminário servo de Cristo e a fora
de série. Depois de toda essa denidade
de informações,
eh, o autor ou talvez a autora de
Hebreus termina assim: "Irmãos, peço que
escutem com paciência esta palavra de
exortação, porque na verdade escrevi de
forma bem resumida."
>> Uhum.
Só só pode, só pode ter sido mulher que
escreveu isso. Então, [risadas]
>> tá bom. Seu argumento é forte também.
Seu argumento é forte, viu?
>> Agora, quem tiver aí nos comentários,
diga quem é que você acredita. Se é
Apolo ou se
>> Mas na verdade, na verdade, não sei se
sabia, Sauro, mas houve uma pessoa ao
longo da história desses 2000 anos que
soube de fato quem escreveu Hebreus.
Sabia?
>> Hum. o professor de eh professor de
introdução ao Novo Testamento, deu todas
as aulas lá sobre os vários livros,
autoria, contexto, eh razão para
escrever e tal. E aí deu, aplicou a
prova aquele tempo ali no papel,
preenchendo a prova e tal. E uma das
questões da prova era quem foi o autor
de Hebreus? Aí o o professor passeando
pela sala viu que o aluno estava
exatamente naquela questão ali,
perguntou ele: "E daí? E você sabe quem
é o autor de Hebreus?" O professor
perguntou pro pro aluno, ele falou:
"Professor, agorinha eu eu eu sabia, eu
sabia e escapou, não consigo lembrar,
escapou". E o professor falou: "Mas que
tragédia! Você foi a única pessoa na
história da igreja que alguma vez soube
quem escreveu Hebreus e você foi
esquecer. Que coisa
>> é isso? [risadas]
>> Tá certo. Tá certo. Mas é isso aí. a
autoria tem a sua relevância, tem também
aí a sua diversão,
>> mas tem a sua relevância paraa nossa
interpretação. Muito bom.
>> Agora, se a autoria tem eh uma
relevância, é algo que talvez a gente
pudesse colocar até como mais
importante, não sei. Você me diz qual
dos dois você acha mais relevante, mas é
a data, né? A data em que o livro foi
escrito. Eh, como é que a data, né, a
ocasião em que ele foi escrito pode
influenciar a nossa interpretação? Eu
creio que a questão básica em relação à
data é aquela discussão entre os mais eh
conservadores e mais liberais. Eh, né, o
grupo conservador acaba atribuindo datas
eh eh dos livros à época em que viveram
os autores, né? E aí varia dentro disso.
Eh, e os mais liberais aí então acabam
tirando dessa época. E aí você começa a
dizer: "Eh, foi a escola de João que
escreveu o livro, foi eh uma uma
invenção, foi uma síntese que foi feita
depois eh e algumas coisas nessa linha
aí, né? Eh, então, para ser mais
específico em relação à sua pergunta,
eh, se
tivesse vencido a ideia que prevaleceu
por muito tempo do FC Bauer, eh, tinha
que ser um alemão, tinha que ser um
alemão para, né, para dizer, para
questionar eh a, né, da da influente
escola de de Tubingan, né, para
questionar a historicidade, a veracidade
eh, na integridade do Evangelho de João.
Ele tinha uma visão crítica radical, né?
Ele propunha que o Evangelho de João era
um documento apostólico histórico. Eh,
eh, não era um documento apostólico
histórico, mas uma obra teológica
posterior, né? Ele argumentava que esse
evangelho nunca teve a intenção de ser
um relato histórico, né? Um relato
confiável, como os evangelhos sinóticos,
Mateus, Marcos e Lucas, né? E aí ele o
descreveu simplesmente como uma síntese
idealista. E ele então situou o
Evangelho de João, falando de data
agora, na autoria eh lá eh eh no ano de
em torno do ano de 170 depois do Cristo,
né? Falou: "Ó, foi foi escrito lá
naquela época, muito tempo, muito depois
do tempo eh dos apóstolos, né? Mas
contudo, porém, em 1920, lá no Egito,
né, terras secas de muito sol e muita
areia que preservam bem um monte de
documentos, né, eh foi achado, eh, o
Papirus, conhecido depois, né, como
Papirus 52.
Ele foi encontrado em Oxirinco, no
Egito. Eh, e isso como eu falei, em
1920. Que que é esse papiro? é um
pequeno fragmento, 8 cm por 6 eh seis,
né, talvez de altura e 8 e pouco
centímetros de largura. Eh, que na
frente tem eh dois versículos de João 18
e no verso tem mais dois versículos de
João 18.
Eh, e daí, grande coisa, pois é. Ah, o
fato é, todo mundo que examinou esse
documento, esse papiro, concorda que ele
foi escrito entre o ano 100 e 120 e 125
depois de Cristo. Ou seja, uma cópia de
cópia de cópia do que João escreveu,
>> mas que já circulava no começo do século
I, ou seja, ele não pode ter sido
escrito em 170, ele foi escrito bem
antes. E chegamos, eh, é o documento
mais antigo que nós temos, né? Chegamos
então bem perto da cópia, né, do
documento original de João que ele
escreveu a imagem fim da vida, né, no
fim do do primeiro século, né? Então aí
aí simplesmente muda tudo, né? Você tem
que dizer que isso é um documento
histórico, né? E se a gente vê o que
João tudo experimentou com Jesus e o que
ele escreveu sobre Jesus, eh, né? Tem
então uma faz uma enorme diferença na
interpretação de tudo que a gente tem no
Evangelho de João, né?
Com certeza. Com certeza. Mais uma vez,
não comprovou a data exata, mas
comprovou que no ano de cento e pouco já
circulavam cópias
>> do documento original, né?
>> Sim, com certeza. E ainda que tenha esse
lado aí, né, da de uma crítica um pouco
mais cética, ou bem mais cética, a gente
pode até dizer que às vezes vai colocar
a vai negar a a autoria dos próprios
autores bíblicos, como nós costumamos
atribuir mesmo Paulo ou ah Marcos,
Lucas, enfim.
Tem também a questão da circunstância,
né, que você saber quando aquele livro
foi escrito lhe ajuda a pensar o que é
que tava acontecendo. Então, por
exemplo, ah, a Filipenses, Efésios,
a Colossenses, Filemon, ali escritos,
muito provavelmente na mesma época, na
época que Paulo tava preso, né? Então,
essas circunstâncias
que aí não é uma questão tanto de data
exata, mas a época em que foi escrito,
elas influenciam também a nossa
interpretação, correto?
>> Com certeza. eh
eh e saber o que estava acontecendo na
vida a Juda, saber o que tá acontecendo
na vida do autor, como você mencionou a
prisão de Paulo, né, nessas essas quatro
cartas, né, Efésios, Filipenses, eh
Filemon e Colossenses, né? Eh, então tem
tem importância isso, saber as
circunstâncias dele e saber também o que
tá acontecendo na igreja ou com o
obreiro, no caso de Timóteo e Tito, eh
ou com o destinatário ali, Filemon, eh,
né? então saber o que tá acontecendo na
vida deles. E quando eu pensei sobre
isso, ah, uma coisa que me veio à mente
é a situação eh dos Coríntios, eh, né, o
a eh o que que estava acontecendo em
Coríntios, especificamente para Paulo eh
no capítulo 11 se referir à ceia deles.
É diz assim: "Por isso, 11:27, por isso
aquele que comer o pão ou beber do
cálice do Senhor, indignamente será ré
do corpo e do sangue do Senhor. Que cada
um examine a si mesmo e assim coma do
pão e beba do cálice." Eh, e o que o que
que tava acontecendo para Paulo dizer:
"Cuidado para não tomar a ceia
indignamente?
Eh, por que que ele diz que deve
examinar-se a si mesmo?"
Eh, e eu aprendi desde meus 16 anos,
primeira vez que eu participei da ceia
depois do batismo, eh, eu aprendi que
examinar-se a si mesmo é lembrar se você
pecou, né, que agora você vai tomar
ceia, lembrar do sacrifício de Jesus.
Eh, então não pise esse sacrifício,
arrependa-se se você, eh, se lembra de
um pecado, peça perdão, né, e decida
também acertar com outra pessoa, se for
necessário, né, para depois tomar ceia.
né? Aí a certa altura eu pensei assim:
"Não, mas isso eu já devia ter feito
antes, né? E a seia era domingo à tarde
e domingo de manhã tinha tido culto. Já
tinha que ter feito antes do culto se na
hora de ir para levar a sua oferta."
Jesus diz: "Você se lembrar que o seu
irmão tem uma coisa contra você, vai lá,
acerta com ele e depois venha de novo,
né?" Eu já devia ter acertado na noite
anterior, antes de dormir, né? O que que
tá acontecendo?
Eh, o que que tava acontecendo em
Corinto?
Eh, aí ele diz, eh, no versículo 33,
assim: "Meus irmãos, quando vocês se
reúnem para comer, esperem uns pelos
outros. Se alguém tem fome, que coma em
casa, a fim de que vocês não se reúnam
para juízo."
Gente, o que que tá acontecendo na
igreja de Corinto para Paulo ensinar
para eles o jeito certo de tomar a ceia?
Ora, voltando um pouco no capítulo 11,
versículo 20. Quando, pois vocês se
reúnem no mesmo lugar, não é a ceia do
Senhor que vocês comem, porque quando
comem, cada um toma antecipadamente a
sua própria ceia e enquanto um fica com
fome, outro fica embriagado. Será que
vocês não têm casas onde podem comer e
beber ou menosprezam a igreja de Deus e
envergonham os que nada têm? Que posso
dizer a vocês? Devo elogiá-los? Nisto?
Certamente não posso elogiá-los.
Os patrões, os donos das lojas, né? os
patronos dos empregados, eh, acabavam
seu trabalho o começo da tarde e e
estavam folgados. Aí se reuniam entre
eles, a elite lá na igreja de Corinto se
reuniu entre eles e já começavam o
banquete que ia, claro, era a celebração
da ceia. Os empregados deles ficavam até
fechar a loja, até encerrar o dia de
trabalho, né? E aí eles pegavam rápido
alguma coisa para poder juntar lá pro
pro Comes e Bebes. Eh, chegava lá, o
pessoal já tinha assim se panqueteado
com tudo aquilo que tinham trazido e
eles, os menos abastados, então ficavam
com as sobras. E Paulo diz: "É assim que
vocês querem ser corpo de Cristo? Alguém
se sacrificou por vocês e vocês não
conseguem esperar um pelo outro. Vocês
não conseguem levar em consideração os
necessitados.
Então, qual é a aplicação disso para nós
hoje? Eh, pra gente se examinar.
Como é que eu posso tomar ceia junto com
o meu irmão? Se eu sei da situação de
miséria em que ele tá, perdeu emprego,
tá devendo luz, água e aluguel. Eh, e eu
não me esforço, não me empenho de alguma
maneira para ajudá-lo, para realmente
nós termos um corpo na hora da ceia. É
isso que significa. Examine-se. E olha,
eu aprendi isso com Craig Blomberg,
então tem uma autoridade atrás aí que e
fez eh o texto fazer sentido para mim,
né? Então, conhecendo a situação,
conhecendo a situação, Paulo dá uma
orientação bem específica. É
importantíssimo isso, com certeza.
>> Perfeito, perfeito. E eu acho que isso
tá intimamente relacionado à próxima
pergunta. também tem tudo a ver com essa
questão contextual, que é perceber quem
são os destinatários
daquele livro, daquela carta,
como a essa percepção dos destinatários
originais também vai nos ajudar a ler o
texto mais adequadamente.
>> Eh, citei um exemplo, né, bem eh
específico dos Coríntios, né? Eh, o
importante é de fato a gente gastar
tempo
>> com o estudo do contexto original. Eh, a
gente precisa atrás de materiais, eh,
claro, fazer as leituras cruzadas na
própria Bíblia. Eh, Atos vai mostrar
algumas coisas de várias das igrejas que
recebem cartas depois das cidades, né?
Então, a gente pode estudar o básico por
ali, mas tem muitos, muitos outros
materiais, tem ótimos eh autores, né?
Eh, a gente publica mesmo eh várias
obras desses autores de contexto. Eh,
Craig Kinner é um grande autor nesse
sentido, eh, e que nos ajudem a estudar
bem o contexto original. Não faz mal,
até para que para tornar a mensagem
quando a gente dá um estudo, uma
pregação, para tornar isso mais
interessante, eh, né, vai dizer menos
abobrinha e mais coisa com coisa e
tornar a mensagem mais interessante, né?
O outro aspecto, é o outro aspecto é a
gente estudar bem o nosso contexto eh
das pessoas. Isso significa conviver com
as pessoas, isso significa tá ligado nas
notícias, eh, no que acontece à nossa
volta. Eh, hoje é muito difícil filtrar
corretamente o que tá vindo a nós dos
acontecimentos, né? Não vamos nem entrar
no noticiário nacional desses dias aí,
porque é muito complicado isso, né? Mas
nós precisamos identificar eh
especificidades dos problemas atuais que
as pessoas passam
e aí construir as pontes. E claro, você
tem que conectar pontes, tentar
encontrar eh lá na situação antiga,
passando pelo texto, o texto vai ser a
ponte para chegar com essa mensagem
paraa situação específica atual. Eh,
isso significa, em resumo, eh, estudar
bem as duas situações, estudar bem o
contexto original e ser conhecedor,
conviver com as pessoas hoje no dia a
dia para poder levar uma mensagem
adequada, apropriada pro contexto dela.
>> Isso aí. Então isso responde como que
nós podemos equilibrar, né, essas
informações contextuais com a aplicação
para os nossos dias, não fazer um bom
trabalho entre entender as aplicações
para o destinatário original, mas também
as aplicações pra gente, né? Porque eu
acho que isso é importante enfatizar,
porque a leitura comum das pessoas tende
a ler o texto e aplicar diretamente a si
quando não entendem muitas vezes que
alguns textos eles têm uma aplicação
mais específica para o público original
e uma implicação daquela aplicação para
nós, mas não necessariamente o mesmo
direcionamento que os destinatários
originais tiveram, né? Eh, aquela pessoa
que lê o texto e o texto tá dizendo
assim: "Nós ou vocês?" E ela acha que o
autor tá dizendo nós, eh, eh, eu, Paulo,
do século Io e você, eh, João do século
XX, e coloca tudo no mesmo balaio ali,
né? E aí complica a interpretação, né?
>> É, é. E, e deu para dizer isso e ver
isso no exemplo anterior que eu usei.
Eh, eh, eh, a questão, por exemplo, hoje
quando se eh programa uma refeição
comunitária, como tivemos a nossa igreja
domingo passado, não tem esse problema.
Eh, eh, inclusive nós fazemos umas
cinco, seis vezes por ano na igreja um
almoço em que cada um contribui com
quanto pode. Pessoas com quatro filhos
chegam lá e dão eh R$ 20, R$ 30. é o que
elas podem dar, enquanto outros podem
dar mais, né? E realmente há essa essa
comunhão muito preciosa e nunca faltou,
anos e anos essa prática nunca faltou.
Sempre sobra um valor que a gente usa
para ajudar com eh ajudar pessoas para
ir para retiro. A palavra não daria para
aproveitar e aplicar a palavra de Paulo,
né? Espere pelo outro para comer. Não, a
gente come junto lá, né? E todo mundo
come a mesma comida. comida boa. Eh, mas
o, e depois eu fiz a aplicação, como eu
falei, aprendi com o com o Blomberg, né,
eh, de a gente considerar a pessoa em
maior necessidade e se empenhar para que
no dia a dia, não só numa refeição, mas
no dia a dia, ela seja ajudada nas suas
necessidades, eh, não só financeiras,
mas também emocionais e espirituais, né?
Perfeito, perfeito. Eu acho que a gente
já respondeu aqui, Valdemar, uma outra
pergunta que eu tenho para fazer você já
caminhando pro fim, mas vale a pena a
gente enfatizar, eh, sendo
especificamente. Então, como fazer esse
tipo de leitura, ler a Bíblia livro por
livro, entendendo o seu contexto,
entendendo as suas ênfases, como isso
pode ser usado na nossa pregação, no
ensino em geral e até mesmo na nossa
vida devocional. Na nossa vida
devocional. Como é que nós podemos eh
ver essa esse estudo que nós estamos
fazendo
sendo útil para essas práticas tão
importantes da vida cristã, da pregação,
do ensino, do devocional?
>> Eh, ler uma história inteira eh sempre
eh traz mais significado, traz mais
detalhes, eh traz eh mais sinalizações
de aplicação, inclusive, né? né? Então,
por isso, eh, e quando a gente não lê o
livro inteiro e como a gente já falou,
você corre o risco de não ver tudo, não
cobrir tudo e até de distorcer eh uma
parte. Então, para que seja de fato mais
palavra de Deus na minha vida, eh se eu
leio isso ou se eu escuto, por exemplo,
ultimamente eu tenho usado muito isso de
escutar eh versões que eu gosto da
Bíblia. E eu, por exemplo, agora tô,
esse ano já ouvi, eh, Mateus, eh,
Marcos, eh, e tô em João, depois vou
pegar Lucas ainda, né? eh ouvindo eh
capítulo por capítulo a história toda de
ponta a ponta. Então, a gente cobre
melhor, eh, não ficam lacunas, então
ajuda pessoalmente
e vai ajudar no nosso ensino na
pregação. visto que nós somos hoje, né,
uma cultura muito mais voltada e pra
imagem, pra história e e talvez derramos
na nossa pregação por muitos anos e
décadas de tornar coisa muito
conceitual, eh por que não aproveitar
mais sequências inteiras, tanto de
histórias quanto de raciocínios, de
doutrinas? Eh, isso facilita pra pessoa
e a gente se treina a ser mais objetivo,
não tão detalhista, não se perder em
muitos atalhos aí. Então, pode ajudar e
na pregação, com certeza, eh, faz muito
mais sentido. Eh, é claro que não vamos
planejar eh pregar Isaías, né, 66
capítulos em sequência, né, por eh 3, 4,
5 anos. Não teria material suficiente
para isso. Aí, precisa abreviar um
pouco, né? Mas fazer em sequência ajuda
e a igreja a ter uma ideia melhor eh de
cada livro bíblico também.
>> Muito bom. Agora a última pergunta aqui
pra gente ir pra apocalipse depois, né?
Porque não pode esquecer essa de
apocalipse. O pessoal quer saber o
segredo. Mas a última pergunta aqui é o
seguinte: como é que o pessoal pode
pegar esse livro aqui, então, e usufruir
dele na leitura bíblica diária? Como
isso aqui pode ser usado em soma com a
própria leitura da escritura? Alguma
sugestão?
>> Aham. Sim. Então, eh, eu vou pegar aqui
o de Mateus, que eu já citei no começo
ali, eh, em que ele faz a apresentação
do contexto. A minha sugestão é, antes
de começar a ler um livro da Bíblia, lê
essa página. É uma página, geralmente,
né? Eh, uma página um pouco menos, um
pouco mais de contexto, eh, né? E
imediatamente, como eu fiz com Mateus,
você tem um gostinho pelo Mateus da
Bíblia. Eh, e aí aí você começa o livro
já sabendo quem é ele, eh, né, e algumas
coisas sobre ele. Então, lê esse esse
parágrafo ou dois ou três aqui sobre
contexto. Quando vai ler o livro da
Bíblia propriamente, aqui está o resumo
da mensagem, né? Começa nesse caso na
página 154, só para ter uma ideia. Eh, e
vai tratar de nascimento e infância,
capítulos 1 a 4. Então, a minha sugestão
é ler essa página e meia e depois lê os
quatro capítulos de 1 a qu de Mateus,
eh, porque aí você vai pegar um mapa
aqui que vai dar as pistas para você,
né, os sinais e da estrada já, eh, para
você ficar esperto e ficar atento aí, lê
aquele trecho, aqueles quatro capítulos,
né? Aí volta pro texto aqui, sermão do
monte, capítulo 5 a 7. Lê, né, essa meia
página mais meia, uma página aqui, só
que dá uma pista e aí lê o o capítulo,
os capítulos da Bíblia mesmo e assim eh
sucessivamente. Eh, para pro crescimento
e para devocionar o pessoal, seria essa
eh uma dica aí, né?
>> Uhum. Perfeito. É isso aí. E agora me
diga aí, Valdemar, como é que a gente
interpreta Apocalipse. Diga aí como é
que é e essa instrução sua aí. Diga aí.
Eh, no tempo de seminário que eu
terminei lá com 23, 24 anos, eh,
tínhamos um professor e ele falou, ele
nos deu essa dica, eh, e ele falou:
"Se você quer ler Apocalipse, entender a
essência, veja, antes que eu antes eu
fiz uma propaganda enganosa, eu falei:
"Entender tudo de apocalipse
>> era clickbait, era clickbait". Aí,
então, bait. É isso aí. Brincadeira,
lógico, né? Mas se você quer entender a
essência de apocalipse e o professor
falou assim: "Separe duas a 3 horas, de
preferência três,
desligue de tudo". E todo mundo sabe, é,
talvez você não saiba que há 40 anos não
tinha celular, né? Eh, não tinha, mas
desligue, feche o quarto, vá ou vá para
um lugar eh ermo solitário, só você
desligue de tudo e pegue um texto bom
que você gosta, uma versão boa que você
gosta e leia Apocalipse de ponta a
ponta, sem parar, sem perguntar quem são
os cavalos, quem, né, o que significam
os cálices, as trombetas, eh, e as
testemunhas. Não pare, não pergunte,
leia do começo ao fim. Leva duas 2
horas, 2 horas e meia. Se lê com calma,
sem pressa, mas sem parada. Leia do
começo ao fim.
Eu fiz isso algumas vezes já na minha
caminhada.
Não tem como não descobrir a essência de
Apocalipse,
que é terminar a leitura. prostrado em
lágrimas, chorando, adorando o cordeiro,
o leão ao mesmo tempo, né? Porque ele é
o senhor vitorioso de toda a história.
Eh, é um dos livros que eh mais
claramente nos traz a necessidade de ler
um livro de ponta a ponta e mais
claramente nos traz os benefícios de
fazer isso. Depois, sim, matricule-se
num curso, estude apocalipse, mais
detalhes, né, e assim por diante. Mas
primeiro precisa entender a essência.
Excelente. Ademã, muito obrigado por
esse tempo de conversa. Espero que a
gente possa conversar com com você sobre
mais livros da edição Vida Nova mais
para frente. Mas que Deus abençoe, meu
irmão. Foi muito bom ter você aqui com a
gente.
>> Com prazer. Muito obrigado, Sauro. E um
abraço para para todo mundo aí que que
vai, né, que tá junto conosco aí depois
na na transmissão aí na na em assistir e
o podcast.
>> Maravilha.
>> Maravilha. Pessoal daí de casa que nos
ouviu, que nos assistiu, adquire um
livro Lendo a Bíblia livro por livro. Um
guia rápido de estudo panorâmico da
Bíblia. Tenho certeza que vai ser útil
pra sua leitura, para os seus estudos e
vai ser bção na sua vida. E se você
gostou dessa conversa, deixe seu like,
deixe seu comentário, diga aí, você acha
que quem escreveu Hebreus, o argumento
de do Valdemar tá melhor do que o meu?
Qual dos qual dos dois aí que você
escolhe? Além disso, se você está
gostando dessa conversa, também fique de
olho nas próximas que virão se
inscrevendo no canal e dê uma olhada nas
dezenas que nós já gravamos. É isso aí,
até a próxima. Valeu,
[música]

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