O QUE A BÍBLIA TEM A DIZER SOBRE DOENÇAS MENTAIS? – HELDER CARDIN
04/02/2026
O QUE A BÍBLIA TEM A DIZER SOBRE DOENÇAS MENTAIS? – HELDER CARDIN
Quando lemos a Bíblia, não encontramos uma descrição explícita do que hoje chamamos de “doenças mentais”. Ainda assim, a Escritura tem algo a dizer sobre esse tema? Neste vídeo, o teólogo Helder Cardin nos lembra que a antropologia bíblica é o caminho adequado para responder a essa questão.
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
Ah, agora quando a gente fala de diagnóstico, fala doença mental, não necessariamente a gente tem qualquer conexão com uma visão bíblica disso, né? Nós vemos médicos que não são cristãos, que não acreditam na Bíblia e vão falar sobre isso. Mas o nome do livro é saúde mental e sua igreja. Então, vamos ver como é que a conexão com a igreja e com a palavra ela se faz. E aí, eh, qual é a compreensão bíblica de doença mental? A Bíblia fala alguma coisa a respeito? o que é que nós podemos aprender sobre esse assunto a partir da escritura. >> Joia. Eh, o bom os autores eles trabalham uma questão muito legal, o que eu concordo demais com eles, que é eles tentam encontrar no coração humano a razão de muitos desses distúrbios ou muitas dessas doenças. Eles têm uma expressão que eu acho muito bonita, inclusive, Saor, quando eles falam que o ser humano é um ser adorador. >> O coração é o locus da adoração, de onde então procedem todas as coisas. Diferentemente de algumas outras abordagens, né, >> da própria psiquiatria que não leva em conta a realidade espiritual do ser humano, que vai tentar encontrar tudo na psiquê, no corpo, nos fenômenos humanos, eh no ambiente à nossa volta. os autores eles se voltam para o coração como um dos fatores determinantes de muitos desses equilíbrios, de muitas dessas doenças, de muitas dessas desordens eh no âmbito da mente humana, né? E eles eles identificam três fatores principais como sendo causadores ou potencializadores dessas doenças, né? O ponto central deles é justamente o coração, que é desde o centro moral, onde residem os desejos, as crenças e os compromissos cúlticos ou de adoração do indivíduo. Eh, isso faz com que corpo a interação do indivíduo com o mundo sejam necessariamente tanto afetados quanto afetem o indivíduo, né? Os três fatores que eles identificam como causadores ou eventualmente potencializadores dessas doenças mentais são o corpo, né, a fisiologia. Eh, e é importante a gente lembrar, né, ô, ô Saur, somos um composto físico, químico, orgânico, material. Fomos criados por Deus, temos um corpo, né? Somos matéria que também sofre os efeitos do pecado, do desequilíbrio hormonal, da das das limitações eh corpóreas e tudo mais. O outro fator que eles identificam é o mundo, as circunstâncias à nossa volta. É interessante que que eles vão dizer até com muita honestidade, né? Eh, o mundo à nossa volta, as circunstâncias não determinam unilateralmente quem somos, mas influenciam a maneira como lidamos com nós mesmos, lidamos com o mundo da nossa volta. Isso é verdade, Saor. >> Sim, >> né? Às vezes nós temos discussões desonestas. Não, o o o exterior não tem nada a ver. O exterior não determina, o exterior não influencia. Do outro lado, vem desde do Aristóteles, Jean-J Roussea a a psicologia comportamentalista, né? Não, o meio determina o indivíduo, ou seja, eu sou fatidicamente, inequivocamente resultado no meio. Os autores, eles têm um ponto de equilíbrio muito legal, >> não é? Determin, >> o determinismo biológico, né, que eles trazem também, o determinismo social também. É, então que eu acho legal que eles vão dizer, não, o mundo, as nossas experiências influenciam sim a nossa mente, o nosso coração. E é verdade, Saor, ninguém, ninguém é um é um é um indivíduo eh isento de emoções, de ações e reações, né? Desde quando, por exemplo, estamos dirigindo e vem um objeto em sentido contrário, no para-brisa e a gente assusta, fecha os olhos e o coração palpita. Aquilo é momentâneo, passa em 2, 3 minutos. Mas é verdade, temos o luto, temos a doença, o câncer, alguma dificuldade mais complexa que passamos na vida. Dizer que o mundo à nossa volta não participa interativamente com em quem somos, como lidamos, seria uma desonestidade imensa com aquilo que a própria Bíblia fala. No mundo vocês passarão por aflições. Tenham um bom ânimo. Eu venci o mundo, mas o mundo é um mundo de dores, é um mundo de aflições. E o terceiro fator mais determinante, que daí eles expõem até muito mais, é justamente o coração, né? Então, esses três fatores, eles identificam como necessários para termos uma perspectiva bíblica ou uma abordagem mais bíblica eh da saúde mental, né? o corpo, a fisiologia, né, o mundo, as circunstâncias, sofrimentos, as dores que passamos e o coração no âmbito da espiritualidade, no âmbito da nossa vida de adoração a Deus, sem desconsiderarmos, inclusive, né, pela próprio pressuposto deles como cristãos, como teólogos, de que nós existimos num mundo que tem uma batalha espiritual, tem uma realidade, um mundo espiritual que nos circunda, né? Então, eu eu gostei demais nesse sentido, né? Eles são honestos. Eh, como eu costumo dizer, né? Lembra daquela expressão nem tanto céu, nem tanto inferno, né? Eh, nem tudo é só coração e nem tudo é só corpo. Nem tudo é só mundo, nem tudo é só o indivíduo. Acho que a vida, o mundo, a realidade humana são muito complexos pra gente dizer: "Não, isso é só fé ou falta dela". ou não, isso é só físico, químico, orgânico e não tem nada a ver com Deus. Não. São fatores que influenciam, às vezes puxando um pouquinho mais para um lado do que pro outro, mas a centralidade do coração é um aspecto muito muito legal do livro. >> Perfeito. E eu concordo 100% com essa parte de de notar esse equilíbrio da nossa complexidade, do todo que nós somos. Porque se por um lado a gente vê alguns cristãos caindo numa espécie de gnosticismo cristão, onde matéria é algo ruim e matéria não é o que importa, a gente tem que cuidar só do espírito e aí esquece da saúde e não percebe como a saúde tá afetando inclusive a nossa espiritualidade. a gente tem o outro lado, que é o que você trouxe, que é o lado onde existe um materialismo, um naturalismo, onde não existe nada imaterial, nada espiritual e tudo que importa é o meio onde a gente vive ou como é que estão os nossos hormônios. Mas unir essas duas coisas, eu acho uma visão que é muito coerente com a escritura, que mostra que Deus fez a nossa alma, o nosso espírito, mas ele fez, ele fez essa parte, mas ele fez o nosso corpo também e tudo está relacionado, né? Isso traz uma visão que mescla a ideia de uma saúde mental no aspecto mais biológico e social, mas também com a uma visão bíblica, uma visão que tem a ver com a igreja, não é isso? >> Sim. Ô, senhor, me permita inclusive lidar com essa sua expressão e ela é muito boa, né? Eh, nós somos uma realidade imaterial, mas nós também somos uma realidade material. Eh, >> exato. >> Eu eu costumo dizer, tudo que nós dividimos muito no ser humano, eh, pode dar problema, né? Então assim, nós somos matéria e não matéria, mas ainda assim o éder esses dois elementos que eu não posso dividi-los. Nós somos corpo e mente, nós somos coração e alma, nós somos desejo e força. Tudo isso harmonicamente, complexamente perfazendo quem é o tanto é que não faz muito sentido aquela ideia, né? Não, você não pode ser tão racional, você tem que ser mais emocional. Não, você não pode ser tão emocional, você tem que ser mais racional. Saor, a gente não pode não ser os dois. Nós não somos só razão ou só emoção. Nós não somos só vontade, nem só força. Nós somos tudo simultaneamente. Então, o ser humano é um ser único. Um, me me permita usar uma coisa só. como ser único composto por matéria e não matéria. E eles não existem em realidades distintas, dicotômicas. A gente não saberia nem desenhar isso, mas eles se entrelaçam de tal forma em que, olha que que legal, né? A gente nem pensa muito e fala, né? Ou seja, como é que o cérebro comanda nossos órgãos, cordas vocais para exprimirem nossos sentimentos por meio de palavras? Cara, [música] isso é bonito demais, né? Essa é a junção do material e do imaterial.