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A fé vem pelo ouvir

PODEMOS PERDER A SALVAÇÃO? POSSO DAR MEU DÍZIMO PRA OUTRA IGREJA? O QUE É SE CONVERTER?

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Legendas automáticas:

Qual é a forma teológica mais fiel para
criar filhos? Baseada em autoridade e
disciplina ou em amor, diálogo e
liberdade? Como equilibrar as dimensões
segundo os princípios de Deus?
>> É uma pergunta muito geral, um tanto
difícil de você dar uma resposta muita,
muito objetiva sobre como conciliar
princípios que são válidos. Todos esses
princípios fazem parte do modo como se
cria filhos. Você tem que ter
disciplina, tem. Tem que ter algum grau
de liberdade, tem. senão o menino não
sabe o que fazer da vida dele, vai viver
trancado em alguma coisa. Tem que ter
amor sempre, tem que ter correção
também. Então assim, não é exatamente
achar a linha do meio entre essas
coisas, mas é como a gente lida com
todas essas esses elementos da vida
cristã que tem que fazer parte da do
processo de criação de filhos, né? E aí
é um processo um pouco amplo de se
responder numa pergunta como essa. O que
é que eu diria? Primeiro e antes de
tudo, o amor guia todo o processo de
cuidado com os filhos. Então, eu amo
meus filhos e eu tento cuidar deles da
forma mais amorosa que eu puder. Esse
amor então se expressará em tudo aquilo
que eu vou fazer para ele, porque o amor
é o fundamento da nossa obra como
cristão, né? Amar Deus sobre todas as
coisas e o próximo como a mim mesmo, é o
fundamento que é a nossa fé. Então, o
amor é a origem absoluta de onde vem
todo o resto. A partir do amor eu
disciplino, a partir do amor eu dou
liberdade. A partir do amor eu dou tudo
aquilo que Deus cobra de mim como Pai.
Se eu tenho o amor como fundamento do
meu comportamento, esse amor se
expressará de várias formas. Eu acho
importante ter o amor como como a
fundamentação desse processo todo. Uma
coisa que para mim é muito importante no
processo de guiar meus filhos é entender
que meus filhos não são meus, eles são
de Deus e eu os estou preparando para
Deus. Então eu não tô criando os meus
filhos para que eles sejam pequenos
instrumentos para satisfação dos
próprios anseios para com eles. Eu os
estou criando para que eles cresçam como
um homem e uma mulher que glorificam o
nome de Deus em suas vidas. Então o que
é que eu quero dar paraa Catarina e pro
Bernardo? Acima de qualquer coisa, a
capacidade de encontrar a obra de
Cristo, encontrar o amor salvador de
Jesus e viver de acordo com isso. Faço
isso através de certas expressões
externas de disciplina, de correção, de
liberdade e tudo mais, mas também
através de pregação do evangelho,
através de ensino da palavra e através
de um bom modelo em casa. Então eu tento
manter meus filhos perto da palavra.
Então todos os dias a gente lê alguma
coisa da escritura. Todos os dias eu
leio algo da Bíblia para eles. Todos os
dias a gente conversa sobre Deus, trago
eles para vida de oração, apresento a
obra de Jesus e tento pastorear o
coração deles no caminho de Cristo.
Tento viver uma vida em casa que possa
representar para eles essa mesma
esperança, essa mesma vontade de
encontrar Cristo como Senhor e Salvador.
Se eu tenho o amor como fundamento, o
amor que vai se expressar em várias
atitudes e tenho esse interesse na
palavra, entendendo que meus filhos não
são meus, mas são de Cristo Jesus, todo
o resto sai com mais facilidade debaixo
disso. Agora, uma terceira coisa que eu
posso dizer é procure os pais à sua
volta que criaram bem os filhos e
descubra o que eles fizeram. Porque para
mim foi muito importante nesse mar de
pedagogias, de psicólogos, de
psicopedagogos, todo mundo ter uma
grande opinião sobre como criar filhos,
vindo de gente que escreveu material
sobre criação de filhos, mas nunca criou
filhos. São só teóricos muitas vezes de
gabinete. Quem são os pais e as mães da
sua comunidade que criaram bons filhos?
O que é que eles fizeram? Como trataram
os filhos? Não é? muitas vezes tem ali
uma sabedoria e tá para além de qualquer
conhecimento acadêmico, que muitas vezes
é o conhecimento acadêmico que faz certo
sentido discursivo, mas que vem de
pessoas que criaram mal os próprios
filhos. E aí existe certas sabedorias
que precisam não podem ser
desvencilhadas da vida prática. Há
certos conhecimentos que eles são
técnicos, eh, questões econômicas,
questões mecânicas e direito e tal.
Existem certos conhecimentos que eles
são muito humanos e como conhecimento
humanos estão atrelados à prática da
vivência. Você não tem como criar uma
pedagogia objetivamente neutra, tá
atrelado a todo o conhecimento de sua
vivência comum. Você precisa olhar pr as
pessoas que criaram filhos ao seu lado e
ver como é que eles fizeram isso. O
conhecimento pedagógico é importante,
importantíssimo, mas ele sozinho é um
risco muito grande, porque você precisa
criar os seus filhos, não simplesmente a
partir de ditames psicopedagógicos, mas
a partir de ditames de da da palavra de
Deus e pessoas que aplicaram sua palavra
de Deus. Conhecimento técnico pode ser
útil, mas não substitui a vivência e a
experiência de pessoas que têm criado
filhos no caminho da palavra. Pastor, a
próxima pergunta é a seguinte: eu
gostaria de direcionar meu dízimo para
determinada necessidade da igreja ou de
um irmão e isso me faria não entregar o
valor à tesouraria da igreja
diretamente? Isso seria errado? A
>> gente, e aí, não sei, bom, vocês estão
me perguntando, eu vou responder e aí
depois o pastor vem e corrige o que eu
disser, tá? [risadas] Só para deixar
aqui já registrado. Mas eu acredito que
dízimo é uma prática judaica. Nós não
somos judeus. dar o dízimo, das
primícias. Isso está atrelado à parte do
comportamento agrário do povo judeu. No
Novo Testamento, nós não temos dízimo,
nós temos ofertas. Claro, essas ofertas
que nós entregamos têm certas
características que lembram parte do
processo que era na antiga aliança.
Paulo vai dizer que é proporcional à
renda de cada um, tá atrelado ao
financiamento da obra missionária da
própria obra da igreja, pagando salário
de pastores e e pagando a e fornecendo
provisão para os missionários. Então
existem certas características da oferta
do Novo Testamento que são tanto
parecidos com o dízimo do Antigo
Testamento, o que faz com que muitas
vezes a gente faça uma transposição
muito apressada de uma coisa para outra.
Mas isso não é o fato. A gente não dá
dízimo no Novo Testamento, a gente dá
oferta voluntária. Essa oferta
voluntária, claro, tem que ser uma
expressão de generosidade muito real.
Quando Jesus fala sobre o nosso
comportamento na nova aliança, ele não
diz que nosso comportamento é inferior,
mas superior. A nossa justiça tem que
exceder a dos fariseus e não ser
inferior a dos fariseus. Quando ele vai
interpretar o Antigo Testamento, ele não
vai aliviar, ele vai endurecer. Ele di,
ah, é, é, é para amar os amigos e odiar
os inimigos. Eu digo que é para amar até
os inimigos. Diz para não trair a
esposa, pode nem para desejar a mulher
do próximo. Então, Jesus aprofunda no
coração essa questão toda. Quando a
gente encontra as mensagens sobre
ofertas do Novo Tchamento, essas
mensagens envolvem igrejas pobres, dando
muito mais do que poderiam para ajudar
outras igrejas ainda mais pobres. Então
você tem um um interesse de generosidade
e fornecer semente a quem semeia, né?
Você tem esse aspecto de dar provisão
pros missionários, de dar dupla honra
aos pastores, de no livro de Atos,
pessoas vendendo tudo que tinham para
distribuir livremente dentro da igreja.
Paulo condenando dentro da comunidade
que alguns tivessem muito e outros
tivessem nada. E não era para ninguém
ter em falta em uma comunidade cristã.
Então, todos esses fatores precisam
andar juntos no modo como nós vivemos
como igreja. Se nós temos uma comunidade
cristã, nós temos que sustentar esta
comunidade. Sustentar esta comunidade
envolve não só infraestrutura física,
mas também uma infraestrutura humana de
pastores e missionários que estão
trabalhando para o serviço dessa própria
comunidade. Se você numa justificativa
aparentemente altruísta, eu quero ajudar
uma pessoa em necessidade, quero
direcionar esse dinheiro diretamente
para uma causa, eu deixo de ofertar pra
minha própria comunidade nessa
infraestrutura, eu tô tomando da minha
própria comunidade a possibilidade de
sustento. Então, eu tô usando o ar
condicionado, eu tô usando energia
elétrica, eu tô usando um acento, eu tô
usando um espaço físico, eu tô ocupando
tempo de serviço pastoral das pessoas
que são remuneradas para est cuidando da
igreja e eu não tô contribuindo de forma
generosa para que esse ecossistema
continue existindo. Então eu tô tirando
da minha comunidade essa possibilidade.
Tinha um cara que ofertava pra minha
igreja lá, para Manaim, e ofertava
valores substanciais. Ele ajudou muito
pra gente conseguir fazer nossa reforma
lá. um irmão de São Paulo, ele tava
procurando igreja, não tinha nenhuma
igreja e aí tava ofertando pra gente. E
aí ele mudou de igreja, achou uma
igreja, ele dizia: "Pô, mas minha igreja
já tem postes, a sua não tem. Eu queria
continuar ofertando pra sua". Eu disse:
"Cara, vai ser em uma comunidade. Quem
vai te pastorear não sou eu. Quem vai te
visitar no hospital não sou eu. Quem vai
pregar no teu velório? Não sou eu. Quem
vai cuidar dos teus filhos? Não sou eu.
Quem vai cuidar do teu casamento? Não
sou eu. Tá usando água, luz e internet,
não é, não é daqui, é daí. Você tem que
contribuir pra sua própria comunidade.
Doeu muito no nosso bolso lá [risadas]
na na nossa igreja, não é? Se você
quiser continuar ofertando a coisa a
mais lá pra gente, a gente não vai
rejeitar. Mas, né, você tem a sua
comunidade para você ajudar. Se existe
uma necessidade a mais, tirar mais. Mas
eu não tenho como tirar mais. E é uma
necessidade minha volta. Aí você procura
a igreja e aí você chega na comunidade a
quem você oferta e diz: "Olha, tem um
irmão na nossa igreja com essa
necessidade e a gente tem que atender
essa necessidade. Adoraria atender
pessoalmente, mas eu tô ofertando aqui
na comunidade e eu não não sobra do que
eu oferto na comunidade para poder
ajudar uma pessoa nesse momento. Será
que a comunidade não pode participar?" E
normalmente a igreja vai usar os seus
recursos para ajudar um irmão da igreja
que a igreja julgue que está numa
necessidade real, que precise realmente
de ajuda. Então geralmente o que a gente
quer é só desculpa para administrar a
nossa generosidade de uma forma sempre
para baixo, nunca para cima. O ideal é a
gente fazer as coisas de forma correta.
Eu ajudo minha comunidade. Eu não
acredito em dízimo, mas geralmente a
gente foca ali nos 10% porque é um valor
que geralmente é coerente, é uma
tradição cristã já muito bem
estabelecida. Agora tem outras igrejas
que não seguem essa tradição, né? Tem
igrejas que tem tanto dinheiro, tanto
dinheiro, que o que eles fazem é eles
fazem um orçamento anual de quanto vai
ser gastado gasto aquele ano. E a
economia às vezes muito estável, né,
fora do Brasil normalmente, que eles
fazem o mapeamento de quanto vão gastar,
divide igualmente entre a renda das
famílias, as famílias contribuem
anualmente para aquele valor e aquilo,
não é uma oferta específica e o resto os
irmãos administram como generosidades
para obras externas da própria igreja,
coisas assim. São cenários muito
diferentes no nosso. Então, a gente tem
que ter essa sabedoria. Eu contribuo
paraa minha própria comunidade.
Geralmente esse 10% é um um costume
judaico que a gente continua
estabelecendo só por uma mera
conveniência, mas que funciona. O valor
geralmente é é honesto. A gente usa isso
pro serviço paraa administração da
igreja. Se tem necessidades a mais, a
gente oferta a mais. Se eu não tenho
como fazer isso, eu procuro a própria
comunidade para que a comunidade,
administrando os recursos que recebe
ajude os irmãos em necessidade. É assim
que a gente instrui lá para os irmãos
organizarem isso do da melhor forma na
sua vida de de generosidade.
>> Próxima pergunta. Pastor, como
interpretar Hebreus 6 de 1 a 12? De
preferência os versículos de 4 a 6? Esse
texto seria uma demonstração de que
essas pessoas perderam a salvação ou são
pessoas que de fato nunca foram salvas?
E nós enquanto cristãos, como que a
gente deve lidar com essas pessoas que
experimentaram Deus, que experimentaram
a vida, né, na igreja e tudo mais, e
hoje zombam dele, né? Qual é a nossa
responsabilidade com essas pessoas?
>> Tá? Então, são duas perguntas, uma mais
teológica, uma mais prática. Começar com
a parte mais teológica. Esse é um texto
que é uma dor de cabeça para calvinistas
e armenianos, porque para o calvinista
parece escrever um crente que se
desviou, um crente genuíno que abandonou
genuinamente a fé. Para o arminiano fala
de um desviado que não tem mais a
possibilidade de ser salvo de novo.
Então para o calvinista aparece um texto
contra a perda da salvação. Para o
armeniano é um texto contra o livre
arbítrio, porque o cara uma vez
desviado, ele não pode mais aceitar
Jesus de novo, né? E agora os dois
sistemas estão com um problema. E aí
cada um dá suas desculpas, né? Para
resolver. Eu não quero dar desculpas, eu
quero quero ajudar você na compreensão
da passagem. Qual é o grande argumento
de Hebreu 6? O argumento de Hebreu 6 é
um é um autor que tá tentando lidar com
irmãos que estão tentando criar um tipo
de sincretismo religioso. Qual é o
sincretismo religioso do da comunidade
hebraica ali? Eles eram cristãos que
acreditavam em Cristo Jesus, mas eram
perseguidos pela comunidade judaica por
não serem judeu. E então eles tentam
conciliar a crença em Cristo Jesus como
cristãos com todo o comportamento
externo de práticas judaicas. Eles
queriam ser ao mesmo tempo judeus do
Antigo Testamento e receber Jesus como
Deus da nova aliança. Qual é todo o
argumento do livro de Hebreus? É que
Jesus é superior a todos os elementos da
antiga aliança. E ele quer convencer
aqueles irmãos que eles não podem voltar
às práticas da antiga aliança para
aqueles fundamentos de obras mortas. Ele
vai falar: "Jesus é maior que Moisés.
Jesus é maior do que os anjos que foram
usados para revelar a lei. Jesus é maior
do que a lei. Jesus é maior do que a
antiga aliança. Jesus está num
sacerdócio superior, maior que o
sacerdócio de Arão. Jesus é maior do que
o sábado, é maior do que o templo.
Aliança que vivemos hoje, uma aliança
superior à aliança dos antigos judeus.
Quando chega em Hebreus 6, qual é o
argumento de de do autor aos hebreus? O
argumento a todos hebreus é: não tem
como você provar do dom celestial, você
receber do Espírito Santo, você ter uma
experiência salvadora genuína e
continuar esperando a vinda do Messias.
Porque se você recebeu isso como obra
salvadora por meio de Cristo, você vai
querer, você tá esperando um outro Jesus
para vir, tem que vir um outro Messias,
então porque essa era uma prática de
quem esperava o Messias, mas tu já
recebeu o Messias. Tu quer o quê? É, é
que crucifique Jesus de novo. Isso é
impossível. Então, qual é o argumento
ali do autor Hebreu? O sincretismo
religioso que estão propondo é uma
incoerência. Isso não existe, não tem
como, é impossível. Vocês estão tentando
conciliar duas coisas opostas. Então o
argumento que tá sendo usado ali não é a
descrição de uma experiência real.
É a descrição de um cenário hipotético
que mostra o absurdo de tentar ser um
crente judeu ao mesmo tempo, um crente
que vive em antiga aliança. Até o grego
aponta para isso. Tem um material muito
interessante do um pastor chamado Romolo
Monteiro. É um livro chamado Caminhando
na Perfeição. É um trabalho técnico, é
grego. Se você não sabe ler grego, nem
nem compre, tá? É dificílimo. Eu sei ler
grego e quase não entendo. Então, se
você não sabe ler grego, nem tenta. É
horrível o livro assim de difícil.
Rômulo, pelo amor de Deus, né? como foi
meu professor do mestrado. O Rômulo, ele
fez um trabalho genial indo para a
analisando o grego de Hebreus 6 para
mostrar que o uso dos particípios ali no
livro de Hebreus, que é um tipo de tempo
verbal, vou tentar traduzir desse jeito,
é um tipo de tempo verbal no grego é um
tipo de tempo verbal, um aspecto verbal
que chama a uma a um cenário hipotético,
a um cenário de imaginação. O autor os
hebreus não usam um tempo perfeito, ele
não usa a um auristo, ele não usa um
presente. Quando ele escolhe usar um
particípio, ele está convidando o leitor
a pensar em uma hipótese. Então, é como
se ele dissesse: "Pensa aqui comigo
nesse cenário hipotético aqui." Dois
pontos. Então, eu tenho um crente que
crê em Jesus, mas ainda tá seguindo os
costumes de quem tá esperando Jesus. E
aí, como é que esse cara vai ficar?
Nada. Não tem o que fazer com ele. Não
tem como ser salvo. Ele tá esperando o
Messias que já veio. Então, isso é um
texto contra o calvinismo? Não é. Não é
um texto tá falando de um crente que
perdeu a salvação. É um texto que tá
falando sobre a incoerência de um tipo
de comportamento sincrético. Em segundo
lugar, bom, se vocês quiserem ler mais
sobre isso, eu acabei de publicar pela
Thomas Nelson Brasil um livreta pequeno,
se chama O crente perde a salvação,
resposta calvinista. Se você comprar,
vai vir junto um livro do pastor Vailat
dizendo crente pede a salvação, resposta
armidiana. Tem os dois livros juntos no
pacotinho. Aí você [música] lê os dois,
você chega a sua conclusão também, né?
Mas eu acho que Hebreus 6 não lê. E eu
tenho um capítulo inteiro só sobre
Hebreus 6 lá pr gente vai lidar com com
essas questões. Como é que eu lido com
pessoas que participaram da igreja e
agora não participam mais? Não é? Eu
lido como descrentes, com pessoas que
não participam da fé. O que é que
primeiro João vai dizer? Primeira João
vai dizer que eles saíram dos nossos
porque não eram dos nossos. Porque se
fossem dos nossos teriam permanecido
conosco. Então aqueles que vêm pra
igreja, participam da vida da igreja e
vão embora e nunca mais voltam e dão um
sinal que não tem mais interesse nenhum
em Jesus, são pessoas que nunca tiveram
um encontro real com Jesus. Porque que
já teve um encontro real com Jesus
permanece em Jesus. Um crente que teve
um encontro real com Jesus pode passar
por crises de fé, por períodos de
dúvida, pode passar por um tempo
afastado, mas ele não vai permanecer no
erro e no pecado. Ele não vai permanecer
no no abandono de Deus. Então um cristão
que cai no caminho do pecado, ele tem
que ser resgatado. Se ele rejeita ser
resgatado, a igreja o trata como gentil
e publicana. Mateus 18. A igreja o
reconhece como uma pessoa que não é não
é ligada nos céus. E por isso ele é
desligado da membresia da igreja para
representar esse desligar no céu de
alguém que vive sem arrependimento e que
abandonou a fé, porque nunca teve fé
genuína. Uma vez você tem fé genuína,
linguagem do evangelho de João é que
você bebe de uma água que você nunca
mais tem sede. Você come de uma comida
que você nunca mais tem fome. Você
entrou agora numa vida eterna, você já
entrou na vida eterna. A linguagem de
João não é que eu vou entrar na vida
eterna quando eu morrer. Uma vez que eu
recebi Jesus, eu já estou vivendo a vida
eterna. E se eu já estou na vida eterna,
como é que eu posso voltar a morrer de
novo? no ponto uma transformação
completa.
>> Na contemporaneidade, a idolatria muitas
vezes se manifesta pelo
antropocentrismo. O ser humano e suas
ideias ocupam o lugar de Deus. Como
podemos discernir de forma prática e
espiritual essas novas expressões da
idolatria?
>> São novas expressões, né? O o a
autoidolatria, a idolatria do homem, né?
Do ser humano como o auge e o máximo da
existência humana e como a o centro de
todas as coisas é é a origem mais
fundamental da idolatria, né? Porque a
idolatria que é prometida no Éden, a
idolatria que a serpente promete a Adão
e Eva era que eles seriam iguais a Deus.
Não é essa promessa? Como vão morrer,
não vão vão arbitrar o bem e o mal.
Vocês serão iguais a Deus. Então essa é
a idolatria mais fundos.
A autoidolatria é aquilo que dá origem a
todas as outras idolatrias, a todos os
outros pecados. Tanto que essa
autoidolatria é é ligada à ideia da
própria origem do pecado por si só. Você
pode falar o seguinte, ó: "Pastor,
larguei o alcoolismo." Isso pode ser
verdade? Pode, pastor. Larguei a
pornografia. Isso é verdade. É, é um
comportamento. Você pode nunca mais.
Você largou e nunca mais ver aquilo.
Você pode dizer: "Pastor, vamos mais
profundo aqui, mais profundo. Pastor, eu
larguei a lacívia". Isso é forte, mas é
possível. É totalmente, é possível,
pastor. Eu larguei, eu larguei a
ganância. Uma coisa dizer, pastor, parei
de ser mão de vaca. Fala mão de vaca
aqui também fala, né? Parei de ser
muquirana. Senora é muquirana também.
Parei de ser mão fechada. Agora eu
contribuo mais. O nível mais
superficial. Excelente, pastor. Deixei
de ser ganancioso. Isso é uma coisa
muito forte para falar de si mesmo, né?
Mas a é uma coisa dá pr uma área pesada
que você pode vencer em Jesus ali. Agora
se quem disser assim, ó, pastor, deixei
de ser orgulhoso. É possível pastor, eu
finalmente alcancei a humildade. Por que
que a gente ri? Por que que a gente quer
dizer, por que a gente diser não? Eu
alcancei a sobriedade, massa. Eu
alcancei a generosidade massa. Eu
alcancei a castidade? Massa. Eu alcancei
a humildade. Se a gente acha graça.
Porque se alguém disser que alcançou a
humildade, significa que ele venceu o
pecado com P maiúsculo. Porque qual é a
grande origem? Qual o grande pecado
fundamental? É o orgulho. O orgulho é o
pecado fundamental. é a idolatria de si,
é o esforço por ser Deus. Então, se a
promessa do Éden, se a promessa da
serpente é que eu seria igual a Deus, o
pecado fundamental é uma idolatria de
si, é o orgulho. Por isso, nunca um
cristão vai vencer o orgulho, porque
vencer o orgulho é vencer a natureza
adâmica. Vencer o orgulho é vencer a
queda. Quando venceremos o orgulho?
Quando a natureza de Adão for tirada de
nós, quando formos revestidos da
natureza divina, em um corpo
glorificado. E aí chegaremos nos céus e
teremos finalmente encontrado a
humildade. Até lá, até lá o pecado
fundamental do coração é o orgulho.
Então a gente nunca vence orgulho. Eu
posso vencer a a a ser mão de vaca um
nível mais superficial. Eu posso vencer
a ganância e o nível mais profundo. Mas
nunca vou vencer aquele orgulho, aquela
alta idolatria que me leva a ser
ganancioso. Eu posso lutar contra isso
pro resto da minha vida. E a luta contra
o pecado com P maiúsculo é a luta contra
essa ganância, esse orgulho. Eu posso
vencer a pornografia no nível mais
superficial. Eu posso vencer a lacívia e
um nível mais profundo. Mas eu não
consigo vencer a autoidolatria que me
leva a procurar satisfação num
sexualidade errada. Aquilo eu vou lutar
contra ela para sempre, mas nunca vou
vencer ela. Porque vencêa é dizer:
"Alcancei a humildade." Vencê-la é dizer
não estou de não estou mais debaixo da
maldição do Éden. É, não estou mais
debaixo da queda. Eu posso vencer
pecados. Eu nunca vou vencer o pecado,
porque eu venço os pecados. a expressão
externa do pecado que é interior. Então
essa autoidolatria não é só uma questão
contemporânea. Esse antropocentrismo não
é uma coisa moderna, tá? Desde quando
nós existimos como seres humanos caídos
em pecado. Claro, ao longo do passado
das eras, esses essa idolatria vai se
expressando de formas variadas, em
filosofias diferentes, em ideologias
diferentes, seja expressões políticas,
sociais, técnicas, metodológicas, no
modo como nós configuramos sociedades,
não é? O que a gente precisa é sempre
conseguir entender de onde vem essas
idolatrias. perceber as suas origens e
respondê-las a partir da palavra de
Deus, né? Então assim, é uma pergunta
bem muito genérica também, não tem não
tem um objeto muito específico para
trabalhar, mas o fundamental é perceber
de onde vem essas idolatrias, colocar
coisas acima de Deus, entender a
profundidade desses problemas, voltar à
palavra de Deus que explica isso e
aplicar a escritura em cada um desses
desses fatores pra gente poder se
proteger. A idolatria vira cosmovisão.
Idolatria vira cosmovisão. Idolatria
vira ideologia, não é? Ah, nós
construímos ideias em cima de nossas
devoções. Se nós somos pessoas
autodevotas ou somos idólatras, nós
vamos construir pensamento sobre o mundo
e sobre a sociedade em volta disso. É o
que achinho vai dizer lá na cidade de
Deus. Deixa em duas cidades que ele vai
chamar a cidade dos homens e cidade de
Deus. A cidade dos homens é uma cidade
que é fundada em torno do amor próprio,
que é o que a gente tá falando aqui,
essa idolatria. E é uma cidade de Deus
que é fundada no amor a Deus. Quando nós
olhamos à nossa volta, há essa cidade
dos homens, esse reino terreno baseado
em uma sociedade baseada em si, né, no
indivíduo. O que a Agostin chama do homo
encurvatos em si, né, o homem curvado,
devoto a si mesmo, não é? Mas se nós
queremos ser pessoas que vencem e que
batalham contra essa idolatria, nós
fundamos sociedades baseadas em outro
amor. A igreja é uma cidade de Deus, né?
É uma nova cidadania, como diz
Filipenses, quando ele fala vivam
dignamente do evangelho, do chamamento,
esse vivam, a palavra lá é literalmente
palavra para viver uma cidadania. A del
é de pól, é viver uma cidadania,
expressar uma cidadania. Nós somos uma
cidade de Deus, né, que é fundamentada
em outra coisa, completamente diferente
da cidade dos homens. Então, essa
identificação das idolatrias humanas,
perceber as origens das idolatrias
humanas e lutar para responder via a
palavra de Deus cada um desses
interesses pecaminosos, vai fazer que
nós como igreja possamos ser testemunhas
desse reino que tá para além daqui, para
essa dessa nova sociedade. Mas aí o
processo específico de cada um, aí tem
que ter uma pergunta sobre cada um, a
gente poder lidar com isso.
>> Na sua visão, a conversão ela é um ato
ou ela é uma continuidade, um processo?
>> Eu acho que as coisas não se excluem.
Parece uma resposta de de gente esperta,
né, que é escapand. Mas a conversão ela
tem um início característico, né? Ela
tem um momento em que ela se expressa de
forma muito clara, onde Deus tira um
coração de pedra e coloca o coração
coração de carne. Mas esse momento
específico ele ele muitas vezes não
consegue ser percebido de forma muito
estabelecida pelo indivíduo, no sentido
de eu me converti quando? Foi quando eu
comecei a perceber que a vida não tinha
sentido sem Deus ou foi quando o meu
amigo começou a pregar o evangelho para
mim? Ou foi quando eu fui lá na frente e
levantei a mão e aceitei Jesus? Em qual
desses três momentos aconteceu a minha
conversão? Bom, eu eu tenho o local onde
eu marco essa conversão, mas eu eu vejo
um processo de conversão. Nem sempre a
gente consegue dizer: "Eu converti no
dia tal, tal, no culto tal". Às vezes,
cara, foi em 2007 que Jesus começou a me
pegar. Quero já sei que a gente fala,
né? Jesus começou a mexer comigo ali no
ano tal e ele começou a fazer isso e foi
um processo. Eu passei por isso, por
essa dor, por esse sofrimento ou por
essa esse momento da vida e então esse
processo estabeleceu. Agora a conversão
tem um início. E talvez a pergunta seja
essa, tem um início, mas ela se expressa
para além desse início. Então, muitas
vezes a conversão não é te tirar de um
lugar e colocar por outro. Às vez
conversão é só te girar a 180º. Tu tá
correndo pro abismo, tu tá na beira do
abismo, Deus te para e te muda de
direção. Mas antes de tuudar o próximo
passo, tá no mesmo lugar, só mudou a
direção. Então você encontra Jesus e
você agora vai ter que trilhar um
caminho em direção a na direção aposta
dos vícios, na direção aposta da das
guerras, das brigas. Quando eu encontrei
Jesus, eu tinha uma série de pecados no
meu coração. Foi uma luta para vencer.
Eu era um adolescente extremamente
rebelde. Eu era um filho horroroso dos
meus pais. Quando eu me convertia, eu
não fiquei um filho melhor no mesmo dia.
E provavelmente eu passei um tempo sendo
um filho ruim pros meus pais. até eu
comecei começar a entender o evangelho
mais, aplicar mais na minha vida,
perceber que algumas coisas eram pecado
e entrar em um processo de transformação
gradual. Às vezes tem gente que chega na
igreja e larga a cachaça no mesmo dia.
Chega na igreja e joga o malbolo no
lixo, nunca mais compra o cigarro. Tem
gente que chega na igreja, irmão, e é e
cai e levanta e vai e erra de novo e vai
e volta e aquele negócio todo. O
processo de conversão e o modo como as
pessoas vão vencer o pecado é diferente
para cada um, né? E a gente não pode
achar que a armadura de Saul veste Davi,
de que o meu testemunho vai ser o teu
testemunho, que a minha história vai ser
a tua história, né? Coisas que eu venci
rápido, talvez você vença devagar.
Coisas que eu venci devagar, talvez você
vença rápido. O importante é estarmos
nessa mesma jornada de caminhar contra o
destino do abismo, né, em direção à
pessoa de Jesus.
>> Essa pergunta ela é muito boa. Eu vejo
que pelo menos no meio dos meus amigos
que são cristãos desde berço, vem esse
questionamento, né? Quando que eu me
converti? Eu tô aqui na igreja desde
sempre, eu não larguei nada? Então, eh,
qual que foi o momento da conversão? E
de fato, em boa parte dos casos, para
não dizer a maioria, a gente não vai
saber mapear qual que foi o meu divisor
de águas, quando foi que eu entrei de
fato pra família da fé, né? E aí é
importante pensar sobre a próxima
pergunta é essa aqui. O Leviatã descrito
em Jó 41, seria um animal literal ou
representa algum simbolismo?
>> Eu não sei. [risadas]
Eu tenho minhas suspeitas, não é? Ah,
porque cabe as duas coisas na leitura de
Jó. O modo como Jó estabelece esses
animais, ele tá compondo um um um uma
retórica para falar da grandeza de Deus,
não é? Ele pode estar falando de alguma
percepção mitológica e usando essa
percepção mitológica para estabelecer um
argumento. Como se eu dissesse: "Eu
posso estar cantando aqui, vou cantando,
eu posso estar pregando aqui dizendo:
"Cuidado porque o canto da sereia pode
lhe atrair pro caminho do mal". Não, não
ouça o canto da sereia. Aí você olha e
diz: "Estou crem sereia?" Não, pô, tô
usando uma figura mitológica. sabe que
as sereias cantavam, então os
marinheiros acabavam ouvindo o canto e
iam e se afogavam. É uma figura
mitológica muito comum na nossa cultura
que a gente usa a ideia do cando da
sereia, da bruxa, né? O a bruxa, a
alquimia, né? São fazem o dragão, fazem
parte das mitologias. Você tem que
acreditar em lá em dragão, né? Para para
usar o dragão como uma figura, não é?
Dentro da literatura de Jó, é possível
que essas figuras, como Leviatã, como o
Beemote, sejam figuras do imaginário
mitológico daquele tempo, que tá sendo
usado argumentativamente, retoricamente,
para estabelecer um ponto sobre a
grandeza de Deus, né? Porque cabe dentro
da estrutura literária ali, mas também
pode ser um animal real que a gente não
conhece. A descrição desses animais são
descrições que são muito diferentes dos
animais que a gente conhece hoje. São
animais que a gente nunca viu, né? E que
talvez ele tenha visto. Alguns vão
argumentar que são dinossauros, né? Na
verdade, são que foram contemporâneos de
Jó e tal. Bom, não sei. Não é, é
possível que seja um animal real,
totalmente possível, mas você não
precisa acreditar que é um animal real.
Pode ser uma estrutura retórica que ele
vai usar para estabelecer a grandeza de
Deus. Isso significa que a Bíblia tem
erros. Ah, não, a Bíblia é uma grande
metáfora. Não tô dizendo isso. Tô
dizendo que cabe dentro da estrutura
narrativa que ele ter esteja só
elencando um elemento da sua época para
estabelecer um argumento. Como se eu
dissesse aqui ó sobre caça as bruxas ou
ou a o canto da sereia, esse tipo de
coisa. Não tem, não tem necessidade de
uma interpretação muito literal desses
animais para que você crea que a Bíblia
é palavra de Deus inerrante e tudo mais,
por exemplo, que cabe [música] dentro da
estrutura que tá estabelecida.
M.

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