PODEMOS PERDER A SALVAÇÃO? POSSO DAR MEU DÍZIMO PRA OUTRA IGREJA? O QUE É SE CONVERTER?
16/02/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Qual é a forma teológica mais fiel para criar filhos? Baseada em autoridade e disciplina ou em amor, diálogo e liberdade? Como equilibrar as dimensões segundo os princípios de Deus? >> É uma pergunta muito geral, um tanto difícil de você dar uma resposta muita, muito objetiva sobre como conciliar princípios que são válidos. Todos esses princípios fazem parte do modo como se cria filhos. Você tem que ter disciplina, tem. Tem que ter algum grau de liberdade, tem. senão o menino não sabe o que fazer da vida dele, vai viver trancado em alguma coisa. Tem que ter amor sempre, tem que ter correção também. Então assim, não é exatamente achar a linha do meio entre essas coisas, mas é como a gente lida com todas essas esses elementos da vida cristã que tem que fazer parte da do processo de criação de filhos, né? E aí é um processo um pouco amplo de se responder numa pergunta como essa. O que é que eu diria? Primeiro e antes de tudo, o amor guia todo o processo de cuidado com os filhos. Então, eu amo meus filhos e eu tento cuidar deles da forma mais amorosa que eu puder. Esse amor então se expressará em tudo aquilo que eu vou fazer para ele, porque o amor é o fundamento da nossa obra como cristão, né? Amar Deus sobre todas as coisas e o próximo como a mim mesmo, é o fundamento que é a nossa fé. Então, o amor é a origem absoluta de onde vem todo o resto. A partir do amor eu disciplino, a partir do amor eu dou liberdade. A partir do amor eu dou tudo aquilo que Deus cobra de mim como Pai. Se eu tenho o amor como fundamento do meu comportamento, esse amor se expressará de várias formas. Eu acho importante ter o amor como como a fundamentação desse processo todo. Uma coisa que para mim é muito importante no processo de guiar meus filhos é entender que meus filhos não são meus, eles são de Deus e eu os estou preparando para Deus. Então eu não tô criando os meus filhos para que eles sejam pequenos instrumentos para satisfação dos próprios anseios para com eles. Eu os estou criando para que eles cresçam como um homem e uma mulher que glorificam o nome de Deus em suas vidas. Então o que é que eu quero dar paraa Catarina e pro Bernardo? Acima de qualquer coisa, a capacidade de encontrar a obra de Cristo, encontrar o amor salvador de Jesus e viver de acordo com isso. Faço isso através de certas expressões externas de disciplina, de correção, de liberdade e tudo mais, mas também através de pregação do evangelho, através de ensino da palavra e através de um bom modelo em casa. Então eu tento manter meus filhos perto da palavra. Então todos os dias a gente lê alguma coisa da escritura. Todos os dias eu leio algo da Bíblia para eles. Todos os dias a gente conversa sobre Deus, trago eles para vida de oração, apresento a obra de Jesus e tento pastorear o coração deles no caminho de Cristo. Tento viver uma vida em casa que possa representar para eles essa mesma esperança, essa mesma vontade de encontrar Cristo como Senhor e Salvador. Se eu tenho o amor como fundamento, o amor que vai se expressar em várias atitudes e tenho esse interesse na palavra, entendendo que meus filhos não são meus, mas são de Cristo Jesus, todo o resto sai com mais facilidade debaixo disso. Agora, uma terceira coisa que eu posso dizer é procure os pais à sua volta que criaram bem os filhos e descubra o que eles fizeram. Porque para mim foi muito importante nesse mar de pedagogias, de psicólogos, de psicopedagogos, todo mundo ter uma grande opinião sobre como criar filhos, vindo de gente que escreveu material sobre criação de filhos, mas nunca criou filhos. São só teóricos muitas vezes de gabinete. Quem são os pais e as mães da sua comunidade que criaram bons filhos? O que é que eles fizeram? Como trataram os filhos? Não é? muitas vezes tem ali uma sabedoria e tá para além de qualquer conhecimento acadêmico, que muitas vezes é o conhecimento acadêmico que faz certo sentido discursivo, mas que vem de pessoas que criaram mal os próprios filhos. E aí existe certas sabedorias que precisam não podem ser desvencilhadas da vida prática. Há certos conhecimentos que eles são técnicos, eh, questões econômicas, questões mecânicas e direito e tal. Existem certos conhecimentos que eles são muito humanos e como conhecimento humanos estão atrelados à prática da vivência. Você não tem como criar uma pedagogia objetivamente neutra, tá atrelado a todo o conhecimento de sua vivência comum. Você precisa olhar pr as pessoas que criaram filhos ao seu lado e ver como é que eles fizeram isso. O conhecimento pedagógico é importante, importantíssimo, mas ele sozinho é um risco muito grande, porque você precisa criar os seus filhos, não simplesmente a partir de ditames psicopedagógicos, mas a partir de ditames de da da palavra de Deus e pessoas que aplicaram sua palavra de Deus. Conhecimento técnico pode ser útil, mas não substitui a vivência e a experiência de pessoas que têm criado filhos no caminho da palavra. Pastor, a próxima pergunta é a seguinte: eu gostaria de direcionar meu dízimo para determinada necessidade da igreja ou de um irmão e isso me faria não entregar o valor à tesouraria da igreja diretamente? Isso seria errado? A >> gente, e aí, não sei, bom, vocês estão me perguntando, eu vou responder e aí depois o pastor vem e corrige o que eu disser, tá? [risadas] Só para deixar aqui já registrado. Mas eu acredito que dízimo é uma prática judaica. Nós não somos judeus. dar o dízimo, das primícias. Isso está atrelado à parte do comportamento agrário do povo judeu. No Novo Testamento, nós não temos dízimo, nós temos ofertas. Claro, essas ofertas que nós entregamos têm certas características que lembram parte do processo que era na antiga aliança. Paulo vai dizer que é proporcional à renda de cada um, tá atrelado ao financiamento da obra missionária da própria obra da igreja, pagando salário de pastores e e pagando a e fornecendo provisão para os missionários. Então existem certas características da oferta do Novo Testamento que são tanto parecidos com o dízimo do Antigo Testamento, o que faz com que muitas vezes a gente faça uma transposição muito apressada de uma coisa para outra. Mas isso não é o fato. A gente não dá dízimo no Novo Testamento, a gente dá oferta voluntária. Essa oferta voluntária, claro, tem que ser uma expressão de generosidade muito real. Quando Jesus fala sobre o nosso comportamento na nova aliança, ele não diz que nosso comportamento é inferior, mas superior. A nossa justiça tem que exceder a dos fariseus e não ser inferior a dos fariseus. Quando ele vai interpretar o Antigo Testamento, ele não vai aliviar, ele vai endurecer. Ele di, ah, é, é, é para amar os amigos e odiar os inimigos. Eu digo que é para amar até os inimigos. Diz para não trair a esposa, pode nem para desejar a mulher do próximo. Então, Jesus aprofunda no coração essa questão toda. Quando a gente encontra as mensagens sobre ofertas do Novo Tchamento, essas mensagens envolvem igrejas pobres, dando muito mais do que poderiam para ajudar outras igrejas ainda mais pobres. Então você tem um um interesse de generosidade e fornecer semente a quem semeia, né? Você tem esse aspecto de dar provisão pros missionários, de dar dupla honra aos pastores, de no livro de Atos, pessoas vendendo tudo que tinham para distribuir livremente dentro da igreja. Paulo condenando dentro da comunidade que alguns tivessem muito e outros tivessem nada. E não era para ninguém ter em falta em uma comunidade cristã. Então, todos esses fatores precisam andar juntos no modo como nós vivemos como igreja. Se nós temos uma comunidade cristã, nós temos que sustentar esta comunidade. Sustentar esta comunidade envolve não só infraestrutura física, mas também uma infraestrutura humana de pastores e missionários que estão trabalhando para o serviço dessa própria comunidade. Se você numa justificativa aparentemente altruísta, eu quero ajudar uma pessoa em necessidade, quero direcionar esse dinheiro diretamente para uma causa, eu deixo de ofertar pra minha própria comunidade nessa infraestrutura, eu tô tomando da minha própria comunidade a possibilidade de sustento. Então, eu tô usando o ar condicionado, eu tô usando energia elétrica, eu tô usando um acento, eu tô usando um espaço físico, eu tô ocupando tempo de serviço pastoral das pessoas que são remuneradas para est cuidando da igreja e eu não tô contribuindo de forma generosa para que esse ecossistema continue existindo. Então eu tô tirando da minha comunidade essa possibilidade. Tinha um cara que ofertava pra minha igreja lá, para Manaim, e ofertava valores substanciais. Ele ajudou muito pra gente conseguir fazer nossa reforma lá. um irmão de São Paulo, ele tava procurando igreja, não tinha nenhuma igreja e aí tava ofertando pra gente. E aí ele mudou de igreja, achou uma igreja, ele dizia: "Pô, mas minha igreja já tem postes, a sua não tem. Eu queria continuar ofertando pra sua". Eu disse: "Cara, vai ser em uma comunidade. Quem vai te pastorear não sou eu. Quem vai te visitar no hospital não sou eu. Quem vai pregar no teu velório? Não sou eu. Quem vai cuidar dos teus filhos? Não sou eu. Quem vai cuidar do teu casamento? Não sou eu. Tá usando água, luz e internet, não é, não é daqui, é daí. Você tem que contribuir pra sua própria comunidade. Doeu muito no nosso bolso lá [risadas] na na nossa igreja, não é? Se você quiser continuar ofertando a coisa a mais lá pra gente, a gente não vai rejeitar. Mas, né, você tem a sua comunidade para você ajudar. Se existe uma necessidade a mais, tirar mais. Mas eu não tenho como tirar mais. E é uma necessidade minha volta. Aí você procura a igreja e aí você chega na comunidade a quem você oferta e diz: "Olha, tem um irmão na nossa igreja com essa necessidade e a gente tem que atender essa necessidade. Adoraria atender pessoalmente, mas eu tô ofertando aqui na comunidade e eu não não sobra do que eu oferto na comunidade para poder ajudar uma pessoa nesse momento. Será que a comunidade não pode participar?" E normalmente a igreja vai usar os seus recursos para ajudar um irmão da igreja que a igreja julgue que está numa necessidade real, que precise realmente de ajuda. Então geralmente o que a gente quer é só desculpa para administrar a nossa generosidade de uma forma sempre para baixo, nunca para cima. O ideal é a gente fazer as coisas de forma correta. Eu ajudo minha comunidade. Eu não acredito em dízimo, mas geralmente a gente foca ali nos 10% porque é um valor que geralmente é coerente, é uma tradição cristã já muito bem estabelecida. Agora tem outras igrejas que não seguem essa tradição, né? Tem igrejas que tem tanto dinheiro, tanto dinheiro, que o que eles fazem é eles fazem um orçamento anual de quanto vai ser gastado gasto aquele ano. E a economia às vezes muito estável, né, fora do Brasil normalmente, que eles fazem o mapeamento de quanto vão gastar, divide igualmente entre a renda das famílias, as famílias contribuem anualmente para aquele valor e aquilo, não é uma oferta específica e o resto os irmãos administram como generosidades para obras externas da própria igreja, coisas assim. São cenários muito diferentes no nosso. Então, a gente tem que ter essa sabedoria. Eu contribuo paraa minha própria comunidade. Geralmente esse 10% é um um costume judaico que a gente continua estabelecendo só por uma mera conveniência, mas que funciona. O valor geralmente é é honesto. A gente usa isso pro serviço paraa administração da igreja. Se tem necessidades a mais, a gente oferta a mais. Se eu não tenho como fazer isso, eu procuro a própria comunidade para que a comunidade, administrando os recursos que recebe ajude os irmãos em necessidade. É assim que a gente instrui lá para os irmãos organizarem isso do da melhor forma na sua vida de de generosidade. >> Próxima pergunta. Pastor, como interpretar Hebreus 6 de 1 a 12? De preferência os versículos de 4 a 6? Esse texto seria uma demonstração de que essas pessoas perderam a salvação ou são pessoas que de fato nunca foram salvas? E nós enquanto cristãos, como que a gente deve lidar com essas pessoas que experimentaram Deus, que experimentaram a vida, né, na igreja e tudo mais, e hoje zombam dele, né? Qual é a nossa responsabilidade com essas pessoas? >> Tá? Então, são duas perguntas, uma mais teológica, uma mais prática. Começar com a parte mais teológica. Esse é um texto que é uma dor de cabeça para calvinistas e armenianos, porque para o calvinista parece escrever um crente que se desviou, um crente genuíno que abandonou genuinamente a fé. Para o arminiano fala de um desviado que não tem mais a possibilidade de ser salvo de novo. Então para o calvinista aparece um texto contra a perda da salvação. Para o armeniano é um texto contra o livre arbítrio, porque o cara uma vez desviado, ele não pode mais aceitar Jesus de novo, né? E agora os dois sistemas estão com um problema. E aí cada um dá suas desculpas, né? Para resolver. Eu não quero dar desculpas, eu quero quero ajudar você na compreensão da passagem. Qual é o grande argumento de Hebreu 6? O argumento de Hebreu 6 é um é um autor que tá tentando lidar com irmãos que estão tentando criar um tipo de sincretismo religioso. Qual é o sincretismo religioso do da comunidade hebraica ali? Eles eram cristãos que acreditavam em Cristo Jesus, mas eram perseguidos pela comunidade judaica por não serem judeu. E então eles tentam conciliar a crença em Cristo Jesus como cristãos com todo o comportamento externo de práticas judaicas. Eles queriam ser ao mesmo tempo judeus do Antigo Testamento e receber Jesus como Deus da nova aliança. Qual é todo o argumento do livro de Hebreus? É que Jesus é superior a todos os elementos da antiga aliança. E ele quer convencer aqueles irmãos que eles não podem voltar às práticas da antiga aliança para aqueles fundamentos de obras mortas. Ele vai falar: "Jesus é maior que Moisés. Jesus é maior do que os anjos que foram usados para revelar a lei. Jesus é maior do que a lei. Jesus é maior do que a antiga aliança. Jesus está num sacerdócio superior, maior que o sacerdócio de Arão. Jesus é maior do que o sábado, é maior do que o templo. Aliança que vivemos hoje, uma aliança superior à aliança dos antigos judeus. Quando chega em Hebreus 6, qual é o argumento de de do autor aos hebreus? O argumento a todos hebreus é: não tem como você provar do dom celestial, você receber do Espírito Santo, você ter uma experiência salvadora genuína e continuar esperando a vinda do Messias. Porque se você recebeu isso como obra salvadora por meio de Cristo, você vai querer, você tá esperando um outro Jesus para vir, tem que vir um outro Messias, então porque essa era uma prática de quem esperava o Messias, mas tu já recebeu o Messias. Tu quer o quê? É, é que crucifique Jesus de novo. Isso é impossível. Então, qual é o argumento ali do autor Hebreu? O sincretismo religioso que estão propondo é uma incoerência. Isso não existe, não tem como, é impossível. Vocês estão tentando conciliar duas coisas opostas. Então o argumento que tá sendo usado ali não é a descrição de uma experiência real. É a descrição de um cenário hipotético que mostra o absurdo de tentar ser um crente judeu ao mesmo tempo, um crente que vive em antiga aliança. Até o grego aponta para isso. Tem um material muito interessante do um pastor chamado Romolo Monteiro. É um livro chamado Caminhando na Perfeição. É um trabalho técnico, é grego. Se você não sabe ler grego, nem nem compre, tá? É dificílimo. Eu sei ler grego e quase não entendo. Então, se você não sabe ler grego, nem tenta. É horrível o livro assim de difícil. Rômulo, pelo amor de Deus, né? como foi meu professor do mestrado. O Rômulo, ele fez um trabalho genial indo para a analisando o grego de Hebreus 6 para mostrar que o uso dos particípios ali no livro de Hebreus, que é um tipo de tempo verbal, vou tentar traduzir desse jeito, é um tipo de tempo verbal no grego é um tipo de tempo verbal, um aspecto verbal que chama a uma a um cenário hipotético, a um cenário de imaginação. O autor os hebreus não usam um tempo perfeito, ele não usa a um auristo, ele não usa um presente. Quando ele escolhe usar um particípio, ele está convidando o leitor a pensar em uma hipótese. Então, é como se ele dissesse: "Pensa aqui comigo nesse cenário hipotético aqui." Dois pontos. Então, eu tenho um crente que crê em Jesus, mas ainda tá seguindo os costumes de quem tá esperando Jesus. E aí, como é que esse cara vai ficar? Nada. Não tem o que fazer com ele. Não tem como ser salvo. Ele tá esperando o Messias que já veio. Então, isso é um texto contra o calvinismo? Não é. Não é um texto tá falando de um crente que perdeu a salvação. É um texto que tá falando sobre a incoerência de um tipo de comportamento sincrético. Em segundo lugar, bom, se vocês quiserem ler mais sobre isso, eu acabei de publicar pela Thomas Nelson Brasil um livreta pequeno, se chama O crente perde a salvação, resposta calvinista. Se você comprar, vai vir junto um livro do pastor Vailat dizendo crente pede a salvação, resposta armidiana. Tem os dois livros juntos no pacotinho. Aí você [música] lê os dois, você chega a sua conclusão também, né? Mas eu acho que Hebreus 6 não lê. E eu tenho um capítulo inteiro só sobre Hebreus 6 lá pr gente vai lidar com com essas questões. Como é que eu lido com pessoas que participaram da igreja e agora não participam mais? Não é? Eu lido como descrentes, com pessoas que não participam da fé. O que é que primeiro João vai dizer? Primeira João vai dizer que eles saíram dos nossos porque não eram dos nossos. Porque se fossem dos nossos teriam permanecido conosco. Então aqueles que vêm pra igreja, participam da vida da igreja e vão embora e nunca mais voltam e dão um sinal que não tem mais interesse nenhum em Jesus, são pessoas que nunca tiveram um encontro real com Jesus. Porque que já teve um encontro real com Jesus permanece em Jesus. Um crente que teve um encontro real com Jesus pode passar por crises de fé, por períodos de dúvida, pode passar por um tempo afastado, mas ele não vai permanecer no erro e no pecado. Ele não vai permanecer no no abandono de Deus. Então um cristão que cai no caminho do pecado, ele tem que ser resgatado. Se ele rejeita ser resgatado, a igreja o trata como gentil e publicana. Mateus 18. A igreja o reconhece como uma pessoa que não é não é ligada nos céus. E por isso ele é desligado da membresia da igreja para representar esse desligar no céu de alguém que vive sem arrependimento e que abandonou a fé, porque nunca teve fé genuína. Uma vez você tem fé genuína, linguagem do evangelho de João é que você bebe de uma água que você nunca mais tem sede. Você come de uma comida que você nunca mais tem fome. Você entrou agora numa vida eterna, você já entrou na vida eterna. A linguagem de João não é que eu vou entrar na vida eterna quando eu morrer. Uma vez que eu recebi Jesus, eu já estou vivendo a vida eterna. E se eu já estou na vida eterna, como é que eu posso voltar a morrer de novo? no ponto uma transformação completa. >> Na contemporaneidade, a idolatria muitas vezes se manifesta pelo antropocentrismo. O ser humano e suas ideias ocupam o lugar de Deus. Como podemos discernir de forma prática e espiritual essas novas expressões da idolatria? >> São novas expressões, né? O o a autoidolatria, a idolatria do homem, né? Do ser humano como o auge e o máximo da existência humana e como a o centro de todas as coisas é é a origem mais fundamental da idolatria, né? Porque a idolatria que é prometida no Éden, a idolatria que a serpente promete a Adão e Eva era que eles seriam iguais a Deus. Não é essa promessa? Como vão morrer, não vão vão arbitrar o bem e o mal. Vocês serão iguais a Deus. Então essa é a idolatria mais fundos. A autoidolatria é aquilo que dá origem a todas as outras idolatrias, a todos os outros pecados. Tanto que essa autoidolatria é é ligada à ideia da própria origem do pecado por si só. Você pode falar o seguinte, ó: "Pastor, larguei o alcoolismo." Isso pode ser verdade? Pode, pastor. Larguei a pornografia. Isso é verdade. É, é um comportamento. Você pode nunca mais. Você largou e nunca mais ver aquilo. Você pode dizer: "Pastor, vamos mais profundo aqui, mais profundo. Pastor, eu larguei a lacívia". Isso é forte, mas é possível. É totalmente, é possível, pastor. Eu larguei, eu larguei a ganância. Uma coisa dizer, pastor, parei de ser mão de vaca. Fala mão de vaca aqui também fala, né? Parei de ser muquirana. Senora é muquirana também. Parei de ser mão fechada. Agora eu contribuo mais. O nível mais superficial. Excelente, pastor. Deixei de ser ganancioso. Isso é uma coisa muito forte para falar de si mesmo, né? Mas a é uma coisa dá pr uma área pesada que você pode vencer em Jesus ali. Agora se quem disser assim, ó, pastor, deixei de ser orgulhoso. É possível pastor, eu finalmente alcancei a humildade. Por que que a gente ri? Por que que a gente quer dizer, por que a gente diser não? Eu alcancei a sobriedade, massa. Eu alcancei a generosidade massa. Eu alcancei a castidade? Massa. Eu alcancei a humildade. Se a gente acha graça. Porque se alguém disser que alcançou a humildade, significa que ele venceu o pecado com P maiúsculo. Porque qual é a grande origem? Qual o grande pecado fundamental? É o orgulho. O orgulho é o pecado fundamental. é a idolatria de si, é o esforço por ser Deus. Então, se a promessa do Éden, se a promessa da serpente é que eu seria igual a Deus, o pecado fundamental é uma idolatria de si, é o orgulho. Por isso, nunca um cristão vai vencer o orgulho, porque vencer o orgulho é vencer a natureza adâmica. Vencer o orgulho é vencer a queda. Quando venceremos o orgulho? Quando a natureza de Adão for tirada de nós, quando formos revestidos da natureza divina, em um corpo glorificado. E aí chegaremos nos céus e teremos finalmente encontrado a humildade. Até lá, até lá o pecado fundamental do coração é o orgulho. Então a gente nunca vence orgulho. Eu posso vencer a a a ser mão de vaca um nível mais superficial. Eu posso vencer a ganância e o nível mais profundo. Mas nunca vou vencer aquele orgulho, aquela alta idolatria que me leva a ser ganancioso. Eu posso lutar contra isso pro resto da minha vida. E a luta contra o pecado com P maiúsculo é a luta contra essa ganância, esse orgulho. Eu posso vencer a pornografia no nível mais superficial. Eu posso vencer a lacívia e um nível mais profundo. Mas eu não consigo vencer a autoidolatria que me leva a procurar satisfação num sexualidade errada. Aquilo eu vou lutar contra ela para sempre, mas nunca vou vencer ela. Porque vencêa é dizer: "Alcancei a humildade." Vencê-la é dizer não estou de não estou mais debaixo da maldição do Éden. É, não estou mais debaixo da queda. Eu posso vencer pecados. Eu nunca vou vencer o pecado, porque eu venço os pecados. a expressão externa do pecado que é interior. Então essa autoidolatria não é só uma questão contemporânea. Esse antropocentrismo não é uma coisa moderna, tá? Desde quando nós existimos como seres humanos caídos em pecado. Claro, ao longo do passado das eras, esses essa idolatria vai se expressando de formas variadas, em filosofias diferentes, em ideologias diferentes, seja expressões políticas, sociais, técnicas, metodológicas, no modo como nós configuramos sociedades, não é? O que a gente precisa é sempre conseguir entender de onde vem essas idolatrias. perceber as suas origens e respondê-las a partir da palavra de Deus, né? Então assim, é uma pergunta bem muito genérica também, não tem não tem um objeto muito específico para trabalhar, mas o fundamental é perceber de onde vem essas idolatrias, colocar coisas acima de Deus, entender a profundidade desses problemas, voltar à palavra de Deus que explica isso e aplicar a escritura em cada um desses desses fatores pra gente poder se proteger. A idolatria vira cosmovisão. Idolatria vira cosmovisão. Idolatria vira ideologia, não é? Ah, nós construímos ideias em cima de nossas devoções. Se nós somos pessoas autodevotas ou somos idólatras, nós vamos construir pensamento sobre o mundo e sobre a sociedade em volta disso. É o que achinho vai dizer lá na cidade de Deus. Deixa em duas cidades que ele vai chamar a cidade dos homens e cidade de Deus. A cidade dos homens é uma cidade que é fundada em torno do amor próprio, que é o que a gente tá falando aqui, essa idolatria. E é uma cidade de Deus que é fundada no amor a Deus. Quando nós olhamos à nossa volta, há essa cidade dos homens, esse reino terreno baseado em uma sociedade baseada em si, né, no indivíduo. O que a Agostin chama do homo encurvatos em si, né, o homem curvado, devoto a si mesmo, não é? Mas se nós queremos ser pessoas que vencem e que batalham contra essa idolatria, nós fundamos sociedades baseadas em outro amor. A igreja é uma cidade de Deus, né? É uma nova cidadania, como diz Filipenses, quando ele fala vivam dignamente do evangelho, do chamamento, esse vivam, a palavra lá é literalmente palavra para viver uma cidadania. A del é de pól, é viver uma cidadania, expressar uma cidadania. Nós somos uma cidade de Deus, né, que é fundamentada em outra coisa, completamente diferente da cidade dos homens. Então, essa identificação das idolatrias humanas, perceber as origens das idolatrias humanas e lutar para responder via a palavra de Deus cada um desses interesses pecaminosos, vai fazer que nós como igreja possamos ser testemunhas desse reino que tá para além daqui, para essa dessa nova sociedade. Mas aí o processo específico de cada um, aí tem que ter uma pergunta sobre cada um, a gente poder lidar com isso. >> Na sua visão, a conversão ela é um ato ou ela é uma continuidade, um processo? >> Eu acho que as coisas não se excluem. Parece uma resposta de de gente esperta, né, que é escapand. Mas a conversão ela tem um início característico, né? Ela tem um momento em que ela se expressa de forma muito clara, onde Deus tira um coração de pedra e coloca o coração coração de carne. Mas esse momento específico ele ele muitas vezes não consegue ser percebido de forma muito estabelecida pelo indivíduo, no sentido de eu me converti quando? Foi quando eu comecei a perceber que a vida não tinha sentido sem Deus ou foi quando o meu amigo começou a pregar o evangelho para mim? Ou foi quando eu fui lá na frente e levantei a mão e aceitei Jesus? Em qual desses três momentos aconteceu a minha conversão? Bom, eu eu tenho o local onde eu marco essa conversão, mas eu eu vejo um processo de conversão. Nem sempre a gente consegue dizer: "Eu converti no dia tal, tal, no culto tal". Às vezes, cara, foi em 2007 que Jesus começou a me pegar. Quero já sei que a gente fala, né? Jesus começou a mexer comigo ali no ano tal e ele começou a fazer isso e foi um processo. Eu passei por isso, por essa dor, por esse sofrimento ou por essa esse momento da vida e então esse processo estabeleceu. Agora a conversão tem um início. E talvez a pergunta seja essa, tem um início, mas ela se expressa para além desse início. Então, muitas vezes a conversão não é te tirar de um lugar e colocar por outro. Às vez conversão é só te girar a 180º. Tu tá correndo pro abismo, tu tá na beira do abismo, Deus te para e te muda de direção. Mas antes de tuudar o próximo passo, tá no mesmo lugar, só mudou a direção. Então você encontra Jesus e você agora vai ter que trilhar um caminho em direção a na direção aposta dos vícios, na direção aposta da das guerras, das brigas. Quando eu encontrei Jesus, eu tinha uma série de pecados no meu coração. Foi uma luta para vencer. Eu era um adolescente extremamente rebelde. Eu era um filho horroroso dos meus pais. Quando eu me convertia, eu não fiquei um filho melhor no mesmo dia. E provavelmente eu passei um tempo sendo um filho ruim pros meus pais. até eu comecei começar a entender o evangelho mais, aplicar mais na minha vida, perceber que algumas coisas eram pecado e entrar em um processo de transformação gradual. Às vezes tem gente que chega na igreja e larga a cachaça no mesmo dia. Chega na igreja e joga o malbolo no lixo, nunca mais compra o cigarro. Tem gente que chega na igreja, irmão, e é e cai e levanta e vai e erra de novo e vai e volta e aquele negócio todo. O processo de conversão e o modo como as pessoas vão vencer o pecado é diferente para cada um, né? E a gente não pode achar que a armadura de Saul veste Davi, de que o meu testemunho vai ser o teu testemunho, que a minha história vai ser a tua história, né? Coisas que eu venci rápido, talvez você vença devagar. Coisas que eu venci devagar, talvez você vença rápido. O importante é estarmos nessa mesma jornada de caminhar contra o destino do abismo, né, em direção à pessoa de Jesus. >> Essa pergunta ela é muito boa. Eu vejo que pelo menos no meio dos meus amigos que são cristãos desde berço, vem esse questionamento, né? Quando que eu me converti? Eu tô aqui na igreja desde sempre, eu não larguei nada? Então, eh, qual que foi o momento da conversão? E de fato, em boa parte dos casos, para não dizer a maioria, a gente não vai saber mapear qual que foi o meu divisor de águas, quando foi que eu entrei de fato pra família da fé, né? E aí é importante pensar sobre a próxima pergunta é essa aqui. O Leviatã descrito em Jó 41, seria um animal literal ou representa algum simbolismo? >> Eu não sei. [risadas] Eu tenho minhas suspeitas, não é? Ah, porque cabe as duas coisas na leitura de Jó. O modo como Jó estabelece esses animais, ele tá compondo um um um uma retórica para falar da grandeza de Deus, não é? Ele pode estar falando de alguma percepção mitológica e usando essa percepção mitológica para estabelecer um argumento. Como se eu dissesse: "Eu posso estar cantando aqui, vou cantando, eu posso estar pregando aqui dizendo: "Cuidado porque o canto da sereia pode lhe atrair pro caminho do mal". Não, não ouça o canto da sereia. Aí você olha e diz: "Estou crem sereia?" Não, pô, tô usando uma figura mitológica. sabe que as sereias cantavam, então os marinheiros acabavam ouvindo o canto e iam e se afogavam. É uma figura mitológica muito comum na nossa cultura que a gente usa a ideia do cando da sereia, da bruxa, né? O a bruxa, a alquimia, né? São fazem o dragão, fazem parte das mitologias. Você tem que acreditar em lá em dragão, né? Para para usar o dragão como uma figura, não é? Dentro da literatura de Jó, é possível que essas figuras, como Leviatã, como o Beemote, sejam figuras do imaginário mitológico daquele tempo, que tá sendo usado argumentativamente, retoricamente, para estabelecer um ponto sobre a grandeza de Deus, né? Porque cabe dentro da estrutura literária ali, mas também pode ser um animal real que a gente não conhece. A descrição desses animais são descrições que são muito diferentes dos animais que a gente conhece hoje. São animais que a gente nunca viu, né? E que talvez ele tenha visto. Alguns vão argumentar que são dinossauros, né? Na verdade, são que foram contemporâneos de Jó e tal. Bom, não sei. Não é, é possível que seja um animal real, totalmente possível, mas você não precisa acreditar que é um animal real. Pode ser uma estrutura retórica que ele vai usar para estabelecer a grandeza de Deus. Isso significa que a Bíblia tem erros. Ah, não, a Bíblia é uma grande metáfora. Não tô dizendo isso. Tô dizendo que cabe dentro da estrutura narrativa que ele ter esteja só elencando um elemento da sua época para estabelecer um argumento. Como se eu dissesse aqui ó sobre caça as bruxas ou ou a o canto da sereia, esse tipo de coisa. Não tem, não tem necessidade de uma interpretação muito literal desses animais para que você crea que a Bíblia é palavra de Deus inerrante e tudo mais, por exemplo, que cabe [música] dentro da estrutura que tá estabelecida. M.