Davar Live – 27/03
28/03/2026
– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
Fala aí, pessoal. Tudo bem? Como que vocês estão? Deixa eu ver se meu microfone tá ligadinho aqui. E aí, gente, boa noite. Eh, como tá aí o áudio para vocês? Tá tudo certo hoje? Eu acho que vai tá OK. Já deixei o microfone aqui pertinho da minha boca para não ter problema. E vamos lá então, né? Vamos lá para mais para mais mais essa live aqui. Eh, eu já vou começar aqui comentando. O Carlos já deixou um uma mensagem aqui. Hoje é na disciplina, galera. Deixa o Ron abordar os tópicos das mensagens que ele escolheu. Eh, o Carlos pôs aqui, gente, mas eu eu fujo da disciplina que ele tá colocando aqui. Eh, o Mateus falou: "Tô ouvindo uns negócios do áudio no áudio, mas nada que interfira muito". Eu tô com o meu ventilador ligado aqui. Deixa eu ver se eu desligar ele, se o áudio ficar melhorzinho. Só puxar ele da tomada aqui. Vamos lá. Será que melhorou? Mas como eu tava falando, eu não eu não sou Caxias igual o Carlos, não. Vocês podem comentar e viajar aqui à vontade. A gente nem precisa fazer as coisas. [risadas] tão certinhas do jeito que que a gente tinha comentado que ia fazer. Tá bom? O Carlos pôs aqui zoação, tá? Eh, mas tá bom, gente. Vamos lá. Então, eu sei que essa semana a gente não teve muitos comentários, não tem muita coisa assim para para dizer. O pessoal comentou, teve gente comentando eh lá na live passada falando: "Ah, esse é um dos melhores canais de teologia do YouTube". Muito obrigado. Eu nem sei se o que a gente faz é exatamente teologia, porque a gente não faz de um jeito muito tradicional, né? A gente não fica falando das correntes teológicas e o nome de uma de uma coisa da outra, o arminianismo contra o calvinismo, essas coisas assim. A gente pega o texto e dá uma viajada nele. A gente filosofa um pouco nele. E e eu gosto dessa vibe no canal. Eu espero que seja uma coisa que que vocês gostem também, porque assim, é o tipo de de abordagem que eu acho que é um é um pouco diferente do que normalmente as pessoas fazem no YouTube. Tem muita gente falando sobre Bíblia no YouTube e tal. Eh, e eu gosto de fazer desse um jeito um pouquinho diferente, sabe? pra gente poder viajar mais umas questões, talvez até mais mais eh mais filosóficas mesmo sobre coisas que o texto coloca. Nossa, eu tava vendo uma coisa de um texto agora a pouco antes de entrar na live, de uma música que eu gosto que é baseada em um texto de cantares. Aí eu parei para dar uma olhadinha melhor no texto, falar: "Nossa, será que o texto fala isso mesmo do jeito que tá na música?" Cara, texto absurdamente bonito. Texto compara o amor. O amor, a ele é eh ele fala da amada, né? Quando o Cantáes tá lá, o noivo falando da amado, fala, ela é bela como Jerusalém e é terrível como um exército com seus estandares. Então essa ideia da beleza ser tão forte, tão forte, que ela passa a ser amedrontadora, terrível, é uma ideia tão refinada, tão bonita do texto bíblico. E ele falou: "Ó, desvia os seus olhos de mim porque eles me arrebataram, porque eles me deixaram catatônico. É muito legal". E aí termina lá o cantar, vocês conhecem, né? Que o amor é forte como a morte, é como o fogo arrebatador de Então, esse tipo de de perspectiva do texto bíblico, que eu acho que é o que interessa aqui, eh, pelo menos ultimamente, mas não, acho que isso é uma coisa, tá? mais desde o começo do canal mesmo, eh, pegar mais ideias interessantes no texto bíblico do que a gente discutir teologia nesses moldes mais tradicionais, né? Mas é isso. Vamos lá, então. O Flávio mandou aqui um boa noite, o Mateus que já tinha falado, né? Eh, Daniel Alverde Camargo, boa noite. O Gilson Pereira, o Marcos Portinho, o Mateus até coloca aqui. Tô mostrando todos os seus vídeos pra minha namorada. [risadas] Coitada, né? Quando eu começo a me empolgar e querer mostrar coisa pra minha esposa, normalmente é o tipo de coisa que ela fique melhor que aquela cara. Nossa, sério que você gosta disso daí? >> [risadas] >> Mas vamos lá. Então, gente, já que a gente tá nessa pegada, nessa vibe, não tem muitos comentários também no canal essa semana, eu tenho tem uma coisa que eu preciso fazer urgentemente, que é pegar os cortes que eu já fiz live, das lives e soltar como vídeos, porque isso dá uma agitada no canal. Quando fica lá só na na abinha lá do ao vivo, só uma live de 1 hora 40 e tal. Nem todo mundo clica. Quando são vídeos menores, com um tema mais explícito no título e tal, com uma tambzinha mais bacana, aí com certeza tem muito mais eh tem muito mais clique e tal. Então eu preciso fazer isso urgentemente. Eh, e eu queria fazer isso com um com as lives e tal. Eh, mas é isso. Eu preciso fazer isso. Eu eu tô devendo isso. Eu Mas agora eu vou ter um pouquinho mais de tempo e eu vou conseguir fazer essas coisas. Eh, aí o Carlos coloca aqui as metáforas do canto de cantar às vezes são difíceis de nossas mentes ocidentais entenderem. Exato, Carlos. Mas por outro lado, vamos lá, vamos falar um pouquinho sobre cantar. Já que eu comecei falando disso, o que eu acho interessante em Cantares é que é um livro muito incômodo. Talvez o mais incômodo da Bíblia. Ele é tão incômodo que aí o pessoal fala: "Não, não, isso não é o que ele é. Isso aqui é uma alegoria. Isso não é o que que ele tá falando o que é. Porque o livro de Cantares, vamos usar palavras claras aqui, gente, é um poema erótico no meio da Bíblia, né? É um poema do do do noivo se declarando pra noiva. E ele fala como ela é belo, ele descreve as partes do corpo dela, né? Ela fala como ele é belo, ela também fala que a que os beijos dele são como vinho e tal. Então, é um é um poema com uma sensualidade, com um erotismo aí envolvido, eh, de uma forma bonita, poética, né? Eh, algumas passagens até as pessoas falam: "Ah, isso daqui tá parecendo querer dizer tal coisa mais assim sexual, mas sempre de uma forma um mais poética, não tão direta, né? um pouco diferente de algumas músicas que tem hoje. Eh, mas é um texto que fala sobre sexualidade. Isso é tão incômodo que normalmente ele é entendido como uma metáfora. Eu sei que não é isso que o Carlos quis dizer necessariamente, talvez seja, mas não necessariamente, mas como uma metáfora, como uma alegoria para falar da do amor de Deus e do seu povo, porque não pode ser só uma uma celebração da sexualidade, né? Mas cruelmente é isso que o texto é. E o que eu acho bacana, bom, já que a gente já tá falando de de Cantares mesmo, algumas coisas que estão interessantes aqui, é a sexualidade vista de uma forma pura assim, eh, que ela chega a ser surpreendente pro contexto da época, porque não é comum na época, num texto do antigo Oriente Médio, a mulher falar da própria sexualidade de forma tão livre, ela falar do do do prazer que ela sente no corpo do seu amado, né? Então, eh, essa é a primeira coisa que chama a atenção. O texto, o texto se vê de forma, de certa forma, ingênua até. Eh, e no final, a mensagem que seria religiosa é o próprio amor dos dois, de um pelo outro. A palavra Deus não aparece no texto. Ela só vai aparecer lá no finalzinho, lá no capítulo oito, nos últimos versos, quando ele vai falar o seguinte, deixa eu até abrir aqui que eu tava eu tava vendo isso aqui, que é o capítulo 8 verso 6, que é aquele aquele verso mais mais conhecido, né? Porque o amor é forte como a morte, ele é duro como o inferno, como a sepultura, como né, no hebraico. Eh, assim é o zelo. As suas brasas são brasas de fogo e de labaredas. E esse de laabaredas é de labaredas de yaá, que é uma corruptela do nome de Deus, do nome sagrado, né, do do tetragrama. Então ele ele fala que esse amor ele ele é tão forte que ele é comparado às forças inexoráveis da natureza que atingem a existência humana com a própria morte, a sepultura, né? E como o fogo de Deus, como o fogo de Yahvé. Deixa eu silenciar meu celular aqui. Então, eh, é nessa hora que aparece o nome de Deus nessa corruptela de Yahvé como Yá. Então, o amor é o fogo de Yahé. É disso que a gente tá falando nesse texto, do próprio fogo de Yahé que queima, eh, que é poderoso como a própria morte e como a sepultura, né? Eh, é uma coisa, a gente pode viajar aqui nessa ideia que é uma coisa que é irreversível, é uma coisa que não se pode evitar na vida, que quando aparece não há o que se fazer, né? eh, que o homem é, o ser humano é é minúsculo perto de uma força tão imensa e poderosa. E é disso que o texto tá falando, desse amor que é que que você não consegue não consegue conter ele, você não consegue fazer nada diante dele. É por isso que ele fala: "Nossa, isso daqui é terrível. É como um exército como as suas bandeiras. Desvio os seus olhos de mim, porque eles me afugentam, eles me arrebatam, né? Eu não consigo olhar para você com esses olhos voltados para mim. Isso é muito bacana, gente. Então, eu gosto de entender o livro de Eclesiastes mais como uma outra forma de falar de Deus. Você Ele tá falando de Deus, mas não dessas relações eh dessas relações religiosas, mas ele tá falando de Deus de uma outra forma. Existem coisas no nosso dia a dia que são a própria manifestação divina escancarada na nossa frente, como o amor que o noivo sente pela noiva e que a noiva sente pelo noivo, né? E que os dois estão arrebatados por essa força misteriosa e e arrebatadora e e e que não pode ser contida, né? Eu acho muito bacana essa essa é uma perspectiva de como se ver Deus. Na verdade, o texto tá vendo Deus em coisas do dia a dia e que a gente não percebe, que são maiores do que a gente mesmo, né? Parece que o amor é só um sentimento que tá dentro da gente. E o texto tá falando: "É mais do que isso. Você tá dentro dele, ele é muito maior do que você, né? Eh, esse é o fogo de Yahé que tá passando por você e você sente dessa forma, né? Muito louco isso. Muito da hora esse texto. O Daniel vai colocar aqui: "Salomão escreveu no auge da juventude." É difícil dizer, Daniel, normalmente se entende, se entende assim. Cantares. Salomão escreveu na juventude. Provérbios ele escreveu na idade mais madura e e Eclesiastes ele escreveu na sua velice. Por quê? O o texto tem algumas dicas em relação a isso. Então, por exemplo, em Cantares, ele tá falando de um amor do noivo pela noiva. Tem uma pegada mais de juventude mesmo, né? Eh, o livro de Provérbios, ele tá falando de conselhos de pai para filho, então já não tá falando mais de uma pessoa tão jovem assim. E Eclesiastes vai falar mais explicitamente no final da vida sobre a velice. Tem todo um poema descrevendo a velice, acho que é no capítulo 12, né? Eh, e que assim ele descreve de uma forma tão pessoal que você falar, cara, ele tá falando dele mesmo, isso daqui, né? Ele tá falando de algo que ele experimentou. Não é possível. Então, normalmente se coloca essas coisas, mas o texto mesmo não fala assim tão claramente. Então, a gente pega aqui umas dicas para tentar estabelecer essas relações, né, desses três livros de Salomão. Os três eu gosto bastante, mas de Eclesiastes um pouco mais, eu acho. Eu gosto de coisa de velho, né? Eh, então vamos lá, gente. Vamos então para aquele react que eu tô devendo para vocês faz tempo. Eh, o que que é interessante? Esse react é react de um cara chamado chileno Gomes. É um desses reactorss que tá tendo, tá meio que na moda agora, que é um cara versus trocentos, [roncando] não sei o que, né? Então, nesse caso, é um ateu versus versus 13 pastores. E o título tá até errado porque, pelo jeito não é todo mundo que é pastor ali, né? Mas a gente que se interessa por teologia em geral, que que tem algum conhecimento e tal, eh eu não gosto muito desse formato de vídeo para ser honesto. Eu gosto de debates, eu gosto de ver debates na internet, mas esse formato eu acho ele ruim, porque quando você tem várias pessoas debatendo ao mesmo tempo e tem aquele negócio de você ir trocando quem tá debatendo, dá uma, você limita a o aprofundamento das ideias ali. Só dá para debater ideias mais superficiais. Não dá para você pegar uma ideia e aprofundar ela, chegar lá no fundo e falar: "E aí, que que você acha?" e o outro se aprofundar também não dá não. Nesse tipo de formato não dá. Então, por isso que eu não gosto. Eh, e fica muito esse negócio muito combativo. É como se fosse, sei lá, coloca o Michel Mike Tyson versus 30 pesos pena e tal. Não é uma luta que você teria vontade de ver, porque ninguém ali tá realmente lutando de verdade. Vira uma coisa mais circens assim, né? Eh, fazendo essa comparação esdrúxo lá. É mais ou menos o que acontece aqui. Não acaba não sendo um debate de verdade, né? Ninguém se aprofunda muito, ninguém consegue completar um raciocínio mais longo, né? Como a gente faz aqui no canal. Às vezes a gente pega uma coisa e para eu explicar isso, deixo eu aprofundar isso, deixo estender esse raciocínio para você entender aonde eu quero chegar, porque às vezes tem pensamentos que são mais complexos que você não consegue falar ele em duas frases, não consegue falar ele em 2 minutos. você tem que explicar de um jeito um pouco mais é buscado, vai toma um pouco mais de tempo, né? E esse formato não permite isso. Bom, considerando isso, alguém tinha me mandou, foi meu irmão que me mandou esse esse vídeo aqui. Eh, por eu quis fazer um react dele, porque o vídeo toca em temas que são interessantes, que dá pra gente aprofundar. Então esse react não vai ser nem assim um uma Ah, eu tô falando, eu agora vou acabar com esse ateu que você está falando aqui. Eu não gosto desse tipo de postura, vocês sabem, né? Não é assim que a gente faz aqui no canal. Eh, e eu vou concordar algumas vezes e vou discordar algumas vezes aqui do chileno Gomes, é o nome dele, né? Eh, mas mais do que isso, eu vou pegar as conversas que estão tendo e a gente vai tentar ver desdobramentos mais profundos aqui dessas questões, né? Dentro da perspectiva, claro que é aqui do do canal, né? A gente vai ver de uma perspectiva mais bíblica, mais religiosa e tal, mas eh mas tentando ter um bom senso de entender que existem outras perspectivas que são legítimas também, esse tipo de coisa, né? Então, vamos lá. Eu tô com o meu fonezinho velho aqui, que tentei comprar um outro fone e não deu muito certo, mas eu vou com o meu fone, meu fone que tá caindo aos pedaços aqui e eu vou deixar a câmera assim que aí eu acho que vocês vem também, né? Hoje vocês estão mais quietos aí, né, no comentário, nos comentários. Mas vamos lá. Eh, eu aliás, deixa eu abrir aqui porque eu quero ver, a gente não vai ver, aliás, importante, a gente não vai ver o debate inteiro aqui. A gente vai ver só uns pedacinhos do começo pra gente poder se aprofundar nesses temas que eu comentei aqui, tá bom? Então, a gente vai ver umas coisas do começo do vídeo e aí a gente vai discutir algumas questões. Eh, tá, vamos lá. Eu vou vou colocar aqui, aí a gente vai comentando. >> Vender. E se ele não quisesse desposar a a filha do outro, ela poderia dar pro seu filho. Então você tá falando de um adulto mantendo relações com uma menina de 11, 12 anos. Isso na pedofilia. >> Hoje no nosso país, uma menina de 14 anos, ela não pode se relacionar se ela permitir por escolha própria com um homem maior de idade. >> E eu te faço uma pergunta. Se vier um sujeito agora na sua casa, o senhor tem quantos filhos? >> Dois. >> Dois filhos. Se ele viesse lá estupasse e matasse seus filhos, depois ele se matava. >> [música] >> Mas é necessário um princípio inicial da onde partam todas essas coisas. >> Como que Deus sempre existiu ou tá fora do tempo e sempre vai existir? >> Se você me afirma que a Bíblia ela não é a palavra de Deus. >> Amar Deus assim. >> Bom, vou passar aqui essa primeira parte que é só o é só a chamada aqui pro >> Tava certo teologia e hoje eu vou debater com alguns cristãos. Espero que seja uma conversa amistável. A minha primeira afirmação é: a Bíblia defende a escravidão e a pedofilia. Bom, primeiro ponto, né, é os temas que a gente vai comentar aqui desse primeiro, dessa, dessa primeira parte do vídeo aqui, que é o que a gente vai comentar. Talvez a gente comente alguma outra coisa em outra ocasião que ele comenta mais pra frente desse vídeo. Mas também fica aí a dica. Se vocês quiserem ver um comentário sobre um vídeo específico que a gente pode fazer um react aqui também, vocês põe aí no comentário alguma coisa, algum vídeo que você achou legal, algum vídeo que você ficou intrigado, alguma coisa que você queria ver eu reagindo aqui. Vocês podem colocar aí que aí eu vou dar uma olhada, vou ver se se para mim vale a pena, né? Porque às vezes é um vídeo que para você é muito intrigante. Eu olho e falo: "Ah, não sei se eu quero comentar disso". Mas põe aí, eu dou uma olhada e de repente a gente a gente acaba comentando também, tá bom? Eh, então tá, gente, vocês estão me acompanhando aí. O meu chat tá meio parado aqui, eu não sei se é só isso, se vocês estão só escutando aí, tranquilos, mas vamos lá. Eh, o que que é interessante? Essa semana teve uma resolução da ONU falando que a escravidão foi a maior, ah, eu não vou lembrar da palavra exatamente, mas a maior tragédia, a pior coisa que a humanidade já fez, o pior genocídio, alguma coisa assim da humanidade. Teve gente contestando, falou: "Não, mas tem a perseguição contra os judeus, teve outra coisa também e tal". Mas eu é difícil você comparar com a escravidão eh a escravidão atlântica, especificamente a escravidão do comércio de escravos vindos da África para as Américas, né? Eh, porque é uma coisa que durou séculos, que teve assim desdobramentos que chegam no ponto mais baixo da humanidade, né? Que o pessoal comenta os navios negreiros. Eu trabalho com animação e modelagem 3D, essas coisas, né? Teve uma exposição um tempo atrás aqui no Museu Catavento que eu fiz um modelo de navio negreiro para ser impresso em 3D para as pessoas verem como era. E assim, gente, as pessoas atravessavam o Atlântico. Nós chamamos de pessoas, eles chamavam de produtos de comércio, né? eh, atravessavam o Atlântico deitadas num espaço que imagina você atravessar o Atlântico deitado num navio em que a você tá encostando a cabeça atrás e o teto tá aqui na sua frente. Você não tem espaço para levantar, você não tem espaço para se mexer. as pessoas eram deitadas umas do lado das outras assim e cobria ali alguns andares ali dentro do navio e era um negócio, imagina vários dias, meses n sem você ter conseguir se levantar. meses você tá deitado, as pessoas fazendo suas necessidades ali, era de um jeito tão tão animalesco, tão desumanizador que muita gente morria, né, no nia chegar no final dessa, desse trajeto, imagina, né, criança colocada ali, ah, tem um cantinho aqui, dá para colocar uma criança deitada, põe ali e vai embora. é um negócio assim, eh, a gente chegou num ponto naquela época de de desumanização, de assim de perversidade, que é uma coisa assim inimaginável. Então, eu até concordo com a com essa resolução da ONU. Eh, é difícil comparar tragédias e tal, é sempre uma coisa meio esquisita, mas eu acho que daria sim para falar que a escravidão atlântica foi a a pior coisa já feita pela humanidade, o pior genocídio. Eu não lembro exatamente como foi colocado as palavras, mas a gente vai comentar algumas coisas aqui em relação a essa frase dele aqui. Vamos lá. >> Opá, >> boa tarde. >> Boa tarde. Prazer. Bom, boa tarde. Meu nome é Diego Fernandes. Eu sou cristão, teólogo. Eu vim defender que não, a Bíblia não defende a pedofilia nem a escravidão, até porque esses conceitos são anacrônicos quando colocarmos diante do texto bíblico. Por exemplo, o conceito de escravidão moderna, ele se baseia, entre outros fatores, no quesito racial, enquanto que nos textos bíblicos e no antigo Oriente você não vê esse conceito impregnado, especialmente na Bíblia Sagrada. >> Desculpa, mas só, só para para corrigir, o fato da escravidão moderna ser racial, a escravidão ela sempre existiu na história da humanidade e não tem. >> Bom, vamos lá. Tem um ponto interessante aqui que o cara traz, eh, e essa é uma questão, esse é o tipo de questão que valeria a pena se destrinchar um pouco mais, mas não tenho tempo aqui no no vídeo, né? Eh, o que acontece? Existe uma palavra que é a palavra escravidão e essa palavra descreve fenômenos diferentes. Esse é o ponto, né? Uma palavra descreve várias coisas diferentes que aconteceram no decorrer da história. A gente usa a mesma palavra que o que elas têm em comum seria eh uma pessoa ser dona eh do do trabalho da outra e eh você poder vender essa outra pessoa e tal. Então, esse a ideia de comércio da da das pessoas em si, eh, é o que define essa palavra escravidão. Mas isso, essa palavra acaba sendo tão elástica. Então, por exemplo, no texto bíblico, a gente tem uma palavra que é a palavra eved, que é a palavra escravo, que é a mesma palavra que aparece lá em Isaías 53 para falar do servo sofredor. A palavra servo também, a palavra evid. A palavra eved, eh, a palavra avodar trabalho, ela também é usada no sentido de serviço religioso. Então, assim, o texto hebraico, especificamente, ele tem poucas palavras e você tem um campo semântico muito extenso dessas palavras. Então elas têm um significado muito elástico. Então quando você fala de escravidão na Bíblia, você não está falando do mesmo fenômeno do que acontecia aqui nas Américas. Apesar de ter coisas em comum, você tá falando de situações diferentes. Então, por exemplo, eh Abraão tinha um servo, o servo eh ah, eu não esqueci o nome do servo de de Abraão, né? Eh, Abraão tinha um servo e Abraão fala para esse servo o seguinte: "Ó, vai atrás de uma esposa pro meu filho". Esse servo: "Tá bom, vamos lá, né?" Aí o servo vai, viaja, encontra lá na no no povo que era parente de Abraão, uma esposa para Isaque e tal, eh, Rebeca e tal. E e tem toda essa história de de Isaque, do servo do de Abraão com com Rebeca. Nossa, eu tô confuso aqui porque eu tô tentando lembrar do nome dele, não lembro. Não sei se alguém colocou aqui no chat porque agora também nem tô conseguindo acompanhar o chat porque eu tô vendo eh outras coisas aqui. Elizer, obrigado, Carlos. Elieszer, exato. É, eu tava lembrando da tradução do nome que é meu Deus é ajuda, né? Eh, mas é isso. Elizer. Ah, e o Carlos colocou maior crime contra a humanidade, a escravidão. Interessante, né? É isso daí mesmo. Eh, e aí o Eliéser, ele faz essa viagem, quando ele encontra a esposa para Isaque, ele se prostra e e faz uma oração. Bendito seja o nome do Senhor, que que encontrou a a esposa para Isaac e tal. Olha a situação. Você e e deu uma pôs um anel no nedo do no dedo dela, deu presentes e tal. Então, imagina essa situação acontecendo aqui nas Américas. Um senhor de escravo fala pro escravo: "Olha, o seguinte, eu quero que você vá buscar uma mulher pro meu filho em uma outra cidade lá longe. Toque um monte de presentes de coisas, eh, de tesouros para você dar para ela quando você encontrar essa pessoa." E o escravo vai, viaja, encontra e quando ele encontra, ele fica feliz, ele ora para Deus, fala: "Nossa, graças a Deus encontrei". e ele coloca um anel de brilhantes, tipo, é é impensável, inconcebível, porque dentro de um contexto de escravidão que a gente pensa quando a gente usa a palavra escravo aqui no contexto do Brasil, se você permitisse que o escravo saísse, ele já não ia voltar. Se você pedisse para ele ir para uma cidade lá do outro lado, ele já não iria voltar. E se você desse um monte de riquezas para ele ainda, para ele cumprir a missão dele, aí obviamente ele não ia voltar, porque ele tá sobrevivendo, ele tá tentando fugir para salvar a própria vida. Então esses detalhes faz que parecem muito esquisitos quando a gente usa a palavra escravo, justamente porque a relação era diferente do que acontecia aqui no Brasil. Eh, não que no Brasil também não tiverem escravos que tiveram boas relações com os seus os seus senhores, mas a própria relação de escravidão era diferente. E esse elemento que foi trazido aqui, que é o elemento racial, também faz muita diferença, né? Eh, você não tinha uma raça que você identificava só de olhar e que ela era identificada com toda essa ideia de escravidão desumanizadora. Então, você olha para uma pessoa, pelas características físicas dela, você já considera ela uma pessoa inferior. Não era essa relação que acontecia, né? Não que não houvessem também desumanidades dentro do conceito de escravidão antiga, né? Eh, havia também, mas eu acho que o ponto aqui que era importante e que não tem tempo para falar nesse formato de debate é justamente que existem nuances, existem detalhes que fazem com que sejam fenômenos diferentes. Apesar da gente usar a mesma palavra escravidão, você vê claramente que uma coisa tem uma conotação diferente da outra, entende? Eu acho que é esse o ponto que é importante a ser falado aqui, né? Vamos ver um pouquinho mais aqui. >> Tem nada a ver com raça. Escravidão é um ser humano ser dono de outro ser humano. Ponto. Isso já existia já muito antes, inclusive da Bíblia começar supostamente ser escrita. >> De fato, isso já existia muito antes da Bíblia começar a ser escrita, o que prova que não foi instituída pela Bíblia. Mas, mas a afirmação não é que foi instituída, é que ela defende. Inclusive Êxodo 21 é um capítulo inteiro de como tratar seu escravo. >> Interessante você abordar do 21, porque justamente é um texto, como você fala, que fala sobre o tratamento. É um texto descritivo, não ordenativo, não é uma ordem. Ela não está te ordenando adquirio. Ela tá, como você disse, uma prática que já existia, ela está prescrevendo, ou melhor, ela está descrevendo uma prática que já existia e ela >> existia no povo de Deus. Supostamente, >> tudo bem, mas os outros povos eram pagãos. Não interessa pra gente. Interessa o que, qual é o povo de Deus? Por que que a Bíblia, que é a palavra de Deus, ela tem o por que nos 10 mandamentos, em vez de não matarás, também não tem um não escravizarás? >> Vamos lá. Se nós formos por esse ponto que você quer colocar, nós sempre inventaríos mais um mandamento. 11º, 12º, 13º. Não, mas a gente tem, a gente tem, a gente tem os 10 os 10 primeiros, mas tudo bem. Por que que a lei mosaica proibia comer crustácio e animais de casco fendido e não proibia a escravidão? >> Então, um ponto aqui interessante, né? É, vocês estão vendo aí, existe essa questão de dele que ele falou: "Olha, o texto ele não tá, ele só tá descrevendo uma relação que já existia". Eu não sei se isso é um bom argumento, porque a própria descrição da da de uma coisa que existia sem a proibição, que é o que o Chile não tá cobrando aqui, é de certa forma como sentimento aquela relação, né? E realmente o texto bíblico, e isso é um problema, é um problema mesmo. O texto bíblico consente com a ideia de escravidão. A gente vai entrar em questões aqui morais que são bem complexas e que eh elas precisam urgentemente serem abordadas em contextos religiosos, que é exatamente a ideia de que eh o que que é o que que é o a ideia de moral, né? o que que é o certo e o que é o errado. Quando a gente olha pro texto bíblico, tem coisas ali que o texto bíblico parece, quer dizer, que não são erradas e pra gente são horrorosas. E tem coisas que o texto parece querer dizer que são horrorosas e pra gente elas não parecem ter nada demais, né? Esse conflito é uma coisa importante pra gente ter em mente quando a gente olha pro texto bíblico, porque isso de fato está lá, né? O, a pergunta é interessante, porque o texto proíbe eh comer crustácio e não proíbe a escravidão? E é uma pergunta que sintetiza esse estranhamento moderno ao olhar pro texto bíblico, porque justamente a proibição lá em Levíticos 11 de comer crustácios é uma proibição que acontece dentro de um contexto muito específico, que nem é uma proibição moral, na verdade, eu acho que talvez aqui seja o o a confusão que é feita. Não é um texto que tá falando sobre o que é certo e o que é errado moralmente. Não tá falando de ética. O texto tá falando de um, tá estabelecendo um, um procedimento religioso que tem um simbolismo embotido, ou seja, você eh você se abstém de comer comidas específicas para você se lembrar de que eh você é santo, né? Ele vai usar uma lógica parecida com Levítico 19, né? Eh, vocês vão ser santos porque eu sou santo. Então, você se santifica quando você se abstende comer algumas coisas que você se lembra que você faz parte do povo de Deus. Então, tem várias prescrições na Bíblia que são coisas assim arbitrárias interferindo no na ordem do cotidiano, que são para diferenciar deliberadamente Israel de outros povos, né? o Israel antigo dos outros povos para eles se lembrarem, para eles se colocarem em relação a Deus, coisas do cotidiano. Então, quando você comer, você vai se lembrar no ato de comer, que esse ato também é um ato religioso. Quando você tiver comendo, você vai manifestar sua religiosidade na no seu ato de comer. Você vai lembrar de que Deus é quem dá a comida. Eh, você vai lembrar da de que Deus te tirou da terra do Egito, etc e tal. Tudo aquilo ele tá atribuindo um símbolo à ideia de comer. Então essa abstenção é essa atribuição simbólica da da relação com Deus. E esse é o objetivo do texto de Levíticos 11. Isso fica claro quando você lê o capítulo. Então ele não é um texto moral. Ele não tá falando sobre certo e errado, sobre bem e mal, sobre o que ético e o que não é ético. Ele tá falando é sobre outras coisas, né? né? Ele tá falando sobre eh ele tá falando sobre essa questão eh religiosa que a gente tá falando aqui, né? Eh, cerimonial, [roncando] alguns vão vão colocar e tal. Gente, eu vocês estão vendo o vídeo? Eu na minha na minha tela ele aparece preto aqui agora que eu tô vendo. >> É, eu dou play, ele não aparece na minha tela. Bom, deve est aparecendo para vocês. Não tô vendo ninguém comentar aqui, então tá bom. o vídeo, o vídeo que eu tô reagindo aqui. Então, eh, esses elementos é interessante a gente pontuar que existe uma diferença entre um entre um texto e outro. Tem um texto que tem uma conotação que quer dizer uma coisa, tem outro texto que tem outra conotação que ele quer dizer outra coisa, né? Então, tá, deixa eu dar uma olhadinha aqui nos comentários. O juízo contra a Babilônia em Apocalipse 18 verso 11. Os mercadores da terra choram porque ninguém compra sua mercadoria. Verso 13. Escravos e até almas humanas. É, então, João, interessante. A gente vai ver aqui um texto lá logo lá na na Torá, no Pentateuco, falando contra você. Eh, a gente vai ver aqui sobre essa ideia do que acontecia nesse nesse comércio aqui nas Américas. Isso já seria proibido pelo texto bíblico, né? Eh, e de onde viria o senso de eu não poder ser dono de alguém, né? Tipo, no sentido de ser dono de alguém é errado. De onde viria a definição de que isso é errado, etc. Então, Ozel, essa é uma pergunta bem complexa. Eu não sei se eu vou responder ela de um jeito academicamente correto, mas na minha mente é justamente por causa dessa da gente ter passado por esse trauma que foi a escravidão atlântica, né? Eh, porque aconteceram desumanidades tão horrorosas que as pessoas falam: "Não, pera aí, gente, isso daqui é inadmissível do ponto de vista moral de bem e mal. Isso aqui é mal. E aí toda a ideia de você de você ser dono do do trabalho de alguém acaba sendo, é, porque não era só do trabalho, né? As pessoas acabam sendo donas do outro como um objeto em si. Isso acaba sendo questionado e acaba criando essa essa moral moderna de que escravidão é uma coisa errada. É importante a gente falar isso justamente porque a moralidade, a gente pode como religioso falar: "Não, a moralidade vem de Deus, a moralidade não é uma coisa subjetiva, tal". A gente pode considerar tudo isso e ao mesmo tempo considerar que a moralidade ela é construída socialmente. Eh, porque se não fosse, povos diferentes teriam moralidades iguais ou muito parecidas, mas isso não acontece. Povos diferentes têm moralidades completamente diferentes, né? Eh, existe uma discussão bem profunda aí. Será que existem pontos em comum na moralidade universal? até tem, mas eles não são tão rígidos, tão fáceis de serem delimitados e eles não são exatamente a moralidade da Bíblia também, né? Então, a própria moralidade de Israel, e é o que a gente vai comentar aqui do antigo Israel, ela vem de um contexto que foi construído historicamente. E o texto bíblico vai interferir nesse contexto para essa moralidade e se transformando no tempo. Então, assim, já fal adiantando um pouco um argumento que eu que eu vou falar um pouco mais para frente, é o texto bíblico não vem para romper de forma abrupta com uma moralidade da época, mas para conduzir eles para um caminho, né? Eh, aí o Oziel coloca aqui, o cara é cheio dos anacronismos. É importante falar essa questão do anacronismo também, que é uma coisa que faz sentido. O que que é um anacronismo? Anacronismo é o grande pecado para o historiador, né? Que que é o anacronismo? É quando você olha para uma coisa do passado e entende ela do ponto de vista do que você vê no presente, né? Então, eh, você falar de um de uma coisa do passado a partir de um conceito que não existia naquela época, entende? Eh, sei lá, é você olhar pro para para uma figura do passado e falar: "Olha só, ele ele é emo cabelo dele de emo, né? E emo já é uma coisa de velho, né? Ele é gótico, apesar que gótico também é conceito antigo. Mas se eu olho para uma figura do passado e falar: "Olha o cabelo de emo que ele tem, tá beleza". Pra época dele isso não quer dizer nada. É o conceito de dessa tribo urbana emo existia naquela época. Então você não pode fazer essa análise dessa forma. Então quando a gente extrapola isso, quando a gente fala de escravidão, a gente fala de escravidão tendo uma conotação que tem hoje, que não tinha naquela época. Quando a gente fala até coisas que parecem mais universais, mas não são, por exemplo, falar de machismo, ah, a Bíblia é muito machista. A rigor não daria para falar isso, porque o conceito de machismo não existia na época. Então, a gente tá vendo um texto do passado do ponto de vista de um conceito moderno que não existia na época, né? Então, anacronismo seria isso, né? E é o importante falar, é o o argumento que o cara veio trazer e realmente não deu para aprofundar tanto aqui, né? Eh, a escravidão descrita na Bíblia é alguém trabalhar sem salário para, por exemplo, pagar uma dívida. Não havia soit nem maus tratos e o dono deveria manter o escravo. Tem mais a ver com servidão, né? Eh, tem essas questões aí, mas a gente já vai entrar nelas. Inclusive você podia vender a própria filha como escrava. >> Como eu disse, você está entrando em um ponto anacronismo. A escravidão no nosso conceito que nós temos de modernidade não é o conceito das escritoras. Quando você fala que poderia vender a filha como escrava, você está eh tirando um pouco do contexto. O contexto é as pessoas se vendiam por dívida. A eh é uma espécie de pagar dívidas. Não, desculpa, você tá equivocado. Quem se vendia era o hebreu para outro hebreu. Quando a nação de Israel ganhava uma guerra, ela tomava tanto homens ou mulheres, dependendo da ordem divina, como escravos para si. Como trabalhadores que trabalhavam para si de graça. >> Vamos lá. Esses trabalhadores que trabalhavam de graça, entre aspas, eram pessoas que seriam mortas na guerra. >> É, aí tem essa questão aqui, né? O o Chile não tá certo quando ele fala que não era a escravidão na Bíblia não acontecia só por causa de dívidas. Essa questão dos estrangeiros e derrotados em batalha é uma questão também. Quando você derrota alguém em batalha, a as pessoas que estão lá você levava. E o outro ponto também é verdade, né? Porque qual era a prática dos povos? Bom, já derrotei o cara em batalha, então a gente mata o resto, né, para eles não formar um exército e vierem e virem contra a gente. Então essa ideia de você tomar as pessoas como servos, eu vou usar essa expressão aqui, eh tem uma conotação no texto bíblico mais de misericórdia do que uma conotação de de opressão. Isso é uma coisa importante, né? Eh, por exemplo, falar da lei do levirato, pra gente entender como é muito difícil a gente não ser anacrônico em algum nível. Qual que era a lei do levirato? A gente já comentou aqui em alguma vez, né? Eh, o sujeito é casado com uma mulher, né? Ele tem outros irmãos e aí ele morre sem deixar filhos. E aí o que acontece? O outro irmão casa com essa mulher do irmão que morreu, a mulher viúva, né? Eh, isso era a lei do levirato. Você olha e fala: "Nossa, que horror! A mulher era obrigada a casar com ele". O texto tem muito mais a conotação de a mulher tem o direito de casar com ele e o cara tem a obrigação de casar com a mulher. Eh, por quê? Porque toda a ideia de casamento na época era muito diferente do que a gente entende hoje. Então o casamento era uma coisa que tinha um um certo ônus para o homem e um certo benefício, um certo bônus paraa mulher. Se a mulher não casasse e envelhecesse, eh, ela ia ser cuidada pelos pais. Quando os pais morriam, ela ia viver do quê? Porque ela não tinha a própria herança, né? a não ser depois das filhas de Zelofiade. A gente pode comentar disso depois, né? A gente vai comentar disso depois, mas a a ideia é a mulher vive da da do das posses do seu marido. É assim que a sociedade se organizava. Então, se uma mulher é casada, esse marido morre, esses bens vão pros filhos e tal. Mas como ela vai, quem vai sustentar essa mulher? Quem vai trabalhar para sustentar essa mulher, né? Porque dentro daquele contexto da época, muitos trabalhos a mulher não fazia. Então, que outra homem tem a obrigação de casar com essa mulher. E as mulheres não viam isso como uma coisa negativa, né? Lembra lá da história de Judá quando eh Tamar vai cobrar Judá, falar: "Ó, o seu filho já tá em idade de casar, ele é prometido para mim, porque os outros dois já morreram, né? Ela casou com um, morreu, casou com outro, morreu. Ó, e você não vai fazer essa injustiça comigo, né? Então essa lei do Levirato, que pra gente é uma coisa terrível, horrorosa, no contexto da época era uma lei muito mais assim no sentido de não, a gente não pode deixar essas essa viúva desamparada, né? Então você vai ser obrigado a a cuidar dessa mulher, né? Tanto que tinha uma uma lei lá que falava: "Ó, se a mulher não quiser casar com você, eh, você vai ter que pegar um sapato e ela vai jogar um sapato." Tinha uma coisa lá com um sapato, não lembro exatamente como acontecia, mas era uma certa até humilhação. Cara, você tá fazendo o favor de casar com essa mulher que é viúva e ela não quer casar com você? Então você tá mal mesmo, né? Então tinha essas conotações que não existem hoje. O casamento, a ideia de casamento hoje tem uma conotação completamente diferente da ideia de casamento dentro daquele contexto, né? Casar por amor, casar porque você olhou para alguém, você se apaixonou, construiu um relacionamento e casou, é uma ideia assim que nasceu ontem, né? Uma ideia moderna, bem recente até na história da humanidade. Quem é mais velho vai saber que os avós não casavam desse jeito, casavam. O casamento era uma instituição social. que que servia para organizar a sociedade. Não era uma coisa, a ideia de casamento romântico é uma coisa que foi inventada muito depois disso, né? Quando a Bíblia fala, por exemplo, que Isaque, quando ele olhou para Raquel, ele se apaixonou por ela, é uma coisa que assim salta aos olhos. O texto bírp tá comentando uma coisa que é surpreendente, que é diferente, porque não era assim que funcionava o casamento. Você não casava com alguém porque você se apaixonou por a pessoa. Você casava com alguém porque, olha, tô na idade de casar. Ah, então vamos arranjar um casamento para eu poder fazer uma família. Então as famílias conversavam: "Ah, a gente consegui essa moça aqui. Ah, bacana. como então vou casar com ela. E era mais ou menos essa a ideia de casamento. Então eu tô puxando aqui um exemplo pra gente ver que essas comparações não dá para fazer tão diretamente, entende? A da conotação que tinham esses esses fenômenos sociais. Eh, a a a conotação que eles tinham daquele contexto é diferente da conotação que tem hoje, né? Fala chileno, muito prazer. Eu sou Benur Cavali. Eu não sou teólogo, tá? Eu sou um cristão mesmo que gosta de estudar a Bíblia. E fala galera do Tubacquest. Eu tô muito empolgado para esse debate. Acho que a gente vai conseguir dar uma surra bem legal aí no chileno, mas é brincadeira. Mas estô bem empolgado, realmente. Acho que vai ser uma conversa muito bacana e vai acrescentar muito para nós que estamos aqui. Com certeza para você que vai assistir. >> Vamos lá, cara. Sobre a escravidão que o meu irmão aqui falou, eu concordo com ele que tem a questão do anacronismo e tudo mais. Agora eu quero uma entender, >> tá? Aí ele vai entrar na outra questão aqui que é que é pedofilia e tal. Então da parte do vídeo é mais ou menos essa parte que eu queria tirar algumas ideias e a gente vai comentar agora umas outras coisas aqui, tá bom? Então, vamos lá, gente. Deixa eu voltar minha câmerinha aqui. Eh, tenho uma ideia, eu vou só falar uma coisa sobre a ideia que eles comentam aqui. Eu nem sei se eu posso ficar falando essa palavra se vai desmonetizar o vídeo ou não, mas como esse não é um vídeo que tem milhões de visualizações, acho que não faz muita diferença. Mas eh eles vão falar depois da ideia de pedofilia, né, que ele vai falar: "A Bíblia defende a pedofilia". Inclusive, eu discordaria da frase do chileno que a Bíblia defende essas coisas, né? Eh, que a palavra defende significa que a Bíblia diz que essas coisas têm que acontecer, tem que ser desse jeito, né? E não necessariamente. É isso que o texto bíblico tá falando. Ela tá ela tá organizando isso dentro de um contexto jurídico, mas a Bíblia não fala que isso é bom e que isso deve ser feito, né? Então, eu não sei se a palavra defende a melhor palavra aí para falar a relação que a Bíblia tem com escravidão e com pedofilia, né? Mas pra gente ter uma ideia de como a nossa moralidade moderna, mesmo se você for um cristão, um cristão hiperconservador, a moralidade moderna ela não é ela não é derivada diretamente do texto bíblico. É um, esse conceito da pedofilia. Pedofilia hoje é uma sensibilidade muito grande na sociedade. É uma coisa considerada como uma coisa horrorosa, terrível. As pessoas falam disso, as pessoas ficam com raiva, elas falam: "Não, nesse caso eu acho que dá para matar uma pessoa e eu nem ia achar tão errado assim, né?" Então isso seria dentro do nosso contexto social considerado uma uma heresia, vamos chamar assim, uma coisa que fere completamente a sensibilidade moral da das pessoas modernas. Eh, e isso inclusive dos conservadores cristãos, do, eu tô usando a expressão conservador cristão para falar eh que não tô falando de um espectro eh específico, mas isso passa em todos a toda a sociedade, inclusive nos extremos, né? Tanto que isso acaba sendo uma coisa que as pessoas quando tem algum alguma alguma briga política, um acusa o outro disso, né? De pedofilia, né? Eh, então a pessoa muito religiosa também considera isso uma coisa terrível, né? Existem até alguns alguns religiosos ali nos Estados Unidos que tem diversas teorias da conspiração em relação a isso, a pedofilia, porque existe todo um um governo mundial pedófilo, eh, conspiratório por trás dos panos e tal, né? Eh, mas se você olhar diretamente pro texto bíblico, isso nem existe. A ideia de pedofilia nem sequer existe no texto bíblico, né? O que o chileeno vai lá comentar é que não, a Bíblia ela ela defende a pedofilia porque fala que quando uma moça jovem era era eh era pega desses povos que perderam a batalha e tal, ela era dada para casamento pros filhos de Israel. Então, o qual que você já vou até explicar aqui, a gente nem precisa assistir essa parte do vídeo, mas a ideia aqui é o seguinte, o próprio conceito de adolescência não existia nesse período bíblico. Então, o sujeito é uma criança, ele vai ser criança, no caso da mulher, ela vai ser criança até a menstruação. Como ela menstruou, a partir de agora você é uma mulher e tem todos os direitos e obrigações de uma mulher adulta. Então você não tem essa idade intermediária que a gente criou depois também. Isso é uma criação social que veio depois, né, que é a adolescência, que você não é mais exatamente criança, você tem algumas coisas que você tem direito a que são mais de adulto, mas você também não é um adulto pleno. A gente criou esse limbo, né, entre a infância, a infância e a idade adulta. Isso não existia em nenhum nenhum povo ali do Antigo Oriente Médio ali na na e essa ideia dessa adolescência. Então você é criança, existe um marcador biológico no caso da mulher e a partir de agora você é adulto. Como no homem não existe esse marcador biológico, acaba se estabelecendo uma idade, uma idade arbitrária, que seria lá os 13 anos. E a partir daí que vem a ideia, por exemplo, do do do Ah, gente, eu tô esquecendo todos os nomes hoje, né? Eh, do bar eh Barmitzva, do Barmitzva, né? Eh, tô, eu também tô tentando lembrar o a a tradução em hebraico da do o filho da lei, né, o barbitsvá. Então você estabelece uma ideia arbitrária no caso dos homens, porque o homem não tem uma menstruação que marca essa passagem biologicamente paraa idade adulta, né? Eh, então isso já é um um conceito tão diferente que a partir dos 13 anos todo mundo é adulto pro texto bíblico, né? E as pessoas já casavam, tinham filhos e cuidavam da sua família e assim por diante, né? Isso é uma coisa que para a gente hoje é considerada até imoral. A gente vê isso com uma repulsa, né? Mas era assim que os povos viam naquela época. E o difícil é, tá, eles viam daquele jeito e nós vemos hoje desse jeito. E eu tô incluso nisso, né? Eu eu faço parte do do da sociedade moderna. Eu também penso todas essas coisas que a gente estava falando aqui sobre a a o homem moderno. E eu não consigo não ser um homem moderno. Eu não consigo olhar para uma criança de 13 anos e eu e pensar: "Não, esse cara é um adulto. Eh, na minha cabeça de homem moderno isso é inconcebível. Não dá para eu para eu excluir o meu contexto cultural todo, entendeu? Então, eh, quando você olha para uma cultura que tem um um uma maneira de ver o mundo tão diferente, é, a sua, é tão diferente, a pergunta que vem é quem tava certo, nós ou eles? E essa é uma grande pergunta que vai correr pela história da humanidade, porque qual é o referencial absoluto para você dizer quem tava certo, quem tava errado? Entende? Porque se você falar que o referencial absoluto é a Bíblia, são os povos do Antigo Oriente Médio, então você estaria apedrejando adúlteros e achando que isso é certo. Mas as pessoas não acham mais certo isso. Então você diria que pedofilia não tem nada de errado, porque o texto bíblico não faz essa condenação. Eh, então tá vendo como a a discussão é bem complexa, é bem difícil. A nossa moralidade, o nosso conceito do que é certo, o que é errado, mesmo você sendo cristão, ele vem em parte pela Bíblia, mas ele também vem em parte culturalmente. Isso não é uma coisa necessariamente ruim. Eh, mas isso vai girar todos esses conflitos que a gente comenta aqui, entende? Todos esses conflitos de, poxa, a Bíblia tá falando isso, mas hoje faz assim e qual que é o certo e tal. Algumas coisas na Bíblia ninguém acha mais que é certo, nem os religiosos mais zelosos, entendeu? Então, como eu falei aqui, apedrejar adúlteros, apedrejar o o a as pessoas de outra religião, né, que você considera que falou uma heresia e tal. Ninguém faz isso. Ninguém acha que isso é o que deveria se fazer, né? E inclusive, olha só, poligamia é uma coisa que o texto bíblico defende, né? Eh, nesse caso, eh, é até interessante que parece que a Bíblia é mais liberal e nós somos mais conservadores no sentido específico de que a Bíblia permitia isso antigamente e hoje a nossa sociedade não permite mais poligamia. O cara ter cinco, seis mulheres. Você acha isso bacana, né? Imagina sua filha ser casada com um cara que tem outras três esposas, né? Eh, então, mesmo você sendo cristão e considerando que sua moralidade vem diretamente da Bíblia, você não acha isso tão bacana, né? Você não acha isso tão certo, né? Então, é importante a gente ter essa discussão pra gente ver que a ideia de que a moralidade vem diretamente do texto bíblico não é verdade. A nossa moralidade, ela é uma discussão entre o texto bíblico e a nossa sociedade moderna. É aí que se funda a nossa moralidade. Isso acontece no próprio período bíblico posterior, porque tem coisas que na época de Moisés não eram permitidas e depois vão ser permitidas. Tem coisas que na época de Moisés eh eram proibidas e depois vão deixar de ser proibidas. Então, eh dentro do texto bíblico, tem coisas que na época de Davi fazia, mas que na época de Moisés não fazia, na época de Jesus fazia de novo. Então, essas coisas são assim. Então, por exemplo, a própria poligamia, o sujeito tinha várias mulheres na época de de Abraão e na época de Davi, né? E na época de Jesus até acontecia, mas quando a gente vê no Novo Testamento lá na carta de Timóteo, quando ele vai falar dos líderes da igreja, fala: "Ó, os diáconos eles os e os presbíteros, né, eles têm que ser maridos de uma só mulher." Então isso já o a poligamia que era uma prática comum nos patriarcas de Israel já não é bem vista no Novo Testamento, né? E não tem uma outra prescrição bíblica, uma discussão sobre se isso é certo ou se é errado. A gente acaba se fundamentando, inclusive só nessa passagem aí das epístolas pastorais para falar: "Então, Vin, tá vendo? O Novo Testamento falou, agora não é mais certo, agora o que é certo é só é a monogamia, é só ter um um marido e uma esposa, né? Então essas coisas são muito difíceis porque essas discussões são profundas e são complicadas. E a gente tá imerso na nossa cultura. A gente não pode fingir que a gente não faz parte dessa cultura que a gente faz, entende? Não dá para você se furtar disso. Não dá para você sair do do contexto da sua própria cultura para ver isso de uma forma afastada. não dá, você tá imerso na nessa conversa, né? Isso torna tudo mais confuso. Considerando tudo isso, o que eu entendo em relação a essa questão da escravidão aqui que a gente estava falando, né? Quando a gente olha pro texto bíblico, ele não é nem exatamente o que o chileno tá falando e nem exatamente o que as outras pessoas estão defendendo, que o texto bíblico, eh, na verdade as pessoas nem estão defendendo isso, né? Mas tem gente que fala isso, né? Não, o texto bíblico era contra a escravidão, não era, mas ao mesmo tempo não é exatamente como o chileno tá falando, que o texto bíblico defende escravidão e não vê problema nenhum. O que acontece é que o texto bíblico é dúbio. O texto bíblico é contraditório porque depende da época, entende? E essa é uma questão importante e fundamental aqui. Essa discussão é importante pra gente entender um conceito importante na Bíblia. Quando a gente olha aqui, a gente vai ver esse caso da escravidão para entender algumas coisas. Então, Êxodo 21, que é o texto que o chileiro tava falando aqui pra pessoa, né? Eh, Êxodo 21 fala de dessas questões que tm a ver com com os escravos, fala da moça que é que é dada como escrava, o o o pai coloca sua filha como escrava e tal, quando tem uma dívida muito grande. Então, todas essas essas questões. Mas olha só, Êxodo 21 verso 16. Aquele que sequestrar um homem e o vender, ou se for encontrado em seu poder, ele certamente será morto. Uma questão aqui, eh, no código jurídico do Pentateuco, eh, a morte e você, a, a sentença de morte, ela não acontece para questões menores, inclusive não acontece para questões materiais. você não é morto porque você roubou alguma coisa ou você causou um um dano a uma propriedade de alguém. Eh, todos os danos materiais eles são punidos com questões materiais, né? Então, você roubou um boi, então você deve um boi, você destruiu a casa do cara, deixou pegar fogos, ó, então você deve uma casa para ele. Então, as questões materiais são resolvidas materialmente, né? o que é uma diferença pros outros códigos de leis que tinham ali no contexto, eh, os códigos ititas, né, os amonitas e outros códigos que a gente tem hoje referência desses códigos. Eh, nesses outros códigos, se você roubasse algo de alguém que está numa casta social superior à sua, você é morto e acabou. O texto bíblico não tem essa. Danos materiais são punidos materialmente. Eh, a pena de morte acontece na Bíblia só quando você comete algum pecado contra a santidade de Deus. Então, quando você mata alguém, isso é considerado pecado. E aqui, nesse caso, você sequestrar uma pessoa e vender ela, isso é considerado um pecado de morte. Isso é um pecado contra a santidade de Deus. Eh, o que a gente tá falando já colocaria todo o modelo de escravidão atlântica como uma coisa incompatível com texto bíblico, que é isso que que acontecia, né? As pessoas eram sequestradas na África e eram trazidas pro Brasil e pros outros países das Américas, né? Então, já começa por aí. Xodo 21 tem coisas que podem ser consideradas imorais bizarras pro nosso pensamento moderno ocidental, mas tem outras coisas que colocariam em cheque esse modelo de escravidão atlântica que a gente normalmente tem na em mente quando a gente pensa no escravo, né? Eh, Êxodo 21 verso 32. Um boi que mata um escravo deve ser apedrejado. Eh, o que que isso significa? Quando um boi matava alguém, esse boi era apedrejado. Quando ele fala especificamente, se matar um escravo, ele vai ser apedrejado. O que o texto bíblico tá fazendo, que parece óbvio pro texto bíblico, mas pra gente hoje é isso é importante, esse adendo, é o escravo era uma pessoa ou escravizado, né, que é o que se costuma, a expressão que a gente costuma usar hoje, o escravizado era considerado um ser humano também. Ele não era só um objeto, entende? É. outras coisas aqui. Eh, uma pessoa ela não era escravizada pela vida toda. Lá em Levítico, eh, lá em Levítico 25, o verso 46, vai dizer que os estrangeiros que são pegos, eles são eles são escravizados perpetuamente. Mas um pouco antes, lá em Levítico 25, dos versos 8 até o verso 10, vai falar que no ano do jubileu, todos os escravos são libertos. E aí tem uma questão que a gente poderia discutir longamente, tá? Qual prevalece o todos, do verso 8 até o verso 10, ou seja, todos os escravos são libertos. Ou o verso 46, que diz que o escravizado estrangeiro, ele é escravizado perpetuamente, né? O texto tem aí um uma contradição que não é resolvida, então a gente não tem como saber. Eh, mas quando a gente vai um pouquinho mais para frente, em Levítico 25, os versos 39 a 41, diz que os israelitas eles não são escravos, mas eles são diaristas, usa um outro termo. Ele tenta dissociar essa ideia. A gente vai ver mais paraa frente Deuteronômio 15, o versos 12 a 18, falando que olha, agora um escravizado israelita, ele não pode servir mais do que 6 anos. Se ele serviu 6 anos, independente da dívida que ele tinha, ele tem que ser liberto e acabou. A gente vai ter outros textos em Levíticos que vão proibir a escravização de qualquer elita depois. Então o que acontece? A gente tem um texto que parece ser mais rígido em relação aos escravos no começo, lá em Xo em Números, só que em Deuteronômio a gente tem outras coisas. Inclusive, a gente tem aqui um texto de Levítico 23, os versos 15 a 16, que é interessante, que fala: "Se você encontrar um escravo que fugiu, você é proibido de devolver ele ao seu senhor, você tem que acolher ele." Ou seja, o escravizado aqui tinha o direito de fugir, né? O que é uma coisa que não parece estar compatível lá com êxodo. Então, o que que eu quero dizer aqui? O que parece acontecer aqui no texto é que a gente tem um texto saindo de um lugar e indo para outro lugar em relação à condição jurídica do escravo dentro do contexto do do da Torá do do Pentateuco. Isso tá de acordo com uma ideia de que o Pentateuco ele não é um bloco de lei rígido e e unificado no tempo. Essa lei ia mudando com o tempo. A lei do escravo foi mudando com o tempo e foi tornando mais aberta, mais aberta pro pro escravo poder ser liberto, né? A gente tem também eh leis que dizem que se o escravo eh for ferido e ele quebrar, seja um um dente, ele já tem que ser liberto, né? Ou seja, um dente pra gente hoje pode ser muita coisa, mas dente é uma coisa que não muito tempo atrás, né? E dependendo do lugar do mundo até hoje assim, você perde meio que normalmente é uma coisa do dia a dia. Então você não pode ferir um escravo, deixar marcas nele, nem deixar ele perder um dente. Se isso acontecer, ele tem que ser liberto imediatamente, né? Inclusive lá em Deuteronomio ainda fala que esse escravo que serviu 6 anos, ele tem que ser liberto, ele nem pode ir de mãos vazias, você tem que dar alguma coisa para ele ainda. Então, o cara tá te devendo R 1 milhão deais, trabalhou 6 anos, não chegou a pagar nem um décimo da dívida, você tem que libertar ele e ainda tem que dar um dinheiro para ele, para ele não sair de mãos vazias, né? Então, olha só como o texto parece ser de um jeito e ele vai mudando. Isso tem a ver com o que a gente tinha comentado aqui das filhas de Zelofad. É um tópico que de vez em quando a gente comenta aqui no canal porque é um caso claro de uma jurisprudência sendo mudada nas leis bíblicas. Qual que era a lei da herança? Era assim: sujeito, ele vai transferir sua herança pro seu primogênico, que é o primeiro filho homem. Se ele não tiver filhos homens, então essa herança vai para outro parente mais próximo. Porque as mulheres, como a gente tinha falado aqui, as mulheres elas não herdam dos seus pais. As mulheres vivem, elas vivem do dinheiro dos seus maridos. Por isso que casar era importante. Só que aí chegaram umas moças para Moisés, falaram: "Ó, nosso pai Zelofeade". Isso acontece eh em Números, capítulo 27, se eu não me engano. Elas vão falar: "Nosso pai, Zelofeade, ele morreu e não deixou filhos homens. Eh, mas não é justo que a herança dele vá para outra pessoa e não pras pra família dele, pras filhas dele, né? Eh, e Moisés fica intrigado com esse questionamento. Ele vai falar com Deus e Deus fala: "Elas estão falando que é justo. Elas estão certas, elas têm que ser atendidas nesse pedido." Então, a lei é mudada a partir daí. Então, se criou uma nova sensibilidade, uma nova percepção e se questionou uma lei, uma lei do essas leis que são dadas por Deus, inclusive, né? A, a expressão vai da beira dona mochilemor, né? qualquer um que que vai aprender hebraico lendo o Pentateuco, aprende essa frase assim faz assim, porque essa frase se repete o tempo todo no texto. E é e falou o Senhor a Moisés e disse: "E todas as sequências de lei que aparecem na Bíblia são precedidas por esse texto. Vai da beira donéia e elchilemor". E falou o Senhor a Moisés e disse: "Essas leis não foram Moisés que inventou da cabeça dele, foram dadas por Deus e depois elas são mudadas. Por que são mudadas? Foi o próprio Deus que deu. E o próprio Deus concorda com a mudança da lei. Porque a ideia é a lei não ser rígida, presa em um tempo, em um espaço, mas a lei ir mudando. A lei é trazer um povo que tinha acabado de sair de uma servidão do Egito e que conhecia um outro mundo de uma outra forma para conduzir esse povo para outra coisa. E isso que é interessante, essa mobilidade da lei. E é isso que nessa conversa aqui que a gente estava reagindo, ela não existe. Nem se entre nesse nesse nesse ponto, porque esse é um ponto que exige um pouco mais de elaboração pra gente entender, né? Deixa eu ver aqui que vocês estão comentando. Eh, bastante coisa aqui. Vamos lá. Parece que existe um elogio da paixão em Cantares. Kgar propõe que o amor no cristianismo é distinto, fundamentado no dever de amar. E segundo ele, isso também é mais forte do que o amor, o fogo, né? Diz aqui o aid, né? Pois é, aid é interessante. Eu não conheço a a a esse texto de Kirk que ele fala desse amor no cristianismo, né? Mas o que é interessante é que é fácil falar isso do amor cristão, mas quando você tá falando isso desse amor Eros, esse amor do homem paraa mulher, né, isso normalmente fica mais complicado, né, dentro de contextos religiosos. Aí o Gilson coloca aqui a lei do descalçado que a mulher batia no homem dizia que isso faz o homem que não quer cumprir a lei e acha acho que é que é isso. Exato, Gilson. É isso que eu tava falando. Não é mulher que não quer casar com o cara, mas o cara que não quer casar com a mulher, a mulher tem o direito de pegar lá o sapato e bater no cara. Falou: "Não, você é obrigado a casar comigo, né? Eu tenho esse direito. Você tem que, você tem essa obrigação para comigo, né?" É exatamente isso, Gilson. É isso. Obrigado. Eu não tava lembrando direito como que era esse esquema aí. Jeremias 22:13 diz aqui o João: "Ai daquele que edifica sua casa com injustiça, os seus aposentos sem direito, que se vale do serviço do seu próximo sem paga e não lhe dá o salário." Diz aqui o João. É interessante, tá vendo? São são eh eh percepções que fazem muito sentido hoje em dia também, né? Aí o Aid coloca aqui o Mateus Fugita fez um vídeo no canal do Lucas Banzoli sobre escravidão. Ele deu uma excelente explicação de Êxodo 21 sobre escravidão e mostrou que o escravo na Bíblia não é objeto eh como na escrita moderna, né? Eu vou ver depois esse vídeo, né? Vocês vem que eu fiz um raciocínio até um pouco diferente, porque eu vejo que lá em Êxodo 21 ainda realmente tinham leis que eram rígidas em relação aos escravos, mas quando a gente vai indo para Deuteronômio, vários quesitos vão se tornando diferentes, né? Eu entendo mais essa mobilidade na lei, pegando um povo que tava num lugar com uma mentalidade e caminhando para outro lugar do que tentar justificar que o texto não era tão rígido assim desde o princípio. Não sei se era se é se assim dá para fazer essa justificativa. Entende? Problemas de certos ateus é querer simplificar essas questões complexas e milenárias. É, Carlos. Exatamente. É porque quando o cara parte de um pressuposto, eu estou aqui para para questionar o texto bíblico. Também é o mesmo problema de que quando estou aqui para defender o texto bíblico. Quando você já tem um pressuposto desse, você tem um viés que vai fazer você às vezes distorcer a percepção de algumas coisas, né? A gente tem que ver o texto do jeito que ele realmente é. E é um texto que é problemático em algumas coisas, mas a nossa questão, eu não sigo o texto porque eu sou a favor da escravidão de Êxodo 21. Eu sigo o texto por outras questões. Eu não, eu não concordo com escravidão porque tem em Êxodo 21 na escravidão, entende? É bem mais difícil a discussão e complexa. Jeremias 3:34 10 a 14 tá falando aqui o João. Os príncipes do povo libertaram os escravos do povo e depois escravizaram eles de novo. Deus fala que eles desobedeceram. É, tá vendo como essa essa sensibilidade vai mudando com o tempo na Bíblia, né? A Bíblia não apoiava a escravidão como instituição, mas a regulamenta em um contexto específico de sua época. É. né? A gente pode dizer isso, ela tá regulamentando, ela não tá defendendo como o fazendo uma defesa da escra, é uma regulamentação, né? Eh, é a mesma coisa que, sei lá, as discussões que tem hoje s, sei lá, sobre aborto, sobre drogas, né? Eh, ah, então você defende o aborto, tem muita gente fala: "Não, não é que eu defendo, eu acho que tem que ter uma regulamentação diferente, né?" "Ah, então você defende as drogas?" Não, não é que eu defendo, eu eu eu entendo que ele tem uma regulamentação diferente. As pessoas argumentam nesse sentido. Isso vale para exatamente para essa frase aqui, né? Não, eu também entendo assim que não é que a Bíblia defende essas coisas, mas ela regulamenta dentro de um contexto específico. Eh, aí o Oziel diz: "Muda tanto ao longo do tempo que no NT vira ainda mais outra coisa diversa". É. E aí no Novo Testamento fica mais difícil ainda, Oziel, porque a gente tá falando aqui de um contexto de uma cultura, uma cultura fechada, vamos dizer assim, uma cultura específica, porque nesse falando de uma cultura só que é do antigo Israel, desde a época de Abraão até do pós-esílio, essa uma cultura só mudou e teve influência de outras culturas nesse tempo todo, né? Então, já não é só uma cultura, uma cultura com diversas influências entrando e saindo aí dela. Mas quando chega no Novo Testamento, aí que fica tudo mais difícil mesmo, porque a gente tá falando de vários povos diferentes, de vários lugares do mundo diferentes convivendo juntos. E aí fica tudo uma bagunça muito mais difícil dentro do no ponto de vista da cultura, entende? São várias culturas diferentes. Então, eh, para Paulo, imagina dentro da igreja que você tinha um cara que era servo, escravo e o senhor dele também na mesma igreja. E Paulo falou: "Ó, aqui dentro não existe nem servo nem escravo, viu? Aqui é todo mundo igual. É muito difícil lidar com essas questões, né? Eh, então o Novo Testamento já vai para um outro lado, né? tudo fica mais difícil, porque agora você tá falando de diversas culturas, interagindo e tentando chegar em consenso. Aí aí o João tá falando aqui de Jeremias 34:17 ainda, né? Eh, porque eles não deram liberdade aos escravos, Deus trouxe a espada sobre os senhores lá de Jeremias 34. Exato. É, é maneiro ver o Ozial falando aqui, é maneiro ver o panorama assim, porque geralmente quando se faz um, quando se traz um tema, a primeira reação é a defesa, justificativa, etc. Mas ser sincero sobre como estão as coisas dentro do texto é mais difícil, né? Eh, é isso, né, Zé? Porque a gente briga com algumas coisas no texto e faz sentido a gente brigar com elas, mas elas vão precisar em algum momento se acomodar. Ainda mais quando as pessoas questionarem. E tem questionamentos que chegam uma hora que você já não consegue mais se furtar deles, né? Eh, a Bíblia tem, não dá pra gente falar que a Bíblia é um texto. Vamos construir melhor esse raciocínio. Tudo isso vem dessa ideia de que a nossa moralidade moderna como cristão, tem que ser tirada diretamente do texto bíblico do bíblico e trazida para hoje. Não, isso não dá para fazer. A moralidade do texto bíblico é diferente da moralidade de um cristão moderno. A a moralidade do texto bíblico na época de Abraão é diferente da moralidade do texto bíblico na época de Jesus, na época de de Davi, na época de Moisés. Então, não dá para você olhar paraa Bíblia e entender ela como um manual moral em todos os os eh em todos os detalhes e transpor isso para hoje, que isso não vai dar certo, porque a Bíblia tem questões, tem problemas. Então, então a Bíblia não serve para nada, vamos jogar fora. Não, não é isso. A Bíblia serve para propor discussões morais, para fazer isso que a gente tá fazendo aqui, para pensar sobre, tá, isso é certo ou é errado? Por que isso é errado? Por que isso é certo? Porque muitas vezes as pessoas que estão falando contra a Bíblia também são moralistas modernos, no sentido de que eles estão defendendo uma moralidade moderna e não estão nem questionando essa moralidade também, entende? Eh, a Bíblia tá propõe discussões morais e cabe a você, leitor chegar na sua conclusão. Muitas vezes o próprio texto bíblico não dá conclusão moral. Quer ver, por exemplo, um texto que muitos ateus mencionam para questionar o texto bíblico, né? A a questão lá dos moabitas, né? o Ló Ló eh, e os e a relação que ele tem com suas filhas e que gera Moabe e o povo dos moabitas, né? As filhas de Ló embebedam ele, ele fica bêbado, elas têm relações com o próprio pai para suscitar uma descendência para que o pai não ficasse sem descendência. O texto bíblico, quando ele descreve essa história, o texto não fala que isso é errado, né? Eu tô falando isso considerando que eu acho que o texto considera isso errado, porque a gente vai ver isso depois, os moabitas depois vão ser considerados um povo moralmente perverso. E essa história é uma explicação da origem dessa perversidade. Mas o isso não fica explícito nesse texto. O o texto bíblico não é igual as historinhas do Ren, onde o Rimen chegava no final e falava assim: "Gente, o que que a gente aprendeu hoje? ah, a gente não pode fazer tal coisa. Tá bom, legal, eu vou embora. O texto bíblico muitas vezes não faz essa explicação, essa moral da história. Ela só joga a história, ela conta a história e fala: "E agora, que que você acha? pensa sobre essa história, tenta entender o que é certo e o que é errado nessa história. Então, muitas vezes, o julgamento moral sobre a a história cabe ao leitor. Texto bíblico tá convidando ao leitor a fazer esse julgamento, a fazer essa discussão, né? Ele conta essa história de Ló de suas filhas, fala: "E aí, que que você acha disso? Você acha que isso é certo, né?" E isso eh esse jeito da Bíblia lidar com essas histórias muitas vezes é é confundido com as pessoas como, ah, tá vendo o que que a Bíblia tá defendendo? Não, ela não tá defendendo isso. Ela contou uma história onde tem uma coisa bizarra. Seria como hoje você, sei lá, assistir Game of Thrones e falar: "Nossa, então o produtor aqui da série concorda com todas essas coisas aqui que aparecem na série. Que bizarro esse cara. Não, ele não concorda. Ele tá contando uma história, eh, e ele tá suscitando discussões, inclusive sobre essas questões todas, né? Então, muitas vezes a gente olha pro texto bíblico até com uma certa condescendência e a gente não permite as a gente fazer as discussões que o texto bíblico tá propondo, né? Não sei se ficou claro o que eu quis dizer aqui, né? Então, eh, a gente quer te trazer uma moralidade da Bíblia, sendo que a gente não faz a discussão sobre o que que é essa moralidade que a Bíblia tá propondo. A gente acha porque a Bíblia descreveu algo, porque a Bíblia, porque tem uma lei lá na época de Moisés falando sobre algo, aquilo tá fechado e é assim que tem que ser, né? Jesus faz discussões morais profundas, citando o Antigo Testamento e discordando dele, viu? Eh, por exemplo, Mateus 19, quando Jesus fala sobre o divórcio, esse texto é muito importante. Mateus 19. Acho que é Mateus 19. Eh, porque a questionamento que é chegado para José, ó, Moisés falou que que podia dar carta de divórcio e aí é pode divorciar, né? E Jesus falou: "Não, não pode." Moisés permitiu por causa da dureza do coração de vocês. Mas não é isso que era o plano de Deus, não. Ou seja, o que Jesus tá falando é: "Tá na Bíblia, mas não é a vontade de Deus". Tá na Bíblia, mas não é o que Deus queria. Tá na Bíblia por causa de um contexto cultural da dureza do coração de vocês naquele contexto, né? E é por isso que aquilo foi permitido aquela época. Então, quando Jesus fala isso, ele tá deixando explícito essa discussão que a gente tá falando. O fato de algo tá registrado no texto bíblico não significa que isso há uma expressão universal da vontade de Deus. Pode ser um jeito que Deus deu para aquela questão naquele contexto específico, porque não tinha as pessoas estavam com uma mente muito fechada naquela época não dava para fazer outra coisa, né? É isso. É, é esse essa linha de argumento que Jesus vai fazer, né? Aí Jesus fala: "Não era assim no princípio." E aí tá citando Gênesis, né? Ele cita o texto de Gênesis quando fala: "O homem vai deixar pai e mãe" e tal. Então fala: "Ó, quando Deus criou o homem e a mulher, a intenção de Deus quando criou a humanidade era uma, mas na época de Moisés aconteceu outra coisa, né? Nessa lei de Moisés, né? lei de Moisés que a gente fala, mas é uma lei que o próprio Deus muitas vezes no texto lá vai dar beira, vai donar, vai dar beira adonaior e falou o Senhor a Moisés e disse, então muitas vezes o próprio Deus dá uma lei que não é o ideal divino, mas porque naquele contexto é o que dava para ser feito por causa da maldade do coração do povo, né? Isso faz a gente pensar, ah, aquela época era muito diferente, daí é o contexto da época, tá? Mas qual é o nosso contexto hoje? A gente também tem um contexto cultural e como a gente se relaciona com a vontade de Deus, com as questões bíblicas no nosso contexto hoje. Tá vendo que eu não tô dando muitas respostas, nando questões aqui que elas precisam ser levantadas. O que o que dói no meu coração é essas coisas são importantes e fundamentais, mas elas dificilmente ou absolutamente nunca essas discussões são feitas dentro de igrejas. que discutir, tá? A moralidade do texto bíblico não dá para aplicar hoje, né? Então, qual que é a moralidade que o texto bíblico tá propondo para o nosso contexto cultural de hoje, né? Essa é a grande pergunta. A Bíblia não dá uma resposta diretamente, mas ela convida a gente para essa discussão e e muitas vezes a gente não faz, né? Esse é o meu ponto. Eh, até me perdi aqui o que que a gente tá falando. Eh, ah, tá aqui o comentário do Oel, né? Aí a a Lucil fala aqui, se o Antigo Testamento era a sombra do que haveria de vir, pode-se entender que a escravidão como figura da libertação da escravidão do pecado por Jesus, né? Pode-se entender, Lucilene, pode-se entender, mas eu não sei se é esse, é uma aplicação possível, mas não é, eu não acho que essa a aplicação intencional do texto, a essa ideia de sombra, né? Acho que a ideia de sombra é muito mais falando dos rituais do do do santuário, apontando para Jesus, né, pro sacrifício de Jesus, né? É uma ideia que vai aparecer muito no livro de Hebreus, né? Tá vendo todo aqueles rituais e tal? Eles têm um significado. E esse significado tá aqui, ó, tá aparecendo na na morte de Jesus. Jesus é o o grande sacrifício que aqueles sacrifícios estavam apontando. Então, acho que é muito mais nesse sentido, apesar de talvez a gente poder fazer uma leitura lateral nesse sentido também, né? Talvez, mas não é a intenção do texto, eu acho. Aí o João coloca aqui, Thaago, Thago 5:4. Eis que o salário dos trabalhadores que seifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude, está clamando. Os clamores dos seifeiros perpretaram até os ouvidos do Senhor dos Exércitos. O espírito de opressão continua hoje com salários mínimos. É, é uma questão, né, João? A Bíblia vai falar isso desde de Deuteronômio, né? Desde de de desde êxodo, n que o trabalhador é digno do seu salário, né? Você não pode reter o o salário do trabalhador até o dia seguinte, se eu não me engano, essa é uma lei que aparece no Pentateuco. Se eu não me engano, é uma lei de êxodo, mas que você não pode reter porque aquela pessoa precisa, aquele dinheiro é dela, ela merece. Eh, então, aí que tá o texto bíblico propõe coisas, por exemplo, não adianta a gente querer fazer um ano do Jubileu hoje. Ah, bom, todo mundo vai ser liberto, ninguém mais tem dívida, eh, aí a cada a cada 50 anos, né, e tal, né, volta tudo volta às postes originais e tal, e todas as terras são redistribuídas. Eh, eu acho que é inviável fazer isso hoje, até porque a gente não tem uma distribuição original para as terras voltarem pros donos originais, né, como aconteceu na distribuição lá da das tribos em em Canaã. Mas você pode entender o que que o texto tá propondo com essa ideia. Ele tá propondo o seguinte: "Olha, mesmo que você seja muito mal com dinheiro, que você se individe, faça um monte de rolo e você tenha que tipo perca tudo que você tem e tal, pelo menos uma vez na vida, cada geração, a cada 49 anos, cada sete semanas de anos, tudo é zerado para pelo menos uma vez na vida, cada geração ter a chance de poder começar a vida de novo. É o que que o texto tá querendo dizer com isso, né? O que que ele propia pra nossa ideia de sociedade hoje? Ou ainda quando você for colher, é proibido você colher os frutos do canto do campo. Você colhe o que tá aqui, mas o que tá encostado na cerca você não colhe. É proibido. Por quê? O que tá encostado na cerca é pros pobres, quem tiver passando, tiver com fome, poder colher o que tá nas bordas do campo. É quando você colher e tiver carregando, se cair um um aqui o os frutos no chão, a as os eh ah, como que é do do trigo, os os ramos do trigo lá, eh, você é proibido de voltar e pegar. Quando cair, você tem que carregar só o que você tá carregando mesmo. Então, toma cuidado para não deixar cair, que se cair no chão, você não pode pegar. Por quê? Porque isso daí é pros pobres. Quando a pessoa não tem o que comer, ela tem o direito de entrar no seu campo e o que tá caído no chão, ela foi lá e pegar e comer, né? É o que Rute vai fazer quando volta sem dinheiro nenhum, sem marido, sem propriedade, sem nada. Falou: "Ó, agora a gente vai mendigar", né? Esse é o nosso é o nosso destino e é o que ela foi fazer lá nos campos de Boaz, né? Então o talvez não dê para fazer isso hoje, até porque a gente tem colheitadeiras automáticas, a gente vive num contexto urbano, então tá, mas como eu como eu aplico o espírito desse texto para hoje? Entende como eu aplico? Qual que é a ideia do texto mesmo sem aplicar ele na prática? Mas como que aplica a ideia desse texto na nossa sociedade hoje, né, na minha vida pessoal ou prática hoje? Essa que é a pergunta, entendeu? Não, não é só pegar e aplicar diretamente o que tá escrito no texto e seguir automaticamente. Não. Tenta entender qual a ideia do texto para você aplicar o conceito, a moral por trás dele, o princípio por trás dele dentro da sua vida hoje, dentro da sua, dentro da da dessa vida tão diferente que é que é organizado de um jeito tão diferente, como que a gente aplica o espírito do texto, o princípio por trás dessas leis, né? mesmo que a gente não aplique as leis diretamente. Essa, acho que essa é a grande questão. Você vê que existe uma hierarquia entre os princípios bíblicos. Diz aqui o Wid. Eh, vi um rebino dizer que o princípio da preservação da vida, su do próximo e a pureza sexual são os únicos que não podem ser violados. É, eu acho que existe sim, viu, Aid? Eu acho que existem diversos textos bíblicos, inclusive de Jesus, que que mostram essa hierarquia, né? Jesus vai falar lá em Mateus 5, né, que aquele que descumpre um mandamento de menor importância, eh, ele também, eh, vai ser ponderado como se descumprísse um de maior importância. Então, existe importância. Aquele que descumpre a lei, ele já é um pecador, é como se descumprisse todos, mas Jesus estabelece mandamentos maiores e menores, né? Então, eu acho que existe sim. E eu acho que essa essa interpretação rabínica do princípio da preservação da vida, eu acho que é um um princípio importante e é dá para ser visto no texto bíblico em algumas partes. Por exemplo, Jesus vai usar esse exemplo, né? Davi entra no santuário, fala: "Ô, você não pode entrar aqui não. Tô morrendo de fome. Eu quero comer o pão da da mesa da preposição aí dentro do santuário. Não, esse pão é sagrado. Ninguém pode nem encostar nele se não for sacerdote. Mas eu vou morrer se eu não comer. Aí o sacerdote, é, é bom, eu vou te dar. Foi lá, deu o pão e isso não foi considerado uma coisa errada, né? Então, o princípio da preservação da vida, nesse caso, se se sobrepôs ao princípio da santidade do santuário. Muito doido, né? Eh, mas eu acho que isso faz sentido, sim. Existem princípios mais importantes que outros e a vida deveria ser um princípio mais importante. Jesus fala isso quando ele tá falando do sábado, né? Que que é mais importante? Guardar o sábado salvar uma vida. O cara tá morrendo no sábado. Você vai ficar lá de braço cruzado esperando dar a hora para você salvar essa vida, né? Você não faz isso nem com o jumento. Quando o jumento cai no buraco, vocês vão lá tirar. Imagina a pessoa, esse cara aqui tá sofrendo a vida dele toda. Eu tô aqui, eu posso salvar ele hoje. Se eu não salvar ele aqui, eu vou embora. Nunca mais vou ver esse cara. Eu vou curar ele no sábado. E eu não tô descumprindo a lei, né? Eh, Jesus vai falar muito sobre isso, inclusive, só pra gente já tá caminhando aqui pro final. Mas a parábola do bom samaritano para mim é uma explicitação dessa dessa superioridade hierárquica do princípio da da preservação da vida. Tá vendo? Fiz até uma frase bonita assim. Eh, por quê? Porque qual que é a a o ponto que eu acho interessante aqui no no na história do bom samaritano, na parábola do bom samaritano, né? Acho que é o primeiro vídeo que eu fiz no canal dos mais antigos. É sobre isso. Existia uma lei de que o sacerdote ele não pode se contaminar com a pessoa morta. Isso tá lá em Levítico 11 ou 21, não lembro agora. Mas se você entrar lá, eh, digitar no Google, qual é a lei que o sacerdote não podia tocar em morto, vai lá aparecer a lei de Levítico. Eh, o levita, se ele tocasse no morto, ele ia ficar ritualmente impuro. Ele também não poderia cumprir a obrigação dele no santuário. E a parábola do bom samaritano acontece no caminho entre Jericó e Jerusalém, onde ficava o santuário. Quando o sacerdote vê o homem caído e o texto deixa claro, Jesus fala claramente, ele ficou deixado ali como se tivesse com a aparência de morto. Você olha, você fala: "Ah, esse cara tá morto e o sacerdote sai do vai passa longe no caminho." O sacerdote ele tá cumprindo a lei rigorosamente, porque ele não podia tocar em morto. Ele não pode chegar perto de morto. Ele tá cumprindo a lei. O levita também. Só que ao cumprir a lei, ele descumpre um princípio fundamental de preservação da vida, de misericórdia. E é isso que Jesus vai fazer a pergunta depois. Qual ele, qual desses fez a vontade de Deus? O cara conseguiu descumprir a lei, eh, descumprir a vontade de Deus cumprindo a lei, entendeu? Através do cumprimento da lei, ele descumpriu a vontade de Deus. E isso dá para fazer. E isso é sobre isso a parábola do bom samaritano. O cara que realmente cumpriu a vontade de Deus é o cara que tava lá, foi lá ver se o morto tava morto mesmo, aí foi cuidar dele e tal, que era o cara que é o samaritano, né? Quem que é o samaritano? Ah, os caras que quando a gente foi construir o santuário aqui, vieram aqui, quase mataram a gente. Esses caras aí são os caras esquisitos. Tem um mistura aí com outros povos e tal. tem umas doutrinas meio estranha. Esses caras aí são os samaritanos. Esse cara fez a vontade de Deus e o sacerdote não, porque o sacerdote estava preocupado em cumprir a lei, a lei de Deus. Então, existe uma contradição aqui que é que é possível de ser feita. Você cumpre a lei de Deus tão preocupado em só fazer o que tá escrito que fazendo isso você se afasta do que que é o que Deus realmente queria, entende? Essas discussões são importantes. É isso que que a gente tem que tomar cuidado. Eu sou um sujeito, vocês sabem, né, gente? Eu sou eu sou adventista. Eu guardo o sábado. Eu, a gente tá falando aqui mais cedo da das leis de alimentação. Eu cumpro essas leis de alimentação a minha vida inteira. Eu nunca comi carne de porco, a não ser uma vez por sem querer. Eh, eu eu cumpro a rigor essas leis, mas eu sei que elas não são o o meu relacionamento com Deus passa por elas, por passa por essas leis, mas não se resume a elas. O meu relacionamento com Deus não é o cumprimento dessas leis. Passa por isso, mas não se resume a isso. Não para nisso, porque se parar nisso, eu posso ter um relacionamento distorcido com Deus. Eu posso descumprir a vontade de Deus enquanto eu tô aqui cumprindo a lei, entende? E isso pode acontecer com qualquer cristão. Tô dando meu exemplo porque normalmente adventista é mais conhecido por ter um monte de lei e tal que não deveria seguir e tal. Então, é, é esse é o, acho que é um ponto importante. Você tem que tem leis mais importantes que outras e você tem que tá com os olhos abertos para você poder descumprir todas as leis que estão na Bíblia para fazer a vontade de Deus. Se tiver, eu eu guardo o sábado, eu não pego trabalho no sábado, já deixei de ganhar oportunidade por isso, tal. Mas se alguém tiver passando mal, eu vou pegar e vou levar no hospital, né? Se precisar comprar um remédio, vou lá, compro um remédio, passo o dia inteiro no hospital, vou pra farmácia, faço o que precisar, porque esse é um princípio mais importante, entende? Tô dando meu exemplo nesse caso específico, mas ah, eu tô propondo aqui para vocês pensarem sobre o assunto, como isso funciona na vida de vocês, dentro das leis que vocês entendem, que que vocês se propõem a cumprir, eh, que vocês entendem que é a vontade de Deus. Eh, o qual você acha que é um princípio mais importante que faria você descumprir várias coisas? Ah, importante ir na igreja, mas se no dia de ir na igreja tem uma pessoa precisando muito da sua ajuda para uma coisa muito séria, você vai na igreja por causa disso, vai deixar a pessoa lá desesperada, morrendo, passando mal para ir na igreja, né? Então, essas coisas são, Jesus fala muito sobre isso, sobre essa hierarquia de importâncias das coisas, né? Eh, caso surja conflitos com eles e outros princípios, como não como não mentir, por exemplo, não roubar, etc., você teria que ficar com a vida. Eh, então, Davi, fingir de louco para preservar sua vida não seria errado, pois o princípio sobrepõe. Exato, é isso mesmo, né? Mas no Novo Testamento, a ideia de martírio parece que inverte isso. Dar a sua vida pelo evangelho se tornou heróico ou até buscado. É dar a sua vida pelo outro. se torna no Novo Testamento a forma mais nobre de servir o outro, de cumprir a vontade de Deus, né? E e dar a sua própria vida. É, a gente tem tem a h tem uma questão aí que vale a pena realmente pensar, né? Dá a sua própria vida eh pelo evangelho, né? O que que isso significa exatamente? Ah, por exemplo, eu como, eu não como carne de porco, porque eu tava falando, mas se alguém botar uma arma na minha cabeça, logo você come carne de porco, você morre, eu vou comer carne de porco. Não vou falar não, eu tenho que provar a minha fidelidade a Deus. Minha fidelidade a Deus não existe quando eu tô morto. Eh, existem coisas mais importantes, né? A preservação da minha vida, inclusive se sobrepõe a algumas leis que são menos importantes. Mas, por exemplo, no judaísmo também a ideia da sobreposição da vida, ela não vale em caso de idolatria. Então, é mais importante você perder a sua vida para você não negar a sua fé em Deus, não cometer idolatria, né, do que você salvar a sua vida e cometer um ato de idolatria, né? Então, esses essa hierarquia é importante cada um pensar sobre para você, qual é a sua hierarquia eh da da bíblica, né? Porque isso existe até gente com quem não é religioso, viu? A hierarquia, a gente chama de hierarquia moral, isso. Ah, todo mundo acha que que que é errado mentir, mas o exemplo clássico, né? Eu já falei isso aqui uma vez. Eh, mas se você tivesse na Alemanha nazista escondendo judeus dentro do seu porão e batesse um soldado da S, um oficial da SS na sua porta e falar assim: "Ô, você tá escondendo judeu aí na sua casa? Você deveria mentir para salvar a vida daquelas pessoas ou falar a verdade e fazer com que elas morressem, né? Então, no caso, você tem uma hierarquia de valores. Não, mentira é importante, mas é como importante? Será que é importante eu fazer pessoas morrerem para eu não mentir, né? E aí vem aqueles dilemas morais que o pessoal fala: "Tá, mas eh eu posso matar uma pessoa para salvar a vida de outras duas, posso matar a vida de uma pessoa velha para salvar a vida de uma pessoa nova?" Aí já começa a ficar muito complicado. A Bíblia não tem essas respostas. São coisas que também não sei se existe uma resposta para essas coisas, né? Mas que existe uma hierarquia de valores, isso existe. E existe uma hierarquia de valores dentro da Bíblia também, né? Eh, a Lucilene falou: "Existem estudos escatológicos que calculam os tempos com base nesses conceitos de jubileu?" É, existem muitas coisas pensando nisso, viu, Lucilane? Eh, então diz, mas negligem os preceitos mais importantes da lei, justiça, misericórdia e a fé. Ó, perfeito exemplo, João. Perfeito exemplo. Exatamente sobre isso que Jesus tá falando. Vocês estão aí cumprindo que Jesus vai falar. Vai vai coer um um um coer um um cisco, engoli um camelo, uma coisa assim, né? Vocês estão se preocupados com coisas que são menos importantes. Tem coisa muito mais importante que vocês estão negligenciando. É esse o ponto. É exatamente, esse texto é excelente para isso que a gente tá falando, né? Eh, dão um dízimo, mas negligencia os preceitos mais importantes da lei, justiça, misericórdia e a fé, né? Ótimo. Ótimo. A gente termina com essa citação aqui do João, porque é isso daí. Aí o José Márcio coloca aqui o meu bom e velho Roney, boa noite. Bom revêo. É legal, José. Eh, então tá bom, gente. É isso. A discussão hoje é essa. Eh, eu gosto de discutir isso. A gente, por mim, a gente voltaria isso o tempo todo, porque essa discussão sobre princípios importantes e quão às vezes é bom a gente até quebrar leis para manter esses princípios, isso é uma discussão difícil, eh, mas é extremamente necessária. Extremamente necessária. E tem a ver até com o que a gente estava falando antes sobre escravidão, etc. e tal, né? Hoje a gente consegue ver mais claramente como coisas como a escravidão são contra princípios como misericórdia, justiça e fé, né? Para mencionar mais uma vez o texto que o João citou aqui, gente, boa noite para vocês. Então, a gente se vê aí num próximo numa próxima live. Hoje a gente ficou bastante, né? 10:10 já. Tá na hora de eu ir dormir também. Amanhã eu vou pra igreja. Então é isso, gente. Uma boa noite para vocês. Obrigado aí por vocês terem acompanhado até aqui. Espero que vocês tenham gostado dessa discussão que eu gostei. Eu gostei, gostei de de conversar com vocês sobre essas coisas todas aí. Então, valeu, gente. Até mais. Ciao. Ciao.