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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 27/03

Davar Live – 27/03

Davar Live – 27/03

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Fala aí, pessoal. Tudo bem? Como que
vocês estão? Deixa eu ver se meu
microfone tá ligadinho aqui. E aí,
gente, boa noite.
Eh,
como tá aí o áudio para vocês? Tá tudo
certo hoje? Eu acho que vai tá OK. Já
deixei o microfone aqui pertinho da
minha boca para não ter problema.
E vamos lá então, né? Vamos lá para mais
para mais mais essa live aqui. Eh, eu já
vou começar aqui comentando. O Carlos já
deixou um uma mensagem aqui. Hoje é na
disciplina, galera. Deixa o Ron abordar
os tópicos das mensagens que ele
escolheu.
Eh, o Carlos pôs aqui, gente, mas eu eu
fujo da disciplina que ele tá colocando
aqui.
Eh, o Mateus falou: "Tô ouvindo uns
negócios do áudio no áudio, mas nada que
interfira muito". Eu tô com o meu
ventilador ligado aqui. Deixa eu ver se
eu desligar ele, se
o áudio ficar melhorzinho.
Só puxar ele da tomada aqui.
Vamos lá. Será que melhorou?
Mas como eu tava falando, eu não eu não
sou Caxias igual o Carlos, não. Vocês
podem comentar e viajar aqui à vontade.
A gente nem precisa fazer as coisas.
[risadas]
tão certinhas do jeito que que a gente
tinha comentado que ia fazer. Tá bom? O
Carlos pôs aqui zoação, tá? Eh, mas tá
bom, gente. Vamos lá. Então, eu sei que
essa semana a gente não teve muitos
comentários,
não tem muita coisa assim para para
dizer. O pessoal comentou, teve gente
comentando eh lá na live passada
falando: "Ah, esse é um dos melhores
canais de teologia do YouTube". Muito
obrigado. Eu nem sei se o que a gente
faz é exatamente teologia,
porque a gente não faz de um jeito muito
tradicional, né? A gente não fica
falando das correntes teológicas e o
nome de uma de uma coisa da outra, o
arminianismo contra o calvinismo, essas
coisas assim. A gente pega o texto e dá
uma viajada nele. A gente filosofa um
pouco nele.
E e eu gosto dessa vibe no canal. Eu
espero que seja uma coisa que que vocês
gostem também, porque assim, é o tipo de
de abordagem que eu acho que é um é um
pouco diferente
do que normalmente as pessoas fazem no
YouTube. Tem muita gente falando sobre
Bíblia no YouTube e tal. Eh, e eu gosto
de fazer desse um jeito um pouquinho
diferente, sabe? pra gente poder viajar
mais umas questões, talvez até mais mais
eh mais filosóficas mesmo sobre coisas
que o texto coloca. Nossa, eu tava vendo
uma coisa de um texto agora a pouco
antes de entrar na live, de uma música
que eu gosto que é baseada em um texto
de cantares.
Aí eu parei para dar uma olhadinha
melhor no texto, falar: "Nossa, será que
o texto fala isso mesmo do jeito que tá
na música?"
Cara, texto absurdamente bonito.
Texto compara o amor. O amor, a ele é eh
ele fala da amada, né? Quando o Cantáes
tá lá, o noivo falando da amado, fala,
ela é bela como Jerusalém
e é terrível como um exército com seus
estandares. Então essa ideia da beleza
ser tão forte, tão forte, que ela passa
a ser amedrontadora, terrível, é uma
ideia tão refinada, tão bonita do texto
bíblico. E ele falou: "Ó, desvia os seus
olhos de mim porque eles me arrebataram,
porque eles me deixaram
catatônico. É muito legal". E aí termina
lá o cantar, vocês conhecem, né? Que o
amor é forte como a morte, é como o fogo
arrebatador de Então, esse tipo de de
perspectiva do texto bíblico, que eu
acho que é o que interessa aqui,
eh, pelo menos ultimamente, mas não,
acho que isso é uma coisa, tá? mais
desde o começo do canal mesmo, eh, pegar
mais ideias interessantes no texto
bíblico do que a gente discutir teologia
nesses moldes mais
tradicionais, né?
Mas é isso. Vamos lá, então. O Flávio
mandou aqui um boa noite,
o Mateus que já tinha falado, né? Eh,
Daniel
Alverde Camargo, boa noite. O Gilson
Pereira,
o Marcos Portinho, o Mateus até coloca
aqui. Tô mostrando todos os seus vídeos
pra minha namorada. [risadas]
Coitada, né? Quando eu começo a me
empolgar e querer mostrar coisa pra
minha esposa, normalmente é o tipo de
coisa que ela fique melhor que aquela
cara. Nossa, sério que você gosta disso
daí?
>> [risadas]
>> Mas vamos lá. Então, gente, já que a
gente tá nessa pegada, nessa vibe, não
tem muitos comentários também no canal
essa semana, eu tenho tem uma coisa que
eu preciso fazer urgentemente, que é
pegar os cortes que eu já fiz live,
das lives e soltar como vídeos, porque
isso dá uma agitada no canal. Quando
fica lá só na na abinha lá do ao vivo,
só uma live de 1 hora 40 e tal.
Nem todo mundo clica. Quando são vídeos
menores, com um tema mais explícito no
título e tal, com uma tambzinha mais
bacana, aí com certeza tem muito mais eh
tem muito mais clique e tal. Então eu
preciso fazer isso urgentemente.
Eh, e eu queria fazer isso com um
com as lives e tal. Eh, mas é isso. Eu
preciso fazer isso. Eu eu tô devendo
isso. Eu Mas agora eu vou ter um
pouquinho mais de tempo e eu vou
conseguir fazer essas coisas.
Eh,
aí
o Carlos coloca aqui as metáforas do
canto de cantar às vezes são difíceis de
nossas mentes ocidentais entenderem.
Exato, Carlos. Mas por outro lado,
vamos lá, vamos falar um pouquinho sobre
cantar. Já que eu comecei falando disso,
o que eu acho interessante em Cantares é
que é um livro muito incômodo. Talvez o
mais incômodo da Bíblia. Ele é tão
incômodo que aí o pessoal fala: "Não,
não, isso não é o que ele é. Isso aqui é
uma alegoria. Isso não é o que que ele
tá falando o que é. Porque o livro de
Cantares, vamos usar palavras claras
aqui, gente, é um poema erótico no meio
da Bíblia, né? É um poema do
do do noivo se declarando pra noiva. E
ele fala como ela é belo, ele descreve
as partes do corpo dela, né? Ela fala
como ele é belo, ela também fala que a
que os beijos dele são como vinho e tal.
Então, é um é um poema com uma
sensualidade, com um erotismo aí
envolvido, eh, de uma forma bonita,
poética, né? Eh, algumas passagens até
as pessoas falam: "Ah, isso daqui tá
parecendo querer dizer tal coisa mais
assim sexual, mas sempre de uma forma um
mais poética, não tão direta, né? um
pouco diferente de algumas músicas que
tem hoje. Eh, mas é um texto que fala
sobre sexualidade.
Isso é tão incômodo que normalmente ele
é entendido como uma metáfora. Eu sei
que não é isso que o Carlos quis dizer
necessariamente, talvez seja, mas não
necessariamente, mas como uma metáfora,
como uma alegoria para falar da do amor
de Deus e do seu povo, porque não pode
ser só uma uma celebração da
sexualidade, né? Mas cruelmente é isso
que o texto é. E o que eu acho bacana,
bom, já que a gente já tá falando de de
Cantares mesmo, algumas coisas que estão
interessantes aqui, é a sexualidade
vista de uma forma pura assim, eh, que
ela chega a ser surpreendente pro
contexto da época, porque não é comum na
época, num texto do antigo Oriente
Médio, a mulher falar da própria
sexualidade de forma tão livre, ela
falar do do do prazer que ela sente no
corpo do seu amado, né? Então,
eh, essa é a primeira coisa que chama a
atenção. O texto, o texto se vê de
forma, de certa forma, ingênua até. Eh,
e no final, a mensagem que seria
religiosa é o próprio amor dos dois, de
um pelo outro.
A palavra Deus não aparece no texto. Ela
só vai aparecer lá no finalzinho, lá no
capítulo oito, nos últimos versos,
quando ele vai falar o seguinte, deixa
eu até abrir aqui que eu tava eu tava
vendo isso aqui, que é o capítulo 8
verso 6, que é aquele aquele verso mais
mais conhecido, né? Porque o amor é
forte como a morte, ele é duro como o
inferno, como a sepultura, como né, no
hebraico. Eh,
assim é o zelo. As suas brasas são
brasas de fogo e de labaredas. E esse de
laabaredas é de labaredas de yaá, que é
uma corruptela do nome de Deus, do nome
sagrado, né, do do tetragrama. Então ele
ele fala que esse amor ele ele é tão
forte que ele é comparado às forças
inexoráveis
da natureza que atingem a existência
humana com a própria morte, a sepultura,
né? E como o fogo de Deus, como o fogo
de Yahvé. Deixa eu silenciar meu celular
aqui.
Então, eh, é nessa hora que aparece o
nome de Deus nessa corruptela de Yahvé
como Yá. Então, o amor
é o fogo de Yahé. É disso que a gente tá
falando nesse texto, do próprio fogo de
Yahé que queima, eh, que é poderoso como
a própria morte e como a sepultura, né?
Eh, é uma coisa, a gente pode viajar
aqui nessa ideia que é uma coisa que é
irreversível, é uma coisa que não se
pode evitar na vida, que quando aparece
não há o que se fazer, né? eh, que o
homem é, o ser humano é é minúsculo
perto de uma força tão imensa e
poderosa. E é disso que o texto tá
falando, desse amor que é que que você
não consegue não consegue conter ele,
você não consegue fazer nada diante
dele. É por isso que ele fala: "Nossa,
isso daqui é terrível. É como um
exército como as suas bandeiras. Desvio
os seus olhos de mim, porque eles me
afugentam, eles me arrebatam, né? Eu não
consigo olhar para você com esses olhos
voltados para mim. Isso é muito bacana,
gente. Então, eu gosto de entender o
livro de Eclesiastes mais como uma outra
forma de falar de Deus.
Você Ele tá falando de Deus, mas não
dessas relações
eh dessas relações religiosas, mas ele
tá falando de Deus de uma outra forma.
Existem coisas no nosso dia a dia que
são a própria manifestação divina
escancarada na nossa frente, como o amor
que o noivo sente pela noiva e que a
noiva sente pelo noivo, né? E que os
dois estão arrebatados por essa força
misteriosa e e arrebatadora e e e
que não pode ser contida, né? Eu acho
muito bacana essa essa é uma perspectiva
de como se ver Deus. Na verdade,
o texto tá vendo Deus em coisas do dia a
dia e que a gente não percebe, que são
maiores do que a gente mesmo, né? Parece
que o amor é só um sentimento que tá
dentro da gente. E o texto tá falando:
"É mais do que isso. Você tá dentro
dele, ele é muito maior do que você, né?
Eh, esse é o fogo de Yahé que tá
passando por você e você sente dessa
forma, né? Muito louco isso. Muito da
hora esse texto.
O Daniel vai colocar aqui: "Salomão
escreveu no auge da juventude."
É difícil dizer, Daniel, normalmente se
entende, se entende assim. Cantares.
Salomão escreveu na juventude.
Provérbios ele escreveu na idade mais
madura
e e Eclesiastes ele escreveu na sua
velice. Por quê? O o texto tem algumas
dicas em relação a isso. Então, por
exemplo, em Cantares, ele tá falando de
um amor do noivo pela noiva. Tem uma
pegada mais de juventude mesmo, né?
Eh, o livro de Provérbios, ele tá
falando de conselhos de pai para filho,
então já não tá falando mais de uma
pessoa tão jovem assim.
E Eclesiastes vai falar mais
explicitamente no final da vida sobre a
velice. Tem todo um poema descrevendo a
velice, acho que é no capítulo 12, né?
Eh, e que assim ele descreve de uma
forma tão pessoal que você falar, cara,
ele tá falando dele mesmo, isso daqui,
né? Ele tá falando de algo que ele
experimentou. Não é possível. Então,
normalmente se coloca essas coisas, mas
o texto mesmo não fala assim tão
claramente. Então, a gente pega aqui
umas dicas para tentar estabelecer essas
relações, né, desses três livros de
Salomão. Os três eu gosto bastante,
mas de Eclesiastes um pouco mais, eu
acho. Eu gosto de coisa de velho, né?
Eh, então vamos lá, gente.
Vamos então para aquele react que eu tô
devendo para vocês faz tempo. Eh, o que
que é interessante? Esse react é react
de um cara chamado chileno Gomes.
É um desses reactorss que tá tendo, tá
meio que na moda agora, que é um cara
versus trocentos, [roncando] não sei o
que, né? Então, nesse caso, é um ateu
versus versus 13 pastores. E o título tá
até errado porque, pelo jeito não é todo
mundo que é pastor ali, né? Mas a gente
que se interessa por teologia em geral,
que que tem algum conhecimento e tal, eh
eu não gosto muito desse formato de
vídeo para ser honesto. Eu gosto de
debates, eu gosto de ver debates na
internet, mas esse formato eu acho ele
ruim, porque
quando você tem várias pessoas debatendo
ao mesmo tempo e tem aquele negócio de
você ir trocando quem tá debatendo, dá
uma,
você limita a o aprofundamento das
ideias ali. Só dá para debater ideias
mais superficiais. Não dá para você
pegar uma ideia e aprofundar ela, chegar
lá no fundo e falar: "E aí, que que você
acha?" e o outro se aprofundar também
não dá não. Nesse tipo de formato não
dá. Então, por isso que eu não gosto.
Eh, e fica muito esse negócio muito
combativo. É como se fosse, sei lá,
coloca o Michel Mike Tyson versus 30
pesos pena e tal. Não é uma luta que
você teria vontade de ver, porque
ninguém ali tá realmente lutando de
verdade. Vira uma coisa mais circens
assim, né? Eh, fazendo essa comparação
esdrúxo lá. É mais ou menos o que
acontece aqui. Não acaba não sendo um
debate de verdade, né? Ninguém se
aprofunda muito, ninguém consegue
completar um raciocínio mais longo, né?
Como a gente faz aqui no canal. Às vezes
a gente pega uma coisa e para eu
explicar isso, deixo eu aprofundar isso,
deixo estender esse raciocínio para você
entender aonde eu quero chegar, porque
às vezes tem pensamentos que são mais
complexos que você não consegue falar
ele em duas frases, não consegue falar
ele em 2 minutos. você tem que explicar
de um jeito um pouco mais é buscado, vai
toma um pouco mais de tempo, né? E esse
formato não permite isso. Bom,
considerando isso, alguém tinha me
mandou, foi meu irmão que me mandou esse
esse vídeo aqui. Eh, por eu quis fazer
um react dele, porque o vídeo toca em
temas que são interessantes, que dá pra
gente aprofundar. Então esse react não
vai ser nem assim um uma Ah, eu tô
falando, eu agora vou acabar com esse
ateu que você está falando aqui. Eu não
gosto desse tipo de postura, vocês
sabem, né? Não é assim que a gente faz
aqui no canal. Eh, e eu vou concordar
algumas vezes e vou discordar algumas
vezes aqui do chileno Gomes, é o nome
dele, né?
Eh, mas mais do que isso, eu vou pegar
as conversas que estão tendo e a gente
vai tentar ver desdobramentos mais
profundos aqui dessas questões, né?
Dentro da perspectiva, claro que é aqui
do do canal, né? A gente vai ver de uma
perspectiva mais bíblica, mais religiosa
e tal, mas eh mas tentando ter um bom
senso de entender que existem outras
perspectivas que são legítimas também,
esse tipo de coisa, né? Então, vamos lá.
Eu tô com o meu fonezinho velho aqui,
que tentei comprar um outro fone e não
deu muito certo, mas eu vou com o meu
fone,
meu fone que tá caindo aos pedaços aqui
e eu vou deixar a câmera assim que aí eu
acho que vocês vem também, né?
Hoje vocês estão mais quietos aí, né, no
comentário, nos comentários. Mas vamos
lá. Eh, eu aliás, deixa eu abrir aqui
porque eu quero ver, a gente não vai
ver, aliás, importante, a gente não vai
ver o debate inteiro aqui. A gente vai
ver só uns pedacinhos do começo pra
gente poder se aprofundar nesses temas
que eu comentei aqui, tá bom? Então, a
gente vai ver umas coisas do começo do
vídeo
e aí a gente vai discutir algumas
questões. Eh,
tá, vamos lá. Eu vou vou colocar aqui,
aí a gente vai comentando.
>> Vender. E se ele não quisesse desposar a
a filha do outro, ela poderia dar pro
seu filho. Então você tá falando de um
adulto mantendo relações com uma menina
de 11, 12 anos. Isso na pedofilia.
>> Hoje no nosso país, uma menina de 14
anos, ela não pode se relacionar se ela
permitir por escolha própria com um
homem maior de idade.
>> E eu te faço uma pergunta. Se vier um
sujeito agora na sua casa, o senhor tem
quantos filhos?
>> Dois.
>> Dois filhos. Se ele viesse lá estupasse
e matasse seus filhos, depois ele se
matava.
>> [música]
>> Mas é necessário um princípio inicial da
onde partam todas essas coisas.
>> Como que Deus sempre existiu ou tá fora
do tempo e sempre vai existir?
>> Se você me afirma que a Bíblia ela não é
a palavra de Deus.
>> Amar Deus assim.
>> Bom, vou passar aqui essa primeira parte
que é só o é só a chamada aqui pro
>> Tava certo teologia e hoje eu vou
debater com alguns cristãos. Espero que
seja uma conversa amistável. A minha
primeira afirmação é: a Bíblia defende a
escravidão e a pedofilia. Bom, primeiro
ponto, né, é os temas que a gente vai
comentar aqui desse primeiro, dessa,
dessa primeira parte do vídeo aqui, que
é o que a gente vai comentar. Talvez a
gente comente alguma outra coisa em
outra ocasião que ele comenta mais pra
frente desse vídeo. Mas também fica aí a
dica. Se vocês quiserem ver um
comentário sobre um vídeo específico que
a gente pode fazer um react aqui também,
vocês põe aí no comentário alguma coisa,
algum vídeo que você achou legal, algum
vídeo que você ficou intrigado, alguma
coisa que você queria ver eu reagindo
aqui. Vocês podem colocar aí que aí eu
vou dar uma olhada, vou ver se se para
mim vale a pena, né? Porque às vezes é
um vídeo que para você é muito
intrigante. Eu olho e falo: "Ah, não sei
se eu quero comentar disso". Mas põe aí,
eu dou uma olhada e de repente a gente a
gente acaba comentando também, tá bom?
Eh, então tá, gente, vocês estão me
acompanhando aí.
O meu chat tá meio parado aqui, eu não
sei se é só isso, se vocês estão só
escutando aí, tranquilos, mas vamos lá.
Eh, o que que é interessante? Essa
semana teve uma resolução da ONU falando
que a escravidão
foi a maior, ah, eu não vou lembrar da
palavra exatamente, mas a maior
tragédia,
a pior coisa que a humanidade já fez, o
pior genocídio, alguma coisa assim da
humanidade. Teve gente contestando,
falou: "Não, mas tem a perseguição
contra os judeus, teve outra coisa
também e tal". Mas eu é difícil você
comparar com a escravidão eh a
escravidão atlântica, especificamente a
escravidão do comércio de escravos
vindos da África para as Américas, né?
Eh, porque é uma coisa que durou
séculos,
que teve assim desdobramentos que chegam
no ponto mais baixo da humanidade, né?
Que o pessoal comenta os navios
negreiros. Eu trabalho com animação e
modelagem 3D, essas coisas, né? Teve uma
exposição um tempo atrás aqui no Museu
Catavento que eu fiz um modelo de navio
negreiro para ser impresso em 3D para as
pessoas verem como era. E assim, gente,
as pessoas atravessavam o Atlântico. Nós
chamamos de pessoas, eles chamavam de
produtos de comércio, né? eh,
atravessavam o Atlântico deitadas num
espaço que imagina você atravessar o
Atlântico deitado num navio em que a
você tá encostando a cabeça atrás e o
teto tá aqui na sua frente. Você não tem
espaço para levantar, você não tem
espaço para se mexer. as pessoas eram
deitadas umas do lado das outras assim e
cobria ali alguns andares ali dentro do
navio e era um negócio, imagina vários
dias, meses n sem você ter conseguir se
levantar. meses você tá deitado, as
pessoas fazendo suas necessidades ali,
era de um jeito tão
tão animalesco, tão desumanizador que
muita gente morria, né, no nia chegar no
final dessa, desse trajeto, imagina, né,
criança colocada ali, ah, tem um
cantinho aqui, dá para colocar uma
criança deitada, põe ali e vai embora. é
um negócio assim, eh, a gente chegou num
ponto naquela época de de desumanização,
de assim de perversidade, que é uma
coisa assim inimaginável. Então, eu até
concordo
com a com essa resolução da ONU. Eh, é
difícil comparar tragédias e tal, é
sempre uma coisa meio esquisita, mas eu
acho que daria sim para falar que a
escravidão atlântica foi a a pior coisa
já feita pela humanidade, o pior
genocídio. Eu não lembro exatamente como
foi colocado as palavras,
mas a gente vai comentar algumas coisas
aqui em relação a essa frase dele aqui.
Vamos lá.
>> Opá,
>> boa tarde.
>> Boa tarde. Prazer. Bom, boa tarde. Meu
nome é Diego Fernandes. Eu sou cristão,
teólogo. Eu vim defender que não, a
Bíblia não defende a pedofilia nem a
escravidão, até porque esses conceitos
são anacrônicos quando colocarmos diante
do texto bíblico. Por exemplo, o
conceito de escravidão moderna, ele se
baseia, entre outros fatores, no quesito
racial, enquanto que nos textos bíblicos
e no antigo Oriente você não vê esse
conceito impregnado, especialmente na
Bíblia Sagrada.
>> Desculpa, mas só, só para para corrigir,
o fato da escravidão moderna ser racial,
a escravidão ela sempre existiu na
história da humanidade e não tem.
>> Bom, vamos lá. Tem um ponto interessante
aqui que o cara traz,
eh, e essa é uma questão, esse é o tipo
de questão que valeria a pena se
destrinchar um pouco mais, mas não tenho
tempo aqui no no vídeo, né? Eh, o que
acontece?
Existe uma palavra que é a palavra
escravidão e essa palavra descreve
fenômenos diferentes.
Esse é o ponto, né? Uma palavra descreve
várias coisas diferentes que aconteceram
no decorrer da história. A gente usa a
mesma palavra que o que elas têm em
comum seria eh uma pessoa ser dona eh do
do trabalho da outra
e eh você poder vender essa outra pessoa
e tal. Então, esse a ideia de comércio
da da das pessoas em si, eh, é o que
define essa palavra escravidão. Mas
isso, essa palavra acaba sendo tão
elástica.
Então, por exemplo, no texto bíblico, a
gente tem uma palavra que é a palavra
eved, que é a palavra escravo, que é a
mesma palavra que aparece lá em Isaías
53 para falar do servo sofredor. A
palavra servo também, a palavra evid.
A palavra eved, eh, a palavra avodar
trabalho, ela também é usada no sentido
de serviço religioso.
Então, assim, o texto hebraico,
especificamente, ele tem poucas palavras
e você tem um campo semântico muito
extenso dessas palavras.
Então elas têm um significado muito
elástico.
Então quando você fala de escravidão na
Bíblia, você não está falando do mesmo
fenômeno do que acontecia aqui nas
Américas. Apesar de ter coisas em comum,
você tá falando de situações diferentes.
Então, por exemplo, eh Abraão tinha um
servo,
o servo eh
ah, eu não esqueci o nome do servo de de
Abraão, né? Eh, Abraão tinha um servo e
Abraão fala para esse servo o seguinte:
"Ó, vai atrás de uma esposa pro meu
filho". Esse servo: "Tá bom, vamos lá,
né?" Aí o servo vai, viaja, encontra lá
na no no povo que era parente de Abraão,
uma esposa para Isaque e tal, eh, Rebeca
e tal. E e tem toda essa história de de
Isaque, do servo do de Abraão com com
Rebeca. Nossa, eu tô confuso aqui porque
eu tô tentando lembrar do nome dele, não
lembro. Não sei se alguém colocou aqui
no chat porque agora também nem tô
conseguindo acompanhar o chat porque eu
tô vendo eh outras coisas aqui. Elizer,
obrigado, Carlos. Elieszer, exato. É, eu
tava lembrando da tradução do nome que é
meu Deus é ajuda, né? Eh, mas é isso.
Elizer.
Ah, e o Carlos colocou maior crime
contra a humanidade, a escravidão.
Interessante, né? É isso daí mesmo. Eh,
e aí o Eliéser, ele faz essa viagem,
quando ele encontra a esposa para
Isaque, ele se prostra e e faz uma
oração. Bendito seja o nome do Senhor,
que que encontrou a a esposa para Isaac
e tal.
Olha a situação. Você e e deu uma pôs um
anel no nedo do no dedo dela, deu
presentes e tal. Então, imagina essa
situação
acontecendo aqui nas Américas. Um senhor
de escravo fala pro escravo: "Olha, o
seguinte, eu quero que você vá buscar
uma mulher pro meu filho em uma outra
cidade lá longe. Toque um monte de
presentes de coisas, eh, de tesouros
para você dar para ela quando você
encontrar essa pessoa." E o escravo vai,
viaja, encontra e quando ele encontra,
ele fica feliz, ele ora para Deus, fala:
"Nossa, graças a Deus encontrei". e ele
coloca um anel de brilhantes, tipo, é é
impensável, inconcebível, porque dentro
de um contexto de escravidão
que a gente pensa quando a gente usa a
palavra escravo aqui no contexto do
Brasil,
se você permitisse que o escravo saísse,
ele já não ia voltar. Se você pedisse
para ele ir para uma cidade lá do outro
lado, ele já não iria voltar. E se você
desse um monte de riquezas para ele
ainda, para ele cumprir a missão dele,
aí obviamente ele não ia voltar, porque
ele tá sobrevivendo, ele tá tentando
fugir para salvar a própria vida. Então
esses detalhes faz que parecem muito
esquisitos quando a gente usa a palavra
escravo, justamente porque a relação era
diferente do que acontecia aqui no
Brasil. Eh, não que no Brasil também não
tiverem escravos que tiveram boas
relações com os seus os seus senhores,
mas a própria relação de escravidão era
diferente. E esse elemento que foi
trazido aqui, que é o elemento racial,
também faz muita diferença, né? Eh, você
não tinha uma raça que você identificava
só de olhar e que ela era identificada
com toda essa ideia de escravidão
desumanizadora. Então, você olha para
uma pessoa, pelas características
físicas dela, você já considera ela uma
pessoa inferior. Não era essa relação
que acontecia, né? Não que não houvessem
também desumanidades
dentro do conceito de escravidão antiga,
né? Eh, havia também, mas eu acho que o
ponto aqui que era importante e que não
tem tempo para falar nesse formato de
debate é justamente que existem nuances,
existem detalhes que fazem com que sejam
fenômenos diferentes. Apesar da gente
usar a mesma palavra escravidão,
você vê claramente que uma coisa tem uma
conotação diferente da outra, entende?
Eu acho que é esse o ponto que é
importante a ser falado aqui, né? Vamos
ver um pouquinho mais aqui.
>> Tem nada a ver com raça. Escravidão é um
ser humano ser dono de outro ser humano.
Ponto. Isso já existia já muito antes,
inclusive da Bíblia começar supostamente
ser escrita.
>> De fato, isso já existia muito antes da
Bíblia começar a ser escrita, o que
prova que não foi instituída pela
Bíblia. Mas, mas a afirmação não é que
foi instituída, é que ela defende.
Inclusive Êxodo 21 é um capítulo inteiro
de como tratar seu escravo.
>> Interessante você abordar do 21, porque
justamente é um texto, como você fala,
que fala sobre o tratamento. É um texto
descritivo, não ordenativo, não é uma
ordem. Ela não está te ordenando
adquirio. Ela tá, como você disse, uma
prática que já existia, ela está
prescrevendo, ou melhor, ela está
descrevendo uma prática que já existia e
ela
>> existia no povo de Deus. Supostamente,
>> tudo bem, mas os outros povos eram
pagãos. Não interessa pra gente.
Interessa o que, qual é o povo de Deus?
Por que que a Bíblia, que é a palavra de
Deus, ela tem o por que nos 10
mandamentos, em vez de não matarás,
também não tem um não escravizarás?
>> Vamos lá. Se nós formos por esse ponto
que você quer colocar, nós sempre
inventaríos mais um mandamento. 11º,
12º, 13º.
Não, mas a gente tem, a gente tem, a
gente tem os 10 os 10 primeiros, mas
tudo bem. Por que que a lei mosaica
proibia comer crustácio e animais de
casco fendido e não proibia a
escravidão?
>> Então, um ponto aqui interessante, né?
É, vocês estão vendo aí,
existe essa questão de dele que ele
falou: "Olha, o texto ele não tá, ele só
tá descrevendo uma relação que já
existia". Eu não sei se isso é um bom
argumento, porque a própria descrição da
da de uma coisa que existia sem a
proibição, que é o que o Chile não tá
cobrando aqui, é de certa forma como
sentimento aquela relação, né? E
realmente o texto bíblico, e isso é um
problema, é um problema mesmo. O texto
bíblico consente com a ideia de
escravidão.
A gente vai entrar em questões aqui
morais que são bem complexas e que eh
elas precisam urgentemente serem
abordadas em contextos religiosos, que é
exatamente a ideia de que
eh o que que é o que que é o a ideia de
moral, né? o que que é o certo e o que é
o errado. Quando a gente olha pro texto
bíblico, tem coisas ali que o texto
bíblico parece, quer dizer, que não são
erradas e pra gente são horrorosas.
E tem coisas que o texto parece querer
dizer que são horrorosas e pra gente
elas não parecem ter nada demais, né?
Esse conflito é uma coisa importante pra
gente ter em mente quando a gente olha
pro texto bíblico, porque isso de fato
está lá, né?
O, a pergunta é interessante, porque o
texto proíbe eh comer crustácio e não
proíbe a escravidão? E é uma pergunta
que sintetiza esse estranhamento moderno
ao olhar pro texto bíblico, porque
justamente a proibição lá em Levíticos
11 de comer crustácios
é uma proibição que acontece dentro de
um contexto muito específico, que nem é
uma proibição moral, na verdade, eu acho
que talvez aqui seja o o a confusão que
é feita. Não é um texto que tá falando
sobre o que é certo e o que é errado
moralmente. Não tá falando de ética. O
texto tá falando de um, tá estabelecendo
um, um procedimento religioso
que tem um simbolismo embotido, ou seja,
você eh você se abstém de comer comidas
específicas para você se lembrar de que
eh você é santo, né? Ele vai usar uma
lógica parecida com Levítico 19, né? Eh,
vocês vão ser santos porque eu sou
santo. Então, você se santifica quando
você se abstende comer algumas coisas
que você se lembra que você faz parte do
povo de Deus. Então, tem várias
prescrições na Bíblia que são coisas
assim arbitrárias interferindo no na
ordem do cotidiano, que são para
diferenciar
deliberadamente
Israel de outros povos, né? o Israel
antigo dos outros povos para eles se
lembrarem, para eles se colocarem em
relação a Deus, coisas do cotidiano.
Então, quando você comer, você vai se
lembrar no ato de comer, que esse ato
também é um ato religioso. Quando você
tiver comendo, você vai manifestar sua
religiosidade na no seu ato de comer.
Você vai lembrar de que Deus é quem dá a
comida. Eh, você vai lembrar da de que
Deus te tirou da terra do Egito, etc e
tal.
Tudo aquilo ele tá atribuindo um símbolo
à ideia de comer. Então essa abstenção
é essa atribuição simbólica da da
relação com Deus. E esse é o objetivo do
texto de Levíticos 11. Isso fica claro
quando você lê o capítulo. Então ele não
é um texto moral. Ele não tá falando
sobre certo e errado, sobre bem e mal,
sobre o que ético e o que não é ético.
Ele tá falando é sobre outras coisas,
né? né? Ele tá falando sobre eh ele tá
falando sobre essa questão eh religiosa
que a gente tá falando aqui, né? Eh,
cerimonial, [roncando]
alguns vão vão colocar e tal.
Gente, eu vocês estão vendo o vídeo? Eu
na minha na minha tela ele aparece preto
aqui agora que eu tô vendo.
>> É, eu dou play, ele não aparece na minha
tela. Bom, deve est aparecendo para
vocês. Não tô vendo ninguém comentar
aqui, então tá bom. o vídeo, o vídeo que
eu tô reagindo aqui. Então, eh, esses
elementos é interessante a gente pontuar
que existe uma diferença entre um
entre um texto e outro. Tem um texto que
tem uma conotação que quer dizer uma
coisa, tem outro texto que tem outra
conotação que ele quer dizer outra
coisa, né?
Então, tá, deixa eu dar uma olhadinha
aqui nos comentários. O juízo contra a
Babilônia em Apocalipse 18 verso 11. Os
mercadores da terra choram porque
ninguém compra sua mercadoria. Verso 13.
Escravos e até almas humanas. É, então,
João, interessante. A gente vai ver aqui
um texto lá logo lá na na Torá, no
Pentateuco, falando contra
você.
Eh, a gente vai ver aqui sobre essa
ideia do que acontecia nesse nesse
comércio aqui nas Américas. Isso já
seria proibido pelo texto bíblico, né?
Eh, e de onde viria o senso de eu não
poder ser dono de alguém, né? Tipo, no
sentido de ser dono de alguém é errado.
De onde viria a definição de que isso é
errado, etc. Então, Ozel, essa é uma
pergunta bem complexa. Eu não sei se eu
vou responder ela de um jeito
academicamente correto, mas na minha
mente é justamente por causa dessa da
gente ter passado por esse trauma que
foi a escravidão atlântica, né? Eh,
porque aconteceram desumanidades tão
horrorosas
que as pessoas falam: "Não, pera aí,
gente, isso daqui é inadmissível do
ponto de vista moral de bem e mal. Isso
aqui é mal. E aí toda a ideia de você de
você
ser dono do do trabalho de alguém acaba
sendo, é, porque não era só do trabalho,
né? As pessoas acabam sendo donas do
outro como um objeto em si. Isso acaba
sendo questionado e acaba criando essa
essa moral moderna de que escravidão é
uma coisa errada. É importante a gente
falar isso
justamente porque a moralidade, a gente
pode como religioso falar: "Não, a
moralidade vem de Deus, a moralidade não
é uma coisa subjetiva, tal".
A gente pode considerar tudo isso e ao
mesmo tempo considerar que a moralidade
ela é construída socialmente.
Eh, porque se não fosse,
povos diferentes teriam moralidades
iguais ou muito parecidas, mas isso não
acontece. Povos diferentes têm
moralidades completamente diferentes,
né? Eh, existe uma discussão bem
profunda aí. Será que existem pontos em
comum na moralidade universal? até tem,
mas eles não são tão rígidos, tão fáceis
de serem delimitados
e eles não são exatamente a moralidade
da Bíblia também, né? Então, a própria
moralidade de Israel, e é o que a gente
vai comentar aqui do antigo Israel, ela
vem de um contexto que foi construído
historicamente. E o texto bíblico vai
interferir nesse contexto para essa
moralidade e se transformando no tempo.
Então, assim,
já fal adiantando um pouco um argumento
que eu que eu vou falar um pouco mais
para frente, é o texto bíblico não vem
para romper de forma abrupta com uma
moralidade da época, mas para conduzir
eles para um caminho, né?
Eh,
aí
o Oziel coloca aqui, o cara é cheio dos
anacronismos. É importante falar essa
questão do anacronismo também, que é uma
coisa que faz sentido. O que que é um
anacronismo? Anacronismo é o grande
pecado para o historiador, né? Que que é
o anacronismo? É quando você olha para
uma coisa do passado e entende ela do
ponto de vista do que você vê no
presente, né? Então,
eh, você falar de um de uma coisa do
passado a partir de um conceito que não
existia naquela época, entende? Eh, sei
lá, é você olhar pro para para uma
figura do passado e falar: "Olha só, ele
ele é emo cabelo dele de emo, né? E emo
já é uma coisa de velho, né? Ele é
gótico, apesar que gótico também é
conceito antigo. Mas se eu olho para uma
figura do passado e falar: "Olha o
cabelo de emo que ele tem, tá beleza".
Pra época dele isso não quer dizer nada.
É o conceito de dessa tribo urbana emo
existia naquela época. Então você não
pode fazer essa análise dessa forma.
Então quando a gente extrapola isso,
quando a gente fala de escravidão, a
gente fala de escravidão tendo uma
conotação que tem hoje, que não tinha
naquela época. Quando a gente fala até
coisas que parecem mais universais, mas
não são, por exemplo, falar de machismo,
ah, a Bíblia é muito machista. A rigor
não daria para falar isso, porque o
conceito de machismo não existia na
época. Então, a gente tá vendo um texto
do passado do ponto de vista de um
conceito moderno que não existia na
época, né? Então, anacronismo seria
isso, né? E é o importante falar, é o o
argumento que o cara veio trazer e
realmente não deu para aprofundar tanto
aqui, né?
Eh, a escravidão descrita na Bíblia é
alguém trabalhar sem salário para, por
exemplo, pagar uma dívida. Não havia
soit nem maus tratos e o dono deveria
manter o escravo. Tem mais a ver com
servidão, né? Eh, tem essas questões aí,
mas a gente já vai entrar nelas.
Inclusive você podia vender a própria
filha como escrava.
>> Como eu disse, você está entrando em um
ponto anacronismo. A escravidão no nosso
conceito que nós temos de modernidade
não é o conceito das escritoras. Quando
você fala que poderia vender a filha
como escrava, você está eh tirando um
pouco do contexto. O contexto é as
pessoas se vendiam por dívida. A eh é
uma espécie de pagar dívidas. Não,
desculpa, você tá equivocado. Quem se
vendia era o hebreu para outro hebreu.
Quando a nação de Israel ganhava uma
guerra, ela tomava tanto homens ou
mulheres, dependendo da ordem divina,
como escravos para si. Como
trabalhadores que trabalhavam para si de
graça.
>> Vamos lá. Esses trabalhadores que
trabalhavam de graça, entre aspas, eram
pessoas que seriam mortas na guerra.
>> É, aí tem essa questão aqui, né? O o
Chile não tá certo quando ele fala que
não era a escravidão na Bíblia não
acontecia só por causa de dívidas. Essa
questão dos estrangeiros e derrotados em
batalha é uma questão também. Quando
você derrota alguém em batalha, a as
pessoas que estão lá você levava. E o
outro ponto também é verdade, né? Porque
qual era a prática dos povos? Bom, já
derrotei o cara em batalha, então a
gente mata o resto, né, para eles não
formar um exército e vierem e virem
contra a gente. Então essa ideia de você
tomar as pessoas como servos, eu vou
usar essa expressão aqui,
eh
tem uma conotação no texto bíblico mais
de misericórdia do que uma conotação de
de opressão. Isso é uma coisa
importante, né? Eh, por exemplo,
falar da lei do levirato, pra gente
entender como é muito difícil a gente
não ser anacrônico em algum nível. Qual
que era a lei do levirato? A gente já
comentou aqui em alguma vez, né?
Eh, o sujeito é casado com uma mulher,
né? Ele tem outros irmãos e aí ele morre
sem deixar filhos. E aí o que acontece?
O outro irmão
casa com essa mulher do irmão que
morreu, a mulher viúva, né? Eh, isso era
a lei do levirato. Você olha e fala:
"Nossa, que horror! A mulher era
obrigada a casar com ele". O texto tem
muito mais a conotação de a mulher tem o
direito de casar com ele e o cara tem a
obrigação de casar com a mulher. Eh, por
quê? Porque toda a ideia de casamento na
época era muito diferente do que a gente
entende hoje. Então o casamento era uma
coisa que tinha um um certo ônus para o
homem
e um certo benefício, um certo bônus
paraa mulher. Se a mulher não casasse e
envelhecesse, eh, ela ia ser cuidada
pelos pais. Quando os pais morriam, ela
ia viver do quê? Porque ela não tinha a
própria herança, né? a não ser depois
das filhas de Zelofiade. A gente pode
comentar disso depois, né? A gente vai
comentar disso depois, mas a a ideia é a
mulher vive da da do das posses do seu
marido. É assim que a sociedade se
organizava. Então, se uma mulher é
casada, esse marido morre, esses bens
vão pros filhos e tal. Mas como ela vai,
quem vai sustentar essa mulher? Quem vai
trabalhar para sustentar essa mulher,
né? Porque dentro daquele contexto da
época, muitos trabalhos a mulher não
fazia.
Então, que outra homem tem a obrigação
de casar com essa mulher. E as mulheres
não viam isso como uma coisa negativa,
né? Lembra lá da história de Judá
quando eh Tamar vai cobrar Judá, falar:
"Ó, o seu filho já tá em idade de casar,
ele é prometido para mim, porque os
outros dois já morreram, né? Ela casou
com um, morreu, casou com outro, morreu.
Ó, e você não vai fazer essa injustiça
comigo, né? Então essa lei do Levirato,
que pra gente é uma coisa terrível,
horrorosa, no contexto da época era uma
lei muito mais assim no sentido de não,
a gente não pode deixar essas essa viúva
desamparada, né? Então você vai ser
obrigado a a cuidar dessa mulher, né?
Tanto que tinha uma uma lei lá que
falava: "Ó, se a mulher não quiser casar
com você,
eh, você vai ter que pegar um sapato e
ela vai jogar um sapato." Tinha uma
coisa lá com um sapato, não lembro
exatamente como acontecia, mas era uma
certa até humilhação. Cara, você tá
fazendo o favor de casar com essa mulher
que é viúva e ela não quer casar com
você? Então você tá mal mesmo, né? Então
tinha essas conotações que não existem
hoje. O casamento, a ideia de casamento
hoje tem uma conotação completamente
diferente da ideia de casamento dentro
daquele contexto, né? Casar por amor,
casar porque você olhou para alguém,
você se apaixonou, construiu um
relacionamento e casou, é uma ideia
assim que nasceu ontem, né? Uma ideia
moderna, bem recente até na história da
humanidade. Quem é mais velho vai saber
que os avós não casavam desse jeito,
casavam. O casamento era uma instituição
social. que que servia para organizar a
sociedade. Não era uma coisa, a ideia de
casamento romântico é uma coisa que foi
inventada muito depois disso, né? Quando
a Bíblia fala, por exemplo, que Isaque,
quando ele olhou para Raquel, ele se
apaixonou por ela, é uma coisa que assim
salta aos olhos. O texto bírp tá
comentando uma coisa que é
surpreendente, que é diferente, porque
não era assim que funcionava o
casamento. Você não casava com alguém
porque você se apaixonou por a pessoa.
Você casava com alguém porque, olha, tô
na idade de casar. Ah, então vamos
arranjar um casamento para eu poder
fazer uma família. Então as famílias
conversavam: "Ah, a gente consegui essa
moça aqui. Ah, bacana. como então vou
casar com ela. E era mais ou menos essa
a ideia de casamento. Então eu tô
puxando aqui um exemplo pra gente ver
que essas comparações não dá para fazer
tão diretamente, entende? A da conotação
que tinham esses esses fenômenos
sociais. Eh, a a a conotação que eles
tinham daquele contexto é diferente da
conotação que tem hoje, né?
Fala chileno, muito prazer. Eu sou Benur
Cavali. Eu não sou teólogo, tá? Eu sou
um cristão mesmo que gosta de estudar a
Bíblia. E fala galera do Tubacquest. Eu
tô muito empolgado para esse debate.
Acho que a gente vai conseguir dar uma
surra bem legal aí no chileno, mas é
brincadeira. Mas estô bem empolgado,
realmente. Acho que vai ser uma conversa
muito bacana e vai acrescentar muito
para nós que estamos aqui. Com certeza
para você que vai assistir.
>> Vamos lá, cara. Sobre a escravidão que o
meu irmão aqui falou, eu concordo com
ele que tem a questão do anacronismo e
tudo mais. Agora eu quero uma entender,
>> tá? Aí ele vai entrar na outra questão
aqui que é
que é pedofilia e tal. Então da parte do
vídeo é mais ou menos essa parte que eu
queria tirar algumas ideias e a gente
vai comentar agora umas outras coisas
aqui, tá bom? Então, vamos lá, gente.
Deixa eu voltar minha câmerinha aqui.
Eh,
tenho uma ideia, eu vou só falar uma
coisa sobre a ideia que eles comentam
aqui. Eu nem sei se eu posso ficar
falando essa palavra se vai desmonetizar
o vídeo ou não, mas como esse não é um
vídeo que tem milhões de visualizações,
acho que não faz muita diferença. Mas eh
eles vão falar depois da ideia de
pedofilia, né, que ele vai falar: "A
Bíblia defende a pedofilia". Inclusive,
eu discordaria da frase do chileno que a
Bíblia defende essas coisas, né? Eh, que
a palavra defende significa que a Bíblia
diz que essas coisas têm que acontecer,
tem que ser desse jeito, né? E não
necessariamente. É isso que o texto
bíblico tá falando. Ela tá
ela tá organizando isso dentro de um
contexto jurídico, mas a Bíblia não fala
que isso é bom e que isso deve ser
feito, né? Então, eu não sei se a
palavra defende a melhor palavra aí para
falar a relação que a Bíblia tem com
escravidão e com pedofilia, né? Mas pra
gente ter uma ideia de como a nossa
moralidade moderna, mesmo se você for um
cristão, um cristão hiperconservador,
a moralidade moderna ela não é
ela não é derivada diretamente do texto
bíblico. É um, esse conceito da
pedofilia. Pedofilia hoje é uma
sensibilidade muito grande na sociedade.
É uma coisa considerada como uma coisa
horrorosa, terrível. As pessoas falam
disso, as pessoas ficam com raiva, elas
falam: "Não, nesse caso eu acho que dá
para matar uma pessoa e eu nem ia achar
tão errado assim, né?" Então isso seria
dentro do nosso contexto social
considerado uma uma heresia, vamos
chamar assim, uma coisa que fere
completamente a sensibilidade moral da
das pessoas modernas. Eh, e isso
inclusive dos conservadores cristãos,
do, eu tô usando a expressão conservador
cristão para falar eh que
não tô falando de um espectro eh
específico, mas isso passa em todos a
toda a sociedade, inclusive nos
extremos, né? Tanto que isso acaba sendo
uma coisa que as pessoas quando tem
algum alguma alguma briga política, um
acusa o outro disso, né? De pedofilia,
né?
Eh, então a pessoa muito religiosa
também considera isso uma coisa
terrível, né? Existem até alguns alguns
religiosos ali nos Estados Unidos que
tem diversas teorias da conspiração em
relação a isso, a pedofilia, porque
existe todo um um governo mundial
pedófilo, eh, conspiratório por trás dos
panos e tal, né?
Eh, mas se você olhar diretamente pro
texto bíblico,
isso nem existe. A ideia de pedofilia
nem sequer existe no texto bíblico, né?
O que o chileeno vai lá comentar é que
não, a Bíblia ela ela defende a
pedofilia porque fala que quando uma
moça jovem era era eh era pega desses
povos que perderam a batalha e tal, ela
era dada para casamento pros filhos de
Israel. Então, o qual que você já vou
até explicar aqui, a gente nem precisa
assistir essa parte do vídeo, mas a
ideia aqui é o seguinte,
o próprio conceito de adolescência não
existia nesse período bíblico. Então, o
sujeito é uma criança,
ele vai ser criança, no caso da mulher,
ela vai ser criança até a menstruação.
Como ela menstruou, a partir de agora
você é uma mulher e tem todos os
direitos e obrigações de uma mulher
adulta. Então você não tem essa idade
intermediária que a gente criou depois
também. Isso é uma criação social que
veio depois, né, que é a adolescência,
que você não é mais exatamente criança,
você tem algumas coisas que você tem
direito a que são mais de adulto, mas
você também não é um adulto pleno. A
gente criou esse limbo, né, entre a
infância, a infância e a idade adulta.
Isso não existia em nenhum
nenhum povo ali do Antigo Oriente Médio
ali na na
e essa ideia dessa adolescência. Então
você é criança, existe um marcador
biológico no caso da mulher e a partir
de agora você é adulto. Como no homem
não existe esse marcador biológico,
acaba se estabelecendo uma idade, uma
idade arbitrária, que seria lá os 13
anos. E a partir daí que vem a ideia,
por exemplo, do do do
Ah, gente, eu tô esquecendo todos os
nomes hoje, né? Eh, do bar eh Barmitzva,
do Barmitzva, né? Eh, tô, eu também tô
tentando lembrar o a a tradução em
hebraico da do o filho da lei, né, o
barbitsvá.
Então você estabelece uma ideia
arbitrária no caso dos homens, porque o
homem não tem uma menstruação que marca
essa passagem biologicamente paraa idade
adulta, né? Eh, então isso já é um um
conceito tão diferente que a partir dos
13 anos todo mundo é adulto pro texto
bíblico, né? E as pessoas já casavam,
tinham filhos e cuidavam da sua família
e assim por diante, né? Isso é uma coisa
que para a gente hoje é considerada até
imoral. A gente vê isso com uma repulsa,
né? Mas era assim que os povos viam
naquela época.
E o difícil é, tá, eles viam daquele
jeito e nós vemos hoje desse jeito. E eu
tô incluso nisso, né? Eu eu faço parte
do do da sociedade moderna. Eu também
penso todas essas coisas que a gente
estava falando aqui sobre a a o homem
moderno. E eu não consigo não ser um
homem moderno. Eu não consigo olhar para
uma criança de 13 anos e eu e pensar:
"Não, esse cara é um adulto. Eh, na
minha cabeça de homem moderno isso é
inconcebível. Não dá para eu para eu
excluir o meu contexto cultural todo,
entendeu?
Então, eh, quando você olha para uma
cultura que tem um um uma maneira de ver
o mundo tão diferente, é, a sua, é tão
diferente, a pergunta que vem é quem
tava certo, nós ou eles? E essa é uma
grande pergunta que vai correr pela
história da humanidade, porque qual é o
referencial absoluto para você dizer
quem tava certo, quem tava errado?
Entende? Porque se você falar que o
referencial absoluto é a Bíblia, são os
povos do Antigo Oriente Médio, então
você estaria apedrejando adúlteros e
achando que isso é certo. Mas as pessoas
não acham mais certo isso. Então você
diria que pedofilia não tem nada de
errado, porque o texto bíblico não faz
essa condenação.
Eh, então tá vendo como a a discussão é
bem complexa, é bem difícil.
A nossa moralidade, o nosso conceito do
que é certo, o que é errado, mesmo você
sendo cristão, ele vem em parte pela
Bíblia, mas ele também vem em parte
culturalmente. Isso não é uma coisa
necessariamente ruim. Eh, mas isso vai
girar todos esses conflitos que a gente
comenta aqui, entende? Todos esses
conflitos de, poxa, a Bíblia tá falando
isso, mas hoje faz assim e qual que é o
certo e tal. Algumas coisas na Bíblia
ninguém acha mais que é certo, nem os
religiosos mais zelosos, entendeu?
Então, como eu falei aqui, apedrejar
adúlteros, apedrejar o o a as pessoas de
outra religião, né, que você considera
que falou uma heresia e tal. Ninguém faz
isso. Ninguém acha que isso é o que
deveria se fazer, né? E inclusive, olha
só, poligamia é uma coisa que o texto
bíblico defende, né? Eh, nesse caso, eh,
é até interessante que
parece que a Bíblia é mais liberal e nós
somos mais conservadores no sentido
específico de que a Bíblia permitia isso
antigamente e hoje a nossa sociedade não
permite mais poligamia. O cara ter
cinco, seis mulheres. Você acha isso
bacana, né? Imagina sua filha ser casada
com um cara que tem outras três esposas,
né? Eh, então, mesmo você sendo cristão
e considerando que sua moralidade vem
diretamente da Bíblia, você não acha
isso tão bacana, né? Você não acha isso
tão certo, né? Então, é importante a
gente ter essa discussão pra gente ver
que a ideia de que a moralidade vem
diretamente do texto bíblico
não é verdade. A nossa moralidade, ela é
uma discussão
entre o texto bíblico e a nossa
sociedade moderna. É aí que se funda a
nossa moralidade. Isso acontece no
próprio período bíblico posterior,
porque tem coisas que na época de Moisés
não eram permitidas e depois vão ser
permitidas. Tem coisas que na época de
Moisés eh eram proibidas e depois vão
deixar de ser proibidas. Então, eh
dentro do texto bíblico, tem coisas que
na época de Davi fazia, mas que na época
de Moisés não fazia, na época de Jesus
fazia de novo. Então, essas coisas são
assim. Então, por exemplo, a própria
poligamia,
o sujeito tinha várias mulheres na época
de de Abraão e na época de Davi, né? E
na época de Jesus até acontecia, mas
quando a gente vê no Novo Testamento lá
na carta de Timóteo, quando ele vai
falar dos líderes da igreja, fala: "Ó,
os diáconos eles os e os presbíteros,
né, eles têm que ser maridos de uma só
mulher."
Então isso já o a poligamia que era uma
prática comum nos patriarcas de Israel
já não é bem vista no Novo Testamento,
né? E não tem uma outra prescrição
bíblica, uma discussão sobre se isso é
certo ou se é errado. A gente acaba se
fundamentando, inclusive só nessa
passagem aí das epístolas pastorais para
falar: "Então, Vin, tá vendo? O Novo
Testamento falou, agora não é mais
certo, agora o que é certo é só é a
monogamia, é só ter um um marido e uma
esposa, né? Então essas coisas são muito
difíceis porque essas discussões são
profundas e são complicadas. E a gente
tá imerso na nossa cultura. A gente não
pode fingir que a gente não faz parte
dessa cultura que a gente faz, entende?
Não dá para você se furtar disso. Não dá
para você sair do do contexto da sua
própria cultura para ver isso de uma
forma afastada. não dá, você tá imerso
na nessa conversa, né? Isso torna tudo
mais confuso. Considerando tudo isso, o
que eu entendo em relação a essa questão
da escravidão aqui que a gente estava
falando, né? Quando a gente olha pro
texto bíblico, ele não é nem exatamente
o que o chileno tá falando e nem
exatamente o que as outras pessoas estão
defendendo, que o texto bíblico, eh, na
verdade as pessoas nem estão defendendo
isso, né? Mas tem gente que fala isso,
né? Não, o texto bíblico era contra a
escravidão, não era, mas ao mesmo tempo
não é exatamente como o chileno tá
falando, que o texto bíblico defende
escravidão e não vê problema nenhum. O
que acontece é que o texto bíblico é
dúbio.
O texto bíblico é contraditório porque
depende da época, entende? E essa é uma
questão importante e fundamental aqui.
Essa discussão é importante pra gente
entender um conceito importante na
Bíblia. Quando a gente olha aqui, a
gente vai ver esse caso da escravidão
para entender algumas coisas.
Então, Êxodo 21, que é o texto que o
chileiro tava falando aqui pra pessoa,
né?
Eh, Êxodo 21 fala de dessas questões que
tm a ver com com os escravos, fala da
moça que é que é dada como escrava, o o
o pai coloca sua filha como escrava e
tal, quando tem uma dívida muito grande.
Então, todas essas essas questões. Mas
olha só, Êxodo 21 verso 16.
Aquele que sequestrar um homem e o
vender, ou se for encontrado em seu
poder, ele certamente será morto.
Uma questão aqui, eh, no código jurídico
do Pentateuco,
eh,
a morte e você, a, a sentença de morte,
ela não acontece para questões menores,
inclusive não acontece para questões
materiais.
você não é morto porque você roubou
alguma coisa ou você causou um um dano a
uma propriedade de alguém. Eh, todos os
danos materiais eles são punidos com
questões materiais, né? Então, você
roubou um boi, então você deve um boi,
você destruiu a casa do cara, deixou
pegar fogos, ó, então você deve uma casa
para ele. Então, as questões materiais
são resolvidas materialmente, né? o que
é uma diferença pros outros códigos de
leis que tinham ali no contexto, eh, os
códigos ititas, né, os amonitas e outros
códigos que a gente tem hoje referência
desses códigos.
Eh, nesses outros códigos, se você
roubasse algo de alguém que está numa
casta social superior à sua, você é
morto e acabou. O texto bíblico não tem
essa. Danos materiais são punidos
materialmente.
Eh, a pena de morte acontece na Bíblia
só quando você comete algum pecado
contra a santidade de Deus. Então,
quando você mata alguém, isso é
considerado pecado. E aqui, nesse caso,
você sequestrar uma pessoa e vender ela,
isso é considerado um pecado de morte.
Isso é um pecado contra a santidade de
Deus. Eh, o que a gente tá falando já
colocaria todo o modelo de escravidão
atlântica como uma coisa incompatível
com texto bíblico, que é isso que que
acontecia, né? As pessoas eram
sequestradas na África e eram trazidas
pro Brasil e pros outros países das
Américas, né? Então,
já começa por aí. Xodo 21 tem coisas que
podem ser consideradas imorais bizarras
pro nosso pensamento moderno ocidental,
mas tem outras coisas que colocariam em
cheque esse modelo de escravidão
atlântica que a gente normalmente tem na
em mente quando a gente pensa no
escravo, né? Eh,
Êxodo 21 verso 32. Um boi que mata um
escravo deve ser apedrejado. Eh, o que
que isso significa?
Quando um boi matava alguém, esse boi
era apedrejado.
Quando ele fala especificamente, se
matar um escravo, ele vai ser
apedrejado. O que o texto bíblico tá
fazendo,
que parece óbvio pro texto bíblico, mas
pra gente hoje é isso é importante, esse
adendo, é o escravo era uma pessoa ou
escravizado, né, que é o que se costuma,
a expressão que a gente costuma usar
hoje, o escravizado era considerado um
ser humano também. Ele não era só um
objeto, entende? É.
outras coisas aqui.
Eh,
uma pessoa ela não era escravizada pela
vida toda. Lá em Levítico, eh, lá em
Levítico 25,
o verso 46, vai dizer que os
estrangeiros que são pegos, eles são
eles são escravizados perpetuamente.
Mas um pouco antes, lá em Levítico 25,
dos versos 8 até o verso 10, vai falar
que no ano do jubileu, todos os escravos
são libertos. E aí tem uma questão que a
gente poderia discutir longamente, tá?
Qual prevalece o todos, do verso 8 até o
verso 10, ou seja, todos os escravos são
libertos. Ou o verso 46, que diz que o
escravizado estrangeiro, ele é
escravizado perpetuamente,
né?
O texto tem aí um uma contradição que
não é resolvida, então a gente não tem
como saber. Eh, mas quando a gente vai
um pouquinho mais para frente, em
Levítico 25, os versos 39 a 41, diz que
os israelitas eles não são escravos, mas
eles são diaristas, usa um outro termo.
Ele tenta
dissociar essa ideia. A gente vai ver
mais paraa frente Deuteronômio 15, o
versos 12 a 18, falando que olha, agora
um escravizado israelita, ele não pode
servir mais do que 6 anos.
Se ele serviu 6 anos, independente da
dívida que ele tinha, ele tem que ser
liberto e acabou.
A gente vai ter outros textos em
Levíticos que vão proibir a escravização
de qualquer elita depois. Então o que
acontece? A gente tem um texto que
parece ser mais rígido em relação aos
escravos no começo, lá em Xo em Números,
só que em Deuteronômio a gente tem
outras coisas. Inclusive, a gente tem
aqui um texto de Levítico 23, os versos
15 a 16, que é interessante, que fala:
"Se você encontrar um escravo que fugiu,
você é proibido de devolver ele ao seu
senhor, você tem que acolher ele." Ou
seja, o escravizado aqui tinha o direito
de fugir, né? O que é uma coisa que não
parece estar compatível lá com êxodo.
Então, o que que eu quero dizer aqui?
O que parece acontecer aqui no texto é
que a gente tem um texto saindo de um
lugar e indo para outro lugar em relação
à condição jurídica do escravo dentro do
contexto do do da Torá do do Pentateuco.
Isso tá de acordo com uma ideia de que o
Pentateuco ele não é um bloco de lei
rígido
e e unificado no tempo. Essa lei ia
mudando com o tempo. A lei do escravo
foi mudando com o tempo e foi tornando
mais aberta, mais aberta pro pro escravo
poder ser liberto, né? A gente tem
também eh leis que dizem que se o
escravo eh for ferido e ele quebrar,
seja um um dente, ele já tem que ser
liberto, né? Ou seja, um dente pra gente
hoje pode ser muita coisa, mas dente é
uma coisa que não muito tempo atrás, né?
E dependendo do lugar do mundo até hoje
assim, você perde meio que normalmente é
uma coisa do dia a dia. Então você não
pode ferir um escravo, deixar marcas
nele, nem deixar ele perder um dente. Se
isso acontecer, ele tem que ser liberto
imediatamente, né? Inclusive lá em
Deuteronomio ainda fala que esse escravo
que serviu 6 anos, ele tem que ser
liberto, ele nem pode ir de mãos vazias,
você tem que dar alguma coisa para ele
ainda. Então, o cara tá te devendo R 1
milhão deais, trabalhou 6 anos, não
chegou a pagar nem um décimo da dívida,
você tem que libertar ele e ainda tem
que dar um dinheiro para ele, para ele
não sair de mãos vazias, né? Então, olha
só como o texto parece ser de um jeito e
ele vai mudando. Isso tem a ver com o
que a gente tinha comentado aqui das
filhas de Zelofad.
É um tópico que de vez em quando a gente
comenta aqui no canal porque é um caso
claro de uma jurisprudência sendo mudada
nas leis bíblicas.
Qual que era a lei da herança?
Era assim: sujeito,
ele vai transferir sua herança pro seu
primogênico, que é o primeiro filho
homem.
Se ele não tiver filhos homens, então
essa herança vai para outro parente mais
próximo. Porque as mulheres, como a
gente tinha falado aqui, as mulheres
elas não herdam dos seus pais. As
mulheres vivem, elas vivem do dinheiro
dos seus maridos. Por isso que casar era
importante. Só que aí chegaram umas
moças para Moisés, falaram: "Ó, nosso
pai Zelofeade".
Isso acontece eh em Números, capítulo
27, se eu não me engano. Elas vão falar:
"Nosso pai, Zelofeade,
ele morreu e não deixou filhos homens.
Eh, mas não é justo que a herança dele
vá para outra pessoa e não pras pra
família dele, pras filhas dele, né?
Eh, e Moisés fica intrigado com esse
questionamento. Ele vai falar com Deus e
Deus fala: "Elas estão falando que é
justo. Elas estão certas, elas têm que
ser atendidas nesse pedido." Então, a
lei é mudada a partir daí. Então, se
criou uma nova sensibilidade, uma nova
percepção e se questionou uma lei, uma
lei do essas leis que são dadas por
Deus, inclusive, né? A, a expressão vai
da beira dona mochilemor, né? qualquer
um que que vai aprender hebraico lendo o
Pentateuco, aprende essa frase assim faz
assim, porque essa frase se repete o
tempo todo no texto. E é e falou o
Senhor a Moisés e disse:
"E todas as sequências de lei que
aparecem na Bíblia são precedidas por
esse texto. Vai da beira donéia e
elchilemor". E falou o Senhor a Moisés e
disse: "Essas leis não foram Moisés que
inventou da cabeça dele, foram dadas por
Deus e depois elas são mudadas. Por que
são mudadas? Foi o próprio Deus que deu.
E o próprio Deus concorda com a mudança
da lei. Porque a ideia é a lei não ser
rígida, presa em um tempo, em um espaço,
mas a lei ir mudando. A lei é trazer um
povo que tinha acabado de sair de uma
servidão do Egito e que conhecia um
outro mundo de uma outra forma para
conduzir esse povo para outra coisa. E
isso que é interessante, essa mobilidade
da lei. E é isso que nessa conversa aqui
que a gente estava reagindo, ela não
existe. Nem se entre nesse nesse nesse
ponto, porque esse é um ponto que exige
um pouco mais de elaboração pra gente
entender, né?
Deixa eu ver aqui que vocês estão
comentando.
Eh,
bastante coisa aqui. Vamos lá.
Parece que existe um elogio da paixão em
Cantares. Kgar propõe que o amor no
cristianismo é distinto, fundamentado no
dever de amar. E segundo ele, isso
também é mais forte do que o amor, o
fogo, né? Diz aqui o aid, né? Pois é,
aid é interessante. Eu não conheço a a a
esse texto de Kirk que ele fala desse
amor no cristianismo, né? Mas o que é
interessante é que é fácil falar isso do
amor cristão,
mas quando você tá falando isso desse
amor Eros, esse amor do homem paraa
mulher, né, isso normalmente fica mais
complicado, né, dentro de contextos
religiosos.
Aí o Gilson coloca aqui a lei do
descalçado que a mulher batia no homem
dizia que isso faz o homem que não quer
cumprir a lei e acha acho que é que é
isso. Exato, Gilson. É isso que eu tava
falando. Não é mulher que não quer casar
com o cara, mas o cara que não quer
casar com a mulher, a mulher tem o
direito de pegar lá o sapato e bater no
cara. Falou: "Não, você é obrigado a
casar comigo, né? Eu tenho esse direito.
Você tem que, você tem essa obrigação
para comigo, né?" É exatamente isso,
Gilson. É isso. Obrigado. Eu não tava
lembrando direito como que era esse
esquema aí. Jeremias 22:13 diz aqui o
João: "Ai daquele que edifica sua casa
com injustiça, os seus aposentos sem
direito, que se vale do serviço do seu
próximo sem paga e não lhe dá o
salário." Diz aqui o João. É
interessante, tá vendo? São são
eh eh percepções que fazem muito sentido
hoje em dia também, né?
Aí o Aid coloca aqui o Mateus Fugita fez
um vídeo no canal do Lucas Banzoli sobre
escravidão. Ele deu uma excelente
explicação de Êxodo 21 sobre escravidão
e mostrou que o escravo na Bíblia não é
objeto eh
como na escrita moderna, né?
Eu vou ver depois esse vídeo, né? Vocês
vem que eu fiz um raciocínio até um
pouco diferente, porque eu vejo que lá
em Êxodo 21 ainda realmente tinham leis
que eram rígidas em relação aos
escravos, mas quando a gente vai indo
para Deuteronômio, vários quesitos vão
se tornando diferentes, né? Eu entendo
mais essa mobilidade na lei, pegando um
povo que tava num lugar com uma
mentalidade e caminhando para outro
lugar do que tentar justificar que o
texto não era tão rígido assim desde o
princípio. Não sei se era se é se assim
dá para fazer essa justificativa.
Entende?
Problemas de certos ateus é querer
simplificar essas questões complexas e
milenárias. É, Carlos. Exatamente. É
porque quando o cara parte de um
pressuposto, eu estou aqui para para
questionar o texto bíblico.
Também é o mesmo problema de que quando
estou aqui para defender o texto
bíblico. Quando você já tem um
pressuposto desse, você tem um viés que
vai fazer você às vezes distorcer a
percepção de algumas coisas, né?
A gente tem que ver o texto do jeito que
ele realmente é. E é um texto que é
problemático em algumas coisas, mas a
nossa questão, eu não sigo o texto
porque eu sou a favor da escravidão de
Êxodo 21. Eu sigo o texto por outras
questões. Eu não, eu não concordo com
escravidão porque tem em Êxodo 21 na
escravidão, entende?
É bem mais difícil a discussão e
complexa.
Jeremias 3:34 10 a 14 tá falando aqui o
João. Os príncipes do povo libertaram os
escravos do povo e depois escravizaram
eles de novo. Deus fala que eles
desobedeceram. É, tá vendo como essa
essa sensibilidade vai mudando com o
tempo na Bíblia, né? A Bíblia não
apoiava a escravidão como instituição,
mas a regulamenta em um contexto
específico de sua época. É. né? A gente
pode dizer isso, ela tá regulamentando,
ela não tá defendendo como o fazendo uma
defesa da escra, é uma regulamentação,
né? Eh, é a mesma coisa que, sei lá, as
discussões que tem hoje s, sei lá, sobre
aborto, sobre drogas, né? Eh, ah, então
você defende o aborto, tem muita gente
fala: "Não, não é que eu defendo, eu
acho que tem que ter uma regulamentação
diferente, né?" "Ah, então você defende
as drogas?" Não, não é que eu defendo,
eu eu eu entendo que ele tem uma
regulamentação diferente. As pessoas
argumentam nesse sentido. Isso vale para
exatamente para essa frase aqui, né?
Não, eu também entendo assim que não é
que a Bíblia defende essas coisas, mas
ela regulamenta dentro de um contexto
específico.
Eh,
aí o Oziel diz: "Muda tanto ao longo do
tempo que no NT vira ainda mais outra
coisa diversa". É. E aí no Novo
Testamento fica mais difícil ainda,
Oziel, porque a gente tá falando aqui de
um contexto de uma cultura,
uma cultura fechada, vamos dizer assim,
uma cultura específica, porque nesse
falando de uma cultura só que é do
antigo Israel, desde a época de Abraão
até do pós-esílio,
essa uma cultura só mudou e teve
influência de outras culturas nesse
tempo todo, né? Então, já não é só uma
cultura, uma cultura com diversas
influências entrando e saindo aí dela.
Mas quando chega no Novo Testamento, aí
que fica tudo mais difícil mesmo, porque
a gente tá falando de vários povos
diferentes, de vários lugares do mundo
diferentes convivendo juntos. E aí fica
tudo uma bagunça muito mais difícil
dentro do no ponto de vista da cultura,
entende? São várias culturas diferentes.
Então,
eh, para Paulo, imagina dentro da igreja
que você tinha um cara que era servo,
escravo e o senhor dele também na mesma
igreja. E Paulo falou: "Ó, aqui dentro
não existe nem servo nem escravo, viu?
Aqui é todo mundo igual.
É muito difícil lidar com essas
questões, né? Eh, então o Novo
Testamento já vai para um outro lado,
né? tudo fica mais difícil, porque agora
você tá falando de diversas culturas,
interagindo e tentando chegar em
consenso. Aí
aí o João tá falando aqui de Jeremias
34:17 ainda, né? Eh, porque eles não
deram liberdade aos escravos, Deus
trouxe a espada sobre os senhores lá de
Jeremias 34. Exato. É, é maneiro ver o
Ozial falando aqui, é maneiro ver o
panorama assim, porque geralmente quando
se faz um, quando se traz um tema, a
primeira reação é a defesa,
justificativa, etc. Mas ser sincero
sobre como estão as coisas dentro do
texto
é mais difícil, né? Eh, é isso, né, Zé?
Porque a gente briga com algumas coisas
no texto e faz sentido a gente brigar
com elas,
mas elas vão precisar em algum momento
se acomodar.
Ainda mais quando as pessoas
questionarem. E tem questionamentos que
chegam uma hora que você já não consegue
mais se furtar deles, né? Eh, a Bíblia
tem, não dá pra gente falar que a Bíblia
é um texto.
Vamos construir melhor esse raciocínio.
Tudo isso vem dessa ideia de que a nossa
moralidade moderna como cristão,
tem que ser tirada diretamente do texto
bíblico do bíblico e trazida para hoje.
Não, isso não dá para fazer. A
moralidade do texto bíblico é diferente
da moralidade de um cristão moderno. A a
moralidade do texto bíblico na época de
Abraão é diferente da moralidade do
texto bíblico na época de Jesus,
na época de de Davi, na época de Moisés.
Então, não dá para você olhar paraa
Bíblia e entender ela como um manual
moral em todos os os eh em todos os
detalhes e transpor isso para hoje, que
isso não vai dar certo, porque a Bíblia
tem questões, tem problemas. Então,
então a Bíblia não serve para nada,
vamos jogar fora. Não, não é isso. A
Bíblia serve para propor discussões
morais, para fazer isso que a gente tá
fazendo aqui, para pensar sobre, tá,
isso é certo ou é errado? Por que isso é
errado? Por que isso é certo? Porque
muitas vezes as pessoas que estão
falando contra a Bíblia também são
moralistas modernos, no sentido de que
eles estão defendendo uma moralidade
moderna e não estão nem questionando
essa moralidade também, entende? Eh, a
Bíblia tá propõe discussões morais e
cabe a você, leitor chegar na sua
conclusão. Muitas vezes o próprio texto
bíblico não dá conclusão moral. Quer
ver, por exemplo, um texto que muitos
ateus mencionam para questionar o texto
bíblico, né? A
a
questão lá dos moabitas, né? o
Ló Ló eh, e os e a relação que ele tem
com suas filhas e que gera Moabe e o
povo dos moabitas, né? As filhas de Ló
embebedam ele, ele fica bêbado, elas têm
relações com o próprio pai para suscitar
uma descendência para que o pai não
ficasse sem descendência.
O texto bíblico, quando ele descreve
essa história, o texto não fala que isso
é errado, né? Eu tô falando isso
considerando que eu acho que o texto
considera isso errado,
porque a gente vai ver isso depois, os
moabitas depois vão ser considerados um
povo moralmente perverso.
E essa história é uma explicação da
origem dessa perversidade. Mas o isso
não fica explícito nesse texto. O o
texto bíblico não é igual as historinhas
do Ren, onde o Rimen chegava no final e
falava assim: "Gente, o que que a gente
aprendeu hoje? ah, a gente não pode
fazer tal coisa. Tá bom, legal, eu vou
embora. O texto bíblico muitas vezes não
faz essa explicação, essa moral da
história. Ela só joga a história, ela
conta a história e fala: "E agora, que
que você acha? pensa sobre essa
história, tenta entender o que é certo e
o que é errado nessa história. Então,
muitas vezes, o julgamento moral sobre a
a história cabe ao leitor. Texto bíblico
tá convidando ao leitor a fazer esse
julgamento, a fazer essa discussão, né?
Ele conta essa história de Ló de suas
filhas, fala: "E aí, que que você acha
disso? Você acha que isso é certo, né?"
E isso eh esse jeito da Bíblia lidar com
essas histórias muitas vezes é é
confundido com as pessoas como, ah, tá
vendo o que que a Bíblia tá defendendo?
Não, ela não tá defendendo isso. Ela
contou uma história onde tem uma coisa
bizarra.
Seria como hoje você, sei lá, assistir
Game of Thrones e falar: "Nossa, então o
produtor aqui da série concorda com
todas essas coisas aqui que aparecem na
série. Que bizarro esse cara. Não, ele
não concorda. Ele tá contando uma
história, eh, e ele tá suscitando
discussões, inclusive sobre essas
questões todas, né? Então, muitas vezes
a gente olha pro texto bíblico até com
uma certa condescendência e a gente não
permite as a gente fazer as discussões
que o texto bíblico tá propondo, né? Não
sei se ficou claro o que eu quis dizer
aqui, né? Então, eh,
a gente quer te trazer uma moralidade da
Bíblia, sendo que a gente não faz a
discussão sobre o que que é essa
moralidade que a Bíblia tá propondo.
A gente acha porque a Bíblia descreveu
algo, porque a Bíblia, porque tem uma
lei lá na época de Moisés falando sobre
algo, aquilo tá fechado e é assim que
tem que ser, né? Jesus faz discussões
morais profundas, citando o Antigo
Testamento e discordando dele, viu? Eh,
por exemplo, Mateus 19, quando Jesus
fala sobre o divórcio, esse texto é
muito importante.
Mateus 19. Acho que é Mateus 19. Eh,
porque a questionamento que é chegado
para José, ó, Moisés falou que que podia
dar carta de divórcio e aí é pode
divorciar, né? E Jesus falou: "Não, não
pode." Moisés permitiu por causa da
dureza do coração de vocês. Mas não é
isso que era o plano de Deus, não. Ou
seja, o que Jesus tá falando é: "Tá na
Bíblia, mas não é a vontade de Deus". Tá
na Bíblia, mas não é o que Deus queria.
Tá na Bíblia por causa de um contexto
cultural da dureza do coração de vocês
naquele contexto, né? E é por isso que
aquilo foi permitido aquela época.
Então, quando Jesus fala isso, ele tá
deixando explícito essa discussão que a
gente tá falando. O fato de algo tá
registrado no texto bíblico não
significa que isso há uma expressão
universal da vontade de Deus. Pode ser
um jeito que Deus deu para aquela
questão naquele contexto específico,
porque
não tinha
as pessoas estavam com uma mente muito
fechada naquela época não dava para
fazer outra coisa, né? É isso. É, é esse
essa linha de argumento que Jesus vai
fazer, né? Aí Jesus fala: "Não era assim
no princípio." E aí tá citando Gênesis,
né? Ele cita o texto de Gênesis quando
fala: "O homem vai deixar pai e mãe" e
tal. Então fala: "Ó, quando Deus criou o
homem e a mulher,
a intenção de Deus quando criou a
humanidade era uma, mas na época de
Moisés aconteceu outra coisa, né? Nessa
lei de Moisés, né? lei de Moisés que a
gente fala, mas é uma lei que o próprio
Deus muitas vezes no texto lá vai dar
beira, vai donar, vai dar beira adonaior
e falou o Senhor a Moisés e disse,
então muitas vezes o próprio Deus dá uma
lei que não é o ideal divino, mas porque
naquele contexto é o que dava para ser
feito por causa da maldade do coração do
povo, né? Isso faz a gente pensar, ah,
aquela época era muito diferente, daí é
o contexto da época, tá? Mas qual é o
nosso contexto hoje?
A gente também tem um contexto cultural
e como a gente se relaciona com a
vontade de Deus, com as questões
bíblicas no nosso contexto hoje. Tá
vendo que eu não tô dando muitas
respostas, nando
questões aqui que elas precisam ser
levantadas. O que o que dói no meu
coração é essas coisas são importantes e
fundamentais, mas elas dificilmente ou
absolutamente nunca essas discussões são
feitas dentro de igrejas.
que discutir, tá? A moralidade do texto
bíblico não dá para aplicar hoje, né?
Então, qual que é a moralidade que o
texto bíblico tá propondo para o nosso
contexto cultural de hoje, né? Essa é a
grande pergunta. A Bíblia não dá uma
resposta diretamente, mas ela convida a
gente para essa discussão e e muitas
vezes a gente não faz, né? Esse é o meu
ponto.
Eh, até me perdi aqui o que que a gente
tá falando. Eh,
ah, tá aqui o comentário do Oel, né? Aí
a a Lucil fala aqui, se o Antigo
Testamento era a sombra do que haveria
de vir, pode-se entender que a
escravidão como figura da libertação da
escravidão do pecado por Jesus, né?
Pode-se entender, Lucilene, pode-se
entender, mas eu não sei se é esse,
é uma aplicação possível, mas não é, eu
não acho que essa a aplicação
intencional do texto, a essa ideia de
sombra, né? Acho que a ideia de sombra é
muito mais falando dos rituais do do do
santuário, apontando para Jesus, né, pro
sacrifício de Jesus, né? É uma ideia que
vai aparecer muito no livro de Hebreus,
né? Tá vendo todo aqueles rituais e tal?
Eles têm um significado. E esse
significado tá aqui, ó, tá aparecendo na
na morte de Jesus. Jesus é o o grande
sacrifício que aqueles sacrifícios
estavam apontando. Então, acho que é
muito mais nesse sentido, apesar de
talvez a gente poder fazer uma leitura
lateral nesse sentido também, né?
Talvez, mas não é a intenção do texto,
eu acho. Aí o João coloca aqui, Thaago,
Thago 5:4. Eis que o salário dos
trabalhadores que seifaram os vossos
campos e que por vós foi retido com
fraude, está clamando. Os clamores dos
seifeiros perpretaram até os ouvidos do
Senhor dos Exércitos. O espírito de
opressão continua hoje com salários
mínimos. É, é uma questão, né, João? A
Bíblia vai falar isso desde de
Deuteronômio, né? Desde de de desde
êxodo, n que o trabalhador é digno do
seu salário, né? Você não pode reter o o
salário do trabalhador até o dia
seguinte, se eu não me engano, essa é
uma lei que aparece no Pentateuco. Se eu
não me engano, é uma lei de êxodo,
mas que você não pode reter porque
aquela pessoa precisa, aquele dinheiro é
dela, ela merece.
Eh,
então, aí que tá o texto bíblico propõe
coisas, por exemplo, não adianta a gente
querer fazer um ano do Jubileu hoje. Ah,
bom, todo mundo vai ser liberto, ninguém
mais tem dívida, eh, aí a cada a cada 50
anos, né, e tal, né, volta tudo volta às
postes originais e tal,
e todas as terras são redistribuídas.
Eh, eu acho que é inviável fazer isso
hoje, até porque a gente não tem uma
distribuição original para as terras
voltarem pros donos originais, né, como
aconteceu na distribuição lá da das
tribos em em Canaã. Mas você pode
entender o que que o texto tá propondo
com essa ideia. Ele tá propondo o
seguinte: "Olha, mesmo que você seja
muito mal com dinheiro, que você se
individe, faça um monte de rolo e você
tenha que tipo perca tudo que você tem e
tal, pelo menos uma vez na vida, cada
geração, a cada 49 anos, cada sete
semanas de anos,
tudo é zerado para pelo menos uma vez na
vida, cada geração ter a chance de poder
começar a vida de novo.
É o que que o texto tá querendo dizer
com isso, né? O que que ele propia pra
nossa ideia de sociedade hoje? Ou ainda
quando você for colher, é proibido você
colher os frutos do canto do campo. Você
colhe o que tá aqui, mas o que tá
encostado na cerca você não colhe. É
proibido. Por quê? O que tá encostado na
cerca é pros pobres, quem tiver
passando, tiver com fome, poder colher o
que tá nas bordas do campo. É quando
você colher e tiver carregando, se cair
um um aqui o os frutos no chão, a as os
eh ah, como que é do do trigo, os os
ramos do trigo lá, eh, você é proibido
de voltar e pegar.
Quando cair, você tem que carregar só o
que você tá carregando mesmo. Então,
toma cuidado para não deixar cair, que
se cair no chão, você não pode pegar.
Por quê? Porque isso daí é pros pobres.
Quando a pessoa não tem o que comer, ela
tem o direito de entrar no seu campo e o
que tá caído no chão, ela foi lá e pegar
e comer, né? É o que Rute vai fazer
quando volta sem dinheiro nenhum, sem
marido,
sem propriedade, sem nada. Falou: "Ó,
agora a gente vai mendigar", né? Esse é
o nosso é o nosso destino e é o que ela
foi fazer lá nos campos de Boaz, né?
Então o talvez não dê para fazer isso
hoje, até porque a gente tem
colheitadeiras automáticas, a gente
vive num contexto urbano, então tá, mas
como eu como eu aplico o espírito desse
texto para hoje? Entende como eu aplico?
Qual que é a ideia do texto mesmo sem
aplicar ele na prática? Mas como que
aplica a ideia desse texto na nossa
sociedade hoje, né, na minha vida
pessoal ou prática hoje? Essa que é a
pergunta, entendeu? Não, não é só pegar
e aplicar diretamente o que tá escrito
no texto e seguir automaticamente. Não.
Tenta entender qual a ideia do texto
para você aplicar o conceito, a moral
por trás dele, o princípio por trás dele
dentro da sua vida hoje, dentro da sua,
dentro da da dessa vida tão diferente
que é que é organizado de um jeito tão
diferente, como que a gente aplica o
espírito do texto, o princípio por trás
dessas leis, né? mesmo que a gente não
aplique as leis diretamente. Essa, acho
que essa é a grande questão.
Você vê que existe uma hierarquia entre
os princípios bíblicos. Diz aqui o Wid.
Eh, vi um rebino dizer que o princípio
da preservação da vida, su do próximo e
a pureza sexual são os únicos que não
podem ser violados. É, eu acho que
existe sim, viu, Aid? Eu acho que
existem diversos textos bíblicos,
inclusive de Jesus, que que mostram essa
hierarquia, né? Jesus vai falar lá em
Mateus 5, né, que aquele que descumpre
um mandamento de menor importância, eh,
ele também, eh, vai ser ponderado como
se descumprísse um de maior importância.
Então, existe importância.
Aquele que descumpre a lei, ele já é um
pecador, é como se descumprisse todos,
mas Jesus estabelece mandamentos maiores
e menores, né? Então, eu acho que existe
sim.
E eu acho que essa essa interpretação
rabínica do princípio da preservação da
vida, eu acho que é um um princípio
importante e é dá para ser visto no
texto bíblico em algumas partes. Por
exemplo, Jesus vai usar esse exemplo,
né? Davi entra no santuário, fala: "Ô,
você não pode entrar aqui não. Tô
morrendo de fome. Eu quero comer o pão
da da mesa da preposição aí dentro do
santuário. Não, esse pão é sagrado.
Ninguém pode nem encostar nele se não
for sacerdote. Mas eu vou morrer se eu
não comer. Aí o sacerdote, é, é bom, eu
vou te dar. Foi lá, deu o pão e isso não
foi considerado uma coisa errada, né?
Então, o princípio da preservação da
vida, nesse caso, se se sobrepôs ao
princípio da santidade do santuário.
Muito doido, né? Eh, mas eu acho que
isso faz sentido, sim. Existem
princípios mais importantes que outros e
a vida deveria ser um princípio mais
importante. Jesus fala isso quando ele
tá falando do sábado, né? Que que é mais
importante? Guardar o sábado salvar uma
vida. O cara tá morrendo no sábado. Você
vai ficar lá de braço cruzado esperando
dar a hora para você salvar essa vida,
né? Você não faz isso nem com o jumento.
Quando o jumento cai no buraco, vocês
vão lá tirar. Imagina a pessoa, esse
cara aqui tá sofrendo a vida dele toda.
Eu tô aqui, eu posso salvar ele hoje. Se
eu não salvar ele aqui, eu vou embora.
Nunca mais vou ver esse cara. Eu vou
curar ele no sábado. E eu não tô
descumprindo a lei, né? Eh, Jesus vai
falar muito sobre isso, inclusive,
só pra gente já tá caminhando aqui pro
final. Mas a parábola do bom samaritano
para mim é uma explicitação
dessa dessa superioridade hierárquica do
princípio da da preservação da vida. Tá
vendo? Fiz até uma frase bonita assim.
Eh, por quê? Porque qual que é a a o
ponto que eu acho interessante aqui no
no na história do bom samaritano, na
parábola do bom samaritano, né? Acho que
é o primeiro vídeo que eu fiz no canal
dos mais antigos. É sobre isso.
Existia uma lei
de que o sacerdote ele não pode se
contaminar com a pessoa morta. Isso tá
lá em Levítico
11 ou 21, não lembro agora. Mas se você
entrar lá, eh, digitar no Google, qual é
a lei que o sacerdote não podia tocar em
morto, vai lá aparecer a lei de
Levítico.
Eh, o levita, se ele tocasse no morto,
ele ia ficar ritualmente impuro. Ele
também não poderia cumprir a obrigação
dele no santuário.
E a parábola do bom samaritano acontece
no caminho entre Jericó e Jerusalém,
onde ficava o santuário.
Quando o sacerdote vê o homem caído e o
texto deixa claro, Jesus fala
claramente, ele ficou deixado ali como
se tivesse com a aparência de morto.
Você olha, você fala: "Ah, esse cara tá
morto e o sacerdote sai do vai passa
longe no caminho." O sacerdote ele tá
cumprindo a lei rigorosamente, porque
ele não podia tocar em morto. Ele não
pode chegar perto de morto. Ele tá
cumprindo a lei. O levita também.
Só que ao cumprir a lei, ele descumpre
um princípio fundamental de preservação
da vida, de misericórdia.
E é isso que Jesus vai fazer a pergunta
depois. Qual ele, qual desses fez a
vontade de Deus?
O cara conseguiu descumprir a lei,
eh, descumprir a vontade de Deus
cumprindo a lei, entendeu? Através do
cumprimento da lei, ele descumpriu a
vontade de Deus.
E isso dá para fazer. E isso é sobre
isso a parábola do bom samaritano. O
cara que realmente cumpriu a vontade de
Deus é o cara que tava lá, foi lá ver se
o morto tava morto mesmo, aí foi cuidar
dele e tal, que era o cara que é o
samaritano, né? Quem que é o samaritano?
Ah, os caras que quando a gente foi
construir o santuário aqui, vieram aqui,
quase mataram a gente. Esses caras aí
são os caras esquisitos. Tem um mistura
aí com outros povos e tal. tem umas
doutrinas meio estranha. Esses caras aí
são os samaritanos. Esse cara fez a
vontade de Deus e o sacerdote não,
porque o sacerdote estava preocupado em
cumprir a lei, a lei de Deus. Então,
existe uma contradição aqui que é que é
possível de ser feita.
Você cumpre a lei de Deus tão preocupado
em só fazer o que tá escrito que fazendo
isso você se afasta do que que é o que
Deus realmente queria, entende?
Essas discussões são importantes. É isso
que que a gente tem que tomar cuidado.
Eu sou um sujeito,
vocês sabem, né, gente? Eu sou eu sou
adventista. Eu guardo o sábado. Eu, a
gente tá falando aqui mais cedo da das
leis de alimentação. Eu cumpro essas
leis de alimentação a minha vida
inteira. Eu nunca comi carne de porco, a
não ser uma vez por sem querer.
Eh, eu eu cumpro a rigor essas leis, mas
eu sei que elas não são o o meu
relacionamento com Deus passa por elas,
por passa por essas leis, mas não se
resume a elas. O meu relacionamento com
Deus não é o cumprimento dessas leis.
Passa por isso, mas não se resume a
isso. Não para nisso, porque se parar
nisso, eu posso ter um relacionamento
distorcido com Deus. Eu posso descumprir
a vontade de Deus enquanto eu tô aqui
cumprindo a lei, entende? E isso pode
acontecer com qualquer cristão. Tô dando
meu exemplo porque normalmente
adventista é mais conhecido por ter um
monte de lei e tal que não deveria
seguir e tal. Então, é, é esse é o, acho
que é um ponto importante. Você tem que
tem leis mais importantes que outras e
você tem que tá com os olhos abertos
para você poder descumprir todas as leis
que estão na Bíblia para fazer a vontade
de Deus. Se tiver, eu eu guardo o
sábado, eu não pego trabalho no sábado,
já deixei de ganhar oportunidade por
isso, tal. Mas se alguém tiver passando
mal, eu vou pegar e vou levar no
hospital,
né? Se precisar comprar um remédio, vou
lá, compro um remédio, passo o dia
inteiro no hospital, vou pra farmácia,
faço o que precisar, porque esse é um
princípio mais importante, entende? Tô
dando meu exemplo nesse caso específico,
mas ah, eu tô propondo aqui para vocês
pensarem sobre o assunto, como isso
funciona na vida de vocês, dentro das
leis que vocês entendem, que que vocês
se propõem a cumprir, eh, que vocês
entendem que é a vontade de Deus. Eh, o
qual você acha que é um princípio mais
importante que faria você descumprir
várias coisas? Ah, importante ir na
igreja, mas se no dia de ir na igreja
tem uma pessoa precisando muito da sua
ajuda para uma coisa muito séria, você
vai na igreja por causa disso, vai
deixar a pessoa lá desesperada,
morrendo, passando mal para ir na
igreja, né? Então, essas coisas são,
Jesus fala muito sobre isso, sobre essa
hierarquia de importâncias das coisas,
né?
Eh, caso surja conflitos com eles e
outros princípios, como não como não
mentir, por exemplo, não roubar, etc.,
você teria que ficar com a vida. Eh,
então, Davi, fingir de louco para
preservar sua vida não seria errado,
pois o princípio sobrepõe. Exato, é isso
mesmo, né? Mas no Novo Testamento, a
ideia de martírio parece que inverte
isso. Dar a sua vida pelo evangelho se
tornou heróico ou até buscado. É dar a
sua vida
pelo outro.
se torna no Novo Testamento a forma mais
nobre de servir o outro, de cumprir a
vontade de Deus, né? E e dar a sua
própria vida. É, a gente tem
tem a h tem uma questão aí que vale a
pena realmente pensar, né? Dá a sua
própria vida eh pelo evangelho, né? O
que que isso significa exatamente?
Ah, por exemplo, eu como, eu não como
carne de porco, porque eu tava falando,
mas se alguém botar uma arma na minha
cabeça, logo você come carne de porco,
você morre, eu vou comer carne de porco.
Não vou falar não, eu tenho que provar a
minha fidelidade a Deus. Minha
fidelidade a Deus não existe quando eu
tô morto. Eh, existem coisas mais
importantes, né? A preservação da minha
vida, inclusive se sobrepõe a algumas
leis que são menos importantes. Mas, por
exemplo, no judaísmo também a ideia da
sobreposição da vida, ela não vale em
caso de idolatria.
Então, é mais importante você perder a
sua vida para você não negar a sua fé em
Deus, não cometer idolatria, né, do que
você salvar a sua vida e cometer um ato
de idolatria, né? Então, esses essa
hierarquia é importante cada um pensar
sobre para você, qual é a sua hierarquia
eh da da bíblica, né? Porque isso existe
até gente com quem não é religioso, viu?
A hierarquia, a gente chama de
hierarquia moral, isso. Ah, todo mundo
acha que que que é errado mentir,
mas o exemplo clássico, né? Eu já falei
isso aqui uma vez. Eh, mas se você
tivesse na Alemanha nazista escondendo
judeus dentro do seu porão e batesse um
soldado da S, um oficial da SS na sua
porta e falar assim: "Ô, você tá
escondendo judeu aí na sua casa?
Você deveria mentir
para salvar a vida daquelas pessoas ou
falar a verdade e fazer com que elas
morressem, né? Então, no caso, você tem
uma hierarquia de valores. Não, mentira
é importante, mas é como importante?
Será que é importante eu fazer pessoas
morrerem para eu não mentir, né? E aí
vem aqueles dilemas morais que o pessoal
fala: "Tá, mas eh eu posso matar uma
pessoa para salvar a vida de outras
duas, posso matar a vida de uma pessoa
velha para salvar a vida de uma pessoa
nova?" Aí já começa a ficar muito
complicado. A Bíblia não tem essas
respostas. São coisas que também não sei
se existe uma resposta para essas
coisas, né? Mas que existe uma
hierarquia de valores, isso existe. E
existe uma hierarquia de valores dentro
da Bíblia também, né?
Eh, a Lucilene falou: "Existem estudos
escatológicos que calculam os tempos com
base nesses conceitos de jubileu?" É,
existem muitas coisas pensando nisso,
viu, Lucilane? Eh, então diz, mas
negligem os preceitos mais importantes
da lei, justiça, misericórdia e a fé. Ó,
perfeito exemplo, João. Perfeito
exemplo. Exatamente sobre isso que Jesus
tá falando. Vocês estão aí cumprindo
que Jesus vai falar. Vai vai coer um um
um
coer um um cisco, engoli um camelo, uma
coisa assim, né? Vocês estão se
preocupados com coisas que são menos
importantes. Tem coisa muito mais
importante que vocês estão
negligenciando. É esse o ponto. É
exatamente, esse texto é excelente para
isso que a gente tá falando, né? Eh, dão
um dízimo, mas negligencia os preceitos
mais importantes da lei, justiça,
misericórdia e a fé, né? Ótimo. Ótimo. A
gente termina com essa citação aqui do
João, porque é isso daí. Aí o José
Márcio coloca aqui o meu bom e velho
Roney, boa noite. Bom revêo. É legal,
José.
Eh, então tá bom, gente. É isso. A
discussão hoje é essa. Eh, eu gosto de
discutir isso. A gente, por mim, a gente
voltaria isso o tempo todo, porque essa
discussão sobre princípios importantes e
quão às vezes é bom a gente até quebrar
leis para manter esses princípios, isso
é uma discussão difícil, eh, mas é
extremamente necessária. Extremamente
necessária. E tem a ver até com o que a
gente estava falando antes sobre
escravidão, etc. e tal, né? Hoje a gente
consegue ver mais claramente como coisas
como a escravidão são contra princípios
como misericórdia, justiça e fé, né?
Para mencionar mais uma vez o texto que
o João citou aqui,
gente, boa noite para vocês. Então, a
gente se vê aí num próximo numa próxima
live. Hoje a gente ficou bastante, né?
10:10 já. Tá na hora de eu ir dormir
também. Amanhã eu vou pra igreja.
Então é isso, gente. Uma boa noite para
vocês. Obrigado aí por vocês terem
acompanhado até aqui. Espero que vocês
tenham gostado dessa discussão que eu
gostei. Eu gostei, gostei de de
conversar com vocês sobre essas coisas
todas aí. Então, valeu, gente. Até mais.
Ciao. Ciao.

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