Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

O que a escola precisa entender quando o aluno não aprende | Tesouro Azul | Rosana de Paula & Aline

O que a escola precisa entender quando o aluno não aprende | Tesouro Azul | Rosana de Paula & Aline

O que a escola precisa entender quando o aluno não aprende | Tesouro Azul | Rosana de Paula & Aline

Tesouro Azul

IBNU
Comunidade Saudável. Cidade melhor!

Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7

Contribua

Conheça mais:
[email protected]

Home

Siga-nos:
/ ibnusaopaulo
/ ibnusp

Legendas automáticas:

[música]
[assobiando]
[música]
เ เฮ
[música]
>> [música]
[música]
>> Bom dia, boa tarde, boa noite a todos.
Sejam bem-vindos mais uma live do
projeto Tesouro Azul com apoio da IBNU.
Meu nome é Aline Caririz, sou psicóloga,
terapeuta ABA, mãe atípica e fundadora
do projeto Tesouro Azul. Sou mãe do
Artur, que tem autismo nível três,
suporte não verbal e também do Guinéme
com TDH. Atuo na área da área clínica,
eh também na formação de profissionais,
famílias, instituições com foco em
inclusão, comportamento e
desenvolvimento. E hoje nós vamos falar
sobre um tema extremamente necessário, o
que a escola precisa entender quando o
aluno não aprende? Talvez não seja que a
seja a criança que não aprende, é o
olhar que ainda não foi transformado.
Chamamos muitas vezes de desobediência,
o que muitas vezes é dificuldade.
E por muito tempo tentamos corrigir o
comportamento sem
compreender a necessidade desse
indivíduo. Inclusão não é intenção, é
preparo. Pensando nisso, nós do projeto
Tesouraz temos no dia 11/04 o nosso
workshop Tesouraz, que vai ter uma
equipe multidisciplinar como
fonodióloga, terapeuta ocupacional,
pessoas da área da educação, da área da
saúde, da área do direito. Nós vamos
aprofundar tudo isso de forma prática,
com estratégias, fundament
do do dessas crianças neurodivergente.
E para a nossa conversa, eh, eu tenho
uma alegria de receber conosco a Rosana
de Paulo. Ela é psicopedagoga,
especialista em educação inclusiva,
atuando diretamente no acompanhamento de
alunos, de alunos neurodivergentes, no
suporte de professores e na construção
de estratégias inclusivas no dia a dia
do ambiente escolar. Seja muito
bem-vinda, Rosana, ao projeto Tesour
Azul, a nossa live.
>> Muito obrigada, Aline. É um prazer
imenso estar aqui com você e com todos.
Eh, tenho muito orgulho, né, de falar
sobre isso. Então, antes eu gostaria de
fazer a minha autodescrição,
porque provavelmente nós temos alguns
convidados aí às vezes com deficiência
visual, cegueira, enfim, e é um hábito
já das minhas formações, tá bom? Então,
sou uma mulher branca de cabelo na
altura do ombro, com luzes, uso óculos
como suporte. Hoje eu estou com uma
camisa cor-de-osa, sem mangas. Eh, tem
um fone super piscante aqui, que era o
que eu tinha hoje. E ao meu fundo eu
tenho uma parede branca com uma porta
lateral de alumínio. E é isso. Eu estou
aí há quase 20 anos, o tempo passa muito
rápido, né, né [risadas] educação. Hoje
educação inclusiva naquela época
educação apenas educação especial, né?
Hoje nós já temos aí a perspectiva, não
só a perspectiva, mas como buscamos essa
ilusão de fato. E eu espero que o que eu
traga aqui hoje para vocês possa estar
aumentando aí a área de conhecimento de
todos e que as barreiras de fato sejam
rompidas.
>> Uau, que bênção. Eh, você pode fazer uma
descrição minha para essa pras pessoas?
Ah, eu quero. [risadas]
>> Então,
a Aline é uma mulher branca, cabelos
castanhos. um pouco abaixo do ombro.
Hoje ela está com fone branco, fio bem
fininho. E ao fundo dela tem uma parede
clara também, uma tonalidade de branco e
há um quadro com uma gravura, que é uma
técnica aí estilo gravura, né, de
madeira e que ao fundo dessa tela, então
é uma
preto, né? E a frente da primeira
dimensão tem uma flor
>> como aquela flor que você sopra e voa,
né? O dente de leão, é a visão que eu
tenho do outro lado, tá gente? E ela
ocupa aí a grande parte do quadro. Esse
quadro ele é tomado aí por uma moldura
preta também com no meio uma borda
branca. É isso.
>> Nossa, top, top, top. [risadas]
Então, Rosana, quando nós vamos começar
com a nossa live, eh, eu gostaria de
começar com um ponto muito sensível que
dentro da realidade escolar, tá? Que
muitas vezes o aluno é percebido a
partir de rótulos antes mesmo de ser
conhecido em sua singularidade.
Como um rótulo pode se tornar uma
barreira invisível antes do professor
conhecer o aluno? Você poderia me dar
uma orientação sobre isso? docinho. Eh,
infelizmente a gente vive em uma
sociedade que ainda hoje o laudo ele vem
antes da pessoa, né? Então, nós temos um
sistema hoje que, por exemplo, eu atuo
na rede estadual de ensino, então nós
temos a nossa secretaria digital, que
ali a gente consegue puxar todo o perfil
no início do ano dos estudantes e se há
algum estudante elegível a educação
especial ou não. E aí eu me lembro muito
bem dos momentos em que eu participava
de atribuições de aula que os
professores f assim, ó, tem tal sala
você tem 25 alunos e cinco de inclusão
op.
>> [limpando a garganta]
>> Como assim cinco? Não são todos, né?
Porque a inclusão ela é para todos. E aí
a pessoa fica assim: "Ah, mas eu não
quero, eu não quero aquela sala de aula
porque lá tem um aluno autista".
Então assim, as pessoas não conhecem o
estudante,
não sabem as especificidades desse
estudante, quem é ele, né? Quais são as
habilidades que ele tem, eh, o que ele
já é capaz de desenvolver, o que ele
precisa desenvolver. Não. Ponto final,
autista. como se todos fossem iguais. E
sendo dessa forma, então, eh, os
professores às vezes têm até medo, né,
que é uma coisa assim absurda, mas
existe, né? Então eu não quero porque é
isso, ele não é o André, ele não é o
João, ele é o autista, ele é o surdo,
ele é o Dal e infelizmente o laudo ele
ainda vem antes da pessoa. E aí dessa
forma
se perde muitas oportunidades, né,
principalmente de conhecer de fato quem
é esse estudante. Ele é rotulado, ele é
jogado aí à margem dentro de uma escola,
dentro de uma sala de aula. se ao menos
ter a mínima aí potencialidade das
pessoas o conhecerem. Então isso é muito
sério. Isso ainda é um padrão clínico
médico, porque a gente vem de uma
história assim, né, Aline, em que as
pessoas elas eram afastadas, elas
ficaram à margem da sociedade por uma
doença [limpando a garganta] mental ou
por uma deficiência. E esse padrão ele
vem se repetindo, infelizmente, até
dentro da escola. Então, muitas vezes
não não existe o olhar pedagógico para
aquele aluno. O que existe é um laudo. O
médico detectou uma equipe
multidisciplina detectou ali aquele
laudo. E é isso que essa criança carrega
ao invés das pessoas pedagogicamente
conhecer, saber das suas habilidades,
saber da sua e como, né, ali apoiar e
eliminar as barreiras para que esse
estudante de fato esteja num ambiente
escolar com qualidade. É isso. Eh,
quando você tá falando isso, eh, Rosana,
a gente precisa entender que o
diagnóstico não define essas pessoas,
né? A gente precisa ter um olhar além do
diagnóstico.
>> Sim.
>> Quando isso afeta essa criança, a gente
começa a olhar para ela como autista,
como como pessoa com com TOD, com TDH,
a gente não traz oportunidade para ela
avançar, né? E a gente só coloca
barreiras diante dela, sendo que ela tem
tanto a nos ensinar, né? Quando falamos
de inclusão, um dos grandes desafios é
compreender esse aluno além do
diagnóstico. Como compreender a
especificidade sem reduzirem ao
diagnóstico, Rosana?
>> Exatamente. Eh, é, é bem o que eu vinha
já trazendo aqui, né? Porque assim, eh,
você precisa, em um primeiro momento,
eh, e eu digo isso não só para estudante
eh, neurodivergente, né, mas como todos.
No início do ano, a professora inicia
uma uma turma, ela precisa ter ali um
uma observação dessa trace, né? Porque
assim, a gente rotula aquele que tem o
rótulo, o laudo, me desculpa, mas há
outras especificidades dentro da sala de
aula também que precisam ser
identificadas. E aí, então, primeiro
momento, você precisa saber
pedagogicamente o que aquele aluno já
sabe, o que ele não sabe e como eu posso
promover ali um currículo, uma educação
com qualidade para todos, né? Então
assim, isso é bem sério, né, Aline? A
gente precisa tomar muito cuidado com
esses rótulos, porque como eu te disse,
eh, às vezes eu acompanho as escolas e
você chega lá, ah, antes do nome vem o
rótulo do lavo, né? Então assim, isso é
muito sério. Então assim, nãoele pelo
laudo, sabe? Isso eu eu tenho, depois eu
vou contar algumas experiências para
vocês, mas assim, um aluno ele não é
ninguém, nós aqui, né, adultos, nós não
somos iguais, os alunos também não são
iguais. Então a gente precisa conhecer
essa essência desses estudantes, né? E
não já bater um veredicto ali de que ele
é quase como uma condenação, né? Porque
você rotula, você
diz que ele vai ser aqui eh na dentro da
escola, ele vai ser aquilo diante do
laudo que ele tem, né? E aí fica um
alerta pra gente enquanto educadores,
assim como também para as famílias, né?
O laudo ele é o norte, mas ele não vai
definir quem é a pessoa. O que vai
definir quem é a pessoa são as
habilidades e a aprendizagem dele ao
longo da vida. Aí
>> é, então você vê que quando a gente
rotula uma criança, a gente olha para
ela com uma pessoa com deficiência acima
da dela, você vê que já fala assim,
transtorno de espectro autista,
>> pessoas com deficiência, né? Então vem
pessoa antes não vem deficiência, né?
Então isso tá fica muito claro pra
gente, mas quando a gente fala de
professores que estão ali cheio de
expectativas, muitas vezes a a
expectativa tá muito acima daquela
criança e isso pode sim impactar o
aprendizado dessa criança. Como que você
poderia me trazer sobre essas
expectativas desses professores?
Sim, porque assim, eh, se cria essa
expectativa no aprendizado do estudante.
Eh, espera-se resultados que sejam assim
de acordo ali com a etapa em que esse
estudante está. E aí o e aí vem a
frustração do professor. A primeira fala
do assim, o ano até o ano passado eu
fazer uma formação eh com os professores
da rede estadual, toda a rede estadual,
né? E logo no começo e assim os
professores eles esperam eh receitas,
receita como se fosse uma receita de
bolo. Então eu tenho um aluno com
síndrome de Dal, pegue um caderno, pegue
uma folha, faça e não é assim, né? Então
é e aí você não tem nem a experiência,
você não viu como ele é capaz de se
desenvolver. Então aí você acaba, mas
será que realmente aquele aluno não está
aprendendo? Ou será que é a estratégia
ou será que não é o método que você está
utilizando com aquele aluno? assim como
os demais também, é que não está
atingindo. Muitas vezes o aluno, ele
está ali quietinho, mas ele está
absolvendo algumas questões. E outra,
ele tem uma diversas formas de
demonstrar o seu conhecimento. O
problema é que as pessoas elas têm
muito, os professores, uma boa parte
deles,
>> eles têm muita dificuldade de sair do
senso comum, né?
>> Sim. Hoje nós sabemos assim que
nós temos um autor, eu gosto muito de
citar ele, que é o Gardner. O Gardener
ele fala de múltiplas inteligências, né?
Então a forma de aprender das pessoas
são é diferente, né? Eu falo isso por
mim, eu sou uma pessoa extremamente
visual, né? Então às vezes se o
professor ele, se eu não tô ali
escrevendo enquanto o professor tá
falando, eu não aprendia, né? só pela
audição para mim era pouco. Então a
gente precisa entender essas
especificidades e dentro desse grupo de
estudantes também, né, eu preciso
conhecer as suas especificidades e
preciso criar estratégias. O problema é
que é que muitos professores, e aí eu
volto lá na minha fala da afirmação de
professores, eles enxergam só o aluno.
Mas quando a gente começa a pensar no
todo e em que estratégias eu posso
trazer que vai alcançar esse estudante,
assim como os demais também, as coisas
começam a mudar de figura. E aí quando
eu ia fazendo a formação, eles falam
assim: "Nossa, mas eu nunca pensei
nisso, eu nunca pensei dessa forma, né?
Às vezes o simples não vai atender só o
aluno com deficiência, o simples ele vai
atender a todos e aí a gente consegue ir
moldando ali algumas estratégias, né?
Então acho que esse é o grande problema.
O laudo ele assusta: "Ponto e agora, meu
Deus, não estudei para isso, o que que
eu vou fazer?" Não, mas você estudou
para ser um educador. Enquanto educador,
>> que estratégias que a gente pode
utilizar, né? O problema é que o rótulo
ali, ele assusta demais os profissionais
da educação. As pessoas já sofrem por
antecedência antes mesmo de conhecer
quem é aquele estudante e muitas vezes
são surpreendidos.
>> Sim. Uma hoje eu recebi uma pergunta que
que eu achei até interessante e tem
muito a ver com nossa nossa live. Eh,
como você acha que o diretor e o
coordenador pode contribuir paraa
inclusão, né?
>> Sim. Nossa. como esses são os pontos
principais da inclusão, né? Então, os
pontos que vai nos trazer. Como que você
poderia nos falar sobre isso? Porque
quando eu falei para ela, eu falei que o
diretor ele que sustenta a cultura
inclusiva, tá? E
>> o que ele é definido por, ele define
prioridades, ele promove formação da
equipe, ele organiza recursos deixando
claro que cada aluno é eh
responsabilidade de todos. Você viu
responsabilidade de todos, cada aluno,
responsabilidade de todos. Já o
coordenador pedagógico, ele transforma
essa visão em prática no cotidiano,
orientando os professores, acompanhando
o planejamento, propondo estratégias de
acordo com as necessidades específicas
de cada aluno. Assim, enquanto o diretor
garante direção e o compromisso
institucional, né, que ele faz mais
focado na instituição, o coordenador
viabiliza ações no dia a dia e juntos
constróem um ambiente em que o aluno não
apenas está presente, mas tem acesso
real ao aprendizado. Então você vê que
quando eu fiz essa resposta, coloquei
essa resposta para ela, eu eu coloquei
todos, né? Não tem esse negócio de
colocar uma criança, criança atípica, só
ela que tem acesso, não são crianças
atípicas, né?
>> Então, no seu olhar, o que você acha
disso aí que eu falei?
>> Não, você tá assim coberta de razão, né?
Porque assim, a inclusão ela deve
começar na porta da escola.
>> Sim.
>> Né? E aí, eh, o diretor ele tem um papel
essencial, porque é a visão desse
diretor que com certeza vai fazer a
diferença dentro do ambiente escolar. Eu
eh se esse diretor tem essa visão, se
esse diretor ele compreende, né, esse
papel dele enquanto líder, enquanto
gestor, de que a ação dele vai impactar
toda a escola, isso já é um bom começo,
né? Então assim, eh, por quê? Porque em
primeiro momento é há necessidade de um
acolhimento, um acolhimento à família,
um acolhimento a esse estudante e um
acolhimento a esses professores também,
né? E aí entra a figura do coordenador
pedagógico que você trouxe, porque é
esse coordenador pedagógico que vai
atrás de informações, que vai formar a
esses professores, que vai promover
recursos eh pedagógicos, né, para que
esses professores eles aprendam eh a
trabalhar não só com esse aluno, mas
como todos na sala de aula, porque
assim, a gente precisa muito romper essa
visão de que o que eu faço é para aquele
aluno, ele tem as especificidades, mas
eu preciso pensar num ambiente total de
sala de aula. Então, em que momentos eu
vou adequar, eu vou adaptar algumas
questões, mas em que momentos ele tem
que estar ali como todo, né? Eh, eu não
sei se cabe aqui, mas eu gostaria muito
de trazer a experiência da primeira
escola que eu trabalhei quando eu entrei
especial. É assim, eh, eu falo assim que
a nossa diretora na época, a, o nome
dela é Eloía, né? a diretora Luía,
assim, ela foi uma pessoa muito aberta,
porque naquela época, ô gente, eu tô
falando faz muito tempo, mas faz mesmo,
foi em 2011, é, faz muito tempo. Então,
assim, as salas de recursos elas estavam
começando a acontecer na nossa rede.
>> Então, eu cheguei em uma escola que não
tinha nada, não, só tinha uma sala bem
bonitinha assim, não tinha nem
professores que queriam trabalhar ainda
com isso.
>> E ela falou assim: "Olha, eu não sei
muito sobre isso, mas o que você
precisar, você pode usar. A minha sala
ela tá aberta. Se você precisar preparar
material, se você precisar tã tã tã tã,
e a gente atende alunos de outras
escolas, ela falou assim: "Eu quero que
essas crianças sejam bem-vindas. Eu não
quero que eles fujam da minha escola". E
a coordenadora também, o nome dela é
Márcia, ela também buscou muitas
informações, ela sentava comigo, ela
fazia perguntas, sabe? Então assim, essa
postura dessas duas profissionais é que
fez a diferença. A escola, com o tempo,
ela começou até a se tornar uma
referência na região enquanto escola
pública, eh, nesse, nessa questão da
inclusão, porque assim, nós não tínhamos
muitos materiais, nem mesmo informações,
porque se a gente pensar que a lei é a
lei brasileira de inclusão, ela
aconteceu em 2015, apesar que a gente já
tinha aí, né, uma lei federal, mas a lei
brasileira de inclusão era acontecendo.
Então assim, a gente não tinha
informação, era assim muito tudo muito
difícil, né? E mas assim, ela tinha
mente aberta para isso, né? Eu eu até
brinco, eu faço assim, gente, quando eu
cheguei naquela escola, eu fui recebida
com tapete vermelho, chegou a professora
da inclusão, sabe? E isso fez toda a
diferença. Então, ela ela ela ela elas
traziam espaços dentro das formações de
professores para que eu tivesse fala,
para que eu tivesse a troca entre os
professores, né? E isso foi assim
mudando a visão dos professores também
com relação aos estudantes que estavam
chegando, né? porque eles eram de
escolas eh conveniadas exclusivas,
estavam migrando paraa rede. E então
assim, a postura dos gestores faz toda a
diferença. Essa sua resposta aí, ela foi
bem certa, né, com relação a isso,
porque é isso um, ele tem que
administrar, ele tem que eh fazer essa
parceria com a comunidade escolar, a
família da desses estudantes precisam se
sentir bem-vindos ali. E quantas
histórias que eu não escuto fal assim:
"Nossa, até pensei em tirar meu filho
dessa escola, mas ele já tá gostando
tanto e vocês são tão bonzinhos, são tão
legais e isso acontece. Gente, o que eu
tô falando aqui não é uma utopia, não. É
uma realidade que eu vivencio em muitos
espaços que eu percorro. Mas porque a
postura dos profissionais faz toda a
diferença.
>> Faz toda a diferença. Sabe o que tinha
nessa escola? O amor, o olhar para o
para o outro, empatia, compaixão,
respeito. Sim. Nossa, muito linda esse
relato seu, sabe? [risadas]
>> Então, votamos aqui.
>> Essencial.
>> Essencial. É o ponto essencial da
inclusão, né? [risadas]
>> Sim, sim.
>> Então, voltando para para nossas
perguntas aqui, muitas vezes o olhar
ainda está direcionado para aquilo que o
aluno não consegue fazer, como a gente
tá trazendo aqui sobre os rótulos, né?
Uhum.
>> Como sair dessa visão? Você já não
trouxe aqui o olhar de uma
coordenadora, uma diretora com olhar de
inclusão e amor, né?
>> O que pode ser desenvolvido para que
construa esse momento de pertencimento,
esse sentimento de pertencimento, esse
sentimento que a família tá sendo amada,
acolhida diante daquele contexto
escolar?
>> Sim. É um ponto também que nós
precisamos eh entender nisso tudo aí,
Aline, é que às vezes é que isso hoje já
é até garantido também, é que assim os
estudantes eles precisam de um tempo de
adaptação, de adequação, né? Não
adianta, por exemplo, eu querer que o
estudante ele entre ali e ele já saiba
sentar, pegar o material, no caso, por
exemplo, de um estudante nível dois ou
nível três de esporte, é difícil para
ele, né? Então, por isso que eu digo que
é muito importante essa parceria com a
comunidade, com a família, porque essas
estratégias que vão ser traçadas aí
paraa inclusão do estudante, elas
precisam ser feitas em parceria, né?
Então, a família precisa entender a
parte dela, porque também existe a parte
da família, a escola precisa entender a
parte dela e os professores também, né?
Então assim, precisa ter esse
relacionamento aí, essa junção.
Exatamente. Então, para que isso
aconteça de fácil, assim, não acontece
do dia paraa noite, né? Mas nós
precisamos entender essas etapas. E e é
o que eu falo assim, é esse olhar que
ele é especial, então há necessidade
desse olhar especializado também dentro
desse ambiente, né, para que se trace aí
uma rota para esse estudante durante o
ano. E aí e ir sendo analisado cada
etapa tá dando certo, não está dando
certo, o que nós precisamos recalcular,
o que nós precisamos aí pensar como
estratégias. E tem um ponto também que é
muito importante quando eu falo em
parceria, eh, os demais estudantes,
>> sim,
>> né? Esse preparo, essa orientação, né?
Quando a gente fala assim de empatia dos
gestores, mas também que esses gestores
eles levem isso para os estudantes. Não
às vezes que o estudante seja visto como
coitado, coisas do gênero, mas que os
demais colegas compreendam que ele é
capaz de aprender também.
mas que existem algumas situações que aí
precisa ver o respeito, precisa ver o
silêncio, né? A troca entre pares. A
gente sabe que os estudantes eles
aprendem muitas, eu até falo, muitas
vezes eles aprendem muito mais entre os
colegas do que a relação aluno
professor, né? Então essa essa junção aí
entre adultos e
>> alunos, ela também é muito importante
pro processo de inclusão, né? os o até
alguém tá falando aqui, ó, pertencente
do processo. É isso, é isso, é isso
mesmo,
>> é isso mesmo, [risadas]
>> isso mesmo, Cristina.
Então, aproveitando que a Cristina aqui
está no nosso chat falando aqui conosco,
eh, eu gostaria de que vocês colocassem
aí no chat quais foram os desafios que
vocês tiveram diante do ambiente
escolar, né? Eh, se vocês já vivenciaram
momento de rotulação,
de preconceitos,
e se vocês têm alguma coisa, um relato,
algum algum assim, um depoimento dessa
criança, desse avanço no ambiente
escolar, que também a gente precisa
potencializar os pontos positivos,
avanço dessas crianças, né? E vocês que
são pais também, colocar aqui suas suas
orientações, o que vocês acharam da
inclusão escolar, o que vocês estão
achando hoje, né, da inclusão escolar
com muitas hoje com a conscientização,
muitas escolas estão adequando o seu
contexto escolar para incluir da melhor
forma, né? Mas é ainda até um um
processo formiguinha que a gente ainda
está nesse processo. Precisamos tirar os
rótulos, tirar os mitos, né, da pessoa
com autismo. A gente precisa tirar muito
esses mitos. Mas coloque aí no nosso
chat, participe conosco que no final a
gente vai conversando aqui com vocês
também que vai ser um prazer estar aqui
com vocês. Rosana, quando você nos fala
assim de com essa reflexão, com esse
olhar, esse olhar além do diagnóstico,
que a gente precisa deixar de focar nas
limitações,
passarmos a a prestar atenção mais nas
potencialidades, a gente abre
desenvolvimento para essa criança,
espaço desenvolvimento, a gente começa a
deslocar esse olhar além do diagnóstico,
né? e a gente acaba tirando eh eh o
poder do diagnóstico, né? Porque a gente
começa a olhar para essa criança na sua
totalidade e a gente vai construindo
possibilidades para ela se avançar
diante do ambiente escolar. Isso é
extremamente enriquecedor, porque eu,
como mãe atípica, eu vejo a importância
desse olhar do profissional. Muitas
vezes quando o Artur teve no ano
passado, ele teve umas dificuldades
emocionais diante da perda da avó, né? E
ele ele sofreu no momento lá do do
enterro, mas ele e esse comportamento de
sofrer, chorar foi muito constante para
ele. Tanto o Artur viveu o luto, né?
>> Sim. E e hoje, lógico que houve
comportamento desafiador dele. Muitas
vezes ele fugia da sala de aula, mas é
porque ele não conseguia se controlar
emocionalmente diante de uma perda tão
dura que foi não só para nó para ele,
mas foi pra família toda, né? Então, o
olhar do profissional, quando ele tem
esse olhar, porque houve uma mudança eh
do ambiente dessa criança, houve uma
perda desse nesse ambiente, essa criança
não conseguiu, tá não tá conseguindo se
se regular diante daquele ambiente
porque algo tá acontecendo, né? Então
esse olhar do profissional não deixa eu
falar assim: "Ah, ele tá com a crise do
autismo,
não tá com crise do autismo, ele está
vivendo uma dor de uma perda. Ele tá
vivendo muito. Você vê a diferença, né?
Quando a gente desconstrói os ritos,
tira esses rótulos, tira a deficiência
da frente dessa criança, a gente avança
ela na sua totalidade. Hoje o Artur, ele
ele conseguiu se regular emocionalmente,
lógico que ele sente ainda a falta da
avó, a gente deixa liberdade para ele
expressar esse sentimento.
E a gente, ele tem até a foto da avó no
no celular dele, abraço, beijão ele.
Então ele viveu esse luto, mas a gente
traz esse amor para ele, a gente mostra
essa situação e a gente deixou ele viver
luto, né? Sim.
>> Quando nós falamos, Rosana, de inclusão,
estamos falando também de garantir
acesso real à aprendizagem, né? Sim.
>> Hoje eh o a gente ti o DUA, é um
desenho, um desenho universal de para
aprendizagem, tem um papel importante
nessa construção. Sim.
>> Na sua prática, como essa abordagem
contribui para a construção de aulas
mais acessíveis desde o início do
planejamento?
>> Tá.
>> Você pode me falar um pouco do DUA?
>> Falo sim. Então assim, o DUA ele é o
desenho universal para aprendizagem,
como você mesma disse, e ele vem de um
conceito da arquitetura, né? Eh, nessa
questão do espaço para todos. Então, por
exemplo, eu vou te dar um exemplo, né?
Eu tenho um prédio,
>> e nesse prédio eu tenho tem até uma
ilustração muito famosa escrever aqui.
>> É, tem até uma ilustração muito famosa
que eu vou trazer aqui para você, que
provavelmente muitas pessoas já viram,
>> que é assim, um grupo de alunos parado e
uma pessoa limpando uma rampa.
>> Sim. E tem um estudante cadeirante
esperando que a que a rampa eh seja ali
liberada, né?
>> E aí os estudantes falam assim: "A
escada é mais ou menos assim, a escada
ela é limitada, alguns conseguem subir,
mas se eu tiver a rampa livre, todos
podem passar pela rampa, né? Então esse
não sei se eu fui bem clara aqui, eu tô
dessa imagem da rampa. É assim como
elevador também, né? O ambiente ele tem
o elevador e o elevador ele é para
todos, não só para aquelas pessoas com
deficiência, né? Qualquer pessoa pode
usar rampa, pode usar o elevador. Então
o DUA, ele vem desse conceito aí da
arquitetura. Então é nesse sentido, eh,
dentro da escola. Então,
>> por exemplo, eh a gente precisa pensar
quais são as habilidades que esses
estudantes precisam aprender, a classe
como um todo, né? Então, é o que eu te
falei lá atrás, se eu ficar olhando o
rótulo do estudante, eu vou pensar que
ele precisa fazer algo diferente dos
demais, porque ele não vai conseguir
aprender. Mas se eu pensar nessa questão
da acessibilidade curricular, eu vou
criar estratégias de formas que esse
estudante também participe da ação, né?
Então, por exemplo, às vezes o estudante
ele não registra, mas ele tem um colega
que registra. Eu eu ali eu promovo
duplas produtivas, né? Sim.
>> Então, eh, o primeiro, o dua, ele tem
três pilares aí na prática, né? O
primeiro deles é o engajamento. Então,
por que aprender e qual vai ser essa
motivação para esse aprender, né? Então,
e o
>> dentro desse porqu aprender, o que ele
vai aprender? E aí, o que ele vai
aprender? Que estratégias que eu posso
trazer? Por exemplo, uma professora, ela
vai falar de ciências, ela vai falar
sobre o ciclo da água. Se ela der um
texto
pros alunos lerem,
>> nem todos vão conseguir. E não tô
falando só de alunos
>> com deficiência, autismo, não. Tô
falando de vários estudantes. Mas essa
professora, ela traz uma estratégia, por
exemplo. Então, vamos pensar. Vou passar
um vídeo de 3 minutos mostrando da onde
a água vem.
né? Por onde a água passa, aonde a água
chega. Aí depois eu vou trabalhar um
texto com os meus estudantes. O vídeo já
ali matou a charada, né? [risadas]
>> Eles já compreenderam. Aí eu vou trazer
o texto. O texto os alunos vão ler, de
repente, vamos marcar palavras que são
importantes, palavras que vocês não
conhecem. Isso aqui a gente vai fazer em
dupla, tá? Então aquele aluno, eles
estão juntos ali produzindo um,
ensinando o outro, tal. Aí lá no final,
eh, então agora vocês vão fazer um
desenho sobre esse ciclo, sobre isso que
eu acabei de explicar. Em que momento,
talvez esse aluno ele não consiga
participar de todos os momentos, mas em
algum momento ele participou e ele e ele
conseguiu compreender esse ciclo da água
também. Então é isso, é trazer
estratégias que de fato ela contemple a
todos. Eu lembro, Aline, eu até esqueci
de comentar um pouquinho no começo, né,
que dentre a minha formação aí, eh, eu
tenho a especialização em deficiência
intelectual, autismo e também sou
professora de estudantes surdos.
E eu tive uma experiência eh de estar em
sala regular, que eu sou professora de
arte também. E teve um ano que eu tive
uma aluna surda na sala regular, então
eu sabia as estratégias que seriam
melhor para que ela também aprendesse,
mesmo tendo a intérprese de Libras, né?
Então, fazia muitas coisas visuais,
montava PowerPoint, levava imagem,
explicava, mas tudo muito bem detalhado
visualmente, porque eu sabia que para
ela aquilo ali seria importante, porque
ela tem essa questão do visual, né? E um
dia os alunos falaram: "Professora, é
muito interessante porque o seu jeito de
explicar é tão legal que até a gente
entende." Eles falaram assim brincando,
mas porque o visual
também trazia significado para aqueles
estudantes, muito mais do que se eu
ficasse ali com texto ou só apenas
falando, porque eu apontava, eu
mostrava, eu, né, trazia roteiros ali
para eles. Então assim, eh, eu tenho um
colega, o Nilson, ele falava sempre
assim para mim, que ele é professor de
matemática, né? falou: "Nossa, no começo
eu tinha tanta dificuldade, mas aí onde
eu entendi que se eu fizesse uma
atividade para ela, todo mundo ia
conseguir aprender também". Então você
não tá deixando
>> de trabalhar a habilidade, mas você tá
trazendo estratégias e conceitos que faz
com que todos aprendam
>> sem ninguém ficar de fora.
>> Muito é o duo. É isso. E aí o terceiro
pilar lá do dua, né?
o terceiro
>> é que é demonstrar como ele aprendeu,
que é o que eu falei quando chega lá na
desenho, né? Por exemplo, de repente
você tem um aluno dislexo, né? Esse
aluno ele não vai, ele vai ter a
dificuldade do registro ou da leitura,
mas ele pela oralidade, pelo desenho,
ele é capaz de se expressar. Pessoal,
vamos produzir um vídeo aí sobre o ciclo
da água, quem vocês entenderam, tal.
Então você tá alcançando a todos, né? E
e essas coisas muito assim na palma da
mão, não é nenhuma mágica, né?
>> Mas é uma aula realmente construída
pensando na totalidade da sala de aula.
>> Nossa, e como e se torna muito mais
prático o professor do que fazer uma
adaptação pedagógica direcionada para
aquele aluno, né? e acaba unindo todos
no processo. E é criança, eu já recebi
de adolescente que tem autismo nível
dois, suporte verbal,
>> ele falava assim que queria fazer
atividade que que os os amigos estão
fazendo em sala de aula. Exatamente.
>> Olha como dua
seria excelente para esse ambiente. Is
excelente.
>> É porque ele não ele não vai fazer
assim, talvez em algum momento eh ele
precisa ser necessidade mais de suporte,
né?
>> Precisa de suporte, precisa de repente
de alguns recursos, eh, uso de um
computador ou uso de materiais
concretos, né? Porque às vezes aquilo
que você trouxe lá do Artur, às vezes
aquilo que é abstrato,
trabalhar com a imaginação, então ele
precisa de referências que sejam reais,
>> mas tá todo mundo na habilidade, né? Eu
tive essa experiência também de às vezes
você traz também se fazer enquanto todo
mundo lá falando da da álgebra, você
traz a folhinha pro menino ficar lá
juntando pontinho, ele fala: "Não, ele
já é um adolescente, eu também quero
escrever no caderno". tá tudo bem com
isso, sabe? Então assim, a gente precisa
proporcionar para que ele não se sinta o
estranho da turma, né? Porque já já é
tão rotulado, né? E aí por que que todo
mundo tá fazendo isso e eu tenho que
fazer outra coisa? Mas se você coloca
todo mundo para fazer outra coisa
também, ele se sente incluído.
>> E é um aprendizado se torna muito mais
eh emocionante, mais eh tranquilo, né?
As crianças aprendem melhor, né? que
você trouxe vídeo, trouxe texto para
decodificar os pontos principais, depois
você trouxe o desenho
>> para trazer uma forma de ilustração de
como que você aprendeu. Nossa, eu amei
essa essa eh o duo dua, né? Ô, meu Deus.
Dua
>> dua é [risadas]
>> ela é um um método ou é um método?
Isso ele é um conceito, na verdade,
>> conceito. É um conceito.
>> Isso. Ele é um conceito. E aí, por meio
desse conceito é que o professor ele
pensa nas diversas formas de aprender e
do estudante e as diversas formas de
ensinar, que é aquilo, se eu fizer a
escada hoje só meia dúzia vai subir, mas
se eu colocar a rampa, todo mundo
acessa, né? Tem até uma
>> também uma outra imagem que é bem
famosa, que é aquela equidade e da
igualdade, né? Você já viu que tem o
campo de futebol? Aí a equidade, eles
colocam uma criança baixa, outra sim. A
igualdade, aliás, né? Eles estão todos
ali, a equidade, eles colocam os
livrinhos para todo mundo olhar por cima
do muro. Mas o aí tem, hoje em dia eles
fazem já a terceira figura que é a do
que é o campo aberto para todo mundo ver
o mesmo tempo.
>> Tudo ao mesmo tempo. Agora
>> é muito bom esse dua.
>> Sim, sim. muito apaixonada.
>> E é um conceito antigo, viu, Aline? É
que ele ele vem chegando, né, na para
nós aqui, mas ele começou lá nos Estados
Unidos e ele é um conceito antigo já
dentro da educação.
>> Mas quanto tempo ele tem no Dua?
>> Ah, nossa, já tem o DU, ele é do final,
ele é
mais ou menos. Ah, já tem mais de 12,
15, 20. E agora de cabeça não vou
lembrar não, mas de 10 anos, né? já tem
mais de 10 anos aproximadamente, né?
Sim, sim. Ele começou lá fora, né?
>> Sim. E eu tô até pesquisando aqui para
mim não falar besteira,
mas assim, eh, ele é antigo, mas é que
por meio da dessa busca, né, de se
aprimorar as políticas públicas, de
estudos que foram eh sendo feitos aí
para que, de fato, a gente trouxesse aí
eh
o
a inclusão de fato, né, é que se começa
a buscar essa essas outras experiências,
né, né, que existem aí. E aí se chega
nesse conceito do dua, mas ele é antes
do do ano 2000, ele já começa v sendo
aíado. É que nem eu te disse, ele
começou com arquitetura e aí esse grupo
de americanos, eles começam a trazer
esse olhar também para dentro da
educação. Ele é um conceito bem antigo,
mas ele vem sendo explorado aqui por nós
há um tempo para cá, de uns 10, 15 anos
para cá. Nós temos hoje grandes
referências de pesquisadores, mas
>> é como você disse, né? Estamos
engateando aí. [risadas]
>> É um trabalho de formiguinha. Estamos
chegando. Estamos chegando. Mas tá
chegando, tá chegando,
>> estamos chegando. Nossa, é muito bom.
Então, saindo de um pouco do conceito,
da parte conceitual,
eu gostaria de pensar na parte prática,
sabe?
>> Uhum.
me traz agora uma experiência sua que
foi marcante dentro da educação
inclusiva para de você falar para mim
aqui [risadas]
agora eu tô curiosa.
>> São tantas, são tantas, vou trazer duas,
tá bom? Bem rapidinho.
>> Mas o que mais marcou a sua vida assim?
Então pode trazer. Eu tenho assim, eu
vou trazer da escola e depois eu vou.
Quando eu comecei a fazer essa pesquisa
na área da educação especial, foi porque
eu comecei por um projeto, isso lá em
2004.
Eh,
e aí esse projeto era um centro de
convivência para pessoas com
deficiência. Eu não tinha menor noção da
onde eu estava indo pisar, né? E nos
primeiros dias eu falei assim pra pessoa
responsável, falei: "Eu queria observar
um pouco, eu preciso entender o que que
é para eu começar desenvolver alguma
coisa, que quando eu cheguei lá, ela já
ficou toda feliz da vida. Nossa, uma
professora de arte, vai vir ficar aqui
com a gente, tal, falei, preciso
entender." Aos poucos eu fui entendendo
que eles eram capazes,
>> sim,
>> né? E que às vezes, e muitas vezes eles
eram até infantilizados, né? Ali,
>> mas a experiência que me marcou ali foi
um rapazinho que hoje ele já deve ter
mais de 30 anos, o Silas.
autista e o Silas não ia pra escola
naquela época, ele ficava nesse centro.
Só que assim, ele tinha uma capacidade
de decorar carros e números. Eu nem
sabia o que era autismo nessa época,
Line, porque foi assim, foi minha
primeira porta. E aí no primeiro dia ele
me pediu o telefone.
>> Passei, [risadas] tipo, esse menino, né,
vai saber meu telefone. Passei, passou
uns 15 dias, o telefone toca. Oi,
Rosana. Aquele jeito. Tudo bem, Silas?
S filas, você guardou o meu telefone?
Ele Sim, eu sei que já faz com quase 20
anos essa história e até hoje ele me
liga. [risadas]
Que lindo.
>> É muito legal. Ele é um moção, já um
omão já. E depois disso a gente começou
a ver que ele tinha muita
potencialidade.
Graças a Deus a mãe entendeu que ele
precisava ir para uma escola regular,
que ele poderia se desenvolver ali. E
ele foi. E uma outra experiência que aí
é o é o que aí a gente vem para aquele
aquela questão que nós estávamos falando
do rótulo no começo, foi uma turma de
sexto ano que eu peguei uma vez que
tinham dois estudantes. E aí é e assim
só me fala assim, vai ter dois autistas
na sua turma. Eu falei: "OK, né?" Aí no
primeiro dia eu conversei com os
estudantes, expliquei para eles, falei
assim, "Ó, vai ter momentos em que eles
precisam sair e tá tudo bem. Aos
pouquinhos eles vão aprendendo as
regras, vocês não podem, né? Cuidado com
barulho, isso pode irritar, tal, tal".
Fiz todo aquele trabalho com eles antes
desses meninos chegar. E aí, qual era a
surpresa, né? E pros alunos também,
porque eles não eram iguais. Um adorava
gibi, então o hiperfoco dele em gibi.
Ele ficava ali, ele participava um
pouquinho. Na hora do intervalo, ele não
conseguia ficar lá dentro do ambiente
barulhento. Aí a gente puxava ele para
fora, ele ficava ali, comia o lanchinho
e tudo bem. O outro já era totalmente
oposto, né? Agora se você imagina se eu
tivesse nivelado esses dois.
>> Ah, então vou trazer todo dia uma
atividade pros dois que,
>> né? e não ia contemplar, porque um ele
tinha essa especificidade, ele tinha
esse hiperfoco com desenho. E eu entendi
que com ele, se eu trabalhasse por meio
de imagens, narrativas, em quadrinhos,
ia ser super legal, ele ia se envolver
bem na aula. O outro ele tinha muito
mais eh obstáculos ainda ser rompidos,
né? Então ele precisaria de uma sala de
recursos, ele precisaria cumprir uma o
que é rotina, o espaço que ele estava
chegando, porque eles estavam chegando
no sexto ano por um ambiente totalmente
diferente. Mas assim, a história deles
me marca muito por essa diferença,
porque muitas vezes a gente rotula, né?
be laudo lá no no lado lá do da chamada
rotula e não é nada disso. Nós
precisamos conhecer os alunos,
precisamos identificar as suas
potencialidades e desenvolver. E a turma
era uma turma muito, eles eram muito
compreensivos,
sabe assim? Aí só que assim, foi legal
também porque um um o Gabriel, né, na
época, ele de vez em quando ele
aprontava na sala de aula e os meninos
ficavam bravos, né? não vai acontecer
nada com ele. Falei: "Pera aí, né?"
Então, um dia eu falei com a diretora,
falei: "O que aconteceria se qualquer
criança da escola tivesse feito o que
ele fez?" "Ah, a gente ia chamar mãe
para conversar". Eu falei, "Por que que
vocês não vão chamar a mãe dele?"
>> Sim,
>> né? E aí os alunos ficaram tudo assim,
sabe? O rolinho, [risadas] porque assim,
eh, em alguns momentos ele tinha
questões específicas, mas ele precisava
compreender também regras, ambientes,
tudo mais,
>> limites, né? E ele depois eu perguntou:
"Por que você contou para ela?"
[risadas] F. Ah, então você sabe que
você aprontou, né? E aí ele
tudo, mas ele precisava entender que
existiam regras ali dentro também e que
aquilo que ele fez não era legal. E os
alunos
>> é, se a gente ficar olhando pra
limitação, a gente nem vai dar, nem vai
pôr limites, nem regras, né?
>> É muito importante limites e regras,
respeitando ele na sua totalidade, né?
Mas foi excelente porque ele mesmo teve
essa compreensão de que foi ô pera aí,
eu fiz coisa errada e pediu desculpa,
né?
>> Pediu ele ele todo ali, né? Daí quando
ele viu que eu realmente ia contar o que
aconteceu, ele mudou até o tom de voz.
Eu falei: "Não, agora você vai falar
alto porque você não gosta de gritar,
então vamos falar num tom legal que todo
mundo vai ouvir o seu pedido [risadas]
de desculpa." E os meninos assim, tipo,
hã, sei, desculpa, né? O que você fez
foi sério, mas aí a mãe foi até lá,
conversou, explicou e ele começou a
entender que existiam regras que nem
tudo ele poderia fazer. Mas são duas
histórias assim, Aline que me que marcou
bastante assim a minha trajetória foram
esses rapazes hoje já, né, já são moços,
homens aí que traz aí para mim essas
duas perspectivas. O Silas, que eu não
tinha a menor noção e que o Silas me
ensinou muito, né? Então, tinha um
potencial enorme com essa questão da
lógica, da matemática e tantos outros
que eu conhecia aí no decorrer da minha
vida. E esses dois que estavam dentro da
mesma sala de aula, mas alunos
totalmente diferentes. E aí eu precisava
ter esse olhar individualizado para cada
um também, né? Se eu tivesse outro lado,
só levado a folhinha o ano inteiro, não
ia dar muito certo, né?
>> Ia conseguir avançar. Verdade.
>> Ó, a Cristina Silva, ela falou aqui: "Eu
tenho percebido que a relação família e
escola tem se tem se diluído, porém o
que me chama atenção é o fato de que a
escola está abrindo mão dessa relação. O
papel do educador é não desistir, né?
Então ela fala aqui que muitas vezes os
os professores deixam de chamar os pais
para ter essa essa relação dos pais.
Lembra-se que a importância é essa
relação pai e escola, né? É importante
essa relação. É uma
>> O que você acha disso?
>> É isso. A a Cristina Silva, ela é minha
colega de trabalho. Cris.
>> Ah, Cris [risadas]
competente também e ela desenvolve um
trabalho muito legal em uma outra área
aí que uma hora de repente você até
convida ela para uma live aí. Mas é isso
mesmo, né? É isso mesmo que a Cris
trouxe. Ela ela acompanha aí os
estudantes de anos iniciais, né, as
crianças pequenas. E eu falo que nessa
fase eh é onde tudo começa, né? E aí,
independente da fase da faixa etária do
estudante, enfim, eh precisa se ter essa
parceria, né? Isso aí é muito
importante. Eh, não pode separar, né? O
pai tem que fazer parte dessa jornada.
Tanto é que hoje alguns documentos que
existem na escola, além da assinatura do
gestor, do professor, precisa constar
esse essa assinatura do pai também. Ele
precisa entender o que tá acontecendo, o
que vem sendo feito. Ele precisa
participar dessa dessa formação de
qualquer estudante de uma forma
integral, né? Então não se pode separar
família, escola, todos são pertencentes
>> tem que tá integrado os dois.
>> Isso a família, a família ela tem muito
a contribuir, né? Não pode andar
separado. Sim,
>> não. Eu como mãe, eu sempre fui presente
nesse no momento da escola,
>> tanto que eu sempre fui participativa,
sempre estive presente em situações
e até, lógico, em orientações para cons
paraa escola. sobre alguns
comportamentos, como lidar com algumas
situações,
mas infelizmente tem muitos pais que
estão esgotado, né? Tão esgotado
emocionalmente, eles estão tem dia que
eles não conseguem dormir, tem dia que
eles estão naquele aí, tem pais que
ainda vivem o luto do diagnóstico.
>> E o luto do diagnóstico muitas vezes
pode durar um mês, dois meses ou até 10,
15, 20, 30 anos ou até mais se deixar,
né?
Então, eh, quando o papel da escola de
não desistir do educador, não desistir é
o coordenador, convidar os pais, eu acho
importante também trazer um momento de
conscientização na escola,
>> sabe? trazer depoimento de pais que já
avançaram diante da inclusão, como que
ia lidar com algumas demandas, porque
quando tem essa troca de experiência,
troca de de o pai sentir que o outro
também vive a situação, mas que
conseguir avançar,
>> né? Então traz mais força para esse pai,
né? Traz mais eh assim, eu vou conseguir
também, né? Mas quando você vai numa
escola, que eu já tive vários contatos
com escolas e teve uma escola que que a
mãe estava sendo muito maltratada, né?
Não vou relatar o nome da escola aqui
porque não cabe a mim fazer isso,
>> mas eu vi o quanto essa mãe estava
angustiada diante daquela daquela
pressão que ela tava vivendo diante do
da abordagem da coordenadora, abordagem
da diretora, né? Então é muito difícil
ver o quantos pais ainda precisam ter
trazer essa confiança da escola.
>> Sim.
>> E não é tão fácil construir essa
confiança, porque muitos pais vivem
ainda preconceito,
vivem muito rótulos.
>> Eh, tem pais que chega na escola, acabei
de deixar e acabou de vol, nem chegou em
casa, já tem que voltar,
>> né? E então isso é um um algo que
desgasta emocionalmente os pais, né?
Então essa correlação dos pais com a
escola é extremamente fundamental na
construção de uma uma educação
inclusiva. Sim,
>> né? Então, quando a gente tira esse
olhar, além do diagnóstico, tira esse
olhar do rótulo, a gente começa a
entender essa criança na sua totalidade.
A gente começa a olhar para essa
criança, vê que ele tem potencial, que
ele tem como avançar diante daquela da
do ambiente escolar, a gente começa a
trazer eh metodologia como a dua, né?
Trazer
formas de de adequar essa criança diante
do ambiente escolar. Então você vê que a
gente tira essa visão e como aquela
diretora falou, ele eu quero que eles se
sintam bem, né, na escola. Então isso
mesmo.
>> E a nossa
>> como eu gostaria de ouvir isso de todas
as escolas. [risadas]
>> Incrível, né, Aline?
>> Gostaria de ouvir isso, mas infelizmente
a gente ainda anda no
>> É,
>> a formiguinha ainda tá chegando lá,
sabe?
>> Tá, tá. [risadas] Eh, a gente fala
assim, né, que dentro da inclusão hoje o
nosso olhar de pedagogo tem que ser a
eliminação de barreiras, né, da a gente
falta mais o conceito arquitetônico,
eliminação de barreiras, né, quais são
as barreiras que esse estudante ele
encontra dentro do ambiente escolar e
quais são os apoios, recursos e serviços
que eu vou promover para que essas
barreiras sejam eliminadas. Mas a
barreira mais gritante que ainda
acontece é a barreira atitudinal, né? As
pessoas elas têm o preconceito,
elas impedem esse acesso de fato, né?
Que a gente volta lá pro início da
conversa, as adequações que são
necessárias. Tem um eh eu já acompanhei
uma escola que até uma escola só de
ensino médio e lá eles tinham uma sala
de descompressão
e não era só pros estudantes eh
elegíveis, não. Qualquer aluno, crise de
ansiedade, vai lá pra salinha, fica um
tempinho, musiquinha, cachoeira e tal,
porque é uma escola de tempo integral,
né? Os alunos passam,
>> preciso estar nessa escola, [risadas]
tem,
[suspirando]
>> então eles têm essa salinha de
descompressão, sabe? e ele falou para
mim, é para qualquer estudante que tiver
ali no cara num dia bom, tal, de repente
seja uns 10, 15 minutinhos. E o
professor eh e o eu sei que hoje nós,
enquanto professores, né, nós também
temos muitas cargas para carregar. E aí
também quando você volta lá naquele
papel do diretor e do coordenador também
existe esse papel de acolhimento que
deve haver com os professores, porque
nós estamos aí eh por várias questões
bem esgotados, né? Mas a gente precisa
entender que a educação ela precisa
fluir, né? E para esse para essa fluição
aí da educação é necessário que haja
essa humanização em primeiro momento,
né? Que é que é isso, é acolher a
família, é acolher o professor, acolher
os estudantes juntos, o que nós podemos
construir. Eh, eu eu acredito muito num
trabalho de prevenção, sabe? E esse
trabalho de prevenção, ele envolve essas
parcerias que devem acontecer, né? Para
que, por exemplo, essa mãe que, poxa
vida, eu tive que abrir mão do meu
trabalho para estar com meu filho, né?
Eu preciso toda hora estar indo lá na
escola. Então, assim, essa mãe, ela
precisa desse acolhimento, então uma
parceria com alguma
>> uma instituição, uma instituição, uma
ONG, né? área da saúde. Então, e essa
conexão também entre os serviços
públicos, eh, eles precisam acontecer.
Eu sei que é muito difícil, a gente às
vezes sabe que a, eh, às vezes é feito
um encaminhamento, eh, para uma família
e é tanta dificuldade para conseguir uma
consulta, para conseguir uma medicação,
né? Mas eh eles precisam ser orientados.
E como você disse, essa questão do luto,
ela é muito séria, né? Porque também a
gente tem uma uma outra questão aqui,
Aline, é aquela família que não aceita e
aí quando você puxa, ele tira o filho da
escola.
Você vai ver histórico do menino, ele já
estudou em mais de 10 escolas com 12, 13
anos de idade. Porque cada vez que
alguém percebe, chama a família para
conversar meu filho, não tem nada. Eu,
então eu vou trocar ele de escola, né?
>> Ela tá vivendo a negação, né? a negação.
A negação. Exatamente. Então isso
precisa ser assim muito bem elaborado,
né? Por isso que esse trabalho de
prevenção ele é muito importante. Então
é conscientização,
eh ações, né, estratégias, eh para que
de fato a inclusão ela comece a
acontecer. Isso é bem necessário.
>> Isso mesmo. Então vou aproveitar você
aqui essa sua fala. O projeto Tesouro
Azul, ele vai nas escolas, tá? vai nas
escolas para trazer essa
conscientização,
trazer esse apoio para os professores,
tá? Além dos pais, também a gente traz
esse apoio. É importante o entrar depois
em contato com você que tem essa
demanda, precisa de trazer uma
conscientização na escola, como a gente
já foi na PAI, a gente já foi na escola
pública, escola privada, então estamos
aqui à disposição para trazer essa
conscientização e trabalhar junto com
vocês sobre a inclusão escolar, como é
muito importante eh fortalecer a escola
nesse ambiente, né? Então também eu
gostaria de convidar também workshop
Tesouro Azul, né, que temos a equipe
multidisciplinar ali totalmente dedicada
a esse dia da inclusão que será no dia
11 de abril, estarão disposto ali para
conversar, bater papo, dialogar, poder
tirar as dúvidas, troca de experiência.
vocês que estão na área da educação,
vocês que estão na área da saúde e
também vocês que são pais, é importante
vocês aprenderem mais, aprenderem que
acho que a a quando a gente traz
informação, a gente a gente tira esse
bloqueio, a gente tira a barreira, a
gente abre caminhos para novos,
>> novas possibilidades. Então, ainda
quando a gente busca informação, vocês
têm oportunidade, vão lá no no workshop
Tesouro Azul, que vai ser um tempo muito
enriquecedor para todos vocês e também
para nós, né, com essa troca de
conversa, essa experiência nos enriquece
muito. Então entra no nosso Instagram,
Tesourazor Oficial, aqui tá o link da
inscrição do workshop também, tá no
nosso nosso Instagram tem informações
sobre o que é autismo, tem bastante post
lá falando sobre as regulações
sensoriais, que é importante vocês
também entenderem um pouco mais sobre a
desregulação.
Então busque mais entender sobre essas
coisas, entra no nosso Instagram,
Tesouro Azul oficial que tá aqui
passando, né? [risadas]
e vocês possam estar aqui conosco. Ah,
Rosana, voltando aqui, a gente, você
falou, além dessas estratégias e
desafios de inclusão, também transformam
o ensino no como ambiente ao redor, né?
O qual desses esses alunos
para você e para sua turma trouxe uma
experiência profunda? Você já nos trouxe
isso, né? Então, buscando, de dessa
parte aí, que eu já tô voltando pro
passado, [risadas]
eu gostaria de entender um pouco sobre a
Dua, né? Quando você falou aqui que a
DUA é um ponto central, né? que quando
falamos dela de inclusão, porque ela é
uma prática para todos,
>> como você nos trouxe, que ela é de na
forma, ela faz o o aluno pensar, o aluno
refletir, o aluno trazer informações,
como você falou aqui do vídeo que ele
faz, ele traz engajamento, ele faz o que
a criança entender o que ela vai
aprender também. Ela traz uma forma de
como demonstrar como ela aprendeu, né?
Isso.
>> Então ela ela nos convida a planejar
desde o início, considerando a variedade
do variabilidade dos alunos, ou seja,
ela reconhece que os alunos aprendem de
forma diferente
>> e que o ensino precisa oferecer
múltiplos caminhos, né? que não é
somente aquele aquela a gente tá
engessado diante daquela daquele aquele
ensino. Dentro dessa perspectiva, eu
queria te ouvir como a DU ajuda a
planejar aulas mais acessíveis para você
explicar mais um pouco da DUA, porque
ela nos nos trouxe uma forma outra forma
de ensino, né? Então eu gostaria de mais
entender muito mais sobre,
>> tá? Então, eu acho que quando nós
falamos aqui dos estudantes eh
elegíveis, que esse é o nosso foco de
hoje, né? Eh, e a gente pensar nessa
nesse currículo que precisa ser
acessível a todos, eh, a gente precisa
pensar na questão do desenvolvimento de
habilidades. Então, fugir um pouco do
conteúdo, né? Porque muitos professores
são conteudistas, né? e pensar nessa
questão do desenvolvimento dessas
habilidades. E aí dentro dessa
habilidade que o que é proposta ali no
currículo, quais são as estratégias que
eu vou trazer para que esses estudantes,
aí eu falo no plural porque eu tô
pensando na minha turma, da minha sala
de aula, quais são as estratégias que eu
preciso trazer para que esses estudantes
aprendam de fato, né? Será que aquela
estratégia que eu vou utilizar eu vou
conseguir contemplar a todos, né? E aí
eu vou pensar em diversas metodologias
dentro da sala de aula, sair do comum,
né? Às vezes corromper aquela questão da
das carteiras enfileiradas,
>> mas também assim, né?
>> Isso. Mas também eu não posso deixar de
pensar na individualidade.
>> E por isso que é muito eh por isso que é
muito importante então eh eu conhecer
quem é esse estudante, né? Então eu
quando eu falo assim o o de o sondagem,
né, no caso feita com esses estudantes,
então vou ver eh o que eles já possuem.
Tô falando da traça, tá gente? Quais são
as defasagens que ficaram lá, né? A
gente fala muito da recomposição da
aprendizagem, é buscar estratégias para
que eles tragam aquelas habilidades que
ficou lá atrás e e os nossos estudantes
eh neurodivergentes, nós precisamos ir
um pouquinho mais a fundo, né? Então, aí
eu vou dentro daquilo que ele tem e
dentro daquilo que ele gosta. Por
exemplo, eu enquanto professora de arte,
eu sei que, por exemplo, se eu for
trabalhar ruídos dentro da sala de aula,
será que eu não vou desregular alguém
ali dentro?
>> Sim,
>> né? Então, por isso que é importante eu
conhecê-los,
>> né? Eh, e assim, e é um grande desafio.
Eu eu lembro que quando eu comecei a
trabalhar em salas eh n na educação
regular, né? que eu era só professora
sala de recursos. Eh, nos primeiros dias
você fala: "Uau, não são só os alunos da
educação especial, né? Os outros também
precisam de apoios, de recursos, né?" E
aí um dos maiores desafios é lá no meu
currículo dizia que eu vou trabalhar
música, mas como eu vou trabalhar a
música se eu tenho alunos que não vão
gostar da música, né? Então, aí eu ia
pensando em estratégias visuais mesmo
para eles entenderem o que era o ritmo,
o que que era o tempo, o que que era a
pausa. A gente trabalhava por meio de
desenho, de vídeos. Então aqueles que
poderiam lidar com a música, eles
compreendiam o movimento da música, mas
aqueles que também não poderiam, eles
entendiam que a música era além do som,
né? Então, a gente precisa aí pensar
nesse sentido. Eu vou olhar como um
todo, mas eu também preciso conhecer as
particularidades. E dentro dessas
estratégias, isso, dentro dessas
estratégias que eu vou trazer, eu
preciso pensar como que esse aluno ele
também será alcançado, né? Por isso que
eu preciso também ter esse olhar
individual, né? E aí não é o professor
sozinho, tá? Às vezes os professores
falam isso, mas são tantas as escolas,
isso é por direito de lei, né? Nós
sabemos muito bem que eles têm direito a
um atendimento educacional
especializado. E aí é esse professor
desse atendimento educacional
especializado que vai promover o suporte
para esse professor da sala regular
criar essas estratégias, promover essas
estratégias. Porque eu no meu
atendimento individualizado, enquanto
professora especializada, eu sei que o
aluno, ele gosta muito de quebra cabeça.
Então o professor vai trabalhar
história, vamos montar estações. E uma
determinado ponto dessas estações ali,
eles vão montar o cenário da história, a
narrativa, a linha do tempo, eles vão
trabalhar com mapas mentais. Então tudo
isso vai ajudar esse estudante a
compreender também, né? Então é isso, é
conhecer o todo, é conhecer o
individual, mas principalmente ter esses
apoios de profissionais que ajudem esses
professores a elaborarem essas aulas
também. Então precisa se conhecer o
aluno antes, o planejamento ele começa
antes da sala de aula, né? Então ele
precisa saber com que ele vai ter que
trabalhar naquele ano e ele precisa
prever nessa totalidade aí quais são as
estratégias que ele vai trazer aí para
que esses alunos aprendam de fato.
>> Eh, quando você falou aqui de lei, né, a
lei 13.146
de 2015, a o plano de ensino
individualizado P é um direito de todos
os estudantes com deficiência, tá?
pessoas com a pessoa com autismo, ela
não tem, ela não é uma pessoa com
deficiência, mas pela lei ela é
equiparada pessoa com deficiência.
>> Então ele esse o P ele reforça uma
necessidade de planejamento
individualizado
como metas claras, muitas vezes
adaptações pedagógicas, participação da
família. Isso é fundamental para o
início da, quando você tá eh com aquele
estudante ter fazer esse plano de ensino
individualizado, ele vai garantir que
esse o recurso seja estruturado e
intencional para essa criança, né?
>> Mas quando a gente fala doa, como você
nos disse aqui, nós estamos falando de
um, não estamos falando de protocolo,
mas sim uma metodologia de de abordagem
pedagógica, né? deixar bemando isso. A
orienta o professor a planejar,
considerando desde o início a
diversidade da turma, oferecendo
múltiplas formas de engajamento,
apresentação do conteúdo, de expressão.
Ela não é individualizado porque não
olha para o estudante específico, mas
organiza o ensino que é a maior forma de
número de possível de estudante que
consegue aprender diante daquela daquela
daquele ensino. Já o plano de
[limpando a garganta] ensino
individualizado, quando você me falou
aqui que a gente fala do sobre
prevenção,
>> o plano dividizada, ele ora para o
desenvolvimento global da pessoa,
incluindo aspectos comportamentais,
incluindo aspectos emocionais,
funcionais.
É nele que entram estratégias de
autorregulação, habilidades adaptativas
e principalmente construção de protocolo
de prevenção de crise.
>> Sim. Por que eu tô falando isso? Porque
muitas vezes quando a gente faz o eh é
extremamente importante o plano de
ensino individalizado, porque quando a
gente tem um estudante que você falou
aqui que você usou, você precisava
trabalhar música, mas você usou recursos
visuais, né? Tem crianças que t
dificuldades auditivas, que eu já tive
um caso de uma criança que ela tinha
dificuldades auditivas e que ela não
gostava de ouvir os outros cantar
música. Então,
>> só que esse plano de desenvolvimento
individualizado não foi exposto para a
professora, não foi exposto para para os
para a escola em si, mas ficou
direcionado somente a direção e a
coordenação. Isso é um erro. Por quê?
Sim,
>> essa criança, ela não conseguia ouvir
outras pessoas cantando. E quando a
professora começou a cantar uma
musiquinha, essa criança ela ela ela se
desregulou.
Então, essa desregulação, ela foi lá e
bateu a cabeça na boca da professora.
Então, ela abriu toda essa parte da boca
da professora. Não é culpa da criança,
né? foi eh falta de manejo de uma
estrutura institucional de apresentar
esse protocolo, né, de prevenção diante
de crise paraa professora. Sim,
>> nesse caso, a professora, ela não sabia
dessa informação.
>> Sim.
>> Então, o o P o PDI ele é fundamental
porque se não se trata apenas de
intervir comportamento, né? Mas ele
>> ã ele antecipa, organiza o ambiente,
ensina os caminhos de comunicação e de
autorregulação e também comportamentos
funcionais que muitas vezes podem
ocorrer diante daquele ambiente por
causa do busca de autorregulação. Nesse
caso, essa criança tava buscando uma
autorregulação, mas ela não sabia
expressar porque ela era nível três
suporte não verbal, né? Então e como
cada um tem o seu papel complementar, a
DUA ela nos organiza como um todo, o PE,
ele ele ele trabalha a estrutura, o o
percurso pedagógico individual e já o
PDI ele aprofunda mais o desenvolvimento
e o comportamento. Quando esses doos
três se juntam, ele deixa a inclusão
mais adaptada e passa a ser mais de uma
forma mais planejada, tá? Sim,
>> de forma simples assim falando para
vocês, a DU é para todos, como a a
Rosana nos falou aqui, o P e o PDI são
eh trabalha mais a singularidade.
>> Então, pensando nisso, tudo isso eu
achei importante trazer, porque quando a
gente fala da DU, a gente tá falando de
engajamento, representação, ação e
expressão, né, de uma forma de
planejamento de condução como um todo.
Rosana, você me falou dos três pilares,
mas você poderia falar para mim
>> especificamente cada pilar pra gente
poder paraas passar pr as pessoas para
elas não esquecerem desses pilares,
>> tá? E aí, Aline, eh, antes de eu trazer
esses três pilares, eh, só
complementando aí a sua fala, eh, é de
suma importância a gente compreender,
eh, esses instrumentos que você trouxe,
esses documentos, né, que você falou,
>> eh, que eles precisam estar disponíveis
para todos, né?
precisa estar, ele não é o professor
especializado, ele não é detentor disso.
Ele é um documento que ele vai apoiar,
inclusive os demais professores a
construir aí um planejamento para esses
estudantes. E esses documentos eles
precisam ser revisitados periodicamente,
>> porque é o que no começo, não tá dando
certo, o que que tá acontecendo, o que
que eu preciso mudar, né? Como que eu
vou recalcular? Opa, isso aqui já deu
certo. Então, de repente, para aluno,
qual que é a primeira necessidade dele
do ambiente escolar? Não é o aprender
ler, escrever. Primeira necessidade
dentro daquele estudante é ele se
adaptar ao espaço, compreender as
rotinas, compreender os momentos que ele
tem dentro do ambiente escolar. E aí a
consequência é que as demais coisas
começam a acontecer. Aí se o professor,
se não há esse planejamento, se não há
esse plano já eh aí individualizado,
esse aluno acaba ocupando o espaço, mas
ele não é pertencente a esse espaço.
Então isso é bem sério, né? Então assim,
esses documentos são de extrema
importância e precisam ser levados muito
a sério e precisam muito mais do que
isso, que a gestão ela compreenda que
todos têm que ter acesso a esse
documento e que a parceria entre
professor regente, professor
especializado, ela é extremamente
necessária para que a inclusão aconteça
de fato. Então é isso aí. Voltando pros
três pilares lá do DUA, [risadas]
então eu vou repetir, né? Eh, o primeiro
deles aí que é o engajamento, né? Então,
é o porquê da aprendizagem. Então, esse
conceito ele é o pilar aí paraa
motivação
e do interesse emocional do aluno
também, porque como eh a gente falou lá,
eh, o aluno não gosta de música. Eh,
então, se eu trago a música paraa sala,
isso vai de repente eh desestabilizar,
estimular,
>> desestabilizar. Isso mesmo. Isso. Então
assim, mas qual é a forma dele aprender?
Não sei se eu tenho tempo, mas eu queria
contar mais uma experiência bem
rapidinho.
>> Tem tempo, tem tempo, tem tempo. Tem.
[risadas]
>> Eu é, eu atendi uma vez o estudante em
sala de recursos, ele vinha de uma outra
escola. Naquela época nem todas as ainda
não tem todas as escolas, mas era bem
mais difícil ainda, né? E assim, ele era
muito sociável, enfim. Mas gente, foi
uma batalha assim, porque tudo que eu
fazia dava errado. [risadas]
>> Meu Deus,
>> não conseguia. Eu não conseguia assim.
Eu vinha pro jogo, eu tentava montar a
dupla. Vamos ver se com esse aluno ele
ele vai. Não, não vai. Vamos trocar de
horário, vamos trocar de parceiro. E
fui, fui, fui, fui. E sempre conversava
com as famílias também. Mas acho que
naquela época eu ainda não tinha essa
visão do que realmente eu precisava
perguntar para essas famílias, né? Até
que um belo dia eu resolvi, era dia das
crianças já, e eu resolvi levar um
videogame para montar para eles
brincarem lá o Xbox na época, né? E aí
eu comecei a montar e ele falou assim:
"Tá difícil". Falei: "Tá difícil,
[risadas]
eu sei. Eu eu assim, você sabe, como
assim você sabe, né?" Aí ele foi lá pá
pá pá pá pá, montou. Eu falei: "Não
acredito,
>> gente, que top. O ano já tá quase
acabando e agora eu entendi qual é a
forma desse menino aprender, porque ele
associava a cor aos pinos lá de montar o
Xbox e deu tudo certo. Aí chama meu pai
pai, como você nunca me falou isso, né?
E ele [risadas] falou: "Mas eu não achei
que fosse importante, mas ele sabe
montar, ele brinca, não sei o quê". E aí
eu, né, refiz o meu plano de atendimento
do menino e a coisa começou a fluir por
essas habilidades que ele tinha,
>> porque eu ia por onde ele não tinha.
[risadas]
>> E aí a partir dessas questões, ele a
gente começou aos pouquinhos ir
desenvolvendo outras habilidades, mas
era o carro era o que ele tinha, né?
Então, eh, esse conceito aí do
engajamento, né, ele ele tá envolvido
com isso também. Então, por exemplo, eh,
ao invés de começar a aula lá, apenas
abre o livro, vamos ler página tal, a
gente pode começar com desafio, com uma
pergunta, com uma brincadeira, né? A
gente fala muito da questão da gameção,
mais engajamento mesmo.
>> É, eles adoram, eles adoram, né? eh a
questão aí da gamificação, eh, e não só
o quando a gente fala de a gente fala do
plugado, né, que são as tecnologias, mas
também do desplugado, né? Então, outros
jogos, outras estratégias que façam com
que eles aprendam também. E aí a gente
vai para esse
segundo conceito aí do dua, né, que é o
oferecer a informação, né? Então, por
exemplo, eh, eu disse lá o exemplo do
ciclo da água, né? Então, não usar a
imagem,
pensar que nem todos aprendi apenas
lendo ouvindo, mas tem aqueles alunos
como a Rosana que precisa pôr a mão na
massa, né? E assim, Aline, eu tive muita
dificuldade na minha escola, né? Porque
era um método muito tradicional, só
quando eu fui pra faculdade foi que eu
me descobri, porque ali eu colocava a
mão na e ainda bem que eu escolhi a área
de arte, né? E aí eu comecei a praticar
aquilo que eu gostava e meu desempenho
ele melhorou muito, né? Então até o
final do ensino médio eu era uma aluna
mediana, era daquelas brincadeiras que
tirou cinco é 10, né? Sete é 10. Mas
quando eu fui para aquelas habilidades
que eu gostava de desenvolver de fato,
aí eu comecei a me formar aí de fato
como uma cidadã, enfim. Então isso é
muito sério, né? É por isso que a gente
precisa ter essa questão. Eh, e aí não
adianta. Eu lembro que eu tinha
professor que eles pegavam no meu pé,
mas não foi desse jeito que eu perguntei
a a que eu fiz a pergunta. Eu entendi o
que você tá perguntando, mas eu não
consigo responder do jeito que você quer
e tá tudo bem. Tem outras formas que eu
poderia responder, né? Então, às vezes é
muito cobrado. Não, mas tem que
escrever, mas ele não consegue escrever.
Mas dá um tablet na mão dele que ele vai
>> fazer ali, né? Então, a gente precisa
conhecer essas formas também de
expressão desses estudantes e entender
que a a avaliação do aluno, ela não é
uma prova final, ela é todo um percurso,
né? Então, o que que ele fez ali naquele
percurso que aí a gente quebra aquele
conceito de que ah, é aluno da inclusão,
tem que tirar cinco, dá cinco para ele.
>> Pera aí, tem muitas possibilidades de
chegar a 10.
>> [risadas]
>> Exatamente.
>> Muito mais muito melhor que a gente.
>> Exatamente. Lembrar do Silas que
decorava números [risadas]
e quantos outros aí, né? Então assim, aí
você fica às vezes nem dá nada e fica
ali, ele fica dentro de um quadradinho,
né?
>> Limitando essa criança.
>> Exatamente. Limitando essa criança, né?
Então, eh, lembrar que essas estratégias
aí, esses exemplos, eles não vai
beneficiar apenas o aluno com
deficiência, né? ele vai beneficiar a
todos. Isso mesmo. Eh, e aí o terceiro
pilar lá que é a ação expressão, é o
como, né, da aprendizagem, como ele
aprendeu. E aí ele tem aí eh diferente
que eu já acabei de falar, né,
diferentes formas aí de apresentar o seu
aprendizado, né? Então é isso.
>> Você me falando aqui, eu da dua, eu eu
estudo com Artur. Toda vez que ele vai
fazer prova, a, eu faço aqui sim. Eu
pego o primeiro, eu apresento para ele
um um vídeo.
>> Não, primeiro eu apresento o texto. Eu
apresento para ele um texto, né? Depois
que eu apresentei aquele texto, aquele
tema, eu trago o vídeo. Depois do vídeo,
essa é a forma que o Artur aprende, tá?
Sim. O, eu apresento o vídeo, depois do
vídeo eu uso imagens para para
decodificar
>> e coloco os pontos principais de cada do
quais são os pontos principais ali como
forma de perguntas, imagem para ele
aprender, sabe?
>> E quando chega na prova, ele vai lá e
tira 8, 9, 10. E ele é muito bom nisso,
sabe? Porque é uma forma que ele
aprende, né? Sim.
>> Então, eh, como eh tavam apresentando
para ele, mapa mental, mapa mental não é
um aprendizado, gente. O mapa mental é
uma forma de você só aprender ali e
decorar.
>> Mas se você quer que a criança tenha
interpretação,
>> precisa trazer a tua, né? Uma forma que
ela pode todos podquele
ambiente escolar, né? Sim.
>> E se os com a participação dos pais
também fazer uma decodificação,
uma organização de estudo. Tanto que o
Artur ele ele tirou ótimas notas.
>> Olha aí.
>> E agora aí agora vai perguntar pra mãe
se você lembra do contexto. Eu não
lembro dos contextos, mas ele foi ótimo.
[risadas]
>> É. E ainda bem que ele tem, ainda bem
que ele tem você, né? E mas esse também
é um papel que quando os professores eh
do atendimento especializado ele
consegue entender, ele vai trazer essa
trilha pro professor regente. E aí
Aline, eu queria até dar uma dica.
>> Pode dar dica. É isso mesmo. Que eu
queria que você me passasse dica de
estratégia.
pass
existe, existe um site chamado Para Casa
Inclusivo. O professor ele pega a
habilidade que ele vai desenvolver com a
turma, ele joga ali e hoje não só esse
site, a própria IA em diversas
modalidades aí diferentes de a
>> eu vou trabalhar essa habilidade na
minha turma. Eu preciso, mas se eu tenho
um aluno que precisa aprender dessa,
dessa dessa forma, eh, crie um plano de
ensino,
>> levando o dua como
patamar aí para essa para essa sala de
aula. Ele quer um plano em segundos ali
para você, ele traz as estratégias, ele
traz o como aprender, o que aprender,
ah, como avaliar esse estudante. Então,
assim, eh, esses estudantes, né? Então
assim, hoje em dia a tecnologia, eu falo
assim, a inteligência artificial ela
trabalha para mim e não ao contrário, eu
não sou dependente dela, ela trabalha
para mim
>> e eu preciso aprender a usar esses
recursos também porque por esse site que
eu te falei,
>> se eu pedir para ela,
>> colocando aqui,
>> é, se eu pedir para ela
>> site para casa inclusiva, né? Isso aí,
>> isso mesmo. Isso mesmo. Eh, se eu
colocar, por exemplo, vou ensinar o
ciclo da aula. Ah, mas eu tenho o aluno
lá que eu citei lá no começo que ele
atende por aprende por quadrinhos.
Então, criei para mim um dentro desse
plano uma atividade por quadrinhos. Aí
ela puf cria,
>> sabe?
É, claro que você cria agora para mim o
texto em caixa alta, pá, ele cria, sabe?
Então, assim, isso é bem bacana e a
gente precisa eh aprender a utilizar
esses recursos também. né? Porque isso
facilita muito, né? Então, todas as
estratégias que você traz aí com o seu
filho, né? Os professores também podem.
Eu dei essa dica para um colega meu que
ele é professor de química,
[limpando a garganta]
>> ele adorou,
>> ele faz aula agora assim, ó, papum,
porque ele consegue atingir a todos e
tem aquelas especificidades também.
Então, assim, é muito legal. Hoje em dia
a tecnologia,
>> a gente tem bastante recursos, né? Então
a gente precisa aproveitar os recursos
que temos para trazer uma uma educação
inclusiva mais efetiva para essas
crianças, né?
>> Vou trabalhar tal tema por duas aulas.
Que estratégias que você me traz parar
no dua aí? Aí ele cria ali para você o
plano. É muito bacana. É muito bacana
mesmo.
>> Ah, nossa, é muito bom. Então eu
coloquei aqui, ó,
paracasainclusiva.com.br.
Eu já coloquei aqui no
>> na nos comentários. Você você dá o
comando e depois você pode abrir uma
caixinha de diálogo para ir dialogando
com a IA, né? Ah, não preciso agora
criar isso aí. Ela puff cria, sabe? É
muito bacana. Ajuda
>> Nossa, eu coloquei aqui já para para dar
dica pra gente ter a gente eu quero
ouvir de todas as escolas, seja essa
criança, quero que ela se sinta amada.
Então vamos colocar aqui todo tipo de
informação para que essa eh as escolas
sejam inclusivas de uma forma mais
efetiva e também trazer mais recurso
pros professores, porque a gente sabe
que muitas vezes a demanda escolar não
não é tão fácil porque precisa muito de
políticas públicas, né? Então, a gente
precisa muito andar ainda em políticas
públicas, mas as informações que a gente
tem, a gente vai já oferecendo para que
os professores educadores possam ter
mais eh recursos para adequar diante do
seu assistido, diante do seu aluno, né?
Então é extremamente importante.
>> É porque assim como os Ah, desculpa, eu
fale assim, assim como os alunos
aprendem pares,
>> assim como os alunos aprendem entre
pares, os professores também. Então, tem
essa troca, isso é essencial, gente. É
>> essencial. A gente tem aqui a Márcia
Viana Pereira, ela nos fala aqui:
"Excelentes colocações, vocês falam com
propriedade sobre o assunto, grandes
contribuições para educadores e
famílias". Aí ela repetia, acabou, foi
dois, foi duas vezes a mensagem.
>> A, a Márcia é minha prima, tá? Ai, minha
preciosa. [risadas]
>> Ela colocou aqui, é, meu amor, já até
faço coraçãozinho. [risadas]
Então, eh, eu, a gente viu que aqui as
pessoas aqui no chat colocam suas
perguntas aqui. A gente ainda tem uns
dois minutinhos para perguntas. Vocês
tam alguma dificuldade diante do
ambiente escolar na educação inclusiva
ou vocês já tiveram já utilizaram dua,
né? porque vai saber que se tem alguém
aqui diante da nos assistindo também,
que já utilizaram o dua, que seria uma
excelente contribuição para nós também,
>> né? E vocês que tiveram alguma
experiência de com uma criança e foi
algo assim que impactou a vida de vocês,
podem nos colocar aqui. Se caso não ter
tempo da gente ver aqui ou vocês
colocarem, coloca nos comentários também
depois que o nosso Instagram vai estar
salvo, o nosso YouTube, nossa
transmissão vai estar salva. Coloca lá
suas experiências, depois coloca sua
mensagem, manda mensagem pro Tesouro
Azul oficial aqui e a gente vai entrar
em contato com vocês e vai ser uma
grande contribuição. Rosana, eu estou
impactada, você sincera, que meu coração
está aqui, ó.
Que bom, que bom,
>> porque realmente esse essa live aqui
trouxe trouxe a esperança, sabe, para
muitos educadores,
>> porque muitos educadores não tem não tem
para não sabe para onde, qual é o norte,
onde
>> você trouxe esse norte, né? Por onde eu
começo. Então isso nos traz uma
esperança, né? uma esperança que
realmente podemos conseguir sim avançar,
conseguir eh nos ter recursos para
nossos nossas crianças. Isso foi muito
impactante. Eu tô muito honrada. Eu me
sinto honrada por Deus, pela sua
presença aqui no nosso workshop Tesouro
Azul, que você também estará conosco e
também na nossa live. Eu quando eu te
conhecia já, meu coração já fez assim no
primeiro dia, tá? Naquela, naquele
momento que a gente foi foi recíproco,
porque quando a gente apresentou, né,
sobre a inclusão, né, na igreja e vi o
quanto foi, eu olhei para você e vi a
sua palestra, eu falei assim: "Ai, que
linda, [risadas]
>> vou convidar a Rosana pro workshop."
>> Obrigada. Porque eu senti isso, eu senti
esse amor, eu senti esse cuidado, eu
senti que eh que você não fala por
falar, você fala porque realmente você
sente esse amor, você sente esse cuidado
com essas crianças.
>> E isso é um dos pilares paraa inclusão,
é você ter amor e você ter essa empatia
e você traz tudo isso e você fala com
com olhar brilhando assim. Ai tem que
você amor que tá muito pulsante aí na
sua frente assim no seu sorriso
>> e isso é realmente impacta uma mãe
atípica. Eu tô falando assim agora como
mãe e como profissional eu tô me
sentindo honrada, tá? Honrada e eu creio
que isso aqui vai impactar vidas e vai
alcançar multidões, porque essa live vai
abençoar muitas famílias. Eu gostaria
que você deixasse aqui pra gente umas
considerações finais e
tá
>> bom.
>> Então assim, eu tô muito feliz de ter
participado aqui desse momento.
Realmente o que você trouxe é
verdadeiro. Eh, eu falo que a minha vida
ela é uma antes e uma depois de eu ter
começado a ser professora, né?
principalmente professora aí na
perspectiva
inclusiva, porque eu acredito muito na
educação, eu acredito muito no papel
social da educação, né? Nós temos muitos
autores que falam isso, que o estudante
ele aprende pelo meio que ele convive. E
nós, enquanto educadores, nós temos esse
papel de transformar esse meio, porque
para muitos o o único refúgio dele é a
escola. Isso mesmo,
>> né? Paraas famílias. também nem todos
têm essa bênção de ter uma mãe como a
Aline, né? E aí é lá na escola que ele
vai aprender de fato, que ele vai
aprender a diferença. E assim, a
inclusão ela é muito importante. Nós
sabemos que existem casos que são
específicos, né, Aline? Mas primeiro nós
precisamos testar, tentar aí todas as
possibilidades, né? E não no primeiro
não que você ouvir, você já desistir,
sabe?
Porque assim, eh, precisa de um tempo de
adaptação, precisa de persistência, não
é fácil, como a Aline Trou o papel da
mãe é típica, não é fácil, é cansativo e
nós sabemos de tudo isso, mas assim, eu
vejo a luz lá no final do túnel, sabe
quantas experiências que a gente não vê
até hoje em dia na televisão, né, de
alunos, de jovens, que eles avançaram,
que eles se desenvolveram, porque de
repente teve aquela pessoa que virou a
chavinha na vida dele, né? né? Então eu
acredito muito na educação dessa forma.
Eu acredito nessa educação que ela tem
que ser humanizada sim e que nós
precisamos olhar quem é o cidadão antes
da deficiência, como você disse lá no
começo, a pessoa com deficiência, né?
Então ela não é a pessoa deficiente, ela
é a pessoa com deficiência. Então, antes
de se da deficiência ou de outros do
TEA, enfim, existe a pessoa, né, mes o
aluno que tem nome, tem sobrenome, tem
família, tem uma história. A gente
precisa respeitar tudo isso. É nisso que
eu acredito de verdade. Aline.
>> Ai, muito obrigada. Eu quero agradecer
agradecer novamente, Rosana, pela
consistência teórica que pela
contribuição em prática que você nos
trouxe nessa conversa. Nós encerramos
essa live com uma compreensão que não
pode ser ignorada, tá? O aprendizado,
o processo de aprendizagem não depende
somente do aluno, ele depende
principalmente das condições de acesso
que ele tá tendo e essa condição que nós
estamos podemos oferecer para ele.
>> E a inclusão é como um todo, né? E
quando esse acesso não está garantido,
precisamos ter maturidade profissional
para reconhecer que não é o aluno que
não aprende, é o ensino que ainda não
conseguimos alcançá-lo, né? E isso nos
nos confronta, nós faz uma uma pergunta
de confronto aqui que eu quero deixar
para vocês, para vocês guardarem nos
seus corações e colocarem em prática.
Estamos de fato garantindo o acesso de
aprendizagem. ou ainda estamos esperando
eh que todos aprenda da mesma forma
dentro de um modelo que ainda contempla,
não contempla a diversidade, coloca isso
em pauta, porque isso é muito
importante, porque a inclusão não se
sustenta em discurso, ela existe, ele
existe revisão prática, tenscionalidade
pedagógica, é um compromisso do
desenvolvimento real desse aluno e isso
exige preparo, tá? Por isso, a formação
continuada deixa de ser uma opção, mas
se torna uma responsabilidade
profissional. Então, vocês que estão
aqui conosco, eu quero fazer um outro
convite para vocês do nosso workshop
Tesouro Azul, que será no dia 11 de
abril. Nós fomos aprofundar esses esses
assuntos fundamentais, trazer
estratégias aplicáveis, construir
caminhos possíveis para prática mais
acessível e eficaz diante do contexto da
inclusão da educação inclusiva. Se você
deseja, né, sair da intenção e e atuar
com mais segurança, clareza,
responsabilidade,
esse é o próximo passo de você estar
conosco no nosso workshop do Tesouro
Azul. vem para o workshop Tesouro Azul,
garanto a sua vaga. O link está aqui no
nosso chat, mas também estará disponível
no nosso Instagram, Tesouro Azul
Oficial. Quero fazer um convite também
para vocês. No dia 3 de abril, teremos a
nossa live sobre a conscientização
da pessoa com autismo, que será com a
participação da Luna Sampaio e a
Patrícia Romero estará conosco aqui para
falar um pouco das suas experiências.
Elas são mães atípicas e elas vão trazer
como como o contexto social, o contexto
educacional
afetam na na inclusão dos filhos dela e
também trazer as suas experiências na
prática, né? Então aguardamos vocês no
dia 11/04 no nosso workshop Tesouro
Azul. E muito obrigada a todos pela
participação. Deus os abençoe. Até a
próxima. Tem uma coisa aqui que a
Cristina falou, foi ótimo. Parabéns pela
mesa. CR
>> excelente. Então, que Deus os abençoe.
Até a próxima.
>> Tchau, pessoal. Até dia 11.
>> Até dia 11. É, até dia 11. [risadas]

Tags: