Makários Avançado| Romanos | Aula 2 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.1-15) |Ákilla Nascimento
06/03/2026
Makários Avançado| Romanos | Aula 2 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.1-15) |Ákilla Nascimento
Módulo Avançado: Romanos
Aula 2
O evangelho e a justiça de Deus
Romanos 1.1-15
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> Muito boa noite para todo mundo que está acompanhando aqui a nossa aula do curso de teologia Macários. Bom ter vocês aqui acompanhando o nosso novo módulo do Macários. Macários avançado, que é o módulo inteiro dedicado ao livro de Romanos. a gente vai caminhar eh desde agora, comecinho de março, até o fim de maio, eh tratando dessa carta que tem um volume enorme de temas, argumentos, questões centrais paraa fé cristã, mas é acima disso uma correspondência específica de Paulo para igreja em Roma, que nos permite ter uma compreensão do que é o evangelho de uma forma muito particular, mesmo mesma comparando Romanos com todas as outras cartas de Paulo. Certamente Romanos não trata de tudo que Paulo poderia dizer. Nós precisamos de Efésios, de Gálatas, Tessalonicenses, mas esse é um momento muito particular, no momento a de maturidade do ministério do apóstolo Paulo, em que ele discorre com bastante profundidade a respeito do evangelho. Por isso a gente, mais uma vez falei isso no encontro passado, na aula que saiam deu e repito aqui, a gente tá empolgado para conseguir desenvolver tudo que a gente pode tratar, que a gente pode pensar juntos e conversar com vocês a respeito da carta aos romanos, tá? Eh, hoje é a nossa segunda aula. Tivemos aula terça-feira passada uma introdução geral para o livro de Romanos que o Saião deu. Tá disponível no nosso canal, está disponível na nossa plataforma. E hoje a gente vai entrar no primeiro bloco, no primeiro na primeira sessão do livro de Romanos, fazendo a introdução para essa sessão e propriamente no texto de Romanos, capítulo 1, versículo 1 até o 15, tá? Aula que vem a gente vai então continuar do 16, provavelmente até o fim do capítulo primeiro de Romanos. Antes da gente continuar aqui com o conteúdo, boa noite pra Adriana, para Isabel, Fernanda, paraa Mari Lúci, para Carmen, para Elice, a Marlene, pessoal que já tá chegando aí, Ana Flora, a o Manuel também, pessoal que tá chegando, a Soraia e dando o seu boa noite. A gente pede para você participar com a gente. Coloque aqui suas observações, suas dúvidas no chat. Vou reforçar aqui quem está assistindo as aulas, eh, por favor, se inscreva na plataforma. a gente até o momento na plataforma só está com a primeira aula e o programa do nosso curso, mas a gente vai alimentar com questionários, com leituras, com material de aprofundamento. É, eu ressalto também que é bom olhar de vez em quando o programa do curso, porque a gente pode colocar versões atualizadas. Seja porque a gente incluiu uma indicação de referência que não estava na primeira versão que a gente já disponibilizou, seja porque a gente precisou fazer alteração, por exemplo, na divisão dos conteúdos por aula, é normal que ao longo aqui dos nossos encontros a gente sempre precise atualizar esse material, tá? Então, vou compartilhar com vocês aqui já a apresentação pra gente tratar de Romanos eh 1 ao 15. Mas antes da gente entrar nesse texto, falar do a conjunto de capítulos dessa sessão que vai de Romanos capítulo 1 até o capítulo 4. Eh, de forma geral, os estudiosos de Romanos reconhecem, isso não é difícil de perceber e é quase um consenso, que Romanos está estruturado em quatro grandes sessões. Romanos capítulo 1 até o capítulo 4, a segunda sessão que vai do 5 ao 8, a terceira sessão que vai do 9 ao 11 e a última sessão que vai do até o 16. Hoje a gente vai apresentar a introdução de Romanos capítulo 1 até o capítulo 4. Que que acontece? A gente tem nesses quatro, nesses quatro capítulos, perdão, todos os principais temas da carta de Romanos. sendo colocados e apresentados por Paulo. E isso não significa que tudo aquilo que está sendo argumentado do ponto de vista teológico é colocado em Romanos 1 ao 4 e depois ele vai tratar de questões particulares. Na verdade, Romanos é um todo muito eh concatenado. partes diferentes de Romanos, apesar de perceber claramente transições no argumento de Paulo, como, por exemplo, do capítulo 4 pro 5, do 8 pro 9, do 11, pro 12, que a gente percebe é que essas partes elas são muito dependentes entre si. E é muito difícil a gente compreender aquilo que Paulo está tratando em Romanos capítulo 5 ou Romanos 7 ou Romanos 8 ou Romanos 11. Só tô citando capítulos que são passagens que trazem pontos de muita discussão e muita polêmica. É muito fácil a gente perceber como algumas pessoas indicam grande atenção e desejo de interpretar essas passagens, às vezes polêmicas, às vezes difíceis e às vezes centrais pra teologia, sem ter essa atenção que a carta aos romanos é um todo muito bem amarrado. Os argumentos eles são dependentes entre si. Por isso que é muito importante a gente começar bem. Então, todos os principais temas da carta que vão ser desenvolvidos nos 16 capítulos estão apresentados aqui. Nessa passagem que a gente tá lendo hoje, do 1 até o 15, mas especificamente o que eu vou afirmar vale também para o versículo 1 até o 17. Nesses primeiros 17 versículos, a gente encontra uma declaração concisa e densa do tema que Romanos traz. Essa identificação de qual é o tema da carta aos romanos varia de estudioso para estudioso. Por isso eu estou colocando para vocês aqui uma interpretação que, ao meu ver, é bastante coerente do livro de Romanos, mas se você for estudiar, estudar mais de um autor, você vai perceber que até mesmo no ponto de definição de qual é o tema principal de Romanos, há alguma divergência. Mas nós vamos partir do ponto Q. E aqui é muito importante a gente prestar atenção no tema principal da carta. Romanos fala do anúncio do evangelho de Jesus Cristo ressurreto como Messias e Senhor, o verdadeiro Deus, o verdadeiro ah Messias que Deus revelou a sua fidelidade e justiça da aliança, a fidelidade e justiça do próprio Deus para o benefício de todo aquele que crê. Então, acho que a leitura ficou um pouco confusa, mas retomando no anúncio, o a carta aos romanos trata do anúncio do evangelho. Eh, no anúncio do Evangelho, o Jesus ressurreto como Messias e Senhor, o verdadeiro Deus, o Deus único, revelou a fidelidade e justiça da aliança, a própria fidelidade e justiça de Deus para o benefício de todo aquele que crer. Nisso que a gente vai basear no restante aqui da nossa proposta de leitura. Paulo, ele procura responder ao longo dessa carta uma pergunta que é tipicamente uma pergunta do período do judaísmo do segundo templo. O que que é judaísmo do segundo templo? É todo esse judaísmo que se desenvolve eh após a reconstrução do templo. O templo é derrubado pelos babilônios 587 antes de Cristo. Depois ele é reconstruído. E aí a gente tem a história da reconstrução do templo. Tem a história de Neemias, de Esdras, como a gente encontra no Antigo Testamento. E cobre todo esse período, desde a reconstrução do templo até a queda do templo no ano 70 depois de Cristo. Esse judaísmo, ele é muito diferente do judaísmo como era experimentado e vivenciado antes da queda do primeiro templo. Por que que isso acontece? Porque o fato do exílio acontece como sinal do juízo de Deus para o povo de Israel, que não havia mantido e preservado as suas obrigações diante da aliança que Yahé tinha feito com Israel. Então, a maneira como eles releram os textos, como eles estabeleceram suas práticas e como eles nutriram as suas esperanças, é muito própria desse período, do período que vai da reconstrução do templo até o momento em que o templo é novamente destruído depois de Jesus, depois de Paulo, no ano 70 depois de Cristo. E a pergunta que muitos judeus se faziam nesse período, no período de Paulo, por exemplo, e no período de Jesus, Paulo não está obviamente tão distante do período que Jesus viveu. Eles compartilharam a maior parte do tempo de sua vida, exceto o fato de que Paulo foi mais longevo, né? Eh, a pergunta que se fazia era: "O que acontece quando a fidelidade declarada de Deus, a sua própria aliança parece entrar em conflito? Tá para aí, mas eu digitei errado, é parece entrar em conflito com as demandas de sua justiça imparcial, quando o significado duplo da justiça de Deus parece contradizer a si mesma. Ah, o que acontece é que Deus tinha uma aliança com o seu povo e declarou que seria fiel a essa aliança. Mas ao mesmo tempo, Deus não é apenas o Deus de Israel. Deus não é o criador apenas do povo judeu. Além da aliança que ele tem com o povo judeu, ele tem o papel de ser juiz sobre todas as nações, sobre todo o mundo. O que é que acontece quando essas duas funções parecem entrar em conflito? tanto a fidelidade de Deus que disse que traria juízo para o povo de Israel quando o povo de Israel não cumprisse persistentemente a sua parte da aliança que eles tinham com Yahé. Mas Deus havia prometido que mesmo diante da desobediência de Israel, ele traria o momento de renovo para Israel. Essa promessa de renovo para Israel, de prover um Messias que deveria purificar ou reconstruir o templo, que deveria ser rei sobre todas as nações. O que que acontece quando essa promessa parece entrar em conflito com o fato de que Deus é um juiz imparcial e deveria julgar tanto judeus quanto gentius? Paulo está tentando, na verdade, está respondendo essa pergunta em torno do evangelho de Jesus Cristo. E a resposta enfática que ele dá para isso está concentrada em Romanos capítulo 3:21 até o 425. Em Jesus, o Messias, Deus foi verdadeiro tanto a aliança que ele fez com Abraão, quanto as exigências da justiça que o próprio Deus preserva em todos os momentos. Como resultado, existe agora um povo de Deus feito de judeus mais gentius, que são os verdadeiros filhos de Abraão, que são marcados pela fé e não pelas obras da Torá. Então, Paulo está respondendo a essa pergunta da aparente contradição da justiça de Deus. Como Deus que prometeu a Abraão e depois a Israel tudo que prometeu e como Deus que é juiz sobre todos os povos. Ele diz que a resposta para tudo isso está naquilo que foi revelado na pessoa de Jesus. E aquilo que acontece no Messias Jesus resulta em uma família única de judeus mais gentius que são marcados pela fé e não pelas obras da Torá. Tudo isso acontece por conta da fidelidade do Messias. Deus faz por meio de Jesus o que Israel falhou em fazer. Isso vai ser um tema recorrente na nossa explicação, pelo menos na abordagem e que vou adotar para as próximas aulas, que é Jesus, ele personifica toda a nação de Israel nele mesmo e Jesus faz o que Israel falhou em fazer. A lei e os profetas apontavam para esse momento de fidelidade de Deus a aliança que ele tinha com Israel. Mas nenhum dos dois, nem a lei e nem mesmo os profetas podiam fazer o trabalho por si mesmos. Eles mostravam e indicavam a condição de necessidade do povo de Israel e do povo gentil também, mas eles não conseguiam solucionar o problema. apenas apontavam para o fato de que em algum momento Deus agiria para trazer a solução a toda essa situação. A fidelidade do Messias foi o meio pelo qual Deus tratou a doença do pecado e constituiu um povo perdoado. Esse é um dos pontos mais importantes que Paulo vai eh tratar e desenvolver e que ele coloca de forma muito sucinta no começo da sua carta. A fidelidade do Messias foi o meio pelo qual Deus tratou o problema, a doença do pecado e constituiu um único povo perdoado. A marca da membresia nesse povo renovado de Deus é a fé. Não são as obras da Torá. O que realmente determina que uma pessoa é incluída no povo de Deus, não é se ele é nascido judeu, não é se ele é um prosélito, é o fato de que ele tem fé no Messias. Apesar disso, apesar de não ser a partir da Torá que o povo de Deus é definido, pelo menos a partir do momento em que Jesus veio e fez o que fez, ele está dizendo que estranhamente e curiosamente a Torá é satisfeita justamente naquilo que acontece na pessoa de Jesus e a partir da pessoa de Jesus. Tudo aquilo que a Torá sempre desejou e nunca pôde realizar é alcançado, é satisfeito na fidelidade do Messias, na pessoa de Jesus. E tudo isso acontece como parte eh do cumprimento das promessas que são feitas a Abraão. Ele vai desenvolver isso lá no capítulo 4 de Romanos, do versículo 1 até o 25. Abraão é o pai não apenas dos judeus, mas de todo aquele que crê. Toda aquela discussão a respeito da expressão, Abraão creu e isso lhe foi creditado como justiça. Pois é, o argumento de Paulo ali é que Abraão não é o pai apenas dos judeus, mas de todo aquele que crê. E isso é desenvolvido em uma longa exposição, espécie assim de exegese, de avaliação cuidadosa, que Paulo faz de Gênesis capítulo 15. Quando a gente chegar no capítulo 4 de Romanos, você vai perceber como ele está olhando diretamente para Gênesis, capítulo 15, que é o momento em que é feito a promessa, em que é feita a promessa para Abraão. Ali a promessa não depende de obras, não depende da circuncisão, não depende da Torá. Nenhuma dessas coisas estavam estabelecidas. Isso vem a se tornar uma realidade muito depois de Abraão. E ainda assim a promessa foi estabelecida por meio da fé ali para Abraão, antes que houvesse circuncisão, antes que houvesse Torá e consequentemente as obras realizadas a partir da Torá. Deus agora na pessoa de Jesus criou por meio da fé uma família única, como ele havia prometido fazer, consistindo tanto de judeus quanto de gentius. E a marca que sempre honrou a Deus foi a fé, desde Abraão até o Messias, que havia sido prometido e agora enviado na pessoa de Jesus. Quando a gente fala agora, é porque a gente tá se colocando no tempo e no na condição em que Paulo está desenvolvendo o seu argumento. A marca que sempre honrou a Deus, Paulo está revelando, nunca foi simplesmente a Torá e as obras da lei, mas desde Abraão foi a fé. Essa nova família criada pelo evangelho é marcada pela fé no Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Assim, ele completa, Paulo completa o seu argumento inicial que ele coloca já no capítulo um, no capítulo 4, antes de seguir para um outro nível de fundamentação teológica de tudo aquilo que ele está desenvolvendo para tratar das questões que ele vai tratar ah na terceira sessão, que é Romanos capítulo eh 9 ao 11 e depois 12 ao 16. Então, todo o fundamento da argumentação de Paulo está em Romanos 1 a 4. Depois de completar isso, ele ainda precisa tratar de questões que vêm como consequência da apresentação que ele faz do evangelho e a justificativa de por que Deus agiu da forma que agiu nos capítulos 5 a 8. E depois ele vai tratar tudo aquilo que a gente encontra no capítulo 9 em diante. Deixa eu só passar aqui o slide. Ah, essa, na verdade, esse todos os comentários que eu fiz eram sobre esse ponto aqui, a pergunta típica do judeu. É, como isso daqui tá gravado, você vai poder depois voltar aqui nesse slide e dar um pause caso você queira eh copiar, enfim, eu vou disponibilizar esse slide também na plataforma para quem quiser fazer o download, mas tudo isso que eu argumentei está aqui nesse nesse slide. Bom, eu vou adotar uma organização das informações da maneira como você está vendo aí. Na esquerda, a gente tem a coluna com o texto de romanos. Eu tô usando a versão da NVI, nova versão internacional. E do lado direito, eu vou apresentar de forma mais condensada os comentários que eu vou desenvolver ao longo da aula. Então, se você quiser acompanhar a os próximos slides, todos vão seguir essa mesma ordem aqui, tá? O que eu aconselho é que você também tenha em mãos a sua Bíblia física aí ou no celular, ah, e um papel para anotar, enfim. Mas como a gente tá tratando de um comentário do texto de Romanos, diferente dos outros módulos que a gente fez, a sequência é muito importante. Por isso, ter o seu próprio material aberto e disponível vai ajudar bastante. Aqui a gente chega então no texto de Romanos, como você pode ler aí, Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, o qual foi prometido por ele de antemão por meio dos seus profetas nas Escrituras Sagradas. acerca de seu filho, que como homem era descendente de Davi, e que mediante o Espírito de santidade foi declarado filho de Deus com poder pela sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor. A gente vai trazer um foco muito mais detalhado de Romanos 1 até eh, versículo 1 até o versículo 7. E a gente vai tratar de maneira muito, muito concisa a o versículo 8 até o 15, por razões que vão ficar claras ao longo da nossa explicação. Que que a gente vê aqui? Os primeiros sete versículos, eu li até o capítulo 4atro, mas apenas para completar a leitura dos dos sete primeiros versículos. Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para obediência pela fé. E vocês também estão entre chamados para pertencerem a Jesus Cristo. A todos que em Roma são amados de Deus e chamados para serem santos. Para vocês, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Nos primeiros sete versículos, a gente tem a apresentação, a apresentação tanto de Paulo em nível pessoal, a apresentação que ele faz do evangelho nos versículos 3 a 4, quanto da missão que Deus confiou a Paulo. e ele apresenta o tema principal da carta que vai ser desenvolvida ao longo de todo o restante da carta. Como é que ele faz isso? Paulo ele se apresenta primeiro como servo de Cristo Jesus. Versículo um, você tá vendo aí na tela. Paulo se apresenta como ah com o termo que na sua época carregava a mais elevada degradação social. Ninguém poderia se apresentar de uma forma pior do que essa que Paulo se apresenta quando a gente olha especificamente para esse termo que ele coloca que é servo, como aparece na tradução da NVI. Mas o que que acontece? Se você abrir uma nota de rodapé, caso você esteja com a bíblia física ou no seu celular, você vai ver que outra opção de tradução é escravo. E a palavra que aparece dulos é de fato mais propriamente traduzida como escravo. Como escravo tem conotações muito variadas ao longo do tempo, algumas traduções optam por colocar servo. Mas a ideia no contexto de Paulo era de fato de fazer referência a essa instituição que era amplamente eh eh experimentada na sociedade romana e também no povo de Israel, que era a condição de escravidão. Por que que ninguém poderia ter uma condição mais degradante do que essa? Porque escravo não tinha direito, escravo não tinha propriedade pessoal e o escravo também não tinha futuro nenhum. Ele não tinha nenhuma perspectiva de futuro que um homem livre, um cidadão romano, como por exemplo o próprio Paulo tinha. Mas quando ele vai se apresentar, ele se coloca como um escravo. Ele estava lá para fazer o que ele foi mandado fazer. Ainda que servo seja uma tradição, uma tradução mais comum, escravo é um pouco mais preciso quando a gente entende essa ideia que existia no contexto de Paulo e em muitos outros contextos também. Por que que Paulo usa esse termo? Porque ele não quer reivindicar qualquer posição social em sua abordagem que ele vai realizar no anúncio do Evangelho. E isso considerando que ele está falando com a cidade mais importante do mundo, porque Roma era o maior império do seu mundo, o maior império que a humanidade havia conhecido até aquele momento. E até o nosso momento, possivelmente Roma eh concentrou o poder como nenhum outro império na história da humanidade. Ele tá falando com a capital do império, pessoas que conhecem o que é homens e mulheres em posição de autoridade, em posição de grande poder. E ele se coloca como alguém sem nenhuma presunção ou sem nenhum tipo de autoridade em si mesmo. Paulo não vai reivindicar qualquer posição social. Por outro lado, quando ele vai apresentar a pessoa de Jesus, ele apresenta Jesus como rei. Como é que a gente sabe disso? Porque ele usa a palavra. Ristos, que é essa, esse termo grego, não era um nome próprio. Muitas pessoas quando ouvem a expressão Jesus Cristo acham que Cristo é sobrenome, né? A gente já falou isso em aulas anteriores aqui do Macares, mas tem gente que pensa que Jesus Cristo é filho de Maria Cristo e José Cristo e não tem nenhuma relação com o termo Cristos ou Christos, que era um título. Por quê? Ah, esse título ele carregava uma conotação real. Paulo usa essa palavra sempre com muito cuidado. Apesar de ser muito recorrente toda vez que ela aparece em escrito paulino, Paulo está utilizando com um propósito bem definido de ressaltar o caráter real que existe no título atribuído a Jesus e autenticado pelos eventos que aconteceram com ele, tanto em sua ministério quanto em sua morte, como também e em especial na sua ressurreição. Cristo é um uma tradução para o grego do termo Masia ou messias, que é um termo originalmente hebraico. E Messias, dentro das escrituras e da história do povo judeu, é o rei ungido de Israel, que as escrituras anunciavam como aquele que deveria reinar sobre todos os outros monarcas da terra. E aqui eu já chamo a sua atenção para talvez redefinir o significado de Messias para além daquilo que a gente já tratou, do significado da palavra da palavra cristos, que é uma tradução de Maia e Messias, que não é simplesmente um título hebraico, um título judeu, é um título real e muito bem definido dentro das profecias das escrituras hebraicas. E esse rei judeu não deveria ser governante apenas sobre o povo judeu. De acordo com salmos e as profecias, ele deveria ser um rei sobre todos os povos. Onde é que a gente encontra isso? Anote aí, Salmo 72 8 ao 11. Tá no nosso slide, acredito que todo mundo tá podendo ver aí a identificação. Salmo 72 8 a 11 coloca isso. 8927 também. Isaías capítulo 11 1 ao 4. Existem outros textos. Eu só não coloquei muita coisa aqui para encher, mas a gente vai citar outros textos do mesmo caráter que apontam o Messias desde as profecias hebraicas como um rei que não deveria ser rei apenas dos judeus, do povo de Israel, mas sobre todas as outras nações. E o status com o qual Paulo se apresenta no fim das contas não é simplesmente escravo, mas é escravo do Rei Jesus, do Jesus Cristo ou o Cristo Jesus, esse Messias enviado da parte de Deus, que é o título que ele reconhece como sendo pertencente a Jesus. Outras duas designações são muito importantes na apresentação de Paulo, que é primeiro, ele é chamado para ser apóstolo, como você pode ver ainda no primeiro versículo. Chamado nos escritos de Paulo não é uma vocação da qual o sujeito toma conhecimento gradativamente. Muitas pessoas falam da sua própria vocação atualmente nesses termos. Não é disso que Paulo tá falando aqui. Chamado no evangelho ou perdão, nas cartas de Paulo se refere a esse primeiro momento em que o evangelho tem o seu impacto salvador numa pessoa. Quando uma pessoa é chamada, quando Paulo foi chamado, foi esse momento em que pela primeira vez o evangelho teve o seu impacto salvador. E quando a gente cruza a informação de Romanos, capítulo 1, versículo 1, com o que a gente vê em Gálatas 1, 15 a 16, nós vemos que a conversão de Paulo foi ao mesmo tempo a sua vocação para ser um apóstolo às nações. Aquele encontro que Paulo tem com Jesus na estrada de Damasco é o primeiro momento em que o evangelho tem um impacto salvador na vida de Paulo, chamado, mas também invocação, porque já naquele instante Jesus revela a missão que ele havia separado especialmente para esse apóstolo realizado. Outro texto que indica que Paulo define a ele mesmo como um apóstolo, como uma vocação específica. Eh, na verdade, apóstolo, não apenas para vocação específica de Paulo, mas em termos bem definidos, é o que a gente vê em Primeira Coríntios 9:1. Ali Paulo parece esclarecer, ele indica, porque ele não tá tratando essa questão em detalhes, mas é possível inferir que apóstolo, de forma geral é aquele que vê Jesus pessoalmente. Então, a gente tem os 12 apóstolos, depois Judas comete suicídio, tem Matias que substitui Judas e Paulo, que é chamado também após a todos os apóstolos. Ele é um apóstolo que vem eh mais tarde. Ele trata isso quase como se ele ele estivesse atrasado, um um apóstolo que foi chamado tardiamente para ser um apóstolo aos gentios. Mas existe uma categoria maior de apóstolo, que são as testemunhas que viram o Jesus ressurreto e que levaram essa mensagem da ressurreição para outros povos. Então, pessoas que não estão no círculo dos 12 ou dos 13, considerando Paulo, também são chamados de apóstol nesse sentido mais amplo. Mas tirando essas duas categorias, a gente não tem referência a outro tipo de apostulado, como talvez a gente pudesse imaginar apostulado na nossa época, no nosso tempo. O chamado de Paulo tem uma singularidade e ele aponta isso aqui. Por quê? Ele diz que ele foi separado e a palavra que ele utiliza é aforizo e isso indica a intenção divina. Se o escravo é uma propriedade de um dono, o dono tem o poder de separar essa propriedade para uma finalidade em particular. E é isso que Deus faz com Paulo. Qual é a finalidade para a qual Deus separou Paulo o serviço do evangelho? Aqui ele não vai tratar especificamente da questão do apostolado para outras nações, para outros povos. Isso vai ser mais tratado ou detalhado nos versículos que se seguem. Mas aqui ele coloca que ele foi separado para o evangelho de Deus ou o serviço do evangelho de Deus. A a referência de Paulo é a mensagem ou ao anúncio da mensagem que ele estava fazendo ao redor do mundo mediterrâneo. Paulo nunca havia estado pessoalmente com a igreja em Roma, mas ele já havia feito eh outras viagens missionárias e tudo isso parece estar organizado em torno desse mundo que acontece no entorno do Mar Mediterrâneo. E no mundo judaico de Paulo, essa palavra que ele está tratando como o evangelho de Deus tinha uma conotação diferente do que ele está tratando aqui na carta aos Romanos. E Paulo é consciente disso. Que que acontece? Evangelho de Deus está no coração da autodefinição e da autocompreensão de Paulo. Quem ele era, quem ele era, como ele se compreendia, qual era a sua missão. Tudo isso estava em torno da maneira como ele entendia. E ele proclamava essa expressão que a gente já encontra no primeiro versículo, o evangelho de Deus. No mundo judaico de Paulo, essa a palavra tinha a ideia, a conotação a de um monarca que havia ascendido ao poder ou de um eh poderoso que havia acabado de nascer, o herdeiro de um trono. Já para Paulo, quando a gente olha para essa eh expressão evangelho que aparece tantas vezes aqui no livro de Romanos em outras cartas, é muito importante a gente definir com clareza o que é que ele queria dizer. Para Paul para Paulo, a palavra eangéliion se referia no cristianismo primitivo à proclamação de Jesus. De forma muito sucinta, Evangelho se referia à proclamação de Jesus antes de passar a se referir também a um livro ou a um conjunto de livros. Por exemplo, hoje quando a gente fala sobre o evangelho, muitas pessoas entendem que a gente está se referindo ao evangelho de Marcos, de Mateus e de Lucas, mas para Paulo era toda a missão de anúncio e proclamação de Jesus. A referência de Paulo é a mensagem ou ao anúncio que ele estava fazendo entorno do mundo mediterrâneo, mas que ele estava fazendo a partir de uma ideia que é encontrada na Bíblia hebraica, muito antes do tempo de Jesus. No mundo judaico de Paulo, essa palavra olhava para dois textos em especial do mesmo profeta, que é Isaías, como a gente encontra em Isaías 40, versículo 9, e também Isaías 52:7. Apenas pra gente relembrar aquilo que tá nesses textos, a Isaías 40, versículo 9 diz o seguinte: Você que traz boas novas a Sião, suba numa alto monte. Você que traz boas novas a Jerusalém, erga a sua voz com fortes gritos. Erga, não tenha medo. Diga a cidades de Judá: Aqui está o seu Deus. E a outra passagem é Isaías 52, versículo 7. Ele foi oprimido e afligido e contudo não abriu a sua boca. Como um cordeiro foi levado a, perdão, tô lendo 53, o 527. Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação, que dizem a Sião: "O seu Deus reina". A evangelho, essa palavra que geralmente e acertadamente a gente associa anúncio, uma boa notícia, é justamente relacionado com os textos de Isaías. Por nesses textos, a referência é a um ao mensageiro que deveria trazer para Jerusalém a boa notícia da derrota da Babilônia, o fim do exílio de Israel e o retorno pessoal de Yahvé para Sião. Essas três coisas estavam sendo tratadas nessa boa notícia que deveria ser dada a Jerusalém nos dois textos que a gente leu. Aqui em Paulo a gente tem a mesma ideia, os mesmos temas que Isaías está tratando concentrados na pessoa de Jesus. Como a gente falou no mundo pagão, que Paulo circulava e que ele estava muito consciente de um uso próprio da palavra, ela se referia evangelho, tanto à ascensão quanto ao nascimento de um governante ou imperador. Então, veja que há um conflito de significado para o mesmo termo. E Paulo faz isso conscientemente. Ele quer que essa palavra que estava apontando para um novo imperador que chegou ao poder dentro da perspectiva de qualquer pessoa que fizesse parte do império romano, o imperador de Roma era imperador do mundo todo, ou de uma criança que nasce com a promessa de se tornar esse grande imperador sobre todo o mundo. Agora ele está usando esse termo evangelho evangelion, justamente para se referir ao anúncio dos eventos e da pessoa de Jesus. Nós já vemos aqui que Paulo está falando na intercessão de dois mundos. O nascimento de Jesus era tanto o cumprimento de profecias do povo judeu, como a gente vê também indicado no versículo 2, que o Messias vem de acordo com as profecias que foi dada a esse povo, como também o anúncio de alguém que chegou para desafiar todos os outros governantes da terra. O anúncio da mensagem de Jesus, da forma como Paulo coloca, é necessariamente uma confrontação de todos os outros governos e pessoalmente de todos os outros governantes da Terra. Ao observar a a expressão Evangelho de Deus, vale a gente reforçar que a visão de Paulo sobre Deus permanece profundamente judaica. Muitas pessoas quando leem o texto a respeito do encontro de Paulo com Jesus na estrada de Damasco, acredita que que ele deixou de ser judeu para se tornar um cristão. Mas essas categorias não funcionavam naquela época e não funcionam hoje na nossa interpretação do que Paulo está escrevendo. Por quê? O argumento de Paulo é profundamente judaico. A forma como Paulo continua a pensar é profundamente judaica. O argumento de Paulo é que o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o criador do mundo, tinha trazido a história ao seu ponto mais elevado, justamente na pessoa de Jesus. Paulo insiste que os cristãos de Roma devem entender o propósito pelo qual Deus fez todas essas coisas e o papel deles, dos cristãos de Roma, dentro desse plano e a partir daí começar a pensar, agir e participar junto com Paulo na missão que Deus o havia confiado. Essa mensagem continua sendo profundamente judaica. é a respeito de Abraão, de Isaque e de Jacó, que Deus que Paulo está falando. E ele está falando não dos patriarcas, eh, de maneira ah propriamente dita, mas do Deus que revelou a si mesmo, a esses homens, a essas famílias ou a família de Abraão, ao povo de Israel, a fim de trazer a sua bênção para todas as nações da terra. A transformação que não é pequena, que constitui boa parte de toda a missão de Paulo, é justamente entender que ele precisou reinterpretar e compreender de maneira distinta e completamente diversa todas as profecias que ele estava tão familiarizado e habituado a interpretar de outra maneira, porque agora a pessoa de Jesus foi revelada a Paulo. Aí a gente vai seguir aqui adiante. Eh, quando a gente encontra que no versículo 3, Paulo vai afirmar o seguinte: Acerca de seu filho, que como homem era descendente de Davi, e que mediante o espírito de santidade foi declarado filho de Deus com poder pela sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor. O evangelho é sobre o filho de Deus. No Antigo Testamento, essa expressão filho de Deus podia fazer referência a um anjo, como a gente encontra em Gênesis 6:2 e também Jó, capítulo 1, versículo 6. Mas na maioria dos casos, filho de Deus no Antigo Testamento se referia tanto a Israel como, por exemplo, Êxodo 4:33 e Jeremias 31:9. Como também essa expressão novamente filho de Deus podia se referir a ao rei que havia sido eleito, separado e enviado por Deus. Esse rei em alguns momentos é tratado como um filho que é adotado por Yahé como seu primogênito, mas está falando de um rei humano. Primeira Samuel 7:14 tem esse uso. Primeira Crônicas 17:13 e Salmo 27. Esse é um dos salmos mais importantes do saltério. E é muito curioso como a gente enxerga a relação entre Deus e o seu ungido no salmo é de número dois. Por quê? Ele faz promessas para esse rei que parece ser algo assim muito superior do que o domínio que Davi poderia esperar ter sobre toda a região. O que mesmo Salomão no momento mais próspero do governo de Israel conseguiu alcançar. E não só os limites e os domínios desse reino é muito grande, como a relação parece ser muito pessoal de pai e filho. E é nesses termos que Deus ou Yahé trata o rei que ele havia separado. Esses dois sentidos, tanto de filho de Deus como uma referência a todo o povo de Israel, quanto o filho de Deus como referência ao rei que havia sido separado por Yavé, eles estão relacionados entre si. Por quê? O pensamento judaico na época de Paulo e muito anterior a ele, era que o rei davídico representava todo o povo de Israel. O que valia para o rei valia para o povo. Então, o rei Davídico era um representante do povo diante de Deus. E aquilo que Deus falava a respeito do rei valia também para todo o povo. Logo, a expressão o evangelho de Deus acerca de seu filho, olhando para o que a gente pensou no significado de evangelho e a expressão filho de Deus, o evangelho de Deus acerca do seu filho significa o seguinte: o anúncio de Deus em cumprimento das profecias da entronização real do Messias, o rei ungido de Israel como Senhor sobre o mundo. Essa brevíssima expressão que Paulo usa, Cristo Jesus, trazendo título, um título real, Evangelho de Deus, olhando para Isaías, tanto 49 quanto 52, quanto filho de Deus, como aparece aqui no versículo 3, permite a gente perceber que Paulo está tratando do anúncio de Deus em cumprimento das profecias que ele enviou, da entronização real do Messias, o rei ungido de Israel, uma mensagem profundamente judaica como Senhor sobre o mundo todo. E aí a gente segue para a segunda parte do versículo 3 e o versículo 4 e a gente eh vê como Paulo desenvolve esse tema. Porque filho de Deus é tratado aqui como nascido da semente de Davi. E ele foi então declarado filho de Deus por meio da ressurreição. Essa é uma declaração em duas partes. Primeiro, Jesus é descendente de Davi. Segundo, a ressurreição é a declaração para o mundo de que ele, Jesus de fato, era o Messias que sempre afirmou o ser. Duas partes fundamentais. Jesus é descendente de Davi e segundo a ressurreição é o que autentificou Jesus para o mundo inteiro como sendo o Messias que ele sempre afirmou ser. É desse ponto que começa o pensamento propriamente cristão de Paulo. É justamente a partir do encontro de Paulo com Jesus na estrada para Damascos. O Jesus que ele imaginava ser o falso Messias era na verdade o verdadeiro enviado de Deus. Se isso era verdade, então tudo aquilo que eu compreendia estava equivocado a respeito da maneira como Deus deveria agir no cumprimento das profecias que ele entregou aos nossos antepassados. Uma coisa desafiadora pra gente é entender essa expressão semente de Davi. Porque muitas pessoas acreditam que Paulo apenas está querendo comprovar que Jesus era 100% Deus. Toda a nossa discussão da teologia sistemática de que Jesus é 100% Deus, 100% humano, parece definir a nossa leitura dessa expressão semente de Davi. Mas existem muitas conexões com essa expressão semente de Davi que ultrapassam apenas a uma afirmação doutrinária ou uma afirmação a respeito da natureza de Jesus. O que Paulo está querendo fazer aqui é pelo menos eh isso, provavelmente mais do que eu obviamente conseguir compreender e estudar, mas pelo menos é conectar o que está sendo narrado a respeito da pessoa de Jesus com as profecias que falavam sobre o rebento de Jessé, a descendência de Davi, as promessas que foram dadas ao rei Davi de que o cetro jamais se apartaria da sua casa, da sua família. Ou seja, tudo que está acontecendo agora em Jesus está conectado com a história que nos antecede. Nada, queridos gentios cristãos. Paulo depois vai ter que tratar sobre várias coisas relacionadas a judeus, mas gentius no corpo de Cristo dentro da mesma comunidade. E o que ele está dizendo para aqueles em especial cristãos gentios que estão em Roma, é tudo o que Deus fez na pessoa de Jesus foi a partir da história que ele construiu dos profetas, da Torá, da história do povo de Israel. Então, semente de Davi conecta diretamente Jesus com tudo aquilo que havia sido anunciado nas profecias e também indica a plena identificação de Jesus com a humanidade, mas não meramente no sentido de natureza, de corpo físico, dizer que Jesus sentia dor, que de fato sentia, que chorava, que de fato chorou. A questão é que Jesus está identificado com a humanidade na condição em que ela se encontra. Jesus se rebaixa a condição humana na condição em que a a humanidade estava no momento da sua encarnação, que é a identificação da humanidade com o primeiro Adão. Jesus se identifica com a humanidade a partir da necessidade que nós tínhamos de um novo Adão para que ele pudesse tratar da condição que foi gerada pelo primeiro Adão. Então, se Adão pecou e toda a a humanidade estava em Adão, no momento em que Jesus encarna, é esse corpo que ele assume e essa a condição a qual ele se rebaixa. E a partir daí a gente pode entender o que Paulo vai tratar sobre a nova humanidade, sobre aquilo que Jesus conquista como uma nova natureza também. E ele então apresenta a Jesus como sendo esse Messias. Ah, ele coloca aqui no versículo dois, o qual foi prometido. Ele já havia apresentado Jesus como Messias quando ele chama a Jesus do Cristo. E ele então coloca aqui acerca de seu filho, que como homem era descendente de Davi e que mediante o Espírito de santidade foi declarado filho de Deus. Quando a gente olha para o Messias, descendente de Davi, humano e fazendo isso ou sendo enviado por Deus de acordo com as profecias que foram dadas no Antigo Testamento, a gente precisa voltar no Antigo Testamento e relembrar o que é que se esperava desse Messias, não apenas na revelação do texto bíblico, mas muito provavelmente na expectativa do povo judeu que estava estava lendo a carta de Paulo ou do povo judeu que antes da vinda de Jesus tinha toda a sua expectativa sobre como o Messias deveria agir. Mas olhando apenas para as profecias, o Messias tinha uma missão muito bem definida que era reconstruir ou purificar o templo de Jerusalém, derrotar os pagãos, resgatar Israel e por fim trazer a justiça de Deus para o mundo todo. resgatar Israel, porque Israel estava sob o domínio dos pagãos, e depois trazer a justiça de Deus para todas as nações. Qualquer homem que pretendesse ser considerado Messias e que não tivesse alcançado essas coisas, era atestado pela sua própria derrota diante dos seus inimigos, um falso, um falso Messias. Qualquer pessoa que se portasse, que falasse ou que anunciasse uma mensagem que comunicasse explicitamente ou implicitamente que ele era o rei ungido, enviado de Deus, mas que fosse derrotado pelos pagãos, era obviamente um falso Messias. Jesus atacou o templo, morreu na mão dos pagãos, não libertou Israel de Roma e o mundo aparentemente continuava tão injusto quanto sempre foi, mesmo depois da sua morte. Por isso que foi necessário algo absolutamente impensável para alguém supor que Jesus era de fato o Messias. tudo aquilo que se esperava do Messias de uma forma imediata e aparentemente óbvia, ele falhou em cumprir. Mas o evento da ressurreição redefiniu completamente a maneira como aqueles seguidores de Jesus e mesmo aqueles que não eram seguidores de Jesus durante o seu ministério interpretassem o que aconteceu no ministério, na morte e na ressurreição de Jesus. Então, Paulo está tratando aqui dessas questões muito profundas, de uma forma muito sucinta e concisa. Ah, quando Paulo fala a respeito disso, dessa questão do Messias na abertura da sua carta, ele é muito claro em dizer que a ressurreição foi o evento que marcou Jesus como sendo o filho de Deus. Se todo pensamento judaico da época não comportava um Messias nos termos que Deus revelou em Jesus, Paulo diria: "É uma pena para o nosso próprio pensamento, é uma pena para todas as nossas expectativas". É essa gigante tarefa que Paulo se propõe a realizar, repensar tudo que Deus havia revelado, que faria a partir da revelação de Jesus Cristo. Deus então atua por meio do espírito de santidade com poder. É interessante como aqui não aparece a expressão Espírito Santo, mas espírito de santidade. Esse espírito de santidade é o espírito pelo qual Deus atua com poder na ressurreição de Jesus. O mesmo poder que atua na ressurreição de Jesus, ele vai tratar disso com muito mais detalhes na segunda sessão da carta, Romanos 5 a 8. Esse mesmo poder que atua na ressurreição de Jesus, a o autenticando como Messias, é o poder que Paulo vai falar que atua naqueles que estão em Cristo. Essa ressurreição pelo Espírito Santo era esperada por muitos judeus. A questão é que nenhum judeu esperava que isso acontecesse no meio da história. Como vocês vão lembrar, existia essa diferença de compreensão entre fariseus e saduceus. Os saduceus não acreditavam na ressurreição. Os fariseus acreditavam na ressurreição. Paulo era um fariseu. E eles acreditavam que Deus ressuscitaria os justos de forma especial para receber a sua recompensa no fim da história e que a ressurreição dos justos marcaria o começo da era por nova era que Deus inauguraria de justiça e paz sobre a terra. Ninguém esperava que uma ressurreição como essa pudesse acontecer no meio da história a um único homem. E é isso que Paulo está colocando no meio aqui da da salada de pensamento judeu e de pensamento de pensamento judaico e pensamento gentílico para aquelas pessoas que já haviam acreditado que Jesus Cristo era o Messias. Se de fato Jesus era o Messias, se ele ressuscitou dentre os mortos, se as profecias que falavam sobre ressurreição se cumpriram ou começaram a se cumprir a partir da pessoa de Jesus, o que é que isso implica? Implica que a nova era, esse novo tempo determinado por Deus já começou. A eternidade de alguma forma estava contida na pessoa e nos eventos em torno de Jesus, em especial na sua ressurreição. De alguma forma a eternidade já se faz presente e nós fomos incluídos nesse novo tempo, nessa nova época, nessa nesse novo reino em que Jesus estabelece sobre a terra justiça e paz para todos os povos que são marcados pela fé. Essa ressurreição então de Jesus indica que a era prometida por Deus foi inaugurada por ele através do espírito de santificação, o espírito de santidade mais precisamente que ressuscitou o filho dentre os mortos. Esse Romanos 1, 3 e 4 é o primeiro resumo do evangelho que dá, que Paulo dá na carta aos Romanos. Muitas pessoas olham paraa declaração de Paulo um pouco mais à frente ainda no capítulo um, que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, como se essa fosse uma definição do conteúdo do evangelho. E não é, essa é uma afirmação de Paulo a respeito do poder do evangelho. Mas o que é o evangelho? É isso que nós encontramos em Romanos capítulo 1, versículo 3 e 4. Ainda que de forma muito sucinta e ainda que ele esteja colocando vários temas que ele vai desenvolver mais paraa frente. Ah, e o que é que a gente encontra aqui um pouco mais adiante? Ele fala sobre a obediência. Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamado entre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé. A partir de agora eu não vou conseguir comentar tantos detalhes, a gente já tá com tempo bastante adiantado, mas destacar esses dois termos que ele coloca aqui ou essa expressão obediência que vem pela fé. O verbo grego para obediência que ele utiliza aqui é ripacoé. Ripacoé é a versão grega ou a tradução em grego para um termo muito comum no Antigo Testamento. Porque o Antigo Testamento usa essa palavra a quando usa em hebraico, usa a palavra chemar ou chamar. Essa palavra, o chemá, a oração que nós eh fazemos referência como oração do Chemá, é o que está em Deuteronômio, capítulo 6, versículos 4 e 5, em especial. A Bíblia hebraica foi escrita, uma surpresa enorme, em hebraico, mas existe uma tradução a para o grego que é conhecida como a septoaginta. Por que que essa informação é importante? Porque o Novo Testamento foi escrito em grego. Então, muitas vezes, quando a gente vê um termo grego no Novo Testamento, vale a pena comparar com as ocorrências desse termo grego na Septoagenta, que é o Antigo Testamento em grego, e depois comparar com a Bíblia hebraica, o termo que o grego está traduzindo originalmente do hebraico. E assim a gente fazer uma correlação de o que que provavelmente Paulo está ou lembrando ou lendo da Bíblia hebraica enquanto ele está escrevendo ou ditando uma carta. Essa é uma relação importante aqui. Hipacoé faz referência a Shemá e Shemá faz referência a Deuteronômio, capítulo 6, que é a oração central de definição do povo judeu. Por quê? Chamar, além da ideia de ouvir, povo e ó Israel, além da ideia de ouvir e obedecer, também traz a ideia de obrigações pessoais que os judeus tinham em relação à aliança. Esse ouvir de Deuteronômio 6 não é só para lembrar do que Deus fez, mas o que eles estavam se comprometendo a realizar. Então, como é que a gente encontra o texto de Deuteronômio, capítulo 6? Ouça, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. O que Paulo está colocando aqui é que aquilo que Deus falou para o povo de Israel aí em Deuteronômio capítulo 6 é o que ele estava fazendo aqui em Romanos capítulo 1, versículo 5, ou o que ele estava fazendo na época da realização do seu ministério, chamando para a obediência que vem pela fé todas as nações, todo aquele que crê. É muito claro que a Paulo está trazendo todas as nações para essa obediência, assim como Israel foi chamado à obediência por parte de Deus. E ser chamado para obediência é ser chamado para fazer parte dessa família de Deus. Então, a missão de Paulo não é só chamar as pessoas para um comportamento moral específico, deixar de fumar, deixar de beber, deixar de cometer esse ou aquele vício, mas é chamar as pessoas para a família da fé, que obviamente é constituído de uma nova moralidade, de uma nova visão de mundo, de uma nova esperança que é definida a partir do Messias. Paulo não estava ofertando uma nova religião para aquelas pessoas. Quando a gente olha para o evangelho, como sendo esse anúncio de Jesus, como o Messias enviado por Deus, que conquista a vitória e se torna Senhor sobre todos os outros governantes, Senhor sobre todas as outras nações, aquele que conquistou poder sobre todos os povos. A gente percebe que evangelho é uma convocação real. Evangelho é, na verdade, um comando que vem da parte de Deus e comunica isso para todas as pessoas. Há um novo rei sobre o mundo e ele convoca todos a fazerem parte do seu reino. Evangelho não é uma oferta de religião. Evangelho não é uma oferta de moralidade específica. Não é nem mesmo um convite apenas, mas tem essa conotação de um uma convocação, um comando. Jesus conquistou domínio sobre todos os povos, sobre toda a terra, o nome que está acima de todo nome. E ele convoca a todas as pessoas a fazer parte do seu reino. Agora, isso obviamente não anula a responsabilidade daquele que ouve a convocação. E a nossa compreensão é que o sujeito ele tem que dar uma resposta autêntica a partir da sua decisão de fé ou não. A resposta de fé que nós damos, aquilo que Paulo vai falar como confessar que Jesus Cristo é o Senhor. Se com a sua boca você confessar que Jesus é o Senhor e com o coração crê que Deus o ressuscitou entre os mortos, será salvo. Essa resposta de fé que qualquer indivíduo que é convocado pode dar é um passo segundo. É a nossa resposta de fé a fidelidade do próprio Deus. Nós só podemos ter fé e fidelidade ao Messias porque Deus foi fiel às profecias que ele deu para o povo de Israel. Porque Deus foi fiel às promessas que ele fez para o povo judeu. Essa fé é a verdadeira marca daqueles que fazem parte do povo de Deus. aqueles que reconhecem Jesus como rei que ele de fato é, aqueles que se submetem à sua vontade e como consequência são transformados em uma nova criatura. A, o versículo 6 e 7 é o momento em que Paulo, depois de ter desenhado de uma maneira muito concisa, mas muito profunda, esse grande mapa do evangelho, do seu apostolado, da missão que ele recebeu, do que aconteceu na pessoa de Jesus, ele coloca uma seta enorme e diz para os romanos: "Vocês se encontram aqui. Esse é o lugar em que vocês se encontram. Esse é o evangelho que alcançou vocês e é isso que eu fui chamado a realizar como um apóstolo que foi separado para o serviço do evangelho. Para todo esse mapa, então Paulo começa a localizar os romanos dentro da condição específica em que eles estavam. Ah, e aí a gente tem essa longa sessão, como eu disse, eh, que eu não vou conseguir entrar em tantos detalhes, mas vou reler aqui para não ficar com a mensagem completa. Antes de tudo, sou grato a meu Deus, mediante Jesus Cristo, por todos vocês, porque em todo o mundo está sendo anunciada a fé que vocês têm. Deus, a quem sirvo de todo coração, pregando o evangelho de seu filho, é minha testemunha de como sempre me lembro de vocês em minhas orações. E peço que agora, finalmente, pela vontade de Deus, seja me aberto o caminho para que eu possa visitá-los. Anseio vê-los a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual para fortalecê-los. Isto é, para que eu e vocês sejamos mutuamente encorajados pela fé. Quero que vocês saibam, irmãos, que muitas vezes planejei visitá-lo, mas fui impedido até agora. Meu propósito é colher algum fruto entre vocês, assim como tenho colhido entre os demais gentios. Sou devedor, tanto a grego como a bárbaros, tanto a sábios como ignorantes. Por isso, estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma. Paulo começa aqui uma sessão mais pessoal falando sobre o plano que ele sempre teve, mas que ele não pôde realizar antes de estar com os irmãos e Roma, poder partilhar com eles um dom ou algum domes também algum fruto desse desse evangelho que havia frutificado já em Roma. Agora, uma pergunta que Paulo estava respondendo e que era uma pergunta implícita, provavelmente para aqueles romanos que receberam a sua carta é: que você, um evangelista, um missionário pioneiro, vai edificar sobre o fundamento que outro lançou? Por que que você está desejando via Roma? Talvez algumas pessoas da comunidade ou boa parte da comunidade pudesse imaginar que Paulo estava questionando a legitimidade do evangelho que foi estabelecido e pregado em Roma. Não é o caso. Paulo deixa muito claro que ele sabe da autenticidade e da veracidade da fé daqueles irmãos, que aquela fé se faz conhecer no mundo todo e que ele desejava estar ali por outro motivo. É muito importante a gente perceber que existiam algumas dezenas, talvez poucas centenas de cristãos em Roma. E Roma era uma cidade com 1 milhão de habitantes aproximadamente, talvez um pouco mais ou um pouco menos. Mas era uma capital gigantesca para um grupo muito pequeno de cristãos. E seria uma pergunta razoável que algumas pessoas talvez levantassem diante da carta de Paulo. É, poxa, será que ele está duvidando do nosso do nosso compromisso com o evangelho? Está duvidando da nossa a dedicação à proclamação do evangelho? não é o caso. Ele queria que e eles soubessem, que os cristãos em Roma soubessem que há muito tempo ele já desejava fazer uma viagem, conhecer aqueles irmãos, apesar de ter conhecido muitos daqueles irmãos que estavam em outros lugares do império. Mas apesar de ter esse desejo há muito tempo, ele não pôde fazer isso. Ele não explica se foi Deus que não deixou o Satanás que de alguma forma o atrasou em sua viagem. Mas o fato mais importante é que Paulo se vê como devedor para com Deus, mas também para com todos os grupos não judaicos em sua missão de anunciar o evangelho ao mundo gentílico. Por isso, ainda que a igreja já tivesse lançado o seu fundamento na cidade de Roma, de alguma forma ele vê que a sua missão envolve todos os povos, em especial todos os povos não judeus, porque ele foi novamente aforizo, separado por Deus para anunciar a mensagem do evangelho para todas essas nações gentílicas. E se de alguma forma ele pudesse compartilhar os seus dons, edificar a vida daquelas pessoas em Roma, ele o faria. Ainda que ele não fosse para Roma para começar a igreja ou recomeçar a igreja. Esse não era o propósito. Depois do versículo 15, a gente encontra nos dois próximos versículos, 16 e 17, uma questão fundamental do Evangelho, do da carta aos Romanos, mas que vai exigir muito mais tempo do que eu sabia que nós teríamos hoje para discutir aqui. Já tem 1 hora e 8 minutos. E aí eu eu nesse sentido eh antecipei que a gente não teria condições de entrar em muito mais detalhes a partir daqui. Por isso, a aula que vem a gente vai continuar a partir do versículo 16, tá bom? Vamos lá pro pro chat ver o que que o pessoal colocou aqui de eh pergunta, dúvida, de pontuações aqui paraa nossa aula de hoje. Deixa eu ver. Olha, a Fernanda faz uma pergunta sobre Romanos 4 e 18, que é justamente a passagem que a gente citou sobre a exegese que Paulo faz de Gênesis, capítulo 15, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações. É como foi dito ao seu respeito. Ah, e aí depois ela coloca a pergunta que eu não sei, na verdade se é sobre Romanos 4:18. Se Deus é invisível, que se revela claramente através da criação, aparentemente não é sobre Romanos 4. Porque a humanidade prefere trocar a glória de Deus por ídolos e o que isso se refere por ídolos e o que isso se refere à natureza caída humana na atualidade? Olha, Fernanda, essa é uma pergunta muito interessante e vai ser exatamente o assunto da nossa conversa da próxima semana. Eu vou falar sobre Romanos 16 e 17, mas logo depois Paulo vai justamente falar sobre essa condição de queda da humanidade. Então, não vou adiantar tanto o argumento aqui, mas de maneira geral a chave pra gente compreender eh esse trecho de Romanos capítulo 1, em que ele trata dessa questão da revelação de Deus na natureza criada, é que Deus entregou a humanidade ao seu próprio pecado e Deus os entregou. Ele repete isso, se eu não me engano, três vezes ao longo do capítulo um. Se não for, se não forem três vezes, foram quatro vezes. Mas é como se a os nossos pensamentos tivessem se tornado tão injustos e tão eh corrompidos quanto a nossa própria decisão. Porque tomamos a decisão de nos corromper? Deus permitiu que os nossos pensamentos, a nossa forma de enxergar as coisas, ou melhor, a nossa maneira de não enxergar as coisas, não permitissem que a gente percebesse a glória de Deus nas coisas criadas. Eh, então, novamente, nós vamos desenvolver esse argumento, mas a ideia parece ser que as consequências do pecado atingem a nossa capacidade de compreensão e de avaliação, inclusive de percepção da revelação de Deus, onde ela acontece diante dos nossos olhos, onde ela acontece de uma forma facilmente acessível. Nós nos cegamos por meio do pecado e Deus permitiu que eh nós tivéssemos aquilo que nós desejávamos, né? Ah, vamos mais aqui. Observação muito boa aqui da Marlene. Meu marido disse que a carta de Paulo é uma carta escrita pros nossos parentes italianos. Muito bom. Deixa de dizer verdade. Ah, mais Paulo se considerava algemado no serviço de Cristo. Olha, eh, o termo algemado precisa ser melhor compreendido. Certamente Paulo, ele se considerava escravo, ele se considerava eh um servo em em uma condição irrevogável. Nada poderia ser feito para alterar a sua relação de escravo de Jesus. Ele estava de fato algemado durante parte do seu ministério. Por isso que a gente tem as cartas da prisão, as cartas que Paulo escreveu enquanto ele estava literalmente fisicamente preso e algemado. Mas existe um um terceiro sentido que é relacionado com o primeiro, que é é Paulo se via nessa necessidade, nessa obrigação, como a gente viu no fim da nossa exposição de hoje, que ele tinha um senso de dever em relação ao serviço de Cristo. Então, nesses três sentidos, a resposta é sim, exceto no segundo em que ele esteve algemado, mas não durante todo o seu ministério. Mas ele tinha uma noção de que é a expressão que acontece várias vezes no Antigo Testamento de lamento. Ai, ai de você, Corazim, como Jesus fala no Novo Testamento. Ai de você, Betsaida. Se todos os milagres que foram realizados antes de você tivessem sido feitos em Sodoma e Gomorra, eh essas cidades não teriam sido destruídas. Essa expressão de lamento, Paulo utiliza sobre si mesmo. Ai de mim se eu não pregar o evangelho. Então ele se vê fortemente atado, algemado a essa missão. Ah, segund Sagradas Escrituras, no versículo 2, já havia sido usado antes essa frase, esse termo. Deixa eu recuperar aqui na maneira como acontece para eu te responder. Versículo 10. o qual foi prometido ele de antemão por meio dos seus profetas nas eh escrituras sagradas. A escrituras sagradas não se refere a Novo Testamento, se refere quando utilizada no Novo Testamento ao Antigo Testamento, porque a ideia de canon ainda não havia sido estabelecida. Tanto é que Paulo está escrevendo eh a carta aos Romanos, enquanto outros livros, como Apocalipse, que foi o último livro a ser escrito, ainda não havia sido escrito. O próprio Paulo escreveu, provavelmente segunda Timóteo, depois de ter escrito a carta aos Romanos. Então, Sagradas Escrituras, quando aparece no Novo Testamento, é uma referência à Bíblia Hebraica, ou a Torá ou então a ao Taná, que é a Bíblia hebraica, o nosso Antigo Testamento, tá? Eh, a única exceção é quando Pedro vai falar sobre os escritos de Paulo e ele autentica os escritos de Paulo e depois ele fala as demais escrituras. Então ele eleva a condição dos escritos de Paulo às escrituras, assim como ele reconhecia o Antigo Testamento como escritura, né? No o Ataná. Vamos ver mais aqui. Por isso os judeus não aceitaram Jesus, um rei sem riquezas materiais. Ah, Adri, eu não sei exatamente em que contexto, em que momento da aula você colocou essa pergunta. Não sei qual era a informação que eu estava tratando aqui. Se você puder esclarecer, a gente pode comentar. Vamos ver o que mais aqui. Por isso ele se esvaziou para a parte de Deus não interferir na vida literalmente. Bom, eh, Fernanda, se essa pergunta foi colocada no momento em que nós discutíamos a questão de Jesus ser da semente de Davi, vou assumir que sim. A resposta é não. Quando Filipenses 2 fala que Jesus se esvaziou, ele não se apegou ao fato de ser Deus. Ele não está dizendo que Jesus abriu mão de ser Deus, mas dessa condição de um Deus que obviamente não necessita de um corpo humano, que não necessita inclusive de um corpo humano que havia sido marcado pela entrada da morte no mundo. A gente não entrou em detalhes quando a gente falou sobre isso, mas o termo sarx, como aparece em Romanos e em todas as outras cartas paulinas, faz uma referência ao corpo humano na condição em que todos nós o experimentamos. A glória de Deus, o corpo que nós temos é dádiva feita com grande sabedoria e generosidade da parte de Deus. A glória de Deus está refletida no corpo humano, mas é também um um corpo submetido a todas as limitações que nós passamos a conhecer a partir do pecado. E tem um outro fato que é mesmo antes do pecado, o ser humano sempre foi criatura. E Jesus não é criatura, ele é gerado a partir do pai e ele não tem a necessidade de se rebaixar as limitações e condição dessa criatura. Então, é isso que Filipenses 2 está tratando quando fala da quenes, do esvaziamento de Jesus. Eh, não necessariamente do fato de que ele abre mão de certa parte da divindade para não interferir na sua humanidade. Essa é uma divisão que a gente não consegue fazer na vida de Jesus. Isso aqui é simplesmente o aspecto humano. Isso aqui é o aspecto divino. E isso é parte do mistério revelado. Como é que o Deus, criador dos céus e da terra, coube no corpo de um homem galileu que dormia dentro do barco? Como é que o criador de todas as coisas, que aquele que teve poder para derrotar todas as potestades, os inimigos visíveis e invisíveis, teve condições de caber dentro de um espaço finito e de um homem tão frágil que pode ser morto numa cruz e se entregar na morte na cruz. Então, eh, tudo interfere, né? Tudo interfere a quanto à divindade, a humanidade de Jesus. Vamos ver mais aqui. Aquila, citando Paulo como fariseu em Romanos 7, quando Paulo descreve o conflito interno de fazer o mal que não quer e não conseguir fazer o bem que deseja, tem fundamento, ele está compartilhando uma luta atual e de sua vida apostólica ou apenas usando uma figura de linguagem didática. e o que a vulnerabilidade desse relato revela sobre como ele via a própria liderança. Edu, eu acho que isso não tem a ver com as particularidades eh de Paulo ou mesmo o Paulo como o fariseu que a gente conhece. Eu acredito que a condição que ele está citando é a condição de Israel, da humanidade de forma geral, porque Paulo também trata sobre a lei que está gravada no coração daquele que não recebeu a Torá. Romanos capítulo 1. Ele vai voltar a sua acusação contra o povo judeu, que tendo recebido a revelação especial da parte de Deus, também não cumpriu as exigências que foram feitas. E depois ele vai tratar da condição da humanidade concentrada no povo de Israel. E o povo de Israel é inclusive esse povo que tem a revelação da parte de Deus, se compromete a fazer o que é certo e não consegue cumprir isso. Isso de uma forma geral paraa humanidade específica no caso de Israel, mas a dentro do coração humano em particular. Então eu eh eu não acho que isso aqui tem a ver particularmente de Paulo como um fariseu ou como uma luta apenas dele, mas uma condição eh que acompanha a humanidade, o povo de Israel e cada indivíduo, né, eh na sua luta particular. E aí a essa essa vulnerabilidade, eh, eu acho que a pergunta que se segue dependia do pressuposto de que Paulo estava tratando da situação dele em especial, né? Mas bom, a gente vai ter tempo de discutir isso e outras possibilidades de interpretação quando a gente falar de Romanos capítulo 7. Esse é outro dos textos mais importantes da carta, Romano, Romanos capítulo 7 e 8. A gente vai voltar nesse tema. Vamos ver mais o que aqui a gente tem. Que mais? Tô procurando as perguntas, gente. Tô acabado aqui porque eu tô vendo muita interação no chat, coisa boa, mas não tô vendo as próximas perguntas ainda. Bom, cheguei aqui ao fim da das últimas mensagens que foram enviadas. que a gente respondeu, senão a todas, a quase todas as perguntas que foram feitas aqui. Como a gente colocou, a naturalmente quando falamos de Romanos, perguntas sobre um texto ou outro surgem, mas a gente vai dar prioridade para o o texto que a gente tá tratando no dia e guardando também a possibilidade de desenvolver os argumentos antes de responder eh passagens específicas, tá bom? Gente, espero que vocês tenham conseguido acompanhar ou aproveitado a aula eh até esse momento aqui de exposição dos primeiros versículos de Romanos. A gente vai retornar na próxima semana para dar continuidade novamente com a passagem fundamental que é Romanos 1 16 e 17 e seguir, se conseguirmos ter fôlego e e velocidade também para isso até o final do capítulo um, tá? Então, mais uma vez, obrigado pelo tempo de vocês, pela atenção. Se inscrevam tanto no canal quanto na nossa nossa plataforma de ensino que eu vou colocar aqui no chat, ensino.ibibniu.com.br. br. Procurem lá a o nosso módulo avançado de maos, já tá na página inicial e a gente vai alimentar ali com questionários, material de aula para que vocês possam continuar estudando. Forte abraço a todos, uma boa semana e até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.