Makários Avançado| Romanos| Aula 3 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.16-17) |Ákilla Nascimento
10/03/2026
Makários Avançado| Romanos| Aula 3 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.16-17) |Ákilla Nascimento
Módulo Avançado: Romanos
Aula 3
O evangelho e a justiça de Deus (II)
Romanos 1.16-17
Ákilla Nascimento
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เฮ [música] >> [música] [música] >> Muito boa noite a todos que já chegaram aqui paraa nossa aula do curso de teologia Macários. Bom ter todos vocês com a gente aqui pro comecinho do nosso encontro, a nossa terceira aula desse módulo que é o módulo avançado de Romanos. Para quem tá eh retornando, já sabe qual que é a proposta da gente para esse módulo. Mas ah para quem tá chegando agora, é bom saber que o curso de teologia Macários é um curso que a IBNU começou ano passado com um curso básico de teologia e para esse ano a gente tem uma proposta parecida, mas eh diferente em alguns aspectos. A gente vai continuar com a estrutura de um um curso de teologia que tem o foco em Bíblia, teologia sistemática, a parte de doutrina e também a vida prática da igreja. Mas nós vamos ter um conteúdo um pouco mais avançado do que foi no ano passado. Vale salientar que você não precisa ter concluído o curso básico completo para acompanhar o módulo avançado de romanos. Ainda que seja de algum auxílio, tenha valor para se aprofundar nas questões específicas de romanos, existe uma certa independência que permite você começar a acompanhar esse módulo antes de fazer ou mesmo de concluir a todos os módulos que a gente fez ano passado. Então, todos são bem-vindos pra nossa conversa aqui de Romanos. Essa é a terceira aula. A primeira foi uma introdução geral que a gente teve a carta aos Romanos. A aula passada eu iniciei falando do versículo um, do capítulo 1 até o versículo 15. E hoje a gente vai continuar naquilo que foi o assunto da semana passada, tratando especificamente de dois versículos. Parece pouca coisa, mas a gente vai perceber que não é. Eh, nunca um único versículo, ainda mais num momento de clímax, às vezes do argumento de Paulo, é é pouca coisa ou tem pouca relação com toda a história que antecede a chegada do Messias, o significado do evangelho. Então, vocês vão perceber que hoje, assim como em alguns outros encontros, Paulo condensa muita coisa em pouco espaço. É, então o nosso boa noite aí para quem já chegou cedo, a Adriana, Sandra, Fernanda, a o Davi, o Saião também já apareceu aqui dando boa noite, o Paulo, Elic, a Marília, a Mari Lúci, eh, o Manuel, várias pessoas, o Fred, a Marinilda, enfim, várias pessoas que estão chegando aqui. Bom contar com vocês. subinho lá do Japão também acompanhando a gente, pessoas de Pernambuco como Vittor. Eh, é sempre importante saber que tem gente do outro lado assistindo, mas também interagindo, conversando com a gente. Vamos projetar aqui a nossa apresentação de hoje. Então, eh, aqui saiu com um erro, tá? É 1, 16 e 17. Romanos 1 16 17. Eu vou a corrigir isso pra gente colocar ah na plataforma já com o conteúdo ah corrigido. Hoje é uma aula de continuação para aquilo que a gente trouxe semana passada. Por isso que o título da aula, como tá aí no YouTube, que é o título correto e a referência também é o Evangelho e a justiça de Deus. Romanos 1 16 e 17. Na semana passada, a gente trouxe uma introdução para os quatro primeiros capítulos de Romanos. Romanos tem novamente uma divisão de quatro blocos. Romanos 1 a 4 é o primeiro, Romanos 5 a 8 o segundo. Romanos 9 a 11 o terceiro. E 12 a 16 a última sessão do livro. E Paulo não está fazendo eh qualquer tipo de desenvolvimento independente no seu argumento em cada um desses blocos, mas ele está eh abrindo um caminho muito amplo e muito coeso em cada uma dessas sessões que permite a ele tratar o assunto que ele vai desenvolver na sessão seguinte. Por isso que a gente trouxe uma introdução especificamente para os quatro primeiros capítulos. Mas Romanos só se entende as passagens mais difíceis, as passagens mais citadas, quando a gente compreende esse argumento muito coerente e muito coeso que está na carta de Romanos como um todo. Paulo escreveu Romanos em seus 16 capítulos aquilo que ele queria dizer. Ele disse à luz de tudo aquilo que ele desenvolveu ao longo da carta. Por isso que não vale a pena entrar em muita discussão, gastar muito tempo, basear muita doutrina, ter convicções profundas de um texto de Romanos que foi tirado desse contexto de discussão coerente e completa da carta de Romanos como um todo, tá? O que é que a gente apresentou a como resumo do tema de Romanos 1 a 17, mas que serve para o restante da carta também? No anúncio do Evangelho de Jesus ressurreto ou do Jesus ressurreto como Messias e Senhor, o verdadeiro Deus revelou a fidelidade e justiça da aliança, a fidelidade e justiça do próprio Deus para o benefício de todo aquele que crê. A gente colocou e repetiu isso semana passada e é muito importante relembrar hoje. No anúncio do evangelho do Jesus ressurreto como Messias e Senhor, o verdadeiro Deus revelou a fidelidade e justiça da aliança, a fidelidade e justiça do próprio Deus para o benefício de todo aquele que crê. E a gente vai conseguir concluir a o argumento inicial de Paulo hoje, justamente tratando desses dois versículos. Qual é a pergunta específica que Paulo parece estar respondendo com a carta de Romanos como um todo? É uma pergunta típica do judaísmo do segundo templo. Como a gente explicou, o judaísmo do segundo templo tem características bem definidas. O que que é judaísmo do segundo templo? Porque que a gente se refere como segundo templo? Por depois que o templo foi destruído em 587 antes de Cristo e quando ele foi reconstruído no retorno ah do povo para Jerusalém ou parte do povo que estava exilado pelos peças para Jerusalém, esse judaísmo que se desenvolveu depois que esse templo estava de pé novamente é completamente diferente do que acontecia do que aconteceu no período do primeiro templo. Por que isso? Porque existe um doloroso, difícil, mas esclarecedor capítulo da história de Israel, que é o exílio. Compreender o que foi que aconteceu, por que Deus permitiu que a gente fosse para o exílio. Porque logo para um povo ah pagão e para um povo tão iníquo como foram os babilônios, o que que isso significa paraa nossa caminhada daqui paraa frente? Como a gente lê as profecias que foram dadas antes do exílio e que anunciaram que o exílio deveria acontecer? Como a gente impede que isso aconteça novamente? Quando é que Deus vai retornar para em glória habitar o Santo dos Santos? Será que esse templo tem agora exatamente o mesmo poder e significado que tinha o primeiro templo? Várias questões surgiram na cabeça dos judeus depois que o templo cai, depois que eles vão pro exílio e quando eles voltam do exílio, ainda que tenham continuado sob o domínio dos peças, tudo isso altera a maneira como eles praticam a sua relação de aliança com Deus e a compreensão de como eles deveriam caminhar dali em diante. Então, para um judeu que vive nesse período do segundo templo, como é o caso de Paulo e como é o caso dos seus contemporâneos, a pergunta era: o que acontece quando a fidelidade declarada de Deus a sua própria aliança parece entrar em conflito com as demandas de sua justiça imparcial, quando o significado duplo da expressão justiça de Deus parece se contradizer a si mesma, porque Deus é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é o Deus que nos tirou do Egito e estabeleceu aliança conosco. Assim é a compreensão do povo de Israel. Mas o nosso Deus não é apenas o Deus que julga sobre o povo de Israel, mas é o Deus que irá julgar todas as nações. E ele precisa ter um justo juízo, um julgamento imparcial. O que é que acontece quando esse Deus que estabeleceu promessas para o povo de Israel e quando a sua fidelidade a essas promessas parece contradizer a sua função de ser juiz imparcial sobre judeus e sobre gentios? Como é que Deus pode manter as duas coisas ao mesmo tempo sem que isso entre em um conflito absoluto? E a resposta de Romanos apresenta a fidelidade do Messias como a solução pela qual Deus mantém a sua fidelidade às duas coisas. tanto o Deus que se mantém fiel às promessas que fez a Israel, como também o Deus que permanece o juiz sobre todas as nações. E aí a gente entra no texto de Romanos 16 e 17, uma passagem é pequena que diz o seguinte: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, depois do grego." Porque no Evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que princípio ao fim é pela fé. Como está escrito, o justo viverá pela fé. Eu coloquei entre parênteses essa expressão em vermelho, pois porque ela, eu tô seguindo o texto da NVI e ela não aparece o pois no texto da NVI, mas a foi por uma opção estilística, omitiu, pois, mas no texto grego essa eh esse trecho de Romanos 1:16 e 17 começa com a palavra gar do do grego. E a palavra gar aparece mais duas vezes aqui nesse trecho, tanto nesse momento que ele fala porque é o poder de Deus. Isso aqui também é o segunda ocorrência do gar. E no versículo 17, quando ele começa, porque no evangelho é revelada, é a terceira ocorrência da mesma partículazinha agar. E tem esse sentido depois, portanto, por quê? Como foi traduzido nos outros dois casos, mas isso tem relevância e a gente vai chegar lá. Mas hoje a gente vai pensar sobre esses dois versículos. E o que que a gente precisa prestar atenção aqui? Esse é o momento em que Paulo torna explícito o tema de toda a carta. é a afirmação central que a gente tem eh em Romanos 1:16, eh que vai tornar explícito junto com o versículo 17 o tema que ele vai desenvolver ao longo de todos os outros 16 todos os outros 15 capítulos. E no restante do capítulo primeiro, a gente tem uma afirmação central no versículo 16 com duas afirmações subsequentes na segunda parte do versículo 16 e também complementando com o versículo 17. E aqui a gente tem um estilo argumentativo em que cláusulas estão conectadas justamente por essa palavrinha que eu acabei de destacar, que é a palavra gar. pode ser traduzido, pois, portanto, por quê? Frequentemente, nesse estilo que Paulo assume aqui nesses dois versículos e em vários outros tex trechos de Romanos, a última afirmação dessa sequência expressa o ponto mais importante que Paulo deseja comunicar. Como falei, ele traz uma afirmação central com duas afirmações subsequentes. E a ideia é a primeira afirmação A se deve a B. B se deve a C e C é o fundamento de tudo que veio antes. Então, o que ele estabelece no começo de 16, ele explica na segunda parte de 16. E o que ele fala em 17 explica a segunda parte de 16 e é o fundamento para tudo o que ele disse anteriormente. Então, é importante a gente compreender o estilo argumentativo que Paulo está assumindo pra gente saber o peso que a gente coloca em cada um desses pontos. Por exemplo, aqui a gente vai entender o que ele afirma no começo, como ele explica isso no meio e saber com o que o que ele realmente está querendo enfatizar e pontuar é o que ele coloca no final, no versículo 17. Uma coisa que acontece em Romanos 1:16 e que vai também ser relevante para o restante de toda a carta é perceber que assim como Herodes é uma figura que paira sobre toda a narrativa dos evangelhos. Da mesma forma César é uma presença constante, mas não mencionada em várias passagens de Romanos. Ainda que Paulo não esteja citando o nome de César, a presença do imperador é um contexto fundamental pra gente entender a maneira como Paulo apresenta Jesus aqui. César é o Senhor, o Krios, sobre o mundo e tem por implicação a sua posição ameaçada pelo Messias judeus, pelo Messias judeu, que alega a ter o mesmo papel de governante universal. Quando Paulo utiliza essa palavra kiros aplicada a Jesus, ele está diretamente fazendo um desafio. Está apresentando uma confrontação inevitável que Jesus se apresenta como Krios no território em que César é assumido por todo o mundo romano, pelo maior império do mundo à época, como sendo o Senhor sobre todas as coisas. ir para Roma para anunciar o evangelho de Jesus, anunciar a ascensão de outra pessoa ao trono mundial, consequentemente era o mesmo que entrar em um território em guerra com um alvo nas costas. E Paulo sabia que ele estava fazendo isso. Óbvio que Paulo sabia como funcionava o mundo romano, o significado de César e do título de Krius que o próprio César tomou e atribuiu a si mesmo. Ele entendia isso muito bem como cidadão romano e ele entendia muito bem qual era o contexto da igreja em Roma para a qual ele estava escrevendo. E ele utiliza essas palavras com essa consciência. Paulo está determinado a fazer e cumprir essa missão e a não se esquivar da tarefa. E por isso ele utiliza essa expressão: "Eu não me envergonho do evangelho. Eu sei o que eu estou afirmando. Eu sei quais são as consequências que há nessa afirmação de assumir Jesus, o Messias como o Senhor sobre o mundo todo. E eu não me envergonho disso." A explicação de Paulo para seus motivos é o que vem logo depois do primeiro uso da palavra gar, que é a primeira palavra que aparece no texto grego para esse trecho de Romanos 1 16 e 17. Por e ele explica porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Para Paulo, o evangelho, isso que ele afirma em Romanos 1, 3 e 4, é em si mesmo o poder de Deus. E aqui eu vou fazer um parênteses antes de continuar com esse argumento. Muitas pessoas entendem que o resumo de Paulo do Evangelho é o que ele coloca aqui, Romanos 1: 16 e 17. Pois não me envergonha do evangelho, porque o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. primeiro do judeu, depois do grego. Mas na verdade a nossa compreensão é que o evangelho é aquilo que Paulo já havia afirmado no começo da carta em Romanos 1, versículos 3 e 4, quando ele diz o seguinte, ah, no finalzinho do versículo 2, o qual foi prometido por ele de antemão por meio dos seus profetas nas escrituras. Versículo 3. Acerca de seu filho, que como homem era descendente de Davi, e que mediante o Espírito de santidade foi declarado filho de Deus com poder pela sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor. Então, a nossa compreensão é que essa expressão de Paulo declarando Jesus como a o filho que pela carne era descendente de Davi, que pelo espírito de santidade foi declarado filho de Deus com poder por meio da surreição, da ressurreição, perdão. Isso é a definição de evangelho. Aqui ele está explicando o poder do evangelho. Então, a quando Paulo vai desenvolver isso que ele eh atribui como sendo o poder de Deus que há no evangelho, ele está dizendo que o evangelho não possui o poder de Deus e nem é acompanhado pelo poder de Deus. Mas essa mensagem e esse anúncio são o poder de Deus. O evangelho, a história que conta a respeito dos eventos da morte e ressurreição de Jesus e o anúncio dessa mensagem são o poder de Deus. Existe poder na proclamação dessa mensagem. Existe o poder de libertação na proclamação desse evangelho. Paulo descobriu por experiência própria, que ao anunciar o evangelho que existe um Deus que reivindica o mundo como seu, por meio do Jesus morto e ressurreto, esse é um anúncio que tem poder em si mesmo. E esse poder vem completamente e exclusivamente da parte de Deus. Agora, como acontece em vários contextos e como é costume de Paulo fazer, ele realiza essa afirmação evocando um tema bíblico que era muito comum ao judeu do primeiro século, como por exemplo a gente percebe na semelhança entre o que ele está afirmando aqui em Romanos 1:16 e o que tá lá no Salmo 71, primeiro versículo. Em ti, Senhor, busquei refúgio. Nunca permitas que eu seja humilhado. ou uma outra possibilidade de tradução que eu seja envergonhado. A maneira como Paulo se expressa é muito semelhante a forma como vários salmos falam dessa confiança de que Deus traria justiça e não permitiria que o seu filho ou seu povo fosse envergonhado. O que que era vergonha nesse contexto do Salmo 71 e que se aplica em Romanos 1? Vergonha era o que o povo de Israel sentia quando seus inimigos triunfavam sobre eles, sobre o povo de Israel. É o é o que Israel sentia também quando eles percebiam que estava debaixo do domínio do povo romano. Então, vergonha era perceber que por algum motivo e de alguma forma Deus permitiu que um povo pagão triunfasse sobre o povo do Deus verdadeiro. O que Paulo está colocando, então, é o evangelho e o poder nele contido. Capacita Paulo a celebrar a justiça de Deus e permanecer de cabeça erguida, sem qualquer motivo para se envergonhar diante dos poderosos desse mundo. Porque ele acredita que no evangelho é revelada a justiça de Deus que derrota todos os poderes que mantinham esse mundo debaixo de um reino de trevas, debaixo do domínio dos poderosos desse século. Por isso que Paulo começa evocando esse tema de eu não me envergonho do quê? do evangelho, que é justamente a revelação do poder de Deus para trazer libertação. Agora, o que Paulo coloca logo em seguida, que é o poder de Deus para a salvação, traz na nossa cabeça e cria conexões e associações que talvez não estejam no lugar apropriado, porque salvação é um desses termos que os cristãos contemporâneos assumem como tendo um significado que, na verdade, é um significado que foi desenvolvido muito tempo depois que o Novo Testamento foi de fato fato escrito, assim como acontece com outras expressões, por exemplo, filho de Deus. A maneira como a gente interpreta isso, em especial à luz da teologia sistemática, é simplesmente uma afirmação de que Jesus tem uma natureza divina, mas filho de Deus no contexto do primeiro século, no contexto de Jesus e de Paulo, tinha outras conotações, tinha outro significado, tinha conexões com outros textos do Antigo Testamento que preenchiam esse espaço de uma outra maneira. Assim também eh com o termo salvação. Por quê? Não havia no contexto de Paulo uma preocupação isolada com salvação no sentido da vida após a morte a ser desfrutada pelos redimidos em um céu mais ou menos desencarnado. Claro que a questão da salvação incluía e inclui a convicção de que a morte era agora um inimigo derrotado. A expressão que ele vai utilizar em Primeira Coríntios, se eu não me engano, no capítulo 15, que é a morte foi tragada a claramente a garantia de que os redimidos não passarão pela destruição eterna. Mas além disso, Paulo tem outros significados aqui. Como é que a gente sabe disso? Porque o significado de Paulo para o termo salvação é o significado que ele encontra nessa palavra, nas escrituras hebraicas, o nosso Antigo Testamento. O significado judaico se aplica ao significado que Paulo utiliza ou com o qual Paulo utiliza esse termo aqui. Isso tem muito mais a ver com a opressão dos povos pagãos, com a libertação do Egito, da Babilônia. E agora a expectativa da libertação de Roma do que apenas e exclusivamente com a vida após a morte. Novamente, é óbvio que em Romanos e no resto dos escritos paulinos, salvação tem a ver com o que acontece com os redimentos após a morte desse corpo. Mas todas as histórias com a qual Paulo cresceu, todos os judeus do primeiro século cresceram, todos os profetas falavam de salvação. A tudo que estava na Torá a respeito do que Deus havia feito na libertação e na salvação do povo, era do contexto de cativeiro, de opressão, dos povos pagãos que trouxeram sofrimento, exílio e separação do povo de Deus, da glória do próprio Deus e separação da terra que eles haviam herdado da parte de Deus. Então, a gente precisa perceber que salvação para Paulo aqui tem muito a ver com essa relação de opressão e exílio que o povo havia experimentado a partir da ação dos povos pagãos contra Israel. É muito importante a gente notar que, por exemplo, a longa explicação que Paulo dá a respeito da teologia da salvação se dá nos capítulos 5, 6, 7 e 8, o segundo bloco de Romanos. E nessa longa explicação sobre o significado da salvação, sobre as implicações da salvação, a fundamentação da salvação, como é que Paulo conclui lá no capítulo 8 do versículo 18 ao 25? O clímax do argumento de Paulo a respeito da salvação é que Deus trará libertação para os seus filhos e a partir do seus filhos trará libertação para toda a criação, para árvores, plantas, planetas e tudo o que envolve a criação de Deus no universo como um todo está amarrada e diretamente relacionada com a libertação e a salvação dos seus filhos. Por isso, salvação não significa exclusivamente, e nesse termo inicial prioritariamente vida após a morte, mas libertação do exílio. Claro que com o Evangelho e tudo que a gente sabe das cartas de Paulo, o exílio ao qual Paulo se refere não é simplesmente quando é que nós vamos nos livrar do domínio de Roma. Não é isso? A questão é muito mais complexa do que essa, mas a gente precisa colocar nossa cabeça no lugar em relação ao significado desse termo. Senão a gente toda vez que lê a palavra salvação ou escutar o tema da salvação sendo tratado por Paulo em Romanos, a gente vai fazer as conexões equivocadas aqui. O outro ponto que ele vai afirmar no versículo 16 é que a salvação é para todo aquele que crê. Paulo vai desenvolver mais essa questão da salvação para todo aquele que crê em Romanos capítulo 3. Mas uma parte importante que ele coloca aqui é que essa salvação é aberta e é possível para todos, tanto para judeus como para não judeus, ou seja, os gregos. Aqui ele coloca primeiro para o judeu, depois para o grego. E a obviamente é fácil perceber, chama a nossa atenção aqui a primazia temporal para o judeu, primeiro para o judeu, mas a absoluta igualdade de status também para o grego. E grego é uma metonímia, é uma figura de linguagem que Paulo utiliza que é tomar a parte pelo todo. É óbvio que ele não está se referindo apenas aos gregos do ponto de vista étnico, ele está se referindo a todos os povos não judeus. Então, a salvação é primeiro para o judeu, primazia temporal primeiro para eles, mas também da mesma forma, nos mesmos termos, dentro da mesma categoria de povo de Deus para os que são gregos, para os gentios, para o não judeu. Se a fé é um tema tão importante em Romanos como qualquer pessoa é capaz de observar numa primeira e rápida leitura, na mesma medida e um pouco menos óbvio é o tema da igualdade entre judeus e gentios. Fé e igualdade entre judeus e gentios são dois temas fundamentais de Romanos. E da perspectiva dos judeus, pelo menos na época de Paulo, esses eram os dois temas que dividiam a humanidade, se o sujeito era judeu ou não judeu, e se ele tinha fé e fidelidade a Yahé, ou se ele era um ímpio, ou se ele era um tolo que não ouvia e não se voltava para o único Deus verdadeiro. para Paulo aqui, ele está colocando tudo debaixo dessa revelação do evangelho, que é a revelação da justiça de Deus e coloca a salvação tanto para judeu quanto para não judeu. A fé é possível tanto para o judeu quanto para o grego. Eh, esses dois termas eles não só são citados por Paulo, mas são inseparáveis. Essa declaração final de Paulo e em 1:16, o a parte B do versículo, né? A parte a é não me envergonho do evangelho. Ou pois não me envergonho do evangelho, porque a salvação de Deus para porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. primeiro do judeu, depois do grego. Esse segundo lugar, esse porque é o poder de Deus, é o que define a segunda parte desse versículo. E essa declaração final, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, é palavra por palavra apenas a plena explicação da razão pela qual Paulo não se envergonha do evangelho. A terceira ocorrência de gar, que fundamenta essas duas ocorrências anteriores, vai ao coração da questão e explica o significado da segunda parte do versículo 16. A terceira ocorrência da partícula H acontece no começo do versículo 17, quando ele coloca porque no evangelho é revelada a justiça de Deus. Como a gente colocou aqui, ele está encadeando o argumento por meio dessa mesma palavrinha, gar. E ele utiliza as duas primeiras vezes no versículo 16. E a terceira vez que ele coloca é no começo do versículo 17, justamente como o fundamento para tudo aquilo que ele afirmou antes. No evangelho é revelada a justiça de Deus. Essa revelação acontece não apenas nos eventos narrados na história do evangelho, mas no próprio anúncio do evangelho. Como é que isso se eh como é que isso funciona? O que que isso significa e por que é tão importante a gente enfatizar isso? A ideia é a morte e a ressurreição de Jesus formam a revelação inicial da justiça de Deus. Essa revelação acontece novamente toda vez que a mensagem sobre Jesus é anunciada, toda vez que a justiça de Deus é revelada diante de uma nova pessoa. E isso para mim foi algo completamente diferente da maneira como eu imaginava e pensava a revelação do evangelho. Porque para mim evangelho era única e exclusivamente a história que contava a vinda, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Mas a maneira como Paulo usa a palavra evangelho é toda vez que esse evangelho é pregado, que essa mensagem é pregada, ela carrega consigo o poder de revelar mais uma vez ou pela primeira vez para aquela pessoa que nunca ouviu o evangelho, a justiça de Deus. E nesse ato de revelar a justiça de Deus, a justiça de Deus ela é mais uma vez manifesta, assim como ela foi manifesta no evento da morte, da ressurreição, ela é manifesta também na proclamação. A a mensagem sobre Jesus abre os olhos das pessoas para que elas possam ver pela primeira vez que é isso o que Deus vinha preparando todo esse tempo. Toda essa história da redenção que é construída por meio dos profetas, ela é de alguma forma revelada no propósito que Deus sempre teve, mas que esteve oculto às pessoas. Não foi possível perceber para qualquer pessoa que ouviu essas profecias plenamente o que é que Deus estava preparando na pessoa de Jesus e na mensagem do evangelho. Isso é finalmente revelado. E a mensagem, a mensagem sobre Jesus abre os olhos das pessoas para que elas possam entender isso pela primeira vez. O evangelho, por um lado, permitia aos judeus daquela época enxergar como é que as promessas que eles estavam esperando todo aquele tempo, por todos aqueles séculos, de alguma forma havia se cumprido de maneira completa, mas também completamente diferente do que qualquer pessoa esperava. Para um judeu que ouvia a mensagem do evangelho, ele percebia que isso tinha uma conexão direta com Isaías e com Ezequiel. Isso tinha direção, uma uma conexão direta com Abacu, como a gente vai ver no final desse argumento do versículo 17. Mas ao mesmo tempo que ele compreendia que o evangelho se colocava como pleno cumprimento dessas profecias e das promessas que Deus havia feito ao povo de Israel por meio da aliança, eles mais do que assim imediatamente poderiam afirmar que ninguém falou ao longo de todos esses séculos que essas promessas poderiam se cumprir dessa forma ou nesses termos. A, por outro lado, o mesmo evangelho, a mesma história contada aos gentios, permitia que os gentios enxergassem que existia um único Deus, algo que nenhum daqueles gentios estava habituado a escutar e ouvir, que não fosse também pela mensagem pregada pelos judeus. Porque aquilo que é natural da história da humanidade, o que era natural para o povo grego, a cultura helênica que dominava o império romano, era que existiam muitos deuses. E a mensagem do evangelho permitiam que eles enxergassem que existia um único Deus, o Deus de Israel. Esse Deus havia determinado, havia se comprometido em colocar todo o mundo debaixo da sua justiça e da sua paz e que ele havia em princípio já realizado isso. Por que que as coisas não estão plenamente de acordo com a vontade de Deus? Ou por que essa justiça e paz não se estabeleceu absolutamente nos dias de Jesus, de Paulo ou nos nossos? é uma outra questão que vai encontrar o seu lugar no desenvolvimento da carta aos Romanos. Mas é importante perceber que a mensagem do evangelho carregava esse anúncio. Existe um único Deus. Esse Deus é o Deus de Israel. E esse Deus de Israel alcançou o cumprimento da sua promessa e do seu desejo, do seu da sua determinação de colocar todo o mundo debaixo da sua justiça e da sua paz através do seu enviado, o Messias Jesus. E aí a gente se depara com essa expressão que Paulo coloca aqui no versículo 17, porque no Evangelho é revelada a justiça de Deus. A justiça de Deus, em nossa perspectiva, é a justiça que vem do próprio Deus. Aqui eu coloco em nossa perspectiva, por existe mais de uma maneira de interpretar o significado da expressão justiça de Deus. Mas na nossa leitura, na aula que a gente deu semana passada, nessa aula e nas próximas, a gente vai adotar a compreensão que é expressão de caiosine feu em Romanos. significa a justiça que vem do próprio Deus, a justiça que pertence ao próprio Deus. Para o pessoal que gosta do grego, que a gente tem nessa expressão de Caiocosine, é um genitivo. E o genitivo pode ter mais de um significado, mas nesse caso indica posse, a justiça que pertence a justiça novamente do próprio Deus. A justiça de Deus, a justiça que pertence a Deus é revelada no evangelho. A justificativa para essa leitura, a ao invés de uma outra leitura que é muito comum, qual é a outra possibilidade de de leitura, como aparece em algumas traduções, como aparece em vários estudiosos de Paulo, em vários comentários. A outra leitura é uma justiça que vem da parte de Deus, uma justiça que Deus está imputando sobre judeus e gentius. A a justificativa para essa leitura que nós estamos assumindo, ao invés dessa alternativa que a gente mencionou, é que no contexto judaico não se trazia atenção por meio das suas escrituras para uma justiça que vem da parte de Deus, mas o foco sempre foi nas escrituras judaicas, na discussão judaica, na época de Paulo, a a atenção e o foco era para a justiça que pertencia ao próprio Deus. Quando é que Deus vai fazer tudo aquilo que ele prometeu? Quando é que ele vai colocar em ação a sua justa fidelidade, as suas promessas? Essa é a nossa compreensão, tanto que a gente encontra no Antigo Testamento de atenção para a justiça pertencente a Deus, quanto para os documentos além do que se encontra na Bíblia, mas que permite a gente reconstruir o contexto do judaísmo do segundo templo. Essa é a razão textual e histórica pra gente assumir essa leitura. Um outro motivo é que essa posição também torna passagens, como por exemplo Romanos 3:21 a 26, muito mais coerentes. Não sei se vocês lembram, mas eu vou relembrá-los do que está lá em Romanos 3, que diz o seguinte, a Romanos 3:26, eh, em diante, ele vai afirmar que, mas no presente demonstrou a sua justiça a fim de ser justo e justificador daqueles que têm fé em Jesus. A toda a discussão de Paulo nesse trecho do 326 em diante, Paulo está sendo muito explícito e todo mundo vai concordar que ele está falando da justiça que pertence ao próprio Deus. Assim a gente também entende que ele está tratando aqui no capítulo um. E isso permite que a conexão entre esses argumentos eh mais abrangentes que Paulo coloca em cada um dos quatro blocos estejam mais naturalmente e organicamente conectados. fica muito mais fácil, faz mais sentido as transições que a gente encontra de Romanos 1 a 4 para depois o 5 ao e para depois o 9 ao 11, que é um trecho muito disputado, com muitas interpretações, com muitas questões que aparentam ser muito polêmicas. E essa leitura da expressão de Caio Cinetel aqui em Romanos capítulo 1 permite a gente chegar lá na frente com um conceito que lança luz para aquilo que Paulo tá afirmando ali. A justiça de Deus é revelada uma justiça que do princípio a ao fim é pela fé. É assim como está aí no texto que aparece para vocês. Deixa eu só ver se eu ah passei aqui. Faltou passar um pouquinho antes o slide só para vocês acompanharem a os tópicos, mas a gente tá na nessa parte aqui que é do princípio ao fim pela fé. Como vocês podem ver no texto que aparece aí para vocês, a maneira como está traduzido. Novamente estamos usando a versão NVI é do princípio ao fim é pela fé. E essa expressão, se fosse ser traduzida de maneira assim muito literal, é de fé para fé, o que não faz tanto sentido, pelo menos na língua portuguesa. Por isso, a necessidade de uma eh expressão que eh tenha mais equivalência com a nossa forma de se expressar, de se comunicar, mas literalmente seria de fé para fé. Algumas traduções, como por exemplo, Almeida, revista e atualizada, ou até versões mais antigas da Almeida, coloca de fé em fé. Em qualquer caso, essa expressão muito condensada e um pouco críptica, um pouco assim eh eh secreta, não no sentido de ser um código, mas que Paulo não torne explícito o que é que ela quer dizer. E como em muitas outras questões dos textos paulinos, quando Paulo faz isso, os estudiosos contemporâneos se debruçam e apresentam diversas explicações diferentes para o que ela significa. O significado pode de fato ser como esse que está enfatizado pela NVI, uma justiça que sempre foi pela fé, desde Abraão até o tempo presente é pela fé. E existe uma outra possibilidade de leitura. Essa outra possibilidade é é que da fidelidade de Deus para a fidelidade humana. Isso obviamente traz palavras que literalmente não está aí porque ele não cita Deus e humanidade nessa expressão. Mas se isso fosse ser destrenchado por uma segunda forma de leitura, o seu significado seria da fidelidade de Deus para a fidelidade humana. A forma grega que aparece aqui é epistelos e pistis pistin, perdão, epistos e pistin. E essa palavra e pistos ou a pistão. A palavra, a tradução mais comum para pistes seria fé, mas outra possibilidade de tradução também é fidelidade. Isso vai ficar um pouco mais claro na citação que Paulo faz do texto de Abacuk 24, em que ele cita como o justo viverá pela fé. Mas quando você vai olhar para o texto hebraico, assim como aparece também na NVI, a tradução é: "O justo viverá pela sua fidelidade." Então é importante lembrar que essa mesma palavra aqui no grego, pistes, ou como aparece declinado epistos e pistin ou pistin pode significar tanto fé quanto fidelidade. A a ideia é que quando a ação de Deus em cumprimento de sua aliança fosse revelada, é porque Deus é fiel à suas promessas. Ele fez isso porque ele sempre é fiel à suas promessas. Quando ela é recebida, ela é recebida pela fé humana que responde à revelação de Deus em Jesus Cristo. Essa fé também é fidelidade ao chamado de Deus em Jesus Messias. Deus age como age, porque ele é fiel à suas promessas. E nós agimos como agimos, porque estamos respondendo com fé e fidelidade à fidelidade de Deus na revelação do Messias. Então, essa seria a forma de compreender a expressão uma justiça que princípio ao fim é pela fé ou da fidelidade de Deus para a fidelidade humana. É sempre Deus sendo fiel às suas promessas e nós respondendo a essa fidelidade de Deus com a nossa própria fé e com a nossa própria fidelidade. Fé e fidelidade são duas faces dessa mesma moeda que não podem ser separadas. E aí a gente chega a à conclusão do versículo 17 com uma citação muito breve de Abacu 24, que é o justo viverá pela fé. Como a gente já citou lá no texto hebraico, como você pode conferir na sua tradução, pelo menos é assim como está na NVI, o texto de Abacu 24, o justo viverá pela sua fidelidade. Não, não consultei outras versões para saber se aparece fidelidade também nos textos mais comuns aí da Almeida. Ah, essa é uma citação aparentemente inocente, mas não é nada inocente. Isso gerou muita discussão entre os exegetas, os intérpretes. Como é que a gente pode entender isso? Diante de tantas possibilidades de compreender o que é que se quer dizer com essa citação de Abacuk, a melhor forma da gente colocar talvez um a não um ponto final, mas ter um caminho sensato para ah interpretar essa expressão seja voltar para o contexto de Abacuk. Que que acontece? Por que que esse texto às vezes é tão difícil de interpretar? Porque ele aparece como o justo viverá pela fé. Aqui em Romanos 1:17, o justo viverá pela sua fidelidade. Lá no texto hebraico de Abacu 24. E existe também uma outra tradução que a Septoaginta apresenta. A Septoaginta, como a gente colocou, eh é a tradução para o grego do texto do Antigo Testamento, que foi originalmente escrito em hebraico. E na Septoaginta tá algo mais ou menos como o justo deve viver pela minha fidelidade. Então é o justo deverá viver pela sua fidelidade. O justo deverá viver pela minha fidelidade e o justo deverá viver pela fé. Essa diversidade só para tratar diretamente do texto bíblico, não é de comentário, intérprete ou outras coisas. Essa diversidade de eh ocorrência do texto de Abacuk 24 coloca um desafio pra gente. que a melhor maneira, provavelmente, de compreender isso é reconstruindo o contexto de Abacu, o livro de Abacu, como toda a profecia desse profeta menor e entendendo qual o paralelo que Paulo deseja fazer entre o contexto de Abacuk e o contexto que o próprio Paulo e todos os judeus e gentios estavam vivendo no primeiro século após a revelação do Messias. Abacuk é um livro de lamento e é um livro de dúvida, de perplexidade, de muitas perguntas que não são respondidas diretamente. Os inimigos estão marchando contra Israel. E a pergunta que o povo, que pelo menos o profeta se fazia, é: "O que Deus está planejando ao permitir esse desastre iminente?" Essa é mais uma vez uma questão a respeito da justiça e da retidão de Deus em relação à sua as suas promessas e a sua aliança que ele havia firmado com o povo de Israel. Como resposta para os seus questionamentos, o profeta recebe uma visão, mas é uma visão sobre o futuro. Não é algo que Deus estava planejando para impedir que os inimigos triunfassem sobre Israel. Mas nessa visão, o que Deus afirma para Abacu ou que Deus revela para Abacu, é o povo fiel ou o povo remanescente de Israel deveria viver pela fé ou pela fidelidade. O povo de Deus, dentro daquele contexto de aparente ruína e desastre, recebe uma revelação da parte de Deus, que ele não se esquece do seu próprio povo e que enquanto ele não cumprisse essa visão que ele estava dando para Bacu, o povo deveria viver pela sua fidelidade. E o que que isso quer dizer? Quer dizer que o povo deveria crer que Deus agiria com justiça. No momento certo, ele puniria os pagãos, os inimigos de Israel, e se lembraria da sua misericórdia por Israel. Apesar dos pecados de Israel, apesar da ira de Deus por Israel, que não cumpriu com a sua promessa em relação à aliança, Deus se lembraria da sua misericórdia e resgataria o povo de Israel. Esse é o contexto maior que Paulo está resgatando. Paulo não tá tirando um versículo da caixinha de promessas e citando um versículo que combina com o que ele vinha argumentando até aqui. Ele não tá citando Abacu 24 porque tem as mesmas palavras chaves. Justiça, eh, fé, justo. Não. Paulo está recuperando e citando o texto de Abacu 24 por 24, porque ele está entendendo que aquilo que estava acontecendo em seus dias tinha uma correspondência direta com todo o contexto que do que Abacuk viveu nos seus próprios dias e com a visão que Deus havia dado a Habacuque dentro daquele contexto. Esse é o contexto maior que Paulo está resgatando a justiça de Deus em sua aliança com o seu povo. Os judeus da época de Paulo esperavam justamente pelo cumprimento dessa aliança e dessas promessas que Paulo que Deus havia feito, como por exemplo aquilo que ele havia dado de promessa para Abacu. E Paulo diz que a visão se cumpre nos eventos do evangelho e na proclamação desse evangelho. De fato, Deus foi fiel à sua promessa. Deus manifesta a sua justiça. Deus derrama misericórdia sobre o seu povo e agora está chamando todos a fé, chamando todos a fidelidade, todos os homens e mulheres, para que ouçam a sua convocação. Agora que Deus foi fiel e revelou a sua fidelidade e a sua justiça, de acordo com que ele havia anunciado pelos profetas e pela própria Torá, ele está chamando que o ser humano, todo homem e mulher, responda com fé. e fidelidade a essa convocação de Deus. Nesse sentido, eu concordo com aqueles que não entendem que o evangelho é simplesmente um convite gentil. É claro que Deus nos ama e nos persegue com o seu amor, como aparece no Salmo 23. Mas a mensagem do evangelho é uma mensagem de um rei, é uma mensagem real, de um monarca que conquistou o domínio sobre todas as nações e está fazendo uma convocação para que todo ser humano escute o anúncio da ascensão desse novo rei, Jesus Cristo, o Messias, sobem estão todos os outros reinos da terra, e que exercerá o seu domínio com justiça. e com paz. Ele agora convoca para que todos façam parte desse reino, o reino de Deus, e chegará o momento em que ele julgará todos os que estão dentro e fora do seu reino, todos aqueles que estão numa relação de justiça e injustiça com esse próprio Rei e Senhor Cristo Jesus. Então Paulo está colocando pra gente aqui que Deus foi fiel, está convocando todos para responder com fé, com convicção e fidelidade esse chamado de Deus, a relação, obviamente entre Israel e os seus inimigos, porque a expectativa era essa de que Deus iria punir os inimigos de Israel e resgatar Israel. Como é que fica isso? Se ele está agora chamando todos judeus e gentios para fazerem parte do seu reino, como é que a gente pode compreender que Deus cumpriu a promessa que havia feito para Israel? É uma pergunta que Paulo não responde, não aqui em Romanos capítulo 1, mas ele vai voltar a muitas dessas questões a ao longo do desenvolvimento de Romanos 3. Depois no terceiro bloco, Romanos 9 a 11 vai falar sobre isso também. E são cenas para o próximo capítulo ou para os próximos capítulos de Romanos. Ele não responde tudo, todos os problemas que ele levanta, mas ele estabelece esse ponto do princípio ao fim ou da fidelidade de Deus para a fidelidade humana. A justiça de Deus foi revelada e ele está convocando todos a fidelidade a esse Messias. Tá bom? Bom, pessoal, esse foi o conteúdo que eu separei para a nossa aula de hoje. Vou remover aqui a apresentação. Vou, como já tinha mencionado, disponibilizar essa apresentação a lá na nossa plataforma e eh vou fazer algumas correções ali, principalmente no título da aula que tava errado, algumas coisinhas que passou e vocês vão ter esse material atualizado lá, tá? Vamos lá para as nossas perguntas e dúvidas. Outras pessoas chegaram aqui na nossa aula depois dos primeiros minutos, quando deu boa noite. Mas bem-vindo para todo mundo que tá assistindo online e também para quem tá assistindo em algum momento do futuro aí. Ah, deixa eu ver aqui o que que tem de pergunta. Por que Paulo diz: "Não me envergonho do evangelho". o que havia no contexto dele que poderia gerar vergonha ou rejeição. Imagino que em parte isso foi respondido ao longo da aula. Mas para reforçar o ponto, Sandra, é que Paulo estava anunciando uma mensagem diretamente confrontadora, a realidade mais óbvia e inquestionável do mundo inteiro, que César era o Kiros, o Senhor sobre o mundo. E Paulo estava dizendo que não, que Cristo era o Senhor por direito e estava se tornando, de fato, ao incluir judeus e gentios no seu reino, sobre todos os reinos da terra. Então, era diretamente uma mensagem anti-imperial. A mensagem de Paulo era uma, entre outras coisas, a mensagem do evangelho era uma polêmica política. Era para dizer que a maneira como o Império Romano deseja convencer todos que a paz e as justiças chegaram para reinar por meio do imperador são uma farça. Como Apocalipse vai tornar mais explícito, não só é uma farça, mas é uma paródia, é muito menos e é sempre caricato, tosco, eh, em relação à revelação do verdadeiro reino de Deus por meio de Cristo Jesus. Por isso era de se esperar que algumas pessoas, inclusive entre os cristãos que estavam em Roma, houvesse uma disposição de manter uma fé privada ou entre os seus pares ter medo de assumir o evangelho como essa mensagem de confrontação contra o poder imperial, que era de certa forma um poder universal, um poder inquestionável e imbatível, né? Lembrando que a gente tá falando de dezenas, talvez poucas centenas de cristãos na maior cidade do império romano. E Paulo vai dizer: "Eu não me envergonho por esse motivo." E também recuperando a forma como o tema da vergonha era tratado no Antigo Testamento. Vergonha é aquilo que eles sentiam quando os pagãos triunfavam sobre o povo de Deus. E Paulo tá dizendo que não. Apesar de nós sermos poucos e aparentemente impotente, a mensagem do evangelho é a garantia de que há salvação para judeu e para gentil. salvação nesse sentido de libertação contra toda forma de opressão. Então, ah, eu acredito que esse é o contexto pelo qual Paulo está afirmando isso. O que muda na vida prática quando uma pessoa realmente entende que o justo viverá pela fé? Eu acredito que esse sentido reconstruído a partir de Abacuk e essa palavra fé, tendo a pistes, como aparece no Novo Testamento, tendo a ambivalência de ser tanto fé quanto fidelidade, significa a perseverança que nós devemos ter diante da adversidade, como aqueles primeiros cristãos enfrentaram em todos os primeiros séculos de expansão do evangelho, de crescimento da igreja, mas também deve ter esse esse significado de confiança absoluta de que o evangelho é o triunfo de Deus sobre todas as formas de escravização que há na humanidade, inclusive de exploração do próprio povo de Deus. Então, o justo viverá pela fé. Eu vejo o poder desse evangelho, por isso eu não me envergonho dele, porque eu sei que ele é aquilo que traz salvação para todo aquele que crê. E eu também mantenho a minha esperança, porque a gente preserva o aspecto que há em Abacu, que é ainda que tudo dê errado, eu sei que Deus agirá em cumprimento, em plena realização das promessas que ele fez ao seu povo. Paulo vai tratar disso no final, mais ou menos do meio pro final do capítulo oito, quando ele vai dizer que esperança que se vê não é esperança, mas nós cremos e esperança que os primeiros frutos do espírito são apenas os primeiros de muitos frutos que esse espírito vai dar quando ele completar essa plena obra de redenção. E ali ele claramente está olhando para esse momento final da libertação dos sofrimentos da presente era também do corpo que de certa forma ainda carrega as marcas de uma humanidade que foi cativa pela morte. Nesse momento da glorificação, já não estaremos mais sujeitos a isso. Então, justo viverá pela fé. Eu acredito que reúne tanto esse aspecto de fidelidade, de se manter fiel à mensagem poderosa do evangelho, como também o aspecto da esperança, crendo que Deus vai cumprir tudo aquilo que ele prometeu que faria por meio do espírito. Vamos ver mais o que aqui o que significa a expressão primeiro do judeu e também do grego? A mensagem a respeito da aliança de Deus com o povo é por meio do povo de Israel. E o Messias é o Messias de Israel. Quando a gente fala que é o Messias de Israel, a gente não quer dizer que a a o domínio do Messias se restringe aos limites étnicos ou geográficos do povo de Israel, mas é o Messias que vem por meio do povo de Israel. é um povo que é constituído por Deus para esse propósito de abençoar todas as nações. E esses são os primeiros que ouvem a respeito do libertador que veio da semente de Davi, que como homem ou pela carne é da semente de Davi. Então, a mensagem é primeiro anunciada ao judeu. A salvação e a possibilidade de fazer parte dessa, desse reino de Deus, receber essa convocação do Messias, é dado primeiro ao judeu como parte do cumprimento das promessas que Deus havia feito para Israel, que enviaria o libertador para Israel, mas também a partir de Israel para todos os povos. Então, a ênfase na fidelidade de Deus à suas promessas, como a gente colocou, é um aspecto fundamental, mas igualmente importante é a igualdade de status entre judeus e gentios. Não é que os judeus têm uma categoria diferente dentro do povo de Deus. E não é que os judeus de alguma forma irá desfrutar de uma bênção maior de salvação do que os gentios, mas é do ponto de vista temporal que Paulo está fazendo essa afirmação aqui. Podemos dizer que a salvação se refere da libertação, da opressão do pecado? Com certeza. Uma coisa que a gente percebe na revelação, tanto que o Evangelho, os quatro evangelhos trazem pra gente quando quanto Paulo vai discutir em suas cartas, é o fato de que a expectativa, e não era sem motivo, que os judeus possuíam, de que Deus os libertasse do cativeiro que nunca havia acabado, afinal eles estavam debaixo do domínio de Roma. Eles nunca tinham desfrutado de um longo período de plena liberdade, a não ser os 100 anos após a a guerra dos Macabeus, né? Olhando para o período do exílio da Babilônia em diante, só tem esse intervalo eh pouco depois de, se eu não me engano, agora 167 anes de. Cristo, que eles desfrutam de um breve período de liberdade, mas não é na plenitude do que as promessas pareciam apontar na reconstrução e da glória de Israel. Eles estão sempre debaixo do domínio estrangeiro. Então aqueles judeus esperavam que o momento de libertação não era um momento de libertação, por assim dizer, apenas espiritual, era físico, era territorial, era geográfico, era político. Mas não é possível entender também as promessas de libertação do Antigo Testamento. E mesmo a cabeça dos judeus do primeiro século eram era é um grupo muito dividido. Existiam muitas expectativas diferentes entre os judeus do primeiro século, mas de forma geral, todo judeu que abria as escrituras e a interpretavam entendia que o problema do exílio era um problema do pecado. Então, quando Deus os libertasse do domínio dos pagãos, do domínio fosse de Roma, fosse da Grécia, fosse ah da Babilônia, fosse da Pérsia, é porque Deus havia tratado do problema, solucionado o problema do pecado de Israel. Essa relação entre terra, presença de Deus e pecado era indissociável. Então, salvação é uma palavra que ganhou seu significado dentro da Bíblia nesse contexto de pecado e também herança sobre toda a terra. Eh, então, quando a gente olha para as promessas de Deus no Antigo Testamento, parece que são bênçãos mais materiais, concretas e territoriais. E quando a gente descuidadamente ou pelas lentes da mentalidade grega ler o Novo Testamento, pensa que as promessas de Deus são espirituais. É claro que Paulo afirma que nós temos bênçãos espirituais, mas não nesse sentido do que é imaterial. Mas na verdade, tanto no Novo quanto no Antigo Testamento, o contexto é de completude e abrangência absoluta. Deus veio nos libertar do cativeiro do pecado. Ele veio trazer perdão para o pecado. Mas a consequência disso se faz sentir na política, se faz sentir na terra, se faz sentir no domínio sobre toda a criação. Por isso que para Paulo não é estranho falar na carta mais teológica e digamos assim de eh de explicação das questões espirituais, falar sobre a redenção de toda a criação, falar da redenção ah do planeta e do cosmos que Deus criou ao mesmo tempo que ele está falando do Espírito Santo que gera os seus primeiros frutos dentro de nós. Então, Deus veio nos libertar da opressão do pecado. Deus veio nos trazer perdão dos pecados. Mas o que isso significa é que todos os reinos da terra, a própria terra e a criação estão debaixo do domínio de Cristo Jesus. E em algum momento ele manifestará plenamente esse seu domínio sobre todos os povos e toda a criação. A fé é em Cristo ou de Cristo? Bom, se em Cristo significa a pessoa em quem nós colocamos a nossa fé ou de Cristo e ao mesmo tempo de Cristo significa de quem vem a fé, de certa forma as duas coisas. Cristo, de acordo com a pregação de Paulo em Romanos, é a pessoa em quem nós devemos depositar nossa fé ou por quem nós devemos ter completa fidelidade. Mas a nossa fé vem do fato de que Deus por meio do Espírito Santo, e aqui eu estou obviamente pensando mais em João do que o texto de Romanos capítulo 1, é o próprio espírito, o representante de Cristo, Parácletos, aquele que nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Então, a fé é é dada por Deus eh para o coração humano. Como é que isso se relaciona com as questões soteriológicas de se a fé vem de Cristo, então não vem de forma alguma da resposta humana? Eu não vou entrar aqui. E não é essa a afirmação que eu estou fazendo, mas eu acredito que a fé é colocada sobre a pessoa de Jesus. Nós temos fé em Cristo Jesus. E a fé também sempre parte da ação de Deus em direção ao homem do que simplesmente o homem que está buscando a Deus, tá? Eh, o Elvis mandou um abraço. Abraço aqui também, Elvis. Deixa eu ver aqui que mais. O justo nesse contexto pode ser no sentido de estar bem perante a lei. Como a gente vai ver, Marlene, não. A, o justo dentro desse contexto de Romanos é aquele que coloca a sua fé e a fidelidade em Cristo Jesus como Messias. Se com a boca você crê que Jesus Cristo é o Senhor, eh, se com o coração crê que Jesus Cristo é o Senhor e com a boca confessar que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. É essa a nossa justiça, digamos assim, a expressão da nossa resposta à justiça de Deus. Justo aqui eh significa essa pessoa que responde a Deus com a fidelidade que ele está convocando todos nós a termos em relação ao Messias. Ah, de fé em fé pode ser traduzido, ou eu colocaria melhor, ser entendido como baseia-se na fé e apela para a fé, tipo o que está escrito em Romanos 3:22. Acredito que isso está num num caminho coerente com o que a gente explicou da segunda forma de leitura dessa expressão. Marlene, acho que existe pertinência nessa observação, nessa maneira de entender. A Fernanda fez uma pergunta sobre o Nome envergonho, que acredito que a gente já respondeu. A Sandra também faz uma pergunta semelhante a essa que eu acabei de responder aqui pra Marlene, né? Paulo era um fariseu que seguia o judaísmo. Como ele cita Abacu? Ô Edu, eu não entendi muito bem a pergunta. De fato, Paulo era um fariseu e era judeu, como a gente acredita que comentou semana passada. A ideia não é que Paulo deixou de ser judeu. Ele entende que o que significa ser judeu passou a ter um significado completamente diferente a partir da revelação de Jesus. Então, se você perguntasse a Paulo no primeiro século, você se converteu deixando de ser judeu para ser cristão? Provavelmente isso não faria muito sentido. O que Paulo possivelmente responderia muito melhor do que essa paráfrase da frase que ele nunca realizou, nunca falou, é que ser judeu significa justamente ser fiel ao Messias, ter fidelidade ao Messias Jesus e compreender toda a nossa história, toda a nossa lei e todas as profecias a partir da revelação do Messias. É, mas como ele se tabacu que eu eu desculpa, Edu, eu não compreendi mesmo. Quando Paulo fala de primeiro judeu e depois do grego, é possível que alguns os judeus considerassem que a salvação era exclusiva para eles. Eh, bom, isso com certeza era uma expectativa de muitos judeus do primeiro século, que novamente quando a salvação de Deus se manifestasse, isso implicaria punição dos pagãos e salvação do povo de Israel. Isso era uma expectativa deles. E Paulo está se comunicando, ele ele está fazendo referência a essa interpretação dos judeus de que a salvação deveria vir para Israel por meio dessa expressão também. Ele está dizendo que de fato Deus trouxe a salvação que ele prometeu para o povo de Israel, mas ele também trouxe aquilo que ele sempre prometeu que faria para todo mundo por meio de Israel. Por isso que é primeiro para o judeu, mas também para o grego. Podemos ser cristãos judeus? Olha, Fernanda, a gente vai tratar dessa questão ao longo da carta de Romanos e a gente também vai falar a respeito, não que a gente vai falar, mas Paulo trata desse assunto em Gálatas. E qual é assim o resumo principal que Paulo está colocando em especial em Gálatas? Já não há mais judeu ou grego. Já não há mais judeu ou gentil, porque somos todos um na pessoa de Cristo Jesus. Deus constituiu uma única família da fé, uma única família dos filhos de Abraão, a partir da pessoa de Jesus, ao unificar no sacrifício de Jesus judeus e gentios. Por isso, já não há mais sentido na circuncisão. Não há mais sentido em querer distinguir o povo de Deus por qualquer outra marca que não seja a própria fé no Messias. Agora, em certo sentido, todos nós somos herdeiros da promessa que Deus deu a Abraão. Se é nesse sentido que se quer dizer que um cristão é também judeu ao mesmo tempo, eh, eu concordo. A, em que vantagem há em ser judeu? Essa é a pergunta que o próprio Paulo levanta e responde no livro de Romanos. Há muitas vantagens. ao povo judeu foi dada promessa, lei e aliança. Mas a quando nós nos tornamos cristãos, as barreiras que foram levantadas entre judeus e gentios são anuladas. E se por algum motivo algum cristão, como acontece em muitos casos dos nossos dias, deseja reconstruir isso, tornando eh circuncisão. Aquele que é incircunciso está reconstruindo aquilo que Jesus morreu para derrubar. Então, nós não devemos nos voltar novamente para a lei, para a Torá, como uma forma de encontrar o caminho de uma relação justa com Deus, né? O que significa justo no Antigo Testamento, já que não havia fé em Jesus? Olha, Vittor, o que signifique, o que significava fé ou justiça, perdão, no Antigo Testamento, tinha a ver com essa relação de fidelidade com a aliança que o povo de Deus havia feito com o próprio Yahé. Então, quando Deus estabelece uma aliança com o povo de Israel, fica muito claro eh que eles tinham exigências a serem cumpridas e que eles haviam se comprometido a obedecer e realizar nessa relação com Deus. Ah, agora, eh, isso também tem desdobramentos diferentes quando a gente chega na revelação do Messias, porque o propósito dessa Torá que estabelece uma relação de justiça entre Deus e Israel e entre Israel e Deus, esse propósito foi alcançado. Então, essa fidelidade que se deveria ter a Deus no cumprimento da Torá, essa fidelidade que Abraão teve, Deus, é essa fé, essa convicção naquilo que Deus havia prometido para Abraão, mesmo antes de Deus ter revelado a Torá, isso ganha um novo significado quando o Messias é revelado. Porque ser justo agora significa depositar a sua fé e a sua fidelidade em Jesus, tá? Ah, acho que alguém perguntou aqui se isso ia ficar salvo. Vai ficar disponível aqui no canal da IBNU e também vai ficar disponível na nossa plataforma de ensino. A gente tem sempre enfatizado aqui, mas o site de ensino no qual está o curso de romanos também com o nosso material de aula é ensino.ibibno.com.br, colocando aqui no chat, tá? Podemos dizer que a igreja é constituída de judeus e gentius? Sim. Não há separação entre o povo de Deus e a igreja. Bom, essa obviamente é uma questão que poderia ser respondida de forma muito simples e equivocada, mas Paulo vai tratar a respeito disso lá em Romanos, no bloco de Romanos capítulo 9 até o capítulo 11. O que a gente pode afirmar com certeza e clareza desde já é que não existe diferença dentro do corpo de Cristo de quem é judeu para quem é grego no sentido de fazer parte do povo de Deus. Agora, os judeus que ainda não creram não podem ser considerados mais como povo de Deus. De alguma forma Deus rejeitou essas pessoas? Essa é uma outra questão que a gente vai tratar com mais cautela quando a gente chegar em Romanos capítulo 9 até o capítulo 11, porque isso tá no coração da polêmica que Paulo está tratando, que era judeus e gentios faziam parte da mesma igreja em Roma. Os cristãos judeus foram expulsos de Roma por um tempo e depois eles retornaram e parece que isso passou a trazer problemas muito sérios na convivência entre cristãos, judeus e gentios. Por quê? A decisão que foi tomada do ponto de vista eh social e política do imperador de expulsar os cristãos, os judeus, os os judeus de forma geral da capital do império, parece ter passado por uma interpretação teológica por parte dos cristãos judeus de que Deus havia rejeitado completamente os judeus, tanto os cristãos judeus como os judeus não cristãos. E Paulo vai dizer que não. Esse orgulho só levaria os cristãos gentios a cometerem o mesmo erro que aqueles judeus que não creram no Messias já haviam cometido. Então a gente vai vai voltar para para tratar disso com mais detalhes, tá? Bom, pessoal, acredito que ah, eu acho que o Ed esclareceu aqui o que ele tinha perguntado antes. Abacuk escreveu sua frase famosa em um contexto de crise nacional e silêncio de Deus. Porque Paulo escolheu justamente esse profeta questionador para fundamentar a doutrina da eh justiça de Deus, a justiça pela fé em Romanos. E o que isso nos diz sobre a fé em tempos de incerteza? Edu, eu acredito que o paralelo que Paulo faz é justamente com o momento de crise que existe eh para o povo de Israel, que estava diante de um desastre iminente. E Deus dá a visão para a Abacu, para o profeta, de que ele se manteria fiel à promessas que ele havia feito, inclusive de resgatar Israel do meio dessa eh aflição e derrota diante de um deus eh diante de um povo pagão, enquanto ele não cumprisse todas as promessas que ele havia dado de salvação e livramento, de que ele seria justo a sua aliança, o justo justo deveria viver pela fé. De certa forma, Paulo vê isso acontecendo, o seu cumprimento dessa promessa no evangelho e também instigando, encorajando, exortando os irmãos em Roma que permanecessem fiel e não se envergonhassem do evangelho, porque aquilo também se aplicava paraa condição de perseguição e adversidade que eles enfrentavam. Então eles agora viviam pela fé no Messias. A justiça de Deus que ele havia prometido, inclusive para Bacuque, é revelada em Jesus, o Messias e eles deveriam viver em fé e fidelidade a esse Messias. Tá bom? Bom, pessoal, acredito que a gente vai chegando aqui ao fim da nossa aula de hoje. Mais uma vez, obrigado pela companhia de vocês que acompanharam ao vivo e pela atenção de todo mundo que tá assistindo isso em algum momento do futuro. É um prazer enorme a gente caminhar ao longo de Romanos, um desafio muito maior do que simplesmente o prazer imediato. às vezes é laborioso, é trabalhoso, exige dedicação e tempo, mas eu acredito que isso gera frutos muito valiosos, muito eh eh duradouros para nossa fé e paraa nossa fidelidade a esse Messias também. Pelo menos para mim tem sido transformador estudar Romanos com uma atenção que eu ainda não tinha estudado antes e fazer isso na companhia de vocês também, tá? A gente volta na próxima quinta, nossa quarta aula do módulo avançado. Eh, esse material de aula vai para a nossa plataforma. A gente ainda não colocou questionários, mas vai atualizar com questionários lá também. E a gente espera que você ajude a gente, divulgue esse curso, permita aqui esse conteúdo. Obviamente que isso não é por qualquer tipo de desejo pessoal, individual, mas desejo que esse eh estudo, esse esse aprofundamento no livro de Romanos encontre outras pessoas interessadas. Ajude a gente a divulgar, compartilhe isso com outras pessoas, tá bom? Forte abraço a todos. acompanha a IBNW aqui no canal da IBNW, no canal do YouTube, nas redes sociais, as nossas programações que a gente tem divulgado. Boa, bom restante de semana a todos, bons estudos e até a nossa próxima aula. Ciao. Ciao.