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Makários Avançado| Romanos| Aula 3 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.16-17) |Ákilla Nascimento

Makários Avançado| Romanos| Aula 3 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.16-17) |Ákilla Nascimento

Makários Avançado| Romanos| Aula 3 | O evangelho e a justiça de Deus (Rm 1.16-17) |Ákilla Nascimento

Módulo Avançado: Romanos
Aula 3
O evangelho e a justiça de Deus (II)
Romanos 1.16-17
Ákilla Nascimento

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>> Muito boa noite a todos que já chegaram
aqui paraa nossa aula do curso de
teologia Macários. Bom ter todos vocês
com a gente aqui pro comecinho do nosso
encontro, a nossa terceira aula desse
módulo que é o módulo avançado de
Romanos. Para quem tá eh retornando, já
sabe qual que é a proposta da gente para
esse módulo. Mas ah para quem tá
chegando agora, é bom saber que o curso
de teologia Macários é um curso que a
IBNU começou ano passado com um curso
básico de teologia e para esse ano a
gente tem uma proposta parecida, mas eh
diferente em alguns aspectos. A gente
vai continuar com a estrutura de um um
curso de teologia que tem o foco em
Bíblia, teologia sistemática, a parte de
doutrina e também a vida prática da
igreja. Mas nós vamos ter um conteúdo um
pouco mais avançado do que foi no ano
passado. Vale salientar que você não
precisa ter concluído o curso básico
completo para acompanhar o módulo
avançado de romanos. Ainda que seja de
algum auxílio, tenha valor para se
aprofundar nas questões específicas de
romanos, existe uma certa independência
que permite você começar a acompanhar
esse módulo antes de fazer ou mesmo de
concluir a todos os módulos que a gente
fez ano passado. Então, todos são
bem-vindos pra nossa conversa aqui de
Romanos. Essa é a terceira aula. A
primeira foi uma introdução geral que a
gente teve a carta aos Romanos. A aula
passada eu iniciei falando do versículo
um, do capítulo 1 até o versículo 15. E
hoje a gente vai continuar naquilo que
foi o assunto da semana passada,
tratando especificamente de dois
versículos. Parece pouca coisa, mas a
gente vai perceber que não é. Eh, nunca
um único versículo, ainda mais num
momento de clímax, às vezes do argumento
de Paulo, é é pouca coisa ou tem pouca
relação com toda a história que antecede
a chegada do Messias, o significado do
evangelho. Então, vocês vão perceber que
hoje, assim como em alguns outros
encontros, Paulo condensa muita coisa em
pouco espaço. É, então o nosso boa noite
aí para quem já chegou cedo, a Adriana,
Sandra, Fernanda, a o Davi, o Saião
também já apareceu aqui dando boa noite,
o Paulo, Elic, a Marília, a Mari Lúci,
eh, o Manuel, várias pessoas, o Fred, a
Marinilda, enfim, várias pessoas que
estão chegando aqui. Bom contar com
vocês. subinho lá do Japão também
acompanhando a gente, pessoas de
Pernambuco como Vittor. Eh, é sempre
importante saber que tem gente do outro
lado assistindo, mas também interagindo,
conversando com a gente. Vamos projetar
aqui a nossa apresentação de hoje.
Então, eh, aqui saiu com um erro, tá? É
1, 16 e 17. Romanos 1 16 17. Eu vou a
corrigir isso pra gente colocar ah na
plataforma já com o conteúdo ah
corrigido. Hoje é uma aula de
continuação para aquilo que a gente
trouxe semana passada. Por isso que o
título da aula, como tá aí no YouTube,
que é o título correto e a referência
também é o Evangelho e a justiça de
Deus. Romanos 1 16 e 17. Na semana
passada, a gente trouxe uma introdução
para os quatro primeiros capítulos de
Romanos. Romanos tem novamente uma
divisão de quatro blocos. Romanos 1 a 4
é o primeiro, Romanos 5 a 8 o segundo.
Romanos 9 a 11 o terceiro. E 12 a 16 a
última sessão do livro. E Paulo não está
fazendo eh qualquer tipo de
desenvolvimento independente no seu
argumento em cada um desses blocos, mas
ele está eh abrindo um caminho muito
amplo e muito coeso em cada uma dessas
sessões que permite a ele tratar o
assunto que ele vai desenvolver na
sessão seguinte. Por isso que a gente
trouxe uma introdução especificamente
para os quatro primeiros capítulos. Mas
Romanos só se entende as passagens mais
difíceis, as passagens mais citadas,
quando a gente compreende esse argumento
muito coerente e muito coeso que está na
carta de Romanos como um todo. Paulo
escreveu Romanos em seus 16 capítulos
aquilo que ele queria dizer. Ele disse à
luz de tudo aquilo que ele desenvolveu
ao longo da carta. Por isso que não vale
a pena entrar em muita discussão, gastar
muito tempo, basear muita doutrina, ter
convicções profundas de um texto de
Romanos que foi tirado desse contexto de
discussão coerente e completa da carta
de Romanos como um todo, tá? O que é que
a gente apresentou
a como resumo do tema de Romanos 1 a 17,
mas que serve para o restante da carta
também?
No anúncio do Evangelho de Jesus
ressurreto ou do Jesus ressurreto como
Messias e Senhor, o verdadeiro Deus
revelou a fidelidade e justiça da
aliança, a fidelidade e justiça do
próprio Deus para o benefício de todo
aquele que crê. A gente colocou e
repetiu isso semana passada e é muito
importante relembrar hoje. No anúncio do
evangelho do Jesus ressurreto como
Messias e Senhor, o verdadeiro Deus
revelou a fidelidade e justiça da
aliança, a fidelidade e justiça do
próprio Deus para o benefício de todo
aquele que crê. E a gente vai conseguir
concluir a o argumento inicial de Paulo
hoje, justamente tratando desses dois
versículos. Qual é a pergunta
específica que Paulo parece estar
respondendo com a carta de Romanos como
um todo? É uma pergunta típica do
judaísmo do segundo templo. Como a gente
explicou, o judaísmo do segundo templo
tem características bem definidas. O que
que é judaísmo do segundo templo? Porque
que a gente se refere como segundo
templo? Por depois que o templo foi
destruído em 587
antes de Cristo e quando ele foi
reconstruído no retorno ah do povo para
Jerusalém ou parte do povo que estava
exilado pelos peças para Jerusalém, esse
judaísmo que se desenvolveu depois que
esse templo estava de pé novamente é
completamente diferente do que acontecia
do que aconteceu no período do primeiro
templo. Por que isso? Porque existe um
doloroso, difícil, mas esclarecedor
capítulo da história de Israel, que é o
exílio. Compreender o que foi que
aconteceu, por que Deus permitiu que a
gente fosse para o exílio. Porque logo
para um povo ah pagão e para um povo tão
iníquo como foram os babilônios, o que
que isso significa paraa nossa caminhada
daqui paraa frente? Como a gente lê as
profecias que foram dadas antes do
exílio e que anunciaram que o exílio
deveria acontecer? Como a gente impede
que isso aconteça novamente? Quando é
que Deus vai retornar para em glória
habitar o Santo dos Santos? Será que
esse templo tem agora exatamente o mesmo
poder e significado que tinha o primeiro
templo? Várias questões surgiram na
cabeça dos judeus depois que o templo
cai, depois que eles vão pro exílio e
quando eles voltam do exílio, ainda que
tenham continuado sob o domínio dos
peças, tudo isso altera a maneira como
eles praticam a sua relação de aliança
com Deus e a compreensão de como eles
deveriam caminhar dali em diante. Então,
para um judeu que vive nesse período do
segundo templo, como é o caso de Paulo e
como é o caso dos seus contemporâneos, a
pergunta era: o que acontece quando a
fidelidade declarada de Deus a sua
própria aliança parece entrar em
conflito com as demandas de sua justiça
imparcial, quando o significado duplo da
expressão justiça de Deus parece se
contradizer a si mesma, porque Deus é o
Deus de Abraão, Isaque e Jacó é o Deus
que nos tirou do Egito e estabeleceu
aliança conosco. Assim é a compreensão
do povo de Israel. Mas o nosso Deus não
é apenas o Deus que julga sobre o povo
de Israel, mas é o Deus que irá julgar
todas as nações. E ele precisa ter um
justo juízo, um julgamento imparcial.
O que é que acontece quando esse Deus
que estabeleceu promessas para o povo de
Israel e quando a sua fidelidade a essas
promessas parece contradizer a sua
função de ser juiz imparcial sobre
judeus e sobre gentios? Como é que Deus
pode manter as duas coisas ao mesmo
tempo sem que isso entre em um conflito
absoluto? E a resposta de Romanos
apresenta a fidelidade do Messias como a
solução pela qual Deus mantém a sua
fidelidade às duas coisas. tanto o Deus
que se mantém fiel às promessas que fez
a Israel, como também o Deus que
permanece o juiz sobre todas as nações.
E aí a gente entra no texto de Romanos
16 e 17, uma passagem é pequena que diz
o seguinte: "Pois não me envergonho do
evangelho, porque é o poder de Deus para
a salvação de todo aquele que crê,
primeiro do judeu, depois do grego."
Porque no Evangelho é revelada a justiça
de Deus, uma justiça que princípio ao
fim é pela fé. Como está escrito, o
justo viverá pela fé. Eu coloquei entre
parênteses essa expressão em vermelho,
pois porque ela, eu tô seguindo o texto
da NVI e ela não aparece o pois no texto
da NVI, mas a foi por uma opção
estilística, omitiu, pois, mas no texto
grego essa eh esse trecho de Romanos
1:16 e 17 começa com a palavra gar do do
grego. E a palavra gar aparece mais duas
vezes aqui nesse trecho, tanto nesse
momento que ele fala porque é o poder de
Deus. Isso aqui também é o segunda
ocorrência do gar. E no versículo 17,
quando ele começa, porque no evangelho é
revelada, é a terceira ocorrência da
mesma partículazinha agar. E tem esse
sentido depois, portanto, por quê? Como
foi traduzido nos outros dois casos, mas
isso tem relevância e a gente vai chegar
lá. Mas hoje a gente vai pensar sobre
esses dois versículos. E o que que a
gente precisa prestar
atenção aqui? Esse é o momento em que
Paulo torna explícito o tema de toda a
carta. é a afirmação central que a gente
tem eh em Romanos 1:16,
eh que vai tornar explícito junto com o
versículo 17 o tema que ele vai
desenvolver ao longo de todos os outros
16 todos os outros 15 capítulos. E no
restante do capítulo primeiro, a gente
tem uma afirmação central no versículo
16 com duas afirmações subsequentes na
segunda parte do versículo 16 e também
complementando com o versículo 17. E
aqui a gente tem um estilo argumentativo
em que cláusulas estão conectadas
justamente por essa palavrinha que eu
acabei de destacar, que é a palavra gar.
pode ser traduzido, pois, portanto, por
quê? Frequentemente, nesse estilo que
Paulo assume aqui nesses dois versículos
e em vários outros tex trechos de
Romanos, a última afirmação dessa
sequência expressa o ponto mais
importante que Paulo deseja comunicar.
Como falei, ele traz uma afirmação
central com duas afirmações
subsequentes. E a ideia é a primeira
afirmação A se deve a B.
B se deve a C e C é o fundamento de tudo
que veio antes. Então, o que ele
estabelece no começo de 16, ele explica
na segunda parte de 16. E o que ele fala
em 17 explica a segunda parte de 16 e é
o fundamento para tudo o que ele disse
anteriormente. Então, é importante a
gente compreender o estilo argumentativo
que Paulo está assumindo pra gente saber
o peso que a gente coloca em cada um
desses pontos. Por exemplo, aqui a gente
vai entender o que ele afirma no começo,
como ele explica isso no meio e saber
com o que o que ele realmente está
querendo enfatizar e pontuar é o que ele
coloca no final, no versículo 17. Uma
coisa que acontece em Romanos 1:16 e que
vai também ser relevante para o restante
de toda a carta é perceber que assim
como Herodes é uma figura que paira
sobre toda a narrativa dos evangelhos.
Da mesma forma César é uma presença
constante, mas não mencionada em várias
passagens de Romanos. Ainda que Paulo
não esteja citando o nome de César, a
presença do imperador é um contexto
fundamental pra gente entender a maneira
como Paulo apresenta Jesus aqui. César é
o Senhor, o Krios, sobre o mundo e tem
por implicação a sua posição ameaçada
pelo Messias judeus, pelo Messias judeu,
que alega a ter o mesmo papel de
governante universal. Quando Paulo
utiliza essa palavra kiros aplicada a
Jesus, ele está diretamente fazendo um
desafio. Está apresentando uma
confrontação inevitável que Jesus se
apresenta como Krios no território em
que César é assumido por todo o mundo
romano, pelo maior império do mundo à
época, como sendo o Senhor sobre todas
as coisas. ir para Roma para anunciar o
evangelho de Jesus, anunciar a ascensão
de outra pessoa ao trono mundial,
consequentemente era o mesmo que entrar
em um território em guerra com um alvo
nas costas. E Paulo sabia que ele estava
fazendo isso. Óbvio que Paulo sabia como
funcionava o mundo romano, o significado
de César e do título de Krius que o
próprio César tomou e atribuiu a si
mesmo. Ele entendia isso muito bem como
cidadão romano e ele entendia muito bem
qual era o contexto da igreja em Roma
para a qual ele estava escrevendo. E ele
utiliza essas palavras com essa
consciência. Paulo está determinado a
fazer e cumprir essa missão e a não se
esquivar da tarefa. E por isso ele
utiliza essa expressão: "Eu não me
envergonho do evangelho. Eu sei o que eu
estou afirmando. Eu sei quais são as
consequências que há nessa afirmação de
assumir Jesus, o Messias como o Senhor
sobre o mundo todo. E eu não me
envergonho disso."
A explicação de Paulo para seus motivos
é o que vem logo depois do primeiro uso
da palavra gar, que é a primeira palavra
que aparece no texto grego para esse
trecho de Romanos 1 16 e 17. Por e ele
explica porque é o poder de Deus para a
salvação de todo aquele que crê.
Para Paulo, o evangelho, isso que ele
afirma em Romanos 1, 3 e 4, é em si
mesmo o poder de Deus. E aqui eu vou
fazer um parênteses antes de continuar
com esse argumento. Muitas pessoas
entendem que o resumo de Paulo do
Evangelho é o que ele coloca aqui,
Romanos 1: 16 e 17. Pois não me
envergonha do evangelho, porque o
evangelho é o poder de Deus para a
salvação de todo aquele que crê.
primeiro do judeu, depois do grego. Mas
na verdade a nossa compreensão é que o
evangelho é aquilo que Paulo já havia
afirmado no começo da carta em Romanos
1, versículos 3 e 4, quando ele diz o
seguinte, ah, no finalzinho do versículo
2, o qual foi prometido por ele de
antemão por meio dos seus profetas nas
escrituras. Versículo 3. Acerca de seu
filho, que como homem era descendente de
Davi, e que mediante o Espírito de
santidade foi declarado filho de Deus
com poder pela sua ressurreição dentre
os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Então, a nossa compreensão é que essa
expressão de Paulo declarando Jesus como
a o filho que pela carne era descendente
de Davi, que pelo espírito de santidade
foi declarado filho de Deus com poder
por meio da surreição, da ressurreição,
perdão. Isso é a definição de evangelho.
Aqui ele está explicando o poder do
evangelho.
Então, a quando Paulo vai desenvolver
isso que ele eh atribui como sendo o
poder de Deus que há no evangelho, ele
está dizendo que o evangelho não possui
o poder de Deus e nem é acompanhado pelo
poder de Deus. Mas essa mensagem e esse
anúncio são o poder de Deus.
O evangelho, a história que conta a
respeito dos eventos da morte e
ressurreição de Jesus e o anúncio dessa
mensagem são o poder de Deus. Existe
poder na proclamação dessa mensagem.
Existe o poder de libertação na
proclamação desse evangelho. Paulo
descobriu por experiência própria, que
ao anunciar o evangelho que existe um
Deus que reivindica o mundo como seu,
por meio do Jesus morto e ressurreto,
esse é um anúncio que tem poder em si
mesmo. E esse poder vem completamente e
exclusivamente da parte de Deus. Agora,
como acontece em vários contextos e como
é costume de Paulo fazer, ele realiza
essa afirmação evocando um tema bíblico
que era muito comum ao judeu do primeiro
século, como por exemplo a gente percebe
na semelhança entre o que ele está
afirmando aqui em Romanos 1:16 e o que
tá lá no Salmo 71, primeiro versículo.
Em ti, Senhor, busquei refúgio. Nunca
permitas que eu seja humilhado. ou uma
outra possibilidade de tradução que eu
seja envergonhado.
A maneira como Paulo se expressa é muito
semelhante a forma como vários salmos
falam dessa confiança de que Deus traria
justiça e não permitiria que o seu filho
ou seu povo fosse envergonhado.
O que que era vergonha nesse contexto do
Salmo 71 e que se aplica em Romanos 1?
Vergonha era o que o povo de Israel
sentia quando seus inimigos triunfavam
sobre eles, sobre o povo de Israel. É o
é o que Israel sentia também quando eles
percebiam que estava debaixo do domínio
do povo romano. Então, vergonha era
perceber que por algum motivo e de
alguma forma Deus permitiu que um povo
pagão triunfasse sobre o povo do Deus
verdadeiro. O que Paulo está colocando,
então, é o evangelho e o poder nele
contido. Capacita Paulo a celebrar a
justiça de Deus e permanecer de cabeça
erguida, sem qualquer motivo para se
envergonhar diante dos poderosos desse
mundo. Porque ele acredita que no
evangelho é revelada a justiça de Deus
que derrota todos os poderes que
mantinham esse mundo debaixo
de um reino de trevas, debaixo do
domínio dos poderosos desse século. Por
isso que Paulo começa evocando esse tema
de eu não me envergonho do quê? do
evangelho, que é justamente a revelação
do poder de Deus para trazer libertação.
Agora,
o que Paulo coloca logo em seguida, que
é o poder de Deus para a salvação,
traz na nossa cabeça e cria conexões e
associações que talvez não estejam no
lugar apropriado, porque salvação é um
desses termos que os cristãos
contemporâneos
assumem como tendo um significado que,
na verdade, é um significado que foi
desenvolvido muito tempo depois que o
Novo Testamento foi de fato fato
escrito, assim como acontece com outras
expressões, por exemplo, filho de Deus.
A maneira como a gente interpreta isso,
em especial à luz da teologia
sistemática, é simplesmente uma
afirmação de que Jesus tem uma natureza
divina, mas filho de Deus no contexto do
primeiro século, no contexto de Jesus e
de Paulo, tinha outras conotações, tinha
outro significado, tinha conexões com
outros textos do Antigo Testamento que
preenchiam esse espaço de uma outra
maneira. Assim também eh com o termo
salvação. Por quê? Não havia no contexto
de Paulo uma preocupação isolada com
salvação no sentido da vida após a morte
a ser desfrutada pelos redimidos em um
céu mais ou menos desencarnado.
Claro que a questão da salvação incluía
e inclui a convicção de que a morte era
agora um inimigo derrotado. A expressão
que ele vai utilizar em Primeira
Coríntios, se eu não me engano, no
capítulo 15, que é a morte foi tragada a
claramente a garantia de que os
redimidos não passarão pela destruição
eterna.
Mas além disso, Paulo tem outros
significados aqui. Como é que a gente
sabe disso? Porque o significado
de Paulo para o termo salvação é o
significado que ele encontra nessa
palavra, nas escrituras hebraicas, o
nosso Antigo Testamento. O significado
judaico se aplica ao significado que
Paulo utiliza ou com o qual Paulo
utiliza esse termo aqui. Isso tem muito
mais a ver com a opressão dos povos
pagãos, com a libertação do Egito, da
Babilônia. E agora a expectativa da
libertação de Roma do que apenas e
exclusivamente com a vida após a morte.
Novamente, é óbvio que em Romanos e no
resto dos escritos paulinos, salvação
tem a ver com o que acontece com os
redimentos após a morte desse corpo. Mas
todas as histórias com a qual Paulo
cresceu, todos os judeus do primeiro
século cresceram, todos os profetas
falavam de salvação. A tudo que estava
na Torá a respeito do que Deus havia
feito na libertação e na salvação do
povo, era do contexto de cativeiro, de
opressão, dos povos pagãos que trouxeram
sofrimento, exílio e separação do povo
de Deus, da glória do próprio Deus e
separação da terra que eles haviam
herdado da parte de Deus. Então, a gente
precisa perceber que salvação para Paulo
aqui tem muito a ver com essa relação de
opressão e exílio que o povo havia
experimentado a partir da ação dos povos
pagãos contra Israel. É muito importante
a gente notar que, por exemplo, a longa
explicação que Paulo dá a respeito da
teologia da salvação se dá nos capítulos
5, 6, 7 e 8, o segundo bloco de Romanos.
E nessa longa explicação sobre o
significado da salvação, sobre as
implicações da salvação, a fundamentação
da salvação, como é que Paulo conclui lá
no capítulo 8 do versículo 18 ao 25? O
clímax do argumento de Paulo a respeito
da salvação é que Deus trará libertação
para os seus filhos e a partir do seus
filhos trará libertação para toda a
criação, para árvores, plantas, planetas
e tudo o que envolve a criação de Deus
no universo como um todo está amarrada e
diretamente relacionada com a libertação
e a salvação dos seus filhos. Por isso,
salvação não significa exclusivamente, e
nesse termo inicial prioritariamente
vida após a morte, mas libertação do
exílio. Claro que com o Evangelho e tudo
que a gente sabe das cartas de Paulo, o
exílio ao qual Paulo se refere não é
simplesmente quando é que nós vamos nos
livrar do domínio de Roma. Não é isso? A
questão é muito mais complexa do que
essa, mas a gente precisa colocar nossa
cabeça no lugar em relação ao
significado desse termo. Senão a gente
toda vez que lê a palavra salvação ou
escutar o tema da salvação sendo tratado
por Paulo em Romanos, a gente vai fazer
as conexões equivocadas aqui.
O outro ponto que ele vai afirmar no
versículo 16 é que a salvação é para
todo aquele que crê.
Paulo vai desenvolver mais essa questão
da salvação para todo aquele que crê em
Romanos capítulo 3. Mas uma parte
importante que ele coloca aqui é que
essa salvação é aberta e é possível para
todos, tanto para judeus como para não
judeus, ou seja, os gregos. Aqui ele
coloca primeiro para o judeu, depois
para o grego. E a obviamente é fácil
perceber, chama a nossa atenção aqui a
primazia temporal para o judeu, primeiro
para o judeu, mas a absoluta igualdade
de status também para o grego. E grego é
uma metonímia, é uma figura de linguagem
que Paulo utiliza que é tomar a parte
pelo todo. É óbvio que ele não está se
referindo apenas aos gregos do ponto de
vista étnico, ele está se referindo a
todos os povos não judeus. Então, a
salvação é primeiro para o judeu,
primazia temporal primeiro para eles,
mas também da mesma forma, nos mesmos
termos, dentro da mesma categoria de
povo de Deus
para os que são gregos, para os gentios,
para o não judeu.
Se a fé é um tema tão importante em
Romanos como qualquer pessoa é capaz de
observar numa primeira e rápida leitura,
na mesma medida e um pouco menos óbvio é
o tema da igualdade entre judeus e
gentios. Fé e igualdade entre judeus e
gentios são dois temas fundamentais de
Romanos.
E da perspectiva dos judeus, pelo menos
na época de Paulo, esses eram os dois
temas que dividiam a humanidade, se o
sujeito era judeu ou não judeu, e se ele
tinha fé e fidelidade a Yahé, ou se ele
era um ímpio, ou se ele era um tolo que
não ouvia e não se voltava para o único
Deus verdadeiro. para Paulo aqui, ele
está colocando tudo debaixo dessa
revelação do evangelho, que é a
revelação da justiça de Deus e coloca a
salvação tanto para judeu quanto para
não judeu. A fé é possível tanto para o
judeu quanto para o grego. Eh, esses
dois termas eles não só são citados por
Paulo, mas são inseparáveis. Essa
declaração final de Paulo e em 1:16, o a
parte B do versículo, né? A parte a é
não me envergonho do evangelho. Ou pois
não me envergonho do evangelho, porque a
salvação de Deus para porque é o poder
de Deus para a salvação de todo aquele
que crê. primeiro do judeu, depois do
grego. Esse segundo lugar, esse porque é
o poder de Deus, é o que define a
segunda parte desse versículo. E essa
declaração final, pois é o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê,
é palavra por palavra apenas a plena
explicação da razão pela qual Paulo não
se envergonha do evangelho. A terceira
ocorrência de gar, que fundamenta essas
duas ocorrências anteriores,
vai ao coração da questão e explica o
significado
da segunda parte do versículo 16. A
terceira ocorrência da partícula H
acontece no começo do versículo 17,
quando ele coloca porque no evangelho é
revelada a justiça de Deus. Como a gente
colocou aqui, ele está encadeando o
argumento por meio dessa mesma
palavrinha, gar.
E ele utiliza as duas primeiras vezes no
versículo 16. E a terceira vez que ele
coloca é no começo do versículo 17,
justamente como o fundamento para tudo
aquilo que ele afirmou antes. No
evangelho é revelada a justiça de Deus.
Essa revelação acontece não apenas nos
eventos narrados na história do
evangelho, mas no próprio anúncio do
evangelho.
Como é que isso se eh como é que isso
funciona? O que que isso significa e por
que é tão importante a gente enfatizar
isso? A ideia é a morte e a ressurreição
de Jesus formam a revelação inicial da
justiça de Deus.
Essa revelação acontece novamente toda
vez que a mensagem sobre Jesus é
anunciada, toda vez que a justiça de
Deus é revelada diante de uma nova
pessoa. E isso para mim foi algo
completamente diferente da maneira como
eu imaginava e pensava a revelação do
evangelho. Porque para mim evangelho era
única e exclusivamente a história que
contava a vinda, a vida, a morte e a
ressurreição de Jesus. Mas a maneira
como Paulo usa a palavra evangelho é
toda vez que esse evangelho é pregado,
que essa mensagem é pregada, ela carrega
consigo o poder de revelar mais uma vez
ou pela primeira vez para aquela pessoa
que nunca ouviu o evangelho, a justiça
de Deus. E nesse ato de revelar a
justiça de Deus, a justiça de Deus ela é
mais uma vez manifesta, assim como ela
foi manifesta no evento da morte, da
ressurreição, ela é manifesta também na
proclamação.
A a mensagem sobre Jesus abre os olhos
das pessoas para que elas possam ver
pela primeira vez que é isso o que Deus
vinha preparando todo esse tempo. Toda
essa história da redenção que é
construída por meio dos profetas,
ela é de alguma forma revelada no
propósito que Deus sempre teve, mas que
esteve oculto às pessoas. Não foi
possível perceber para qualquer pessoa
que ouviu essas profecias plenamente o
que é que Deus estava preparando na
pessoa de Jesus e na mensagem do
evangelho. Isso é finalmente revelado. E
a mensagem, a mensagem sobre Jesus abre
os olhos das pessoas para que elas
possam entender isso pela primeira vez.
O evangelho, por um lado, permitia aos
judeus daquela época enxergar como é que
as promessas que eles estavam esperando
todo aquele tempo, por todos aqueles
séculos, de alguma forma havia se
cumprido de maneira completa, mas também
completamente diferente do que qualquer
pessoa esperava. Para um judeu que ouvia
a mensagem do evangelho, ele percebia
que isso tinha uma conexão direta com
Isaías e com Ezequiel. Isso tinha
direção, uma uma conexão direta com
Abacu, como a gente vai ver no final
desse argumento do versículo 17.
Mas ao mesmo tempo que ele compreendia
que o evangelho se colocava como pleno
cumprimento dessas profecias e das
promessas que Deus havia feito ao povo
de Israel por meio da aliança,
eles mais do que assim imediatamente
poderiam afirmar que ninguém falou ao
longo de todos esses séculos que essas
promessas poderiam se cumprir dessa
forma ou nesses termos.
A, por outro lado, o mesmo evangelho, a
mesma história contada aos gentios,
permitia que os gentios enxergassem que
existia um único Deus, algo que nenhum
daqueles gentios estava habituado a
escutar e ouvir, que não fosse também
pela mensagem pregada pelos judeus.
Porque aquilo que é natural da história
da humanidade, o que era natural para o
povo grego, a cultura helênica que
dominava o império romano, era que
existiam muitos deuses. E a mensagem do
evangelho permitiam que eles enxergassem
que existia um único Deus, o Deus de
Israel. Esse Deus havia determinado,
havia se comprometido em colocar todo o
mundo debaixo da sua justiça e da sua
paz e que ele havia em princípio já
realizado isso.
Por que que as coisas não estão
plenamente de acordo com a vontade de
Deus? Ou por que essa justiça e paz não
se estabeleceu absolutamente nos dias de
Jesus, de Paulo ou nos nossos? é uma
outra questão que vai encontrar o seu
lugar no desenvolvimento da carta aos
Romanos. Mas é importante perceber que a
mensagem do evangelho carregava esse
anúncio. Existe um único Deus. Esse Deus
é o Deus de Israel. E esse Deus de
Israel alcançou
o cumprimento da sua promessa e do seu
desejo, do seu da sua determinação de
colocar todo o mundo debaixo da sua
justiça e da sua paz através do seu
enviado, o Messias Jesus.
E aí a gente se depara com essa
expressão que Paulo coloca aqui no
versículo 17, porque no Evangelho é
revelada a justiça de Deus. A justiça de
Deus, em nossa perspectiva, é a justiça
que vem do próprio Deus. Aqui eu coloco
em nossa perspectiva, por existe mais de
uma maneira de interpretar o significado
da expressão justiça de Deus. Mas na
nossa leitura, na aula que a gente deu
semana passada, nessa aula e nas
próximas, a gente vai adotar a
compreensão que é expressão de caiosine
feu em Romanos. significa a justiça que
vem do próprio Deus, a justiça que
pertence ao próprio Deus. Para o pessoal
que gosta do grego, que a gente tem
nessa expressão de Caiocosine,
é um genitivo. E o genitivo pode ter
mais de um significado, mas nesse caso
indica posse, a justiça que pertence a
justiça novamente do próprio Deus. A
justiça de Deus, a justiça que pertence
a Deus é revelada no evangelho. A
justificativa para essa leitura, a ao
invés de uma outra leitura que é muito
comum, qual é a outra possibilidade de
de leitura, como aparece em algumas
traduções, como aparece em vários
estudiosos de Paulo, em vários
comentários. A outra leitura é uma
justiça que vem da parte de Deus, uma
justiça que Deus está imputando sobre
judeus e gentius.
A a justificativa para essa leitura que
nós estamos assumindo, ao invés dessa
alternativa que a gente mencionou, é que
no contexto judaico não se trazia
atenção por meio das suas escrituras
para uma justiça que vem da parte de
Deus, mas o foco sempre foi nas
escrituras judaicas, na discussão
judaica, na época de Paulo, a a atenção
e o foco era para a justiça que
pertencia ao próprio Deus. Quando é que
Deus vai fazer tudo aquilo que ele
prometeu? Quando é que ele vai colocar
em ação a sua justa fidelidade, as suas
promessas? Essa é a nossa compreensão,
tanto que a gente encontra no Antigo
Testamento de atenção para a justiça
pertencente a Deus, quanto para os
documentos além do que se encontra na
Bíblia, mas que permite a gente
reconstruir o contexto do judaísmo do
segundo templo.
Essa é a razão textual e histórica pra
gente assumir essa leitura. Um outro
motivo é que essa posição também torna
passagens, como por exemplo Romanos 3:21
a 26, muito mais coerentes. Não sei se
vocês lembram, mas eu vou relembrá-los
do que está lá em Romanos 3, que diz o
seguinte, a Romanos 3:26,
eh, em diante,
ele vai afirmar que, mas no presente
demonstrou a sua justiça a fim de ser
justo e justificador daqueles que têm fé
em Jesus.
A toda a discussão de Paulo nesse trecho
do 326 em diante, Paulo está sendo muito
explícito e todo mundo vai concordar que
ele está falando da justiça que pertence
ao próprio Deus. Assim a gente também
entende que ele está tratando aqui no
capítulo um. E isso permite que a
conexão entre esses argumentos eh mais
abrangentes que Paulo coloca em cada um
dos quatro blocos estejam mais
naturalmente e organicamente conectados.
fica muito mais fácil, faz mais sentido
as transições que a gente encontra de
Romanos 1 a 4 para depois o 5 ao e para
depois o 9 ao 11, que é um trecho muito
disputado, com muitas interpretações,
com muitas questões que aparentam ser
muito polêmicas. E essa leitura da
expressão de Caio Cinetel aqui em
Romanos capítulo 1 permite a gente
chegar lá na frente com um conceito que
lança luz para aquilo que Paulo tá
afirmando ali.
A justiça de Deus é revelada uma justiça
que do princípio a ao fim é pela fé. É
assim como está aí no texto que aparece
para vocês. Deixa eu só ver se eu ah
passei aqui. Faltou passar um pouquinho
antes o slide só para vocês acompanharem
a os tópicos, mas a gente tá na nessa
parte aqui que é do princípio ao fim
pela fé. Como vocês podem ver no texto
que aparece aí para vocês, a maneira
como está traduzido. Novamente estamos
usando a versão NVI é do princípio ao
fim é pela fé. E essa expressão, se
fosse ser traduzida de maneira assim
muito literal, é
de fé para fé, o que não faz tanto
sentido, pelo menos na língua
portuguesa. Por isso, a necessidade de
uma eh expressão que eh tenha mais
equivalência com a nossa forma de se
expressar, de se comunicar, mas
literalmente seria de fé para fé.
Algumas traduções, como por exemplo,
Almeida, revista e atualizada, ou até
versões mais antigas da Almeida, coloca
de fé em fé. Em qualquer caso, essa
expressão muito condensada e um pouco
críptica, um pouco assim eh eh secreta,
não no sentido de ser um código, mas que
Paulo não torne explícito o que é que
ela quer dizer.
E como em muitas outras questões dos
textos paulinos, quando Paulo faz isso,
os estudiosos contemporâneos se debruçam
e apresentam diversas explicações
diferentes para o que ela significa. O
significado pode de fato ser como esse
que está enfatizado pela NVI, uma
justiça que sempre foi pela fé, desde
Abraão até o tempo presente é pela fé. E
existe uma outra possibilidade de
leitura. Essa outra possibilidade é é
que da fidelidade de Deus para a
fidelidade humana. Isso obviamente traz
palavras que literalmente não está aí
porque ele não cita Deus e humanidade
nessa expressão. Mas se isso fosse ser
destrenchado por uma segunda forma de
leitura, o seu significado seria da
fidelidade de Deus para a fidelidade
humana. A forma grega que aparece aqui é
epistelos
e pistis pistin, perdão, epistos e
pistin. E essa palavra e pistos ou a
pistão.
A palavra, a tradução mais comum para
pistes seria fé, mas outra possibilidade
de tradução também é fidelidade.
Isso vai ficar um pouco mais claro na
citação que Paulo faz do texto de Abacuk
24, em que ele cita como o justo viverá
pela fé. Mas quando você vai olhar para
o texto hebraico, assim como aparece
também na NVI, a tradução é: "O justo
viverá pela sua fidelidade." Então é
importante lembrar que essa mesma
palavra aqui no grego, pistes, ou como
aparece declinado epistos e pistin ou
pistin pode significar tanto fé quanto
fidelidade.
A a ideia é que quando a ação de Deus em
cumprimento de sua aliança fosse
revelada, é porque Deus é fiel à suas
promessas. Ele fez isso porque ele
sempre é fiel à suas promessas. Quando
ela é recebida, ela é recebida pela fé
humana que responde à revelação de Deus
em Jesus Cristo. Essa fé também é
fidelidade ao chamado de Deus em Jesus
Messias. Deus age como age, porque ele é
fiel à suas promessas. E nós agimos como
agimos, porque estamos respondendo com
fé e fidelidade à fidelidade de Deus na
revelação do Messias. Então, essa seria
a forma de compreender a expressão uma
justiça que princípio ao fim é pela fé
ou da fidelidade de Deus para a
fidelidade humana. É sempre Deus sendo
fiel às suas promessas e nós respondendo
a essa fidelidade de Deus com a nossa
própria fé e com a nossa própria
fidelidade. Fé e fidelidade são duas
faces dessa mesma moeda que não podem
ser separadas.
E aí a gente chega a à conclusão do
versículo 17 com uma citação muito breve
de Abacu 24, que é o justo viverá pela
fé. Como a gente já citou lá no texto
hebraico, como você pode conferir na sua
tradução, pelo menos é assim como está
na NVI, o texto de Abacu 24, o justo
viverá pela sua fidelidade. Não, não
consultei outras versões para saber se
aparece fidelidade também nos textos
mais comuns aí da Almeida. Ah, essa é
uma citação aparentemente inocente, mas
não é nada inocente. Isso gerou muita
discussão entre os exegetas, os
intérpretes. Como é que a gente pode
entender isso? Diante de tantas
possibilidades de compreender o que é
que se quer dizer com essa citação de
Abacuk, a melhor forma da gente colocar
talvez um a não um ponto final, mas ter
um caminho sensato para ah interpretar
essa expressão seja voltar para o
contexto de Abacuk. Que que acontece?
Por que que esse texto às vezes é tão
difícil
de interpretar? Porque ele aparece como
o justo viverá pela fé. Aqui em Romanos
1:17,
o justo viverá pela sua fidelidade. Lá
no texto hebraico de Abacu 24. E existe
também uma outra tradução que a
Septoaginta apresenta. A Septoaginta,
como a gente colocou, eh é a tradução
para o grego do texto do Antigo
Testamento, que foi originalmente
escrito em hebraico. E na Septoaginta tá
algo mais ou menos como o justo deve
viver pela minha fidelidade. Então é o
justo deverá viver pela sua fidelidade.
O justo deverá viver pela minha
fidelidade e o justo deverá viver pela
fé. Essa diversidade só para tratar
diretamente do texto bíblico, não é de
comentário, intérprete ou outras coisas.
Essa diversidade de eh ocorrência do
texto de Abacuk 24 coloca um desafio pra
gente. que a melhor maneira,
provavelmente, de compreender isso é
reconstruindo o contexto de Abacu, o
livro de Abacu, como toda a profecia
desse profeta menor e entendendo qual o
paralelo que Paulo deseja fazer entre o
contexto de Abacuk e o contexto que o
próprio Paulo e todos os judeus e
gentios estavam vivendo no primeiro
século após a revelação do Messias.
Abacuk é um livro de lamento e é um
livro de dúvida, de perplexidade, de
muitas perguntas que não são respondidas
diretamente.
Os inimigos estão marchando contra
Israel. E a pergunta que o povo, que
pelo menos o profeta se fazia, é: "O que
Deus está planejando ao permitir esse
desastre iminente?"
Essa é mais uma vez uma questão a
respeito da justiça e da retidão de Deus
em relação à sua as suas promessas e a
sua aliança que ele havia firmado com o
povo de Israel. Como resposta para os
seus questionamentos,
o profeta recebe uma visão, mas é uma
visão sobre o futuro. Não é algo que
Deus estava planejando para impedir que
os inimigos triunfassem sobre Israel.
Mas nessa visão, o que Deus afirma para
Abacu ou que Deus revela para Abacu, é o
povo fiel ou o povo remanescente de
Israel deveria viver pela fé ou pela
fidelidade.
O povo de Deus, dentro daquele contexto
de aparente ruína e desastre, recebe uma
revelação da parte de Deus, que ele não
se esquece do seu próprio povo e que
enquanto ele não cumprisse essa visão
que ele estava dando para Bacu, o povo
deveria viver pela sua fidelidade. E o
que que isso quer dizer? Quer dizer que
o povo deveria crer que Deus agiria com
justiça. No momento certo, ele puniria
os pagãos, os inimigos de Israel, e se
lembraria da sua misericórdia por
Israel. Apesar dos pecados de Israel,
apesar da ira de Deus por Israel, que
não cumpriu com a sua promessa em
relação à aliança, Deus se lembraria da
sua misericórdia e resgataria o povo de
Israel. Esse é o contexto maior que
Paulo está resgatando. Paulo não tá
tirando um versículo da caixinha de
promessas e citando um versículo que
combina com o que ele vinha argumentando
até aqui. Ele não tá citando Abacu 24
porque tem as mesmas palavras chaves.
Justiça, eh, fé, justo. Não. Paulo está
recuperando e citando o texto de Abacu
24 por 24, porque ele está entendendo
que aquilo que estava acontecendo em
seus dias tinha uma correspondência
direta com todo o contexto que do que
Abacuk viveu nos seus próprios dias e
com a visão que Deus havia dado a
Habacuque dentro daquele contexto. Esse
é o contexto maior que Paulo está
resgatando a justiça de Deus em sua
aliança com o seu povo. Os judeus da
época de Paulo esperavam justamente pelo
cumprimento dessa aliança e dessas
promessas que Paulo que Deus havia
feito, como por exemplo aquilo que ele
havia dado de promessa para Abacu. E
Paulo diz que a visão se cumpre nos
eventos do evangelho e na proclamação
desse evangelho. De fato, Deus foi fiel
à sua promessa. Deus manifesta a sua
justiça. Deus derrama misericórdia sobre
o seu povo e agora está chamando todos a
fé, chamando todos a fidelidade, todos
os homens e mulheres, para que ouçam a
sua convocação. Agora que Deus foi fiel
e revelou a sua fidelidade e a sua
justiça,
de acordo com que ele havia anunciado
pelos profetas e pela própria Torá, ele
está chamando que o ser humano, todo
homem e mulher, responda com fé. e
fidelidade a essa convocação de Deus.
Nesse sentido, eu concordo com aqueles
que
não entendem que o evangelho é
simplesmente um convite gentil. É claro
que Deus nos ama e nos persegue com o
seu amor, como aparece no Salmo 23. Mas
a mensagem do evangelho é uma mensagem
de um rei, é uma mensagem real, de um
monarca que conquistou o domínio sobre
todas as nações e está fazendo uma
convocação para que todo ser humano
escute o anúncio da ascensão desse novo
rei, Jesus Cristo, o Messias, sobem
estão todos os outros reinos da terra, e
que exercerá o seu domínio com justiça.
e com paz. Ele agora convoca para que
todos façam parte desse reino, o reino
de Deus, e chegará o momento em que ele
julgará todos os que estão dentro e fora
do seu reino, todos aqueles que estão
numa relação de justiça e injustiça com
esse próprio Rei e Senhor Cristo Jesus.
Então Paulo está colocando pra gente
aqui que Deus foi fiel, está convocando
todos para responder com fé, com
convicção e fidelidade esse chamado de
Deus, a relação, obviamente entre Israel
e os seus inimigos, porque a expectativa
era essa de que Deus iria punir os
inimigos de Israel e resgatar Israel.
Como é que fica isso? Se ele está agora
chamando todos judeus e gentios para
fazerem parte do seu reino, como é que a
gente pode compreender que Deus cumpriu
a promessa que havia feito para Israel?
É uma pergunta que Paulo não responde,
não aqui em Romanos capítulo 1, mas ele
vai voltar a muitas dessas questões a ao
longo do desenvolvimento de Romanos 3.
Depois no terceiro bloco, Romanos 9 a 11
vai falar sobre isso também. E são cenas
para o próximo capítulo ou para os
próximos capítulos de Romanos. Ele não
responde tudo, todos os problemas que
ele levanta, mas ele estabelece esse
ponto do princípio ao fim ou da
fidelidade de Deus para a fidelidade
humana. A justiça de Deus foi revelada e
ele está convocando todos a fidelidade a
esse Messias. Tá bom? Bom, pessoal, esse
foi o conteúdo que eu separei para a
nossa aula de hoje. Vou remover aqui a
apresentação. Vou, como já tinha
mencionado, disponibilizar essa
apresentação a lá na nossa plataforma
e eh vou fazer algumas correções ali,
principalmente no título da aula que
tava errado, algumas coisinhas que
passou e vocês vão ter esse material
atualizado lá, tá?
Vamos lá para as nossas perguntas e
dúvidas. Outras pessoas chegaram aqui na
nossa aula depois dos primeiros minutos,
quando deu boa noite. Mas bem-vindo para
todo mundo que tá assistindo online e
também para quem tá assistindo em algum
momento do futuro aí. Ah, deixa eu ver
aqui o que que tem de pergunta.
Por que Paulo diz: "Não me envergonho do
evangelho". o que havia no contexto dele
que poderia gerar vergonha ou rejeição.
Imagino que em parte isso foi respondido
ao longo da aula. Mas para reforçar o
ponto, Sandra, é que Paulo estava
anunciando uma mensagem diretamente
confrontadora,
a realidade mais óbvia e inquestionável
do mundo inteiro, que César era o Kiros,
o Senhor sobre o mundo. E Paulo estava
dizendo que não, que Cristo era o Senhor
por direito e estava se tornando, de
fato, ao incluir judeus e gentios no seu
reino, sobre todos os reinos da terra.
Então, era diretamente uma mensagem
anti-imperial.
A mensagem de Paulo era uma, entre
outras coisas, a mensagem do evangelho
era uma polêmica política. Era para
dizer que a maneira como o Império
Romano deseja convencer todos que a paz
e as justiças chegaram para reinar por
meio do imperador são uma farça. Como
Apocalipse vai tornar mais explícito,
não só é uma farça, mas é uma paródia, é
muito menos e é sempre caricato, tosco,
eh, em relação à revelação do verdadeiro
reino de Deus por meio de Cristo Jesus.
Por isso era de se esperar que algumas
pessoas, inclusive entre os cristãos que
estavam em Roma, houvesse uma disposição
de manter uma fé privada ou entre os
seus pares ter medo de assumir o
evangelho como essa mensagem de
confrontação contra o poder imperial,
que era de certa forma um poder
universal, um poder inquestionável e
imbatível, né? Lembrando que a gente tá
falando de dezenas, talvez poucas
centenas de cristãos na maior cidade do
império romano. E Paulo vai dizer: "Eu
não me envergonho por esse motivo." E
também recuperando a forma como o tema
da vergonha era tratado no Antigo
Testamento. Vergonha é aquilo que eles
sentiam quando os pagãos triunfavam
sobre o povo de Deus. E Paulo tá dizendo
que não. Apesar de nós sermos poucos e
aparentemente impotente, a mensagem do
evangelho é a garantia de que há
salvação para judeu e para gentil.
salvação nesse sentido de libertação
contra toda forma de opressão. Então,
ah, eu acredito que esse é o contexto
pelo qual Paulo está afirmando isso.
O que muda na vida prática quando uma
pessoa realmente entende que o justo
viverá pela fé? Eu acredito que esse
sentido reconstruído a partir de Abacuk
e essa palavra fé, tendo a pistes, como
aparece no Novo Testamento, tendo a
ambivalência de ser tanto fé quanto
fidelidade, significa a perseverança que
nós devemos ter diante da adversidade,
como aqueles primeiros cristãos
enfrentaram em todos os primeiros
séculos de expansão do evangelho, de
crescimento da igreja, mas também deve
ter esse esse significado de confiança
absoluta de que o evangelho é o triunfo
de Deus sobre todas as formas de
escravização que há na humanidade,
inclusive de exploração do próprio povo
de Deus. Então, o justo viverá pela fé.
Eu vejo o poder desse evangelho, por
isso eu não me envergonho dele, porque
eu sei que ele é aquilo que traz
salvação para todo aquele que crê. E eu
também mantenho a minha esperança,
porque a gente preserva o aspecto que há
em Abacu, que é ainda que tudo dê
errado, eu sei que Deus agirá em
cumprimento, em plena realização das
promessas que ele fez ao seu povo. Paulo
vai tratar disso no final, mais ou menos
do meio pro final do capítulo oito,
quando ele vai dizer que esperança que
se vê não é esperança, mas nós cremos e
esperança que os primeiros frutos do
espírito são apenas os primeiros de
muitos frutos que esse espírito vai dar
quando ele completar essa plena obra de
redenção. E ali ele claramente está
olhando para esse momento final da
libertação dos sofrimentos da presente
era também do corpo que de certa forma
ainda carrega as marcas de uma
humanidade que foi
cativa pela morte. Nesse momento da
glorificação, já não estaremos mais
sujeitos a isso. Então, justo viverá
pela fé. Eu acredito que reúne tanto
esse aspecto de fidelidade, de se manter
fiel à mensagem poderosa do evangelho,
como também o aspecto da esperança,
crendo que Deus vai cumprir tudo aquilo
que ele prometeu que faria por meio do
espírito.
Vamos ver mais o que aqui
o que significa a expressão primeiro do
judeu e também do grego?
A mensagem a respeito da aliança de Deus
com o povo é por meio do povo de Israel.
E o Messias é o Messias de Israel.
Quando a gente fala que é o Messias de
Israel, a gente não quer dizer que a a
o domínio do Messias se restringe aos
limites étnicos ou geográficos do povo
de Israel, mas é o Messias que vem por
meio do povo de Israel. é um povo que é
constituído por Deus para esse propósito
de abençoar todas as nações. E esses são
os primeiros que ouvem a respeito do
libertador que veio da semente de Davi,
que como homem ou pela carne é da
semente de Davi. Então, a mensagem é
primeiro anunciada ao judeu. A salvação
e a possibilidade de fazer parte dessa,
desse reino de Deus, receber essa
convocação do Messias, é dado primeiro
ao judeu como parte do cumprimento das
promessas que Deus havia feito para
Israel, que enviaria o libertador para
Israel, mas também a partir de Israel
para todos os povos. Então, a ênfase na
fidelidade de Deus à suas promessas,
como a gente colocou, é um aspecto
fundamental, mas igualmente importante é
a igualdade de status entre judeus e
gentios. Não é que os judeus têm uma
categoria diferente dentro do povo de
Deus. E não é que os judeus de alguma
forma irá desfrutar de uma bênção maior
de salvação do que os gentios, mas é do
ponto de vista temporal que Paulo está
fazendo essa afirmação aqui.
Podemos dizer que a salvação se refere
da libertação, da opressão do pecado?
Com certeza. Uma coisa que a gente
percebe na revelação, tanto que o
Evangelho, os quatro evangelhos trazem
pra gente quando quanto Paulo vai
discutir em suas cartas, é o fato de que
a expectativa, e não era sem motivo, que
os judeus possuíam, de que Deus os
libertasse do cativeiro que nunca havia
acabado, afinal eles estavam debaixo do
domínio de Roma. Eles nunca tinham
desfrutado de um longo período de plena
liberdade, a não ser os 100 anos após a
a guerra dos Macabeus, né? Olhando para
o período do exílio da Babilônia em
diante, só tem esse intervalo eh pouco
depois de, se eu não me engano, agora
167
anes de. Cristo, que eles desfrutam de
um breve período de liberdade, mas não é
na plenitude do que as promessas
pareciam apontar na reconstrução e da
glória de Israel. Eles estão sempre
debaixo do domínio estrangeiro. Então
aqueles judeus esperavam que o momento
de libertação não era um momento de
libertação, por assim dizer, apenas
espiritual, era físico, era territorial,
era geográfico, era político.
Mas não é possível entender também as
promessas de libertação do Antigo
Testamento. E mesmo a cabeça dos judeus
do primeiro século eram era é um grupo
muito dividido. Existiam muitas
expectativas diferentes entre os judeus
do primeiro século, mas de forma geral,
todo judeu que abria as escrituras e a
interpretavam entendia que o problema do
exílio era um problema do pecado. Então,
quando Deus os libertasse do domínio dos
pagãos, do domínio fosse de Roma, fosse
da Grécia, fosse ah da Babilônia, fosse
da Pérsia, é porque Deus havia tratado
do problema, solucionado o problema do
pecado de Israel. Essa relação entre
terra, presença de Deus e pecado era
indissociável. Então, salvação é uma
palavra que ganhou seu significado
dentro da Bíblia nesse contexto de
pecado e também herança sobre toda a
terra.
Eh, então, quando a gente olha para as
promessas de Deus no Antigo Testamento,
parece que são bênçãos mais materiais,
concretas e territoriais. E quando a
gente descuidadamente ou pelas lentes da
mentalidade grega ler o Novo Testamento,
pensa que as promessas de Deus são
espirituais. É claro que Paulo afirma
que nós temos bênçãos espirituais, mas
não nesse sentido do que é imaterial.
Mas na verdade, tanto no Novo quanto no
Antigo Testamento, o contexto é de
completude e abrangência absoluta. Deus
veio nos libertar do cativeiro do
pecado. Ele veio trazer perdão para o
pecado. Mas a consequência disso se faz
sentir na política, se faz sentir na
terra, se faz sentir no domínio sobre
toda a criação. Por isso que para Paulo
não é estranho falar na carta mais
teológica e digamos assim de eh de
explicação das questões espirituais,
falar sobre a redenção de toda a
criação, falar da redenção ah do planeta
e do cosmos que Deus criou ao mesmo
tempo que ele está falando do Espírito
Santo que gera os seus primeiros frutos
dentro de nós. Então, Deus veio nos
libertar da opressão do pecado. Deus
veio nos trazer perdão dos pecados. Mas
o que isso significa é que todos os
reinos da terra, a própria terra e a
criação estão debaixo do domínio de
Cristo Jesus. E em algum momento ele
manifestará plenamente
esse seu domínio sobre todos os povos e
toda a criação.
A fé é em Cristo ou de Cristo? Bom, se
em Cristo significa a pessoa em quem nós
colocamos a nossa fé ou de Cristo e ao
mesmo tempo de Cristo significa de quem
vem a fé, de certa forma as duas coisas.
Cristo, de acordo com a pregação de
Paulo em Romanos, é a pessoa em quem nós
devemos depositar nossa fé ou por quem
nós devemos ter completa fidelidade.
Mas a nossa fé vem do fato de que Deus
por meio do Espírito Santo, e aqui eu
estou obviamente pensando mais em João
do que o texto de Romanos capítulo 1, é
o próprio espírito, o representante de
Cristo, Parácletos, aquele que nos
convence do pecado, da justiça e do
juízo. Então, a fé é é dada por Deus eh
para o coração humano. Como é que isso
se relaciona com as questões
soteriológicas de se a fé vem de Cristo,
então não vem de forma alguma da
resposta humana? Eu não vou entrar aqui.
E não é essa a afirmação que eu estou
fazendo, mas eu acredito que a fé é
colocada sobre a pessoa de Jesus. Nós
temos fé em Cristo Jesus. E a fé também
sempre parte da ação de Deus em direção
ao homem do que simplesmente o homem que
está buscando a Deus, tá?
Eh, o Elvis mandou um abraço. Abraço
aqui também, Elvis.
Deixa eu ver aqui que mais.
O justo nesse contexto pode ser no
sentido de estar bem perante a lei. Como
a gente vai ver, Marlene, não. A, o
justo dentro desse contexto de Romanos é
aquele que coloca a sua fé e a
fidelidade em Cristo Jesus como Messias.
Se com a boca você crê que Jesus Cristo
é o Senhor, eh, se com o coração crê que
Jesus Cristo é o Senhor e com a boca
confessar que Deus o ressuscitou dentre
os mortos, será salvo. É essa a nossa
justiça, digamos assim, a expressão da
nossa resposta à justiça de Deus. Justo
aqui eh significa essa pessoa que
responde a Deus com a fidelidade que ele
está convocando todos nós a termos em
relação ao Messias.
Ah, de fé em fé pode ser traduzido, ou
eu colocaria melhor, ser entendido como
baseia-se na fé e apela para a fé, tipo
o que está escrito em Romanos 3:22.
Acredito que isso está num num caminho
coerente com o que a gente explicou da
segunda forma de leitura dessa
expressão. Marlene, acho que existe
pertinência nessa observação, nessa
maneira de entender.
A Fernanda fez uma pergunta sobre o Nome
envergonho, que acredito que a gente já
respondeu.
A Sandra também faz uma pergunta
semelhante a essa que eu acabei de
responder aqui pra Marlene, né?
Paulo era um fariseu que seguia o
judaísmo.
Como ele cita Abacu? Ô Edu, eu não
entendi muito bem a pergunta. De fato,
Paulo era um fariseu e era judeu, como a
gente acredita que comentou semana
passada. A ideia não é que Paulo deixou
de ser judeu. Ele entende que o que
significa ser judeu passou a ter um
significado completamente diferente a
partir da revelação de Jesus. Então, se
você perguntasse a Paulo no primeiro
século, você se converteu deixando de
ser judeu para ser cristão?
Provavelmente isso não faria muito
sentido. O que Paulo possivelmente
responderia muito melhor do que essa
paráfrase da frase que ele nunca
realizou, nunca falou, é que ser judeu
significa justamente ser fiel ao
Messias, ter fidelidade ao Messias Jesus
e compreender toda a nossa história,
toda a nossa lei e todas as profecias a
partir da revelação do Messias. É, mas
como ele se tabacu que eu eu desculpa,
Edu, eu não compreendi mesmo.
Quando Paulo fala de primeiro judeu e
depois do grego, é possível que alguns
os judeus considerassem que a salvação
era exclusiva para eles. Eh, bom, isso
com certeza era uma expectativa de
muitos judeus do primeiro século, que
novamente quando a salvação de Deus se
manifestasse, isso implicaria punição
dos pagãos e salvação do povo de Israel.
Isso era uma expectativa deles. E Paulo
está se comunicando, ele ele está
fazendo referência a essa interpretação
dos judeus de que a salvação deveria vir
para Israel por meio dessa expressão
também. Ele está dizendo que de fato
Deus trouxe a salvação que ele prometeu
para o povo de Israel, mas ele também
trouxe aquilo que ele sempre prometeu
que faria para todo mundo por meio de
Israel. Por isso que é primeiro para o
judeu, mas também para o grego.
Podemos ser cristãos judeus? Olha,
Fernanda, a gente vai tratar dessa
questão ao longo da carta de Romanos e a
gente também vai falar a respeito, não
que a gente vai falar, mas Paulo trata
desse assunto em Gálatas. E qual é assim
o resumo principal que Paulo está
colocando em especial em Gálatas? Já não
há mais judeu ou grego. Já não há mais
judeu ou gentil, porque somos todos um
na pessoa de Cristo Jesus. Deus
constituiu uma única família da fé, uma
única família dos filhos de Abraão, a
partir da pessoa de Jesus, ao unificar
no sacrifício de Jesus judeus e gentios.
Por isso, já não há mais sentido na
circuncisão. Não há mais sentido em
querer distinguir o povo de Deus por
qualquer outra marca que não seja a
própria fé no Messias. Agora, em certo
sentido, todos nós somos herdeiros da
promessa que Deus deu a Abraão. Se é
nesse sentido que se quer dizer que um
cristão é também judeu ao mesmo tempo,
eh, eu concordo. A, em que vantagem há
em ser judeu? Essa é a pergunta que o
próprio Paulo levanta e responde no
livro de Romanos. Há muitas vantagens.
ao povo judeu foi dada promessa, lei e
aliança.
Mas a quando nós nos tornamos cristãos,
as barreiras que foram levantadas entre
judeus e gentios são anuladas. E se por
algum motivo algum cristão, como
acontece em muitos casos dos nossos
dias, deseja reconstruir isso, tornando
eh circuncisão. Aquele que é
incircunciso
está reconstruindo aquilo que Jesus
morreu para derrubar. Então, nós não
devemos nos
voltar novamente para a lei, para a
Torá, como uma forma de encontrar o
caminho de uma relação justa com Deus,
né?
O que significa justo no Antigo
Testamento, já que não havia fé em
Jesus? Olha, Vittor, o que signifique, o
que significava fé ou justiça, perdão,
no Antigo Testamento, tinha a ver com
essa relação de fidelidade com a aliança
que o povo de Deus havia feito com o
próprio Yahé. Então, quando Deus
estabelece uma aliança com o povo de
Israel, fica muito claro eh que eles
tinham exigências a serem cumpridas e
que eles haviam se comprometido a
obedecer e realizar nessa relação com
Deus.
Ah, agora, eh, isso também tem
desdobramentos diferentes quando a gente
chega na revelação do Messias, porque o
propósito dessa Torá que estabelece uma
relação de justiça entre Deus e Israel e
entre Israel e Deus, esse propósito foi
alcançado. Então, essa fidelidade que se
deveria ter a Deus no cumprimento da
Torá, essa fidelidade que Abraão teve,
Deus, é essa fé, essa convicção naquilo
que Deus havia prometido para Abraão,
mesmo antes de Deus ter revelado a Torá,
isso ganha um novo significado quando o
Messias é revelado. Porque ser justo
agora significa depositar a sua fé e a
sua fidelidade em Jesus, tá?
Ah, acho que alguém perguntou aqui se
isso ia ficar salvo. Vai ficar
disponível aqui no canal da IBNU e
também vai ficar disponível na nossa
plataforma de ensino. A gente tem sempre
enfatizado aqui, mas o site de ensino no
qual está o curso de romanos também com
o nosso material de aula é
ensino.ibibno.com.br,
colocando aqui no chat, tá?
Podemos dizer que a igreja é constituída
de judeus e gentius? Sim. Não há
separação entre o povo de Deus e a
igreja. Bom, essa obviamente é uma
questão que poderia ser respondida de
forma muito simples e equivocada, mas
Paulo vai tratar a respeito disso lá em
Romanos, no bloco de Romanos capítulo 9
até o capítulo 11. O que a gente pode
afirmar com certeza e clareza desde já é
que não existe diferença dentro do corpo
de Cristo de quem é judeu para quem é
grego no sentido de fazer parte do povo
de Deus.
Agora, os judeus que ainda não creram
não podem ser considerados mais como
povo de Deus. De alguma forma Deus
rejeitou essas pessoas? Essa é uma outra
questão que a gente vai tratar com mais
cautela quando a gente chegar em Romanos
capítulo 9 até o capítulo 11, porque
isso tá no coração da polêmica que Paulo
está tratando, que era judeus e gentios
faziam parte da mesma igreja em Roma. Os
cristãos judeus foram expulsos de Roma
por um tempo e depois eles retornaram e
parece que isso passou a trazer
problemas muito sérios na convivência
entre cristãos, judeus e gentios. Por
quê? A decisão que foi tomada do ponto
de vista eh social e política do
imperador de expulsar
os cristãos, os judeus, os os judeus de
forma geral da capital do império,
parece ter passado por uma interpretação
teológica por parte dos cristãos judeus
de que Deus havia rejeitado
completamente os judeus, tanto os
cristãos judeus como os judeus não
cristãos. E Paulo vai dizer que não.
Esse orgulho só levaria os cristãos
gentios a cometerem o mesmo erro que
aqueles judeus que não creram no Messias
já haviam cometido. Então a gente vai
vai voltar para para tratar disso com
mais detalhes, tá?
Bom, pessoal, acredito que
ah, eu acho que o Ed esclareceu aqui o
que ele tinha perguntado antes. Abacuk
escreveu sua frase famosa em um contexto
de crise nacional e silêncio de Deus.
Porque Paulo escolheu justamente esse
profeta questionador para fundamentar a
doutrina da eh justiça de Deus, a
justiça pela fé em Romanos. E o que isso
nos diz sobre a fé em tempos de
incerteza? Edu, eu acredito que o
paralelo que Paulo faz
é justamente com o momento de crise que
existe eh para o povo de Israel, que
estava diante de um desastre iminente. E
Deus dá a visão
para a Abacu, para o profeta, de que ele
se manteria fiel à promessas que ele
havia feito, inclusive de resgatar
Israel
do meio dessa eh aflição e derrota
diante de um deus eh diante de um povo
pagão, enquanto ele não cumprisse todas
as promessas que ele havia dado de
salvação e livramento, de que ele seria
justo a sua aliança, o justo justo
deveria viver pela fé. De certa forma,
Paulo vê isso acontecendo, o seu
cumprimento dessa promessa no evangelho
e também instigando, encorajando,
exortando os irmãos em Roma que
permanecessem fiel e não se
envergonhassem do evangelho, porque
aquilo também se aplicava paraa condição
de perseguição e adversidade que eles
enfrentavam. Então eles agora viviam
pela fé no Messias. A justiça de Deus
que ele havia prometido, inclusive para
Bacuque, é revelada em Jesus, o Messias
e eles deveriam viver em fé e fidelidade
a esse Messias. Tá bom?
Bom, pessoal, acredito que a gente vai
chegando aqui ao fim da nossa aula de
hoje. Mais uma vez, obrigado pela
companhia de vocês que acompanharam ao
vivo e pela atenção de todo mundo que tá
assistindo isso em algum momento do
futuro. É um prazer enorme a gente
caminhar ao longo de Romanos, um desafio
muito maior do que simplesmente o prazer
imediato. às vezes é laborioso, é
trabalhoso, exige dedicação e tempo, mas
eu acredito que isso gera frutos muito
valiosos, muito eh
eh duradouros para nossa fé e paraa
nossa fidelidade a esse Messias também.
Pelo menos para mim tem sido
transformador estudar Romanos com uma
atenção que eu ainda não tinha estudado
antes e fazer isso na companhia de vocês
também, tá? A gente volta na próxima
quinta, nossa quarta aula do módulo
avançado. Eh, esse material de aula vai
para a nossa plataforma. A gente ainda
não colocou questionários, mas vai
atualizar com questionários lá também. E
a gente espera que você ajude a gente,
divulgue esse curso, permita aqui esse
conteúdo. Obviamente que isso não é por
qualquer tipo de desejo pessoal,
individual, mas desejo que esse eh
estudo, esse esse aprofundamento no
livro de Romanos encontre outras pessoas
interessadas. Ajude a gente a divulgar,
compartilhe isso com outras pessoas, tá
bom? Forte abraço a todos. acompanha a
IBNW aqui no canal da IBNW, no canal do
YouTube, nas redes sociais, as nossas
programações que a gente tem divulgado.
Boa, bom restante de semana a todos,
bons estudos e até a nossa próxima aula.
Ciao. Ciao.

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