O Templo e o Talismã – Marcos 11.12-16 | Ákilla Nascimento | IBNU
30/03/2026
O Templo e o Talismã – Marcos 11.12-16 | Ákilla Nascimento | IBNU
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O templo [música] e o talismã. Gostaria de convidar você a pensar e compreender junto comigo a passagem que se encontra em Marcos capítulo 11, aquela ação que Jesus realiza no templo de Jerusalém como uma forma de compreender também a fonte da nossa segurança e a fonte da nossa identidade na pessoa de Jesus. [música] O templo e o talismã. Todos nós temos necessidade de segurança. Todos nós temos que ter essa sensação de estar no lugar onde podemos ter tranquilidade. E é mais fácil entender a necessidade de segurança pensando a respeito da insegurança. Você já teve essa sensação de estar em um lugar, de estar em uma situação em que você era tomado pelo medo porque você não tinha certeza do que iria acontecer? você não tinha certeza de que aquilo que você precisava iria acontecer. A gente tem essa sensação quando a gente tá no meio da rua e sente e percebe que a gente corre um risco muito elevado de ser assaltado, de sofrer com a violência que pode ser realizada contra nós, de ser tomado alguma coisa que a gente necessita muito. A gente sente essa insegurança em muitos contextos em que nós não temos as garantias de que as nossas necessidades vão ser supridas. E a segurança é uma necessidade básica do ser humano, porque se a gente não tem essa tranquilidade, a gente não consegue pensar em outra coisa que não seja fugir do perigo. Então, por exemplo, a gente pode ter esse senso de segurança muito associado ao lugar em que a gente está. A gente às vezes tá no meio da rua, tá no trabalho, a gente chega em casa e a gente descansa porque a gente sabe que aquele é um lugar seguro. E muitas vezes a segurança está diretamente relacionada com a nossa forma e a nossa percepção de identidade. Segurança e identidade estão muito relacionadas. Por exemplo, você sabe quem você é muito ligado à língua que você fala. Isso porque quando nós temos o domínio do idioma, nós temos segurança de que nós vamos conseguir nos comunicar. Quando você não sabe a língua do lugar e das pessoas que estão ao seu redor, você não sabe como pedir ajuda, você não consegue trabalhar, você não consegue se comunicar, você sente segurança novamente a partir da cidade onde você nasceu, onde você cresceu, a cidade que você conhece. Então, muito da sua identidade está relacionada ao fato de que você é, provavelmente a maior parte das pessoas que me escutam brasileiro, que você nasceu e cresceu na cidade de São Paulo, que você nasceu e cresceu na cidade de Recife, que você nasceu e cresceu em Lisboa, em Portugal, você tem a sua percepção da pessoa que você é muito ligada ao lugar em que você está. E o lugar em que você está lhe dá segurança, tranquilidade. Você conhece aquele lugar, você conhece aquela língua, você conhece aquelas pessoas. Isso também está relacionado à cultura. o seu senso de identidade, todo mundo percebe isso com mais clareza, vem a partir da cultura em que você se encontra, a cultura que você possui, porque você pode conhecer o lugar, você pode conhecer a língua que se fala naquele lugar, mas você desconhece a forma como as pessoas pensam naquele lugar. Então, muitas vezes, a nossa tranquilidade, o nosso senso de segurança está ligado ao fato de que você compartilha com aquelas pessoas e com aquele ambiente a percepção de mundo e por isso você sente tranquilidade, segurança. Ter certeza que você conhece, que você está em paz é uma forma muito próxima e muito relacionada com a maneira como nós entendemos quem nós somos, esse senso de identidade. E isso faz parte não só da nossa experiência comum, mas isso também se aplica à forma como o texto bíblico nos apresenta a história do povo de Deus. Na história de Israel, segurança e identidade estavam diretamente relacionados. E a gente percebe isso também no Novo Testamento. A gente percebe isso na história de Jesus, mas a gente só consegue compreender aquilo que aparece no Novo Testamento, nas palavras e nas ações de Jesus, transmitindo e garantindo segurança para os seus discípulos. Se a gente entender uma história muito anterior à pessoa de Jesus. O templo era um símbolo central do povo de Israel. E o templo era um símbolo central porque, dentre outras coisas, era o principal símbolo que definia a identidade de Israel. Os judeus do primeiro século, no tempo de Jesus, entendiam quem quem eles eram à luz do templo, do seu significado e da história que aquele templo possuía. Da mesma forma, no Antigo Testamento, praticamente todos os profetas falam a respeito do templo. Por quê? Porque o povo de Deus estava em boa medida definido pelo significado que o templo possuía. E o templo era uma fonte de identidade pro povo de Israel, porque o templo era a garantia, assim eles entendiam, da segurança do povo de Israel. Se o templo está de pé, Deus está no Santo dos Santos. Se Deus está no santo dos santos, isso significa que nenhum povo poderá dominar completamente sobre Israel, sobre o povo judeu, porque Deus está do nosso lado. Deus é a nosso favor. Ainda que exista um momento de domínio dos outros povos, ainda que exista a realidade da adversidade, nós sabemos que Deus está presente no nosso meio e ele vai nos garantir no fim dos tempos ou no fim das contas a vitória que nós necessitamos com essa percepção da necessidade de segurança, da identidade que temos por aquilo que nos traz certeza dessa segurança e a realidade do templo como fonte de identidade. ade para o povo judeu e para o povo judeu no tempo de Jesus. Eu gostaria que você lesse e acompanhasse comigo Marcos, capítulo 11, do versículo 12 em diante. Marcos capítulo 11 diz o seguinte: "No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome. Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontrar se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou. a não ser folhas, porque não era tempo de figos. Então lhe disse: "Ninguém mais coma de seu fruto". E os seus discípulos ouviram-no dizer isso. Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo. e os ensinava, dizendo: "Não está escrito: "A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos". Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino. Ao cair da tarde, eles saíram da cidade. De manhã, ao passarem, viram a figueira seca desde as raízes. Pedro, lembrando-se, disse a Jesus: "Mestres, mestre, vê, a figueira que amaldiçoaste secou". Respondeu Jesus: Tenham fé. Tenham fé em Deus. Eu lhes asseguro que se alguém disser a este monte levante-se e atire-o no mar e não duvidar em seu coração, mas crer que acontecerá o que diz, assim lhe será feito. Portanto, eu lhes digo: pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá. E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no para que também o Pai Celestial lhes perdoe, lhes perdoe os seus pecados. Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados. Como a gente já apresentou, o templo era um gigante do Antigo Testamento. O templo era uma coisa que aparecia em praticamente todas as profecias do Antigo Testamento, aparecia em praticamente todos os escritos do Antigo Testamento a partir do momento da sua construção, da sua conclusão, como a gente encontra em Primeira Reis, a dedicação do templo a partir do ato de Salomão de consagração daquele templo junto com o povo de Israel. E era uma fonte de compreensão para os judeus. de todos os eventos que aconteceram com ele, com eles no exílio, para tudo aquilo que aconteceu depois do retorno do exílio da Babilônia, para tudo aquilo que estava acontecendo durante certa forma o exílio promovido por Roma. Porque o povo não estava exilado da sua terra. O povo estava na terra onde Davi foi rei, onde Salomão reinou, onde todas as promessas a respeito de Jerusalém, a respeito do monte Sião, foram proferidas ou a respeito da qual essas profecias estavam falando. Era a respeito dessa localidade, desse lugar. Eles estavam ali, mas eles não tinham domínio sobre o próprio destino do povo de Israel. Eles não sabiam o que iria acontecer com o povo. Por quê? Porque Roma dominava sobre o povo judeu no primeiro século. O templo era esse lugar muito importante para eles compreenderem tudo que estava acontecendo, mas porque existiam três coisas que aconteciam ou três coisas que davam significado para o povo de Israel que não poderia ser esquecido por nenhum judeu, que talvez nem era meditação deles em boa parte do templo, simplesmente porque isso definia a pessoa que eles eram. Quais eram essas três coisas? Primeiro, o templo de Jerusalém não era simplesmente o centro de Israel. O templo de Jerusalém era muito mais do que isso. Por quê? Era ali o único lugar no universo no qual céus e terra convergiam. A convicção do judeu é que no Santo dos Santos a glória de Deus habitava da mesma forma que habitava a glória de Deus nos altos céus, no lugar onde fato estava o trono de Deus. A interpretação dos judeus é que a arca da aliança originalmente quando o templo foi construído e quando a arca foi ali colocada era o estrado dos pés de Deus. Então, santos dos santos conservava esse papel de ser o ponto de unificação entre céus e terra, um único lugar no mundo todo, no universo inteiro, em toda a criação em que Deus estava presente, conectando o lugar onde ele habitava com toda a sua glória, os céus, e a terra, que era o lugar onde a humanidade habitava, havia sido criada e se relacionava com esse Deus. Esse Deus está presente no meio de nós e por isso esse é o lugar mais santo de todo o universo. Não só isso, mas esse era o lugar de onde Deus controlava o mundo todo. Se o mundo continuava sendo criação divina, se o mundo estava cativo às potestades e aos poderes, mas continuava sendo criação e propriedade de Deus. Se Deus continuava exercendo a sua soberania sobre todas as coisas, ele fazia isso a partir de um lugar. E que lugar era esse? O templo de Jerusalém. A partir do Santo dos Santos, que Deus colocava em prática o governo que ele exercia sobre toda a criação. Então, voltando paraa nossa declaração inicial, o templo não era o centro de Israel, não era o centro do lugar onde o povo judeu habitava. O templo era o centro do mundo todo. Destruir o templo na cabeça de um judeu, tanto do primeiro século quanto o judeu, que viu essa construção inicialmente sendo feita e consagrada por Davi e depois concluída por Salomão. Ver esse lugar sendo destruído era como se fosse ver o ponto no qual estava apoiado o cosmos o mundo inteiro, sendo abalado. O mundo estava sem um fundamento. Por isso que o templo era visto como o ponto central de toda a criação. A segunda coisa é que o templo era o local onde os sacrifícios eram feitos. E os sacrifícios tinham um papel muito importante e muitos significados dentro desse mesmo sistema sacrificial que a gente encontra descrito em Levítico como um todo, mas em especial em Levítico, capítulo 1 a 7. Nesses sete primeiros capítulos do livro de Levítico, a gente encontra os tipos de sacrifício que deveriam ser oferecidos no templo. Primeiro, no povo que fazia esses sacrifícios no deserto, ou seja, no altar que era construindo junto ao tabernáculo e depois no altar que era construído também dentro da ah das instalações do templo como parte daquilo que Deus havia exigido ao povo de Israel. Esses sacrifícios, ele tinha a função de promover comunhão, ele tinha a função de promover perdão dos pecados e purificação das impurezas. A gente muitas vezes pensa apenas no sacrifício animal como sendo uma parte muito importante do sistema sacrificial, que tinha essa função de fato de trazer perdão dos pecados. Mas nem sempre a gente percebe que existem vários tipos de sacrifício e a relação do povo com Deus era mediada por esse sacrifícios. Então tinha muito mais coisa na relação entre o povo de Israel e Deus do que apenas a purificação dos pecados ou a purificação das impurezas. Existiam muitos sacrifícios que celebravam a presença de Deus. Alguns sacrifícios eles eram queimados e ninguém poderia comer porque isso era interpretado como espécie de alimento que era dado a Deus, não como uma necessidade divina, mas como uma apresentação dos frutos que Israel dedica a Deus. E existiam outros sacrifícios que o povo poderia participar e comer com a como parte daquele rito que deveria ser realizado, porque era uma espécie de refeição e de celebração de paz e comunhão que o povo estava estabelecendo com Deus por meio do sacrifício. Então, o sistema sacrificial que acontecia no templo também tinha a função de manutenção da relação entre o povo e Deus, trazendo novamente comunhão, purificação e perdão de pecados. Só que dentro dessa função central que os sacrifícios tinham, havia um alerta da parte de Deus para o povo de Israel que eles jamais deveriam esquecer. E isso acontece logo que o templo é construído em Jerusalém, concluído ah pelo rei Salomão. E esse alerta para o povo de Israel é o que a gente encontra em Primeira Reis, capítulo 9, versículo 1 até o 9. Quando Salomão acabou de construir o templo do Senhor, o palácio real e tudo mais que desejara construir, o Senhor lhe apareceu pela segunda vez, como lhe havia aparecido em Gibeon. O Senhor lhe disse: "Ouvi a oração e a súplica que você fez diante de mim. Consagrei este templo que você construiu para nele, para que nele habite o meu nome para sempre. Os meus olhos e o meu coração estarão sempre nele. E se você andar segundo a minha vontade, com integridade de coração e com retidão, como fez o seu pai Davi, se fizer tudo que eu lhe ordeno, obedecendo aos meus decretos e as minhas ordenanças, firmarei para sempre sobre Israel o seu trono, conforme prometi a Davi, seu pai, quando lhe disse: "Nunca lhe faltará descendente para governar Israel. Atenção para o versículo 6. Mas se você filhos se afastarem de mim e não obedecerem aos mandamentos e aos decretos que lhes dei, e prestarem culto a outros deuses e adorá-los, desarraigarei Israel da terra que lhes dei, e lançarei para longe da minha presença este templo que consagrei ao meu nome. Israel se tornará então objeto de zombaria entre todos os povos. E embora este templo seja agora imponente, todos os que passarem por ele ficarão espantados e perguntarão: "Por que o Senhor fez uma coisa dessas a esta terra e a este templo?" Versículo 9. E a resposta será: Porque abandonaram o Senhor, o seu Deus, que tirou os seus antepassados do Egito, e se apegaram a outros deuses, adorandoos e prestando-lhes culto. Por isso, o Senhor trouxe sobre eles toda esta desgraça. Então, o alerta que Deus faz para Israel é: "Esse templo hoje é consagrado e eu sempre colocarei os meus olhos sobre esse templo. Mas se vocês, como povo, persistirem em pecar, adorar outros deuses, oferecer sacrifício a outras divindades, eu afastarei vocês e o templo da minha presença. Vocês irão para o exílio e esse templo será destruído. Isso foi um alerta que Deus fez no ato de consagração do templo de Jerusalém. Logo, o problema relacionado ao templo era o problema relacionado ao pecado. Resolver o problema do exílio para o qual o povo de fato foi enviado anos e gerações depois era resolver o problema do pecado que o povo havia persistentemente cometido contra Deus. A gente então percebe o valor do templo como o ponto onde céus e terra convergem, o ponto onde o sacrifícios deveria ser oferecido e um ponto muito menos compreendido ou pelo menos estudado na maior parte dos momentos em que a gente tenta compreender a relação de Jesus com o templo, é o fato de que o templo era tanto um símbolo político como era um símbolo religioso. Por quê? O governante que construía o templo, ele era legitimado pela construção do templo de Jerusalém. A gente vê que o sentido geral que os judeus compreendiam que os governantes que passaram pelo povo judeu em vários contextos e em várias gerações, era que aquele que construía o templo era legitimado como tendo a presença de Deus ao seu lado para ter construído e aquele templo permanecer de pé como um uma forma de aprovação de Deus para aquele governante. Assim foi com o reinado de Salomão. O templo não é uma construção importante do reinado de Salomão. é um aspecto central da prosperidade e daquilo que acontece com o povo de Israel durante o reinado de Salomão. Por quê? Porque Deus estava habitando no Santo dos Santos, no templo em Jerusalém, no monte Sião. Da mesma forma, a gente encontra a compreensão do povo judeu quando esse templo, depois de ter sido destruído e o povo ter retornado do exílio, a reconstrução do templo. É uma forma de dizer que novamente o povo estava numa relação de obediência e fidelidade com que Deus havia exigido e consequentemente com a presença de Deus no meio do seu povo. Assim também acontece com a revolta dos Macabeus. Quando eles purificam o templo, isso dá novamente um senso de autonomia para o povo de Israel, de que eles estão sendo fiéis à vontade de Deus na realização dos sacrifícios, na construção do templo e que Deus estaria ao lado do povo, porque o o templo havia sido purificado pelos Macabeus depois da revolta que a gente vê a aproximadamente 160 anos antes de Cristo. E também no período de Herodes. Herodes tem toda a necessidade e vê a urgência de promover uma grande reforma no templo em Jerusalém. As imagens que geralmente a gente tem do templo, no período de Jesus, é justamente esse templo que foi reformado por Herodes, o grande, porque Herodes sabia que para o povo judeu, e ele era em parte judeu, não completamente judeu, a interpretação do povo é o rei que constrói o templo, é o rei que é legitimado pelo templo, é o rei que tem ao seu lado a presença do próprio Deus. Ainda que isso não fosse de maneira nenhuma aceita por todos os judeus, essa convicção e esse significado político do templo desempenhava um papel muito importante na política de Israel, tanto no período da construção do primeiro templo, quanto do segundo templo, quanto do templo que é reformado por Herodes. E por isso a gente precisa entender que aquilo que Jesus fala e faz no templo, aquilo que ele ensina a respeito do templo e aquilo que a gente leu, que ele fez no templo de Jerusalém, tem uma profunda conotação, tem grande significado para a política do povo judeu. Novamente, o templo é tanto um símbolo político quanto é um símbolo religioso. Essa distinção não existia para o judeu do primeiro século. No meio de todos esses significados, é justamente acontece a ação de Jesus que a gente leu em Marcos capítulo 11. É no meio desse emaranhado de sentidos e significados do templo como lugar em que Deus habita, em que o cosmos todo está apoiado e dependente. O lugar onde o sacrifício é realizado como uma forma de manutenção da relação do povo com Deus, como uma forma de garantia de que Deus estaria continuamente no meio do povo de Israel. O templo como sendo esse centro político que legitima o poder do governante. Tudo isso está de alguma forma sendo confrontado por Jesus na ação que ele realiza no templo. Duas coisas são fundamentais no ministério de Jesus e que a gente precisa trazer a memória no momento em que a gente tenta compreender Marcos capítulo 11. A primeira é Jesus pregava e falava como quem acreditava que ele estava promovendo o verdadeiro retorno do exílio, que havia sido em primeiro lugar determinado por Deus por conta do pecado de Israel. O exílio nunca havia acabado de fato, porque o problema do pecado nunca havia sido de fato resolvido, tratado. A doença não estava curada. Por isso Jesus no seu ministério acredita que ele é quem está promovendo o verdadeiro retorno do exílio. Em segundo lugar, Jesus acredita que nele as profecias a respeito do retorno de Yahvé para o meio de Israel se cumpriram. Jesus acreditava que ele era em pessoa aquele que estava trazendo Yahvé novamente para Sião. Várias profecias olhavam para esse momento. Várias profecias esperavam por esse tempo em que Yahé estaria novamente com poder, habitando no monte Sião e trazendo a realização todas as promessas que ele revelou e manifestou por meio dos profetas de Israel. Então Jesus acredita que essas duas coisas acontecem ao mesmo tempo e acontecem na própria pessoa de Jesus. Isso tem tudo a ver com o templo. Por quê? Se Deus vai retornar, onde é que Deus vai habitar? É óbvio que é no templo. No momento em que Yahé retornar para o meio do povo de Israel, será o momento em que o templo será novamente habitado pela presença gloriosa no Santo dos Santos. Em segundo lugar, se Deus vai voltar, então o templo de Herodes não pode permanecer. Se Yahé vai retornar para habitar no meio do templo, certamente não será no templo que Herodes, apesar de não ter construído, reformou e que era interpretado como símbolo da legitimação do poder de Herodes, um rei que não tinha direitos sobre o povo de Israel. Então, se Yahé retornou, o templo que Herodes reformou estava sob o julgamento do próprio Deus. Isso nos permite entender com muito mais clareza a ação de Jesus no templo. Jesus, ele ofereceu em seu ministério uma forma completamente nova e uma forma completamente subversiva de ser Israel. Isso não começa quando Jesus chega em Jerusalém. Isso não fica evidente apenas na ação de Jesus no templo. Isso está muito presente naquilo que ele faz no seu ministério, aquilo que ele ensina no seu ministério na Galileia. Mas isso parece chegar a um clímax e isso parece se tornar uma mensagem que não é apenas implícita, mas explícita justamente nesse ato que Jesus realiza no templo de Jerusalém. Jesus está apresentando uma forma nova e subversiva de ser Israel. Ele não está negando a história de Israel. Ele não está negando a legitimidade do povo de Israel como um povo que foi chamado por Deus para trazer esperança para as nações. Mas ele está confrontando e apresentando uma forma completamente diferente de ser esse povo que é fiel à vontade revelada de Yahvé. E isso tem tudo a ver com o templo, porque a consequência é que tudo o que acontecia no templo, nessa nova forma e subversiva forma de ser Israel, passa a acontecer em Jesus. Tudo isso que a gente viu, que é de significado, de ato, de segurança que existia para o povo de Israel no templo de Jerusalém, passa a acontecer no corpo, na pessoa e no significado de tudo aquilo que Jesus fez. Jesus está concentrando em si tudo aquilo que era prerrogativa, tudo aquilo que havia sido determinado por Deus, que deveria acontecer no templo, ser compreendido a partir do templo, o poder que estava residindo no Santo dos Santos do templo de Jerusalém. Jesus concentra em si tudo aquilo que antes era a função do templo. E Jesus realiza no templo aquilo que é uma ação parabólica de juízo. A gente tá acostumado a entender o que que é parábola por meio das histórias e das ilustrações que Jesus conta nos Evangelhos. E essas parábolas eram uma forma de Jesus revelar algum aspecto do reino que não poderia ser melhor ilustrada que não fosse por meio de uma história. Ninguém ouve essas parábolas e espera que essas parábolas reflitam algo que de fato aconteceu. Esse não é o ponto da parábola. O ponto da parábola é o que é que essa história, o que é que essa ilustração nos revela a respeito do reino de Deus. O reino de Deus é como o fermento. O reino de Deus é como uma pequena semente menor do que o grão de mostarda ou como um grão de mostarda. O reino de Deus é como um tesouro enterrado no campo. Jesus está contando histórias para revelar o reino. Mas nem sempre a parábola é apenas uma história. Existem ações que são ilustrações de como esse reino deveria ser implementado e de como esse reino deveria ser manifestado para todos os povos. Existem ações concretas que simbolizam essas coisas. Por isso que existem tantos, tanto nos profetas de Israel, a gente encontra isso em Isaías, a gente encontra ações parabólicas em Jeremias e também em Ezequiel. Ah, existem ações parabólicas no ministério de Jesus que nos revelam aquilo que é o reino que não poderia ser feito de outra forma, de outra forma que não pelo símbolo de uma ação. Por isso, aquilo que Jesus está fazendo no templo é uma ação parabólica de juízo. Muitas vezes, quando a gente olha pra explicação do sentido e significado do que Jesus fez ali, a explicação está relacionada com a denúncia e com a reprovação que Jesus está realizando sobre o sistema sacrificial, que se tornou uma forma de exploração econômica para o povo judeu. jeito saía lá da Galileia, vendia o seu animal perto de casa, viajava até o templo de Jerusalém e quando ele ia comprar um animal ali para oferecer como sacrifício, fosse ele rico ou pobre, ele era explorado por isso. Ele era cobrado três vezes mais do que o valor que ele havia vendido esse animal na sua terra natal, na no lugar de onde ele veio, até o templo de Jerusalém. Ainda que existisse essa realidade, e há documentos que mostram muito claramente que isso de fato estava acontecendo no templo de Jerusalém, parece que há um elemento ainda mais importante e urgente que Jesus está denunciando e que Jesus está reprovando. Ele não só está dizendo que a casa de oração se tornou um covil de ladrões, porque o povo estava sendo explorado, mas porque aqueles ladrões estavam desviando, estavam de alguma forma orientando um povo para um ponto que seria a sua destruição e não a sua redenção. Além dos ladrões, por assim dizer, que exploravam o povo na compra e vendam dos dos animais que acontecia no templo, existiam muitos judeus que estavam pregando e que estavam conquistando grande popularidade no meio do povo judeu, com a proposta e a ideia de que o povo de Israel deveria se rebelar contra Roma, porque isso seria sinal da sua fidelidade ao único Deus verdadeiro. E uma vez que o templo estava de pé, quando o povo se organizasse, se rebelasse e fosse para a luta armada contra Roma, eles conquistariam a vitória. Seu templo está em Jerusalém e nós acreditamos que Deus está abençoando esse templo, ele está abençoando o seu povo com a sua presença dentro daquele templo, isso significa que nós devemos pegar nas espadas da mesma forma que os macabeus fizeram. Nós devemos pegar nas armas que estão ao nosso dispor e se levantar contra o domínio que se estabelece contra o povo judeu. Nós devemos lutar contra Roma. E Jesus está dizendo que esses também são aqueles que são ladrões e que estão desviando o povo de perceber a resposta que Deus deu de perdão e libertação para o povo que estava diante deles, a própria pessoa de Jesus. Eles estavam tão cegos com as suas ideologias que não poderiam ser classificadas como políticas ou religiosas. Era era a sua fonte de esperança. Eles acreditavam que a fidelidade, a relação com Deus, isso que que a gente classifica como religião, na verdade seria alcançado por meio de uma perspectiva política de libertação contra Roma, de libertação contra o cativeiro que eles ainda estavam submetidos. E Jesus está dizendo: "Não, a libertação de Deus chegou para vocês. As suas respostas foram atendidas. O perdão de Deus é dado para o povo de Israel que se arrepende e se volta para Deus, mas isso não virá confrontação contra Roma. E no momento em que vocês embarcarem nessa ideia, nessa convicção de que é nisso que consiste a sua libertação, vocês irão amargar grande destruição. A casa que vocês estão construindo é sobre a areia, não sobre a rocha. No momento em que vocês se levantarem contra a Roma dessa forma, esse templo que é a fonte de segurança, que é a fonte de identidade, que a fonte de esperança para vocês, vai virar pó, vai virar cinza. E aquilo que sempre foi a resposta de Deus encarnada diante dos seus próprios olhos, está sendo rejeitada por vocês. figueira que não deu fruto e que agora eu estou amaldiçoando, haverá o tempo em que ela estará seca e não poderá dar nenhum fruto, porque ela sofreu as consequências do seu ato de recusa, o seu coração endurecido, os seus ouvidos que se tamparam para a verdadeira revelação de Deus. E isso acontece em 66 depois de Cristo, aproximadamente 30 anos, 30 e poucos anos depois que Jesus proferiu essas palavras que a gente vê, esse ato que ele realiza no templo em Jerusalém, o povo judeu entra em guerra contra Roma. Essa revolta dura 4 anos. A cidade de Jerusalém é destruída no ano 70 e o templo é destruído no ano 70. E o que é mais impressionante é que o povo judeu entrou em um estado de tanta turbulência, em um estado de de tanta eh corrosão, que os próprios judeus, os próprios grupos opositores e o povo estava profundamente dividido, foram tão cruéis uns contra os outros que quando Roma invadiu Jerusalém, eles disseram que ele eles tiveram muito pouco trabalho para dominar, para destruir tanto a cidade quanto quanto o templo. Porque o povo de Deus, o povo judeu, perdão, já havia destruído a si mesmo. Jesus está trazendo uma palavra de condenação que, obviamente, não é relevante apenas para esse fato e esse ato da guerra que acontece entre 66 e 70. é uma palavra profética para aquela geração de que se vocês seguirem por esse caminho, vocês vão amargar profunda destruição. Mas é uma palavra que atravessa todas as gerações a partir daquele momento histórico, daquele ato que aconteceu de fato da destruição de Jerusalém, como sendo uma revelação sobre a fonte de esperança e de segurança que eles tinham e que nós também precisamos responder a respeito daquilo que nós temos. Quando Jesus ele realiza essa parábola, esse ato parabólico de juízo, ele está anunciando de que se Israel não se arrependesse, o templo seria mais uma vez destruído pelos povos pagãos. E o ponto central dessa passagem pra gente compreender que de fato é isso que Jesus está tratando é Marcos capítulo 11 versículo 17. No meio da passagem que a gente leu, quando Jesus afirma o seguinte, Marcos 11, versículo 17, diz assim: "E os ensinava dizendo: "Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões." Essas palavras que Jesus coloca são citações de dois textos proféticos. O primeiro texto que Jesus está citando aqui é Isaías, capítulo 56 versículo 7. E o segundo texto que ele está citando logo na sequência é Jeremias, capítulo 7, versículo 11. Mas quando Jesus faz isso, quando ele está de fato ah citando esses textos, ele não está pensando uma expressão e um versículo bíblico de certa forma para legitimar aquilo que ele está dizendo. Ele não está dando um tom sagrado para aquilo que ele queria dizer. de qualquer forma, para aqueles judeus, para os sacerdotes que estavam no templo, para as autoridades que o estavam ouvindo, o que Jesus está fazendo é reconstruir todo o contexto em que essas profecias de Isaías e Jeremias foram colocadas para dizer: "Tudo aquilo que esses profetas anunciaram está se cumprindo mais uma vez naquilo que eu estou realizando, naquilo que eu estou ensinando e naquilo que eu estou prestes a fazer. E não só isso, com muita tristeza. E a gente sabe que era um coração triste que Jesus tinha não apenas irado quando ele realizou essas coisas, porque Jesus chora sobre Jerusalém, que mais uma vez mata e irá matar os profetas que são enviados para ela para avisar a respeito do juízo divino. Jesus com esse coração triste está dizendo que essas coisas que já aconteceram no passado vão acontecer mais uma vez no tempo presente. Assim como Jeremias falou sobre o templo que seria destruído no passado e foi destruído após a profecia de Jeremias, o templo seria destruído agora, porque Jesus estava retomando essas palavras e dizendo que mais uma vez o povo estava embarcando em um navio que estava destinado a ser um náufrago. Então, quando Jesus ele está reconstruindo esse contexto, ele cita Isaías capítulo 56. Eu vou ler brevemente essa passagem de Isaías 56, do versículo 6 a ao 8, que diz o seguinte: "E os estrangeiros que se unirem ao Senhor para servi-lo, para amarem o nome do Senhor e prestar-lhe culto, todos os que guardarem o sábado, deixando de profaná-lo, e que se apegarem à minha aliança, esses eu trarei ao meu santo monte e lhes e lhes darei alegria em minha casa de oração. Seus holocaustos e demais sacrifícios serão aceitos em meu altar, pois a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Palavra do soberano do Senhor, daquele que reúne os exilados de Israel. Reunirei ainda outros aqueles que já foram reunidos. Essa expressão casa de oração que Jesus cita em Marcos, capítulo 11, versículo 17, está aqui em Isaías. capítulo 56, tanto no versículo 7 quanto no versículo 8, mas está dentro de um contexto em que Deus está apontando para a reunião de outros povos em torno da sua casa, do seu templo, para que fosse constituído um Israel que não era feito apenas dos judeus, mas também dos gentios, que reconheceriam que Yahé era o único Deus. E não apenas esse texto é relevante, mas também o texto que a gente encontra em Jeremias a capítulo 7 do versículo 3 em diante. Vou pedir para você acompanhar. Jeremias 7:3 diz assim: "Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações. Eu os farei habitar neste lugar. Não confiem nas palavras enganosas dos que dizem: "Este é o templo do Senhor". O templo do Senhor. O templo do Senhor. Mas se vocês realmente corrigirem a sua conduta e as suas ações, e se de fato tratarem uns aos outros com justiça, se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva, e não derramarem sangue inocente neste lugar? E se vocês não seguirem outros deuses para sua própria ruína, então eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos seus antepassados desde a antiguidade e para sempre. Mas vejam, vocês confiam em palavras enganosas e inúteis. Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal e seguir outros deuses que vocês não conheceram. e depois vir e permanecer perante mim neste templo que leva o meu nome e dizer: "Estamos seguros, seguros para continuar com todas essas práticas repugnantes? Este templo que leva o meu nome tornou-se para vocês um covil de ladrões. Cuidado, eu mesmo estou vendo isso declara o Senhor. Portanto, vamos agora, Siló, o meu lugar de adoração, onde primeiro fiz uma habitação em honra ao meu nome. E vejam o que eu lhe fiz por causa da impiedade de Israel, o meu povo. Mas agora, visto que vocês fizeram todas essas coisas, diz o Senhor, apesar de eu lhes ter falado repetidas vezes e vocês não me terem dado atenção e de eu tê-los chamado e vocês não me terem respondido, eu farei a este templo que leva o meu nome, no qual vocês confiam, o lugar de adoração que dei a vocês e aos seus antepassados, o mesmo que fiz a Siló. Expulsarei vocês da minha presença, como fiz com todos os seus compatriotas, o povo de Efraim. O que Levítico, perdão, o que Primeira Reis capítulo 9 tinha anunciado. Jeremias está confirmando: "Porque o povo confiou nas palavras inúteis e nos enganos voluntários, o povo será mandado para o exílio e o templo será destruído." Veja que a palavra que Jesus cita de Jeremias não é purificação do templo. O contexto de Jeremias deixa muito claro que Primeira Reis capítulo 9 se cumpriria: "O templo precisava ser destruído. O templo não precisava ser purificado. O templo precisava ser destruído porque o templo havia sido corrompido de uma forma irrecuperável. Jesus não está apenas citando um versículo, ele está recuperando toda a profecia e todo o contexto para compreender o que deveria acontecer com aquele templo. O povo na época de Jeremias escutava o templo, templo, templo. Enquanto o templo estiver de pé, nós teremos segurança. E Jeremias está dizendo: "Não, porque Deus não quer apenas do povo que o templo permaneça de pé, mas quer do povo misericórdia para o necessitado. O cuidado com o órfão, com a viúva e com o estrangeiro. Vocês acham que vocês podem oferecer sacrifícios a Baal, cometer adultério, mentir e explorar para o pobre e achar que tudo permanecerá bem? Eu farei com vocês aquilo que prometi que faria a vocês no momento em que vocês se voltassem para outros deuses e pecassem persistentemente contra mim. O povo acreditava que porque o templo estava de pé na época de Jeremias. E na época de Jesus eles tinham esperança. O templo se tornou um talismã. O templo se tornou uma forma de idolatria. O templo tem o poder mágico de trazer segurança, identidade e esperança pela para aquele povo apenas por ser um templo, um prédio, mas que Deus estava dizendo está completamente vazio de significado, porque está vazio da glória de Deus. A presença de Deus já não está mais ali. O templo havia se tornado um talismã e a promessa de Deus nunca foi que tudo permaneceria bem enquanto o templo estivesse de pé. Jesus declara declara guerra e declara guerra contra o templo. Mas não está declarando guerra contra o templo como o local da habitação de Deus. Jesus declara guerra contra o templo que se tornou um talismã. um objeto mágico, um objeto que pode trazer segurança em si mesmo para o povo de Israel. E Jesus simbolizava a chegada do reino e consequentemente, simultaneamente a destruição do templo. Se Jesus acreditava que o reino de Deus havia chegado porque Yahé havia retornado para meio para o meio de Sião para habitar novamente com o povo de Deus em Jerusalém, no lugar e na terra santa. Se Deus estava promovendo o retorno definitivo do exílio que o povo amargava há tanto tempo, isso implicava que o problema do pecado precisava ser tratado. E se o problema do do pecado precisava ser tratado, aquele templo, o templo que estava em Jerusalém, na época de Jesus, precisava ser destruído. Por quê? Porque a fonte de segurança e esperança, tudo aquilo que o povo de Israel estava habituado há centenas de anos a enxergar no templo, agora passava a acontecer no corpo, no sacrifício, na ressurreição e na pessoa de Jesus. Por Jesus está em nosso meio? Porque Yahé habita na pessoa de Jesus. Porque o Pai se revela no Filho, nós temos esperança. Porque Jesus é a glória de Deus encarnada entre nós. Nós temos esperança. Porque eu sei quem Cristo é e aquilo que ele fez por nós, povo de Israel, primeiro judeu e agora também o gentil. Nós podemos ter certeza de quem nós somos. Nós fomos feitos filhos porque o filho de Deus se entregou em nosso favor. Essa é a fonte de nossa esperança. Essa é a fonte de nossa segurança. Toda essa discussão não tem relevância apenas para o povo judeu no primeiro século. Isso tudo que a gente tá conversando não tem a ver apenas com o templo que estava em Jerusalém, que foi reformado por Herodes, que caiu no ano 70. Tudo isso não está restrito aquele momento e aquele lugar, porque nós hoje, obviamente, temos todas as nossas próprias formas de idolatria. De que maneira você consegue ter essa completa segurança que Jesus está dizendo que havia de oferta na sua mensagem, na sua pessoa, no seu sacrifício para o povo judeu naquele contexto? De que forma você hoje consegue ter o seu coração em paz de que tudo que você precisa, toda a identidade que você necessita pode ser alcançado? Onde é que estão essas coisas? Para muitas pessoas isso está em uma tradição religiosa. Para muitas pessoas isso está quase que um prédio que a gente continua acreditando que é um templo. Quando você vai no domingo, no sábado, em qualquer outro dia da semana se reunir com o povo de Deus, você não está indo para o templo. O templo caiu no ano 70. Não existe mais templo na forma que existia no Antigo Testamento e que existia no período do Novo Testamento. Para muitas pessoas isso está na segurança que se encontra no dinheiro. Para muitas pessoas, esse senso de identidade, de esperança e de segurança está no fato de que ele é evangélico. Ele tem uma religião em particular. Isso nunca foi a promessa de Deus. Isso nunca foi a resposta de Deus para todas as nossas necessidades. Evangélico, em boa medida parece ter se tornado uma categoria sociológica. É o que você responde pro IBGE. Deus não quer saber exatamente qual é a denominação que você faz parte. Assim como Deus Yahé revelou para o povo de Israel que ele não queria sacrifícios, mas misericórdia, assim como Jesus está falando que a esperança daquele povo naquele prédio, naquele templo em Jerusalém seria a fonte da sua ruína, assim também Jesus mais uma vez está clamando, falando em alta voz na cidade, falando nos pontos altos dessa cidade como a sabedoria que clama para aquele que é imprudente. Escutem a minha voz, coloquem em mim toda a esperança que vocês possuem, a fim de que vocês recebam o pão da vida, a fim de que vocês bebam dessa fonte que jamais irá cessar e que fluirá do coração de vocês como fonte de águas vivas. Jesus está colocando pra gente um senso de identidade nele. Não é em um lugar, não é em uma religião, não é em uma fonte de segurança externa, senão na pessoa de Jesus. É isso que define quem nós somos. É isso que nos dá paz com Deus. É isso que nos dá tranquilidade de sermos quem somos, porque somos aquilo que somos na pessoa de Jesus. Ele nos deu o poder de sermos chamados filhos de Deus. Por isso, não transforme o templo em um talismã. Não transforme qualquer elemento externo em al uma força mágica que vai solucionar os seus problemas. Deposite a sua segurança, a sua fonte de identidade, a sua esperança no Senhor Jesus. E tenha o seu coração completamente tomado por essa paz que excede todo entendimento. Amém. >> [música]