Salmo 134 :1-3 | Rev. Thiago Santos
02/03/2026
Salmo 134 :1-3 | Rev. Thiago Santos
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Graça e paz a todos da parte de Deus, nosso Pai, do nosso Senhor Jesus Cristo. Queria pedir a você que se pudesse assentar um pouco mais ao centro e desocupar alguma vaga possível. Os diáconos estão pedindo, tem pessoas aqui na frente, já tá lotado. Então, se puder sentar um pouco mais ao centro para liberar vagas aí, vai ser muito bom. Vamos abrir a palavra de Deus no Salmo 134. Salmo de número 134. Nós chegamos ao final da nossa jornada, onde nós temos visto eh à luz da palavra de Deus, a nossa vida de adoração, de exaltação ao Senhor. Um salmo pequeno, salmo de número 134, apenas três versículos. Diz assim a palavra do Senhor: "Bendizei ao Senhor, vós todos, servos, que assistis na casa do Senhor, na hora da noite, erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor. De Sião te abençoe o Senhor, criador dos céus e da terra". Vamos orar. Pai, nós te damos graças e louvamos ao Senhor por essa manhã. pela oportunidade que temos de prestar-te culto, de adorar e de louvar ao teu santo nome. Nós temos uma liberdade, ó Pai, e que muitas pessoas não têm e isso é um grande privilégio. Rogamos a ti que ilumine a nossa mente e que abra os nossos ouvidos e o nosso coração para que ouçamos a tua voz e a tua direção e que a tua palavra possa perpassar o nosso coração e a nossa mente, gerar vida, frutos dignos de arrependimento e levar-nos de volta a ti mesmo. Que toda honra e glória seja dada ao Senhor. Fala conosco. É o que te suplicamos em nome de Jesus. Amém. Meus irmãos, em 1517, nas vésperas da reforma protestante, Martim Lutero escreveu ao seu confessor Johanes V Stalpites, desabafando acerca da crise espiritual profunda da sua época. Estalpites olhando e respondendo, eh, descreve para nós, de acordo com o salmo, ele diz em suma o seguinte: "Nossos templos estão cheios de rituais, mas vazios de adoradores." Cada vez mais nós vemos o declínio da igreja. Isso não é diferente da nossa época. Nós temos o culto se tornando apenas uma performance sem presença. Nós temos geralmente liturgias acontecendo, mas sem devoção, sem uma total entrega, sem um total rendimento ao Senhor. E nós vemos por aí nas mídias uma religião sem total redenção. E se nós formos avançar isso para os nossos dias, nós vemos uma crise parecida. Pesquisas recentes nos Estados Unidos em 2026 na peure, a frequência regular do culto protestante caiu de 45% para 29% em duas décadas. No Brasil, por exemplo, numa pesquisa do Instituto Dada Folha em 2020, revelou o mesmo que entre os evangélicos autodeclarados, menos de 40% frequentam o culto semanalmente. Há uma queda vertiginosa que nós vemos nesse sentido, na frequência dos nossos cultos. E o fenôimo tem nome descristianização social. E quando nós olhamos para tudo isso, nós vemos que essas pessoas que confessam a fé com os lábios, muitas vezes não colocam isso na vida. Não é só confessar, é viver. Eles confessam, eles dizem que são cristãos que professam a fé, mas a prática não condiz com aquilo que professam. E nós temos ao nosso redor o mundo sussurrando de nós ou sussurrando os nossos ouvidos continuamente. Por que que nós devemos ir ao templo? Por que que nós devemos cultuar ao Senhor? Nós podemos ficar nas nossas casas, nos nossos bancos, nos nossos sofás acochoados e ali prestarmos o nosso culto de louvor e de adoração a Deus. Mas será que isso equivale realmente o mesmo sentido e a mesma intensidade que nós temos? Como aqui presencialmente? O que nós vemos é uma apatia, nós vemos uma frieza e é exatamente essa apatia espiritual que o Salmo 134 aqui se levanta. Este não é um salmo de um culto de manhã onde o sol tá brilhando e as circunstâncias estão perfeitas. É um salmo sobre servos do Senhor que continuaram no culto mesmo quando o turno havia acabado, de pessoas que continuavam a sua adoração, mas a sua devoção totalmente integral na presença de Deus. E nós precisamos entender isso de maneira muito clara. Nós não somos cristãos apenas nos domingos. Nós não servimos a Deus apenas nesse culto. Cristo tem que ser Senhor em cada palavra. em cada atitude, em cada decisão, seja dentro da nossa casa, seja no nosso trabalho, seja em qualquer lugar que nós for, porque a maneira que nós agimos lá fora revela a quem nós adoramos aqui dentro. A atitude que nós temos lá reverbera nesse exato momento no culto que nós prestamos ao Senhor. E nós estamos aqui no fim dessa jornada. O Salmo 134 é o último desses cânticos de Romagem. Eram louvores entoados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém. Para eles, a viagem não era um obstáculo até o culto. A própria viagem já era um culto, já era uma adoração, já era uma demonstração. E nós vemos um progresso espiritual até aqui. Ele sai da angústia no Salmo 120, passa pelo Salmo 133, que nós lemos na nossa liturgia, em que o salmista celebra a comunhão, a alegria de estar junto no meio da igreja. E agora no salmo 134 eles estão prontos para voltar para casa. Eles saem da alienação, vamos assim dizer, da apatia para o momento de comunhão. Eles saem do exílio e agora estão retornando para o lar. E é nesse momento de despedida que nós encontramos esta verdade, a verdade mais central que gira todo nesse salmo, que nos mostra que a adoração não acaba quando o culto termina. A nossa adoração não acaba quando o culto termina. Nós carregamos a bênção de Deus na nossa vida. Nós somos instrumentos de Deus na nossa casa, no nosso trabalho e por onde quer que nós formos. Nós levamos em nossa vida as marcas de Cristo, o bom perfume de Cristo. Nós testemunhamos a Cristo no nosso dia a dia. Nós vivenciamos o Senhor. Então nós veremos, portanto, que uma devoção integral só acontece com o coração transformado pelo evangelho de Cristo, que cultua verdadeiramente ao Senhor. Não quando tudo tá bem, não quando tudo tá fácil, mas que carrega essa graça de Deus na sua vida, no seu andar dia a dia, que demonstra isso. E esse salmo nos ensina quatro marcas dessa devoção integral. E a primeira marca dessa devoção integral é que essa devoção é uma convocação a uma adoração urgente. Nós somos exortados a adorarmos ao Senhor. Olha o que que o texto diz na parte A do verso um. Bendizei ao Senhor, vós todos servos do Senhor. Quando você vai pro original hebraico, o salmo inicia com a partícula que não encontra aqui na nossa língua portuguesa. Ela foi omitida. Mas a ideia dessa partícula é: eis aqui ou preste atenção. É como se Deus estivesse sacudindo os nossos ombros e estivesse dizendo: "Olha, acorde, preste atenção, considere com atenção o que vai ser dito." E note que aqui não é uma sugestão, não é nesse sentido, é uma ordem. Bendizei ao Senhor. É uma convocação que não se limita também aos levitas, mas que perpassa inclusive a nós mesmos. Não só a linhagem sacerdotal, mas a todos nós somos chamados a bendizer, a reconhecer quem Deus é, conforme a revelação de sua palavra, conforme ele se revela acerca dele mesmo nas escrituras. Não é sobre aquilo que nós sentimos, não é sobre aquilo que nós achamos. E algo interessante nesse salmo é que essa palavra bem dizer que acontece no verso um, que acontece no verso dois, é a mesma que é utilizada no verso três para dizer: "O Senhor abençoe". Se nós fôssemos colocar na língua portuguesa, seria abençoe ao Senhor. Mas isso soa estranha aos nossos ouvidos. Como que nós que não temos nada a oferecer, vamos abençoar a Deus? Pro judeu, isso era comum. Para ele isso não era, vamos dizer assim, algo difícil de ser entendido, porque para ele quando se refere a abençoar a Deus, se refere a algo que vem dele pro Senhor. Se refere à ideia dele reconhecer diante de quem ele tá, se refere ele a adorar a Deus, a exaltar ao Senhor, a glorificar a Deus, a bendizer ao Senhor. Não é somente é realmente nós estarmos aqui, é colocarmos a nossa vida diante do Senhor. Então, mesmo diante das dúvidas, dos temores, das incertezas, a nossa fé deve nos levar a proclamar quem Deus é a partir da revelação que ele faz de si mesmo nas escrituras. Nós louvamos a Deus não apenas com canções, nós louvamos a Deus com palavras, atitudes que reconhecem a sua soberania, que reconhecem a sua santidade. Então, bemer declarar com a vida aquilo que ele já declarou acerca de si mesmo para nós. Então, é essencial a gente não confundir adoração com admiração, porque admiração é o reconhecimento das qualidades que alguém tem, que não é o caso aqui e que não envolve algo profundo. Adoração implica uma entrega total, uma renúncia, reverência, um relacionamento pessoal e íntimo. A gente pode ver isso de maneira muito clara. Por exemplo, nos Evangelhos, as multidões seguiam Jesus pelo seu ensino e pelos seus milagres, e elas muitas vezes estavam admiradas. Mas quantos seguiam Jesus verdadeiramente? É só lembrar dos 10 leprosos. Todos receberam a mesma cura. Quantos voltaram para agradecer? somente um. Então, admiração pode ser, vamos assim traduzir para nós, aquele momento em que nós batemos palma, enquanto adoração é rendição, é reconhecimento, é voltar-se para ele. E nós sabemos muito bem que pela nossa natureza caída, nós desejamos é fugir de Deus como Adão no Éden. Graças à ação do espírito, graças a essa ação de Deus que transforma o nosso coração, não apenas nos tira de simpatizantes, mas nos coloca como adoradores genuínos, como pessoas que bendizem, que declaram a Deus, que exaltam ao Senhor com a vida a partir daquilo que ele revela na palavra dele, independentemente do que nós estamos sentindo, do que nós estamos passando, independentemente como está a nossa vida nessa manhã, porque nós não estamos adicionando nada ao Senhor. Nós apenas estamos reconhecendo publicamente o que ele já é infinitamente digno. Então, é uma convocação urgente, é um chamado. Bendigam ao Senhor. É uma urgência. Essa adoração é urgente. Além de ser uma convocação urgente, essa adoração também é contínua. Aqui está outra marca. Veja o que o texto diz na parte B. Bendizei ao Senhor, vós todos, servos do Senhor, que assisti na casa do Senhor nas horas da noite. Essa oração continua ainda ao terminar o culto, ela persevera na noite. Então, o serviço no templo, ele era contínuo. E o Salmo 134 tá se dirigindo exatamente para aqueles que estavam servindo ao Senhor durante a noite no templo. Eles são servos do Senhor. Eles são escravos do Senhor. É aqui é a ideia de um contexto de aliança. É uma convocação aqueles que estão dentro desse relacionamento com Deus, não por status, não por competência intelectual, não por posição econômica, mas por quem eles são diante de Deus. Servos. Os levitas, eles tinham funções claras no templo. Eles tinham que carregar a arca da aliança, eles tinham que ministrar diante do Senhor e eles tinham a obrigação de pronunciar a bênção de Deus. Eles eram encarregados do templo e a sua rotina se resumia a oferecer sacrifícios de manhã, de tarde e à noite, administrar as ofertas do povo. Também eles instruí o povo na palavra de Deus, oravam e abençoavam em nome do Senhor. Mesmo que à noite, por exemplo, os sacrifícios cessavam, o serviço continuava, o serviço não parava. Eles continuavam ali oferecendo tudo aquilo que era necessário, tudo aquilo que estava de acordo com a palavra de Deus, porque o fogo do altar não podia apagar. Tá lá em Levítico, capítulo 6. O candelário precisava brilhar dia e noite. Não havia, vamos assim dizer, horário comercial para cultuar a Deus. Se nós olharmos nas escrituras, Davi organizou os corais para louvar a Deus dia e noite. Tá no Salmo 92. Ana, por exemplo, em Lucas capítulo 2, ela não se afastava do templo. Ela servia a Deus com jejuns e orações dia e noite. Então aqui nós temos uma implicação muito profunda para nós, a implicação de que não somos chamados a cultuar a Deus, a prestarmos a nossa adoração quando tudo está bem, quando a nossa conta bancária está azul, quando o casamento está um mar de rosas, ou quando a saúde está perfeita. Nós somos chamados a cultuar ao Senhor até mesmo diante da noite, até mesmo diante dos momentos difíceis, quando a dúvida permeia a nossa mente na madrugada, quando nós estamos aflitos, quando o luto bate no nosso coração, quando o estress do trabalho parece insuportável. É nessa noite que nós demonstramos quem de fato Deus é para nós. É nesses momentos que nós reverberamos a nossa devoção, o nosso coração, a nossa total entrega ao Senhor. Então, a marca de um discípulo jamais é a tribulação, mas é a sua perseverança em continuar mantendo o fogo do altar acesmo, mesmo em meio à escuridão. É continuar adorando a Deus. e sabendo que ele sempre tem o melhor para nós, mesmo diante dos momentos difíceis. Então, não é somente uma convocação, adoração urgente, é uma adoração contínua, constante. E a gente então vê ao longo do texto que ela não só é urgente, ela é contínua, mas ela é completa. Não é uma parte de nós, é todo o nosso ser. Adoração a Deus envolve corpo, postura e direção de santidade. Olha o que que diz o verso dois. Erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor. Adorar envolve o ser completo, corpo e alma. Há uma ordem aqui. Erguei as mãos. Não, erguer as mãos não é pecado no momento certo e na hora certa de adorarmos e exaltarmos ao Senhor. É um princípio bíblico. Não é apenas um gesto físico. É uma postura de um coração quebrantado. É uma expressão de adoração, de oração e de louvor. E note que esse ato aqui ele não é privado, ele é comunitário. Erguei as mãos. O objeto direto do verbo está no plural. As mãos não é um gesto de súplica, é um gesto de louvor, de rendição comunitário. Enquanto que muitos hoje levantam as mãos para pedir e quando não recebem o que querem, cruza os braços como crianças contrariadas. Nós vemos que erguer as mãos para o santuário é um gesto de redição. É de um coração totalmente entregue, totalmente rendido, dizendo: "Senhor, eu dependo totalmente ti". E é exatamente isso que Paulo diz em Primeira Timóteo, capítulo 2, verso 8. Ele diz: "Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos santas, sem ira e sem contenda." Ou seja, a direção exterior, erguer as mãos para o santuário, para esse momento de adoração, exigia do adorador também uma condição interior. Ambas não estavam desassociadas, ou seja, a postura externa reverberava a realidade interna, porque joelhos dobrados não apenas indicam humilhação, mas rendição. mãos erguidas não ensinam apenas momento de levantar, mas total dependência. Então, o gesto de levantar não é apenas um sentimento emotivo aqui, inclusive na antropologia bíblica hebraica, eh, ela distingue isso de maneira muito clara do dualismo platônico em que o corpo é a prisão da alma, mas pro Senhor ela é um instrumento de adoração criado unicamente para glorificar o Senhor. Então, é uma orientação do ser que se rende totalmente na direção do Senhor. E para onde que essas mãos tinham que ser erguidas? Para o santuário, pro lugar mais sagrado. Ali estava a arca da aliança, o símbolo da presença de Deus. Era ali que estavam os querubins sobre a arca, representando o trono divino. Então, as mãos erguidas, nada mais era do que uma demonstração de adoração ao Deus que habita no trono, que governa tudo e todos e que está dirigindo todas as coisas. E aqui nós chegamos ao coração de todo o evangelho, meus queridos. Porque nós pecadores, como que nós podemos levantar as nossas mãos sujas diante do Senhor? Nós só podemos levantar as nossas mãos hoje, porque um dia Cristo levantou as suas mãos na cruz. Nós só podemos chegar ou confessar ao Senhor o o o nosso louvor e a nossa adoração, porque Cristo nos concede essa graça. Ele é o nosso sumo sacerdote. Ele é o adorador perfeito. Ele é o cordeiro sem mancha. E na cruz, com seus braços estendidos, ele ofereceu um sacrifício definitivo. É a justiça de Cristo imputada a nós, que limpa as nossas mãos e purifica o nosso coração. A nossa adoração só é aceita porque Cristo, através do seu sangue, nos limpa e nos leva de volta para ele. Portanto, o chamado aqui é claro. Adoremos a Deus por completo, corpo e alma, não só com palavras, mas também com atitude. Não é só estar aqui, é colocar o seu coração diante do Senhor. Não é um mero ritual religioso, é estar por completo na presença de Deus. Além de ser uma adoração urgente, contínua, completa. Por fim, nós vemos a quarta marca. É uma adoração compartilhada, porque a adoração genuína é recebida, mas ela também é transmitida. E agora vem a resposta de Deus. Os sacerdotes agora se voltam para o povo e dizem o seguinte: "De Sião te abençoe o Senhor, criador dos céus e da terra". Não é apenas o encerramento de um ato litúrgico, mas é o cumprimento de uma orientação dada por Deus lá em Números, capítulo 6, verso 22 ao verso 27, que inclusive nos diz: "Disse o Senhor a Moisés: "Falarão e aos seus filhos, dizendo: Assim abençoarei os filhos de Israel, e dir-lhe: Eis: O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti. O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz. Assim porão o nome sobre os filhos de Israel e eu os abençoarei. Olha o pronome pessoal aqui. Te abençoe. Tá no singular. Embora a bênção litúrgica seja coletiva, a graça alcança pessoalmente cada um. De maneira que Deus conhece nós pelo seu nome. Ele pastoreia o nosso coração individualmente. Ele conhece cada um dos seus. E o designativo aqui de Sião é apenas sinônimo para Jerusalém, para o lugar aonde estava a presença, o pacto, o cumprimento, a realização, o momento em que o povo subia para celebrar, para adorar. O lugar da presença de Deus é uma demonstração de que esse Deus que tem um compromisso conosco através dele mesmo agora nos chama e nos garante a sua bênção. E qual é a garantia dessa bênção? O texto diz: "Porque ele é o criador dos céus e da terra". Deus não é um ídolo de madeira limitado pelas circunstâncias. Ele é e continua sendo o criador e o sustentador. Ele não só chama o mundo a existência, ele sustenta as coisas pela sua mão. Para ele não há limites entre trevas e escuridão. Deus governa a realidade. Quando ele abençoa, ele usa todos os recursos finitos e infinitos, da mesma forma que ele criou todas as coisas para o louvor da sua glória. Nós intercedemos, mas só o criador tem autoridade, meus irmãos, para abençoar. Essa é a história da redenção. Toda a história da redenção sendo contada aqui em que Deus reverte a maldição por meio da bênção de Cristo. Hoje essa bênção, ela não flui, meus irmãos, de um templo feito de pedras. Essa bênção flui através de Cristo, o verdadeiro templo, por meio da ação do Espírito que alcança nosso coração e nos leva de volta para ele. É só por meio desse Deus, de Cristo Jesus, o nosso sumo sacerdote que nós podemos levar para as nossas casas a bênção do Senhor. Então, vir ao culto ou sair do culto com a bênção de Deus para nós é um grande privilégio, mas é também uma grande responsabilidade, porque você recebe a bênção de Deus aqui para ser canal de bênção na sua casa, na sua família, no seu trabalho, por onde quer que você for. E esta doutrina que nós ouvimos aqui, que nós aprendemos aqui acerca das verdades eternas, acerca de Cristo, acerca do Senhor que nos chama a cultuar, a adorar, a receber a bênção, não pode apenas ser algo intelectualmente. Tem que perfazer o nosso coração, tem que perfazer a nossa alma. De maneira que os maridos devem amar suas esposas com amor sacrificial, como Cristo amou a sua igreja. As esposas devem servir ao Senhor em seus lares, com zelo, com amor, cuidando do seu marido, cuidando dos seus filhos. Filhos, vocês precisam honrar os seus pais, darem testemunho na escola, na faculdade, na rua, profissionais, pessoas que trabalham, trabalham com excelência. Sejam bons funcionários, sejam excelentes patrões com honestidade, com pontualidade, sabendo que o seu trabalho também é um ato de adoração a Deus. Então, o que nós vemos aqui no texto não é apenas um chamado a adorar urgente, não é apenas algo contínuo, não é apenas algo completo, é algo compartilhado, é algo que tem que perfazer a nossa vida ao sairmos daqui nessa manhã. Por fim, voltemos ao nosso ponto de partida. Seja a crise da adoração no século X de Lutero, seja no século XX de nossas igrejas, ela tem raiz nessa condição caída. O coração humano, em sua natureza natural, ele não sobe degraus, ele desce os degrais para longe de Deus. Mas o coração regenerado, o coração transformado pelo Espírito Santo de Deus sobe esses degrais em direção ao Senhor. O que nós vemos nesse salmo é uma fotografia da realidade espiritual de alguém que foi transformado, que ouviu o chamado urgente adoração e despertou do seu pecado, que descobriu que já não é mais escravo do mundo, da ansiedade do mundo, da correria do mundo, mas é servo do Rei eterno e que permanece fiel até mesmo nas noites mais escuras da alma, que levanta as mãos rendidas ao Senhor, confiando apenas nos méritos de Cristo, que sai da sua casa para trabalhar e dar testemunhos, sabendo que no Senhor o seu trabalho não é vão e de que ele é a nossa justiça e que recebe a bênção de Deus não só para si, mas para ser agente de transformação, para iluminar por onde quer que vá. Então, não desperdice esse grande privilégio de estar na presença de Deus. O culto não termina, meus irmãos, com a bênção apostólica. Ele continua nas nossas orações diárias, na leitura bíblica, na forma como você trata a sua família e os seus colegas de trabalho. Amanhã você é um representante Cristo em todo tempo, todos os dias, em todos os lugares. Não adianta você fazer as coisas somente aqui pra igreja, sendo que dentro da sua casa, na sua vida, os outros te olham e não vê essa diferença. Não desperdice. É a sua oportunidade de estar na presença de Deus. Aproxime-se diante dele com reverência e fé. Não desperdice esse privilégio, meus irmãos, de entrar na sua presença para adorar, servi-lo e bendizer, levantar as mãos em culto sincero a Deus, em espírito e em verdade para adorar, para clamar, para apresentarmos as nossas dificuldades, as nossas lutas, os nossos dissabores, mas também as nossas necessidades. Nós podemos e devemos, portanto, chegar a Deus por meio de Cristo. Então, arrependa-se, lance sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós. Confie nele. Ele ouve as nossas orações. Ele atende o nosso clamor. E nada disso é por mérito das nossas devoções, nem pela qualidade das nossas mãos, nem pela frequência do nosso culto ao templo, mas pela graça soberana de Deus em Cristo Jesus. E que esse fogo do seu altar do Senhor nunca apague na nossa vida, mas ele permeie todo o nosso dia a dia, toda a nossa vida para honra e a glória do Senhor. Vamos colocar de pé para orarmos, meus irmãos. เ