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A fé vem pelo ouvir

Salmo 134 :1-3 | Rev. Thiago Santos

Salmo 134 :1-3 | Rev. Thiago Santos

Salmo 134 :1-3 | Rev. Thiago Santos

Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
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Legendas automáticas:

Graça e paz a todos da parte de Deus,
nosso Pai, do nosso Senhor Jesus Cristo.
Queria pedir a você que se pudesse
assentar um pouco mais ao centro e
desocupar alguma vaga possível. Os
diáconos estão pedindo, tem pessoas aqui
na frente, já tá lotado. Então, se puder
sentar um pouco mais ao centro para
liberar vagas aí, vai ser muito bom.
Vamos abrir a palavra de Deus no Salmo
134.
Salmo de número 134. Nós chegamos ao
final da nossa jornada, onde nós temos
visto eh à luz da palavra de Deus, a
nossa vida de adoração, de exaltação ao
Senhor. Um salmo pequeno, salmo de
número 134, apenas três versículos.
Diz assim a palavra do Senhor:
"Bendizei ao Senhor, vós todos, servos,
que assistis na casa do Senhor, na hora
da noite, erguei as mãos para o
santuário e bendizei ao Senhor. De Sião
te abençoe o Senhor, criador dos céus e
da terra". Vamos orar. Pai, nós te damos
graças e louvamos ao Senhor por essa
manhã.
pela oportunidade que temos de
prestar-te culto, de adorar e de louvar
ao teu santo nome. Nós temos uma
liberdade, ó Pai, e que muitas pessoas
não têm e isso é um grande privilégio.
Rogamos a ti que ilumine a nossa mente e
que abra os nossos ouvidos e o nosso
coração para que ouçamos a tua voz e a
tua direção e que a tua palavra possa
perpassar o nosso coração e a nossa
mente, gerar vida, frutos dignos de
arrependimento e levar-nos de volta a ti
mesmo. Que toda honra e glória seja dada
ao Senhor. Fala conosco. É o que te
suplicamos em nome de Jesus. Amém. Meus
irmãos, em 1517,
nas vésperas da reforma protestante,
Martim Lutero escreveu ao seu confessor
Johanes V Stalpites,
desabafando acerca da crise espiritual
profunda da sua época. Estalpites
olhando e respondendo,
eh, descreve para nós, de acordo com o
salmo, ele diz em suma o seguinte:
"Nossos templos estão cheios de rituais,
mas vazios de adoradores." Cada vez mais
nós vemos o declínio da igreja. Isso não
é diferente da nossa época. Nós temos o
culto se tornando apenas uma performance
sem presença. Nós temos geralmente
liturgias acontecendo, mas sem devoção,
sem uma total entrega, sem um total
rendimento ao Senhor. E nós vemos por aí
nas mídias uma religião sem total
redenção. E se nós formos avançar isso
para os nossos dias, nós vemos uma crise
parecida. Pesquisas recentes nos Estados
Unidos em 2026 na peure, a frequência
regular do culto protestante caiu de 45%
para 29% em duas décadas. No Brasil, por
exemplo, numa pesquisa do Instituto Dada
Folha em 2020, revelou o mesmo que entre
os evangélicos autodeclarados,
menos de 40% frequentam o culto
semanalmente. Há uma queda vertiginosa
que nós vemos nesse sentido, na
frequência dos nossos cultos. E o
fenôimo tem nome descristianização
social. E quando nós olhamos para tudo
isso, nós vemos que essas pessoas que
confessam a fé com os lábios, muitas
vezes não colocam isso na vida. Não é só
confessar, é viver. Eles confessam, eles
dizem que são cristãos que professam a
fé, mas a prática não condiz com aquilo
que professam. E nós temos ao nosso
redor o mundo sussurrando de nós ou
sussurrando os nossos ouvidos
continuamente. Por que que nós devemos
ir ao templo? Por que que nós devemos
cultuar ao Senhor? Nós podemos ficar nas
nossas casas, nos nossos bancos, nos
nossos sofás acochoados e ali prestarmos
o nosso culto de louvor e de adoração a
Deus.
Mas será que isso equivale realmente o
mesmo sentido e a mesma intensidade que
nós temos? Como aqui presencialmente?
O que nós vemos é uma apatia, nós vemos
uma frieza e é exatamente essa apatia
espiritual que o Salmo 134 aqui se
levanta. Este não é um salmo de um culto
de manhã onde o sol tá brilhando e as
circunstâncias estão perfeitas. É um
salmo sobre servos do Senhor que
continuaram no culto mesmo quando o
turno havia acabado, de pessoas que
continuavam a sua adoração, mas a sua
devoção totalmente integral na presença
de Deus. E nós precisamos entender isso
de maneira muito clara. Nós não somos
cristãos apenas nos domingos. Nós não
servimos a Deus apenas nesse culto.
Cristo tem que ser Senhor em cada
palavra. em cada atitude, em cada
decisão, seja dentro da nossa casa, seja
no nosso trabalho, seja em qualquer
lugar que nós for, porque a maneira que
nós agimos lá fora revela a quem nós
adoramos aqui dentro. A atitude que nós
temos lá reverbera nesse exato momento
no culto que nós prestamos ao Senhor. E
nós estamos aqui no fim dessa jornada. O
Salmo 134 é o último desses cânticos de
Romagem. Eram louvores entoados pelos
peregrinos a caminho de Jerusalém. Para
eles, a viagem não era um obstáculo até
o culto. A própria viagem já era um
culto, já era uma adoração, já era uma
demonstração. E nós vemos um progresso
espiritual até aqui. Ele sai da angústia
no Salmo 120, passa pelo Salmo 133, que
nós lemos na nossa liturgia, em que o
salmista celebra a comunhão, a alegria
de estar junto no meio da igreja. E
agora no salmo 134 eles estão prontos
para voltar para casa. Eles saem da
alienação, vamos assim dizer, da apatia
para o momento de comunhão. Eles saem do
exílio e agora estão retornando para o
lar. E é nesse momento de despedida que
nós encontramos esta verdade, a verdade
mais central que gira todo nesse salmo,
que nos mostra que a adoração não acaba
quando o culto termina. A nossa adoração
não acaba quando o culto termina. Nós
carregamos a bênção de Deus na nossa
vida. Nós somos instrumentos de Deus na
nossa casa, no nosso trabalho e por onde
quer que nós formos. Nós levamos em
nossa vida as marcas de Cristo, o bom
perfume de Cristo. Nós testemunhamos a
Cristo no nosso dia a dia. Nós
vivenciamos o Senhor. Então nós veremos,
portanto, que uma devoção integral só
acontece com o coração transformado pelo
evangelho de Cristo, que cultua
verdadeiramente ao Senhor. Não quando
tudo tá bem, não quando tudo tá fácil,
mas que carrega essa graça de Deus na
sua vida, no seu andar dia a dia, que
demonstra isso. E esse salmo nos ensina
quatro marcas dessa devoção integral. E
a primeira marca dessa devoção integral
é que essa devoção é uma convocação a
uma adoração urgente. Nós somos
exortados a adorarmos ao Senhor. Olha o
que que o texto diz na parte A do verso
um. Bendizei ao Senhor, vós todos servos
do Senhor. Quando você vai pro original
hebraico, o salmo inicia com a partícula
que não encontra aqui na nossa língua
portuguesa. Ela foi omitida. Mas a ideia
dessa partícula é: eis aqui ou preste
atenção. É como se Deus estivesse
sacudindo os nossos ombros e estivesse
dizendo: "Olha, acorde, preste atenção,
considere com atenção o que vai ser
dito." E note que aqui não é uma
sugestão, não é nesse sentido, é uma
ordem. Bendizei ao Senhor. É uma
convocação que não se limita também aos
levitas, mas que perpassa inclusive a
nós mesmos. Não só a linhagem
sacerdotal, mas a todos nós somos
chamados a bendizer, a reconhecer quem
Deus é, conforme a revelação de sua
palavra, conforme ele se revela acerca
dele mesmo nas escrituras. Não é sobre
aquilo que nós sentimos, não é sobre
aquilo que nós achamos. E algo
interessante nesse salmo é que essa
palavra bem dizer que acontece no verso
um, que acontece no verso dois, é a
mesma que é utilizada no verso três para
dizer: "O Senhor abençoe".
Se nós fôssemos colocar na língua
portuguesa, seria abençoe ao Senhor. Mas
isso soa estranha aos nossos ouvidos.
Como que nós que não temos nada a
oferecer, vamos abençoar a Deus? Pro
judeu, isso era comum. Para ele isso não
era, vamos dizer assim, algo difícil de
ser entendido, porque para ele quando se
refere a abençoar a Deus, se refere a
algo que vem dele pro Senhor. Se refere
à ideia dele reconhecer diante de quem
ele tá, se refere ele a adorar a Deus, a
exaltar ao Senhor, a glorificar a Deus,
a bendizer ao Senhor.
Não é somente é realmente nós estarmos
aqui, é colocarmos a nossa vida diante
do Senhor. Então, mesmo diante das
dúvidas, dos temores, das incertezas, a
nossa fé deve nos levar a proclamar quem
Deus é a partir da revelação que ele faz
de si mesmo nas escrituras. Nós louvamos
a Deus não apenas com canções, nós
louvamos a Deus com palavras, atitudes
que reconhecem a sua soberania, que
reconhecem a sua santidade. Então, bemer
declarar com a vida aquilo que ele já
declarou acerca de si mesmo para nós.
Então, é essencial a gente não confundir
adoração com admiração, porque admiração
é o reconhecimento das qualidades que
alguém tem, que não é o caso aqui e que
não envolve algo profundo. Adoração
implica uma entrega total, uma renúncia,
reverência, um relacionamento pessoal e
íntimo. A gente pode ver isso de maneira
muito clara. Por exemplo, nos
Evangelhos,
as multidões seguiam Jesus pelo seu
ensino e pelos seus milagres, e elas
muitas vezes estavam admiradas.
Mas quantos seguiam Jesus
verdadeiramente?
É só lembrar dos 10 leprosos.
Todos receberam a mesma cura. Quantos
voltaram para agradecer?
somente um. Então, admiração pode ser,
vamos assim traduzir para nós, aquele
momento em que nós batemos palma,
enquanto adoração é rendição,
é reconhecimento, é voltar-se para ele.
E nós sabemos muito bem que pela nossa
natureza caída, nós desejamos é fugir de
Deus como Adão no Éden.
Graças à ação do espírito, graças a essa
ação de Deus que transforma o nosso
coração, não apenas nos tira de
simpatizantes, mas nos coloca como
adoradores genuínos, como pessoas que
bendizem, que declaram a Deus, que
exaltam ao Senhor com a vida a partir
daquilo que ele revela na palavra dele,
independentemente
do que nós estamos sentindo, do que nós
estamos passando, independentemente como
está a nossa vida nessa manhã, porque
nós não estamos adicionando nada ao
Senhor. Nós apenas estamos reconhecendo
publicamente o que ele já é
infinitamente digno. Então, é uma
convocação urgente, é um chamado.
Bendigam ao Senhor. É uma urgência. Essa
adoração é urgente. Além de ser uma
convocação urgente, essa adoração também
é contínua. Aqui está outra marca. Veja
o que o texto diz na parte B. Bendizei
ao Senhor, vós todos, servos do Senhor,
que assisti na casa do Senhor nas horas
da noite. Essa oração continua ainda ao
terminar o culto, ela persevera na
noite. Então, o serviço no templo, ele
era contínuo.
E o Salmo 134 tá se dirigindo exatamente
para aqueles que estavam servindo ao
Senhor durante a noite no templo. Eles
são servos do Senhor. Eles são escravos
do Senhor. É aqui é a ideia de um
contexto de aliança. É uma convocação
aqueles que estão dentro desse
relacionamento com Deus, não por status,
não por competência intelectual, não por
posição econômica, mas por quem eles são
diante de Deus. Servos.
Os levitas, eles tinham funções claras
no templo. Eles tinham que carregar a
arca da aliança, eles tinham que
ministrar diante do Senhor e eles tinham
a obrigação de pronunciar a bênção de
Deus. Eles eram encarregados do templo e
a sua rotina se resumia a oferecer
sacrifícios de manhã, de tarde e à
noite, administrar as ofertas do povo.
Também eles instruí o povo na palavra de
Deus, oravam e abençoavam em nome do
Senhor. Mesmo que à noite, por exemplo,
os sacrifícios cessavam, o serviço
continuava, o serviço não parava.
Eles continuavam ali oferecendo tudo
aquilo que era necessário, tudo aquilo
que estava de acordo com a palavra de
Deus, porque o fogo do altar não podia
apagar. Tá lá em Levítico, capítulo 6. O
candelário precisava brilhar dia e
noite. Não havia, vamos assim dizer,
horário comercial para cultuar a Deus.
Se nós olharmos nas escrituras, Davi
organizou os corais para louvar a Deus
dia e noite. Tá no Salmo 92. Ana, por
exemplo, em Lucas capítulo 2, ela não se
afastava do templo. Ela servia a Deus
com jejuns e orações dia e noite. Então
aqui nós temos uma implicação muito
profunda para nós, a implicação de que
não somos chamados a cultuar a Deus, a
prestarmos a nossa adoração quando tudo
está bem, quando a nossa conta bancária
está azul, quando o casamento está um
mar de rosas, ou quando a saúde está
perfeita. Nós somos chamados a cultuar
ao Senhor até mesmo diante da noite, até
mesmo diante dos momentos difíceis,
quando a dúvida permeia a nossa mente na
madrugada, quando nós estamos aflitos,
quando o luto bate no nosso coração,
quando o estress do trabalho parece
insuportável. É nessa noite que nós
demonstramos quem de fato Deus é para
nós. É nesses momentos que nós
reverberamos a nossa devoção, o nosso
coração, a nossa total entrega ao
Senhor. Então, a marca de um discípulo
jamais é a tribulação,
mas é a sua perseverança em continuar
mantendo o fogo do altar acesmo, mesmo
em meio à escuridão. É continuar
adorando a Deus. e sabendo que ele
sempre tem o melhor para nós, mesmo
diante dos momentos difíceis. Então, não
é somente uma convocação, adoração
urgente, é uma adoração contínua,
constante. E a gente então vê ao longo
do texto que ela não só é urgente, ela é
contínua, mas ela é completa. Não é uma
parte de nós, é todo o nosso ser.
Adoração a Deus envolve corpo, postura e
direção de santidade. Olha o que que diz
o verso dois.
Erguei as mãos para o santuário e
bendizei ao Senhor. Adorar envolve o ser
completo, corpo e alma. Há uma ordem
aqui. Erguei as mãos.
Não, erguer as mãos não é pecado no
momento certo e na hora certa de
adorarmos e exaltarmos ao Senhor. É um
princípio bíblico. Não é apenas um gesto
físico. É uma postura de um coração
quebrantado. É uma expressão de
adoração, de oração e de louvor. E note
que esse ato aqui ele não é privado, ele
é comunitário.
Erguei as mãos. O objeto direto do verbo
está no plural. As mãos não é um gesto
de súplica, é um gesto de louvor, de
rendição comunitário.
Enquanto que muitos hoje levantam as
mãos para pedir e quando não recebem o
que querem, cruza os braços como
crianças contrariadas. Nós vemos que
erguer as mãos para o santuário é um
gesto de redição. É de um coração
totalmente entregue, totalmente rendido,
dizendo: "Senhor, eu dependo totalmente
ti". E é exatamente isso que Paulo diz
em Primeira Timóteo, capítulo 2, verso
8. Ele diz: "Quero, pois, que os homens
orem em todo lugar, levantando as mãos
santas, sem ira e sem contenda." Ou
seja, a direção exterior, erguer as mãos
para o santuário, para esse momento de
adoração, exigia do adorador também uma
condição interior. Ambas não estavam
desassociadas,
ou seja, a postura externa reverberava a
realidade interna, porque joelhos
dobrados não apenas indicam humilhação,
mas rendição. mãos erguidas não ensinam
apenas momento de levantar, mas total
dependência. Então, o gesto de levantar
não é apenas um sentimento emotivo aqui,
inclusive na antropologia bíblica
hebraica, eh, ela distingue isso de
maneira muito clara do dualismo
platônico em que o corpo é a prisão da
alma, mas pro Senhor ela é um
instrumento de adoração criado
unicamente para glorificar o Senhor.
Então, é uma orientação
do ser que se rende totalmente na
direção do Senhor. E para onde que essas
mãos tinham que ser erguidas?
Para o santuário, pro lugar mais
sagrado. Ali estava a arca da aliança, o
símbolo da presença de Deus. Era ali que
estavam os querubins sobre a arca,
representando o trono divino. Então, as
mãos erguidas, nada mais era do que uma
demonstração de adoração ao Deus que
habita no trono, que governa tudo e
todos e que está dirigindo todas as
coisas. E aqui nós chegamos ao coração
de todo o evangelho, meus queridos.
Porque nós pecadores, como que nós
podemos levantar as nossas mãos sujas
diante do Senhor?
Nós só podemos levantar as nossas mãos
hoje, porque um dia Cristo levantou as
suas mãos na cruz. Nós só podemos chegar
ou confessar ao Senhor o o o nosso
louvor e a nossa adoração, porque Cristo
nos concede essa graça. Ele é o nosso
sumo sacerdote. Ele é o adorador
perfeito. Ele é o cordeiro sem mancha.
E na cruz, com seus braços estendidos,
ele ofereceu um sacrifício definitivo. É
a justiça de Cristo imputada a nós, que
limpa as nossas mãos e purifica o nosso
coração. A nossa adoração só é aceita
porque Cristo, através do seu sangue,
nos limpa e nos leva de volta para ele.
Portanto, o chamado aqui é claro.
Adoremos a Deus por completo, corpo e
alma, não só com palavras, mas também
com atitude. Não é só estar aqui, é
colocar o seu coração diante do Senhor.
Não é um mero ritual religioso, é estar
por completo na presença de Deus. Além
de ser uma adoração urgente, contínua,
completa. Por fim, nós vemos a quarta
marca. É uma adoração compartilhada,
porque a adoração genuína é recebida,
mas ela também é transmitida.
E agora vem a resposta de Deus. Os
sacerdotes agora se voltam para o povo e
dizem o seguinte: "De Sião te abençoe o
Senhor, criador dos céus e da terra".
Não é apenas o encerramento de um ato
litúrgico, mas é o cumprimento de uma
orientação dada por Deus lá em Números,
capítulo 6, verso 22 ao verso 27, que
inclusive nos diz: "Disse o Senhor a
Moisés: "Falarão e aos seus filhos,
dizendo: Assim abençoarei os filhos de
Israel, e dir-lhe: Eis: O Senhor te
abençoe e te guarde. O Senhor faça
resplandecer o rosto sobre ti e tenha
misericórdia de ti. O Senhor sobre ti
levante o rosto e te dê a paz. Assim
porão o nome sobre os filhos de Israel e
eu os abençoarei. Olha o pronome pessoal
aqui. Te abençoe. Tá no singular. Embora
a bênção litúrgica seja coletiva, a
graça alcança pessoalmente cada um. De
maneira que Deus conhece nós pelo seu
nome. Ele pastoreia o nosso coração
individualmente. Ele conhece cada um dos
seus. E o designativo aqui de Sião é
apenas sinônimo para Jerusalém, para o
lugar aonde estava a presença, o pacto,
o cumprimento, a realização, o momento
em que o povo subia para celebrar, para
adorar. O lugar da presença de Deus é
uma demonstração de que esse Deus que
tem um compromisso conosco através dele
mesmo
agora nos chama e nos garante a sua
bênção. E qual é a garantia dessa
bênção? O texto diz: "Porque ele é o
criador dos céus e da terra". Deus não é
um ídolo de madeira limitado pelas
circunstâncias.
Ele é e continua sendo o criador e o
sustentador. Ele não só chama o mundo a
existência, ele sustenta as coisas pela
sua mão. Para ele não há limites entre
trevas e escuridão. Deus governa a
realidade. Quando ele abençoa, ele usa
todos os recursos finitos e infinitos,
da mesma forma que ele criou todas as
coisas para o louvor da sua glória. Nós
intercedemos, mas só o criador tem
autoridade, meus irmãos, para abençoar.
Essa é a história da redenção. Toda a
história da redenção sendo contada aqui
em que Deus reverte a maldição
por meio da bênção de Cristo. Hoje essa
bênção, ela não flui, meus irmãos, de um
templo feito de pedras. Essa bênção flui
através de Cristo, o verdadeiro templo,
por meio da ação do Espírito que alcança
nosso coração e nos leva de volta para
ele. É só por meio desse Deus, de Cristo
Jesus, o nosso sumo sacerdote que nós
podemos levar para as nossas casas a
bênção do Senhor.
Então, vir ao culto ou sair do culto com
a bênção de Deus para nós é um grande
privilégio, mas é também uma grande
responsabilidade,
porque você recebe a bênção de Deus aqui
para ser canal de bênção na sua casa, na
sua família, no seu trabalho, por onde
quer que você for. E esta doutrina que
nós ouvimos aqui, que nós aprendemos
aqui acerca das verdades eternas, acerca
de Cristo, acerca do Senhor que nos
chama a cultuar, a adorar, a receber a
bênção, não pode apenas ser algo
intelectualmente. Tem que perfazer o
nosso coração, tem que perfazer a nossa
alma. De maneira que os maridos devem
amar suas esposas com amor sacrificial,
como Cristo amou a sua igreja. As
esposas devem servir ao Senhor em seus
lares, com zelo, com amor, cuidando do
seu marido, cuidando dos seus filhos.
Filhos, vocês precisam honrar os seus
pais, darem testemunho na escola, na
faculdade, na rua, profissionais,
pessoas que trabalham, trabalham com
excelência. Sejam bons funcionários,
sejam excelentes patrões com
honestidade, com pontualidade, sabendo
que o seu trabalho também é um ato de
adoração a Deus.
Então, o que nós vemos aqui no texto não
é apenas um chamado a adorar urgente,
não é apenas algo contínuo, não é apenas
algo completo, é algo compartilhado, é
algo que tem que perfazer a nossa vida
ao sairmos daqui nessa manhã.
Por fim, voltemos ao nosso ponto de
partida.
Seja a crise da adoração no século X de
Lutero, seja no século XX de nossas
igrejas, ela tem raiz nessa condição
caída. O coração humano, em sua natureza
natural, ele não sobe degraus, ele desce
os degrais para longe de Deus.
Mas o coração regenerado, o coração
transformado pelo Espírito Santo de Deus
sobe esses degrais em direção ao Senhor.
O que nós vemos nesse salmo é uma
fotografia da realidade espiritual de
alguém que foi transformado, que ouviu o
chamado urgente adoração e despertou do
seu pecado, que descobriu que já não é
mais escravo do mundo, da ansiedade do
mundo, da correria do mundo, mas é servo
do Rei eterno e que permanece fiel até
mesmo nas noites mais escuras da alma,
que levanta as mãos rendidas ao Senhor,
confiando apenas nos méritos de Cristo,
que sai da sua casa para trabalhar e dar
testemunhos, sabendo que no Senhor o seu
trabalho não é vão e de que ele é a
nossa justiça e que recebe a bênção de
Deus não só para si, mas para ser agente
de transformação, para iluminar por onde
quer que vá. Então, não desperdice esse
grande privilégio de estar na presença
de Deus. O culto não termina, meus
irmãos, com a bênção apostólica. Ele
continua nas nossas orações diárias, na
leitura bíblica, na forma como você
trata a sua família e os seus colegas de
trabalho. Amanhã você é um representante
Cristo em todo tempo, todos os dias, em
todos os lugares. Não adianta você fazer
as coisas somente aqui pra igreja, sendo
que dentro da sua casa, na sua vida, os
outros te olham e não vê essa diferença.
Não desperdice. É a sua oportunidade de
estar na presença de Deus. Aproxime-se
diante dele com reverência e fé. Não
desperdice esse privilégio, meus irmãos,
de entrar na sua presença para adorar,
servi-lo e bendizer, levantar as mãos em
culto sincero a Deus, em espírito e em
verdade para adorar, para clamar, para
apresentarmos as nossas dificuldades, as
nossas lutas, os nossos dissabores, mas
também as nossas necessidades.
Nós podemos e devemos, portanto, chegar
a Deus por meio de Cristo. Então,
arrependa-se, lance sobre ele toda a
vossa ansiedade, porque ele tem cuidado
de nós. Confie nele. Ele ouve as nossas
orações. Ele atende o nosso clamor. E
nada disso é por mérito das nossas
devoções, nem pela qualidade das nossas
mãos, nem pela frequência do nosso culto
ao templo, mas pela graça soberana de
Deus em Cristo Jesus. E que esse fogo do
seu altar do Senhor nunca apague na
nossa vida, mas ele permeie todo o nosso
dia a dia, toda a nossa vida para honra
e a glória do Senhor. Vamos colocar de
pé para orarmos, meus irmãos.
เ

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