Toda Raça, Tribo, Língua, Povo e Nação – Apocalipse 7 | Luiz Sayão | IBNU
02/03/2026
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Para quem se destina a palavra [música] da salvação? A coisa bela do evangelho é que [música] para Deus não existe discriminação nem distinção. [música] A mensagem salvadora é para toda raça, tribo, povo, língua e nação. Quer saber mais sobre isso? Especialmente no [música] apocalipse? Abra a sua mente e ainda mais o seu coração e acompanhe conosco essa abençoada [música] meditação. Sintonize a IBNU, uma comunidade [música] saudável para o mundo melhor. Inscreva-se no nosso canal, compartilhe os [música] nossos conteúdos, aperte o sininho e seja você também um amigo dessa comunidade de seguidores de Jesus. >> [música] >> Nada como dar a devida atenção à palavra divina que nos traz orientação paraa vida, para o entendimento e para o coração. E hoje, pensando sobre o que a palavra divina tem a nos dizer, nós vamos refletir a partir de Apocalipse capítulo 7 sobre o tema toda raça, tribo, língua e nação. Uma frase especialmente ah marcada no livro de Apocalipse, que eu quero que você acompanhe comigo a leitura da palavra de Deus. que certamente aí vai nos trazer muita coisa importante e valiosa para a nossa vida. Então eu convido você a acompanhar comigo Apocalipse capítulo 7 e vamos ler aqui a partir do verso de número nove. Veja o que a palavra divina nos apresenta. Depois disso, olhei e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar. De todas as nações, tribos, povos e línguas em pé diante do trono e do cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas, e clamavam em alta voz: A salvação pertence. ao nosso Deus que assenta no trono e ao cordeiro. Todos os anjos estavam em pé ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força sejam ao nosso Deus para todo sempre. Amém. Quando a gente lê isso aqui no livro do Apocalipse, é importante compreender a que o que está acontecendo é um momento de muito sofrimento na vida do povo que seguia o rei e Messias Jesus diante da opressão do império romano, diante do grande sofrimento que eles tinham. Então, o Apocalipse nos traz a revelação, a última revelação da Escritura Sagrada, mostrando para nós quando João está ali último, apóstolo vivo na ilha de Pátimos e ele então aparece no cenário aqui, ah, trazendo essa mensagem de Deus. Ele é convidado a trocar o olhar do mundo a partir do Império Romano para ver as coisas de acordo com o olhar divino. Então, grande juízo da parte de Deus está prometido que vai cair sobre toda perversidade, injustiça, maldade, pecado do mundo, especialmente sobre aqueles que eram os grandes opressores, né? a grande Babilônia, aquilo que representava todos os descompassos terríveis do Império Romano. E aí quando ele tá falando sobre isso, ele vai falar ao mesmo tempo desses, vamos dizer assim, redimidos, daqueles que foram salvos, que foram alcançados. E ele apresenta isso como a multidão do povo de Deus. No começo do capítulo 7, é interessante que ele fala de 12.000 de cada tribo de Israel. Alguns estudiosos acham que pode ser uma referência aqueles do povo de Israel e que encontram redenção plena da parte de Deus. Até porque eh o Apocalipse conecta muito o Antigo com o Novo Testamento. Então pode ser pode ser uma referência aos judeus redimidos ou talvez seja o povo de Deus como um todo apresentado em duas metáforas diferentes no começo do capítulo 7 na sequência. Mas o interessante é que esse texto vai apresentar pra gente essa ideia muito nítida, que é a ideia ah de que existe uma grande multidão. E essa multidão ela é descrita dessa maneira, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Isso é importante porque você pode ver a grandiosidade que era o mapa do antigo império romano. Veja que esse império dominava desde a região chamada Britânia, né, a região da atual Grã-Bretanha, né, propriamente a Inglaterra, a Espânia e até a Lusitânia na Península Ibérica, todo o norte da África, uma parte do mundo germânico ali junto ao rio Reno e se estendendo, né, até aquilo que era uma fronteira com o antigo império persa, também chegando ali próximo da habitação dos antigos eslavos. era um império gigantesco que dominava tudo. E aí o que que o Império Romano, particularmente nessa época, com a centralização de poder, com a ideia, né, de que o imperador era, né, isso acontece muito a partir desse momento do primeiro século, né, da era cristã, desde a época aí de César Augusto, a centralização do poder e o imperador cada vez mais se apresentando como um divino. Então a gente observa isso e aí você pode ver aquilo que foi palco de muito sofrimento cristão e de outros também na história que você pode ver em Roma, o famoso coliseu, né? Então, diante desse cenário, interessante que a palavra divina nos apresenta uma grande questão que é a seguinte: Pera aí, será que todo esse sofrimento, essa injustiça, essa maldade, esse império romano que diz o seguinte, essa aqui é a questão fundamental, que toda raça, tribo, povo, língua e nação pertencem a Roma. estão debaixo de César, o grande dono do trono que se assenta no trono em Roma. Ele é dono de tudo isso, né? E aqui é interessante nessa palavra grega etno, geralmente por nações, né? Ah, ou poderia ser poros, mas do lado tem uma palavra que é mais especificamente povo, essa palavra que deu origem à palavra etnia. e que pode ser claramente ou raça ou nação, ou seja, grupo étnico distinto. Então, diante de tudo isso, esse povo tá pensando quando é que a justiça divina e o reino de Deus sobre a o a maldade, vitorioso sobre o pecado, sobre todo tipo de coisa que afronta a Deus na sua bondade, na sua pureza, quando é que isso vai triunfar? E eles estão clamando. Então, o Apocalipse nos mostra, na verdade, todo esse mundo diversificado antropológico pertence ao nosso Deus e a salvação vem dele. Por isso Apocalipse traz a ideia de juízo. Você vai encontrar depois, né, a famosa referência a batalha do Arnagedon, que é esse desfecho da vitória do bem contra o mal. E ela é exatamente ligada ao famoso Vale de Gesreel. Quando você vê aí esse lugar, né, que é de frente da antiga cidade de Megido, Megido, Megido, Megidor, Armagedon, que evoca essa grande vitória, esse grande desdobramento daquilo que vai aparecer no cenário. Mas a gente continua olhando e vai ver mais pra frente no próprio Apocalipse o que aparece num outro texto mais adiante que nós encontramos no último livro da Bíblia. Apocalipse. Nós vimos o que aparece no capítulo 7, mas também no capítulo 14, quando nós vamos ver aquilo que fala novamente dos chamados 144.000 mil selados e também do surgimento da mensagem de três anjos que aparece no capítulo a partir do verso um, indo até o verso 5, a gente lê o seguinte: "Então olhei e diante de mim estava o cordeiro em pé sobre o monte Sião e com ele 144.000 que traziam escritos na testa o nome dele e o nome de seu pai. Ouvi um som dos céus como de muitas águas e de um forte trovão. Era como de arpistas tocando seus instrumentos. Eles cantavam um cântico novo diante do trono dos quatro seres viventes dos anciãos. Esse tema é muito interessante, muita música, muito cântico, muita celebração, muita festa e uma ênfase nessa questão de um cântico novo que celebra a redenção. Ninguém podia aprender o cântico a não ser os 144.000 que haviam sido comprados na Terra. Uma linguagem que fala de gente tirada da escravidão, comprada no mercado daquele mundo greco-romano, a famosa ágora da cidade. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois se conservaram castos, uma linguagem para falar de pureza claramente metafórica. E seguem o cordeiro por onde quer que ele vá. foram comprados dentre os homens e ofertados como primícias a Deus e ao cordeiro. Mentira nenhuma foi encontrada na boca deles. São imaculados no sentido de não terem se corrompido, seguindo todo tipo de ensino completamente distante daquilo que era a palavra divina. E então no verso 6 o texto prossegue e diz: "Então vi outro anjo que voava pelo céu e tinha na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na terra. Atenção a toda nação, tribo, língua e povo. Ele disse em alta voz: "Temam a Deus e glorifiquem-nois chegou a hora do seu juízo. Adorem aquele que fez os céus, a terra e o mar e as fontes das águas". Um segundo anjo seguiu dizendo: "Caiu, caiu a grande Babilônia que fez todas as nações beberem do vinho da fúria da sua prostituição. Uma celebração impressionante aqui a linguagem figurada, né, da grande Babilônia é uma referência ao antigo império romano. Porque assim como a Babilônia no passado foi a a grande opressora do reino de Judá, Roma com esse império cruel é a referência dessa grande opressão que nós estamos vendo agora. E de novo, a linguagem aparece. Esta mensagem, esta salvação, esta palavra é destinada a todo o povo, língua, raça e nação. Agora, quando a gente pensa sobre isso, a gente vai descobrir o grande problema da experiência humana. A gente diz: "Ah, os os romanos eram opressores, maltratavam as outras etnias". Sim, é verdade. Mas atenção, não é exclusividade dos romanos. Isso sempre na experiência humana, a partir de critérios entendidos como raciais, critérios étnicooculturais, eh critérios eh sociais, critérios econômicos, ou seja, tudo que traz alguma diferença, distinção entre os seres humanos, eh, tem trazido uma história de conflito, de problemas dentro da experiência humana. Então assim, é só o indivíduo ser de alguma maneira um pouco diferente um do outro, que a gente começa um processo de ruptura e distanciamento daquilo que seria saudável na nossa experiência de fraternidade. Inclusive, é tão absurdo você vê que até dentro do mesmo país, dentro do mesmo ambiente cultural, dentro de uma relação bastante homogênea, um simples sotaque faz pessoas estranharem umas às outras e tratarem de maneira ah às vezes discriminatória a uma pessoa da sua própria nação. Então, qual é o grande desafio que nós temos aqui? Nós temos o desafio entre o que a gente chama de uma coisa que é universal e uma coisa que é particular. Então, se os romanos se achavam, vamos dizer assim, a última bolacha do pacote pelo seu poder do seu grande império, também os gregos, como os antigos herdeiros da grande filosofia, da grande sabedoria, de tudo que eles construíram, também se achavam muito diferenciados em relação aos outros. Aliás, gregos e latinos nesse mundo antigo, eles ouviam os outros povos e diziam: "Es caras nem sabem falar direito, eles falam barbar bar bar b barbar". Ou seja, eles são bárbaros. Por isso que o termo surgiu, né? E ao mesmo tempo, a religiosidade que se desenvolveu no contexto de Israel fazia com que esses, especialmente líderes religiosos da época, eles tivessem uma atitude de dizer: "Olha, nós temos uma relação diferenciada com Deus e os outros são, ó, goim, eles são pagãos, eles são esses povos gentílicos que têm um valor que não equivale ao nosso, em vez das pessoas pessoas enxergarem principalmente a mão de Deus e a sua misericórdia. Muitos religiosos pensavam assim: "Aliás, não é exclusividade nem de romanos, nem de gregos, nem de judeus. Esse mesmo problema acompanha a nós até hoje." Já viu? Até nos ambientes religiosos da cristandade, cada grupo quer dizer: "Olha, eu sou mais legal do que os outros. Eu eh se tem alguém que tá mais próximo de Deus, é a minha tradição, porque a gente faz isso, isso. Então é uma série de critérios assim, às vezes aleatórios que parecem definir uma pretensa primazia de um grupo em relação ao outro. Então para entender essa questão é muito interessante a gente observar como é que era a realidade desse mundo antigo no qual as pessoas viviam. Qual que é a grande diferença da revelação bíblica? Ela aparece num cenário onde ela diz sim que o Deus único e verdadeiro se revelou de maneira particular a Israel. No entanto, o objetivo não é que ele se tornasse um deus delimitado pela realidade hebraica ou judaica. Esse Deus revelado é o Deus criador dos céus e da terra. é o Deus único, é o Senhor do universo, é o Deus que fez todos os povos. não é um Deus meramente tribal, não é um Deus simplesmente eh delimitado por um particularismo acentuado, não. Então, isso nos leva a um caminho curioso de como saindo de um enfoque que poderia parecer particularizado, essa mensagem, essa salvação, essa aliança, esse agiro divino se dirige a todas as nações e povos da terra. E aí a gente precisa ver como isso é significativo, como é que Apocalipse trata isso e como é que ele vai fazer uma conexção com a antiga experiência de Israel no Egito. No Egito, os israelitas foram escravos, por isso eles são inspiração dessa comunidade dos seguidores do Messias de Israel, que está numa condição análoga diante do sofrimento que eles têm agora no império romano. Então, nesse ambiente, você pode, por exemplo, acompanhar essa escravidão. A Bíblia diz láem no começo de Êxodo, que os israelitas trabalharam como escravos, fabricando tijolos para grandes construções egípcias. Não, as pirâmides que a gente ouve falar e ver nas fotos, não são essas, são outras construções de um período bem posterior, mas você pode ver como é que era essa fabricação de tijolos no Egito descrita pelos próprios egípcios. E aí quando a gente olha eh para isso, a gente vê os diversos povos. E aqui cá entre nós, ninguém na história é inocente. Você vai ver todo tipo de ser humano, não somente europeus, mas africanos, asiáticos, indígenas das Américas. Todos os povos na sua história t a prática da escravidão e geralmente marcada por crueldade. E olha que coisa interessante, nós temos então esse desafio das diferenças quando nós temos na experiência humana o triste eh momento em quando povos dominaram sobre os outros com atitudes racistas, com a prática de escravidão e de opressão. Inclusive, é interessante dar uma olhada nesse quadro quando nós vemos algo que foi encontrado no Egito, mostrando a diferença entre grupos étnicos, né? Esse mais aí à direita é um egípcio padrão, mais moreno. Depois você tem um indivíduo semita, né, com essa barba mais e nítida aí. E depois você tem um um egípcio do da parte sul, da região da Núbia, já junto ao Sudão, com a pele mais escura e uma outra referência de alguém mais próximo do contexto do Médio Oriente. Quer dizer, você tem essa descrição dessas diferenças que a própria arqueologia nos apresenta. Então, o que que acontece? Nós temos esse desafio tremendo do ensino bíblico de que a mensagem, a revelação de Deus, ela é transcultural. Ela apresenta uma palavra que diz respeito ao coração de todos os seres humanos, independentemente da sua etnia ou da sua particularidade. Isso é muito especial porque a gente vê isso, né? Tão impressionante ver pessoas tendo experiências com Deus. Pessoas recebendo a vida em Jesus nos todos os continentes da terra e cada vez mais em toda tribo, língua, povo, raça e nação. Mas o que que acontece? Nós temos uma experiência recente. Aliás, esse é um assunto delicado, é um assunto que abre feridas, que mostra uma relação problemática em vários lugares do mundo. E porque foi dentro desse ambiente iluminista, a especialmente do século XVI para cá, que se desenvolveu uma espécie de conceito de raça, né, que apareceu em vários ambientes da Europa Ocidental e que se desdobrou pelo mundo, né? Nós tivemos inclusive gente eh desse ambiente especialmente francês e inglês, gente como Charles Gobinot ou ou ah o Conde Gobinot, melhor dizendo, e Charles Darwin, por exemplo, que fizeram observações sobre o Brasil e a realidade da América do Sul. Mas esse esse jeito de pensar sobre raça não existe na Bíblia. Se olha na Bíblia, até difícil. Algumas pessoas pensam: "Ô, Saião, como é que era exatamente a aparência de Saul? Como é que era o Abraão? Jesus era como?" Você sabe que a gente não tem condições de dar detalhes porque a Bíblia não tava nem aí para esse tipo de coisa. nunca foi. A gente tem algumas pessoas que se descrevem aparência e você diz: "Olha, mas assim, é uma coisa casual, é uma coisa que não merece atenção, a gente, né, não não tem esse tipo de preocupação, não existe, né? E aí o que acontece nesse mundo mais recente, em nome de algo que se pretendia eh se definir como científico, a gente teve o que a gente pode chamar de uma afirmação deturpada de identidade. Mas olhando pro texto bíblico, o que que acontece? Qual é a diretriz da lei divina para tratar com o diferente? Mesmo que a gente tenha esse esse descaminho da maneira de enxergar raça e etnia nos últimos tempos no ambiente, vamos dizer, da civilização ocidental que se espalha pelo mundo todo. Ah, na Bíblia isso não tem esse foco do mesmo jeito, mas tem uma analogia interessante. Vamos ver qual era o foco bíblico. Olha que coisa interessante. Em Êxodo capítulo 12 verso 38. A gente não imagina isso. Quando os israelitas estão fugindo do Egito, saindo da escravidão, sendo libertados pela mão divina contra o poder do faraó que se proclamava como divino. A Bíblia diz: "Grande multidão de estrangeiros de todo tipo seguiu com eles, além de grandes rebanhos, tanto de bois como de ovelhas e cabras". Você percebe um grande número de estrangeiros de todo tipo. Quer dizer, e os israelitas não se tornaram exatamente uma raça. Entre eles havia vários estrangeiros. Aliás, né? José casou com uma mulher do Egito. Os seus dois filhos foram muito importantes na história israelita. Efraim e Manassés. Eles tinham mãe egípcia. Os outros filhos de Jacó também se casaram com mulheres que não eram do povo hebreu, porque Jacó só teve uma filha e os filhos se casaram então com outras mulheres que não faziam parte ali do contexto daquele clã. Então é muito interessante o foco bíblico que esse foco permanece. Olha, olha que coisa valiosa olhar Êxodo 23 verso 9. Não oprima o estrangeiro. A palavra é muito clara. Vocês sabem o que é ser estrangeiro, pois foram estrangeiros no Egito. Quer dizer, aquele povo diferente, maltratado, excluído por ser eh distinto e ser escravizado. Então, olha, vocês sabem o que é passar por isso. Então, nunca faça isso com alguém que é diferente de você, que é um estrangeiro, que às vezes o estrangeiro diferente, a gente tem uma estranheza em relação a ele e a gente acaba e entrando por um descaminho problemático na nossa relação humana. E olha que coisa interessante quando você vai ver as profecias do grande profeta do reino do norte do oitavo século, profeta Amós. Ele diz assim: "Diz o Senhor: "Por três transgressões de Moabe, e ainda por mais, ainda mais por quatro, não anularei o castigo." Por quê? Porque Moabe, o ele queimou até reduzir à cinzas os ossos do rei Jedom. Assim diz o Senhor: "Por três transgressões de Israel, ainda mais por quatro, não anularei o castigo, vende por prata o justo e por um par de sandálias o pobre". Que quer dizer isso, Sa? Então, quando o pessoal começou a imaginar, olha, Deus tá circunscrito à nossa realidade, Deus tá limitado ao ambiente do nosso povo, Deus através de Amós diz: "Pessoal, olha, Deus não se incomoda só o que é feito contra aqueles que conhecem o seu nome. Deus não age só por causa daqueles que se identificam como seu povo, quer seja pessoas do contexto da igreja ou do povo de Israel no Antigo Testamento. Olha como Moab fez o que fez com Edom. Nenhum deles tem nada a ver com os israelitas diretamente, então Deus vai trazer o julgamento sobre eles. Ele se importa com o que acontece com as nações que não estão no contexto da aliança que ele fez com Israel. E tem mais. E se Israel se comporta de maneira inadequada, não é porque eles são chamados povo de Deus que tá tudo bem, não. Eles também vão receber o juízo, até porque que que eles fizeram? Eles estão se corrompendo, vendendo por prata o justo, quer dizer, fazendo um negócio no sistema jurídico eh desonesto e desleal para, né, se corromper por propina, por eh pagamento, né, que compra a justiça e vendem um pobre por um par de sandálias. A palavra é muito clara e a Bíblia ainda vai dizer pra gente, olha, para você não entender, ah, Sao do Novo Testamento e que a Bíblia começa a dizer que Deus abençoa os outros povos antes de Jesus. Não era assim. Como assim, meu amigo? Olha o Salmo 86. Todas as nações que tu formaste, verso 9 diz, virão e te adorarão, Senhor, e glorificarão o teu nome, pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos. Só tu és Deus. Tá vendo no livro de Salmos? As nações que tu formaste. Então, quem formou os africanos? Quem formou os asiáticos, os orientais, os ocidentais? as pessoas da Oceania, os diversos povos da Europa, os diversos grupos indígenas, os povos das Américas, as diversas tribos da África, todo o pessoal do Oriente Médio, Deus formou. E isso tá em plena sintonia com Atos 17. Quando o apóstolo Paulo vai anunciar o evangelho lá, ele diz o quê? O Deus que fez o mundo e tudo que nele há é o Senhor dos céus e da terra e não habita em santuários feitos por mãos humanas. E o verso 26, Deus de um só ele fez todos os povos. Isso quer dizer que todos os povos, em última instância, são irmãos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam a habitar. Apesar de todo esse cenário, que que acontece? É complicado, pessoal. Todo mundo quer se achar a última bolacha do pacote. A história humana é uma coisa, sabe, que eu acho às vezes parece coisa de criança. Não, eu sou eu que sou melhor, eu que fiz mais bonito, tia. Não, fui eu que fiz, tio. Quer dizer, para com isso, né? existe o que a gente chama de a tentação da primazia, que através da história justificou idolatria e opressão de uma maneira brutal. Eu acho, por isso que eu penso que às vezes que a prosperidade é um desafio maior do que a diversidade, porque certas pessoas, por que de alguma maneira Deus abençoa a sua vida, certos grupos que, vamos dizer, de alguma maneira estão, passam por uma trajetória favorecedora, por uma série de elementos, parece que eles começam se achar. E que bobagem é essa? Olha o que Deus diz. Por exemplo, o nosso querido Amós volta a chamar atenção no capítulo 9 verso 7, ele diz: "Vocês israelitas não são para mim, atenção, melhores do que os etípes", declara o Senhor. OK, eu tirei Israel do Egito, atirei os filisteus de Caftó e os arameus de Kir. Então, chegou uma hora que o pessoal não estava entendendo direito. Falou: "Olha, Deus tirou a gente do Egito por causa dos nossos lindos olhos, porque a gente é maravilhoso. Eu me amo, não posso mais viver sem mim". E aí Deus diz o quê? Falou: "Olha, você acha que vocês são melhores do que o pessoal da Etiópia? Ah, tirei vocês do Egito, tá bom? Os outros povos que se movimentam também fazem isso debaixo da minha mão soberana. Então, parem de pensar dessa maneira." Atos 16 verso 20 e 21, na mesma sintonia com a linguagem teológica de Amós diz: "E levando-os aos magistrados disseram: "Olha lá, estes homens são judeus e estão perturbando a nossa cidade." quando foram acusar Paulo da sua mensagem em Filipos e quiseram fazer, né, a uma acusação para que ele fosse condenado, a acusação é de teor racial, uma acusação explicitamente antissemita. Então eles, ó, nós somos romanos e olha lá o verso 21, eles estão propagando costumes que a nós romanos não é permitido aceitar nem praticar. Eles não estão dizendo: "Olha, esse homem aqui, ele quebrou a lei. Esse homem tá prejudicando pessoas, esse homem tá fazendo uma coisa muito errada". Não, eles são judeus e nós somos romanos. E o que eles fazem, a gente não pode aceitar. A acusação tem esse teor problemático e complicado. Então, quando a gente olha isso, a gente pensa, mas ou saião, eu tô um pouco confuso, porque você tá falando aí, mas a Bíblia não fala que Deus escolheu do mesmo jeito todas as nações. Ele até fez as nações, mas ele diz que escolheu Israel. Então, Israel é diferente. Pois é. Mas a pergunta é: escolheu para quê? escolheu em que sentido, qual que é o foco da escolha de Israel, o que significa isso? Vamos entender. Para entender, olhemos a própria palavra divina. Deuteronômio 7 traz para nós uma luz importante a partir do verso 7. Ele diz o seguinte: "O Senhor, falando do povo de Israel não se afeiçoou a vocês, nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos." E atenção, numerosos no mundo antigo significa mais importantes, mais destacados, até porque você compreende facilmente um povo mais numeroso tem mais exército, tem mais gente capaz de guerra, eles são mais imbatíveis. No mundo antigo a gente tem basicamente infantaria. Então a coisa é assim. Mas por que que Deus escolheu? Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão do poder do faraó, do rei do Egito. Então, na verdade, Israel nunca foi escolhido por seus méritos. Inclusive a Bíblia diz que eles deveriam ser um reino de sacerdotes, que eles tinham uma missão de fazer diferença, que o caminho da grande revelação de Deus para a humanidade foi uma revelação que acontece inicialmente por meio de Israel para se desdobrar a todo povo, língua, tribo, raça e nação. Por que que isso é tão importante? Porque quando a gente pensa em estudar a Bíblia, em fazer o que a gente chama de um estudo teológico, ele não só precisa ter fundamento bíblico, deve ser bem articulado, mas ele precisa ter impacto e relevância. Hoje nós vivemos num ambiente onde as relações étnicas, as relações com minorias, os diversos grupos da nossa experiência brasileira e mundial eh tem se tornado muito conflitivo e problemático. É impressionante como esse clima de tolerância, esse clima de diálogo, essa conversa promissora tem sido fragilizada nos últimos tempos. E aqui a gente pode falar da tristeza do racismo e das atrocidades recentes. Vale lembrar aqui da história, né, de um pastor batista dos Estados Unidos que ficou conhecido mundialmente, o reverendo Martin Luther King. Interessante que tinha um grande amigo judeu, né, o famoso Abraham Joshua Hel, que também era rabino, mas um grande estudioso, que fez juntamente, né, com ele teve um um apoio extraordinário naquilo que foi conhecido como a marcha pelos direitos civis no contexto da América do Norte, onde era uma sociedade onde essa questão racial, essa problemática tava presente. E a coisa não para aí, né? a gente vê eh que a experiência brasileira de escravidão também é uma história muito triste. A gente pode ver até na nossa literatura ler, por exemplo, poemas como de Castro Alves. E a gente vê até hoje em muitos lugares essa essa realidade de desprezo racial direto ou indireto dentro do nosso contexto nacional e o problema de outros lugares do mundo. Você vê problemas étnicos graves na Ásia, você vê grupos étnicos fazendo um contra o outro no contexto africano. A gente vê isso no Oriente Médio, vê na Europa, na América do Norte. Quer dizer, é um negócio triste, lamentável e que a luz do evangelho deve mudar com certeza. E aqui nós vemos essa experiência terrível, mas uma caminhada promissora, desde Luther King, mas de outras pessoas também que tem feito um caminho numa direção diferente. Olha que coisa interessante quando, né, a gente vai ouvir, eu acho, eu vou até olhar aqui direitinho o texto de Apocalipse capítulo 13, né? Porque é interessante como muitas vezes a gente não olha o texto todo assim para eh falar do que ele nos apresenta. Então o capítulo 13 do apocalipse é famoso porque ele fala da besta, né? Então aparece aqui a referência clara da besta. E tem uma besta que sai do mar no começo de Apocalipse 13. E depois quando vai falar de como é que essa besta atua, diz o verso 5: "A besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas. Ele foi dado autoridade para agir durante 42 meses." Quando chega no verso 6, dá uma uma olhada sobre como é que é o comportamento da besta que surge do mar. Diz o texto: "Ela abriu a boca". para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome, o seu tabernáculo, isto é, os que habitam nos céus. Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada a autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação. A opressão contra cada nação aparece na história da redenção. Você percebe que aquilo que marca o poder da besta, ela exatamente tem esse fundamento de uma atitude de suposta supremacia e de legitimidade para fazer com os diferentes povos o que bem entender. Então você vê a raiz terrível dessa rejeição da fraternidade humana e da opressão sobre o outro justificado a partir dessa atitude que nós vamos ver aqui tem a ver com o Império Romano e tem a ver com a realidade escatológica futura também, né? Ou seja, o domínio sobre todo mundo dessa maneira. E voltando para Apocalipse 14 que a gente mencionou, vamos ver o que aparece lá. Quando o texto bíblico vai nos falar da ação de juízo da parte de Deus. Ele diz que ele viu um outro anjo, capítulo 14, verso 6, que voava pelo céu, tinha na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na terra, a toda nação, tribo, língua e povo. Então, pessoal, olha que coisa, né? Ele disse em alta voz: "Temam a Deus e glorifiquem-no, pois chegou a hora do seu juízo. Adoreem aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas." Ou seja, uma palavra de juízo e salvação que envolve toda a nação aqui nessa direção daquilo que é a razão de ser da caminhada da igreja, que é a missão. Isso é importante, muito significativo. Por quê? Porque toda tribo, língua, raça e nação pertence ao poder maior que envolve a besta, a Babilônia, essa opressão do império. E aí o que que chega o evangelho fazendo? rompendo tudo isso, dizendo: "Não, não. Toda raça, tribo, povo, língua e nação pertence ao Senhor. A palavra do evangelho, a salvação chega para todos esses povos. Por isso o caminho aqui, o caminho é de um grande coral multiétnico dentro dessa realidade onde novamente todos os seres humanos são irmanados. Isso é que eu acho especial na minha vida. Eu tive, eu não, eu sincero, vou ser sincero, eu não imaginava uma coisa dessa, porque eu conheci o evangelho, a graça de Deus me alcançou dentro do meu contexto, né, histórico, cultural, e de repente eu comecei a encontrar irmãos ainda ainda novo na minha fé, eu tive o privilégio de conhecer alguns irmãos indígenas, né? E eu achava curioso, falei: "Caramba, eu eu sinto esse indivíduo como se ele fosse realmente a minha família e e ele não tem nada a ver comigo." Depois eu encontrei gente da Europa, encontrei gente eh de outros lugares do Brasil, encontrei gente africana, gente asiática, gente. E aí eu percebia quando a pessoa tinha uma experiência real aquilo tinha, a gente sentiu uma conexão que até era maior do que com gente da minha própria realidade cultural. Impressionante o que o evangelho faz. Olha só, a grande festa de Apocalipse, capítulo 5, verso 9, diz que eles cantavam um cântico novo. E esse cântico novo diz: "Tu és digno". falando, né, da vitória grande do Messias, do rei, que ele sim está no trono, muito além do poder de César. E tu és digno de receber o livro, de abrir os seus selos, pois foste morto e com teu sangue compraste para Deus, compraste para Deus, tiraste da escravidão, libertaste gente de toda tribo, língua, povo e nação. E de novo, palavra nação também pode ser traduzido toda raça. E o que que ele faz? Tu os constituíste em reino e sacerdotes. Uma linguagem que vem lá de Êxodo, capítulo 19 versos 5 e 6. Eles vão ser um reino não de dominadores, reino de gente supremacista, não. Gente que tem um reino de servir de sacerdote, de fazer esse meio de campo, de ser mediador no sentido de apresentar cada ser humano diante de Deus e fazem isso para o nosso Deus e eles reinarão sobre a terra. Ou seja, todo o poder babilônico mais cedo ou mais tarde vai cair. Toda atitude de querer eh ter, né, a sua a sua primazia pisando sobre os outros em nome de alguma possível distinção, jamais se sustentará, porque aqueles redimidos reinarão sobre a terra. Então, nós vemos a celebração da redenção das nações. Eu acho que uma das coisas mais especiais que eu vi na minha vida foi participar de grandes conferências em congresso, onde você vê gente do mundo todo celebrando. Uma vez eu encontrei gente do Nepal, encontrei gente da Mongólia, encontrei gente do norte da África, encontrei gente da Coreia, do Japão, da Indonésia, de dos Estados Unidos, da Alemanha, todo mundo junto. Que coisa extraordinária. Ou seja, a gente vê que na verdade da parte de Deus, o amor abraça a gente de toda a raça. Pensando sobre isso, a gente então fala, mas a gente tem que entender que não é uma questão de querer ser importante, é que a gente tem a nossa identidade. A nossa identidade tem a ver com a nossa raça, a nossa origem, a nossa cultura. E eu vejo cada vez mais o pessoal batendo ao pé. Olha, aliás, cá entre nós, a gente diz que Deus é brasileiro. Olha só que coisa. Com tantas dificuldades que o próprio Brasil tem, muita gente afirma isso. Sabe o que acontece? Olha que coisa bonita, extraordinária na Bíblia. A nossa identidade maior não está na nossa etnia, não está limitada aos nossos aspectos culturais, não tem a ver com a nossa raça. Na palavra divina, a identidade aqui é descoberta e sabe que ela é encontrada em Deus, em Cristo. E isso é algo completamente diferente. Porque se eu olhar pra minha particularidade, se eu olhar pra minha aparência física, se eu olhar pra minha cultura, pra minha origem e eu quiser a partir daí construir uma base para me sustentar, eu não vou conseguir. Por isso que eu acho interessante. Boa parte das pessoas de perfil nacionalista ou muito, vamos dizer, entre aspas, patriota ou muito voltado paraa sua realidade, eles acabam em dois caminhos. ou eles começam a perceber os problemas da sua cultura, da sua nação, do seu povo e entram num processo assim de autocrítica, né? É comum até entre muitos brasileiros isso, ah, o Brasil é horrível, não sei mais o quê, né? Ou a pessoa começa a romantizar, ah, não, meu país é o melhor, não tem nada igual à gente. Quer dizer, duas atitudes que não são tão amadurecidas assim. Sabe o que acontece quando o foco da nossa identidade está em Deus, em Cristo? Aí você, meu amigo, aí você vai ter a devida autoestima, porque você reconhece os seus erros, as suas falhas e se coloca numa situação igual diante de todo mundo, mas é amado incondicionalmente e recupera a sua autoestima de maneira extraordinária. E quando a gente descobre essa identidade ligada à missão, ao amor de Deus que se volta para cada nação, a gente acha o propósito de vida absolutamente único. Por isso a gente vai ver isso sabe onde? Olha que legal, quando a gente lê Primeira Pedro capítulo 2, a Bíblia diz: "Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, aquele mundarel de gente daquele império romano, de gregos, romanos, judeus, citas, gente de origem celta, do norte da África, ah, de origem arameia, de tudo quanto é lugar. Eles eram isso. E sabe para quê? Para anunciar as grandezas daqueles que o chamou das trevas paraa sua maravilhosa luz. Eles que no ambiente romano, especialmente essas minorias, que não eram nada e que não tinham qualquer privilégio em Jerusalém, antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são um povo de Deus. Não haviam recebido misericórdia, mas agora receberam. Por isso a gente celebra essa realidade de sermos de fato nações unidas no Senhor, salvos, perdoados nesse contexto, nessa compreensão antropológica, onde nenhum ódio, nenhum ressentimento, nenhuma opressão, nenhuma manutenção de conflito entre grupos faz sentido no reino de Deus. sempre trabalhando para paz, para construção, paraa relação mútua, pela fraternidade, para entendermos o desdobramento da obra de Deus na sua plenitude nas nossas relações fraternais como irmãos em Jesus. Por isso, a gente celebra aqui juntamente com cada nação, a grande vitória do reino de Deus. E essa vitória é celebrada em Apocalipse 11:15, segunda parte do texto diz: "O reino do mundo se tornou do nosso Senhor e do seu Cristo. Não mais de Roma, não mais da Babilônia, não mais do faraó, não mais dos assírios, não mais de nenhum pretenso poder imperial, imperialista no mundo, não. Porque o reino do mundo se tem, se tornou do Senhor do seu Cristo e ele reinará para todo sempre." No texto do apocalipse, o reino do Senhor vence o império romano e qualquer que se coloca nessa posição. Deus abençoe sua vida, Deus abençoe a sua família, Deus abençoe o povo da sua origem, Deus abençoe a sua fé em Jesus e celebremos a vitória completa do reino de Deus. Amém. [música]