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A fé vem pelo ouvir

🔴AULIVE: A DIALÉTICA DE MARX COMO VOCÊ COM CERTEZA NUNCA VIU

🔴AULIVE: A DIALÉTICA DE MARX COMO VOCÊ COM CERTEZA NUNCA VIU

🔴AULIVE: A DIALÉTICA DE MARX COMO VOCÊ COM CERTEZA NUNCA VIU

Pix: bruno@reikdal.net

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Legendas automáticas:

[música]
>> Pela verdade, pela vida, [canto] pela
luta popular, pela realidade [música]
e uma utopia, livres do rio
>> [música]
>> Um sonho pelo dia da paz entre nós.
>> [música]
>> Guerra aos senhores, ouçam nossa voz.
Fé, [música] ciência do mundo, luz,
testemunhas da terra ao sol. Seguimos
trazendo a boa nova, [música]
todo dia útil até a vitória final.
Filosofia,
economia, sociedade e religião.
Praticamos a criminologia [música]
diplomada, fazemos propaganda e
agitação. Fé, ciência do mundo, luz,
testemunhas da terra [música] ao sol.
Seguimos trazendo a boa nova, todo dia
útil [música] até a vitória final.
Seguimos trazendo a boa nova, todo dia
útil até a vitória final.
Pela verdade, [música] pela vida, pela
luta popular, pela realidade e uma
utopia, livres [música]
do rio ao mar.
Um sonho pelo dia da paz entre nós.
Guerra aos senhores, ouçam [música]
nossa voz.
O pressuposto de toda a existência
humana e, portanto, de toda a história é
que pessoas têm que estar em condições
de viver para fazer história.
Fé e ciência [música] do mundo, luz,
testemunha da terra e o sol.
Seguimos trazendo a boa nova, todo dia
[música] útil até a vitória final.
Fé [música] e ciência do mundo, luz,
testemunha da terra e o sol.
>> [música]
>> Seguimos trazendo a boa nova, todo dia
útil até a vitória final. [música]
Seguimos trazendo a boa nova, todo dia
útil até a vitória final.
>> [música]
>> Fé e ciência do mundo,
luz, testemunha da terra e o sol.
>> [música]
>> Fé,
seguimos trazendo a boa nova, todo dia
útil
até a vitória final.
>> [música]
[música]
>> Oi.
Bom dia, minha gente. Tudo bem com
vocês? Espero que seja que sim.
>> [música]
>> Bom dia.
O som tá bom?
O som.
Tá bom?
>> [música]
>> Espero que sim.
Como é que vocês estão?
Espera aí, deixa eu ajeitar aqui também.
>> [música]
>> Está um pouquinho alto.
Ah.
E vai ficar menos, menos alto.
E eu não sei como é que tá minha voz,
espero que esteja de boa.
E o som esteja bem projetado no
ouvidinho de vocês.
Vocês estejam escutando adequadamente.
É.
E a vontade de espirrar não vai embora.
Esses dias peguei um, um trem aí que eu
não sei muito bem que que foi de virose.
>> [música]
>> E de lá para cá, não sei se
tá com sinusite, esses trem tudo,
incomoda consideravelmente.
E vamos sobreviver.
Tudo bem com vocês? Tudo bem com vocês?
Deixa eu ajeitar aqui.
Hoje vamos ter aquele papo totalmente
excelente, totalmente excelente.
Sobre um tema aí que quase ninguém
falou.
Na história da humanidade.
Que é dialética. Quase ninguém falou
sobre isso. Tema raro,
só que não.
Bom dia. Bom dia, Igor. Como é que você
tá, meu querido? Tudo bom? Espero,
desejo que sim.
Espero, desejo que esteja tudo sossegado
por aí.
E cá estamos. Espera aí, espera aí,
espera aí, espera aí.
Barismo está sendo convidado nesse exato
momento. Nossos queridos membros da
igreja barista.
Ai, minha querida Gisele, como é que
você tá? Tudo bem? Espero, desejo que
sim também. Ah, fica tranquila. Sei a
vida tá nessa correria danada. Graças a
Deus a gente pode gravar esses trem e
fica disponível para depois o pessoal
querer assistir, né?
Obrigado pelo carinho de sempre. Por
apoiar o nosso canalzinho aqui como
membro, membra, membrezia do nosso
canalzinho. Obrigado, obrigado mesmo.
Que é o que sustenta essa bagaça. Aliás,
deixa eu já aproveitar. Faça como Gisele
também seja membro, membra, membre e
membresia aqui do nosso canalzinho, é o
que nos sustenta, o que nos mantém.
Espero que possa contribuir de uma
maneira significativa para você. E aqui,
você sendo membro, membra, membresia do
canal, você tem acesso a conteúdos
exclusivos, só para você, para você e
todas as outras pessoas que também são
membros, membras, membres, membresia
aqui do nosso canalzinho, como cursos,
tal qual Marx e Religião, Evangélicos e
Política no Brasil, como fazer seu
projeto de pesquisa sobre Filosofia
Latino-americana, tem um conteúdo muito
massa. Além da Rádio Crit Crente,
tá, mais de hora de conteúdo, além de
vídeos que a gente conta causos, faz
algumas reflexões que também são bem
interessantes. Então, assim, é um, é um
universinho a ser explorado, né? Um
Bruniverso a ser explorado aqui, que eu
espero que possa ser bacana. Se não tá
dando aí para fazer os 4,99, né? 4,99
centavos, que é o, a membresia, não
esqueça, você pode também curtir esse
vídeo, comentar, pegar já, espalhar a
palavra por aí, compartilhando por
canais aleatórios, além de permanecer
vez por outra aqui assistindo os
videozinhos, que dá aquele pontinho leve
de adicência. Mas o que sustenta a gente
mesmo é a membresia. Então, considere
ser membro, membra, membre, que tem sido
muito bacana, somos um grupo pequeno,
mas fiel e resistente. E, apesar da
irrelevância, seguimos produzindo
conteúdo que aqui me parece de
qualidade,
>> [música]
>> que eu acho que tá contribuindo. Quero
agradecer muito, muito, muito vocês que
tem dado essa força.
É isso. Se eu não esqueci nada,
é isso. Daqui a pouco o Carapa aparece
aqui para me lembrar que eu esqueci
alguma coisa. Carapa é o nosso
voluntário do marketing,
do infoproduto,
só que
eu sou péssimo em seguir os conselhos
dele ou ter tempo para fazer isso. Mas
ele tem [música] excelentes ideias.
Obrigado, Carapa.
Bom dia, Thiago, como é que você tá, meu
querido? E diz, Thiago, bom dia a todos
os baristas e não baristas da América
Latina. De toda a América Latina.
Bom dia, baristas de toda a América
Latina, que nós podemos e possamos
que amo
de lutar e defender
>> Cara, solidariedade aos camaradas
cubanos.
Ai, que tragédia que tá sendo cometida
contra Cuba, mano. Que bagulho bizarro.
E a galera normaliza, né?
Acha que é brincadeira.
Acha que deixar hospital sem energia,
essas coisas, [música] isso é pelo bem,
né?
Os caras tão em bloqueio de energia
maior cota. É quebra demais.
É,
é sofrimento pra todo mundo, sabe, cara?
Assim, é, eu não entendo como esse
cálculo de que todo mundo sofrer vai vai
ser bom. Mas vai ser bom pra quem?
Isso é um bizarro, bizarro.
É, aqueles papo que não dá pra ter na
internet, cara, né? E conviver, tem que
tá junto. E a internet cada vez mais
deixa a gente separado, então a gente
não consegue conviver e ter essas
ideias. É quebra demais.
>> [música]
>> Verdade, verdade.
Diz o nosso querido Tiago, naquela
pegada Pepe Mujica, hein? É lógico.
Eu gosto do sotaque do Mujica. Ele é um
[música]
cara, ele tá bem velhinho já, né? Ele
ele fala daquele jeito que ele é um
libertar
este
libertar este este este
tener tiempo, tener tiempo
para hacer lo que ele tem motivo,
o que tem motivo. Esse é o ser livre.
Esse
que é bem legal, eu gosto. [música]
>> [risadas]
>> É bonitinho.
Ele é um velho muito fofo, né?
Ô, o Jack da Pedra, pedra underline SP
blá. Como é que você tá? Tudo bom?
Espero que deseje que sim. Bom dia,
socialistas com princípios e valores. É
importante isso, hein? Ô, e o pior é que
sem sacanagem, esse teu comentário
princípios e valores tem a ver com o
papo que a gente vai ter hoje sobre
dialética, tá?
A gente vai ter uma conversa hoje é
sobre dialética,
dialética marxista
que vai envolver discussão sobre
princípios e valores.
Quem diria?
Há pessoas que dizem que não tem que ter
princípios e valores, mas a gente
[música] tem.
Bora, bora com esse Marx.
Hoje eu não vou poder esticar muito,
então vou ter que ir conduzindo o papo.
Pra ter que falar de dialética, mas esse
é legal, vocês vão gostar do texto.
É um artigo muito bom do Franz.
Eu queria traduzir ele, eu até comecei,
mas eu não consegui terminar a tradução,
pra poder publicar, mas fica aberto.
Aberto pra quem quiser publicar, eu
consigo os meios.
Pra fazer o
o [música] pedido.
É.
Então.
Deixa eu ver aqui.
Se vocês quiserem traduzir esse texto
que a gente vai ler hoje, consigo
[música]
os meios pra ter a os direitos. Eu
comecei a fazer a tradução, mas eu tô
sem tempo. E o mais importante não é que
eu traduza, é que alguém traduza. Então
se alguém aí se sentir inspirado,
inspirada. [música]
Pode traduzir o texto que a gente vai
ler hoje, publicar, que vale muito a
pena. Contribui pra as discussões. Marx.
Bom dia, querido Gabriel, como é que
você tá? Tudo bem? Espero que seja
excelente. Bom dia, bom dia totalmente
excelente, meu querido Gabriel.
É Pedra que fala, viu?
Bom dia, querido. Muito obrigado, Pedra.
Perdão aí pela falta aí no cuidado do
acento.
Li Pedra.
Olha que coisa irresponsável da minha
parte.
Bom dia, Pedra, como é que você tá? Tudo
bem? Espero que seja excelente. Tamo
junto. [música]
Tamo junto. É que nem o o nosso querido
camarada.
Ryan. Eu sei. Se você falar Ryan ou Ian,
Ian, como é que a gente vai chamar o
nome dele? Eu vou botar os meninos
matando aqui em casa, não tá vazando o
som.
Essa brincadeirinha deles começou a
ficar séria, eu quase rasguei minha
cortina.
Não faça isso.
Leonela.
Minha cortina de lata.
Tem dinheiro pra comprar outra não.
Eu.
Nosso amiguinho Franz, sobre o nome
complicado. Isso vai ser o texto do
nosso querido amigo Franz Beckenbauer.
Franz Beckenbauer.
Nome é mais, o nome tem, ele é, a grafia
é mais esquisita do que o som, né?
Beckenbauer.
É isso.
Que nem o meu sobrenome, ele não é tão
difícil. Ele só, a gente, a gente só vê
a grafia esquisita porque tem um K e um
D no meio.
Aí você fala, isso aqui é esquisito. Só
que assim, aí o pessoal pergunta, como é
que fala? Eu falo, eu também não sei,
né?
Também não sei. Como eu não, não,
não faço ideia de como se fala na língua
original, é do jeito que você lê. É do
jeito que você quiser. E aí ninguém
acerta meu nome.
Nem o meu chefe acertou meu nome numa
live que ele fez esses dias aí. Na
verdade, ele desistiu de falar meu nome.
Falou o nome de várias pessoas, na hora
que viu Bruno e viu o sobrenome, falou,
eita, que que é isso aqui?
Aí ele abandonou e não falou meu nome.
Só falou Bruno.
>> [risadas]
>> Me diverti, não vou negar.
Imagina, diz nossa querida Pedro. Não,
que é isso, pô. Estamos juntos. Bom dia,
querido Rubens. Como é que você tá? Tudo
bom?
Como estão? Vindo do passado em 2 X.
Já já estou sincronizado. Ah, estamos
juntos, Rubens. Já já está chegando aí.
Em 2 X você chega rapidinho.
Eu fico imaginando como é que sai a
minha voz em, em 2 X, né? Na velocidade
2.0 aí, o 2 X.
Porque eu falo rápido, eu sei disso. E
eu tento falar devagar aqui, hein?
Diga-se de passagem. Mas eu sei que eu
falo rápido.
Uma vez eu tava,
uma vez, ó,
final de 2020,
perdão, final [limpando a garganta] de
2024. Última vez que eu fui pra, a
trabalho lá pra Cuba.
E a gente tava no congresso.
E aí o pessoal pediu pra eu fazer a
síntese de um dia lá de discussões que a
gente teve,
pra uma das atividades do congresso.
E eu falei, tá bom.
Só que assim, na hora que tava no início
do, era, e era bem no começo assim, dos,
primeiro pro segundo dia,
o pessoal falou assim, ó, pra galera que
é espanablante, né?
Pra galera que fala espanhol.
Eu tô destreinado no meu espanhol,
preciso falar mais. O ano passado eu
passei o ano inteiro sem, sem praticar,
né? Então,
complicado.
Mas o
aí a gente tava, tava lá e o cara, o meu
professor falou assim: "Ó,
né, temos aqui bastante companheiros
brasileiros, né? Tem muitos brasileiros
e brasileiras aqui. Então, por favor,
todo mundo que fala espanhol, vamos
falar mais devagar, vamos falar mais
pausado".
Aí eles pediram pra eu fazer a síntese
lá, né? Que eu tava na organização do
congresso também. Eu falei: "Tá bom".
Peguei a palavra pra fazer a síntese.
Terminou, a galera curtiu pra caramba,
ficou aquele alvoroço, tal. E era pra
ser uma parada tipo de
três minutos no máximo. Eu, e e quando
alguém me dá um tempo, eu realmente
respeito o tempo. Então, eu peguei o
cronômetro,
marquei três minutinhos,
dale. [música]
E lá lá em três minutos fiz a síntese do
negócio, apresentei, fiz uma discussão,
deixei uma provocação no final e tal,
saí.
Aí,
no dia seguinte, um pouquinho depois, o
pessoal foi se reunir, falou: "Bruno,
você faz a síntese de novo"? Eu falei:
"Faço". Aí eles
"Só fala devagar, tá?
Mesmo em espanhol.
>> [risadas]
>> Foi rápido demais.
Era muita informação". Eu falei: "Opa,
perdão.
Vou falar mais devagar". Quer dizer, eu
eu não consigo falar devagar. Eu tô, eu
me esforço pra isso. É difícil. Então,
imagine em 2x, cara, você deve tá
sofrendo. Mas tem gente que consegue,
né?
>> [música]
>> Não sei como.
Diz nossa querida nossa querida pedra,
isso significa é pedra, né? É. Imagino
que sim. [música]
Que é, que que que inclusive, o pessoal
hoje em dia tem aquela discussão, não
tem não, né?
Ai, que bobagem que eu vou trazer aqui,
mas perdão.
Bobagem porque, ai, que saco ter que
falar sobre isso. Na bolha, microbolha
[música] crente do Twitter, o pessoal
ficou muito incomodado que a Erika
Hilton agora tá lá na comissão da
mulher.
E aí a discussão volta de sempre, né? É
mulher, não é mulher, menininha,
menininha, menininha, menininha.
E aí tem gente que não chamou, aí um
cara lá não chamou ela pelo nome dela,
Érica.
Nome social.
Aí começa pá, pá, pá, pá, pá, pi, pi,
pó, pó, pó. Aí eu sei que no meio desse
negócio todo, eu sempre me lembro, e é
importante lembrar,
que a pessoa que mais tinha mania de
ficar mudando o nome das pessoas para o
nome social era Jesus, né?
Ele olha para um cara chamado Simão e
fala: "Teu nome agora é Pedro".
>> [risadas]
>> Acho que a gente podia começar a aceitar
essa prática.
Mudou o nome social, qual o problema?
Olha para o Saulo virou Paulo. Aí que
coisa incrível. É, vai mudando o nome
das pessoas. E você, qual que é o seu
nome?
Frederico. Te chamo agora de Jefferson.
Pronto, tá tudo certo.
Inventa o nome social, tá tudo bem.
Sobrenome eu escrevo e torço para o
corretor acertar. É, basicamente isso.
É, basicamente isso, Gabriel. Sobrenome
a gente escreve e torce.
Bom dia, querido Jones Miguel, nosso
querido atleta, né? O o Jones, nosso
querido Jones, ele pratica, ah,
o triatlo.
Ele trabalha o corpo,
a mente e a capacidade auditiva enquanto
acompanha as nossas lives, porque ele
vai na academia,
ouve o conteúdo e tá treinando escutar a
capacidade com a capacidade auditiva
acompanhar o papo,
treinando o cérebro e o corpo ao mesmo
tempo. Triatleta. Tamo junto, Jones. Bom
dia, que bom que você tá aqui com a
gente.
Diz nosso querido Tiago: "Ele pode falar
Bruno do barismo". É, o chefe podia
falar, né? Bruno do barismo. Não sei se
fica bom, mas pode ser.
Bruno barista.
Bom dia, querido Carapa, como é que você
tá? Buenos dias, buenos dias.
>> [risadas]
>> Diz Tiago: "Carapa da estratégia de
marketing barista chegou". Chegou, ele é
incrível. Eu que sou péssimo. Eu
Tá bom.
Pedra,
nossa querida Pedra diz: "Jesus
defenderia o uso do nome social".
Perfeitamente. Puts, enquanto eu tava
falando você já tinha mandado esse
comentário e apareceu aqui depois. Você
tem toda razão, tem toda razão. Ele
criava nome social pra galera, ele
inventava nome pro pessoal, mudava o
nome das pessoas. E a igreja é uma
prática divina, né?
Tem a famosa história de Abraão virou
Abrão. Não, era Abrão e virou Abraão,
né? Abrão virou Abraão.
Aí filho do Abraão, o o Abraão teve o
Isaque que depois teve um filho chamado
Jacó e o e Deus vai e muda o nome do
cara de Jacó pra Israel. Quer dizer,
eles tem o hábito de ficar mudando o
nome das pessoas.
>> [música]
>> A gente também tem que começar a aceitar
isso.
Qual o problema de mudar o nome?
Bom dia, querido Borduna. Como é que
você tá? O chat trevoso, sim, nosso chat
é trevoso, Borduna, mas saudável e
respeitoso. Que é um chat saudável com
conversas totalmente excelentes.
>> [música]
>> Diz nosso querido Demetrius, como é que
você tá, Demetrius? Tudo bom, mano?
Espero, desejo que sim. Pra simplificar
a vida das pessoas, agora me chamarei
Zé. Pronto. Eu chamo a minha filha de
Zé.
>> [risadas]
>> E eu não tô zoando.
Porque é o seguinte, o meu pai, ele me
chamava de Zé. Meu nome é Bruno e do
nada ele fala: "Ô Zé, faz isso não, Zé".
"Não, né, Zé?" Ele me chamava de Meu pai
me chamava de Zé. Meu nome é Bruno, mas
me chamava de Zé. Até hoje, vez por
outra ele me chama de Zé.
É, vez por outra é filho, raramente, mas
normalmente é Zé. Zé ou cabeça. "Não,
cabeção". "Ô, cabeção". "Não, cabeção".
E Zé, né? É uma prática de bullying
familiar gostoso. Com carinho. E ele
diz Zé. E eu peguei esse hábito e eu
chamo várias pessoas de Zé. Por que
reproduzir como o meu pai me chamava.
E aí eu chamo minha minha filha de Zé.
"Ô não, Zé, faz isso não, Zé". Aí ela
olha pra mim. Uma vez ela chegou e
falou: "Pai, por que que você não
Pô, muito engraçado.
Pai, por que que você não me chama de
Luna?" Eu falei:
"É, desculpa, filha, é que o vovô me
chamava de Zé e aí eu tenho mania de
chamar as pessoas de Zé". Aí ela falou:
"Ah, tá. Então tudo bem". Falei: "Então
tá".
>> [risadas]
>> É Zé. Zé, pô.
Diz nossa querida Pedra:
Tem várias religiões que quando a pessoa
inicia tem que mudar de nome também.
Sim, claro, por exemplo,
eu sei, ó, ó, ó que problema
interessante.
Nas aldeias Guarani e muitas comunidades
de povos originários,
o nome ele é dado depois de um tempo,
vai ser um nome de acordo com
a sua conduta, com as características
que você apresenta durante a sua vida,
começo da vida.
Então vai ser um nome que vai vir
carregado do significado de como a
comunidade te entende.
Mas na legislação brasileira você tem
que dar o nome assim que você,
que a criança nasce. Então tem o nome de
registro, de documento e aí a pessoa é
socialmente chamada por esse nome
durante a vida toda, porque é o nome do
documento e ela não pode mudar depois.
Só
que o nome dela mesmo é um nome que vai
ser dado posteriormente. E ainda tem
isso, que depois de um processo de ser
adulto e de você passar por um tipo de,
de
ritual de passagem, né, de, de transição
da [música] vida, da, da infância pra
vida adulta, você também recebe uma
alteração de nome.
Só que no registro fica o nome que foi
colocado no cartório quando a criança
nasce.
Então socialmente tem um nome que não é
o nome como essa pessoa
vive na comunidade. Doideira, né? Mas
são coisas que a gente tem que
pensar, cara. Assim, pode parecer
bobagem, mas isso é muito sério, assim.
Isso é muito sério. Pro ponto de vista
formal, tosco, o cara fica meio, é, né,
né, né, né,
ah, tem nada a ver, não sei o que lá,
mas tem, cara, tem, é importante, sabe?
>> [roncando]
>> Então é, é, é sério isso, assim.
Vixe, peraí.
Pronto, perdão, mas eu tinha um
probleminha aqui de,
pareceu urgência, mas não foi, Glória a
Deus.
Então, tipo, é muito louco isso, é uma
parada muito séria, saca? Você tem um
nome, que é um nome que fica registrado
e que as pessoas vão te chamar por esse
nome formalmente, mas o nome mesmo na
comunidade, aquele que te coloca na
vida, é outro, né?
Eu e é engraçado, eu ganhei um nome
novo.
E eu fiquei muito honrado com isso.
É, no lugar lá que eu que eu
recentemente, né?
É, fui
eu dou aula, né? Eu recentemente fui
rebatizado. Então, eu tenho um nome que
meu eu Xamboiá, que é professor ou
mestre, Xamboiá, Xamboiá
Xamboiá Uerá, o Uerá, que é Bruno, seria
o equivalente a Bruno, né? Se eu não me
se eu não tô equivocado. Xamboiá Uerá.
Xamboiá Uerá.
Professor, ou né?
Guia,
professor, professor, mestre, sei lá.
Bruno, Xamboiá Uerá. E eu adorei, eu
fiquei muito feliz de ser chamado assim.
Tipo, quando me chamarem assim, eu
imediatamente responderei.
Uerá,
Xamboiá Uerá.
Opa, tô aí.
Adorei pra caramba.
É massa.
E aí a galera tem isso. E é umas coisas
interessantes pra gente conversar sobre
isso, né? Tem importante, importante.
Diz querida Pedra: "Zé é pronome
neutro".
E mineirês é, como diz o nosso querido
Portuna. Zé é gíria de mineiro pra
chamar as pessoas. Exatamente, a gente
chama as pessoas de Zé. Dá-lhe Zé.
Diz o nosso querido Demetrius:
"Necessidade confirmada ao vivo, você
chamou de Demetrius e o meu nome é de
Demitrius". Pra você ver como é
complicado, né Demitrius?
>> [risadas]
>> Perdão.
Perdão aí que a gente ai Jesus Cristo, a
gente só dá mancada.
Diz querido Rubinho: "Sua filha ainda
foi compreensiva, aceitou ser Zé pela
tradição que passou do vô pro neto".
Exatamente, e vai se estender
aparentemente.
Diz a nossa querida Pedra: "Em algumas
sociedades o nome muda depois da morte".
Também, é verdade, é verdade. Cara, é
muito legal esse lance do nome, eu acho
muito, muito massa.
Ter um nome com significado, acho muito
bom, né? Um nome que não seja só esse de
registro, tabulação, sei lá o que lá.
Um nome que conecte você com uma
trajetória, tal. É massa, eu gosto.
Bom dia, querido Fernando Templário. Bom
dia, Bruno. Eu estava no nosso Alto
Conselho Barista,
conversando sobre um ótimo anime que
estou assistindo. Vale a pena
recomendar. Se chama Record of
Ragnarok.
Record of Ragnarok.
É [música] um anime com o nome Record,
me parece que é em inglês, of, Record
of, e Ragnarok.
É um nome zlá,
nórdico, [música] sei lá.
Olha a globalização que ela tem feito
com a gente. Que legal.
>> [risadas]
>> É verdade, o Pedro que tá comentando
aqui. Ah, na língua brasileira de sinais
também se recebe um novo nome, um sinal
próprio. Eu tenho o meu, letra B,
buraco aqui na bochecha, faz assim, ó.
E tem o sorrisinho, né?
É o meu, fui batizado com esse nome.
Então, esse é o meu sinal, né? Faz a
letra B e aqui.
Legal. É legal essas coisas, acho massa.
Pô, a gente ter que usar um nome com
significado é bom demais.
Bom dia, querido Vitor Wakai. Como é que
você tá? Tudo bem? Espero e desejo que
sim. Olha que papo massa que a gente tá
tendo logo no início aqui sobre nomes.
Nosso querido Gato com
miqui
rose.
Gato
é um gato.
Com
com
Hum,
cirrose. Ah, eu estava juntando as
letras, o que significa que ele tá
embaralhando tudo. Você é um gato com
cirrose?
>> [música]
>> Meu amigo, excesso de álcool em felinos
realmente deve ser perigoso.
Fica aí uma orientação para você ir ao
médico urgentemente, tratar dessa
cirrose aí.
Que perigo. Bom dia, Bruno. Bom dia.
Gato com cirrose. Pergunta aleatória.
Totalmente aleatória. Para uma ontologia
do ser social, entre aspas, de Lukács, é
uma leitura boa de ser feita para alguém
que está iniciando no marxismo?
Necessita de muito repertório
filosófico? Hum.
Boa pergunta.
Quanto tempo de vida você ainda tem, de
acordo com o grau de cirrose que você tá
com, é
comprometido e acometido, né? Se você
conseguir me explicar quanto tempo de
vida você acha que ainda tem.
Mas também que gato tem sete vidas,
então não sei se na sua nova vida você
ainda vai manter a cirrose ou se ela vai
desaparecer.
Algo a ser investigado. Mas dito isso,
cara, eu sou do time do seguinte, mas é
coisa minha.
Livro a gente lê.
A gente lê.
Ah,
salvo de mais repertório, a gente a
gente sempre vai estar faltando alguma
coisa.
Sempre vai estar faltando alguma coisa,
a gente sempre vai ficar em em déficit.
Depende do nosso interesse. Se eu quero
ler para
por uma questão de desafio, de
aprendizagem, de aumentar meu
repertório,
qualquer leitura é leitura. Umas vão ser
mais difíceis, vão demorar mais, outras
vão demorar menos.
Só não posso ter pressa. Que se meu
objetivo é ganhar repertório, entender
as coisas,
essa é minha minha opinologia aqui. Lê.
Não precisa entender absolutamente tudo
numa primeira leitura.
Você não precisa sacar tudo que tá
significando em cada linha. Não, busca
as ideias centrais, aquilo que mais te
chama atenção. Se não é uma questão de
estudos, tipo, formal acadêmico, lê o
que te interessar, o que você tiver
gostando.
Não tem essa crise. Agora não, eu quero
aprender o básico sobre uma discussão
marxista,
>> [música]
>> é
Aí eu Aí é mais interessante ir para
introduções, né? Introduções. O famoso
Marxismo em 15 minutos, brincadeira.
Mas tipo, a introdução ao Marxismo lá,
Introdução ao Marx, eu não lembro o
título do do livro do Zé Paulo Neto.
Introdutório, é organizadinho, ponto a
ponto.
Tem um do do Isaac Rubin.
Caraca, qual que é o como é que é o
título desse livro? É uma introdução
excelente.
Também.
Antiga.
Putz, eu não vou lembrar. Vou ter que
pesquisar. Ah, minha memória tá muito
ruim, cara. Eu tô muito cansado, então
meu cérebro tá
lento pra caramba.
Teoria marxista do valor. É bem legal. É
uma intro Ela é Ela é acessível, ela é
muito qualificada, ela é linha a linha.
Dá pra ter discussões
interessantíssimas, então é uma leitura
legal.
Ah, e e aí eu iria pra essas pra
introduções assim, mais interessantes.
Se seu objetivo é a a é pegar mais
rápido referências e tal. Quando seu
objetivo é se desafiar, aumentar
repertório e lendo, vai lendo, cara. Lê
o que te interessar, pede ajuda, pede
pede apoio. [música]
Não precisa entender tudo de uma vez,
né? Vai devagarzinho. Leitura de texto
filosófico, inclusive, não não é tipo
leitura que nem
jornal, né? Que você lê ali pra pegar
uma informação e rapidamente bater o
olho e tal.
Não é uma leitura como se fosse um
romance, você tem que ir devorando e tal
e fazendo todas as conexões. Não,
leitura de textos
filosóficos, de textos cabeçudos desse
grau de intelectualidade, o mais
importante não é o quanto você lê, mas o
quanto você capta daquilo que você tá
lendo. E talvez você tem que ler três,
quatro, cinco vezes, né? Por isso que
depende do interesse.
Então,
fica aqui muito aberta, né, às suas
escolhas
>> [música]
>> dentro dessa grande janela que eu acabei
de comentar.
Bom dia, querido Felipe. Como é que você
tá, meu bom? Tudo bom? Primeira pessoa
santificada em vida, beatificada em
vida, Felipe. Felipe aqui pela igreja
marxista do YouTube. Bom dia, meu bom.
Tudo bem? Como é que você tá, mano?
Querido Rubens, eu tava lendo Ailton
Krenak, Futuros Ancestrais. Ele comenta
sobre como a visão da relação adulto
criança apenas para adulto ajudar a
criança desenvolver o espírito que ela
já é. Cara, é muito massa isso. E a
galera que acha que é um bagulho meio
espiritualista, sei lá o que lá, não,
não, não, não, isso é um modo de vida
mesmo. Tava lá trocando ideia com o
camarada
na aldeia e a gente começou a conversar
sobre filho, né? Sobre como é que é a
relação de criação de criança em casa.
Como é que eu cuido da minha filha, ele
falando sobre a o filho dele e a gente
começou a trocar. E ele tem mais filhos
que eu. E aí ele falou: "Na nossa
tradição, a gente
>> [música]
>> tem o hábito de de tá sempre vigiando e
acompanhando a criança, vigiando tipo de
cuidado, né? Tá sempre de olho, tal, não
sei o que lá.
E quando acontece uma coisa, eh, a
relação não é de bronca, de briga, tal,
não sei o que".
Você vai chamar atenção, tem várias
questões ali que são de disciplina, de
disciplinaridade para você sobreviver em
comunidade, tal.
Mas falou: "A gente chama para um
momento
momento específico, senta para ficar na
mesma altura da criança para a gente
conversar sempre em pé de igualdade". Eu
achei mó legal.
É um tipo uma responsabilidade do guiar
a criança. É isso que você comentou. Eu
achei muito massa assim. Tô aprendendo,
né? Eu tô aprendendo.
Hum, turum,
tchum, tchum. Diz o nosso querido
Fernando Templário: "Não recomendo dar
70% para um gato quente".
Gente, um gato quente. 70% dará algo 70%
para um gato quente. É, eu também não
acho não é recomendável. Nem para
ninguém. Isso daí é outra coisa.
Diz o nosso querido Borduna: "Sobre o
Kautsky, José Paulo Neto tem ótimos
livros introdutórios sobre esse autor".
Sim, o Zé Paulo Neto tem ótimos livros
introdutórios sobre tudo.
Eu gosto.
Acho legal. Tem várias considerações,
várias discussões, mas é bom, cara, é
bom, introdutório, explica bem, [música]
é isso que importa. Didático para
caramba.
Diz o nosso querido Carapa: "Tô fazendo
a pós assim, sem entender absolutamente
nada". É assim que a a faz as coisas.
Todo mundo finge que tá se entendendo e
a gente vai levando a vida pra frente.
>> [risadas]
>> A vida é isso, cara. Dentro da
universidade, no geral, a gente vai
levando e uma hora as coisas entendem. É
que a gente tem uns tempos pra fazer as
coisas que eu acho que pra mim não faz
sentido nenhum, assim.
Cara, pra ler a porcaria do Capital,
quantos anos eu levei?
Ô, mano, foram anos, anos lendo. Por que
é puxado, difícil e vai e vem e volta e
lê de novo e baixa e vem pra cá e vai
pra grupo de estudo e monta grupo de
estudo e monta grupo de comentário e
bota.
Um trabalho da bexiga. Você acha que vai
entender em
seis meses de
eh
sei lá, sociologia um,
pensamento marxista e contemporâneo? Não
vai, mano. A gente
a gente é maluco, a gente
tem um comecinho de ideia em alguma
estrutura formal pra depois de seguir a
vida pesquisando e trabalhando.
Esses tempos
faz sentido.
Diz nosso querido Rubens, correto. É
importante saber
que você pode abandonar um livro sempre
que quiser, sempre. Eu demorei pra
entender isso. Não, mas
entenda com facilidade, minha gente.
Pode abandonar o livro.
A chave começou, tinha que terminar, mas
às vezes o livro só não é pra você. Não.
Exato.
E nem dá pra saber tudo tudo.
Diz nosso querido Felipe, lembrei do
vídeo do professor Clóvis, tem que ter
brilho. Você tem brilho.
Você tem brilho.
Ele escreveu, você só tem que entender
aquela merda. Eu adoro isso, cara. Esse
>> [risadas]
>> vídeo é maravilhoso.
Esse vídeo é maravilhoso. Você só tem
que entender
aquela merda.
O Clóvis é muito bom, cara.
Brilho, você tem brilho. Diz nosso
querido Rubens.
Pergunta Pedreira. Bruno, você é profe
em escola indígena? Em
licenciatura em educação no campo, tem
estudantes indígenas, Guarani.
Diz nosso querido Gabriel: "Eu li
Grabber na bri na bri no brio". Grabber
gra Ah, o nome difícil. Graeber. Pra mim
seria Graeber, mas tem que falar
Grabber.
Mas é Graeber.
Que é um nome estranho, Graeber. No
brio, na base do ódio. É, tem várias
coisas que a gente lê. Levinas. Levinas
eu li
batendo a minha cabeça no livro com
raiva. Daqui a uma hora eu vou entender
isso aqui.
Ensaio sobre os dados imediatos da
consciência, do Henri Bergson.
Meu amigo, essa porcaria Eu tenho Eu
tenho memória fotográfica
do livro.
Que na verdade nem era um livro, eu
tinha uma xerox espiralada de
Ensaio sobre os dados imediatos da
consciência.
O que eu apanhei desta porcaria, mas
valeu a pena.
Nossa, quantas horas de trem voltando
pra casa falando: "Meu Deus, não é
possível, eu fui alfabetizado. Eu vou
entender isso aqui. Eu fui alfabetizado,
não é possível".
>> [risadas]
>> Fazer o watch. Diz: "Olá Fazer o watch,
bom dia meu querido. O que é ser fazer o
quê? Fazer o watch". Não precisa ler
capital, algum influenciador de esquerda
aí. Ih.
Não, se você não quiser, aí não precisa
ler mesmo. Mas agora quero conhecer.
Bem-vindos ao mundo, né?
Só passando pra dar bom dia. Bom dia,
meu querido.
Diz nosso querido Fernando Templário: "A
bronca só cria
rebeldia. Compreensão do erro não é
apoiar, é partir do princípio que pode
melhorar pra tentar não cometer mais".
Exato.
E os efeitos negativos que vem de
determinadas ações irresponsáveis.
E eu nem tô falando sobre coisas muito
grandes, sobre coisas pequenas,
importantes.
Diz nosso querido Fazer o watch: "Essa
aula do Clóvis é absurda". É absurda. É
maravilhoso.
>> [risadas]
>> Você tem brilho. Você tem brilho.
>> [risadas]
>> Diz: "Só tem que ler aquela merda". Eu
cara, eu adoro essa entonação de voz que
ele faz, é muito bom. Ele Ele é um cara
que conta história bem demais. Teve um
vídeo recentemente que deu uma
viralizada
de 10 minutos dele contando numa
palestra que ele foi dar no encontro XYZ
e
aí
tava lá o cara lá, o o Nash, aquele
matemático, esqueci o nome dele.
Fiz Steven Nash na minha cabeça, mas
esse é outro, é o do do basquete.
[música]
Mas o o Nash lá do que era matemático,
que tava na palestra, que viu ele, que
falou com ele, né, o cara Nobel
matemático.
E
ficou do cara apoiando ele para ser um
bom palestrante. Ele deu uma aula, disse
que deu uma palestra incrível e que é o
Nash tinha uma aula, o Nash tava assim
e isso dando apoio para ele e tal.
E é um é um vídeo maravilhoso e no final
ele disse que o o Nash falou: "Pô, eu
não me satisfiz assim, tipo, OK, fiz meu
trabalho e tal, mas eu eu tenho alegria
hoje em poder impulsionar as pessoas, é
isso que mais me satisfaz".
E eu assisti esse vídeo, são 10 minutos
do Clóvis contando essa história, que é
maravilhosa. E aí eu terminei, eu tava
com o olho cheio d'água, cara, porque eu
só cheguei até aqui por causa de gente
que nem o Nash
que é gente gabaritada, graúda, que é
gente incrível
que dá apoio, dá suporte, tá ligado? Que
te fala: "Mano, é isso aí que você tem
que fazer. Vai, isso é bom, pô, você é
bom no que você faz.
>> [música]
>> Vai tranquilo e tal".
E eu tive essas experiências assim com
gente muito
nossa
com o Dúcio.
O Dúcio me apoiando no meu trampo,
apesar de eu ter dado uma mancada com
ele no dia que a gente se conheceu.
Uma não, né, uma mancadassa.
Só história boa.
O o o Dúcio, o próprio Rick Lambert, o
Juan Gonzalez Batista, o Segales
o Ricardo Quadros Gouveia, para quem é
crente, né? Cara
pô, mano, ele foi muito generoso num dia
e e me fez bem para caramba, cara,
assim, caramba, velho.
Que da hora, né? São umas histórias
assim que me me impulsionaram. E aí
isso me ensina muito, porque são uns
caras muito,
[ __ ] das galáxias,
a Nanci Cardoso, a Nanci Cardoso me
amadrinhou, ela me salvou, ela me, abriu
portas que eu jamais teria.
E a gente falou cara, é isso. E essa
galera que é gigante e que tá apoiando
quem tá vindo, tá ligado? Isso é bom
demais, cara. Isso é bom demais, mano.
Isso é bom demais. E eu me inspiro
nisso, eu falei pô, no que eu puder
contribuir para as pessoas poderem ter
suas oportunidades, se sentir, se
incentivar,
se animar, fazer dentro das suas
possibilidades, as suas potencialidades,
os lugares que puder. É isso, mano.
Sabe? A gente tem que se ajudar. A gente
tem que se ajudar.
Tem que se ajudar. Né?
Isso é importante, importante.
Diz querida pedra, [ __ ] demais, deve
ser. É, do lance da aula, né? Pô, eu
gosto, eu tenho muito orgulho de fazer
isso.
Sou professora de biologia e ciências.
Que da hora, que massa. Querida profe,
colega de profissão.
Tamo aí junto na nossa classe. Que da
hora, que da hora.
Diz querido Rubens, precisa ler? Não
precisa, mas aí também não pode falar
sobre. É, concordo, né? Concordo
[música] plenamente.
Bom dia Kleber, como é que você tá, meu
querido Kleber Lauer?
Diz Kleber, sabe que fiz uma pós em
matemática pura, três semanas depois
estava chorando em casa porque não
entendia. Chorei mesmo, terminei e deu
tudo certo. É isso, no primeiro momento
a gente se assusta, a gente fica
desesperado, a gente fala não tô
entendendo josta nenhuma, mas no final a
gente vai sobreviver, gente. Calma, não
precisa se desesperar, de verdade. As
pessoas acham que eu falo isso só para
confortar, não, é verdade. Vai
tranquilo, vai tranquilo, vai tranquilo.
Não não precisa ser o, entender tudo, só
precisa tirar o diploma. É isso que a
gente tem que fazer. O foco é, faça o
necessário para tirar o diploma e
absorva o máximo que eu puder dentro do
que eu tiver condições. Porque é para
isso, não é para sair de lá o Nobel da
matemática ou
o gênio da filosofia que vai marcar a
história.
Não, cara, para a gente fazer aquilo que
a gente puder, absorver o máximo,
desfrutar o processo, tem que desfrutar
do processo e vida que segue, né? Isso
faz muito bem para a gente.
Faz muito bem.
Isso é importante. Falo isso real,
assim, não é [música] zoeira não.
Diz nosso querido Gabriel: "Fofoca pela
metade mata". Mata.
Então tá, vou contar fofoca.
São muitas fofocas. Vou contar algumas.
Aí eu vou eu preciso ler o bagulho, mas
vou contar umas fofoca legal.
Vamos lá, fofoca legal. Seguinte.
No ano da graça de 2015, eu entrei no
mestrado [música]
em filosofia na Universidade Federal do
ABC para estudar filosofia da
libertação, filosofia latino-americana.
Fiz um projetinho, passei por todo o
processo seletivo, consegui a bolsa
CAPES, fiquei em segundo lugar no
processo seletivo.
>> [música]
>> Por isso que eu consegui a bolsa.
Entrei.
Feliz,
feliz. Eu acho que o resultado saiu
em julho,
finalzinho de julho, começo de agosto.
E eu já tava aqui, ó, sorriso orelha
orelha, já tinha tido o meu primeiro
encontro com o orientador, né? Daniel
Pansarelli, que ia ser meu orientador.
Conheci ele
no processo seletivo, né? Não conhecia
ele antes. Conheci ele na banca de de
da entrevista do mestrado. Porque tem
várias etapas do processo seletivo, uma
delas era uma entrevista, que é
entrevista para você ingressar no
mestrado. E ele tava como um dos dos
entrevistadores, porque afinal eu tinha
indicado ele como orientador.
Só que eu não conhecia ele,
o Daniel,
que eu carinhosamente chamo de Dani hoje
em dia. Aí tava
nesse dia eu, Daniel e a coordenadora
então do curso, que era nossa querida
Luciana Zaterka, excelentíssima
professora espinozana que dá uma aula.
Eu nunca vi ninguém ler um texto da
maneira que ela [música] lê. É um
negócio assim,
cara, bizarro. É da hora,
excelente. Dito isso, não conhecia
ambos, né? Mas eu tava na entrevista
>> [música]
>> e aí a Luciana, que era a coordenadora,
falou assim:
"Você indicou aqui como seu orientador
o professor Daniel Passarelli.
Aí eu falei: "Isso".
O professor Não, ela ela deixou no ar.
"Você indicou aqui o professor". Eu
falei: "O Daniel Passarelli". Aí ela:
"Este rapaz aqui ao meu lado". Eu
Aí eu falei:
>> [música]
>> "Rapaz não, senhor, né? Tem até cabelo
branco".
>> [suspirando]
>> Ai, a minha boca vai mais rápido do que
o bom senso. E aí aconteceu isso.
E aí eu falei: "É, hoje eu eu entrei ou
eu saí"? Ele olhou para mim
O Daniel fez assim:
Ele fez
Ele deu uma olhada tipo: "Oxe,
que ousadia dessa criança aqui". Imagina
isso, que faz 12 anos, gente, 12, 13
anos. Não, 11 anos, 11 anos atrás. Ah.
E a cara é hoje de criança, 11 anos
atrás era pior.
E aí ele olhou com aquela cara meio
torta assim: "E aí, mano"? E aí, beleza.
Mas passamos e sobrevivemos. Mas dito
isso,
em setembro, comecinho de setembro,
nesse mesmo ano, antes de começar as
aulas do mestrado, um pouquinho antes de
começar as aulas do mestrado, o Dussel
ia dar uma passada aqui na América aqui
no Brasil, né? Ele tava fazendo umas
viagens,
passou aqui no Brasil, queria tá fazendo
escala no Brasil.
E aí ele ia ter uma escala, acho que de
9 horas, 12 horas, sei lá, uma janela
relativamente grande.
E os cara conseguiram armar nessa janela
uma palestra para ele dar. Mas isso
assim, foi de um dia para o outro.
Sei lá, era quinta-feira, ficou sabendo
disso, sexta-feira os cara montaram a
palestra, domingo ia ter o o evento, na
janela que o Dussel ia tá passando aqui,
o Dussel ia dar a palestra e ir direto
para o aeroporto e ir embora.
Foi lá na Federal do ABC, em Santo
André.
Organizaram, juntaram lá a parada,
fizeram muito rápido esse esse evento.
Juntou vários coletivos, tudo
improvisado, chegou lá e eu e eu moro
longe para caramba.
E o Daniel só me mandou uma mensagem, ó,
acabaram de armar uma palestra aqui, na
semana, [música] quinta ou sexta-feira.
Armaram uma palestra aqui, o Dúcio vai
estar aí.
E você vai estudar o Dúcio, vale a pena
você vir. Eu falei, eita, vamos.
Cara, viajei para chegar nesse lugar,
porque é longe para caramba de São José,
de onde eu moro.
Aí eu fui.
Chegamos lá.
Cheguei animadíssimo, domingão, almocei
com a família e fui.
E aí eu estava ansioso, menino, meninão
ansioso, filho, vou, vou ver o meu
ídolo, vou ver aqui o meu ídolo. Vou ver
aqui.
>> [risadas]
>> O, o pessoal vestido de Mundo Bita, né,
vou ver aqui o.
Criança vendo, vendo.
Teatro do Mundo Bita, vou ver o Bita.
E aí tá, e eu, o Dúcio estava lá, e eu
fui animadíssimo.
E eu cheguei e a galera ainda estava,
nem tinha chegado, aí chegou a galera da
organização, começou a ajeitar as
coisas, eu falei, pô, posso ser útil?
Ah, claro, você não quer ajudar a gente?
Aí pá, comecei a ajeitar as coisas.
Estica a coisa aqui, ajeita lá, pá,
[música] não sei que lá. Pá, beleza.
Show.
Aí eu.
Sentei no meu lugarzinho e começou a
encher o, o auditório.
Só que eu sentei no meu lugarzinho lá e
quem que entra e senta do meu lado?
O Dúcio.
Aí eu já estava.
Eu falo ou não falo? Converso ou não
converso? Puxo papo ou não puxo papo?
Não, não vou puxar papo, não sou maluco.
Vamos aqui, fingir naturalidade,
normalidade, estamos de boa.
Suave.
Fingir normalidade.
Beleza, só que aí chegou mais uma
galera, chegou uma senhora, eu levantei
para a senhora sentar, levantei para,
para, para a senhora sentar, eu fiquei
de pé, vou ficar de pé.
Ajudar aqui o evento, né?
Cara, o auditório lotado.
Gente sentada no chão, aquela coisa
toda.
Pido de gente.
Porque foi tudo feito na, às pressas.
E aí eu estou lá.
E o Dúcio, os caras improvisaram um
microfone, ligando em uma uma caixa de
som velha que tinha lá.
Que ficava presa perto do computador e
fixa no chão.
E aí o Dúcio puxava o microfone e o
microfone não chegava, porque ele queria
desenhar na lousa, então o fio ficava
esticado e ele ficava todo
desconfortável.
E isso ficou atrapalhando o pessoal nos
primeiros minutos ali.
Aí a moça da organização, uma das moças
chegou no meu ouvido e falou assim:
"Vai lá,
empurra aquela caixinha de som ali
para ficar mais fácil para o Dúcio".
O meu cérebro disse para eu não fazer.
Ele falou: "Isso vai dar errado".
Mas o meu corpo, imediatamente na
adrenalina, falou: "Por que não"?
O resto do corpo foi.
E eu empurrei, eu sabia que ia dar
errado.
Eu no caminho pensei: "Vai dar errado".
E eu empurrei a caixinha de som.
Na hora que eu empurrei a caixinha de
som, os fios que estavam presos, fixados
no chão, tudo soltou. Era uma estrutura
bem rudimentar. E o Dúcio estava falando
aqui: "Pum"!
Sem, cara, ele
estava saindo o som da caixinha de som e
"Vum"!
Aí ele virou, olhou para mim assim. E eu
saquei que deu merda. Aí eu olhei
para a cara da galera fulo da vida, né?
Tipo: "Meu, eu vou matar essa criança.
Que que ele tá fazendo aí"? E eu:
"Acho que ficou pior, né"?
Eu olhei na cara do Dúcio e meti um:
"Acho que ficou pior, né"?
>> [risadas]
>> E a galera chegou,
montou o som, tal. A gente tava pedindo,
tal. Em minutos tava resolvido. Só que
tipo, foi essa a minha primeira, meu
primeiro contato com, com, com o homem.
Aí beleza, ah mano, já foi, né? Não
adianta chorar pelo leite derramado.
>> [risadas]
>> Aí dane-se, vamos sobreviver.
Tava boa a palestra. Eu Eu o meu livro
da ética da libertação.
Eu falei: "Pô, vou pelo menos pegar um
autógrafo desse homem".
Aí eu cheguei lá, né? Ele
olhou para mim, tipo, não sabe se ri, se
chora, se fica bravo, o que que ele faz?
Aí eu cheguei lá, falei: "Pô, professor,
seu trabalho me influencia muito, cara.
Eh, nem falei pedir desculpa nem nada.
E, será que o senhor poderia me dar um
autógrafo assim, marcar meu livrinho
aqui, porque eu não sei quando a gente
vai poder se encontrar de novo, né? E
seu trabalho me influenciou muito, tal,
não sei o que lá". E eu fui o único que
levou o livro do Dussel para para ele
assinar. E eu levei o ética da
libertação com capa tal dessa lata,
assim.
E aí ele olhou para mim,
abriu o livro assim, falou: "Ó,
a primeira parte desse livro aqui,
eu considero como sendo aquilo que mais
importante que eu escrevi na minha vida
inteira.
Primeira seção, primeira parte aqui do
livro é a coisa mais importante que eu
escrevi na minha vida".
Aí eu entendi e falei: "Fica a dica, né,
meu irmão".
Eu mudei o meu projeto de pesquisa na na
volta para casa. Eu estava voltando para
minha casa.
Eu ia pegar trem, ia ser uma longa
jornada para casa. Eu animadíssimo,
mudei meu projeto ali, falei: "Eu tenho
que reler esse bagulho aqui da primeira
parte da ética,
alterar a minha minha toda a minha
orientação da produção tendo aqui como
fundamento, como crivo, para conseguir
reler a obra do Dussel em outra
perspectiva".
Ele acabou de me dar uma letra muito
importante.
E eu voltei para casa com isso e refiz o
projeto na semana seguinte a encontrar o
Daniel, eu já falei: "Daniel, eu tenho
aqui alterações para fazer, mano".
Aí eu vol- voltei lá, apresentei para
ele a ideia, contei a história, ele
falou: "Não, cara, é isso aí, isso aqui
é sensacional o que você tá fazendo
aqui, brilhante. Vai nessa linha". E aí
foi legal, aí foi massa. Mas esse foi o
meu contato com o homem.
>> [risadas]
>> Faz umas coisa também que eu vou te
contar, né?
>> [risadas]
>> Ai, ai, como eu disse,
eu
é.
Vou dizer que eu deixei eu Essa é a
história que eu conto, quando eu vou
contar ela, eu falo assim: "O dia que eu
deixei o Dussel sem palavras".
Ele ficou sem palavras diante de mim.
Afinal eu desliguei o microfone dele.
A vida tem dessas coisas.
>> [risadas]
>> Mas aí beleza, depois a gente se
encontrou outra vez e eu consegui,
eu
mandei um projeto de trabalho para um
congresso de filosofia que ia ter no
México.
Meu projeto foi aprovado, aí eu busquei
financiamento com a universidade, apoio
para a galera lá do, para a gente
conseguir, para conseguir me hospedar.
Fui para lá.
E aí eu encontrei ele. E aí eu encontrei
ele lá de novo, a gente almoçou junto, a
gente ficou um tempo junto, ele assistiu
minha palestra, foi mó daora. Meu, minha
apresentação de trabalho, não é
palestra, é minha apresentação de
trabalho, ele foi lá, pá.
Aí apresentou.
Foi daora. [música]
Aí a gente conversou sobre depois.
Aí, durante a pandemia, a gente tava
fazendo encontros regulares, que eram
seminários da Associação de Filosofia e
Libertação Mundial.
E aí eu tava junto lá nesse rolezinho e
ajudando a galera. E aí foi massa.
E a cada dia alguém levava uma tese,
apresentava
e ia para a galera discutir.
E aí eu levei a minha, que era bem
ousada, modéstia à parte.
E aí eu falei: "Pô, vou, vou meter essa
aí". E os caras falou, acho que foi no
segundo encontro, o terceiro, falou:
"Bruno, você não faz aí"? Falei: "Faço".
Aí eu fui.
É, no que eu fui, no que eu fui
e apresentei
o Dussel, assim que eu terminei de
falar, eu terminei de apresentar minha
tese, deu para ver que a galera gostou,
curtiu.
O Dussel pediu a palavra. Pediu a
palavra e aí ele curtiu e falou: "Pô,
massa, pá, não sei o que lá". A gente
teve uma conversa ali. Ele falou: "Mas
eu tenho uns apontamentos para fazer". E
aí ele puxou o debate.
Fez uns, uns comentários, umas críticas
e tal. Falei: "Eita, poxa".
Fiquei: "Caraca".
Aí eu tinha que anotar. Aí eu respondi.
Falei: "Ah, pô, massa, mas eu queria
falar tal coisa". Aí ele respondeu.
E aí o cara que tava mediando falou:
"Bruno, você quer responder?" Eu falei
"Bom, posso, mas é que eu acho que
ninguém mais vai falar, né? Porque a
gente vai ficar aqui a noite inteira".
Aí começou a circular a palavra pras
outras pessoas fazerem comentários,
apontamentos e começou a discussão,
comentário, apontamento. Galera, em vez
de falar comigo tava falando com o
Dúcio, né? Aproveitando que o Dúcio tava
online.
E esse dia foi muito da hora, cara. Eu
queria muito ter essa gravação inteira.
Não tenho mais ela inteira.
Mas enquanto eu tava falando, aí tava o
Gonçalo Batista Segales, a Cátia
Comenales, o Dúcio, entrou o
Ramon Grosfoguel, o Santiago do Castro
Gomes. Tava toda essa galera no bagulho
e eu apresentando minha tese, tá ligado?
E aqui, ó.
Tá, não passava um Wi-Fi, velho. Eu tava
nervosíssimo, mas foi legal.
Aí a galera discutindo, pá, pá, pá, pá,
pá, pá, não sei o que lá.
Aí no final, o mediador fala assim "Mais
alguém gostaria de falar alguma coisa?"
Aí o Dúcio abre o microfone e fala "O
Bruno".
>> [risadas]
>> Tipo, pô, mano, faz ele querer, quero
que ele responda a minha parada aí.
Responda a minha parada. Aí o o
mediador, que era o meu vizinho de
infância, mas ele falou assim "É, Bruno,
eu acho que o pessoal tá insistindo aí
pra você participar". Eu falei "Bora".
Foi muito massa, velho. Foi muito massa.
Gostei pra caraca.
Foi uma experiência única, única, única,
única. Eita, que coisa da hora.
É muito da hora, muito da hora. E aí é
uma galera tipo muito muito massa,
porque é uma galera super firmeza,
ponta firme, humilde pra caramba e que
incentiva a gente.
Se incentiva a gente, eu posso eu quero
fazer a mesma coisa com as pessoas, tá
ligado? Eu quero incentivar as pessoas
pra fazer as parada legal.
Então foi foi muito da hora, foi muito
da hora.
E aí o
Pô, minha experiência é muito legal. Tem
E teve uma vez, aí eu vou a do Ricardo
Quadros Gouveia.
Que pra quem é crente é um cara bem
importante, assim.
Bem mesmo, né?
Anda mais sumido porque ele também, pra
evitar dor de cabeça, se isolou no
Canadá e tá lá trabalhando com os
bagulho que ninguém entende.
É difícil acompanhar o moço, mas ele é
um gênio, né?
E o Ricardo Quadros Gouveia.
Eu tava fazendo seminário, teologia,
adolescente, molecote de tudo assim,
comecinho de juventude, final de
adolescência, comecinho de juventude.
E tinha acabado de começar a graduação
em filosofia. Já tava fazendo seminário,
pra, né, estudando teologia. E ia ter um
congresso de teologia que ia ser uns
dias lá.
E aí não ia rolar pagar o bagulho do
congresso. E aí fizemos um bem bolado,
porque ia ser num lugar
que eu trabalhava
nas férias de recreação, que era uma
missão religiosa.
E eu trabalhava lá, porque era uma
recreação infantil e adolescente, não
sei o que lá. E
minha vida inteira, eu cresci lá
praticamente trampando nas férias.
E aí eu falei, aí eu fiz, fizemos um bem
bolado lá. Pô, pô, você vem.
Você trampa na cozinha, na limpeza ali
da cozinha e essas coisas, né, de de
serviços gerais junto com a gente. E
você acompanha as palestras à noite e de
manhã.
Tá bom, bora.
Vai tá com os cara
grandão lá, ouvir umas palestras da hora
e entre eles ia tá o Ricardo Quadros
Gouveia. Queria muito trocar ideia com
ele. Porque eu entrei na faculdade muito
animado em estudar Søren Kierkegaard. E
ele é um dos grandes caras que manja de
Kierkegaard no planeta Terra. Eu falei,
pô, vou ler, vou tá com esse maluco aí,
quero pá.
E eu não lembro que texto eu tinha lido
do Kierkegaard, mas eu tava assim, eu
tava devorando o Kierkegaard, assim,
tava lendo tudo, não entendia
nada, mas achava que tava manjando tudo.
Valeu no muito. E aí teve um dia que
tava o o Ricardo Quadros Gouveia, outros
dois cara lá e em vez de eles saírem do
refeitório, eles ficaram tomando café e
rolando ali no refeitório, trocando a
ideia à tarde. O Ricardo ia dar uma
palestra de manhã.
E ia dar à noite e à tarde eles ficavam
ali depois do café trocando ideia.
E eu tava limpando o refeitório.
E aí eu fiquei, mano, eu acho que eu
levei, assim, eu fiquei uns 20 minutos
limpando o mesmo quadrado só pra ficar
ouvindo os cara conversar, tá ligado?
Você fica ali.
E tal.
E aí, molecote admirado, queria só ficar
ouvindo o papo, ficava lá.
20 minutos no mesmo quadradinho ali.
Só para ouvir os caras trocando ideia.
E não, beleza. Dei uma limpada, deixei
quieto e e dei aquele migué de sentar
ali perto assim, como se tivesse
descansando do pós trabalho. Que ele
ainda dá um miguézinho, tal.
Aí dali a pouco eu não lembro qual foi o
tema. Eu não lembro a discussão. De
verdade, não lembro. Mas eu lembro que
um dos manos fez uma pergunta para o
Ricardo Quadros Gouveia e ele respondeu
discutindo o negócio do Kierkegaard lá.
Não, porque o Kierkegaard não sei o quê,
mas eu não sei o que ele faria
diante desse tema, tal. E aí eu lembro
que tinha alguma coisa a ver com com
discutir
a estrutura literária, como como
o Kierkegaard a partir de comentários
que ele faz sobre a estrutura literária,
né? De isso
de de de romances, essa coisa toda.
Questões que tem a ver com compreensão
de fé, de amor, da realidade, um negócio
assim. Era uma parada dessa, não lembro
muito bem.
Eu lembro que aí
eles estão conversando, eu falei
Mas eu acho que o Kierkegaard, como ele
fala naquele texto, tipo, eu
As cabeças virou para trás assim, ué? De
onde é que tá vindo aí? E era eu
falando, eu acho que o Kierkegaard,
porque eu li um texto esses dias e ele
disse assim, assim, assim e falei um
negócio.
Aí ficou aqueles
segundos de
Oxe!
Aí um dos manos que tava lá, era um mano
que era pastor na minha igreja. E ele
com a cara tipo, mano, o que que você tá
falando, velho? Se liga, doido.
E aí o o o Gouveia
>> [risadas]
>> O Gouveia fez assim
Rapaz
faz muito sentido isso que você tá
falando. Porque nas obras de amor
Kierkegaard fala não sei o quê, não sei
o quê lá, tarará.
Você não acha?
E eu falei,
olha, não sei porque eu não li esse
livro ainda. Mas e aí eu fui lá e sentei
na mesa com os caras e comecei a trocar
ideia e já peguei o cafezinho, né?
Tomando um café
>> [risadas]
>> que aí já tá aqui, meu amigo, termina o
serviço. Aí tomei o cafezinho, comecei a
papear e ficamos ali maior cota trocando
ideia, pá, não sei o quê. Aí ela acabou,
cada um para o seu canto. Foi ter
palestra à noite, eu não ficava com a
galera no no auditório. Eu ficava com o
pessoal na mesa do som. Então, quem tava
lá, lá
falando, não necessariamente me via.
Então, eu entrei lá no
negócio, ia começar e o
Gouveia ia dar a palestra dele, ele
começa a palestra dele assim:
"Hoje eu aprendi
com o jovem
Bruno
ali no refeitório".
Cara, eu só via as cabeças da galera, eu
sabia que eu tava ali atrás assim.
Aí eu
>> [risadas]
>> E aí depois que acabou, ele veio trocar
ideia comigo, porque ele viu que eu tava
lá, tava não sei o que ele falou, aí ele
falou: "Pô, cara, muito legal isso que
você falou, vou ter umas coisas pra
gente pensar e tal. Continua que você
tem, tem futuro. Continua que você tem
futuro". Eu falei: "Pô, que da hora, que
da hora".
Aí na minha qualificação do mestrado, o
Alípio Casales, que foi um um dos
avaliadores,
na qualificação, ele leu e falou:
"Bruno,
você tem veia pra isso aqui". E se vocês
não sabem quem é o Alípio Casales, vocês
dão um Google depois, tá? Alípio
Casales.
Depois vocês dão um Google e vê quem é
essa sumidade.
Aí ele virou pra mim e falou: "Bruno,
você, você tem veia disso aqui, mano.
Você tem veia disso aqui, você é
filósofo".
Cara, isso me encheu de, de ânimo, tá
ligado? Então, essa galera, esses
encontros que a gente vai tendo, que a
galera vai animando nós, é isso. O Guga
Batista, quando eu pedi pra trocar ideia
com ele,
é o Guga Batista.
Aí eu mandei e-mail pra ele,
despretensioso, porque eu falei: "Ele
não vai ler".
Inclusive eu indico vocês, mandem e-mail
pras pessoas, tá?
Depois a gente descobre o que acontece.
Eu mandei o meu e-mail com o meu livro,
né, com o que é a minha dissertação de
mestrado.
Mandei e falei: "Ó, eu tenho estudado e
tal, não sei o que lá
e eu
tô indo agora, talvez eu migre de área,
não sei o que eu vou fazer, comecei uma
uma, uma caminhada agora e tal".
Aí eu tinha acabado de entrar no
doutorado
em economia política mundial.
E eu mandei pra ele e ele respondeu o
e-mail falando assim: "Você entendeu o
pensamento do Dussel. Excelente, que
trabalho bacana. Falta você entender" e
ele começou um diálogo: "Falta você
entender esse esse tema aqui, mas esse
tema você só vai conseguir discutir com
o pensador Rinkelamer. Ele começou a me
dar umas dicas. E aí ele meteu um ainda
assim: "Vou no Brasil no ano que vem,
quem sabe a gente se tromba".
>> [risadas]
>> Que daora, tá ligado?
Essas galera nos animou a gente. E aí
assim, se a gente pode fazer isso com
outras pessoas nas nossas respectivas
áreas, eu acho que a gente tem que
fazer.
Incentivar,
dar gás, dar suporte. Se esses malucos
que são os [ __ ] da galáxia, tipo o
Clóvis Moura ou o
Clóvis de Barros, quando o Clóvis Moura
ou o Clóvis de Barros contando sobre o
maluco Nash lá, por que que a gente não
faz isso? Pra que a arrogância toda? Tem
que ser gente boa. É legal. É legal. Né?
Então é é doideira.
Não é tão importante não, pô.
>> [risadas]
>> O Bruno tava na maior eclesia da vida
dele.
Tava entre, ali foi um dia maluco.
Que que a internet não faz, né?
Acontece essas coisas, acontece essas
coisas.
Diz a nossa querida Pedra: "Meu Deus,
você parece muito jovem. Como pode ter
doutorado"? É que eu já tô mais perto
dos 40 do que dos 30.
>> [risadas]
>> Eu só engano bem mesmo. Engano muito
bem, diga-se de passagem.
Mas eu já tô mais acabadinho. Antes era
realmente parecia muito criança.
Mas eu tô com vou fazer 37 anos de
idade.
Meus 37 aninhos.
Estamos rumo a isso.
Ai, ai.
Tem uns comentários legais aqui, eu não
vou conseguir pegar tudo. Ai, perdão aí,
minha gente.
Tem uns comentários engraçados também.
Mas é isso, né? A gente tem que
incentivar as pessoas. Temos que dar
animada pra galera.
Temos que dar animada pra galera, pra
galera, pra galera.
Diz a nossa querida Pedra: "Mesmo assim,
vai". É, não, eu também tive sorte no
meio do caminho, não vou negar não.
Eu tive sorte. E também não estamos
competindo.
Não, mas é real, Pedro. Eu vou dizer, eu
tive muita sorte no meio do caminho.
Muita sorte.
Então eu tive oportunidades que que que
permitiram que eu pudesse fazer o
mestrado, pudesse fazer o doutorado com
bolsa, os dois eu fiz com bolsa, tendo
financiamento.
Mas redes de contato que acabei
encontrando no caminho, tipo essas
malucas que foram surgindo assim. E
acontece isso, né?
Estamos sim, diz.
>> [risadas]
>> Estamos não, [ __ ]
A gente vai fazendo nossa caminhada.
Ó, mas vamos lá que tem texto para ler
hoje, meu Deus do céu.
Mas é isso. E tem outras histórias que
daria para contar.
Que são histórias de gente que vai
apoiando a gente, que que anima. Então a
gente tem que fazer isso também. É o
mínimo que a gente tem que fazer.
Bom, o mínimo que a gente tem que fazer.
Ontem foi engraçado, a última história.
Ontem foi a mais recente.
Fui em uma reunião de trabalho.
E aí
com uma outra com uma outra uma outra
instituição, né? Uma outra instituição
de ensino. E a gente chegou lá e o
diretor acadêmico da instituição de
ensino
coincidentemente conhece meu trabalho.
Especialmente sobre evangélicos.
E aí a gente tava num papo.
E aí a gente tava esperando porque ia
ter uma reunião, reunião tal, discutir
uns temas e pá.
E aí esperando o pessoal chegar, faltava
uma ou duas pessoas para chegar e a mesa
cheia, o pessoal, né?
Coordenadores de curso, uma galera
assim, pá, não sei quê. Pessoal da
estrutura acadêmica lá. E o diretor
acadêmico dessa instituição
começa a conversa assim.
Bruno.
Teu trabalho é muito bom. Eu gosto
muito. Aí virou para a galera e falou
assim: "Vocês já leram o trabalho do
Bruno? Vocês já leram o trabalho do
Bruno?
É muito bom. É muito bom. É a melhor
coisa que eu já li sobre evangélicos no
no Brasil e uma das melhores discussões
sobre religião.
É excelente.
Você mandou muito bem. Você entendeu as
coisas que a gente não entendeu.
Aí ele falou assim:
"Você estragou meu objeto de pesquisa.
Eu estava pesquisando e eu percebi que
não fazia sentido eu continuar porque
você já resolveu o problema.
Você tal não sei o quê lá". Aí eu ri e
falei: "Pô, perdão por aí para acabar
com a sua vida". Aí todo mundo riu e
tal. sei o quê lá. Aí eu "Eu estudar
petróleo daí, porque eu não faz sentido
nenhum discutir [risadas]
o que você estava falando, porque você
já resolveu o bagulho. Aí eu falei:
"Caraca, que legal, né?"
E aí ele ele virou para o pessoal e
falou: "Vocês já leram o trabalho do
Bruno? Vocês tem que ler o trabalho do
Bruno". E aí ficou todo mundo tipo,
mano, ninguém sabe quem que é o Bruno,
quem que é esse menino, ninguém faz
ideia quem é o maluco. Aí ele falou:
"Bruno, você tem que ficar famoso com
isso. Gente, vocês tem que fazer o o
Bruno famoso. Você tem que fazer o Bruno
famoso. Agora, Bruno, você também tem
que escrever mais fácil, né? Porque o
teu texto também é difícil para caramba
de ler. Tem que ser Aí eu falei: "Tem
que ser em português, né?"
Perdão, a próxima eu escrevo em
português. Aí o pessoal riu e tal, não
sei o que lá. Aí eu falei: "É, não,
porque é muito bom, cara. Quer dizer,
você tá não sei o que lá". A gente tem
que dar um jeito. Eu falei: "Bora". Aí
ele falou: "Vem dar uma aula aí um dia
desses". Eu falei: "Pode deixar, é só
5:40 a passagem, né? Que é o metrô para
poder ir para lá".
Então.
>> [risadas]
>> Mas rolou, foi legal, foi legal, eu
fiquei feliz. Aí tem uma galera que
trabalha comigo que não faz ideia do que
eu faço da vida, né? Qual que é a
pesquisa que eu desenrolo. Eu falei:
"Oxe, mano". Aí um outro mano até acabou
falando: "Agora estamos todo mundo
curioso".
>> [risadas]
>> Acontece, acontece.
Toda hora.
Mas é isso. É, exatamente, você acabou
com a minha pesquisa. Perdão, perdão,
não não foi minha intenção.
Salve, querido Kevin. Bom dia, meu bom.
Tudo bem?
>> [risadas]
>> Salve, salve, salve, salve.
Acontece.
Ah, vamos lá, deixa eu pegar o texto. Ô,
meu Deus, eu me empolguei aqui com
histórias pessoais, perdão.
História aleatória.
Tã, tã, tã, tã, tã, tã, tã.
Cagaruto.
É, exatamente, Bordu, né? Você pergunta:
[risadas] "Mas você trabalha ou só dá
aula?" Eu já ouvi essa pergunta algumas
vezes. Você trabalha ou só dá aula?
Você trabalha ou só pesquisa, né?
Pesquisa é uma coisa que você faz sem
precisar trabalhar.
Cara, quando eu tava Ai, que ódio.
A bolsa de doutorado que eu do doutorado
que eu fiz era 2200 reais né?
Eu não sei como nós chegamos aqui,
mas sobrevivemos. Era a minha renda,
2200 reais,
mais o salário da minha companheira que
trabalha numa indústria de cosméticos,
operária.
E a criança [música] em casa.
Aí veio a pandemia, minha companheira
saiu da firma.
Como a gente chegou até aqui?
É Deus.
Não tem explicação.
>> [risadas]
>> Ai Deus do céu, sobrevivemos,
sobrevivemos.
>> [risadas]
>> Ai.
Direto, é mano, a gente escuta isso
direto, esse lance do do
você trabalha só na aula. Ai, é muito
chato.
Desagradável. Mas isso tem a ver com uma
concepção de quem é o ser humano né? Que
o ser humano ele é
a a o mente, né? Eu só acredito que ser
mente, que eu não entendo isso também,
essa separação entre mente e corpo, essa
bobagem.
Mas que isso
é se separa né? Então se você tá lendo,
se você tá estudando, não é seu olho, o
nervo óptico, não é o seu cérebro, não é
o seu corpo, não é você respirando,
taquicardia, sinapse, não, é a mente. É
essa coisa etérea que tá tá trabalhando
né? Teu corpo ele não cansa não, é o
Ai, eu odeio isso.
Essa falta de compreensão tá tão
enraizada na gente que a gente não
percebe que é o corpo trabalhando, que
pesquisar cansa, que pesquisar trabalho,
que é gasto de energia,
tá ligado? Eu posso não tá fortalecendo
meu braço, posso não tá gastando meu
músculo direto que você tá vendo, tô
gastando outras coisas, outras energias
de outros músculos.
Mas,
mas, acho que essa discussão
antropológica né? De compreensão de quem
é o ser humano fica para outro dia. Mas
tem a ver com isso.
É tão enraizado na gente que a gente
reproduz isso até na compreensão do
trabalho.
É é doideira.
Mas vamos lá, vamos lá para o texto.
Vamos para o texto.
Turururum,
que eu já estou atrasado.
>> [risadas]
>> Ai, que habilidade que eu tenho de fazer
isso.
Vamos lá, minha gente, vamos lá. Esse
textinho é bom. Quem quiser traduzir,
traduza. Eu consigo os meios.
É muito fácil, inclusive, para conseguir
os meios para a gente garantir o direito
de tradução, tá? Então, fica a
recomendação
para a gente poder traduzir esse texto
aqui. É um texto muito bom.
Do nosso querido Franz Hinkelammert e é
um texto recente, ó, 2019, tá?
Texto bem recente.
Então,
atualíssimo.
Vamos para a nossa leitura. O texto, né?
Porque, afinal, a
o nossa aula live de hoje, o tema é
dialética.
Então, vamos falar sobre dialética. Só
que, no caso, dialética marxista. Oxe, o
que é que está acontecendo aqui?
Ahn,
hum.
Hum, hum.
Ahn,
ixe. É, já já vou ter que sair mesmo.
Bora lá.
Tururu, turu, turu, turu, turu, turu.
>> [risadas]
>> Diz o nosso querido Paulo. Aí, 50 anos
depois, o Dulce admite: "A primeira
parte do livro nem era relevante".
Então,
isso, a menos que ele tenha escrito
isso,
não tem mais como ele dizer isso em
lugar nenhum.
Infelizmente, recentemente, ele faleceu.
Então,
essa parte, a menos que ele tenha
escrito em algum lugar registrado,
estamos, né, ali
salvos, eu acho.
É,
>> [risadas]
>> eu só joguei o foco ali para tentar
trollar de volta. Pode Imagina se ele
mete uma dessas, né? Falou: "Não, não,
eu só só queria quebrar sua vida mesmo.
Nem era tão importante assim. Era Me
deixa Desligou meu microfone, eu acabei
com a sua pesquisa". Mas é o efeito do
errado, que a pesquisa ficou bem boa.
>> [risadas]
>> Modéstia à parte. Mas vamos lá.
Texto do nosso querido Franz
Hinkelammert:
"A dialética marxista e o humanismo da
práxis". Esse tema humanismo da práxis é
mais Hinkelammert mesmo.
E vai ser interessante porque vai ser
uma leitura de dialética de Marx, é uma
dialética marxista que vocês nunca
viram.
Resumo, né? É importante ler o resumo
aqui porque ele indica para a gente o
que ele pretende discutir.
Nesse artigo,
tento fazer, eh, ver uma eh, dialética
de Marx que não consiste simplesmente
em, abre aspas, "pôr Hegel de pé".
Porque essa é uma frase famosa do
segundo prefácio eh, do prefácio à
segunda edição do Capital,
em que Marx diz: "Olha, meu trabalho foi
colocar Hegel, que estava de ponta
cabeça, de pé", né? O Hegel estava de
ponta cabeça, a gente vai deixar ele de
pé. Vai desinverter ele para ele ficar
na posição adequada.
E aí o que o Franz vai dizer, ó: "Ele
fez isso, mas não só isso. Não foi só
colocar Hegel de pé, né? Inverter a
dialética hegeliana. Ele fez mais que
isso".
Senão que é, inclusive, radicalmente
distinta da dialética hegeliana. E veja
que ele usou o termo distinto,
não diferente.
É diferente uma coisa da outra. Ó, já
usei a palavra.
Distinto
é quando você está sobre um mesmo
campo,
você faz uma distinção, você consegue
separar, ver claramente uma distinção,
uma
eh, não é a mesma coisa, apesar de estar
sobre uma mesma superfície, apesar de
estar sobre um mesmo campo. A parede
aqui, tem uma parede. se eu começasse a
raspar ela, ia ficar uma parte que ia
ficar distinta. É parede, é tinta, tá
tudo no mesmo negócio, mas você consegue
ver que não é a mesma coisa, tem algo
que é distinto, apesar de ser parede,
apesar de ser o que lá. É diferente de
uma parede em relação a outra parede que
é totalmente outra diferente, ou uma
geladeira que tá aqui ao meu lado, né?
Uma é parede, a outra é geladeira.
Então,
objetos diferentes, que difere
completamente, não tem nada a ver.
Distinto tá no mesmo campo, na mesma
superfície, essa coisa toda.
Então, ele vai dizer, ó, é distinta da
dialética hegeliana.
Partindo do, abre aspas, imperativo
categórico formulado por Marx em 1844, e
talvez agora na cabeça de vocês, para
quem já tem acesso aí à filosofia, vai
falar, imperativo categórico? Isso não é
coisa de kantiano? É Kant que faz. Sim,
mas Marx no texto
Introdução à crítica à filosofia do
direito de Hegel de 1844,
cria um imperativo categórico,
que vem depois de uma certa análise
específica que ele faz,
eh, sobre relações de exploração
dos seres humanos. E ele cria um
imperativo categórico, ele brinca com
esse termo imperativo categórico.
Mas assim, você pode ler como ser uma
brincadeira, como se ele tivesse
despropositadamente usando o termo
imperativo categórico para fundar uma
ética, ou você pode entender que apesar
de ser uma brincadeira e uma ironia,
ele está fundando ali um princípio
ético.
Por isso que eu comentei inclusive com o
Pedro, que hoje a nossa dialética teria
a ver com valores e princípios.
Ele utiliza desse termo, dessa
expressão, na leitura do Franz,
para indicar o critério, o crivo ético
que ele tem para desenvolver o seu
pensamento.
Importante.
Conclui-se que esse se encontra também
no Capital. Então, o Franz vai conectar
1844, o texto Introdução à crítica à
filosofia do direito de Hegel, com O
Capital.
É um salto de 20 anos, 20 e poucos anos,
né?
Da primeira para segunda edição, 24
anos, eu acho. Porque acho que a
primeira edição é de 68, né?
Deve ser. Eu sou ruim de datas.
Acho que é aí a segunda edição de 72,
algo assim.
Então,
a gente tem essa essa diferença.
Mas nós aprendemos, nós aprendemos, no
geral, a quebrar o jovem Marx
do velho Marx, né? Então, parece ter uma
uma ruptura no meio do caminho e que o
pensamento de Marx não é cumulativo e
evolutivo, senão que ele é quebrado. Ele
tem o pensamento do jovem e o pensamento
do velho. O jovem é filósofo, o velho é
cientista e não quer mais saber de
filosofia. O que é uma grande bobagem,
assim, com todo o respeito a Althusser,
althusseriano,
essa parte é uma bobagem. O jovem Marx e
o velho Marx como se fosse uma ruptura
completa. Sim, não não existe
não tem base um trem desse.
Posso pôr mineiro falar, tem base um
trem desse? Não tem. Não tem.
É, por que que isso?
Dito isso, né? Tem porque tem a piadinha
do do
tem a piadinha do Franz, né? Que falaram
para ele: "Ah, a gente tá comemorando
agora o
200 anos de nascimento de Marx". Aí o
Franz fala: "Do jovem Marx".
Essa piada é muito boa.
Do jovem Marx, né?
O nascimento do velho.
>> [risadas]
>> Ai, muito bom.
É, e precisamente é uma parte decisiva
dessa obra.
Trata-se de um humanismo da práxis que é
possível recuperar e seguir ir
desenvolvendo para enfrentar as grandes
ameaças do nosso tempo. Então, aqui ele
também dá o objetivo, né, do por que que
ele tá fazendo esse resgate. Para a
gente poder recuperar o que o Franz tá
chamando de humanismo da práxis, que é
algo que o Marx vai também distinguir
nas teses sobre Feuerbach, né? Marx vai
falar que Feuerbach tem, é, um tipo de
humanismo, vamos dizer assim, mas é um
humanismo contemplativo.
Ele é materialista? Aliás, é
materialismo, né? Ele Ele
Ele é materialista, mas ele é um
materialista contemplativo. Ele não é um
materialista conectado à práxis. E ele
faz essa distinção entre contemplação e
práxis.
E aí o o o Franz vai retomar essa
distinção para falar o humanismo, que é
um humanismo contemplativo de valores
abstratos, e um humanismo da práxis. E
vai ser bem interessante fazer essas
essas pontes, tá?
Abre imagem para críticas, porque é algo
muito novo, obviamente, mas é
interessante. É interessante.
>> [risadas]
>> Diz nosso querido Jones Miguel:
"Imperativo categórico de Marx". Eu
quero saber. É, é legal.
É é muito [música] massa. Marx diz
explicitamente, é divertido. É um texto
legal de ler. "Jovem Marx para
baixinhos". Exatamente, Rubens. E diz
Pedro: "Não entendi a piada". A piada é
porque o pessoal separa o jovem Marx do
velho Marx.
E aí diz que o jovem é filósofo, burro,
tonto.
E o velho é o cientista sábio que
entendeu tudo. E aí a piadinha é essa,
fala: "Não, nasceu o jovem Marx, né?"
Não o velho.
Velho Marx nós temos depois, sabe Deus
quando.
>> [música]
>> Diz nosso querido Gabriel: "Foi só um
golpe do Althusser que queria manter uma
cátedra". Será?
Pode ser.
>> [risadas]
>> Mas vamos lá, vamos lá.
Pulando o resumo.
Pá.
Comecemos com nosso querido Franz.
Hoje é necessário fazermos novamente,
eh, a seguinte pergunta: "Qual é o ponto
de partida do pensamento de Marx, né?"
>> [música]
>> Qual é o ponto de partida do pensamento
de Marx?
Mas não se trata de contestar essa
pergunta ou de responder essa pergunta
por nós mesmos, senão de averiguar como
Marx, em seu tempo, a respondeu
efetivamente. Quer dizer, será que Marx
respondeu qual o ponto de partida do
pensamento dele?
Será que alguém perguntar:
"Qual o ponto de partida do pensamento
de Marx?" Ah, alguém fez essa pergunta.
Aí o cara: "Eu acho que é eu vou
perguntar para o Marx".
Será que se a gente resgatasse a obra de
Marx, ele em algum momento: "Aqui
começou meu pensamento?"
Será que ele faz isso em algum momento?
Eu já antecipo que sim.
Mas a gente vai ver.
Por isso, quero partir de um ponto de
vista que o Marx, né, que o próprio Marx
expressa
e do qual não pode, não se pode dizer
que se trate de um Marx, abre aspas,
pré-marxista.
Ou que se pronuncia sobre essa questão,
não é ainda o pretendido Marx maduro,
né, o Marx mais velho, o velho Marx.
Como muitas vezes foi
argumentado por Louis Althusser, já que
estamos aqui, né?
Pergunta.
Como o Marx de 1859
vê o Marx do ano de 1844?
Isso é a crítica da filosofia do direito
de Hegel, introdução.
Será que Marx fez uma análise sobre o
seu próprio pensamento? Sim, ele fez. E
como o Marx de 1850 vê o o outro Marx?
>> [música]
>> Essa é a pergunta que o França faz. É
uma pergunta simples e genial.
Então, vamos ver, como é que ele se vê,
né?
Como é que ele faz isso?
No prólogo, né, no prefácio de seu livro
Contribuição à crítica da economia
política de, do ano de 1859,
Marx reflete sobre os seus estudos
precedentes, né? Então, ele faz uma
reflexão sobre os estudos precedentes.
Diz então,
que que ele diz?
E esse texto é fácil conseguir a
a tradução dele, tá?
Marx diz:
"Meus estudos profissionais eram os da
jurisprudência ou do direito,
da qual,
de todo o modo,
só me preocupei com a discipli, como
disciplina secundária, ao lado da
filosofia e da história. Então, assim,
ah, eu me formei em direito, mas eu
queria saber era de filosofia e de
história.
Em 1842, 1843, sendo redator da
Rheinische Zeitung,
oh, nomezinho bonito, né?
Me vi
pela primeira vez, eh, numa numa num em
laço difícil, né? Numa cruz encruzilhada
difícil de ter que opinar
acerca dos chamados interesses
materiais.
Os debates da dieta, sobre a dieta rega
eh renana, né? Dieta renana,
sobre a
tala furtiva ah sobre o roubo da lenha
e o parcelamento da propriedade do solo.
A polêmica oficial se mantinha entre o
senhor Von Schapper
ah e também o que é a no momento
governador da província renana
e a Rheinische
Zeitung, né? Rheinische Zeitung,
sobre a situação dos camponeses de
Mosela.
Foi o que me moveu a me ocupar pela
primeira vez das questões econômicas. É
o famoso texto sobre o roubo da lenha,
tá? O roubo da lenha,
em que camponeses que sempre pegavam
lenha
num determinado campo, determinado
território, sempre fizeram isso.
Em determinado ano foram fazer isso e
chegou a polícia arregaçando e dando
pancada na galera em geral que não pôde
pegar lenha para sobreviver ao inverno.
Por quê? Porque aquele
terreno foi cercado
e transformado em propriedade privada de
alguém.
Então o que até então era propriedade
comunal, mas agora que virou propriedade
privada, a galera chegou sentando o rio
no pessoal.
Se vocês assistirem o filme, acho que o
nome inclusive do filme é não lembro se
é o Jovem Marx, acho que é o Jovem Marx
o nome do do filme.
É um filme
alemão,
é um filme alemão que conta essa
começa com a cena sobre o roubo da lenha
para contar a história uma primeira fase
da da produção teórica de Marx. É bem
legal. Começa com essa cena, o roubo da
lenha. É bem legal, bem interessante.
Por outro lado,
naqueles tempos em que o bom desejo de
marchar à vanguarda superava em muito o
do conhecimento da matéria, a
Zeitung deixava transparecer um eco do
socialismo e do comunismo francês.
Tido em um tênue em uma tênue matiz
filosófica.
Eu me declarei contra aquelas bobagens.
Mas, confessando ao mesmo tempo
francamente, em uma controvérsia com a
Allgemeine Allgemeine Zeitung.
Allgemeine Zeitung. Não me perguntem
como é que vai traduzir isso agora. Que
meus estudos até então não me permitiam
aventurar nenhum juízo a respeito do
conteúdo propriamente dito das
tendências francesas. Dito disso, Marx
está fazendo então o famoso a famosa
recuperação do seu pensamento. Ele fala:
"Olha, quando começou esse tema da da
do roubo da lenha, eu como jurista, como
alguém que fala sobre direito, tive pelo
que pela primeira vez discutir temas
materiais, temas econômicos. Então eu
fui obrigado a ter que entrar nessa
discussão". Só que essa discussão estava
muito no âmbito influenciada pelo
socialismo e comunismo francês, com
discussões filosóficas abstratas que
nada tinham a ver com a gente. Eu não
Isso aqui não faz sentido nenhum. Então
vou ter que desenvolver uma teoria a
respeito disso. Tá bom? Então vamos lá.
Depois afirma Marx que a partir desse
momento teve que se retirar da cena
pública
eh em meu próprio quarto de estudos, né?
Diz, entre aspas aqui.
E adiciona: "Meu primeiro trabalho
empreendido para resolver as dúvidas que
me assaltavam
foi uma revisão crítica da filosofia
hegeliana do direito.
Trabalho cuja introdução viu a luz nos
Deutsch-Französische
Jahrbücher,
os Anais Franco-Alemães,
publicados em Paris em 1844". Veja,
por que que ele vai rever
a
Por que que ele vai rever
o tema da discussão
do direito em Hegel?
Porque agora tem o
tema da propriedade privada, a ação do
Estado
e que as respostas que se tinham para
aquele momento ali
estavam numa filosofia francesa abstrata
que não tinha nada a ver, que falou:
"Cara, isso aqui não não vai resolver
nossos nossos BO".
Então vou fazer um uma discussão revendo
a filosofia do direito de Hegel de
maneira crítica
para poder me armar para discutir esses
temas materiais.
Só que o que que ele vai perceber nesse
passo? Que a discussão sobre o direito
não dá conta das questões materiais e
econômicas para poder discutir ali a
questão do roubo da lenha, do uso
comunal da propriedade, das pessoas que
precisam de lenha para poder sobreviver.
Falou: "Pô, mano, não vai rolar, não vai
rolar".
E aí ele lança
a a introdução, ele publica a introdução
dessa dessa discussão que ele faz com a
filosofia do direito de Hegel.
A introdução é o famoso texto que tem a
expressão: "A religião é o ópio do
povo". Olha esse mundo como é maluco,
não é?
Então, em 1859, quando Marx está revendo
onde ele começa a discutir,
ele marca a Introdução à Filosofia do
Direito de Hegel como a primeira obra
que é fruto das discussões sobre
questões econômicas da vida dele.
É aí que o Franz vai vai vai se armar,
vai falar: "Ele disse que começou ali, é
ali que ele teve que discutir questões
materiais e econômicas, ele foi obrigado
nessa situação".
E o primeiro texto diante dessas
reflexões nasce em 1844, a Introdução à
Crítica à Filosofia do Direito de Hegel.
Genial!
Genial, genial, genial, genial.
Vamos lá.
É é essas marcações em amarelo são
minhas, perdão.
>> [risadas]
>> Nessa crítica de Hegel de 1844,
Marx sustenta
uma quebra com respeito ao seu
pensamento anterior, né? Então,
e esse texto de 1844, que é a Introdução
à Crítica à Filosofia do Direito de
Hegel, é meio que tipo um racha, ali ele
tem uma virada, um ponto de virada no
pensamento dele.
Ao que Marx precisamente autocritica
com o artigo de 1844 em que em seu
prólogo em 1859 considera como o passo
básico para todo o seu pensamento
posterior.
Por isso temos que fazer a pergunta.
Ao por atenção nesse artigo de 1844
ao eh ao qual Marx se refere em 1859,
né? Que que que tem aí? Vamos colocar
atenção nesse artigo aí. É isso que a
gente tem que fazer. A que que o Marx
está se referindo em 1859?
Se ele começa com esse texto, que que
tem nesse texto que nos importa?
Diz Franz: "Não tenho nenhuma dúvida que
se trata do seguinte resultado de sua
análise".
Qual o resultado de sua análise?
E o Marx fala isso, né? "Toda a minha
investigação sobre a crítica à filosofia
do direito de Hegel deu no seguinte,
nesse texto de de 44". E aí ele
apresenta qual é a tese central do
texto. E é que a gente vai ler agora.
A tese central desse texto é:
"A crítica da religião desemboca na
doutrina de que o ser humano é o ser
supremo para o ser humano".
Até aqui tudo bem, porque isso aqui
também é frase do Feuerbach.
"O ser humano é o ser supremo para o ser
humano" é filosofia Feuerbachiana
na boquita de Marx. Marx disse aqui.
"Ser supremo, o o o o o o o o o o o o o
o o o o o o o ser humano é o ser supremo
para o ser humano". Isso aqui é
Feuerbach, Feuerbach explicitamente.
"Então toda a minha investigação da
crítica à filosofia do direito re eh
desemboca nisso que Feuerbach já
percebeu. O ser humano é o ser supremo
para o ser humano".
E por conseguinte, agora ele extrapola
Feuerbach.
No imperativo categórico, meu querido
Jones Miguel que queria saber qual é o
imperativo categórico,
qual é o imperativo categórico de Marx
nesse momento?
"De lançar por terra
todas as relações na qual o ser humano
seja um ser humilhado, subjugado,
abandonado e desprezado.
Jogar por terra todas as relações de que
o ser humano seja um ser humilhado,
subjugado, abandonado e desprezado.
Ele chega na formulação de Feuerbach e
coloca seu imperativo categórico, seu
critério. Critério: se o ser humano é
subjugado, humilhado, desprezado, tá
escravizado nessa situação aqui.
Então,
se o ser humano é ser supremo para o ser
humano,
temos um imperativo categórico: não
deixar que o ser humano seja subjugado.
Aí você pode pensar:
mas em qual circunstância? Em qual
situação?
Na situação em que a forma da
propriedade privada seja mais importante
que os seres humanos.
Por exemplo,
ele não tá falando só só só da relação
de dominação direta, só.
Ele tá falando quando uma instituição
humana, que é produto da relação humana,
nós produzimos a propriedade privada.
Essa forma, ela é um produto social.
Só que esse produto é mais importante,
ou se tornou mais importante que os
próprios seres humanos, ou seja, o ser
humano nessa relação está subjugado,
desprezado e humilhado.
A forma social e historicamente
desenvolvida tá mais importante que os
seres humanos.
Então ela tem que ser criticada,
>> [música]
>> porque ela existe em função dos seres
humanos e não o contrário.
É isso.
Que é o que vai aparecer na crítica da
mercadoria, da forma mercadoria.
Fetichismo da mercadoria, exatamente
isso.
Mas vamos passo a passo.
Que o ser humano
seja o ser supremo para o ser humano,
significa que o ser humano é o critério
da crítica.
E esse critério Marx chama seu
imperativo categórico.
Disso obtém como consequência
eh que deve-se
Jogar, por terra todas as relações que o
ser humano, seja um ser humano
humilhado, subjugado, abandonado e
desprezado, tal como aparece na citação
anterior.
Trata-se de um critério da ação, é um
critério para a ação, um critério para a
ação.
Marx não descreve aqui sentimentos
encontrados, senão uma
uma racionalidade da ação econômica e
política.
Que é contrária à racionalidade do
mercado.
E aqui, gente, é um ponto muito
importante, não é uma
uma
Não é porque ele
Porque o Feuerbach tem isso, né? Qual
que é o apelo do Feuerbach para o
humanismo dele? O sentimento de amor.
Feuerbach é isso. A solução do Feuerbach
para os problemas que ele encontra
diante da crítica que ele faz à
religião, que desemboca em posições
políticas é: nós precisamos de amor.
É bonito, mas amor é uma palavra muito
etérea
e que não encontra essa ação, essa
realidade prática. Marx consegue um
critério que desemboca da mesma crítica
de que o ser humano é o ser supremo para
o ser humano, mas em vez de falar
sentimento de amor, ele fala: tem um
critério aqui, meus amigos.
A gente tem que agir de modo que o ser
humano esteja com as condições de
produção e reprodução da vida garantida.
Ele não usa essa expressão, mas é
basicamente isso.
Legal, né?
Trata-se para Marx do humano, eh,
do ser humano ou da humanidade do ser
humano, né?
De maneira que
Para Marx, a meta é transformar a
humanidade do ser humano no critério
central para o próprio ser humano.
Então, o imperativo categórico descreve
o caminho necessário, enquanto que a
meta do caminho é o ser humano como ser
supremo para o ser humano e, portanto, a
emancipação humana.
E veja que a gente está discutindo agora
uma questão de emancipação e libertação,
não por critérios morais abstratos,
amor, senso de justiça e sei lá o quê.
Isso Isso é um critério material básico.
Se não tem gente viva, não dá para fazer
as outras coisas.
Então, a forma da propriedade privada,
ela é menos importante do que o próprio
ser humano que cria a forma da
propriedade privada. E se o ser humano
que criou a forma da propriedade
privada, ele pode alterar a forma da
propriedade privada.
Esse é o ponto. A gente que fez, a gente
que muda.
Então, se as pessoas não podem coletar
lenha para sobreviver ao inverno, tem
alguma coisa errada.
Que se não tiver pessoas, não tem quem
vai consumir, inclusive aquilo que foi
produzido nessa propriedade privada.
Se esse é o objetivo.
Entende?
Ah, o objetivo é fazer uma propriedade
privada aqui para a gente ter uma
produção econômica mais efetiva, mais
eficiente, mais produtiva, não sei o
quê. Sim, mas se as pessoas não tiverem
vivas depois do inverno, você pode
produzir o que você quiser aí, meu
amigo, que não vai dar para continuar.
Isso não é um sentimento, isso é óbvio.
Desculpa, isso é uma obviedade.
Mas é uma obviedade que precisa ser dita
e percebida. E Marx saca, esse é o
critério para pensar.
Aliás, não só para pensar, para entender
o pensamento como ação, como práxis.
Como atuação na realidade.
Poder-se-ia agora adicionar que as
teorias da economia política burguesa
analisadas por Marx,
não é o ser humano do ser supremo para o
ser humano, senão o mercado e o dinheiro
e o capital, né? Então, as economias
políticas que ele vai ler,
Adam Smith, Ricardo, David Ricardo,
eh,
quem mais que ele vai ler? O próprio
David Hume, o Bentham, o Locke,
o,
a galera lá dos italianos e dos
franceses que ele fica lendo. Essa
galera toda vai falar: "Gente, ó, pera
aí".
A gente tem um bagulho aqui que vocês
não tão entendendo. A discussão tá tão
abstrata que a gente tá discutindo
dinheiro, a gente tá discutindo mercado,
instituições e não o critério básico,
que é o ser humano que cria
instituições, que cria o mercado, que
cria essas coisas.
Certo? Então, ponto um.
É legal.
A questão para Marx é a seguinte, vamos
ver, de acordo com o França.
O que fazer para que o ser humano seja
reconhecido e tratado como ser supremo
para o ser humano?
Esse é o problema.
Se dedicará por inteiro pelo resto da
sua vida. Como é que eu boto o ser
humano de volta como centralidade do
jogo e não o capital, não o dinheiro,
não o mercado.
É isso.
A crítica da forma da mercadoria, que
vai dar forma do dinheiro, que vai dar
para o capital, que vai dar para o
mercado como ele funciona sobre relações
de capitalistas. Quer dizer, essa
parafernália toda esquece de uma coisa
importante, se não tem gente viva, não
tem o passo seguinte.
Não dá para manter.
Ele poderia resumir, não seja burro, mas
ele tem que explicar o que que é a
burrice no caso.
O próprio Marx mostra qual é o centro
desse artigo de 1844, no resumo.
E escreve ao final, né?
Eh.
Resumamos o resultado.
A única emancipação prática possível na
Alemanha, na época, né, de 1844, é a
emancipação do ponto de vista da teoria,
que declara o ser humano, que o ser
humano é o ser supremo para o ser
humano, que é a própria frase do
Feuerbach.
Mas distinto de Feuerbach,
Marx aqui vai além. Ele consegue dar
materialidade para isso. Não fica no
sentimento, né?
Aqui, ele contesta as posições
francesas, Marx, né?
A Revolução Francesa declarou
a deusa razão como ser supremo para o
ser humano.
Marx, contudo, estabelece a o contrário.
O próprio ser humano é o ser supremo
para o ser humano.
Sobre isso, fala Marx no prólogo de
1859,
de seu livro já mencionado, Contribuição
à Crítica da Economia Política.
Eh, e indica os passos que seguiram o
artigo de 1844.
Por quê? Porque a galera,
no no pensamento burguês, mesmo
revolucionário, que vai dar nos
movimentos rebeldes franceses, vai ter a
consciência, a razão como a referência.
Você progride na iluminação, na razão e
na consciência, e aí ela é o teu
critério para você analisar uma teoria,
para você analisar uma estrutura, uma
instituição, uma não sei o quê, não sei
o quê, não sei o quê. E Marx fala: "Não,
meus [risadas] queridos, deixa eu dizer
uma coisa para vocês.
Sabe essa ideia de razão aí? Ela não
existe descolada do cérebrozinho.
Sabe? O cérebro, o nervo óptico, né? O
que o nervinho do seu olho, que conecta
com outros nervos, que vai para o seu
cérebro, que espalha para o seu corpo,
que volta
O o o
humaninho biológico, então,
não tem razão que não seja com esse
humaninho vivo.
O critério não é a consciência, é a
vida.
E a vida humana é uma vida social,
que depende de uma relação básica de
estrutura econômica para se manter.
E aí vai vir a famosa frase aqui de 1800
do prólogo que todo mundo conhece, que é
o seguinte:
Que o Marx decorre, depois de apresentar
que em 1844 estava lá a base do seu
pensamento, o que que ele vai chegar na
conclusão e apresentar para a gente em
1859? O seguinte:
Diz Marx:
"Minhas pesquisas desembocam no
no seguinte resultado:
Tanto as relações jurídicas como as
formas de Estado não podem ser
compreendidas por si mesmas, nem pela
chamada evolução geral do espírito
humano.
Não pode ser compreendidas por si
mesmas, nem por evolução do espírito
humano.
Senão que radicam, ao contrário, nas
condições materiais de vida,
cujo conjunto, resume Hegel,
seguindo o precedente dos ingleses e
franceses do século XVIII,
sob o nome de sociedade
civil.
Veja.
Onde é que tá a base? Nas condições
materiais de vida, que podem ser
entendidas como sociedade civil, Como
essa sociedade se organiza.
É aí que está o, a materialidade do
negócio.
E que, essa frase de Marx é importante,
anatomia, anatomia,
olha a metáfora ou a analogia ou o uso
de um termo de outra ciência para
discutir sociedade civil.
A anatomia da sociedade civil deve ser
buscada na economia política.
A economia política apresenta a anatomia
da sociedade civil burguesa. Ou,
a anatomia da sociedade burguesa tá no
pensamento da economia política
burguesa. Ela apresenta a anatomia desse
corpo humano social.
Então se eu quiser crítica,
melhoramento, compreensão de como
funciona essa sociedade, eu vou ver essa
anatomia, como ela se apresenta, como
ela apresenta a sociedade burguesa.
Por isso ela vai, ele vai criticar a
crítica da economia política burguesa.
Esse é o subtítulo do capital. O
capital, crítica da economia política
burguesa.
Certo?
Isso aqui,
isso aqui é genial, minha gente. Isso
aqui é brilhante.
>> [risadas]
>> Diz Franz.
É decisiva a constatação por parte de
Marx de que a anatomia da sociedade
civil deve ser buscada na economia
política.
De acordo com Marx, a tese de seu artigo
de 1844 de que o ser humano é o ser
supremo para o ser humano, o levou ao
reconhecimento de que a anatomia da
sociedade civil deve ser buscada na, na
economia política.
Ou, as condições materiais de vida.
Porque esta dá os critérios concretos do
juízo. Por que é isso? A economia
política burguesa, ela vai dar os
critérios para você julgar a realidade.
Ela apresenta como funciona isso. E Marx
vai fazer uma crítica dessa teoria,
dessa compreensão.
É genial.
Isso aqui
é massa.
Ambas as teses se implicam mutuamente
Como o ser humano é o ser supremo para o
ser humano, a anatomia da sociedade
civil deve ser buscada na economia
política.
Posteriormente, Marx muda a formulação
da daquilo, daquele, né? O que ele
destaca como o centro do seu pensamento.
Sem mudar esse próprio centro.
No Manifesto do Partido Comunista, fala
de uma futura associação de homens
livres, na qual
cita Marx, o livre desenvolvimento de
cada um é a condição para o livre
desenvolvimento de todos.
Isso aqui, o que que o França tá
dizendo? Aquela ideia de que o ser
humano é o ser supremo para o ser
humano, vai aparecer no Manifesto como o
livre desenvolvimento de cada um é o
livre desenvolvimento de todos.
Articular esse elemento que torne o ser
humano a centralidade do planejamento
social.
Não é o mercado pelo mercado, não é a
eficiência da instituição A ou B ou do
estado. É o ser humano
como referência
para planejar a sua vida em sociedade e
garanta as condições de desenvolvimento
da vida de todos.
E aí você vai criticar e limitar o
mercado, entender o papel do dinheiro,
limitar o funcionamento do capital, se
existe essa relação de capital e de
exploração do capital, que ela seja
subvertida e superada
para uma outra sociedade que aí Marx
desenha a sua sociedade ideal como
referência. Uma sociedade sem estado,
uma sociedade que possa se regular sem
esse mercado auto funcionando, né? De
maneira bizarra, que ninguém entende.
Essas coisas. Então é maravilhoso isso
aqui.
Mas isso não muda o conteúdo central da
tese, né? Diz o França.
Dizer que o livre desenvolvimento de
cada um é a condição para o livre
desenvolvimento de todos é o mesmo que
dizer que o ser humano é o ser supremo
para o ser humano.
Por isso, em ambos os casos, está
implicado que a anatomia da sociedade
civil deve ser buscada na economia
política. Marx somente mudou a
formulação para evitar certos
mal-entendidos.
E aí vamos ver, né? O que o Franz chama
de humanismo da práxis, né? O humanismo
da práxis.
Desse modo,
se vê que para Marx o artigo de 1844 é
fundamento a partir do qual tem que ser
entendidos todos os seus estudos e
teorias posteriores. Aí é a tese do do
do Franz, que a gente pode ou não
aceitar ela. Mas aceitando ela, vamos
ver o que que resulta. Esse aqui é o
objetivo de uma análise,
vou aceitar essa essa ideia de que esse
imperativo categórico, essa conclusão de
1844 vai ser o critério para ele
desenvolver toda a crítica posterior.
Que que acontece se eu fizer isso?
Marx afirma isso que é 15 anos depois de
sua publicação.
Ao ter escrito já os Grundrisse, né?
Elementos fundamentais para a crítica da
economia política de 1857-1858.
E o livro Contribuição à crítica da
economia política de 1859. Aqui é
importante esse resgate porque são
versões de Marx trabalhando sua crítica
à economia política.
Então tem os Grundrisse, os rascunhos,
né? Os fundamentos da crítica da
economia política, que ele não publica
como livro, a gente só tem acesso
depois.
De 1857-1858.
Vamos considerar duas versões aí do
Capital.
Aí o pessoal tá apressado para ele
publicar, fala precisa publicar alguma
coisa, homem. Aí Engels manda lá uma
cartinha para ele fala meu bom, os
editores tão desesperados, tem que
publicar um bagulho aí, não é possível,
você tá pesquisando a tua vida inteira e
não tá chegando a lugar nenhum. Aí ele
falou não, pode deixar que eu
pode deixar, pode deixar que eu eu mando
aí um negocinho. E aí ele mandou a
Contribuição à crítica da economia
política, que a gente pode chamar de uma
terceira versão do Capital, de 1859.
É, e aí que essa ele publica, né?
Cujo prólogo explica a importância
fundamental do artigo de 44.
Se um quer falar em em de Althusser, se
alguém quiser falar em termos de auto,
o que Marx precisamente
desenvolveu em seu artigo de 44, é de
acordo com o próprio Marx, sua quebra
epistemológica.
Que, de todo, eh, que, de todo modo,
Althusser não menciona e que
possivelmente nem sequer notou, né?
Porque o Althusser fala que tem uma
quebra ali pro Capital, que Marx parou
de fazer filosofia,
fez só ciência.
E aí o Franz fala: "Não, se que você
quiser falar de quebra metodológica, ela
tá em 44". Não, e o próprio Marx fala
isso, em 44 mudei minha rota.
Então é ali que tá a quebra.
Pô, isso aqui é um, isso aqui é
demolidora essa argumentação, usando o
próprio texto de Marx, pra quem fica
falando sobre jovem e velho Marx. Assim,
isso aqui é bem, bem forte.
>> [risadas]
>> É difícil a gente enfrentar essa, essa
argumentação aqui, quando você fala:
"Então, mas o moço escreveu, né"?
>> [risadas]
>> Althusser fala de uma quebra
epistemológica em Marx,
que pretendidamente, né, ou
pretensamente, ocorreria tempo depois e
que leva Althusser a declarar eh,
artigos, como o mencionado de 44, como
pré-marxistas ou não marxistas. Que tem
gente que não lê esses textos anteriores
de Marx, porque é do jovem Marx, é
pré-marxista, né? Marx só é marxista
depois de
quando o autor que tiver dizendo isso
quiser, né? Mas o próprio Marx fala:
"Não, é em 44 que mudou mesmo meu rumo".
>> [risadas]
>> Desse modo, Althusser declara um
pensamento central de Marx como não
marxista, apesar de que o próprio Marx,
em seu prólogo sobre a crítica da
economia política do ano de 59,
apresenta como ponto de partida de todas
as teorias posteriores.
É o autor disse, mas dane-se.
>> [risadas]
>> Aí,
aí você me quebra, né?
Exato, [roncando] então. Pô, esse
comentário importante aqui do, do, do
nosso querido Ryan. Ryan, Ryan, como é
que você tá, mano? Tudo bom, cara?
Althusser, na introdução de O Capital
falando que o leitor poderia pular o
capítulo do fetichismo da mercadoria
sempre me quebra. A mim também, que
mostra que
com todo o respeito ao querido
Althusser, que tem excelentes
contribuições para o pensamento
marxista, não quero descartar, mas aí
ele
pisou na merda e abriu os dedos, né?
Sim.
Vamos combinar.
Aí não me ajuda, né? Aí não me ajuda.
De acordo com Marx, precisamente esse
artigo de 44 é uma quebra epistemológica
da qual fazia
o do qual tinha falta até o momento.
Althusser teria que ter discutido
precisamente isso, porque Marx, de todas
as maneiras, tem que decidir se esse
artigo de 44, esse artigo de 44,
realmente é marxista ou não.
Se se quer usar a polêmica expressão de
althusseriana, marxista ou não marxista,
referindo-se ao próprio Marx.
>> [risadas]
>> Marx chamava o dia em que chegar, em que
chegou a esse resultado, de processo de,
desse pensamento novo,
o dia da ressurreição da Alemanha, que
seria anunciado pelo canto do galo
francês.
O dia da última fase do artigo de 1844.
Quando todas as condições internas sejam
realizadas, o dia da ressurreição alemã
será anunciado pelo canto ressonante do
galo francês.
>> [risadas]
[suspirando]
>> O que na realidade é importante de
ressaltar
é o fato de que em 1859 Marx volta a
reviver seus pensamentos fundamentais do
ano de 44 e sustenta, né,
que essa sua posição até o final de sua
vida, ainda que mude frequentemente o
tom de sua linguagem.
O que Marx disse é que o desenvolvimento
desse artigo do, desse artigo do ano de
84 é o pensamento fundamental de tudo o
que ele vai ser, vai implementar e espe,
o que será implementado e especificado
no seu pensamento posterior.
De todo modo,
podemos comprovar que Marx nunca
apresenta as posições que não sejam
compatíveis com o que ele diz nesse
artigo de 44. O que segue dizendo,
também no ano de 59,
é o é que o centro do seu pensamento era
e é o ser humano como ser supremo para o
ser humano. O que chama em 44 de seu
imperativo categórico.
>> [roncando]
>> Mas
relembremos um ponto importante aqui.
O ser humano como ser supremo para o ser
humano. Ok.
Como imperativo categórico. Ok. Isso é
Feuerbach.
O que explica também porque que
Marx tem um apreço tão grande por
Feuerbach.
Porque que eles Cara, é o único autor
que Marx escreve dizendo: "Eu te amo".
Ele falou para o Feuerbach: "Eu te amo,
cara. Eu amo. Amo o que você faz. Eu te
amo, velho. Você é um cara embassado.
Você mudou a minha vida.
Você mudou a minha história".
>> [risadas]
>> O cara tá é apaixonado pelo Feuerbach.
Que o cara mudou o pensamento dele. Ele
efetivamente o materialismo de Feuerbach
influencia muito Marx.
Isso faz sentido.
E aí dá para entender por essa essa
leitura que o Franz faz é é brilhante
assim. É uma sofisticação muito
interessante, né?
Mas eu vou pular aqui para dar dar dar
dar dar dar dar dar tan tan tan porque
eu quero pular para outra parte. Já que
a gente falou de Feuerbach, vamos ir
aqui para o item Marx e Feuerbach.
Eh,
eu vou pular a crítica aqui que Marta
Harnecker, muito importante para o
pensamento marxista da América Latina,
faz
na leitura de Marx e Feuerbach,
que é bem hegemonizada,
porque ela sustenta a posição do próprio
querido
eh, Althusser.
E aí dá errado, né?
Aí dá errado.
Então vamos lá.
Eh,
tá.
Primeira, [roncando] primeiramente,
quero partir da análise de um texto de
Feuerbach e apresento um exemplo no qual
Feuerbach usa determinados conceitos que
posteriormente Marx também usa, né? Que
o nosso querido Franz.
Trata-se do seguinte texto.
E aí tradução do Feuerbach, né?
"Se a essência do ser humano é essência
suprema para o ser humano, como eu
disse, Feuerbach já reproduz,
é, a frase do imperativo categórico de
Marx é uma reprodução de Feuerbach, né?
Então, praticamente, a suprema e
primeira lei tem que ser o amor do ser
humano para o ser humano. Como eu disse,
Feuerbach tem esse problema, a solução
dele é o amor.
É legal, é bonito, me faz bem, mas não
resolve. Então,
o Feuerbach fala, o ser humano é o ser
supremo para o ser humano e a solução
então é o ser humano amar o ser humano.
Amor, paz.
Mas o o Marx vai colocar em outros
termos. Se o ser humano é o ser supremo
para o ser humano, a gente tem que
superar toda a relação em que o ser
humano esteja
subjugado, humilhado, desprezado e não
sei o quê.
Já é distinto, é bem distinto, gente. Um
é o amor
e a paz, paz.
O outro é a gente falar sobre sub
superar relações de exploração e
dominação.
Acho que é um ponto importante.
Legal, né?
Pô, isso aqui é é genial.
É, tan tan. Perfeito, perfeito,
perfeito, nosso querido Fernando
Templário. Exatamente isso, cara. O
fetichismo da mercadoria é fundamental
para os teóricos atuais marxistas
latino-americanos, por conta da teoria
da dependência
econômica função da América Latina como
periferia do mundo. Perfeito, perfeito,
perfeito, perfeito.
Bom dia, querido Alexandre, como é que
você tá? Tudo bem?
Espero desejar que sim.
Bom dia, meu bom.
Mas vamos lá, então, eu acho que já
ficou reforçado esse ponto, né? É um
ponto importante.
Em seguida, chama a atenção a semelhança
dessa citação de de Feuerbach e com a
citação de Marx
que já é apresentada antes e que também
fala do ser supremo para o ser humano.
Para tornar mais fácil a comparação, vou
repetir a correspondente citação de
Marx.
Diz Marx no famoso texto que a gente já
leu.
A crítica da religião desemboca na
doutrina de que o ser humano é o ser
supremo para o ser humano e por
conseguinte
no imperativo categórico de lançar por
terra todas as relações em que o ser
humano seja um ser humilhado, subjugado,
abandonado e desprezado.
Pronto.
É bem parecidinho, né? É bem
parecidinho.
Bem parecidinho.
Ambas citações consistem em somente uma
frase que tem duas partes.
A primeira parte fala do ser humano como
ser supremo para o ser humano.
Praticamente, essa primeira parte
aparece igual em ambas as citações.
Mas a maneira de se expressar, no caso
de Marx, é mais direta.
De todo modo, a segunda parte, nas duas
citações, é sumamente diferente.
Feuerbach diz que a consequência da
primeira parte é que a primeira lei que
segue seja do amor do ser humano para o
ser humano.
Marx compartilha isso sem problemas,
mas, contudo, sustenta que a
consequência é o imperativo categórico
de lançar por terra todas as relações
nas quais o ser humano seja um ser
humilhado, subjugado, abandonado e
desprezado.
Essa é a concreção, concretude, tornar
concreto, né? Vai, essa concreção, essa
concretude vai, obviamente, muito além
do que Feuerbach expressa.
Marx fala de uma práxis da ação, de uma
mudança da própria relação com o mundo.
Em, em troca,
Feuerbach se dirige ao mundo dos
sentimentos, sem nenhuma concretização
de nenhuma ação.
No mundo de Feuerbach, é um mundo como
aquele de Schiller ou como o Hino da
Alegria da Nona Sinfonia de Beethoven.
Trata-se de um mundo belo e harmonioso
que somente com muito, muito
indiretamente pode ser unido com o mundo
da práxis.
Por si, não expressa nenhuma práxis.
Trata-se da imagem de um mundo belo.
Marx, em troca, diz com muita clareza
que quer ir mais além disso para um
mundo mais humano.
Por isso define a práxis.
Em sua tese 11, né? A 11ª fase, tese
sobre Feuerbach do ano de 45.
O diz muito diretamente: "Os filósofos
não têm feito mais do que interpretar os
diversos modos do mundo".
Ou de diversos modos o mundo.
Mas o que se trata, o que devemos fazer
é transformar.
Isso é um humanismo da práxis que
Feuerbach não compartilha e que para
Marx significa o ponto de partida.
E ele propõe desenvolver e que nunca vai
abandonar.
Cara, isso aqui é uma recuperação
filosófica ó.
Fina.
Fina. Isso aqui é
coisa fina. Isso aqui é sofisticação do
pensamento.
Sem manualzinho. Com todo respeito ao
manual e a importância que o manual tem.
Por isso você tem o dever moral
>> [risadas]
>> de divulgar essa palavra para os seres
humanos.
Especialmente para os nossos marxistas
brasileiros que não fazem ideia desse
tipo de conversa, assim. Com todo
respeito. Não faz mesmo. É, desculpa.
Porque as discussões, eu vejo o pessoal
falando sobre práxis, sobre teoria,
sobre história, sobre não ser moralista
e eles caem tudo em moralismo, assim.
Com todo respeito mesmo. E agora eu vou
uma, é raro eu fazer isso, mas é
importante.
Pois já que a crítica é direta aqui ao
tal
eh, as as discussões que a gente tem na
internet sobre comunismo, sobre
marxismo.
Cara, e eu que sou crente aqui dessa
conversa, hein?
Vai falar sobre materialismo e fala em
termos abstratos.
Fala que tem que ser histórico, que a
luta tem que ser consciente, que tem que
ser prática, que não pode ser com
sentimentos e nem com com doutrina, que
não sei o quê. Mas na hora que vai vai
vai
discutir efetivamente o que que é
materialismo, o que que é práxis, por
que que a gente deve lutar por outro
mundo. A resposta não é por uma
consciência sobre as melhores relações
econômicas, mais eficientes para
garantir as condições de produção e
reprodução da vida dos seres humanos,
tendo as condições sustentáveis para o
ser humano como referência.
De modo que você faz um planejamento
econômico, não em busca de um ideal, não
em busca de um sonho, não porque é
justo, belo e moral, não porque se eu
não garanto as condições de produção e
reprodução da vida dos seres humanos,
não tem dia seguinte.
Simples assim. Então, toda a
racionalidade econômica tem que estar
voltada para garantir essas condições. O
mercado não faz isso, o capital não faz
isso, mera transação econômica de
dinheiro também não.
Só que os nossos queridos camaradinhas
aqui na na internet vão discutir isso,
sabe o que eles falam?
No geral, discussões morais.
É papo moralista. Pode ter piscina ou
não pode ter piscina? Isso virou tema.
[ __ ] que pariu.
>> [risadas]
>> Eu fiquei indignado quando os caras
mandaram o bagulho deles.
Pode ter piscina ou não pode ter
piscina?
Pode ter iPhone?
Ou ou ai.
Vocês acham justo isso? Gente,
não, não é justo, mas a discussão não tá
na justiça abstrata, por lei, por
gargantada. Tá por uma racionalidade, ou
inteligência, por por olhar e falar isso
aqui não é racional, isso aqui é idiota,
se você destrói as condições de produção
e reprodução da vida, é burrice.
Tipo.
Sério, mano?
>> [risadas]
>> E as discussões estão morais, é por
moralidade, por moralismo.
Ah, mano, eu que sou crente aqui nesse
rolê, esses, por favor, me me respeita.
>> [risadas]
>> Mas mas
[ __ ] que pariu.
É difícil, mano, é difícil, é difícil, é
difícil. Eu
fico indignado. É discussão moralista,
assim.
Ganhar ganhar a classe trabalhadora um
moralismo barato.
Sim.
Desculpa.
Desculpa. E aí fica, é, um
Eu, eu,
tem a ver com algoritmo, tem a ver com
os temas, mas tem a ver também com você
ter uma mobilização constante de um ódio
abstrato, né? O ódio de classe, que não
é o ódio de classe organizado, que faz
você entender o mundo e saber, cara, eu
tenho que enfrentar esse problema. É só
na gargantada e no que é justo, não é
justo, é bom, é mau, é belo e pronto,
perdeu toda a discussão material.
Pronto.
Jogou fora. Não tem critério para
analisar a realidade.
Sério.
Isso é triste, gente.
Melhoremos.
Ruim demais.
Com todo o respeito.
Vamos, voltemos.
Voltemos, voltemos, voltemos.
É exatamente o radicalismo performático
abstrato. É, imoralista. O papo é
moralista. Papo moralista. Fundo do poço
total, Pedreira. Fundo do poço. Eu fico
muito triste com isso.
>> [música]
>> É.
Sério mesmo.
É muito deprimente. Perda de tempo da
bexiga.
Vamos lá.
>> [risadas][suspirando]
>> É, vamos para o conteudinho qualificado.
Agora, se a gente viu Marx e Feuerbach,
vamos, vamos agora para Marx e Hegel.
Né?
Marx e Hegel. E aí é o último etapa aqui
do nosso papo.
O preconceito
como que se apresenta constantemente
diante de Feuerbach, aparece igualmente
diante do, do pretenso
e
de muito, dito muitas vezes apenas
aparente, hegelianismo de Marx, né? Que
então Marx seria um hegeliano, ele é só
um hegeliano. Marx, ele, pessoal,
abandonou Marx e achou que Marx é
hegeliano. Então, Marx é, é Hegel. Marx
é Hegel. Hegel é Hegel.
O que também é triste demais. Mas vamos
lá.
Gostaria de te também, sobre isso, um
breve comentário.
Começo de novo com uma resenha
correspondente de Marta Harnecker.
Então eu vou utilizar a Harnecker como
um
exemplo dessa discussão sobre o
hegelianismo de Marx, né?
Ela diz sobre uma conversa
que, eh, como estu, que enquanto
estudante teve com Althusser.
Ele, Althusser, né, me recomendou ler
diretamente Marx começando pelo capital
e não por suas páginas iniciais, senão
partindo pelo capítulo da, do
mais-valor.
Já que nos primeiros capítulos Marx
havia coqueteado, de acordo com ele, com
a dialética hegeliana. Que é exatamente
o que eu não lembro quem comentou aqui,
já não lembro quem foi que comentou, mas
que diz que o, o Althusser fala: "Pula a
parte da mercadoria, né? Pula a parte do
fetichismo da mercadoria, porque ali é
filosofia, é hegelianismo, bobagem".
Creio que seja necessário discutir onde
realmente arranca a dialética de Marx,
né, e como se corresponde ou não com a
dialética de Hegel. Diz aqui o nosso
querido Henk de Leuven. [música]
Muito cedo Marx já havia dito que Hegel
estava colocado de ponta-cabeça, né?
Então Hegel já tá de ponta-cabeça, Marx
percebe isso muito cedo.
E que era necessário colocá-lo sobre
seus pés.
Eh,
no que segue, quero apresentar algumas
citações de Marx por meio da, das quais
pode-se mostrar o que na realidade é o
núcleo da dialética de Marx. Então agora
vem a parte da tese central aqui da
nossa live como última etapa. Qual que é
o núcleo da dialética de Marx?
As relações sociais que são
estabelecidas entre seus trabalhos
privados aparecem como o que são.
França citando Marx, né? Então as
relações sociais que
eh, que se estabelecem entre seus
trabalhos privados aparecem
como o que são. Quer dizer, não como
relações diretamente sociais
das pessoas em seus trabalhos, senão
como relações materiais.
Sachlich.
>> [risadas]
>> Com o caráter de coisas, né?
Coisificadas.
Entre pessoas e relações sociais entre
coisas. Então, é uma inversão.
As relações
dos trabalhos privados, como ele diz no
Capital, é famosa essa citação, né?
Aparecem como são, são relações, eh, não
aparecem como relações diretamente
sociais, né?
Senão como relações materiais,
coisificadas, entre as pessoas e
relações sociais entre as coisas. Então,
parece que na verdade são as coisas que
têm relações sociais e as pessoas tão
coisificadas nas coisas.
Há uma inversão. Os sujeitos são as
mercadorias, são os produtos do trabalho
privado e não as pessoas. Então, o, as
mercadorias circulam e as pessoas estão
assistindo. É, há uma inversão completa.
De acordo com isso,
os proprietários das mercadorias, né?
Suas relações entre eles são, eh, apa,
aparecem para eles como relações
materiais. Sächlich, né? Com caráter de
coisas.
Entre pessoas e relações sociais entre
coisas.
Parece ser isso. Parece.
Mas, de fato, trata-se de mane, de uma
maneira determinada de ver a realidade
social.
De cima.
Como observador.
Agora, quem tem acompanhado as lives vai
sacar de onde vem a ideia do observador
e do sujeito.
É a maneira do observador
que a olha e considera como aquilo que
vê dessa maneira
é o que é, né? Então, o observador vê no
mercado as mercadorias circulando e os
sujeitos parados, estáticos, vendo a
circulação de mercadorias.
Então, o observador vê que são relações
entre as coisas
e não dentre os sujeitos.
Está errado? Não.
O observador tá vendo isso.
E aí ele escreve uma economia política
descrevendo o que ele tá vendo, a
economia política burguesa,
a anatomia da sociedade civil burguesa.
Ele descreve ele.
Então ele apresenta para a gente.
Aparece assim.
O que Marx vai fazer? Mas é assim?
De acordo com Marx, resulta em uma de de
diferente modo de ver as relações
mercantis, a partir de baixo.
Que surge quando alguém leva em conta
não somente o seu papel de observador,
senão enquanto pessoa viva, sujeito
vivente. Que precisamente vive no
interior dessas relações mercantis.
Como observador, faz sentido essa
circulação das coisas, como se elas
tivessem relações sociais e das pessoas
não.
Só que você, enquanto pessoinha que tá
participando desse mercado, não como
observador,
como força de trabalho que tá circulando
como se fosse uma coisa.
Você vive e percebe esta realidade de
mercado de outra maneira.
Marx vai colocar o ser humano como ser
supremo para o ser humano. Então a
referência dele não tá no objeto que
circula, é no sujeito que produz esse
objeto.
Ah!
Tá aí.
Vou observar as relações de mercado
estabelecidas, não para entender como
ela é descrita, mas para entender qual é
o papel do ser humaninho nesse jogo. E
aí na hora que ele olha e coloca o ser
humano como ser supremo para o ser
humano, ele tem o critério e o crivo
para poder fazer a análise.
Pronto. E agora ele vai fazer a
inversão.
Vai colocar de pé o negócio.
Tá de ponta cabeça.
Pode ser [ __ ]
Genial. Adoro isso aqui.
Franz é muito bom, mano.
Essa pessoa, né?
Pode agora viver o que as relações
mercantis não são. Que que as relações
mercantis não são, Entendeu?
Olha, olha que genial. Que que elas são?
São coisas circulando
e as pessoas coisificadas.
Aí então as coisas têm têm relações
sociais e as pessoas não.
Mas quando você se coloca como sujeito
nesse mercado, como pessoa que está se
vendendo ali sendo coisificada, você
vivencia o que as relações de mercado
não são. O que que elas não são?
Vive o que não são.
Quer dizer, relações diretamente sociais
das pessoas em seus trabalhos.
As relações sob o mercado,
mercantilizadas, não são relações
diretas entre as pessoas.
Elas não colocam o ser humano como ser
supremo, como critério para tomada de
decisão e para análise.
Então você quando se coloca como
sujeito, você vive o que o mercado não
é.
E isso é genial. Isso é genial, genial,
genial, genial.
Ele não é uma relação direta entre as
pessoas.
Mas deveria ser.
Ou poderia ser.
Ou se o objetivo e o critério é que as
pessoas tenham as condições de
realizarem e desenvolverem suas vidas,
se elas são meros objetos circulando no
mercado, elas não estão podendo fazer
isso.
Elas têm as condições de produção e
reprodução da vida destruídas em prol de
manutenção de relações que exploram e
destroem suas próprias condições. Então
tem que inverter.
Pois.
Isso é bom demais, isso é bom demais.
Disso resulta a forma sobre a qual Marx
quer ver a realidade.
O que não é
aquilo que não é
também é parte da realidade que se vê e
se vive.
Então, a relação com a realidade pode
ser somente
uma relação real, se mostra sempre e de
novo o que ela também não é.
Ela
não é
uma realidade de seres humanos viventes
que garantem as condições de produção e
reprodução da sua vida.
Desta realidade que não é, ele pode
criticar aquilo que é,
>> [música]
>> os mercados, as mercadorias, o
funcionamento de coisas que estabelecem
relações entre si em detrimento das
pessoas que a produzem e consomem.
Gênio.
E isso é extremamente dialético. É uma
dialética que que às vezes a gente não
percebe.
A relação dialética entre aquilo que é
e agora o filósofo vai gostar, e aquilo
que não é.
Isso que não é é o ausente, né? Aquilo
que tá ausente. Então tá ausente as
relações diretas entre as pessoas. Essas
relações diretas entre as pessoas, ela
não existe.
Ela está ausente.
Porque ela está na verdade funcionando
como uma relação entre coisas.
Só que isso não significa que a ausência
dela não esteja participante da
realidade, porque ela é vivida como
falta.
Falta a minha relação direta com as
pessoas. Eu não tenho mais relação
direta entre uma pessoa que tá do meu
lado. Não tenho mais troca direta para
as condições de produção e reprodução da
vida. Eu não tenho mais.
Eu não tenho isso.
Me foi roubado isso.
Esse não ser também participa da
realidade e participa agora como
critério da análise.
Isso é genial. Isso que tá ausente na
hora que você observa, você percebe a
falta, a carência, a falta te dá
critério para talvez a gente precise
mudar as coisas.
Isso é genial, genial, senhor.
Brilhante, cara. Isso aqui é para ficar
pensando o resto da vida.
Resto da vida.
Mas a ausência que penetra, né? Hum,
brincadeira, brincadeira. A ausência que
penetra o que está presente e que parece
ser o real
é também uma presença mas uma presença
que é a ausência presente confusão da
nada a ausência que está presente
porque ela não
se você está percebendo a ausência de
algo é porque ela está fazendo parte da
sua análise da própria realidade não
está quebrado pô
o materialismo mesmo ele considera
totalidade daquilo que é material
inclusive as ausências daquilo que está
faltando ele faz parte da realidade na
hora que te projeta te ajuda a ver ele
não está fora da história
até pode gritar e o ser humano
que sofre esta ausência pode acompanhar
esse grito da ausência
estou com fome
isso é o centro
do que Marx reconhece como situação de
classe
uma classe dominante que nega essa
ausência
e legitima dessa maneira sua luta de
classes
a partir de cima é uma luta de classes
de cima para baixo
e uma classe dominada e reprimida que
sofre essa luta de classes e que então
se levanta com uma luta de classes desde
baixo desde baixo em nome do que não é
daquilo que ela não está podendo ser eu
não estou podendo viver ter condições de
produção e reprodução da vida
em nome dessa ausência estou com fome
e o de cima nega a fome nega que haja
esse problema nega que tenha esse
negócio
e por isso também em nome do que ainda
não é mas dá para ser
essa forma de argumentação aparece em
Marx muitas vezes
assim também nos capítulos sobre a
produção de mais valor não é que seria o
mais importante ali para o Althusser
inclusive
vamos ver aqui uma situação interessante
para ver esse desenho
o trabalhador não se limita a fazer
mudar de forma a matéria
que lhe brinda a natureza, o que a
natureza lhe dá, né?
Senão que, ao mesmo tempo, realiza na
matéria, nela, né? Nela, seu fim.
O fim que ele sabe
que rege como uma lei das modalidades de
sua atuação ou de sua ação
e que tem, necessariamente, que
supeditar ou ditar ou organizar ou
orientar sua vontade.
Ou seja, você não vai simplesmente
alterar a natureza porque você tem que
alterar a natureza.
Você vai alterar a natureza, alterar a
matéria que é disponível, porque você
percebe
que algo que precisa ser feito de acordo
com uma falta que ele tem. O
trabalhador, ele é, a sua vontade é
guiada pela necessidade.
Então ele vai alterar
a relação com a natureza para atender
uma necessidade, aquilo que no, na
semana passada, aqui nas lives, a gente
discutiu como satisfator.
Essa necessidade precisa ser atendida.
Então a vontade não tá solta.
Ela cumpre a necessidade de suprir a
ausência, a falta.
É por isso, esse, ele se dirige para o
mundo.
E está também ditando, é, na, e esta
também sub, essa
ditação, orientação, supeditação,
sobreposição, não constitui um ato
isolado.
Enquanto permaneça trabalhando,
além de se esforçar, né? Do, do esforço
dos órgãos que trabalham, o trabalhador
deve
adicionar a essa vontade consciente do
fim
o que chamamos de atenção.
Atenção que deverá ser tanto mais
reconcentrada quanto menos atrativo seja
o trabalho, o trabalho.
Por seu caráter e por sua execução, para
quem o realiza. Quer dizer, quanto menos
desfrute o trabalhador,
é, como de um jogo de suas forças
físicas e espirituais. Ou seja, além de
tudo joga o jogo daquilo que você pode
desfrutar ou não do seu trabalho.
O que volta de novo para aquilo que a
gente conversou na semana passada sobre
desfrute do trabalho. O trabalho que é
frutífero, que é você desfruta dele, que
você goza desse trabalho, você gosta
dele.
Você vê o fruto, faz sentido. Agora o
trabalhador alienado que cada vez mais
faz essas funções repetidas e
reproduzidas de mesmas ações e cujo
resultado do trabalho ele não vê,
ele não desfruta, ele não consome, ele
não acessa o resultado do seu trabalho,
ele não desfruta da própria função do
trabalho. O trabalho é para atender a
necessidade do sujeito, da pessoa humana
que produz. Mas o trabalho alienado
sobre relações capitalistas não garante
essas condições. Faz falta um trabalho
de desfrute, um trabalho de gozo, um
trabalho produtivo e que nos faça bem,
que tenha orientação, que tenha sentido.
Nós estamos alienados do trabalho.
Seja genial.
>> [risadas]
>> Eu gosto.
Ai, eu gosto. Eu espero que vocês gostem
também. Mas veja, veja isso como como
isso é completamente outra coisa que
qualquer outra discussão que normalmente
se faz.
Ela aprofunda muito conceitos que a
gente já tem.
Valor de uso, valor de troca, essas
paradas todas. E a gente começa a ler de
outra maneira que é a brincadeira do
trabalho, do trabalhador, do jogo das
forças e tal, né?
Agora o ausente é o jogo de suas forças
físicas e espirituais, né?
Que poderia ser gozado. Hum, não.
Mas cuja ausência se faz é, se faz tanto
mais presente quanto mais o trabalho
rege como uma lei das modalidades de sua
atuação e que tem necessariamente que
orientar sua vontade.
Mas trata-se novamente daquele
em nome do qual é exigida a presença
daquilo que está ausente. Então o
trabalhador ele ele precisa de algo que
tenha sentido para o trabalho.
Que oriente, mas o trabalho socialmente
socialmente exigido e socialmente
necessário e que começa a se estabelecer
sobre relações distantes rouba do
sujeito esse sentido de vida, esse
sentido do trabalho, a necessidade
consciente de atenção, de gozo, de
desfrute.
Seja genial.
Isso, o que não é, eh, e cuja ausência
está presente, pode ser nomeado de
maneira muito diversa.
No capítulo sobre o fetichismo, que é
aquele que o Althusser não gosta, no
primeiro tomo do capítulo, no primeiro
volume do capital,
Marx menciona como tal seu modelo de do
Robinson social, né? Então, Robinson
Crusoé social.
Finalmente, imaginemos, para variar, uma
associação de homens livres que
trabalhem com meios
coletivos de produção e que desenvolvam
suas numerosas forças individuais de
trabalho
com plena consciência do que fazem, com
uma grande força de trabalho social.
Então, utopia dos trabalhos socialmente
combinados de maneira harmônica.
Nesta sociedade, serão repetidas todas
as normas que presidem o trabalho de um
Robinson, um Robinson Crusoé, né? Aquele
personagem isolado numa ilha que tem a
si mesmo para realizar seus seus B.O.
Mas com caráter social, já não
individual.
Como se vê, aqui as relações sociais dos
homens com seu trabalho, ou dos humanos
com seu trabalho, e os produtos do seu
trabalho são perfeitamente claras e
simples,
tanto no tocante da produção como no que
se refere da distribuição. Você vê
diretamente seu trabalho, o resultado do
seu trabalho e a troca, diferente do
mercado capitalista, que ele é opaco,
ele não é transparente, ele não é
direto. São as coisas que vão
funcionando sem nem mais ver onde começa
o trabalho, onde ele termina, como as
coisas são trocadas, como funciona essa
joça.
Claro,
Marx poderia ter usado aqui qualquer
outra de suas diversas expressões para
essa referência ao comunismo como o
ausente, o que falta, o trabalho direto,
socialmente combinado entre os seres
humanos.
Assim, por exemplo, seu conceito do
comunismo nos manuscritos filosóficos e
econômicos do ano de 44.
Mas também sua formula, sua formulação
do que é o socialismo, tal como
apresenta no Manifesto Comunista. Isto
é, como uma, abre aspas para Marx no
Manifesto Comunista, associação, no qual
o,
é, no qual o livre desenvolvimento de
cada uma de suas condições do livre
desenvolvimento de todos, que aquilo que
a gente já passou, né?
Ao final do quarto capítulo do primeiro
volume do Capital, o primeiro livro do
Capital, e, portanto, imediatamente
antes de passar os capítulos sobre
mais-valor,
Marx volta a resumir essa sua concepção
da realidade.
A órbita da circulação, da troca de
mercadorias, dentro de cujas fronteiras
se desenvolve a compra e a venda da
força de trabalho, era, na realidade, o
verdadeiro paraíso dos direitos do
homem.
Dentro desses, lin, desses lindeiros, só
é,
somente reinam a
liberdade, igualdade, a propriedade
privada e Bentham, né? O ético do
utilitarismo.
Que justifica essa função de relação
entre liberdade, igualdade e
propriedade, né?
Não, veja que a fraternidade foi embora
aqui, tá?
É uma brincadeira com liberdade, é, como
é? Igualdade,
igualdade,
proprie, é,
liberdade e fraternidade aqui virou
propriedade e Bentham, né? Fraternidade
foi para a casa do chapéu.
A liberdade, pois, o comprador e o
vendedor de uma mercadoria,
é,
de grande força de trabalho,
não obedecem mais à lei de sua livre
vontade. Contratam
homens livres e iguais ante a lei.
O contrato é o resultado final e,
ã, em que seus, suas vontades cobrem uma
expressão jurídica comum.
A igualdade, pois, compradores e
vendedores a apenas contratam como
possuidores de mercadorias, trocando
equivalente por equivalente, né? Então,
o comprador de força de trabalho chega
lá com o dinheirinho do salário, o valor
que ele vai pagar pela força de trabalho
por um tempo e a pessoa chega com ela
mesma, né? Porque você vai chegar lá,
gente, não tem o que fazer. Mas,
contudo, porém, todavia, você vai chegar
lá vendendo sua força de trabalho. É uma
desgraça.
A propriedade, pois, cada qual dispõe e
somente pode dispor do que é seu.
E Bentham: "Pois quantos intervêm nesses
atos eh eh intervêm nesses atos, somente
os move por seu interesse, né? Aqueles
que estão agindo agem por seus
interesses".
A única força que os une e os põe em
relação é a força de seu egoísmo, de seu
proveito pessoal,
de seu interesse privado.
Não há mais fraternidade. Precisamente
por isso, porque cada qual cuida somente
de si e nenhum vela pelos demais.
Contribuem todos eles, graças a uma
harmonia pré-estabelecida das coisas
ou sob os auspícios de uma providência
eh
onisciente, a realizar a obra de seu
proveito mútuo, de sua conveniência
coletiva, de seu interesse geral ou
interesse social. A mão invisível do
mercado, né?
Funcionando por suas vontades.
Até aqui,
Marx mostra a consequência ideológica da
redução da realidade social à visão
direta que alguém recebe, se interpreta
exclusivamente a situação do
proprietário das mercadorias e,
portanto, assume exclusivamente o ponto
de vista de um observador.
Partindo disso, Marx fará ver como
aparece uma ação exclusivamente
orientada à luta de classes desde cima.
Então, essa observação de cima é luta de
classes, né, meus amigos? É o observador
que vê como funciona o mercado.
Diferente do sujeito que chega lá com o
quê? Com a força de trabalho. Só quando
a gente usa o termo força de trabalho, a
gente pensa na mercadoria força de
trabalho. Mas a mercadoria força de
trabalho é você, meu querido.
É você.
Você que chega lá se vendendo, vendendo
seu corpinho. Olha que coisa incrível.
Se você se coloca na posição do
trabalhador, você não percebe as coisas
circulando, você percebe gente se
lascando, gente que não é a referência
para as trocas.
Que leva a uma situação na qual o
ausente, né?
É, que como ausência está presente.
Se faz imenso e penetra agora a
realidade reduzida.
É, basicamente isso. Que que está
ausente? Os seres humanos.
E aí Marx diz, né? Ao abandonar essa
órbita da circulação simples ou da troca
de mercadorias, aonde o livre cambista
vulgar vai buscar as suas ideias,
os conceitos e os critérios para
julgar a sociedade do capital e do
trabalho assalariado, parece como se
mudasse
em algo sua fisionomia
dos personagens de nosso drama.
Ou de nossa peça, né?
O antigo possuidor do dinheiro abre
marcha a um convertido capitalista,
é,
atrás do qual se vê um possuidor da
força de trabalho, né? Então, se
encontrou ali um otário e um, não,
brincadeira.
O malandro e o otário se encontraram.
Não, brincadeira.
Se encontrou ali o capitalista, né? Que
chega ali agora como aquele que tem o
dinheiro para trocar por força de
trabalho e a pessoa que só tem a si
mesma, a sua força de trabalho para
trocar.
Transformado no trabalho, no
trabalhador, né? Em seu trabalhador.
Aquele,
o capitalista,
entra no recinto, entra no, na, no
tablado,
sorrindo e desdenhoso,
todo, é, altivo.
Este, tímido e receoso.
Bom, com má sorte, né? Com pouca
vontade.
Com, como quem vai vender sua própria a
e sabe da sorte que o aguarda
que seja esfolada.
>> [risadas]
>> Então é basicamente isso. Veja que essa
mudança de observador
para agora uma análise a partir do
sujeito humano altera absolutamente a
percepção do próprio funcionamento do
mercado.
Mas Marx só é capaz de fazer isso por
quê? Por causa do critério que a gente
viu lá no texto de 44.
O ser humano como seu supremo para o ser
humano e não o funcionamento do mercado
da mercado de qualquer outra produção
humana como referência para análise da
realidade humana. Não.
As condições de vida dos seres humanos
o ser humano tem que estar vivo para
poder produzir, para poder fazer. Ele é
o critério. Ele é o seu supremo.
E aí eu tenho que na prática alterar as
relações para que essa relação esteja
garantida. Não por uma questão moral,
por uma questão óbvia. Se não tem gente
para vender, nem para comprar, não tem
mercado que funcione.
Então o critério último é garantir as
condições de produção e reprodução dos
seres humanos.
Só que o mercado por si só é incapaz de
fazer isso. Ele destrói essas condições.
Que é o que Marx vai dizer lá para
frente.
O capitalismo só desenvolve as forças
produtivas às custas da destruição das
fontes de riqueza, a terra e o
trabalhador.
E se não tem terra, se não tem natureza,
se não tem pessoa, não tem trabalhador,
sabe o que que não tem? Possibilidade de
vida.
A economia como determinante para todo
outro trabalho social.
Para qualquer outra coisa que o ser
humano vai fazer.
E isso começa com o raio do texto de
1844. E aí vem todo o desenvolvimento de
Marx de crítica ao mercado e à economia
política burguesa.
Não é genial?
É genial, meus amigos. É genial.
É genial.
Deixa eu pular aqui um trechinho para a
gente ver uma parada aqui.
Ah,
deixa eu ver se eu acho ela rapidinho
aqui.
Que eu você vê que esse texto é longo,
né?
Pronto, tá aqui, achei.
Ah.
Aqui vemos se faz se torna óbvio o
humanismo de Marx.
E ainda mais se mostra que não se trata
simplesmente de um humanismo dos nobres
sentimentos, como era o de Feuerbach,
né, do amor e tal.
Não de um humanismo da práxis.
Aqui
não soa o ressoa somente a nona sinfonia
do Beethoven.
>> [risadas]
>> Isso me parece isso me parece ser o
núcleo da dialética de Marx.
E me parece óbvio também que não é
simplesmente a dialética hegeliana, não
é.
A dialética hegeliana é uma dialética do
espírito absoluto.
E chega a ao saber absoluto, a descrição
absoluta daquilo que tá presente, mas
que não percebe aquilo que tá ausente e
é constituinte da materialidade da
história e do desenvolvimento social.
Aqui, na dialética de Marx, o centro é a
convivência humana perfeita, a
possibilidade de convivência humana
perfeita.
Ela é viável, historicamente realizável?
Não, mas ela cria o critério para o
julgamento da organização social e da
própria anatomia da sociedade burguesa,
da sociedade civil, que é a economia
política burguesa.
Trata-se da imaginação de uma
convivência humana perfeita que é
transformada em objeto da práxis humana
que é que que quer realizar.
Pela ordem estabelecida sempre é
defendido em nome da autoridade vigente
ou da estrutura vigente.
E agora então é uma dialética que não é
uma dialética só para você comparar
contrários, eh, como é que é? Tem umas
frases. Eu sou muito fã do Jabur, tá,
para discutir China, essas paradas
todas, eu acho maravilhoso. Mas quando
ele mete aquele Hegel diz o sim e o não,
azar do Hegel, porque não é isso que
Marx discutindo aqui. Com o pensamento
marxista, a gente não tá falando sobre
sim e não ao mesmo tempo, sobre o
opostos, não sei o que lá, não é isso,
não é isso, não é isso. O que a gente tá
discutindo aqui
é um grau de análise da realidade que
considera não só a descrição daquilo que
é, mas aquilo que falta e que trabalha
com esta dialética, põe de pé o mundo ao
colocar o ser humano e as condições de
produção e reprodução da vida do ser
humano como critério,
em que agora você vai inverter
não só Hegel, mas o próprio mundo, não é
que você vai observar aquilo que tá
faltando nesse mundo,
tá ausente para eu poder fazer uma
transformação. Se falta, exige que eu
produza, se eu tenho que produzir, eu
tenho que agir e que atuar.
Cara, isso aqui é uma dialética que não
é abstrata, ela é histórica, se conecta
ao função do trabalho, a realidade
social, a como o humano se desenvolve,
que não abandona o projeto, a projeção
humana. É genial, velho. Isso aqui é
é bom.
É bom, é bom.
Gostaram?
Gostaram? É massa, né? [ __ ] velho, eu
tô numa correria danada de trabalho que
eu tô exausto já, mas isso aqui é me faz
bem demais poder trocar essas ideias.
Espalhem a palavra por aí, hein?
Esse ano tá
as contas aumentaram e tá a correria tá
insana,
mas tá bom, velho. Tem que temos que ir
para cima.
Legal, né? Eu gosto desse tipo de
debate.
Diz Rubens, bom demais, bom demais.
Leandro, meu querido, bom dia, como é
que cê tá? Tudo bom? Bom dia aos
baristas e não baristas, a todos.
Diz nosso querido Kevin,
pergunta do nosso querido Kevin,
é correto dizer que a dialética de Marx,
segundo o Enrique Dussel, tem um pezinho
em Feuerbach devido ao imperativo
categórico de Marx? Sim.
Não só um pezinho, é muito influenciado
pela crítica que Feuerbach faz a Hegel.
Essa é o que eu sustento assim
muito forte.
Junto com Franz e uma galera aí, né? O
próprio Engels, Feuerbach, e outra
galera.
A crítica de Marx a Hegel se dá via
Feuerbach, fundamentalmente. Tem
influência dos outros, Stirner, quem
mais? Bruno Bauer, não sei mais quem.
Mas fundamentalmente Feuerbach.
Feuerbach é o critério dele. E o Marx
deixa isso muito claro.
Quando o Marx cita Feuerbach
explicitamente para apresentar o
imperativo categórico dele como critério
para análise da realidade social, você
fala: "Cara, aqui está a chave".
Aqui está a chave. Então eu tenho que
ler bem Feuerbach,
entender esse movimento de crítica de
Hegel, para entender como o Marx
assimila a crítica de Feuerbach, mas não
abandona a dialética hegeliana.
Porque lá na frente o Marx vai ter que
dizer
para que estão tratando Hegel como se
fosse um cachorro morto. Aí ele fala:
"Mas não, eu sou seu Eu sou discípulo de
Hegel".
Inclusive assimilo muito de sua
dialética.
Mas a coloco de ponta de de pé, porque
ela está de ponta cabeça.
Então não é que
o Marx vai criticar Hegel para dizer:
"Isso aqui não serve para nada". Não,
ele vai assimilar o movimento da
dialética hegeliana. Mas ele vai superar
isso.
E uma das
crivos fundamentais para superação é
Feuerbach.
Só que pergunte para os marxistas de
nossa terrinha, quantos foram ler
Feuerbach?
Quantos foram entender essa virada de
chave?
Eu tive que ler, inclusive,
um tempo desses que
um do O primeiro vídeo que acho que dá
uma ritadinha de no Instagram do canal
aqui, eu comentando sobre
a assimilação que Marx faz de Feuerbach.
E tem comentário lá do mano dizendo
assim: "Isso já foi superado há muito
tempo".
Já foi superado, a gente já sabe que
Feuerbach não serve para nada, que Marx
nem tem nada a ver com isso, são ideias
antigas. Meus amigos, vocês nem leram.
Não.
Dá Dá até um pouco de preguiça.
Não foi superado não. Ei, vamos mudar de
citação aleatória.
Tô nem aí pra autoridade de quem citou.
Aqui, eu usei o Hinkelammert pra fazer
uma reconstrução aqui que, mano,
ela se, ela para de pé, viu?
Exato, Tiago, a discussão não é campo
metafísico. Obviamente que não.
Diz aqui nosso querido Ryan.
Ei, é Ryan, perdão. Ryan, perdão, diz
[música] nosso Ryan. E Hegel?
O que tá ausente e excluído é
justificado pelo desenvolvimento dos
povos mais civilizados. Exato, você tem
um apagamento do, da, da ausência.
Tudo se torna necessário. É,
doideira.
>> [roncando]
>> Diz nosso querido Rubens. Esse grau de
atuação necessita a classe trabalhadora
organizada, exatamente para achar onde
atuar. Perfeitamente.
E é um trabalho de conscientização de
classe também, que passa por essa
discussão não, não precisa ser o
requinte do que o Hinkelammert disse,
não, mas, cara, se eu tô entendendo
isso, eu consigo começar a colocar isso
em coisas mais práticas, e entender
melhor a minha atuação no mundo, e onde
vai a, o ponto da discussão, saca?
Ó, tamo junto, Ryan. É o Franz
Hinkelammert que é incrível.
Mas é legal esse debate.
Ah.
Cadê o Pix? É verdade, cadê o Pix? Eu
esqueço. Ai, eu sou horrível.
Aqui, vai que, vai que tá sobrando uma
merreca aí. Eu sempre quero dizer isso,
cara. Vai que tá sobrando uma merreca
aí. Ó o Pix aí embaixo. Ó o Pix.
>> [risadas]
>> Ó o Pix, ó o Pix.
Xinguei o Pix.
Tá aí o Pix, não posso esquecer.
Exato, Kevin. Ouvimos, Kevin diz, né?
Ouvimos muito ao falar de Marx sobre
Hegel, mas Feuerbach fica de escanteio.
Fica, porque o pessoal acha que, ai, ele
fala de religião. Ele fala de humanismo,
porque Marx critica o humanismo de
Feuerbach. É verdade.
É verdade.
Mas não significa um abandono.
As pessoas tem que estudar.
As pessoas, eles nem leem Hegel. É, nem
precisa, se não quiser, mas
[ __ ]
Estudar, né?
Diz o nosso querido Rian: "Parece aquele
vídeo do Porta dos Fundos. Para chegar
em Marx tem que pegar a Avenida
Feuerbach para fazer um contorno em
Hegel, pegar a Travessa Jovem Marx".
Exatamente.
Exatamente, exatamente.
"Para chegar em Marx, hum,
faltou Lacan, tá ligado?"
>> [risadas]
>> Diz o Spinoza. Tem que dar uma volta em
Spinoza, porque Marx também cita
Spinoza, Demócrito e Epicuro. Tem que ir
lá atrás, hein? Hum, perdeu a saída lá
atrás, tem que retornar ali para para
Cara, não, cara, é estudar, né?
Diz o Rubens: "Esse bagulho de superado
enche o saco mesmo". É, enche muito,
mano. Ah, tá superado isso aí.
Mesmo se tiver.
Diz o Leandro: "Tá tudo beleza aqui,
Bruno. Com a mudança de fundo aqui fica
mais fácil acompanhar as lives". Ai, que
excelente, totalmente excelente, que
bom, mano, que bom. Eu tô atrasado para
caramba aqui.
Diz o nosso querido Borduna: "Pô, tô
lendo A Essência do Cristianismo do
Feuerbach para entender que vai ser a
carta, eh, a carta a ele do Marx". Ah,
massa, pode crer, pode crer.
"Estou entendendo?" diz o Borduna. Mais
ou menos, é difícil. Eu recomendo
Hum,
como é que é, mano?
Eu acho que o título é Preleções sobre
Religião
do Feuerbach.
Preleções sobre Religião, acho que é.
Que é um livrinho, é um livreto. Eu acho
que foi publicado em português de
Portugal, inclusive.
Caminhões caem por aí com esses textos.
Eh,
acho que é Preleções sobre Religião ou
Lições sobre Religião.
São aulas do Feuerbach explicando a
teoria dele. Ele resume, sintetiza muito
bem.
Então, assim, é um
encurtador de caminhos, pode ser
interessante.
Diz nosso querido
Templário. Marx criou uma ferramenta de
análise material da realidade, mesmo que
a sua análise possa se basear em
análises anteriores não materiais. Ainda
assim é uma ferramenta que mais se prova
material. Exatamente. E diz aqui do que
os essencialistas não material. Exato,
exato, exato.
Diz aqui Kevin. Inclusive fica a dica do
curso Marx e religião na área de membros
que fala de Marx, Hegel e Feuerbach.
Exatamente. Se você faz o se você vira
membro, membro aqui no canal, você você
pode fazer esse curso aí.
Bom demais. Modéstia à parte, é bom
demais. Tem duas partes, tem nove, nove
aulas do curso. Grande o curso.
Diz nosso querido Templário. Do que
essencialista Ah, não, eu já li essa
parte. Perdão.
Diz nosso querido Rubens. Sim, se a
questão é o homem pelo homem, a
conscientização de classe é o que vai
permitir a tomada de decisão pela
própria classe e a correção dos erros de
acordo com o projeto. Exato, exato.
Exato, exato.
Buenos dias, querido William. Quanto
tempo? Tudo bom, meu bom? Espero e
desejo que sim. Passando para dar um
alô. Alô.
Me liga.
Que bom, mano.
Diz Kevin.
Bruno, se tiver esse livro do Feuerbach,
encaminha no grupo, por favor. Eu
não sei se eu tenho.
Hipoteticamente, eu poderia ter,
mas talvez eu não tenha.
E
supostamente, caso eu tivesse, eu
encaminharia no grupo exclusivo para a
membresia do canal.
Inclusive, se você virar membro aqui na
membresia do canal, você pode entrar no
nosso grupinho, só mandar um
um um e-mailzinho lá. A gente troca um
papo.
É, o e-mail tá tá aqui na descrição, que
também é a chave do Pix.
Dito isso,
dito Ah, e explica, por favor, quem é
você, né? Porque às vezes tem um
nickname nada a ver.
Aí eu não tenho como achar você. Aí você
me quebra.
Dito isso, dito isso, dito isso, dito
isso.
Supostamente, havendo algum amigo,
conhecido ou pessoa que talvez tenha, eu
passo o contato dessa pessoa que talvez
ela compartilhe com você o PDF num grupo
aí.
Talvez, hipoteticamente, supostamente,
caso fosse viável um dia.
Mas é isso, minha gente. Preciso ficar
por aqui.
Tenho que trabalhar, tenho conta para
pagar.
Criança para [ __ ] meu.
>> [risadas]
>> E lá vamos nós.
Obrigado por estarem comigo nessa manhã.
Para esse papo totalmente excelente.
Espalhem a palavra da dialética por aí.
E essas discussões que, cara, eu espero
que a gente supere esse, esse
moralismo barato, essas discussões.
Ah, cara, desculpa, mano. Está muito
ruim, velho.
Muito
de bobagem, falta de consciência da
realidade.
Me quebra.
Fico chateado. Estamos num ano muito
sério, né? Num período drástico da
humanidade.
E
essa relação de algoritmo, de produção
de conteúdo e tal, fica refém de, de
discussão de piscina é [ __ ] Ou outras
coisas, né? Também outros moralismos
baratos, discussões nesse sentido. Mas
quem sabe a gente pode melhorar um dia
aí.
Mas é isso, minha gente. Quarta-feira,
quarta-feira.
Quase fim de semana.
Quarta-feira, quase fim de semana.
[música]
Aquele momento para você conseguir
desenrolar sua vida
o suficiente para poder descansar no
sábado e domingo, que é mais merecido.
Ou quem sabe passar um tempo gostoso com
a família, que vale a pena, para a gente
poder estar inteiro e recuperado.
Recuperado para recomeçar a correria.
Mas no meio da correria que você não
deixe abrir janelinhas [música] para
desfrutar da vida sozinho, ou com o seu
filho, com gente que você gosta. Às
vezes é tão simples. Mas que vale. Não
nos [música] entreguemos ao fundo do
poço. Dá para se operar. Beleza? É isso,
minha gente. Fiquem bem.
Sigam aí quem puder mandar puder mandar
uma merreca. Estamos precisando sempre.
Se não, vira membro membro membro do
canal e a gente vai seguindo [música]
aqui trazendo a boa nova todo dia útil
até a vitória final, pois seguimos
>> [música]
>> Olha, minha gente. Fiquem bem. Deus
abençoe. Cuidem de vossas vidas,
[música] de vossas casas, de vossas
famílias, de vossas casas e a gente
volta na semana que vem.
E nada der errado. Se der errado,
talvez uma hora.
Mas a gente vai torcer para que dê tudo
bem.
Então, fiquem bem. Fiquem em paz.
Tchau.
>> [música]

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