🔴AULIVE: A DIALÉTICA DE MARX COMO VOCÊ COM CERTEZA NUNCA VIU
18/03/2026
🔴AULIVE: A DIALÉTICA DE MARX COMO VOCÊ COM CERTEZA NUNCA VIU
Pix: bruno@reikdal.net
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Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
[música] >> Pela verdade, pela vida, [canto] pela luta popular, pela realidade [música] e uma utopia, livres do rio >> [música] >> Um sonho pelo dia da paz entre nós. >> [música] >> Guerra aos senhores, ouçam nossa voz. Fé, [música] ciência do mundo, luz, testemunhas da terra ao sol. Seguimos trazendo a boa nova, [música] todo dia útil até a vitória final. Filosofia, economia, sociedade e religião. Praticamos a criminologia [música] diplomada, fazemos propaganda e agitação. Fé, ciência do mundo, luz, testemunhas da terra [música] ao sol. Seguimos trazendo a boa nova, todo dia útil [música] até a vitória final. Seguimos trazendo a boa nova, todo dia útil até a vitória final. Pela verdade, [música] pela vida, pela luta popular, pela realidade e uma utopia, livres [música] do rio ao mar. Um sonho pelo dia da paz entre nós. Guerra aos senhores, ouçam [música] nossa voz. O pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história é que pessoas têm que estar em condições de viver para fazer história. Fé e ciência [música] do mundo, luz, testemunha da terra e o sol. Seguimos trazendo a boa nova, todo dia [música] útil até a vitória final. Fé [música] e ciência do mundo, luz, testemunha da terra e o sol. >> [música] >> Seguimos trazendo a boa nova, todo dia útil até a vitória final. [música] Seguimos trazendo a boa nova, todo dia útil até a vitória final. >> [música] >> Fé e ciência do mundo, luz, testemunha da terra e o sol. >> [música] >> Fé, seguimos trazendo a boa nova, todo dia útil até a vitória final. >> [música] [música] >> Oi. Bom dia, minha gente. Tudo bem com vocês? Espero que seja que sim. >> [música] >> Bom dia. O som tá bom? O som. Tá bom? >> [música] >> Espero que sim. Como é que vocês estão? Espera aí, deixa eu ajeitar aqui também. >> [música] >> Está um pouquinho alto. Ah. E vai ficar menos, menos alto. E eu não sei como é que tá minha voz, espero que esteja de boa. E o som esteja bem projetado no ouvidinho de vocês. Vocês estejam escutando adequadamente. É. E a vontade de espirrar não vai embora. Esses dias peguei um, um trem aí que eu não sei muito bem que que foi de virose. >> [música] >> E de lá para cá, não sei se tá com sinusite, esses trem tudo, incomoda consideravelmente. E vamos sobreviver. Tudo bem com vocês? Tudo bem com vocês? Deixa eu ajeitar aqui. Hoje vamos ter aquele papo totalmente excelente, totalmente excelente. Sobre um tema aí que quase ninguém falou. Na história da humanidade. Que é dialética. Quase ninguém falou sobre isso. Tema raro, só que não. Bom dia. Bom dia, Igor. Como é que você tá, meu querido? Tudo bom? Espero, desejo que sim. Espero, desejo que esteja tudo sossegado por aí. E cá estamos. Espera aí, espera aí, espera aí, espera aí. Barismo está sendo convidado nesse exato momento. Nossos queridos membros da igreja barista. Ai, minha querida Gisele, como é que você tá? Tudo bem? Espero, desejo que sim também. Ah, fica tranquila. Sei a vida tá nessa correria danada. Graças a Deus a gente pode gravar esses trem e fica disponível para depois o pessoal querer assistir, né? Obrigado pelo carinho de sempre. Por apoiar o nosso canalzinho aqui como membro, membra, membrezia do nosso canalzinho. Obrigado, obrigado mesmo. Que é o que sustenta essa bagaça. Aliás, deixa eu já aproveitar. Faça como Gisele também seja membro, membra, membre e membresia aqui do nosso canalzinho, é o que nos sustenta, o que nos mantém. Espero que possa contribuir de uma maneira significativa para você. E aqui, você sendo membro, membra, membresia do canal, você tem acesso a conteúdos exclusivos, só para você, para você e todas as outras pessoas que também são membros, membras, membres, membresia aqui do nosso canalzinho, como cursos, tal qual Marx e Religião, Evangélicos e Política no Brasil, como fazer seu projeto de pesquisa sobre Filosofia Latino-americana, tem um conteúdo muito massa. Além da Rádio Crit Crente, tá, mais de hora de conteúdo, além de vídeos que a gente conta causos, faz algumas reflexões que também são bem interessantes. Então, assim, é um, é um universinho a ser explorado, né? Um Bruniverso a ser explorado aqui, que eu espero que possa ser bacana. Se não tá dando aí para fazer os 4,99, né? 4,99 centavos, que é o, a membresia, não esqueça, você pode também curtir esse vídeo, comentar, pegar já, espalhar a palavra por aí, compartilhando por canais aleatórios, além de permanecer vez por outra aqui assistindo os videozinhos, que dá aquele pontinho leve de adicência. Mas o que sustenta a gente mesmo é a membresia. Então, considere ser membro, membra, membre, que tem sido muito bacana, somos um grupo pequeno, mas fiel e resistente. E, apesar da irrelevância, seguimos produzindo conteúdo que aqui me parece de qualidade, >> [música] >> que eu acho que tá contribuindo. Quero agradecer muito, muito, muito vocês que tem dado essa força. É isso. Se eu não esqueci nada, é isso. Daqui a pouco o Carapa aparece aqui para me lembrar que eu esqueci alguma coisa. Carapa é o nosso voluntário do marketing, do infoproduto, só que eu sou péssimo em seguir os conselhos dele ou ter tempo para fazer isso. Mas ele tem [música] excelentes ideias. Obrigado, Carapa. Bom dia, Thiago, como é que você tá, meu querido? E diz, Thiago, bom dia a todos os baristas e não baristas da América Latina. De toda a América Latina. Bom dia, baristas de toda a América Latina, que nós podemos e possamos que amo de lutar e defender >> Cara, solidariedade aos camaradas cubanos. Ai, que tragédia que tá sendo cometida contra Cuba, mano. Que bagulho bizarro. E a galera normaliza, né? Acha que é brincadeira. Acha que deixar hospital sem energia, essas coisas, [música] isso é pelo bem, né? Os caras tão em bloqueio de energia maior cota. É quebra demais. É, é sofrimento pra todo mundo, sabe, cara? Assim, é, eu não entendo como esse cálculo de que todo mundo sofrer vai vai ser bom. Mas vai ser bom pra quem? Isso é um bizarro, bizarro. É, aqueles papo que não dá pra ter na internet, cara, né? E conviver, tem que tá junto. E a internet cada vez mais deixa a gente separado, então a gente não consegue conviver e ter essas ideias. É quebra demais. >> [música] >> Verdade, verdade. Diz o nosso querido Tiago, naquela pegada Pepe Mujica, hein? É lógico. Eu gosto do sotaque do Mujica. Ele é um [música] cara, ele tá bem velhinho já, né? Ele ele fala daquele jeito que ele é um libertar este libertar este este este tener tiempo, tener tiempo para hacer lo que ele tem motivo, o que tem motivo. Esse é o ser livre. Esse que é bem legal, eu gosto. [música] >> [risadas] >> É bonitinho. Ele é um velho muito fofo, né? Ô, o Jack da Pedra, pedra underline SP blá. Como é que você tá? Tudo bom? Espero que deseje que sim. Bom dia, socialistas com princípios e valores. É importante isso, hein? Ô, e o pior é que sem sacanagem, esse teu comentário princípios e valores tem a ver com o papo que a gente vai ter hoje sobre dialética, tá? A gente vai ter uma conversa hoje é sobre dialética, dialética marxista que vai envolver discussão sobre princípios e valores. Quem diria? Há pessoas que dizem que não tem que ter princípios e valores, mas a gente [música] tem. Bora, bora com esse Marx. Hoje eu não vou poder esticar muito, então vou ter que ir conduzindo o papo. Pra ter que falar de dialética, mas esse é legal, vocês vão gostar do texto. É um artigo muito bom do Franz. Eu queria traduzir ele, eu até comecei, mas eu não consegui terminar a tradução, pra poder publicar, mas fica aberto. Aberto pra quem quiser publicar, eu consigo os meios. Pra fazer o o [música] pedido. É. Então. Deixa eu ver aqui. Se vocês quiserem traduzir esse texto que a gente vai ler hoje, consigo [música] os meios pra ter a os direitos. Eu comecei a fazer a tradução, mas eu tô sem tempo. E o mais importante não é que eu traduza, é que alguém traduza. Então se alguém aí se sentir inspirado, inspirada. [música] Pode traduzir o texto que a gente vai ler hoje, publicar, que vale muito a pena. Contribui pra as discussões. Marx. Bom dia, querido Gabriel, como é que você tá? Tudo bem? Espero que seja excelente. Bom dia, bom dia totalmente excelente, meu querido Gabriel. É Pedra que fala, viu? Bom dia, querido. Muito obrigado, Pedra. Perdão aí pela falta aí no cuidado do acento. Li Pedra. Olha que coisa irresponsável da minha parte. Bom dia, Pedra, como é que você tá? Tudo bem? Espero que seja excelente. Tamo junto. [música] Tamo junto. É que nem o o nosso querido camarada. Ryan. Eu sei. Se você falar Ryan ou Ian, Ian, como é que a gente vai chamar o nome dele? Eu vou botar os meninos matando aqui em casa, não tá vazando o som. Essa brincadeirinha deles começou a ficar séria, eu quase rasguei minha cortina. Não faça isso. Leonela. Minha cortina de lata. Tem dinheiro pra comprar outra não. Eu. Nosso amiguinho Franz, sobre o nome complicado. Isso vai ser o texto do nosso querido amigo Franz Beckenbauer. Franz Beckenbauer. Nome é mais, o nome tem, ele é, a grafia é mais esquisita do que o som, né? Beckenbauer. É isso. Que nem o meu sobrenome, ele não é tão difícil. Ele só, a gente, a gente só vê a grafia esquisita porque tem um K e um D no meio. Aí você fala, isso aqui é esquisito. Só que assim, aí o pessoal pergunta, como é que fala? Eu falo, eu também não sei, né? Também não sei. Como eu não, não, não faço ideia de como se fala na língua original, é do jeito que você lê. É do jeito que você quiser. E aí ninguém acerta meu nome. Nem o meu chefe acertou meu nome numa live que ele fez esses dias aí. Na verdade, ele desistiu de falar meu nome. Falou o nome de várias pessoas, na hora que viu Bruno e viu o sobrenome, falou, eita, que que é isso aqui? Aí ele abandonou e não falou meu nome. Só falou Bruno. >> [risadas] >> Me diverti, não vou negar. Imagina, diz nossa querida Pedro. Não, que é isso, pô. Estamos juntos. Bom dia, querido Rubens. Como é que você tá? Tudo bom? Como estão? Vindo do passado em 2 X. Já já estou sincronizado. Ah, estamos juntos, Rubens. Já já está chegando aí. Em 2 X você chega rapidinho. Eu fico imaginando como é que sai a minha voz em, em 2 X, né? Na velocidade 2.0 aí, o 2 X. Porque eu falo rápido, eu sei disso. E eu tento falar devagar aqui, hein? Diga-se de passagem. Mas eu sei que eu falo rápido. Uma vez eu tava, uma vez, ó, final de 2020, perdão, final [limpando a garganta] de 2024. Última vez que eu fui pra, a trabalho lá pra Cuba. E a gente tava no congresso. E aí o pessoal pediu pra eu fazer a síntese de um dia lá de discussões que a gente teve, pra uma das atividades do congresso. E eu falei, tá bom. Só que assim, na hora que tava no início do, era, e era bem no começo assim, dos, primeiro pro segundo dia, o pessoal falou assim, ó, pra galera que é espanablante, né? Pra galera que fala espanhol. Eu tô destreinado no meu espanhol, preciso falar mais. O ano passado eu passei o ano inteiro sem, sem praticar, né? Então, complicado. Mas o aí a gente tava, tava lá e o cara, o meu professor falou assim: "Ó, né, temos aqui bastante companheiros brasileiros, né? Tem muitos brasileiros e brasileiras aqui. Então, por favor, todo mundo que fala espanhol, vamos falar mais devagar, vamos falar mais pausado". Aí eles pediram pra eu fazer a síntese lá, né? Que eu tava na organização do congresso também. Eu falei: "Tá bom". Peguei a palavra pra fazer a síntese. Terminou, a galera curtiu pra caramba, ficou aquele alvoroço, tal. E era pra ser uma parada tipo de três minutos no máximo. Eu, e e quando alguém me dá um tempo, eu realmente respeito o tempo. Então, eu peguei o cronômetro, marquei três minutinhos, dale. [música] E lá lá em três minutos fiz a síntese do negócio, apresentei, fiz uma discussão, deixei uma provocação no final e tal, saí. Aí, no dia seguinte, um pouquinho depois, o pessoal foi se reunir, falou: "Bruno, você faz a síntese de novo"? Eu falei: "Faço". Aí eles "Só fala devagar, tá? Mesmo em espanhol. >> [risadas] >> Foi rápido demais. Era muita informação". Eu falei: "Opa, perdão. Vou falar mais devagar". Quer dizer, eu eu não consigo falar devagar. Eu tô, eu me esforço pra isso. É difícil. Então, imagine em 2x, cara, você deve tá sofrendo. Mas tem gente que consegue, né? >> [música] >> Não sei como. Diz nossa querida nossa querida pedra, isso significa é pedra, né? É. Imagino que sim. [música] Que é, que que que inclusive, o pessoal hoje em dia tem aquela discussão, não tem não, né? Ai, que bobagem que eu vou trazer aqui, mas perdão. Bobagem porque, ai, que saco ter que falar sobre isso. Na bolha, microbolha [música] crente do Twitter, o pessoal ficou muito incomodado que a Erika Hilton agora tá lá na comissão da mulher. E aí a discussão volta de sempre, né? É mulher, não é mulher, menininha, menininha, menininha, menininha. E aí tem gente que não chamou, aí um cara lá não chamou ela pelo nome dela, Érica. Nome social. Aí começa pá, pá, pá, pá, pá, pi, pi, pó, pó, pó. Aí eu sei que no meio desse negócio todo, eu sempre me lembro, e é importante lembrar, que a pessoa que mais tinha mania de ficar mudando o nome das pessoas para o nome social era Jesus, né? Ele olha para um cara chamado Simão e fala: "Teu nome agora é Pedro". >> [risadas] >> Acho que a gente podia começar a aceitar essa prática. Mudou o nome social, qual o problema? Olha para o Saulo virou Paulo. Aí que coisa incrível. É, vai mudando o nome das pessoas. E você, qual que é o seu nome? Frederico. Te chamo agora de Jefferson. Pronto, tá tudo certo. Inventa o nome social, tá tudo bem. Sobrenome eu escrevo e torço para o corretor acertar. É, basicamente isso. É, basicamente isso, Gabriel. Sobrenome a gente escreve e torce. Bom dia, querido Jones Miguel, nosso querido atleta, né? O o Jones, nosso querido Jones, ele pratica, ah, o triatlo. Ele trabalha o corpo, a mente e a capacidade auditiva enquanto acompanha as nossas lives, porque ele vai na academia, ouve o conteúdo e tá treinando escutar a capacidade com a capacidade auditiva acompanhar o papo, treinando o cérebro e o corpo ao mesmo tempo. Triatleta. Tamo junto, Jones. Bom dia, que bom que você tá aqui com a gente. Diz nosso querido Tiago: "Ele pode falar Bruno do barismo". É, o chefe podia falar, né? Bruno do barismo. Não sei se fica bom, mas pode ser. Bruno barista. Bom dia, querido Carapa, como é que você tá? Buenos dias, buenos dias. >> [risadas] >> Diz Tiago: "Carapa da estratégia de marketing barista chegou". Chegou, ele é incrível. Eu que sou péssimo. Eu Tá bom. Pedra, nossa querida Pedra diz: "Jesus defenderia o uso do nome social". Perfeitamente. Puts, enquanto eu tava falando você já tinha mandado esse comentário e apareceu aqui depois. Você tem toda razão, tem toda razão. Ele criava nome social pra galera, ele inventava nome pro pessoal, mudava o nome das pessoas. E a igreja é uma prática divina, né? Tem a famosa história de Abraão virou Abrão. Não, era Abrão e virou Abraão, né? Abrão virou Abraão. Aí filho do Abraão, o o Abraão teve o Isaque que depois teve um filho chamado Jacó e o e Deus vai e muda o nome do cara de Jacó pra Israel. Quer dizer, eles tem o hábito de ficar mudando o nome das pessoas. >> [música] >> A gente também tem que começar a aceitar isso. Qual o problema de mudar o nome? Bom dia, querido Borduna. Como é que você tá? O chat trevoso, sim, nosso chat é trevoso, Borduna, mas saudável e respeitoso. Que é um chat saudável com conversas totalmente excelentes. >> [música] >> Diz nosso querido Demetrius, como é que você tá, Demetrius? Tudo bom, mano? Espero, desejo que sim. Pra simplificar a vida das pessoas, agora me chamarei Zé. Pronto. Eu chamo a minha filha de Zé. >> [risadas] >> E eu não tô zoando. Porque é o seguinte, o meu pai, ele me chamava de Zé. Meu nome é Bruno e do nada ele fala: "Ô Zé, faz isso não, Zé". "Não, né, Zé?" Ele me chamava de Meu pai me chamava de Zé. Meu nome é Bruno, mas me chamava de Zé. Até hoje, vez por outra ele me chama de Zé. É, vez por outra é filho, raramente, mas normalmente é Zé. Zé ou cabeça. "Não, cabeção". "Ô, cabeção". "Não, cabeção". E Zé, né? É uma prática de bullying familiar gostoso. Com carinho. E ele diz Zé. E eu peguei esse hábito e eu chamo várias pessoas de Zé. Por que reproduzir como o meu pai me chamava. E aí eu chamo minha minha filha de Zé. "Ô não, Zé, faz isso não, Zé". Aí ela olha pra mim. Uma vez ela chegou e falou: "Pai, por que que você não Pô, muito engraçado. Pai, por que que você não me chama de Luna?" Eu falei: "É, desculpa, filha, é que o vovô me chamava de Zé e aí eu tenho mania de chamar as pessoas de Zé". Aí ela falou: "Ah, tá. Então tudo bem". Falei: "Então tá". >> [risadas] >> É Zé. Zé, pô. Diz nossa querida Pedra: Tem várias religiões que quando a pessoa inicia tem que mudar de nome também. Sim, claro, por exemplo, eu sei, ó, ó, ó que problema interessante. Nas aldeias Guarani e muitas comunidades de povos originários, o nome ele é dado depois de um tempo, vai ser um nome de acordo com a sua conduta, com as características que você apresenta durante a sua vida, começo da vida. Então vai ser um nome que vai vir carregado do significado de como a comunidade te entende. Mas na legislação brasileira você tem que dar o nome assim que você, que a criança nasce. Então tem o nome de registro, de documento e aí a pessoa é socialmente chamada por esse nome durante a vida toda, porque é o nome do documento e ela não pode mudar depois. Só que o nome dela mesmo é um nome que vai ser dado posteriormente. E ainda tem isso, que depois de um processo de ser adulto e de você passar por um tipo de, de ritual de passagem, né, de, de transição da [música] vida, da, da infância pra vida adulta, você também recebe uma alteração de nome. Só que no registro fica o nome que foi colocado no cartório quando a criança nasce. Então socialmente tem um nome que não é o nome como essa pessoa vive na comunidade. Doideira, né? Mas são coisas que a gente tem que pensar, cara. Assim, pode parecer bobagem, mas isso é muito sério, assim. Isso é muito sério. Pro ponto de vista formal, tosco, o cara fica meio, é, né, né, né, né, ah, tem nada a ver, não sei o que lá, mas tem, cara, tem, é importante, sabe? >> [roncando] >> Então é, é, é sério isso, assim. Vixe, peraí. Pronto, perdão, mas eu tinha um probleminha aqui de, pareceu urgência, mas não foi, Glória a Deus. Então, tipo, é muito louco isso, é uma parada muito séria, saca? Você tem um nome, que é um nome que fica registrado e que as pessoas vão te chamar por esse nome formalmente, mas o nome mesmo na comunidade, aquele que te coloca na vida, é outro, né? Eu e é engraçado, eu ganhei um nome novo. E eu fiquei muito honrado com isso. É, no lugar lá que eu que eu recentemente, né? É, fui eu dou aula, né? Eu recentemente fui rebatizado. Então, eu tenho um nome que meu eu Xamboiá, que é professor ou mestre, Xamboiá, Xamboiá Xamboiá Uerá, o Uerá, que é Bruno, seria o equivalente a Bruno, né? Se eu não me se eu não tô equivocado. Xamboiá Uerá. Xamboiá Uerá. Professor, ou né? Guia, professor, professor, mestre, sei lá. Bruno, Xamboiá Uerá. E eu adorei, eu fiquei muito feliz de ser chamado assim. Tipo, quando me chamarem assim, eu imediatamente responderei. Uerá, Xamboiá Uerá. Opa, tô aí. Adorei pra caramba. É massa. E aí a galera tem isso. E é umas coisas interessantes pra gente conversar sobre isso, né? Tem importante, importante. Diz querida Pedra: "Zé é pronome neutro". E mineirês é, como diz o nosso querido Portuna. Zé é gíria de mineiro pra chamar as pessoas. Exatamente, a gente chama as pessoas de Zé. Dá-lhe Zé. Diz o nosso querido Demetrius: "Necessidade confirmada ao vivo, você chamou de Demetrius e o meu nome é de Demitrius". Pra você ver como é complicado, né Demitrius? >> [risadas] >> Perdão. Perdão aí que a gente ai Jesus Cristo, a gente só dá mancada. Diz querido Rubinho: "Sua filha ainda foi compreensiva, aceitou ser Zé pela tradição que passou do vô pro neto". Exatamente, e vai se estender aparentemente. Diz a nossa querida Pedra: "Em algumas sociedades o nome muda depois da morte". Também, é verdade, é verdade. Cara, é muito legal esse lance do nome, eu acho muito, muito massa. Ter um nome com significado, acho muito bom, né? Um nome que não seja só esse de registro, tabulação, sei lá o que lá. Um nome que conecte você com uma trajetória, tal. É massa, eu gosto. Bom dia, querido Fernando Templário. Bom dia, Bruno. Eu estava no nosso Alto Conselho Barista, conversando sobre um ótimo anime que estou assistindo. Vale a pena recomendar. Se chama Record of Ragnarok. Record of Ragnarok. É [música] um anime com o nome Record, me parece que é em inglês, of, Record of, e Ragnarok. É um nome zlá, nórdico, [música] sei lá. Olha a globalização que ela tem feito com a gente. Que legal. >> [risadas] >> É verdade, o Pedro que tá comentando aqui. Ah, na língua brasileira de sinais também se recebe um novo nome, um sinal próprio. Eu tenho o meu, letra B, buraco aqui na bochecha, faz assim, ó. E tem o sorrisinho, né? É o meu, fui batizado com esse nome. Então, esse é o meu sinal, né? Faz a letra B e aqui. Legal. É legal essas coisas, acho massa. Pô, a gente ter que usar um nome com significado é bom demais. Bom dia, querido Vitor Wakai. Como é que você tá? Tudo bem? Espero e desejo que sim. Olha que papo massa que a gente tá tendo logo no início aqui sobre nomes. Nosso querido Gato com miqui rose. Gato é um gato. Com com Hum, cirrose. Ah, eu estava juntando as letras, o que significa que ele tá embaralhando tudo. Você é um gato com cirrose? >> [música] >> Meu amigo, excesso de álcool em felinos realmente deve ser perigoso. Fica aí uma orientação para você ir ao médico urgentemente, tratar dessa cirrose aí. Que perigo. Bom dia, Bruno. Bom dia. Gato com cirrose. Pergunta aleatória. Totalmente aleatória. Para uma ontologia do ser social, entre aspas, de Lukács, é uma leitura boa de ser feita para alguém que está iniciando no marxismo? Necessita de muito repertório filosófico? Hum. Boa pergunta. Quanto tempo de vida você ainda tem, de acordo com o grau de cirrose que você tá com, é comprometido e acometido, né? Se você conseguir me explicar quanto tempo de vida você acha que ainda tem. Mas também que gato tem sete vidas, então não sei se na sua nova vida você ainda vai manter a cirrose ou se ela vai desaparecer. Algo a ser investigado. Mas dito isso, cara, eu sou do time do seguinte, mas é coisa minha. Livro a gente lê. A gente lê. Ah, salvo de mais repertório, a gente a gente sempre vai estar faltando alguma coisa. Sempre vai estar faltando alguma coisa, a gente sempre vai ficar em em déficit. Depende do nosso interesse. Se eu quero ler para por uma questão de desafio, de aprendizagem, de aumentar meu repertório, qualquer leitura é leitura. Umas vão ser mais difíceis, vão demorar mais, outras vão demorar menos. Só não posso ter pressa. Que se meu objetivo é ganhar repertório, entender as coisas, essa é minha minha opinologia aqui. Lê. Não precisa entender absolutamente tudo numa primeira leitura. Você não precisa sacar tudo que tá significando em cada linha. Não, busca as ideias centrais, aquilo que mais te chama atenção. Se não é uma questão de estudos, tipo, formal acadêmico, lê o que te interessar, o que você tiver gostando. Não tem essa crise. Agora não, eu quero aprender o básico sobre uma discussão marxista, >> [música] >> é Aí eu Aí é mais interessante ir para introduções, né? Introduções. O famoso Marxismo em 15 minutos, brincadeira. Mas tipo, a introdução ao Marxismo lá, Introdução ao Marx, eu não lembro o título do do livro do Zé Paulo Neto. Introdutório, é organizadinho, ponto a ponto. Tem um do do Isaac Rubin. Caraca, qual que é o como é que é o título desse livro? É uma introdução excelente. Também. Antiga. Putz, eu não vou lembrar. Vou ter que pesquisar. Ah, minha memória tá muito ruim, cara. Eu tô muito cansado, então meu cérebro tá lento pra caramba. Teoria marxista do valor. É bem legal. É uma intro Ela é Ela é acessível, ela é muito qualificada, ela é linha a linha. Dá pra ter discussões interessantíssimas, então é uma leitura legal. Ah, e e aí eu iria pra essas pra introduções assim, mais interessantes. Se seu objetivo é a a é pegar mais rápido referências e tal. Quando seu objetivo é se desafiar, aumentar repertório e lendo, vai lendo, cara. Lê o que te interessar, pede ajuda, pede pede apoio. [música] Não precisa entender tudo de uma vez, né? Vai devagarzinho. Leitura de texto filosófico, inclusive, não não é tipo leitura que nem jornal, né? Que você lê ali pra pegar uma informação e rapidamente bater o olho e tal. Não é uma leitura como se fosse um romance, você tem que ir devorando e tal e fazendo todas as conexões. Não, leitura de textos filosóficos, de textos cabeçudos desse grau de intelectualidade, o mais importante não é o quanto você lê, mas o quanto você capta daquilo que você tá lendo. E talvez você tem que ler três, quatro, cinco vezes, né? Por isso que depende do interesse. Então, fica aqui muito aberta, né, às suas escolhas >> [música] >> dentro dessa grande janela que eu acabei de comentar. Bom dia, querido Felipe. Como é que você tá, meu bom? Tudo bom? Primeira pessoa santificada em vida, beatificada em vida, Felipe. Felipe aqui pela igreja marxista do YouTube. Bom dia, meu bom. Tudo bem? Como é que você tá, mano? Querido Rubens, eu tava lendo Ailton Krenak, Futuros Ancestrais. Ele comenta sobre como a visão da relação adulto criança apenas para adulto ajudar a criança desenvolver o espírito que ela já é. Cara, é muito massa isso. E a galera que acha que é um bagulho meio espiritualista, sei lá o que lá, não, não, não, não, isso é um modo de vida mesmo. Tava lá trocando ideia com o camarada na aldeia e a gente começou a conversar sobre filho, né? Sobre como é que é a relação de criação de criança em casa. Como é que eu cuido da minha filha, ele falando sobre a o filho dele e a gente começou a trocar. E ele tem mais filhos que eu. E aí ele falou: "Na nossa tradição, a gente >> [música] >> tem o hábito de de tá sempre vigiando e acompanhando a criança, vigiando tipo de cuidado, né? Tá sempre de olho, tal, não sei o que lá. E quando acontece uma coisa, eh, a relação não é de bronca, de briga, tal, não sei o que". Você vai chamar atenção, tem várias questões ali que são de disciplina, de disciplinaridade para você sobreviver em comunidade, tal. Mas falou: "A gente chama para um momento momento específico, senta para ficar na mesma altura da criança para a gente conversar sempre em pé de igualdade". Eu achei mó legal. É um tipo uma responsabilidade do guiar a criança. É isso que você comentou. Eu achei muito massa assim. Tô aprendendo, né? Eu tô aprendendo. Hum, turum, tchum, tchum. Diz o nosso querido Fernando Templário: "Não recomendo dar 70% para um gato quente". Gente, um gato quente. 70% dará algo 70% para um gato quente. É, eu também não acho não é recomendável. Nem para ninguém. Isso daí é outra coisa. Diz o nosso querido Borduna: "Sobre o Kautsky, José Paulo Neto tem ótimos livros introdutórios sobre esse autor". Sim, o Zé Paulo Neto tem ótimos livros introdutórios sobre tudo. Eu gosto. Acho legal. Tem várias considerações, várias discussões, mas é bom, cara, é bom, introdutório, explica bem, [música] é isso que importa. Didático para caramba. Diz o nosso querido Carapa: "Tô fazendo a pós assim, sem entender absolutamente nada". É assim que a a faz as coisas. Todo mundo finge que tá se entendendo e a gente vai levando a vida pra frente. >> [risadas] >> A vida é isso, cara. Dentro da universidade, no geral, a gente vai levando e uma hora as coisas entendem. É que a gente tem uns tempos pra fazer as coisas que eu acho que pra mim não faz sentido nenhum, assim. Cara, pra ler a porcaria do Capital, quantos anos eu levei? Ô, mano, foram anos, anos lendo. Por que é puxado, difícil e vai e vem e volta e lê de novo e baixa e vem pra cá e vai pra grupo de estudo e monta grupo de estudo e monta grupo de comentário e bota. Um trabalho da bexiga. Você acha que vai entender em seis meses de eh sei lá, sociologia um, pensamento marxista e contemporâneo? Não vai, mano. A gente a gente é maluco, a gente tem um comecinho de ideia em alguma estrutura formal pra depois de seguir a vida pesquisando e trabalhando. Esses tempos faz sentido. Diz nosso querido Rubens, correto. É importante saber que você pode abandonar um livro sempre que quiser, sempre. Eu demorei pra entender isso. Não, mas entenda com facilidade, minha gente. Pode abandonar o livro. A chave começou, tinha que terminar, mas às vezes o livro só não é pra você. Não. Exato. E nem dá pra saber tudo tudo. Diz nosso querido Felipe, lembrei do vídeo do professor Clóvis, tem que ter brilho. Você tem brilho. Você tem brilho. Ele escreveu, você só tem que entender aquela merda. Eu adoro isso, cara. Esse >> [risadas] >> vídeo é maravilhoso. Esse vídeo é maravilhoso. Você só tem que entender aquela merda. O Clóvis é muito bom, cara. Brilho, você tem brilho. Diz nosso querido Rubens. Pergunta Pedreira. Bruno, você é profe em escola indígena? Em licenciatura em educação no campo, tem estudantes indígenas, Guarani. Diz nosso querido Gabriel: "Eu li Grabber na bri na bri no brio". Grabber gra Ah, o nome difícil. Graeber. Pra mim seria Graeber, mas tem que falar Grabber. Mas é Graeber. Que é um nome estranho, Graeber. No brio, na base do ódio. É, tem várias coisas que a gente lê. Levinas. Levinas eu li batendo a minha cabeça no livro com raiva. Daqui a uma hora eu vou entender isso aqui. Ensaio sobre os dados imediatos da consciência, do Henri Bergson. Meu amigo, essa porcaria Eu tenho Eu tenho memória fotográfica do livro. Que na verdade nem era um livro, eu tinha uma xerox espiralada de Ensaio sobre os dados imediatos da consciência. O que eu apanhei desta porcaria, mas valeu a pena. Nossa, quantas horas de trem voltando pra casa falando: "Meu Deus, não é possível, eu fui alfabetizado. Eu vou entender isso aqui. Eu fui alfabetizado, não é possível". >> [risadas] >> Fazer o watch. Diz: "Olá Fazer o watch, bom dia meu querido. O que é ser fazer o quê? Fazer o watch". Não precisa ler capital, algum influenciador de esquerda aí. Ih. Não, se você não quiser, aí não precisa ler mesmo. Mas agora quero conhecer. Bem-vindos ao mundo, né? Só passando pra dar bom dia. Bom dia, meu querido. Diz nosso querido Fernando Templário: "A bronca só cria rebeldia. Compreensão do erro não é apoiar, é partir do princípio que pode melhorar pra tentar não cometer mais". Exato. E os efeitos negativos que vem de determinadas ações irresponsáveis. E eu nem tô falando sobre coisas muito grandes, sobre coisas pequenas, importantes. Diz nosso querido Fazer o watch: "Essa aula do Clóvis é absurda". É absurda. É maravilhoso. >> [risadas] >> Você tem brilho. Você tem brilho. >> [risadas] >> Diz: "Só tem que ler aquela merda". Eu cara, eu adoro essa entonação de voz que ele faz, é muito bom. Ele Ele é um cara que conta história bem demais. Teve um vídeo recentemente que deu uma viralizada de 10 minutos dele contando numa palestra que ele foi dar no encontro XYZ e aí tava lá o cara lá, o o Nash, aquele matemático, esqueci o nome dele. Fiz Steven Nash na minha cabeça, mas esse é outro, é o do do basquete. [música] Mas o o Nash lá do que era matemático, que tava na palestra, que viu ele, que falou com ele, né, o cara Nobel matemático. E ficou do cara apoiando ele para ser um bom palestrante. Ele deu uma aula, disse que deu uma palestra incrível e que é o Nash tinha uma aula, o Nash tava assim e isso dando apoio para ele e tal. E é um é um vídeo maravilhoso e no final ele disse que o o Nash falou: "Pô, eu não me satisfiz assim, tipo, OK, fiz meu trabalho e tal, mas eu eu tenho alegria hoje em poder impulsionar as pessoas, é isso que mais me satisfaz". E eu assisti esse vídeo, são 10 minutos do Clóvis contando essa história, que é maravilhosa. E aí eu terminei, eu tava com o olho cheio d'água, cara, porque eu só cheguei até aqui por causa de gente que nem o Nash que é gente gabaritada, graúda, que é gente incrível que dá apoio, dá suporte, tá ligado? Que te fala: "Mano, é isso aí que você tem que fazer. Vai, isso é bom, pô, você é bom no que você faz. >> [música] >> Vai tranquilo e tal". E eu tive essas experiências assim com gente muito nossa com o Dúcio. O Dúcio me apoiando no meu trampo, apesar de eu ter dado uma mancada com ele no dia que a gente se conheceu. Uma não, né, uma mancadassa. Só história boa. O o o Dúcio, o próprio Rick Lambert, o Juan Gonzalez Batista, o Segales o Ricardo Quadros Gouveia, para quem é crente, né? Cara pô, mano, ele foi muito generoso num dia e e me fez bem para caramba, cara, assim, caramba, velho. Que da hora, né? São umas histórias assim que me me impulsionaram. E aí isso me ensina muito, porque são uns caras muito, [ __ ] das galáxias, a Nanci Cardoso, a Nanci Cardoso me amadrinhou, ela me salvou, ela me, abriu portas que eu jamais teria. E a gente falou cara, é isso. E essa galera que é gigante e que tá apoiando quem tá vindo, tá ligado? Isso é bom demais, cara. Isso é bom demais, mano. Isso é bom demais. E eu me inspiro nisso, eu falei pô, no que eu puder contribuir para as pessoas poderem ter suas oportunidades, se sentir, se incentivar, se animar, fazer dentro das suas possibilidades, as suas potencialidades, os lugares que puder. É isso, mano. Sabe? A gente tem que se ajudar. A gente tem que se ajudar. Tem que se ajudar. Né? Isso é importante, importante. Diz querida pedra, [ __ ] demais, deve ser. É, do lance da aula, né? Pô, eu gosto, eu tenho muito orgulho de fazer isso. Sou professora de biologia e ciências. Que da hora, que massa. Querida profe, colega de profissão. Tamo aí junto na nossa classe. Que da hora, que da hora. Diz querido Rubens, precisa ler? Não precisa, mas aí também não pode falar sobre. É, concordo, né? Concordo [música] plenamente. Bom dia Kleber, como é que você tá, meu querido Kleber Lauer? Diz Kleber, sabe que fiz uma pós em matemática pura, três semanas depois estava chorando em casa porque não entendia. Chorei mesmo, terminei e deu tudo certo. É isso, no primeiro momento a gente se assusta, a gente fica desesperado, a gente fala não tô entendendo josta nenhuma, mas no final a gente vai sobreviver, gente. Calma, não precisa se desesperar, de verdade. As pessoas acham que eu falo isso só para confortar, não, é verdade. Vai tranquilo, vai tranquilo, vai tranquilo. Não não precisa ser o, entender tudo, só precisa tirar o diploma. É isso que a gente tem que fazer. O foco é, faça o necessário para tirar o diploma e absorva o máximo que eu puder dentro do que eu tiver condições. Porque é para isso, não é para sair de lá o Nobel da matemática ou o gênio da filosofia que vai marcar a história. Não, cara, para a gente fazer aquilo que a gente puder, absorver o máximo, desfrutar o processo, tem que desfrutar do processo e vida que segue, né? Isso faz muito bem para a gente. Faz muito bem. Isso é importante. Falo isso real, assim, não é [música] zoeira não. Diz nosso querido Gabriel: "Fofoca pela metade mata". Mata. Então tá, vou contar fofoca. São muitas fofocas. Vou contar algumas. Aí eu vou eu preciso ler o bagulho, mas vou contar umas fofoca legal. Vamos lá, fofoca legal. Seguinte. No ano da graça de 2015, eu entrei no mestrado [música] em filosofia na Universidade Federal do ABC para estudar filosofia da libertação, filosofia latino-americana. Fiz um projetinho, passei por todo o processo seletivo, consegui a bolsa CAPES, fiquei em segundo lugar no processo seletivo. >> [música] >> Por isso que eu consegui a bolsa. Entrei. Feliz, feliz. Eu acho que o resultado saiu em julho, finalzinho de julho, começo de agosto. E eu já tava aqui, ó, sorriso orelha orelha, já tinha tido o meu primeiro encontro com o orientador, né? Daniel Pansarelli, que ia ser meu orientador. Conheci ele no processo seletivo, né? Não conhecia ele antes. Conheci ele na banca de de da entrevista do mestrado. Porque tem várias etapas do processo seletivo, uma delas era uma entrevista, que é entrevista para você ingressar no mestrado. E ele tava como um dos dos entrevistadores, porque afinal eu tinha indicado ele como orientador. Só que eu não conhecia ele, o Daniel, que eu carinhosamente chamo de Dani hoje em dia. Aí tava nesse dia eu, Daniel e a coordenadora então do curso, que era nossa querida Luciana Zaterka, excelentíssima professora espinozana que dá uma aula. Eu nunca vi ninguém ler um texto da maneira que ela [música] lê. É um negócio assim, cara, bizarro. É da hora, excelente. Dito isso, não conhecia ambos, né? Mas eu tava na entrevista >> [música] >> e aí a Luciana, que era a coordenadora, falou assim: "Você indicou aqui como seu orientador o professor Daniel Passarelli. Aí eu falei: "Isso". O professor Não, ela ela deixou no ar. "Você indicou aqui o professor". Eu falei: "O Daniel Passarelli". Aí ela: "Este rapaz aqui ao meu lado". Eu Aí eu falei: >> [música] >> "Rapaz não, senhor, né? Tem até cabelo branco". >> [suspirando] >> Ai, a minha boca vai mais rápido do que o bom senso. E aí aconteceu isso. E aí eu falei: "É, hoje eu eu entrei ou eu saí"? Ele olhou para mim O Daniel fez assim: Ele fez Ele deu uma olhada tipo: "Oxe, que ousadia dessa criança aqui". Imagina isso, que faz 12 anos, gente, 12, 13 anos. Não, 11 anos, 11 anos atrás. Ah. E a cara é hoje de criança, 11 anos atrás era pior. E aí ele olhou com aquela cara meio torta assim: "E aí, mano"? E aí, beleza. Mas passamos e sobrevivemos. Mas dito isso, em setembro, comecinho de setembro, nesse mesmo ano, antes de começar as aulas do mestrado, um pouquinho antes de começar as aulas do mestrado, o Dussel ia dar uma passada aqui na América aqui no Brasil, né? Ele tava fazendo umas viagens, passou aqui no Brasil, queria tá fazendo escala no Brasil. E aí ele ia ter uma escala, acho que de 9 horas, 12 horas, sei lá, uma janela relativamente grande. E os cara conseguiram armar nessa janela uma palestra para ele dar. Mas isso assim, foi de um dia para o outro. Sei lá, era quinta-feira, ficou sabendo disso, sexta-feira os cara montaram a palestra, domingo ia ter o o evento, na janela que o Dussel ia tá passando aqui, o Dussel ia dar a palestra e ir direto para o aeroporto e ir embora. Foi lá na Federal do ABC, em Santo André. Organizaram, juntaram lá a parada, fizeram muito rápido esse esse evento. Juntou vários coletivos, tudo improvisado, chegou lá e eu e eu moro longe para caramba. E o Daniel só me mandou uma mensagem, ó, acabaram de armar uma palestra aqui, na semana, [música] quinta ou sexta-feira. Armaram uma palestra aqui, o Dúcio vai estar aí. E você vai estudar o Dúcio, vale a pena você vir. Eu falei, eita, vamos. Cara, viajei para chegar nesse lugar, porque é longe para caramba de São José, de onde eu moro. Aí eu fui. Chegamos lá. Cheguei animadíssimo, domingão, almocei com a família e fui. E aí eu estava ansioso, menino, meninão ansioso, filho, vou, vou ver o meu ídolo, vou ver aqui o meu ídolo. Vou ver aqui. >> [risadas] >> O, o pessoal vestido de Mundo Bita, né, vou ver aqui o. Criança vendo, vendo. Teatro do Mundo Bita, vou ver o Bita. E aí tá, e eu, o Dúcio estava lá, e eu fui animadíssimo. E eu cheguei e a galera ainda estava, nem tinha chegado, aí chegou a galera da organização, começou a ajeitar as coisas, eu falei, pô, posso ser útil? Ah, claro, você não quer ajudar a gente? Aí pá, comecei a ajeitar as coisas. Estica a coisa aqui, ajeita lá, pá, [música] não sei que lá. Pá, beleza. Show. Aí eu. Sentei no meu lugarzinho e começou a encher o, o auditório. Só que eu sentei no meu lugarzinho lá e quem que entra e senta do meu lado? O Dúcio. Aí eu já estava. Eu falo ou não falo? Converso ou não converso? Puxo papo ou não puxo papo? Não, não vou puxar papo, não sou maluco. Vamos aqui, fingir naturalidade, normalidade, estamos de boa. Suave. Fingir normalidade. Beleza, só que aí chegou mais uma galera, chegou uma senhora, eu levantei para a senhora sentar, levantei para, para, para a senhora sentar, eu fiquei de pé, vou ficar de pé. Ajudar aqui o evento, né? Cara, o auditório lotado. Gente sentada no chão, aquela coisa toda. Pido de gente. Porque foi tudo feito na, às pressas. E aí eu estou lá. E o Dúcio, os caras improvisaram um microfone, ligando em uma uma caixa de som velha que tinha lá. Que ficava presa perto do computador e fixa no chão. E aí o Dúcio puxava o microfone e o microfone não chegava, porque ele queria desenhar na lousa, então o fio ficava esticado e ele ficava todo desconfortável. E isso ficou atrapalhando o pessoal nos primeiros minutos ali. Aí a moça da organização, uma das moças chegou no meu ouvido e falou assim: "Vai lá, empurra aquela caixinha de som ali para ficar mais fácil para o Dúcio". O meu cérebro disse para eu não fazer. Ele falou: "Isso vai dar errado". Mas o meu corpo, imediatamente na adrenalina, falou: "Por que não"? O resto do corpo foi. E eu empurrei, eu sabia que ia dar errado. Eu no caminho pensei: "Vai dar errado". E eu empurrei a caixinha de som. Na hora que eu empurrei a caixinha de som, os fios que estavam presos, fixados no chão, tudo soltou. Era uma estrutura bem rudimentar. E o Dúcio estava falando aqui: "Pum"! Sem, cara, ele estava saindo o som da caixinha de som e "Vum"! Aí ele virou, olhou para mim assim. E eu saquei que deu merda. Aí eu olhei para a cara da galera fulo da vida, né? Tipo: "Meu, eu vou matar essa criança. Que que ele tá fazendo aí"? E eu: "Acho que ficou pior, né"? Eu olhei na cara do Dúcio e meti um: "Acho que ficou pior, né"? >> [risadas] >> E a galera chegou, montou o som, tal. A gente tava pedindo, tal. Em minutos tava resolvido. Só que tipo, foi essa a minha primeira, meu primeiro contato com, com, com o homem. Aí beleza, ah mano, já foi, né? Não adianta chorar pelo leite derramado. >> [risadas] >> Aí dane-se, vamos sobreviver. Tava boa a palestra. Eu Eu o meu livro da ética da libertação. Eu falei: "Pô, vou pelo menos pegar um autógrafo desse homem". Aí eu cheguei lá, né? Ele olhou para mim, tipo, não sabe se ri, se chora, se fica bravo, o que que ele faz? Aí eu cheguei lá, falei: "Pô, professor, seu trabalho me influencia muito, cara. Eh, nem falei pedir desculpa nem nada. E, será que o senhor poderia me dar um autógrafo assim, marcar meu livrinho aqui, porque eu não sei quando a gente vai poder se encontrar de novo, né? E seu trabalho me influenciou muito, tal, não sei o que lá". E eu fui o único que levou o livro do Dussel para para ele assinar. E eu levei o ética da libertação com capa tal dessa lata, assim. E aí ele olhou para mim, abriu o livro assim, falou: "Ó, a primeira parte desse livro aqui, eu considero como sendo aquilo que mais importante que eu escrevi na minha vida inteira. Primeira seção, primeira parte aqui do livro é a coisa mais importante que eu escrevi na minha vida". Aí eu entendi e falei: "Fica a dica, né, meu irmão". Eu mudei o meu projeto de pesquisa na na volta para casa. Eu estava voltando para minha casa. Eu ia pegar trem, ia ser uma longa jornada para casa. Eu animadíssimo, mudei meu projeto ali, falei: "Eu tenho que reler esse bagulho aqui da primeira parte da ética, alterar a minha minha toda a minha orientação da produção tendo aqui como fundamento, como crivo, para conseguir reler a obra do Dussel em outra perspectiva". Ele acabou de me dar uma letra muito importante. E eu voltei para casa com isso e refiz o projeto na semana seguinte a encontrar o Daniel, eu já falei: "Daniel, eu tenho aqui alterações para fazer, mano". Aí eu vol- voltei lá, apresentei para ele a ideia, contei a história, ele falou: "Não, cara, é isso aí, isso aqui é sensacional o que você tá fazendo aqui, brilhante. Vai nessa linha". E aí foi legal, aí foi massa. Mas esse foi o meu contato com o homem. >> [risadas] >> Faz umas coisa também que eu vou te contar, né? >> [risadas] >> Ai, ai, como eu disse, eu é. Vou dizer que eu deixei eu Essa é a história que eu conto, quando eu vou contar ela, eu falo assim: "O dia que eu deixei o Dussel sem palavras". Ele ficou sem palavras diante de mim. Afinal eu desliguei o microfone dele. A vida tem dessas coisas. >> [risadas] >> Mas aí beleza, depois a gente se encontrou outra vez e eu consegui, eu mandei um projeto de trabalho para um congresso de filosofia que ia ter no México. Meu projeto foi aprovado, aí eu busquei financiamento com a universidade, apoio para a galera lá do, para a gente conseguir, para conseguir me hospedar. Fui para lá. E aí eu encontrei ele. E aí eu encontrei ele lá de novo, a gente almoçou junto, a gente ficou um tempo junto, ele assistiu minha palestra, foi mó daora. Meu, minha apresentação de trabalho, não é palestra, é minha apresentação de trabalho, ele foi lá, pá. Aí apresentou. Foi daora. [música] Aí a gente conversou sobre depois. Aí, durante a pandemia, a gente tava fazendo encontros regulares, que eram seminários da Associação de Filosofia e Libertação Mundial. E aí eu tava junto lá nesse rolezinho e ajudando a galera. E aí foi massa. E a cada dia alguém levava uma tese, apresentava e ia para a galera discutir. E aí eu levei a minha, que era bem ousada, modéstia à parte. E aí eu falei: "Pô, vou, vou meter essa aí". E os caras falou, acho que foi no segundo encontro, o terceiro, falou: "Bruno, você não faz aí"? Falei: "Faço". Aí eu fui. É, no que eu fui, no que eu fui e apresentei o Dussel, assim que eu terminei de falar, eu terminei de apresentar minha tese, deu para ver que a galera gostou, curtiu. O Dussel pediu a palavra. Pediu a palavra e aí ele curtiu e falou: "Pô, massa, pá, não sei o que lá". A gente teve uma conversa ali. Ele falou: "Mas eu tenho uns apontamentos para fazer". E aí ele puxou o debate. Fez uns, uns comentários, umas críticas e tal. Falei: "Eita, poxa". Fiquei: "Caraca". Aí eu tinha que anotar. Aí eu respondi. Falei: "Ah, pô, massa, mas eu queria falar tal coisa". Aí ele respondeu. E aí o cara que tava mediando falou: "Bruno, você quer responder?" Eu falei "Bom, posso, mas é que eu acho que ninguém mais vai falar, né? Porque a gente vai ficar aqui a noite inteira". Aí começou a circular a palavra pras outras pessoas fazerem comentários, apontamentos e começou a discussão, comentário, apontamento. Galera, em vez de falar comigo tava falando com o Dúcio, né? Aproveitando que o Dúcio tava online. E esse dia foi muito da hora, cara. Eu queria muito ter essa gravação inteira. Não tenho mais ela inteira. Mas enquanto eu tava falando, aí tava o Gonçalo Batista Segales, a Cátia Comenales, o Dúcio, entrou o Ramon Grosfoguel, o Santiago do Castro Gomes. Tava toda essa galera no bagulho e eu apresentando minha tese, tá ligado? E aqui, ó. Tá, não passava um Wi-Fi, velho. Eu tava nervosíssimo, mas foi legal. Aí a galera discutindo, pá, pá, pá, pá, pá, pá, não sei o que lá. Aí no final, o mediador fala assim "Mais alguém gostaria de falar alguma coisa?" Aí o Dúcio abre o microfone e fala "O Bruno". >> [risadas] >> Tipo, pô, mano, faz ele querer, quero que ele responda a minha parada aí. Responda a minha parada. Aí o o mediador, que era o meu vizinho de infância, mas ele falou assim "É, Bruno, eu acho que o pessoal tá insistindo aí pra você participar". Eu falei "Bora". Foi muito massa, velho. Foi muito massa. Gostei pra caraca. Foi uma experiência única, única, única, única. Eita, que coisa da hora. É muito da hora, muito da hora. E aí é uma galera tipo muito muito massa, porque é uma galera super firmeza, ponta firme, humilde pra caramba e que incentiva a gente. Se incentiva a gente, eu posso eu quero fazer a mesma coisa com as pessoas, tá ligado? Eu quero incentivar as pessoas pra fazer as parada legal. Então foi foi muito da hora, foi muito da hora. E aí o Pô, minha experiência é muito legal. Tem E teve uma vez, aí eu vou a do Ricardo Quadros Gouveia. Que pra quem é crente é um cara bem importante, assim. Bem mesmo, né? Anda mais sumido porque ele também, pra evitar dor de cabeça, se isolou no Canadá e tá lá trabalhando com os bagulho que ninguém entende. É difícil acompanhar o moço, mas ele é um gênio, né? E o Ricardo Quadros Gouveia. Eu tava fazendo seminário, teologia, adolescente, molecote de tudo assim, comecinho de juventude, final de adolescência, comecinho de juventude. E tinha acabado de começar a graduação em filosofia. Já tava fazendo seminário, pra, né, estudando teologia. E ia ter um congresso de teologia que ia ser uns dias lá. E aí não ia rolar pagar o bagulho do congresso. E aí fizemos um bem bolado, porque ia ser num lugar que eu trabalhava nas férias de recreação, que era uma missão religiosa. E eu trabalhava lá, porque era uma recreação infantil e adolescente, não sei o que lá. E minha vida inteira, eu cresci lá praticamente trampando nas férias. E aí eu falei, aí eu fiz, fizemos um bem bolado lá. Pô, pô, você vem. Você trampa na cozinha, na limpeza ali da cozinha e essas coisas, né, de de serviços gerais junto com a gente. E você acompanha as palestras à noite e de manhã. Tá bom, bora. Vai tá com os cara grandão lá, ouvir umas palestras da hora e entre eles ia tá o Ricardo Quadros Gouveia. Queria muito trocar ideia com ele. Porque eu entrei na faculdade muito animado em estudar Søren Kierkegaard. E ele é um dos grandes caras que manja de Kierkegaard no planeta Terra. Eu falei, pô, vou ler, vou tá com esse maluco aí, quero pá. E eu não lembro que texto eu tinha lido do Kierkegaard, mas eu tava assim, eu tava devorando o Kierkegaard, assim, tava lendo tudo, não entendia nada, mas achava que tava manjando tudo. Valeu no muito. E aí teve um dia que tava o o Ricardo Quadros Gouveia, outros dois cara lá e em vez de eles saírem do refeitório, eles ficaram tomando café e rolando ali no refeitório, trocando a ideia à tarde. O Ricardo ia dar uma palestra de manhã. E ia dar à noite e à tarde eles ficavam ali depois do café trocando ideia. E eu tava limpando o refeitório. E aí eu fiquei, mano, eu acho que eu levei, assim, eu fiquei uns 20 minutos limpando o mesmo quadrado só pra ficar ouvindo os cara conversar, tá ligado? Você fica ali. E tal. E aí, molecote admirado, queria só ficar ouvindo o papo, ficava lá. 20 minutos no mesmo quadradinho ali. Só para ouvir os caras trocando ideia. E não, beleza. Dei uma limpada, deixei quieto e e dei aquele migué de sentar ali perto assim, como se tivesse descansando do pós trabalho. Que ele ainda dá um miguézinho, tal. Aí dali a pouco eu não lembro qual foi o tema. Eu não lembro a discussão. De verdade, não lembro. Mas eu lembro que um dos manos fez uma pergunta para o Ricardo Quadros Gouveia e ele respondeu discutindo o negócio do Kierkegaard lá. Não, porque o Kierkegaard não sei o quê, mas eu não sei o que ele faria diante desse tema, tal. E aí eu lembro que tinha alguma coisa a ver com com discutir a estrutura literária, como como o Kierkegaard a partir de comentários que ele faz sobre a estrutura literária, né? De isso de de de romances, essa coisa toda. Questões que tem a ver com compreensão de fé, de amor, da realidade, um negócio assim. Era uma parada dessa, não lembro muito bem. Eu lembro que aí eles estão conversando, eu falei Mas eu acho que o Kierkegaard, como ele fala naquele texto, tipo, eu As cabeças virou para trás assim, ué? De onde é que tá vindo aí? E era eu falando, eu acho que o Kierkegaard, porque eu li um texto esses dias e ele disse assim, assim, assim e falei um negócio. Aí ficou aqueles segundos de Oxe! Aí um dos manos que tava lá, era um mano que era pastor na minha igreja. E ele com a cara tipo, mano, o que que você tá falando, velho? Se liga, doido. E aí o o o Gouveia >> [risadas] >> O Gouveia fez assim Rapaz faz muito sentido isso que você tá falando. Porque nas obras de amor Kierkegaard fala não sei o quê, não sei o quê lá, tarará. Você não acha? E eu falei, olha, não sei porque eu não li esse livro ainda. Mas e aí eu fui lá e sentei na mesa com os caras e comecei a trocar ideia e já peguei o cafezinho, né? Tomando um café >> [risadas] >> que aí já tá aqui, meu amigo, termina o serviço. Aí tomei o cafezinho, comecei a papear e ficamos ali maior cota trocando ideia, pá, não sei o quê. Aí ela acabou, cada um para o seu canto. Foi ter palestra à noite, eu não ficava com a galera no no auditório. Eu ficava com o pessoal na mesa do som. Então, quem tava lá, lá falando, não necessariamente me via. Então, eu entrei lá no negócio, ia começar e o Gouveia ia dar a palestra dele, ele começa a palestra dele assim: "Hoje eu aprendi com o jovem Bruno ali no refeitório". Cara, eu só via as cabeças da galera, eu sabia que eu tava ali atrás assim. Aí eu >> [risadas] >> E aí depois que acabou, ele veio trocar ideia comigo, porque ele viu que eu tava lá, tava não sei o que ele falou, aí ele falou: "Pô, cara, muito legal isso que você falou, vou ter umas coisas pra gente pensar e tal. Continua que você tem, tem futuro. Continua que você tem futuro". Eu falei: "Pô, que da hora, que da hora". Aí na minha qualificação do mestrado, o Alípio Casales, que foi um um dos avaliadores, na qualificação, ele leu e falou: "Bruno, você tem veia pra isso aqui". E se vocês não sabem quem é o Alípio Casales, vocês dão um Google depois, tá? Alípio Casales. Depois vocês dão um Google e vê quem é essa sumidade. Aí ele virou pra mim e falou: "Bruno, você, você tem veia disso aqui, mano. Você tem veia disso aqui, você é filósofo". Cara, isso me encheu de, de ânimo, tá ligado? Então, essa galera, esses encontros que a gente vai tendo, que a galera vai animando nós, é isso. O Guga Batista, quando eu pedi pra trocar ideia com ele, é o Guga Batista. Aí eu mandei e-mail pra ele, despretensioso, porque eu falei: "Ele não vai ler". Inclusive eu indico vocês, mandem e-mail pras pessoas, tá? Depois a gente descobre o que acontece. Eu mandei o meu e-mail com o meu livro, né, com o que é a minha dissertação de mestrado. Mandei e falei: "Ó, eu tenho estudado e tal, não sei o que lá e eu tô indo agora, talvez eu migre de área, não sei o que eu vou fazer, comecei uma uma, uma caminhada agora e tal". Aí eu tinha acabado de entrar no doutorado em economia política mundial. E eu mandei pra ele e ele respondeu o e-mail falando assim: "Você entendeu o pensamento do Dussel. Excelente, que trabalho bacana. Falta você entender" e ele começou um diálogo: "Falta você entender esse esse tema aqui, mas esse tema você só vai conseguir discutir com o pensador Rinkelamer. Ele começou a me dar umas dicas. E aí ele meteu um ainda assim: "Vou no Brasil no ano que vem, quem sabe a gente se tromba". >> [risadas] >> Que daora, tá ligado? Essas galera nos animou a gente. E aí assim, se a gente pode fazer isso com outras pessoas nas nossas respectivas áreas, eu acho que a gente tem que fazer. Incentivar, dar gás, dar suporte. Se esses malucos que são os [ __ ] da galáxia, tipo o Clóvis Moura ou o Clóvis de Barros, quando o Clóvis Moura ou o Clóvis de Barros contando sobre o maluco Nash lá, por que que a gente não faz isso? Pra que a arrogância toda? Tem que ser gente boa. É legal. É legal. Né? Então é é doideira. Não é tão importante não, pô. >> [risadas] >> O Bruno tava na maior eclesia da vida dele. Tava entre, ali foi um dia maluco. Que que a internet não faz, né? Acontece essas coisas, acontece essas coisas. Diz a nossa querida Pedra: "Meu Deus, você parece muito jovem. Como pode ter doutorado"? É que eu já tô mais perto dos 40 do que dos 30. >> [risadas] >> Eu só engano bem mesmo. Engano muito bem, diga-se de passagem. Mas eu já tô mais acabadinho. Antes era realmente parecia muito criança. Mas eu tô com vou fazer 37 anos de idade. Meus 37 aninhos. Estamos rumo a isso. Ai, ai. Tem uns comentários legais aqui, eu não vou conseguir pegar tudo. Ai, perdão aí, minha gente. Tem uns comentários engraçados também. Mas é isso, né? A gente tem que incentivar as pessoas. Temos que dar animada pra galera. Temos que dar animada pra galera, pra galera, pra galera. Diz a nossa querida Pedra: "Mesmo assim, vai". É, não, eu também tive sorte no meio do caminho, não vou negar não. Eu tive sorte. E também não estamos competindo. Não, mas é real, Pedro. Eu vou dizer, eu tive muita sorte no meio do caminho. Muita sorte. Então eu tive oportunidades que que que permitiram que eu pudesse fazer o mestrado, pudesse fazer o doutorado com bolsa, os dois eu fiz com bolsa, tendo financiamento. Mas redes de contato que acabei encontrando no caminho, tipo essas malucas que foram surgindo assim. E acontece isso, né? Estamos sim, diz. >> [risadas] >> Estamos não, [ __ ] A gente vai fazendo nossa caminhada. Ó, mas vamos lá que tem texto para ler hoje, meu Deus do céu. Mas é isso. E tem outras histórias que daria para contar. Que são histórias de gente que vai apoiando a gente, que que anima. Então a gente tem que fazer isso também. É o mínimo que a gente tem que fazer. Bom, o mínimo que a gente tem que fazer. Ontem foi engraçado, a última história. Ontem foi a mais recente. Fui em uma reunião de trabalho. E aí com uma outra com uma outra uma outra instituição, né? Uma outra instituição de ensino. E a gente chegou lá e o diretor acadêmico da instituição de ensino coincidentemente conhece meu trabalho. Especialmente sobre evangélicos. E aí a gente tava num papo. E aí a gente tava esperando porque ia ter uma reunião, reunião tal, discutir uns temas e pá. E aí esperando o pessoal chegar, faltava uma ou duas pessoas para chegar e a mesa cheia, o pessoal, né? Coordenadores de curso, uma galera assim, pá, não sei quê. Pessoal da estrutura acadêmica lá. E o diretor acadêmico dessa instituição começa a conversa assim. Bruno. Teu trabalho é muito bom. Eu gosto muito. Aí virou para a galera e falou assim: "Vocês já leram o trabalho do Bruno? Vocês já leram o trabalho do Bruno? É muito bom. É muito bom. É a melhor coisa que eu já li sobre evangélicos no no Brasil e uma das melhores discussões sobre religião. É excelente. Você mandou muito bem. Você entendeu as coisas que a gente não entendeu. Aí ele falou assim: "Você estragou meu objeto de pesquisa. Eu estava pesquisando e eu percebi que não fazia sentido eu continuar porque você já resolveu o problema. Você tal não sei o quê lá". Aí eu ri e falei: "Pô, perdão por aí para acabar com a sua vida". Aí todo mundo riu e tal. sei o quê lá. Aí eu "Eu estudar petróleo daí, porque eu não faz sentido nenhum discutir [risadas] o que você estava falando, porque você já resolveu o bagulho. Aí eu falei: "Caraca, que legal, né?" E aí ele ele virou para o pessoal e falou: "Vocês já leram o trabalho do Bruno? Vocês tem que ler o trabalho do Bruno". E aí ficou todo mundo tipo, mano, ninguém sabe quem que é o Bruno, quem que é esse menino, ninguém faz ideia quem é o maluco. Aí ele falou: "Bruno, você tem que ficar famoso com isso. Gente, vocês tem que fazer o o Bruno famoso. Você tem que fazer o Bruno famoso. Agora, Bruno, você também tem que escrever mais fácil, né? Porque o teu texto também é difícil para caramba de ler. Tem que ser Aí eu falei: "Tem que ser em português, né?" Perdão, a próxima eu escrevo em português. Aí o pessoal riu e tal, não sei o que lá. Aí eu falei: "É, não, porque é muito bom, cara. Quer dizer, você tá não sei o que lá". A gente tem que dar um jeito. Eu falei: "Bora". Aí ele falou: "Vem dar uma aula aí um dia desses". Eu falei: "Pode deixar, é só 5:40 a passagem, né? Que é o metrô para poder ir para lá". Então. >> [risadas] >> Mas rolou, foi legal, foi legal, eu fiquei feliz. Aí tem uma galera que trabalha comigo que não faz ideia do que eu faço da vida, né? Qual que é a pesquisa que eu desenrolo. Eu falei: "Oxe, mano". Aí um outro mano até acabou falando: "Agora estamos todo mundo curioso". >> [risadas] >> Acontece, acontece. Toda hora. Mas é isso. É, exatamente, você acabou com a minha pesquisa. Perdão, perdão, não não foi minha intenção. Salve, querido Kevin. Bom dia, meu bom. Tudo bem? >> [risadas] >> Salve, salve, salve, salve. Acontece. Ah, vamos lá, deixa eu pegar o texto. Ô, meu Deus, eu me empolguei aqui com histórias pessoais, perdão. História aleatória. Tã, tã, tã, tã, tã, tã, tã. Cagaruto. É, exatamente, Bordu, né? Você pergunta: [risadas] "Mas você trabalha ou só dá aula?" Eu já ouvi essa pergunta algumas vezes. Você trabalha ou só dá aula? Você trabalha ou só pesquisa, né? Pesquisa é uma coisa que você faz sem precisar trabalhar. Cara, quando eu tava Ai, que ódio. A bolsa de doutorado que eu do doutorado que eu fiz era 2200 reais né? Eu não sei como nós chegamos aqui, mas sobrevivemos. Era a minha renda, 2200 reais, mais o salário da minha companheira que trabalha numa indústria de cosméticos, operária. E a criança [música] em casa. Aí veio a pandemia, minha companheira saiu da firma. Como a gente chegou até aqui? É Deus. Não tem explicação. >> [risadas] >> Ai Deus do céu, sobrevivemos, sobrevivemos. >> [risadas] >> Ai. Direto, é mano, a gente escuta isso direto, esse lance do do você trabalha só na aula. Ai, é muito chato. Desagradável. Mas isso tem a ver com uma concepção de quem é o ser humano né? Que o ser humano ele é a a o mente, né? Eu só acredito que ser mente, que eu não entendo isso também, essa separação entre mente e corpo, essa bobagem. Mas que isso é se separa né? Então se você tá lendo, se você tá estudando, não é seu olho, o nervo óptico, não é o seu cérebro, não é o seu corpo, não é você respirando, taquicardia, sinapse, não, é a mente. É essa coisa etérea que tá tá trabalhando né? Teu corpo ele não cansa não, é o Ai, eu odeio isso. Essa falta de compreensão tá tão enraizada na gente que a gente não percebe que é o corpo trabalhando, que pesquisar cansa, que pesquisar trabalho, que é gasto de energia, tá ligado? Eu posso não tá fortalecendo meu braço, posso não tá gastando meu músculo direto que você tá vendo, tô gastando outras coisas, outras energias de outros músculos. Mas, mas, acho que essa discussão antropológica né? De compreensão de quem é o ser humano fica para outro dia. Mas tem a ver com isso. É tão enraizado na gente que a gente reproduz isso até na compreensão do trabalho. É é doideira. Mas vamos lá, vamos lá para o texto. Vamos para o texto. Turururum, que eu já estou atrasado. >> [risadas] >> Ai, que habilidade que eu tenho de fazer isso. Vamos lá, minha gente, vamos lá. Esse textinho é bom. Quem quiser traduzir, traduza. Eu consigo os meios. É muito fácil, inclusive, para conseguir os meios para a gente garantir o direito de tradução, tá? Então, fica a recomendação para a gente poder traduzir esse texto aqui. É um texto muito bom. Do nosso querido Franz Hinkelammert e é um texto recente, ó, 2019, tá? Texto bem recente. Então, atualíssimo. Vamos para a nossa leitura. O texto, né? Porque, afinal, a o nossa aula live de hoje, o tema é dialética. Então, vamos falar sobre dialética. Só que, no caso, dialética marxista. Oxe, o que é que está acontecendo aqui? Ahn, hum. Hum, hum. Ahn, ixe. É, já já vou ter que sair mesmo. Bora lá. Tururu, turu, turu, turu, turu, turu. >> [risadas] >> Diz o nosso querido Paulo. Aí, 50 anos depois, o Dulce admite: "A primeira parte do livro nem era relevante". Então, isso, a menos que ele tenha escrito isso, não tem mais como ele dizer isso em lugar nenhum. Infelizmente, recentemente, ele faleceu. Então, essa parte, a menos que ele tenha escrito em algum lugar registrado, estamos, né, ali salvos, eu acho. É, >> [risadas] >> eu só joguei o foco ali para tentar trollar de volta. Pode Imagina se ele mete uma dessas, né? Falou: "Não, não, eu só só queria quebrar sua vida mesmo. Nem era tão importante assim. Era Me deixa Desligou meu microfone, eu acabei com a sua pesquisa". Mas é o efeito do errado, que a pesquisa ficou bem boa. >> [risadas] >> Modéstia à parte. Mas vamos lá. Texto do nosso querido Franz Hinkelammert: "A dialética marxista e o humanismo da práxis". Esse tema humanismo da práxis é mais Hinkelammert mesmo. E vai ser interessante porque vai ser uma leitura de dialética de Marx, é uma dialética marxista que vocês nunca viram. Resumo, né? É importante ler o resumo aqui porque ele indica para a gente o que ele pretende discutir. Nesse artigo, tento fazer, eh, ver uma eh, dialética de Marx que não consiste simplesmente em, abre aspas, "pôr Hegel de pé". Porque essa é uma frase famosa do segundo prefácio eh, do prefácio à segunda edição do Capital, em que Marx diz: "Olha, meu trabalho foi colocar Hegel, que estava de ponta cabeça, de pé", né? O Hegel estava de ponta cabeça, a gente vai deixar ele de pé. Vai desinverter ele para ele ficar na posição adequada. E aí o que o Franz vai dizer, ó: "Ele fez isso, mas não só isso. Não foi só colocar Hegel de pé, né? Inverter a dialética hegeliana. Ele fez mais que isso". Senão que é, inclusive, radicalmente distinta da dialética hegeliana. E veja que ele usou o termo distinto, não diferente. É diferente uma coisa da outra. Ó, já usei a palavra. Distinto é quando você está sobre um mesmo campo, você faz uma distinção, você consegue separar, ver claramente uma distinção, uma eh, não é a mesma coisa, apesar de estar sobre uma mesma superfície, apesar de estar sobre um mesmo campo. A parede aqui, tem uma parede. se eu começasse a raspar ela, ia ficar uma parte que ia ficar distinta. É parede, é tinta, tá tudo no mesmo negócio, mas você consegue ver que não é a mesma coisa, tem algo que é distinto, apesar de ser parede, apesar de ser o que lá. É diferente de uma parede em relação a outra parede que é totalmente outra diferente, ou uma geladeira que tá aqui ao meu lado, né? Uma é parede, a outra é geladeira. Então, objetos diferentes, que difere completamente, não tem nada a ver. Distinto tá no mesmo campo, na mesma superfície, essa coisa toda. Então, ele vai dizer, ó, é distinta da dialética hegeliana. Partindo do, abre aspas, imperativo categórico formulado por Marx em 1844, e talvez agora na cabeça de vocês, para quem já tem acesso aí à filosofia, vai falar, imperativo categórico? Isso não é coisa de kantiano? É Kant que faz. Sim, mas Marx no texto Introdução à crítica à filosofia do direito de Hegel de 1844, cria um imperativo categórico, que vem depois de uma certa análise específica que ele faz, eh, sobre relações de exploração dos seres humanos. E ele cria um imperativo categórico, ele brinca com esse termo imperativo categórico. Mas assim, você pode ler como ser uma brincadeira, como se ele tivesse despropositadamente usando o termo imperativo categórico para fundar uma ética, ou você pode entender que apesar de ser uma brincadeira e uma ironia, ele está fundando ali um princípio ético. Por isso que eu comentei inclusive com o Pedro, que hoje a nossa dialética teria a ver com valores e princípios. Ele utiliza desse termo, dessa expressão, na leitura do Franz, para indicar o critério, o crivo ético que ele tem para desenvolver o seu pensamento. Importante. Conclui-se que esse se encontra também no Capital. Então, o Franz vai conectar 1844, o texto Introdução à crítica à filosofia do direito de Hegel, com O Capital. É um salto de 20 anos, 20 e poucos anos, né? Da primeira para segunda edição, 24 anos, eu acho. Porque acho que a primeira edição é de 68, né? Deve ser. Eu sou ruim de datas. Acho que é aí a segunda edição de 72, algo assim. Então, a gente tem essa essa diferença. Mas nós aprendemos, nós aprendemos, no geral, a quebrar o jovem Marx do velho Marx, né? Então, parece ter uma uma ruptura no meio do caminho e que o pensamento de Marx não é cumulativo e evolutivo, senão que ele é quebrado. Ele tem o pensamento do jovem e o pensamento do velho. O jovem é filósofo, o velho é cientista e não quer mais saber de filosofia. O que é uma grande bobagem, assim, com todo o respeito a Althusser, althusseriano, essa parte é uma bobagem. O jovem Marx e o velho Marx como se fosse uma ruptura completa. Sim, não não existe não tem base um trem desse. Posso pôr mineiro falar, tem base um trem desse? Não tem. Não tem. É, por que que isso? Dito isso, né? Tem porque tem a piadinha do do tem a piadinha do Franz, né? Que falaram para ele: "Ah, a gente tá comemorando agora o 200 anos de nascimento de Marx". Aí o Franz fala: "Do jovem Marx". Essa piada é muito boa. Do jovem Marx, né? O nascimento do velho. >> [risadas] >> Ai, muito bom. É, e precisamente é uma parte decisiva dessa obra. Trata-se de um humanismo da práxis que é possível recuperar e seguir ir desenvolvendo para enfrentar as grandes ameaças do nosso tempo. Então, aqui ele também dá o objetivo, né, do por que que ele tá fazendo esse resgate. Para a gente poder recuperar o que o Franz tá chamando de humanismo da práxis, que é algo que o Marx vai também distinguir nas teses sobre Feuerbach, né? Marx vai falar que Feuerbach tem, é, um tipo de humanismo, vamos dizer assim, mas é um humanismo contemplativo. Ele é materialista? Aliás, é materialismo, né? Ele Ele Ele é materialista, mas ele é um materialista contemplativo. Ele não é um materialista conectado à práxis. E ele faz essa distinção entre contemplação e práxis. E aí o o o Franz vai retomar essa distinção para falar o humanismo, que é um humanismo contemplativo de valores abstratos, e um humanismo da práxis. E vai ser bem interessante fazer essas essas pontes, tá? Abre imagem para críticas, porque é algo muito novo, obviamente, mas é interessante. É interessante. >> [risadas] >> Diz nosso querido Jones Miguel: "Imperativo categórico de Marx". Eu quero saber. É, é legal. É é muito [música] massa. Marx diz explicitamente, é divertido. É um texto legal de ler. "Jovem Marx para baixinhos". Exatamente, Rubens. E diz Pedro: "Não entendi a piada". A piada é porque o pessoal separa o jovem Marx do velho Marx. E aí diz que o jovem é filósofo, burro, tonto. E o velho é o cientista sábio que entendeu tudo. E aí a piadinha é essa, fala: "Não, nasceu o jovem Marx, né?" Não o velho. Velho Marx nós temos depois, sabe Deus quando. >> [música] >> Diz nosso querido Gabriel: "Foi só um golpe do Althusser que queria manter uma cátedra". Será? Pode ser. >> [risadas] >> Mas vamos lá, vamos lá. Pulando o resumo. Pá. Comecemos com nosso querido Franz. Hoje é necessário fazermos novamente, eh, a seguinte pergunta: "Qual é o ponto de partida do pensamento de Marx, né?" >> [música] >> Qual é o ponto de partida do pensamento de Marx? Mas não se trata de contestar essa pergunta ou de responder essa pergunta por nós mesmos, senão de averiguar como Marx, em seu tempo, a respondeu efetivamente. Quer dizer, será que Marx respondeu qual o ponto de partida do pensamento dele? Será que alguém perguntar: "Qual o ponto de partida do pensamento de Marx?" Ah, alguém fez essa pergunta. Aí o cara: "Eu acho que é eu vou perguntar para o Marx". Será que se a gente resgatasse a obra de Marx, ele em algum momento: "Aqui começou meu pensamento?" Será que ele faz isso em algum momento? Eu já antecipo que sim. Mas a gente vai ver. Por isso, quero partir de um ponto de vista que o Marx, né, que o próprio Marx expressa e do qual não pode, não se pode dizer que se trate de um Marx, abre aspas, pré-marxista. Ou que se pronuncia sobre essa questão, não é ainda o pretendido Marx maduro, né, o Marx mais velho, o velho Marx. Como muitas vezes foi argumentado por Louis Althusser, já que estamos aqui, né? Pergunta. Como o Marx de 1859 vê o Marx do ano de 1844? Isso é a crítica da filosofia do direito de Hegel, introdução. Será que Marx fez uma análise sobre o seu próprio pensamento? Sim, ele fez. E como o Marx de 1850 vê o o outro Marx? >> [música] >> Essa é a pergunta que o França faz. É uma pergunta simples e genial. Então, vamos ver, como é que ele se vê, né? Como é que ele faz isso? No prólogo, né, no prefácio de seu livro Contribuição à crítica da economia política de, do ano de 1859, Marx reflete sobre os seus estudos precedentes, né? Então, ele faz uma reflexão sobre os estudos precedentes. Diz então, que que ele diz? E esse texto é fácil conseguir a a tradução dele, tá? Marx diz: "Meus estudos profissionais eram os da jurisprudência ou do direito, da qual, de todo o modo, só me preocupei com a discipli, como disciplina secundária, ao lado da filosofia e da história. Então, assim, ah, eu me formei em direito, mas eu queria saber era de filosofia e de história. Em 1842, 1843, sendo redator da Rheinische Zeitung, oh, nomezinho bonito, né? Me vi pela primeira vez, eh, numa numa num em laço difícil, né? Numa cruz encruzilhada difícil de ter que opinar acerca dos chamados interesses materiais. Os debates da dieta, sobre a dieta rega eh renana, né? Dieta renana, sobre a tala furtiva ah sobre o roubo da lenha e o parcelamento da propriedade do solo. A polêmica oficial se mantinha entre o senhor Von Schapper ah e também o que é a no momento governador da província renana e a Rheinische Zeitung, né? Rheinische Zeitung, sobre a situação dos camponeses de Mosela. Foi o que me moveu a me ocupar pela primeira vez das questões econômicas. É o famoso texto sobre o roubo da lenha, tá? O roubo da lenha, em que camponeses que sempre pegavam lenha num determinado campo, determinado território, sempre fizeram isso. Em determinado ano foram fazer isso e chegou a polícia arregaçando e dando pancada na galera em geral que não pôde pegar lenha para sobreviver ao inverno. Por quê? Porque aquele terreno foi cercado e transformado em propriedade privada de alguém. Então o que até então era propriedade comunal, mas agora que virou propriedade privada, a galera chegou sentando o rio no pessoal. Se vocês assistirem o filme, acho que o nome inclusive do filme é não lembro se é o Jovem Marx, acho que é o Jovem Marx o nome do do filme. É um filme alemão, é um filme alemão que conta essa começa com a cena sobre o roubo da lenha para contar a história uma primeira fase da da produção teórica de Marx. É bem legal. Começa com essa cena, o roubo da lenha. É bem legal, bem interessante. Por outro lado, naqueles tempos em que o bom desejo de marchar à vanguarda superava em muito o do conhecimento da matéria, a Zeitung deixava transparecer um eco do socialismo e do comunismo francês. Tido em um tênue em uma tênue matiz filosófica. Eu me declarei contra aquelas bobagens. Mas, confessando ao mesmo tempo francamente, em uma controvérsia com a Allgemeine Allgemeine Zeitung. Allgemeine Zeitung. Não me perguntem como é que vai traduzir isso agora. Que meus estudos até então não me permitiam aventurar nenhum juízo a respeito do conteúdo propriamente dito das tendências francesas. Dito disso, Marx está fazendo então o famoso a famosa recuperação do seu pensamento. Ele fala: "Olha, quando começou esse tema da da do roubo da lenha, eu como jurista, como alguém que fala sobre direito, tive pelo que pela primeira vez discutir temas materiais, temas econômicos. Então eu fui obrigado a ter que entrar nessa discussão". Só que essa discussão estava muito no âmbito influenciada pelo socialismo e comunismo francês, com discussões filosóficas abstratas que nada tinham a ver com a gente. Eu não Isso aqui não faz sentido nenhum. Então vou ter que desenvolver uma teoria a respeito disso. Tá bom? Então vamos lá. Depois afirma Marx que a partir desse momento teve que se retirar da cena pública eh em meu próprio quarto de estudos, né? Diz, entre aspas aqui. E adiciona: "Meu primeiro trabalho empreendido para resolver as dúvidas que me assaltavam foi uma revisão crítica da filosofia hegeliana do direito. Trabalho cuja introdução viu a luz nos Deutsch-Französische Jahrbücher, os Anais Franco-Alemães, publicados em Paris em 1844". Veja, por que que ele vai rever a Por que que ele vai rever o tema da discussão do direito em Hegel? Porque agora tem o tema da propriedade privada, a ação do Estado e que as respostas que se tinham para aquele momento ali estavam numa filosofia francesa abstrata que não tinha nada a ver, que falou: "Cara, isso aqui não não vai resolver nossos nossos BO". Então vou fazer um uma discussão revendo a filosofia do direito de Hegel de maneira crítica para poder me armar para discutir esses temas materiais. Só que o que que ele vai perceber nesse passo? Que a discussão sobre o direito não dá conta das questões materiais e econômicas para poder discutir ali a questão do roubo da lenha, do uso comunal da propriedade, das pessoas que precisam de lenha para poder sobreviver. Falou: "Pô, mano, não vai rolar, não vai rolar". E aí ele lança a a introdução, ele publica a introdução dessa dessa discussão que ele faz com a filosofia do direito de Hegel. A introdução é o famoso texto que tem a expressão: "A religião é o ópio do povo". Olha esse mundo como é maluco, não é? Então, em 1859, quando Marx está revendo onde ele começa a discutir, ele marca a Introdução à Filosofia do Direito de Hegel como a primeira obra que é fruto das discussões sobre questões econômicas da vida dele. É aí que o Franz vai vai vai se armar, vai falar: "Ele disse que começou ali, é ali que ele teve que discutir questões materiais e econômicas, ele foi obrigado nessa situação". E o primeiro texto diante dessas reflexões nasce em 1844, a Introdução à Crítica à Filosofia do Direito de Hegel. Genial! Genial, genial, genial, genial. Vamos lá. É é essas marcações em amarelo são minhas, perdão. >> [risadas] >> Nessa crítica de Hegel de 1844, Marx sustenta uma quebra com respeito ao seu pensamento anterior, né? Então, e esse texto de 1844, que é a Introdução à Crítica à Filosofia do Direito de Hegel, é meio que tipo um racha, ali ele tem uma virada, um ponto de virada no pensamento dele. Ao que Marx precisamente autocritica com o artigo de 1844 em que em seu prólogo em 1859 considera como o passo básico para todo o seu pensamento posterior. Por isso temos que fazer a pergunta. Ao por atenção nesse artigo de 1844 ao eh ao qual Marx se refere em 1859, né? Que que que tem aí? Vamos colocar atenção nesse artigo aí. É isso que a gente tem que fazer. A que que o Marx está se referindo em 1859? Se ele começa com esse texto, que que tem nesse texto que nos importa? Diz Franz: "Não tenho nenhuma dúvida que se trata do seguinte resultado de sua análise". Qual o resultado de sua análise? E o Marx fala isso, né? "Toda a minha investigação sobre a crítica à filosofia do direito de Hegel deu no seguinte, nesse texto de de 44". E aí ele apresenta qual é a tese central do texto. E é que a gente vai ler agora. A tese central desse texto é: "A crítica da religião desemboca na doutrina de que o ser humano é o ser supremo para o ser humano". Até aqui tudo bem, porque isso aqui também é frase do Feuerbach. "O ser humano é o ser supremo para o ser humano" é filosofia Feuerbachiana na boquita de Marx. Marx disse aqui. "Ser supremo, o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o ser humano é o ser supremo para o ser humano". Isso aqui é Feuerbach, Feuerbach explicitamente. "Então toda a minha investigação da crítica à filosofia do direito re eh desemboca nisso que Feuerbach já percebeu. O ser humano é o ser supremo para o ser humano". E por conseguinte, agora ele extrapola Feuerbach. No imperativo categórico, meu querido Jones Miguel que queria saber qual é o imperativo categórico, qual é o imperativo categórico de Marx nesse momento? "De lançar por terra todas as relações na qual o ser humano seja um ser humilhado, subjugado, abandonado e desprezado. Jogar por terra todas as relações de que o ser humano seja um ser humilhado, subjugado, abandonado e desprezado. Ele chega na formulação de Feuerbach e coloca seu imperativo categórico, seu critério. Critério: se o ser humano é subjugado, humilhado, desprezado, tá escravizado nessa situação aqui. Então, se o ser humano é ser supremo para o ser humano, temos um imperativo categórico: não deixar que o ser humano seja subjugado. Aí você pode pensar: mas em qual circunstância? Em qual situação? Na situação em que a forma da propriedade privada seja mais importante que os seres humanos. Por exemplo, ele não tá falando só só só da relação de dominação direta, só. Ele tá falando quando uma instituição humana, que é produto da relação humana, nós produzimos a propriedade privada. Essa forma, ela é um produto social. Só que esse produto é mais importante, ou se tornou mais importante que os próprios seres humanos, ou seja, o ser humano nessa relação está subjugado, desprezado e humilhado. A forma social e historicamente desenvolvida tá mais importante que os seres humanos. Então ela tem que ser criticada, >> [música] >> porque ela existe em função dos seres humanos e não o contrário. É isso. Que é o que vai aparecer na crítica da mercadoria, da forma mercadoria. Fetichismo da mercadoria, exatamente isso. Mas vamos passo a passo. Que o ser humano seja o ser supremo para o ser humano, significa que o ser humano é o critério da crítica. E esse critério Marx chama seu imperativo categórico. Disso obtém como consequência eh que deve-se Jogar, por terra todas as relações que o ser humano, seja um ser humano humilhado, subjugado, abandonado e desprezado, tal como aparece na citação anterior. Trata-se de um critério da ação, é um critério para a ação, um critério para a ação. Marx não descreve aqui sentimentos encontrados, senão uma uma racionalidade da ação econômica e política. Que é contrária à racionalidade do mercado. E aqui, gente, é um ponto muito importante, não é uma uma Não é porque ele Porque o Feuerbach tem isso, né? Qual que é o apelo do Feuerbach para o humanismo dele? O sentimento de amor. Feuerbach é isso. A solução do Feuerbach para os problemas que ele encontra diante da crítica que ele faz à religião, que desemboca em posições políticas é: nós precisamos de amor. É bonito, mas amor é uma palavra muito etérea e que não encontra essa ação, essa realidade prática. Marx consegue um critério que desemboca da mesma crítica de que o ser humano é o ser supremo para o ser humano, mas em vez de falar sentimento de amor, ele fala: tem um critério aqui, meus amigos. A gente tem que agir de modo que o ser humano esteja com as condições de produção e reprodução da vida garantida. Ele não usa essa expressão, mas é basicamente isso. Legal, né? Trata-se para Marx do humano, eh, do ser humano ou da humanidade do ser humano, né? De maneira que Para Marx, a meta é transformar a humanidade do ser humano no critério central para o próprio ser humano. Então, o imperativo categórico descreve o caminho necessário, enquanto que a meta do caminho é o ser humano como ser supremo para o ser humano e, portanto, a emancipação humana. E veja que a gente está discutindo agora uma questão de emancipação e libertação, não por critérios morais abstratos, amor, senso de justiça e sei lá o quê. Isso Isso é um critério material básico. Se não tem gente viva, não dá para fazer as outras coisas. Então, a forma da propriedade privada, ela é menos importante do que o próprio ser humano que cria a forma da propriedade privada. E se o ser humano que criou a forma da propriedade privada, ele pode alterar a forma da propriedade privada. Esse é o ponto. A gente que fez, a gente que muda. Então, se as pessoas não podem coletar lenha para sobreviver ao inverno, tem alguma coisa errada. Que se não tiver pessoas, não tem quem vai consumir, inclusive aquilo que foi produzido nessa propriedade privada. Se esse é o objetivo. Entende? Ah, o objetivo é fazer uma propriedade privada aqui para a gente ter uma produção econômica mais efetiva, mais eficiente, mais produtiva, não sei o quê. Sim, mas se as pessoas não tiverem vivas depois do inverno, você pode produzir o que você quiser aí, meu amigo, que não vai dar para continuar. Isso não é um sentimento, isso é óbvio. Desculpa, isso é uma obviedade. Mas é uma obviedade que precisa ser dita e percebida. E Marx saca, esse é o critério para pensar. Aliás, não só para pensar, para entender o pensamento como ação, como práxis. Como atuação na realidade. Poder-se-ia agora adicionar que as teorias da economia política burguesa analisadas por Marx, não é o ser humano do ser supremo para o ser humano, senão o mercado e o dinheiro e o capital, né? Então, as economias políticas que ele vai ler, Adam Smith, Ricardo, David Ricardo, eh, quem mais que ele vai ler? O próprio David Hume, o Bentham, o Locke, o, a galera lá dos italianos e dos franceses que ele fica lendo. Essa galera toda vai falar: "Gente, ó, pera aí". A gente tem um bagulho aqui que vocês não tão entendendo. A discussão tá tão abstrata que a gente tá discutindo dinheiro, a gente tá discutindo mercado, instituições e não o critério básico, que é o ser humano que cria instituições, que cria o mercado, que cria essas coisas. Certo? Então, ponto um. É legal. A questão para Marx é a seguinte, vamos ver, de acordo com o França. O que fazer para que o ser humano seja reconhecido e tratado como ser supremo para o ser humano? Esse é o problema. Se dedicará por inteiro pelo resto da sua vida. Como é que eu boto o ser humano de volta como centralidade do jogo e não o capital, não o dinheiro, não o mercado. É isso. A crítica da forma da mercadoria, que vai dar forma do dinheiro, que vai dar para o capital, que vai dar para o mercado como ele funciona sobre relações de capitalistas. Quer dizer, essa parafernália toda esquece de uma coisa importante, se não tem gente viva, não tem o passo seguinte. Não dá para manter. Ele poderia resumir, não seja burro, mas ele tem que explicar o que que é a burrice no caso. O próprio Marx mostra qual é o centro desse artigo de 1844, no resumo. E escreve ao final, né? Eh. Resumamos o resultado. A única emancipação prática possível na Alemanha, na época, né, de 1844, é a emancipação do ponto de vista da teoria, que declara o ser humano, que o ser humano é o ser supremo para o ser humano, que é a própria frase do Feuerbach. Mas distinto de Feuerbach, Marx aqui vai além. Ele consegue dar materialidade para isso. Não fica no sentimento, né? Aqui, ele contesta as posições francesas, Marx, né? A Revolução Francesa declarou a deusa razão como ser supremo para o ser humano. Marx, contudo, estabelece a o contrário. O próprio ser humano é o ser supremo para o ser humano. Sobre isso, fala Marx no prólogo de 1859, de seu livro já mencionado, Contribuição à Crítica da Economia Política. Eh, e indica os passos que seguiram o artigo de 1844. Por quê? Porque a galera, no no pensamento burguês, mesmo revolucionário, que vai dar nos movimentos rebeldes franceses, vai ter a consciência, a razão como a referência. Você progride na iluminação, na razão e na consciência, e aí ela é o teu critério para você analisar uma teoria, para você analisar uma estrutura, uma instituição, uma não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. E Marx fala: "Não, meus [risadas] queridos, deixa eu dizer uma coisa para vocês. Sabe essa ideia de razão aí? Ela não existe descolada do cérebrozinho. Sabe? O cérebro, o nervo óptico, né? O que o nervinho do seu olho, que conecta com outros nervos, que vai para o seu cérebro, que espalha para o seu corpo, que volta O o o humaninho biológico, então, não tem razão que não seja com esse humaninho vivo. O critério não é a consciência, é a vida. E a vida humana é uma vida social, que depende de uma relação básica de estrutura econômica para se manter. E aí vai vir a famosa frase aqui de 1800 do prólogo que todo mundo conhece, que é o seguinte: Que o Marx decorre, depois de apresentar que em 1844 estava lá a base do seu pensamento, o que que ele vai chegar na conclusão e apresentar para a gente em 1859? O seguinte: Diz Marx: "Minhas pesquisas desembocam no no seguinte resultado: Tanto as relações jurídicas como as formas de Estado não podem ser compreendidas por si mesmas, nem pela chamada evolução geral do espírito humano. Não pode ser compreendidas por si mesmas, nem por evolução do espírito humano. Senão que radicam, ao contrário, nas condições materiais de vida, cujo conjunto, resume Hegel, seguindo o precedente dos ingleses e franceses do século XVIII, sob o nome de sociedade civil. Veja. Onde é que tá a base? Nas condições materiais de vida, que podem ser entendidas como sociedade civil, Como essa sociedade se organiza. É aí que está o, a materialidade do negócio. E que, essa frase de Marx é importante, anatomia, anatomia, olha a metáfora ou a analogia ou o uso de um termo de outra ciência para discutir sociedade civil. A anatomia da sociedade civil deve ser buscada na economia política. A economia política apresenta a anatomia da sociedade civil burguesa. Ou, a anatomia da sociedade burguesa tá no pensamento da economia política burguesa. Ela apresenta a anatomia desse corpo humano social. Então se eu quiser crítica, melhoramento, compreensão de como funciona essa sociedade, eu vou ver essa anatomia, como ela se apresenta, como ela apresenta a sociedade burguesa. Por isso ela vai, ele vai criticar a crítica da economia política burguesa. Esse é o subtítulo do capital. O capital, crítica da economia política burguesa. Certo? Isso aqui, isso aqui é genial, minha gente. Isso aqui é brilhante. >> [risadas] >> Diz Franz. É decisiva a constatação por parte de Marx de que a anatomia da sociedade civil deve ser buscada na economia política. De acordo com Marx, a tese de seu artigo de 1844 de que o ser humano é o ser supremo para o ser humano, o levou ao reconhecimento de que a anatomia da sociedade civil deve ser buscada na, na economia política. Ou, as condições materiais de vida. Porque esta dá os critérios concretos do juízo. Por que é isso? A economia política burguesa, ela vai dar os critérios para você julgar a realidade. Ela apresenta como funciona isso. E Marx vai fazer uma crítica dessa teoria, dessa compreensão. É genial. Isso aqui é massa. Ambas as teses se implicam mutuamente Como o ser humano é o ser supremo para o ser humano, a anatomia da sociedade civil deve ser buscada na economia política. Posteriormente, Marx muda a formulação da daquilo, daquele, né? O que ele destaca como o centro do seu pensamento. Sem mudar esse próprio centro. No Manifesto do Partido Comunista, fala de uma futura associação de homens livres, na qual cita Marx, o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos. Isso aqui, o que que o França tá dizendo? Aquela ideia de que o ser humano é o ser supremo para o ser humano, vai aparecer no Manifesto como o livre desenvolvimento de cada um é o livre desenvolvimento de todos. Articular esse elemento que torne o ser humano a centralidade do planejamento social. Não é o mercado pelo mercado, não é a eficiência da instituição A ou B ou do estado. É o ser humano como referência para planejar a sua vida em sociedade e garanta as condições de desenvolvimento da vida de todos. E aí você vai criticar e limitar o mercado, entender o papel do dinheiro, limitar o funcionamento do capital, se existe essa relação de capital e de exploração do capital, que ela seja subvertida e superada para uma outra sociedade que aí Marx desenha a sua sociedade ideal como referência. Uma sociedade sem estado, uma sociedade que possa se regular sem esse mercado auto funcionando, né? De maneira bizarra, que ninguém entende. Essas coisas. Então é maravilhoso isso aqui. Mas isso não muda o conteúdo central da tese, né? Diz o França. Dizer que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos é o mesmo que dizer que o ser humano é o ser supremo para o ser humano. Por isso, em ambos os casos, está implicado que a anatomia da sociedade civil deve ser buscada na economia política. Marx somente mudou a formulação para evitar certos mal-entendidos. E aí vamos ver, né? O que o Franz chama de humanismo da práxis, né? O humanismo da práxis. Desse modo, se vê que para Marx o artigo de 1844 é fundamento a partir do qual tem que ser entendidos todos os seus estudos e teorias posteriores. Aí é a tese do do do Franz, que a gente pode ou não aceitar ela. Mas aceitando ela, vamos ver o que que resulta. Esse aqui é o objetivo de uma análise, vou aceitar essa essa ideia de que esse imperativo categórico, essa conclusão de 1844 vai ser o critério para ele desenvolver toda a crítica posterior. Que que acontece se eu fizer isso? Marx afirma isso que é 15 anos depois de sua publicação. Ao ter escrito já os Grundrisse, né? Elementos fundamentais para a crítica da economia política de 1857-1858. E o livro Contribuição à crítica da economia política de 1859. Aqui é importante esse resgate porque são versões de Marx trabalhando sua crítica à economia política. Então tem os Grundrisse, os rascunhos, né? Os fundamentos da crítica da economia política, que ele não publica como livro, a gente só tem acesso depois. De 1857-1858. Vamos considerar duas versões aí do Capital. Aí o pessoal tá apressado para ele publicar, fala precisa publicar alguma coisa, homem. Aí Engels manda lá uma cartinha para ele fala meu bom, os editores tão desesperados, tem que publicar um bagulho aí, não é possível, você tá pesquisando a tua vida inteira e não tá chegando a lugar nenhum. Aí ele falou não, pode deixar que eu pode deixar, pode deixar que eu eu mando aí um negocinho. E aí ele mandou a Contribuição à crítica da economia política, que a gente pode chamar de uma terceira versão do Capital, de 1859. É, e aí que essa ele publica, né? Cujo prólogo explica a importância fundamental do artigo de 44. Se um quer falar em em de Althusser, se alguém quiser falar em termos de auto, o que Marx precisamente desenvolveu em seu artigo de 44, é de acordo com o próprio Marx, sua quebra epistemológica. Que, de todo, eh, que, de todo modo, Althusser não menciona e que possivelmente nem sequer notou, né? Porque o Althusser fala que tem uma quebra ali pro Capital, que Marx parou de fazer filosofia, fez só ciência. E aí o Franz fala: "Não, se que você quiser falar de quebra metodológica, ela tá em 44". Não, e o próprio Marx fala isso, em 44 mudei minha rota. Então é ali que tá a quebra. Pô, isso aqui é um, isso aqui é demolidora essa argumentação, usando o próprio texto de Marx, pra quem fica falando sobre jovem e velho Marx. Assim, isso aqui é bem, bem forte. >> [risadas] >> É difícil a gente enfrentar essa, essa argumentação aqui, quando você fala: "Então, mas o moço escreveu, né"? >> [risadas] >> Althusser fala de uma quebra epistemológica em Marx, que pretendidamente, né, ou pretensamente, ocorreria tempo depois e que leva Althusser a declarar eh, artigos, como o mencionado de 44, como pré-marxistas ou não marxistas. Que tem gente que não lê esses textos anteriores de Marx, porque é do jovem Marx, é pré-marxista, né? Marx só é marxista depois de quando o autor que tiver dizendo isso quiser, né? Mas o próprio Marx fala: "Não, é em 44 que mudou mesmo meu rumo". >> [risadas] >> Desse modo, Althusser declara um pensamento central de Marx como não marxista, apesar de que o próprio Marx, em seu prólogo sobre a crítica da economia política do ano de 59, apresenta como ponto de partida de todas as teorias posteriores. É o autor disse, mas dane-se. >> [risadas] >> Aí, aí você me quebra, né? Exato, [roncando] então. Pô, esse comentário importante aqui do, do, do nosso querido Ryan. Ryan, Ryan, como é que você tá, mano? Tudo bom, cara? Althusser, na introdução de O Capital falando que o leitor poderia pular o capítulo do fetichismo da mercadoria sempre me quebra. A mim também, que mostra que com todo o respeito ao querido Althusser, que tem excelentes contribuições para o pensamento marxista, não quero descartar, mas aí ele pisou na merda e abriu os dedos, né? Sim. Vamos combinar. Aí não me ajuda, né? Aí não me ajuda. De acordo com Marx, precisamente esse artigo de 44 é uma quebra epistemológica da qual fazia o do qual tinha falta até o momento. Althusser teria que ter discutido precisamente isso, porque Marx, de todas as maneiras, tem que decidir se esse artigo de 44, esse artigo de 44, realmente é marxista ou não. Se se quer usar a polêmica expressão de althusseriana, marxista ou não marxista, referindo-se ao próprio Marx. >> [risadas] >> Marx chamava o dia em que chegar, em que chegou a esse resultado, de processo de, desse pensamento novo, o dia da ressurreição da Alemanha, que seria anunciado pelo canto do galo francês. O dia da última fase do artigo de 1844. Quando todas as condições internas sejam realizadas, o dia da ressurreição alemã será anunciado pelo canto ressonante do galo francês. >> [risadas] [suspirando] >> O que na realidade é importante de ressaltar é o fato de que em 1859 Marx volta a reviver seus pensamentos fundamentais do ano de 44 e sustenta, né, que essa sua posição até o final de sua vida, ainda que mude frequentemente o tom de sua linguagem. O que Marx disse é que o desenvolvimento desse artigo do, desse artigo do ano de 84 é o pensamento fundamental de tudo o que ele vai ser, vai implementar e espe, o que será implementado e especificado no seu pensamento posterior. De todo modo, podemos comprovar que Marx nunca apresenta as posições que não sejam compatíveis com o que ele diz nesse artigo de 44. O que segue dizendo, também no ano de 59, é o é que o centro do seu pensamento era e é o ser humano como ser supremo para o ser humano. O que chama em 44 de seu imperativo categórico. >> [roncando] >> Mas relembremos um ponto importante aqui. O ser humano como ser supremo para o ser humano. Ok. Como imperativo categórico. Ok. Isso é Feuerbach. O que explica também porque que Marx tem um apreço tão grande por Feuerbach. Porque que eles Cara, é o único autor que Marx escreve dizendo: "Eu te amo". Ele falou para o Feuerbach: "Eu te amo, cara. Eu amo. Amo o que você faz. Eu te amo, velho. Você é um cara embassado. Você mudou a minha vida. Você mudou a minha história". >> [risadas] >> O cara tá é apaixonado pelo Feuerbach. Que o cara mudou o pensamento dele. Ele efetivamente o materialismo de Feuerbach influencia muito Marx. Isso faz sentido. E aí dá para entender por essa essa leitura que o Franz faz é é brilhante assim. É uma sofisticação muito interessante, né? Mas eu vou pular aqui para dar dar dar dar dar dar dar dar tan tan tan porque eu quero pular para outra parte. Já que a gente falou de Feuerbach, vamos ir aqui para o item Marx e Feuerbach. Eh, eu vou pular a crítica aqui que Marta Harnecker, muito importante para o pensamento marxista da América Latina, faz na leitura de Marx e Feuerbach, que é bem hegemonizada, porque ela sustenta a posição do próprio querido eh, Althusser. E aí dá errado, né? Aí dá errado. Então vamos lá. Eh, tá. Primeira, [roncando] primeiramente, quero partir da análise de um texto de Feuerbach e apresento um exemplo no qual Feuerbach usa determinados conceitos que posteriormente Marx também usa, né? Que o nosso querido Franz. Trata-se do seguinte texto. E aí tradução do Feuerbach, né? "Se a essência do ser humano é essência suprema para o ser humano, como eu disse, Feuerbach já reproduz, é, a frase do imperativo categórico de Marx é uma reprodução de Feuerbach, né? Então, praticamente, a suprema e primeira lei tem que ser o amor do ser humano para o ser humano. Como eu disse, Feuerbach tem esse problema, a solução dele é o amor. É legal, é bonito, me faz bem, mas não resolve. Então, o Feuerbach fala, o ser humano é o ser supremo para o ser humano e a solução então é o ser humano amar o ser humano. Amor, paz. Mas o o Marx vai colocar em outros termos. Se o ser humano é o ser supremo para o ser humano, a gente tem que superar toda a relação em que o ser humano esteja subjugado, humilhado, desprezado e não sei o quê. Já é distinto, é bem distinto, gente. Um é o amor e a paz, paz. O outro é a gente falar sobre sub superar relações de exploração e dominação. Acho que é um ponto importante. Legal, né? Pô, isso aqui é é genial. É, tan tan. Perfeito, perfeito, perfeito, nosso querido Fernando Templário. Exatamente isso, cara. O fetichismo da mercadoria é fundamental para os teóricos atuais marxistas latino-americanos, por conta da teoria da dependência econômica função da América Latina como periferia do mundo. Perfeito, perfeito, perfeito, perfeito. Bom dia, querido Alexandre, como é que você tá? Tudo bem? Espero desejar que sim. Bom dia, meu bom. Mas vamos lá, então, eu acho que já ficou reforçado esse ponto, né? É um ponto importante. Em seguida, chama a atenção a semelhança dessa citação de de Feuerbach e com a citação de Marx que já é apresentada antes e que também fala do ser supremo para o ser humano. Para tornar mais fácil a comparação, vou repetir a correspondente citação de Marx. Diz Marx no famoso texto que a gente já leu. A crítica da religião desemboca na doutrina de que o ser humano é o ser supremo para o ser humano e por conseguinte no imperativo categórico de lançar por terra todas as relações em que o ser humano seja um ser humilhado, subjugado, abandonado e desprezado. Pronto. É bem parecidinho, né? É bem parecidinho. Bem parecidinho. Ambas citações consistem em somente uma frase que tem duas partes. A primeira parte fala do ser humano como ser supremo para o ser humano. Praticamente, essa primeira parte aparece igual em ambas as citações. Mas a maneira de se expressar, no caso de Marx, é mais direta. De todo modo, a segunda parte, nas duas citações, é sumamente diferente. Feuerbach diz que a consequência da primeira parte é que a primeira lei que segue seja do amor do ser humano para o ser humano. Marx compartilha isso sem problemas, mas, contudo, sustenta que a consequência é o imperativo categórico de lançar por terra todas as relações nas quais o ser humano seja um ser humilhado, subjugado, abandonado e desprezado. Essa é a concreção, concretude, tornar concreto, né? Vai, essa concreção, essa concretude vai, obviamente, muito além do que Feuerbach expressa. Marx fala de uma práxis da ação, de uma mudança da própria relação com o mundo. Em, em troca, Feuerbach se dirige ao mundo dos sentimentos, sem nenhuma concretização de nenhuma ação. No mundo de Feuerbach, é um mundo como aquele de Schiller ou como o Hino da Alegria da Nona Sinfonia de Beethoven. Trata-se de um mundo belo e harmonioso que somente com muito, muito indiretamente pode ser unido com o mundo da práxis. Por si, não expressa nenhuma práxis. Trata-se da imagem de um mundo belo. Marx, em troca, diz com muita clareza que quer ir mais além disso para um mundo mais humano. Por isso define a práxis. Em sua tese 11, né? A 11ª fase, tese sobre Feuerbach do ano de 45. O diz muito diretamente: "Os filósofos não têm feito mais do que interpretar os diversos modos do mundo". Ou de diversos modos o mundo. Mas o que se trata, o que devemos fazer é transformar. Isso é um humanismo da práxis que Feuerbach não compartilha e que para Marx significa o ponto de partida. E ele propõe desenvolver e que nunca vai abandonar. Cara, isso aqui é uma recuperação filosófica ó. Fina. Fina. Isso aqui é coisa fina. Isso aqui é sofisticação do pensamento. Sem manualzinho. Com todo respeito ao manual e a importância que o manual tem. Por isso você tem o dever moral >> [risadas] >> de divulgar essa palavra para os seres humanos. Especialmente para os nossos marxistas brasileiros que não fazem ideia desse tipo de conversa, assim. Com todo respeito. Não faz mesmo. É, desculpa. Porque as discussões, eu vejo o pessoal falando sobre práxis, sobre teoria, sobre história, sobre não ser moralista e eles caem tudo em moralismo, assim. Com todo respeito mesmo. E agora eu vou uma, é raro eu fazer isso, mas é importante. Pois já que a crítica é direta aqui ao tal eh, as as discussões que a gente tem na internet sobre comunismo, sobre marxismo. Cara, e eu que sou crente aqui dessa conversa, hein? Vai falar sobre materialismo e fala em termos abstratos. Fala que tem que ser histórico, que a luta tem que ser consciente, que tem que ser prática, que não pode ser com sentimentos e nem com com doutrina, que não sei o quê. Mas na hora que vai vai vai discutir efetivamente o que que é materialismo, o que que é práxis, por que que a gente deve lutar por outro mundo. A resposta não é por uma consciência sobre as melhores relações econômicas, mais eficientes para garantir as condições de produção e reprodução da vida dos seres humanos, tendo as condições sustentáveis para o ser humano como referência. De modo que você faz um planejamento econômico, não em busca de um ideal, não em busca de um sonho, não porque é justo, belo e moral, não porque se eu não garanto as condições de produção e reprodução da vida dos seres humanos, não tem dia seguinte. Simples assim. Então, toda a racionalidade econômica tem que estar voltada para garantir essas condições. O mercado não faz isso, o capital não faz isso, mera transação econômica de dinheiro também não. Só que os nossos queridos camaradinhas aqui na na internet vão discutir isso, sabe o que eles falam? No geral, discussões morais. É papo moralista. Pode ter piscina ou não pode ter piscina? Isso virou tema. [ __ ] que pariu. >> [risadas] >> Eu fiquei indignado quando os caras mandaram o bagulho deles. Pode ter piscina ou não pode ter piscina? Pode ter iPhone? Ou ou ai. Vocês acham justo isso? Gente, não, não é justo, mas a discussão não tá na justiça abstrata, por lei, por gargantada. Tá por uma racionalidade, ou inteligência, por por olhar e falar isso aqui não é racional, isso aqui é idiota, se você destrói as condições de produção e reprodução da vida, é burrice. Tipo. Sério, mano? >> [risadas] >> E as discussões estão morais, é por moralidade, por moralismo. Ah, mano, eu que sou crente aqui nesse rolê, esses, por favor, me me respeita. >> [risadas] >> Mas mas [ __ ] que pariu. É difícil, mano, é difícil, é difícil, é difícil. Eu fico indignado. É discussão moralista, assim. Ganhar ganhar a classe trabalhadora um moralismo barato. Sim. Desculpa. Desculpa. E aí fica, é, um Eu, eu, tem a ver com algoritmo, tem a ver com os temas, mas tem a ver também com você ter uma mobilização constante de um ódio abstrato, né? O ódio de classe, que não é o ódio de classe organizado, que faz você entender o mundo e saber, cara, eu tenho que enfrentar esse problema. É só na gargantada e no que é justo, não é justo, é bom, é mau, é belo e pronto, perdeu toda a discussão material. Pronto. Jogou fora. Não tem critério para analisar a realidade. Sério. Isso é triste, gente. Melhoremos. Ruim demais. Com todo o respeito. Vamos, voltemos. Voltemos, voltemos, voltemos. É exatamente o radicalismo performático abstrato. É, imoralista. O papo é moralista. Papo moralista. Fundo do poço total, Pedreira. Fundo do poço. Eu fico muito triste com isso. >> [música] >> É. Sério mesmo. É muito deprimente. Perda de tempo da bexiga. Vamos lá. >> [risadas][suspirando] >> É, vamos para o conteudinho qualificado. Agora, se a gente viu Marx e Feuerbach, vamos, vamos agora para Marx e Hegel. Né? Marx e Hegel. E aí é o último etapa aqui do nosso papo. O preconceito como que se apresenta constantemente diante de Feuerbach, aparece igualmente diante do, do pretenso e de muito, dito muitas vezes apenas aparente, hegelianismo de Marx, né? Que então Marx seria um hegeliano, ele é só um hegeliano. Marx, ele, pessoal, abandonou Marx e achou que Marx é hegeliano. Então, Marx é, é Hegel. Marx é Hegel. Hegel é Hegel. O que também é triste demais. Mas vamos lá. Gostaria de te também, sobre isso, um breve comentário. Começo de novo com uma resenha correspondente de Marta Harnecker. Então eu vou utilizar a Harnecker como um exemplo dessa discussão sobre o hegelianismo de Marx, né? Ela diz sobre uma conversa que, eh, como estu, que enquanto estudante teve com Althusser. Ele, Althusser, né, me recomendou ler diretamente Marx começando pelo capital e não por suas páginas iniciais, senão partindo pelo capítulo da, do mais-valor. Já que nos primeiros capítulos Marx havia coqueteado, de acordo com ele, com a dialética hegeliana. Que é exatamente o que eu não lembro quem comentou aqui, já não lembro quem foi que comentou, mas que diz que o, o Althusser fala: "Pula a parte da mercadoria, né? Pula a parte do fetichismo da mercadoria, porque ali é filosofia, é hegelianismo, bobagem". Creio que seja necessário discutir onde realmente arranca a dialética de Marx, né, e como se corresponde ou não com a dialética de Hegel. Diz aqui o nosso querido Henk de Leuven. [música] Muito cedo Marx já havia dito que Hegel estava colocado de ponta-cabeça, né? Então Hegel já tá de ponta-cabeça, Marx percebe isso muito cedo. E que era necessário colocá-lo sobre seus pés. Eh, no que segue, quero apresentar algumas citações de Marx por meio da, das quais pode-se mostrar o que na realidade é o núcleo da dialética de Marx. Então agora vem a parte da tese central aqui da nossa live como última etapa. Qual que é o núcleo da dialética de Marx? As relações sociais que são estabelecidas entre seus trabalhos privados aparecem como o que são. França citando Marx, né? Então as relações sociais que eh, que se estabelecem entre seus trabalhos privados aparecem como o que são. Quer dizer, não como relações diretamente sociais das pessoas em seus trabalhos, senão como relações materiais. Sachlich. >> [risadas] >> Com o caráter de coisas, né? Coisificadas. Entre pessoas e relações sociais entre coisas. Então, é uma inversão. As relações dos trabalhos privados, como ele diz no Capital, é famosa essa citação, né? Aparecem como são, são relações, eh, não aparecem como relações diretamente sociais, né? Senão como relações materiais, coisificadas, entre as pessoas e relações sociais entre as coisas. Então, parece que na verdade são as coisas que têm relações sociais e as pessoas tão coisificadas nas coisas. Há uma inversão. Os sujeitos são as mercadorias, são os produtos do trabalho privado e não as pessoas. Então, o, as mercadorias circulam e as pessoas estão assistindo. É, há uma inversão completa. De acordo com isso, os proprietários das mercadorias, né? Suas relações entre eles são, eh, apa, aparecem para eles como relações materiais. Sächlich, né? Com caráter de coisas. Entre pessoas e relações sociais entre coisas. Parece ser isso. Parece. Mas, de fato, trata-se de mane, de uma maneira determinada de ver a realidade social. De cima. Como observador. Agora, quem tem acompanhado as lives vai sacar de onde vem a ideia do observador e do sujeito. É a maneira do observador que a olha e considera como aquilo que vê dessa maneira é o que é, né? Então, o observador vê no mercado as mercadorias circulando e os sujeitos parados, estáticos, vendo a circulação de mercadorias. Então, o observador vê que são relações entre as coisas e não dentre os sujeitos. Está errado? Não. O observador tá vendo isso. E aí ele escreve uma economia política descrevendo o que ele tá vendo, a economia política burguesa, a anatomia da sociedade civil burguesa. Ele descreve ele. Então ele apresenta para a gente. Aparece assim. O que Marx vai fazer? Mas é assim? De acordo com Marx, resulta em uma de de diferente modo de ver as relações mercantis, a partir de baixo. Que surge quando alguém leva em conta não somente o seu papel de observador, senão enquanto pessoa viva, sujeito vivente. Que precisamente vive no interior dessas relações mercantis. Como observador, faz sentido essa circulação das coisas, como se elas tivessem relações sociais e das pessoas não. Só que você, enquanto pessoinha que tá participando desse mercado, não como observador, como força de trabalho que tá circulando como se fosse uma coisa. Você vive e percebe esta realidade de mercado de outra maneira. Marx vai colocar o ser humano como ser supremo para o ser humano. Então a referência dele não tá no objeto que circula, é no sujeito que produz esse objeto. Ah! Tá aí. Vou observar as relações de mercado estabelecidas, não para entender como ela é descrita, mas para entender qual é o papel do ser humaninho nesse jogo. E aí na hora que ele olha e coloca o ser humano como ser supremo para o ser humano, ele tem o critério e o crivo para poder fazer a análise. Pronto. E agora ele vai fazer a inversão. Vai colocar de pé o negócio. Tá de ponta cabeça. Pode ser [ __ ] Genial. Adoro isso aqui. Franz é muito bom, mano. Essa pessoa, né? Pode agora viver o que as relações mercantis não são. Que que as relações mercantis não são, Entendeu? Olha, olha que genial. Que que elas são? São coisas circulando e as pessoas coisificadas. Aí então as coisas têm têm relações sociais e as pessoas não. Mas quando você se coloca como sujeito nesse mercado, como pessoa que está se vendendo ali sendo coisificada, você vivencia o que as relações de mercado não são. O que que elas não são? Vive o que não são. Quer dizer, relações diretamente sociais das pessoas em seus trabalhos. As relações sob o mercado, mercantilizadas, não são relações diretas entre as pessoas. Elas não colocam o ser humano como ser supremo, como critério para tomada de decisão e para análise. Então você quando se coloca como sujeito, você vive o que o mercado não é. E isso é genial. Isso é genial, genial, genial, genial. Ele não é uma relação direta entre as pessoas. Mas deveria ser. Ou poderia ser. Ou se o objetivo e o critério é que as pessoas tenham as condições de realizarem e desenvolverem suas vidas, se elas são meros objetos circulando no mercado, elas não estão podendo fazer isso. Elas têm as condições de produção e reprodução da vida destruídas em prol de manutenção de relações que exploram e destroem suas próprias condições. Então tem que inverter. Pois. Isso é bom demais, isso é bom demais. Disso resulta a forma sobre a qual Marx quer ver a realidade. O que não é aquilo que não é também é parte da realidade que se vê e se vive. Então, a relação com a realidade pode ser somente uma relação real, se mostra sempre e de novo o que ela também não é. Ela não é uma realidade de seres humanos viventes que garantem as condições de produção e reprodução da sua vida. Desta realidade que não é, ele pode criticar aquilo que é, >> [música] >> os mercados, as mercadorias, o funcionamento de coisas que estabelecem relações entre si em detrimento das pessoas que a produzem e consomem. Gênio. E isso é extremamente dialético. É uma dialética que que às vezes a gente não percebe. A relação dialética entre aquilo que é e agora o filósofo vai gostar, e aquilo que não é. Isso que não é é o ausente, né? Aquilo que tá ausente. Então tá ausente as relações diretas entre as pessoas. Essas relações diretas entre as pessoas, ela não existe. Ela está ausente. Porque ela está na verdade funcionando como uma relação entre coisas. Só que isso não significa que a ausência dela não esteja participante da realidade, porque ela é vivida como falta. Falta a minha relação direta com as pessoas. Eu não tenho mais relação direta entre uma pessoa que tá do meu lado. Não tenho mais troca direta para as condições de produção e reprodução da vida. Eu não tenho mais. Eu não tenho isso. Me foi roubado isso. Esse não ser também participa da realidade e participa agora como critério da análise. Isso é genial. Isso que tá ausente na hora que você observa, você percebe a falta, a carência, a falta te dá critério para talvez a gente precise mudar as coisas. Isso é genial, genial, senhor. Brilhante, cara. Isso aqui é para ficar pensando o resto da vida. Resto da vida. Mas a ausência que penetra, né? Hum, brincadeira, brincadeira. A ausência que penetra o que está presente e que parece ser o real é também uma presença mas uma presença que é a ausência presente confusão da nada a ausência que está presente porque ela não se você está percebendo a ausência de algo é porque ela está fazendo parte da sua análise da própria realidade não está quebrado pô o materialismo mesmo ele considera totalidade daquilo que é material inclusive as ausências daquilo que está faltando ele faz parte da realidade na hora que te projeta te ajuda a ver ele não está fora da história até pode gritar e o ser humano que sofre esta ausência pode acompanhar esse grito da ausência estou com fome isso é o centro do que Marx reconhece como situação de classe uma classe dominante que nega essa ausência e legitima dessa maneira sua luta de classes a partir de cima é uma luta de classes de cima para baixo e uma classe dominada e reprimida que sofre essa luta de classes e que então se levanta com uma luta de classes desde baixo desde baixo em nome do que não é daquilo que ela não está podendo ser eu não estou podendo viver ter condições de produção e reprodução da vida em nome dessa ausência estou com fome e o de cima nega a fome nega que haja esse problema nega que tenha esse negócio e por isso também em nome do que ainda não é mas dá para ser essa forma de argumentação aparece em Marx muitas vezes assim também nos capítulos sobre a produção de mais valor não é que seria o mais importante ali para o Althusser inclusive vamos ver aqui uma situação interessante para ver esse desenho o trabalhador não se limita a fazer mudar de forma a matéria que lhe brinda a natureza, o que a natureza lhe dá, né? Senão que, ao mesmo tempo, realiza na matéria, nela, né? Nela, seu fim. O fim que ele sabe que rege como uma lei das modalidades de sua atuação ou de sua ação e que tem, necessariamente, que supeditar ou ditar ou organizar ou orientar sua vontade. Ou seja, você não vai simplesmente alterar a natureza porque você tem que alterar a natureza. Você vai alterar a natureza, alterar a matéria que é disponível, porque você percebe que algo que precisa ser feito de acordo com uma falta que ele tem. O trabalhador, ele é, a sua vontade é guiada pela necessidade. Então ele vai alterar a relação com a natureza para atender uma necessidade, aquilo que no, na semana passada, aqui nas lives, a gente discutiu como satisfator. Essa necessidade precisa ser atendida. Então a vontade não tá solta. Ela cumpre a necessidade de suprir a ausência, a falta. É por isso, esse, ele se dirige para o mundo. E está também ditando, é, na, e esta também sub, essa ditação, orientação, supeditação, sobreposição, não constitui um ato isolado. Enquanto permaneça trabalhando, além de se esforçar, né? Do, do esforço dos órgãos que trabalham, o trabalhador deve adicionar a essa vontade consciente do fim o que chamamos de atenção. Atenção que deverá ser tanto mais reconcentrada quanto menos atrativo seja o trabalho, o trabalho. Por seu caráter e por sua execução, para quem o realiza. Quer dizer, quanto menos desfrute o trabalhador, é, como de um jogo de suas forças físicas e espirituais. Ou seja, além de tudo joga o jogo daquilo que você pode desfrutar ou não do seu trabalho. O que volta de novo para aquilo que a gente conversou na semana passada sobre desfrute do trabalho. O trabalho que é frutífero, que é você desfruta dele, que você goza desse trabalho, você gosta dele. Você vê o fruto, faz sentido. Agora o trabalhador alienado que cada vez mais faz essas funções repetidas e reproduzidas de mesmas ações e cujo resultado do trabalho ele não vê, ele não desfruta, ele não consome, ele não acessa o resultado do seu trabalho, ele não desfruta da própria função do trabalho. O trabalho é para atender a necessidade do sujeito, da pessoa humana que produz. Mas o trabalho alienado sobre relações capitalistas não garante essas condições. Faz falta um trabalho de desfrute, um trabalho de gozo, um trabalho produtivo e que nos faça bem, que tenha orientação, que tenha sentido. Nós estamos alienados do trabalho. Seja genial. >> [risadas] >> Eu gosto. Ai, eu gosto. Eu espero que vocês gostem também. Mas veja, veja isso como como isso é completamente outra coisa que qualquer outra discussão que normalmente se faz. Ela aprofunda muito conceitos que a gente já tem. Valor de uso, valor de troca, essas paradas todas. E a gente começa a ler de outra maneira que é a brincadeira do trabalho, do trabalhador, do jogo das forças e tal, né? Agora o ausente é o jogo de suas forças físicas e espirituais, né? Que poderia ser gozado. Hum, não. Mas cuja ausência se faz é, se faz tanto mais presente quanto mais o trabalho rege como uma lei das modalidades de sua atuação e que tem necessariamente que orientar sua vontade. Mas trata-se novamente daquele em nome do qual é exigida a presença daquilo que está ausente. Então o trabalhador ele ele precisa de algo que tenha sentido para o trabalho. Que oriente, mas o trabalho socialmente socialmente exigido e socialmente necessário e que começa a se estabelecer sobre relações distantes rouba do sujeito esse sentido de vida, esse sentido do trabalho, a necessidade consciente de atenção, de gozo, de desfrute. Seja genial. Isso, o que não é, eh, e cuja ausência está presente, pode ser nomeado de maneira muito diversa. No capítulo sobre o fetichismo, que é aquele que o Althusser não gosta, no primeiro tomo do capítulo, no primeiro volume do capital, Marx menciona como tal seu modelo de do Robinson social, né? Então, Robinson Crusoé social. Finalmente, imaginemos, para variar, uma associação de homens livres que trabalhem com meios coletivos de produção e que desenvolvam suas numerosas forças individuais de trabalho com plena consciência do que fazem, com uma grande força de trabalho social. Então, utopia dos trabalhos socialmente combinados de maneira harmônica. Nesta sociedade, serão repetidas todas as normas que presidem o trabalho de um Robinson, um Robinson Crusoé, né? Aquele personagem isolado numa ilha que tem a si mesmo para realizar seus seus B.O. Mas com caráter social, já não individual. Como se vê, aqui as relações sociais dos homens com seu trabalho, ou dos humanos com seu trabalho, e os produtos do seu trabalho são perfeitamente claras e simples, tanto no tocante da produção como no que se refere da distribuição. Você vê diretamente seu trabalho, o resultado do seu trabalho e a troca, diferente do mercado capitalista, que ele é opaco, ele não é transparente, ele não é direto. São as coisas que vão funcionando sem nem mais ver onde começa o trabalho, onde ele termina, como as coisas são trocadas, como funciona essa joça. Claro, Marx poderia ter usado aqui qualquer outra de suas diversas expressões para essa referência ao comunismo como o ausente, o que falta, o trabalho direto, socialmente combinado entre os seres humanos. Assim, por exemplo, seu conceito do comunismo nos manuscritos filosóficos e econômicos do ano de 44. Mas também sua formula, sua formulação do que é o socialismo, tal como apresenta no Manifesto Comunista. Isto é, como uma, abre aspas para Marx no Manifesto Comunista, associação, no qual o, é, no qual o livre desenvolvimento de cada uma de suas condições do livre desenvolvimento de todos, que aquilo que a gente já passou, né? Ao final do quarto capítulo do primeiro volume do Capital, o primeiro livro do Capital, e, portanto, imediatamente antes de passar os capítulos sobre mais-valor, Marx volta a resumir essa sua concepção da realidade. A órbita da circulação, da troca de mercadorias, dentro de cujas fronteiras se desenvolve a compra e a venda da força de trabalho, era, na realidade, o verdadeiro paraíso dos direitos do homem. Dentro desses, lin, desses lindeiros, só é, somente reinam a liberdade, igualdade, a propriedade privada e Bentham, né? O ético do utilitarismo. Que justifica essa função de relação entre liberdade, igualdade e propriedade, né? Não, veja que a fraternidade foi embora aqui, tá? É uma brincadeira com liberdade, é, como é? Igualdade, igualdade, proprie, é, liberdade e fraternidade aqui virou propriedade e Bentham, né? Fraternidade foi para a casa do chapéu. A liberdade, pois, o comprador e o vendedor de uma mercadoria, é, de grande força de trabalho, não obedecem mais à lei de sua livre vontade. Contratam homens livres e iguais ante a lei. O contrato é o resultado final e, ã, em que seus, suas vontades cobrem uma expressão jurídica comum. A igualdade, pois, compradores e vendedores a apenas contratam como possuidores de mercadorias, trocando equivalente por equivalente, né? Então, o comprador de força de trabalho chega lá com o dinheirinho do salário, o valor que ele vai pagar pela força de trabalho por um tempo e a pessoa chega com ela mesma, né? Porque você vai chegar lá, gente, não tem o que fazer. Mas, contudo, porém, todavia, você vai chegar lá vendendo sua força de trabalho. É uma desgraça. A propriedade, pois, cada qual dispõe e somente pode dispor do que é seu. E Bentham: "Pois quantos intervêm nesses atos eh eh intervêm nesses atos, somente os move por seu interesse, né? Aqueles que estão agindo agem por seus interesses". A única força que os une e os põe em relação é a força de seu egoísmo, de seu proveito pessoal, de seu interesse privado. Não há mais fraternidade. Precisamente por isso, porque cada qual cuida somente de si e nenhum vela pelos demais. Contribuem todos eles, graças a uma harmonia pré-estabelecida das coisas ou sob os auspícios de uma providência eh onisciente, a realizar a obra de seu proveito mútuo, de sua conveniência coletiva, de seu interesse geral ou interesse social. A mão invisível do mercado, né? Funcionando por suas vontades. Até aqui, Marx mostra a consequência ideológica da redução da realidade social à visão direta que alguém recebe, se interpreta exclusivamente a situação do proprietário das mercadorias e, portanto, assume exclusivamente o ponto de vista de um observador. Partindo disso, Marx fará ver como aparece uma ação exclusivamente orientada à luta de classes desde cima. Então, essa observação de cima é luta de classes, né, meus amigos? É o observador que vê como funciona o mercado. Diferente do sujeito que chega lá com o quê? Com a força de trabalho. Só quando a gente usa o termo força de trabalho, a gente pensa na mercadoria força de trabalho. Mas a mercadoria força de trabalho é você, meu querido. É você. Você que chega lá se vendendo, vendendo seu corpinho. Olha que coisa incrível. Se você se coloca na posição do trabalhador, você não percebe as coisas circulando, você percebe gente se lascando, gente que não é a referência para as trocas. Que leva a uma situação na qual o ausente, né? É, que como ausência está presente. Se faz imenso e penetra agora a realidade reduzida. É, basicamente isso. Que que está ausente? Os seres humanos. E aí Marx diz, né? Ao abandonar essa órbita da circulação simples ou da troca de mercadorias, aonde o livre cambista vulgar vai buscar as suas ideias, os conceitos e os critérios para julgar a sociedade do capital e do trabalho assalariado, parece como se mudasse em algo sua fisionomia dos personagens de nosso drama. Ou de nossa peça, né? O antigo possuidor do dinheiro abre marcha a um convertido capitalista, é, atrás do qual se vê um possuidor da força de trabalho, né? Então, se encontrou ali um otário e um, não, brincadeira. O malandro e o otário se encontraram. Não, brincadeira. Se encontrou ali o capitalista, né? Que chega ali agora como aquele que tem o dinheiro para trocar por força de trabalho e a pessoa que só tem a si mesma, a sua força de trabalho para trocar. Transformado no trabalho, no trabalhador, né? Em seu trabalhador. Aquele, o capitalista, entra no recinto, entra no, na, no tablado, sorrindo e desdenhoso, todo, é, altivo. Este, tímido e receoso. Bom, com má sorte, né? Com pouca vontade. Com, como quem vai vender sua própria a e sabe da sorte que o aguarda que seja esfolada. >> [risadas] >> Então é basicamente isso. Veja que essa mudança de observador para agora uma análise a partir do sujeito humano altera absolutamente a percepção do próprio funcionamento do mercado. Mas Marx só é capaz de fazer isso por quê? Por causa do critério que a gente viu lá no texto de 44. O ser humano como seu supremo para o ser humano e não o funcionamento do mercado da mercado de qualquer outra produção humana como referência para análise da realidade humana. Não. As condições de vida dos seres humanos o ser humano tem que estar vivo para poder produzir, para poder fazer. Ele é o critério. Ele é o seu supremo. E aí eu tenho que na prática alterar as relações para que essa relação esteja garantida. Não por uma questão moral, por uma questão óbvia. Se não tem gente para vender, nem para comprar, não tem mercado que funcione. Então o critério último é garantir as condições de produção e reprodução dos seres humanos. Só que o mercado por si só é incapaz de fazer isso. Ele destrói essas condições. Que é o que Marx vai dizer lá para frente. O capitalismo só desenvolve as forças produtivas às custas da destruição das fontes de riqueza, a terra e o trabalhador. E se não tem terra, se não tem natureza, se não tem pessoa, não tem trabalhador, sabe o que que não tem? Possibilidade de vida. A economia como determinante para todo outro trabalho social. Para qualquer outra coisa que o ser humano vai fazer. E isso começa com o raio do texto de 1844. E aí vem todo o desenvolvimento de Marx de crítica ao mercado e à economia política burguesa. Não é genial? É genial, meus amigos. É genial. É genial. Deixa eu pular aqui um trechinho para a gente ver uma parada aqui. Ah, deixa eu ver se eu acho ela rapidinho aqui. Que eu você vê que esse texto é longo, né? Pronto, tá aqui, achei. Ah. Aqui vemos se faz se torna óbvio o humanismo de Marx. E ainda mais se mostra que não se trata simplesmente de um humanismo dos nobres sentimentos, como era o de Feuerbach, né, do amor e tal. Não de um humanismo da práxis. Aqui não soa o ressoa somente a nona sinfonia do Beethoven. >> [risadas] >> Isso me parece isso me parece ser o núcleo da dialética de Marx. E me parece óbvio também que não é simplesmente a dialética hegeliana, não é. A dialética hegeliana é uma dialética do espírito absoluto. E chega a ao saber absoluto, a descrição absoluta daquilo que tá presente, mas que não percebe aquilo que tá ausente e é constituinte da materialidade da história e do desenvolvimento social. Aqui, na dialética de Marx, o centro é a convivência humana perfeita, a possibilidade de convivência humana perfeita. Ela é viável, historicamente realizável? Não, mas ela cria o critério para o julgamento da organização social e da própria anatomia da sociedade burguesa, da sociedade civil, que é a economia política burguesa. Trata-se da imaginação de uma convivência humana perfeita que é transformada em objeto da práxis humana que é que que quer realizar. Pela ordem estabelecida sempre é defendido em nome da autoridade vigente ou da estrutura vigente. E agora então é uma dialética que não é uma dialética só para você comparar contrários, eh, como é que é? Tem umas frases. Eu sou muito fã do Jabur, tá, para discutir China, essas paradas todas, eu acho maravilhoso. Mas quando ele mete aquele Hegel diz o sim e o não, azar do Hegel, porque não é isso que Marx discutindo aqui. Com o pensamento marxista, a gente não tá falando sobre sim e não ao mesmo tempo, sobre o opostos, não sei o que lá, não é isso, não é isso, não é isso. O que a gente tá discutindo aqui é um grau de análise da realidade que considera não só a descrição daquilo que é, mas aquilo que falta e que trabalha com esta dialética, põe de pé o mundo ao colocar o ser humano e as condições de produção e reprodução da vida do ser humano como critério, em que agora você vai inverter não só Hegel, mas o próprio mundo, não é que você vai observar aquilo que tá faltando nesse mundo, tá ausente para eu poder fazer uma transformação. Se falta, exige que eu produza, se eu tenho que produzir, eu tenho que agir e que atuar. Cara, isso aqui é uma dialética que não é abstrata, ela é histórica, se conecta ao função do trabalho, a realidade social, a como o humano se desenvolve, que não abandona o projeto, a projeção humana. É genial, velho. Isso aqui é é bom. É bom, é bom. Gostaram? Gostaram? É massa, né? [ __ ] velho, eu tô numa correria danada de trabalho que eu tô exausto já, mas isso aqui é me faz bem demais poder trocar essas ideias. Espalhem a palavra por aí, hein? Esse ano tá as contas aumentaram e tá a correria tá insana, mas tá bom, velho. Tem que temos que ir para cima. Legal, né? Eu gosto desse tipo de debate. Diz Rubens, bom demais, bom demais. Leandro, meu querido, bom dia, como é que cê tá? Tudo bom? Bom dia aos baristas e não baristas, a todos. Diz nosso querido Kevin, pergunta do nosso querido Kevin, é correto dizer que a dialética de Marx, segundo o Enrique Dussel, tem um pezinho em Feuerbach devido ao imperativo categórico de Marx? Sim. Não só um pezinho, é muito influenciado pela crítica que Feuerbach faz a Hegel. Essa é o que eu sustento assim muito forte. Junto com Franz e uma galera aí, né? O próprio Engels, Feuerbach, e outra galera. A crítica de Marx a Hegel se dá via Feuerbach, fundamentalmente. Tem influência dos outros, Stirner, quem mais? Bruno Bauer, não sei mais quem. Mas fundamentalmente Feuerbach. Feuerbach é o critério dele. E o Marx deixa isso muito claro. Quando o Marx cita Feuerbach explicitamente para apresentar o imperativo categórico dele como critério para análise da realidade social, você fala: "Cara, aqui está a chave". Aqui está a chave. Então eu tenho que ler bem Feuerbach, entender esse movimento de crítica de Hegel, para entender como o Marx assimila a crítica de Feuerbach, mas não abandona a dialética hegeliana. Porque lá na frente o Marx vai ter que dizer para que estão tratando Hegel como se fosse um cachorro morto. Aí ele fala: "Mas não, eu sou seu Eu sou discípulo de Hegel". Inclusive assimilo muito de sua dialética. Mas a coloco de ponta de de pé, porque ela está de ponta cabeça. Então não é que o Marx vai criticar Hegel para dizer: "Isso aqui não serve para nada". Não, ele vai assimilar o movimento da dialética hegeliana. Mas ele vai superar isso. E uma das crivos fundamentais para superação é Feuerbach. Só que pergunte para os marxistas de nossa terrinha, quantos foram ler Feuerbach? Quantos foram entender essa virada de chave? Eu tive que ler, inclusive, um tempo desses que um do O primeiro vídeo que acho que dá uma ritadinha de no Instagram do canal aqui, eu comentando sobre a assimilação que Marx faz de Feuerbach. E tem comentário lá do mano dizendo assim: "Isso já foi superado há muito tempo". Já foi superado, a gente já sabe que Feuerbach não serve para nada, que Marx nem tem nada a ver com isso, são ideias antigas. Meus amigos, vocês nem leram. Não. Dá Dá até um pouco de preguiça. Não foi superado não. Ei, vamos mudar de citação aleatória. Tô nem aí pra autoridade de quem citou. Aqui, eu usei o Hinkelammert pra fazer uma reconstrução aqui que, mano, ela se, ela para de pé, viu? Exato, Tiago, a discussão não é campo metafísico. Obviamente que não. Diz aqui nosso querido Ryan. Ei, é Ryan, perdão. Ryan, perdão, diz [música] nosso Ryan. E Hegel? O que tá ausente e excluído é justificado pelo desenvolvimento dos povos mais civilizados. Exato, você tem um apagamento do, da, da ausência. Tudo se torna necessário. É, doideira. >> [roncando] >> Diz nosso querido Rubens. Esse grau de atuação necessita a classe trabalhadora organizada, exatamente para achar onde atuar. Perfeitamente. E é um trabalho de conscientização de classe também, que passa por essa discussão não, não precisa ser o requinte do que o Hinkelammert disse, não, mas, cara, se eu tô entendendo isso, eu consigo começar a colocar isso em coisas mais práticas, e entender melhor a minha atuação no mundo, e onde vai a, o ponto da discussão, saca? Ó, tamo junto, Ryan. É o Franz Hinkelammert que é incrível. Mas é legal esse debate. Ah. Cadê o Pix? É verdade, cadê o Pix? Eu esqueço. Ai, eu sou horrível. Aqui, vai que, vai que tá sobrando uma merreca aí. Eu sempre quero dizer isso, cara. Vai que tá sobrando uma merreca aí. Ó o Pix aí embaixo. Ó o Pix. >> [risadas] >> Ó o Pix, ó o Pix. Xinguei o Pix. Tá aí o Pix, não posso esquecer. Exato, Kevin. Ouvimos, Kevin diz, né? Ouvimos muito ao falar de Marx sobre Hegel, mas Feuerbach fica de escanteio. Fica, porque o pessoal acha que, ai, ele fala de religião. Ele fala de humanismo, porque Marx critica o humanismo de Feuerbach. É verdade. É verdade. Mas não significa um abandono. As pessoas tem que estudar. As pessoas, eles nem leem Hegel. É, nem precisa, se não quiser, mas [ __ ] Estudar, né? Diz o nosso querido Rian: "Parece aquele vídeo do Porta dos Fundos. Para chegar em Marx tem que pegar a Avenida Feuerbach para fazer um contorno em Hegel, pegar a Travessa Jovem Marx". Exatamente. Exatamente, exatamente. "Para chegar em Marx, hum, faltou Lacan, tá ligado?" >> [risadas] >> Diz o Spinoza. Tem que dar uma volta em Spinoza, porque Marx também cita Spinoza, Demócrito e Epicuro. Tem que ir lá atrás, hein? Hum, perdeu a saída lá atrás, tem que retornar ali para para Cara, não, cara, é estudar, né? Diz o Rubens: "Esse bagulho de superado enche o saco mesmo". É, enche muito, mano. Ah, tá superado isso aí. Mesmo se tiver. Diz o Leandro: "Tá tudo beleza aqui, Bruno. Com a mudança de fundo aqui fica mais fácil acompanhar as lives". Ai, que excelente, totalmente excelente, que bom, mano, que bom. Eu tô atrasado para caramba aqui. Diz o nosso querido Borduna: "Pô, tô lendo A Essência do Cristianismo do Feuerbach para entender que vai ser a carta, eh, a carta a ele do Marx". Ah, massa, pode crer, pode crer. "Estou entendendo?" diz o Borduna. Mais ou menos, é difícil. Eu recomendo Hum, como é que é, mano? Eu acho que o título é Preleções sobre Religião do Feuerbach. Preleções sobre Religião, acho que é. Que é um livrinho, é um livreto. Eu acho que foi publicado em português de Portugal, inclusive. Caminhões caem por aí com esses textos. Eh, acho que é Preleções sobre Religião ou Lições sobre Religião. São aulas do Feuerbach explicando a teoria dele. Ele resume, sintetiza muito bem. Então, assim, é um encurtador de caminhos, pode ser interessante. Diz nosso querido Templário. Marx criou uma ferramenta de análise material da realidade, mesmo que a sua análise possa se basear em análises anteriores não materiais. Ainda assim é uma ferramenta que mais se prova material. Exatamente. E diz aqui do que os essencialistas não material. Exato, exato, exato. Diz aqui Kevin. Inclusive fica a dica do curso Marx e religião na área de membros que fala de Marx, Hegel e Feuerbach. Exatamente. Se você faz o se você vira membro, membro aqui no canal, você você pode fazer esse curso aí. Bom demais. Modéstia à parte, é bom demais. Tem duas partes, tem nove, nove aulas do curso. Grande o curso. Diz nosso querido Templário. Do que essencialista Ah, não, eu já li essa parte. Perdão. Diz nosso querido Rubens. Sim, se a questão é o homem pelo homem, a conscientização de classe é o que vai permitir a tomada de decisão pela própria classe e a correção dos erros de acordo com o projeto. Exato, exato. Exato, exato. Buenos dias, querido William. Quanto tempo? Tudo bom, meu bom? Espero e desejo que sim. Passando para dar um alô. Alô. Me liga. Que bom, mano. Diz Kevin. Bruno, se tiver esse livro do Feuerbach, encaminha no grupo, por favor. Eu não sei se eu tenho. Hipoteticamente, eu poderia ter, mas talvez eu não tenha. E supostamente, caso eu tivesse, eu encaminharia no grupo exclusivo para a membresia do canal. Inclusive, se você virar membro aqui na membresia do canal, você pode entrar no nosso grupinho, só mandar um um um e-mailzinho lá. A gente troca um papo. É, o e-mail tá tá aqui na descrição, que também é a chave do Pix. Dito isso, dito Ah, e explica, por favor, quem é você, né? Porque às vezes tem um nickname nada a ver. Aí eu não tenho como achar você. Aí você me quebra. Dito isso, dito isso, dito isso, dito isso. Supostamente, havendo algum amigo, conhecido ou pessoa que talvez tenha, eu passo o contato dessa pessoa que talvez ela compartilhe com você o PDF num grupo aí. Talvez, hipoteticamente, supostamente, caso fosse viável um dia. Mas é isso, minha gente. Preciso ficar por aqui. Tenho que trabalhar, tenho conta para pagar. Criança para [ __ ] meu. >> [risadas] >> E lá vamos nós. Obrigado por estarem comigo nessa manhã. Para esse papo totalmente excelente. Espalhem a palavra da dialética por aí. E essas discussões que, cara, eu espero que a gente supere esse, esse moralismo barato, essas discussões. Ah, cara, desculpa, mano. Está muito ruim, velho. Muito de bobagem, falta de consciência da realidade. Me quebra. Fico chateado. Estamos num ano muito sério, né? Num período drástico da humanidade. E essa relação de algoritmo, de produção de conteúdo e tal, fica refém de, de discussão de piscina é [ __ ] Ou outras coisas, né? Também outros moralismos baratos, discussões nesse sentido. Mas quem sabe a gente pode melhorar um dia aí. Mas é isso, minha gente. Quarta-feira, quarta-feira. Quase fim de semana. Quarta-feira, quase fim de semana. [música] Aquele momento para você conseguir desenrolar sua vida o suficiente para poder descansar no sábado e domingo, que é mais merecido. Ou quem sabe passar um tempo gostoso com a família, que vale a pena, para a gente poder estar inteiro e recuperado. Recuperado para recomeçar a correria. Mas no meio da correria que você não deixe abrir janelinhas [música] para desfrutar da vida sozinho, ou com o seu filho, com gente que você gosta. Às vezes é tão simples. Mas que vale. Não nos [música] entreguemos ao fundo do poço. Dá para se operar. Beleza? É isso, minha gente. Fiquem bem. Sigam aí quem puder mandar puder mandar uma merreca. Estamos precisando sempre. Se não, vira membro membro membro do canal e a gente vai seguindo [música] aqui trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final, pois seguimos >> [música] >> Olha, minha gente. Fiquem bem. Deus abençoe. Cuidem de vossas vidas, [música] de vossas casas, de vossas famílias, de vossas casas e a gente volta na semana que vem. E nada der errado. Se der errado, talvez uma hora. Mas a gente vai torcer para que dê tudo bem. Então, fiquem bem. Fiquem em paz. Tchau. >> [música]