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A fé vem pelo ouvir

A Arquiterura da Graça – Romanos 8:1,2 | Josemar Bessa

A Arquiterura da Graça – Romanos 8:1,2 | Josemar Bessa

A Arquiterura da Graça – Romanos 8:1,2 | Josemar Bessa

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. Romanos 8:1.
Neste estudo profundo de Romanos 8:1-2, descubra a mensagem mais libertadora do Evangelho: Deus declara “NENHUMA CONDENAÇÃO” para todos que estão unidos a Cristo.

Chega de viver carregando culpa, medo do julgamento ou a sensação de que nunca é suficiente diante de Deus. Neste vídeo você vai entender:
• O que realmente significa “nenhuma condenação”
• Por que muitos cristãos ainda vivem como se estivessem condenados
• A diferença entre posição em Cristo e sentimentos oscilantes
• Como a união com Jesus acaba com a oscilação entre aceitação e rejeição
• A base sólida da nossa segurança: não no nosso desempenho, mas na obra consumada de Cristo

Se você luta com culpa, condenação ou insegurança espiritual, esta mensagem vai trazer paz e liberdade à sua alma.

Texto base: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:1-2)

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Legendas automáticas:

Romanos 8 1 e 2 diz: "Portanto, agora já
não há condenação para os que estão em
Cristo Jesus, porque por meio de Cristo
Jesus, a lei do Espírito de vida me
libertou da lei do pecado e da morte."
Condenação. Que palavra sombria, que
palavra curta e, no entanto, que
profundidade de trevas ela contém. Quem
pode medi-la? Quem pode seguir suas
galerias até o último fundo? Quem pode
ouvir esse som
sentir um frio secreto percorrendo a
alma? Ela não é uma palavra leve, não é
uma palavra decorativa, não é uma
palavra que toca a superfície e vai
embora. Ela entra, ela pesa, ela desce,
ela se aloja no íntimo como um veredito.
Tem algo de tribunal nela, tem algo de
livro aberto, tem algo de consciência
descoberta, tem algo de Deus
irremovivelmente santo diante de uma
criatura irremediavelmente
culpada.
Condenação não é apenas medo, não é
apenas tristeza, não é apenas vergonha,
não é apenas a dor de ter falhado, é
mais. É a culpa em sua forma judicial. É
o pecado não mais escondido sob mil
desculpas, mas trazido à luz. É a vida
examinada, é o coração pesado, é a alma
convocada.
É a criatura chamada a responder por si
diante daquele de cujos olhos ninguém
pode escapar. Condenação.
O homem a conhece mesmo quando não sabe
nomeá-la. Ele talvez não use a palavra,
talvez a ache severá demais, antiga
demais, religiosa demais.
Talvez o troque por outras mais suaves,
mais modernas, mais administráveis.
Talvez falha apenas de culpa. Talvez
falha apenas de trauma, talvez falhe
apenas de angústia, talvez falha apenas
de mal-estar,
mas sob muitos nomes, sob muitos
desvios, sobre muitas filosofias do
desconforto humano, permanece o mesmo
tremor. Alguma coisa está errada entre o
homem e Deus. Alguma coisa está errada
no interior do homem. Alguma coisa está
errada, não apenas com suas
circunstâncias, mas com sua condição.
Ele não sofre apenas porque o mundo é
duro, sofre também porque seu próprio
coração não é reto. Não carrega apenas
feridas, carrega culpa. Não é apenas
vítima em um universo quebrado. É também
transgressor diante de uma santidade sem
fissuras.
condenação.
Ela se insinua na pressa com que o homem
se justifica, na necessidade quase
desesperada de parecer melhor do que é,
na arte refinada de explicar-se, na
habilidade de deslocar a culpa, na
dificuldade de permanecer em silêncio
quando a consciência começa a falar, na
inquietação que sobe quando as
distrações cessam, na estranha
impossibilidade de descansar
inteiramente.
em si mesmo. O homem foge de muitas
coisas, mas talvez de nada fuja tanto
quanto da verdade plena sobre si. Tem
medo de ser visto, tem medo de ser
conhecido, tem medo de ser pesado, tem
medo de que ao final de toda a defesa
reste apenas isto: culpado.
Condenação.
Quantos a sentem sem nunca confessá-la?
Quantos constróem uma vida inteira para
abafá-la? Quantos trabalham demais,
falam demais, compram demais, planejam
demais, consomem demais, divertem-se
demais, opinam demais, porque há no
fundo uma voz que não querem ouvir. E
que voz é essa? A voz de uma santidade
que o homem não consegue silenciar. A
voz de uma lei que não envelhece. A voz
de um bem absoluto contra o qual toda
torção moral se torna rebelião. A voz do
próprio Deus, diante de cuja luz até as
sombras secretas do coração ganham
contorno.
Condenação.
É coisa terrível cair sobre ela, porque
onde ela reina não há descanso real.
Pode haver alívio momentâneo, pode haver
entretenimento, pode haver elogio
humano, pode haver prosperidade,
pode haver poder, pode haver aplauso,
pode haver distração bastante para
atravessar anos, mas paz não. Paz
verdadeira não. Não há paz da alma
reconciliada, não há paz de quem pode
olhar para cima sem tremer. Não há paz
de quem pode suportar a ideia de Deus
sem imediatamente desejar outro assunto.
Condenação.
Ela faz da consciência uma câmara de
ecos, faz da memória um arquivo de
acusações, faz do passado uma multidão
de testemunhas, faz do coração uma sala
de defesa própria, faz da vida moral um
esforço incessante para produzir
argumentos favoráveis. faz do homem um
réu tentando atuar como seu próprio
advogado.
Mas como poderá o culpado absolver-se?
Como poderá a lama purificar-se? Como
poderá a criatura torcer o peso da
balança divina? Como poderá o pecado
revogar a santidade? Como poderá o
devedor rasgar por conta própria o
registro da dívida?
Condenação,
ela é pesada porque Deus é santo. Se
Deus fosse como nós, talvez a culpa
fosse negociável. Se Deus fosse
instável, talvez a lei fosse dobrável.
Se Deus fosse indiferente, talvez o mal
fosse apenas um detalhe. Se Deus pudesse
ser enganado, talvez bastasse
aparências.
Se Deus não visse o interior, talvez
bastasse administrar a superfície.
Mas Deus não é como nós. Ele não muda
com o humor do tempo. Não baixa o padrão
por cansaço. Não relaxa sua pureza por
compaixão sentimental.
Não chama luz às trevas. Não chama reto
ao torto. Não chama puro ao imundo. Não
inocenta o mal por mero afeto. Sua
santidade não é uma decoração de
linguagem piedosa. É a realidade ardente
do seu ser.
condenação. Por isso, o problema humano
é mais fundo do que a maioria ousa
admitir. Não se trata apenas de melhorar
a conduta, não se trata apenas de
adquirir hábitos mais nobres,
não se trata apenas de remendar a vida
com disciplina espiritual. Não se trata
apenas de fazer as pazes com a própria
história. Tudo isso pode ter seu lugar,
mas não alcança o centro. O centro é
este: Como permanecer diante de Deus
quando se é culpado? Como permanecer
diante da pureza infinita quando a alma
traz manchas que nenhuma água terrena
remove?
Como permanecer diante do juiz quando a
própria consciência já começou a
concordar com a acusação,
condenação.
Aqui a religião humana costuma
multiplicar seus remédios. Uns oferecem
esforço, outros penitência, outros
cerimônia, outros moralismo, outros
experiência, outros lágrimas, outros
sacrifícios, outros promessas de
reforma, outros um lento aperfeiçoamento
interior pelo qual o homem espera
tornar-se afinal apresentável.
Mas o tribunal de Deus não se dissolve
com suor humano. A culpa não sai com
autodisciplina. A sentença não é
revogada por melhoras tardias. O passado
não se descria. O mal não se desmaliza.
A transgressão não evapora porque o
pecador começou a portar-se melhor. A
religião da carne pode produzir homens
mascostos, nunca produzirá homens
absolvidos.
Condenação.
E que palavra então poderá
responder-lhe? Que anúncio poderia
entrar nesse lugar sem ser esmagado? Que
voz ousaria levantar-se no meio do
tribunal e falar de paz sem insultar a
justiça?
Que esperança poderia surgir sem ser
apenas fantasia religiosa? Se a culpa é
real, a resposta tende a ser real. Se a
santidade é real, a reconciliação tende
de ser real. Se a condenação é justa, o
livramento não pode ser truque, não pode
ser anestesia, não pode ser poesia
sobreposta ao abismo.
Não pode ser o homem convencendo-se de
que afinal não era tão grave. Não.
Se houver salvação, terá de ser santa.
Se houver paz, terá de ser justa. Se
houver absolvição, terá de honrar
plenamente a glória ofendida de Deus. E
é aqui que o evangelho entra. Não como
um consolo barato, não como um lençol
lançado sobre a culpa, não como um afago
para uma consciência trêmula que
continua no fundo sem resposta. O
evangelho entra onde a necessidade é
absoluta, entra onde a lei falou.
Entra onde a culpa pesa, entra onde a
alma não consegue levantar a cabeça.
Entra onde todo o recurso humano já se
mostrou insuficiente.
Entrando aí, diz algo tão alto, tão
surpreendente, tão decisivo, tão vasto,
que o coração mal consegue suportar sua
grandeza.
Agora, pois, já nenhuma condenação há
para os que estão em Cristo Jesus.
Nenhuma condenação. Pense nisso. Pere
aí. Não corra. Não adiante a frase, não
reduza a familiaridade, não permita que
a repetição apague o espanto. Nenhuma
condenação, não pouca, não menor, não
mitigada, não temporariamente suspensa,
não relaxada por uma estação de melhor
comportamento, não adiada até a próxima
queda, não reduzida a algo suportável,
nenhuma, nenhuma condenação. Que palavra
é essa? que só esse rompendo um céu que
parecia fechado para sempre. Que mão
escreveu este nenhuma sobre a vida de
pecadores que nada tinham em si senão
mérito para a sentença? Que fonte de
misericórdia é esta? Que profundidade de
conselho eterno é esta? Que evangelho é
este que não apenas oferece ajuda ao
culpado, mas remove a própria
condenação? Nenhuma condenação.
Aqui não se está dizendo que o pecado é
pequeno. Não se está dizendo que Deus,
afinal não leva a sério sua lei. Não se
está dizendo que a culpa era exagero de
consciências sensíveis.
Não se está dizendo que a justiça divina
era apenas figura dramática. Não. O
pecado continua tão terrível quanto
sempre foi. A culpa continua tão real
quanto sempre foi. A lei continua santa,
justa e boa. A ira continua verdadeira.
O juízo continua inevitável para todo
homem fora de Cristo. Mas algo
aconteceu, algo santo, algo definitivo,
algo que o homem jamais poderia ter
produzido. Deus mesmo agiu, Deus mesmo
proveu. Deus mesmo respondeu ao problema
que só ele podia resolver. Nenhuma
condenação.
Isto não quer dizer que a sentença foi
esquecida, quer dizer que foi cumprida.
Não quer dizer que a dívida foi
ignorada, quer dizer que foi paga. Não
quer dizer que a lei foi tratada como
detalhe, quer dizer que foi honrada até
o fim. Não quer dizer que a santidade de
Deus foi sacrificada em nome da
compaixão. Quer dizer que a compaixão de
Deus agiu de um modo perfeitamente
santo. A condenação não foi dissolvida
no ar, foi carregada. O juízo não foi
negado, foi executado.
A maldição não foi desmentida, foi
suportada. E porque foi suportada por
outro, já não resta condenação para
aqueles que estão nele. Nenhuma
condenação.
Mas veja bem, a frase não diz apenas que
não há condenação. Diz para quem não há
condenação. Não há condenação para os
que estão em Cristo Jesus. A glória está
aqui, a segurança está aqui, a
profundidade está aqui. Não é uma
absolvição espalhada genericamente sobre
a humanidade. Não é uma palavra vaga
lançada ao vento. Não é uma benevolência
indefinida. É uma realidade determinada,
objetiva, sólida, inviolável para os que
estão em Cristo Jesus.
Em Cristo Jesus.
Que pequena expressão, que abismo de
vida que o mundo inteiro cabe nessa
pequena preposição em Cristo. Não apenas
admirando Cristo, não apenas imitando
Cristo, não apenas crendo algumas
verdades sobre Cristo, não apenas
pedindo ajuda a Cristo em horas de
aperto em Cristo, nele, unido a ele,
incluído nele, ligado a ele, tomado da
velha condição e posto em uma nova
esfera, novo cabeça, nova humanidade,
novo destino. Porque o drama inteiro da
condenação não pode ser entendido se o
homem for pensado como indivíduo solto.
A escritura pensa de outro modo. Ela nos
mostra que o homem está sempre em
alguém. Primeiro em Adão, depois pela
graça em Cristo. Em Adão condenação. Em
Adão culpa. Em Adão morte. Em Adão a
velha história da raça caída. Mas em
Cristo outra ordem, outra justiça, outra
vida, outro veredito, outro futuro,
outra cabeça, outro princípio, outra
humanidade diante de Deus.
Nenhuma condenação.
Isso significa que o crente não vive
mais no velho território judicial, onde
sua aceitação diante de Deus depende de
seu desempenho diário. Não vive mais
como quem entra e sai do favor divino,
conforme sobe e desce sua própria
temperatura espiritual.
Não vive mais num corredor entre
absorvição e sentença. Não vive mais sob
o regime de uma relação oscilante em que
hoje está seguro, amanhã está perdido,
depois volta a ser recebido, depois
torna a cair fora. Não. O evangelho não
é uma porta giratória. A união com
Cristo não é um abrigo de tempestade
usado por algumas horas. A justificação
não é uma trégua revogável a cada nova
falha. Quando Deus põe um pecador em
Cristo, não o põe ali para um instante.
Não o põe ali até o próximo tropeço. Não
o põe ali enquanto a consciência está
aquecida e a devoção está alta. Põe-no
ali com a firmeza de sua própria obra.
Isso é precisamente o que tantas almas
têm dificuldade de crer. Elas até creem
no perdão, mas pensam o perdão de forma
fragmentária, episódica, quase
administrativa.
Como se o crente passasse a vida
voltando sucessivamente ao ponto zero.
Como se cada pecado o devolvesse ao
banco dos réus. Como se cada queda
reabrisse o processo, como se a cruz de
Cristo tivesse força para remir o
passado, mas deixasse o presente e o
futuro dependentes de alguma performance
espiritual mais estável, como se a paz
com Deus fosse um clima variável. Como
se a aceitação divina fosse uma maré,
como se a obra de Cristo nos tirasse da
condenação pela manhã e nossa fraqueza
nos colocasse de volta nela à noite. Mas
a palavra apostólica não permite isso.
Ela não nos deixa reduzir o evangelho a
esse vai e vem miserável. Ela não nos
deixa pensar a vida cristã como uma
sucessão de entradas e saídas da graça.
Ela não nos deixa conceber o crente como
alguém que ao pecar cai novamente sob
condenação e só depois de novo
arrependimento é readmitido no favor
divino. Não.
A frase é absolutamente demais para
tolerar tal imaginação. Já nenhuma
condenação. Não depois, não talvez, não
às vezes, agora.
Agora, pois, já nenhuma condenação há.
Agora, que palavra preciosa. Agora, não
apenas no fim, agora. Não apenas quando
a santificação estiver madura, agora.
Não apenas quando a consciência aprender
melhor a descansar. Agora, não apenas
quando a luta contra o pecado for menor,
agora, no meio da fraqueza, no meio do
combate, no meio das lágrimas, no meio
das confissões repetidas, no meio da
vergonha que o pecado ainda produz
agora, porque a base dessa palavra não
está no estado mutável do crente, mas na
posição imutável de Cristo. Nenhuma
condenação. E isso não enfraquece a
santidade, antes a aprofunda, porque o
pecado do crente, ainda que não o
devolva à condenação, torna-se mais
odioso, não menos. Não é mais apenas
transgressão diante de um código. É
ofensa contra o amor. É ferida dentro da
casa. É dor em uma relação viva. É o
coração do filho entristecendo o pai. É
o membro agindo contra a vida do próprio
corpo. É a noiva agindo indignamente
para com o noivo. Isso não torna um
pecado pequeno, torna o mais amargo.
Mais amargo, sem condenação. Doloroso
sem expulsão. Vergonhoso sem revogação
da união. Grave, sem retorno ao velho
tribunal. Ah, quantos cristãos vivem
abaixo desta verdade? Quantos se
arrastam em depressão espiritual? Porque
ainda pensam de si como réus instáveis e
não como pessoas postas em Cristo.
Quantos ao cair conclu imediatamente que
perderam o chão da aceitação divina?
Quantos chamam de humildade aquilo que
no fundo é incredulidade
refinada?
Quantos tratam a palavra de Deus como
menor do que a flutuação de seus
sentimentos? Se se sentem aquecidos,
pensam-se recebidos. Se se sentem frios,
pensam-se condenados. Se oraram bem,
acham-se perto. Se fracassaram
miseravelmente, imaginam-se lançados
para fora. Como se a verdade do
evangelho estivesse presa às maris
internas da alma. Como se Cristo
variasse com nossa sensação, como se o
veredito do céu acompanhasse os humores
do coração humano. Nenhuma condenação.
Essa palavra vem justamente para
libertar a alma dessa escravidão. Vem
para arrancá-la da tirania de
interpretar-se a partir de si mesma. vem
para ensinar o crente a olhar primeiro
para fora, para cima, para Cristo, para
a obra consumada, para justiça cumprida,
para a união estabelecida por Deus, para
o lugar onde a condenação já caiu, já
foi esgotada, já foi levada até o fim.
Se a alma permanecer curvada sobre sua
própria oscilação, nunca terá paz firme.
Mas se olhar para Cristo e entender o
que significa estar nele, então começará
a respirar um ar que não vem da Terra,
começará a conhecer a santa estabilidade
do evangelho. Nenhuma condenação.
E que resposta há aqui para o acusador?
Porque o acusador sempre fala a
linguagem da condenação. Ele gosta de
fatos, gosta de quedas, gosta de
memórias, gosta de vergonhas, gosta de
jogar o pecado diante da face do crente
e depois sugerir com lógica cruel que
alguém assim não pode pertencer a Deus.
E se a alma não conhece bem a verdade do
evangelho, facilmente se entrega,
concorda com a acusação e cai num
abatimento que parece piedoso, mas não é
fé. O remédio, porém, não é negar o
pecado, é confessá-lo sem negar Cristo.
É dizer: "Sim, pequei sim,
envergonhei-me. Sim, entristeci o meu
Senhor, sim, fiz o que não devia ter
feito. Mas já nenhuma condenação há para
os que estão em Cristo Jesus. Não porque
eu seja leve, não porque meu pecado seja
leve, mas porque minha condenação não
está mais em aberto. Cristo a tomou.
Nenhuma condenação. Aqui começa uma nova
forma de existir. Não a existência
relaxada, não a existência leviana, não
a existência irresponsável, mas a
existência reconciliada. A existência
que luta, porém sem desespero legal. A
existência que confessa, porém sem medo
serviu. A existência que odeia o pecado,
porém sem imaginar que cada queda desfaz
a obra de Deus. A existência que chora,
mas chora nos braços da graça. A
existência que sabe que feriu o amor,
mas não foi lançado fora dele. A
existência que não transforma a
santificação em causa da aceitação,
porque já sabe que a aceitação foi
estabelecida de uma vez por todas em
Cristo. Condenação era a antiga sombra,
era o antigo reino, era a velha sentença
pairando sobre a raça caída em Adão. Mas
agora em Cristo outra palavra se
levanta, outra realidade se firma, outro
veredito domina. Não um veredito
inventado pela necessidade humana, não
um refrão religioso para acalmar a
culpa, mas a própria declaração de Deus
sobre aqueles que estão no seu filho. Já
nenhuma condenação. E esta palavra não é
pequena, ela é larga como a
justificação, funda como a cruz, firme
como a obediência de Cristo, duradoura
como a vida do ressuscitado, alta como o
céu onde o nosso redentor vive, segura
como o propósito eterno de Deus, tão
segura, tão plena, tão total, que dela
já começa a nascer tudo mais. Paz,
coragem, combate santo, perseverança,
esperança e por fim glória.
Mas ainda estamos só no início, ainda
estamos diante da porta, ainda estamos
diante da primeira grande trombeta deste
capítulo. E ela não toca baixo, ela toca
para derrubar fortalezas, toca para
calar o inferno, toca para tirar a alma
do banco dos réus, toca para ensinar o
crente a não viver mais como quem teme
uma sentença já executada em seu
substituto. Já nenhuma condenação,
nenhuma para os que estão em Cristo
Jesus.
E no entanto, quantas almas vivem como
se essa palavra não fosse inteira?
Quantas a escutam e ainda assim não
ousam
habitá-la? Quantas a lei e voltam a
organizar a própria vida espiritual como
se o antigo tribunal ainda estivesse
aberto. Quantas dizem: "Nenhuma
condenação com os lábios". E por dentro
continuam andando de um lado para o
outro numa prisão cuja porta Cristo já
arrombou.
Há um erro antigo entre os crentes, um
erro triste, um erro piedoso na
aparência, mas cruel. em seus frutos. É
o erro de imaginar a vida cristã como um
movimento contínuo entre dois estados.
Ora aceito, ora condenado. Ora perto,
ora excluído. Ora em paz, ora sob
sentença. Ora recebido, ora rejeitado.
Ora dentro, ora fora. Esse pensamento se
instala sem muito ruído. Não costuma
entrar com o nome de heresia. Não chega
vestido de rebeldia. chega quase sempre
com roupas de humildade. Parece zelo,
parece seriedade moral, parece
sensibilidade de consciência, parece até
reverência diante da santidade de Deus.
Mas no fundo ele corroi o coração do
evangelho porque transforma a obra
consumada de Cristo em um amparo
intermitente,
transforma a justificação em uma espécie
de alívio episódico. Transforma a vida
cristã em uma alternância miserável
entre absolv.
É assim que muitos pensam, ainda que não
saibam formular. Quando pecam, conclui
imediatamente: "Agora voltei para
debaixo da condenação." Depois se
arrependem, confessam, choram, pedem
perdão. Então pensam: "Agora fui
admitido outra vez". Cai novamente e
outra vez se imaginam lançados para
fora. Voltam a clamar e pensam-se de
novo recebidos.
E assim seguem, entram e saem. Entram e
saem. Entram e saem. como se a graça
fosse uma soleira nervosa, como se
Cristo fosse uma porta giratória, como
se a união com ele pudesse ser desfeita
e refeita ao ritmo dos tropeços diários.
Mas não é assim. Não é assim. Mil vezes
não é assim. Porque o apóstolo não diz:
"Há momentos em que não há condenação."
Não diz depois de uma boa confissão, por
algum tempo não há condenação. Não diz
enquanto o crente se mantém em certo
nível de fervor. Não há condenação. Não
diz, se ele estiver suficientemente
quebrantado, talvez não haja condenação.
Não.
Ele diz algo muito mais alto, muito mais
fixo, muito mais absoluto. Ele diz: "Já
nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus". O problema de muitas
consciências não é que levem o pecado a
sério demais, é que ainda levam Cristo a
sério de menos.
Não é que temam demais a santidade de
Deus, é que ainda não compreenderam a
grandeza da resposta que o próprio Deus
deu em seu filho. Não é que sintam
demais a gravidade da culpa, é que ainda
não viram com olhos de fé a completude
da justificação. Elas olham muito para a
ferida e pouco para o remédio, muito
para a dívida e pouco para o pagamento.
Muito a acusação e pouco para o
advogado. muito para si e pouco para
Cristo. E assim, mesmo depois de ouvir o
evangelho, continuam raciocinando como
réus, continuam se movendo dentro da
velha lógica legal, continuam a tratar a
aceitação divina como se fosse salário
espiritual.
Não salário bruto, talvez, mas salário
refinado, salário evangélico, salário
disfarçado de devoção.
Acham que não dependem de obras para ser
salvos, mas na prática dependem da
própria condição interior para crer que
continuam aceitos. Se a alma está
aquecida, supõe-se perto. Se a alma está
seca, supõe-se distantes. Se venceram
tentações, respiram com mais liberdade
diante de Deus. se fracassaram
miseravelmente, imaginam-se outra vez na
antissala da sentença.
Que prisão cansativa é essa? Que
religião exaustiva é essa? Que pobreza
de entendimento é essa? O homem chama
isso de humildade, mas muitas vezes não
passa de incredulidade persistente.
Porque Deus disse uma coisa e a alma
insiste em viver como se outra fosse a
verdade. Deus disse: "Nenhuma
condenação." Há alma responde, talvez
alguma. Deus disse: "Em Cristo Jesus, há
uma responde em Cristo, sim, mas também
em mim mesma, em meu estado, em meu
desempenho, em meu calor, em minha
firmeza". Deus aponta para o filho, a
alma volta a apontar para seu próprio
pulso espiritual.
É aqui que tantos crentes adoecem.
Adoecem de introspecção, adoecem de
escrúpulo, adoecem de abatimento legal,
adoecem de uma tristeza que parece
santa, mas não produz liberdade filial.
A tristeza, segundo Deus, sim. Há
quebrantamento verdadeiro, sim. Há choro
limpo diante do pecado, sim. Mas há
também uma tristeza orgulhosa,
curva sobre si mesma, mais ocupada com a
própria experiência do que com a
fidelidade da palavra de Deus. E essa
tristeza paralisa. Rouba o vigor, rouba
a paz, rouba a coragem, rouba a alegria
da obediência, rouba a simplicidade da
fé. Porque o homem que pensa estar
entrando e saindo da condenação, nunca
aprende a andar com firmeza, nunca
aprende a levantar a cabeça, nunca
aprende a responder ao acusador com
estabilidade, nunca aprende a combater o
pecado a partir da paz. está sempre
começando do zero, sempre reabindo o
processo, sempre reconstruindo o chão,
sempre tentando descobrir se naquele dia
ainda é amado, ainda é recebido, ainda
pode chamar Deus de pai sem estar
abusando da linguagem. Mas um filho não
vive assim.
Um filho pode entristecer o pai, pode
ferir a comunhão, pode trazer dor para
dentro de casa, pode precisar de
correção, pode precisar de lágrimas,
pode precisar de restauração, mas não
sai da família a cada falha, não deixa
de ser filho porque caiu, não tem sua
afiliação dissolvida a cada
desobediência. E se isso é verdade em
analogias humanas frágeis, quanto mais
na realidade soberana da graça, onde o
vínculo não foi produzido pela vontade
vacilante do homem, mas pela ação firme
de Deus. Há algo profundamente errado em
imaginar o crente como alguém que pode
estar em Cristo pela manhã, fora dele à
tarde e novamente nele à noite. Que
imagem seria essa da união com o
Salvador? Que espécie de corpo é esse
cujos membros entram e saem da cabeça
conforme a qualidade do dia? Que espécie
de casamento é esse cuja aliança evapora
a cada falha? Que espécie de videira é
essa em que os ramos pertencem, ora
deixam de pertencer, ora são reatados,
oram se desligam conforme a flutuação da
ceiva sentida? Não,
a própria linguagem bíblica resiste a
essa imaginação. Tudo nas figuras da
Escritura aponta para vínculo, para
participação, para organicidade, para
ligação de vida, não para um contrato
emocional renovado ao sabor do momento.
Mas por que esse erro é tão persistente?
Porque o coração humano tem horror a
pura graça, tem medo dela, desconfia
dela, quer sempre introduzir alguma
instabilidade que preserve um lugar para
o mérito, ou pelo menos para a
autoavaliação. Quer sempre deixar a
salvação um pouco dependente do estado
do salvo. Quer sempre colocar uma escada
ao lado da cruz. quer sempre deixar uma
pequena porta aberta para voltar a falar
em condenação, caso o crente não
corresponda suficientemente.
A carne sente-se mais segura quando pode
administrar alguma parcela da aceitação
divina. A graça, porém, destrói
essa administração. A graça não pede
licença ao orgulho. A graça não preserva
áreas de autogestão espiritual. Ela tira
o homem de si, tira-o da velha lógica,
tira-o do velho regime, tira-o do velho
banco dos réus e o põe inteiramente sob
outro. E é precisamente isso que tantas
consciências resistem em aceitar, porque
se isso for verdade, então o chão da
segurança cristã não está no quão
profundamente me arrependo, nem no quão
intensamente sinto, nem no quão
consistente foi esta semana, nem no quão
limpa parece minha memória hoje, nem no
quão aquecidas estão minhas afeições,
nem no quão pronta foi minha resposta à
tentação. Se isso for verdade, então
minha segurança está fora de mim, está
em Cristo, está no que ele é, está no
que ele fez, está no lugar onde Deus me
pôs a unir-me a ele. E isso humilha,
humilha profundamente, porque o homem
prefere uma insegurança que ainda lhe
permita olhar para si do que uma
segurança inteira que o força a olhar só
para Cristo. prefere participar um pouco
da própria absolvição, prefere poder
dizer, ao menos secretamente que hoje
está mais aceito porque foi melhor.
Prefere conservar alguma gestão
espiritual do próprio favor diante de
Deus, mas o evangelho arranca essa
possibilidade pela raiz. Não deixa
espaço, não abre exceção, não oferece
uma graça complementar ao esforço
humano, oferece uma justiça completa em
Cristo e, por isso mesmo, uma aceitação
completa nele. Isso não quer dizer que o
crente não deva confessar o pecado, não
quer dizer que não deva envergonhar-se
dele. Não quer dizer que não deva
entristecer-se profundamente quando cai.
Não quer dizer que a comunhão não seja
ferida. Não quer dizer que a disciplina
paternal de Deus seja imaginária. Nada
disso. O pecado do crente é real. A dor
do crente por tê-lo cometido deve ser
real. A busca por restauração da
comunhão deve ser real. As lágrimas
podem ser necessárias. A confissão é
necessária. O retorno humilde ao Pai é
necessário. Tudo isso permanece. Mas uma
coisa não retorna. A condenação não
retorna. O tribunal não retorna. O
veredito não retorna. O antigo status do
réu não retorna, porque aquilo que foi
resolvido em Cristo não é reaberto a
cada nova queda. A cruz não precisa ser
revalidada pelo estado emocional do
crente. A justificação não entra em
revisão sempre que o Santo tropeça. A
união com Cristo não se desfaz a cada
emboscada do pecado remanescente.
E como isso precisa ser dito? Dito de
novo, dito com força, dito contra mil
hábitos mentais religiosos, dito contra
o legalismo grosseiro e contra o
legalismo refinado. Dito contra a ideia
de que a fé começa na graça, mas
continua sob ameaça. Dito contra a
imaginação de que o crente vive num
corredor instável entre perdão e
sentença, dito contra o abatimento que
parece irreverente, mas que na verdade
contradiz o testemunho claro da
Escritura.
Porque veja a crueldade desse erro. O
homem pensa que ele o torna mais santo,
mas na prática ele o torna mais fraco.
Pensa que o mantém vigilante, mas na
prática o mantém deprimido. Pensa que
preserva o temor de Deus, mas na prática
o lança em um temor servil, estreito,
adoecedor, diferente daquele santo
tremor filial que floresce dentro da
segurança do amor. Pensa que a ameaça
constante o fará lutar melhor contra o
pecado, mas muitas vezes ela o torna
menos livre, menos grato, menos
corajoso, menos cheio de esperança.
Porque ninguém combate bem quando ainda
pensa que a batalha decidirá se terá ou
não um pai. Ninguém luta com vigor
quando imagina que cada queda pode
lançá-lo novamente para fora da casa.
Ninguém cresce com saúde quando vive sob
a impressão de que a aceitação de Deus é
um chão provisório. A alma precisa de
firmeza para caminhar, precisa de paz
para obedecer, precisa de segurança para
amar, precisa saber que está em casa
para aprender a viver como filho. E é
precisamente isso que o evangelho dá.
Muitos fracassam moralmente porque estão
espiritualmente
deprimidos. caem não apesar
de seu abatimento legal, mas muitas
vezes por causa dele. Vivem olhando para
baixo, vivem medindo o próprio pulso,
vivem tentando descobrir se ainda
pertencem a Deus, vivem interrogando a
própria condição interior em vez de
fixar os olhos na suficiência de Cristo.
Enquanto a alma permanece curvada assim,
o pecado ganha campo. Porque o coração
sem paz procura anestesias. A alma sem
descanso procura alívios falsos. A
consciência que não aprende a respirar o
ar da graça torna-se vulnerável a mil
tentações de fuga, de compensação, de
desespero. Mas quando o crente entende,
ainda que com mãos trêmulas, ainda que
lentamente, que nenhuma condenação
significa exatamente isso, algo muda em
sua própria luta. Ele ainda detesta o
pecado, ainda o chora, ainda o confessa,
ainda o combate, mas já não o combate
como um réu tentando salvar-se.
Combate-o como um homem já recebido, já
unido a Cristo, já posto sob uma justiça
alheia perfeita. combate não para
tornar-se filho, mas porque é filho. Não
para escapar da condenação, mas porque
dela já foi libertado. Não para abrir
caminho até o amor de Deus, mas porque
já foi alcançado por esse amor em
Cristo. Aqui está uma diferença imensa.
Uma diferença que separa a escravidão de
liberdade, uma diferença que separa a
religião de evangelho, uma diferença que
separa uma vida cristã constantemente
ofegante, de uma vida cristã que, embora
ainda marcada por lutas, aprendeu onde
repousar.
Há uma que vive entrando e saindo de
sentenças, nunca conhece descanso. Há
alma que crê que foi posta em Cristo,
começa enfim a conhecer firmeza. E dessa
firmeza brotam muitas coisas. Brotam
coragem para confessar sem fingimento.
Brotam lágrimas limpas sem desespero
legal. Brotam forças para levantar
depois da queda. Brotam resistência ao
acusador. Brotam gratidão. Brotam
afeições mais puras. brotam ódio mais
santo ao pecado, brotam raízes mais
profundas de obediência. Porque o homem
que sabe que não estar mais sob
condenação não se torna relaxado,
torna-se, se de fato entendeu a graça
mais sensível, mais reverente, mais
amante de Cristo. A cruz, quando
conhecida de verdade não produz
frivolidade, produz espanto, produz
amor, produz vergonha santa, produz
desejo de não ferir mais aquele que
levou a condenação em nosso lugar.
Mas esse ponto virá com mais força
adiante. Por agora basta ver isso. O
erro de imaginar a vida cristã como um
vai e vem entre condenação e aceitação
não preserva a santidade. Ela obscurece
a justificação.
E obscurecer a justificação é sempre
adoecer a alma. Porque onde a
justificação se apaga, a paz vacila.
Onde a paz vacila, a fé enfraquece. Onde
a fé enfraquece, o olhar volta para
dentro. Onde o olhar volta para dentro,
a consciência perde o céu de vista. Onde
o céu de vista se perde, o acusador
cresce.
E onde o acusador cresce, a vida cristã
torna-se estreita, pesada, ansiosa,
cansada.
Não foi para isso que Paulo escreveu.
Não foi para isso que Cristo morreu. Não
foi para isso que o Espírito nos une ao
filho. A linguagem apostólica é mais
majestosa, mais sólida, mas total. Ela
não foi dada para alimentar escrúpulos
religiosos. Foi dada para libertar a
consciência cativa. Foi dada para
instruir a fé. Foi dada para arrancar o
crente do velho modo de pensar. foi dada
para ensinar-lhe a dizer: "Em meio às
quedas, em meio às lágrimas, em meio à
vergonha, em meio ao combate". Eu
pequei, sim, mas não voltei para a
condenação. Feri o amor, sim, mas não
fui lançado fora dele. Entristeci meu
Senhor, sim, mas não saí de Cristo.
Minha comunhão precisa de restauração,
sim, mas meu status diante de Deus não
se tornou outra vez o de um réu. Que
liberdade h nisso? que sobriedade
também, porque isso não amolece a alma,
isso afirma. Não a torna aliviana, torna
a grata. Não a faz brincar com o pecado,
faz-lhe odiar ainda mais aquilo que
escurece a comunhão com tão grande
Salvador. Mas acima de tudo, faz cessar
a antiga oscilação, faz cessar o velho
pêndulo, faz cessar o desespero de viver
sempre entre portas, entre sentenças,
entre estados. Já não, já não, já não,
já nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus. E essa palavra
quando realmente entra, começa a
expulsar da alma toda a arquitetura
falsa. Expulsa a religião do medo
instável, expulsa o legalismo refinado.
Expulsa a ideia de uma graça provisória.
Expulsa a fantasia de um Cristo que
recebe hoje e rejeita amanhã. expulso o
hábito de interpretar a própria posição
diante de Deus pelas oscilações
da experiência interior. O crente ainda
será fraco, ainda será tentado, ainda
tropeçará, ainda terá de confessar,
ainda terá de correr para o Pai, ainda
conhecerá a tristeza do pecado
remanescente. Mas não viverá mais como
um homem entre duas portas, não viverá
mais como alma entre duas sentenças. não
viverá mais como quem está sempre
prestes a voltar ao banco dos réus. O
evangelho o chamou para fora disso.
Cristo chamou para fora disso. A
justificação o chamou para fora disso. A
união com Cristo chamou para fora disso.
E se o coração ainda hesita em crer, é
preciso continuar ouvindo até que a
grandeza da palavra apostólica vença a
pequenez de nossos hábitos, até que o
nenhuma de Deus se torne mais real para
nós do que todos os talvez da nossa
consciência. até que a alma aprenda,
enfim, a não se reorganizar pela ameaça
de condenação, mas pela certeza de estar
em Cristo. Porque quem ainda vive entre
portas, ainda não entendeu a casa. Quem
ainda vive entre sentenças ainda não
entendeu a cruz. Quem ainda vive
entrando e saindo da condenação, ainda
não entendeu o que significa estar em
Cristo Jesus.
Mas aqui é preciso descer mais fundo,
porque mesmo depois de ouvir tudo isso,
ainda há uma confusão que permanece
agarrada à mente de muitos. Uma confusão
persistente, uma confusão sutil, uma
confusão que, se não for arrancada pela
raiz, continuará perturbando a paz da
alma e obscurecendo a glória do
evangelho.
Qual é essa confusão? é esta tomar
nenhuma condenação como se fosse
principalmente uma descrição de
experiência interior. Como se Paulo
estivesse dizendo que o cristão é alguém
que em certos momentos altos já não se
sente condenado, como se a grande
verdade de Romanos 8:1 fosse, no fundo,
um estado emocional mais leve, como se
tudo dependesse de um certo grau de paz
subjetiva, como se o texto estivesse
falando, acima de tudo, do clima da
alma. Mas não é isso, não é isso em
primeiro lugar, não é isso no centro,
não é isso no fundamento. O apóstolo não
está descrevendo primariamente a
temperatura da experiência cristã, está
declarando a realidade da posição
cristã. Não está falando, antes de tudo,
de sensação, está falando de estado
diante de Deus. Não está falando em
primeiro plano de como o crente se
percebe, está falando de como o crente
está. não está descrevendo o movimento
das emoções, está anunciando o veredito
objetivo do céu sobre aqueles que estão
em Cristo Jesus. Que diferença imensa há
aqui. Que diferença libertadora, que
diferença entre o chão e a névoa, entre
a rocha e a maré, entre o que Deus
estabeleceu e o que a alma sente em suas
alternâncias.
Porque sentimentos mudam. mudam com o
corpo, mudam com a memória, mudam com a
fadiga, mudam com a tentação, mudam com
uma noite ruim, mudam com uma palavra
ouvida no momento errado, mudam com uma
fraqueza física, mudam com o peso de um
pecado recente, mudam com o abatimento,
mudam com ansiedade, mudam até sem que
saibamos explicar porquê. Há dias em que
a alma aparece clara, dias em que tudo
dentro de nós parece mais ordenado, dias
em que a oração corre com mais
liberdade, dias em que a consciência
parece mais quieta, dias em que a
palavra vem com doçura, dias em que o
coração responde com prontidão, dias em
que o crente quase se espanta de já ter
sido tão sombrio.
Mas há também dias de neblina, dias de
peso, dias em que a memória aparece um
campo de espinhos, dias em que a culpa
recente ainda queima na consciência,
dias em que o coração parece opaco. Dias
em que a fé não perde sua realidade, mas
perde seu calor sensível. Dias em que o
céu parece alto e a alma baixa. Dias em
que o crente não duvida exatamente de
Deus, mas luta penosamente para não
duvidar de si mesmo diante de Deus.
Se a verdade de Romanos 8:1 dependesse
desse terreno, quem poderia permanecer?
Se nenhuma condenação fosse apenas a
descrição de um estado psicológico
elevado, que esperança haveria para os
dias escuros?
Se essa palavra valesse somente quando o
coração se sente limpo, aquecido e
livre, ela seria pequena demais para o
tipo de salvação de que necessitamos.
Seria uma luz boa para manhãs
favoráveis. Não seria o sol firme de uma
redenção eterna. Mas o evangelho não foi
dado apenas para dias claros, foi dado
também para as horas baixas. foi dado
para o crente forte e para o crente
trêmulo, para o cristão que canta e para
o cristão que geme, para a alma em
triunfo e para a alma em combate,
para a consciência que naquele dia
consegue erguer a cabeça e para a
consciência que mal consegue sussurrar.
Porque sua verdade não se sustenta sobre
a firmeza do nosso sentir, sustenta-se
sobre a firmeza da obra de Cristo. É por
isso que o apóstolo fala como fala, ele
não diz: "Há em vós um sentimento de não
condenação". Ele diz já nenhuma
condenação há. Há, existe, está
estabelecido. É assim, é um fato, é um
estado, é uma realidade perante Deus, é
um status judicial. santo, objetivo,
completo, que não nasce do interior do
homem, mas do ato divino que o
justificou em Cristo. Aqui o evangelho
nos obriga a pensar com mais precisão,
porque há verdades que aquecem e há
verdades que primeiro precisam firmar.
Romanos 8:1 faz as duas coisas: aquece
sim, consola sim, derrama bálsamo sim,
mas antes de tudo estabelece, planta os
pés, crava estacas no solo. Diz a alma:
"Pare de se medir como se você fosse o
fundamento de seu próprio estado diante
de Deus. Pare de transformar suas
oscilações em tribunal. Pare de
confundir sua condição subjetiva com a
sentença objetiva já pronunciada em
Cristo. Isso precisa ser dito com
firmeza, porque o coração humano tem uma
tendência quase invencível a
espiritualizar sua própria
instabilidade.
Ele transforma seus altos e baixos em
interpretação teológica. Se sente paz,
conclui Deus está me recebendo melhor.
Se sente peso, conclui: "Talvez Deus
tenha se afastado." Se orou com fervor,
pensa: "Hoje estou de pé". Se orou sem
sabor, pensa: "Hoje, talvez eu tenha
voltado a cair sob alguma sombra de
rejeição."
A alma toma seu próprio pulso e o
converte em doutrina, mas a escritura
vem e quebra esse hábito.
Ela não nos manda começar pela sensação,
manda começar pela verdade. Não nos
manda interpretar Cristo pela alma.
Manda interpretar a alma por Cristo. Não
nos manda construir segurança em cima de
experiência. manda receber a experiência
à luz de uma obra que já foi completada
fora de nós.
Isso é decisivo.
Decisivo para paz, decisivo para
obediência, decisivo para a saúde
espiritual, decisivo para o combate
contra o pecado, decisivo para a
resistência ao acusador.
Porque enquanto o crente não distinguir
claramente entre posição e sensação,
viverá em confusão permanente.
Quando se sentir bem, suporá que sua
posição está firme. Quando se sentir
mal, imaginará que sua posição vacilou.
Quando estiver emocionalmente
aquecido, pensará que o céu está mais
aberto. Quando estiver abatido, pensará
que alguma nuvem jurídica voltou a
pairar sobre sua cabeça. E assim, em vez
de descansar na palavra de Deus, passará
a ler a mente de Deus por meio de seus
próprios humores.
Que tirania é essa? Que névoa é essa?
Que inversão é essa? O homem faz de sua
experiência a lente final. Então, toda a
vida cristã fica instável porque ele a
construiu
sobre um elemento que Deus nunca quis
que fosse fundamento. A posição do
crente é uma coisa, sua experiência da
posição é outra. Sua união com Cristo é
uma coisa, sua consciência viva dessa
união é outra. Sua justificação é uma
coisa. Seu gozo sensível da justificação
é outra. Sua adoção é uma coisa, o calor
com que ele sente essa adoção em certo
dia é outra. É possível estar de pé e
sentir-se fraco. É possível estar seguro
e sentir-se abalado. É possível estar
aceito e por causa do pecado
remanescente, da tentação, do cansaço ou
da escuridão exterior. Experimentar
pouco dessa aceitação em nível
emocional.
Isso não diminui a realidade. Isso
apenas mostra que a realidade é maior do
que a sensação.
E que misericórdia nisso. Que grande
misericórdia. Porque se Deus nos
tratasse conforme a clareza variável da
nossa consciência, quem suportaria? Se
nosso status diante dele subisse e
descesse ao ritmo de nossa percepção, o
céu inteiro seria convertido num espelho
instável da nossa fragilidade.
Mas Deus não nos justifica pela
qualidade da nossa sensação, nem nos
mantém justificados pela constância do
nosso fervor. Ele nos justifica em
Cristo. E essa justificação que se torna
a base sobre a qual depois a experiência
cristã pode ser curada, corrigida,
aprofundada e amadurecida.
Muitos querem começar do lado errado.
Querem primeiro sentir plenamente para
então crer com firmeza. Querem primeiro
experimentar paz sem sombra para então
concluir que o texto é verdadeiro.
Querem primeiro uma consciência
perfeita, serena, para então se
apropriar da sentença divina de nenhuma
condenação. Mas a ordem do evangelho não
é essa. Primeiro Deus fala, primeiro
Deus declara, primeiro Deus estabelece,
primeiro Deus justifica. Então,
gradualmente, muitas vezes, em meio a
combates prolongados, a alma aprende a
habitar aquilo que já era verdade diante
de Deus antes de se tornar doce em sua
experiência.
Aqui está uma das grandes necessidades
da vida cristã. Aprender a responder a
própria alma e não apenas ouvi-la.
Aprender a instruí-la, aprender a
contrariá-la,
aprender a levá-la de volta à palavra
quando ela quiser construir doutrina a
partir
do abatimento.
Aprender a dizer ao coração: "Você está
pesado?" Sim. Você está envergonhado,
sim. Você está ferido, sim. Mas a sua
vergonha não é o veredito de Deus. O seu
peso não é a sentença do céu. O seu
abatimento não é a revogação da
justificação.
Você precisa de arrependimento, sim.
Precisa de confissão, sim. Precisa de
restauração na comunhão, sim. Mas não
precisa inventar uma condenação que Deus
já removeu em Cristo. Quantos seriam
preservados de longos desertos
espirituais se compreendessem isso?
Quantos deixariam de chamar de humildade
aquilo que no fundo é apenas
incapacidade de receber a grandeza
objetiva da graça? Quantos cessariam de
confundir vergonha santa com condenação
judicial? Quantos aprenderiam a chorar
sem se lançar de volta ao banco dos
réus? Quantos aprenderiam a lamentar o
pecado sem reconstruir o tribunal?
Quantos aprenderiam a distinguir entre a
dor de ter entristecido o pai e o pavor
de ter sido novamente lançado fora? Isso
nos leva a outro ponto delicado.
Quando Paulo fala nenhuma condenação,
ele não está descrevendo um cristão que
nunca sente dor pelo pecado. Não está
descrevendo um homem que nunca treme.
Não está descrevendo uma alma que nunca
passa por conflitos severos.
não está descrevendo uma vida sem
disciplina paternal, sem lágrimas, sem
humilhação, sem vergonha santa, nada
disso. O cristão pode sofrer muito por
causa de seu pecado, pode ser
profundamente quebrantado, pode sentir a
amargura de ter entristecido o Senhor.
Pode carregar por algum tempo um peso
grande na consciência até que volte pela
fé à plena vista do evangelho. pode
conhecer a vara amorosa de Deus, pode
ser severamente corrigido, pode ser
humilhado por quedas que o façam odiar
mais ainda a corrupção que permanece
nele. Tudo isso pode ser real, tudo isso
pode ser intensíssimo,
mas uma coisa é a dor filial, outra
coisa é a condenação judicial, uma coisa
é o coração do filho entristecido, outra
coisa é o estado do réu sentenciado,
uma coisa é a disciplina do pai, outra
coisa é a ira do juiz sobre o culpado
fora de Cristo. Se essas duas coisas
forem confundidas, toda a vida
espiritual fica turva. A disciplina
parecerá condenação, a vergonha parecerá
expulsão. A luta parecerá perda de
posição, o abatimento parecerá retorno
ao velho regime legal. E o coração, em
vez de correr livremente para Deus em
confissão, recuará de Deus como se ainda
estivesse diante dele sem mediador. Mas
não é esse o caso do cristão. Nunca mais
é esse o caso do cristão. É exatamente
isso que Paulo está afirmando. Aquele
que está em Cristo não é mais um homem
cujo problema principal é descobrir se
será condenado. Esse problema foi
resolvido. foi resolvido objetivamente,
foi resolvido judicialmente, foi
resolvido por substituição, foi
resolvido pela justiça de outro, foi
resolvido no tribunal de Deus, não
apenas no interior da alma. E porque foi
resolvido ali, a alma é chamada a
aprender pouco a pouco a viver à altura
dessa realidade.
Ó, como isso amplia o evangelho, como
retira da esfera estreita do mero
consolo psicológico, como impede de ser
tratado apenas como um conjunto de
técnicas para pacificar emoções
religiosas.
O evangelho faz isso sim, pacifica,
consola, cura, sustenta,
mas porque é verdadeiro antes de ser
sentido, porque é objetivo antes de ser
saboreado, porque está firmado em Cristo
antes de ser experimentado em nós.
Muitas vezes Deus permite que seus
filhos atravessem estações de fraqueza
justamente para ensiná-los a distinguir
essas coisas, para que aprendam a não
viver da claridade do próprio coração,
mas da claridade da sua palavra.
para que aprendam a não fazer da
experiência um Senhor tirânico. Para que
aprendam a não chamar de fundamento
aquilo que é apenas fruto. A experiência
cristã é preciosa, a paz sensível é
preciosa. O gozo da salvação é precioso,
o testemunho interior do espírito é
precioso, mas nada disso é a base da
justificação.
Tudo isso floresce sobre uma base
anterior, mais funda, mais sólida, mais
santa. a obra consumada de Cristo
aplicada ao pecador por Deus mesmo. Isso
significa que há momentos em que a fé
precisa caminhar quase às cegas em
termos de sensação, mas nunca as cegas
em termo de verdade. A alma pode não
sentir muito, pode até sentir o
contrário, pode sentir-se pequena, suja,
cansada, batida, sem brilho, sem música
interior. Mas se está em Cristo, a
sentença do céu não se tornou nebulosa,
só porque seus afetos se tornaram
nebulosos.
O nenhuma condenação de Deus não
enfraquece, porque a consciência perdeu
por um tempo o vigor de sua alegria. A
obra de Cristo não desce com a maré da
experiência humana. Ela permanece, ela
sustenta, ela guarda, ela
e aqui é um chamado sério, a maturidade,
a vida cristã. não pode permanecer para
sempre infantilmente dependente da
variação dos sentimentos para discernir
o que é verdadeiro diante de Deus. É
preciso crescer, é preciso aprender, é
preciso tornar-se capaz de dizer: "Minha
alma hoje está turva, mas a palavra de
Deus não está turva. Meu coração hoje
está instável, mas Cristo não está
instável. Minha percepção hoje está
ferida, mas minha posição em Cristo não
foi alterada. Meu gozo hoje está baixo,
mas minha justificação continua inteira.
Essa distinção não seca a fé, não a
torna mecânica, não a torna impessoal,
pelo contrário, é ela que a longo prazo
salva a alma da escravidão ao próprio
estado e a conduz a uma comunhão mais
estável, mais profunda, mais reverente e
mais livre.
Porque só quem aprende a não fazer dos
sentimentos o trono consegue depois
recebê-los como servos bons. Só quem
aprende a começar pelo fato pode depois
desfrutar corretamente a doçura da
experiência. Só quem aprende afirmar-se
na posição pode depois atravessar com
saúde as estações variadas da
sensibilidade espiritual. Portanto,
quando o apóstolo diz já nenhuma
condenação há, ele está erguendo diante
de nós algo maior do que um alívio
emocional. Está erguendo um estado
jurídico salvífico, santo, definitivo,
estabelecido por Deus para todos os que
estão em Cristo Jesus. Ele está dizendo
ao crente: "Seu problema principal
diante do tribunal divino foi resolvido
você não está apenas sendo acalmado,
está sendo declarado justo em outro.
Não está apenas sendo consolado, está
sendo posto numa nova posição, não está
apenas tendo melhores sensações, está
sendo retirado de um antigo reino de
sentença e introduzido numa nova esfera
de aceitação irrevogável.
E quando isso entra no coração, não como
mera fórmula, mas como realidade, algo
começa a se ordenar. A alma ainda sente,
ainda sofre, ainda oscila, ainda luta,
mas já não confunde tudo isso com sua
posição diante de Deus. Aprende a chorar
sem negar a cruz. Aprende a confessar
sem anular a justificação. Aprende a
tremer sem abandonar a fé. Aprende a
passar por dias ruins sem reescrever o
veredito do céu. Porque o céu não nos lê
como nós nos lemos. O céu lê os que
estão em Cristo à luz de Cristo. E lidos
à luz de Cristo são justificados,
aceitos, cobertos, unidos, guardados,
sem condenação. Sem condenação. Não
porque sempre o sintam, sem condenação,
porque essa é a posição que Deus lhes
deu em seu filho. E isso muda tudo. Muda
a maneira de sofrer, muda a maneira de
confessar, muda a maneira de lutar, muda
a maneira de esperar,
muda a maneira de olhar para cima, muda
a maneira de suportar até mesmo os dias
em que a alma parece quase incapaz
de sustentar-se. Porque então o crente
aprende o segredo santo de não começar
por si. Não começar pelo humor, não
começar pela emoção, não começar pela
força do dia, não começar pela impressão
interior, mas começar pelo que Deus
disse, pelo que Deus fez, pelo que Deus
estabeleceu em Cristo. E é precisamente
isso que nos leva ao próximo passo.
Porque se nenhuma condenação é uma
posição e não meramente um sentimento,
então precisamos perguntar sobre que
fundamento essa posição repousa. Como é
possível que pecadores reais, culpados
reais, fracos reais, ainda lutando
contra o pecado, possam estar assim
diante de Deus? Que realidade é essa
mais funda do que toda sensação que
torna essa palavra inabalável?
A resposta do apóstolo já começou a suar
desde o início. Em Cristo Jesus.
Em Cristo Jesus. Que expressão breve,
que expressão pequena na forma e no
entanto, que vastidão ela carrega.
Poucas palavras da Escritura abrem um
horizonte tão largo, poucas descem tão
fundo, poucas sustentam tanto peso,
poucas são tão suaves ao ouvido da fé e
ao mesmo tempo tão decisivas para a
estrutura inteira do evangelho em Cristo
Jesus. Aqui está a razão, aqui está o
fundamento, aqui está a explicação, aqui
está a resposta à pergunta que
inevitavelmente se levanta. Como pode
haver nenhuma condenação para pecadores
reais? Como pode uma palavra tão
absoluta ser pronunciada sobre homens
que ainda conhecem fraqueza, luta,
queda, lágrimas, conflito e pecado
remanescente? Como pode Deus dizer
nenhuma sem diminuir sua santidade? Como
pode o céu falar assim sem afrouxar a
justiça? Como pode a paz ser tão sólida
sem ser mentirosa
em Cristo Jesus?
É essa a resposta. Não em si mesmos, não
em sua melhora, não em seu progresso,
não em sua sensibilidade espiritual, não
em sua obediência mais limpa, não em
suas lágrimas mais profundas, não em sua
constância, não em sua firmeza, não em
sua religião, não em seus melhores dias,
não em seu passado corrigido, não em sua
devoção, não em sua capacidade de
sustentar-se em Cristo Jesus.
E como o coração resiste a isso, como
resiste? Porque ele aceita até certo
ponto que Cristo ajude, aceita que
Cristo complemente, aceita que Cristo
perdoe, aceita que Cristo fortaleça,
aceita que Cristo acompanhe, aceita até
que Cristo tenha um papel central, mas
demora muitíssimo a aceitar que toda a
sua posição diante de Deus esteja
inteiramente fora de si, inteiramente
nele. Demora aceitar que o chão não está
em sua resposta, mas em seu
representante.
Demora aceitar que a segurança não
repousa no quanto se agarrou a Cristo,
mas no fato de Deus tê-lo posto em
Cristo. Em Cristo Jesus. Essa preposição
é pequena, mas que revolução ela
realiza? Ela muda o lugar em que o homem
existe espiritualmente. Muda a sua
esfera, muda sua cabeça, muda seu
pertencimento, muda a sua história
judicial, muda seu futuro, muda o modo
como Deus o vê, muda o modo como a graça
o alcança, muda até mesmo o modo como o
seu pecado restante deve ser entendido.
Porque o evangelho não consiste apenas
em enviar benefícios a pecadores
distantes. Consiste em unir pecadores a
Cristo. Não apenas em transmitir perdão
desde longe, mas em incorporar o homem a
uma nova realidade viva. Não apenas a
cancelar uma dívida num registro
externo, mas em transladar o pecador de
uma velha ordem para uma nova criação em
seu cabeça. Não apenas em tirar algo
dele, mas em colocá-lo em alguém, em
Cristo Jesus. Não é apenas proximidade,
não é apenas simpatia, não é apenas
inspiração, não é apenas um discípulo em
torno de um mestre, não é apenas um
admirador diante de um herói santo, não
é apenas um pecador auxiliado por um
salvador poderoso, é união. União
verdadeira, união estabelecida por Deus,
união espiritual, união vital, união
representativa, união pactual,
união orgânica em suas consequências,
união tão profunda que o que é dele
passa a definir o estado daqueles que
estão nele. É precisamente aqui que
muitas almas se tornam rasas em seu
entendimento do evangelho. Pensam a
salvação quase inteiramente em termos de
transações isoladas. Perdão aqui, força
ali, socorro a colá, promessas
espalhadas pela vida, graça distribuída
em porções. Mas Paulo fala de algo muito
maior. Fala de um novo lugar de
existência, fala de uma nova humanidade,
fala de um novo cabeça, fala de um
vínculo tão decisivo que à luz dele toda
a vida do crente passa a ser
reinterpretada
em Cristo Jesus. A alma precisa parar
diante disso, precisa meditar, precisa
demorar-se, precisa resistir à tentação
de tratar essa expressão como simples
linguagem religiosa já conhecida.
Porque aqui está uma das maiores
profundidades do Novo Testamento. Aqui
está uma chave dourada. Aqui está uma
realidade tão imensa que dela brotam
como rios de uma só fonte: justificação,
adoção, santificação,
perseverança, glorificação e esperança
final.
Se eu estou em mim mesmo, estou perdido.
Se minha posição final diante de Deus
depende do que sou em mim mesmo, então
toda a condenação é justa. Se meu caso
precisa ser decidido pelo que posso
apresentar de mim mesmo, então o
tribunal não se cala, a lei ainda fala,
a consciência ainda acusa, a memória
ainda testemunha, a santidade ainda me
excede infinitamente.
Se estou em mim, estou arruinado. Mas o
evangelho não me deixa em mim. O
evangelho não apenas me visita, o
evangelho me transporta.
Tira-me da velha solidariedade com Adão
e me insere numa nova solidariedade com
Cristo. Tira-me do primeiro homem e me
põe no segundo. Tira-me da velha raiz e
me enxerta em uma nova. Tira-me do velho
tronco da condenação e me incorpora ao
tronco vivo da justificação e da vida em
Cristo Jesus. Que expressão
carregada de eternidade.
Porque não foi o homem quem se colocou
ali, não foi o homem quem criou esse
vínculo. Não foi a fé considerada em si
mesma que inventou essa união. Não foi a
vontade humana que produziu esse
pertencimento. Foi Deus. Deus em sua
graça soberana. Deus em seu propósito
eterno. Deus por seu espírito.
Deus tomando o pecador que justificou e
não o deixando apenas perdoado, mas
unindo-o ao seu próprio filho. Isso muda
tudo. Muda a linguagem da salvação, muda
a lógica da paz, muda o modo de ler a
própria vida. Porque agora o crente não
deve mais pensar de si como alguém que
simplesmente recebeu favores espirituais
de Cristo. Deve pensar de si como alguém
que foi posto nele.
Não apenas alguém que tem coisas vindas
de Cristo, mas alguém cuja própria vida
diante de Deus está escondida com
Cristo. Não apenas alguém ajudado por
Cristo, mas alguém incluído nele, em
Cristo Jesus. É por isso que o apóstolo
pode ser tão absoluto se tudo dependesse
apenas de auxílio externo, de socorro
ocasional, de influência moral, de
incentivo espiritual, de inspiração
santa, ninguém poderia falar com tamanha
segurança. A condenação poderia voltar,
a fraqueza poderia prevalecer, o velho
processo poderia reabrir-se, mas a
linguagem é absoluta justamente porque a
realidade é mais funda. Não estamos
apenas sob a ajuda de Cristo, estamos em
Cristo. Estando nele, o que é dele se
torna determinante para o nosso estado
diante de Deus.
Aqui o pensamento precisa avançar com
reverência, porque estamos entrando numa
região altíssima da fé. A escritura fala
de Cristo como cabeça, fala dele como o
último Adão, fala dele como aquele em
quem uma nova humanidade começa.
Fala dele como videira, fala dele como
noivo, fala dele como o grande
representante do seu povo. E em todas
essas figuras, a mesma verdade
reaparece. O crente não permanece um
indivíduo solitário negociando sua
situação com Deus por conta própria. Sua
história foi incorporada à história de
outro. Seu destino foi amarrado ao
destino de outro. Seu estado diante do
céu passou a depender daquele a quem
Deus uniu. Que liberdade há nisso, que
descanso há nisso, que humilhação
também, porque isso corta pela raiz toda
a vanglória espiritual.
Se a minha segurança estivesse em mim,
eu sempre procuraria em alguma medida
razões em mim. Sempre me compararia.
Sempre avaliaria meu estado interior
como se ele fosse decisivo. Sempre
buscaria no meu progresso algum material
para sustentar a paz. Mas se estou em
Cristo, toda a glória sai de mim. Toda a
suficiência está nele, toda justiça está
nele, toda resposta ao tribunal está
nele, toda firmeza está nele. Eu caio de
mim mesmo para permanecer nele
em Cristo Jesus. Isso significa que Deus
não lida com o crente como com um ser
isolado. Lida com ele em seu filho. Não
o examina separadamente de seu mediador.
Não o julga como se ainda estivesse
sozinho diante da lei. Não o vê fora da
união que ele mesmo estabeleceu. O
crente é olhado em Cristo, recebido em
Cristo, aceito em Cristo, guardado em
Cristo, levantado em Cristo e no fim
glorificado em Cristo.
É por isso que a fé madura aprende a
falar menos de si e mais do seu lugar,
menos do seu pulso e mais do seu cabeça,
menos da variação da sua experiência e
mais da estabilidade de sua união, menos
da sua própria capacidade de manter-se
perto de Deus e mais do fato de que Deus
o pôs em seu filho. Muitos cristãos
sofrem porque ainda se vem como homens
espiritualmente independentes, tentando
permanecer ligados a Cristo por um
esforço contínuo de agarrar-se. Imaginam
a salvação como se fossem mãos fracas
penduradas num abismo e Cristo apenas
acorda.
alguma verdade nessa imagem em certos
aspectos, mas se ela for absoluta,
torna-se pobre demais, porque o Novo
Testamento fala de algo mais rico, mais
forte, mais orgânico, mais decisivo.
Fala de enxerto, fala de corpo, fala de
cabeça e membros, fala de união pactual,
fala de uma inserção real na vida do
redentor
em Cristo Jesus. Então, a segurança do
crente não repousa, em última análise,
na força com que ele se apega, mas na
realidade do vínculo que Deus
estabeleceu.
Não repousa na firmeza de sua mão, mas
na fidelidade daquele em quem foi posto.
Não repousa na intensidade de sua
consciência do vínculo, mas no próprio
vínculo. A criança dorme segura, não
porque entende toda a estrutura da casa,
mas porque está nela. O membro vive não
porque entende toda a fisiologia do
corpo, mas porque está unido a ele. O
ramo frutifica não porque analisa
perfeitamente a videira, mas porque está
nela. É essa a maravilha. A salvação é
mais objetiva do que a nossa consciência
dela, mais forte do que nossa percepção
dela, mais estável do que nossa
experiência dela, mais profunda do que
nossas formulações sobre ela. Porque sua
raiz está em Cristo e não em nosso
entendimento pleno de Cristo. Em Cristo
Jesus. Aqui termina toda a ideia de uma
vida cristã fundada em autosustentação.
Aqui termina a fantasia de que o crente
permanece aceito porque conseguiu
conservar-se suficientemente fiel.
Aqui termina o velho orgulho que quer
sempre deixar algum pequeno tijolo de
segurança assentado por mãos humanas.
Não.
Se há nenhuma condenação, é porque há
Cristo. Se há paz, é porque há Cristo.
Se há justificação, é porque há Cristo.
Se há esperança final, é porque há
Cristo. E não apenas Cristo por nós,
embora isso seja glorioso, mas Cristo e
nós nele. Veja como isso amplia tudo.
Cristo por nós responde à culpa. Cristo
em nós responde à vida nova.
Mas nós em Cristo responde ao nosso
estado inteiro diante de Deus. Não
estamos mais onde antes estávamos. Não
somos mais lidos no antigo registro
adâmico. Não somos mais avaliados como
homens meramente em nós. Fomos
transferidos, fomos unidos, fomos
incluídos,
fomos contados nele, em Cristo Jesus.
Isso quer dizer que quando o pai olha
para o seu povo, não faz como um juiz
que precisa redescobrir diariamente se a
condenação ainda se aplica.
Ele os vê no filho a quem recebeu
plenamente, no filho cuja justiça
satisfez a lei, no filho cuja morte
esgotou a maldição, no filho cuja
ressurreição declarou publicamente a
vitória sobre toda sentença. filho cuja
vida à direita de Deus é a garantia de
que nada do que ele realizou será
perdido. E aqui começa a aparecer a
beleza do evangelho em toda a sua
simetria santa. Porque a condenação veio
por união representativa com Adão. Não
caímos em ruína apenas por imitação
moral. Caímos em ruína na velha cabeça
da raça. Havia solidariedade, havia
pertencimento, havia vínculo, havia
representação. Pois bem, a salvação
responde não com uma ajuda periférica,
mas com uma nova união representativa,
um novo cabeça, um novo homem, um novo
princípio, um novo destino. Em Adão
condenação. Em Cristo, nenhuma
condenação.
Que frase majestosa. se levanta daqui.
Que arquitetura de graça. O homem não é
salvo por ser deixado sozinho com novos
recursos. É salvo por ser trazido para
dentro de outro. Não é salvo por
tornar-se gradualmente alguém que
finalmente mereça não ser condenado. É
salvo, porque foi unido aquele que
suportou, cumpriu, venceu e esgotou em
si tudo quanto a condenação exigia em
Cristo Jesus. Aqui está o fim de toda
oscilação jurídica. Porque se estou
nele, o que se decidirá a meu respeito
já foi decidido a respeito dele. Se
estou nele, a morte que conta já foi
morrida. A justiça que conta já foi
estabelecida. A obediência que conta já
foi prestada.
A aceitação que conta já foi conhecida.
A vida que conta já ressuscitou. A
entrada que conta já aconteceu no
santuário celestial. E o trono diante do
qual eu tremia, agora é o trono diante
do qual meu cabeça vive e intercede.
Que consequência imensa brota disso. O
crente não deve pensar em si como alguém
pairando espiritualmente entre dois
mundos, tentando manter-se do lado da
aceitação. Ele já foi transladado, já
foi posto, já foi incluído. Sua vida
está escondida com Cristo. Seu nome está
ligado ao nome do filho. Seu destino
está preso ao destino do ressuscitado.
Isso não é
poesia apenas, não é consolo ornamental,
não é linguagem de púlpito vazia, de
estrutura, é a própria tescitura do
Evangelho apostólico. É o modo como
Paulo pensa, é o modo como a graça
opera, é o modo como o céu garante a paz
da igreja em Cristo Jesus. Quantas vezes
essa expressão foi lida rapidamente?
Quantas vezes foi tratada como fórmula
habitual? Quantas vezes passou diante
dos olhos sem que a alma parasse para
tremer e adorar? Mas aqui está o coração
da nossa segurança. Aqui está a base da
perseverança. Aqui está a raiz da paz.
Aqui está o fim da condenação. Aqui está
o segredo pelo qual a justificação não é
um evento isolado sem continuidade, mas
o início seguro de um caminho que vai
até a glória.
Porque se estou em Cristo, não apenas
fui livrado de um veredito passado.
Estou preso a um futuro. A vida dele
puxa a minha, a glória dele garante a
minha. A perfeição dele se tornará no
fim a forma consumada de tudo aquilo
para que fui destinado pela união com
ele. Se estou nele, não sou apenas
alguém absolvido. Sou alguém já inserido
numa trajetória que vai dar cruz à
ressurreição, da ressurreição à
ascensão, da ascensão à glória final. E
isso responde ainda que por antecipação
ao medo das almas pequenas. Mas e se eu
cair? Mas e se eu tropeçar? Mas e se eu
pecar? Mas e se eu me vir fraco demais?
Mas e se minha experiência falhar? A
resposta não está em negar a gravidade
dessas lutas. Está em apontar para o
lugar onde o crente foi posto em Cristo
Jesus. E se ele está ali, sua segurança
é tão firme quanto o próprio Cristo. Sua
esperança é tão duradora quanto a vida
do ressuscitado.
Seu pertencimento
é tão sólido quanto a fidelidade de Deus
que o uniuo filho em Cristo Jesus. Aqui
a alma aprende finalmente a sair do seu
isolamento, a deixar de pensar em si
como um caso espiritual autônomo,
a deixar de medir tudo a partir do seu
estado psicológico, a deixar de tomar
suas oscilações como centro da teologia
prática. Ela aprende a dizer: "Minha
história não termina em mim. Meu caso
não repousa em mim. Minha paz não nasce
de mim. Meu futuro não se sustenta em
mim. Estou em Cristo. E essa frase
quando verdadeiramente entra, muda até o
modo de sofrer. Muda o modo de
confessar, muda o modo de cair e
levantar. Muda o modo de suportar a
acusação, muda o modo de enfrentar o
pecado remanescente. Muda o modo de
olhar a morte, muda o modo de esperar a
glória, porque tudo agora passa por esse
lugar em Cristo. A cruz em Cristo, a
justificação em Cristo, a vida nova em
Cristo, a adoção em Cristo, a
perseverança em Cristo, a santificação
em Cristo, a esperança em Cristo, o céu
em Cristo.
E se isso é assim, então já começamos a
ver porque o apóstolo pode falar com
tamanho assombro e tanta tranquilidade
ao mesmo tempo. A palavra nenhuma não é
exagero, é consequência. A ausência de
condenação não é sentimentalismo, é
lógica santa.
Se estamos em Cristo Jesus, então o
tribunal não pode mais nos ler como
antes. A velha sentença perdeu seu
domínio.
A antiga ordem foi atravessada. A nova
posição foi estabelecida, mas ainda é
preciso abrir mais essa verdade, porque
dizer em Cristo é grandioso e ao mesmo
tempo desperta uma pergunta inevitável.
Como se deve entender essa união? Que
tipo de vínculo é esse? Que relação é
essa que torna a história dele a nossa
história? Como o Novo Testamento nos
ajuda a enxergar essa realidade
invisível, profunda e decisiva.
Para isso, o apóstolo nos conduz a
imagens vivas. Imagens de corpo, de
cabeça e membros, de casamento, de viver
e ramos. Imagens que não esgotam o
mistério, mas o aproximam da nossa
pobreza de entendimento. Imagens que nos
mostram que está em Cristo não é uma
metáfora vazia, nem um título
decorativo, nem um rótulo religioso. É
vida com vida, é pertencimento, é união,
é realidade e é para lá que devemos
seguir. Não hoje, mas na próxima vez que
olharmos aqui para Romanos 8. Amém,
queridos. Amém. Santo Deus, eu me
aproximo sem defesa, sem razão.
[música] Tu me vês nos detalhes, no
segredo do coração,
nos [música] pequenos pensamentos,
nas palavras que eu soltei.
Teu espírito [música] me chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo minha culpa, [música]
não maquio [canto]
minha dor.
Contra [música] ti eu pequei
contra o [canto] teu santo amor.
[música] Mas que atos minha raiz,
um [canto] querer desalinhado.
Eu [música] preciso de limpeza. [canto]
Eu preciso ser
lavado.
[música]
Cordeiro, minha [canto]
justiça,
fim do meu tribunal. [música]
Eu largo a [canto] autojustiça,
me rendo ao teu final.
Jesus
tem misericórdia. [canto]
[música]
Jesus,
[canto] vem me purificar. [música]
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado a gritar.
[grito]
Minha única [música][canto]
defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
[música]
Eu descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia [música]
[canto] é melhor.
Tua misericórdia [música][canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, eu me prostro.
Tu és [música][canto] luz e eu sou pó.
Quando eu tento ser neudo, eu não terco
em mim [música] só.
Autonomia [canto] é mentira,
autossuficiência [música]
também.
Tu és [música] fonte, tu és vida.
Sem ti nada me sustém.
Eu
não [música] venho com curríco,
venho com mãos [canto] sem [música] ter.
Não confio no meu choro, nem no meu
[canto]
vencer. [música]
Eu confio na firmeza do teu pacto,
[canto]
ó Senhor. [música] Tua aliança é selada
no cordeiro
[canto]
redentor.
Restaura minha [música] alegria, [canto]
tua salvação em mim.
Sustenta-me [música] com espírito
[canto] pronto até o fim.
[música] Jesus
tem misericórdia. [canto]
Jesus [música]
vem me purificar.
Teu sangue fula mais alto que o meu
pecado a gritar.
A minha única [música] defesa [canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
[música] Eu descanso no teu [canto]
amor.
Inclina [música] o meu coração. [canto]
Ensina-me a obedecer.
Dá-me um espírito pronto, [música] mais
doce do meu querer. [canto]
Guarda-me na tentação,
[canto] na rotina e na aflição. [música]
Tua graça me carrega. [canto]
К.

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