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A fé vem pelo ouvir

A FELICIDADE É UMA ESCOLHA – ELENY VASSÃO | PODCAST VIDA NOVA #90

A FELICIDADE É UMA ESCOLHA – ELENY VASSÃO | PODCAST VIDA NOVA #90

A FELICIDADE É UMA ESCOLHA – ELENY VASSÃO | PODCAST VIDA NOVA #90

🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!

Neste episódio, conversamos com Eleny Vassão sobre o livro A Felicidade é uma Escolha, de Frank Minirth e Paul D. Meier.

Ao longo do bate-papo, exploramos temas centrais da obra, como:

❓ O que é a depressão e como compreender seus principais sintomas e causas?
🎯 De que maneira a saúde espiritual influencia a saúde biológica?
🤔 Depressão é falta de fé?

Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/felicidade-e-uma-escolha-a
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Legendas automáticas:

E aí, eu sou Saor Lucena e seja
bem-vindo ao podcast da editora Vida
Nova. Aqui a gente procura conversar com
autores, pastores e teólogos em geral
sobre os livros lançados pela editora
Vida Nova e as questões importantes que
eles abordam. E no episódio de hoje, nós
vamos falar sobre o livro A felicidade é
uma escolha, vencendo a depressão com
coragem e determinação. Um livro do Dr.
Frank Merth e também do Dr. Paul Meer.
Se você quer entender mais sobre o que é
a depressão, quais os seus principais
sintomas, as suas principais causas,
como ela está relacionada à nossa vida
espiritual, a nossa saúde biológica,
quais os principais tratamentos para a
depressão e como vencê-la para escolher
viver uma vida feliz? Então você precisa
adquirir esse livro e também ouvir a
nossa conversa de hoje. E se você gosta
de podcasts assim, se inscreva na sua
plataforma de podcast preferida e também
dê uma olhada nas dezenas de outros
episódios que nós já gravamos e também
nas que virão por aí. E agora para nos
ajudar nessa conversa, vamos conversar
com a Eleni Vação. El Heleni, seja muito
bem-vinda ao podcast da Vida Nova. É uma
alegria ter você aqui com a gente mais
uma vez. Muito obrigada, é um prazer
enorme estar aqui com você.
>> Muito obrigado. A gente fica feliz por
você ter aceitado esse convite para mais
uma conversa. Tenho certeza que vai ser
edificante que nem a primeira. E eu
queria pedir para que você fizesse uma
apresentação, porque tem gente que
talvez esteja lhe conhecendo agora.
Então, como é que tem sido aí a sua
vida, seu ministério pra glória de Deus?
Estou envolvida no Ministério de
Capelania Hospitalar há 44 anos, tendo
começado como capelã do Hospital das
Clínicas de São Paulo e aí preparando
capelães para todo o Brasil e exterior.
Também sou casada, meu maridão se chama
Gavin, é um pastor missionário americano
no Brasil. E a nossa história é a
seguinte. Eu fiquei viúva com quatro
filhos entre 6 e 13 anos aos 37 anos.
Depois de 3 anos vinha me casar com o
Gavin, que tinha acabado de ficar viúvo
também. Então, nós temos seis filhos, 11
netos e meio e um bisneto.
E neste tempo todo que eu tenho
trabalhado em capelania hospitalar, eu
tenho também escrito, porque eu falo que
eu não sou escritora, eu sou fofoqueira
de Deus.
Deus vai fazendo umas coisas lindas e eu
vou só contando para todo mundo para que
o nome dele seja glorificado.
>> Então eu tenho 47 livros publicados
também
>> e
>> olha só,
>> trabalhei bastante tempo na psiquiatria
do HC. era um dos meus setores
prediletos, onde eu fui aprendendo
muito. Eu pude fazer um tempo de
residência em psiquiatria com os
estudantes, pertencer a um grupo, eh,
com um professor da USP e lidar com
muitos pacientes e seus familiares
também. Foram experiências muito lindas,
eu tenho aprendido muito. E hoje eu sou
capelã. do Hospital Samaritano
Higienópolis em São Paulo.
>> Legal. Muita coisa. Que Deus continue
abençoando, conduzindo aí sua vida, seu
ministério, conduzindo também sua
família, viu?
>> E vamos então falar desse livro. você
tava falando aqui, né, antes de começar
a gravação, que foi um livro que você
gostou bastante. A gente fica feliz por
isso, por esse feedback, ainda mais de
alguém que está tão envolvida em
assuntos relacionados a esse livro, em
aconselhar com assuntos relacionados ao
que a gente vai tratar aqui. O livro A
felicidade é uma escolha, vencendo a
depressão com coragem e determinação. É
um lançamento da vida nova. E eu acho
que a primeira pergunta que a gente
poderia fazer é sobre esse título, que
para mim ele é um título muito
interessante. Como assim a felicidade é
uma escolha? O que é que eles querem
dizer com isso?
>> Ótima pergunta e eu creio que realmente
é uma escolha. Esqueci de dizer que meu
marido e eu fizemos o mestrado em
aconselhamento bíblico juntos. Então,
temos realmente trabalhado as pessoas a
quem aconselham,
mostrando isso, que a pessoa não é
vítima das circunstâncias. Ela pode
utilizar as circunstâncias para glória
do nome do Senhor, para crescimento
pessoal, para a identificação com o
caráter de Cristo e para ser bênção na
vida de muita gente também. Resumindo um
pouquinho os meus últimos trs anos aqui,
eu tive três tipos de câncer, fiz um
transplante de medula óssea e se tive
cinco internações em três meses e hoje
estou inteira de novo, graças a Deus.
Mas isso tem me ajudado muito no contato
com os meus pacientes, porque eles olham
e falam assim: "Nossa, você passou por
tudo isso e você está bem. Estou bem.
Graças a Deus, eu escolhi
andar com o Senhor nesse tempo difícil
também e ele se revelou a mim em
detalhes. Em cada coisa que me ele me
permitiu acontecer, ele também se
mostrou de uma maneira muito presente e
me deu felicidade o tempo todo e tenho
usado a minha vida para ministrar aos
outros, mostrando que esse Deus é
tremendo. Então, a felicidade é uma
escolha, com certeza.
>> Que bção, que bção. E que Deus ag de
cada vez mais fico feliz de que, apesar
de ter passado por essas lutas, você
passou com o Senhor, né, e conseguiu aí
estar firme, estar recuperada e está
usando isso inclusive para ser ainda
mais luz na vida de outras pessoas. Isso
aí mostra realmente como esse título do
livro pode ser vivenciado e não só
discutido como uma teoria. Que bção. E
logo no início do capítulo, vale até
lembrar, né, o livro aqui vai ter 16
capítulos e alguns apêntices. E ele já
vai começar a falar sobre quem é que
fica depressivo, ou nós poderíamos
colocar, né, quem é que tende a
desenvolver a depressão. E eu acho que
essa é uma pergunta muito pertinente,
porque alguns acham que um cristão
jamais pode ter eh uma depressão, algo
semelhante. Então, como é que nós
podemos responder essa pergunta? Quem
tende a desenvolver a depressão? Em
primeiro lugar, eu fico muito preocupada
com o nosso povo, o povo evangélico
cristão, porque eh a tentativa de
parecer sempre bem eh muitas vezes nos
faz esconder problemas sérios que
estamos vivendo com medo de sermos
julgados como tendo pouca fé.
Então, sempre respondemos: "Não, tudo
bem, não, eu tô, já passei por algumas
tribulações, mas tudo bem, já estou bem
de novo." E o que eu mais gosto de falar
com os meus pacientes e com os meus
aconselhandos também é que Deus nos
permite abrir o coração e chorar.
E eu vou diretamente pro livro de Salmos
e vejo quanto os salmistas tiveram essa
oportunidade de falar: Deus tá doendo,
até quando será que eu vou viver
chorando a noite inteira, molhando o meu
travesseiro com lágrimas e eles têm a
liberdade de falar com Deus assim.
Muitas vezes a gente se esquece que
todos nós somos gente, que gente pode
passar por depressão e por vários
motivos, tanto depressões endógenas, que
são as depressões causadas por motivos
fisiológicos, como depressão, depressão
em exógena, então por outras causas.
Então, falando nesse sentido, hã, por
exemplo, uma pessoa que teve um AVC, um
acidente vascular cerebral, teve um
derrame,
muitas vezes ela vai passar por uma
depressão depois do acontecido. Eh, mas
é uma coisa orgânica, né? Estão alguns
componentes do seu corpo não estão
funcionando bem. Pessoas com
hipertirioidismo,
pessoas com vários outros problemas de
saúde também podem ter depressão, mas
como uma causa fisiológica.
Agora, pessoas que não têm estes
problemas, mas que passaram por momentos
de grande estress, por exemplo, na
infância, a maneira de criar, ser criada
pelos seus pais, as resigências, eh,
abusos sexuais na infância, eh, crises
de raiva, sem poder ou sem saber como
expressar e uma porção de outros
fatores.
podem gerar a depressão na idade de
adolescência ou adultos e permanecer por
muitos anos. Me lembro de uma senhora,
estava falando num congresso de mulheres
e essa senhora veio me perguntar eh
falou assim: "Eu tenho 70 anos e eu
estou deprimida desde os 14 anos." E eu
perguntei: "O que aconteceu?" Ela falou,
aconteceu que a minha irmã, que estava
com 16 anos, depois de uma briga com o
namorado, cometeu suicídio na minha
frente e os meus pais não souberam como
lidar com isso. Então, eles simplesmente
excluíram o nome da minha irmã, da
família. Eles nunca mais falaram sobre
isso, mas eu me senti culpada o tempo
todo, esses anos todos, e ninguém soube
lidar com a minha depressão, porque
tinha uma causa de uma perda e uma culpa
que não era uma culpa justificável, não
era uma culpa justa, né? Então são
fatores diversos que podem levar essa
pessoa a entrar numa depressão. Olha só,
é realmente é algo mais complexo do que
muitas vezes as pessoas querem fazer
parecer ser, né? E inclusive nessa
complexidade é importante nós definirmos
até mais sobre o que é essa depressão,
né? Quais são os sintomas que nós
estamos falando. Você já mencionou
alguns aí, mas vale a pena a gente
tentar falar um pouco mais sobre esses
sintomas. Nós vamos achar esses sintomas
em duas partes do livro, principalmente
página 157
e antes também disso. Mas eu achei
interessante nessa página, nessas
páginas, porque ele fala sobre muitos,
ele fala sobre mais de 80, eh, mais de
100 sintomas da depressão.
>> Eh, muita coisa. Mas eu vou só pontuar
alguns deles. Então, a preocupação
excessiva, um pessimismo, um baixo nível
de energia, ah, humor deprimido quase
todos os dias e o dia inteiro,
infelicidade, tristeza, sentimentos de
nenosvalia
e assim são muitos, muitos sensação de
de pavor, medo de morrer, tal,
melancolia. Mas assim, resumindo a
coisa, eh, uma baixa autoestima
pode levar a pessoa a depressão. Ela não
se vê como uma pessoa importante aos
olhos de Deus, aos próprios olhos, aos
olhos de das outras pessoas. Então, elas
têm um sentimento de menos.
H, ela não se sente bem no
relacionamento com outras pessoas.
Então, ela vai se isolando, ela vai
olhando para o como as outras pessoas a
vêm interpretando distorcidamente
e com isso ela acha que sempre a estão
julgando e julgando mal. E
principalmente
o seu relacionamento com Deus também é
um relacionamento
às vezes superficial, às vezes vazio.
Então, essa pessoa está ali trazendo uma
porção de sintomas como irritação,
ah,
agitação,
o sentimento de inadequação, falta de
confiança,
ã, falta de vontade de levantar de
manhã. Tem um livro muito interessante
que é chama-se O demônio do meio-dia. E
o autor escreve sobre depressão e ele
fala que ele pensa em tomar banho, se
levantar da cama para tomar banho. E daí
ele fica pensando, gente, tomar banho
não é uma coisa difícil. Você só se vira
de lado, põe as os pés no chão, um de
cada vez. Você senta na cama, você se
levanta, você tira a sua blusa, você dá
cinco passos até o banheiro, abre o
chuveiro e daí toma banho. Daí ele fala
assim: "Então eu penso, é muito
trabalho, eu me viro na cama pro outro
lado e durmo de novo".
Eh, alguma coisa que para nós é tão
comum, é tão simples, mas para uma
pessoa deprimida,
ela dorme mal, ela come mal, ela engorda
muito ou ela perde muito peso, ela dorme
em excesso ou tem falta de sono. Então
são muitos sintomas que ela enfrenta e
que vão prejudicando também o seu estado
físico.
>> Uhum. Rapaz, é muita coisa. Inclusive,
eh, um desses sintomas, ah, creio eu, é
também o os pensamentos suicidas, né? Eu
poderia colocar assim, a desejo de tirar
a própria vida. E isso levanta uma outra
pergunta que pode ser relevante pra
gente tratar aqui, que é se o suicídio
ele é pecado ou não. Issa é uma pergunta
que até um tempo atrás a entrou em um
grande burburinho na internet com
opiniões divididas. Mas como é que nós
podemos falar sobre esse assunto? Como é
que você, por exemplo, entende essa
questão à luz das escrituras? Tenho
estudado bastante sobre suicídio, tenho
lidado com pessoas com ideação suicida e
tenho também aconselhado psiquiatras com
ideação suicida, porque pensando nas eh
estatísticas, nós vemos que o primeiro
grupo que mais se suicida está entre os
militares e eles têm meios fáceis
>> cometer suicídio.
>> Nossa. segundo grupo que são os médicos.
>> Ah, e dentro das especialidades médicas,
e isso é importante dizer que os médicos
cometem suicídio duas vezes mais do que
a população em geral.
Dentro das especialidades médicas, em
primeiro lugar, estão os
oftalmologistas. E eu não entendi até
agora porquê.
E
>> pois é, essa é uma pergunta, né?
Em segundo lugar estão os psiquiatras.
Estes também cometem muito suicídio. E
olhando o mapa mundial, a gente vê que a
cada 40 segundos existe pelo menos uma
tentativa de suicídio e a cada 3 minutos
uma pessoa comete suicídio. Isso no
mundo todo. E essa pessoa muitas vezes,
grande parte das vezes, eh, ela deixa
transparecer que ela está pensando em
suicídio. Existe uma ideação, em alguns,
existe um planejamento,
em alguns já passaram por várias
tentativas e essa é mais uma. Então, as
pessoas que estão próximas muitas vezes
conseguem identificar e se bem
orientadas sobre isso, podem ajudar e
conversar com a pessoa diretamente sobre
isso. Então, eh, nos hospitais nós
atendemos pessoas que estão pensando ou
que já tentaram eh no pronto socorro,
estão chegando ali também. E também eh
na igreja nós vemos alguns casos e é
muito triste saber que isso acontece e
que muitas vezes eh nós não pudemos
fazer nada para ajudar. Ah, algumas
vezes a pessoa faz uma cara de
felicidade, ela disfarça muito bem, mas
quando você olha a pessoa, quando ela
não está conversando com alguém, não tem
que estar fingindo que está bem, você vê
o semblante caído, os movimentos mais
lentificados,
ela não consegue dar conta do trabalho
dela e é grande parte, em grande Parte
das vezes nós vemos pessoas muito
perfeccionistas
tentando dar conta de tudo com um
fazendo um trabalho extremamente zeloso,
mas nem sempre tão necessário, mas
também eh eh que ficam eh tristes
consigo mesmas porque fizeram,
trabalharam demais e não deram conta
daquilo que elas se propunham a fazer
naquele nível. Sim, sim. Olha só, tem
até um aspecto então aí de uma visão
errada sobre as nossas próprias
capacidades, sobre o não entender as
nossas limitações, né? Eh, isso é
interessante porque, por exemplo, eu
como pastor, você como conselheira, nós
estamos sempre a partir da palavra e até
melhor como cristãos, nós estamos sempre
olhando pra palavra e lembrando que o
Senhor nos chama, né? Sede perfeitos
como perfeito é o vosso Pai Celeste.
Então, existe um alvo para nós, mas esse
alvo é um alvo que nós temos que
entender à luz também de quem nós somos,
lutando contra as nossas contra a nossa
antiga natureza, contra o pecado. Nós
não vamos alcançar esse nível de
perfeição aqui. Então, nós temos esse
alvo para que nós não nos acomodemos,
mas nós temos que lembrar que o único
que é perfeito é o nosso Senhor, é o
nosso Salvador. e que nós, inclusive
precisamos crescer pelas forças que ele
nos dá, pela capacidade que ele nos dá,
mas reconhecendo as nossas limitações,
reconhecendo as 24 horas que nós temos,
reconhecendo tantas outras questões, né?
Então, que coisa,
>> é verdade.
>> E
>> e quando nós pensamos em Paulo, no
grande apóstolo Paulo,
com toda a culpa que ele carregaria nos
ombros por ter sido um perseguidor dos
cristãos, ter feito de tudo para expor e
matar os cristãos por ter visto o
próprio Estevão ser apedrejado aos seus
pés.
Então, se ele não tivesse conhecido a
graça de Deus através da pessoa de
Cristo Jesus, ele seria um potencial
suicida, portanto, a culpa acumulada,
né? Mas é interessante porque nesse
encontro com Cristo ele sabe que todos
os seus pecados estão perdoados, que
nenhuma condenação mais paira sobre ele
e ele é capaz de expor a sua fragilidade
também. Ele fala sobre o espinho na
carne,
>> onde ele é tentado até, né, muitas vezes
também. E Deus não explica isso para
ele. Mas também em Segunda Coríntios,
capítulo 1, ele fala sobre provações tão
graves, tão pesadas, que ele se vê a
ponto de morrer.
>> Mas ele fala sobre o poder do Deus que
ressuscita os mortos, que o sustentou
naquele tempo difícil. Então, é tão
lindo a gente ver na palavra de Deus que
o Senhor expõe a fragilidade humana
através de homens que são queridos dele,
amados dele, mas ele também mostra o seu
poder, a sua misericórdia, a sua
compaixão, a sua força para conosco.
>> Com certeza, né? A Bíblia não é o livro
dos heróis, é o livro de frágeis ah
criaturas que têm que olhar para o herói
e nele encontrar a salvação, né? Todos
nós somos falhos e limitados, mas no
Senhor nós temos a salvação. Que essa
mensagem que faz a diferença, né? Mas
que bção. Agora quando nós vamos
avançando aqui nesse tema, uma coisa que
é muito atrelada a depressão é a imagem
do luto. Mas luto e depressão são a
mesma coisa ou nós podemos
distingui-los?
>> Podem estar associados,
mas não são a mesma coisa. Por exemplo,
no luto, você sente saudade, você fica
extremamente triste, você muitas vezes
pode ficar pensando porque eu não fiz
isso, porque eu não fiz aquilo? Olha, eu
deveria ter dito isso, deveria ter dito
aquilo, nossa, perdi a oportunidade e
agora não posso fazer mais nada. Então,
esses porquês e essas eh essas sensações
de de incapacidade ou de infagilidade,
de desânimo, são comuns no luto. Eu
escrevi um dos livros e sobre
conversando com a pessoa enlutada e a
primeira coisa eu falo é: chore e chore
muito e coloque o seu choro diante do
Senhor e fale para ele como você está
sofrendo, né? E e assim pensando
naqueles sintomas que você vai passar
depois, talvez a raiva, raiva até mesmo
de Deus por estar sozinho. Estou
atendendo uma paciente que eu entrei no
quarto dela e ela me falou depois que eu
me apresentei, ela falou: "Não me fale
sobre Deus, eu estou brigada com ele".
Porque o que aconteceu? Meu filho de 17
anos, andando na varanda de um
apartamento recém eh construído, eh a
varanda cedeu e ele caiu e morreu. Então
depois disso, eu não quis mais conversar
com Deus. Então, o que eu tenho mais
conversado com ela é: abra o coração
diante do Senhor e brigue com ele no
sentido de, Senhor, eu não entendo. O
Senhor não sabe como tá doendo, como já
se passaram anos e eu estou deprimida
por causa disso. Eu não podia fazer nada
e ainda por cima ela é uma médica e ela
não podia fazer nada, né? Então, como é
importante a pessoa abrir o coração e
chorar e admitir os as suas mágoas e
pedir perdão diante do Senhor também por
coisas que das quais ela se omitiu eh em
relação àquela pessoa, falta de cuidados
adequados no tempo certo, mas depressão
é quando você não faz nada disso e você
se tranca dentro de você mesma e você
fala: "Com o tempo isso vai passar." Não
passa, gente, não passa. A gente só
acumula, embute tudo isso e age como uma
panela de pressão. Às vezes explode num
acesso de raiva, mas às vezes também
explode em doenças como câncer, como
outras doenças infectocontagiosas por
causa de diminuição da defesa orgânica,
por falta da desesperança.
E aquela pessoa se perde na vida por
causa disso. Então assim, pode estar
associada, mas pode também não estar
associada. A pessoa que viveu o seu
luto, que viveu da maneira correta, ela
vai ficar triste, vai ficar com saudade,
mas não vai estar entrando em depressão.
>> Agora, então, luto poderia ser um uma
das causas desse sofrimento emocional.
Eh, mas ele não é a única, né? Nós já
falamos anteriormente dos sintomas que a
depressão traz e agora entrando então
mais especificamente nesse aspecto de
causas, já citamos algumas, mas
respondendo numa única pergunta, quais
são as principais causas do sofrimento
emocional? Eu creio que eh nós falamos
disso de maneira resumida, eh mas esse
esse sentimento de menos valia, o
relacionamento eh ruim ou quebrado com
outras pessoas e também com a pessoa de
Deus. A pessoa não se sente bem em canto
nenhum, nem se sente bem consigo mesma,
nem exposta, e ela vai se trancando, vai
se isolando, vai ficando cada vez mais
sozinha, vai ficando cada vez mais
perdida e sem propósito na vida. E aí
fica bem difícil de continuar. E quando
a gente olha para questões biológicas e
genéticas, quão determinantes elas são
paraa depressão em si, você começou, né,
fazendo uma distinção entre as causas de
depressão e você falou que existe esse
aspecto também mais biológico. Como é
que elas podem determinar ou influenciar
a depressão? Em aconselhamento bíblico,
nós não dizemos que aquela causa é
determinante, mas e dizemos que ela é
importante no sentido assim, se você
começa a aconselhar uma pessoa e você
pergunta: "Alguém na sua família viveu
alguma coisa semelhante ao que você está
vivendo? Olha, minha mãe também era
muito deprimida. Minha avó não falava
nada sobre depressão, porque não existia
essa esse termo naquele tempo, mas ela
ficava por semanas trancada dentro do
quarto e não queria conversar com
ninguém. Semblante muito triste e não
comia direito, dormia mal. Então assim,
você consegue levantar dados importantes
sobre essa genética, né? Mas o que eu
nós gostamos de falar é que isso não é
determinante.
Existe um fator importante aí que a
pessoa que tem essa herança genética
pode estar mais propensa à depressão.
Mas quando ela aprende a enfrentar a
situação e é cada situação, ela aprende
a levar diante do Senhor, aprende a
conversar com amigos próximos e que são
eh crentes maduros. E ela aprende a
conversar consigo mesmo porque estás
abatido a minha alma, porque te
perturbas dentro de mim, né? Então,
quando tudo isso acontece, ela consegue
também se livrar. mais fácil de tudo
isso. Então, importante geneticamente
falando, mas não determinante. Eu acho
que essa uma distinção é muito
significativa, porque nós vivemos num
mundo que vive querendo nos definir por
diversas questões. Às vezes pode ser a
cultura onde nós somos criados. você é
cristão porque nasceu em um país cristão
ou ah, essa pessoa é assim porque a
classe econômica dela é mais atrelada a
isso. Então, quando usamos isso como um
determinante, a pessoa não tem como
lutar contra isso, determinismo
cultural, biológico, que seja, nós
caímos aí num fatalismo que não faz
sentido, né?
Se sente injetada dentro disso, né?
É, ela ela pensa que não pode nem sair
dali, né? Aquela coisa, ah, eu já sou
assim, eu não tenho o que fazer para
fugir disso, sou uma vítima disso.
>> É, ela se vitimiza quando ela pode não
ser essa vítima, né? Ela pode reagir
contra tudo isso e ela pode identificar
esses sintomas quando começam a
aparecer. Uhum. Eh, e ela pode se
entregar a estes ou não e pode reagir
contra, pode identificar isso de maneira
clara e pedir socorro, né? E eu procuro
sempre conselheiros bíblicos, amigos,
irmãos, pastores que são eh que têm
compaixão e se dispõe a ajudar. Então
isso se torna bem diferente e a pessoa
consegue sair daquele buraco. Eh, eu
gosto muito de trabalhar com essas
pessoas também em cima de salmos. Por
exemplo, o Salmo 69
mostra a pessoa que está se afundando no
profundo amassal que não dá pé. E parece
que quanto mais ela se mexe para tentar
sair, ela mais afunda na areia movediça,
né? Mas ela ela expõe os seus
sentimentos, mas ela clama a Deus, ela
clama por socorro. Então ela não está
sozinha. E é muito lindo porque o Senhor
sempre nos traz pessoas que podem nos
ajudar.
Eh, trabalhando lá no HC por tanto tempo
nesse setor, me lembro de uma paciente
andando pelo corredor, de um lado pro
outro, sem parar. Se deixassem, ela
ficaria 24 horas fazendo isso. E ela
estava com um livro de ponta cabeça,
como se estivesse lendo, falando em voz
alta e andando, andando, andando. E eu
parei ao lado dela e pensei: "Meu Deus,
como é que eu posso ajudá-la? me ajuda a
achar o meio de ajudá-la. E eu estava
com um livro na mão, eh, Deus se importa
com você. E eu andei com ela há algum
tempo pelo corredor e falei: "Você deve
estar cansada de ler esse mesmo livro.
Vamos trocar? Empresta para mim e eu te
empresto esse meu". E ela topou e
continuou andando e lendo pelo corredor.
Mas agora as palavras faziam sentido
porque eram textos bíblicos mostrando o
amor de Deus pela vida dela. E no outro
dia ela já estava melhor. No outro dia
ela quis ouvir falar de Cristo. No outro
dia ela havia conhecido a Cristo como
Salvador. E daí eu fui acompanhando-a
diariamente e ela falou: "Olha, nesse
fim de semana eu vou pra casa. É, já faz
20 anos que eu estou indo e voltando das
internações. A minha família já não tá
nem aí comigo, estão cansados demais.
Mas eu vou sair porque os médicos querem
observar as minhas reações em casa e os
meus meus familiares, meus parentes vão
me avaliar também."
E daí eu fui correndo para vê-la na
segunda-feira e perguntei: "E aí, como
foi?" Ela falou: "Olha, pela primeira
vez meus familiares se colocaram junto à
entrada da porta quando eu estava saindo
e eles falaram: "Volte, volte logo para
casa, porque você está diferente, você
ajudou a cuidar das crianças, você
ajudou a arrumar a o a comida de almoço,
você conversou com os seus irmãos, você
está diferente, volte". E aquilo foi um
santro remédio para ela também, né? Ela
se sentiu amada, valorizada e viu o que
Deus estava fazendo na vida dela. Foi
muito lindo.
>> Ah, a gente percebe então que existem
fatores importantes, não determinantes,
como você classificou, e um outro que
também pode ter a sua importância é a
própria personalidade da pessoa, né? O
livro ele inclusive vai falar um pouco
sobre isso. E aí é uma pergunta
relevante pra gente aqui é como a
personalidade pode contribuir ou não
paraa depressão. Sim. A pessoa que tem
uma personalidade obsessiva, compulsiva,
né? Eh, ela vive em torno de si mesma,
tem alterações drásticas de humor, às
vezes um tumor, um humor eufórico,
outras vezes cabisbaixa e profunda
tristeza. E ela está muito frágil, muito
fragilizada. é um dos, né, um um dos
tipos de personalidade, uma
personalidade muito irada, iracível, uma
pessoa que explode fácil também, eh,
outra, uma pessoa que se sente nada na
frente de qualquer situação, não
enfrenta obstáculos, é outra também. a
gente pode eh ver casos de depressão
crônica, depressão que é chamada
depressão maior. Então as pessoas
desenvolvem sintomas muito mais
profundos e constantes.
Eu escrevi um livro também chamado eh
sobre eh Depressão chamado dor na alma,
uma dor que ninguém compreende. falando
justamente nisso, pessoas que estão se
afundando e que estão cada vez mais
naquele ritmo eh descendente e que não
conseguem sair daquele buraco. E daí a
gente vai falar em cima disso sobre a
importância do tratamento médica
medicamentoso,
tratamento médico, né? Então, quando eu
recebo uma pessoa para aconselhamento
bíblico e ela me fala: "Eu estou
deprimida, eu vou primeiro pedir que ela
faça exames médicos, que ela passe por
um clínico geral para avaliar o seu
estado de saúde, se ela tem hiper
hipertioidismo
ou hipotiroidismo ou algumas disfunções
glandulares,
alguns outros problemas orgânicos.
que podem levá-la a estar nesse estado.
Se nada disso é fato ou se for, ela vai
se tratar dessas coisas e vamos
trabalhar em paralelo com o médico
também o aconselhamento e o tratamento
médico. Mas se ela não tiver nada disso,
vamos perguntar então quando começou
aquela depressão. E uma das pessoas que
eu atendi em aconselhamento por 25 anos,
ela teve coragem de se abrir pela
primeira vez comigo quando ela estava
com 20 anos. Ela havia sofrido um abuso
sexual de um seminarista que era
considerado filho do seu pai, pastor.
Eh, ficava dentro de casa com as
crianças, participava de tudo com eles e
os pais enquanto em grande confiança,
deixavam as duas meninas nas mãos dele
para ele cuidar, enquanto eles faziam,
ele e a esposa faziam as visitas
pastorais.
Só que nesse tempo ele abusava das
meninas e ela começou com 6 anos e foi
até os 10 anos sendo abusada. A irmã
dela também. Ela tentou falar com os
pais sobre isso, mas os pais falavam:
"Imagina, isso é coisa da cabeça de
criança.
Este rapaz seria incapaz de fazer nada
qualquer coisa desse tipo." Ele é como
um filho pra gente. Ela enfrentou muitos
problemas psiquiátricos. dentre os quais
depressão, tomou muitos tipos de
medicação. E o triste é que se você não
trabalha aconselhamento bíblico e ah
tratamento médico em paralelo, eh o
tratamento médico, as medicações para a
depressão, eh, perdem o valor ou perdem
a ação depois de três ou 4 meses e daí
vem uma troca e daí cada medicação
demora mais ou menos 15 dias para
alcançar uma ação mais efetiva.
E daí depois de alguns meses perde novo.
Então assim, se você não estiver
tratando com aconselhamento bíblico,
estimulando aquela pessoa o tempo todo e
fazendo com que através da palavra ela
tenha mais maturidade, ela lide com seus
conflitos, com a raiva, com o ódio que
ela ficou dessa pessoa e também como ela
culpou os pais por não acreditarem nela,
né? Então ela vai eh ela não vai sair
disso. Então eu falo, fiquei 25 anos
discipulando-a, sendo ela filha de
pastor, atuante na igreja, conselheira,
mas passando por tudo isso por causa de
alguma coisa na infância. Então, tudo
que acontece na infância é muito
importante e a maneira como cuidamos dos
nossos filhos, educamos os nossos filhos
e damos a eles liberdade ou não de falar
o que eles estão sentindo, ensinando-os
que, ok, é autêntico, né? Eh, e você tem
que saber lidar com isso. Como lidar com
o bullying na escola? Como reagir a
isso, né? Será que você é aquilo que
eles estão dizendo que você é? Não, não
é assim. Então, como é tudo isso é
importante e lidar com a culpa, com a
culpa verdadeira, a culpa falsa, né?
Aquela senhora que com 70 anos estava se
sentindo culpada pela morte da irmã na
frente dela aos 14 anos de idade. Uma
culpa que não era legítima, mas que
porque não foi tratada adequadamente
pelos pais. Isso tomou a vida dela quase
que toda, né?
>> Olha, e aqui a gente percebe uma uma
outra questão que você trouxe, né? A
importância do aconselhamento bíblico
junto com ah outros tipos de tratamento,
né? Ele, o aconselhamento bíblico, ele
tem que estar presente ali. A gente
precisa entender, então, qual a relação
entre a vida espiritual e a saúde
psicológica. Porque você já falou, por
exemplo, da saúde biológica ou, enfim, a
saúde do corpo como um todo e a saúde
emocional, psicológica. E quando a gente
fala da vida espiritual e da saúde
psicológica, qual é a conexão que nós
temos entre as duas coisas?
>> Nós temos que lembrar que tudo que
atinge uma parte do nosso ser contamina
as outras partes, né? O corpo, o
intelecto e a alma, o espírito são
comprometidos em qualquer coisa. Por
exemplo, quando eu fico doente, eu não
fico doente só no corpo, mas eu passo
por uma pressão emocional muito grande
também. E eu levanto perguntas diante de
Deus também. Então, tudo isso tem a ver.
Eh, quando as minhas eh o meu espírito
está perturbado, as minhas emoções
sofrem. Então, quando eu não tenho uma
visão correta sobre Deus, quando eu
interpreto de uma maneira distorcida a
palavra, as minhas emoções também sofrem
e sofrem muito.
Foi interessante conversar com o
acompanhante de uma paciente hoje ainda
no hospital e eu entrei no quarto e ele
estava com uma Bíblia aberta e eu fui
conversando com os dois e perguntei:
"Você
>> é evangélico?" E ele falou: "Não, eu sou
católico". E eu falei: "Católico". E
lendo a Bíblia com esse cuidado, ele
falou: "Pois é, eu não adoro imagens, eu
não adoro Maria, eu só adoro Cristo e eu
já passei por uma porção de coisas, mas
eu filtro tudo através desta palavra.
Ah, que delícia!
Ele é uma pessoa que aceitou a Cristo
como salvador, né? Ele tem uma vida nova
e ele usa esse filtro da palavra porque
ele quer crescer, quer interpretar a
vida de uma maneira correta, de uma
maneira bíblica. E eu creio que muitas
vezes nós sufocamos as nossas emoções
porque nós não temos um conhecimento
experimental da palavra. Talvez
conheçamos muito da teoria, da teologia,
mas apliquemos pouco no nosso dia a dia,
né? Então, tentamos fazer alguma coisa
separada, mas quanto mais nós
mergulharmos na palavra, quanto mais nós
teremos reações emocionais também
adequadas, condizentes com aquilo que a
palavra diz. pensando em Paulo,
pensando em apóstolo Paulo na prisão e
numa prisão memertina, né, numa
segurança máxima, um uma quase que uma
caverna de pedra com um buraquinho no
teto para entrar um uma réa de luz, mas
ali sem qualquer recurso, sem saber
quanto tempo ficaria ali. E ele escolheu
ficar, ser feliz, estar contente em
qualquer situação. E ele aprendeu isso
através desse relacionamento com Deus no
espírito, através do Espírito Santo de
Deus. E ele fala: "Eu aprendi a viver
contente em qualquer situação, tanto
tendo tudo como não tendo nada, eu posso
todas as coisas no Deus que me
fortalece, naquele que me fortalece".
Então, como é importante, em primeiro
lugar, nosso relacionamento com Deus, a
aplicação da palavra a cada situação da
nossa vida e isso vai lidar com o nosso
ser emocional e vai repercutir também na
nossa nosso corpo. É interessante,
muitas pesquisas científicas. Eu eu
tenho dado aula em várias faculdades de
medicina, feito palestra, tem congressos
médicos e por isso eu tenho que
pesquisar em livros de medicina e alguns
que falam sobre pesquisa científica,
sobre impacto da fé cristã sobre a saúde
física e mental. E num deles diz que a
pessoa que tem um relacionamento com
Deus eh se recupera em 1/3 do tempo em
relação a outras pessoas com as mesmas
patologias
e que não conhecem essa fé, não tem esse
relacionamento com Deus. E falando sobre
a depressão, este é um fator muito
forte. depressão, recuperação em 1/3 do
tempo em relação a pessoas que não
conhecem a Cristo e que também estão
enfrentando a depressão. Não é
interessante?
>> Demais, demais. Até porque, né, eh, qual
é a fonte da felicidade? É o Senhor, né?
A alegria, a paz, elas são aspectos do
fruto do espírito. Então, quanto mais
estivermos no Senhor, mais teremos esses
aspectos do fruto, mais teremos esses
frutos em nós. Eh, é claro que isso não
anula outras coisas que, por causa das
consequências do pecado, podem lutar ali
contra a nossa felicidade, a nossa paz,
a circunstância, saúde e tudo mais. Mas
se nós estamos no Senhor, nós
conseguiremos muito mais a alcançarmos
essa felicidade, essa paz acima e além
das circunstâncias. É verdade.
>> É verdade.
>> Ainda assim, ah, fica à vontade, por
favor.
>> É, eu queria contar só mais uma
experiência,
>> por favor. São valiosíssimas as suas
experiências, por favor, conte aí. de
paralisia infantil do Hospital das
Clínicas. Nós tínhamos sete crianças e
adolescentes ali com paralisia infantil,
tetraplégicas ou paraplégicas.
E eu vivia lá dentro, tinha muita
amizade com elas. E quero destacar uma
delas, a Eliana Zague, que está viva até
agora e morou dentro do Hospital das
Clínicas por 45 anos. Ela
foi para lá com 8 meses e meio de idade,
>> ficou dentro de uma máquina só com a
cabeça para fora. Todos os dias ela
ficava assim para os tratamentos da
época. E eu me lembro que a primeira vez
que ela saiu do hospital, ela foi lá
para casa para comemorar o aniversário
dela de 15 anos.
Eh, o que ela pediu em primeiro lugar?
Como o quarto dela ficava no primeiro
andar, ela só conhecia a copa das
árvores. Ela nunca havia visto o tronco.
E ela pediu que a janela da ambulância
ficasse aberta, porque ela queria ver a
árvore inteira nas ruas. Uhum. E depois
disso ela foi crescendo, amadurecendo,
ela aceitou a Cristo ali no hospital e
ela começou a aconselhar pessoas pela
internet. Uma das pessoas que ela
aconselhou foi um rapaz que tinha
tentado o suicídio várias vezes por
causa de depressão. E esse rapaz se
recuperou muito bem e um dia quis
conhecê-la, mas ela nunca havia falado
sobre quem ela era. E ela falou: "Olha,
vem aqui, eu estou aqui no HC." E ele
foi pensando em encontrar uma médica,
uma psicóloga, uma psiquiatra. E quando
encontra uma paciente tetraplégica com
um movimento só no pescoço, daí ele
ficou em choque, mas ela pôde
compartilhar com ela quem é esse Deus
que a consolava e que ajudava cada dia.
Ela hoje mora, tem 51 anos, mora com uma
família em Campinas, frequenta a Igreja
Presbiteriana de lá e ela pinta quadros
com a boca e vende e ela sustenta o
cuidado que é dado a ela mesma através
dos cuidadores profissionais com a venda
dos dos quadros dela. E ela escreveu
dois livros também, não é? Lindo demais.
Demais, demais. Que história
muito bom. Realmente é é acima das
circunstâncias. Não tem como você
definir de outra forma, né? Eu trouxe
aqui a teoria, você trouxe a experiência
de disso ser vivido. Que coisa linda,
muito bonita essa história. Eh, e aqui
já caminhando pro pro fim, Heleni, ainda
que a gente entenda a ênfase primordial
do Senhor como a raiz da nossa alegria,
a fonte da nossa alegria, da nossa paz,
a gente também falou dessas outras
questões que eh muitas vezes nós
precisamos considerar. E falando de
tratamentos médicos, medicação,
hospitalização, eh, como é que a gente
pode ver os papéis dessas coisas e em
que momentos elas devem entrar, né? A
começar pelos tratamentos médicos
disponíveis para depressão, por exemplo,
como é que nós poderíamos considerá-los?
Eh, eu acho que são muito importantes,
porque às vezes a pessoa não consegue
nem eh se envolver no aconselhamento
bíblico, porque ela está tão
emocionalmente
para baixo que ela não consegue reagir.
A gente pede para ela ler uma página e
ela não sabe no final dessa página o que
ela leu, porque ela não consegue
absorver nada. Lembro de uma paciente
que ela não conseguia levantar o rosto.
Ela, eu, nós fomos falando, orando,
trabalhando a vida dela, até que ela foi
levantando o rosto aos poucos, mas
entrando com a medicação também, ela
estava internada. Então assim, a pessoa
que já tentou por várias maneiras e os
sintomas persistem e assim a pessoa está
com o o semblante triste todos os dias
por tantos meses. Ela não muda, ela não
está comendo direito, ela não está
dormindo direito, ela não consegue
reagir, ela não consegue retomar a vida
dela. É hora de procurar também um
psiquiatra para entrar com a medicação.
Lembrando sempre que só medicação não
vai fazer efeito com completo, mas é
importante entrar com a medicação. Essa
medicação começa a agir mesmo depois de
15 dias que a pessoa está tomando com
constância.
Então, e se essa pessoa mesmo assim
ainda está tendo ideação suicida, está
tendo visões, sonhos, né, uma visão, é
uma psicose já e ela está correndo o
risco de vida e ela começa, o suicida,
ou aquele que está com ideação suicida,
começa a falar sobre eh como ela
gostaria de deixar os seus bens para tal
pessoa. e tal pessoa e ela começa a
falar que talvez a vida dela não seja
tão importante, que ela pode deixar eh o
seu lugar ali para outra pessoa, que vai
se vai ficar melhor a família sem a
presença dela. Então, todos esses sinais
já é sinal de levar rapidamente para uma
internação ou uma internação porque ela
compreendeu que ela precisa, ou uma
internação compulsória, porque ela está
sendo internada à força no sentido da
família protegê-la, cuidar dela e ela
precisa disso. Então, vai ficar num
setor específico. O hospital das
Clínicas de São Paulo tem setores bem
determinantes ali, setor de só de
depressão, setor de ansiedade, de
usuários de drogas e álcool. Mas então
ela vai poder ser vigiada, vai ser
medicada,
vai ser aconselhada e vai poder começar
a sair aos poucos à medida que ela vai
experimentando uma melhora e sob
avaliação constante.
>> Olha só, é importante a gente entender,
né, que existe um passo até para essa
questão da hospitalização, que é algo
que eu creio que poucas vezes é
considerado ou é considerado às vezes
até, infelizmente, tarde demais, né?
Então, muito importante essa esses
direcionamentos que você deu. Mas pra
gente terminar aqui, Elen, uma pergunta
final que eu faria para você eh alguém
que está nos ouvindo e essa pessoa está
sentindo assim essa tristeza eh
constante, ela está nesse estado
depressivo
e ela quer lutar contra isso. Ela ouviu
você ao longo dessa conversa, ouviu aqui
a gente falando sobre tudo isso, ela
queria um conselho final. Como é que
você diria? Ah, quais são os passos para
que ela possa se recuperar então dessa
depressão e escolher, né, a felicidade,
escolher uma vida feliz, viver uma vida
feliz? Eu
>> creio que, em primeiro lugar, ela
precisa se colocar diante de Deus, ah,
nuamente,
no sentido assim, se despir de todos os
seus preconceitos e medos e falar:
"Senhor, tá difícil. Eu não consigo. Já
tentei de todas as formas, não dá, mas
eu vou paraa tua palavra. Eu vou buscar
ajuda na tua palavra e vou continuar. E
assim, salmos, entre nos Salmos porque
eles vão mostrar para você muitas
pessoas que viveram numa depressão
profunda em alguns estágios da vida,
como Elias, né? Ele foi por medo de
Jezabel. Ele foi recuando, recuando e se
trancou numa caverna e ele só queria
para si a morte. Mas Deus tem um tinha
um plano muito maior para ele e para
usar a vida dele. E com certeza Deus tem
um plano enorme para sua vida. Ele tem
propósito, tem razão, sentido para você
viver uma vida plena, nova e com uma
maturidade muito maior, porque você está
conhecendo melhor a si mesmo, está
conhecendo melhor a palavra, está
conhecendo melhor ao senhor da palavra,
está abrindo o coração com ele. Outra
coisa é busque ajuda. Seu pastor, um
conselheiro bíblico, um terapeuta
cristão. Não são muitos, mas que possam
lidar com a palavra durante o o a
terapia também, mas se submeta a
tratamento. A sua vida é importante, a
sua família é importante, as pessoas que
estão ao seu redor estão observando você
e você está irradiando o quê na vida das
pessoas? À medida que você se permitir
ser ajudado, você vai estar irradiando a
luz de Cristo e as pessoas vão sentir
como você está mudando. Mas não tente
fazer isso sozinha. faça a opção de
aprender a ser feliz, apesar das
situações, mas muitas vezes essa escolha
é escolher também ter ajuda, ter pessoas
que possam ajudá-la, biblicamente
falando, pessoas que sejam gente que não
cobrem de você coisas que você não tem
que dar, não tem que ser, mas que
assumam a sua pessoa. como você é e
mostrem a você como crescer nesse
relacionamento com Deus e com a ajuda de
pessoas e de médicos e psiquiatras e
medicações que vão ajudá-lo a sair desse
estado. Não desista, escolha a
felicidade.
>> Amém. Amém. Helene, muito obrigado por
essa conversa. Foi um prazer bater esse
papo com você, aprender aqui junto,
ouvir tantas histórias bonitas que Deus
tem agido, tem te usado. Que Deus
continue usando realmente, abençoando
sua vida e seu ministério, meu irmão.
>> Amém. Muito obrigada. Que Deus abençoe
muito a você também e abençoa, abençoe a
cada um dos queridos e queridas que
estão assistindo esse nosso encontro. e
adquira este livro Vale, gente. Eu
aprendi muito através dele. Que a sua
vida seja abençoada também através da
leitura dele.
>> Amém. Você aí de casa, gostou dessa
conversa, não se esqueça de se inscrever
aí na sua plataforma de podcast
preferida para não perder nenhum dos
outros episódios que nós já temos
gravados e dos que ainda virão pela
frente. Também dê uma olhada aí no que é
que você pode compartilhar com outras
pessoas. Tenho certeza que essa conversa
pode ser bênção paraa sua vida, mas
também para outros que estão ao seu
redor. Compartilhe com essas pessoas,
compartilhe outros episódios, deixa aí
também o seu feedback, o seu like, seu
comentário e acima de tudo, como foi
destacado, considere adquirir esse
livro. Ele com certeza vai ser bênção
para você e também para te ajudar a ser
luz na vida das pessoas à sua volta. É
isso aí, até a próxima. Valeu,

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