A IGREJA do CANSAÇO [PodCast com Willibaldo Ruppenthal, Ari Langrafe e Vinicio Romagnollo]
21/04/2026
A IGREJA do CANSAÇO [PodCast com Willibaldo Ruppenthal, Ari Langrafe e Vinicio Romagnollo]
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Fonte: Escola Charles Spurgeon
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Fala pessoal, sejam muito bem-vindos ao podcast da escola Charles Spuron. Que bom estarmos aqui de novo, conversando, dialogando, fazendo teologia aqui hoje, nessa tarde. Eu vou começar com Marx, Freud, Niet e Foucault. O que você pensa quando vem esses nomes à sua mente? E não faltam nomes de estudiosos da sociedade que fizeram duras críticas à igreja. Esses são somente alguns. Porém, quando lemos um autor chamado Bhan, vemos que talvez essas várias críticas não façam tanto sentido como costumamos imaginar. E hoje para conversar com a gente sobre isso, nós temos aqui o nosso convidado, professor Wilibaldo Rupental Neto, autor da obra A Igreja do cansaço, a qual acabei de ler um pedacinho para vocês. E alguém que tem refletido com profundidade sobre a igreja, cultura contemporânea e os desafios espirituais do nosso tempo. Professor Willy Baldo é doutor em história pela Universidade Federal do Paraná. Professor, seja muito bem-vindo. É uma alegria recebê-lo aqui. >> Obrigado. Uma alegria estar aí também. Convite pastor do Vinícius também. >> Ah, bom demais. E a gente já tá conversando há um tempão, né? E a gente vai querer ouvir hoje do pastor, >> pastor que agora é da Igreja Batista Hortênsia em Maringá, >> a partir do próximo mês. Que legal. Agora a gente tá no processo de transição, >> nessa transição e a partir do próximo mês, então >> isso >> que legal. Também Vini tá aqui com a gente hoje. V, o Vini que é estudante história e teologia. Uau! Já juntando os dois. E essa mistura, senhores, faz bem, né? História e teologia. Afinal, a gente tem tanta história e tem tanta teologia e quando a gente tá junto, coisa boa. Então, vamos lá. Vou começar aqui só trazendo mais um pouquinho pra gente, pra gente ter essa ideia desse livro. E aí, aí já vou passar pro professor Willy Baldo e a gente vai tocando o barquinho. Mas quando eu li, eu eu tive o prazer, senhores, de ler a Igreja do Cansaço, né? Você vai, você pega que que tá, que que tá tratando, né? E o que a o começo do livro já aprende você, né? você já fica ali, falou: "Uau, eu vou, eu vou, eu vou até o final desse livro". Porque ele coloca assim: "Afinal, já não vivemos na soci na sociedade disciplinar de Foucault, feita de hospitais, asilos, presídios, quartéis e fábricas, nem daquela sociedade repressora de Freud. A sociedade hoje é completamente diferente e aquilo me fez parar e ficar uns 5 minutos falando: "Uau, será? Eu também não tinha pensado nisso que mudou". E se a psicanálise freudiana não pode ser eh efetiva numa sociedade repressiva, como defende o autor, né? É evidente que as teorias dele, assim como a do de outros autores, não tem mais eficiência e, portanto, o valor crítico que tinha ao seu tempo. Tô citando aqui o professor Willybaldo de novo. A sociedade mudou e não é que os problemas deixaram de existir, eles simplesmente mudaram de endereço. E é sobre isso que trata, sobre isso que trata o livro, sobre isso que nós vamos conversar hoje. Então, vamos lá, professor Willy Baldo. Vamos lá. O título do seu livro é muito forte. Quando o senhor fala em igreja do cansaço, tá descrevendo uma igreja cansada? Ou uma igreja inserida numa sociedade cansada ou uma igreja que passou a reproduzir a lógica do cansato. Como que você vê o título [limpando a garganta] do seu livro? >> É as três coisas, na verdade, a gente pode pensar, né? Porque hoje a gente vive num tempo que é o que B Chran chama de sociedade do cansaço. É uma das obras dele, tem esse título que é a obra principal que me inspirou, né? O o livro é baseado nessa obra, até a cor roxa por causa da da versão, né, em português dessa obra, que em inglês inclusive foi traduzido com The Bornout Society, né? Então, a sociedade do Burnout, essa sociedade onde nós estamos inseridos. Então, cabe a gente olhar essa sociedade e compreender até que ponto que a igreja não está misturada isso, até que ponto as lógicas dessa sociedade não interferiram já na igreja e de que modo que a gente pode responder. Então, a sua fala inicial é muito importante da gente considerar, nós não estamos mais naquele tempo que o Marx criticava, que o Freud criticava, que o Niet criticava. Eu eu estudei todos esses autores, né? não ouvindo e deve estar estudando lá em história. A gente tem que estudar esse negócio. >> E assim, conheço, tenho artigo sobre Niet, >> dou aula sobre Mark, sobre Freud, teologia e ciência da religião, a gente ensina isso, mas assim, as críticas deles não fazem mais sentido pra igreja que existe atualmente. E é curioso, tem teólogos muito, me permita, né, na minha visão, [limpando a garganta] >> um tanto quanto ultrapassados que ficam insistindo nesse diálogo com esses autores, são autores do seu tempo. E tá tudo bem, né? quer olhar pra igreja daquele tempo, tudo bem, mas para agora. Então eu vi até recentemente um vídeo no YouTube, um teólogo, é um teólogo da teologia da libertação, né? Ele falou: "Não, a igreja precisa dialogar com o Marx, com Freud". E eu ouvi isso e eu falei: "Cara, não estamos mais naquele tempo, né? a gente precisa dialogar com os autores que estão pensando o nosso tempo e que nos levam a reflexões sobre o agora, sobre questões práticas para nós, como, por exemplo, como a democracia está num ambiente de redes sociais, por exemplo. Boran trabalha essas questões, são coisas muito práticas para nós. Por quê? Porque o mundo de hoje não é o mundo de 80 anos atrás, não é um mundo de 100, 120 anos atrás. Então o mundo hoje é um mundo de uma sociedade do cansaço, uma sociedade cansada que incentiva esse cansaço e que muitos cristãos vivem isso sem perceberem que é fruto dessa sociedade e não do evangelho. E aí tem uma lógica do evangelho que é um evangelho cansado, um evangelho que desgasta, o evangelho que não liberta, mas aprisiona sem nem perceberem isso. >> Sim. E a gente fala de 80, 120, mas é 20, é 30, né? A as mudanças hoje tão tão ah tão tão rápidas que a gente precisa fazer esse exercício. Que legal. Quer quer verificar? Quer continuar aí, Vini? >> Posso fazer a segunda pergunta aqui? Então, eh, na introdução, o senhor mostra que talvez muitas críticas tradicionais eh a religião já não explique tão bem o presente. Mudou na sociedade para que pensadores com brinco, com rança tornem especialmente relevantes para entender a igreja. Hoje eu amplio um pouquinho isso aqui porque a gente acaba entrando em, vamos falar autores que eles não são cristãos, mas que eles podem contribuir pro nosso pra nossa visão da igreja. >> Perfeito. E aí, qual que é a questão? Igual foi mencionado, né? Não vivemos mais no tempo disciplinar do Foucault, naquele tempo repressivo do Freud. Hoje a gente vive num mundo que tem outras críticas sociais. A gente vive num mundo que ainda é ainda dá para fazer as críticas de sociólogos já assim antigos, mas ainda válidos, como por exemplo Zig Balman. Zig Bman eu eu trabalho, trago, mas eu já mostro que ele já não explica algumas coisas como Buran. Por quê? Porque o mundo mudou de lá para cá. Não é mais aquela lógica repressiva. Agora é uma lógica contrária a isso. Hoje as pessoas não são mais reprimidas por conta dos seus pecados. Aquilo que nós como cristãos vemos com pecado, muitos hoje incentivam como identidade principal de muitas pessoas. Então, é o inverso, é uma sociedade baseada no cristianismo, hoje, uma sociedade muito mais anticristã em grande medida, ou buscando uma realidade pós-cristã, como muitos autores vão defender, né? Então, a gente vive outro momento. Sendo outro momento, as críticas à igreja não permanecem válidas. A igreja hoje ela tem um um papel inclusive, né, de conservar elementos da sociedade lá atrás, que talvez alguns autores que faziam críticas dela precisar ser menos conservadora, hoje talvez dissesse o contrário. Então é é curioso como há esses pêndulos da história, né? Hoje a igreja ela faz um trabalho muito importante conservando elementos e um mundo transitório, um mundo líquido, como diz Zigmund Balman, um mundo cansaço, cansado, esgotado, como coloca o Buran. E a igreja tem uma resposta a isso. Mas qual que é o problema? Muitas vezes a igreja tá imersa esse mundo e na mesma lógica, no mesmo tom do mundo, sem nem perceber, né? E aí que tá o grande perigo. >> Uau, gente. Tá, tá bom demais refletir isso, né? E o e o Balmon vai colocar essa modernidade líquida. E agora vem Bill Chuan e ele meio que toma forma isso, né? Essa sociedade do cansaço, tanta coisa acontecendo. E eu quero trazer aqui ah esse cenário para nós, né? Porque talvez a pergunta, certo, Willly? Ah, não seja mais apenas como a igreja foi criticada no passado. Eu acho que a gente ainda vive essa teologia de como a igreja foi criticada e a gente tá respondendo ainda essas perguntas. Mas que tipo de igreja o nosso tempo precisa redescobrir, né? Que tipo de igreja o nosso tempo precisa de o que que tá acontecendo agora? Aí você vem colocando democracia, vem colocando toda a a questão digital que vem, né, pelas redes sociais e por por esses movimentos de de cancelamento, de impulsionamento, de tantas coisas que ah são novas e que a gente e que a igreja deve responder. A pergunta é: a igreja tem respondido as perguntas de agora ou ela ainda tá respondendo as perguntas do passado? >> Que que você acha? A igreja tem as respostas, mas eu acho que ela tá ainda respondendo coisas do passado e não percebendo que as coisas do presente às vezes ela está inserida e vivendo justamente os mesmos erros da sociedade geral, né? Então a gente pode pegar como como um exemplo pra gente trazer aqui, né? Ao invés da sociedade repressora que havia no passado, hoje nós temos uma sociedade positiva. A lógica da positividade não é o positivismo do Augusto Bond, não tem nada a ver com isso. É a positividade que o Bunch fala de você sempre incentivar o outro e não colocar os limites pra pessoa ter uma autopercepção real. Então essa esse incentivo que ele chama assim muitas vezes do liso, não tem que cuidar para não ofender o outro. Então, não haver aquela aquele confronto. E como que isso aparece no cristianismo? Com pessoas que vão lá, pregam um evangelho e não confronto, que não desafia a pessoa a olhar sua vida e mudar de vida, que não fala de pecado. Um evangelho de massagear egos, porque essa é a tendência do mundo. Hoje é o mundo do politicamente correto. Isso transparece em pregações que são politicamente corretas, mas não só. São pregações que falam do eu e falam o quê? Não, você pode todas as coisas. Você é filho do rei, vencedor, você pode tudo. Basta você querer. Isso é propriamente da lógica do mundo atual. >> Uau! Então a gente não para de pensar que de evangelhos tem muito pouco, porque Jesus nunca falou nesse sentido. Pelo contrário, Jesus fala da autoanulação. Quem quiser me seguir, tome a sua cruz e me siga. >> Agora a gente tem a pregação de evangelho triunfalista, que é fruto dessa sociedade positiva. E a gente não percebe que autores, poxa, o Bchurré é lido em filosofia, sociologia, pessoal por fora do cristianismo, né? Mas muitos não perceberam que ele já estava nos mostrando uma sociedade que iria afetar a teologia atual. >> Então vamos fazer o seguinte, então vamos trabalhar esse assunto, né? E é e vamos chamar isso de a pregação da positividade, que é o primeiro capítulo do livro, certo? >> Então a pregação da positividade, né? Porque hoje existe, então, pelo que eu tô ouvindo aqui, essa tentação de transformar o púlpito em lugar de motivação, né? O discurso motivacional, de autoafirmação, de bem-estar. E aí a pergunta, professor, em que momento a pregação deixa de ser evangelho e passa a ser apenas um discurso de reforço positivo? Quando que isso acontece que no seu ver aí >> quando o foco sai de Jesus e vai pro eu. O o Bunch apresenta muito que hoje a gente não vive um tempo apenas eh voltado ao ser humano. É um tempo antropocêntrico, como do passado era, né? A gente teve a mudança, vamos colocar do teocentrismo pro antropocentrismo, mas hoje há um egocentrismo. Não é o foco, não é o ser humano, mas é o eu, indivíduo. Quando a pregação ela fala ao indivíduo e ele é o foco principal e não Jesus Cristo, tem algo errado ali. Até esse ano na igreja que eu estava, né, participando, que é a igreja Batista Lindói aqui de Curitiba, a gente preparou um material de de devocional e o nome é não protagonista. Por quê? Porque hoje muitas igrejas pregam como se o protagonista fosse nós. >> Não, eu sou o protagonista da minha vida, eu faço a minha história. E é curioso como muita gente tem esse discurso quando na verdade biblicamente protagonista é Deus. É ele que escreve a história. Nós somos codivantes nessa grande história da salvação da qual nós participamos. Quando a pregação não trabalha nessa lógica, mas ela inverte, coloca, não, você é protagonista, aí há um problema. E aí Deus é transformado em coadjuvante. E sendo coadjuvante, ele é o quê? Ele é meramente uma ferramenta. Quando o evangelho deixa de ser nós servirmos a Deus e se torna Deus servir a nós, houve essa inversão. A gente tem que tomar muito cuidado na na no que a gente ouve, no que a gente consome, né, que é a expressão que a gente usa hoje. Tem gente que vai em boa igreja com uma boa teologia, mas às vezes na internet gosta de ouvir alguns pregadores aí virtuais e acaba consumindo uma teologia muito ruim, uma teologia que não é aquilo que nós deveríamos crer. e não só pregadores. A teologia ela se faz em música também, né? A as músicas elas eh carregam teologia nelas, >> né? Então a gente tem que ter cuidado com o que a gente tá consumindo, porque muitas vezes a gente tá consumindo coisas que são próprias desse tempo, desse mundo, numa lógica de uma pregação da positividade, sem nem percebermos, né? >> É. E a observação que eu faço, eu tenho percebido um um ressurgimento a da teologia reformada. Uhum. >> Eu acho que isso vem muito desse anseio, né, senhores, de falar, gente, Cristo tem que estar no centro, né? A teologia voltada pra glória de Deus, né? E não para massagear o ego do ser humano. Ah, você é a pessoa. Não, Deus está no centro. Então, para imagine alguém em uma igreja, o que que ele deve procurar? Vai lá, pastor, eu tô entrando numa [limpando a garganta] igreja, né? >> Que que ele precisa ver? O que que precisa acontecer, né? >> É até o >> para que a gente possa fugir disso, >> pegar um exemplo, né? Tempo atrás, um casal de amigos nossos, eles vieram paraa cidade, eles vamos procurar igreja, foram e eles falaram assim: "Vamos ver nessas denominações que a gente sabe que são sérios. Foram na primeira igreja, que que eles avaliaram? Duas coisas. Primeiro, a o relacionamento e segundo, né, mas não menos importante, a pregação. >> Então eles falaram, precisa ser uma pregação bíblica centrada em Cristo e precisa os membros nos seus relacionamentos expressarem amor. >> Eles foram, eles foram numa igreja que eles foram e eles falaram assim: "Pregação muito bíblica, excelente, mas zero relacionamento. Eles entraram em >> Mas essa igreja era em Curitiba. Então então mas [risadas] é em Curitiba, >> não é? Mas eu não posso falar mal de Curitiba não. Não, mas é. Tá bom, continue. Curitibanos que me perdoe. Não, tá certo. A gente tem que, >> como eu sou gaúcho, eu tô indo embora para Maringá, eu tenho que cuidar curitibano. Posso falar manter quieto de São Paulo. [risadas] >> Então, mas e você falou dessa lógica que estavam procurando do relacionamento de amor. E o amor é não se colocar no centro, né? O amor é é negar-se a si mesmo em prol de outra pessoa, né? O amor não é um sentimento. Então, quando você procura isso nos relacionamentos, é pessoas que estão pensando o próximo antes de si. Então, que critérios simples, mas muito profundos, uma pregação centrada na pessoa e na obra de Cristo, né? O relacionamento são baseados nesse amor que vem dele, não de nós. >> Tá? Então, tremendo, coisa boa. >> E protege de duas coisas do tempo atual, que é a pregação da positividade e de outro lado a falta de amor, né, no qual o Biur também trabalha, né? >> Então hoje a gente tem uma ausência de amor, porque as pessoas acabam >> sempre numa lógica de consumo, né? Elas vão na igreja na lógica de consumidor. Sei que é pastor, com certeza alguém já veio aí na sua igreja para eh experimentar numa lógica de consumidor, avaliar, não se é centrada no evangelho, mas muitos vão, não, quero me sentir bem aqui, >> né? E aí às vezes avalia para sair da igreja, não, eu me senti ofendido com que o pastor disse, eu vou sair, vou vou embora. Mas veio a questão, por que que você se sentiu ofendido? Será que não é o Espírito Santo confrontando, né? Uhum. >> Então hoje muitos não permitem nem esse confronto do Espírito Santo. Sentiu algum confronto, já partea próxima, né? Então a gente precisa ter o os critérios corretos, né? >> Tá certo? E talvez aqui esteja esse ponto que é tão sensível, né? Uma igreja pode até parecer alegre, vibrante, otimista, mas estar adoecido espiritualmente se perdeu a linguagem do arrependimento. >> Uhum. da cruz, da lamentação e da dependência da graça. Muitas vezes esse sentimento que o que o professor tá trazendo, né, de de opa, tô tô como que o professor disse mesmo, tô incomodado, né? Tô >> me sentir confrontado, >> me sentir confrontado. A igreja tem que fazer isso. Se a gente não for confrontado numa igreja, é porque tem alguma coisa que não tá, não tá, porque a palavra de Deus faz isso. >> É o evangelho confronta. E aí vem trazendo um tópico que o professor trouxe, que é a erosão do outro. E esse segundo capítulo traz esse título que é muito forte, né? Erosão do outro. O que significa essa erosão do outro na cultura contemporânea? Explica pra gente aí que que você pensa sobre isso. >> Perfeito. Hoje a gente fala tanto de nós mesmos que até quando a gente fala de amor a gente puxa primeiro para nós, né? Então, a Bíblia tem o um texto muito conhecido que é ama teu próximo como a ti mesmo. O mandamento de Jesus Cristo, né? Eh, é o segundo mandamento, né? Primeiro amar a Deus sobre todas as coisas e amar o teu próximo como a ti mesmo. E quando se fala de amar ao próximo como a ti mesmo, muitos falam: "Ah, então primeiro eu preciso me amar para depois amar ao próximo". Só que aí que tá o perigo. Tem gente passa a vida inteira se amando e pronto, [risadas] né? >> Aí é verdade, fica naquele negócio. >> Isso no automático, inclusive, né? Não precisa nem esforço, né? >> Nossa, é bom demais, né? Daí pessoas igual já posta lá na internet, se deu um presente, mimimei, aquele negócio. Tem gente até que casa consigo mesmo. Já viu isso ou não? >> Isso. >> Teve uma mulher que casou com ela mesma, não se aguentou e divorciou. Que ela era [risadas] muito difícil de lidar que nem ela >> faz sentido. >> Nem ela aguentou. >> É, quando a pessoa casa com ela mesmo, faz sentido, né? Ela se divorciar dela mesmo [risadas] ou que mundo? Que mundo? Então, e é e é um exemplo meio drúchulo, mas que mostra essa tendência atual. Hoje a gente busca eh focar em si mesmo. E o mandamento de Jesus é: "Ama teu próximo a si mesmo". É falando assim: "A sua tendência já é amar assim". Então, busque ter o mesmo amor que você já tem por você, pelo outro. Saia de você mesmo. Essa é a lógica que Jesus traz. Agora, muitas, muitas pessoas acabam pervertendo e vivendo só para si mesmas. E o Buran fala e aí quando busca no outro, busca só o que agrada ou o que tem de si mesmo no outro. Então os amigos, a gente só tem os amigos que são iguais a nós. Por quê? Porque a gente quer aqueles que concordam com tudo que a gente fala, todos os tópicos, >> né? Não só teologia, mas pega lá, sei lá, agora dou aula lá na na FAP par e às vezes os alunos vem com as discussões da vida assim, né? Daí chegaram para mim: "E aí, professor, Neymar tem que ir ou não pra Copa?" pergunta [risadas] >> é uma pergunta boa. >> Aí a gente começa conversando. Não, professor, que isso, professor? Eu te considerava mais, né? Porque discordou ali. >> Eu, opa, mas é é discordância, a gente precisa discordar também, né? Então, muitas pessoas querem concordar 100%. E quando há uma discordância, o que que faz? Elimina o outro. O Zigmund Mau falava, né? Os relacionamentos hoje iniciam facilmente como um clique ou no Facebook, basta clicar, né? Fez a amizade, mas desfaz também. Basta clicar desfazer amizade. Então, muitos têm esse relacionamento e na igreja também, >> né? Eu falei alguma coisa atravessada, eu não te cumprimentei, não, não falo mais com pastor Vilibal não me cumprimentou, não quero mais saber dele. Tem gente fica chateado com a gente. É impressionante. Nós pastores, às vezes tá na correria, né? >> Às vezes lá na na minha igreja eu tenho que abrir o culto, aí eu vou assim, ó, rapidinho e sem olhar pros lados, né? Às vezes a pessoa vem cumprimentar, eu nem vi, mas aí não, poxa, eu estendi a mão e o pastor não me cumprimentou. Ah, não, não falo mais com ele. E a pessoa fica chateado com a gente até um dia a gente perguntar: "Puxa, aconteceu alguma coisa, irmão?" "Pastor, aconteceu tal coisa?" "Puxa, meu irmão, me perdoe, mas não nem vi, nem vi". Mas as pessoas acabam eliminando as outras no seu coração, porque há essa erosão do outro. O ter o outro na vida ficou tão desnecessário na nossa lógica que a gente não entende a importância de termos pessoas diferentes ao nosso redor. Então essa erosão doutro, ela afeta a sociedade, mas ela já tá dentro da igreja. Hoje essa essa lógica eh de eu me relacionar em parte com o outro, de eu fazer parte, mas não fazer completamente parte da igreja, tem a ver com essa erosão do outro. >> Ah, certeza, né? Isso vai afetar, né, a vida eclesiástica. Logicamente a vida da igreja, membresia, comunhão, escuta, o discipulado, né? E e a minha pergunta é: como que a gente vai fazer discipulado, né? Se se isso não tiver muito alicerçado na nossa vida, se a gente como a gente vai fazer um discipulado com eu no centro, né? >> É, sempre tem que apontar para Cristo, né? >> Sim. >> Mas eu dou graças a Deus quando eu vejo pessoas que conseguem fugir dessa lógica da sociedade, né? Então, por exemplo, lá na nossa igreja, eu e minha esposa, a gente discipula um casal que assim é a gente, a gente diz, é um milagre de Deus, porque eles são muito pastoreáveis, >> coração ensinável >> e assim eles vêm de uma cultura familiar bem complicada, a família assim envolvida com tráfico de droga, com, né, parentes que são envolvidos em assalto, coisa, nasceram, cresceram nessa lógica, mas conseguiram romper e buscar e ouvir e obedecer. e a gente recomendar coisas e eles cumprirem aquilo. Então, a gente tem que também notar que existe as exceções. Por quê? Porque existe a ação do Espírito Santo. >> Sim. E >> graças a Deus por isso, né? Mas a gente precisa lutar contra essa tendência da sociedade e ajudar as pessoas da nossa igreja a vencerem, a entenderem. Meu irmão, eu sou seu pastor. Eu não tô falando isso para te ofender. É meu papel te confrontar com amor, porque eu preciso te ajudar, né? Mas nem todos entendem isso. E muitos acabam fazendo o quê? Fugindo pra próxima igreja até ele se sentir ofendido e pular para outro e outro e outra, né? E assim as pessoas se tornam às vezes números, né? Que é o que eu chamo também de quantificação da membresia. >> É, com certeza. E esse ponto parece central. Por quê? Porque sem o outro não há amor, não há serviço, não há igreja como corpo, né? Ah, isso e a igreja, de certa forma, ela reflete quem Deus é, porque a Bíblia diz Deus é amor. Por que que Deus é amor? E aí eu vou pegar o o Michael Rives, não sei se vocês conhecem o autor, conhece, Vin Michael Rives. Ele vai falar deleitando-se na trindade. Quando a gente olha para Deus, ele é trino, né? O Pai, o Filho, o Espírito Santo. E eles se amam nessa dança cósmica da na eternidade, né? Pai, amma o filho e a trindade é o que possibilita justamente essa ideia do amor. E e isso traz para nós sem o outro, como que eu vou amar, né? Como que eu vou servir? Como que eu vou ser corpo, né? Há no máximo uma coleção de indivíduos religiosos coexistindo no mesmo ambiente. E talvez seja a realidade de muitos lares, muitas famílias, né? Os caras coexistem, mas não há relacionamento, não há esse relacionamento de amor. E aí vem esse ponto. Então vamos lá, vamos tocar o barco aí paraa membresia quantificada. Mas antes, o Vine, aí vai lá, Vine. >> Eh, no mês passado a gente tava lendo LED, tá falando de teologia do Novo Testamento e um dos pontos foi o já e ainda e o ainda não, né? E nisso a gente a gente como cristão se encontra nesse nesse ambiente. E algo que é muito caro pra gente como cristão é a membresia da igreja, a vida em comunhão, né? Aquilo como antecipação do da glória eterna, né? >> Uma antecipação escatológica. >> Isso. >> Então, algo que é muito caro ao cristão e algo que a gente vê se perdendo hoje nos dias atuais. >> Com certeza. É verdade. >> A unidade que a gente vai ter, não só com Deus, mas com os outros na Nova Jerusalém, pela eternidade, tem que ser buscado nessa vida. Claro, em menor medida, né? Não, não tá o não é o já completo, né? Mas é um já mesmo que ainda não. Então, a gente já precisa experimentar, vivenciar isso. >> Muito bom. Lendo LED, hein? Esse é esse é aluno da da escola aí. A LED com para mim gosto demais, mas é outra história. Vamos lá pra membresia quantificada, então, tocando o barquinho aqui. Ah, professor, você acha que a igreja contemporânea caiu na tentação de medir saúde espiritual apenas por métricas? Ah, em grande medida, sim, né? Por quê? Porque muitas pessoas acham que uma igreja é boa quando ela tá crescendo e é ruim quando ela não tá crescendo. Na verdade, crescimento numérico, ele precisa vir acompanhado de um crescimento integral. da igreja, né? Do nada adianta crescer numericamente uma igreja que não cresce eh em amor, em conhecimento da palavra, em comunhão com Cristo. Crescer numericamente pode ser um índice, mas não é o principal, né? >> O principal é que as pessoas >> conheçam mais a Jesus Cristo e o efeito disso, claro, são mais pessoas conhecendo Jesus, porque a gente conhecendo Jesus é quer falar de Jesus e conduz pessoas a a ele, né? Mas muitos colocam isso como uma métrica principal. Isso tem se tornado um grande problema, né? Por quê? Quer dizer, a gente vê a igreja numa lógica de números. Os números são importantes, mas não são o principal. E aí alguém olha e fala assim: "Tá, mas tá falando isso, mas tua igreja tá crescendo?" Graças a Deus, a igreja Batista linda, qual a gente faz parte, tá crescendo, tem um crescimento, a gente se alegra com a vinda de pessoas, com os batismos, mas a gente entende que também quem está lá precisa estar crescendo e aprendendo, né? Eh, precisa ter essa essa vida espiritual. E muitas igrejas hoje não têm isso. Por quê? Porque é a métrica, é a lógica da sociedade de produzir, produzir e gerar lucro, entre aspas, nos números, né? Aí essa quantificação vai de dois caminhos. O pastor olhando as ovelhas muitas vezes como um número. E eu já vi pastor falando assim: "Ah, tal pessoa saiu da igreja, mas não tem problema, vai chegar outro no lugar". Mas não chega no lugar, não existe esse negócio de lugar, né? Cada pessoa é importante se ela saiu da igreja, porque eu preciso considerar, né? E o próprio Jesus Cristo fala, né, de deixar 99 para ir atrás daquele que se perdeu. Então, às vezes a gente não olha a própria fala de Cristo que usa os números justamente para falar que o número não é o mais importante. E a gente vem com essa argumentação muitas vezes, né, Jesus fala deixar 99 para buscar aquela que se perdeu. Por quê? Porque muitas vezes não é no número que está o principal, mas naquilo que Deus quer que eu faça em resgatar, em trazer as pessoas para Cristo, né? >> É. E esses números podem também trazer uma uma falsa ideia de sucesso. Quando Deus nos pede fidelidade, no final das contas não adianta nada sucesso com infidelidade, né? A gente vai ter a escritura em Tiago, em tantos lugares tratando isso, né? Que a gente precisa tom mais cuidado. E também a questão de se tornar um ídolo da nossa da nossa época da nossa época, né? do nosso momento de agora, porque a gente fala de idolatria, não é uma coisa passada e não é uma coisa só que tá a fora do nosso do evangelicalismo, vamos assim dizer. A gente também como evangélicos, cristãos, batistas, reformados, nós vamos ter que lidar com os nossos ídolos do momento. E esses números, o crescimento, engajamento, ah, alcance, podem se tornar ídolos e até deformar a própria ideia do que é sucesso ministerial, certo, pastor? >> É porque o ídolo é onde tá o nosso coração e a gente precisa ser muito sincero nesse sentido, né? Eu já me peguei olhando números e pensando, por que que eu tô fazendo isso? Sabe quando a gente percebe que o coração tá ali? Um, por exemplo, já passei com minha minha esposa dificuldades financeiras e graças a Deus melhorando essa situação, já me peguei olhando a conta do banco para ver o número lá e me sentir mais em paz. Eu, por que que eu tô fazendo isso? >> Uhum. >> Por que que eu estou olhando este número para ter esse prazer em olhar o número? Já me vi também postando coisas na internet e volto e olhando, né, de cada 5 minutos lá para ver se teve mais curtida, mais comentário. Eu tô fazendo isso é uma autoavaliação que a gente precisa fazer pra gente não ficar submerso nessa loja da sociedade atual, >> mas muitas vezes é isso, >> é os números que mandam, né? Então a pessoa tem sucesso, às vezes, poxa, o cara é pastor numa igreja, é bênção ali, faz a diferença. Ah, mas ele tem poucos seguidores no Instagram. Ah, então não tem sucesso. Poxa, mas será que é aí que tá pouquinho em porta? Tempo atrás, um amigo meu recebeu uma mensagem do da liderança de uma igreja, pediram para ele assim: "Ah, você tem um pastor de jovens para indicar?" Falou: "Cara, tenho sim. Puxa, tal pessoa é um cara excelente, eu sei que é comprometido com o Senhor Jesus, é bênção." >> Aí eles olharam: "Puxa, não, pastor, esse aí tem muito pouco seguidor no Instagram, a gente quer que tenha X seguidores ou mais". Ah, >> aí falou: "Olha, a gente tá num padrão de xerente, então não vou poder ajudar vocês não". Aí vocês vão ter que procurar pelo Instagram, então, né? Então é, >> é, é mais fácil, né? >> Faça uma campanha [risadas] >> e acontece isso. Igual eu publiquei esse livro aqui, né, pela editora esperança que me deu espaço, uma editora tem o coração na obra. Eu gosto muito da editora esperança, editora Pondário, que publicam minhas obras. Eh, já publiquei na Thomas Nelson também, mas eu já vi editoras por aí que quando você vai mandar uma obra, que que eles pedem? Não pedem nem o currículo, pede quantos seguidores você tem em cada rede social. Não pede sua visão teológica, não pede teu currículo, só pede número de seguidores, porque talvez para essa editora é o que seja mais importante. Eu entendo quando é um aspecto comercial, mas se tratando de uma editora de teologia eu acho preocupante. >> Por quê? Porque claro, tem que vender, tem que sobreviver. Perfeito. Mas a gente tem que cuidar o que a gente tá publicando. Esse não deve ser o principal critério, penso eu, né? >> Então, hoje muitos estão indo como principal critério os números. Então, os números são bons. Termos boas pessoas influentes na sociedade faz toda a diferença. Agora, será que eu devo achar que o meu sucesso é só se eu for para as redes sociais? Meus alunos já falaram: "Ah, professor, você tem que ir pro YouTube, tem que fazer isso, aquilo, aquilo outro". Eu falei: "Olha, tudo que a gente faz tem um custo e a gente tem que avaliar o que vale mais a pena." >> Uhum. >> Eu já me peguei editando vídeo no YouTube e aí veio o meu filho, falou: "Papai, vamos jogar bola?" Eu olhei aquele vídeo, falei assim: "Por que que eu tô fazendo isso? Não, que não é pelo meu ego". Ah, quer saber? Eu vou jogar com ele. Perfeito. Então, graças a Deus por esse que tem esse ministério, mas não é para todo mundo. Então, a gente não deve botar também o sucesso. Ah, esse sucesso é é seguidores no Instagram, é >> inscritos no YouTube. Não, os números são importantes, mas não são o principal. Cada um tem o seu caminho, cada um tem também a o propósito nas mãos de Deus, na sua história, né? >> E e talvez essa seja a tentação de todos nós, né? pastor colocou tantas, tantos exemplos, mas eu me coloco junto. E a gente vai ter que fazer esse exercício sempre, porque é muito fácil contar, né? Contar pessoas, contar indicadores e o que tá acontecendo. Mas quando se trata das pessoas, a gente sempre parar, opa, pera aí, eu tô falando com as ovelhas do Senhor Jesus ou eu tô falando com as com indicadores de sucesso? E quando Deus olha, o que que ele diz? Pastoreia. as minhas ovelhas. Então nós pastores, a gente vai ter que vencer sempre essa ideia do que que é sucesso ministerial. E para para Jesus ali é pastoreie as minhas ovelhas. Isso é bom demais. Podemos seguir, pastor? >> Posso só dar um exemplo? >> Claro, fica à vontade. >> Eu tô numa transição ministerial, né? Sou pastor auxiliar, agora tô me tornando pastor titular. >> O pastor auxiliar, pastor Iquê na igreja Batista Lindói, eu vou me tornar pastor titular na igreja Batista Ortens. E meu pastor, né, me dando algumas recomendações antes da minha saída, né, ele falou: "Villy, muitos pastores quando chegam numa igreja, a preocupação deles é limpar o rol de membros e focar nos números, baixar o máximo possível para dizer assim, ó, cheguei, só tinha isso aqui para depois deixar com um número maior." Ele falou: "Ville, os números são importantes, mas foque nas pessoas. Se Deus tá te levando lá, é porque tem [limpando a garganta] pessoas lá que ele quer que você cuide. >> Pastorei as ovelhas de Jesus, né? Essa essa é a é a mensagem que o pastor trouxe aí, né? >> Aham. Que legal esse poder pensar nisso. >> E aí vamos entrar agora no num título que eu achei interessante, confessionários virtuais. Esse esse me deixou intrigado porque os outros ainda conseguia ter uma ideia, mas esse quando eu olhei falei o qual o que o que você Billy quer dizer com esse conceito? tá falando de rede social, poção emocional ou ou o que que você tá pensando quando você fala em confessionário virtual? >> É confessionário, vamos falar, é mais eh próprio da lógica católica, né? >> Que é a ideia do o crente vai lá, se confessa ao padre, expõe seus pecados. Perfeito. Hoje o que tá acontecendo é que as pessoas elas não têm mais buscado um ambiente religioso para confessar os seus pecados e expor as suas dores. >> Hoje, cada vez mais os pastores estão sendo menos procurados para isso. E o que que as pessoas fazem? Elas fazem uma espécie de terapia online virtual, só expondo as suas dores na internet. Isso é o que eu chamo de confeccionário virtual. Então a pessoa vai lá, liga lá a câmera e começa a falar, né, o que aconteceu com ela, o que ela fez, pelo que ela passou, sem pensar no efeito disso, né? Então o Bruxan até usa uma expressão que eu acho muito interessante, né, que é ele fala da pornografia da alma. Então existe a pornografia do corpo, né? Se eu expor meu corpo mais do que eu deveria, isso é uma pornografia, né? Então, tirar a roupa em público, eu estou mostrando o meu corpo mais do que eu deveria para aquele espaço, para aquele momento, para aquelas pessoas. e a pornografia da alma, que é você expor a alma do que deveria pro contexto no qual você tá mostrando paraas pessoas que estão ali vendo. E a pornografia da alma é isso, é eu entrar numa rede social, na internet e eu expor a minha alma do que eu deveria, expor a minha intimidade, expor as minhas dores, expor os meus traumas mais do que eu deveria. E tem muita gente fazendo isso. >> Uhum. >> Muita gente. E é preocupante, né, pastor? Há um tempo atrás, né, eu já sabia que o cartório agora era virtual, né, que a pessoa que escreve assim: "Estou num relacionamento sério". [risadas] Aí então só valia se você colocasse, se você mudasse o seu status no Facebook, né? A, mas essa questão do de você expor a sua alma, de você ter esse confessionário, tá muito latente hoje. É algo e e o que que o pastor pensa, Ville? Que que você pensa sobre como que a gente vai lidar com isso? Primeiro a gente precisa perceber o que está acontecendo. Que que tá acontecendo? São pessoas expondo os seus traumas eh por uma necessidade. É uma alma implosão, vamos colocar assim, né? Então, a pessoa não aguenta mais e ela expõe. Quando ela expõe, ela muitas vezes não só expõe indevidamente, mas ela acaba muitas vezes construindo a sua identidade a partir daquilo. >> Uau! >> E ela não expõe só uma vez, mas ela está sempre falando daquilo. Então, por exemplo, tem pessoas que expõe abusos que sofreram na internet e vão lá, ligam a câmera e choram, falam: "Puxa, eu fui abusado". Tudo isso aconteceu tempo atrás com um jogador de futebol, por exemplo, um jogador que joga na Inglaterra, né? que ele expôs que foi abusado quando era criança, etc. Qual que é o problema agora? Ele não tem o controle de quem sabe ou não sabe isso. Não tem como controlar. foi exposto publicamente, então saiu do controle dele. Isso gera algo que ele passa a ser visto como aquele que foi abusado. Então, e se torna algo que vai se tornando parte da sua identidade. >> Quando o cara vê, isso aí se torna mais importante do que deveria, porque ao invés de curar, muitos acabam construindo a sua pessoa sobre isso, >> a própria identidade. >> Perfeito. Eu fui uma vez num num retiro de líderes cristãos, né, líderes de jovens e tal. Fui eu, pastor da nossa igreja, mais outras pessoas. Fomos lá e aí dividiram lá em grupos assim para conversar e falaram assim: "Se apresente, né? Diga o seu nome, de onde você vem, alguma coisa sobre você". Aí foi indo, eu falei: "Ah, sou Vilibaldo, né? Sou gaúcho, mas moro em Curitiba, tô fazendo história e tal". Aí chegou um rapaz e falou: "Ah, meu nome é tal, vim de não sei onde. Ah, eu fui abusado quando era criança. A primeira informação que ele passou às pessoas que estão conhecendo ele é que ele foi abusado." Veja, não tô dizendo que as pessoas não devam abrir o coração. Sim, mas não é a primeira informação que você leva a alguém que nunca ouviu falar sobre você. >> Por que que ele fez isso? porque a identidade dele tava sendo construída sobre este fato. Isso é muito preocupante, porque a identidade nossa não deve estar construída sobre traumas. >> Uhum. >> Né? Senão a gente acaba não vivendo o que Deus quer para nós, que é nossa identidade nele como filhos de Deus. Agora, como lidar com isso? Nós pastores precisamos ver, tem pessoas sofrendo, sofrem tanto que explodem nas redes sociais. Por que que elas estão fazendo isso? Tal porque elas não saibam que existe um espaço próprio para elas abrirem o coração. >> Gabinete pastoral é para cuidado. Tem gente que tem medo de gabinete pastoral, né? >> E pastor que ameaça, ó, cuidado, senão vou te levar pro gabinete. Cara, gabinete pastoral é para você ser cuidado, para você poder abrir o coração, para você falar para alguém algo que você sabe que não vai sair dali e que você vai ter uma um direcionamento. Agora, o gabinete pastoral tem perdido o seu valor. Por quê? Porque os pastores cada vez mais estão olhando os números. >> Uhum. >> E número, o gabinete pastoral ele exige trabalho do pastor. Pastoreio não é o que dá mais rendimento de de curtidas, visualizações, tudo mais. Não. Gabinete pastor é algo restrito que só você e a pessoa sabem. Então não é o que os pastores mediáticos têm priorizado e eles nem querem. nessas igrejas, o gabinete pastoral provavelmente vai ser com o liderado, liderado, liderado muito distante do pastor. Agora nós precisamos resgatar esse cuidado no gabinete pastoral, as pessoas saberem, a igreja é lugar de cuidado de pessoas, não de julgamento. A gente fazendo isso, a gente tá dizendo igreja para cuidar de vidas. Não, não deveria ser o óbvio, né? Quem [limpando a garganta] busca uma igreja não deveria saber isso. Mas olha, curioso, as pessoas não percebem, não percebem que a igreja é o lugar para cuidado. Por quê? Porque a gente ainda tá tentando responder lá atrás os questionamentos da igreja, seu lugar de julgamento, ao invés de mudar, virar a página e falar: "Olha, >> beleza, vocês estavam preocupados em ser julgado, tudo bem, mas a igreja não é para isso. Hoje vocês têm uma necessidade de cuidado, nós estamos aqui para cuidar, né?" E a igreja ela ela vai oferecer algo que que não ela não se consegue em outros lugares, né? Porque essa exposição, né? Quando a gente olha para isso, ah, a há um há um problema, né? Porque essa cultura de confissão, muitas vezes é uma cultura de confissão sem arrependimento. >> Sim, >> né? Então é fácil você lá na você vai lá, como você diz, você explode isso porque você tá sobrecarregado. Mas quanto de arrependimento a isso proporciona, né? Uma exposição sem transformação. E aí é o que você colocou agora, a gente fica sendo a nossa identidade passa a ser o problema e não a solução que é Cristo, né? Então é é tremendo isso quando a gente ir lá e é uma e aí é o pior, né? Porque é uma visibilidade sem cura. >> É porque quem expõe na internet não expõe a pessoas que querem o bem dela. Ah, não, mas meus seguidores me amam. Teus seguidores te vem numa lógica de consumo. >> Estão consumindo conteúdo. >> Não tô ali preocupado. Às vezes vem lá uma mensagem de alguém que realmente tá preocupado e fala: "Olha, não faz, não faça isso, não fale isso". Para não dizer quase nunca, né? >> E como que isso vai ser visto? Quando na verdade o que há o contrário, né? a lógica do liso, do não confrontar ou a direcionar mal, né? Direcionar para algo pior ainda, né? Um um fortalecimento daquela dor, vamos colocar assim. >> É. E o e o feedback que você tem é é irrisório perto do que a igreja pode oferecer, né? Eu tenho pastor aqui, meu pastor querido, pastor João, ah, que estamos junto no ministério há muito tempo. E eu amo a frase quando eu tô com ele lá. Irmão João, você pode ouvir minha confissão. É. >> E ele e ele brinca, né, irmão Ari? Vai lá. Aí eu falo para ele fala: "Já falei com você sobre isso. Eu já conversei com você sobre por que você por que que você repetiu isso, né? E e aquela coisa de alguém que te conhece, né? Alguém que tá ali, não é um não é uma explosão no momento, mas alguém que tá caminhando com você, entende, né? Olha as suas nuances, a sua vida, né, que sabe o que tá acontecendo. E isso dá um improve muito grande. É uma coisa muito boa a gente poder ah ter um ambiente. A igreja tem que ser esse ambiente, pastor Ville, fenomenal a gente criar esse ambiente. Eu espero que lá em Maringá, né, a igreja possa confessar pecados uns aos outros, encontrar esse amor, essa graça que tem em Jesus Cristo. falando, falando nisso, ah, posso seguir, pastor? >> Claro, >> porque a os pastores hoje, né, estão talvez um um tanto cansados. E aí vem, eu quero que você traga, né, o cansaço pastoral de hoje é diferente do cansaço pastoral de outras épocas. Como que você vê isso, pastor? >> Eu entendo que primeiro é algo fácil da gente constatar, né? Eu lembro quando eu lancei esse livro, eu lancei numa assembleia da Convenção Batista Brasileira lá em Foz do Iguaçu. E vendeu muito bem o livro. Por quê? Porque todo mundo passava, olhava a igreja do cansaço e falava assim: "Eu tô cansado, mas eu [limpando a garganta] precise desse livro". >> Boa. >> E assim, pastores cansados e muitos pastores hoje estão cansados. Por quê? porque entram numa lógica, numa rotina de produtividade, naquilo que o bichurra também chama de sociedade do desempenho, achando que é o que eles fazem que importa e ali que tá o valor deles. Isso é muito comum no meio pastoral. >> Claro que isso também é geracional, igual a gente tava conversando aqui antes, né? Mas é algo muito forte, mesmo sendo geracional, é muito forte no meio eclesiástico, mais do que o meio empresarial, talvez, >> porque há inclusive uma construção de uma imagem do pastor como um superherói, como aquele que não falha, né? Até tem uma autora, Clariss que é aqui de de Curitiba, ela fala da infalibilidade papal, mas ela fala, tem também infalibilidade pastoral, né? O pastor colocado exaltado como infalível. Na verdade não, a gente é falho. Nós temos nossos defeitos, nossos dificuldades e às vezes para tentar preservar aquela imagem, a gente se desgasta tanto que a gente não percebe que a gente vai às vezes pisando na nossa família, pisando nas pessoas ao nosso redor, pisando na nossa saúde, pisando no nosso bem-estar, na na nossa qualidade de vida, no nosso emocional, né? Eh, e aí entra aquela lógica que não é o o amor a si mesmo, mas é o autocuidado que muitas vezes as pessoas também acabam deixando de lado. >> Não se trata de amar a si mesmo, não é um um egocentrismo, mas um autocuidado de saber, puxa, eu tenho limites, eu preciso pisar no freio, né? Eu preciso ter descanso também, mas a gente fala: "Não, eu aguento". E vem com aquela lógica de não, eu aguento, eu aguento, eu aguento. Puxa, mas você precisa descansar. O descanso é bíblico. A pessoa fala: "Não, mas eu não preciso". Puxa, Deus que não precisa descansou. Você é melhor que Deus. Então para, né? Dá uma descansar. >> Poxa, é verdade. >> É uma ofensa a Deus a gente não descansar. >> E essa e esse ah esse cansaço não é só cansaço ah das tarefas, mas é também um acúmulo de certa forma de um acúmulo de de afazeres, né? você tem lá, por exemplo, a ao mesmo tempo, né, uma pressão contemporânea. E aí a gente tava falando desse exemplo na igreja procurando um passou com seguidores, né, né? Mas existe então essa pressão contemporânea para que o pastor seja ao mesmo tempo pregador excelente, gestor, conselheiro, líder digital, comunicador, empreendedor e ainda figura pública. >> Então, e vou e isso acumula, né? E is e o pastor que pega tudo isso aí para si, ele tá correndo perigo, ao meu ver, senhores, >> muito perigo, né? O Kev Deon tem o livro, né? Super ocupado, ele até começa falando o livro. Bom, eu não sou o mais indicado, diz ele, para escrever esse livro, mas eu tô escrevendo e aprendendo, né, aquela loja, tô aplicando na minha vida. E ele fala que eh o desgaste pastoral é mais perigoso do que balas para um pastor. Mais pastores morrem por desgaste do que assassinados com tiro, né? Uhum. >> Então, às vezes não para de pensar nisso. A gente tem medo que é o de arma, medo de assalto. A gente protege a nossa casa, bota muro, cerca, que for necessário pra gente se proteger. Mas a gente às vezes não pensa: "Puxa, eu vou me proteger de mim mesmo." >> Uhum. >> Eu vou me proteger do meu exagero. Como que se faz isso? Colocando muros também. A gente tem nossa agenda, né? No meu celular tem agenda. Então eu reconheci que minha agenda não pode estar super lotada. Ah, não, mas eu aguento que da corro daqui para lá. Não tem que ter um um comedimento. Claro. Por exemplo, às vezes a gente encaixa, hoje vim aqui, depois vou ter um atendimento, tenho culto, perfeito. Mas eu não posso ter isso todo dia, essa correria. Por quê? Porque eu preciso ter também espaços na minha agenda para aquilo que é o o que Deus vai direcionar também, entende? Para pensar, né? O própria parábola do bom samaritano. Tá lá o homem jogado e dois passam ao largo dele, né? um um um mestre, o escriba e o e o sacerdote, por que que passaram ao largo dele? Por que que não foram ajudar? Talvez preconceito, talvez medo, mas talvez Jesus quisesse nos levar para pensar: "Puxa, tô às vezes a pessoa tá tão". >> E a lógica é essa. Eles estavam fazendo o certo, >> fazendo o correto. >> É, eles estavam indo lá porque eles, vamos supor que eles tocam e era um cadáver, eles estariam puros sete, imagina sete dias sem trabalhar, >> rapaz, [risadas] >> não dá, né? Fica lá. deixa ele lá, né? Então, nessa lógica do certo, não é sempre o bem, né? >> E aí nós pastores, será que a gente faria o mesmo? >> Será que eu tô indo paraa minha igreja, tempo super ocupado, correndo de um lado pro outro, eu vejo alguém que precisa de ajuda no caminho, será que eu vou parar e ajudar? Vai depender do quê? De onde tá meu coração. >> E hoje a gente tem que colocar o nosso coração no cumprimento de tarefas, né? E esse que é o preocupante. >> E a gente falando dessa questão geracional, né? Eu tava conversando com meus meus pastores, chegou um momento agora de confissão aqui. Deixa eu ver ali. >> Pode ouvir minha confissão, Vinícius. >> Tá bom. E e eu conversando com o Léo justamente o quanto a gente precisa como pastor saber parar. Fácil acumular, fácil. Ele tá sempre acumulando, na verdade. E eu e eu precisei admitir porque eu olhar falou: "Não, não vejo a hora de largar umas horas minhas, né, como professor para mim concentrar na igreja". Eu olhando aquele pastor jovem falando isso, que não é da minha geração, da geração depois, né? Eu falei: "Eu admiro você, porque se isso chegasse para mim, provavelmente eu teria que lutar com Deus a noite inteira. Ele teria que deslocar a minha coxa, né?" >> [risadas] >> E aí ia sair mancando para mim entender que a vontade de Deus, o que você tá falando é o melhor. E é realmente, a gente precisa saber, a gente tem os nossos limites. E esses limites são bênçãos, são cercas, como o pastor colocou agora, para que a gente possa ir melhor e atender melhor e e não passar de largo, simplesmente muitas vezes nessa o que eu chamo de lógica do desempenho que esvazia no final das contas a alma do pastor, né? Então a gente vem nisso coisa boa, né? Esse capítulo certamente toca muita gente, porque a cultura do cansaço não ficou do lado de fora da igreja, ela entrou no gabinete pastoral, no púlpito, no celular do pastor, na agenda da semana e na até na própria maneira como ele mede o próprio valor. E aí vamos seguindo agora, gente. E agora a gente vai entrar no vamos ter que pisar no acelerador aí porque o pastor tem atendimento, né? [risadas] Então vamos lá. Mas eu, pastor, já saiba, Pisou em Curitiba, vai estar na escola Charles Espurjum com a gente aí, tá? É coisa boa demais. Nessas novas idolatrias, quais seriam, na sua visão, as principais idolatrias do nosso tempo na vida cristã, >> né? No capítulo Novas idolatrias, eu abordo principalmente as idolatrias políticas, as ideologias. E às vezes a gente não para pensar como hoje existem pessoas que adoram as ideologias sem perceberem, porque elas estão tão imersas na ideologia que elas misturam aquilo com o evangelho. Para elas aquilo é o evangelho. E aí você fala assim: "Puxa, então quem que você admirar tal tal pessoa que pensa igual a mim?" Aí você fala: "Puxa, mas tal pessoa não é cristã." Não, mas é claro que é. Não, ela não é cristã, >> mas ela defende tudo que eu defendo. Tudo bem. Então vamos olhar. Talvez tenha algo mais além do evangelho do que aquilo, né? Então isso vale tanto pra direita como pra esquerda, né? Então cada um de nós vai ter sua posição política. Feito? Agora o cuidado que a gente precisa ter não colocar isso acima do evangelho, acima de Cristo. >> Uau! Porque a igreja de certa forma confundiu o que é conservadorismo com cristianismo. Acho que esse foi o grande problema do Brasil que a gente enfrentou, né? muita gente ah confundiu os Messias ali. E eu vi esse e esse e eu vi isso acontecendo e eu ficava chocado. Claro que a gente quer um governo justo, a gente quer, a gente quer valores cristãos que geralmente tão ah mais agregados na direita, no conservadorismo, mas isso não quer dizer cristianismo, né? achando que homens comuns são a solução. Até hoje a gente saiu, né, do do ex-presidente Bolsonaro. Aí nós e e há pessoas que idolatram o presidente Lula >> e há pessoas que hoje colocam a sua esperança no Trump >> assim. E eu não tenho nada contra cada um deles no sentido no sentido ah ah normal da palavra, porque são pessoas pessoas comuns e que a Bíblia manda orar por elas, por exemplo, né? Isso inclui o nosso atual presidente, né? A Bíblia ela não fala: "Ore por esse presidente", mas esse não. Esse você não ora, tá? Esse você deixa ele do lado. Não, a gente vai precisar olhar. >> Tem gente que ora, mas faz oração imprecatória. [risadas] Aí também não dá, né? >> E aí o que que acontece, né? É que a gente tá colocando a nossa esperança na pessoa errada, né? E podia ser a melhor pessoa do mundo. Eu fico pensando, minha esperança ainda precisa ser Cristo, né? A gente precisa olhar para Cristo e e olhar para que Deus levante homens e mulheres que temam a Cristo e honrem o seu nome. Então a gente isso é muito legal esse capítulo. Acho que tem que ser muito bem lido, porque a gente tem eleições por aí e a gente precisa a a tá olhando da forma correta. E e no final das contas, né, passou ele, a gente não vai mandar alguém porque ele não tem a mesma ideologia que a gente borda a igreja, né? Ó, você não pode entrar aqui não. A igreja nunca foi excludente na sua essência. >> Sim. Mas agora dependendo do da fala que o pastor fizer e o que ele pregar no seu púlpito, ele pode estar expulsando algumas pessoas sem perceber quando ele deixar de pregar o evangelho e pregar a sua ideologia, né? >> E que tá o grande perigo. >> Mas é curioso, né? A igreja, >> a igreja, claro que a igreja somos nós, né? É triste ver que a gente não aprendeu com erros do passado, né? Puxa, Constantino. E aí muitos olharam, puxa agora pronto, né? Deus elevou Constantino ao poder, nos deu esse presente, Constantino é a libertação. Mas não, não era o Messias já veio antes dele, né? Mesmo com outros, eh, com Adolf Hitler mesmo, né? A igreja apoiando Hitler e a gente, puxa, como é que pode um negócio desse? Não, Hitler é necessário para acabar com o comunismo, né? que eram muitos defendiam e hoje muitos defendendo tanto Bolsonaro como o Lula com argumentos teológicos. Isso é muito perigoso. >> Uhum. >> Eh, então a gente precisa olhar nosso coração e cuidar aonde que tá o nosso coração, no evangelho ou numa ideologia. E nisso a gente precisa não ser isentão, como alguns fez, não é isso. Temos nosso posicionamento político, >> né? Eu tenho eh alunos que são inclusive políticos. Agora, ter o devido cuidado. Por exemplo, tive um aluno que se tornou vereador e outro que é deputado estadual. Eles apresentaram a proposta deles. Tive reunião com cada um deles. Falei: "Cara, muito legal orar por vocês, que Deus dê sabedoria, graça por vocês e tal". Mas não abria a igreja para eles pregarem lá, né? Um até falou: "Ah, poderia de repente ver para eu pregar na sua igreja". Falei aí, cara, todo respeito. Você já é pré-candidato já? Então, então não, mas vou tá, tô em oração por eles, né? acompanha o que eles têm feito, acompanhe nas redes sociais, são pessoas que eu admiro, mas a gente precisa separar as coisas para cuidar, para o quê? A gente ter a pureza do espaço, digamos assim, da nossa igreja, para não virar também um um um palco político, perder a sua essência e o seu propósito, né? Então é algo que a gente precisa tomar muito cuidado e muitas vezes a gente vê falta de tato, falta de cuidado, não só por parte de membros da igreja, como às vezes de pastores também. >> Então essa sabedoria precisa eh ser trazida a gente olhando e percebendo, opa, talvez eu esteja com uma idolatria política. E é é fácil isso acontecer, gente, não é? Não tô apontando o dedo, falando. É algo que eu já vi em mim de botar expectativa num político, falar agora acho que vão melhorar as coisas por causa desse político. E não é assim que funciona, né? Nossa esperança tá em Cristo. Ela transcende tudo isso. Não pode fazer agora voltando para que você tinha falado, né? Escatologia, uma imanantização da escatologia. Nossa esperança está no mundo aqui agora. Não, claro, a gente deve buscar melhorar o nosso país, mas não colocar todas as fichas, não colocar o nosso coração, né? Uhum. >> como se fosse aí a nossa salvação. >> É porque a lógica, né, quando você e e eu entendi bem a lógica aqui, essas novas idolatrizas, é porque elas elas vão diluir o evangelho muitas vezes e essa diluição do evangelho é excludente pro evangelho. E aí você abre espaço para novos ídolos que estão ali prontos para serem confeccionados e adorados no seio da igreja atual. Muito legal, muito bom, pastor. Sobre performance e imagem, podemos tocar o barquinho? >> Performance e imagem. E e a hoje existe o risco de construirmos uma versão apresentável do cristianismo, mas não uma visão cristã profunda, né? >> É porque a gente faz isso com nós mesmos, né? a gente seleciona o que a gente apresenta publicamente, >> pega o Instagram de qualquer pessoa, não vai tá ali a foto que o cara tá citando o nariz, né? >> Vai tá as melhores fotos tratadas, né? Muitas vezes isso é passado pro púlpito, onde a pessoa ao invés de pregar o evangelho, ela faz uma performance pensando na imagem que ela está construindo, né? Já pensando no corte para jogar no Instagram, né? fala a frase, depois já chega pro pra mí, ó, aquela frase que eu falei é para você, >> ó, no minuto tal, segundo tal, né? Sim. E aí não se torna algo natural, como diz as novas gerações, algo orgânico, né? >> E aí fica algo performático >> e isso tem se tornar cada vez mais presente na vida da igreja, né? A performance, a imagem sendo valorizada. A gente vê tantos pastores aí que, né, apresentam a imagem pros outros olharem, se inspirarem num desejo que vão colocar numa cobiça, né? >> Não, olha, o evangelho tem me abençoado e o cara lá com um relógio de R$ 200.000, né? Uma roupa caríssima, um carro de luxo, quando na verdade Jesus não tinha nada disso, né? Uhum. >> Até tem um um teólogo aí das antigas, né, que questionaram ele porque ele tinha muitas coisas de luxo. Falaram: "Puxa, mas Jesus não tinha nada disso, né?" Da falou: "Não, mas Jesus andou num jumentinho que é como se fosse o cadilac daquele tempo". >> Uau! [risadas] >> Aí é forçar a barra, né? >> Nossa, eu sei >> não. Aí é totalmente absurdo, né? Mas daí a gente olha hoje pessoas que constróem essa imagem. Ser cristão é ser abençoado financeiramente. Ser cristão é ter sucesso. Olha para onde Deus me levou, quantos países eu preguei. E às vezes Deus quer que a pessoa seja discípulo pregando ali no ambiente que ele tá restrito. >> Não é todo mundo que Deus [limpando a garganta] vai levar para pregar em dezenas de países, não é todo mundo que vai ter dinheiro e tá tudo bem, né? Deus se importa com todos. Às vezes a gente olha muito para para esses que se destacam ao invés de entender que o que Deus quer que ele seja o protagonista da nossa história, >> tá certo? Porque senão a gente vai acabar governado por a sendo governado por uma vitrine, comparação, autopromoção. Isso existe muito hoje, né? essa comparação, ah, autopromoção. E a impressão é que é que muita gente quer mais parecer, ah, não quer mais parecer fiel, né? Talvez eu quero parecer mais relevante, >> né? Eu quero ser relevante. Então, a fidelidade ela ela vai ficando meio que de lado. Muitas vezes isso muda tudo. E aí vem o que o o professor coloca aqui como força dos algoritmos, né? E é algo muito legal, né? O o o V, você diria que hoje não consumimos apenas apenas conteúdo, mas são somos também consumidos por sistemas de recomendação, repetição e captura de atenção. >> É, os algoritmos eles direcionam muito na nossa vida, né? Isso para pensar, não sei se é só eu, >> né? Tô generalizando, mas eu, por exemplo, quando eu vou assistir algo no YouTube, eu olho os recomendados, senão eu passo, forço ele a recomendar mais coisa até eu escolher pelo que ele recomenda. Veja como ele se tornou preguiçoso, né? Nem [limpando a garganta] escrever, cara. Olha que loucura. >> Noem Netflix, qualquer plataforma, tu quer que a plataforma te recomende aquilo que você vai gostar e você vai se condicionando a não olhar para além daquilo. >> Uhum. E aí você fica cada vez mais restrito ao que é recomendado, sem pensar que existe algo por trás te recomendando. >> E aí, >> e aí o que que acontece com a gente? A gente perde nossa própria liberdade, né? Por quê? Porque a gente se condiciona e a gente se coloca numa posição de não mais ter a liberdade de escolha e concede a escolha para as máquinas. Olha que loucura isso, né? Puxa, a gente não percebe cada vez mais a gente tá se condicionando a ouvir apenas aquilo que é condicionado, a ler, a consumir o que é condicionado. Então, se para pensar, né, as redes sociais elas têm os algoritmos e eles vão cada vez mais naquilo que a gente gosta. >> Uhum. >> É, ou não é? >> Sim. >> É um negócio incrível. Até tem um amigo meu que é pastor tempo atrás, ele tinha feito lá o Instagram. Aí eu vi lá que ele apagou, né? Falei: "Cara, eu te tinha no Instagram, sumiu. Que que você que houve?" Não apaguei meu Instagram. Falei: "Por quê?" Não, poxa, eu botava lá no no procurar busca e aí já aparecia um monte de mulher dançando com pouca roupa. Eu falei: "Cara, mas com o tempo isso aí vai sendo condicionado, né? Ele vai te recomendando que você gosta". Eu falou: "Mas é que é isso que eu gosto. É isso que eu gosto. Ele tá me recomendando o que é uma tentação para mim. Se eu continuar naquele ambiente, eu tô lascado, viu? Que que ele fez? Apagou. Então veja, muitas pessoas, ó, que honestidade, >> é, tem que ser assim, né? >> Cara, que legal isso. >> Aí eu falei, cara, perfeito. Se é algo que tu não consegue lidar, por que manter essa tentação, né? Cada um vai ter as suas tentações, né? >> Sim. >> Aí isso acontece comigo, aparece um monte de comida com Jesus. Tô olhando à noite, cara. Que coisa doida, né? >> E isso condiciona você, né? >> Condiciona porque já dá fome, daí o negócio não tem. condiciona. Eu falei pra minha esposa, querida, sabe uma coisa que eu quero fazer no futuro? Eu quero acho que ser cozinheiro, né? E ela falou: "Mas você não sabe nem fritar um ovo? [risadas] Mas é de ficar vendo o cara falar: "É facinho, né? Eu vou fazer essa receita. Uma panela só. Uma panela só tem ali. >> E eu assistindo, eu falei: "Parece ser fácil, vai lá fritar um ovo. Você vê, [risadas] cara, a o parto que é, né? Mas a gente tem muito isso. Ah, e é muito legal essa honestidade de ver e tomar muito cuidado com isso, né? De não deixar você ser moldado. Por isso. Eu tava olhando que existe hoje e e a gente o nosso celular ele não só sabe o que você gosta, mas ele observa você no sentido do que você fala, ele capta, né? Aí eu certa vez, uma vez eu fiz um testezinho colocando o celular, né, e falando sobre um assunto nada a ver, né, uma roda, ele não tem como. >> E eu falei não e tava desligado ali, não tava não desligado de energia, mas ele tava, eu não tava com ele gravando, fazendo nada. >> E a gente falando de coisas absurdas, tipo relógios de mergulho, não sei o quê. E passou um dia lá, comecei a receber as propagandas, né, de relógio, mergulho. E eu ouvi até, senhores, é, mas daí é assustador, não quero levar para esse lado aí, mas de que o ele capta a o seu olho. >> Aham. Para saber o que interess o que que então aparece lá aqueles milhões de quadradinhos ali no Instagram e ele vê o onde o teu olho para. >> Aham. >> E eu onde o teu olho para é onde ele vai te mandar. Então você terá, né, que a gente não tá sendo manipulado até de certa forma e isso não tá contribuindo até para para pra luta do espírito e a carne que a gente enfrenta, né? Em vez de ter um aliado, você tem, na verdade, um inimigo, né? às vezes colocando ali então esse cuidado importante. >> Tentações de todos os tipos, igual desse meu amigo, tentação na área sexual, tentação na gula, como acaba sendo meu caso, tentação também de ideologia, né? Tem um um tempo atrás tava conversando com um pastor, eu falei: "Puxa, estamos preocupado com tal pessoa". Falou: "Cara, já olhou o Instagram dele?" Falei: "Não, tem que tem, cara. Só posta coisa política. >> Uhum. só coisa assim, eh, >> revoltado. Tem muita gente que acaba mergulhando nisso e nem percebe o mal que faz a si mesmo, >> né? Eu conheço uma pessoa que fez terapia, inclusive >> falando com o terapeuta, né? Não, porque eu tô revoltado assim, falou: "Beleza, mas você pode mudar alguma coisa hoje?" Não. Que que você pode fazer com a sua família? Pode fazer a diferença na sua família? Posso? Larga o Instagram, larga esse negócio de de ideologia política, vai cuidar da sua família. Não, mas o Brasil você não pode fazer nada em relação ao política do Brasil. Mas a sua família você pode cuidar, então tem o foco correto, né? Certeza. E aí vem que resposta então a fé cristã oferece a uma cultura em que o ser humano parece cada vez mais guiado, previsto e conduzido? >> Nós temos a oportunidade de sermos contraculturais, né? Muitos autores trabalham essa questão da contracultura cristã, né? >> E a gente pode realmente fazer a diferença num tempo onde tudo é digital. A gente pode voltar para analógico, a gente pode propor coisas para remar contra maré. vamos colocar assim. E o evangelho ele nos possibilita eh sermos diferentes nesse mundo, né? >> A gente pega Romanos, né, e fala transformar a a transformação da nossa mente, né? Então a transformação da mente, muita gente trabalha ali questão da metanoia, né? Se trata de uma transformação do todo da pessoa a partir do que ela pensa. O todo, veja, é algo importantíssimo da gente abordar. Resgato até Lutero, né? Que as 95 é a primeira eh, quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse, eh, fazei penitência. Ele queria que toda a vida do Ipiel fosse uma penitência. Lutério veio num momento onde os católicos diziam: "Não, para você ser cristão é só você fazer uma PNT". Lutério fala: "Não, mas Jesus quer uma vida inteira dedicada a ele." >> Uhum. >> Não é uma açãozinha, né? Então, da mesma forma, hoje a gente consegue viver diferente quando a gente entende isso. Ser cristão não é o postar nas redes sociais a um posicionamento a favor do conservadorismo. Ser cristão não é o defender num debate a respeito da minha visão de mundo. Ser cristão é condicionar toda a minha vida à luz de Cristo, abandonando muitas coisas que me fazem mal. Talvez apagando no Instagram, como meu amigo fez, deixando coisas para viver aquilo que Deus tem para mim. A gente pode fazer. >> Uma pessoa não precisa estar no Instagram para para viver hoje, né? A pessoa não precisa nem ter celular. Olha que loucura, né? Fala isso para uma para um adolescente hoje. Você não precisa, como é que vivia antes do celular, né? É algo difícil de projetar, mas o evangelho nos permite ver uma vida que não depende de nada disso, no qual a gente tá imerso, que nos possibilita sair para ou usarmos da forma correta ou deixarmos de lado e vermos o evangelho puro. >> Fenomenal. Tava esperando para falar essa palavra. Fenomenal. Tempo legal, pastor. Pastor Vili, qual que seria, qual seria, e a gente vai caminhar agora para essa última partezinha, qual seria o grande alerta do livro A Igreja do Cansço? >> Grande alerta é, será que nós não estamos vivendo na lógica desse mundo sem percebê-lo? >> Uhum. >> Quando Paulo fala ali em Romanos, né, não se amoldem a este século, né, mas transformai-vos. Eh, veja, às vezes a gente já tá amoldado e nem percebe, né? >> Uhum. >> A gente às vezes pensa, não, eu vou cuidar para não me amoldar, mas às vezes você já está moldado e não sabe. Talvez a forma que você tá vivendo, até a sua religiosidade seja moldado por uma lógica de desempenho, por uma lógica de aprovação dos outros, para uma lógica de resultados, por uma lógica de autopromoção. >> E aí a gente precisa sempre avaliar o nosso coração, onde está o nosso coração, né? >> Uau! Tremendo. E qual seria a grande esperança do livro? A gente falou do grande alerta, mas qual seria a esperança do livro? >> A esperança é que nós podemos viver de forma diferente. Tem gente que brincou e falou: "Ah, beleza, igreja do cansaço tá aí, agora tem que fazer a igreja do descanso, né?" [risadas] Mas eh a proposta do livro é ver o problema, mas buscar um caminho alternativo, que é o quê? Aquilo que a Bíblia nos recomenda. Então, ao invés da lógica do desempenho, eu colocar minha identidade que eu sou filho de Deus. E isso independe até de eu ser pastor. >> Au! >> Se eu deixar de ser pastor, tá tudo bem, né? Eu não perco meu valor perante Deus. Não é eu ser pastor, não é quantos eu vou levar Jesus, não é para quantos eu tô pregando, não é nada disso. Me valor é que eu sou para ele, filho de Deus. Mas isso não deve me levar a pensar, então o que eu quiser, Deus vai fazer, não. É pelo contrário. Se eu sou filho de Deus, eu devo buscar fazer a vontade de Deus. Então, a Bíblia ela já nos traz uma lógica contra essa perspectiva da sociedade. >> A Bíblia nos apresenta o descanso que hoje a gente esqueceu, né? Puxa. E muitos crentes aí, né? colocam, ah, não, o sábado é coisa é do Antigo Testamento, então não precisa mais pensar no descanso, não. O descanso permanece como um mandamento, como algo importante princípio. >> Perfeito. Então, a gente precisa descansar não necessariamente no sábado, não necessariamente no domingo. O pastor não descansa no domingo, vamos ser sincero, né? >> Uhum. Com certeza. Mas a gente precisa ter tempo de descanso. Todos nós nos organizarmos para isso. E num tempo onde é pregado, né, eh, trabalhe enquanto eles dormem, a gente tem que ensinar durmam enquanto eles trabalham, né? Inverter essa lógica do mundo para dizer Deus descansou. >> Eu ouvi aquele eco, talvez aos seus amados, ele o dá enquanto dormem, né? Salmo 127. E se o Senhor não edificar a casa em vão, né? em vão, em vão. E vai ser inútil o nosso trabalho. >> Dormir é um ato de fé. >> Sim. >> É crer na provisão de Deus. É crer que não é na força do nosso braço, né? >> É verdade. E pastor, um conselho, eu vou pegar três grupos aqui. Ah, Vini, vê se tem algum outro aqui. Pastores, líderes e membros comum. Um conselho pros pastores. Conselhos pros pastores. Não pense que o seu valor está no que você faz. Entendo que o seu valor tá em quem você é para Deus. Como se você tiver algum impedimento na sua caminhada de exercer aquilo que você faz muito bem e gosta de fazer, não pense que sua vida acabou por causa disso. Muitos pastores entram em crise no final da sua caminhada e eu me preocupo muito com isso. Os pastores se tornam idosos e eles às vezes não querem passar o bastão porque eles acham que o bastão passando o bastão acabou para ele, né? >> Uhum. O valor deles sumiu ao invés de entenderem que é é um novo momento da vida deles e o valor deles nunca vai terminar perante >> esse conselho eu acho muito importante. Líderes, líderes, entendam que nós precisamos gerar resultados, mas seguir a Jesus Cristo. Então, precisamos ser um exemplo de seguidores para que outros venham seguir não a nós, mas a Jesus. é imitarmos a nós naquilo que nós imitamos Jesus, como diz Paulo, né? Paulo é um modelo de liderança para nós que a gente esquece, né? A gente muitas vezes olha pro poros modelos atuais e esquece do modelo que a gente tem de Paulo, um líder cristão, entendia que o discipulado é o principal >> e e que falou, né? Ser de meus imitadores, como eu também sou de Cristo. Isso é muito bom. e os membros comuns membros entendam o que é importante e o que é secundário. Valorize mais o que é importante do que o que é secundário. Tem muita gente que quer sair da sua igreja por algo secundário. Tem coisas que devem conduzir a pessoa para fora da sua igreja? Sim. Quando há realmente uma pregação do eu e não de Cristo, quando Cristo é deixado de lado, realmente é algo preocupante. Pode até conduzir alguém para ter que sair da sua igreja, mas não saia por qualquer coisa. >> Uhum. >> Não supervalorize coisas secundárias e principalmente converse com seus pastores. Tempo atrás eu eu ensinei algumas questões de teologia para uma aluna. Ela falou: "Puxa, professor, assim, fez todo sentido na minha cabeça, mas o meu pastor já ensinou algo diferente." Eu falei para ela: "E que que você tá pensando em fazer?" Ela falou: "Eu tô pensando em sair, então, porque eu tô pensando diferente dele." Falei: "Vai e converse com o seu pastor. Não saia da igreja antes de falar com o seu pastor e mais converse porque vá com humildade, mas também entenda que talvez ele não tenha pensado por esse lado." >> Uhum. Ela foi, falou: "Pastor, o senhor ensinou tal coisa, mas eu estudando percebi que isso, isso, aquilo aquilo outro". El falou: "Puxa, eu nunca tinha pensado nisso. Você está correta, minha irmã. Você pode ensinar a igreja a respeito disso? Você tá entendendo melhor do que eu." Veja, uma postura totalmente humilde que pegou ela de surpresa, né? E depois ela falou comigo e falou: "Pastor, o eu admirava meu pastor, mas agora eu admiro muito mais. Eu entendi que a gente não deve primeiro sair da igreja, mas a gente deve conversar, dialogar e às vezes o pastor vai não concordar e tá tudo bem. >> Tem coisa que eu não concordava com o meu pastor titular e tá tudo certo. Não é coisa principal da fé, são coisas secundárias, né? >> Eu se meu pastor tem uma visão escatológica um pouco diferente na minha, qual que é o problema, né? Não precisa ter exatamente a mesma visão. Então a gente precisa, como membro de igreja saber o que é principal e o que é secundário e não superdimensionar o que não é tão importante. Com certeza. >> Joia. Última pergunta. Tem ainda um um um tempinho, pastor. E eu vou fazer essa pergunta, mas a gente melhora ela, se for o caso, tá? Que tipo de igreja agora o ah o senhor acredita que será realmente contracultural nos próximos anos? Que tipo de igreja então será realmente contracultural, né? Pra gente ter um perigo da igreja tá lá atrás ainda, como a gente começou falando, né? Tá respondendo as perguntas lá atrás e a gente falou: "Opa, pera aí, a gente tem uma possibilidade agora que tá abrindo, especialmente com nova geração chegando, pessoal, todo mundo pensando igreja. O que que vai ser essa igreja contracultural nos próximos anos? uma igreja que consegue eh se posicionar ao contrário da tendência do mundo. Então, vamos pegar alguns exemplos pra gente pensar. Hoje o mundo tem pregado a positividade. Tem uma igreja que prega não a positividade, mas prega a verdade do evangelho. [limpando a garganta] >> Hoje tem pregado os números, né? A igreja que prega relacionamento. Hoje o mundo vai no caminho do desfazer relacionamentos. Ela prega um relacionamento profundo. Hoje o mundo tem defendido cada vez mais a lógica virtual, uma igreja que valoriza a presença real. Claro que virtual é importante, né? Mas eu penso assim, >> tem o seu passo, né? >> É, mas eu penso às vezes a gente fica tão preocupado em estar no no vamos colocar na moda que às vezes ser contracultural é permitir a participação de pessoas que não conseguem acompanhar. A gente fez a virtualização num período da pandemia lá da igreja. Acho que vocês devem ter passado por isso, né? Muitas igrejas sofreram porque não conseguiram fazer essa virtualização, culto online, etc. A gente já tinha culto online, então facilitou. Agora não permanecemos. Agora, quantas pessoas permaneceram no consumo online do cult? Uma igreja que consegue perceber isso e ajudar as pessoas a saírem de si mesmas, ela é contracultural. Eu lembro que na pandemia uma mulher da nossa igreja lá, ela tinha muita dificuldade, não recebia nem iFood assim de de falar: "Não, solta aí o negócio, vai embora, que eu vou abrir a porta e pegar e higienizar tudo, sabe assim, o nível desesperado." E essa pessoa foi alguém que a gente buscou tentar ajudar ela a trazer de volta a pessoa, mas ela não conseguiu. Hoje, ela não tá conosco lá na igreja. Eu fico pensando quantos se perderam e quantas igrejas não conseguiram ajudar nesse resgate daquilo que é importante. >> Uhum. >> Porque veja, foi necessário, mas a igreja precisa ter ouvida na vida. Então, uma igreja relevante, uma igreja contracultural, é aquela que não vai só porque é moda, mas ela consegue também conservar e resgatar elementos importantes, apesar das mudanças do mundo, né? Então, às vezes a gente fala de conservadorismo, a gente pensa na política, né? Mas a lógica do conservadorismo tem a ver com você manter aquilo que é importante, mesmo que o mundo demande mudanças. Então, conservar é muito importante. Agora, olha que curioso, né? Muitas pessoas se dizem: "Não, eu não sou conservador, eu sou progressista". Mas para para todos nós somos conservadores para >> o que eu conheço de progressista, que daí você pergunta: >> "E as culturas indígenas?" Então, vamos começar a mudar tudo? Não, não. Tem que conservar. Opa. >> [risadas] >> Ah, então você é conservador com a cultura indígena, não é conservador com a nossa cultura. Perfeito. Então o que que a gente tá percebendo? Que essa pessoa entende que existem coisas que devem ser conservadas, mas quando se trata da própria cultura, ela se permite deixar mudar. Tem entender que tem coisas que a gente não pode deixar mudar. >> Tem coisa que a gente tem que firmar o pé e falar: "Não, isso não é para mudar. >> Isso a gente tem que manter. Nisso a gente não se dobra". E veja, a igreja que conseguir não se dobrar naquilo que não deve ser dobrado, ela vai ser contracultural e ela vai fazer diferença no mundo >> e permanecer fiel. A escritura não muda, né? A gente tem esse solo firme da escritura a caminhar. Uau, que tempo. Professor Vili, muito obrigado por essa conversa. Foi profunda, necessária, muito atual. Eu quero agradecer o Vini que trouxe o professor Ville aí, Billy Baldo, com a gente. Que que conversa boa. E a Igreja do cansaço não é apenas um diagnóstico da cultura, é também um chamado para discernimento, arrependimento e fidelidade num tempo marcado por exaustão, desempenho e superficialidade. Muito obrigado, professor, pela sua presença aqui conosco. >> Obrigado. Eu que agradeço. Privilégio aí. Deus abençoe o ministério >> e vamos conversar muito porque hoje só foi a pontinha aí de tudo que dá pra gente conversar. Pisou aqui em Curitiba, por favor, tá? A nossa igreja portas abertas, a escola Charles Expurgon portas abertas. E você que nos acompanhou até aqui, muito obrigado. Compartilha este episódio com outros pastores, líderes e irmãos da sua igreja. Tenho certeza de que essa conversa pode ajudar muita gente a pensar a fé cristã com mais profundidade no nosso tempo e até ao nosso próximo encontro.