CRISTIANISMO E PAGANISMO – JOÃO PAULO | PODCAST VIDA NOVA #91
20/04/2026
CRISTIANISMO E PAGANISMO – JOÃO PAULO | PODCAST VIDA NOVA #91
🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!
Neste episódio, conversamos com João Paulo Thomaz de Aquino sobre o livro Cristianismo e Paganismo, de Bruce W. Winter.
Ao longo da conversa, exploramos os principais temas da obra e suas implicações para a fé cristã, abordando questões como:
📜 O que é o paganismo e como ele se manifesta no mundo contemporâneo?
🏛️ Qual a relação entre a igreja de Corinto e o paganismo?
🔍 Por que as mulheres em Corinto deviam usar véu?
✝️ Como o cristão pode responder, de forma bíblica, aos desafios do paganismo hoje?
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí, eu sou Saor Lucena e seja bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. Aqui a gente procura conversar com autores, pastores e teólogos em geral sobre os livros lançados pela editora Vida Nova e as questões importantes que eles abordam. E no episódio de hoje nós vamos falar sobre o livro Cristianismo e paganismo, a influência da cultura na igreja de Corinto do Bruce Winter. Se você quer entender o que é paganismo, por que que a igreja de Corinto é uma igreja tão afetada pela cultura à sua volta? Afinal de contas, por que que Paulo diz tudo é permitido? Mas nem tudo convém? O que é que isso realmente significa? Por que que ele fala sobre o uso do véu e sobre o culto ao imperador, sobre a questão da glutonaria e da bebedeira e tantas outras questões interessantes que nós vemos na carta aos Coríntios? Se você quer entender sobre isso e a relação dessas questões com a nossa igreja na atualidade, então você vai tirar muito bom proveito da leitura desse livro e também da nossa conversa no podcast de hoje. Se você gosta de conversas assim, já se inscreva aí na sua plataforma de podcast preferida, deixa aí também o seu like, seu comentário para nos ajudar com o feedback e depois compartilhe esse episódio com outras pessoas. Mas vamos à nossa conversa e quem vai nos ajudar hoje é o reverendo João Paulo. João Paulo, seja muito bem-vindo ao podcast da Vida Nova. É uma alegria ter você aqui com a gente mais uma vez, meu irmão. >> Alegria estar por aqui, Saor, junto com você e com a Vida Nova. >> Muito bom, meu irmão. E eu queria pedir que você se apresentasse pro pessoal. A gente já teve outras conversas aqui, né? Mas vale a pena uma apresentação para quem tá chegando agora, que tá tendo o primeiro contato com você. >> Legal. Ah, sou muito bem casado com a Juliana, que é uma conselheira bíblica que tem tem estado aí também servindo ao Senhor com palestras, etc. Temos três filhos já adultos e sou professor aqui no Andrew Jumper, ah, e também no seminário José Manuel da Conceição e pastor presbiteriano atualmente na igreja JMC em Jandira. >> Muito bom, reverendo. Obrigado aí, João Paulo, pela conversa, pela apresentação e eu queria que você começasse agora. Eu queria chamar você agora pra gente falar um pouco sobre o assunto do livro. É um livro que quando eu até apresentei para você, né, que a Vida Nova estava lançando para saber se você tinha interesse de gravar, você se animou com isso. E é um livro realmente muito interessante. Cristianismo e paganismo, a influência da cultura na igreja de Coríntios. Gostei inclusive da capa que a vida nova trouxe pra gente, né? >> Ficou, ficou bonito. Eu estou com o meu aqui também. Ficou muito bom. Muito bom. >> Isso aí. É isso aí. E o tema é interessante também, até porque algumas pessoas já têm dificuldade de entender o que significa paganismo em si, né? E eu acho que a primeira coisa que a gente pode começar a definir, o que é que é paganismo? >> Paganismo é um jeito de viver, né? É uma cosmovisão para usar a linguagem um pouquinho mais técnica. Ou seja, todos nós temos crenças básicas, crenças sobre as quais nós tomamos nossas decisões, os nossos valores mais profundos, o nosso caráter é baseado nessas coisas. E existe uma visão cristã de mundo, existem os valores cristãos e com base nesses valores as atitudes cristãs. E existe o valor anticristão, o valor do mundo, o valor que é dirigido pelo mundo, pela carne e pelo diabo, né? Aquela tríade bíblica a maligna. Então, o curso desse mundo, o príncipe da potestade do ar e o espírito que atua nos filhos da desobediência e as inclinações da nossa carne. Então, ah, quando o quando alguém ou no caso uma sociedade inteira é dirigida pelo mundo, pela carne e pelo diabo, nós damos o nome para isso de paganismo, né? Então, não é só uma religião específica e pode ser até uma não religião, pessoas que abominam religião e mesmo assim elas são movidas pelo mundo, pela carne, pelo diabo, ah, e são influenciadas por esses valores e consequentemente terão atitudes compatíveis com essas crenças mais básicas. Então, isso é o paganismo. >> Eu acho importante a gente destacar isso, né? Porque às vezes a pessoa acha que paganismo tem a ver talvez com a religião satânica, alguma coisa assim, eh, mais exagerada e justamente, né, ah, quem não tem religião não é pagão. E a gente precisa entender que é algo muito mais complexo do que isso. Inclusive é algo que Sim, pode falar. Até um cristão, né, Saor, que que não viva influenciado pelos valores bíblicos, é um cristão que está vivendo no paganismo, porque ou você vive com base nos valores bíblicos, ou você vive o que outros chamam de mundanismo ou secularismo, que são sinônimos de paganismo. >> Sim, sim, sim, é verdade. Inclusive, é basicamente o assunto do livro que é como essa influência chega também para cristãos, para a igreja, né? E aqui a gente vê a cultura de Corinto impactando a sua igreja. A grande questão é por que Corinto é uma igreja tão afetada assim. Claro, não tem igrejas perfeitas, todas sofrem de alguma maneira com algum tipo de influência, mas Corinto é muito aquela igreja que você fala assim, né? Eh, quando olha para as epístolas do Novo Testamento, é a igreja que deu muita coisa errada ali, ou melhor, teve muitas dificuldades, nós poderíamos dizer. Por que tanta influência assim da cultura na igreja de Corinto? >> Provavelmente Saor é uma igreja que tem menos judeus ah, e mais gentius. Ah, além disso, Paulo planta essa igreja, fica 1 ano e meio, 2 anos ali e vai embora. E quando ele escreve para essa igreja, ele escreve depois de um ano, 2 anos no máximo que ele foi embora. Ou seja, essa é uma igreja que está nascendo. É uma igreja com 3, 4 anos de idade, com uma maioria de gentios convertidos e gente que ainda tá aprendendo a ser cristã, gente que tá realmente deixando o paganismo. Eles eram pagãos, eles tinham uma cosmovisão pagã, eles tinham todos os valores pagãos. E agora que o pastor se se fez ausente, agora que o pastor foi para outro lugar e eles estão aprendendo a viver a vida a por si sós, eles têm problemas, várias coisas que acontecem na sociedade que eles precisam resolver ou acontecem da própria igreja, mas eles ainda não têm 30 anos de cristianismo, 20 anos de cristianismo ou 15 anos de judaísmo. Então eles tentam resolver com base nos seus valores. E os valores que eles têm são os valores pagãos, porque eles estão num processo de discipulado ainda. Então, e essa é uma das principais razões porque essa igreja se destaca no Novo Testamento pelas suas características de imoralidade, de dificuldades de relacionamento. Agora, é importante também, Saor, dizer que toda a igreja tem um tanto de paganismo, né? Não existe igreja que não sofra influência da sua cultura, que não sofra influência dos valores que a circundam. Então, ainda que nós olhemos para nós mesmos ou paraa nossa igreja e achemos, ah, a nossa igreja e a minha própria vida está isenta de paganismo, não, isso não é verdade. É porque no nosso caso a gente tem o o ponto cego que a gente não consegue ver, né, como é a nossa cultura, como são os valores que nos circundam. Então, a gente não consegue perceber com precisão todas as áreas onde nós caímos em paganismo ou onde a nossa igreja está caindo em paganismo. >> É verdade. É preciso esse cuidado, né, para não se julgar superior a preciso esse cuidado para autoanálise e reconhecer que, infelizmente, nós temos muitas contradições >> motivadas por essa a por essas influências que muitas vezes nós não percebemos, né? O que nos lembra que ah esse livro e inclusive essa nossa conversa não é especificamente sobre ah vamos falar da igreja de Corinto, claro, ela está em foco, mas é muito de como nós devemos ter cuidado com as nossas próprias igrejas na atualidade a partir das lições que nós aprendemos com Corinto, né? Então, acho que isso é uma ênfase muito boa que você trouxe pra gente seguir na conversa. E dentre as questões que nós temos aqui no livro, eu gosto até de como é que ele vai fazer as divisões. Aqui no sumário a gente encontra bastante organização. Nós vemos, né, a influência ética secular em diversas questões. Vemos isso na no discipulado, na competitividade entre os líderes, questões de lei, questões também ah de permissividade, a casamento, autoridade, maldições, culto, várias outras questões. Nós não temos como abordar todos, não é o nosso objetivo aqui. O livro tá aí disponível para quem quiser adquirir e realmente conhecer cada uma dessas questões. Mas algumas delas eu acho que são relevantes da gente tentar trazer aqui e conversarmos um pouco. Uma que me chama atenção já no início da epístola aos Coríntios, eh, é que nós vemos aqui a como era a competitividade entre os mestres e os seus seguidores e como é que isso afeta a igreja. Eh, e que tipo de competitividade é essa que nós encontramos e como é que ela afeta a igreja? >> Legal. Eh, antes, eu gostaria de de avisar, né, os nossos ouvintes e quem tá assistindo que esse livro é baseado numa pesquisa maravilhosa, né? O autor aprofundou muito nas obras da época, na arqueologia da época, em todos os detalhes da época para a fim de que ele consiga ler o texto bíblico realmente à luz do que estava acontecendo lá naquela época na Corinto Romana. daquela época, né? >> Ah, e uma das características daquela época, daquela sociedade, >> eram os mestres, os filósofos, que na verdade na época eram chamados de sofistas. Sofistas ali na época não tinha um um significado ruim, mas eram esses mestres que viviam de conseguir alunos ou discípulos. esses discípulos morariam com os seus mestres, ah, seriam ensinados pelos seus mestres, não só o conteúdo, mas também como comunicar o conteúdo. Então, havia uma grande competição entre esses mestres para que eles conseguissem os alunos mais abastados, os alunos das melhores famílias, melhores no conceito deles, né? melhores em matéria de quanto eles poderiam ganhar de influência e de dinheiro a partir daqueles filhos das famílias nobres. E aí então esses mestres iam paraa praça pública e começavam a discutir entre si a e menusprezar uns aos outros. A grande tentativa era humilhar o mestre oposto de tal maneira que eu consiga mostrar que eu ganhei dele no debate, que a minha retórica, o meu meu jeito de me expressar é melhor e assim eu conseguiria os melhores os melhores alunos. E aí a como uma um dos princípios básicos desse discipulado, veja, a gente tá falando de discipulado pagão, o discipulado que os mestres filosóficos exerciam, que é o mesmo conceito do discipulado cristão, é o conteúdo que varia. E esses alunos, eles tinham como objetivo a imitação do seu mestre. Se o mestre tem como objetivo a humilhação dos outros mestres, então o aluno também tem como objetivo humilhar os outros mestres e os seus alunos. e os seus discípulos. A igreja de Corinto vive nesse contexto. Então, quando Paulo primeiro planta a igreja e aí depois que Paulo sai, vem Apolo e fica como o pastor da igreja por um tempo. E Apolo, ao que tudo indica, era um homem mais eloquente do que o apóstolo Paulo. Ele tinha uma presença física mais bela, mais forte do que o apóstolo Paulo. Então, a igreja se divide entre aqueles que continuam fiéis ao apóstolo Paulo e aqueles que passam a desprezar o apóstolo Paulo em prol de Apolo. É até possível que tenha desenvolvido também outros dois partidos, que é o partido de Pedro, né? O partido de Cefas e o partido que queria ser mais espiritual e dizia: "Não, nós só seguimos a Cristo, nós não seguimos mestres humanos". Só que o problema é que isso, >> até hoje tem essa história, viu? [risadas] >> Ah, tem, >> eu não sou nem isso, nem sou aquilo. Eu sou de Jesus. Eu sou de Cristo. É quem tenta ser melhor do que todos os outros, né? talvez seja o pior grupo, na verdade. >> Então, a a partir do momento que esses grupos se fazem na igreja, eles dividem a igreja e começam a humilhar uns aos outros, começam a fazer disputas públicas para ver, ó, qual é o grupo melhor, qual é o grupo que tem a melhor teologia, qual é o grupo que tem a melhor eloquência, qual é o grupo que tem a melhor capacidade. Coisa que às vezes acontece no nosso meio quando a gente discute a minúcias da teologia e a gente então declara o outro do outro lado como se fosse nosso inimigo, né? E declara que os nossos mestres são os melhores, os nossos da nossa linha são são muito mais eloquentes e muito mais competentes e tem muito mais títulos. Então, quer dizer, não é uma coisa tão diferente daquilo que tem nas nas nossas igrejas. Só que ali na época acontecia numa igreja local. Talvez essa seja a principal diferença, né? Que isso que entre nós às vezes acontece tristemente entre denominações e tradições religiosas diferentes, tradições evangélicas diferentes, lá acontecia dentro da igreja local. E aí já vemos essa a importância da gente meditar, né, no que está acontecendo em Corinto, como também de alguma maneira acontece nossos dias, ainda como influência dessa competitividade equivocada, né, porque a busca é por união, né? Claro que a união não deve eh abrir mão da verdade, né? Mas a gente deve buscar a união. A verdade deve ser para unir e não para separar, né? E isso é já uma coisa importante a gente entender como é que Corinto está sendo afetado e como a gente também tem algum nível de influência disso também. Agora, um outro aspecto que ele vai falar que é interessante a gente ver na epístola, a questão de julgamento, né? Ele vai falar sobre o julgamento em alguns capítulos, tanto no quesito de um julgamento moral ah dentro da própria igreja, como também questões de cristãos indo ao tribunal. E como era então ah essas questões de lei, de lei criminal, de lei civil ali para Corinto e como é que isso estava afetando a igreja também? Corinto era uma província romana, o que significa que o que acontecia em Roma, na capital do Império Romano, acontecia do mesmo jeito em Corinto. Eram as mesmas leis, eram os mesmos valores, né? Até o autor chama o tempo, o tempo todo isso de romanitas, né? Ah, que é esse jeito romano de viver. E Corinto tava de cabeça nisso, né? E uma das coisas é que, por exemplo, só tinham acesso a à lei, aos tribunais, aqueles cidadãos que eram realmente cidadãos do Império Romano. Então, se você não fosse cidadão do Império Romano, você não teria acesso. E lembrando que cidadania romana era um título. Então, não adiantava nascer no Império Romano simplesmente, você precisava ter um título. aquele título que o apóstolo Paulo tinha por direito de nascimento, ou seja, ele era de uma família, de alguma forma, uma família um tanto quanto nobre. Ah, e outras pessoas tinham que juntar muito dinheiro para conseguir comprar esse título, né? E aí tinha aquelas famílias tradicionais, >> era uma espécie de green card, é muito parecido, é muito parecido. E aí tinham aquelas famílias super tradicionais romanas que também tinham o direito de nascimento, né? tinham o título, porque eles eram os, por assim dizer, os fundadores, né? Ah, então esses tinham acesso a a a à questão, né, dos tribunais. Ah, quem era mais pobre, mesmo que fosse cidadão romano, não poderia processar alguém de uma classe ah socioeconômica superior. Então, essa era uma outra barreira. Então, moral da história, eh, escravos, mulheres, crianças, pessoas de outras cidades que não tinham o título do de cidadãos romanos. Esses não tinham acesso à lei, não tinham acesso aos tribunais. Ah, e o que aconteceu é que esse modo de pensar, esse modo elitista de pensar, e essa é uma das principais marcas do Império Romano naquela época, esse elitismo. Esse elitismo tinha entrado na igreja de Corinto. O o autor do Bruce Winter mostra isso muito claramente, como é que a questão que é tratada ali no capítulo 5, ah, muito provavelmente tinha a ver com a condição socioeconômica dos que estavam cometendo pecado gravíssimo ali, o o homem, o rapaz que estava possuindo a mulher do próprio pai, e que isso não tinha sido levado a sério pela igreja em matéria de disciplina eclesiástica por causa do nível socioeconômico, tanto da mulher quanto do rapaz. Parece que a mulher nem é parte da igreja, porque Paulo não fala para fazer a disciplina dela. Paulo fala para fazer a disciplina só do rapaz. Então, parece que ela nem é parte da igreja. Parece que parte da igreja são o rapaz e possivelmente o seu pai que estava sendo sendo traído aí pelo próprio filho, né? Ah, então veja, existiam leis no império romano que impediam a até mesmo esse tipo de situação, um homem ter relações com a mulher do próprio pai. Isso, isso tinha lei promulgada pelo imperador que proibia esse tipo de situação. Mas de novo, essas leis eram muito mais para serem aplicadas para pessoas de uma classe socioeconômica mais baixa ou para pessoas que não não fossem muito destacadas na sociedade do que entre iguais. Quando iguais faziam, quando pessoas da alta faziam esse tipo de situação, então o Império Romano fazia vistas grossas e a igreja aprendeu a fazer a mesma coisa, infelizmente. Então, é disso que Paulo tá tratando provavelmente o que tudo indica. Esse é o contexto do que tá acontecendo ali em primeiros Coríntios, capítulo 5. >> Muito interessante. Ou seja, eh essa questão desse elitismo aí estava influenciando a maneira que as pessoas eram julgadas, né? né? E da mesma forma que era em Corinto, na cultura, a igreja tava fazendo. Quem era mais supostamente importante ou tinha mais posses ou enfim, acabava sendo mais desculpável de seus pecados, né? Explicação. >> Exatamente isso. >> Ainda que fossem pecados gravíssimos. >> Pois. Pois é. E que pecado, né? Eh, agora quando a gente vê o avanço do livro, tem um outro texto que ele é muito interessante, até porque ele tem muito a nos ensinar, mas ele pode ser muito mal interpretado. E em certo momento em Coríntios, Paulo vai falar basicamente que tudo é permitido, mas nem tudo convém. E essa é uma expressão que, especialmente para essa epístola, onde tantas coisas acontecem, tantas, tantos pecados e, enfim, ela, ela é uma frase muito forte. Então, o que que Paulo quer dizer com isso, né? E por que que ele fala isso para os coríntios em específico, >> Saor? Esse é um dos textos mais difíceis da Bíblia, porque é necessário que a gente tenha a capacidade de entender que no texto existe uma citação. Então, hoje as traduções, as edições mais contemporâneas, elas nos ajudam porque elas colocam, entre aspas, elas colocam o tudo me é permitido entre aspas. E de fato é isso que tá acontecendo ali no texto. Não é Paulo quem está ensinando tudo me é permitido. O que tá acontecendo ali no texto é que Paulo tá citando uma posição muito comum ali na sociedade romana que alguns cidadãos tomavam para si essa permissividade. Eles diziam: "Não, para mim, como eu pertenço a essa família, como eu pertenço a essa classe social, como eu sou um homem, como eu sou um cidadão romano, então para mim tudo é permitido." Então, havia algumas pessoas da igreja corso a respeito de si mesmas e dizendo: "Olha, embora eu seja cristão, para mim tudo é permitido". Ah, e o apóstolo Paulo combate essa posição, o que acontece tanto no capítulo, no capítulo 6, quanto no capítulo 10, quando Paulo cita esse slogan, né, Paulo tá combatendo essa posição. Olha, eu já vi gente tentando se esforçar muito para explicar como se fosse Paulo dizendo: "Olha, tudo me é lícito". Gente, tá claro na Bíblia que nem tudo é lícito? Isso é muito claro na Bíblia. A Bíblia tem os 10 mandamentos. Não matarás, não terás outros deuses. Não, não, nem tudo nos é lícito. E Paulo também não tá dizendo tudo nos é lícito. Ele tá citando o que os coríntios pensavam. Ele tá citando uma coisa que era comum na sociedade cor. Além disso, Saor, existe o fato de que os coríntios não acreditavam na ressurreição do corpo. Isso está lá no capítulo 15. E por não crer ressurreição do corpo, alguns deles chegaram à conclusão: "Se eu não vou ressuscitar, se esse corpo aqui vai ser totalmente destruído, então o que eu faço no meu corpo não tem influência ah paraa eternidade, então tudo me lícito." Então existem dois problemas que culturais, dois problemas do paganismo que estavam em operação ah para eles chegarem nessa posição. Um era o elitismo, um era alguns cidadãos têm mais direitos do que outros e podem fazer qualquer coisa que eles quiserem. E o outro problema era o problema da de não crerem na ressurreição. Eles eram materialistas, eles eram dualistas, eles eram, nesse sentido, influenciados pelo neoplatonismo que não acreditava na ressurreição do corpo. Acreditava o corpo, a matéria é totalmente má e a alma, o espírito é totalmente bom. Então, o que eu faço no corpo não interfere na minha alma, então tudo me é lícito. E Paulo vai contra esses pensamentos pagãos que estavam circulando lá em Corinto e que tinham tomado conta da igreja. Paulo vai contra isso. Eu tenho um artigo na Feds Reformata que trata exatamente sobre isso. Então fica aí a dica pro pessoal ah que mostra como é que existe uma uma estrutura literária, um um gênero literário específico chamado de atribção aí nesse texto. E aí quando você vê isso, o texto se abre completamente. Aliás, Paulo faz muito uso dessa dessa figura aqui, né, para argumentar, apresentando qual é a visão das pessoas e então qual é a resposta. Então, se a gente pegasse um exemplo aqui que me veio à cabeça, né, é como se alguém estivesse dizendo assim, né, como se Paulo tivesse citando uma frase de alguém, ah, meu corpo, minhas regras. Ah, é, mas esa aí, universo de Deus, regras de Deus, né? É como se ele tivesse fazendo isso. >> Perfeita ilustração, Saor. É exatamente isso que Paulo tá falando. Ah, meu corpo, minhas regras, entre aspas. E Paulo, então, vai contra isso e apresenta a boa teologia para enocular a má a má visão, a má ideologia que estava ali por trás daquela daquele ditado popular pecaminoso. >> Entendi. Fez sentido. Muito bom. E é interessante porque, rapaz, é um textinho curto, é um daqueles que é fácil de você memorizar, né? Então, as pessoas estão por aí citando de cabeça e ah deturpando muita coisa por causa disso. Que bom que a gente tem uma boa explicação. Esse livro ajuda. Você trouxe aqui um bom exemplo. Tem o seu artigo também na Fides Reformato. Excelente. Ah, e como você falou, isso foi levando eh essa essa frase, essa ideia com essa cultura neoplatônica, essa dicotomia entre matéria e espírito. Várias outras questões foram acontecendo e dentre elas uma que nós vemos Paulo falar um pouco é da glutonaria e da embriaguez, que é algo que também tem muita relevância até pros nossos dias, pra gente entender também, né? Então, qual era o problema de glutonaria, de embriaguez que acontecia naquela época e a sua influência pra igreja? >> Esse era um problema enorme no Império Romano como um todo. Ah, bem, a cultura romana não achava que isso era um problema. Essa é esse é o essa é a verdade, né? Ah, mas o fato é que naquela época, veja, as pessoas não têm televisão, não tem internet, as pessoas não têm muitas coisas que nós temos de entretenimento hoje em dia, né? Então, uma das formas principais de entretenimento da época era ir a um algum lugar, poderia ser um templo de algum deus época, ou poderia ser algum lugar cívico ou alguma casa de alguém mais abastado, cuja casa era grande o suficiente para receber pessoas. E ali aconteceriam os banquetes. Os banquetes eram o principal momento cultural a ou social que acontecia no Império Romano. Então, era no banquete que negócios eram fechados, era no banquete que os relacionamentos aconteciam e que existia, a partir dos relacionamentos, possibilidade de ascensão social. Era nos banquetes que alguém se tornava um cliente de um patrono. Esse patrono passaria a ajudar essa pessoa com influência, com dinheiro, a fim de que essa pessoa escalasse socialmente. Tudo isso acontecia nos banquetes. E esses banquetes eram regados a muita comida, só que essa comida era porcionada, era dividida dependendo da sala que você estivesse. Então, havia sala onde tinham as pessoas mais importantes e ali era oferecida a melhor comida e de maneira mais abundante. Existiam salas de pessoas consideradas menos importantes, aonde haveria uma comida de qualidade inferior e menos quantidade. E havia também abundância de vinho, tá? abundância de vinho. E as pessoas então comiam muito, com glutonaria mesmo e bebiam muito também com com grande ah sem nenhuma restrição, com grande liberdade. [suspirando] E após esses banquetes acontecia aquilo que era chamado de pós-banquete, que aí era um momento onde as pessoas se entregavam a todo tipo de moralidade sexual. Então, havia prostitutas que eram contratadas para virem a esses banquetes, onde essas coisas aconteceriam. Apenas os homens participavam desses banquetes. Ah, os homens da alta sociedade, as suas esposas, suas famílias não participariam. O menino, a partir do momento lá seus 14, 15 anos, que ele passava a usar uma roupa especial chamada toga viriles, roupa de homem, ele passaria a participar desses banquetes também junto com seu pai, etc. e tal. E e esses banquetes eram momentos muito muito importantes no Império Romano. Ah, então esse é o contexto que você tem ali em Corinto, uma profusão, uma abundância desses banquetes. Lá em Corinto existia o templo de Demétrios, é um dos deuses da época. E e a arqueologia encontrou mais de 40 salas de jantar dentro desse templo. Então você imagina, um só templo tinha mais de 40 salas de jantar. A arqueologia também encontra algumas casas, né, as ruínas de casas romanas e e e mostra claramente como é que essas casas tinham um ambiente maior, onde as pessoas comiam reclinadas, né, comiam meio que deitadas num divã e outros ambientes menores onde outras pessoas ah comeriam um outro tipo de comida. Então esse conceito aí, esse contexto dos banquetes era um contexto muito importante para para aquela época. Interessante. Então realmente a glutonaria não era somente algo que você fazia em casa, né? né? O o simples auto ato de comer demais, ainda que a glutonaria nesse sentido também possa ser um pecado e não só para quem é mais gordinho ou enfim, mas ali tinha toda uma outra questão da entrega a qualquer saciação de apetites, apetite da sede, da fome, o apetite sexual, tudo isso. >> Isso eram padrões de fora que estavam chegando para Corinto. Interessante. Interessante. E quando a gente passa disso, a gente vai para outra outro assunto que parece muito menor perto desse, mas ainda assim até nos dias de hoje gera algumas dúvidas e argumentações. E esse o assunto é o do véu, né? A gente vê eh Paulo em meio a uma conversa sobre a o uso do véu para as mulheres. O que é que está acontecendo ali? O que é que é esse véu? Por que que as mulheres tinham que usar e até como isso se relaciona aos nossos dias? >> Olha, essa é difícil essa pergunta, viu Saor? Porque existem diferentes interpretações. Então, eu vou falar o que que o Bruce Winter apresenta como interpretação. Ele ele diz que o comum era que as mulheres usassem vé. As mulheres casadas no império romano, elas usavam vé quando estavam em público, não em casa, mas quando estavam em público, usavam véu para deixar claro que elas eram mulheres casadas. Ah, e o problema é que existia uma espécie de feminismo ali acontecendo naquela época em Roma e nas províncias romanas. >> Ah, e no >> já tinha nessa época, >> já existia, sempre existiu, não é? Ah, assim como sempre existia o machismo pecaminoso também, né? Sim, sim. >> Então, existia naquela época esse feminismo, ah, no sentido do das mulheres, a nova mulher romana era uma mulher que arrogava para si os mesmos direitos que os homens tinham, ah, inclusive o direito de sair onde ela quisesse, sem usar o seu véu. E e parece que, ou para o Bruce Winter, é isso que estava acontecendo ali, ah, na na situação do uso de vé, né? Uma diferença muito interessante da interpretação do Bruce Winter nessa passagem é que ele diz que quando ele diz por causa dos anjos, né, que as mulheres deveriam usar vé por causa dos anjos, ele apresenta a possibilidade da interpretação de por causa dos mensageiros. Então, disso não ter a ver com seres espirituais, mas disso ter a ver com pessoas que estavam frequentando as reuniões dos cristãos como observadores das autoridades romanas, a fim de saber o que que tava acontecendo ali. E se nessa situação, >> então, então, perdão, reverendo, então a ideia aí seria o significado da palavra anjos que ele tá apelando, né? anjos como mensageiro, ele apela para isso. E aí >> eh seria então nesse caso dele a a tradução melhor até nem seria anjos, mas literalmente mensageiros. Exatamente. E nesse caso a preocupação de Paulo era se alguém vem de fora como um observador de uma autoridade romana e ele vê as mulheres profetizando na igreja sem vé, essas mulheres vão ser a comparadas com a nova mulher romana, com essa mulher que não quer submissão e essa mulher que muitas vezes é inclusive imoral, essa mulher que não se coloca debaixo do seu próprio esposo. Então Paulo vai contra isso. E uma outra coisa que o que o Bruce Winter chama atenção é o fato de que os homens na cultura romana, os homens da alta sociedade, quando eles iam oferecer um sacrifício, eles sim colocavam véu. Então uma das imagens mais famosas de César Augusto, do Imperador Romano, é a imagem dele com um véu como o sumo sacerdote, como o sumo pontífice do Império Romano, apresentando sacrifício aos deuses. E de fato no texto Paulo não fala só do problema das mulheres não quererem usar vé, mas ele também fala do problema de alguns homens quererem usar véu. Então os homens queriam usar vé para se assemelharem às autoridades romanas e as mulheres não queriam usar véu para declarar a sua independência. E Paulo vai contra essas situações, né? É claro que essa não é a única maneira de reconstruir o que estava acontecendo lá em Corinto. Existem a e como a gente tá lidando com questões históricas e as questões históricas se baseiam nos livros da época, se baseiam nas moedas da época, se baseiam na arqueologia de dados que a gente consegue dessa maneira por meio de a a tanto inscrições de placas da época quanto ruínas da época. Então, a gente não tem todas as informações que a gente gostaria de ter e algumas dessas informações são antagônicas. Então, é difícil de ter certeza absoluta se era isso exatamente o que estava acontecendo ali em Corinto. Agora, uma coisa que fica clara no texto é que tinha de fato a ver com a a esposa não demonstrar a estar debaixo da autoridade do seu marido. Como atualizar isso paraa nossa época é um desafio enorme. E por isso que tem igrejas que fazem coisas diferentes nesse sentido, né? Você tem igrejas até reformadas fora do Brasil que optam pelo uso do véu paraas mulheres que usam então uma uma aplicação bastante literal do texto. E você tem outras igrejas que ah dizem: "Não, a a mulher vai mostrar a sua submissão ao não participar do ativamente do culto. outras igrejas que talvez poderiam até dizer: "Não, se a mulher tiver usando uma aliança, esse é o símbolo de que ela está debaixo de autoridade do seu marido." Então, a ou uma atitude, mais do que só um símbolo visível, uma atitude do coração que demonstre submissão. Então, como aplicar esse uso do veloca é um desafio enorme para o qual eu não tenho uma solução. Ah, porque não existe algo, como é que você faz a atualização de uma coisa dessas, né? Isso é inclusive cultural, depende de cultura para cultura. É verdade. Esse é um daqueles textos que assim nós podemos ter a nossa interpretação e aplicar explicarmos o porquê de concluirmos dessa maneira, mas devemos ter cuidado, né? >> Com certeza. >> É, tentar impô-la a todos, né? >> Exato. >> Muito bom. Agora, ah, disso daí, uma outra questão que a gente vê em Corinto que é muito interessante é Paulo falando sobre a não ser bom que se casassem ou ou ser melhor que não se casassem, né? talvez seja a melhor forma de colocar. E aí o porquê disso, o que que tá acontecendo em Coríntios, que Paulo ou, enfim, no contexto em geral que leva Paulo a falar sobre isso, né? Eh, e como é que isso vale para os nossos dias também? >> Legal. Eh, Paulo e, e de novo, tá? Eh, existe uma interpretação do Bruce Winter no livro que é muito boa e e baseada assim em materiais da época, em dados históricos, né? Então, o que ele levanta é a informação de que depois que Paulo saiu de Corinto, ah, houve houve uma grande fome que veio para aquela região, né? Então, as colheitas não estavam dando conta de alimentar todas as pessoas. Ah, e então alguns estavam inclusive relacionando isso a na interpretação do do Intercatológica. Então, nós estamos vendo o cumprimento do sermão de Jesus de fomes e e sinais no céu. Tinha tido um terremoto naquela época também. Então, algumas coisas tinham acontecido, estavam fazendo algumas pessoas acharem que o final dos tempos estava chegando. Até no mundo pagão, houve esse tipo de interpretação, que algum tipo de final do dos tempos estava chegando. E o e o e o autor nos mostra que existia naquela época então distribuições de alimentos. uma das pessoas mais importantes e celebradas daquela época, e a gente sabe disso por causa das placas que o celebravam da época, era o distribuidor de comidas. Era uma uma pessoa da cidade que tinha essa responsabilidade de distribuir comidas, como se fosse um José de Corinto, né? O José do Egito, ah, como se fosse agora. era um homem pagão que tinha essa função e ele foi muito celebrado pelas várias ah tribos que compunham a cidade de Corinto. Então, o Bruce Winter sugere para nós que esse é o contexto, esse contexto aí de a escassez extrema é o contexto pelo qual Paulo está chamando os cristãos a pensarem: "Olha, será que nesse contexto aqui é é o momento de se casar?" Ah, e participa disso também a uma maneira de pensar que era comum aos coríntios, que era você precisa aproveitar o que essa vida tem para dar enquanto você está no corpo, porque depois que você morrer, você não vai mais ter corpo para aproveitar os prazeres do alimento, os prazeres da bebida, os prazeres sexuais. Então, a única chance que você tem de aproveitar prazeres é aqui agora. Então, aproveite logo, porque depois disso o corpo vai ser destruído. E o apóstolo Paulo vai absolutamente contra isso, mostrando, não vai haver ressurreição do corpo, vão haver prazeres no reino celestial, não nós não seremos destruídos e destituídos do nosso corpo de uma vez por todas. Então, a gente não precisa viver essa vida como se essa vida fosse a última oportunidade de termos algum tipo de alegria. Muito pelo contrário, as alegrias do céu, as alegrias de você investir-se hoje no reino e então depois na ressurreição ganhar recompensas, são alegrias que valem extremamente, valem muito a pena. Então Paulo chama os cristãos de Corinto a terem uma visão menos secular no sentido do casamento, até da valorização, da supervalorização do casamento, como se só fosse possível ser feliz casado. E Paulo diz: "Não considerem a possibilidade de serem feliz servindo a Deus nessa vida e então a usufruírem as bênçãos de Deus no reino vindouro. Claro que não. As bênçãos do casamento, porque se a Bíblia deixa, claro que não vai não vai continuar, mas as bênçãos espirituais e bênçãos físicas, já que o nosso corpo também vai ressuscitar. Então havia várias coisas acontecendo ali na época a que justificam o apóstolo Paulo dizer: "Olha, considerando a atual situação presente, é melhor não se casar". Ah, de tal maneira que nas nossas igrejas nós às vezes vemos uma certa idolatria do casamento. E é contra isso que Paulo tá combatendo. Paulo tá dizendo: "Não é possível ah ser solteiro. Se você foi chamado para isso, se Deus te deu esse dom. é possível ser solteiro e ser completamente realizado. Então, é é sobre isso que o apóstolo Paulo tá falando. Uma outra coisa que acontecia ali era o inverso, né? Eram aqueles que eram casados, mas por uma visão de de ah, não, eu preciso negar completamente a minha carne, já que a carne é totalmente má. Então, alguns dos casados não estavam tendo relações sexuais dentro do casamento, que é o problema ali do começo do capítulo sete, né? E aí Paulo também combate essa outra visão. É curioso, né? Porque o dualismo, quando você é muito materialista, quando você faz uma distinção radical, na verdade, entre alma e corpo, então ou você cai na libertinagem ou você cai no acetismo, né? E essas, esses dois fenômenos estavam presentes lá na igreja de Corinto. Tanto tinha uma ala da igreja que era uma ala libertina que achava que não tinha problema nenhum para frequentar os banquetes e ter relacionamento com prostitutas. Então tinha uma ala totalmente libertina na igreja, mas você também tem uma alaeta na igreja de Corinto que acha que nem dentro do casamento é possível usufruir as bênçãos do relacionamento sexual. E Paulo vai contra esses dois exageros, porque Paulo apresenta uma teologia correta da ressurreição, uma teologia correta a respeito do corpo humano. E essas teologias corretas, esses pensamentos, essa cosmovisão bíblica ajuda então a resolver essas ideologias erradas. Olha só, no assunto de casamento, ele já fala sobre diversas questões. Ele vai falar sobre o acetismo, ele vai falar sobre eh uma promiscuidade, ele vai falar sobre o divórcio, ele vai falar sobre várias questões e a gente já falou de muitas outras. Coríntios tem muito isso, né? Você vê Paulo falando de diversos assuntos, eram muitas questões mesmo. Ah, caminhando aqui pro fim, vamos tentar trazer só mais uma questão ah específica da carta para depois a gente já ir para perguntas mais gerais. Mas quando a gente vê Paulo falando eh do culto ao imperador, como é que funcionava esse culto? Eh, por que que ele estava impactando a igreja? Como é que isso acontecia? Assim como era muito comum em outras culturas também há muito tempo na história, né? A cultura babilônica, a cultura medopersa, sempre foi comum na história idolatrar o líder máximo do império, né? Então, o líder máximo era tido como um dos deuses do panteão. Você tem um panteão cheio de deuses. Um deus é o principal. Você tem outros deuses e você tem aqueles seres humanos que adquirem um status de Deus. Seres humanos que são elevados à condição de Deus. A palavra grega para isso era apoteose. É ser elevado à condição de Deus, né? E isso era uma coisa que acontecia com os imperadores. O imperador, quando ele morria, ele passava por uma apoteose. Então, começava todo um processo de adoração do imperador anterior. Então, o imperador novo, o filho do anterior, normalmente era um filho adotivo, inclusive ele passava a fomentar a adoração ao seu pai como o imperador que acabou de falecer e de, portanto, subir ao mundo dos deuses. Mas em determinado momento ali um pouco antes de Cristo, essa adoração ao imperador passou a a ser aplicada pro pro imperador que estivesse vivo também. Então assim, é muito comum naquela região do Império Romano, em vários países que abrangem a o Império Romano de então, é muito comum você encontrar altares de adoração ao imperador, templos de adoração ao imperador, inscrições que louvam o imperador como se ele fosse Deus, moedas que chamam o imperador de Deus e que o o mostram vestido como se ele fosse um deus. Então, além de ser o sumo pontífice, a principal conexão entre os homens e os deuses, o imperador passou a ser adorado como se ele também fosse um deus. E isso passou a ser uma realidade nos eventos cívicos. Então, por exemplo, ali em Corinto havia os segundos jogos mais importantes do mundo antigo. Primeiro era o jogo olímpico e o segundo era eh os os jogos olímpicos e o segundo jogo mais importante eram os jogos da os jogos ítimios. E isso isso era em Corinto que aconteciam esses jogos. E durante esses jogos aconteciam esses banquetes. E durante esses banquetes a acontecia sacrifícios em honra ao imperador. E o alimento que era oferecido ali era um um alimento que foi sacrificado em honra ao imperador e aos outros deuses. E participar desses eventos era era assim, era uma situação ah quase mandatória para alguém que quisesse pertencer à sociedade romana. Então se os cristãos >> é quase como assistir futebol no Brasil. Exatamente. Se você quer participar da sociedade, você precisa assistir. Agora, imagine que para as socialmente, para ter a melhores oportunidades, você precise participar do futebol, para ter maiores condições financeiras e fechar melhores negócios, você precisava participar do carnaval, por exemplo, não é? Então, imagina uma empresa que obriga os seus funcionários a participarem do carnaval. E se você não participa, se você não vai lá no no lugar específico para participar do carnaval, então eles vão tirar certas oportunidades de você. Essa era a situação dos dos cristãos de Corinto. Então, alguns sucumbiam, alguns participavam dessas desses eventos cívicos com adoração tanto ao imperador quanto com adoração ao panteão de deuses, já que o imperador era o principal fomentador e o principal incentivador dessa adoração a ao panteão de deuses romanos, né? Então, os cristãos sofriam essa pressão e alguns caíam nesse pecado. E Paulo também escreve na carta a fortalecendo os cristãos no sentido de resistirem, de não se formatarem a essas a esses valores e a essas circunstâncias. >> Muito interessante, rapaz. São diversas questões que, como você falou, o Bruce aborda aqui a partir de uma pesquisa profunda de história, de arqueologia, muito interessante, muito enriquecedor, daqueles livros que você realmente sai com todo um arcabolso novo de cultura, né? Excelente. Agora, quando a gente vê, né, indo para um aspecto bem próximo da nossa atualidade, a gente vê a igreja de Corinto sendo muito influenciada pela cultura e nós vivemos numa cultura que cada dia mais tem se infiltrado na igreja através das mídias, através das séries, através das músicas, através ah dos diversos contextos. E a questão é como é que nós temos visto essas influências, né? Em que exemplos nós podemos dar de situações em que a igreja está sendo influenciada? >> Olha, muita coisa, viu? Inclusive, várias das mesmas ah vários dos mesmos valores presentes lá em Corinto a gente tem na nossa época, né? Então, assim como em Corinto existia um certo feminismo, a nossa época é cheia desse feminismo, né? Eh, assim como havia um secularismo em Corinto, ou seja, ah, vamos viver preso às coisas desse mundo, no aqui e agora, um imediatismo. Não vamos pensar nas coisas do do além, nas coisas do além morte, nas coisas do depois da morte. Isso é o nosso o nosso existencialismo, ele ele tem elementos muito parecidos com aquele dualismo daquela época, né? O o resultado, não exatamente a filosofia, mas o resultado prático, ele se assemelha em muitas coisas. Na nossa época, a gente tem o desafio da tecnologia, né? e de nós sermos cada vez mais presos num mundo tecnológico que faz com que a gente viva numa velocidade enorme, não tenha tempo para nada. E a igreja muitas vezes assume isso. Uma coisa bem prática, por exemplo, as igrejas têm diminuído muito o número das suas reuniões, não é verdade? Então, quer dizer, antigamente os cristãos se reuniam algumas vezes durante a semana e mais de uma vez no domingo. E cada vez mais na nossa cultura, as igrejas têm aberto mão de trabalhos tanto durante a semana quanto aos domingos para um só evento, um só, uma só reunião no domingo. Veja, a Bíblia não ordena que as igrejas se reúnam a duas vezes por domingo, mas é um fenômeno curioso que a gente tá vendo de os cristãos terem cada vez menos contato entre si, os cristãos terem cada vez menos oportunidades de comunhão. E isso tem a ver com uma com uma questão da nossa época, um imediatismo, uma correria, uma tecnologia, uma vida, todo mundo procurando muito conforto para si, não é? Então, as coisas que incomodam eu tento tirar da minha vida. Então, se eu tenho que pegar muito trânsito para ir na igreja, então eu tiro a igreja da minha vida, porque está me incomodando. Eu sou, eu sou o senhor de mim mesmo. Tudo me lícito, não é? [risadas] Eu sou o senhor de mim mesmo. E eu então tomo minhas decisões sem pensar ah na na igreja, sem pensar no bem do meu próximo, sem pensar no bem da minha família. Existe uma concepção na nossa época a respeito do que que é sucesso. E essa concepção, ela tá muito dentro da igreja. Eh, a a sociedade tem uma visão do que é sucesso. E muitas vezes você vê a mesma concepção dentro da igreja. Sucesso é ser muito conhecido. Sucesso é ter muito dinheiro. Sucesso é conseguir ascensão profissional e socioeconômica a qualquer custo. E a igreja às vezes assume esses mesmos valores. Aquela coisa da sociedade corriar as pessoas mais abastadas, as pessoas mais destacadas socialmente. A gente tem visto absurdos na nossa época a respeito disso, com, por exemplo, esses files, por exemplo, não é? Cada coisa absurda que as pessoas mais poderosas e ricas do nosso mundo fazem. E às vezes, em alguma medida, isso influencia também a igreja, isso influencia a mente dos cristãos, influencia, poxa, se esses super poderosos podem fazer esse nível de absurdo, então eu posso fazer esse outro nível aqui, não é? Então, uma permissividade que a gente dá a nós mesmos, que cada um dá a si mesmo, que não é a permissividade das Escrituras, a Bíblia tem a lei de Deus, a vontade de Deus expressa e é uma vontade eterna, uma vontade que se aplica a todos os cristãos. Então, do mesmo jeito que os coríntios eram influenciados por muitos valores de sua época, nós somos muito influenciados pelos valores pagãos da nossa época, alguns dos quais são muito semelhantes aos que eles tinham também. É verdade. E como é que nós podemos nos proteger disso? Como fazer o possível para que essas influências não nos afetem dessa maneira, para que estejamos protegidos, estejamos mais firmes no Senhor? Interessante, né? Porque Paulo combate tudo com teologia. Paulo usa teologia boa, teologia avançada. Ah, várias cartas de Paulo tem aquela divisão clássica entre parte mais teórica e parte mais prática, né? ou que alguns chamam de indicativo e o imperativo. A carta aos Coríntios não. A carta aos Coríntios tem ela levanta qual é um problema, então ela apresenta a teologia para resolver aquele problema. Qual é o problema? Teologia que resolve aquele problema. Então, por exemplo, para resolver os problemas das divisões, Paulo falou a respeito da teologia da igreja. O que que é a igreja e o que que é a nossa salvação? Deus escolhe não as pessoas mais vistosas e e de mais nobre nascimento e e mais inteligentes, mas Deus escolhe aqueles que não são a fim de envergonhar os que são. Então, se é isso, se esse é o padrão da escolha de Deus em geral, então um cristão ser orgulhoso e por causa do seu orgulho dividir a igreja é um absurdo. Então, olha como Paulo vai paraa soterologia, ele vai paraa doutrina da salvação para resolver os problemas de divisão. Lá no capítulo 5, para tratar sobre o problema do homem que tá possuindo a mulher do próprio pai, Paulo desenvolve uma teologia da Páscoa. A gente tá aqui, né, gravando esse esse vídeo na véspera da Páscoa. Paulo desenvolve a a teologia mais clara de Páscoa que tem na Bíblia. É nesse contexto que Paulo desenvolve falando que Cristo é o nosso cordeiro pascal. Então, nós somos chamados para sermos os pães asmos, os pães sem fermento, os pães sem corrupção, que serão apresentados juntos com o sacrifício do nosso Salvador, do Senhor Jesus Cristo. Quando ele trata a respeito de dons espirituais, lá nos capítulos 12, 13 e 14, ele mostra uma eclesiologia avançada, como que a igreja é o corpo de Cristo, união com Cristo, onde cada um de nós é um órgão do corpo de Cristo, né, ou um membro do corpo de Cristo. E órgãos diferentes têm funções diferentes, mas os órgãos do corpo humano trabalham todos em prol do corpo como um todo. Eles não trabalham em prol de si mesmos. Quando Paulo fala de comida sacrificada a ídolos, ele traz uma teologia a respeito da ressurreição, que aí ele desenvolve ainda mais no capítulo 15. Então, o apóstolo Paulo desenvolve teologia. Então, como é que a gente se se previne, como é que a gente se se precavê de de cair nos pecados da nossa cultura com boa teologia? Saor, é boa teologia. A gente precisa estudar as escrituras com profundidade para que então a gente aprenda a aplicar essa teologia densa paraa nossa vida prática, porque teologia não é avessa a prática. Muito pelo contrário, a teologia é a prática. A teologia é a base da prática. Assim como as ideologias do mundo são a base da prática mundana, da prática pagã, da prática secular, a teologia é a base da prática cristã. Então, não existe dicotomia entre teologia e prática. Teologia é algo iminentemente prático. E é assim que Paulo resolve os problemas da igreja de Corinto, aplicando as escrituras e explicando as escrituras de maneira densa, a fim de que os cristãos, que eram cristãos novos, inclusive com tr 4 anos de conversão, a fim de que eles aprendessem a pensar de maneira bíblica e então viver de maneira bíblica também. >> Amém. Que nós façamos isso, cresçamos no conhecimento da vontade do Senhor e vivamos na prática dessa vontade, né? João Paulo, e sobre esse livro, né, a gente já falamos muitas coisas boas aqui sobre o livro. Para quem você recomenda? Você acha que a só pastores vão se beneficiar da leitura dele ou outras pessoas também podem tirar bom proveito? >> Olha, eh é um livro prático, é um livro denso, né? é um livro para quem gosta de conteúdo. Então assim, o livro tem um bom conteúdo. Ah, o livro parte de de estudos profundos da época, né? Mas não é difícil de entender. Ele é profundo, mas ele não é muito difícil de entender. Então eu recomendaria o livro. Certamente todo estudioso do Novo Testamento, todo mundo que quer estudar o Novo Testamento com mais densidade, deve ler esse livro. Todo pastor que tá pensando em fazer uma exposição de Coríntios na sua igreja, tem que ler esse livro. Gente que gosta de apologética, pessoal que gosta aí de discutir essa interface, né? Como é que a gente discute com os as ideologias da nossa época e as filosofias da nossa época, que é uma área que muita gente gosta. Todo mundo que gosta de apologética deve ler esse livro, até porque esse livro faz uma abordagem apologética muito bíblica. Ele mostra como é que como é que Paulo fez apologética. Então, nesse sentido, é maravilhoso, não é? Aprender com o apóstolo Paulo como fazer apologética, como dar resposta aos problemas ideológicos da sua época a partir de boa teologia e a partir das escrituras. Então, o apóstolo Paulo ensina isso. Então, todo crente que goste de se aprofundar nas escrituras vai se beneficiar extremamente da leitura desse livro. >> Muito bom, João Paulo. Obrigado aí por esse tempo junto. Foi muito bom ter essa conversa aqui com você mais uma vez. Espero que a gente se encontre mais outros e se Deus quiser iremos, né? Temos aí segredinhos acontecendo, mas se Deus quiser iremos. >> Eh, que Deus continue abençoando sua vida e ministério, meu irmão. >> Bom demais. Sa. Deus abençoe muito também o seu ministério, sua vida, sua família. Sempre uma alegria conversar contigo e com aqueles que estão aí nos assistindo. E você aí de casa, gostou da conversa, gostou do assunto tratado, então esse livro aqui vai ser bção na sua vida. Adquira, leia, tenho certeza que você vai aprender bastante. E se você gosta de podcasts assim, então se inscreva na sua plataforma de podcast preferido para não perder nenhum episódio dos das dezenas que nós já temos e também dos muitos outros que virão pela frente. 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