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CRISTIANISMO E PAGANISMO – JOÃO PAULO | PODCAST VIDA NOVA #91

CRISTIANISMO E PAGANISMO – JOÃO PAULO | PODCAST VIDA NOVA #91

CRISTIANISMO E PAGANISMO – JOÃO PAULO | PODCAST VIDA NOVA #91

🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!

Neste episódio, conversamos com João Paulo Thomaz de Aquino sobre o livro Cristianismo e Paganismo, de Bruce W. Winter.

Ao longo da conversa, exploramos os principais temas da obra e suas implicações para a fé cristã, abordando questões como:

📜 O que é o paganismo e como ele se manifesta no mundo contemporâneo?
🏛️ Qual a relação entre a igreja de Corinto e o paganismo?
🔍 Por que as mulheres em Corinto deviam usar véu?
✝️ Como o cristão pode responder, de forma bíblica, aos desafios do paganismo hoje?

Adquira o livro: https://bit.ly/46JAzLq

#Cristianismo #Paganismo #BruceWinter #Corinto #ApóstoloPaulo #EdiçõesVidaNova #podcast
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Legendas automáticas:

E aí, eu sou Saor Lucena e seja
bem-vindo ao podcast da editora Vida
Nova. Aqui a gente procura conversar com
autores, pastores e teólogos em geral
sobre os livros lançados pela editora
Vida Nova e as questões importantes que
eles abordam. E no episódio de hoje nós
vamos falar sobre o livro Cristianismo e
paganismo, a influência da cultura na
igreja de Corinto do Bruce Winter. Se
você quer entender o que é paganismo,
por que que a igreja de Corinto é uma
igreja tão afetada pela cultura à sua
volta? Afinal de contas, por que que
Paulo diz tudo é permitido? Mas nem tudo
convém? O que é que isso realmente
significa? Por que que ele fala sobre o
uso do véu e sobre o culto ao imperador,
sobre a questão da glutonaria e da
bebedeira e tantas outras questões
interessantes que nós vemos na carta aos
Coríntios? Se você quer entender sobre
isso e a relação dessas questões com a
nossa igreja na atualidade, então você
vai tirar muito bom proveito da leitura
desse livro e também da nossa conversa
no podcast de hoje. Se você gosta de
conversas assim, já se inscreva aí na
sua plataforma de podcast preferida,
deixa aí também o seu like, seu
comentário para nos ajudar com o
feedback e depois compartilhe esse
episódio com outras pessoas. Mas vamos à
nossa conversa e quem vai nos ajudar
hoje é o reverendo João Paulo. João
Paulo, seja muito bem-vindo ao podcast
da Vida Nova. É uma alegria ter você
aqui com a gente mais uma vez, meu
irmão.
>> Alegria estar por aqui, Saor, junto com
você e com a Vida Nova.
>> Muito bom, meu irmão. E eu queria pedir
que você se apresentasse pro pessoal. A
gente já teve outras conversas aqui, né?
Mas vale a pena uma apresentação para
quem tá chegando agora, que tá tendo o
primeiro contato com você.
>> Legal. Ah, sou muito bem casado com a
Juliana, que é uma conselheira bíblica
que tem tem estado aí também servindo ao
Senhor com palestras, etc. Temos três
filhos já adultos e sou professor aqui
no Andrew Jumper, ah, e também no
seminário José Manuel da Conceição e
pastor presbiteriano atualmente na
igreja JMC em Jandira.
>> Muito bom, reverendo. Obrigado aí, João
Paulo, pela conversa, pela apresentação
e eu queria que você começasse agora. Eu
queria chamar você agora pra gente falar
um pouco sobre o assunto do livro. É um
livro que quando eu até apresentei para
você, né, que a Vida Nova estava
lançando para saber se você tinha
interesse de gravar, você se animou com
isso. E é um livro realmente muito
interessante. Cristianismo e paganismo,
a influência da cultura na igreja de
Coríntios. Gostei inclusive da capa que
a vida nova trouxe pra gente, né?
>> Ficou, ficou bonito. Eu estou com o meu
aqui também. Ficou muito bom. Muito bom.
>> Isso aí. É isso aí. E o tema é
interessante também, até porque algumas
pessoas já têm dificuldade de entender o
que significa paganismo em si, né? E eu
acho que a primeira coisa que a gente
pode começar a definir, o que é que é
paganismo?
>> Paganismo é um jeito de viver, né? É uma
cosmovisão para usar a linguagem um
pouquinho mais técnica. Ou seja, todos
nós temos crenças básicas, crenças sobre
as quais nós tomamos nossas decisões, os
nossos valores mais profundos, o nosso
caráter é baseado nessas coisas. E
existe uma visão cristã de mundo,
existem os valores cristãos e com base
nesses valores as atitudes cristãs. E
existe o valor anticristão,
o valor do mundo, o valor que é dirigido
pelo mundo, pela carne e pelo diabo, né?
Aquela tríade bíblica a maligna. Então,
o curso desse mundo, o príncipe da
potestade do ar e o espírito que atua
nos filhos da desobediência e as
inclinações da nossa carne. Então, ah,
quando o quando alguém ou no caso uma
sociedade inteira é dirigida pelo mundo,
pela carne e pelo diabo, nós damos o
nome para isso de paganismo, né? Então,
não é só uma religião específica e pode
ser até uma não religião, pessoas que
abominam religião e mesmo assim elas são
movidas pelo mundo, pela carne, pelo
diabo, ah, e são influenciadas por esses
valores e consequentemente terão
atitudes compatíveis com essas crenças
mais básicas. Então, isso é o paganismo.
>> Eu acho importante a gente destacar
isso, né? Porque às vezes a pessoa acha
que paganismo tem a ver talvez com a
religião satânica, alguma coisa assim,
eh, mais exagerada e justamente, né, ah,
quem não tem religião não é pagão. E a
gente precisa entender que é algo muito
mais complexo do que isso. Inclusive é
algo que Sim, pode falar.
Até um cristão, né, Saor, que que não
viva influenciado pelos valores
bíblicos, é um cristão que está vivendo
no paganismo, porque ou você vive com
base nos valores bíblicos, ou você vive
o que outros chamam de mundanismo ou
secularismo, que são sinônimos de
paganismo.
>> Sim, sim, sim, é verdade. Inclusive, é
basicamente o assunto do livro que é
como essa influência chega também para
cristãos, para a igreja, né? E aqui a
gente vê a cultura de Corinto impactando
a sua igreja. A grande questão é por que
Corinto é uma igreja tão afetada assim.
Claro, não tem igrejas perfeitas, todas
sofrem de alguma maneira com algum tipo
de influência, mas Corinto é muito
aquela igreja que você fala assim, né?
Eh, quando olha para as epístolas do
Novo Testamento, é a igreja que deu
muita coisa errada ali, ou melhor, teve
muitas dificuldades, nós poderíamos
dizer. Por que tanta influência assim da
cultura na igreja de Corinto?
>> Provavelmente Saor é uma igreja que tem
menos judeus ah, e mais gentius.
Ah, além disso, Paulo planta essa
igreja, fica 1 ano e meio, 2 anos ali e
vai embora. E quando ele escreve para
essa igreja, ele escreve depois de um
ano, 2 anos no máximo que ele foi
embora. Ou seja, essa é uma igreja que
está nascendo. É uma igreja com 3, 4
anos de idade, com uma maioria de
gentios convertidos e gente que ainda tá
aprendendo a ser cristã, gente que tá
realmente deixando o paganismo. Eles
eram pagãos, eles tinham uma cosmovisão
pagã, eles tinham todos os valores
pagãos. E agora que o pastor se se fez
ausente, agora que o pastor foi para
outro lugar e eles estão aprendendo a
viver a vida a por si sós, eles têm
problemas, várias coisas que acontecem
na sociedade que eles precisam resolver
ou acontecem da própria igreja, mas eles
ainda não têm 30 anos de cristianismo,
20 anos de cristianismo ou 15 anos de
judaísmo. Então eles tentam resolver com
base nos seus valores. E os valores que
eles têm são os valores pagãos, porque
eles estão num processo de discipulado
ainda. Então, e essa é uma das
principais razões porque essa igreja se
destaca no Novo Testamento pelas suas
características de imoralidade,
de dificuldades de relacionamento.
Agora, é importante também, Saor, dizer
que toda a igreja tem um tanto de
paganismo, né? Não existe igreja que não
sofra influência da sua cultura, que não
sofra influência dos valores que a
circundam. Então, ainda que nós olhemos
para nós mesmos ou paraa nossa igreja e
achemos, ah, a nossa igreja e a minha
própria vida está isenta de paganismo,
não, isso não é verdade. É porque no
nosso caso a gente tem o o ponto cego
que a gente não consegue ver, né, como é
a nossa cultura, como são os valores que
nos circundam. Então, a gente não
consegue perceber com precisão todas as
áreas onde nós caímos em paganismo ou
onde a nossa igreja está caindo em
paganismo.
>> É verdade. É preciso esse cuidado, né,
para não se julgar superior a preciso
esse cuidado para autoanálise e
reconhecer que, infelizmente, nós temos
muitas contradições
>> motivadas por essa a por essas
influências que muitas vezes nós não
percebemos, né? O que nos lembra que ah
esse livro e inclusive essa nossa
conversa não é especificamente sobre ah
vamos falar da igreja de Corinto, claro,
ela está em foco, mas é muito de como
nós devemos ter cuidado com as nossas
próprias igrejas na atualidade a partir
das lições que nós aprendemos com
Corinto, né? Então, acho que isso é uma
ênfase muito boa que você trouxe pra
gente seguir na conversa. E dentre as
questões que nós temos aqui no livro, eu
gosto até de como é que ele vai fazer as
divisões. Aqui no sumário a gente
encontra bastante organização. Nós
vemos, né, a influência ética secular em
diversas questões. Vemos isso na no
discipulado, na competitividade entre os
líderes, questões de lei, questões
também ah de permissividade,
a casamento, autoridade, maldições,
culto, várias outras questões. Nós não
temos como abordar todos, não é o nosso
objetivo aqui. O livro tá aí disponível
para quem quiser adquirir e realmente
conhecer cada uma dessas questões. Mas
algumas delas eu acho que são relevantes
da gente tentar trazer aqui e
conversarmos um pouco. Uma que me chama
atenção já no início da epístola aos
Coríntios, eh, é que nós vemos aqui a
como era a competitividade entre os
mestres e os seus seguidores e como é
que isso afeta a igreja. Eh, e que tipo
de competitividade é essa que nós
encontramos e como é que ela afeta a
igreja?
>> Legal. Eh, antes, eu gostaria de de
avisar, né, os nossos ouvintes e quem tá
assistindo que esse livro é baseado numa
pesquisa maravilhosa, né? O autor
aprofundou muito nas obras da época, na
arqueologia da época, em todos os
detalhes da época para a fim de que ele
consiga ler o texto bíblico realmente à
luz do que estava acontecendo lá naquela
época na Corinto Romana. daquela época,
né?
>> Ah, e uma das características daquela
época, daquela sociedade,
>> eram os mestres, os filósofos, que na
verdade na época eram chamados de
sofistas. Sofistas ali na época não
tinha um um significado ruim, mas eram
esses mestres que viviam de conseguir
alunos ou discípulos. esses discípulos
morariam com os seus mestres, ah, seriam
ensinados pelos seus mestres, não só o
conteúdo, mas também como comunicar o
conteúdo. Então, havia uma grande
competição entre esses mestres para que
eles conseguissem os alunos mais
abastados, os alunos das melhores
famílias, melhores no conceito deles,
né? melhores em matéria de quanto eles
poderiam ganhar de influência e de
dinheiro a partir daqueles filhos das
famílias nobres. E aí então esses
mestres iam paraa praça pública e
começavam a discutir entre si a e
menusprezar uns aos outros. A grande
tentativa era humilhar o mestre oposto
de tal maneira que eu consiga mostrar
que eu ganhei dele no debate, que a
minha retórica, o meu meu jeito de me
expressar é melhor e assim eu
conseguiria os melhores os melhores
alunos. E aí a como uma um dos
princípios básicos desse discipulado,
veja, a gente tá falando de discipulado
pagão, o discipulado que os mestres
filosóficos exerciam, que é o mesmo
conceito do discipulado cristão, é o
conteúdo que varia. E esses alunos, eles
tinham como objetivo a imitação do seu
mestre. Se o mestre tem como objetivo a
humilhação dos outros mestres, então o
aluno também tem como objetivo humilhar
os outros mestres e os seus alunos. e os
seus discípulos. A igreja de Corinto
vive nesse contexto. Então, quando Paulo
primeiro planta a igreja e aí depois que
Paulo sai, vem Apolo e fica como o
pastor da igreja por um tempo. E Apolo,
ao que tudo indica, era um homem mais
eloquente do que o apóstolo Paulo. Ele
tinha uma presença física mais bela,
mais forte do que o apóstolo Paulo.
Então, a igreja se divide entre aqueles
que continuam fiéis ao apóstolo Paulo e
aqueles que passam a desprezar o
apóstolo Paulo em prol de Apolo. É até
possível que tenha desenvolvido também
outros dois partidos, que é o partido de
Pedro, né? O partido de Cefas e o
partido que queria ser mais espiritual e
dizia: "Não, nós só seguimos a Cristo,
nós não seguimos mestres humanos". Só
que o problema é que isso,
>> até hoje tem essa história, viu?
[risadas]
>> Ah, tem,
>> eu não sou nem isso, nem sou aquilo. Eu
sou de Jesus. Eu sou de Cristo. É quem
tenta ser melhor do que todos os outros,
né? talvez seja o pior grupo, na
verdade.
>> Então, a a partir do momento que esses
grupos se fazem na igreja, eles dividem
a igreja e começam a humilhar uns aos
outros, começam a fazer disputas
públicas para ver, ó, qual é o grupo
melhor, qual é o grupo que tem a melhor
teologia, qual é o grupo que tem a
melhor eloquência, qual é o grupo que
tem a melhor capacidade. Coisa que às
vezes acontece no nosso meio quando a
gente discute a minúcias da teologia e a
gente então declara o outro do outro
lado como se fosse nosso inimigo, né? E
declara que os nossos mestres são os
melhores, os nossos da nossa linha são
são muito mais eloquentes e muito mais
competentes e tem muito mais títulos.
Então, quer dizer, não é uma coisa tão
diferente daquilo que tem nas nas nossas
igrejas. Só que ali na época acontecia
numa igreja local. Talvez essa seja a
principal diferença, né? Que isso que
entre nós às vezes acontece tristemente
entre denominações e tradições
religiosas diferentes, tradições
evangélicas diferentes, lá acontecia
dentro da igreja local. E aí já vemos
essa a importância da gente meditar, né,
no que está acontecendo em Corinto, como
também de alguma maneira acontece nossos
dias, ainda como influência dessa
competitividade
equivocada, né, porque a busca é por
união, né? Claro que a união não deve eh
abrir mão da verdade, né? Mas a gente
deve buscar a união. A verdade deve ser
para unir e não para separar, né? E isso
é já uma coisa importante a gente
entender como é que Corinto está sendo
afetado e como a gente também tem algum
nível de influência disso também. Agora,
um outro aspecto que ele vai falar que é
interessante a gente ver na epístola, a
questão de julgamento, né? Ele vai falar
sobre o julgamento em alguns capítulos,
tanto no quesito de um julgamento moral
ah dentro da própria igreja, como também
questões de cristãos indo ao tribunal. E
como era então ah essas questões de lei,
de lei criminal, de lei civil ali para
Corinto e como é que isso estava
afetando a igreja também?
Corinto era uma província romana, o que
significa que o que acontecia em Roma,
na capital do Império Romano, acontecia
do mesmo jeito em Corinto. Eram as
mesmas leis, eram os mesmos valores, né?
Até o autor chama o tempo, o tempo todo
isso de romanitas, né? Ah, que é esse
jeito romano de viver. E Corinto tava de
cabeça nisso, né? E uma das coisas é
que, por exemplo, só tinham acesso a à
lei, aos tribunais, aqueles cidadãos que
eram realmente cidadãos do Império
Romano. Então, se você não fosse cidadão
do Império Romano, você não teria
acesso. E lembrando que cidadania romana
era um título. Então, não adiantava
nascer no Império Romano simplesmente,
você precisava ter um título. aquele
título que o apóstolo Paulo tinha por
direito de nascimento, ou seja, ele era
de uma família, de alguma forma, uma
família um tanto quanto nobre. Ah, e
outras pessoas tinham que juntar muito
dinheiro para conseguir comprar esse
título, né? E aí tinha aquelas famílias
tradicionais,
>> era uma espécie de green card, é muito
parecido, é muito parecido. E aí tinham
aquelas famílias super tradicionais
romanas que também tinham o direito de
nascimento, né? tinham o título, porque
eles eram os, por assim dizer, os
fundadores, né? Ah, então esses tinham
acesso a a a à questão, né, dos
tribunais. Ah, quem era mais pobre,
mesmo que fosse cidadão romano, não
poderia processar alguém de uma classe
ah socioeconômica superior. Então, essa
era uma outra barreira. Então, moral da
história, eh, escravos, mulheres,
crianças, pessoas de outras cidades que
não tinham o título do de cidadãos
romanos. Esses não tinham acesso à lei,
não tinham acesso aos tribunais.
Ah, e o que aconteceu é que esse modo de
pensar, esse modo elitista de pensar, e
essa é uma das principais marcas do
Império Romano naquela época, esse
elitismo. Esse elitismo tinha entrado na
igreja de Corinto. O o autor do Bruce
Winter mostra isso muito claramente,
como é que a questão que é tratada ali
no capítulo 5, ah, muito provavelmente
tinha a ver com a condição
socioeconômica
dos que estavam cometendo pecado
gravíssimo ali, o o homem, o rapaz que
estava possuindo a mulher do próprio
pai, e que isso não tinha sido levado a
sério pela igreja em matéria de
disciplina eclesiástica por causa do
nível socioeconômico, tanto da mulher
quanto do rapaz. Parece que a mulher nem
é parte da igreja, porque Paulo não fala
para fazer a disciplina dela. Paulo fala
para fazer a disciplina só do rapaz.
Então, parece que ela nem é parte da
igreja. Parece que parte da igreja são o
rapaz e possivelmente o seu pai que
estava sendo sendo traído aí pelo
próprio filho, né? Ah, então veja,
existiam leis no império romano que
impediam a até mesmo esse tipo de
situação, um homem ter relações com a
mulher do próprio pai. Isso, isso tinha
lei promulgada pelo imperador que
proibia esse tipo de situação. Mas de
novo, essas leis eram muito mais para
serem aplicadas para pessoas de uma
classe socioeconômica mais baixa ou para
pessoas que não não fossem muito
destacadas na sociedade do que entre
iguais. Quando iguais faziam, quando
pessoas da alta faziam esse tipo de
situação, então o Império Romano fazia
vistas grossas e a igreja aprendeu a
fazer a mesma coisa, infelizmente.
Então, é disso que Paulo tá tratando
provavelmente o que tudo indica. Esse é
o contexto do que tá acontecendo ali em
primeiros Coríntios, capítulo 5.
>> Muito interessante. Ou seja, eh essa
questão desse elitismo aí estava
influenciando a maneira que as pessoas
eram julgadas, né? né? E da mesma forma
que era em Corinto, na cultura, a igreja
tava fazendo. Quem era mais supostamente
importante ou tinha mais posses ou
enfim, acabava sendo mais desculpável de
seus pecados, né? Explicação.
>> Exatamente isso.
>> Ainda que fossem pecados gravíssimos.
>> Pois. Pois é. E que pecado, né? Eh,
agora quando a gente vê o avanço do
livro, tem um outro texto que ele é
muito interessante, até porque ele tem
muito a nos ensinar, mas ele pode ser
muito mal interpretado. E em certo
momento em Coríntios, Paulo vai falar
basicamente que tudo é permitido, mas
nem tudo convém. E essa é uma expressão
que, especialmente para essa epístola,
onde tantas coisas acontecem, tantas,
tantos pecados e, enfim, ela, ela é uma
frase muito forte. Então, o que que
Paulo quer dizer com isso, né? E por que
que ele fala isso para os coríntios em
específico,
>> Saor? Esse é um dos textos mais difíceis
da Bíblia, porque é necessário que a
gente tenha a
capacidade de entender que no texto
existe uma citação.
Então, hoje as traduções, as edições
mais contemporâneas, elas nos ajudam
porque elas colocam, entre aspas, elas
colocam o tudo me é permitido entre
aspas.
E de fato é isso que tá acontecendo ali
no texto. Não é Paulo quem está
ensinando tudo me é permitido. O que tá
acontecendo ali no texto é que Paulo tá
citando uma posição muito comum ali na
sociedade romana que alguns cidadãos
tomavam para si essa permissividade.
Eles diziam: "Não, para mim, como eu
pertenço a essa família, como eu
pertenço a essa classe social, como eu
sou um homem, como eu sou um cidadão
romano, então para mim tudo é
permitido." Então, havia algumas pessoas
da igreja corso
a respeito de si mesmas e dizendo:
"Olha, embora eu seja cristão, para mim
tudo é permitido".
Ah, e o apóstolo Paulo combate essa
posição, o que acontece tanto no
capítulo, no capítulo 6, quanto no
capítulo 10, quando Paulo cita esse
slogan, né, Paulo tá combatendo essa
posição. Olha, eu já vi gente tentando
se esforçar muito para explicar como se
fosse Paulo dizendo: "Olha, tudo me é
lícito". Gente, tá claro na Bíblia que
nem tudo é lícito? Isso é muito claro na
Bíblia. A Bíblia tem os 10 mandamentos.
Não matarás, não terás outros deuses.
Não, não, nem tudo nos é lícito. E Paulo
também não tá dizendo tudo nos é lícito.
Ele tá citando o que os coríntios
pensavam. Ele tá citando uma coisa que
era comum na sociedade cor. Além disso,
Saor, existe o fato de que os coríntios
não acreditavam na ressurreição do
corpo. Isso está lá no capítulo 15. E
por não crer ressurreição do corpo,
alguns deles chegaram à conclusão: "Se
eu não vou ressuscitar, se esse corpo
aqui vai ser totalmente destruído, então
o que eu faço no meu corpo não tem
influência ah paraa eternidade,
então tudo me lícito." Então existem
dois problemas que culturais, dois
problemas do paganismo que estavam em
operação ah para eles chegarem nessa
posição. Um era o elitismo, um era
alguns cidadãos têm mais direitos do que
outros e podem fazer qualquer coisa que
eles quiserem. E o outro problema era o
problema da de não crerem na
ressurreição. Eles eram materialistas,
eles eram dualistas, eles eram, nesse
sentido, influenciados pelo
neoplatonismo
que não acreditava na ressurreição do
corpo. Acreditava o corpo, a matéria é
totalmente má e a alma, o espírito é
totalmente bom. Então, o que eu faço no
corpo não interfere na minha alma, então
tudo me é lícito. E Paulo vai contra
esses pensamentos pagãos que estavam
circulando lá em Corinto e que tinham
tomado conta da igreja. Paulo vai contra
isso. Eu tenho um artigo na Feds
Reformata que trata exatamente sobre
isso. Então fica aí a dica pro pessoal
ah que mostra como é que existe uma uma
estrutura literária, um um gênero
literário específico chamado de atribção
aí nesse texto. E aí quando você vê
isso, o texto se abre completamente.
Aliás, Paulo faz muito uso dessa dessa
figura aqui, né, para argumentar,
apresentando qual é a visão das pessoas
e então qual é a resposta. Então, se a
gente pegasse um exemplo aqui que me
veio à cabeça, né, é como se alguém
estivesse dizendo assim, né, como se
Paulo tivesse citando uma frase de
alguém, ah, meu corpo, minhas regras.
Ah, é, mas esa aí, universo de Deus,
regras de Deus, né? É como se ele
tivesse fazendo isso.
>> Perfeita ilustração, Saor. É exatamente
isso que Paulo tá falando. Ah, meu
corpo, minhas regras, entre aspas. E
Paulo, então, vai contra isso e
apresenta a boa teologia para enocular a
má a má visão, a má ideologia que estava
ali por trás daquela daquele ditado
popular pecaminoso.
>> Entendi. Fez sentido. Muito bom. E é
interessante porque, rapaz, é um
textinho curto, é um daqueles que é
fácil de você memorizar, né? Então, as
pessoas estão por aí citando de cabeça e
ah deturpando muita coisa por causa
disso. Que bom que a gente tem uma boa
explicação. Esse livro ajuda. Você
trouxe aqui um bom exemplo. Tem o seu
artigo também na Fides Reformato.
Excelente. Ah, e como você falou, isso
foi levando eh essa essa frase, essa
ideia com essa cultura neoplatônica,
essa dicotomia entre matéria e espírito.
Várias outras questões foram acontecendo
e dentre elas uma que nós vemos Paulo
falar um pouco é da glutonaria e da
embriaguez, que é algo que também tem
muita relevância até pros nossos dias,
pra gente entender também, né? Então,
qual era o problema de glutonaria, de
embriaguez que acontecia naquela época e
a sua influência pra igreja?
>> Esse era um problema enorme no Império
Romano como um todo. Ah, bem, a cultura
romana não achava que isso era um
problema. Essa é esse é o essa é a
verdade, né? Ah, mas o fato é que
naquela época, veja, as pessoas não têm
televisão, não tem internet, as pessoas
não têm muitas coisas que nós temos de
entretenimento hoje em dia, né? Então,
uma das formas principais de
entretenimento da época era ir a um
algum lugar, poderia ser um templo de
algum deus época, ou poderia ser algum
lugar cívico ou alguma casa de alguém
mais abastado, cuja casa era grande o
suficiente para receber pessoas. E ali
aconteceriam os banquetes. Os banquetes
eram o principal
momento cultural a ou social que
acontecia no Império Romano. Então, era
no banquete que negócios eram fechados,
era no banquete que os relacionamentos
aconteciam e que existia, a partir dos
relacionamentos, possibilidade de
ascensão social. Era nos banquetes que
alguém se tornava um cliente de um
patrono. Esse patrono passaria a ajudar
essa pessoa com influência, com
dinheiro, a fim de que essa pessoa
escalasse socialmente. Tudo isso
acontecia nos banquetes. E esses
banquetes eram regados a muita comida,
só que essa comida era porcionada, era
dividida dependendo da sala que você
estivesse. Então, havia sala onde tinham
as pessoas mais importantes e ali era
oferecida a melhor comida e de maneira
mais abundante. Existiam salas de
pessoas consideradas menos importantes,
aonde haveria uma comida de qualidade
inferior e menos quantidade.
E havia também abundância de vinho, tá?
abundância de vinho. E as pessoas então
comiam muito, com glutonaria mesmo e
bebiam muito também com com grande ah
sem nenhuma restrição, com grande
liberdade. [suspirando] E após esses
banquetes acontecia aquilo que era
chamado de pós-banquete, que aí era um
momento onde as pessoas se entregavam a
todo tipo de moralidade sexual. Então,
havia prostitutas que eram contratadas
para virem a esses banquetes, onde essas
coisas aconteceriam. Apenas os homens
participavam desses banquetes. Ah, os
homens da alta sociedade, as suas
esposas, suas famílias não
participariam. O menino, a partir do
momento lá seus 14, 15 anos, que ele
passava a usar uma roupa especial
chamada toga viriles, roupa de homem,
ele passaria a participar desses
banquetes também junto com seu pai, etc.
e tal.
E e esses banquetes eram momentos muito
muito importantes no Império Romano. Ah,
então esse é o contexto que você tem ali
em Corinto, uma profusão, uma abundância
desses banquetes. Lá em Corinto existia
o templo de Demétrios, é um dos deuses
da época. E e a arqueologia encontrou
mais de 40 salas de jantar dentro desse
templo. Então você imagina, um só templo
tinha mais de 40 salas de jantar. A
arqueologia também encontra algumas
casas, né, as ruínas de casas romanas e
e e mostra claramente como é que essas
casas tinham um ambiente maior, onde as
pessoas comiam reclinadas, né, comiam
meio que deitadas num divã e outros
ambientes menores onde outras pessoas ah
comeriam um outro tipo de comida. Então
esse conceito aí, esse contexto dos
banquetes era um contexto muito
importante para para aquela época.
Interessante. Então realmente a
glutonaria não era somente algo que você
fazia em casa, né? né? O o simples auto
ato de comer demais, ainda que a
glutonaria nesse sentido também possa
ser um pecado e não só para quem é mais
gordinho ou enfim, mas ali tinha toda
uma outra questão da entrega a qualquer
saciação de apetites, apetite da sede,
da fome, o apetite sexual, tudo isso.
>> Isso eram padrões de fora que estavam
chegando para Corinto. Interessante.
Interessante. E quando a gente passa
disso, a gente vai para outra outro
assunto que parece muito menor perto
desse, mas ainda assim até nos dias de
hoje gera algumas dúvidas e
argumentações. E esse o assunto é o do
véu, né? A gente vê eh Paulo em meio a
uma conversa sobre a o uso do véu para
as mulheres. O que é que está
acontecendo ali? O que é que é esse véu?
Por que que as mulheres tinham que usar
e até como isso se relaciona aos nossos
dias?
>> Olha, essa é difícil essa pergunta, viu
Saor? Porque existem diferentes
interpretações. Então, eu vou falar o
que que o Bruce Winter apresenta como
interpretação.
Ele ele diz que o comum era que as
mulheres usassem vé. As mulheres casadas
no império romano, elas usavam vé quando
estavam em público, não em casa, mas
quando estavam em público, usavam véu
para deixar claro que elas eram mulheres
casadas.
Ah, e o problema é que existia uma
espécie de feminismo ali acontecendo
naquela época em Roma e nas províncias
romanas.
>> Ah, e no
>> já tinha nessa época,
>> já existia, sempre existiu, não é? Ah,
assim como sempre existia o machismo
pecaminoso também, né? Sim, sim.
>> Então, existia naquela época esse
feminismo, ah, no sentido do das
mulheres, a nova mulher romana era uma
mulher que arrogava para si os mesmos
direitos que os homens tinham, ah,
inclusive o direito de sair onde ela
quisesse, sem usar o seu véu. E e parece
que, ou para o Bruce Winter, é isso que
estava acontecendo ali, ah, na na
situação do uso de vé, né? Uma diferença
muito interessante da interpretação do
Bruce Winter nessa passagem é que ele
diz que quando ele diz por causa dos
anjos, né, que as mulheres deveriam usar
vé por causa dos anjos, ele apresenta a
possibilidade da interpretação de por
causa dos mensageiros. Então, disso não
ter a ver com seres espirituais, mas
disso ter a ver com pessoas que estavam
frequentando as reuniões dos cristãos
como observadores das autoridades
romanas, a fim de saber o que que tava
acontecendo ali. E se nessa situação,
>> então, então, perdão, reverendo, então a
ideia aí seria o significado da palavra
anjos que ele tá apelando, né? anjos
como mensageiro, ele apela para isso. E
aí
>> eh seria então nesse caso dele a a
tradução melhor até nem seria anjos, mas
literalmente mensageiros. Exatamente. E
nesse caso a preocupação de Paulo era se
alguém vem de fora como um observador de
uma autoridade romana e ele vê as
mulheres profetizando na igreja sem vé,
essas mulheres vão ser a comparadas com
a nova mulher romana, com essa mulher
que não quer submissão e essa mulher que
muitas vezes é inclusive imoral, essa
mulher que não se coloca debaixo do seu
próprio esposo. Então Paulo vai contra
isso. E uma outra coisa que o que o
Bruce Winter chama atenção é o fato de
que os homens na cultura romana, os
homens da alta sociedade, quando eles
iam oferecer um sacrifício, eles sim
colocavam véu. Então uma das imagens
mais famosas de César Augusto, do
Imperador Romano, é a imagem dele com um
véu como o sumo sacerdote, como o sumo
pontífice do Império Romano,
apresentando sacrifício aos deuses.
E de fato no texto Paulo não fala só do
problema das mulheres não quererem usar
vé, mas ele também fala do problema de
alguns homens quererem usar véu. Então
os homens queriam usar vé para se
assemelharem às autoridades romanas e as
mulheres não queriam usar véu para
declarar a sua independência. E Paulo
vai contra essas situações, né? É claro
que essa não é a única maneira de
reconstruir o que estava acontecendo lá
em Corinto. Existem a e como a gente tá
lidando com questões históricas e as
questões históricas se baseiam nos
livros da época, se baseiam nas moedas
da época, se baseiam na arqueologia de
dados que a gente consegue dessa maneira
por meio de a a tanto inscrições de
placas da época quanto ruínas da época.
Então, a gente não tem todas as
informações que a gente gostaria de ter
e algumas dessas informações são
antagônicas. Então, é difícil de ter
certeza absoluta se era isso exatamente
o que estava acontecendo ali em Corinto.
Agora, uma coisa que fica clara no texto
é que tinha de fato a ver com a a esposa
não demonstrar a estar debaixo da
autoridade do seu marido. Como atualizar
isso paraa nossa época é um desafio
enorme. E por isso que tem igrejas que
fazem coisas diferentes nesse sentido,
né? Você tem igrejas até reformadas fora
do Brasil que optam pelo uso do véu
paraas mulheres que usam então uma uma
aplicação bastante literal do texto. E
você tem outras igrejas que ah dizem:
"Não, a a mulher vai mostrar a sua
submissão ao não participar do
ativamente do culto. outras igrejas que
talvez poderiam até dizer: "Não, se a
mulher tiver usando uma aliança, esse é
o símbolo de que ela está debaixo de
autoridade do seu marido." Então, a ou
uma atitude, mais do que só um símbolo
visível, uma atitude do coração que
demonstre submissão. Então, como aplicar
esse uso do veloca
é um desafio enorme para o qual eu não
tenho uma solução. Ah, porque não existe
algo, como é que você faz a atualização
de uma coisa dessas, né? Isso é
inclusive cultural, depende de cultura
para cultura. É verdade. Esse é um
daqueles textos que assim nós podemos
ter a nossa interpretação e aplicar
explicarmos o porquê de concluirmos
dessa maneira, mas devemos ter cuidado,
né?
>> Com certeza.
>> É, tentar impô-la a todos, né?
>> Exato.
>> Muito bom. Agora, ah, disso daí, uma
outra questão que a gente vê em Corinto
que é muito interessante é Paulo falando
sobre a não ser bom que se casassem ou
ou ser melhor que não se casassem, né?
talvez seja a melhor forma de colocar. E
aí o porquê disso, o que que tá
acontecendo em Coríntios, que Paulo ou,
enfim, no contexto em geral que leva
Paulo a falar sobre isso, né? Eh, e como
é que isso vale para os nossos dias
também?
>> Legal. Eh, Paulo e, e de novo, tá? Eh,
existe uma interpretação do Bruce Winter
no livro que é muito boa e e baseada
assim em materiais da época, em dados
históricos, né? Então, o que ele levanta
é a informação de que depois que Paulo
saiu de Corinto, ah, houve houve uma
grande fome que veio para aquela região,
né? Então, as colheitas não estavam
dando conta de alimentar todas as
pessoas. Ah, e então alguns estavam
inclusive relacionando isso a na
interpretação do do Intercatológica.
Então, nós estamos vendo o cumprimento
do sermão de Jesus de fomes e e sinais
no céu. Tinha tido um terremoto naquela
época também. Então, algumas coisas
tinham acontecido, estavam fazendo
algumas pessoas acharem que o final dos
tempos estava chegando. Até no mundo
pagão, houve esse tipo de interpretação,
que algum tipo de final do dos tempos
estava chegando. E o e o e o autor nos
mostra que existia naquela época então
distribuições de alimentos. uma das
pessoas mais importantes e celebradas
daquela época, e a gente sabe disso por
causa das placas que o celebravam da
época, era o distribuidor de comidas.
Era uma uma pessoa da cidade que tinha
essa responsabilidade de distribuir
comidas, como se fosse um José de
Corinto, né? O José do Egito, ah, como
se fosse agora. era um homem pagão que
tinha essa função e ele foi muito
celebrado pelas várias ah tribos que
compunham a cidade de Corinto. Então, o
Bruce Winter sugere para nós que esse é
o contexto, esse contexto aí de a
escassez extrema é o contexto pelo qual
Paulo está chamando os cristãos a
pensarem: "Olha, será que nesse contexto
aqui é é o momento de se casar?"
Ah, e participa disso também a uma
maneira de pensar que era comum aos
coríntios, que era você precisa
aproveitar o que essa vida tem para dar
enquanto você está no corpo, porque
depois que você morrer, você não vai
mais ter corpo para aproveitar os
prazeres do alimento, os prazeres da
bebida, os prazeres sexuais. Então, a
única chance que você tem de aproveitar
prazeres é aqui agora. Então, aproveite
logo, porque depois disso o corpo vai
ser destruído. E o apóstolo Paulo vai
absolutamente contra isso, mostrando,
não vai haver ressurreição do corpo, vão
haver prazeres no reino celestial,
não nós não seremos destruídos e
destituídos do nosso corpo de uma vez
por todas. Então, a gente não precisa
viver essa vida como se essa vida fosse
a última oportunidade de termos algum
tipo de alegria. Muito pelo contrário,
as alegrias do céu, as alegrias de você
investir-se hoje no reino e então depois
na ressurreição ganhar recompensas, são
alegrias que valem extremamente, valem
muito a pena. Então Paulo chama os
cristãos de Corinto a terem uma visão
menos secular no sentido do casamento,
até da valorização, da supervalorização
do casamento, como se só fosse possível
ser feliz casado. E Paulo diz: "Não
considerem a possibilidade de serem
feliz servindo a Deus nessa vida e então
a usufruírem as bênçãos de Deus no reino
vindouro. Claro que não. As bênçãos do
casamento, porque se a Bíblia deixa,
claro que não vai não vai continuar, mas
as bênçãos espirituais e bênçãos
físicas, já que o nosso corpo também vai
ressuscitar. Então havia várias coisas
acontecendo ali na época a que
justificam o apóstolo Paulo dizer:
"Olha, considerando a atual situação
presente, é melhor não se casar". Ah, de
tal maneira que nas nossas igrejas nós
às vezes vemos uma certa idolatria do
casamento. E é contra isso que Paulo tá
combatendo. Paulo tá dizendo: "Não é
possível ah ser solteiro. Se você foi
chamado para isso, se Deus te deu esse
dom. é possível ser solteiro e ser
completamente realizado.
Então, é é sobre isso que o apóstolo
Paulo tá falando. Uma outra coisa que
acontecia ali era o inverso, né? Eram
aqueles que eram casados, mas por uma
visão de de ah, não, eu preciso negar
completamente a minha carne, já que a
carne é totalmente má. Então, alguns dos
casados não estavam tendo relações
sexuais dentro do casamento, que é o
problema ali do começo do capítulo sete,
né? E aí Paulo também combate essa outra
visão. É curioso, né? Porque o dualismo,
quando você é muito materialista, quando
você faz uma distinção radical, na
verdade, entre alma e corpo, então ou
você cai na libertinagem ou você cai no
acetismo, né? E essas, esses dois
fenômenos estavam presentes lá na igreja
de Corinto. Tanto tinha uma ala da
igreja que era uma ala libertina que
achava que não tinha problema nenhum
para frequentar os banquetes e ter
relacionamento com prostitutas. Então
tinha uma ala totalmente libertina na
igreja, mas você também tem uma alaeta
na igreja de Corinto que acha que nem
dentro do casamento é possível usufruir
as bênçãos do relacionamento sexual. E
Paulo vai contra esses dois exageros,
porque Paulo apresenta uma teologia
correta da ressurreição, uma teologia
correta a respeito do corpo humano. E
essas teologias corretas, esses
pensamentos, essa cosmovisão bíblica
ajuda então a resolver essas ideologias
erradas. Olha só, no assunto de
casamento, ele já fala sobre diversas
questões. Ele vai falar sobre o
acetismo, ele vai falar sobre eh uma
promiscuidade, ele vai falar sobre o
divórcio, ele vai falar sobre várias
questões e a gente já falou de muitas
outras. Coríntios tem muito isso, né?
Você vê Paulo falando de diversos
assuntos, eram muitas questões mesmo.
Ah, caminhando aqui pro fim, vamos
tentar trazer só mais uma questão ah
específica da carta para depois a gente
já ir para perguntas mais gerais. Mas
quando a gente vê Paulo falando eh do
culto ao imperador, como é que
funcionava esse culto? Eh, por que que
ele estava impactando a igreja? Como é
que isso acontecia?
Assim como era muito comum em outras
culturas também há muito tempo na
história, né? A cultura babilônica, a
cultura medopersa,
sempre foi comum na história idolatrar o
líder máximo do império, né? Então, o
líder máximo era tido como um dos deuses
do panteão. Você tem um panteão cheio de
deuses. Um deus é o principal. Você tem
outros deuses e você tem aqueles seres
humanos que adquirem um status de Deus.
Seres humanos que são elevados à
condição de Deus. A palavra grega para
isso era apoteose. É ser elevado à
condição de Deus, né? E isso era uma
coisa que acontecia com os imperadores.
O imperador, quando ele morria, ele
passava por uma apoteose. Então,
começava todo um processo de adoração do
imperador anterior. Então, o imperador
novo, o filho do anterior, normalmente
era um filho adotivo, inclusive ele
passava a fomentar a adoração ao seu pai
como o imperador que acabou de falecer e
de, portanto, subir ao mundo dos deuses.
Mas em determinado momento ali um pouco
antes de Cristo, essa adoração ao
imperador passou a a ser aplicada pro
pro imperador que estivesse vivo também.
Então assim, é muito comum naquela
região do Império Romano, em vários
países que abrangem a o Império Romano
de então, é muito comum você encontrar
altares de adoração ao imperador,
templos de adoração ao imperador,
inscrições que louvam o imperador como
se ele fosse Deus, moedas que chamam o
imperador de Deus e que o o mostram
vestido como se ele fosse um deus.
Então, além de ser o sumo pontífice, a
principal conexão entre os homens e os
deuses, o imperador passou a ser adorado
como se ele também fosse um deus. E isso
passou a ser uma realidade nos eventos
cívicos. Então, por exemplo, ali em
Corinto havia os segundos jogos mais
importantes do mundo antigo. Primeiro
era o jogo olímpico e o segundo era eh
os os jogos olímpicos e o segundo jogo
mais importante eram os jogos da os
jogos ítimios. E isso isso era em
Corinto que aconteciam esses jogos. E
durante esses jogos aconteciam esses
banquetes. E durante esses banquetes a
acontecia sacrifícios em honra ao
imperador. E o alimento que era
oferecido ali era um um alimento que foi
sacrificado em honra ao imperador e aos
outros deuses. E participar desses
eventos era era assim, era uma situação
ah quase mandatória para alguém que
quisesse pertencer à sociedade romana.
Então se os cristãos
>> é quase como assistir futebol no Brasil.
Exatamente. Se você quer participar da
sociedade, você precisa assistir. Agora,
imagine que para as socialmente, para
ter a melhores oportunidades, você
precise participar do futebol, para ter
maiores condições financeiras e fechar
melhores negócios, você precisava
participar do carnaval, por exemplo, não
é? Então, imagina uma empresa que obriga
os seus funcionários a participarem do
carnaval. E se você não participa, se
você não vai lá no no lugar específico
para participar do carnaval, então eles
vão tirar certas oportunidades de você.
Essa era a situação dos dos cristãos de
Corinto. Então, alguns sucumbiam, alguns
participavam dessas desses eventos
cívicos com adoração tanto ao imperador
quanto com adoração ao panteão de
deuses, já que o imperador era o
principal fomentador e o principal
incentivador dessa adoração a ao panteão
de deuses romanos, né? Então, os
cristãos sofriam essa pressão e alguns
caíam nesse pecado. E Paulo também
escreve na carta a fortalecendo os
cristãos no sentido de resistirem, de
não se formatarem a essas a esses
valores e a essas circunstâncias.
>> Muito interessante, rapaz. São diversas
questões que, como você falou, o Bruce
aborda aqui a partir de uma pesquisa
profunda de história, de arqueologia,
muito interessante, muito enriquecedor,
daqueles livros que você realmente sai
com todo um arcabolso novo de cultura,
né? Excelente. Agora, quando a gente vê,
né, indo para um aspecto bem próximo da
nossa atualidade, a gente vê a igreja de
Corinto sendo muito influenciada pela
cultura e nós vivemos numa cultura que
cada dia mais tem se infiltrado na
igreja através das mídias, através das
séries, através das músicas, através ah
dos diversos contextos. E a questão é
como é que nós temos visto essas
influências, né? Em que exemplos nós
podemos dar de situações em que a igreja
está sendo influenciada?
>> Olha, muita coisa, viu? Inclusive,
várias das mesmas ah vários dos mesmos
valores presentes lá em Corinto a gente
tem na nossa época, né? Então, assim
como em Corinto existia um certo
feminismo, a nossa época é cheia desse
feminismo, né? Eh, assim como havia um
secularismo em Corinto, ou seja, ah,
vamos viver preso às coisas desse mundo,
no aqui e agora, um imediatismo. Não
vamos pensar nas coisas do do além, nas
coisas do além morte, nas coisas do
depois da morte. Isso é o nosso o nosso
existencialismo,
ele ele tem elementos muito parecidos
com aquele dualismo daquela época, né? O
o resultado, não exatamente a filosofia,
mas o resultado prático, ele se
assemelha em muitas coisas. Na nossa
época, a gente tem o desafio da
tecnologia, né? e de nós sermos cada vez
mais presos num mundo tecnológico que
faz com que a gente viva numa velocidade
enorme, não tenha tempo para nada. E a
igreja muitas vezes assume isso. Uma
coisa bem prática, por exemplo, as
igrejas têm diminuído muito o número das
suas reuniões, não é verdade? Então,
quer dizer, antigamente os cristãos se
reuniam algumas vezes durante a semana e
mais de uma vez no domingo. E cada vez
mais na nossa cultura, as igrejas têm
aberto mão de trabalhos tanto durante a
semana quanto aos domingos para um só
evento, um só, uma só reunião no
domingo. Veja, a Bíblia não ordena que
as igrejas se reúnam a duas vezes por
domingo, mas é um fenômeno curioso que a
gente tá vendo de os cristãos terem cada
vez menos contato entre si, os cristãos
terem cada vez menos oportunidades de
comunhão. E isso tem a ver com uma com
uma questão da nossa época, um
imediatismo, uma correria, uma
tecnologia, uma vida, todo mundo
procurando muito conforto para si, não
é? Então, as coisas que incomodam eu
tento tirar da minha vida. Então, se eu
tenho que pegar muito trânsito para ir
na igreja, então eu tiro a igreja da
minha vida, porque está me incomodando.
Eu sou, eu sou o senhor de mim mesmo.
Tudo me lícito, não é? [risadas]
Eu sou o senhor de mim mesmo. E eu então
tomo minhas decisões sem pensar ah na na
igreja, sem pensar no bem do meu
próximo, sem pensar no bem da minha
família. Existe uma concepção na nossa
época a respeito do que que é sucesso. E
essa concepção, ela tá muito dentro da
igreja. Eh, a a sociedade tem uma visão
do que é sucesso. E muitas vezes você vê
a mesma concepção dentro da igreja.
Sucesso é ser muito conhecido. Sucesso é
ter muito dinheiro. Sucesso é conseguir
ascensão profissional e socioeconômica a
qualquer custo. E a igreja às vezes
assume esses mesmos valores. Aquela
coisa da sociedade corriar
as pessoas mais abastadas, as pessoas
mais destacadas socialmente. A gente tem
visto absurdos na nossa época a respeito
disso, com, por exemplo, esses files,
por exemplo, não é? Cada coisa absurda
que as pessoas mais poderosas e ricas do
nosso mundo fazem. E às vezes, em alguma
medida, isso influencia também a igreja,
isso influencia a mente dos cristãos,
influencia, poxa, se esses super
poderosos podem fazer esse nível de
absurdo, então eu posso fazer esse outro
nível aqui, não é? Então, uma
permissividade que a gente dá a nós
mesmos, que cada um dá a si mesmo, que
não é a permissividade das Escrituras, a
Bíblia tem a lei de Deus, a vontade de
Deus expressa e é uma vontade eterna,
uma vontade que se aplica a todos os
cristãos. Então, do mesmo jeito que os
coríntios eram influenciados por muitos
valores de sua época, nós somos muito
influenciados pelos valores pagãos da
nossa época, alguns dos quais são muito
semelhantes aos que eles tinham também.
É verdade. E como é que nós podemos nos
proteger disso? Como fazer o possível
para que essas influências não nos
afetem dessa maneira, para que estejamos
protegidos, estejamos mais firmes no
Senhor? Interessante, né? Porque Paulo
combate tudo com teologia. Paulo usa
teologia boa, teologia avançada.
Ah, várias cartas de Paulo tem aquela
divisão clássica entre parte mais
teórica e parte mais prática, né? ou que
alguns chamam de indicativo e o
imperativo. A carta aos Coríntios não. A
carta aos Coríntios tem ela levanta qual
é um problema, então ela apresenta a
teologia para resolver aquele problema.
Qual é o problema? Teologia que resolve
aquele problema. Então, por exemplo,
para resolver os problemas das divisões,
Paulo falou a respeito da teologia da
igreja. O que que é a igreja e o que que
é a nossa salvação? Deus escolhe não as
pessoas mais
vistosas e e de mais nobre nascimento e
e mais inteligentes, mas Deus escolhe
aqueles que não são a fim de envergonhar
os que são. Então, se é isso, se esse é
o padrão da escolha de Deus em geral,
então um cristão ser orgulhoso e por
causa do seu orgulho dividir a igreja é
um absurdo. Então, olha como Paulo vai
paraa soterologia, ele vai paraa
doutrina da salvação para resolver os
problemas de divisão. Lá no capítulo 5,
para tratar sobre o problema do homem
que tá possuindo a mulher do próprio
pai, Paulo desenvolve uma teologia da
Páscoa. A gente tá aqui, né, gravando
esse esse vídeo na véspera da Páscoa.
Paulo desenvolve a a teologia mais clara
de Páscoa que tem na Bíblia. É nesse
contexto que Paulo desenvolve falando
que Cristo é o nosso cordeiro pascal.
Então, nós somos chamados para sermos os
pães asmos, os pães sem fermento, os
pães sem corrupção, que serão
apresentados juntos com o sacrifício do
nosso Salvador, do Senhor Jesus Cristo.
Quando ele trata a respeito de dons
espirituais, lá nos capítulos 12, 13 e
14, ele mostra uma eclesiologia
avançada, como que a igreja é o corpo de
Cristo, união com Cristo, onde cada um
de nós é um órgão do corpo de Cristo,
né, ou um membro do corpo de Cristo. E
órgãos diferentes têm funções
diferentes, mas os órgãos do corpo
humano trabalham todos em prol do corpo
como um todo. Eles não trabalham em prol
de si mesmos. Quando Paulo fala de
comida sacrificada a ídolos, ele traz
uma teologia a respeito da ressurreição,
que aí ele desenvolve ainda mais no
capítulo 15. Então, o apóstolo Paulo
desenvolve teologia. Então, como é que a
gente se se
previne, como é que a gente se se
precavê de de cair nos pecados da nossa
cultura com boa teologia? Saor, é boa
teologia. A gente precisa estudar as
escrituras com profundidade
para que então a gente aprenda a aplicar
essa teologia densa paraa nossa vida
prática, porque teologia não é avessa a
prática. Muito pelo contrário, a
teologia é a prática. A teologia é a
base da prática. Assim como as
ideologias do mundo são a base da
prática mundana, da prática pagã, da
prática secular, a teologia é a base da
prática cristã. Então, não existe
dicotomia entre teologia e prática.
Teologia é algo iminentemente prático. E
é assim que Paulo resolve os problemas
da igreja de Corinto, aplicando as
escrituras e explicando as escrituras de
maneira densa, a fim de que os cristãos,
que eram cristãos novos, inclusive com
tr 4 anos de conversão, a fim de que
eles aprendessem a pensar de maneira
bíblica e então viver de maneira bíblica
também.
>> Amém. Que nós façamos isso, cresçamos no
conhecimento da vontade do Senhor e
vivamos na prática dessa vontade, né?
João Paulo, e sobre esse livro, né, a
gente já
falamos muitas coisas boas aqui sobre o
livro. Para quem você recomenda? Você
acha que a só pastores vão se beneficiar
da leitura dele ou outras pessoas também
podem tirar bom proveito?
>> Olha, eh é um livro prático, é um livro
denso, né? é um livro para quem gosta de
conteúdo. Então assim, o livro tem um
bom conteúdo. Ah, o livro parte de de
estudos profundos da época, né? Mas não
é difícil de entender. Ele é profundo,
mas ele não é muito difícil de entender.
Então eu recomendaria o livro.
Certamente todo estudioso do Novo
Testamento, todo mundo que quer estudar
o Novo Testamento com mais densidade,
deve ler esse livro. Todo pastor que tá
pensando em fazer uma exposição
de Coríntios na sua igreja, tem que ler
esse livro. Gente que gosta de
apologética, pessoal que gosta aí de
discutir essa interface, né? Como é que
a gente discute com os as ideologias da
nossa época e as filosofias da nossa
época, que é uma área que muita gente
gosta. Todo mundo que gosta de
apologética deve ler esse livro, até
porque esse livro faz uma abordagem
apologética muito bíblica. Ele mostra
como é que como é que Paulo fez
apologética. Então, nesse sentido, é
maravilhoso, não é? Aprender com o
apóstolo Paulo como fazer apologética,
como dar resposta aos problemas
ideológicos da sua época a partir de boa
teologia e a partir das escrituras.
Então, o apóstolo Paulo ensina isso.
Então, todo crente que goste de se
aprofundar nas escrituras vai se
beneficiar extremamente da leitura desse
livro.
>> Muito bom, João Paulo. Obrigado aí por
esse tempo junto. Foi muito bom ter essa
conversa aqui com você mais uma vez.
Espero que a gente se encontre mais
outros e se Deus quiser iremos, né?
Temos aí segredinhos acontecendo, mas se
Deus quiser iremos.
>> Eh, que Deus continue abençoando sua
vida e ministério, meu irmão.
>> Bom demais. Sa. Deus abençoe muito
também o seu ministério, sua vida, sua
família. Sempre uma alegria conversar
contigo e com aqueles que estão aí nos
assistindo. E você aí de casa, gostou da
conversa, gostou do assunto tratado,
então esse livro aqui vai ser bção na
sua vida. Adquira, leia, tenho certeza
que você vai aprender bastante. E se
você gosta de podcasts assim, então se
inscreva na sua plataforma de podcast
preferido para não perder nenhum
episódio dos das dezenas que nós já
temos e também dos muitos outros que
virão pela frente. Deixa aí também o seu
like, seu comentário pra gente ter esse
feedback e nos ajude compartilhando com
outras pessoas. É isso aí, até a
próxima. Valeu,
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